Data: 01/11/2018

Pausa para recarregar as baterias.

Este espaço irá parar para recarregar as baterias até o dia 10 de novembro. Eu sei que o momento não é o mais oportuno, mas neste nosso mercado não existe momento ideal para paradas “técnicas”. Esses momentos costumam ser proveitosos para momentos de reflexão. Não pretendo fazer atualizações de cenário, dado o acesso restrito a internet e equipamentos eletrônicos.

A terça-feira trouxe um pouco da confirmação do cenário recente. O PIB da Área do Euro ficou abaixo das expectativas, com sinais preocupantes, em especial da estagnação da economia da Itália.

Na Alemanha, a inflação ficou acima das expectativas em setembro.

Estes números confirmam um quadro de menor crescimento e maior inflação que tenho reportado neste fórum de agora em diante, especialmente no mundo desenvolvido.

Nos EUA, o Consumer Confidence ficou acima das expectativas e atingindo um novo pico deste ciclo econômico.  A abertura mostrou novo avanço do mercado de trabalho na direção de fechamento do hiato do produto e do pleno emprego. Não há, pelo menos por ora, nenhum sinal de fragilidade estrutural da economia dos EUA que possa sugerir uma eventual mudança de postura por parte do Fed.

No Brasil, será difícil acompanhar todos os rumores e ruídos em torno do novo governo. Acho que será importante entender o que a equipe econômica está fazendo, não o que se está falando na mídia, muito parecido com o que foi (e está sendo) o governo de Trump nos EUA. Estou longe de querer fazer uma comparação entre ambos, isso é um assunto para outro momento, mas nos EUA, como aqui, teremos muito ruídos de comunicação, mas a política econômica não necessariamente será, de fato, afetada por estes ruídos.

Os ativos de risco tiveram um dia de recuperação. O mercado parece um pouco mais balanceado no tocante a preços e posição técnica, mas não vejo avanços relevantes no tocante ao cenário econômico. Espero um cenário ainda turvo e uma dinâmica de preços ainda complicada para o mundo. No Brasil, sigo mais otimista, especialmente no mercado de renda variável.




Data: 01/11/2018

Brasil: Previdência e Reservas Internacional.

Os ativos de risco estão ameaçando uma reação positiva essa manhã, mas a volatilidade permanece elevada e os sinais de fragilidade ainda estão presentes. Não há novidades relevantes no cenário.

No Brasil, em entrevista a vários canais de TV na noite de ontem, Bolsonaro afirma que tentará aprovar alguma coisa da pauta que já está em andamento no Congresso, inclusive a Reforma da Previdência. Contudo, o presidente eleito afirma que a idade mínima de 65 ano não tem chances de passar e não dá detalhes sobre o seu plano para a Reforma.

Até acho que a estratégia de votar a Previdência agora seja inteligente do ponto de vista político. Se aprovar alguma coisa, o novo governo mostra força. Se não aprovar, a culpa será do antigo governo, provavelmente os mercados irão reagir negativamente, e isso colocará o próximo congresso em alerta e pressionado para votar as reformas de maneira mais urgente. Sou cético, contudo, que qualquer coisa relevante seja votada por este governo e este congresso até o final do ano. Se Guedes e sua equipe evitarem novas “pauta bombas” já será um grande alívio.

Segundo o Valor, Guedes seria a favor de reduzir as reservar internacionais do país em prol na redução da dívida e do pagamento da despesa com juros. Acredito que as reservas internacionais sejam um dos principais “seguros” que o país desenvolveu para crises externas e de balanço de pagamentos. Sua redução, em um momento de menor liquidez global e mudanças dos fluxos internacionais não deveria ser bem recebida pelos ativos locais, em especial o câmbio.

Teremos que nos acostumar com este tipo de rumor e notícia, sendo verdade, ou não. Com o governo em formação e a cabeça de Bolsonaro e Guedes ainda não totalmente destrinchada, este tipo de proposta poderá vir a tona sem que os investidores estejam preparados. Por ora, temos apenas rumores, nada de concreto.




Data: 01/11/2018

Uma palavra sobre o México.

Dado a volatilidade do mercado no México e seu potencial de respingo nos demais países da América Latina, vale aqui um breve comentário:

Andrés Manuel Lopez Obrador, mais conhecido como AMLO, foi eleito presidente do México há alguns meses atrás, após várias derrotas em eleições anteriores. AMLO sempre foi considerado um político mais a esquerda, do partido PRD ( Partido de la Revolución Democrática ). Ao longo dos anos, AMLO migrou seu discurso mais ao centro, em especial nesta campanha, conforme sua candidatura foi ganhando corpo e apoio.

Quando sua vitória parecia certa, “o mercado” comprou seu passo mais ao centro e acreditou em uma plataforma de governo nesta direção. Neste ínterim, vimos uma grande alocação positiva em ativos do país, na expectativa de um governo pro-mercado e na apreciação dos ativos locais (já vimos este filme na Argentina...).

Contudo, um de seus primeiros gestos foi convocar uma consulta a sociedade em torno das obras de um novo aeroporto na Cidade do México, um projeto de cerca de US$15bi, com contratos assinados com a iniciativa privada. O aeroporto é visto como importante “hub” para o crescimento do país.

Neste final de semana, cerca de 70% dos votantes pediram o cancelamento do projeto e o início de um novo aeroporto em outra região do país. Há alguns minutos atrás, AMLO anunciou o cancelamento do projeto. Os ativos do país operam sobre forte pressão.

Acredito que este tipo de posicionamento traz uma enorme incerteza ao país em um início de governo. Além disso, traz a tona, em um período de várias eleições no mundo emergente, os riscos inerentes destas economias, em especial o risco político.

Acredito sim que o caso do Brasil seja diferente, mas claramente os investidores estrangeiros ainda não estão “pagando para ver”. As comparações serão um pouco óbvias. Não vemos fluxos destes investidores para os ativos locais (por ora), em um momento em que os investidores brasileiros já parecem posicionados para uma recuperação da economia do Brasil e de seus ativos




Data: 01/11/2018

Um novo ciclo se inicia.

Antes do texto de hoje, acho importante deixar claro que não faço apologia a vitória (ou derrota) deste, ou daquele candidato a presidente. Minha intenção (e obrigação) é apenas de analisar, do ponto de vista econômico a agenda do candidato vitorioso e seus impactos nos mercados financeiros locais.

Como era amplamente esperado, Jair Bolsonaro se consagrou presidente do Brasil no segundo turno das eleições ocorridos neste domingo. Na minha opinião o discurso oficial do candidato para o “pool” da mídia buscou baixar o tom da caminha, sinalizar à constituição e à democracia. O novo eleito deu grande destaque aos desafios econômicos.

Ainda durante a noite, Paulo Guedes, que será o novo “Czar” da economia, emitiu declarações na linha do que vinha sendo sinalizado na campanha: Foco na redução do déficit fiscal, reforma da previdência, desburocratização, ampliação dos acordos comerciais, profissionalização das empresas estatais e assim por diante. De uma maneira geral, “música” aos ouvidos dos investidores.

Os ETF da bolsa do Brasil no Japão (eu sei, é desconhecido e a tem pouca liquidez) subiram mais de 10% durante a noite.

Acredito que teremos amplo espaço para está “lua de mel” do mercado continuar. Entendo que existe um risco de execução deste projeto econômico, mas os investidores ficarão felizes em ignorar estes riscos no curto-prazo.

Continuo optando por “surfar esta onda positiva” comprado em bolsa no Brasil (vide detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/perspectiva-externa-e-posicionamento.html).

No cenário externo, a noite foi novamente de instabilidade. A bolsa da China recuou 2% e os ativos de risco mostram sinais adicionais de fragilidade esta manha (veja aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/nuvens-mantem-cenario-nebuloso.html).




Data: 01/11/2018

Nuvens mantém cenário nebuloso.

O final de semana trouxe poucas novidades para o cenário externo (que já comentei aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/perspectiva-externa-e-posicionamento.html).

No momento em que vos escrevo, ainda não temos a abertura da apuração da votação para presidente do Brasil, tema que já foi amplamente abordado neste fórum nos últimos dias e certamente será foco nos próximos dias.

Na Alemanha, as eleições em uma das regiões mais ricas e importantes do país trouxe uma nova derrota para Merkel e sua coalização. O avanço dos “Greens” trará alguma incerteza ao país e a Europa como um todo, que já passa por um momento de instabilidade, com questões como o Brexit e o orçamento na Itália. Contudo, a plataforma dos “Greens” é de maior expansão fiscal e maior integração com a Europa, que talvez não seja o que o mercado demande neste momento, mas possa ser um caminho favorável a economia real e ao crescimento.

Pegando este gancho, acho importante frisar como estamos vendo, ao longo deste ano uma onda mais favorável ao “Main Street” em detrimento a “Wall Street”, em especial nos EUA. Basicamente, estamos passando por um momento bastante positivo para a economia real (crescimento), mas não necessariamente positivo para os ativos de risco (os mercados financeiros, vulgo “Wall Sreet”). Esta parece ser uma nova realidade, que vinha se desenhando há algum tempo e, agora, parece ter tomado a dianteira do cenário econômico global.

No cenário internacional, a mídia passou o final de semana repercutindo a recente pressão negativa nos ativos de risco, como este texto do WSJ: https://www.wsj.com/articles/strong-earnings-havent-cured-the-stock-markets-blues-1540738801?mod=hp_lead_pos4 e este artigo de Gavin Davies no FT, https://www.ft.com/content/428322d0-d780-11e8-a854-33d6f82e62f8.

Não há nada de novo nos argumentos e no panorama além do que já tenho discutido neste espaço (como aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/algumas-coisas-mudaram.html).

Iremos abrir a semana na mesma toada, com os mesmos riscos e o mesmo pano de fundo que encerramos a semana passada. O cenário ainda demanda extrema cautela, mesmo que momentos pontuais de recuperação venham a ocorrer.




Data: 01/11/2018

Perspectiva externa e posicionamento local.

As bolsas dos EUA apresentaram ontem mais um dia de forte pressão (comentei sobre o tema aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/deterioracao-dos-ativos-de-risco-se.html), a despeito de um excelente desempenho dos ativos do Brasil.

Em relação ao cenário internacional, vejo os índices de bolsa como “oversold”, ou seja, excessivamente pressionados no curto-prazo, mas vejo questões estruturais macroeconômicas e questões técnicas que não justificam uma mudança clara de tendência. Assim, poderemos ver movimentos rápidos e acentuados de recuperação de curto-prazo, mas uma mudança estrutural, de longo-prazo, desta tendência negativa irá demandar o endereçamento das principais questões que estão pressionando o cenário (comentei sobre essas questões aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/algumas-coisas-mudaram.html).

Nos EUA o PIB do segundo trimestre ficou levemente acima das expectativas, com crescimento de 3,5% no trimestre em termos dessazonalizados. O destaque ficou por conta de uma alta de 4% no Consumo Privado e uma contribuição elevada do acumulo de Estoques. As Contas Externas foram um grande detrator de crescimento no trimestre. De maneira geral, o PIB confirma a mensagem de que a economia dos EUA crescia, e ainda cresce, a taxas robusta, acima do potencial da economia.

Este ambiente, na ausência de uma deterioração ainda maior do cenário internacional ex-EUA ou de uma queda ainda mais expressiva das bolsas (adicionais 10% a 15%) deveria manter o Fed em seu “plano de voo” de normalização monetária. Como este tem sido uma das principais restrições aos ativos de risco ao longo deste ano, ainda não vejo mudanças substanciais nesta frente.

No Brasil, os ativos locais apresentaram forte apreciação, as vésperas do segundo turno da eleição e na expectativa de uma agenda positiva e reformista de um eventual governo de Jair Bolsonaro.

Reforço que vejo amplo espaço para otimismo. Acredito que a equipe econômica tem um plano de governo liberal e reformista, com ótimas intensões. Vejo riscos, talvez mais elevados do que o mercado neste momento, de execução deste projeto.

Dito isso, acredito que o mercado irá manter está “lua de mel” com o novo governo, caso confirmada a vitória de Jair Bolsonaro. Vejo os fundos e tesourarias locais já bastante alocados nesta direção, mas os estrangeiros ainda fora do mercado. No final da semana passada, comecei a ver os “sell-sides” de bancos internacionais elevando a recomendação em ativos do Brasil, o que pode ajudar neste processo de alocação dos estrangeiros a partir de agora.

Em relação as classes de ativos, reforço que vejo o mercado de renda variável como a melhor classe de ativo em termos de valuations e posição técnica. Os valuations não estão excessivamente baratos, mas estão longe de estar acima da média histórica. Caso o cenário base econômico melhore, os “upsides” podem aumentar bastante. As empresas estão desalavancadas e prontas para crescer.

Não tenho grande opinião sobre o dólar no mundo e muito menos sobre o Real a 3,65.

Vejo o mercado de juros com prêmio excessivamente baixo na parte curta da curva, visto que ainda trabalho com um ciclo, no mínimo moderado, de alta de juros no ano que vem. Entendo que exista espaço para movimentos adicionais de “flattening” da curva de juros, mas frente aos riscos fiscais do país e externos, não sou fã da curva longa de juros nos atuais níveis.

Entendo que a inflação de curto-prazo será baixa e frente a sazonalidade do período, excessivamente baixa, neste final de ano. A inflação corrente está tranquila e os núcleos mostram um cenário de baixos riscos. Contudo, a inflação implícita na parte intermediária da curva em torno de 4,25% me parece com pouco prêmio.

Assim, entendo que o BCB tenha ganhado tempo em um eventual ciclo de alta da Taxa Selic. Olhando de hoje, realmente não há motivos para acreditar em alta de juros nas próximas duas reuniões do Copom. O mercado se ajustou rapidamente para isso. Todavia, ainda vejo riscos que podem levar a um processo de alta no ano que vem, e não necessariamente riscos negativos. Uma retomada da economia pode colocar alguma pressão, mesmo que baixa, na inflação, e demandar um ciclo, mesmo que moderado, de alta de juros.

De maneira geral, continuo gostando de posições compradas em Bolsa Brasil via estruturas de opção (as vols implícitas subiram) com compra de Inflação Implícita. Estamos olhando a curva curta de juros para eventuais posições tomadas em taxa. No cenário externo, continuo gostando de posições tomadas em Taxas de Juros nos EUA. Migramos nossa recomendação de hedge de venda de Bolsa EUA para Calls de JPY e Ouro, além de Puts de HY (títulos High Yields). Reduzimos parte dos hedges ontem.




Data: 26/10/2018

Deterioração dos ativos de risco se intensifica.

Os ativos de risco voltaram a operar sob pressão, liderados pela queda dos índices futuro de bolsas dos EUA. Os resultados corporativos da Amazon e da Google, na tarde de ontem (comentados aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/eua-resultados-corporativos-em-foco.html) estão sendo os grandes responsáveis por esta nova rodada viés negativo dos ativos de risco.

Vale lembrar que o setor de tecnologia foi o grande responsável pela alta das bolsas dos EUA ao longo dos últimos anos. Assim, é natural supor que o arrefecimento das expectativas em torno deste setor ajuda a colocar algum teto no movimento altista, além de trazer períodos de ajuste de preços e posições, até que um novo patamar de equilíbrio seja encontrado. Me parece que estamos no meio deste ajuste. Olhando de hoje, parece difícil fazer qualquer previsão mais concreta de até onde irá este movimento.

Neste pano de fundo, tenho tentado focar em alguns vetores econômicos e técnicos com o intuito de tenta ter uma maior noção em relação a extensão desta rodada negativa dos ativos de risco (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/algumas-coisas-mudaram.html). Enquanto estes vetores não forem endereçados, acho difícil que está tendência seja revertida de maneira estrutural. Movimentos pontuais e localizados de alta serão vistos e estarão presentes, mas, por ora, a tendência parece negativa.

No Brasil, a pesquisa Datafolha mostrou um estreitamento na diferença de votos entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, com Bolsonaro mantendo ainda uma confortável vantagem em comparação a Haddad. O mercado pode se assustar um pouco com o número, especialmente em um dia de dinâmica negativa ruim no exterior, mas vejo pouca mudança no quadro eleitoral.

Em entrevista a rádio, Bolsonaro afirmou que pretende apresentar sua reforma da previdência o ano que vem. Afirmou que irá cortar benefícios, mas que sua reforma manterá uma previdência diferenciada para algumas classes. Ele não apontou detalhes de seu plano.

Na mesma entrevista, o candidato afirmou que pretende promover privatizações, as que setores estratégicos como Caixa Econômica Federal, BB, setor elétrico, setor energético, Petrobrás,..., não sairão das mãos do Estado.

Segundo Claudia Safatle, do Valor Econômico, está praticamente certo que Ilan continue na presidência do BCB, com mandato fixo e independência.

Continuo acreditando que o eventual governo Bolsonaro poderá trazer avanços importantes para a economia e as reformas. Contudo, acredito que alguns pontos de seu plano ainda são muito vagos e, em alguns casos, “a conta ainda não fecha”. Acredito que o mercado deu um benefício da dúvida grande a seu governo, retirando muito prêmio da curva de juros e do dólar. Reforço que vejo amplo espaço para otimismo. Vejo excelentes intensões na agenda econômica, mas os preços atuais não condizem com os risco do cenário local e externo.




Data: 26/10/2018

EUA: Resultados corporativos em foco.

Complementando o comentário da manhã de hoje (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/sem-boia-do-ecb.html), dois dos grandes vetores de pressão nos ativos de risco não foram endereçados a ponto de reverter a dinâmica ruim dos mercados financeiros globais:

Primeiro, o ECB manteve sua sinalização para continuidade do ciclo de normalização monetária. O discurso de membros de Fed apontam na mesma direção, mesmo após a queda recente dos índices de bolsa.

Segundo, no final da tarde, os resultados de Amazon e Google não foram bem recebidos pelo mercado no “after-market”, com quedas expressivas de ambas as ações. A despeito de um “bottom line” positivo, com EPS melhores e margens maiores, os “top lines” foram abaixo das expectativas e os “guidances” foram mais baixos.

Em empresas do setor de tecnologia, precificadas a múltiplos muito elevados, a continuidade de um crescimento alto é fundamental para a manutenção, ou para a justificativa, de “valuations” elevados. Caso o mercado conclua que o pico de crescimento tenha ficado para trás, os múltiplos terão que ser revistos e, consequentemente, os preços serão outros.

Esta é uma avaliação geral, preliminar, de um “não especialista” em ações ou no setor de tecnologia, mas me parece que é essa narrativa que esteja guiando o mercado no curto-prazo.

Neste ambiente, após uma tentativa de forte alta ao longo do dia, as bolsas dos EUA fecharam com altas muito mais moderadas e com uma dinâmica ruim no final da tarde. Ainda vejo o cenário externo com extrema cautela.

Nos mercados locais, as cotas dos fundos multimercado confirmaram a minha tese. O mercado está unidirecional, com todos alocados na ponta positiva em Brasil. Concordo com a tese de investimentos, mas tenho ponderações em relação aos tamanhos e aos riscos externos. Existem maneira de se defender em relação a isso, seja nos instrumentos utilizados ou na busca por hedges.




Data: 26/10/2018

"Rebound"!

Os futuros dos índices de bolsa nos EUA estão apresentando recuperação neste momento, após forte queda das bolsas da Ásia ao longo da noite. Não há motivos específicos para a alta esta manhã. O movimento me parece natural após a forte pressão sofrida nos últimos dias, o que deixou o mercado “oversold” no curto-prazo. Contudo, ainda acredito que seja cedo para “cantar vitória” e acreditar que este movimento negativo tenha se encerrado. É natural esperar “rebounds” como o desta manhã, e os ativos de risco podem até mostrar recuperação adicional e mais acentuada ao longo do dia (comentei sobre isso aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/algumas-coisas-mudaram.html), mas acredito que algumas questões fundamentais precisarão ser endereçadas para reverter essa tendência mais negativa.

Na Alemanha, o IFO – um dos principas indicadores de confiança de toda a Europa - apresentou queda superior as expectativas, saindo de 103,7 para 102,8 pontos. O números confirma um cenário de desaceleração do crescimento da Alemanha e da Europa como um todo, cenário que já havia sido apontando pelos Flash PMIs por outros indicadores de atividade econômica nas últimas semanas.

No Brasil, os jornais estão repletos de rumores em torno do potencial novo governo de Bolsonaro. Fala-se em independência do Banco Central e provável manutenção de Ilan no BCB. Resta saber se Ilan tem vontade de permanecer no cargo. Especula-se que a Reforma da Previdência possa voltar a pauta após as eleições e a ausência de informação sobre ela seria uma questão política até o final da campanha. No geral, a sinalização continua sendo na ponta positiva. O Estadão fala em um possível militar no comando da Petrobrás. Minha visão sobre os mercados locais pode ser vista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/inflacao-no-brasil-curva-de-juros-e.html.




Data: 24/10/2018

Algumas coisas mudaram...

Os ativos de risco tiveram uma quarta-feira de forte “risk-off”, liderados por uma queda de cerca de 3% do S&P500 nos EUA. O movimento recente, tanto em termos de magnitude da queda, quanto em relação ao atual nível do S&P500 (pegando este índice como parâmetro), nos remete ao movimento verificado em fevereiro deste ano.

Não quero profetizar aqui o “apocalipse”, também não vou me atrever a afirmar que o “bull market” dos ativos de risco tenha ficado, definitivamente, para trás. Contudo, acredito que o movimento recente apresenta alguns pontos bastante diferentes daquele de fevereiro. Assim, no mínimo, precisaremos que estes pontos sejam endereçados antes deste movimento negativo chegar ao seu final. Nos atuais níveis de preço e volatilidade do mercado de renda variável nos EUA, “rebounds”, ou seja, altas rápidas e acentuadas, porém pontuais e localizadas, podem ocorrer, mesmo na ausência de uma mudança estrutural nos pontos que citaremos abaixo:

- O processo de normalização monetária no mundo desenvolvido está em estágio mais avançado e não há sinais de que este processo será pausado ou revertido no curto-prazo.

- Há sinais mais evidentes e espalhados de desaceleração do crescimento global ex-EUA.

- Parece que o cenário base de agora em diante é de um menor crescimento global, com uma inflação mais elevada. Ainda não há sinais de uma desaceleração mais brusca, nem de uma inflação galopante no mundo, mas o cenário base enseja menos crescimento e mais inflação.

- A China passa por um momento de maior instabilidade econômica e financeira. As recentes medidas adotadas pelo governo ainda não foram capazes de reverter este quadro.

- O melhor momento para os resultados corporativos parece ter ficado para trás. Os “guidances” já são mais cautelosos e os resultados mais mistos do que apenas positivos. Não estou entrando aqui no mérito dos “valuations”, hoje mais atrativos do que há algumas semanas atrás, certamente.

- A Itália continua no olho do furacão dos problemas na Europa, sem uma solução óbvia de curto-prazo.

- Os EUA insistem em uma “guerra comercial” contra a China, cujos efeitos são sentidos de maneira mais clara nos dados econômicos nos últimos 2 meses.

É provável que eu tenha esquecido de algum ponto, mas estes me parecem os principais.

Estarei observando a evolução dessas questões como pontos de partida para uma eventual estabilização ou reversão das tendências negativas recentes. Na ausência da equalização desses pontos, poderemos sim entrar em um cenário estrutural mais negativo.

No Brasil, os ativos de risco simplesmente seguiram o humor global a risco. Eu entendo o otimismo do mercado com o possível governo de agenda econômica liberal que poderá ser implementado por Jair Bolsonaro. Acredito que existe espaço para otimismo e para ganhos nos ativos locai. Contudo, acredito que o Brasil não seja uma ilha no mar global e será afetado pelos desdobramentos externos. Além disso, vejo um mercado local com posição técnica frágil e preços, em especial no mercado de juros e câmbio, pouco atrativos no curto-prazo (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/as-arvores-e-floresta-forte-sell-off-na.html?q=floresta).

Dito tudo isso, zeramos nossos hedges vendidos em bolsa dos EUA ao longo do dia. Acho que existe uma boa assimetria nas calls de JPY e calls de Ouro, dado o nível elevado das vols implícitas de bolsa dos EUA neste momento. Gosto de me posicionar no Brasil via calls-spreads de Ibovespa (vols baixas, boa assimetria), mas confesso que o mal desempenho desde o primeiro turno, em muito puxado pelo externo, me incomoda. Continuo vendo boa assimetria nas inflações implícitas e começando a olhar com calma a curva curta de juros, onde vejo um prêmio de risco excessivamente baixo.




Data: 24/10/2018

Sinais mais contundentes de desaceleração lobal. 

Os ativos de risco voltaram a operar sob pressão, liderados pela queda dos futuros dos índices de bolsa dos EUA. As bolsas da China apresentaram leve alta (abaixo de 0,5%), mas os demais índices da Ásia voltaram a operar em baixa. Me parece que a China está seguindo uma dinâmica própria local e os demais ativos de risco começam a reagir de maneira mais contundente a outros vetores que não somente o cenário chinês.

Nesta linha, além dos demais vetores que tenho apontado neste fórum (normalização monetária global, sinais de desaceleração do crescimento global ex-EUA, ruídos na Itália, “guerra comercial”, problemas na Arábia Saudita, e etc) hoje observamos uma surpreendente queda do PMI na Área do Euro.

O PMI Composite caiu de 54.1 para 52.7 pontos, muito abaixo das expectativas de 54.5 pontos. O PMI Services saiu de 54.7 para 53.3 e o PMI Manufacturing caiu de 53.2 para 52.1. O destaque da queda ficou para a Alemanha, que saiu de 55.0 para 52.7. Estes números reforçam um cenário de arrefecimento do crescimento da região, que já vinha se desenhando desde o início do ano. Contudo, a magnitude da queda e o patamar do indicador, a despeito de ainda apontarem para um cenário de expansão da economia, levantam de maneira mais contundente o debate em torno da real situação da economia mundial, ligando um sinal “amarelo” neste quesito.

Além deste pano de fundo de crescimento mais desafiador, o mercado terá que digerir uma temporada de resultados corporativos na Europa e nos EUA que, pela primeira vez em muito tempo, se mostra mais mista do que positiva, com várias empresas apresentando “guidance” mais conservadores e/ou surpreendendo as expectativas de maneira mais negativa.

Certamente estes vetores me mantém com um cenário global ainda desafiador e com viés negativo no curto-prazo.

No Brasil, a pesquisa Ibope mostrou Bolsonaro liderando as pesquisas na proporção de 57% contra 43% dos votos válidos. A Folha de SP traz matéria que fala um pouco da dicotomia da proposta econômica que foi mostrada, pelo menos por ora, pela equipe econômica de Bolsonaro para um eventual governo: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/10/reforma-tributaria-de-bolsonaro-provocaria-rombo-de-r-27-bilhoes.shtml.




Data: 23/10/2018

Inflação no Brasil, curva de juros e externo ainda desafiador

No Brasil, o IPCA-15 apresentou alta de 0,58% MoM e 4,53% YoY, levemente abaixo das expectativas. A inflação adjacente continua apontando para um quadro corrente de inflação baixa e benigna. Olhando à frente, as coletas diárias continuam pressionadas para cima e ainda vemos mais riscos altistas do que baixistas para a inflação nos próximos 6 a 12 meses. No curto-prazo (1 a 2 meses) existem riscos para baixo, como o preço de energia elétrica (eventual bandeira verde) e de combustíveis (queda internacional do preço do petróleo e queda do dólar).

De qualquer maneira, vemos as inflações implícitas na parte intermediária da curva em torno de 4,30%. A curva de juros precifica uma Taxa Selic de cerca de 7,5% para o ano que vem, ou seja, em torno de 100bps de alta de juros em 2019. Já não há praticamente alta de juros precificada para as próximas duas reuniões do Copom.

Entendo o otimismo do mercado com o potencial governo de Jair Bolsonaro, respeito o movimento, mas vejo pouco prêmio de risco nas curvas de juros e de inflação implícita. Ainda acredito que o próximo movimento na Taxa Selic será de alta e não de queda de juros. Vejo o mercado tecnicamente pior e os valuations pouco atrativos nos atuais níveis. Prefiro expressar este otimismo via o mercado de renda variável, onde a posição técnica me parece mais saudável, os valuations mais atrativos e as volatilidades implícitas baixas permitem se posicionar de forma “barata” com perda limitada, especialmente em um ambiente externo que ainda vejo como extremamente desafiador.

No cenário internacional, o dia foi de elevada volatilidade nos índices de bolsa, que mesmo fechando em queda, conseguiram apresentar recuperação expressiva dos piores momentos do dia. A dinâmica do mercado ainda me preocupa, mas a semana será importante do ponto de vista de resultados corporativos e de guidance das empresas.

Por ora, os resultados têm sido seguidos de reações bastante mistas das ações, mas pela primeira vez em algum tempo vemos algumas ações com reações bastante negativas aos resultados, o que não costumava ser regra ao longo destes últimos 10 anos de “bull market” (hoje podemos dar como exemplo a 3M e a Caterpillar).

Entendo que poderemos ter movimentos de recuperação rápidos e acentuados como o do dia de hoje. Mas ainda não vejo os vetores relevantes para o mercado sendo endereçados no curto-prazo para justificar o retorno de uma tendência mais positiva e prolongada. Isso pode mudar ao longo dos próximos dias, mas mantenho viés cauteloso nesta frente.




Data: 23/10/2018

Risk-off: Mantenham os seus cintos afivelados.

Os índices de bolsa na China voltaram a apresentar forte queda (superior a 2%), levando consigo das demais bolsas da Ásia e do resto do mundo. Os mercados, neste momento, operam com um viés clássico de risk-off, ou seja, com queda acentuada das bolsas, fechamento de taxa de juros, queda do dólar contra moedas do G10 (em especial JPY) e alta dos metais preciosos.

Não há novidades relevantes  além do que já tenho comentado neste fórum (aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/reflexoes-do-final-de-semana-pontos.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/china-jogando-uma-boia-aos-ativos-de.html), mas a ausência do endereçamento dessas questões é um ponto de atrito para a continuidade de um cenário global ainda desafiador.

A China anunciou novas medidas de suporte a sua economia, desta vez voltada para o financiamento do setor corporativo. Segundo a Goldman Sachs:

The State Council stated that, under the challenges brought on by the changing external environment, the government will implement measures to strengthen business sentiment and competitiveness of firms. First, there will be fewer limitations on access to capital markets. Before the end of March 2019, all foreign investment restrictions outside of the negative list will be abolished. Foreign and domestic capital will be treated equally. Second, administrative procedures, such as administrative licensing, will be trimmed down, and redundant licensing will be cancelled. Third, approval for corporate investment will be simplified; for instance, all applications for corporate investment will be online by next year. Fourth, there will be a further reduction to the tax burden on firms, and there will be more stringent supervision over the collection of service charges. Fifth, there will also be improvement to and a streamlining in administrative services.

In addition, the PBOC announced there will be more support for private enterprises via a market-oriented approach. On top of the RMB150 bn re-lending and re-discount credits in June this year, the PBOC will issue an additional RMB150 bn in re-lending and re-discount credits to encourage the financing of micro-enterprises and SMEs, especially those with liquidity constraints. This relending measures will be a modest additional boost to TSF growth which saw a modest slowdown in growth yoy in September.

No Brasil, segundo o Estadão, Rodrigo Maia irá tocar uma agenda favorável a Jair Bolsonaro caso confirmada sua eleição, como o projeto que revoga o Estatuto do Desarmamento. A ideia seria se aproximar do potencial candidato eleito.




Data: 19/10/2018

China em Foco.

Os ativos de risco estão apresentando leve recuperação, impulsionados por uma forte alta das bolsas na China. A recuperação dos demais mercados, contudo, neste momento, ainda me parece extremamente incipiente e frágil.

A recuperação dos índices de bolsa na China ocorreu após o anuncio de medidas administrativas/regulatórias de suporte aos mercados locais. De acordo com a Bloomberg:

(Bloomberg) -- Recent abnormal fluctuation in China’s financial market does not reflect the country’s economic fundamentals and stable financial system, Guo Shuqing, chairman of the China Banking and Insurance Regulatory Commission says in statement.

China to steer financial markets back to healthy, normal track: Guo.

China allows insurance companies to launch products designed to ease liquidity risks caused by share pledging of listed companies.

Such investment won’t be counted toward equity investment limit under current regulation.

China urges banks to prudently deal with pledged shares when collateral value hits forced-sale level.

Os números de atividade econômica de setembro, por sua vez, mostraram um cenário misto para o crescimento do país. O PIB ficou levemente abaixo das expectativas, com crescimento de 6,5% YoY. A produção industrial ficou abaixo das expectativas, a despeito de uma surpresa positiva nas vendas no varejo e no “fixed asset investment” que é a melhor “proxy” para os investimentos no país.

De maneira geral, os números não afastam definitivamente os riscos que rondam o país, mas retiram algum receio de uma desaceleração mais acentuada da economia.

No Brasil, a pesquisa Datafolha confirmou a ampla vantagem de Bolsonaro na corrida presidencial. O potencial “escândalo”, que ainda é rumor, de utilização irregular de financiamento privado para campanha via Whatsapp está gerando bastante mídia, mas deve ter efeito prático nula sobre a corrida presidencial.

Enquanto isso, os balões de ensaio em torno de seu potencial plano econômico continuam a circular na mídia. Hoje foi a vez de detalhes sobre eventuais cortes de tarifas de importação: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/10/equipe-de-bolsonaro-preve-corte-gradual-nas-tarifas-de-importacao.shtml.




Data: 19/10/2018

 China em Foco.

Os ativos de risco estão apresentando leve recuperação, impulsionados por uma forte alta das bolsas na China. A recuperação dos demais mercados, contudo, neste momento, ainda me parece extremamente incipiente e frágil.Os ativos de risco estão apresentando leve recuperação, impulsionados por uma forte alta das bolsas na China. A recuperação dos demais mercados, contudo, neste momento, ainda me parece extremamente incipiente e frágil.

A recuperação dos índices de bolsa na China ocorreu após o anuncio de medidas administrativas/regulatórias de suporte aos mercados locais. De acordo com a Bloomberg:

(Bloomberg) -- Recent abnormal fluctuation in China’s financial market does not reflect the country’s economic fundamentals and stable financial system, Guo Shuqing, chairman of the China Banking and Insurance Regulatory Commission says in statement.

China to steer financial markets back to healthy, normal track: Guo
China allows insurance companies to launch products designed to ease liquidity risks caused by share pledging of listed companies

Such investment won’t be counted toward equity investment limit under current regulation

China urges banks to prudently deal with pledged shares when collateral value hits forced-sale level.

Os números de atividade econômica de setembro, por sua vez, mostraram um cenário misto para o crescimento do país. O PIB ficou levemente abaixo das expectativas, com crescimento de 6,5% YoY. A produção industrial ficou abaixo das expectativas, a despeito de uma surpresa positiva nas vendas no varejo e no “fixed asset investment” que é a melhor “proxy” para os investimentos no país.

De maneira geral, os números não afastam definitivamente os riscos que rondam o país, mas retiram algum receio de uma desaceleração mais acentuada da economia.

No Brasil, a pesquisa Datafolha confirmou a ampla vantagem de Bolsonaro na corrida presidencial. O potencial “escândalo”, que ainda é rumor, de utilização irregular de financiamento privado para campanha via Whatsapp está gerando bastante mídia, mas deve ter efeito prático nula sobre a corrida presidencial.

Enquanto isso, os balões de ensaio em torno de seu potencial plano econômico continuam a circular na mídia. Hoje foi a vez de detalhes sobre eventuais cortes de tarifas de importação: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/10/equipe-de-bolsonaro-preve-corte-gradual-nas-tarifas-de-importacao.shtml.




Data: 18/10/2018

Cenário continua nebuloso.

No cenário externo, os vetores negativos continuam se sobrepondo aos vetores positivos, o que tem ajudado a manter a pressão negativa nos ativos de risco. Pela manhã comentei aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/risk-off-pressao-na-china-sinais-de.html.

Podemos adicionar alguns temas:

- Continuidade da incerteza na Itália, que está levando a abertura do spread da dívida do país em relação aos bunds da Alemanha. Não há sinais de que o governo italiano irá recuar no seu projeto de orçamento que desrespeita as regras da União Europeia.

- Não sinais de estabilização da situação na China. Além da forte queda da bolsa, vemos mais uma rodada de depreciação da moeda.

- Terminada a temporada de resultados do setor bancário nos EUA, as ações do setor continuam sob pressão.

- O setor de tecnologia também atravessa uma fase turbulenta. Até mesmo o Netflix já devolveu praticamente toda a alta apresentada após o seu bom resultado trimestral.

- A situação do sumiço do jornalista saudita na embaixada do país na Turquia ganha contornos a cada dia mais complicados.

Em suma, o pano de fundo global continua desafiador. Exceto por momentos pontuais de estabilização, na ausência de uma mudança definitiva destes vetores e dos citados pela manhã, continuo com uma visão cautelosa para negativa do cenário econômico global e para os ativos de risco em geral. Vale notar, contudo, que teremos volatilidade para ambos os lados.

No Brasil, após bom desempenho durante grande parte dos últimos 10 dias, vimos uma forte deterioração de preços após o rumor, divulgado na Bloomberg, de que Ilan deixará a presidência do Banco Central.

Tendo a acreditar que a notícia era meio esperada, mas imagino que muitos ainda tinham (ou têm) a esperança de sua permanência, ou da permanência de parte da equipe econômica.

Acredito que o primeiro desafio no que importa para os mercados financeiros locais deste (eventual) novo  governo será a formação de um time econômico capacitado para implementar as reformas necessárias no país.




Data: 18/10/2018

Risk-off, pressão na China, sinais de desaceleração global com acumulo de pressões inflacionárias.

Os ativos de risco estão apresentando novamente uma dinâmica recursiva e viciosa de aumento das taxas de juros nos EUA (e no mundo desenvolvido em geral), principalmente após as Minutas do FOMC (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/sem-alivio-por-parte-do-fed.html) que está colocando pressão nos ativos de risco, em especial nas bolsas globais. O dólar, após forte alta ontem, apresenta leve queda.

Na China, a noite foi novamente de forte queda das bolsas locais, em torno de 3% dependendo do índice observado. Não vejo, pelo menos ainda, nenhum sinal de estabilização na economia e nos mercados locais chineses, o que colocar um grande risco ao humor global a risco no curto-prazo.

Na Austrália, a taxa de desemprego caiu de 5,3% para 5,0%, mostrando mais um país em que o mercado de trabalho migra para o pleno emprego e as pressões inflacionárias devem se acumular, reforçando o quadro de que estamos, definitivamente, em uma nova fase do ciclo econômico global.

No Japão, as exportações de setembro apresentaram forte queda, especialmente para a China e os EUA. Este pode ser um importante e preocupante sinal de desaceleração global, mensagem que já vemos de outros indicadores fora os EUA. Precisamos estar atentos para eventuais desacelerações mais acentuadas do crescimento econômico global, pois pode ter importante impacto sobre os ativos de risco.

No Brasil, não há novidades relevantes, além dos balões de ensaio do plano de governo de uma eventual administração de Bolsonaro. A ideia do dia é usar a “Golden Share” para as privatizações: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/10/liberais-de-bolsonaro-querem-golden-shares-para-destravar-privatizacao-com-militares.shtml.

Já o Valor, traz matéria mostrando os desafios da Reforma da Previdência: https://www.valor.com.br/brasil/5933701/previdencia-dos-militares-e-desafio-para-novo-governo.




Data: 18/10/2018

Sem alívio por parte do Fed.

No cenário externo, o destaque ficou por conta das Minutas do FOMC. O documento confirmou as sinalizações recentes do Comitê. De maneira geral e resumida, a economia dos EUA continua mostrando desempenho positivo, o mercado de trabalho está no pleno emprego, com o hiato do produto fechado e com acumulo de pressões inflacionárias. Neste ambiente, é necessário continuar em um processo gradual de normalização monetária.

Se o mercado esperava (ou espera) algum alívio nesta frente, ou seja, uma pausa no processo de normalização monetária dos EUA, não me parece que seja o caso, pelo menos neste momento. Muito pelo contrário, vemos um cenário bastante parecido começando a surgir em outros países e regiões do mundo.

Assim, mantenho meu cenário base de que estamos no meio de um processo estrutural de normalização monetária global, que deve reduzir a liquidez no mundo, criando momentos de maior incerteza, volatilidade e turbulência para os ativos de risco em geral.

No Brasil, os ativos locais continuam apresentando desempenho fenomenal, tanto em termos relativos como em termos absolutos. A “lua de mel” do mercado com o potencial governo Bolsonaro continua a todo o vapor.

Olhando de hoje, a curva de juros média para 2019 está em 7,7% contra a Selic a 6,5%, ou seja, precificando uma alta um pouco superior a 100bps de juros neste período. A curva longa apresentou forte compressão, com os FRAs saindo de níveis superiores a 13% para abaixo de 11% e, em alguns casos, abaixo de 10%.

Acredito que o próximo ciclo de juros será de alta, mas entendo que a manutenção de uma taxa de câmbio mais baixa pode dar tempo ao BCB antes de iniciar o processo. Vejo a curva com pouco prêmio e risco/retorno ruim, mas entendo e respeito (mesmo não me concordando) o “momentum” positivo do mercado. O mesmo raciocínio vale para a taxa de câmbio. Acredito que o técnico do mercado possa explicar parte deste movimento.

Continuo vendo o mercado de renda variável como aquele apresentando mais potencial de retorno nos atuais níveis, vis-a-vis as demais classes de ativos.




Data: 17/10/2018

Brasil: Algumas incertezas ainda persistem.

Os ativos de risco estão abrindo o dia com leve viés negativo, após o forte movimento positivo de ontem. Interessante observar que mesmo após uma alta entre 2,5% e 4% dos índices de bolsa dos EUA na terça-feira os mercados na Ásia apresentaram recuperação apenas branda, com os bolsas subindo menos do que 1%.

O destaque do dia ficará por conta das Minutas do FOMC nos EUA.

Não vi nenhuma notícia relevante ou nova para Brasil nas últimas horas, exceto pelo Senado rejeitar o projeto de privatização da Eletrobrás.

Os planos econômicos de Bolsonaro ainda são uma grande incógnita, a despeito do otimismo do mercado, e sua implementação uma incerteza ainda maior. Segundo o Valor Econômico: https://www.valor.com.br/politica/5930543/bolsonaro-diz-nao-dar-cavalo-de-pau-na-gestao-economica




Data: 16/10/2018

Risk-On!

O destaque do dia ficou por conta da forte alta dos índices de bolsa dos EUA, que acabaram dando um tom mais positivo para os demais mercados globais e ativos de risco. Destaque para os resultados corporativos positivos de Goldman Sachs, Morgan Stanley e, agora a tarde, Netflix, com essas ações apresentando reação bastante positiva aos resultados.

Eu não vejo grande mudanças estruturais no cenário macroeconômico, com os principais vetores de detração do humor ainda presentes: Normalização monetária global, orçamento na Itália, fragilidade da economia e dos mercados da China, incerteza envolvendo o Brexit, sinais de arrefecimento do crescimento global ex-EUA (vide o ZEW na Alemanha) e etc.

Contudo, após os índices de bolsa dos EUA apresentarem forte queda na última semana, é natural supor que algum valor tenha sido criado nesta frente (como comentei aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/sobre-bolsa-norte-americana.html) e que o mercado ficasse mais reativo ao cenário microeconômico.

Acredito que a temporada de resultados será fundamental para o suporte adicional (ou não) das bolsas dos EUA, mas o cenário econômico precisará ser endereçado para o bom desempenho dos demais ativos de risco.

No Brasil, a reboque do cenário internacional, e com a “lua de mel” do mercado com o provável governo Bolsonaro, o dia foi de forte alta da bolsa com flattening adicional da curva de juros.

Nos EUA, o JOLTs Job Opening atingiu o seu pico histórico, reforçando um quadro de “overheating” do mercado de trabalho. Não há sinais de necessidade do Fed interromper o seu ciclo de normalização monetária. Muito pelo contrário, os números apontam na direção de continuidade do ciclo, com as taxas de juros eventualmente atingindo níveis acima da taxa neutra.




Data: 16/10/2018

Inflação global ganha tração. 

Os índices de bolsa dos EUA e Europa estão ameaçando uma recuperação essa manhã, mas o movimento ainda me parece tímido. Os sinais vindos de outros cantos do mercado, como a queda das commodities metálicas não preciosas e a alta das metálicas preciosas ainda mostram sinais de fragilidade do humor global a risco.

Por ora, os resultados corporativos nos EUA ainda não estão impressionando os investidores, com a maioria das ações que divulgaram resultados, mesmo que o universo ainda seja pequeno, apresentando desempenho ruim após as divulgações.

A divulgação das vendas no varejo nos EUA ontem ficou abaixo das expectativas do mercado, mas alteraram pouco as perspectivas para o crescimento do país.

O destaque desta manhã está por conta dos indicadores de inflação:

- Na Nova Zelândia, a inflação ficou muito acima das expectativas do terceiro trimestre. Mesmo que os indicadores subjacentes ainda mostrem estarem controlados, os sinais de pressões inflacionárias são nítidos.

- Na China o CPI passou a 2,5% YoY, em linha com as expectativas, mas uma alta dos 2,3% YoY o mês anterior. A inflação ainda não se apresenta como uma restrição a politica monetária, fiscal e creditícia mais frouxas, porém está uma clara tendência de alta. 

- Na Inglaterra os salários subiram 3,1% 3M/Y, muito acima das expectativas e mesmo com os números de emprego mais baixos. Eu gosto de olhar o país pois acredito que ele esteja em uma fase do ciclo econômico semelhante aos EUA. As pressões inflacionárias no país são evidentes.

De maneira geral, estes números reforçam a visão de que estamos em uma nova fase do ciclo econômico global, em que o crescimento fez seu pico, mesmo que não se desacelera de maneira mais contundente, mas a inflação fez seu piso e mostra sinais cada vez mais claros de aceleração. Este pano de fundo deverá manter os principais bancos centrais em seu projeto de normalização monetária, se mostrando uma restrição para o bom desempenho estrutural dos ativos de risco, como já vem sendo regra ao longo deste ano.

No Brasil, confesso que estou surpreso com a velocidade e magnitude da queda do dólar, do fechamento das taxas de juros, o flattening da curva e da queda nas inflações implícitas. Eu acreditava que este movimento pudesse ocorrer e que a “lua de mel” de um eventual governo Bolsonaro pudesse ter alguma durabilidade, mas não esperava que seria de maneira tão rápida e acentuada.

Eu não vejo grandes prêmios na curva de juros, pois acredito que o próximo ciclo será de elevação da Taxa Selic. Acredito que as inflações implícitas em torno de 4,5% estejam excessivamente baixas. De qualquer maneira, entendo e respeito o movimento, e não sei dizer ao certo até que ponto ele continuar. Vejo um quadro técnico pior, com grande parte dos fundos locais já posicionados nessa direção.




Data: 15/10/2018

 Cenário internacional continua desafiador. Ambiguidade na agenda local de reformas.

Os ativos de risco estão abrindo a semana sobre forte pressão, após mais uma noite de dinâmica desfavorável na Ásia, com quedas relevantes nos índices de bolsa do país.

Na sexta-feira comentei sobre os índices de bolsa dos EUA, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/sobre-bolsa-norte-americana.html.

No sábado falei um pouco sobre  fluxo de notícias, ainda negativo, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/algumas-reflexoes.html.

Podemos adicionar ainda, ao último link, o adiamento do prazo para o acordo em relação ao Brexit, na Inglaterra, o que está trazendo instabilidade e incerteza a finalização do processo.

Na Alemanha, as eleições na Bavária trouxeram uma grande derrota ao partido de Angela Merkel, colocando sua liderança em xeque, na maior economia da Europa.

No Brasil, as sinalizações recentes em relação ao projeto econômico de um possível, e cada vez mais provável, governo de Bolsonaro, nos últimos dias, se mostram ambíguas. Recentemente, ouvimos sinalizações menos assertivas em relação ao projeto amplo de privatizações, uma certa ambiguidade no que diz respeito a reforma da previdência e assim por diante.

Eu continuo sendo da opinião de que será mais fácil este governo aprovar questões menos impopulares, como medidas de desburocratizações e simplificação tributária, que tem impacto imediato e positivo sobre o setor corporativo e o crescimento. As medidas mais impopulares e estruturais, urgentes para o futuro da economia, contudo, demandarão um esforço adicional e um apoio quase que irrestrito do Congresso, algo que não tenho certeza que teremos a priori, ou que, neste momento, não tenho certeza da real disposição deste eventual novo Governo em executa-las.

Contudo, em um ambiente global mais desafiador, de menor liquidez, reforço que acredito que o país não tenha tempo para colocar em prática um projeto de ajuste econômico mais lento e gradual. Nossa vizinha Argentina buscou esse caminho e o tempo mostrou que a estratégia estava errada. Na minha opinião, o nível a que chegamos de dívida/PIB e de déficit fiscal demanda uma resposta rápida, acentuada e convicta dos novos administradores, ou a “lua de mel” do mercado poderá ter seu tempo encurtado. 




Data: 15/10/2018

Algumas reflexões.

Queria aproveitar este momento do final de semana para fazer uma reflexão em relação aos eventos recentes da economia global. Na manhã de ontem já comentei mais a fundo sobre a dinâmica das bolsas nos EUA. Vamos a alguns temas (me desculpo pelo formato mas estou com acesso limitado ao computador):

EUA - Core CPI: O Core CPI nos EUA ficou abaixo das expectativas, mas muito em função de uma acentuada queda em um item específico, leia-se "carros usados". O PPI e o Import Prices ajudaram a delinear um Core PCE que deve se manter em torno de 2% YoY, em linha com a meta do Fed. 

Assim, não será deste indicador que podemos esperar algum alívio por parte da política monetária dos EUA. Na minha opinião o processo de normalização monetária dos EUA e do mundo desenvolvido continua a ser o grande tema de investimento dos últimos meses, e dos meses vindouros. Este vetor tem sido o principal obstaculo para o bom desempenho dos ativos de risco ao longo do ano em um típico processo de final de ciclo econômico.

China - Importações: Os dados de exportação de setembro na China ficaram acima das expectativas, mas muito em função da antecipação de exportações antes da entrada em vigor de tarifas mais elevadas para os EUA.

As importações, por sua vez, mostraram fraqueza, confirmando um cenário de fragilidade da economia do país. Por ora, não vejo, pelo menos ainda, sinais de estabilização mais duradoura nesta frente. Muito pelo contrário, mesmo após diversas medidas anunciadas nas últimas semanas, os mercado locais mostram extrema fraqueza e a economia ainda não deu nenhum sinal mais consistente de estabilização.

FMI: Os primeiros feedbacks das reuniões do FMI em Bali apontam para a ausência de coesão e para um ambiente que ainda demanda cautela para as economias emergentes. Pela primeira vez em algum tempo não vemos um discurso ou sinalização mais clara e coesa em torno de como agir diante dos desafios que se apresentam para o cenário econômico global. Está é uma avaliação preliminar de notícias da mídia internacional.

Arábia Saudita: O sumiço de um jornalista saudita na embaixada do país na Turquia deixou de ser uma noticia local e tomou o noticiário internacional. Especula-se que o jornalista tenha sido morto na embaixada. Caso isso seja confirmado, irá se abrir uma nova frente de instabilidade no Oriente Médio, no maior aliado dos EUA na região. Ainda não tenho uma avaliação preliminar sobre o impacto disto nos mercados financeiros globais, mas certamente não ajuda o humor de curto-prazo.

Facebook: A empresa anunciou que cerca de 29 milhões de usuários tiveram suas contas "hakeadas” e seus dados expostos. Certamente é mais umas crise em uma das grandes empresas do setor de tecnologia. Não sou especialista no tema, mas tenho insistido na tese de que o setor dever passar por um processo mais estrutural de mais regulamentação, assim como ocorreu com o setor bancário após a crise de 2008.

Itália: O país parece ter optado pelo caminho de desobedecer a União Europeia em relação ao seu orçamento acima do permitido pelo bloco. O caminho, a partir de agora, deve ser turbulento e incerto, se assemelhando mais a um país emergente do que um país desenvolvido. 
 




Data: 15/10/2018

Sobre a bolsa norte americana.

Os ativos de risco estão apresentando recuperação esta manhã, liderados por uma alta de cerca de 1% (neste momento) nos futuros dos índices de bolsa dos EUA. Não há nada de fundamentalmente novo no cenário, o que me leva a crer que estamos diante de um movimento técnico, cuja explicação foge um pouco do campo fundamental. Comentei sobre os vetores que estavam pressionando os mercados nos últimos dias aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/risk-off_10.html.

Não tenho convicção, pelo menos ainda, se estamos diante de uma correção mais acentuada e duradoura, ou apenas diante de uma correção normal, natural dos ciclos, como aquela observada em fevereiro deste ano. Normalmente, mesmo que esta seja apenas uma correção pontual, estes movimentos costumam durar algumas poucas semanas, mas não poucos dias, com a manutenção de uma volatilidade elevada neste período e sem grandes tendências claras.

No nível abaixo de 2.800 pontos, apenas para pegar o S&P como exemplo, já existe algum valor no tocante a “valuation”, mas será extremamente importante analisar os resultados corporativos do último trimestre e os “guidance” que serão dados pelas empresas. Caso haja uma decepção grande nesta frente, não podemos descartar movimentos mais bruscos e acentuados de queda nas bolsas. Uma temporada de resultados tranquila, por outro lado, deveria dar sustentação aos preços.

Nos últimos dias, ainda neste espaço das bolsas dos EUA, vimos alguma rotação para “valor” em detrimento a “crescimento” e “tech”, que foram os grandes lideres do movimento de alta ao longo deste ano e de todo este “bull Market” deste a crise de 2008. Ainda é cedo para acreditar no renascimento do setor de “valor”, mas acho que mais cedo ou mais tarde, este tipo de rotação terá que ocorrer de maneira mais estrutural.

No campo econômico, o Core CPI de setembro divulgado ontem ficou abaixo das expectativas do mercado, com alta de 0,1% MoM. O número afasta a necessidade de uma aceleração do processo de normalização monetária nos EUA, mas também não altera a necessidade de um processo de normalização gradual, ou seja, não deve tirar o Fed de seu “plano de voo”.

No Brasil, as vendas no varejo surpreenderam positivamente as expectativas. Algumas questões pontuai ajudaram as vendas em agosto. O cenário para o crescimento do país ainda é incerto, mas poderá ganhar algum suporte caso ganhe corpo a ideia de que no campo econômico um provável governo de Bolsonaro consiga implementar medidas de reforma e desburocratização.

Em termos de posição/recomendação, gosto de compra de calls de Ibovespa contra compra de puts de HY. Posição tomada em juros no mundo desenvolvido contra calls de JPY. E uma posição direcional comprada em inflação implícita no Brasil. Estou esperando o momento certo para tomar juros mais curtos no Brasil. Este é um portfólio mais balanceado, em linha com a minha visão global mais conservadora. Aqueles que não tem acesso há alguns destes ativos podem alocar através de “proxys” nos mercado local.




Data: 11/10/2018

Forte "sell-off" continua. 

Os ativos de risco estão abrindo o dia sobre forte pressão, após uma noite de elevada volatilidade dos futuros das bolsas nos EUA. Na esteira do movimento de ontem, as bolsas na Ásia apresentaram forte queda, na ordem de 3% a 5%. Neste momento, o S&P futuro apresenta queda de 1%. As commodities metálicas não preciosas operam em forte queda, a despeito de um movimento de dólar mais fraco no mundo. As taxas de juros no mundo desenvolvido apresentam fechamento de taxa, em um movimento clássico de “risk-off” (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/risk-off_10.html).

No final da tarde de ontem, Trump foi a uma rede social criticar a postura do Fed em seu processo de normalização monetária, colocando a culpa no “sell-off” na postura do Banco Central. Eu diria que dado o perfil do Presidente, este movimento era esperado.

Na agenda do dia o destaque ficará por conta da divulgação do Core CPI. Um número acima de 0,2% MoM colocará a estratégia do Fed de gradualismo na condução do aperto monetário em cheque e poderá dar mais ímpeto ao movimento negativo dos mercados. Um número abaixo deste valor pode vir a ajudar a estabilizar o humor no curto-prazo.

No Brasil, a primeira pesquisa oficial para o segundo turno das eleições mostrou uma grande diferença em favor de Bolsonaro (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/datafolha-mostra-bolsonaro-com-58-e-haddad-42-na-largada-do-2o-turno.shtml), como acredito ser amplamente esperado após o primeiro turno. Acredito que o foco do mercado neste momento seja, primeiro, os desenvolvimentos externos (a floresta) e, segundo, a capacidade de governo e a agenda positiva de um eventual governo Bolsonaro (as arvores). (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/as-arvores-e-floresta-forte-sell-off-na.html).

Noticias como a seguinte deverão se tornar mais corriqueiras: https://www.valor.com.br/brasil/5916561/uma-reforma-fatiada-para-previdencia.

Hoje foi a vez da Suêcia divulgar uma inflação mais elevada e reforçar a necessidade de um processo de normalização monetária. Como tenho insistido neste fórum, acredito que estamos em uma nova fase do ciclo econômico, em que o crescimento talvez tenha feito sei pico e a inflação tenha feito seu piso. Assim, poderemos conviver com um crescimento global mais brando, mesmo que longe de uma recessão (ainda), uma inflação ascendente e a necessidade de continuidade do aperto nas condições financeiras e monetárias por parte dos principais bancos centrais ao redor do mundo.

Como viemos de 10 anos de exuberância, é natural que a medida que este ambiente fique mis claro, o mercado precise se ajustar via fluxos e preços a essa nova realidade. Isso não costuma acontecer de um dia para outro, ou de um mês mais para outro, em linha reta, mas em um processo longo e tortuoso.




Data: 11/10/2018

Risk-Off!

O dia foi marcado por forte pressão nos ativos de risco, liderados por uma queda entre 3,5% e 5% dos índices de bolsa nos EUA. Podemos atribuir a queda ao acumulo de “ventos contrários” (headwinds) ao cenário, entre eles:

- Novos sinais de pressões inflacionários no mundo, mas em especial nos EUA com a divulgação do PPI de setembro;

- A situação ainda de fragilidade da economia e dos mercados na China;

- Sinais de desaceleração do crescimento global ex-EUA;

- Ausência de solução para as questões fiscais na Itália;

- Uma sequência de baixa demanda por títulos da dívida dos EUA (Treasuries) nos leilões semanais (hoje tivemos leilões de 3 e 10 anos) em  um momento de aumento de oferta e redução do balanço do Fed;

- E, finalmente, hoje, alguns “profit warnings” do setor corporativo nos EUA. O JP Morgan comentou o seguinte sobre este tema: US stocks are coming for sale and the slump feels largely a function of earnings anxieties.  The warnings from PPG, TSE, and VAT Group, along w/the post-earnings weakness in FAST and LVMH (the latter in Europe), is souring the mood on the eve of the CQ3 season.   The sample size is still too small to draw any firm conclusions on CQ3 overall but this had been the one issue (earnings) that investors weren’t nervous about and if the SPX now needs to grapple w/the ongoing macro overhangs (Italy, China, and TSY yields) along w/earnings problems that will create a toxic combination over the coming weeks. 

Minha visão em relação ao cenário externo segue mais cautelosa e negativa, mas entendo que os preços atuais já estejam um pouco mais alinhados a este pano de fundo. De qualquer maneira, em um momento de estágio final do ciclo econômico, todo cuidado é necessário. Além disso, movimentos como o de hoje (e dos últimos dias) dificilmente são endereçados, ou estabilizados, no curto-espaço de tempo. Neste ínterim, deveremos conviver com mais volatilidade e incerteza, muito parecido com o que vimos em fevereiro deste ano.

No Brasil simplesmente seguiu o humor global a risco. Comentei sobre este risco em um texto no começo desta semana, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/as-arvores-e-floresta-forte-sell-off-na.html.

Em relação a minha visão por classes de ativos no Brasil, mantenho meu comentário de hoje cedo, que pode ser revisto aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/brasil-equipe-de-bolsonaro-da-pistas-de.html.

Em relação ao cenário externo, continuo gostando do tema de alta global de juros. Reduzimos os hedges via venda de bolsa norte americana por nível e devido a alta da volatilidade implícita, mas mantivemos proteções via opções de compra de JPY (moeda do Japão) cuja vol implícita parece mais distorcida e o nível da moeda mais “errado” para este ambiente e puts de “bonds high yields (HY)”.




Data: 10/10/2018

Brasil: Equipe de Bolsonaro dá pistas de como será o seu governo.

Os ativos de risco estão abrindo o dia na mesma toada que já virou regra nas últimas semanas, porém com movimentos menos bruscos neste momento. Abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido, queda das bolsas e dólar forte. Por mais um dia, as bolsas da China ameaçaram uma recuperação, mas acabaram fechamento próximas a estabilidade, a despeito de leve apreciação da moeda.

A agenda do dia terá o PPI como destaque nos EUA, com o Core CPI agendado para amanhã.

Nos últimos dias vimos o Paquistão pedir ajuda ao FMI, seguindo os passos da Argentina, vimos novos sinais de desaceleração da economia global ex-EUA, não vimos avanço na situação da Itália, e vimos novos sinais de uma inflação mais elevada ao redor do mundo. Em linhas gerais, reforçando o cenário ainda desafiador que tenho descrito neste fórum.

No Brasil, a entourage do candidato a presidente Jair Bolsonaro, e o próprio candidato, deram pistas, nas últimas 24 horas, do que pretende ser seu governo. Após ser repreendido por Bolsonaro no Jornal Nacional, seu candidato a vice disse que não é acéfalo e continuará dando seus palpites e opiniões. Seu potencial articulador político, referendado pelo candidato, afirmou que “essa reforma da previdência” apresentada pelo Governo Temer não será votada e que pretendem apresentar outra reforma, mas sem entrar em detalhes de qual reforma será.

Minha visão continua sendo de que a despeito destes tipos de ruídos, existe uma intenção de agenda econômica propositiva, liberal e reformista, que deverá ser abraçada pelo mercado em uma espécie de “lua de mel” em um primeiro momento. A médio e longo-prazo, acredito que a realidade local e externa irá se impor e a implementação desta agenda se mostrará mais difícil e turbulenta do que o imaginado anteriormente.

Neste momento, estou pendendo a acreditar que a agenda que independe do Congresso, ou de uma maioria de 2/3, tem mais chances de avançar, assim como o projeto de simplificação e desburocratização da economia que vem sendo sinalizado por Paulo Guedes. A agenda de reformas mais estruturais e que são um imperativo para o longo-prazo, contudo, deverá apresentar mais resistência por parte de sua nova base no Congresso.

Contudo, como o país urge por reformas dado a elevada dívida/PIB, é natural que, em algum momento, está situação cobre o seu preço.

Continuo vendo o mercado de renda variável como o melhor ativo para se alocar em Brasil neste momento. Os valuations parecem atrativos, as empresas desalavancadas e o mercado com baixa exposição. Nos atuais níveis de preço, já não vejo prêmio na curva de juros e no câmbio. Continuo achando a inflação implícita extremamente baixa.




Data: 09/10/2018

Risk-off!

Não há nada de fundamentalmente novo no cenário global, mas os ativos de risco estão abrindo a terça-feira com viés negativo, mantendo a mesma dinâmica e trajetória que está virando regra, ou seja, a abertura das taxas de juros nos EUA está colocando pressão negativa nas bolsas globais e nos demais ativos de risco.

Na China, os mercados locais ameaçaram uma recuperação após o forte sell-off de ontem, mas acabaram fechando muito próximos a estabilidade, o que me parece um sinal negativo, pois mostra fragilidade e ausência de sinal de estabilização mais duradoura.

Na Itália, o debate em torno das contas públicas do país continua, sem sinal de consenso ou de acordo junto a União Europeia. Os títulos públicos locais de longo-prazo continuam operando em queda, com forte abertura de taxas, nos níveis de taxa mais elevados deste ciclo econômico.

No Brasil, os dois candidatos a presidente concederam curta entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo. Não vi nada no evento que altere o quadro eleitoral que, neste momento, favorece uma vitória de Bolsonaro, mesmo que por margem apertada.

Acredito que no curto-prazo os mercados locais devem continuar a viver uma “lua de mel” com um eventual governo de Bolsonaro, pois sua equipe tentará trazer uma agenda econômica positiva e propositiva. Ao longo do tempo, contudo, algum tipo de ruído e volatilidade pode ocorrer, seja por pesquisa eleitoral, seja pelo cenário externo. A longo-prazo, os desafios para a implementação da agenda de reformas no país deverão ser gigantescos.

Nesta linha, a Folha de SP traz artigo que comenta um eventual governo de Bolsonaro: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/10/bolsonaro-ja-busca-executivos-do-setor-privado-para-governo-e-estatais.shtml.

O Valor comenta a respeito da composição do Congresso e a necessidade de negociação para aprovação de qualquer reforma: https://www.valor.com.br/politica/5912607/psl-ou-pt-tera-de-negociar-com-centrao-para-governar.




Data: 08/10/2018

As arvores e a floresta. Forte sell-off na China.

Hoje é dia de feriado nos EUA. O mercado de renda fixa não irá funcionar, mas o mercado de renda variável funcionará normalmente. Quando analisamos o cenário para os mercados globais, precisamos ter em mente o panorama global, da floresta, sem perder de vista o panorama local, das arvores. No geral, o que ocorre na floresta costuma ditar o ritmo de longo-prazo do que ocorre nas árvores, mesmo que os eventos locais, nas árvores, tragam movimento pontuais e de curto-prazo em partes da floresta.

As Arvores – Brasil: Jair Bolsonaro se saiu do primeiro turno como franco favorito. Além de uma expressiva votação próxima a 47% dos votos válidos, o PSL conseguiu emplacar 50 deputados, a segunda maior bancada da Câmara. Vimos um fenômeno gritante da sociedade votando à direita em vários estados do país.

Bolsonaro inicia sua caminhada no segundo turno como favorito. O PT terá pela frente um desafio de reverter este quadro, mas saindo de uma base importante no Congresso, onde, no mínimo, poderá desempenhar seu papel de oposição, o que sempre fez com muito acirramento.

Acredito que os ativos de risco irão reagir de maneira positiva a este evento (comentei mais a fundo sobre cada classe de ativos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/vamos-falar-mais-de-investimentos-e.html.

Na minha visão, uma vez confirmada a eventual vitória de Bolsonaro em segundo turno, ou seu amplo favoritismo, existe espaço para uma “lua de mel” entre seu governo e o mercado, já que sua equipe econômica irá buscar uma agenda positiva em um primeiro momento, mesmo que sua implementação seja difícil.

A melhora dos ativos locais, contudo, será cerceada pelos eventos globais, ou a floresta.

A Floresta – Externo e China: Mesmo com um agressivo corte de compulsório (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/china-corta-compulsorio-agressivamente.html), os ativos da China retornaram do feriado sobre forte pressão. As bolsas locais caíram cerca de 3%, com depreciação da moeda (CNY). Os demais ativos da Ásia e dependentes da demanda da China, como as commodities metálicas, operam sobre forte pressão neste momento.

Eu imaginava que está dinâmica poderia ocorrer em um segundo momento, como tenho escrito neste fórum há meses, mas pensava que o corte de compulsório pudesse dar algum suporte de curtíssimo-prazo. Isso não ocorrendo me leva a crer que a situação do país seja mais complicada e delicada do que o imaginado anteriormente, especialmente diante de um novo quadro estrutural do mundo, com aperto das condições financeiras e “guerra comercial”.




Data: 08/10/2018

China corta compulsório agressivamente. Últimas considerações eleitorais.

Desejo uma boa votação a todos e que nosso país seja capaz de buscar, novamente, a rota do desenvolvimento. Nossa sociedade precisa entender a gravidade de nossa situação. Nossos políticos precisam diagnosticar os problemas de maneira correta e ter os governantes capazes de entender este diagnostico, encontrar soluções e ter capacidade de articulação política para implementa-las.

Independente dos vitoriosos hoje, em todas as esferas políticas, para trilhar esse rumo de progresso precisaremos de um país mais unido e menos polarizado. Precisamos de mais racionalidade e menos agendas pessoais ou setoriais. Torço como cidadão que, independente de quem esteja em Brasília e nos governos estaduais no dia 1 de janeiro de 2019, sejamos capazes de trilhar um novo e prospero caminho para o Brasil. Escrevi sobre os resultados mais prováveis aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/10/vamos-falar-mais-de-investimentos-e.html. 

Na China, o PBoC anunciou um corte de 1pp do Reserve Requirement (compulsório). Uma queda no RR já era esperada, mas a magnitude foi maior do que o esperado. Temos que ler a medida de duas formas. Primeiro, é mais uma medida agressiva e positiva na direção de estabilizar o crescimento econômico em meio a “guerra comercial” e a sinais evidentes de desaceleração da economia. A medida deve ser bem vinda e deveria ser bem recebida pelo mercado. Segundo, o timing e a magnitude da medida mostram algum “desespero” do governo com a real situação econômica do país e pode ligar um sinal de alerta que a desaceleração esteja sendo maior do que o imaginado.

Assim, vejo a medida como dando suporte de curto-prazo ao humor em relação a China e os ativos mais dependentes da demanda chinesa (EM, commodities e etc). Contudo, no médio e longo-prazo continuo vendo a situação do país como delicada e, provavelmente, em um ponto de inflexão.

Com uma alavancagem grande na economia, para estabilizar o crescimento do país os governantes precisam de cada vez mais medidas, em magnitudes maiores, para proporcionar um “delta” menor de crescimento, ou seja, a elasticidade da economia as medidas está se tornando menor. Em algum momento, as medidas serão inócuas e uma desaceleração mais acentuada poderá ser inevitável. Escrevi sobre isso aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/pausa.html.




Data: 08/10/2018

Vamos falar mais de investimentos e menos de política?

Estou de volta, assim como os “Mercados Globais”, após 5 dias de imersão em uma agenda internacional bastante intensa e produtiva. Minha visão central quando sai nesta agenda pode ser recordada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/pausa.html. 

Os eventos recentes no cenário internacional apenas reforçaram minhas visões. Fui levado a interromper minha imersão para fazer pequenas atualizações de cenários que podem ser vistas aqui: https://www.linkedin.com/in/dan-kawa-78361130/detail/recent-activity/shares/.

Neste momento, me limitarei a comentar sobre investimentos no que tange “macro alocações”, mas deixando em aberto a oportunidade daqueles que tenham interesse em comentar em outros fóruns sobre os avanços no tocante a investimentos e produtos externos (“micro alocação”).

Felizmente, ou infelizmente, apenas o tempo irá dizer, (e não estou aqui para fazer juízo de valor sobre questões políticas) poderei, em breve (amanhã ou dentro de 3 semanas), deixar de falar um pouco de política para focar no que interessa e no que sou pago para fazer, que são investimentos. Então, vamos ao que interessa:

No cenário internacional, a sexta-feira foi mais um dia de confirmação daquele pano de fundo que acabou virando base para o desempenho dos ativos de risco nos últimos dias. Os números de emprego nos EUA mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho em setembro, a menor taxa de desemprego desde a década de 60 e a continuidade do processo de elevação da remuneração dos trabalhadores.

Estes números reforçam a necessidade da continuidade do processo de normalização monetária nos EUA e seguindo uma tendência que parece ser cada vez mais global. Se formos olhar economias menores, vemos um processo semelhante de aperto do mercado de trabalho e pressões inflacionárias. Desde economias europeias desenvolvidas até países emergentes asiáticos que não necessariamente passam por crises cambiais como Argentina e Turquia .

Assim, o cenário internacional me dá cada vez mais convicção que estamos no meio de um novo ciclo econômico, onde impera uma inflação global mais elevada, mesmo que ainda não uma processo de hiperinflação ou algo do gênero, e a necessidade de dar prosseguimento a um processo que se mostra cada vez mais global de alta de juros e aperto das condições monetárias.

Vindo de mais de 10 anos de situação oposta, eu não consigo acreditar que o mercado já esteja totalmente preparado para este tipo de situação mais estrutural e menos cíclica. Além disso, exceto pela situação dos EUA, em que a Reforma Tributária da sustentação a economia e as bolsas locais (“buybacks”) já há sinas cada vez mais claros de desaceleração do crescimento em vários países e regiões. Este não costuma ser uma mistura positiva para ativos de risco em geral.

Acho interessante observar o bom desempenho dos ativos emergentes, no geral, ao longo da última semana. Minha primeira leitura é que como essa classe de ativo acabou sofrendo mais e primeiro que outras classes de ativos, neste momento, eles conseguem apresentar desempenho mais positivo. Caso prevaleça o cenário acima e caso observemos uma pressão negativa em outros ativos de risco, a correlação maior deve retornar e, inevitavelmente, veremos novas rodadas de pressão nos ativos emergentes.

No Brasil, as pesquisas eleitorais recentes mostram o aumento da probabilidade de vitória de Bolsonaro no primeiro turno das eleições e aumento das chances de vitória em eventual segundo turno. Reforço o que já escrevi no meio da semana passada:

Acredito que caso se consolide este cenário, poderemos ver, no curto-prazo, a manutenção deste ambiente positivo, basicamente pela necessidade de compressão dos prêmios de risco de um eventual governo Haddad, a baixa exposição dos locais e estrangeiros a Brasil e, em algumas classes de ativos, posições ainda negativas. No geral, vemos os fundos locais comprados em bolsa e aplicados em juros mas com hedges via compra de dólar. As posições, contudo, são pequenas para os padrões históricos;

No médio e longo-prazo, contudo, acredito que a realidade de implementação e execução do governo será bastante desafiadora em meio a um cenário externo que ainda me parece complicado, o que dificultará a manutenção de uma trajetória ou tendência mais positiva e estrutural. Entendo, contudo, que no curto-prazo, de maneira cíclica e pontual, os fluxos para EM e Brasil podem ser relevantes.

Em termos de classes de ativos, acredito que poderemos ver um “bull flattening” adicional da curva de juros com queda das inflações implícitas. A médio-prazo, ainda gosto estruturalmente da compra de inflação implícita e na necessidade do início de um ciclo de alta de juros no país. Por diversas questões locais e globais a inflação baixa ficou para trás e teremos inflações mais elevadas, mesmo que não extremadas, nos próximos meses, quiçá, anos.

No mercado de câmbio, a posição técnica pode levar o Real para patamares mais apreciados, mas acredito que dificilmente teremos uma tendência mais estrutural. Acredito que exista um "piso” para o dólar contra a nossa moeda, mas não me arrisco a dizer qual seria (3,8? 3,7? 3,6%).

No mercado de renda variável é onde vejo as maiores oportunidades. Os valuations se mostraram atrativos, as empresas estão desalavancadas, e o mercado com baixíssima exposição a risco.




Data: 08/10/2018

 Tsunami externo.

A quinta-feira trouxe poucas novidades relevantes além daquilo que já tenho chamado a atenção nos últimos dias. Vimos mais uma rodada de abertura de taxa de juros nos EUA e nos demais países desenvolvidos, o que acabou gerando nova pressão nos ativos de risco.

A diferença, hoje, ficou por conta do primeiro sinal de fraqueza das bolsas norte americanas. Acredito que seja inevitável, do ponto de vista de valuation e posição técnica, alguma pressão sobre as bolsas norte-americanas e globais caso o movimento no mercado de juros continue. O cenário me parece muito similar aquele que vimos em fevereiro (de maneira simplória: economia aquecida > inflação > juros abrem > EM sofrem > dólar forte > bolsas caem).

A despeito deste pano de fundo, os ativos do Brasil continuaram a mostrar desempenhado relativo mais positivo. Continuo vendo o mercado de certa fora "leve", olhando uma questão muito pontual e específica, e deixando de lado um "tsunami” que vem do exterior. Mais cedo ou mais tarde, essa situação tende a se ajustar. 

Sou pragmático e entendo que uma vitória de Bolsonaro nas eleições deverá trazer uma "lua de mel” inicial aos ativos locais, mas ainda tenho certa convicção que os desafios locais e globais serão gigantescos e se mostrarão muito maiores do que o que se imagina neste momento.

Hoje foi a vez do Banxico, no México, divulgar um comunicado de politica monetária mais duro, apenas confirmando a minha tese de que estamos em um novo ciclo global de politica monetária e inflação no mundo emergente e desenvolvido.

Estamos no inicio de um novo ciclo global de alta de juros e o Brasil não deverá ficar para trás por muito tempo.

Amanhã teremos o IPCA de setembro e as coletas diárias mostram uma inflação rodando a patamares bem elevados.

Nos EUA, o Jobless Claims mostrou, uma vez mais, um mercado de trabalho robusto, no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Todas as atenções estarão voltadas para o Payroll e o Average Hourly Earnings amanhã nos EUA.

Vale lembrar que no inicio deste mês o Fed começou a reduzir seu balanço em US$60bi por mês, o BoJ faz um uma espécie de aperto as escuras e o ECB caminha na mesma direção.


 




Data: 04/10/2018

Tsunami externo.

Antes dos comentários de hoje gostaria de reforçar algumas visões pessoais:

Não sei quem ganhará as eleições no Brasil. Acredito que a disputa será decidida nos 48 minutos do segundo tempo. Acho imprudente qualquer alocação, investimento ou posição mais assertiva baseado em um cenário eleitoral. Na minha visão, tentar adivinhar o resultado dessas eleições é igual a jogar roleta em um casino.

As minhas alocações, posições e recomendações são baseadas em cenários econômicos que julgo mais prováveis, vis-à-vis o nível de preços e valuations, além da posição técnica e de potenciais fluxos pontuais em reação a notícias de curto-prazo, que podem ser apenas ruídos. Por isso, costumo fazer uma distinção entre posições estruturais e posições táticas.

Acredito que muitas pessoas não conseguem distinguir o que é uma vontade pessoal, uma torcida, do que de fato é a realidade. Todos nós, inclusive eu, por diversas vezes, somos pegos nesta armadilha.

Dito isso, hoje vimos a confirmação de um cenário externo mais desafiador, na linha do que eu tenho insistido há meses. O ADP Employment nos EUA mostrou robusta criação de vagas de trabalho no país. O ISM Non-Manufacturing atingiu novo pico deste ciclo econômico. 

Os números apenas reforçam minha visão de uma economia no pleno emprego, com hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias. Não acredito que este cenário irá se alterar no curto-prazo, o que deve manter o ambiente global desafiador. Acredito que estamos diante de um cenário menos construtivo que promete ser estrutural e não cíclico.

Neste pano de fundo, vimos forte abertura de taxa dos juros nos EUA, o que acabou trazendo pressão negativa para os ativos emergentes e os ativos de risco em geral. As taxas norte americanas estão atingindo patamares novos para este ciclo, e as economias mais alavancadas começam a sentir os efeitos mais nefastos do enxugamento global de liquidez (Turquia, Argentina, Itália, Austrália e etc). As eleições no Brasil me parecem apenas uma distração de curto-prazo, um ruído, diante deste ambiente internacional. O vencedor do pleito será capaz apenas de determinar a velocidade, ou a elasticidade dos ativos locais em relação ao cenário externo, mas não alterar sua direção e sua dinâmica.

No final da tarde, nova pesquisa Ibope mostrou um cenário de extrema competitividade nas simulações de segundo turno, dentro das minhas expectativas.

Sigo com baixa alocação a risco no Brasil. 






 




Data: 03/10/2018

BULLsonaro!?

Eu ainda estou com acesso limitado ao e-mail, mas prometi que faria uma atualização do cenário caso algo relevante ocorresse nos dias em que estaria ausente. Para rever minha visão, acesse aqui: http://mercadosglobais.blogspot.com/?m=1.

Nos últimos dias, as pesquisas Ibope e DataFolha mostraram avanço de Bolsonaro nas simulações de primeiro e segundo turno. Ambas as pesquisas mostram perda de momento de Haddad e aumento expressivo de sua rejeição. No segundo turno, a despeito da manutenção de um impacte técnico, vemos um delta, ou um momento mais favorável de Bolsonaro. Já há debates de uma possível vitória de Bolsonaro no primeiro turno.

Em reação a este ambiente, observamos forte reação positiva dos ativos locais.

Acredito que caso se consolide este cenário, poderemos ver, no curto-prazo, a manutenção deste ambiente positivo, basicamente pela necessidade de compressão dos prêmios de risco de um eventual governo Hadddad, a baixa exposição dos locais e estrangeiros a Brasil e, em algumas classes de ativos, posições ainda negativas.

No médio e longo-prazo, contudo, arredio que a realidade de implementação e execução do governo será bastante desafiadora em meio a um cenário externo que ainda me parece complicado, o que dificultará a manutenção de uma trajetória ou tendencia mais positiva e estrutural. Entendo, contudo, que no curto-prazo, de maneira cíclica e pontual, os fluxos para EM e Brasil podem ser relevantes.

Em termos de classes de ativos, acredito que poderes ver um “bull flattening” adicional da curva de juros com queda das inflações implícitas. A médio-prazo, ainda gosto estruturalmente da compra de inflação implícita e na necessidade do início de um ciclo de alta de juros no país. Por diversas questões locais e globais a inflação baixa ficou para trás e teremos inflações mais elevadas, mesmo que não extremadas, nos próximos meses, quiça, anos.

No mercado de câmbio, a posição técnica pode levar o Real para patamares mais apreciados, mas acredito que dificilmente teremos uma tendencia mais estrutural. Acredito que exista um "piso” para o dólar contra a nossa moeda, mas não me arrisco a dizer qual seria (3,8? 3,7?).

No mercado de renda variável é onde vejo as maiores oportunidades. Os valuations se mostraram atrativos, as empresas estão desalavancadas, e o mercado com baixíssima exposição a risco.

Vale reforçar que este cenário só é válido na eventualidade de vitória de Haddad. Ainda vejo uma eleição competitiva que só será definida nos "48 minutos do segundo tempo", como é minha visão desde sempre.

No tocante ao cenário externo, sigo com visão cautelosa. Na China, vimos o PMI arrefecer, abaixo das expectativas de leve elevação. As diversas medidas implementadas no país foram capazes apenas de reduzir a velocidade de desaceleração da economia. O país mostra o quão complicado está sendo para estabilizar sua economia em meio a um cenário de alavancagem elevada. Ainda vejo enormes desafios para a China nos próximos meses.

Nos EUA, não vejo necessidade e nem sinais de encerramento do ciclo de normalização monetária, que tem sido uma restrição grande ao desempenho dos ativos de risco ao longo deste ano.

Na Itália, um país desenvolvido com características de país emergente, a discussão em torno do orçamento continua acirrada e trazendo incerteza ao cenário.

Hoje pela manhã, a inflação na Turquia surpreendeu as expectativas para cima, mostrando que ainda será necessárias medidas adicionais para estabilizar a economia.

Na Argentina, o novo acordo com o FMI e a alta de juros para 65%, até este momento, ajudou a estabilizar os ativos do país. 


 




Data: 28/09/2018

Pausa.

O “Mercados Globais” irá fazer uma pausa até o dia 8 de outubro. Neste ínterim, estarei focado em outros projetos, com acesso limitado ao e-mail. Estarei, contudo, acompanhando a evolução dos mercados financeiros globais e do cenário econômico. Caso acredite que haja a necessidade de um breve comentário de atualização ou mudança de cenário ou visão, farei meu dever fiduciário de comunica-los.

Por ora, mantenho a minha visão estrutural inalterada e vejo os movimentos recentes apenas como movimentos cíclicos, pontuais e localizados, em busca de algum retorno adicional de curto-prazo em meio a um cenário global e local ainda extremamente desafiador.

Relembrando, vejo as principais economias desenvolvidas em um movimento estrutural, que promete ser prolongado, de normalização monetária e retirada de liquidez e estímulos. Os números de inflação na Alemanha de hoje apenas me fazem lembrar que “the winter is coming (on the north!)”, ou melhor, a inflação está chegando em um país perto de você!

Assim, continuo vendo um cenário, liderado pelos EUA, de pleno emprego, hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias que levarão os bancos centrais a manter uma postura mais dura em relação as taxas de juros e estímulos monetários. Neste ambiente, exceto por movimentos pontuais como o que observamos em setembro, acredito que ainda haja amplo espaço para decepção em relação ao desempenho de longo-prazo de várias classes de ativos de risco.

O mundo passou os últimos 10 anos alocando recursos em ativos de risco em busca de retornos adicionais. Os preços e valuations estão em níveis historicamente elevados, com os prêmios de risco comprimidos. Entendo que o mercado não se move em linha reta, então teremos movimentos mais positivos como o que vimos nas últimas semanas.

Na China, entendo que as medidas recentes foram suficientes para estabilizar os mercados financeiros locais e a economia no curto-prazo, mas se provarão insuficientes para uma estabilização de longo-prazo. O processo de reformas do país passa, invariavelmente, por uma desalavacagem (por bem ou por mal) da economia e um crescimento menor. Deveremos conviver com novas incertezas provenientes do Oriente mais cedo ou mais tarde.

Não estou profetizando o apocalipse, pois ainda não vejo argumentos ou vetores para movimentos negativos mais acentuados, mas mantenho uma postura cautelosa diante deste cenário.

Os desafios que estão sendo vividos pela Argentina, para citar um país emergente, e pela Itália, para citar um país desenvolvido não comprometido com reformas econômicas, são um alerta para o Brasil.

No Brasil, continuo vendo um cenário eleitoral extremamente competitivo, com Bolsonaro e Haddad em uma disputa de narrativas que só deverá ser decidida no dia das eleições. Continuo achando imprudente tentar adivinhar o vencedor deste pleito. Acredito, contudo, que diante do cenário exposto acima, qualquer que seja o vencedor, pegará um cenário que demandará extrema capacidade de governo, conseguindo entender o diagnostico dos problemas, ter convicção na necessidade das medidas e capacidade de articulação para coloca-las em prática.




Data: 27/09/2018

Ruídos na Itália e inflação na Alemanha.

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira com leve viés negativo, com destaque para um movimento de dólar forte no mundo e leve pressão nas bolsas da Europa e dos EUA. Na tarde de ontem comentei um pouco sobre a reação a decisão do Fed (aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/fed-eleicoes.html).

A única “novidade” que vejo hoje pela manhã é a ausência de avanços no tocante ao acordo político para o orçamento na Itália, que pode estar trazendo incerteza para a Europa e seus ativos. As bolsas da região operam em queda e os bonds na Itália apresentam abertura de taxas de juros.

Na Alemanha, a divulgação do CPIs (inflação) regionais apontam para um risco altista na inflação fechada do país, a ser divulgada ainda esta manhã.

Na agenda do dia, destaque para o Jobless Claims e o Durable Goods Orders nos EUA.




Data: 26/09/2018

Fed & Eleições.

Como eu suspeitava, ou temia, hoje pela manhã, (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/a-espera-do-fed.html) a decisão do FOMC, seu comunicado e suas previsões de crescimento, inflação e taxa de juros foram rigorosamente em linha com as expectativas, mas o mercado acabou tendo uma leitura de que o Fed foi mais “dovish”, pelo simples fato de ter retirado a menção as condições monetárias acomodatícias, o que era esperado por muitos analistas, como comentei hoje cedo.

Não vejo motivos para alterar as expectativas em torno do processo de normalização monetária nos EUA e nem mesmo o pano de fundo ainda desafiador para a economia mundial e os mercados financeiros globais. Ainda vejo a economia dos EUA em estágio avançado do ciclo econômico, com hiato do produto fechado, no pleno emprego e com acumulo gritante de pressões inflacionárias.

Na minha visão, alguns fluxos de final de mês e trimestre, alguns rebalanceamentos de carteiras, aliados a percepção de preços e valuations mais atrativos em algumas classes de ativos, além de uma posição técnica mais “leve”, estão ajudando o mercado no movimento mais positivo (em especial no tocante aos ativos emergentes).

No Brasil, as pesquisas de intenção de voto para as eleições continuam mostrando a consolidação de Bolsonaro na liderança e de Haddad em segundo lugar. A disputa de segundo turno mostra um cenário de extrema competitividade e incerteza.

Não acredito que a melhora dos ativos locais esteja diretamente, ou integralmente, ligada ao cenário político, mas ao que tenho visto em termos de fluxo para as economias emergentes (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-dicotomia-entre-incerteza-do.html).




Data: 26/09/2018

A espera do Fed.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira em tom de relativa estabilidade, com movimentos mistos porém pouco acentuados.

O destaque do dia ficará por conta da decisão do FOMC nos EUA. Já é amplamente esperado que os juros serão elevados em 25bps. Existe, contudo, uma dúvida de como será o comunicado do Comitê as previsões do Fed.

Alguns já esperam uma mudança no comunicado, para indicar juros menos expansionistas, ou mais restritivos, além de alguma sinalização mais forte em torno dos riscos da “guerra comercial” e dos mercados emergentes.

Acredito que a economia interna dos EUA está extremamente forte e condizente com a continuidade do ciclo de normalização monetária, sem que haja a necessidade de sinalização de alguma interrupção ou pausa no ciclo de alta de juros. Além disso, as condições financeiras estão bastante frouxas, o que reforça este cenário. A guerra comercial e os desafios nas economias emergentes devem ser citados apenas como risco a um cenário base robusto.

Não podemos descartar que os “dots”, ou seja, as expectativas de taxas de juros dos membros do Comitê se elevem, especialmente em prazos mais longos, diante do recente debate da alta cíclica do “r*”, ou dos juros neutros de curto-prazo, como tem sido chamado.

De maneira geral, tenho receio que o mercado possa ler o comunicado como “dovish”, o que costuma ser um padrão histórico, a despeito de achar que a possibilidade maior é que o Fed mantenha uma postura e uma comunicação “hawkish”.




Data: 26/09/2018

Brasil: Dicotomia entre incerteza do cenário e dinâmica do mercado.

Os ativos no Brasil tiveram um dia de elevada volatilidade. Após abrirem sob forte pressão negativa, digerindo a pesquisa Ibope de ontem a noite (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/pesquisa-ibope-e-normalizacao-monetaria.html), vimos uma forte recuperação ao longo da tarde. Alguns argumentos ou teorias para a melhora:

O mercado está tecnicamente mais “leve” e os preços (dos ativos emergentes em geral) estão mais atrativos;

Os investidores estão mais tranquilos com o cenário eleitoral, seja pelo otimismo com eventual governo de Bolsonaro, seja com um possível passo de Haddad mais ao centro;

Fluxos, especialmente de rebalanceamentos de final de trimestre;

O mercado está mais ajustado globalmente para o cenário externo de normalização monetária das economias desenvolvidas e os ativos emergentes acabam chamando a atenção pelo “valuation” comparativo mais atrativo do que seus pares nos países desenvolvidos.

Continuo vendo o período eleitoral com elevada volatilidade e incerteza, em meio a um cenário externo que ainda me parece desafiador.

As Notas do Copom divulgados pelo BCB reforçam a mensagem do Comunicado da decisão da semana passada (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/em-relief-rally-eleicoes-e-copom.html), ou seja, o BCB deixou em aberto a possibilidade do início de um processo de alta da Taxa Selic. Recomendo a leitura do link acima para uma visão um pouco mais completa sobre o tema.

No cenário externo, vimos o Consumer Confidence nos EUA atingir o maior patamar deste ciclo econômico, confirmando o cenário de robustez da economia. Amanhã teremos a decisão do FOMC nos EUA. O mercado já espera uma alta de 25bps com um comunicado que pode conter alterações relevantes.

Na Argentina, o Presidente do Banco Central renunciou após menos de 4 meses no cargo, mostrando que existem fissuras no governo argentino em torno das negociações para o pacote de ajuda junto ao FMI e o modelo de ajuste econômico que precisa ser executado.

A Argentina é um caso clássico de país emergentes que optou por fazer reformas que foram vistas como excessivamente lentas pelo mercado e, quando a maré internacional virou, acabou passando (e ainda passa) por enormes dificuldades. Sabendo que existem diferenças gritantes entre o caso argentino e o caso brasileiro, não podemos perder o foco de quanto importante e urgente são as reformas no Brasil.




Data: 25/09/2018

Pesquisa Ibope e normalização monetária global.

O destaque desta manhã está por conta de mais uma rodada de abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido, liderado pelos EUA. Além do cenário que já tenho descrito neste fórum: pleno empego, hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias, agora, observamos um número cada vez maior de banqueiros centrais alertarem para este quadro e para a necessidade de continuidade do processo de normalização monetária, levando os juros para taxas superiores ao que o mercado precifica e a taxas terminais mais elevadas do que se imaginava anteriormente.

O Morgan Stanley resumiu bem este cenário em seu relatóio diário de moedas hoje:

Hawkish central banks… Hawkish rhetoric from central bankers continues to put upward pressure on yields. The ECB is the latest of a string of central banks which have taken more hawkish steps in recent months. Fed Governor Brainard’s speech raised eyebrows when, in contrast to her previously dovish remarks, she suggested the FOMC may need to raise rates above the long-run neutral rate of around 3%. The minutes from the Riksbank’s most recent meeting suggested a high bar for not hiking rates, bolstering continued SEK outperformance. Yesterday’s comments from ECB President Draghi suggesting a bullish view on core inflation pushed Bund yields to their highest level since May. EURUSD continued its uptrend, breaking 1.18 for the first time since the summer.

...including the ECB… It is worth noting that President Draghi's comments were not materially different from his tone at the latest ECB meeting. However, what is important for us is that it affirms that the bar for the ECB to turn more dovish is relatively high. A common refrain from EUR-bearish investors has been that Eurozone growth has slowed since last year, and this is true. However, from the ECB’s perspective, what matters is that growth is sufficiently strong to continue to erode slack and support inflationary pressures.

Os demais ativos de risco apresentam relativa tranquilidade a este ambiente. Acredito que este ambiente mais tranquilo esteja sendo ajudado por um pano de fundo em que várias classes de ativos já haviam apresentado piora significativa nos últimos meses. Contudo, vejo esta tranquilidade como pontual e cíclica, e não permanente e estrutural. Caso o cenário de normalização monetária nas economias desenvolvidas continue, como é minha expectativa, espero novos “spikes” de volatilidade e “risk-off”, que irão comprovar que o momento atual é apenas um “relief rally” e, estruturalmente, estamos diante de uma tendência mais negativa. Minha visão estrutural será alterada na eventualidade de uma mudança brusca neste pano de fundo de normalização monetária global.

No Brasil, a pesquisa Ibope mostrou estabilização de Bolsonaro na simulação de primeiro turno, em torno de 28%. Haddad segue em forte trajetória ascendente, atingindo 22%. Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro mostra certa resistência e apresentou leve queda. Haddad segue em ascensão e já superaria Bolsonaro, fora da margem de erro, em um eventual segundo turno entre os dois.

Não acho que os mercados locais deveriam reagir positivamente a este ambiente. Acredito que os ativos do Brasil estão com pouco prêmio de risco a um eventual novo governo de esquerda em meio a um ambiente internacional desafiador. Como já escrevi neste fórum, não irei profetizar o apocalipse econômico em novo governo do PT. Espero, de certa forma, algum pragmatismo econômico. Todavia, acredito que as reformas necessárias para o Brasil são enormes e urgentes e apenas um governo com o diagnóstico correto da situação, disposição e capacidade de implementar as reformas será capaz de colocar o Brasil de volta na trajetória de crescimento e saúde financeira.

O que temos em mãos hoje do projeto econômico de Haddad, a luz da opinião de especialistas e do mercado, não seria suficiente para trazer essa prosperidade de volta de maneira estrutural.

O Ibope mostrou que a rejeição a Bolsonaro começa a afetar seu desempenho no primeiro turno mas, principalmente, nas simulações de segundo turno. Enquanto isso, a transferência de votos de Lula continua dando enorme suporte a Haddad. Os especialistas em pesquisa gostam de chamar a atenção para as tendências. Neste momento, Bolsonaro parece ter batido em seu teto (isso pode mudar) e Haddad está em acentuada tendência de alta. Os números falam por si e dispensam comentários adicionais da corrida eleitoral olhando a fotografia de hoje.




Data: 24/09/2018

Brasil: Pesquisa BTG Pactual mostra avanço de Haddad.

A despeito de um fluxo de notícias mais negativo, os ativos de risco estão abrindo a semana em tom misto. Comentei sobre os eventos recentes aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/guerra-comercial-us-tech-eleicoes-brasil.html e aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-relief-rally-em-meio-um-cenario.html.

No Brasil, a pesquisa eleitoral divulgada pelo BTG Pactual nesta manhã mostra a consolidação de Bolsonaro em primeiro, com cerca de 33% nas intenções de voto. Haddad continua em trajetória positiva e na pesquisa estimulada chega aos 23%. Na simulação de segundo turno entre os dois Bolsonaro caiu de 46% para 44% e Haddad subiu de 38% para 40%, mostrando o mesmo quadro de empate técnico entre ambos,

Já comentei intensamente sobre este cenário em textos recentes (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-precisamos-entender-raiz-do.html).

De acordo com a mídia, Bolsonaro prepara um “manifesto a nação” para tentar demostrar menos radicalismo em seu posicionamento: O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, está dando os retoques finais no que vem sendo chamado de “Manifesto à Nação”, no qual pretende fazer um compromisso em defesa da democracia, responder às críticas de racismo e misoginia, e reiterar ao mercado de que trabalhará pelo ajuste fiscal. O formato ainda está sendo definido – se será um texto ou um vídeo – e a ideia é divulgar a mensagem nas redes sociais.

A agenda do dia será relativamente esvaziada. Espero que os mercados externos continuem repercutindo a piora nas relações comerciais entre os EUA e a China no âmbito externo e os desenvolvimentos eleitorais no cenário doméstico.




Data: 24/09/2018

Guerra Comercial, US Tech & Eleições Brasil.

De acordo com o WSJ e em notícia já disseminada na mídia internacional (https://www.wsj.com/articles/china-cancels-trade-talks-with-u-s-amid-escalation-of-tariff-threats-1537581226), a China cancelou o envio de sua delegação que estava agendada para discutir a relação comercial com os EUA. Assim, as tarifas em cerca de US$200b adicionais de importações chinesas aos EUA deve entrar em vigor nesta segunda-feira. Trump já sinalizou que pretende iniciar o estudo de tarifas adicionais em US$267bi de novos produtos chineses, o que levaria a taxação da integralidade dos produtos da China que chegam aos EUA.

Como já escrevi neste fórum diversas vezes, acredito que não existe, neste momento, nenhum estímulo para os EUA alterarem sua postura. Por sua vez, a China não pode, por questões políticas e estratégias, se curvar a todas as demandas americanas. Assim, acredito que a situação tenha que piorar, seja por uma forte deterioração do cenário econômico (mais provável na China do que nos EUA neste momento) ou com uma forte reação negativa dos mercados financeiros globais.

Até este momento, os investidores estão vendo esta situação como controlada e com impactos limitados sobre o crescimento e a inflação, o que tem impedido uma deterioração mais acentuada e agressiva dos ativos de risco. Confesso que não sei ao certo até onde este balanço de estabilidade conseguirá se sustentar.

Segundo artigo da Bloomberg (https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-09-22/draft-order-for-trump-would-crack-down-on-google-facebook?srnd=premium), uma “ordem executiva” do governo dos EUA irá investigar as práticas de algumas plataformas tecnológicas, como Google, Facebook e outas empresas do setor.

Há algum tempo atrás, quando estourou o “escândalo” dos dados do Facebook, escrevi aqui que estávamos no início de um processo estrutural de maior controle destes meios (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/04/tech-trouble-china-tariffs-and-nafta.html?q=facebook). Reforço, agora, está visão. Após vários anos de avanços dessas empresas e frente as desigualdades atuais da economia mundial, acho que o caminho de maior regulamentação neste setor já está sendo semeado. Não estou fazendo aqui juízo de valor ou dando minha opinião se isso é certo ou errado, mas confirmando uma constatação.

Em relação ao Brasil, recebi alguns feedbacks interessante do meu último comentário (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-relief-rally-em-meio-um-cenario.html), com muito apontando o discurso de Fernando Haddad, mais ao centro, como um motivo adicional de animação dos mercados locais.

Entendo que, no curto-prazo, ajudado por todos os demais vetores comentados no texto anterior, este discurso aparentemente mais ao centro pode também ter ajudado os ativos locais. Inclusive, escrevi que esperava algum pragmatismo de quem quer que seja eleito para presidente em outro comentário (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-precisamos-entender-raiz-do.html).

Contudo, reforço a minha tese que o Brasil precisa hoje de reformas urgentes e agressivas onde será necessário o diagnóstico correto da situação, a intensão de colocar as reformas em pratica e a capacidade de execução e de diálogo com o Congresso. Assim, olhando deste ponto de vista, eu não vejo o plano econômico apresentado pelo PT, sempre a luz da visão do mercado, como sendo suficiente para colocar o país de volta no trilho do desenvolvimento. Assim, tendo a acreditar que, a despeito de animações pontuais, que a meu ver continua sendo puxada por vetores diversos, um eventual avanço da esquerda nestas eleições não deverá ser bem vista pelos mercados financeiros locais ao longo do tempo.




Data: 24/09/2018

Brasil: "Relief Rally" em meio a um cenário ainda incerto.

Os ativos no Brasil apresentaram ontem mais um dia de recuperação, com excelente desempenho. Na minha opinião, este movimento está sendo impulsionado por alguns vetores concomitantes, entre eles:

 - Uma posição técnica que parece favorável a alocação no Brasil;

- Preços e valuations que parecem ter atingindo níveis atrativos para alguns investidores;

- Uma estabilização do cenário externo e descompressão de prêmios de risco para os ativos emergentes e commodities;

- Um otimismo com a possível vitória de Jair Bolsonaro nas eleições e sua aparente agenda econômica liberal (escrevi sobre isso aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-precisamos-entender-raiz-do.html).

Minha visão continua a mesma. Acredito que estes movimentos sejam cíclicos e não estruturais. Não vejo mudanças estruturais no cenário externo (veja aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/em-relief-rally-eleicoes-e-copom.html) ou no ambiente desafiador interno (veja no link do último tópico acima).

Entendo e respeito o movimento e a visão do mercado de curto-prazo. Entendo que estes movimentos podem durar alguns dias ou semanas, porém não alguns meses.

Continuo vendo uma eleição que será bastante disputada entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Acredito que a decisão do vitorioso se dará apenas “nos 48 minutos do segundo tempo”.

Acredito ser de certa forma leviano tentar acertar o resultado dessas eleições neste momento. O mercado já incorreu em erros semelhantes no passado, como nas eleições de 2014 no Brasil, como muitos tiveram a certeza de vitória de Marina Silva; nas eleições presidenciais dos EUA, em que Trump era dado como carta fora do baralho; e na votação do Brexit, onde ninguém acreditava em vitória de seus favoráveis; sem contar as inúmeras eleições regionais e locais ao redor do mundo (em especial na Europa) em que partidos mais radicais e extremos abocanharam posições relevantes nos últimos anos, sem uma expectativa prévias das pesquisas ou dos “cientistas políticos”.

Finalmente, um breve comentário sobre a China. Há rumores de que o país pode colocar em prática uma série de medidas de suporte ao crescimento, como corte de impostos, inclusive de importações, com intuito de contrabalancear as medidas anunciadas pelos EUA.

O mercado apresentou otimismo que estas medidas serão suficientes para dar impulso ao crescimento do país, dando suporte as commodities, aos mercados emergentes e aos ativos chineses em geral.

Acredito que as medidas sejam positivas e ajudarão o país a navegar o atual momento global de maneira mais suave. Contudo, devido ao atual estágio de alavancagem da economia do país, neste momento, é necessário um esforço cada vez maior dos policy makers para gerar um “delta” de crescimento muito menor do que no passado. Assim, entendo que as medidas podem dar suporte a economia e otimismo aos mercados no curto-prazo, mas dificilmente mudaram o destino fina de um menor crescimento estrutural do país e, à frente, a necessidade de um ajuste econômico e uma desalavacagem da economia. A China e os emergentes ganharam tempo, mas não mudaram seu destino.




Data: 21/09/2018

"Risk-on" ainda domina.

Os ativos de risco estão abrindo na mesma toada que vem sendo regra nos últimos dias, ou seja, com movimentos de “risk-on” quase que generalizados. Para não soar repetitivo, meus comentários sobre o tema estão aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-precisamos-entender-raiz-do.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/em-relief-rally-eleicoes-e-copom.html.

O destaque da agenda ficará por conta da pesquisa eleitoral encomendada pela XP Investimentos.

Na Europa, o Flash Manufacturing PMI – um dos indicadores de confiança e crescimento mais importantes da região – apresentou leve e inesperada queda em setembro, mostrando uma economia ainda relativamente saudável dado o nível do indicador, mas com sinais claros de arrefecimento ou acomodação.




Data: 21/09/2018

Brasil: Precisamos entender a raiz do problema.

Os ativos de risco estão passando por um momento de recuperação, após o Core CPI nos EUA mostrar um cenário de inflação controlada e a ausência de necessidade de uma aceleração do processo de normalização monetária nos EUA. Soma-se a isso, a visão de que a posição técnica de algumas classes de ativos (emergentes, commodities e etc), os preços e os valuations estavam atrativos para alocações nessas classes.

Continuo vendo essa dinâmica muito mais como cíclica do que estrutural, podendo durar alguns dias ou algumas semanas, mas dificilmente alguns meses, na ausência de mudanças substanciais do pano de fundo global.

O Brasil está sendo levado “a reboque” deste movimento global, a despeito dos enormes desafios que irá encontrar pela frente. Não é a primeira vez, e não será a última vez, que o cenário externo irá preponderar sobre o cenário local. Na média, isso ocorre com mais frequência do que muitos imaginam.

Com as eleições chegando não posso me furtar de comentar sobre o tema, mas fazendo as ponderações de sempre: minha opinião sobre política vale o mesmo que uma nota de 3 reais e, nunca, em momento algum, estarei fazendo juízo de valor sobre este ou aquele candidato ou partido, apenas analisando a potencial reação dos mercados a cada um dos eventuais candidatos eleitos e seus planos de governo.

O Brasil passa por um momento de grave crise fiscal. O país necessita de uma reforma econômica urgente e agressiva. O cenário externo pode, eventualmente, “empurrar este problema com a barriga”, como vem ocorrendo nos últimos anos. Contudo, o problema existe, é latente e, em algum momento, por bem ou por mal, deverá ser endereçado.

Muitos já sabem que espero um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Olhando de hoje, com o plano de governo de ambos e os discursos recentes, eu acredito que nenhum dos dois candidatos fará nenhuma loucura econômica uma vez levados ao cargo de presidente. Acredito que, com algumas variações grandes (obviamente) irá predominar algum tipo de pragmatismo.

Por outro lado, a despeito da aparente boa intensão de alguns, um congresso fragmentado e a ojeriza da sociedade às reformas (provadas por pesquisas recentes e comprovadas pela greve dos caminhoneiros) dificilmente as reformas econômica necessárias serão concretizadas no tempo necessário para evitar o pior. Em linhas gerais, me parece que as reformas econômicas agressivas que são necessárias para o bom andamento da economia, só serão implementadas na eventualidade de uma crise de fato.

É claro que a reação de curto-prazo dos ativos do Brasil será muito diferente caso Bolsonaro seja eleito ou Haddad saia vitorioso. Entendemos isso e estaremos preparados para tomar posições táticas em cada um destes cenários. Todavia, serão reações de curto-prazo, e mesmo assim muito dependentes do ambiente externo. Não podemos perder o norte de longo-prazo para o país, que me parece extremamente desafiador do ponto de vista local e externo.

Seguimos com baixa exposição a risco no Brasil, mas elevamos a alocação comprada da inflação implícita e aumentamos a duration da nossa pequena posição tomada em juros. Seguimos com pequena posição vendida em volatilidade de câmbio e bolsa. No cenário externo, continuamos com elevada exposição tomada em juros nos EUA, e nossos hedges avia compra de volatilidade de índices de bolsa estão sendo, organicamente, dizimados por esta alta adicional das bolsas americanas.




Data: 20/09/2018

Brasil: Pesquisa Datafolha confirma o Ibope e um cenário que demanda cautela.

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira relativamente estáveis. Ontem a noite comentei um pouco mais sobre o alívio nos ativos emergentes, a pesquisa Ibope e a decisão do Copom e minha visão pode ser revista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/em-relief-rally-eleicoes-e-copom.html.

Hoje pela madrugada o Datafolha divulgou pesquisa (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/bolsonaro-vai-a-28-e-haddad-a-16-ciro-lidera-no-2o-turno-mostra-datafolha.shtml) que basicamente confirma o cenário mostrado pelo Ibope ontem. A pesquisa Datafolha foi mais completa, com cerca de 8 mil entrevistas.

Bolsonaro segue consolidado na liderança das intenções de voto com cerca de 30%. Fernando Haddad segue em ampla ascensão, aparecendo em segundo com 16%. No cenário de segundo turno entre os dois há empate técnico, mas com a derivada de Haddad se mostra mais positiva, já que mostra ascensão rápida e pode aparecer na liderança do segundo turno em breve.

Reforço o que comentei ontem sobre este cenário:

A luz da visão do mercado em relação a ambos os candidatos, a pesquisa pode ser lida como negativa para a visão dos mercados locais. Haddad já mostra sinais de que migra seu discurso econômico mais ao centro, enquanto Bolsonaro insiste no discurso de polarização e radicalização. Acredito que o vencedor das eleições precisará buscar este eleitor mais ao centro.

Como venho escrevendo neste espaço, já trabalhava com um cenário de Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Isso está se confirmando. O segundo turno será uma nova eleição. Neste momento, olhando o discurso de ambos os candidatos, acredito que Haddad está sabendo “jogar melhor este jogo” do que Bolsonaro. De qualquer maneira, sigo acreditando que o vencedor das eleições só será decido “nos 48 minutos do segundo tempo” e até lá teremos que conviver com bastante incerteza.




Data: 20/09/2018

"EM Relief Rally", Eleições e Copom.

Os ativos de risco estão passando por um momento de consolidação, com os ativos emergentes e as commodities, classes de ativos que mais sofreram nos últimos meses, experimentando o que eu tenho chamado de “relief rally”. A posição técnica, o nível de preços e valuations e a aparente ausência de riscos no cenário de curto-prazo são argumentos para este tipo de movimento. Já havia escrito, após a divulgação do Core CPI nos EUA, que algo deste gênero pudesse ocorrer (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/inflacao-mais-baixa-nos-eua-nao-muda-o.html?q=core+cpi).

Por ora, contudo, não vejo o principal vetor de pressão estrutural desses mercados sendo dissipados, leia-se, a continuidade do processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, em especial e liderada pelos EUA. Assim, vejo estes movimentos como cíclicos, pontuais e não estruturais. Eles podem durar dias, talvez semanas, mas dificilmente alguns meses, na ausência de uma mudança significativa, de fato, neste pano de fundo de normalização monetária das economias desenvolvidas.

Já vimos isso acontecer em julho, para ser revertido de forma rápida e acentuada em agosto. Setembro se assemelha com julho. Os dados recentes continuam apontando na direção da necessidade de manutenção do processo e normalização monetária, com sinais até da necessidade de aceleração, ou de juros terminais mais elevados do que aqueles precificados no mercado, em algumas dessas economias.

O Brasil se insere neste contexto, com o agravante de passar por uma eleição polarizada. Os ativos locais ameaçaram uma recuperação a reboque do cenário externo, mas acabaram devolvendo grande parte do movimento ao longo da tarde.

A pesquisa Ibope mostrou consolidação de Bolsonaro na liderança das pesquisas, com forte avanço de Haddad. Importante ressaltar o empate técnico dos dois no segundo turno, com crescimento marginal concentrado em Haddad.

A luz da visão do mercado em relação a ambos (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-uma-analise-do-mercado-local.html) os candidatos, a pesquisa pode ser lida como negativa para a visão dos mercados locais. Haddad já mostra sinais de que migra seu discurso econômico mais ao centro, enquanto Bolsonaro insiste no discurso de polarização e radicalização. Acredito que o vencedor das eleições precisará buscar este eleitor mais ao centro.

Como venho escrevendo neste espaço, já trabalhava com um cenário de Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Isso está se confirmando. O segundo turno será uma nova eleição. Neste momento, olhando o discurso de ambos os candidatos, acredito que Haddad está sabendo “jogar melhor este jogo” do que Bolsonaro. De qualquer maneira, sigo acreditando que o vencedor das eleições só será decido “nos 48 minuto do segundo tempo” e até lá teremos que conviver com bastante incerteza.

O Banco Central do Brasil (BCB) anunciou a manutenção da Taxa Selic em 6,50%, como era amplamente esperado (exceto por cerca de 10bps de prêmio de risco na curva de juros para esta reunião e 10% de probabilidade de alta nas opções digitais). O comunicado após a decisão, contudo, caminhou para uma sinalização mais clara da possibilidade concreta e crescente do início de um ciclo gradual de alta de juros já na próxima reunião. O comunicado, assim, pode e deve ser lido como mais hawkish.

A curva curta de juros terá que digerir duas forças antagônicas a partir de amanhã. De um lado, uma precificação que já aponta para cerca de 80 a 90bps de alta nas próximas duas reuniões do Copom e um comunicado que sinaliza para um processo, ainda incerto, que seria “gradual”, de altas de juros, ou seja, estas altas precificadas poderiam ser excessivas.

De outro lado, contudo, é a sinalização mais concreta de desconforto do BCB com o cenário atual. O mercado de juros, assim, poderia ficar mais reativo a pioras no cenário de inflação corrente e na taxa de câmbio. Além disso, historicamente, não apenas no Brasil, como em outros países emergentes, os ciclos de alta (e de queda) de juros costumam ser mais prolongados e acentuados do que o imaginado no início do processo, como agora.




Data: 18/09/2018

Guerra Comercial entra em estágio mais avançado.

No início da noite de ontem os EUA anunciaram o que já vinha sendo ventilado ao longo de todo o dia, leia-se, a imposição de tarifas de importação em cerca de US$200bi de produtos da China. As tarifas irão dobram depois de 1 ano, caso não haja avanço nas negociações entre os dois países. Os EUA declararam que entrarão na terceira fase de seu processo, ou seja, a imposição de tarifas em mais cerca de US$267bi de produtos da China, caso a China anuncie retaliação. Nesta manhã, a China anunciou que irá retaliar instantaneamente as medidas americanas.

Os ativos de risco reagiram de maneira bastante negativa a notícia, operaram sobre forte pressão ao longo de toda a noite, mas por volta de 3h00 iniciaram um processo de recuperação e, neste momento, operam com viés mais positivo e leve “risk-on”.

Eu vejo o cenário externo com cautela, não apenas pelo avanço da “guerra comercial”, mas como pelo quadro geral da economia dos EUA que venho descrevendo neste fórum há alguns meses. A “guerra comercial” adiciona uma pitada negativa a este pano de fundo.Os movimentos mais positivos do mercado, na minha opinião, estão sendo puxados por posição técnica, nível de preços e valuations. A deterioração de algumas classes de ativos, como os ativos emergentes e as commodities metálicas não preciosas, acabou criando algum valor na classe, além de ter permitido uma posição técnica mais saudável, o que acaba trazendo demandas pontuais, ou “bargain hunters”, ao longo do tempo. Por ora, não vejo sinais de mudanças relevantes de cenário para alterar minha visão estrutural, mesmo que de maneira cíclica (curto-prazo) pudermos passar por um período de melhor desempenho.

Não há novidades relevantes em Brasil (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-uma-analise-do-mercado-local.html).

Tenho tentado manter uma posição mais neutra em Brasil. A alocação ainda é extremamente baixa, com leve compra de inflação implícita e postura tática na ponta tomada de juros mais curtos. Para compor o portfólio, adicionamos pequenas alocações, via estruturas de opção com perda limitada, que alia venda de volatilidade (vol), compra de Bolsa e compra de BRL. Os “deltas” são relativamente baixos, mas com alguma exposição a vols mais baixas passada as eleições.




Data: 18/09/2018

Brasil: Uma análise do mercado local.

Os ativos locais (Brasil) estão encerrando o dia com forte apreciação, a despeito de um ambiente global mais desafiador, com queda das bolsas nos EUA e desempenho misto dos demais emergentes.

O movimento de hoje está em linha com o que supus que pudesse ocorrer (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/brasil-pesquisa-btg-pactual-mostra.html), mas talvez em velocidade maior do que o esperado. Talvez esteja ajudando o movimento a posição técnica do mercado e a notícia vinculada na mídia local ao longo do dia que o Centrão pudesse apoiar Bolsonaro “em breve”.

Para deixar minha visão de hoje cedo mais clara, dado que recebi alguns questionamentos a respeito, acho importante frisar que não estou fazendo juízo de valor de nenhum candidato ou nenhum plano de governo, apenas tentando fazer uma leitura fria e racional da reação do mercado em relação ao avanço de cada um dos candidatos nas pesquisas eleitorais. Dito isso:

Diante dos atuais preços do mercado (ou dos preços do início do dia) e o risco de algum candidato de esquerda tomar o poder, o avanço de Bolsonaro nas pesquisas poderia ajudar (ou está ajudando) a tirar algum “prêmio de risco” dos ativos locais. A luz da visão do mercado, o plano econômico apresentado por Bolsonaro e encabeçado por Paulo Guedes, é um plano visto como liberal, reformista e bastante positivo. A capacidade de implementação deste plano de governo ainda é incerta, mas o mercado costuma “operar” em etapas.

Com este pano de fundo, o aumento da probabilidade de vitória de Bolsonaro em um segundo turno, olhando de hoje (isso pode mudar de acordo com os preços e o cenário externo), na visão do mercado, é vista com positiva. Vale ressaltar que não estou dando nenhuma opinião sobre este ou aquele candidato ou plano de governo, mas analisando as possíveis reações do mercado aos diversos cenários possíveis e o caminho até eles.

No cenário externo, a mídia está dando como certa o anuncio de tarifas de importação dos EUA em cerca de US$200bi de produtos da China. Minha opinião sobre o tema já foi amplamente divulgada neste fórum nos últimos meses (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/guerra-comercial-e-eleicoes-no-brasil.html).




Data: 17/09/2018

Brasil: Pesquisa BTG Pactual mostra avanço de Bolsonaro no segundo turno.

Os ativos de risco estão abrindo próximos a estabilidade. Já comentei sobre o cenário externo nos últimos dias. Para não soar repetitivo, vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/guerra-comercial-e-eleicoes-no-brasil.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/inflacao-mais-baixa-nos-eua-nao-muda-o.html.

No Brasil, a pesquisa de intenções de voto para presidente do BTG Pactual mostrou a continuidade do cenário que temos descrito há algumas semanas neste fórum, ou seja, consolidação de Bolsonaro no primeiro lugar, rápido e acentuado avanço de Haddad e relativa força de Ciro Gomes. Alckmin mostra extrema fraqueza, assim como Marina.

A grande novidade, se podemos assim dizer, são os cenários de segundo turno, em que Bolsonaro começa a se destacar e mostrar vantagem em relação aos seus oponentes. A despeito de eu achar que o segundo turno será outra eleição, com dinâmica própria e outros vetores importantes a se monitorar, existe a possibilidade dos mercados locais se animarem com a perspectiva e crescimento de Bolsonaro nessas simulações.




Data: 17/09/2018

Guerra Comercial e Eleições no Brasil

No cenário externo, o destaque do final de semana ficou por conta da deterioração nas relações comerciais entre EUA e China, segundo uma série de artigos do WSJ (https://www.wsj.com/articles/china-weighs-skipping-trade-talks-after-u-s-tariff-threat-1537115334?mod=hp_lead_pos2). Minha opinião sobre o tema já foi amplamente discutia neste fórum e segue inalterada. Acredito que não haja, neste momento, incentivo para nenhum dos lados recuarem de seu posicionamento. Assim, acredito que, neste tema, a situação deverá piorar antes de uma solução concreta mais racional.

De acordo com a mídia, os EUA devem proceder com a implementação de impostos de importação em US$200bi de produtos chineses na ordem de 10%. A montante das tarifas é menor do que os 25% ventilados anteriormente, porém não menos importante. Vejo um impacto quase que imediato na inflação dos EUA, porém um impacto mais lento e incerto sobre o crescimento.

Os números econômicos divulgados na sexta-feira confirmaram uma economia bastante robusta, sem sinais de desaceleração, com o mercado de trabalho no pleno emprego, com hiato do produto fechado e o acumulo cada vez mais claro e evidente de pressões inflacionárias. Algumas pesquisas mais qualitativas e anedóticas já mostram este pano de fundo como dificultando contratações, pressionando margens e etc. Neste ambiente, o Fed deverá continuar o processo e normalização monetária, e citar os problemas nos países emergentes apenas como riscos ao cenário, mas sem impactos relevantes de curto-prazo sobre a política monetária.

No Brasil, a pesquisa da XP Investimentos e do Datafolha para presidente mostraram um cenário bastante parecido. Bolsonaro se consolida na liderança com cerca de 25% das intenções de voto. Haddad ganha espaço de maneira rápida e acentuada, e já aparece em segundo, com empate técnico com Ciro e, um pouco atrás, Alckmin (estagnado nas pesquisas) e Marina, em queda livre. As simulações de segundo turno mostram algum avanço de Bolsonaro, mas em situação ainda de bastante incerteza.

Acredito que o mercado estará focado, nos próximos dias, no patamar que Haddad irá se consolidar, visto que sua alta marginal tem sido surpreendente. Concomitantemente a isso, será importante observar as simulações de segundo turno, para ver a força da esquerda e a rejeição de Bolsonaro.

Como citei neste espaço há algumas semanas atrás, meu cenário base, olhando de hoje, porém com nível de convicção baixo, é um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. Depois disso, vejo uma nova eleição, em que várias variáveis ainda precisam ser entendidas antes de ter alguma opinião de fato.

Continuo administrando o portfólio de maneira mais ativa que a média, com baixa exposição Brasil, a despeito de um viés mais negativo. Continuo tomado em juros nos EUA, com hedges através de compra de volatilidade de índices de bolsa e calls de JPY.




Data: 14/09/2018

Brasil: Risco à inflação.

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom majoritariamente positivo, na ausência de notícias relevantes mais concretas. Comentei sobre o efeito do Core CPI divulgado ontem nos EUA no final da tarde de quinta-feira (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/inflacao-mais-baixa-nos-eua-nao-muda-o.html).

Na agenda do dia, destaque para o “tracking” eleitoral da XP Investimentos no Brasil e para a pesquisa Datafolha, provavelmente apenas no final do dia. A agenda nos EUA trará alguns indicadores relevantes de crescimento, com as vendas no varejo e a produção industrial.

Na China, os dados de atividade econômica de agosto foram mistos, com os investimentos ainda em queda – o que foi o grande motor do crescimento por vários anos e mostra enorme dificuldades em mostrar reação nesta fase do ciclo econômico – mas com uma surpresa positiva nas vendas no varejo. A produção industrial ficou basicamente em linha com o esperado. Em linhas gerais, os números são pouco animadores. Mostram alguma acomodação\estabilização da economia, mas sem sinais de uma recuperação mais acentuada ou sustentável.

Segundo a mídia, a ONS poderá manter a bandeira vermelha até o final do ano. Como a maioria do mercado trabalha com um cenário de bandeira amarela, poderia levar a uma revisão das expectativas do IPCA para algo mais próximo de 4,5% este ano. Na minha visão, o melhor para a inflação já ficou para trás. Ainda não estamos diante de um cenário de inflação galopante, mas o BCB já está com muito menos margem de manobra para a inflação de curto-prazo e do ano que vem. Os riscos, no geral, são altistas para a inflação. Caso o câmbio se estabilize ou se acomode em um patamar mais elevado, digamos acima de 4,10, os modelos já apontam para uma inflação acima da meta e para a necessidade de uma alta de juros.

A curva precifica cerca de 100bps de alta de juros até o final do ano, com 3 reuniões do Copom, Os FRA´s mais longos já apresentam juros bastante elevados, na ordem de 12% e, em alguns vértices, acima de 13%. Não vejo esses prêmios como excessivos para o cenário de incerteza local e externa que estamos convivendo.




Data: 14/09/2018

Inflação mais baixa nos EUA não muda o quadro geral.

O número tira pressão de curto-prazo para uma eventual aceleração do processo de normalização monetária nos EUA, mas dificilmente irá alterar o “plano de voo” do Fed de altas de 25bps a cada 3 meses (4 altas de juros por ano) e sua redução automática de balanço. Vale lembrar que o mercado ainda trabalha com uma taxa de juros terminais de cerca de 2,70%-2,75%, o que me parece excessivamente baixa e leniente diante dos sinais de aperto do mercado de trabalho.

O Jobless Claims da última semana se manteve em torno de 200 mil, menor patamar em décadas e confirmando um quadro de aperto do mercado de trabalho, em linha com o que já havia sido demonstrado por outros indicadores divulgados ao longo da semana.

O Core CPI pode vir a tirar alguma pressão pontual e cíclica dos ativos emergentes, que sofreram bastante ao longo de agosto, mas acho difícil que seja capaz de mudar a dinâmica estrutural deste mercado, visto que ainda há amplo espaço para a reprecificação da curva de juros nos EUA. A melhora cíclica seria mais uma reação ao nível de preços e algum fluxo pontual.

Nesta linha, a Turquia anunciou uma alta de mais de 600bps nas suas taxas de juros, para 24%, acima das expectativas do mercado. A medida é bastante positivo, mas apenas o primeiro passo na direção de um política econômica mais ortodoxa para conter a deterioração da economia e dos mercados locais.

É importante ter em mente que a Argentina levou suas taxas de juros para 60% e a moeda do país continua em processo de depreciação, com forte pressão hoje. Isso mostra que as economias mais fragilizadas, que não aproveitaram os 10 anos de condições monetárias frouxas no mundo para promover ajustes estruturais terão agora um trabalho muito mais árduo na tentativa de estabilizar suas economias.

O BoE na Inglaterra e o ECB na Área do Euro mantiveram suas políticas monetárias estáveis, sem surpresas, como era amplamente esperado.

No Brasil, os mercados locais apresentaram forte deterioração, seguindo rumores divulgados na mídia de que “trackings” eleitorais estariam mostrando avanço expressivo de Haddad nas intensões de voto após o anuncio de apoio oficial de Lula.

Olhando de hoje, continuo vendo um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad como o mais provável, como tenho comentado nos últimos dias, porém com nível de convicção baixa.

Continuo com baixa exposição a risco no Brasil, com leve viés negativo de curto-prazo, mas com posições apenas táticas. Vejo o alívio externo apenas como pontual, se acontecer, e um quadro político local bastante complicado do ponto de visto dos candidatos competitivos a luz da visão do mercado em torno de suas políticas econômicas.




Data: 13/09/2018

A espera do Core CPI nos EUA. Bolsonaro passa por cirurgia de emergência.

Assim, o número de inflação de hoje pode ajudar a definir o ritmo de precificação dos ativos de risco no geral. Um número mais forte, acima de 0,20% MoM levará a uma nova e, provavelmente acentuada, alta de juros nos EUA, com efeitos negativas sobre os demais ativos de risco. Um número mais brando, abaixo de 0,20% MoM pode vir a trazer alguma acomodação ou “relief rally” para as classes de ativos mais pressionadas nos últimos meses.

No Brasil, o candidato Jair Bolsonaro passou por cirurgia de emergência na noite de ontem. Ele passa bem, mas a emergência deverá prorrogar sua internação.

Na Austrália, os números de emprego de agosto foram robustos, superando as expectativas do mercado. Apesar do país vivenciar um cenário um pouco mais idiossincrático, é mais uma economia desenvolvida que mostra aperto do mercado de trabalho, em linha com um movimento global que tenho chamado a atenção aqui neste fórum.




Data: 13/09/2018

EUA: Pressões de inflação cada vez mais evidentes/Brasil: Incerteza eleitoral continua.

A quarta-feira foi de forte alívio para os mercados emergentes e de commodities, ativos que vinham sendo os mais pressionados nas últimas semanas. O movimento de acomodação nessas classes de ativo já vinha sendo ensaiado há alguns dias, mas hoje ganhou força com a notícia de que os EUA convidaram a China para novas conversas em torno das questões comerciais entre ambos os países.

Não acredito que houve mudança substancial de cenário, muito pelo contrário, como veremos abaixo, o que me leva a crer que o movimento de hoje é apenas uma acomodação, um alívio, ou o que chamo de “relief rally” após uma rodada de cerca de 1 mês de pressão ininterrupta.

No tocante a “guerra comercial”, ainda acredito que a situação terá de piorar antes de melhorar, não vendo, neste momento, motivos para os EUA recuarem de suas demandas.

Nos EUA o discurso de Lael Brainard do Fed e o Beige Book foram bastante relevantes para reforçar o cenário que vem sendo o principal vetor de direcionamento dos mercados financeiros globais.

Em linhas gerais, Brainard falou que os juros de equilíbrio de curto-prazo são relevantes para política monetária. Estes juros estão subindo de forma cíclica e devem continuar subindo nos próximos anos. Além disso, o Fed deverá subir as taxas de juros acima do neutro neste processo de normalização monetária. Na minha visão, um discurso contundente e bastante hawkish, visto que o mercado espera uma taxa de juros terminais hoje abaixo de 3%. Continuo acreditando que veremos juros mais altos por mais tempo do que o que está precificado hoje, mas entendo que este será um processo longo e tortuoso, como já vem sendo nos últimos anos.

O Beige Book confirma o que tenho descrito neste fórum diariamente, ou seja, uma economia com crescimento robusto, no pleno emprego, com hiato do produto fechado e pressão inflacionárias que se acumulam. Os riscos inerentes a “guerra comercial” existem mas, por ora, são apenas riscos com baixo efeito de fato nos dados, o que pode mudar com o tempo.

No Brasil, os ativos locais ameaçaram uma melhora mais expressiva após a pesquisa Ibope mostrar um cenário menos favorável aos partidos de esquerda no segundo turno das eleições, mas acabaram devolvendo grande parte da melhora no final da tarde.

Continuo vendo o cenário extremamente incerto e indefinido, o que deverá manter os ativos locais com alta volatilidade. Continuo trabalhando com um cenário de segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, mas sabendo que o nível de convicção deste cenário, e a probabilidade de acerto, serem extremamente baixas.

Alckmin, cuja parte do mercado ainda via esperanças de algum impulso com a campanha de rádio e TV, está tendo que lidar com os avanços do MPE e MPF sobre candidatos de seu partido no Paraná e no Mato Grosso, colocando-o em situação ainda mais delicada frente aos questionamentos que já são feitos a ele (sobre corrupção) em debates e entrevistas. Não estou fazendo juízo de valor, apenas apontando uma situação, no mínimo embaraçosa, que o candidato do PSDB terá que administrar na reta final de sua campanha. Além disso, segundo a mídia, perdeu o apoio do PP gaúcho, de sua candidata a vice-presidente. Assim, a luz da visão do mercado, um dos candidatos mais bem posicionados para efetuar as reformas necessárias na economia, mostra fragilidade e imensa dificuldades em ver sua candidatura decolar. 




Data: 12/09/2018

EUA mostra sinais adicionais de aperto do mercado de trabalho. Pesquisa Ibope no Brasil não muda o pano de fundo.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira com leve viés positivo, a despeito de mais uma noite de dinâmica ruim dos ativos na China e no resto da Ásia. Voltamos a vivenciar um ambiente de pressões negativas localizadas, em especial na Ásia, mas que ainda não está sendo capaz de gerar qualquer tipo de contaminação mais acentuada ou duradoura para o resto do mundo. Inclusive, os próprios ativos emergentes ex-Ásia vêm apresentando sinais de estabilização nos últimos dias, mesmo diante de uma rodada de alta de juros nos países desenvolvidos.

No tocante a Ásia, continuamos a ver números que apontam para um arrefecimento do crescimento da região e uma situação ainda bastante fragilizada (para os padrões do país) no que diz respeito a China.

Nos EUA, contudo, ontem observamos novas evidências de solidez da economia. O JOLTs Job Openings  o NFBI Business Confidence mostraram um mercado de trabalha extremamente robusto, no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. As pressões inflacionárias são cada vez mais evidentes e gritantes. Não apenas os “headlines” dos números mostraram este ambiente, mas principalmente a abertura e o qualitativo dessas pesquisas.

No Brasil, a pesquisa Ibope divulgada na noite de ontem, em linha gerais, mostrou um cenário muito parecido com aquele apresentado pela pesquisa Datafolha no dia anterior. Assim, o que eu escrevi ontem continua válido (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/09/sinais-de-pressoes-inflacionarias-ao.html):

No Brasil, a pesquisa Datafolha divulgada ontem trouxe algumas informações importantes. Bolsonaro se consolidou na liderança, mas em um primeiro momento ganhou pouco com o bárbaro episódio que o acometeu na semana passada. Ciro mostra avanço expressivo, no que me parece seus “15 minutos de fama” com sua proposta de retirar o nome dos devedores da lista do SPC. Alckmin ganha pouco terreno após 10 dias de horário eleitoral, esperava-se mais do candidato do PSDB. Haddad começa a mostra competitividade, mesmo sem o anuncio oficial do apoio de Lula. Marina, como esperado, começa a “derreter”.

Acredito que a pesquisa esteja, grosso modo, em linha com o esperado e mostra uma “fotografia” de indefinição no tocante ao segundo lugar nas pesquisas. Pensando friamente o cenário prospectivo, me parece que Haddad continua mostrando a melhor capacidade de angariar apoio na reta final para ter um lugar no segundo turno junto com Bolsonaro, que parece consolidado na liderança. O anuncio oficial do apoio de Lula, somado a campanha do PT devem trazer forte apoio ao candidato nos próximos dias. Não analisarei os cenários de segundo turno neste momento, pois acredito que será uma “nova eleição”.

Acredito que os mercados locais não receberão bem o cenário acima. A incerteza continuará elevada e a possibilidade de Bolsonaro e Haddad no segundo turno me parece um cenário considerado arriscado a luz do pensamento do mercado.

O PT anunciou oficialmente a candidatura e Fernando Haddad para presidente no lugar de Lula, como era amplamente esperado. A partir de agora, começará um forte esforço de transferência de votos. Acredito que existe uma probabilidade alta de nos próximos 5 a 10 dias Haddad já apresentar-se consolidado com cerca de 12% a 15% das intenções de voto nas pesquisas eleitorais.

Na agenda do dia, o destaque ficará por conta do PPI nos EUA, como prévia do Core CPI amanhã e para um leilão de Treasuries de 10 anos.




Data: 11/09/2018

Sinais de pressões inflacionárias ao redor do mundo se acumulam.

O destaque desta manhã está por conta de mais uma rodada de abertura de taxas de juros nos EUA, o que está colocando alguma pressão nas bolsas globais. Os sinais de acumulo de pressão inflacionárias, não apenas nos EUA, mas ao redor do mundo desenvolvido, vão se tornando cada vez mais claros e inequívocos. Hoje foi a vez dos dados de emprego na Inglaterra apresentarem elevação acima das expectativas dos salários, confirmando um mercado de trabalho robustos, no pleno emprego e com o hiato do produto fechado.

A aceleração da inflação me parece apenas uma questão de tempo, de “quando” irá ocorrer, e não de “se” irá ocorrer. Neste pano de fundo, é natural esperar que os bancos centrais dessas economias continuem seu processo de normalização monetária e os mercados comecem a precificar de maneira mais real e concreta taxas de juros mais elevadas no curto e no médio prazo.

Continuo posicionado para este tema de investimento através de posições tomadas em juros na parte intermediária da curva dos EUA, com posição comprada em vol e em puts de JPY como hedge da posição. Não acredito que o cenário descrito acima, diante do atual nível de preço e valuation, deveria ser visto como positivo para o pano de fundo de risco global, por isso a composição do portfólio com estes hedges descritos acima.

No Brasil, a pesquisa Datafolha divulgada ontem trouxe algumas informações importantes. Bolsonaro se consolidou na liderança, mas em um primeiro momento ganhou pouco com o bárbaro episódio que o acometeu na semana passada. Ciro mostra avanço expressivo, no que me parece seus “15 minutos de fama” com sua proposta de retirar o nome dos devedores da lista do SPC. Alckmin ganha pouco terreno após 10 dias de horário eleitoral, esperava-se mais do candidato do PSDB. Haddad começa a mostra competitividade, mesmo sem o anuncio oficial do apoio de Lula. Marina, como esperado, começa a “derreter”.

Acredito que a pesquisa esteja, grosso modo, em linha com o esperado e mostra uma “fotografia” de indefinição no tocante ao segundo lugar nas pesquisas. Pensando friamente o cenário prospectivo, me parece que Haddad continua mostrando a melhor capacidade de angariar apoio na reta final para ter um lugar no segundo turno junto com Bolsonaro, que parece consolidado na liderança. O anuncio oficial do apoio de Lula, somado a campanha do PT devem trazer forte apoio ao candidato nos próximos dias. Não analisarei os cenários de segundo turno neste momento, pois acredito que será uma “nova eleição”.

Acredito que os mercados locais não receberão bem o cenário acima. A incerteza continuará elevada e a possibilidade de Bolsonaro e Haddad no segundo turno me parece um cenário considerado arriscado a luz do pensamento do mercado.




Data: 10/09/2018

 Tentativa de estabilização. Cenário, contudo, seguirá desafiador.

A noite foi marcada por mais uma rodada de pressão negativa nos ativos da Ásia, com queda dos índices de bolsa da China, depreciação do CNY e das demais moedas emergentes da região. A despeito deste dinâmica, estamos amanhecendo com um bom desempenho das bolsas na Europa e nos EUA. As moedas emergentes continuam mostrando sinais, incipientes e fragilizados, de acomodação.

No final de semana, a mídia internacional focou a atenção no potencial negativo da imposição de tarifas de importação por parte dos EUA em produtos de importação da China, após Trump voltar a sinalizar, e “tweettar” ao longo de todo o final de semana, sinalizações em torno deste tema.

Acredito que o impacto mais imediato será através de inflação mais elevada, especialmente se o governo Trump focar, agora, em bens de consumo, o que parece ser o cenário mais provável. Ainda acredito que a situação nesta frente deverá piorar antes de melhorar. Na verdade, não vejo nenhum dos lados recuando sem uma pressão por parte do “Dr. Mercado” (piora rápida e acentuada dos ativos de risco) ou com uma piora expressiva do cenário econômico, neste caso, mais provável, neste momento, no caso da China.

Na China, vimos dados de exportação e importação de agosto mais baixos que o mês anterior e um pouco abaixo das expectativas. O que chamou mais a atenção foi a piora no déficit comercial americano, que atingiu sua pior marca da história. Pelo o que já escrito acima, não me parece um momento oportuno para um número nesta direção. Hoje pela manhã foi divulgado o CPI, que apresentou aceleração acima das expectativas, passando a 2,3% YoY. A inflação de alimentação e problemas específicos no tocante a inflação de “porcos” explica a distorção em relação as expectativas. Uma inflação mais elevada reduz a margem de manobra do PBoC na tentativa de administrar os problemas da economia.

No Brasil, o tracking de intenções de voto para as eleições do BTG Pactual\FSB mostrou avanço de Bolsonaro, que se consolida na liderança, avanço de Haddad, que começa a ficar mais conhecido com a campanha eleitoral e o apoio de Lula, avanço de Alckmin, que ganha com elevada exposição na mídia, e avanço de Ciro Gomes, em detrimento a queda de Marina e dos indecisos. Acredito que estes movimentos estão dentro das expectativas do mercado. Continuo vendo o cenário eleitoral coo extremamente competitivo e indefinido.

Na Inglaterra, o PIB de julho apresentou alta de 0,3% MoM, acima das expectativas de 0,1% MoM.

Continuo trabalhando com baixa exposição a risco em Brasil, vendo um cenário de incerteza e volatilidade devido ao cenário externo e eleitoral. Acredito que a reação do mercado na quinta-feira após o bárbaro atentado a Bolsonaro tenha sido exagerada, puxado por posição técnica e iliquidez. Sigo tomado em juros na parte intermediária da curva dos EUA, com posição comprada em puts de JPY e comprada em vol de índices de bolsas dos EUA para compor o portfólio.




Data: 06/09/2018

Brasil: Pesquisa Ibope.

Os ativos de risco estão apresentando sinais de estabilização essa manhã. Começo a sentir um movimento de tentativa de estabilização dos mercados que mais sofreram nas últimas semanas, como os ativos EM e commodities, mas com um movimento de maior fragilidade, ainda bastante incipiente, dos ativos de maior destaque positivo neste período, como as bolsas dos países desenvolvidos, por exemplo o S&P e a NASDAQ.

Não vi notícias relevantes no cenário externo. A agenda do dia terá o ADP Employment como destaque nos EUA.

No Brasil, o Ibope divulgou pesquisa ontem já pegando o inicio do programa eleitoral. Acredito que, a luz da visão do mercado, existirão intepretações positivas e outras negativas em relação a pesquisa, olhando exclusivamente a “fotografia” dos números, sem pensar no cenário prospectivo.

Do lado negativo, a esquerda segue forte com Ciro e Marina bem posicionados, além de Haddad começando a subir nos intensões de voto. No segundo turno, Bolsonaro perde para praticamente todos os candidatos simulados, o que aumenta o risco de um novo presidente da esquerda caso essa consiga um lugar no segundo turno. Do lado positivo, a esquerda pode estar se canibalizando e acabar perdendo força para ir ao segundo turno. Além disso, Alckmin aparece “embolado”, próximo da margem de erro, se comparado a Ciro e Marina, o que pode lhe garantir um espaço no segundo turno.

De maneira geral, a pesquisa confirma a minha tese de que o cenário é de extrema incerteza, o que deve prevalecer até o dia das eleições, com cerca de 5 candidatos bastante competitivos e uma série de combinações que podem ser bastante negativas para o resultado final.




Data: 05/09/2018

Sinais de contaminação.

Mais uma noite se passa e iniciamos mais um dia com o mesmo pano de fundo e a mesma dinâmica de mercado que já virou regra, ou seja, dólar forte e pressão nos ativos emergentes. Comentei bastante sobre isso nos últimos dias, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/ e aqui https://www.linkedin.com/in/dan-kawa-78361130/detail/recent-activity/shares/. Não entrarei em detalhes para não soar repetitivo.

Desde ontem, contudo, vemos sinais de contaminação este cenário emergentes mais negativo para outras classes de ativos, como as bolsas no mundo desenvolvido, que vinham se mostrando “blindadas” a este ambiente.

Após Argentina, Turquia e África do Sul, agora a Indonésia também entra no radar do mercado, com sua moeda atingindo o menor patamar da história após mais uma rodada de depreciação. Neste caso, o problema enfrentado pelo país é muito parecido com os casos dos demais emergentes. Continuo acreditando que tudo isso é apenas sintoma do mesmo problema, ou seja, a redução global de liquidez.

“Relif rallies” não podem ser descartados e devem ocorrer, mas mudanças de tendência apena diante de uma mudança brusca de cenário. Por isso, os dados de emprego esta sexta-feira e de inflação na semana que vem, nos EUA, serão tão importantes.

Não há novidades no Brasil. O Ibope cancelou a divulgação de sua pesquisa eleitoral pois havia utilizado Lula como candidato em um dos cenários, o que após a decisão do TSE tornou a pesquisa se sentido.

Nesta noite vimos a divulgação de um forte PIB na Austrália, mas uma forte queda do PMI na Índia e o Caixin Services PMI na China, reforçando a dicotomia de cenário entre países desenvolvidos, em especial os EUA, e os países emergentes, que parecem estar vivendo uma de suas maiores crises recentes se levarmos em conta a magnitude de depreciação de suas moedas.

Na Argentina, a despeito de todas as medidas já anunciadas, não há sinais de estabilização do cenário, com mais uma rodada de forte deterioração das expectativas. Segundo a Goldman Sachs:

According to the August central bank monthly survey, the median expectation for 2018 inflation (as measured by the National CPI; the yardstick for the inflation targeting framework) rose by a large +850bp to 40.3%. Furthermore, the median expectation for 2019 rose by +470bp, to 25.3%, while 2020 rose by 390bp, to 18.9%. Overall, inflation expectations for end-2018 and end-2019 deteriorated by a large +2,290bp and +1,370bp, respectively over the last 8 months. In fact, inflation expectations for end-2018 have now deteriorated for 16 consecutive months.

Furthermore, core inflation expectations have also deteriorated. The end-2018 median expectation for core inflation rose +1,000bp to 40.5%, end-2019 rose +550bp to 24.5%, and end-2020 rose +400bp to 18.0%.

According to the same survey, the market now expects the policy rate to end 2018 at 60.00% (up from 35.00% in the previous survey), and at 32.00% at end 2019 (up from 25.50% in the June survey). The same survey also shows that analysts are now considerably more bearish on the currency (median expectation for end-2018 ARS/USD weakened to 41.9 from 30.5, and for end-2019 weakened to 50.0 from 36.0).

Finally, with regards to the growth outlook, the median expectation for real GDP growth in 2018 declined to a significant contraction of -1.9% (from -0.3% in July and +2.5% in April) and 0.5% for 2019 (from 1.5% in July and 3.2% in April).




Data: 05/09/2018

Os números econômicos reforçam o cenário desafiador. África do Sul é o próximo "dominó" a cair...

Os dados econômicos recentes apenas reforçam o cenário que tenho descrito neste fórum nos últimos meses e a terça-feira não foi diferente.

Nos EUA, vimos o ISM Manufacturing – um dos indicadores mais importantes de confiança da economia – apresentar alta acima das expectativas em agosto e atingir o maio patamar em cerca de 15 anos. O número de hoje apenas confirma que o Fed deve manter seu processo de normalização monetária inalterado, a despeito da turbulência no mundo emergente. Isso tem sido um dos principais vetores de pressão negativa em alguns mercados, com os mercados emergentes e algumas commodities, por exemplo.

Em contrapartida, as notícias provenientes do mundo emergente seguem nebulosas. Hoje foi a vez da África do Sul divulgar uma forte queda do PIB no segundo trimestre do ano, contra expectativas de recuperação da economia. A moeda do país depreciou mais de 3% e entrou, definitivamente, no hall de países emergentes fragilizados (junto a Turquia e Argentina) que necessitarão de medidas agressivas de ajuste econômico.

No Brasil, o dia me faz voltar em um tema que já comentei há alguns dias atrás, leia-se, a posição técnica do mercado. A terça-feira foi marcada por forte queda da bolsa e relevante abertura de taxa de juro, mas um dólar mais comportado. Como já escrevi aqui, a média do mercado me parece comprada em dólar como hedge das carteiras, mas comprada em bolsa por valuation e bons resultados, e aplicada em juros, por ver prêmios excessivos na curva. O dia de hoje deve ter prejudicada a média das carteiras e confirma um quadro técnico desafiador.

Não podemos descartar movimento de acomodação, que tenho cunhado como “relief rallies” no curto-prazo, frente a deterioração recente nos países emergentes. Contudo, na ausência de mudanças fundamentais, as melhoras devem ser passageiras, mesmo que de duração, as vezes, um pouco prolongada, como foi o caso no mês de julho. A tendência dos mercados me parece ser negativa e com risco crescente de contágio para outras classes de ativos.

O retorno das férias de verão no hemisfério norte estará sendo seguido de uma agenda econômica importante, com os dados de emprego nos EUA essa sexta-feira e dados de inflação já na semana que vem nos EUA. O potencial de “guerra comercial” continua elevado e os países emergentes ainda mostram alguma negação em relação a sua situação corrente, a despeito de medidas, em alguns casos (como na Argentina) na direção correta.

No Brasil, teremos mais volatilidade vinda do cenário de incerteza das eleições com uma pesquisa Ibope nacional a ser divulgada em instantes.




Data: 04/09/2018

EM seguem pressionados. Há risco de contágio.

Não há mudanças substanciais de cenário e os ativos de risco continuam mantendo a mesma dinâmica que vem sendo regra já há algumas semanas, ou seja, fortalecimento do dólar e pressão nos ativos emergentes, a despeito do bom desempenho dos mercados nos EUA, com a bolsa em alta e o petróleo nos picos recentes.

Continuo vendo o pano de fundo de continuidade do processo de normalização monetária dos principais bancos centrais ao redor do mundo e, em especial, nos EUA, como principal propulsor deste cenário. A ausência de reformas estruturais e da relativa “negação” de alguns países emergentes para lidar com a “crise” recente acaba por ajudar este processo de deterioração.

Acredito que mantido este cenário, mais cedo ou mais tarde, veremos algum tipo de contágio do mundo emergente para os demais ativos de risco.

Continuamos com baixa alocação a risco no Brasil, levemente comprados em inflação implícita, com hedge via calls-spreads de Ibovespa. Temos pequena alocação vendida em opção digital de manutenção de juros para o próximo Copom ,por ver o risco retorno como favorável diante do cenário atual. No portfólio externo, seguimos tomados em juros na parte intermediaria da curva de EUA com hedges via compra de vol nos índices de bolsa do país. Adicionamos pequena posição comprada em JPY via calos longas, onde vemos um bom ativo para compor o portfólio tanto por motivos locais no Japão como pelo padrão de desempenho da moeda em momentos de maior incerteza.

Ontem, a Argentina anunciou novas medidas de ajuste fiscal, mas foi incapaz de evitar uma depreciação adicional de quase 5% a moeda (ARS). Tenho conversado com alguns economistas mais gabaritados do que eu no tema “Argentina” e parece haver um consenso que o país entrou em rota de colisão e apenas medidas drásticas (redenominação da moeda, default e etc) serão capazes de conter a situação acorrente.

Na Turquia, após os números de inflação divulgada ontem, o banco central sinalizou para um possível aperto das condições monetárias. A postura recete do "policy maker”, contudo, faz com que o mercado continue duvidado que as medidas que venha a ser concretizadas sejam agressivas o suficiente para lidar com os problemas do país. O governo turco ainda parece em "negação” e na minha visão, está longe de tomar as medidas necessárias para estabilizar o país.

O Brasil está no meio deste turbilhão de acontecimentos, cm fundamentos fragilizados e as vésperas de uma eleição que continua se mostrando incerteza. Não é a toa que as recuperações dos mercados locais têm sido curtas e pouco acentuadas, com foi o caso de sexta-feira. Ontem, os ativos voltaram a operar sob pressão, seguindo este humor externo e as pesquisas eleitorais que mostram u cenário de incerteza. 
 




Data: 03/09/2018

Emergentes em foco.

Em um dia de feriado nos EUA, a liquidez será prejudica e a dinâmica dos mercados não será uma boa sinalização para nenhuma conclusão concreta. 

Neste momento, estamos iniciando a semana da mesma maneira que vem sendo regra nas últimas semanas, com pressão nos ativos emergentes, a despeito do bom desempenho dos índices de bolsa os EUA e sem sinais claros de contágio para outras classes de ativos.

Nesta manhã, destaque para a inflação na Turquia, que atingiu o patamar de 18%, acima das expectativas do mercado (vide comentários adicionais abaixo).

No Brasil, a pesquisa eleitoral semanal do BTG Pactual mostrou um quadro parecido com aquele divulgado pela XP Investimentos na sexta-feira. Na ausência de Lula, Bolsonaro continua firme e consolidado na liderança. Marina começa a perder espaço, enquanto Alckmin se mantem estagnado mostrando baixa competitividade. O destaque ficar para um avanço não desprezível de Ciro Gomes. Haddad ainda se mostra pouco competitivo, mas isso deve mudar com a inegibilidade de Lula.

Brasil - A propagando eleitoral gratuita começou e as próximas pesquisas eleitorais serão importantes para medirmos a temperatura das eleições.

Existem rumores de que os caminhoneiros podem anunciar uma nova greve após o feriado de 7 de setembro, depois de anunciado um reajuste de 13% no preço do diesel. Confesso que acredito que a mobilização não será grande, mas entendo que este é apenas um de vários “esqueletos” que o próximo governo precisará endereçar. O próximo presidente pegará um país que necessita, de forma urgente, de reformas e do entendimento da sociedade da necessidade de tais avanços. Não vejo hoje o país preparado para isso, mas torço pelo amadurecimento de nossa sociedade.

O PIB do 2Q divulgado na sexta-feira confirmou um quadro de baixo crescimento e sem pilares de sustentação da economia. Aqui, uma vez mais mais, é necessário a retomada da confiança e as reformas que colocarão o país de volta ao trilho do crescimento.

EUA - Trump voltou a dar declarações duras em relação ao Canadá e as negociações em torno do NAFTA. Por questões politicas locais, a negociação com o Canadá está sendo mais complicada do que o que vimos no México.

No campo econômico, não vejo mudanças de cenário de uma economia aquecida, no pleno emprego e com o hiato do produto fechado, o que manterá o Fed no seu processo de normalização monetária. Isso tem sido o principal vetor de volatilidade aos mercados financeiros globais. Mudarei minha visão estrutural sobre o quadro econômico mundial caso veja uma mudança substancial nesta frente, o que ainda não me parece ser uma realidade.

Argentina - O país tomou as medidas ortodoxas que no passado ajudaram outros países a sairem da crise. Contudo, ainda existem inúmeras duvidas se as medidas anunciadas serão suficientes ou acertadas para o cenário atual. Existe uma alguma  “luz no final do túnel”, mas não sabemos se está luz é um trem em alta velocidade com os freios quebrados, ou alguma ponta de esperança que o pior já tenha passado. Ainda acho que teremos volatilidade e incerteza pela frente.

Turquia - Repito minha visão de que ainda não fora tomada as medidas necessárias para a estabilização definitiva do país. Enquanto isso não ocorrer, acredito que o país permanecerá frágil e uma fonte de desestabilização para os mercados financeiros globais.




Data: 03/09/2018

Cenário estrutural segue inalterado.

Brasil - A propaganda eleitoral gratuita começou e as próximas pesquisas eleitorais serão importantes para medirmos a temperatura das eleições.

Existem rumores de que os caminhoneiros podem anunciar uma nova greve após o feriado de 7 de setembro, depois de anunciado um reajuste de 13% no preço do diesel. Confesso que acredito que a mobilização não será grande, mas entendo que este é apenas um de vários “esqueletos” que o próximo governo precisará endereçar. O próximo presidente pegará um país que necessita, de forma urgente, de reformas e do entendimento da sociedade da necessidade de tais avanços. Não vejo hoje o país preparado para isso, mas torço pelo amadurecimento de nossa sociedade.

O PIB do 2Q divulgado na sexta-feira confirmou um quadro de baixo crescimento e sem pilares de sustentação da economia. Aqui, uma vez mais mais, é necessário a retomada da confiança e as reformas que colocarão o país de volta ao trilho do crescimento.

EUA - Trump voltou a dar declarações duras em relação ao Canadá e as negociações em torno do NAFTA. Por questões politicas locais, a negociação com o Canadá está sendo mais complicada do que o que vimos no México.

No campo econômico, não vejo mudanças de cenário de uma economia aquecida, no pleno emprego e com o hiato do produto fechado, o que manterá o Fed no seu processo de normalização monetária. Isso tem sido o principal vetor de volatilidade aos mercados financeiros globais. Mudarei minha visão estrutural sobre o quadro econômico mundial caso veja uma mudança substancial nesta frente, o que ainda não me parece ser uma realidade.

Argentina - O país tomou as medidas ortodoxas que no passado ajudaram outros países a sairem da crise. Contudo, ainda existem inúmeras duvidas se as medidas anunciadas serão suficientes ou acertadas para o cenário atual. Existe uma alguma  “luz no final do túnel”, mas não sabemos se está luz é um trem em alta velocidade com os freios quebrados, ou alguma ponta de esperança que o pior já tenha passado. Ainda acho que teremos volatilidade e incerteza pela frente.

Turquia - Repito minha visão de que ainda não fora tomada as medidas necessárias para a estabilização definitiva do país. Enquanto isso não ocorrer, acredito que o país permanecerá frágil e uma fonte de desestabilização para os mercados financeiros globais. 




Data: 03/09/2018

Lula Inelegível.

Os ativos brasileiros apresentaram ontem um dia de performance bastante positiva, especialmente o mercado de câmbio. No minha visão, o movimento se deve a expectativa da votação da inegibilidade de Lula, que comentaremos em instantes, e da posição técnica do mercado.

A diferença de performance entre as classes de ativos me mostra bastante isso. O mercado me parece majoritariamente comprado em dólar, o que explica a forte apreciação do Real ontem. Contudo, ainda vemos bastante gente comprada em bolsa e com alguma posição aplicada em juros,  o que explica o desempenho relativo pior desses dois ativos.

No final da noite, o TSE confirmou que Lula está inelegível e impôs algumas restrições a sua participação no programa eleitoral. A medida deve ser bem vista pelo mercado, pois ajuda a reduzir o percentual de transferência de voto para Lula.

Eu não tenho convicção nesta visão, pois o PT poderá trabalhar com calma a imagem de Haddad como candidato e sua base de apoio continua bastante elevada, como mostram as pesquisas recentes.

De qualquer maneira, como comentei aqui nos últimos dias, por preço/nível e posição técnica, reduzimos substancialmente nossa alocação comprada em inflação implícita e seguimos com pequena posição neste momento, cujo o hedge são calls-spreads de Ibovespa.

Não há mudanças substanciais de cenário externo, exceto pela extensão das negociações para um novo NAFTA entre EUA e Canadá.  




Data: 31/08/2018

Keep your seatbelt fastened!

Os ativos de risco tiveram ontem um dia de pressão negativa generalizada. Tenho insistido no ponto (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/) que o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas e, principalmente, nos EUA, aliada ausência de reformas estruturantes nos países emergentes e o excesso de fluxo para esses países e ativos ao longo dos últimos anos têm sido os principais responsáveis por esta dinâmica mais negativa de alguns ativos de risco.

Mantenho essa opinião e ainda não vejo motivos para inversão de tendência, exceto de maneira pontual e que tenho cunhado como “relief rallies”.

Nesta linha, os dados econômicos divulgados nos EUA ontem apenas reforçam a necessidade de manutenção do ciclo de normalização monetária nos EUA. O Core CPE subiu 0,2% MoM e 2,0% YoY, dentro das expectativas do mercado e em linha com a meta do Fed. O Jobless Claims permaneceu em seu patamar mais baixo de várias décadas, mostrando um mercado de trabalho robusto, com hiato do produto fechado e uma economia que pode ser vista no pleno emprego.

Ao longo da tarde a mídia internacional trouxe comentários de Trump, que sinalizou para a ideia firme de implementar tarifas em mais cerca de US$200bi de produtos chineses, além de sinalizar que acha insatisfatório a oferta da Europa de retirar tarifas de automóveis. Segundo Trump, o acordo entre EUA e Europa deve ser mais amplo, pois os europeus culturalmente não compram veículos norte-americanos. Os comentários trouxeram novamente tona o risco da “guerra comercial” ao cenário.

Hoje pela manhã, estamos observando alguma estabilização dos ativos emergentes, mas em um pano de fundo de manutenção da fragilidade, com os problemas começando a “espirrar” para alguns ativos que até então pareciam “blindados” dos problemas, como as bolsas dos EUA.

No Brasil, seguimos sem novidades no campo econômico. Hoje teremos mais uma “pesquisa” (tracking eleitoral) divulgada pela XP investimentos.

Por preço e nível, optamos por reduzimos pouco mais nossa posição de compra de inflação implícita ontem. Neste momento estamos com baixíssima alocação a risco a ativos no Brasil. Seguimos tomados em juros nos EUA, com hedges via estruturas de opção para eventuais quedas das bolsas do país.

Ainda no Brasil, após forte depreciação cambial, com o BRL atingindo patamar superior a 4,2 ao longo do dia, o BCB optou por intervir com leilão de venda de US$1.5bi. A decisão acabou levando a moeda a um patamar mais moderado em torno de 4,15.

No atual cenário, o mercado já embuti uma alta de cerca de 100bps nas próximas reuniões (3) do Copom. Na minha opinião, o cenário externo hoje é definitivamente diferente do cenário externo de alguns poucos meses, ou alguns dias, atrás. Assim, quanto antes o BCB iniciar um ciclo de alta de juros, menor e mais moderado deverá ser este ciclo. Entendo que existe uma eleição no meio do caminho, mas acredito que seria o certo a ser feito diante da mudança brusca do cenário internacional e do patamar da taxa de câmbio. Acredito que as expectativas de inflação medidas pelo Focus estão atrasadas e reprimidas pelos economistas à espera das eleições e não são mais um bom indicador neste momento.

A Argentina elevou os juros de 45% para 60% mas foi incapaz de segurar a cotação de sua moeda. O país passa por uma de suas grandes crises e ainda me parece longe de uma solução definitiva.

Na China, o PMI subiu de 51,0 para 51,3 pontos em agosto, mostrando alguma estabilização da economia do país. Acredito que a situação chinesa ainda demanda enorme cautela e que os problemas do país, desta vez, demandarão medidas mais agressivas para serem endereçados de maneira definitiva ou mais prolongada.

Na Europa, a inflação apresentou leve desaceleração, como já havia sinalizado os dados abertos por países. A inflação na região continua contida, o que deverá permitir ao ECB agir com extrema cautela no processo de normalização monetária.




Data: 30/08/2018

EM Rout. Time for some contagion...

Os ativos de risco estão abrindo a manhã em tom negativo, liderados por mais uma rodada de depreciação das moedas emergentes. A novidade do dia, pelo menos por enquanto, é que estamos observando os primeiros sinais de contágio da deterioração dos ativos emergentes para outros mercados financeiros globais.

A moeda da China (CNY) voltou a depreciar, com a bolsa do país em queda, ou seja, não há sinais de uma estabilização definitiva no país. A moeda da Turquia (TRY) segue em forte depreciação (vale ler o que tenho escrito diariamente sobre isso: https://mercadosglobais.blogspot.com/), agora seguida de perto pela África do Sul (ZAR). Será importante observamos a dinâmica na Argentina e de sua moeda (ARS) após a depreciação de quase 8% ontem.

O movimento de contágio ainda é tímido mas, na minha visão, pode ganhar corpo caso não haja a efetivação de medidas concretas para frear a deterioração em alguns países e\ou uma mudança radical de cenário como, por exemplo, dados mais fracos de inflação nos EUA ou sinais mais evidentes de desaceleração da economia, o que poderiam levar o Fed a uma reavaliação de seu processo de normalização monetária. Por ora, não há indícios de nenhum desses vetores, o que aponta para o risco de um maior contágio global.

A agenda do dia será extremamente relevante, com destaque para o Core PCE de julho, cujas expectativas apontam para uma alta de 0,2% MoM e 2,0% YoY, no centro da meta do Fed.

No Brasil, destaque para a pesquisa da Poder360 (https://www.poder360.com.br/datapoder360/datapoder360-potencial-de-voto-de-haddad-apoiado-por-lula-e-de-ate-34/). Não vi nenhuma mudança de cenário. Assim, fica mantido o cenário de incerteza eleitoral, com Lula liderando as pesquisas e Bolsonaro consolidado em segundo lugar. Existe uma perspectiva em torno de 30% a 40% de transferia de votos de Lula para Haddad.

Como tenho comentado aqui da participação dos candidatos no Jornal Nacional da Globo, vale uma breve análise de Alckmin. A primeira metade do programa Alckmin foi duramente questionado sobre suas alianças políticas e as acusações de corrupção que pesam sobre pessoas de seu partido, seus aliados e de sua orbita. O candidato apresentou dificuldades em navegar neste terreno. A segunda metade da entrevista Alckmin mostrou maior traquejo, demonstrando os feitos atingidos em seus governos em São Paulo, em diversas áreas da administração pública. Acredito que a entrevista tenha sido neutra, dificilmente ajudou o candidato a angariar votos, mostrou seu ponto fraco mas não me parece que comprometeu seus votos existentes. De qualquer maneira, mostra como será difícil sua candidatura decola.




Data: 30/08/2018

Mais do mesmo: EUA forte, EM fracos. "Relief Rally" no Brasil.

A despeito de alguns movimentos relevantes ao longo desta quarta-feira observamos, basicamente, um pouco de “mais do mesmo” nos mercados financeiros globais, sem qualquer tipo de mudança substancial de cenário. Apenas para citarmos algumas questões de maneira resumida:

Brasil – Observamos o que gosto de chamar de “relief rally”. O destaque ficará para as pesquisas eleitorais a serem divulgados nos próximos dias e para o início do debate eleitoral.

Seguimos com baixa alocação a risco no país, comprados em inflação implícita e com um hedge via calls-spreads de Ibovespa. Mantemos postura tática, flexível, sem viés, até que o cenário eleitoral se torne mais claro e/ou o cenário externo ofereça alguma mudança substancial de panorama.

Argentina – O país viveu mais um dia de forte depreciação da moeda (ARS), que chegou próxima a 8% e aos patamar de 34,0 em relação ao dólar. Mesmo com um pacote de ajuda financeira preventiva de US$50bi junto ao FMI e com políticas fiscais e monetária ortodoxas, o país continua vivendo um calvário para estabilizar sua economia.

Continuo vendo este tipo de dinâmica, assim como em outros países (vide abaixo) apenas como o mesmo sintoma no mesmo problema, que é a normalização monetária por parte dos EUA (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/dolar-forte-e-pressao-nas-commodities.html).

Turquia – A moeda do país apresentou depreciação de cerca de 3%. Tenho insistido no ponto de que sem adotar as medidas econômica adequadas, o país continuará a ter problemas estruturais e qualquer estabilização será pontual. Por ora, não vemos o governo caminhar na direção de políticas mais ortodoxas, ou seja, o cenário base enseja a continuidade do cenário de deterioração, até que as medidas corretas e estruturais sejam adotadas.

EUA – A revisão do PIB do 2Q divulgada hoje apenas confirmou o bom momento da economia, com crescimento de 4,2% no trimestre e anualizado. Amanhã a agenda será importante, com a divulgação do Core PCE – índice de inflação predileto do Fed – que deverá mostra a inflação em torno da meta. Este pano de fundo deverá manter o banco central dos EUA no seu “plano de voo” de normalização monetária, o que vem sendo a principal restrição ao bom desempenho dos mercados financeiros globais (exceto no tocante as bolsas norte americanas). Uma mudança neste panorama seria uma grande novidade ao cenário, com potencial de gerar uma revisão e uma mudança na dinâmica dos mercados.

China – O país está um pouco fora do foco de curto-prazo, mas dentro de todo o ambiente citado acima, continua em situação que demanda cautela. As medidas recém implementadas devem ajudar a estabilizar a economia, mas ainda me parece cedo para termos uma resposta definitiva em relação ao real estado do país.




Data: 29/08/2018

Cenário ainda negativo para Emergentes. Pressão continua.

O destaque da manhã está por conta de mais uma rodada de dólar forte no mundo, liderado por um movimento de pressão negativa nas moedas emergentes, como na Turquia (TRY) e África do Sul (ZAR). Tenho comentado diariamente sobre este tema. Para não soar repetitivo, e dado que escrevi sobre isso ontem, recomendo a leitura no link a seguir: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/emergentes-continuam-no-olho-do-furacao.html.

No Brasil, ontem foi a vez de Jair Bolsonaro participar de entrevista no Jornal Nacional, da Globo, um dos programas de maior audiência da TV aberta. Tentando fazer uma análise fria e imparcial de sua participação, o que confesso ser bastante difícil diante da postura e do polêmico candidato, analises de pessoas mais entendidas do assunto e evidências anedóticas diversas, mostram que Bolsonaro falou para o seu público, sua presença foi bem aceita e, assim, teria consolidado sua base de apoio. Sendo assim, sua participação deve ter reforçado a solidez de sua campanha e de seu primeiro lugar nas pesquisas de intenções de voto no primeiro turno, quando Lula não está presente. Comentarei minha expectativa sobre o potencial governo de cada candidato em momento mais oportuno.




Data: 29/08/2018

Emergentes continuam no olho do furacão. 

A terça-feira foi novamente marcada por forte pressão sobre os ativos emergentes, em especial suas moedas. Como venho reforçando diariamente, enquanto as questões estruturais não forem endereçadas de maneira definitiva, as melhoras de humor deverão ser curtas e pouco acentuadas (“relief rallies”), a despeito de níveis de preço e valuations, além de uma posição técnica mais construtivos. Comentei sobre isso hoje pela manhã aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/ativos-de-risco-mais-estaveis-problemas.html e nas últimas semanas aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/dolar-forte-e-pressao-nas-commodities.html.

Na minha visão, a maior restrição aos mercados financeiros globais atualmente está no processo de normalização monetária dos EUA. Nos últimos dias, e hoje, inclusive, observamos números que confirmam o bom momento da economia dos EUA (O Consumer Confidence atingiu o maior patamar em cerca de 20 anos, sem nenhum sinal de impacto negativo da Guerra Comercial e com o sub-índice de emprego bastante robusto).

Não vejo motivos para o Fed, neste momento, alterar seu “plano de voo”. Como comentei aqui nos últimos dias, não vi nenhum sinal de que Powell e os demais diretores pretendem alterar a sua postura de altas graduais de juros e redução “automático” de seu balanço, a despeito de uma leitura (por parte do mercado), em um primeiro momento, de que o discurso de Powell e as Minutas do FOMC teriam sido mais “dovish” (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/update.html).

Neste pano de fundo, continuamos a observar os países mais fragilizados com imensa dificuldade em estabilizar suas economias, como é o caso da Argentina (mesmo com um importante ajuste ortodoxo e ajuda financeira do FMI), da Turquia, da África do Sul e da China.

O Brasil está inserido neste contexto e continua sofrendo os efeitos secundários deste processo. Não há mudanças no quadro eleitoral.




Data: 28/08/2018

Ativos de risco mais estáveis. Problemas estruturais permanecem.

Na ausência de notícias relevantes, os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade. Destaque apenas para mais uma rodada de depreciação da moeda da Turquia (TRY). Não acredito que os problemas estruturais do país tenham sido endereçados. Assim, espero novas rodadas de pressão negativa nos ativos turcos, ate que os problemas sejam administrados de maneira correta e ortodoxa.

A despeito de alguma estabilização dos ativos de risco nos últimos dias, ainda vejo alguns obstáculos que precisam ser superados e que ainda não vejo como tendo saídos definitivamente do cenário de curto-prazo. A Turquia é apenas um desses vetores.

O mais importante deles, contudo, fica por conta da continuidade do processo de normalização monetária nos EUA. Não vejo sinais na economia americana de necessidade de interrupção do processo de alta de juros e redução do balanço. Caso isso ocorra (com crescimento mais fraco, inflação mais baixa e desaceleração mais abrupta do mercado de trabalho), será um alívio mais duradouro para os ativos de risco que vêm sofrendo nos últimos meses, como os ativos emergentes e as commodities.

Ainda temos a desaceleração da economia da China que, desta vez, parece mais estrutural, mais acentuada e um pouco mais grave do que na história recente, despeito do esforço do governo para conter este processo e torna-lo mais gradual, evitando cenários de ruptura.

Neste contexto, o Brasil segue em um processo eleitoral indefinido. Não há novidades, na margem, nesta frente. O Jornal Nacional, um dos programas de maior audiência da TV aberta, iniciou ontem a entrevista com candidatos a presidente com Ciro Gomes. A despeito do tom belicoso dos entrevistadores, Ciro se saiu bem em sua aparição, mas nada que mude o cenário eleitoral de forma relevante.

Nos atuais níveis de preço, continuo com baixa exposição a risco no Brasil. Os preços me parecem mais justos em relação aos riscos. Sigo com pequena posição comprada em inflação implícita e um pouco de call-spread de Ibovespa para o vencimento de outubro. No cenário internacional, continuo tomado em juros nos EUA com hedges em estruturas de opção de índices de bolsa. Não tenho visão clara em relação ao câmbio\dólar no mundo.




Data: 27/08/2018

Risk-On!

O dia foi de otimismo generalizado. O destaque ficou por conta do anuncio preliminar de um acordo comercial entre os EUA e o México. O anúncio ajudou a continuidade do processo de apreciação do MXN, mesmo levando em conta que, em parte, era esperado e os investidores já pareciam posicionados para esta conclusão.

A estabilização de alguns problemas idiossincráticos, como a situação da China, os problemas na Turquia (a despeito da depreciação de cerca de 2% da moeda), o avanço do acordo com o México, ajudaram a dar um tom mais positivo aos ativos de risco de maneira geral.

No Brasil, o dia foi bom desempenho da Bolsa e alguma apreciação do Real (BRL), mesmo que bastante tímida para o tamanho da depreciação sofrida nos últimos dias. O mercado de juros apresentou desempenho que pode ser considerado mais pífio diante da recuperação dos demais mercados e de seus pares globais.

Continuo trabalhando com um cenário desafiador para os ativos do Brasil até as eleições, a não ser que o cenário eleitoral se torne mais claro a medida que a campanha ganhe corpo. Por ora, continuo a ver cerca de 4 a 5 candidatos muito competitivos e que manterão o cenário político e, consequentemente, o cenário eleitoral, bastante nebulso. Mantenho minha visão descrita neste fórum nos últimos dias em relação a posicionamento: https://mercadosglobais.blogspot.com/.

No campo econômico, as contas externas mostraram forte fluxo de entrada na conta capital, para renda fixa e renda variável, em julho. É inegável que este fluxo ficará em risco caso o processo eleitoral caminhe para uma direção vista pelo mercado como mais negativa. Parte disso pode explicar a depreciação cambial e a pressão negativa nos ativos locais ao longo do mês de agosto. Por outro lado, percebemos que existe fluxo reprimido para Brasil caso tenhamos uma conclusão vista pelos investidores como mais positiva do ponto de vista econômico.

Os índices de bolsa dos EUA estão fazendo novos picos recentes. Neste momento, os problemas globais parecem estar canalizando recursos para a economia dos EUA que, por ora, apresenta um cenário de crescimento sólido, inflação que sobe apenas gradualmente, um banco central sem pressa em normalizar sua política monetária e face a um mundo que apresenta problemas diversos. 




Data: 27/08/2018

Pesquisa Eleitoral BTG Pactual.

O BTG Pactual divulgou pesquisa de intenções de voto para presidente está manhã. A pesquisa apontam cenário muito semelhante a pesquisa da XP Investimentos e cenário semelhante as pesquisas Ibope e Datafolha. Não altera o cenário de indefinição eleitoral, a espeito de algumas notícias marginalmente mais positivas à luz do mercado (não temos base de comparação para esta pesquisa):

- Lula e Bolsonaro aparecem competitivos e consolidados. Já sabido.

- Sem Lula, Bolsonaro aparece com cerca de 24% das intensões de voto, seguido de Marina 15% e Alckmin com 9% (alguns pode ver o desempenho de Alckmin como positivo pois deve angariar algum terreno após iniciado o programa eleitoral). Haddad aparece com 5%.

- A pesquisa mostra potencial de transferência de votos de Lula. Haddad teria 18% dos que votam em Lula votando com certeza nele e mais 13% que poderiam votar, contra 64% que não votariam de jeito nenhum. Isso dá um teto de 31% para Haddad.

De maneira geral, a pesquisa mostra desempenho marginalmente melhor de Alckmin e marginalmente pior de Haddad. Com programa eleitoral, existe espaço para o crescimento de ambos, que devem se embolar com Bolsonaro para definição do segundo turno. Marina continua competitiva. Em suma, a pesquisa mostra que deveremos ter uma "briga" de 4 candidatos para chegar ao segundo turno, o que já era, de maneira geral, sabido, mas com algumas ponderações feitas acima.




Data: 27/08/2018

Sem novidades relevantes. Turquia volta ao foco.

Em uma segunda-feira de feriado em Londres, os ativos de risco estão apresentando dinâmica mais localizada do que generalizada. Destaque para um leve movimento de dólar forte no mundo, liderado por uma depreciação superior a 2,5% (neste momento) da Lira (TRY) na Turquia, após o país retornar do feriado. No México, MXN aprecia cerca de 0,6%, com rumores de que um acordo para o NAFTA deva ser divulgado nos próximos dias. Na China, o dia foi de forte alta das bolsas do país, a despeito da relativa estabilidade da moeda. Os índices de bolsa nos EUA e na Europa operam em alta, na ausência de notícias relevantes.

Ontem comentei um pouco mais sobre o cenário econômico global: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/update.html.




Data: 27/08/2018

Update.

O inicio de uma nova semana é sempre um momento oportuno para revermos em que fase estamos na situação de cada um dos principais vetores que têm dado a direção dos mercados financeiros globais:

Brasil – A pesquisa eleitoral semanal divulgada pela XP Investimentos na sexta-feira mostrou pouca variação nas intenções de voto, com o cenário de indefinição mantido e a candidatura de Alckmin, vista pelo mercado como a mais provável de implementar as reformas necessárias à economia, ainda patinando e com pouca competitividade no primeiro turno.

Entendo que o início da campanha eleitoral poderá trazer mudanças nesse quadro, mas não tenho certeza que o modelo de campanha este ano (mais curto, com menos recursos e com inserções ao longo do dia) terá o mesmo impacto do que em eleições passadas. Continuo vislumbrando uma campanha bastante competitiva, com cerca de 5 candidatos podendo apresentar entre 10% e 20% das intenções de voto, deixando a decisão do segundo turno para as vésperas, ou o dia, do primeiro turno.

Diante deste quadro, e após a reprecificação dos ativos do país, reduzimos nossa exposição negativa ao Brasil. Seguimos com uma posição estrutural, porém menor, comprada em inflação implícita. Alocamos uma pequena posição em call-spread de Ibovespa para um eventual “relief rally” do mercado nas próximas semanas.

EUA – Na minha visão o discurso de Powell – presidente do Fed – na sexta-feira, foi neutro. A despeito da interpretação de que suas declarações foram “dovish”, não consigo chegar a esta conclusão lendo as Minutas do FOMC e os sinais emitidos por Powell. O Fed está totalmente “dependente dos dados”. Mantido o cenário corrente, o Comitê seguirá com o processo de alta de 25bps a cada trimestre e a redução “automática”, pré-anunciada, de seu balanço.

No campo político, Trump passa por seu momento mais delicado deste mandato presidencial, com importantes figuras de sua campanha sendo investigadas. Me impressiona como estes eventos têm feito algum preço no mercado de câmbio, mas pouco impacto no mercado de juros e bolsa. Acredito que isso possa ser explicado pela posição técnica, que talvez tenha ficado excessivamente comprada em dólar no mundo.

Seguimos tomados em taxa de juros na parte intermediária da curva e com estruturas de opção, como proteção (hedge) em índices de bolsa do país.

NAFTA – Segundo a mídia internacional, um acordo pode ser anunciado em breve.

China – As reuniões entre EUA e China esta semana foram inconclusivas e não avançaram. Os EUA sinalizam que irão continuar com sua pressão para que os chineses alterem sua postura no tocante a política internacional. Tudo indica que este tema seguirá no radar. Talvez, a situação deverá piorar antes de melhorar.

Na sexta-feira, o país anunciou medidas que dão mais liberdade ao PBoC para guiar a taxa de câmbio, levando a uma forte apreciação da moeda (CNY). A medida gerou um “short squeeze” no mercado. Deverá ajudar n administração da velocidade de depreciação da moeda, mas dificilmente será capaz de alterar sua direção, caso o cerne dos problemas chineses não seja endereçado.

A situação do país ainda demanda cautela. As medidas recentes ajudam a administrar a velocidade de deterioração da economia, mas ainda há dúvidas de que serão capazes de alterar, de maneira mais estrutural, a direção da economia.

Turquia – Após uma semana de feriado e de dinâmica internacional mais amena, o país poderá retornar às atenções do mercado. A despeito das medidas recentes, os problemas estruturais do país ainda não foram de fato endereçados.




Data: 24/08/2018

Brasil: Postura do BCB e precificação do mercado.

Na ausência de notícias relevantes e na expectativa do discurso do presidente do Fed, Jay Powell, os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, com leve viés positivo.

Acredito que Powell irá reforçar a mensagem das Minutas do FOMC e de discursos recentes de membros do Fed, inclusive de alguns deles ontem, que sinalizaram para a continuidade do processo de normalização monetária. Pelos documentos e aparições oficiais, não há nenhuma indicação que os riscos que existem no cenário hoje (emergentes, flattening da curva de juros e afins) está incomodando o comitê a ponto de alterar seu “plano de voo” no tocante a política monetária.

Nos últimos dias, observamos algum arrefecimento dos dados econômicos dos EUA, mas mantendo-se em patamares elevados e condizentes com um crescimento robusto. Vemos algum arrefecimento maior em setores específicos, como o imobiliário, mas também observamos um mercado de trabalho robusto, como mostrou ontem o Jobless Claims, próximo ao piso histórico do indicador.

Aproveitamos os últimos dias para elevar nossas alocações tomadas em juros nos EUA, concomitantemente com aumento do hedge via estruturas de opção vendidas em índices de bolsas do país. Comentei mais sobre essa posição na manhã de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/dolar-forte-e-pressao-nas-commodities.html).

A quinta-feira no Brasil foi de forte deterioração dos ativos locais. O motivo continua a ser o mesmo: um cenário externo mais desafiador em meio a um quadro político de incerteza. Aproveitamos para reduzir um pouco mais nossa exposição com viés negativa no Brasil, acreditando que o nível de preços hoje está mais adequado ao cenário que se apresenta e aos riscos prospectivos.

No quadro econômico, vimos um IPCA praticamente em linha com as expectativas. Se, por um lado, a inflação corrente continua baixa e controlada, por outro lado, a margem de manobra do BCB ficou mais apertada, já que com a manutenção de uma taxa de câmbio mais elevada, os modelos de expectativas de inflação já apontam para um IPCA acima da meta para o fina do ano que vem.

A curva de juros já precifica uma alta de juros não desprezível para as próximas reuniões do Copom, o que me parece justo para o cenário corrente. Por ora, o BCB e o Tesouro têm sinalizado que não irão intervir nos mercados de câmbio e de títulos públicos. Segundo fontes, o mercado está líquido, racional, seguindo uma tendência global e com as empresas com seus devidos hedges, o que afasta a necessidade de intervenções diretas nestes mercados. O peso o ajuste, assim, poderia recair sobre a política monetária, caso o BCB conclua que a mudança de patamar do câmbio será mais estrutural e global, e não apenas uma questão local e pontual.




Data: 23/08/2018

Dólar forte e pressão nas commodities. Sintomas de uma mesma "doença".

O destaque desta manhã está por conta de mais uma rodada de alta do dólar, pressão nas commodities e depreciação dos ativos emergentes. Na minha visão, estes movimentos são apenas sintomas da mesma “doença”, ou seja, do processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, com o Fed, nos EUA, sendo o banco central em estágio mais avançado neste processo.

Como as Minutas do FOMC ontem apenas reforçaram a manutenção deste ambiente (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/brasil-volatilidade-alta-deve-continuar.html), não me parece haver motivos para alterar de forma estrutural este pano de fundo. Uma eventual melhora da posição técnica e nos preços e valuation pode gerar “relief rallies” pontuais, mas sem a alteração definitiva do pano de fundo descrito acima, estes vetores serão capazes de estabilizar os mercados apenas de maneira pontuais e pouco acentuadas, como vimos no caso do dólar nos últimos dias.

Continuo posicionado para este ambiente com portfólios mais conservadores, comprado em inflação implícita nos Brasil, tomado em juros nos EUA e com hedges via estruturas de opção em índices de bolsa nos EUA. Aqui, vale um comentário:

O processo de deterioração dos ativos de risco que estamos observando está concentrado nas economias emergentes. Contudo, acredito que, conforme este cenário for maturando, mais cedo ou mais tarde, deveria afetar a dinâmica dos mercados nos EUA. Entendo que seja apenas a segunda derivada do processo, especialmente com o pano de fundo para as bolsas dos EUA ainda bastante construtivo (valuations “atrativos”, crescimento de “earnings”, economia com crescimento sólido, emprego robusto, inflação subindo apenas gradualmente e etc). Com as vols implícitas baixas e a diversidade de obstáculos globais que se colocam no cenário corrente (China, Turquia, Itália, Argentina, Brasil, Commodities e etc) vejo um risco\retorno razoável para ter este tipo de hedge nas carteiras, já que posições semelhantes nos mercados emergentes deixaram de parecer assimétrias (ou baratas) com a alta recente das volatilidade implícitas.

Na Europa, as prévias dos PMIs mostraram estabilização do crescimento, com os números em linha com as expectativas. Os números de hoje reforçam um quadro de crescimento estável da economia da região, reduzindo um risco de curto-prazo de uma nova rodada de desaceleração da economia.

Na Austrália, o país está passando por um momento de incerteza política, o que está pressionando o AUD essa manhã.

A moeda da China voltou a apresentar depreciação, em linha com o movimento global. O cenário para o país ainda demanda extrema cautela.

Não há novidades relevantes no Brasil.




Data: 23/08/2018

Brasil: Volatilidade alta deve continuar.

O dia não trouxe mudanças para o cenário de Brasil. A dinâmica foi marcada por elevada volatilidade, com o dólar terminando o dia em leve alta, mas com uma forte recuperação da bolsa e do mercado local de juros.

Seguimos com uma posição comprada em inflação implícita, menor do que antes, e apenas operando taticamente no mercado de câmbio e juros. Sem atuação relevante no mercado de renda variável. Comentei mais respeito na tarde de ontem. Não mudei minha avaliação desde então (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/brazil-from-denial-to-reality.html).

Os ativos locais seguirão bastante sensíveis ao cenário eleitoral e, em certa medida, com alguma descorrelação de curto-prazo em relação aos mercados externos.

Nos EUA, as Minutas do FOMC, na minha visão, não trouxeram novidades relevantes ao cenário. Ao que tudo indica, o Fed seguirá o seu processo de normalização monetária. Recebi algumas indagações de que o Fed estaria mais “dovish” devido ao apontamento dos riscos provenientes dos mercados emergentes e da “guerra comercial”.

Lendo o documento no detalhe e atentamente, percebo que grande parte dos comentários apontam para uma economia sólida, um mercado de trabalho robusto e uma inflação próxima a meta. O Fed afirma que os riscos estão balanceados. Apenas poucas linhas das Minutas citam os riscos provenientes dos mercados emergentes e da “guerra comercial”, porém como riscos e não cenário base, assim como os membros do comitê citam riscos altistas para atividade e inflação, como o impulso fiscal e o mercado de trabalho apertado.

Os ativos mais dependentes da China permaneceram pressionados negativamente ao longo do dia, com o CNH depreciando 0,3% e o Cobre caindo 0,9%, por exemplo. O cenário para o país ainda demanda cautela.




Data: 22/08/2018

Pesquisa Datafolha, Política EUA e sinais negativos da China.

Os ativos de risco estão apresentando alguns movimentos localizados que merecem destaque:

- Na China, voltamos a observar uma queda das bolsas e uma pressão no mercado de commodities metálicas não preciosos, com destaque para o Cobre. Este price-action mostra que a situação econômica e financeira do país ainda não foi definitivamente estabilizada e o cenário para o país ainda é um risco de curto-prazo;

- Nos EUA, os índices futuros de bolsa apresentam leve queda. No final da tarde de ontem, um dos principais advogados de Trump aceitou um acordo de colaboração com a justiça americana. Segundo suas declarações, ele atuou em favor de Trump com o intuito de efetuar pagamentos para mulheres que supostamente teriam tido um “caso” extraconjugal com o então candidato a presidente. O intuito dos pagamentos era para que essas histórias não viessem a público e, assim, afetar o resultado final das eleições.

Eu não sou especialista no tema e tenho praticamente nenhuma vantagem comparativa para emitir uma opinião firme sobre os desdobramentos deste caso. Contudo, podemos entender que este tipo de situação poderia ser passível de algum pedido de impeachment, ou impedimento, do Presidente dos EUA. Se isso irá ocorrer é uma outra questão. A popularidade de Trump está em alta e ele ainda detém maioria no Congresso. Contudo, sua maioria e sua popularidade são frágeis. Com o “mid-term election” em novembro, este pano de fundo poderá se alterar, para o bem ou para o mal. De maneira geral, a situação adiciona um ruído que não existia anteriormente.

- No Brasil, pesquisa Datafolha divulgada nesta madruga confirmou o cenário de indefinição das eleições que predomina já há alguns meses, e levou os mercados locais a acentuada deterioração nos últimos dias. Não vejo motivos de animação com a pesquisa de hoje, pois passa a mesma mensagem das pesquisas recentes:

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/lula-chega-a-39-aponta-datafolha-sem-ele-bolsonaro-lidera.shtml

Observamos pequenas variações para cima de alguns candidatos, todos na margem de erro, exceto pela alta de 9pp de Lula na pesquisa com seu nome. Todos ganhando terreno em relação aos brancos\nulos.




Data: 22/08/2018

Brazil: From “Denial” to “Reality”.

O dia foi de acentuada deterioração dos ativos no Brasil, mesmo com o bom desempenho dos mercados internacionais.

No âmbito externo, sigo gostando da posição tomada em taxas de juros na parte intermediária da curva dos EUA, com hedges em estruturas de opção baixistas de akguns índices de bolsa. Não acredito que o Fed irá “piscar primeiro”, ou seja, que o cenário atual enseja a necessidade de uma interrupção do processo de normalização monetária. A economia dos EUA é bastante fechada e suas condições internas ainda vislumbram a necessidade de continuidade do processo de normalização monetária, o que deixará o ambiente internacional ainda desafiador por algum tempo.

No Brasil, as últimas pesquisas eleitorais colocaram os investidores com os “pés mais no chão”. A expectativa (ou torcida, como vinha apontando neste fórum) de um cenário mais claro e um candidato mais reformista ganhando corpo não está acontecendo. Isso ocorre em um ambiente internacional mais desafiador e com muitos investidores ainda posicionados para uma melhora dos ativos locais. Assim, com um externo pior, um quadro técnico ainda comprometido e um cenário local desafiador, vimos uma forte deterioração dos ativos locais nos últimos dias.

Neste momento, minha visão ainda é cautelosa e negativa. Contudo, vejo menos assimetria de preços nessa direção, pelo menos no curto-prazp. Assim, optamos por reduzir nossa exposição nesta direção ao longo do dia de hoje, mas mantendo uma posição “core” cautelosa no Brasil, basicamente com uma posição comprada em inflação implícita, menor do que antes. Zeramos na exposição tomada em juros na parte curta/intermediária da curva de maneira tática. Manteremos postura mais tática do que o habitual devido ao cenário de incerteza local e a expectativa de manutenção de um ambiente de volatilidade elevada.

No cenário externo, destaque para as Minutas do FOMC amanhã. No Brasil, continuaremos a mercê do cenário político e do cenário externo.

Na China, vimos novas medidas de afrouxamento monetário. Será importante acompanhar se a implementação das medidas recentes serão suficientes para estabilizar a dinâmica de preços no país.

A Itália continua debatendo sua situação fiscal, o que pode ser foco de tensão nos próximos dias.

Em uma semana de feriado, a Turquia saiu um pouco do foco, mas sua situação segue delicada e seus problemas estruturais não foram debelados.

A queda do dólar nos últimos dias é fruto de uma posição técnica comprometida e acabou sendo iniciada por comentários de Trump contrários a alta de juros por parte do Fed, como comentei mais cedo (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/brasil-pesquisas-eleitorais-confirmam.html).




Data: 21/08/2018

Brasil: Pesquisas eleitorais confirmam cenário de indefinição.

Os ativos de risco estão abrindo o dia em tom mais positivo, liderados por um movimento de dólar mais fraco no mundo. Este movimento teve início ontem, após Trump reforçar suas críticas ao processo de alta de juros que vem sendo promovido pelo Fed. A posição técnica do mercado de câmbio, excessivamente comprada em dólar, deve ajudar este tipo de movimento no curto-prazo. Estou sem posições estruturais ou táticas no mercado de câmbio neste momento, mais pela posição técnica e pelo nível de preços do que pelo cenário econômico em si.

Os ativos na China apresentaram dinâmica de maior estabilidade. Os policy makers seguem tomando medidas visando estabilizar a economia e a situação financeira do país. Ainda acho cedo para definirmos que foram, definitivamente bem-sucedidos nesta empreitada, mas a estabilização recente dos mercados é um sinal positivo, mesmo que pontual, nesta frente.

A Turquia está em feriado nacional. A moeda do país segue em trajetória de depreciação. O cerne do problema turco ainda não foi endereçado. Assim, fica difícil acreditar em uma estabilização permanente da situação do país.

O destaque internacional da semana ficará por conta das Minutas do FOMC na quarta-feira e para o discurso de Jay Powell, presidente do Fed, na sexta-feira.

No Brasil, as pesquisas eleitorais reforçaram o quadro de indefinição política que irá marcar as eleições para presidente. A única mudança relevante passiva de comentário ficou por conta do avanço de Lula nas pesquisas estimuladas com seu nome. Como, segundo a Lei da Ficha Limpa, tudo indica que Lula não será candidato, nos demais cenários, a corrida eleitoral se mostra indefinida, com cerca de 4 a 5 candidatos, em maior ou menor grau, bastante competitivos. Este cenário já prevalece há alguns meses, sem mudanças relevantes, a despeito da esperança (ou da torcida) do mercado por uma definição mais clara. Não vejo as pesquisas divulgadas ontem como alterando de maneira significativa a preocupação dos investidores com o cenário pós-eleitoral.




Data: 20/08/2018

Tom majoritariamente positivo.

Na ausência de notícias relevantes no final de semana, os ativos de risco estão abrindo em tom de maior estabilidade essa manhã. As bolsas e commodities apresentam alta, neste momento, lideradas pela continuidade do bom desempenho dos índices norte americanos. As moedas, contudo, apresentam leve viés altista para o dólar. A dinâmica dos ativos na China foi de estabilidade, porém sem sinais consistentes de recuperação definitiva.

No Brasil, a semana será marcada pela divulgação de algumas importantes pesquisas eleitorais, especialmente após a pesquisa divulgada na sexta-feira pela XP Investimentos, que mostrou avanço relevante de Haddad, caso Lula não possa ser o candidato do PT.

Como não há mudanças substanciais de cenário, meus comentários recentes seguem válidos: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/foco-continua-china-turquia-e-eleicoes.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/still-rocky-path.html.

No final de semana, o governo da Venezuela promovei uma forte desvalorização, de quase 100% em sua moeda, em uma tentativa de alinha-la ao câmbio paralelo, além de ter promovido aumento do salário mínimo e redução do subsídio aos combustíveis. A Venezuela ganhou algumas manchetes na mídia internacional. A despeito do problema socioeconômico gravíssimo que o país convive há anos e parece piorar a cada dia, o país pouco impacta os mercados financeiros globais.

Na Itália, é importante acompanhar os desdobramentos no país. Com uma dívida\PIB elevada, um governo novo e a reboque da política monetária e fiscal da Área do Euro, o país sofre dos mesmos sintomas de economias emergentes alavancadas e pode voltar ao foco do mercado caso seus problemas fiscais estruturais não sejam endereçados de maneira bem administrada por este novo governo.




Data: 20/08/2018

Foco continua a China, Turquia e eleições no Brasil.

Depois de uma noite bastante negativa, os ativos de risco acabaram terminando a sexta-feira em tom mais positivo, após o WSJ reportar que a China e os EUA estariam trabalhando em um “roadmap” para um acordo comercial de reaproximação.

Confesso que achei o artigo bastante vago e sem grandes sinalizações de avanços concretos, mas entendo a animação pontual do mercado com algo nesta direção (https://www.wsj.com/articles/u-s-china-plot-road-map-to-resolve-trade-dispute-by-november-1534528756?mod=hp_lead_pos2).

Não vimos avanços concretos capazes de estabilizar a situação na Turquia e a fragilidade, que parece cada vez mais estrutural, na China. Contudo, dado a pressão negativa nos ativos de risco (EM, commodities, alta do dólar e etc) nas últimas semanas, é natural esperar movimentos, as vezes rápidos e acentuados, porém pontuais e pouco potentes, de recuperação. Os preços, valuations e aposição técnica do mercado favorecem movimentos pontuais como estes.

Minha visão estrutural mais conservadora, ou negativa para alguns, só será alterada caso o pano de fundo se altere de maneira definitiva, ou seja, com uma pausa no processo de normalização monetária nos EUA, e\ou com medidas ainda mais potentes de estabilização na China, e\ou com avanços concretos de medidas ortodoxas na Turquia. Por ora, não há sinais de que nada disso esteja no horizonte de curto-prazo.

Em relação aos EUA, os números recentes, a despeito alguns sinais de acomodação\arrefecimento do crescimento, mostraram uma economia robusta e saudável, com o mercado de trabalho no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Isso acaba deixando o Fed “de mãos atadas”, seguindo o seu “plano de voo” de normalização monetária. A semana que se aproxima terá uma agenda importante, com as Minutas do FOMC e a reunião de Jackson Hole, com presença garantida de Jay Powell, Presidente do Fed.

No Brasil, a pesquisa semanal de intensões de voto para presidente divulgadas pela XP Investimentos na manhã de ontem, mostrou forte avanço de Haddad, potencial candidato do PT, em todos os cenários. A pesquisa apenas reforça a minha visão de que a disputa eleitoral será extremamente competitiva, com alguns (entre 3 e 4) candidatos bastante competitivos para chegar ao segundo turno. Isto torna o cenário extremamente incerto e desafiador, dado que, a luz da visão do mercado, apenas Alckmin seria capaz de implementar as reformas econômicas necessárias, logo no começo do governo, a fim de evitar cenários mais catastróficos para o país, em um ambiente internacional mais desafiador.

O debate promovido pela Rede TV na noite de ontem em nada altera este cenário. Na minha avaliação preliminar e extremamente amadora neste quesito, os candidatos mais competitivos tentam apenas “não perder”, pouco se arriscando, mas também em nada agregando a suas campanhas. Os candidatos menos competitivos acabam se mostrando “mais soltos” e tentando dialogar de maneira mais direta com seu nicho de eleitorado, passando uma impressão (na minha visão errada, mas que funciona para o grande público) até de um preparo maior.

Diante de todo o exposto acima, sigo com portfólios mais conservadores e postura mais tática, buscando navegar este período mais turbulento.

Continuo gostando estruturalmente da compra de inflação implícita no Brasil. Acredito que o mercado de juros locais esteja com prêmios excessivamente baixos, especialmente em um ambiente em que o dólar testa seus picos recentes, a inflação parece ter feito seu piso e o cenário externo se mostra desafiador. Ainda vejo muitos investidores locais na expectativa, ou talvez o termo melhor seja na esperança e na torcida, de um avanço de Alckmin nas pesquisas, o que a fotografia atual não mostra. Continuo utilizando o dólar e a bolsa para posições táticas, flexíveis e sem viés. Neste momento, sem posições.

No cenário externo, sigo com posições tomadas na parte intermediária da curva de juros nos EUA, porém menor do que no passado recente. Além do ambiente mais desafiador, vemos a posição técnica ruim, como mostrou ontem os dados de posição especulativa semanal da bolsa. Voltamos a alocar algum risco, com visão de hedge, via estruturas de opção baixistas para as bolsas do país.

Neste momento, estamos sem posições relevantes no mercado de câmbio A posição técnica parece excessivamente comprada em dólar, porém o pano de fundo ainda parece ser de um dólar mais elevado.




Data: 17/08/2018

Still a rocky path...

A despeito da aparente tranquilidade das bolsas na Europa e nos EUA essa manhã, e um mercado de commodities mais estável, estamos observando mais uma rodada de pressão nos ativos emergentes, em especial nas moedas, novamente liderados pela Turquia. Na China, a noite foi de CNY estável, mas de no queda (entre 1% e 2%) dos índices de bolsa. De maneira geral, ainda não vi os problemas em ambos os países serem endereçados de maneira estrutural.

Na Turquia, em conference call com investidores na manhã de ontem, o Ministro das Finanças fez um discurso relativamente ortodoxo, afirmando que não irão implementar controle de capitais e adotarão as medidas necessárias para estabilizar a economia. Contudo, colocou grande parte do peso do que está acontecendo no país no ambiente internacional, não deu indicações de que pretende elevar as taxas de juros ou pedir ajuda financeira ao FMI, o que ainda dá alguma sensação de que estão em “negação” em relação a real situação da economia. Indicou que pretendem manter uma política fiscal apertada, o que pode ser visto como positivo. Todavia, o país apresenta menos de 30% de dívida\PIB. O problema do país não é fiscal, mas sim seu balanço de pagamentos e sua inflação de curto-prazo. O fiscal ajuda a inflação estruturalmente, mas o monetário é necessário para ajudar a inflação e a moeda no curto-prazo. Enfim, ainda parece que a situação poderá piorar antes de que medidas concretas na direção correta sejam tomadas.

No Brasil a notícia (rumor) de que Alckmin poderia ser denunciado pelo MP ainda antes do primeiro turno levou a uma forte deterioração dos ativos locais no início da tarde. A dinâmica do mercado me leva a crer que os investidores ainda colocam um peso razoável no crescimento de Alckmin uma vez iniciada a corrida eleitoral. Assim, uma decepção nesta frente, poderia levar a uma forte deterioração dos preços dos ativos locais. Continuo vendo a corrida eleitoral como extremamente competitiva, com cerca de 4 candidatos podendo chegar ao segundo turno. Combinações extremamente negativas poderiam ocorrer, a luz da opinião do mercado em relação aos candidatos, ou combinações menos prejudiciais aos preços. A volatilidade deverá permanecer.

Em relação a China, de acordo com o estrategista do Morgan Stanley que copio abaixo, o país adotou estratégia diferente, drenando liquidez offshore para conter a depreciação da moeda. Se, por um lado, isso ajuda a estabilizar o CNY, por outro lado acaba colocando mais um importante banco central do mundo na direção do aperto de liquidez, o que tem sido o principal problema para os ativos de risco ao longo deste ano:

China tightens offshore liquidity… According to Reuters, the Shanghai branch of the PBOC has banned banks in the Shanghai Free Trade Zone from depositing or lending yuan offshore through interbank accounts. China draining offshore liquidity, pushing 1y CNH forward points above 600bp has helped stabilise RMB markets by reducing speculative flows. The difference between onshore CNY and offshore CNH 3m fixings jumped 80bp overnight to 106bp, but remains low when compared to levels reached during the height of RMB depreciation pressure in late 2015 (over 700bp). Remember, the PBOC’s policy on the RMB, concretely its USDCNY fixing relative to model expectations alongside interbank liquidity conditions, is part of our four-factor USD scorecard, which suggests the DXY will correct lower by 2% on a 3m change basis. However, China pushing the CNY-CNH forward spreads wider (see first Exhibit) does not only stabilise the RMB on FX markets, it also suggests that China has changed its strategy. Draining offshore liquidity comes at a price, namely increasing RMB hedging costs for potential offshore investors into RMB-denominated assets via the Connect programmes

....not boding well for offshore investors… Earlier this year, it appeared China was targeting capital inflows to ease domestic financial conditions which came under strain due to its balance sheet de-risking strategies. Inflows via the Hong Kong- Shanghai Stock and Bond Connect programmes picked up over the course of the past year and were still positive in July despite the intense RMB sell-off in that month. However, with offshore liquidity tightness pushing RMB interest rates higher, potential offshore investors into China’s equity and bond markets may be discouraged as they find it difficult to predict future hedging costs.

...indicating a changing strategy. Instead of attracting inflows, China’s adjusted strategy may focus on preventing outflows. This finding is also supported by our work on China’s balance of payments, finding that the large share of the ‘errors & omissions’ and ‘other investments’ components relative to the reduced size of the total balance may be an indication that the capital account has been less effectively sealed to prevent outflows than previously thought. In respect of its capital account, China seems to have moved from encouraging inflows towards discouraging outflows. As such, China has become more defensive, which may explain its weak equity performance and the commodity bear market. Yesterday, the State Council said China will substantially support private capital investments to stabilise investment and boost the vitality of China's economy. The continued weak performance of the CSI 300 and CRB Rind indices suggests that the market has doubts on the success of its policy approach.

Debt vs cash flow. Debt is a problem when it does not find adequate cash flows to back it up. Creating debt to fund productivity-enhancing and hence cash flow-generating investments is not only unproblematic; it is desirable. However, the last decade has seen QE-inspired debt creation not inspiring investment and hence keeping productivity gains near historic lows. Corporates have repaid equity, handing capital back to investors thus pushing asset prices and consumer-led demand up. Keeping debt sustainable when rates rise is the challenge, and can only work with the help of productivity which boosts cash flows. Starting in February, markets concluded that EM would be in a difficult position as its cash position was regarded as too weak. EM assets started weakening in a domino-like manner, starting with Argentina. Since debt is a global issue, we wonder if the problem of the debt/cash flow mismatch goes beyond EM. If the answer is yes, what FX conclusion is there to be drawn?

US volatility is too low. The second Exhibit shows how the S&P 500 has diverged from the MSCI EM index. Indeed, the spread has reached a multi-year extreme. Obviously, the consensus concludes that the US could generate the cash flow required to service debt in the long term. Hence, the market seems to assume US productivity will pick up beyond a cyclical rebound, coming along with an output gap-closed economy. Even investors who are optimistic on the long-term US growth and productivity prospects may have to agree that the relative US stock market outperformance looks stretched. The same could be said for FX. The DXY looks stretched and is likely to correct lower from here.




Data: 16/08/2018

Relief Rally!

Os ativos de risco estão apresentando recuperação, após a mídia internacional reportar que os EUA e a China irão retomar negociações, ainda em níveis hierárquicos baixos, para uma melhor relação comercial entre ambos os países.

Vejo este anuncio como um passo importante na direção de endereçar um problema de curto-prazo e ajudar um mercado que talvez tenha ficado excessivamente negativo em termo técnicos e de preços.

Contudo, não vejo este como sendo o principal vetor de deterioração do mercado ao longo dos últimos meses. Continuo acreditando que a redução global de liquidez está sendo, e será, o principal vetor, ou tema de investimento, nos próximos meses. Como não vejo o Fed alterando seu processo de normalização monetária, vejo as recuperações dos ativos de risco, como as de hoje, como “relief rallies”, ou seja, pontuais, localizadas, curtas e pouco potentes. Neste ambiente, a volatilidade deverá permanecer mais elevada do que no passado recente.

Não há novidades no Brasil. O PT, como era amplamente esperado, registrou a candidatura de Lula. Os jornais estão dando destaque a isso essa manhã. É totalmente esperado que sua candidatura seja impugnada, mais cedo ou mais tarde, pelo TSE. Uma batalha judicial ainda deverá ser travada, trazendo mídia e atenção ao ex-presidente, mas expectativas que consiga estar na corrida presidencial são bastante baixas.

Hoje teremos um conference call com o Ministro das Finanças da Turquia, as 10h00 horário do Brasil, organizada por 3 bancos internacionais. Além disso, teremos jobless claims nos EUA.

Na noite de ontem comentei mais a fundo sobre alguns temas e sobre estratégias de investimento: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/sem-novidades-relevantes.html.




Data: 16/08/2018

Sem novidades relevantes.

Vou tentar não soar como uma vitrola quebrada e fazer uma análise rápida dos principais eventos e seus desdobramentos no dia de hoje:

China – Não houve novidades nessa frente, exceto pela dinâmica terrível do CNY, Bolsas Locais e das commodities em geral (metálicas e petróleo). Comentei mais a fundo sobre o tema nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/turquia-e-china-sintomas-de-uma-mesma.html).

Uma estabilização do humor em relação ao país só será possível com dados mais claros de estabilização da economia. Crescem as dúvidas em relação a capacidade do policy maker em estabilizar a economia em meio a um cenário externo mais desafiador e um ambiente interno de maior alavancagem.

Turquia – As recentes medidas anunciadas pelo país tornaram mais caras, ou talvez até inviáveis, as apostas contra a moeda (TRY). Isso explica a forte apreciação nos últimos dias. Contudo, não houve nenhum avanço na direção de endereçar de fato os problemas estruturais da economia. O anuncio de US$15bi de investimentos do Catar é um passo positivo, mas muito tímido diante das necessidades de financiamento do país.

Com a inviabilidade de promover posições vendidas na moeda, a estruturação de hedges torna-se mais caras ou quase impossíveis. Assim, existe um cenária da busca por hedges em outras moedas emergentes ou outros ativos/instrumentos.

Em suma, acredito que a moeda (TRY) deixou de ser um bom termômetro da situação local. Ainda não vi avanços concretos na direção de ajustes que estabilizem o país de maneira mais definitiva.

Brasil – As pesquisas divulgadas hoje, assim como as demais pesquisas recentes, mostraram um quadro de indefinição política. Nada mudou nessa frente. Não tenho nenhuma convicção de quem ganhará as eleições.

Confesso que fiquei bastante impressionado com o bom desempenho recente do mercado de juros local. Hoje, em especial, o pagamento de cupom das NTN-Bs pode estar ajudando, mas continuo vendo o mercado com pouco prêmio no geral. Continuo vendo bastante assimetria na compra das inflações implícitas.

EUA – Os dados divulgados hoje (retail sales, industrial production, e etc) mostraram uma economia saudável e robusto. Como ainda não vimos um aperto substancial das condições financeiras, a despeito da crise nos países emergentes, o Fed me parece de mão atadas, ou seja, deverá manter o seu “plano de voo” de normalização monetária.

Posições – Reduzimos um pouco nossas alocações negativas após o movimento recente. Seguimos comprados em inflação implícita no Brasil e operando taticamente no dólar e nos juros. Continuamos tomados em juros nos EUA, na parte intermediária da curva, porém com estruturas de opção compradas em volatilidade e vendidas em bolsas dos EUA.

Continuaremos com postura mais tática do que o habitual devido ao ambiente que se coloca a nossa frente.




Data: 15/08/2018

Sem avanços positivos. Viés continua negativo e preocupante.

Os ativos de risco tiveram uma noite de dinâmica negativa, liderados por mais uma deterioração no sentimento em relação a China. Os índices de bolsa do país caíram, na média, mais de 2%, com nova depreciação cambial. As commodities metálicas não preciosas operam sobre forte pressão como o  Cobre, por exemplo, recuando 2% neste momento. OS demais ativos mais dependentes da demanda do país continuam com price-action preocupante. Comentei um pouco mais sobre o cenário da China na noite de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/turquia-e-china-sintomas-de-uma-mesma.html).

Na Turquia, após a moeda depreciar quase 5%, o governo limitou a capacidade dos bancos de apostar contra a Lira (TRY), o que acabou levando a uma forte reação positiva da moeda, que aprecia em torno de 3% neste momento. Além disso, o governo anunciou aumento de tarifas de bens americanos.

Continuo acreditando que as medidas adotadas até agora são apenas paliativas, capazes de reduzir a velocidade de deterioração da depreciação cambial, mas incapazes de alterar definitivamente o quadro econômico e financeiro do país. A situação me lembra bastante o roteiro seguido pela Grécia na crise de 2011-2012. O país, antes de anunciar medidas de ajuste fiscal, monetário e creditício, além de negociar um pacote de ajuda junto ao FMI, tentou de todas as maneiras restringir as “vendas a descoberto” (short sell) na bolsa, nos bonds (CDS) e afins. Após uma situação calamitosa, foi obrigada a tomar a nem sempre fácil decisão de um ajuste econômico, que necessariamente implica em grande pressão negativa em termos de crescimento, com consequências políticas óbvias.

Continuo vendo a situação corrente como extremamente frágil e preocupante, mantendo um viés negativo no curto-prazo. Vejo o Brasil inserido neste contexto, sem grandes novidades locais relevantes. As pesquisas eleitorais serão importantes e terão efeitos no preço, mas o ambiente externo parece que irá dominar no curto-prazo.

Na agenda do dia, teremos uma rodada importante de dados nos EUA, com vendas no varejo, Unit Labor Cost e produção industrial. Vejo a economia americana relativamente robusta e ainda imune ao ambiente global, o que deverá manter o Fed em sua trajetória de normalização monetária, o que não deixa de ser o principal vetor causador de todos esses obstáculos de curto-prazo a economia e aos mercados financeiros globais.




Data: 15/08/2018

Turquia e China: Sintomas de uma mesma "doença".

A terça-feira foi de forte recuperação, na média, dos ativos de risco, capitaneados por uma recuperação dos ativos na Turquia. A despeito da melhora nos mercados emergentes, os ativos mais dependentes da demanda da China apresentaram pressão negativa, após mais uma rodada de dados fracos de crescimento. Os ativos no Brasil basicamente seguiram o humor global a risco, ou seja, apresentaram forte recuperação. Acredito que o cenário externo explica integralmente este movimento.

Os mercados financeiros globais parecem migrar de um problema (Turquia) para outro (China), sem que o problema anterior seja definitivamente endereçado. Porém, ainda não há sinais claros de contágio, com alguns ativos de risco em níveis historicamente elevados (bolsas americanas, por exemplo).

Continuo acreditando que os obstáculos recentes enfrentados por alguns países são meramente sintomas da redução de liquidez global que vem sendo efetuada pelo Fed, e que deverá ser seguida por outros importantes bancos centrais ao redor do mundo. Não vejo, em especial o Fed, alterando essa dinâmica. Assim, acredito que será desafiador para os ativos de risco apresentarem apreciações adicionais de preços ao longo dos próximos meses, exceto por momentos pontuais de aparente calmaria, com uma probabilidade alta de um cenário de maior volatilidade e de maior pressão nos preços e valuations dos ativos de risco.

Eu vejo o movimento de hoje apenas como uma acomodação, que costuma ser natural, em momentos de maior incerteza, em que o cenário (negativo) ainda não está muito claro ou definido.

Não vejo as medidas anunciadas pela Turquia até o momento como suficientes para estabilizar a situação do país de maneira definitiva. Ainda espero incerteza vindas nesta frente, apesar de entender que os canais de contágio não são muito claros e/ou tão grandes assim.

Pela primeira vez em algum tempo a situação econômica e financeira da China aparenta ser um pouco mais grave do que as situações anteriores. Além de um ambiente externo mais hostil, de menor liquidez global e “guerra comercial”, o país precisa lidar com um menor espaço para afrouxamento monetário, fiscal e creditício, em uma economia claramente alavancada. Este pano de fundo, por ora, está impedindo que as medidas recém implementadas sejam capazes de conter os movimentos de depreciação dos ativos locais, como ocorria de maneira recorrente em situações passadas. Este cenário, assim, merece atenção especial e pode ser o principal tema dos mercados nos próximos dias/semanas.

Este ambiente tem levado a uma queda acentuada de algumas commodities metálicas, como é o caso do Cobre. Contudo, o movimento, até o momento, se mostra bastante localizado e sem sinais mais claros de contágio. As volatilidades implícitas no mercado de opções (FX e Equities) seguem historicamente baixas e outros mercados ao redor do mundo não mostram qualquer sinal de problemas.

Continuo com uma visão mais cautelosa com o cenário externo, pelos motivos que vêm sendo amplamente citados neste fórum nos últimos meses (normalização monetária, China, “guerra comercial”, preços/valuations, posição técnica e afins). No Brasil, não tenho nenhuma convicção em relação ao resultado das eleições. Acredito que a corrida eleitoral será apertada e permeada de incerteza e volatilidade para os mercados financeiros locais. Os portfólios, assim, segue mais táticos do que alocativo, mais líquido e simples, com a administração mais ativa do que a média do tamanho e dos instrumentos das alocações.




Data: 14/08/2018

Rebound in Turkey, but China fear growing

Os ativos de risco estão apresentando uma recuperação essa manhã, liderados por uma apreciação de mais de 4% na Lira Turca (TRY). Não há mudanças substancias de cenário na Turquia.

Assim, mantenho um viés negativo e posições que expressam essa visão.

O governo não propôs ou implementou nenhuma medida capaz de reverter, de maneira definitiva, a dinâmica negativa dos ativos financeiros do país. Muito pelo contrário, o governo continua com discurso agressivo e combativo contrário ao imperialismo dos EUA do Ocidente em geral. Enquanto medidas agressivas e ortodoxas não forem implementadas (aperto fiscal e monetário, ajuda do FMI e afins) acredito que as acomodações serão pontuais e esporádicas, de certa forma naturais e esperadas, em um quadro de incerteza e elevada volatilidade.

Na China, os sinais de fragilidade se acumulam, com os dados de atividade econômica de julho abaixo do esperado, mostrando um crescimento baixo. Não a toa, as commodities metálicas não preciosas e os demais ativos mais dependentes do crescimento chinês (como o AUD) continuam a operar sob pressão negativa essa manhã, mesmo com o espasmo de recuperação na Turquia.

Nos últimos meses a China adoto uma série de medidas de afrouxamento monetário, fiscal e creditício, com o intuito de administrar de maneira mais suave a desaceleração do país. Por ora, ao contrário dos outros anos, este plano ainda não se mostrou bem-sucedido e a economia continua mostrando sinais claros de desaceleração. Com a alavancagem já bastante elevada, o nível de estimulo necessário para criar um delta de crescimento maior é cada vez mais acentuado, tornando o poder do policy maker cada vez menor. Além disso, o ambiente internacional de enxugamento de liquidez torna o pano de fundo mais desafiador para a China.

Segundo o Morgan Stanley: On a monthly basis, fixed asset investment (FAI) growth dipped from 5.7% YoY in June to 3.1% in July (the slowest pace since Dec-2002), as a sharp slowdown in infrastructure investment (-5.4% YoY in July vs. -0.9% in June) outweighed a growth uptick in property investment, likely reflecting the lagged effect of aggressive tightening on local government financing vehicles and fiscal consolidation in H1. Retail sales growth also cooled to 8.8% YoY (vs. 9.0% in June) on a slowdown in car and home appliance sales, and industrial production (IP) growth stayed unchanged at 6.0% YoY, as weaker car production offset stronger production growth in other mid- to downstream sectors. Growth of our MS-CHEX index picked up slightly to 4.6% in July (vs. 4.3% in June), largely driven by stronger foreign trade activity. Admittedly, the recent strength of exports and imports is unlikely to be sustained in Q4 after the implementation of tariff hikes.

De acordo com a Bloomberg: A rally in bonds from China’s local government finance vehicles, sparked by the recent easing measures, may be at risk of losing momentum after a surprise bond default by a state-owned firm on Monday. Xinjiang Production Construction 6th Shi State-owned Assets Management, a cotton trader owned by the local government, missed interest and principal on a 500 million yuan ($72.6 million) note on Monday. The company has features similar to an
LGFV, which raises funds for local authorities and carries out infrastructure investments, according to analysts. The default has dampened investors’ belief that the Chinese government would bail out such funding platforms, according to SWS Research Co. China last month introduced a package of fiscal policies aimed at supporting the economy, while a State Council meeting also urged financial institutions to ensure reasonable borrowing demand from LGFVs. Those steps buoyed risk appetite for corporate bonds, so the timing of the missed payments from Xinjiang Production is a surprise, according to a report from TF Securities Co.

Na Alemanha, o ZEW apresentou estabilização com o PIB do 2Q apontando para um crescimento de 0,6%. Os números são certamente mais positivos, mas apenas uma fotografia do passado diante das incertezas recentes emanando da Turquia e do cenário internacional.

Não há novidades relevantes no Brasil, com o foco nas pesquisas eleitorais e no contexto internacional.




Data: 14/08/2018

Cenário segue desafiador. 

Não houve mudanças significativas no cenário externo ao longo do dia, já comentando (aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/keep-your-seatbealt-fastened.html) desde a semana passada.

Continuo vendo a situação da Turquia de maneira extremamente frágil. Só vejo medidas agressivas e ortodoxas como capazes de reverter de maneira definitiva a situação do país. Qualquer outra medida, como as anunciadas hoje, será vistas apenas como paliativas, capazes apenas de promover acomodações pontuais no mercado.

Isto tudo ocorre em um pano de fundo em que o Fed, nos EUA, deverá manter seu “plano de voo” de normalização monetária, dado que a situação nos países emergentes, por ora, deverá afetar pouco o cenário interno, com mercado de trabalho robusto, pleno emprego, hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias. Ou seja, desta vez, a “fed put” está muito mais “fora do dinheiro” do que no passado recente.

No Brasil, a tarde foi de recuperação dos ativos locais. Vejo duas explicações possíveis. Primeiro, a expectativa de alguma intervenção do Tesouro ou do BCB nos mercados de câmbio e dívida pública, após declarações para acalmar o mercado. Segundo, algum possível rumor de pesquisa eleitoral.

Continuo vendo um cenário interno de enorme incerteza eleitoral, cujo o quadro pouco se alterou nos últimos meses.

Dito isso, mantenho uma postura tática e defensiva. No Brasil, a única posição estrutural segue sendo a compra de inflação implícita, cuja assimetria me parece muito atraente (não veja a inflação muito abaixo de 4% em cenários positivos e muito acima de 4,5%-5% em cenários alternativos). Sigo com viés tático no dólar e sem muita atuação no mercado de renda variável.

No cenário externo, reduzimos taticamente algumas apostas negativas, após o VIX testar os 15%. Depois de uma forte alta do dólar, zeramos a posição short AUD taticamente, mas mantivemos posição tomada nos juros dos EUA, com hedges via estruturas de opção de índices de bolsas dos EUA (S&P, Nasdaq e compra de VIX).

Continuo esperando um ambiente de elevada volatilidade, que deve favorecer postura mais tática em detrimento a posições alocativas. No curto-prazo, sigo com viés mais negativo, até ter uma visibilidade melhor de uma eventual estabilização da situação na Turquia e nos demais países emergentes.




Data: 13/08/2018

Keep your seatbealt fastened...

Os ativos de risco estão abrindo sobre pressão, com a situação na Turquia longe de uma solução definitiva. No final de semana, os governantes turcos mantiveram uma postura e um tom de desafio em relação aos EUA e aos mercados financeiros globais, mostrando que existe, neste momento, pouca disposição em adotar medidas agressivas e ortodoxas capazes de estabilizar a economia e reverter a dinâmica recente.

Não há novidades relevantes no Brasil. O foco do mercado deverá ficar por conta da situação na Turquia e seus desdobramentos.

Hoje pela manhã, a autoridade monetária divulgou algumas medidas de suporte ao setor bancário. Na minha opinião, são medidas positivas, mas pequenas e pouco poderosas para reverter o quadro econômico e financeiro do país.

Na minha visão, apenas um pacote de medidas ortodoxas, como ajuste fiscal, aperto monetário, ajuda financeiras do FMI, entre outros, serão capazes de estabilizar e, eventualmente, reverter essa dinâmica negativa. Quanto mais tempo demorar para essas medidas serem tomadas, mais poderosas e extremas deverão ser as medidas anunciadas.

O caso recente da Argentina é um bom exemplo disso. Mesmo com taxas de juros acima de 40% e um elevado pacote do FMI, o país ainda está administrando uma depreciação cambial e uma depreciação de seus ativos, em meio um cenário de aperto das condições financeiras globais.

Diante da postura dos governantes turcos, ainda não me parece haver disposição para atuar nessa direção descrita acima. Assim a situação pode ter que ficar pior antes de melhorar.

Segundo a mídia, as medidas anunciadas pelo BC turco são:

Entre as ações, o BC turco citou a elevação dos limites de depósito de garantia das operações com liras dos bancos de 7,2 bilhões de euros para 20 bilhões de euros.

A autoridade também reduziu os índices de exigência de reserva de lira em 250 pontos base para todas as faixas de vencimento e disse que os leilões tradicionais de recompra ou de venda de depósito podem ser mantidos com vencimentos máximos de 91 dias, se necessário.

Além disso, o BC turco afirmou que, em dias com maior necessidade financiamento, mais de um leilão de recompra pode ser realizado, com vencimentos entre 6 e 10 dias. Também será possível que os bancos façam empréstimos em moeda estrangeira no vencimento de um mês, além do tradicional prazo de uma semana.




Data: 13/08/2018

 All bets are off...

Sem a menor dúvida o destaque do dia ficou por conta da forte depreciação da Lira (TRY) na Turquia, que neste momento cai cerca de 16,5% contra o dólar, e acabou gerando um movimento clássico e global de “risk-off”. Hoje pela manhã já escrevi um pouco sobre este tema (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/contagio.html).

O que podemos esperar daqui para a frente?

Peguemos o caso mais recente dos eventos na Argentina. O país passou por situação econômica e financeira de fragilidade parecida com a da Turquia. A diferença, neste caso, é que o Governo Argentino adotou postura liberal, pragmática e ortodoxa, como já vinha sendo o caso. No final das contas, acabaram pedindo ajuda financeira ao FMI.

Na Turquia, o governo apresenta propostas mais heterodoxas e afirma não ter a intenção de se curvar a pedidos de ajuda financeira. Além disso, o país ainda precisa lidar com uma “guerra comercial” e sanções por parte dos EUA, o que deixa sua situação muito mais delicada e de solução mais prolongada.

Assim, acredito que a situação não irá se estabilizar por si só. A Argentina, mesmo após todas as medidas adotadas e a ajuda do FMI, ainda está convivendo com depreciação cambial e de seus ativos financeiros. A Turquia terá que se esforçar para conseguir estabilizar sua situação no futuro não muito distante. Talvez a situação ainda precise piorar antes de melhorar.

A exposição dos bancos europeus à Turquia parece ser da ordem de US$110bi. Precisamos entender a fundo os efeitos secundários desses movimentos recentes e do potencial de contágio ainda maior a outros países e mercados.

Tudo isso acontece em um contexto de redução da liquidez global. O Core CPI de julho, divulgado nos EUA hoje, mostrou uma alta de 0,243% MoM e 2,4% YoY, reforçando o cenário de alta gradual da inflação. Diferente do passado recente, não parece haver espaço, pelo menos ainda, para o Fed alterar a sua postura, ou seja, sair do seu processo de normalização monetária, para tentar estabilizar uma situação global exógena a sua economia.

Neste contexto, podemos esperar a continuidade de um cenário de incerta e volatilidade, com eventuais “flash crash” ocorrendo de maneira mais corriqueira do que no passado recente. Apenas esse ano, já vimos situação semelhantes na Argentina, Turquia, Itália, China, Cobre, Facebook, Netflix...apenas para citar alguns exemplo.

O Brasil está inserido neste contexto global e não está imune a todo este ambiente. Para piorar, estamos entrando em um ponto crítico das eleições sem que haja um cenário claro delineado para a política interna. Uma pesquisa semanal divulgada hoje pela XP Investimentos mostrou que Bolsonaro continua consolidado na ausência de Lula, que Haddad, com eventual apoio de Lula, é extremamente competitivo, e que Alckmin, mesmo após as alianças recentes e a mídia que teve, aparece sem conseguir conquistar intensões de votos relevantes ou decisivos.

Continuo com uma visão externa cautelosa e com posições que expressão esta visão, a despeito da relativa (ou aparente) estabilidade que alguns mercados podem ter aparentado ao longo de julho e deste começo de agosto.




Data: 10/08/2018

Contágio.

Os ativos de risco estão abrindo a sexta-feira sobre forte pressão, com um movimento clássico de risk-off. Bolsas e commodities em queda, dólar forte no mundo e depreciação dos ativos emergentes.

O trigger para o movimento de hoje parece estar sendo a rápida e acentuada depreciação (adicional) da Lira (TRY) na Turquia. A moeda hoje cai, neste momento, cerca de 7% contra o dólar.

Contudo, sinais de problemas idiossincráticos em vários países e classes de ativos já vinham sendo percebidos (e comentados neste fórum) há algumas semanas. Apenas para citar alguns: forte depreciação da moeda da China e queda de sua bolsa, problemas na Itália, a própria Turquia, acentuada depreciação do Cobre e etc.

Estes vetores estavam sendo vistos como pontuais e localizados, mas passaram a gerar um contágio maior esta manhã.

O pano de fundo para este ambiente, na minha opinião, é a redução da liquidez global através do processo de normalização monetária das economias desenvolvidas, um processo que deverá perdurar ainda por algum tempo, caso meu cenário base esteja correto.

Assim, continuo vendo um ambiente externo mais desafiador no horizonte relevante de tempo, com os ativos de risco mantendo um perfil de "stop-and-go", ou seja, momentos de aparente tranquilidade sendo seguidos por janelas de incerteza, volatilidade e pressão negativa nos ativos de risco em geral.

Em relação a Turquia, alguma medida mais concreta deverá ser tomada, assim como foi feito na Argentina, que recorreu ao FMI, para estabilizar sua situação econômica e financeira.

A diferença, neste caso, é que ao contrário da Argentina, que tem um governo mais liberal e pragmático, o governo turco é um pouco mais heterodoxo. Além disso, a economia turca é um pouco mais relevante para o mundo emergente e sua presença é mais perceptível nas carteiras de investimentos globais. a exposição dos bancos europeus ao país também aparenta ser mais relevante em termos nominais (fala-se em algo em torno de US$100bi).

A agenda do dia nos reserva a divulgação do Core CPI nos EUA.

No Brasil, o destaque ficou por conta do primeiro debate eleitoral. Não tive a oportunidade de ver o debate em sua integra devido a conflito de agenda, mas o pouco que consegui ver apenas reforça o cenário base de incerteza dessas eleições.   




Data: 09/08/2018

Pesquisa eleitoral mostra cenário de incerteza.

A noite foi de estabilização dos mercados na China, com o CNY operando sem grandes movimentações, porém com forte alta das bolsas. Na Turquia, contudo, o TRY voltou a mostrar acentuada (2,5%) depreciação esta manhã, atingindo, novamente, seu ponto mais baixo (ou depreciado) da história. Os mercados financeiros globais continuam olhando este tipo de dinâmica como pontual e localizada, sem sinais claros de contágio para o resto do mundo.

Na agenda do dia, o destaque ficará por conta do PPI nos EUA, que será uma prévia menos importante do que o Core CPI esperado para amanhã. Este sim, com capacidade de determinar a dinâmica dos ativos de risco nos próximos dias ou semanas, quiçá meses.

No Brasil, os ativos locais apresentaram ontem mais um dia de desempenho relativo pior do que os seus pares. Desta vez, uma pesquisa eleitoral para presidente, em São Paulo, realizada pela CNT\MDA pode ser vista como responsável pelo movimento.

De acordo com a pesquisa, Lula continua liderando a corrida eleitoral quando seu nome é colocado na base. Sem Lula, Bolsonaro lidera com cerca de 4pp percentuais a frente de Alckmin. Alckmin é seguido de Haddad e Ciro, cerca de 4pp atrás. Importante ressaltar que Haddad aparece com cerca de 8pp e Manuela D`Avila com cerca de 1,7pp. Se somados os dois, cuja coligação foi anunciada há alguns poucos dias, ambos somam cerca de 10pp, ficando em terceiro colocado, apenas levemente atrás de Alckmin. Isso sem contar que não houve uma campanha de Lula em favor desta “nova” chapa, com potencial relevante de boa transferência adicional de intenções de voto.

Por ser o maior colégio eleitoral do país e o berço do PSDB há anos, uma vitória de Alckmin em São Paulo é indispensável para leva-lo ao segundo turno. Por ora, seu desempenho nas pesquisas no Estado ainda não mostra um quadro favorável para o seu desempenho.

A pesquisa confirma um cenário eleitoral de incerteza e inalterado, sem mudanças relevantes, que já prevalece há meses, mesmo com tudo que já foi promovido na mídia, em favor e contra vários dos candidatos.

Entendo que a campanha eleitoral ainda não começou. Que as coligações são recentes e que o programa eleitoral e a campanha em si podem fazer uma diferença grande de agora em diante. Contudo, por ora, a fotografia da situação ainda não é animadora para um mercado local que sonha com um candidato mais ao centro, liberal e reformista. Isso explica os recentes movimentos dos ativos locais.




Data: 08/08/2018

Problemas idiossincráticos.

Os ativos de risco estão abrindo próximos a estabilidade. Na China, a noite foi de nova depreciação da moeda e queda das bolsas. Na Turquia, o TRY deprecia cerca de 1,5% neste momento. Ou seja, os problemas idiossincráticos continuam presentes, sem sinais de que foram definitivamente debelados, mas também, por ora, sem gerar contágio ao resto do mundo.

O fluxo de no´tícias para o Brasil foi esvaziado. Ontem comentei um pouco sobre o cenário local: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/brasil-dinamica-mostra-um-mercado-sem.html.

Na agenda do dia, destaque para o IPCA no Brasil. Nos EUA, destaque para um leilão de títulos do Tesouro dos EUA. 




Data: 08/08/2018

Brasil: A dinâmica mostra um mercado sem prêmios.

A terça-feira foi de poucas novidades relevantes no cenário externo. Dois vetores precisam ser acompanhando nessa etapa final da semana. Primeiro, o quão sustentável será a estabilização dos mercados na China. Segundo, os indicadores de inflação nos EUA, com o Core CPI sendo o destaque na sexta-feira.

O destaque do dia, assim, ficou por conta da dinâmica dos mercados no Brasil. Eu diria que o dia de hoje marcou definitivamente o período eleitoral, onde a sensibilidade dos ativos locais ficará maior e mais elasticidade a qualquer notícia (ou rumor) nesta frente. É verdade que o anúncio do apoio do Centrão a Alckmin ajudou os ativos locais, porém em meio a um contexto externo favorável que tornou difícil diferenciar o quanto da recuperação dos ativos brasileiros foi fruto de questões locais e o quanto da situação externa.

Hoje, os mercados locais abriram otimistas, seguindo o humor global e na ausência de notícias locais relevantes. No início da tarde, contudo, começaram a apresentar rápida e acentuada deterioração.

Especula-se que um rumor, de uma possível delação premiada, de um possível aliado de Alckmin viria a tona e colocaria o nome do candidato a presidente do PSDB nos holofotes de maneira negativa.

Não se sabe ao certo se este foi o real motivo da deterioração dos ativos locais. O que me chamou mais a atenção foi a magnitude e velocidade de deterioração em cima de um simples rumor, de uma suposição de algo bastante abstrato. A dinâmica do mercado mostrou, ou talvez tenha comprovado, como o mercado está sensível e, talvez, sem muito prêmio para eventuais "cenários de cauda".

O mercado de juros, com a parte intermediária e longa da curva abrindo mais de 20bps dos lows de taxa do dia, me pareceu o tecnicamente mais complicado e com pouquíssimo prêmio. A dinâmica diz muito deste mercado. A bolsa apresentou até comportamento positivo no relativo com as demais classes de ativos.

De maneira geral, continuo sem convicção em relação ao resultado final das eleições.

As Notas do Copom reforçaram o "plano de voo" do BCB de manter os juros estáveis no horizonte relevante de tempo, mas com flexibilidade de atuação em mudanças bruscas de cenário.  




Data: 07/08/2018

Risk-On. Sinais de estabilização na China.

Os ativos de risco estão abrindo a manhã em tom positivo. A noite foi de apreciação da moeda da China e forte alta das bolsas locais (entre 2% e 3%). Este é o primeiro dia de sinal um pouco mais concreto de estabilização da situação do país, mas ainda me parece cedo para afirmar que a situação esteja controlada por completo.

No Japão, os dados de salários apresentaram forte elevação em junho e a mídia está reportando que chegou-se a discutir uma alta de juros no país na última reunião do BoJ. Vejo estes indicadores e este tipo de rumor (ou ruído) na direção de reforçar o cenário de normalização monetária nas economias desenvolvidas e consequente redução do excesso de liquidez global ao longo do tempo.

Na Austrália, o RBA manteve sua política monetária estável, como era amplamente esperado, sem mudanças significativas em seu comunicado.

Neste momento, após depreciação de quase 6% ontem, estamos observando uma apreciação em torno de 1,5% da Lira Turca (TRY). A ausência de liquidez no mercado parece estar ajudando a exacerbar os movimentos na moeda, mas o pano de fundo mantém o cenário negativo de maneira convicta.

Não há novidades relevantes no Brasil que mereçam destaque especial.




Data: 06/08/2018

Problemas pontuais e localizados. Há risco de contágio da China.

Obs: Como o relatório mensal foi enviado no meio da semana passada, excepcionalmente hoje não teremos o envio do relatório semanal.

A semana trouxe poucas novidades relevantes para o cenário econômico, com uma agenda esvaziada, exceto pela queda do Factory Orders na Alemanha, já comentada pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/china-ainda-mostra-fragilidade.html).

Do ponto de vista da dinâmica dos mercados, contudo, tivemos alguns sinais relevantes, que comentaremos a seguir. Por ora, estou observando problemas pontuais e localizados (Turquia, China, Commodities Metálicas, Itália e etc), que estão sendo tratados pelo mercado como questões idiossincráticas.

Contudo, no que diz respeito a China, caso não haja uma reversão clara e definitiva dos movimentos recentes (queda das bolsas, depreciação do câmbio, desaceleração da economia, fechamento de taxas de juros e afins) acredito que haja espaço para algum tipo de contágio aos demais mercados financeiros globais.

Pela primeira vez em algum tempo a situação econômica e financeira da China aparenta ser um pouco mais grave do que as situações anteriores. Além de um ambiente externo mais hostil, de menor liquidez global e “guerra comercial”, o país precisa lidar com um menor espaço para afrouxamento monetário, fiscal e creditício, em uma economia claramente alavancada. Este pano de fundo, por ora, está impedindo que as medidas recém implementadas sejam capazes de conter os movimentos de depreciação dos ativos locais, como ocorria de maneira recorrente em situações passadas. Este cenário, assim, merece atenção especial e pode ser o principal tema dos mercados nos próximos dias/semanas.

Este ambiente tem levado a uma queda acentuada de algumas commodities metálicas, como é o caso do Cobre. Contudo, o movimento, por hora, se mostra bastante localizado e sem sinais mais claros de contário. As volatilidades implícitas no mercado de opções (FX e Equities) seguem historicamente baixas e outros mercados ao redor do mundo não mostram qualquer sinal de problemas.

Na Turquia, a moeda do país apresentou depreciação adicional de 4,5%, já de níveis historicamente depreciados. Além de uma situação econômica fragilizada, o país precisa lidar agora com a possibilidade de sanções por parte dos EUA.

Na Itália, os papeis soberanos do país continuam com dinâmica ruim e forçando o Tesouro a atuar visando reduzir a volatilidade dos mercados locais.

No campo positivo, os mercados norte americanos continuam mostrando estar saudáveis, com as bolsas próximas aos picos recentes. A temporada de resultados corporativos e a demanda por empresas do setor de tecnologia estão ajudando a dar suporte aos ativos locais.

No Brasil, o dia foi de leve realização de lucros nos mercados de câmbio e renda variável, sem notícias relevantes. O quadro eleitoral deverá tornar os ativos locais mais sensíveis e elásticos a qualquer notícia política, com o cenário externo como pano de fundo.

Continuo com uma visão mais cautelosa com o cenário externo, pelos motivos que vêm sendo amplamente citados neste fórum nos últimos meses (normalização monetária, China, “guerra comercial”, preços/valuations, posição técnica e afins). No Brasil, não tenho nenhuma convicção em relação ao resultado das eleições. Acredito que a corrida eleitoral será apertada e permeada de incerteza e volatilidade para os mercados financeiros locais.




Data: 06/08/2018

China ainda mostra fragilidade.

Os ativos de risco estão abrindo a semana com leve viés negativo. Destaque para a depreciação da moeda da China (0,2%-0,25% neste momento) e para a queda das bolsas locais (entre 1% e 2%). A medida de aumento de compulsório sobre operações de câmbio anunciadas na sexta-feira, até o momento, foi capaz apenas de suavizar o movimento, sem sinais concretos de mudança de tendência dos problemas no país.

Na Alemanha, o Factory Orders apresentou queda de 4% MoM, sinalizando para uma desaceleração do crescimento. A despeito de ser um dado bastante volátil e de difícil interpretação no mês-a-mês, a queda desta magnitude não deixa de transparecer alguma fraqueza, mesmo que de curto-prazo, do crescimento. Efeitos pontuais como a "guerra comercial" e a desaceleração da China e da Ásia podem estar começando a mostrar sinais mais claros de contágio econômico ao resto do mundo.

No Brasil, as convenções partidárias para as eleições presidenciais deste ano foram finalizadas no final de semana sem surpresas relevantes. Exceto pelo apoio do "Centrão" a Alckmin e pela neutralidade do PSB o âmbito federal, a campanha, até o momento, está em linha com o esperado e sem mudanças significativas há alguns meses.

Uma pesquisa Ibope em São Paulo divulgada na sexta-feira mostrou Alckmin a frente de Bolsonaro e dos demais candidatos em seu colégio eleitoral. Este cenário deveria ser esperado dado sua capilaridade e popularidade no maior centro populacional e eleitoral do país, mas não era isso que vina sendo mostrado em outras pesquisas. Assim, esta liderança deve ser vista como positiva pelos investidores, que veem no candidato do PSDB a maior esperança liberal, ao centro e reformista, em um pano de fundo de aumento de expectativas em sua candidatura.

Minha visão central continua inalterada. Para não soar repetitivo, pode ser vista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.




Data: 03/08/2018

Risk-On!

A sexta-feira foi de alívio para os ativos de risco, com os ativos no Brasil se destacando no movimento.

Primeiro, a China anunciou medidas visando encarecer as “apostas” contra a sua moeda, o que ajudou a estabilizar o CNY ao longo do dia. O aumento do compulsório para operar a moeda do país já foi utilizado no passado, sem muito sucesso em mudar a direção do movimento, porém capaz de suavizar a depreciação.

Segundo, os dados de emprego nos EUA mostraram, ou confirmaram, um mercado de trabalho bastante aquecido e no pleno emprego.

A reação dos mercados de dólar mais fraco no mundo e fechamento de taxas de juros me parece um movimento mais técnico do que fundamental. Os números recentes mostram uma economia saudável, talvez que já tenha feito seu pico de crescimento, mas sem sinais claros de desaceleração acentuada, em meio a um mercado de trabalho robusto e acumulo de pressões inflacionárias, mesmo que de maneira apenas gradual.

Não vejo mudanças substanciais neste ambiente, mas entendo que a ausência de pressões inflacionárias mais acentuadas, em meio a um crescimento sólido, ajuda a passar a impressão de um cenário tranquilo e de “Goldilocks”.

No Brasil, além desses vetores externos, as recentes articulações de Alckmin, candidato do PSDB a presidente, e considerado pelo mercado como o candidato mais preparado para tocar as reformas econômicas necessárias ao páis, levaram a um otimismo em relação a sua campanha.

Assim, o dia foi de forte queda do dólar, alta na bolsa (ajudada por um resultado corporativo positivo de Petrobrás) e flattening da curva de juros.

Entendo que, como já comentado neste fórum, o apoio do “Centrão” a Alckmim e, agora, a escolha de uma candidata a vice-presidente da região Sul, ligada ao agronegócio e engajada nas redes sociais, coloca o candidato do PSDB em posição vantajosa na corrida eleitoral, mas ainda não muda dramaticamente o cenário de enorme incerteza que cerca a disputa para presidente do país.

De maneira geral, não vejo alterações relevantes no cenário, a despeito de uma dinâmica de preços mais positiva nos últimos dias (em especial hoje). No Brasil, ainda pretendo manter baixa alocação a risco no geral devido as incertezas eleitorais, buscando posições que me parecem assimétricas (inflação implícita) e com postura tática no câmbio e na bolsa.

No cenário externo, continuo acreditando na alta de juros das taxas norte americanas. Gosto de manter hedges via compra de vol em índices de bolsa e pequena posição vendida em AUD via opções (compra de vol com perda limitada) como proxy para os problemas enfrentados pela China.




Data: 03/08/2018

China segue em foco.

Na quinta-feira a Apple foi a primeira empresa a atingir o valor de US$1 trilhão, o que acabou dando suporte as bolsas dos EUA.

Esta noite, contudo, observamos mais uma rodada de depreciação da moeda da China e queda das bolsas locais. OS sinais de fragilidade na China continuam evidentes, a despeito da ausência de qualquer contágio mais relevante, neste momento, ao resto do mundo. Vemos algum impacto negativo nos mercados asiáticos e emergentes, mas ainda de maneira apenas incipiente.

No Brasil, Geraldo Alckmin anunciou Ana Amélia como candidata a vice-presidente, enquanto Marina Silva anunciou Eduardo Jorge. Ana Amélia traz um nome feminino e é do colégio eleitoral do Sul, bastante importante nas eleições. Eduardo Jorge, contudo, é um nome de pouca expressão e de um partido com poder de aglutinação para Marina. Alckmin dá mais um firme passo em sua campanha eleitoral, que pode ajuda-lo a angariar votos à frente, mas ainda não muda de maneira determinante o quadro de incerteza eleitoral.

A agenda do dia terá os dados de emprego nos EUA como destaque. Caso se confirme um cenário de emprego robusto e acumulo de pressões inflacionárias, o cenário deverá se manter desafiador para os ativos de risco (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/sem-otimismo.html). 




Data: 02/08/2018

Risk-Off! China assusta e demanda cautela.

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira sob pressão, liderados por uma dinâmica bastante negativa nas bolsas da Ásia. Estas, por sua  vez, foram puxadas por mais um queda expressiva da bolsa da China.

Entendo que o anúncio, na tarde de ontem, por parte do Governo dos EUA, de que poderia elevar as tarifas de 10% para 25% da proposta de taxar adicionais US$200bi de importações da China possam ter ajudado o movimento, mas creio que este não é o único motivo para esta dinâmica de "risk-off" esta manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/sem-otimismo.html).

Os sinais de fragilidade e cautela emitidos pela China, tanto em termos econômicos, como em caráter financeiro vêm se acumulando há algumas semanas e continuam sem uma estabilização ou solução de curto-prazo. A China ainda se representa um dos principais, senão o principal, risco ao cenário econômico global e os sinais continuam preocupantes.

No Brasil, o Copom manteve a política monetária estável, com a Taxa Selic em 6,5%, como era amplamente esperado. Não houve mudanças significativas no comunicado e na mensagem central do BCB. O Banco pretende manter as taxas de juros estáveis no horizonte relevante de tempo, mas está ciente dos riscos, locais e externos, e não se furtará de alterar sua postura, ou seu "plano de voo", caso o cenário seja alterado por algum choque mais permanente ao cenário. 




Data: 01/08/2018

 Cenário sem alterações. Riscos continuam evidentes.

Os dados econômicos divulgados ontem nos EUA continuam mostrando uma economia com crescimento robusto (Chicago PMI, Consumer Confidence) e acumulo de pressões inflacionárias (Core PCE, Employment Cost Index), mas sem que haja uma aceleração mais rápida e acentuada da inflação, pelo menos neste momento.

Os números em nada alteram o pano de fundo para a continuidade do processo de normalização monetária de curto-prazo, que ainda vejo como uma restrição para a apreciação adicional dos ativos de risco ao longo deste ano.

No início da noite de ontem, a Bloomberg reportou que os EUA estariam pensando em elevar de 10% para 25% as tarifas sinalizadas para cerca de US$200bi em importações da China. De acordo com o WSJ, as negociações entre os dois países estariam mostrando poucos avanços.

O momento de crescimento robusto, exuberância do mercado financeiro e algumas "vitórias" nas negociações com Europa e NAFTA, devem dar ímpeto aos EUA em manter uma postura mais dura junto as negociações comerciais com a China. Não vejo o porque, do ponto de vista dos EUA (não que eu ache certo ou errado), mudar esta postura mais dura neste momento. Talvez a situação precise piorar antes de melhorar neste quesito.

Na China, a noite foi de forte queda das bolsas e nova depreciação do CNY. Os sinais de fragilidade continuam evidentes. Nesta manhã, a mídia está reportando que os policy makers estão acelerando os esforços para dar sustentação a economia, agora com o foco no aumento dos empréstimos.

Na Europa, os números recentes (PIB, CPI) mostraram um crescimento ainda saudável, porém mais baixo, e uma inflação mais elevada. Alguns efeitos pontuais podem estar pressionando a inflação para cima, mas este mix de menor crescimento e maior inflação deixa a região em uma situação menos confortável no curto-prazo.

Não há novidades relevantes no Brasil. As pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos 2 dias mostram um quadro inalterado, sem mudanças substanciais de panorama. Como comentado na manhã de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/sem-mudancas-significativas-no-japao.html) alguns resultados corporativos pressionara negativamente o Ibovespa ontem, o que acabou afetando o humor no mercado de câmbio e levando a um steepening da curva de juros.

Na agenda do dia, destaque para o ADP Employment, ISM Manufacturing e decisão do FOMC, todos nos EUA.




Data: 31/07/2018

Semana Agitada!

A semana começou com poucas novidades relevantes em relação aos últimos dias.

No Brasil, a pesquisa Focus do BCB não mostrou mudanças significativas nas expectativas do mercado. As coletas de inflação continuam mostrando um quadro de inflação baixa e contida, a despeito de alguns riscos altistas à frente. O resultado fiscal do setor público ficou praticamente dentro das expectativas em junho, reforçando um cenário de fragilidade das contas públicas, o que há muito tempo já é consenso, além de se configurar como o grande problema estrutural do país.

Os ativos locais continuam seguindo o humor global a risco, com uma sensibilidade que deverá se tornar mais elevada a qualquer mudança no cenário eleitoral, à medida que as eleições se aproximam.

Continuo favorecendo uma postura tática e flexível no mercado local de câmbio. Vejo pouco prêmio na curva de juros. Contudo, com a inflação baixa e o crescimento pífio, o BCB poderá ter condições de manter os juros estáveis (ou mais baixos) por mais tempo. Vejo uma assimetria ainda bastante positiva na compra de inflação implícita na parte intermediária da curva.

No cenário externo, o destaque continua por conta da pressão negativa no setor de tecnologia da bolsa dos EUA, em detrimento a outros setores e bolsas de outras regiões do mundo. A temporada de resultados corporativos, o nível de preço e valuation, a posição técnica e o cenário macro global (normalização monetária) parecem ser os pilares que estão ditando este movimento de curto-prazo.

Ainda tenho uma visão estrutural de juros mais altos nos EUA. Vejo as bolsas globais respeitando os ranges recentes, a despeito dos argumentos (válidos e verdadeiros) de valuations atrativos em alguns mercados, posição técnica saudável e etc. Gosto de manter hedges via compra de puts de alguns índices de bolsa. Estamos com viés tático no mercado de câmbio global, com pequena posição comprada em puts de AUD. Estas posições estão sendo administradas de maneira extremamente ágil, flexível e tática.

A semana nos reserva uma agenda extremamente importante nos próximos dias:

Decisão do BoJ, no Japão, esta noite. Nos últimos dias surgiram rumores de que o BoJ poderia anunciar mudanças na sua política monetária. Acredito que, se alguma mudança for anunciada, será marginal. Contudo, qualquer mudança, em um contexto global de normalização monetária, poderá ter impactos relevantes de longo-prazo nos mercados financeiros globais. Tenho comentado bastante sobre isso ao longo deste ano.

Divulgação do Core PCE nos EUA na manhã de terça-feira. Após a divulgação do PIB do segundo trimestre na sexta-feira, este dado perdeu um pouco de relevância. Os números de sexta-feira apontam para um Core PCE entre 0,005% MoM e 0,100% MoM. Este número indicaria um cenário de inflação que sobe apenas gradualmente. Este pano de fundo deverá manter o Fed em um processo gradual de normalização monetária, sem necessidade de frear ou acelerar este processo.

Divulgação do Employment Cost Index (terça-feira) e Average Hourly Earnings (sexta-feira). Estes números serão fundamentais para medirmos o acumulo de pressões inflacionárias na economia dos EUA.




Data: 31/07/2018

Sinais que demandam atenção.

Na sexta-feira o PIB dos EUA ficou rigorosamente em linha com as expectativas coletadas pela Bloomberg, porém abaixo do que chegou-se a especular ao longo da semana. A ata em torno de 4% trimestral anualizada foi uma das mais altas para um trimestre desde a crise de 2008. A abertura do indicador mostrou um quadro qualitativo de crescimento saudável e sustentável. o destaque ficou por conta do consumo com a inflação surpreendendo para baixo. De maneira geral, o indicador não altera o cenário de curto-prazo para a economia dos EUA e deve manter o Fed em seu "plano e voo" de normalização monetária, porém sem necessidades de acelerar ou frear este processo no curto-prazo. Ainda podemos esperar um total de 4 altas e 25bps nas taxas de juros ao longo de todo o ano de 2018 e a manutenção do processo de redução do balanço do Fed.

No Brasil, na sexta-feira, o destaque ficou por conta da divulgação de uma pesquisa semanal de intensões eleitorais para presidente da encomendada pela XP Investimentos. A pesquisa mostrou uma alta em torno de 1 a 2pp nas intensões de votos para Geraldo Alckmin, dentro da margem de erro, mas o levando para o patamar em torno de 10%. Este movimento está em linha com o que o mercado imaginou após o anuncio da aliança do Centrão e ajudou um movimento de performance relativa mais positiva dos ativos do Brasil em relação aos seus pares (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/brasil-mudanca-relevante-na-corrida.html). Reforço que, na minha visão, o recente movimento de apreciação dos ativos no Brasil está muito mais ligado ao alívio internacional do que a qualquer mudança no cenário local. Assim, dependendo de como a corrida eleitoral caminhar a partir de agosto poderá ter impacto relevante sobre os preços locais.

Ainda na sexta-feira, o destaque ficou por conta de uma forte queda em alguns índices de bolsas nos EUA. Vejo este movimento como uma reação a divulgação de resultados corporativos abaixo das expectativas (Facebook, Netflix e etc) em meio a um ambiente de estágio final de ciclo econômico nos EUA. A despeito de um crescimento sólido, vemos um hiato do produto fechado, sinais de pleno emprego e acumulo de pressões inflacionárias. Ainda acredito que estamos na fase em que os ativos de risco estão respeitando alguns "ranges". O movimento de sexta-feira nas bolsas dos EUA reforça esta visão, pois muitos desses índices falharam em romper alguns picos históricos. À medida que o ciclo econômico chega ao fim, poderemos ter alguns rompimento para o lado negativo. Contudo ainda não me parece que estamos neste estágio. Ainda podemos esperar incerteza, volatilidade mas que os "ranges" deste ano sejam respeitados.

O final de semana trouxe poucas novidades para este ambiente. Esta manhã, vemos os mercados operando próximos a estabilidade, sem movimentos relevantes neste momento. na China, a moeda voltou a operar sobre pressão (depreciação) e as bolsas em leve queda, mostrando que ainda predomina um cenário de fragilidade no país.




Data: 27/07/2018

Fragilidade na China, Política no Brasil e PIB nos EUA.

A noite foi de mais uma rodada, mesmo que mais branda, de depreciação do CNY, a moeda da China, e queda das bolsas do país. A despeito destes sinais preocupantes de fragilidade da economia e da estabilidade financeira no país, os demais ativos de risco operam próximos a estabilidade neste momento.

No inicio da noite de ontem, a Amazon anunciou resultado positivo, ao contrário do que havia ocorrido com o Facebook no dia anterior. A despeito de uma receita abaixo do esperado e de um guidance de receita menor, as margens mais elevadas e o crescimento em alguns setores considerados mais rentáveis e promissos do que a parcela de "vendas de produtos" acabarm delineando um resultado mais positivo.

No Brasil, os ativos locais devem continuar seguindo o humor global a risco. Continuamos sem novidades relevantes no cenário econômico. A mídia segue dando cobertura a campanha política para as eleições presidenciais e suas articulações. A temporada de resultados corporativos no país, até o momento, na média, apresenta-se como positiva. O mercado, contudo, parece ter antecipado parte deste movimento nas últimas 2 a 3 semanas.

As atenções do dia estarão voltadas para a divulgação do PIB do segundo trimestre nos EUA. As expectativas coletadas pela Bloomberg estão em 4,2% (crescimento trimestral anualizado) mas existe um viés de um número mais elevado, na ordem de 4,5%-5,0%.




Data: 26/07/2018

Movimentos interessantes...

Os ativos de risco estão dando alguns sinais interessantes ao longo desta quinta-feira. Observamos um movimento de dólar forte no mundo, que teve início com a queda do CNY na China durante a noite e acabou sendo acentuada após a reunião do ECB na Europa. Draghi e Cia trouxeram poucas novidades ao cenário, o que ajudou a reforçar a mensagem de juros mais baixos por mais tempo, levando a uma nova onda de pressão no EUR.

Continua me chamando bastante a atenção o que vem ocorrendo na China (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/china-em-foco.html). O governo segue divulgando medidas de afrouxamento monetário, financeiro e fiscal. A postura dos policy makers aparenta certo pânico com o cenário de curto-prazo. O CNY, a moeda da China, voltou a apresentar depreciação relevante para os padrões da moeda. Caso este movimento continue, poderá ter reverberações e contágio relevante para os demais mercados financeiros globais.

O dia foi de abertura de taxas de juros nos EUA, após números robustos de Durable Goods e Jobless Claims e ainda refletindo os efeitos positivos do “acordo”, ou “trégua”, anunciada entre EUA e Europa no tocante a “guerra comercial”. Amanhã teremos a importante divulgação do PIB do segundo trimestre, cujas expectativas já se mostram bastante elevadas.

No mercado de renda variável, nos EUA, estamos vendo um movimento relevante de diferenciação entre setores, o que ainda mantém os índices muito próximos aos picos históricos. A divulgação do resultado trimestral da Amazon será extremamente importante, depois do que vimos após a divulgação do Facebook (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/trump-to-world-winning.html).

Os ativos no Brasil continuaram a seguir o humor global a risco, com fortalecimento do dólar, juros mais elevados e steepening da curva, e queda da bolsa. Não há novidades relevantes no cenário de Brasil.

O dia de hoje em nada altera minha visão para os mercados e os portfólios.




Data: 26/07/2018

Trump to the world: Winning!

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de "risk-on" clássico, com desempenho positivo de praticamente todas das classes de ativos (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/no-news-still-good-news-for-markets.html). O movimento acabou sendo acentuado no final da tarde, após os EUA e a Europa anunciarem uma trégua na "Guerra Comercial" e um pré-acordo para melhorar as relações comerciais entre ambos,  buscando o diálogo com o intuito de um comércio bilateral com menos barreiras.

Tentando não tomar partido de nenhum lado, mas temos que admitir que o avanço da agenda de Trump nos EUA o coloca em situação bastante positiva para os "mid term elections", a despeito de todos os ruídos e críticas envolvendo sua administração. Trump tem conseguido entregar parte relevante da agenda que prometeu em sua campanha.

No inicio da noite, o Facebook anunciou seu resultado trimestral, mostrando um crescimento abaixo do esperado no "Daily Average Users (DAU), margem mais baixa e aumento dos custos, basicamente com forte alta da força de trabalho. Além disso, na conferência após o resultado, os executivos da empresa sinalizaram para um ambiente mais hostil para a rentabilidade da empresa nos próximos trimestres, com crescimento mais brando e margens mais apertadas. A ação caiu cerca de 20% no after-market. Por ser umas das 5 maiores empresas em market-cap nos principais índices de bolsa dos EUA (S&P500 e Nasdaq) a direção da ação hoje pode ter impacto relevante no mercado.

Os ativos na China voltaram a apresentar desempenho negativo esta noite, com depreciação da moeda e queda nas bolsas. Aliado ao resultado do Facebook, estes movimentos estão favorecendo uma abertura mais negativa dos ativos de risco esta manhã. Em relação a China, o governo continua anunciando medidas amplas de afrouxamento monetário e fiscal. Continuo bastante impressionado com a magnitude e a amplitude das medidas. Não me recorde de momento no passado recente em que os policy makers adotaram tantas medidas ao mesmo tempo, de escopos tão amplos, com o intuito de suavizar a desaceleração da economia e os problemas no âmbito financeiro. Vejo isso de duas maneiras. Primeiro, as medidas deveriam ser bem sucedidas em dar algum suporte a economia, como sempre foram no passado, com o sucesso do governo em manter a economia e o crescimento relativamente estáveis. Contudo, a série de medidas pode estar mostrando algum desespero por parte do governo e sinalizando que a situação pode ser um pouco mais grave do que o imaginado. Continuo vendo a China como um dos grandes riscos ao cenário econômico e a estabilidade financeira global e os sinais de fragilidade continuam.

No Brasil, os ativos locais seguiram basicamente o humor global a risco. Acredito que cerca de 90% do movimento dos ativos locais nos últimos dias seja explicado pela melhora no ambiente global. É bem verdade que o quadro político pode ter ajudado o movimento, mas olhando em termos relativos a seus pares vemos que parte relevante da recuperação dos ativos locais pode ser explicado pelo cenário externo. Continuo vendo poucas mudanças no cenário local.

Na agenda do dia, destaque para a decisão de política monetária do ECB na Europa, para o Jobless Claims e o Durable Goods nos EUA.




Data: 25/07/2018

No news (still) good news for markets...

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. O destaque fica por conta de um dólar mais fraco no mundo, com bom desempenho das moedas emergentes. Os ativos de risco apresentaram desempenho mais positivo na China (comentei mais a respeito do país na manhã de ontem: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/china-em-foco.html).

Na Alemanha, o IFO - um dos indicadores de confiança mais importantes de toda a Europa - ficou praticamente estável e acima de sua média histórica, a despeito de abaixo dos picos recentes. os indicadores de confiança da região continuam mostrando um crescimento saudável e relativamente robusto, mesmo que abaixo do que se vu na virada de 2017 e início de 2018. Os números em nada alteram o cenário para a região ou as expectativas para a política monetária.

Na Austrália, o CPI ficou abaixo das expectativas do mercado. O número confirma um cenário de total ausência de pressões inflacionárias no país. A Austrália deverá ser um dos últimos países desenvolvidos a dar início a qualquer tipo de normalização monetária. Além da inflação baixa, a recuperação do crescimento se mostra lenta e o país ainda precisa administrar um mercado imobiliário com sinais de bolha em algumas regiões do país.

Não há nenhuma novidade relevante no Brasil. Os ativos locais continuam seguindo o humor global a risco, com os movimentos exacerbados pela posição técnica, muito em linha com o que comentei neste fórum no final da semana passada (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/politica-brasil-e-guerra-cambial.html).

Minha visão em relação ao cenário e aos mercados não sofreu nenhuma alteraçao nos últimos dias. Continuo vendo a economia dos EUA em um estágio avançado do ciclo econômico, com crescimento forte, hiato do produto fechado e aperto do mercado de trabalho. O mundo cresce a um ritmo saudável. O processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas deverá prosseguir. No longo-prazo, este ambiente deverá se colocar como uma restrição a apreciações adicionais dos ativos de risco.

No curto-prazo, contudo, a impressão de ausência de riscos (somente a impressão, fazendo uma leitura do mercado, não que seja minha opinião, pois vejo diversos riscos no cenário) , com um crescimento global forte, está levando a uma interpretação de um ambiente mais positivo, o que está ajudando a dar ímpeto a apreciação dos mercados financeiros globais. Estes movimentos são ainda impulsionados por uma posição técnica que havia ficado excessivamente negativa (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever-redux.html) e por uma sazonalidade de baixa volatilidade do verão no hemisfério norte. Não sei ao certo até onde este curto-prazo mais positivo irá perdurar, mas nçao acredito que seja uma nova e prolongada tendência.

Enquanto o cenário de longo-prazo citado acima não ficar mais evidente, os ativos de risco devem permanecer respeitando alguns "ranges" relativamente largos. Quando o cenário ficar mais claro, espero uma tendência mais prolongada de final de ciclo, com movimentos de depreciação dos ativos de risco.




Data: 24/07/2018

 China em foco!

Nos últimos dias, o governo da China anunciou uma série de medidas de suporte a economia, visando estabilizar o crescimento e a situação financeira do país. Por ora, observamos uma recuperação das bolsas locais e das commodities em geral, a despeito da continuidade do processo de depreciação do câmbio. O "modus operandi" do governo chinês está totalmente em linha com o histórico passado, em que os policy makers atuam de forma reativa, na tentativa de administrar de maneira gradual e suave qualquer desaceleração da economia ou ou risco a estabilidade financeira. Historicamente, eles sempre foram bem sucedidos nessas empreitadas. Desta vez, o risco pode ser considerado mais elevado, devido ao contexto global e ao tamanho que o mercado de crédito e a alavancagem atingiu no país nos últimos anos, mas as características ainda bastante planejadas da economia permitem um controle relativamente grande do governo sobre a situação. Me espanta, contudo, a magnitude, a esfera e a agressividade das medidas recentes, que podem estar mostrando que a situação era ainda mais delicada do que se imaginava anteriormente.

Na Europa, a prévia do PMI mostrou relativa estabilidade dos PMIs Manufacturings, com desaceleração dos PMIs Services, levando a uma pequena desaceleração dos PMIs Composites. Os números mostram um crescimento saudável, porém mais brando do que o imaginado anteriormente. Este indicador em nada altera o cenário para a região.

Não há novidade relevantes no Brasil. O cenário externo e as eleições devem continuar a dominar a dinâmica dos ativos locais, já que continuamos a ver um cenário de recuperação apenas lenta do crescimento, uma inflação baixa e contida, contas externas saudáveis mas problemas fiscais latentes, ambiente que já perdurá há vários meses sem alterações relevantes.




Data: 24/07/2018

Taxas de juros novamente em foco.

O dia foi de poucas novidades no âmbito macroeconômico, mas de dinâmica relevante . O destaque ficou por conta da abertura das taxas de juros nos EUA, com importante "steepening" da curva. O movimento está bastante em linha com a visão que vem sendo amplamente debatida neste fórum e o qual escrevi na noite deste domingo, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/normalizacao-monetaria-global.html.

No Brasil, os ativos de risco tiveram um dia de maior tranquilidade após as recentes novidades no campo político (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/politica-brasil-e-guerra-cambial.html).

A semana nos reserva uma agenda importante, com destaque para as prévias dos PMIs globais a partir de amanhã, como irá desenrolar os problemas enfrentados pela China e as negocições comerciais juntos ao governo dos EUA, o PIB do segundo trimestre nos EUA e importantes resultados corporativos do setor de tecnologia nos EUA.

No final da tarde de hoje, a Google divulgou um resultado positivo e suas ações subiam cerca de 5% no after-market 




Data: 23/07/2018

Normalização Monetária Global,

O final de semana trouxe poucas novidades no front doméstico e/ou externo.

No Brasil, os partidos políticos estão promovendo suas convenções, e anunciando oficialmente seus candidatos para a corrida presidencial. No final de semana foi a vez de Bolsonaro ficar nos holofotes da mídia neste quesito. Continuo acreditando que a grande novidade do cenário foi o anúncio do apoio do “Centrão” à Alckmin, candidato do PSDB. Já comentei extensivamente sobre isso nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com/).

No cenário externo, o G20 trouxe poucas novidades. O Grupo chamou a atenção para os riscos no cenário prospectivo, especialmente de uma recuperação do crescimento global menos sincronizada, e pelos ruídos envolvendo a postura do governo dos EUA no tocante ao comércio exterior, nada muito diferente do que temos observado quase que diariamente. O G20 não costuma ser um fórum de mudanças importantes de políticas, ou de decisões relevantes.

No final da semana passada, surgiram rumores de que o BoJ, no Japão, poderia alterar sua política monetária, com o intuito de permitir uma alta natural e gradual das taxas longas de juros no país, sem que isso acarrete em aperto das condições financeiras.

Na minha visão, este tipo de rumores ou medida apenas reforça a visão de que estamos apenas no meio de um processo estrutural, talvez multianual, de normalização monetária nas economias desenvolvidas e nas principais economias do mundo. Neste ambiente, devemos esperar mais volatilidade, mais incerteza e ajustes nos preços de uma série de classes de ativos, passados cerca de 10 anos, desde a crise de 2008 nos EUA, em que vigou um ambiente de liquidez excessivamente abundante.

O pano de fundo de baixa volatilidade e precificações excessivas dos ativos de risco está ficando para trás. Este processo de ajuste deverá ser prolongado, caracterizado por um ambiente de “stop-and-go”, ou seja, momentos de normalidade e aparente tranquilidade, como as últimas 3 semanas, pontuados por momentos de maior incerteza, volatilidade e pressão nos preços e valuations dos ativos, como vimos em fevereiro nas bolsas dos EUA, em maio e junho nos mercados emergentes e, mais recentemente, nos preços das commodities.

O Governo Chinês anunciou mais medidas de ajuste visando aliviar a situação financeira local. O país continua passando por um momento de instabilidade e fragilidade. No passado, sempre que o Governo adotou medidas mais proativas na tentativa de suavizar a situação acabou sendo bem sucedido em manter a desaceleração do país apenas gradual, e conter a pressão negativa nos ativos financeiros. Não tenho convicção se estamos diante de um cenário mais negativo desta vez, ou se, em breve, observaremos uma estabilização da situação. A risco, contudo, é que na ausência de uma estabilização, dado o tamanho de tudo que gira em torno da China, os problemas podem ser muito grandes e com reverberações e contágios globais.

A semana será de agenda um pouco mais agitada, com importantes resultados corporativos do setor de tecnologia nos EUA, as prévias dos PMIs globais e o PIB do segundo trimestre dos EUA.

Além disso, precisamos observar como irá ser o andamento das negociações comerciais entre os EUA e seus parceiros, especialmente a China e a Europa.




Data: 23/07/2018

Política Brasil e Guerra Cambial.

O meu ponto é que no curto-prazo dado a posição técnica do mercado, e a mudança marginal, ou o delta positivo, da posição do candidato do PSDB, visto como mais ao centro, liberal e reformista, poderia levar a um movimento positivo dos ativos no Brasil.

Existe uma diferença grande entre movimentos de curto-prazo, táticos, e o cenário de longo-prazo, estrutural. Foi isso que tentei mostrar na manhã de ontem. Ainda vejo uma enorme assimetria na inflação implícita na parte intermediária da curva. No curto-prazo, contudo, tenho buscado um portfólio mais neutro após o evento descrito acima, seja com posições em renda variável ou em câmbio, todas via estruturas de opção com perda limitada cujas vol implícitas ainda não eram excessivamente elevadas. Continuo vendo um cenário de incerteza e volatilidade, especialmente quando colocamos tudo isso no contexto de um cenário externo que ainda vejo como desafiador e menos construtivo, em que as posições táticas serão muito importantes, talvez até mais do que as posições estruturais.

No contexto internacional, além da Guerra Comercial, os EUA parecem estar no caminho de uma Guerra Cambial, após declarações forte de Trump e Munchin. Suas declarações levaram a uma forte queda do dólar no mundo nesta sexta-feira. Ao que me parece, Trump está tentando se aproveitar de uma fragilidade econômica e financeira da China para pressiona-los a mesa de negociações e forjar um acordo comercial melhor para a economia dos EUA.

Eu confesso que não tenho grande convicção do dólar no mundo, nem no curto e nem no longo-prazo. A queda do dólar ontem pode ter sido exacerbada por uma posição técnica muita comprada na moeda dos EUA. Contudo, uma coisa eu aprendi nos últimos 16 anos, a despeito de movimentos pontuais, seja por questões técnicas, seja por tentativas de mudanças de tendência via intervenção verbal, nunca costumam ser bem-sucedidas no longo-prazo. No longo-prazo, as moedas sempre convergem para os seus fundamentos, sejam eles quais forem.

A potencial Guerra Cambial adiciona apenas mais um vetor de indefinição de curto-prazo a um cenário externa já desafiador.

Quanto a China, a situação continua dando sinais de fragilidade. Nos últimos dias, vimos uma atuação mais ativa do Governo na tentativa de estabilizar a situação. Precisamos acompanhar de perto os próximos capítulos nesta frente.




Data: 20/07/2018

Brasil: Mudança relevante na corrida presidencial.

A grande novidade do cenário ficou por conta do anuncio do chamado “Centrão”, no Brasil, de que irá apoiar Geraldo Alckmin, do PSDB, na corrida presidencial. Este acordo irá garantir um tempo de TV extremamente relevante para Alckmin, especialmente em uma campanha curta e com recursos mais limitados. Além disso, o apoio deste “bloco” também garante alguma capilaridade maior a Alckmin em alguns municípios e regiões aonde estes partidos apresentam presença relevante.

Acredito que este anuncio seja extremamente relevante para a corrida presidencial, pois irá colocar Alckmin em uma posição muito melhor que anteriormente, e melhor do que seus principais concorrentes diretos. Entendo que isso não será visto nas pesquisas eleitorais no curto-prazo, mas certamente após começada a campanha. Acredito que exista espaço para os ativos locais apresentarem desempenho relativo e absoluto positivo no curto-prazo, pois vejo a posição técnica do mercado como neutra para levemente na ponta negativa (fundos e tesourarias com viés negativos Brasil).

De qualquer maneira, a incerteza eleitoral permanecerá. Este movimento positivo pode ser rápido e acentuado, porém não definitivo. Ainda teremos bastante volatilidade até o dia das eleições.

Vale aqui um comentário adicional. Depois de tudo o que foi falado sobre a busca pelo “novo” nas eleições, pelo “outsider”, estamos caminhando para um pouco de “mais do mesmo”, com coligações meio que esperadas, e candidatos que estão na política há décadas. Neste ambiente, ainda fico na dúvida se a teoria que nestas eleições as mídias sociais terão impacto tão relevante, ou mais relevante, do que a campanha clássica via TV, rádio e “corpo a corpo” de fato será válida, ou se a TV (rádio e afins) ainda terá um impacto ainda mais decisivo. Se este último for verdade, Alckmin abriu uma vantagem espetacular sobre seus concorrentes.

No cenário internacional, a China continua mostrando fragilidade. A noite foi de volatilidade. Após uma abertura bastante negativa, após um fixing da moeda em níveis depreciados, os mercados locais apresentaram recuperação, com estabilização da moeda e forte alta das bolsas. Existem rumores de que houve intervenção brusca do PBoC no mercado.

Minha visão exposta aqui ontem sobre a China continua válida: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/algumas-palavras-sobre-china.html.




Data: 19/07/2018

Algumas palavras sobre a China.

Hoje mais cedo não comentei sobre um outro desdobramento bastante importante do cenário externo, que é a situação bastante delicada da China. Hoje observamos mais uma relevante depreciação da moeda e nova onda de pressão nas bolsas do país.

Há evidência de que o Governo e o PBoC já atuam junto aos bancos em busca de prover liquidez ao mercado, para evitar uma deterioração adicional do mercado de crédito do país.

Historicamente, o Governo chinês sempre foi capaz de conduzir processos de desaceleração da economia e desalavancagem do sistema financeiro de maneira gradual e suave, mesmo que com períodos pontuais de volatilidade. A diferença, neste momento, é o nível de alavancagem que a economia atingiu e a margem de manobra mais apertada existente no cenário local. Além disso, o cenário externo de melhor liquidez global também atua como uma restrição ao poder de administração da situação interna.

Não tenho a convicção se “this time is different” e podemos estar diante de um problema maior na China, ou se o problema é apenas pontual e deve ser passageiro. Contudo, com certeza absoluta, é um vetor que precisa ser acompanhado, pois terá impacto relevante sobre os mercados financeiros globais. No mínimo, torna um cenário global já desafiador ainda mais fragilizado.




Data: 19/07/2018

Mudança de tom: Temporário ou Permanente?

Pela primeira vez em bastante tempo os ativos de risco estão operando em linha com o que eu acredito que seja o cenário base de longo-prazo do pano de fundo global.

Em linhas gerais, um cenário de ciclo econômico em estágio avançado nos EUA, onde mais crescimento implica em hiato do produto fechado, pleno emprego e pressões inflacionárias. Este ambiente, no geral, não costuma ser construtivo para os ativos de risco no geral, especialmente em um momento em que muitas classes de ativos apresentam valuations pouco triviais e após passados quase 10 anos de fluxos exorbitantes e constantes para muitas dessas classes.

Assim, neste momento, estamos observando uma leve alta nas taxas de juros dos EUA, levando a uma queda das bolsas e das commodities, uma alta do dólar e uma pressão nos ativos emergentes.

Reforço que não sei ao certo quando este cenário ficará de fato mais evidente ao mercado, por isso ainda trabalho com um pano de fundo em que os ativos de risco respeitem alguns “ranges”, como tem sido regra ao longo deste ano, porém com mais volatilidade ao longo do caminho.

No Brasil, os jornais dão ampla cobertura a indicação de que o PR poderá caminhar junto com o “Centrão” na decisão do apoio ao candidato a presidente. O cenário segue dividido entre Alckmin e Ciro. Espero uma reação binária do mercado a esta decisão (muita positiva com Alckmin, muita negativa com Ciro), já que o apoio implica em tempo de TV e capilaridade em pequenas cidades e municípios do país. O “Centrão”, segundo a mídia, pretende indicar Josué Gomes para o vide da chapa.

Na Austrália, os dados de emprego divulgados para junho superaram as expectativas e mostraram um quadro de solidez do mercado de trabalho, mas o ambiente externo mais negativo essa manhã está se sobrepondo a notícia local, com o AUD operando sobre pressão neste momento. 




Data: 18/07/2018

Diferenciação entre classes de ativos.

Os ativos de risco estão apresentando desempenho misto nesta terça-feira, com as commodities majoritariamente em queda e o dólar em alta no mundo, a despeito do bom desempenho das bolsas globais e dos ativos emergentes em geral.

Acredito que alguns vetores explicam esta dinâmica, a maior parte deles de curto-prazo. Já toquei neste tema nas últimas semanas aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever-redux.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever.html.

De maneira geral, a posição técnica do mercado, os valuations mais atrativos (em algumas classes de ativos como as bolsas e os ativos EM) e a percepção de um cenário de “Goldilocks” no curto-prazo, em um período de férias de verão no hemisfério norte, sazonalmente mais positivo para os mercados e de mais baixa volatilidade, estão dando ímpeto a esta dinâmica.

A boa temporada de resultados corporativos nos EUA apenas reforça este pano de fundo descrito acima, pelo menos até o momento.

Continuo com pouca convicção de até onde estes movimentos podem ir, mas mantendo minha visão de longo-prazo de estarmos mais próximo do estágio final do ciclo econômico nos EUA. Os ranges devem ser mantidos, com um curto-prazo mais positivo, porém um longo-prazo mais desafiador. Seguimos gostando de posições tomadas em juros nos EUA, aliadas a alguns hedges no mercado de renda variável internacional.

Os ativos no Brasil estão apenas seguindo este humor global mais positivo, com o ímpeto adicional de uma posição técnica que havia apresentando uma forte reversão de excesso de otimismo do começo do ano para um excesso de pessimismo nas últimas semanas.

Nos atuais níveis, não vejo grandes prêmios de risco na curva de juros dado a incerteza do cenário eleitoral local e do pano de fundo externo. O dólar (BRL) deve seguir o humor global a risco, com o agravante da incerteza local. A bolsa apresentou ajuste relevante este mês, e deve continuar seguindo os fluxos pontuais do cenário externo. Nos atuais níveis, gosto da assimetria da inflação implícita da parte intermediária da curva de juros e de posições táticas compradas em dólar através de estruturas de opção. Estou com visão neutra para a bolsa local, no momento.

A agenda do dia trouxe poucas novidades a este cenário. O discurso do Presidente do Fed no Congresso apresentou um tom balanceado, em que a manutenção do processo de normalização monetária deverá continuar no atual ritmo, exceto por mudanças substanciais de panorama.

A produção industrial nos EUA apresentou um rebote da queda do mês anterior, alterando pouco as expectativas para o crescimento do país.

A Inglaterra apresenta alguma incerteza e volatilidade em torno das negociações para o Brexit, o que hoje levou a uma queda mais expressiva do GBP.

Estarei visitando parceiros nos próximos dias, o que pode tornar os updates com periodicidade menor, mas não deixarei de passar as principais impressões sempre que necessário.




Data: 17/07/2018

Sinais de cautela continuam

Os ativos de risco estão abrindo próximos a estabilidade. Ontem o destaque ficou por conta de uma forte queda no preço do Petróleo e para a divulgação do resultado trimestral da Netflix, uma empresa americana que é uma das "queridinhas" dos mercados nos últimos anos, tendo subido cerca de 100% em 2018. Após o resultado de ontem, a ação caiu cerca de 13% no after-market, carregando consigo todos os índices norte americanos.

No campo econômico, nos EUA, as vendas no varejo de junho ficaram dentro das expectativas do mercado, mas com revisões altistas para o mês anterior. Continuamos a ver um cenário de crescimento robusto da economia dos EUA.

Na agenda do dia de hoje, o destaque ficará por conta da aparição do Presidente do Fed no Congresso dos EUA. Espera-se que Jay Powell mantenha o mesmo tom que já foi revelado na Ata do FOMC e no relatório ao Congresso divulgado na semana passada.

No Brasil, não houve mudança no panorama local ou notícia que mereça atenção especial.

Eu mantenho um viés mais cauteloso e acreditando que, por ora, os ativos de risco irão respeitar aluns ranges. Quando ficar mais claro e evidente que estamos em um estágio mais avançado do ciclo econômico, acredito que a maior probabilidade seja de rompimento desses ranges para o lado negativo, de depreciação dos ativos de risco em geral ("risk-off"). Ainda não sei a certo qual será o "trigger" para este movimento e quando ele irá ocorrer, por isso acredito na importância dos próximos dados e das sinalizações do mercado.




Data: 16/07/2018

China: Sinais adicionais de desaceleração gradual da economia.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade essa manhã, apenas com um leve destaque negativo para a queda no preço das commodities metálicas não preciosas e do petróleo.

O destaque da manhã ficou por conta dos dados de atividade econômica na China. A produção industrial surpreendeu negativamente, a despeito do PIB e do número de investimentos terem ficado dentro das expectativas do mercado. Os números de hoje confirmam um cenário de desaceleração da economia chinesas, o que corrobora a preocupação e a recente atuação do governo e do PBoC na tentativa de administrar este movimento da maneira mais gradual e suave possível.

No Brasil, não houve notícias formais em torno do encontro do “Centrão” para decidir a candidatura a presidente. Segundo a Folha de São Paulo Ciro Gomes irá dar enfoque em seu programa de Governo com o intuito de atrair o DEM e seus aliados.

De acordo com a mesma Folha, a equipe economia não irá cumprir as pautas bomba do Congresso:

A secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, afirma que a equipe econômica não vai cumprir parte das pautas-bomba aprovadas pelo Congresso Nacional. À Folha, Vescovi diz que espera um parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para subsidiar a manutenção de alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os fabricantes de refrigerantes instalados na Zona Franca de Manaus.

Dados de atividade econômica na China:

Q2 real GDP: +6.7% yoy (GS forecast: +6.8% yoy, Bloomberg consensus: +6.7% yoy); +6.6% quarter-over-quarter annualized in Q2 vs Q1, seasonally adjusted by GS. Q1: +6.8% yoy, +7.2% qoq annualized.

Industrial production (IP): +6.0% yoy in June (GS forecast: +6.6% yoy, Bloomberg consensus: +6.5% yoy); +7.7% month-over-month annualized in June vs. May, seasonally adjusted by GS. May: +6.8% yoy, +4.6% mom annualized.

Retail sales: +9.0% yoy in June (GS: +9.0% yoy, consensus: +8.8% yoy); May: +8.5% yoy.

Fixed asset investment (FAI): +6.0% ytd yoy in June (GS: +6.3% yoy, consensus: +6.0% yoy); single month June growth: +5.8%; May single month yoy: +3.9%.

Property-related data:

Floor space sold: +4.5% yoy in June, vs. 8.0% yoy in May (value of sales +17.1% yoy, vs. +20.6% yoy in May).

Floor area under construction: +2.5% yoy in June, vs 2.0% yoy in May.

New starts: +15% yoy in June, vs. +20.5% yoy in May.

Real estate investment: +8.3% yoy in June, vs. +9.9% yoy in May.




Data: 16/07/2018

Goldilocks for now, not forever - Redux.

Os ativos de risco estão seguindo em uma dinâmica positiva, em linha com o que imaginei que poderia acontecer passada a divulgação dos principais dados econômicos nos EUA (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever.html):

Os números recentes reforçam o cenário de solidez da economia, com mercado de trabalho robusto, porém sem pressões inflacionárias adicionais. As pressões inflacionárias continuam se acumulando, mas não há sinais de necessidade de uma postura mais agressiva por parte do Fed. Este ambiente favorece a estratégia do Fed de normalização gradual da política monetária, sem ter que acelerar o movimento. Esta impressão, mesmo que seja pontual, está ajudando – e pode ajudar nos próximos dias – alguma descompressão daqueles ativos que mais sofreram ao longo das últimas semanas. Estes movimentos devem ser vistos como pontuais, mesmo que com duração de algumas semanas.

Aliado aos vetores citados acima, uma combinação de posição técnica favorável, preços e valuations – em algumas classes de ativos – um pouco mais atrativos e a sazonalidade do verão e das férias no hemisfério norte estão ajudando a dar ímpeto a análise de um cenário de “Goldilocks” e provocando um “risk-on” nos ativos de risco.

Continuo acreditando que esta interpretação e estes movimentos são de curto-prazo. Não sei até onde estes movimentos podem perdurar. Não vejo mudanças substanciais do pano de fundo de longo-prazo.

No Brasil, acredito que grande parte da recuperação recente dos ativos locais, em especial na Bolsa, tenha sido provocada por este pano de fundo externo.

No campo político, existe alguma animação com o começo das alianças para as eleições e o acordo do PSDB com o PSD, em parte esperado. A eventual divulgação do apoio do “Centrão” poderá ter um efeito importante sobre a campanha eleitoral e a percepção do mercado em torno da possibilidade de algum dos candidatos. Ainda existe alguma ponta de esperança, por parte de alguns players, de algum ganho de ímpeto por parte do candidato do PSDB após feitas alianças e começado a campanha eleitoral. Historicamente, o tempo de TV e as alianças sempre foram importantes nesta frente, levando a aumentos não desprezíveis nas pesquisas eleitorais.

Acredito que o cenário ainda é bastante indefinido e só teremos uma possibilidade e melhor avaliação mais perto de começada, ou após iniciada, a campanha eleitoral. Enquanto isso, o cenário externo será preponderante sobre o preço dos ativos locais.




Data: 13/07/2018

Sinais de fragilidade permanecem.

A despeito do bom desempenho das bolsas globais, já vemos sinais negativos novamente esta manhã, com o dólar forte no mundo, as commodities em queda, fechamento de taxa de juros no mundo desenvolvido e um desempenho ruim dos ativos na China.

Ontem, nos EUA, o Core CPI apresentou alta de 0,2% MoM e 2,3% YoY, dentro das expectativas do mercado. O Jobless Claims caiu para próximo  de 215 mil na semana, número muito próximo ao patamar mais baio deste ciclo econômico.

Os números recentes reforçam o cenário de uma economia que cresce a taxas robustas, com o mercado de trabalho sólido e apertado, e um hiato do produto fechado. A inflação mostra trajetória ascendente, porém sem uma aceleração adicional ou acentuada que precise levar o Fed a adotar uma postura mais agressiva (rápida a acentuada) de normalização monetária. Este pano de fundo confirma que estamos, por ora, diante da manutenção de um processo de normalização monetária que pode ser conduzido de maneira gradual, como tem sido feito. Este ambiente não altera o cenário mais cauteloso para os ativos de risco, a despeito de dar algum tempo adicional de ajuste devido a ausência de dados mais elevados de inflação.

No Brasil, ontem, vimos um bom desempenho da Bolsa, mas com uma deterioração absoluta e relativa dos mercados de Câmbio e Renda Fixa. A piora no cenário local, com a “pauta bomba” avançando no Congresso pode ser visto como grande a grande responsável por esta dinâmica. De fato houve uma deterioração não desprezível do cenário desde a greve dos caminhoneiros, que fica evidente a cada dia que passa e cujo mercado começa a se dar conta de maneira mais evidente agora. Comentei sobre isso em outros momentos (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/relatorio-semanal-de-asset-allocation.html?q=greve).

Segundo o Estado, o PSD selou apoio a Alckmin nas eleições para presidente, isso daria um tempo próximo a 20% na TV para o candidato do PSDB. De acordo com a mídia, em Pernambuco, o PSB teria acertado apoio ao PT. O PSB segue divido na cena nacional.

Na China, os dados de exportação e importação ficaram acima das expectativas, assim como os números de crédito. No tocante aos agregados monetários, os números mais elevados indicam que o Governo já adota uma postura mais frouxa para contrabalancear, ou administrar de maneira mais suave, a desaceleração recente da economia.




Data: 12/07/2018

Recuperação.

Os ativos de risco estão apresentando recuperação essa manhã. A “guerra comercial” continua a ser o foco do momento, com qualquer notícia em seu entorno movendo o preço dos ativos de risco. Continuo vendo este tema como um risco de curto-prazo, mas o cenário econômico, especialmente, mas não exclusivamente, nos EUA como principal propulsor dos mercados nos próximos meses.

Nesta frente, a divulgação do Core CPI nos EUA pode ser determinante para a dinâmica dos ativos de risco de maneira um pouco mais longa. Vale lembrar que todos os indicadores recentes apontam na direção de uma economia robusta, um mercado de trabalho aquecido e apertado, e sinais de acumulo de pressões inflacionárias, mesmo que ainda não acentuados.

Este mesmo pano de fundo, em menor proporção e em um estágio ainda anterior (em alguns anos) ao estágio norte americano, pode ser visto em outras economias desenvolvidas.

No Brasil, não há mudanças de cenário. As negociações em torno das eleições continuam, sem que hajam mudanças concretas no quadro geral. A mídia vêm, nos últimos dias, reportando a “pauta bomba” do Congresso, que pode colocar as contas públicas em situação ainda mais delicada. Com um governo enfraquecido, a atual equipe econômica trabalha apenas para evitar a aprovação de medidas excessivamente danosas ao país, já que a agenda de reformas acabou ficando de lado.




Data: 11/07/2018

Sinais preocupantes...

A quarta-feira manteve a tônica de “risk-of” do começo do dia (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/risk-off.html).

Vale chamar a atenção para a divulgação do PPI nos EUA, superando as expectativas do mercado, e confirmando um pano de fundo de acumulo de pressões inflacionárias no país. Amanhã teremos o Core CPI, cujas expectativas encontram-se em 0,2% MoM e 2,3% YoY.

Em relação aos mercados, observamos forte reação negativa das commodities e das moedas emergentes, com a depreciação superior a 1% do CNH (moeda da China operada em Hong Kong) chamando bastante a atenção, assim como a queda de 5% no Petróleo, a queda de 3,5% na TRY (Lira Turca) e os 1,7% do BRL.

Estes movimentos estão em linha com um momento de final de ciclo econômico e redução da liquidez global, assim como o flattening da curva de juros nos EUA.

Me impressiona, na verdade, ainda vermos as bolsas dos EUA próximas aos picos históricos, diante de um cenário extremamente desafiador. Eu entendo os argumentos de crescimento de “earnings”, P/E “baixos” e bom momento da economia, mas não me recordo de movimentos na magnitude que estamos vendo em EM, Commodities, curva de juros e afins que não tenham afetado o mercado de equities de maneira mais agressiva (caso esses movimentos continuem, é claro).

O Brasil simplesmente seguiu o humor global a risco.




Data: 11/07/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão apresentando forte movimento de “risk-off” essa manhã, após os EUA divulgarem uma lista de mais cerca de US$200bi em produtos chineses que podem ser passivos de novas taxações de importação. Continuo vendo um cenário extremamente desafiador à frente tanto no tocante ao panorama externo como interno, como podemos ver abaixo nas notícias do dia.

Confesso que não gosto de basear meus portfólios e meu cenário em cima de eventos de pouco poder de previsão, onde tenho pouca vantagem comparativa, como a política comercial dos EUA. Assim, eu mantenho o que já falei aqui outras vezes (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/update.html)

A mídia internacional está dando grande enfoque a “guerra comercial” iniciada pelos EUA contra a China e seus potenciais desdobramentos de agora em diante. Os mercados continuam mostrando baixa reação ou precificação a estes movimentos, vendo estes desenvolvimentos apenas como um meio de negociação, para que os EUA cheguem a termos, ou acordos, mais vantajosos ao país. Eu tendo a acreditar que o objetivo final seja esse, mas que talvez o caminho até lá não seja tão benigno como poderíamos imaginar anteriormente. Com a economia dos EUA robusta, um mundo que se mostra saudável e o preços dos ativos de risco, especialmente nos EUA, em níveis elevados, o pano de fundo para o Governo Trump insistir em sua postura de maior confronto nunca pareceu tão favorável. Além disso, as últimas pesquisas qualitativas em torno de seu governo mostram uma melhor na percepção da sociedade em relação a sua administração, o que é extremamente importante as vésperas das “Mid Term Elections” que irão se realizar em novembro. Assim, não podemos descartar a continuidade de uma postura de maior confronto, com uma possibilidade dos mercados financeiros, em algum momento, serem os responsáveis por disciplinar Trump e seu governo, com uma forte reação negativa a sua política.

No tocante ao pano de fundo econômico, que julgo mais importante a longo-prazo, continuo observando sinais de aperto do mercado de trabalho, o que ficou ainda mais evidente com a divulgação do JOLTs Job Openings de maio ontem, nos EUA. O Morgan Stanley trouxe uma avaliação qualitativa interessante do indicador:

Data releases in the US this morning confirmed the message of stronger economic growth in Q2 from recent PMI, auto sales and employment data. NFIB small business confidence beat the consensus estimate in June despite declining slightly relative to its May level. Underlying detail highlighted strength in employment components and the potential for an acceleration in wages due to a lack of skilled labor. Both the "% of firms with positions not able to fill right now" and "% of businesses with few or no qualified applicants for job openings" indices rose to their strongest reported levels in the history of the NFIB survey. Consistent with this message today’s JOLTS data for May, when including revisions, revealed that the number of job openings comfortably exceeded the number of unemployed for a third straight month. Despite concerns about the impact trade tensions may be having on the economy, there is little evidence in the data (yet) that activity levels have been impacted. The bigger concern in the near term may be how well the economy can perform given the lack of desired and available labor.

No Brasil, com o governo enfraquecido, o Congresso aprovou algumas medidas de impacto fiscal negativo, enquanto a pauta econômica de reformas ficou de lado. Segundo o Estado:

O Senado aprovou ontem proposta que revoga decreto do presidente Michel Temer e mantém benefícios tributários para a indústria de refrigerantes na Zona Franca de Manaus. Os incentivos foram cortados para bancar parte da fatura de R$ 13,5 bilhões do “bolsa caminhoneiro”, pacote de subsídios dado pelo governo para reduzir o valor do diesel e pôr fim à greve no setor de transporte de cargas. O texto ainda precisa passar pela Câmara, mas a equipe econômica entende que o ato é ilegal e vai trabalhar para derrubá-lo.

O texto ainda precisa passar pela Câmara, mas a equipe econômica entende que o ato é ilegal e vai trabalhar para derrubá-lo.

O benefício vai tirar R$ 740 milhões das contas públicas em 2018. Esse é um dos itens da pauta apelidada por fontes da área econômica de “farra fiscal”. Como o Estado mostrou em 23 de junho, às vésperas das eleições, o Congresso abriu a porteira para projetos que dão benefícios a alguns setores ou que resultam em perdas de receita, sem nenhum tipo de compensação.

Ontem, os senadores também aprovaram projeto que vai “resgatar” empresas que foram excluídas do Simples Nacional no início do ano. Essas 312,2 mil companhias perderam direito ao regime tributário mais benevolente porque deixaram de cumprir suas obrigações, inclusive de pagamento de tributos, mas podem ganhar nova chance graças à iniciativa do Congresso Nacional. O texto segue para sanção presidencial. O Comitê Gestor do Simples Nacional, presidido pelo secretário da Receita, Jorge Rachid, já emitiu parecer contrário à medida.

Segundo apurou a reportagem, há o temor no governo de que a medida seja considerada renúncia fiscal, já que as empresas excluídas deveriam passar a contribuir pelo regime de lucro real ou lucro presumido, pagando mais tributos. Pelo projeto, elas voltariam ao Simples no meio do exercício, com obrigações tributárias menores.




Data: 10/07/2018

"No news is good news..."

Os ativos de risco estão abrindo próximos a estabilidade essa manhã, na ausência de notícias relevantes. Os ativos na China apresentaram dinâmica mais positivo nos últimos dias, o que também foi um vetor estabilizador para os mercados.

A agenda da semana ganhará relevância a partir de quarta-feira, com a divulgação do PPI e CPI nos EUA, além do início da temporada de resultados corporativos.

Questões localizadas continuam demandando atenção (Turquia, Brexit, Eleições Brasil e etc), mas ainda foram incapazes de gerar qualquer tipo de contágio maior ao resto do mundo ou dos ativos de risco.

Na China, o CPI e o PPI ficaram praticamente dentro das expectativas em junho, mostrando um quadro de baixas pressões inflacionárias. A ausência de inflação reforça um pano de fundo em que existe espaço para a atuação do PBoC no tocante a estímulos monetários com o intuito de dar suporte a economia.

No Brasil, os jornais continuam fazendo a cobertura das eleições, sem que haja qualquer novidade relevante ou concreta nesta frente. Os ruídos envolvendo a prisão do ex-presidente Lula também mereceram manchetes, mas sem que haja de fato qualquer impacto ao cenário.

Para não soar repetitivo, minha visão pode ser encontrada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/




Data: 10/07/2018

Viés positivo, com problemas localizados.

A segunda-feira se encerra com um excelente desempenho das bolsas globais, mas com alguns problemas idiossicráticos em alguns países.

Na Turquia, o primeiro Ministro anunciou mudanças na legislação e colocou seu genro como Ministro das Finanças. Neste momento, após operar pela manhã em apreciação, a Lira Turca (TRY) deprecia cerca de 3%.

Na Inglaterra, a Primeira Ministra enfrenta grandes pressões de seu gabinete em torno das negociação do Brexit.

No México, os ativos locais vêm operando com dinâmica própria e hoje apresentaram depreciação após números de inflação um pouco mais elevados.

O destaque positivo ficou por conta dos mercados nos EUA, com alta das bolsas e abertura de taxas de juros. O movimento pode estar sendo ajudado pelas expectativas positivas em torno da temporada de resultados, além dos vetores já comentados aqui nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com/).

O dólar ameaçou um movimento de queda, dando sequencia aquele verificado após os dados de emprego na sexta-feira, mas acabou sendo freado pelos fatores acima citados.

Estamos passando, assim, por um período de diferenciação, pelo menos até que um novo tema global de investimentos, ou uma nova grande tendência, se torne mais clara no cenário.

 



Data: 09/07/2018

Risk-On!

 

Os ativos de risco estão iniciando a semana em tom positivo, com “risk-on” generalizado, dando seguimento a interpretação do cenário de “Goldilocks” após a divulgação dos dados de emprego nos EUA na sexta-feira. Comentei sobre essa possibilidade e este pano de fundo no final da semana passada, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever.html. Afirmei que a sazonalidade das férias de verão nos EUA, preços e valuations atrativos em algumas classes de ativos e a posição técnica do mercado poderiam favorecer este tipo de movimento no curto-prazo, mesmo que não alterasse o cenário ainda desafiador de longo-prazo. Sigo com visão cautelosa e tentando manter um portfólio relativamente neutro. 

 

Vale ressaltar que nos últimos dias observamos também dados de atividade econômica mais positivos, especialmente na Europa e na Alemanha, o que nos remete ao cenário do começo do ano, em que o crescimento global era sincronizado, favorecendo um ambiente bastante positivo para os ativos de risco. 

 

No Brasil, o imbróglio envolvendo o ex Presidente Lula ontem não passa de um ruído de curto-prazo. A situação em nada altera o cenário político local. Ainda vejo um quadro de indefinição eleitoral, que só deverá ser definido mais próximo as eleições. O mais importante neste tema ficará por conta da capacidade de Lula em transferir votos para o seu eventual candidato a presidente, dado que tudo indica que a situação jurídica dele aponta para a incapacidade de se eleger, baseado na lei de Ficha Limpa. Obviamente, em um cenário menos provável de que Lula seja candidato, as pesquisas mostram que ele continua a ser bastante competitivo.




Data: 09/07/2018

Update.

 

A mídia internacional está dando grande enfoque a “guerra comercial” iniciada pelos EUA contra a China e seus potenciais desdobramentos de agora em diante. Os mercados continuam mostrando baixa reação ou precificação a estes movimentos, vendo estes desenvolvimentos apenas como um meio de negociação, para que os EUA cheguem a termos, ou acordos, mais vantajosos ao país. 

 

Eu tendo a acreditar que o objetivo final seja esse, mas que talvez o caminho até lá não seja tão benigno como poderíamos imaginar anteriormente. Com a economia dos EUA robusta, um mundo que se mostra saudável e o preços dos ativos de risco, especialmente nos EUA, em níveis elevados, o pano de fundo para o Governo Trump insistir em sua postura de maior confronto nunca pareceu tão favorável. Além disso, as últimas pesquisas qualitativas em torno de seu governo mostram uma melhor na percepção da sociedade em relação a sua administração, o que é extremamente importante as vésperas das “Mid Term Elections” que irão se realizar em novembro. Assim, não podemos descartar a continuidade de uma postura de maior confronto, com uma possibilidade dos mercados financeiros, em algum momento, serem os responsáveis por disciplinar Trump e seu governo, com uma forte reação negativa a suas políticas.

 

Ainda neste final de semana um encontro entre as delegações dos EUA e da Coreia do Norte trouxe ruído ao acordo de desnuclearização da Coreia. De acordo com a mídia internacional, a Coreia do Norte chamou as demandas dos EUA e a postura da delegação americana de inaceitáveis, o que coloca em risco o acordo que havia sido anunciado. Acredito que o mercado dê pouca importância a este tema, a despeito da imensa importância geopolítica. Apenas uma deterioração acentuada deste relacionamento, que aproxime de uma guerra de fato, seria capaz de afetar o humor dos ativos financeiros.

 

No Brasil, a mídia continua a fazer a cobertura das eleições, sem que haja qualquer avanço de fato. A XP Investimentos divulgou pesquisa em que mostra que grande parte do eleitorado decide seus votos após iniciada a campanha eleitoral, com a TV ainda sendo importante fonte de informação. Isso confirma a importância das alianças e do tempo de TV dos candidatos, além de reforçar que a disputa continua em aberto, sem definição, como já era verdade desde sempre. 

 

Sigo vendo os mercados financeiros globais ainda respeitado os “ranges” que vem sendo regra ao longo deste ano, com volatilidade (positiva e negativa) mas sem grandes tendências. Para não soar repetitivo, minha visão pode ser revista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.




Data: 09/07/2018

Goldilocks for now, not forever.

 

Passada a ressaca da Copa, vamos ao que interessa. Os dados de emprego de junho, nos EUA, mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho, uma alta positiva da Taxa de Desemprego – pois foi puxada pela elevação na taxa de participação – porém com poucas pressões de salários. Os mercados reagiram com um movimento clássico de “risk-on”. 

 

De fato, a combinação destes números nos remete aos períodos do passado recente de “Goldilocks” da economia dos EUA e dos mercados financeiros globais. Caso os dados de inflação nos EUA na semana que vem não mostrarem uma alta mais acentuada dos índices de preço, essa dinâmica mais positiva poderá perdurar por mais algum tempo, especialmente em um período de sazonalidade positivo devido as férias de verão no hemisfério norte. 

 

Contudo, não acredito que estes movimentos sejam permanentes, estruturais ou que denotam uma nova tendência. Ainda vejo os mercados globais, grosso modo, com volatilidade (positiva ou negativa), porém respeitando alguns “ranges”. Por isso tenho favorecido um portfólio ainda balanceado. 

 

Ainda vejo a economia dos EUA em estágio avançado do ciclo econômico, e uma economia das Europa e do resto do mundo desenvolvido que ainda demandará normalização monetária e redução da liquidez global, o que não costuma ser positivo para os ativos de risco a longo-prazo. Nos últimos dias, vimos uma recuperação da atividade econômica em alguns dados da Europa, que foram lidos, acertadamente, como positivos pelos ativos de risco. Chamou-me a atenção a forte elevação dos salários no Japão. Ainda é cedo para acreditar em mudança de tendência no país, mas caso se confirme está dinâmica, seria uma novidade extremamente relevante para o cenário. 

 

Em suma, os números recentes reforçam o cenário de solidez da economia, com mercado de trabalho robusto, porém sem pressões inflacionárias adicionais. As pressões inflacionárias continuam se acumulando, mas não há sinais de necessidade de uma postura mais agressiva por parte do Fed. Este ambiente favorece a estratégia do Fed de normalização gradual da política monetária, sem ter que acelerar o movimento. Esta impressão, mesmo que seja pontual, está ajudando – e pode ajudar nos próximos dias – alguma descompressão daqueles ativos que mais sofreram ao longo das últimas semanas. Estes movimentos devem ser vistos como pontuais, mesmo que com duração de algumas semanas. 

 

No Brasil, o IPCA ficou dentro das expectativas, mostrando efeitos altistas pontuais e um qualitativo ainda bastante positivo.

 

Os ativos do Brasil apresentaram dinâmica positiva, seguindo o resto do mundo. A baixa liquidez devido ao jogo da Copa e a posição técnica do mercado (comprada em dólar e já mais negativa) ajudaram a acentuar o movimento da moeda e da curva longa de juros.

 



Data: 09/07/2018

[COMPLEMENTO] Mercados Globais - Emprego nos EUA em foco!

 

Hoje entrou em vigor as tarifas chinesas e americanas em cerca de US$34bi de produtos entre os dois países. Este é o começo de uma guerra comercial em que o mercado espera que seja apenas um instrumento de negociação. A entrada em vigor das tarifas, contudo, acentua a probabilidade de um erro de política comercial, com um impacto maior do que o esperado na economia global e uma eventual reação mais negativa dos ativos de risco. Por ora, vejo o efeito dessas tarifas como mais inflacionários do que com grandes efeitos sobre o crescimento. 

 

Na Alemanha, a produção industrial de maio apresentou forte elevação, seguindo o que já havia sido mostrado pelo Factory Orders. O número reduz a probabilidade de uma desaceleração mais acentuada na Europa no curto-prazo, mantendo o cenário de crescimento saudável ainda inalterado.




Data: 09/07/2018

Emprego nos EUA em foco!

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, na espera dos dados de emprego de junho nos EUA. Os ativos na China apresentaram dinâmica um pouco melhor esta noite, mas ainda com sinais de fragilidade. Para não soar repetitivo, minha visão segue inalterada e pode ser revista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/. 

 

Para os dados de emprego hoje nos EUA, o foco deverá permanecer nos indicadores de rendimentos (Average Hourly Earnings). Imagino que, em breve, a criação de vagas mensais de trabalho deverá arrefecer para abaixo dos 200 mil postos mensais, para algo mais perto (ou talvez abaixo) de 100 mil postos, sem que isso signifique um impacto extremamente negativo no crescimento, mas simplesmente pelo estado da economia e do mercado de trabalho próximo ao pleno emprego. Contudo, devermos observar a continuidade do processo de elevação dos rendimentos e da inflação. A dúvida que me resta, neste momento, é a velocidade que este processo se dará. 

 

Não há novidades relevantes no Brasil. Em entrevista a Miriam Leitão, Ilan - presidente do BCB - apenas reforçou a mensagem do comunicado do Copom e das Notas do Copom. 

 

Continuo com viés cauteloso e um portfólio mais defensivo, tanto no Brasil quanto no exterior. 




Data: 09/07/2018

EUA: Crescimento sólido, mercado de trabalho apertado, Fed atento.

 

O dia trouxe algumas informações passivas de comentários: 

 

Brasil – A XP Investimentos divulgou pesquisa com alguns de seus clientes em relação as expectativas para as eleições. A maior parte dos entrevistados (mais de 50%) esperam um segundo turno nas eleições entre Bolsonaro e Marina ou Bolsonaro e Alckmin. Apenas uma parcela menor espera um segundo turno com dois candidatos mais extremos. 

 

Na minha visão, o cenário eleitoral continua extremamente incerto. Não podemos descartar cenário mais extremos do ponto de vista do mercado, dado as inúmeros indefinições que temos pela frente. Assim, ainda existe amplo espaço para deterioração dos ativos locais caso cenários mais extremos se desenvolvam. 

 

O dia foi de deterioração nominal e relativa dos ativos locais. O BCB continuou ausente do mercado de câmbio. Com o dólar a 3,93, o mercado parece mais ajustado após as excessivas intervenções do BCB, mas claramente ainda existe ampla demanda por hedge. O mercado de juros, contudo, ainda parece estar sendo muito afetado pela atuação do Tesouro e não podemos descartar um ajuste (altista nas taxas) uma vez o Tesouro se afastando das intervenções. 

 

EUA – O ADP Employment mostrou uma criação robusta de vagas de trabalho. O ISM Non-Manufacturing mostrou uma economia robusta. As evidências qualitativas do ISM do Markit PMI mostram um mercado de trabalho extremamente apertado e pressões inflacionarias se acumulando. 

 

As Minutas do FOMC apresentaram um quadro em linha com este descrito acima, mas algum receio pontual com relação a “Guerra Comercial” e os desafios enfrentados pelos mercados emergentes. 

 

Acredito que a economia norte americana seja relativamente fechada e a “put” do Fed seja mais “fora do dinheiro” em um ambiente de aperto da economia e acúmulos inflacionários. Os dados de emprego amanhã e o Core CPI na semana que vem serão determinantes para este quadro e, consequentemente, para a dinâmica dos ativos de risco. 

 

Por ora, não vejo nenhum motivo para alterar o cenário base que vem se desenvolvendo desde o começo do ano.




Data: 05/07/2018

EUA: Crescimento sólido, mercado de trabalho apertado, Fed atento.

O dia trouxe algumas informações passivas de comentários:

Brasil – A XP Investimentos divulgou pesquisa com alguns de seus clientes em relação as expectativas para as eleições. A maior parte dos entrevistados (mais de 50%) esperam um segundo turno nas eleições entre Bolsonaro e Marina ou Bolsonaro e Alckmin. Apenas uma parcela menor espera um segundo turno com dois candidatos mais extremos. 

Na minha visão, o cenário eleitoral continua extremamente incerto. Não podemos descartar cenário mais extremos do ponto de vista do mercado, dado as inúmeros indefinições que temos pela frente. Assim, ainda existe amplo espaço para deterioração dos ativos locais caso cenários mais extremos se desenvolvam.

O dia foi de deterioração nominal e relativa dos ativos locais. O BCB continuou ausente do mercado de câmbio. Com o dólar a 3,93, o mercado parece mais ajustado após as excessivas intervenções do BCB, mas claramente ainda existe ampla demanda por hedge. O mercado de juros, contudo, ainda parece estar sendo muito afetado pela atuação do Tesouro e não podemos descartar um ajuste (altista nas taxas) uma vez o Tesouro se afastando das intervenções.

EUA – O ADP Employment mostrou uma criação robusta de vagas de trabalho. O ISM Non-Manufacturing mostrou uma economia robusta. As evidências qualitativas do ISM do Markit PMI mostram um mercado de trabalho extremamente apertado e pressões inflacionarias se acumulando.

As Minutas do FOMC apresentaram um quadro em linha com este descrito acima, mas algum receio pontual com relação a “Guerra Comercial” e os desafios enfrentados pelos mercados emergentes.

Acredito que a economia norte americana seja relativamente fechada e a “put” do Fed seja mais “fora do dinheiro” em um ambiente de aperto da economia e acúmulos inflacionários. Os dados de emprego amanhã e o Core CPI na semana que vem serão determinantes para este quadro e, consequentemente, para a dinâmica dos ativos de risco.

Por ora, não vejo nenhum motivo para alterar o cenário base que vem se desenvolvendo desde o começo do ano.




Data: 05/07/2018

Tom positivo. Agenda importante.

 

As bolsas nos EUA e na Europa operam em alta neste momento, a despeito da continuidade de um péssimo desempenho das bolsas na China e leve depreciação da moeda local. A dinâmica na China ainda pressupõe fragilidade do cenário e ainda demanda cautela. Vemos um arrefecimento no preço das commodities metálicas que pode sinalizar algum contágio deste ambiente para o resto do cenário global. 

 

A agenda do dia será fundamental, aliada ao Payroll amanhã e o Core CPI nos EUA na semana que vem, para a direção dos ativos de risco no curto-prazo. Foco no ADP Employment e nas Minutas do FOMC. 

 

Na Alemanha, o Factory Orders divulgado hoje cedo apresentou alta acentuada e acima das expectativas, afastando o risco de uma desaceleração adicional da economia da Europa no curto-prazo, mas colocando o processo de normalização monetária no país de novo no centro do debate. 

 

Não há novidades relevantes no cenário para Brasil. Comentei um pouco sobre os mercados locais ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/brasil-posicao-tecnica.html). 

 

Na minha visão, o cenário global, exceto por flutuações naturais em torno desta tendência, irá continuar mostrando uma economia nos EUA robusta e saudável, com aperto do mercado de trabalho e fechamento do hiato do produto, com acumulo de pressões inflacionárias. Já não vejo dados fortes (positivos) como favorecendo uma dinâmica positiva (“risk-on”) para os ativos de risco, pois mais crescimento implica em mais inflação e, consequentemente, juros mais elevados. 

 

Entendo que a taxa de criação de vagas de trabalho (ADP Employment \ Payroll) invariavelmente irá arrefecer abaixo da média de 200 mil por mês dos últimos meses (talvez mais perto, ou abaixo, de 100 mil), sem implicar em desaceleração da economia. Muito mais importante que estes indicadores, de agora em diante, serão os indicadores de remuneração (Average Hourly Earnings \ Employment Cost Index \ e etc) além dos indicadores de inflação propriamente ditos (Core CPI, Core PCE e afins).




Data: 05/07/2018

Brasil: Posição Técnica.

A quarta-feira de feriado nos EUA trouxe pouco liquidez aos mercados locais. O destaque do dia ficou por conta da Produção Industrial (PIM) de maio, que apresentou queda de 10,9% MoM, acima das expectativas de queda de 13,2% MoM. O número foi fortemente influenciado pela greve dos caminhoneiros e parte relevante da surpresa positiva ficou por conta da alta na indústria extrativa. Os indicadores antecedentes, de confiança e as sondagens de junho e julho apontam para uma recuperação extremamente lenta e gradual do crescimento. Acredito que ainda podemos ter revisões baixistas para o PIB deste ano.

No tocante aos ativos locais, o dólar (BRL) caminha para encerrar o dia no maior patamar deste ciclo econômico, acima de 3,90 e mostrando que as intervenções do BCB foram suficientes apenas para suavizar o movimento e atrasar o ajuste da moeda.

Interessante observar o movimento de flattening da curva de juros. Confesso que não sei ao certo o motivo do movimento.A bolsa mostrou desempenho positivo nos últimos dias, provavelmente baseada na percepção de preços e valuations atrativos.

Os movimentos recentes estão em linha com o que estamos ouvindo dos fundos multimercados nas primeiras atualizações do final do mês de junho. De maneira geral, sabendo que é sempre complicado generalizar, vemos o mercado mais comprador de dólar, mas ainda confiante em juros mais baixos por mais tempo no país, e com um viés mais otimistas com o mercado de renda variável. Estes feedbacks estão totalmente em linha com o desempenho recente dos ativos locais. Assim, começa a me preocupar um pouco a posição técnica do mercado. Alguns poucos fundos ainda mantém posição comprada em inflação implícita na parte intermediária da curva, como um hedge relativamente assimétrico para as eleições.

As posições hoje são mais balanceadas do que no passado recente e o mercado não parece unidirecional. De forma geral, contudo, eu tendo a acreditar que o mercado ainda é mais comprado (mais otimista) com os ativos locais, a despeito da concentração de posições compradas em dólar contra o Real.

A agenda de amanhã e sexta-feira, com ADP Employment, ISM Non-Manufacturing, FOMC Minutes, Payroll e com o Core CPI na semana que vem poderão ser determinantes para a dinâmica dos ativos locais e globais nas próximas semanas. Estes dados podem definir a melhor alocação de portfólio para o curto-prazo. Stay tuned!




Data: 05/07/2018

Tom positivo. Agenda importante.

As bolsas nos EUA e na Europa operam em alta neste momento, a despeito da continuidade de um péssimo desempenho das bolsas na China e leve depreciação da moeda local. A dinâmica na China ainda pressupõe fragilidade do cenário e ainda demanda cautela. Vemos um arrefecimento no preço das commodities metálicas que pode sinalizar algum contágio deste ambiente para o resto do cenário global.

A agenda do dia será fundamental, aliada ao Payroll amanhã e o Core CPI nos EUA na semana que vem, para a direção dos ativos de risco no curto-prazo. Foco no ADP Employment e nas Minutas do FOMC.

Na Alemanha, o Factory Orders divulgado hoje cedo apresentou alta acentuada e acima das expectativas, afastando o risco de uma desaceleração adicional da economia da Europa no curto-prazo, mas colocando o processo de normalização monetária no país de novo no centro do debate.

Não há novidades relevantes no cenário para Brasil. Comentei um pouco sobre os mercados locais ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/brasil-posicao-tecnica.html).

Na minha visão, o cenário global, exceto por flutuações naturais em torno desta tendência, irá continuar mostrando uma economia nos EUA robusta e saudável, com aperto do mercado de trabalho e fechamento do hiato do produto, com acumulo de pressões inflacionárias. Já não vejo dados fortes (positivos) como favorecendo uma dinâmica positiva (“risk-on”) para os ativos de risco, pois mais crescimento implica em mais inflação e, consequentemente, juros mais elevados.

Entendo que a taxa de criação de vagas de trabalho (ADP Employment \ Payroll) invariavelmente irá arrefecer abaixo da média de 200 mil por mês dos últimos meses (talvez mais perto, ou abaixo, de 100 mil), sem implicar em desaceleração da economia. Muito mais importante que estes indicadores, de agora em diante, serão os indicadores de remuneração (Average Hourly Earnings \ Employment Cost Index \ e etc) além dos indicadores de inflação propriamente ditos (Core CPI, Core PCE e afins).




Data: 04/07/2018

Feriado nos EUA. Destaque para PIM no Brasil.

Hoje será feriado nos EUA, o que deixará os mercados com baixa liquidez. Na China, a despeito do segundo dia consecutivo de apreciação da moeda (CNY) as bolsas do país apresentaram mais um dia de queda, mostrando que ainda prevalece uma incerteza e fragilidade no cenário local.

Na agenda local, destaque para a PIM, onde se espera uma queda entre 12% e 16% da produção em maio, ápice da greve dos caminhoneiros. Nossa área econômica tem nos reportado que a recuperação em junho e os indicadores e sondagens de junho e julho apontam para uma recuperação da atividade muito mais modesta e gradual do que o que poderia se imaginar, ao contrário da inflação, que já dá sinais inequívocos de arrefecimento, e cujos núcleos seguem extremamente baixos.

No Brasil, pesquisa eleitoral do Poder360 mostrou uma queda nas intenções de voto de Bolsonaro, alguma alta de Ciro e Marina, com leve queda de Alckmin. Todos os movimentos foram pequenos e dentro da margem de erro da pesquisa. Os números de hoje reforçam o quadro de incerteza do cenário eleitoral e, por ora, em nada alteram a dinâmica política do país. Acredito que em fins de julho e começo de agosto, com as coligações já formadas, poderemos ter um panorama mais claro para as eleições. Existe uma probabilidade não desprezível de chegarmos no final do primeiro turno com um quadro em que 4 ou 5 candidatos sejam viáveis, ou tenham capacidade e intenções de voto suficientes, para chegar ao segundo turno, assim como foi as eleições para prefeito do Rio de Janeiro nas ultimas eleições locais (https://www.poder360.com.br/datapoder360/datapoder360-a-3-meses-da-eleicao-bolsonaro-e-lider-e-nao-voto-tem-42/).

Na Inglaterra, o PMI Manufacturing ficou acima das expectativas, mostrando um quadro de crescimento saudável e robusto. O número eleva a chance de mais uma alta de juros no país no curto-prazo. Eu vejo a Inglaterra em um ciclo econômico muito parecido com aquele dos EUA, com o emprego apertado, o hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias. A diferença do país, contudo, reside nas incertezas provenientes do Brexit.




Data: 03/07/2018

Relief Rally!

Os ativos de risco estão apresentando um “relief rally” neste momento. Por ora, os movimentos ainda são tímidos, porém positivos. As bolsas da China apresentaram leve alta (0,4%-0,5%)  e a moeda do país apresentou pequena apreciação (0,2%-0,3%).

O movimento positivo desta manhã esta sendo sustentado pela notícia de um acordo na Alemanha em torno do coalização para a manutenção do Governo de Merkel. Isso vinha sendo um vetor negativo que estava ajudando a dar um tom mais negativo nos ativos europeus.

Na China, o PBoC divulgou um comunicado em que explica os fatores que estão levando a depreciação do CNY e que não é uma política de Estado a depreciação da moeda. Segundo o Morgan Stanley:

The PBoC governor said in a statement at 2:10pm today that the central bank is paying attention to recent RMB fluctuations, which are “mainly due to factors such as a stronger dollar and external uncertainties, and there has been some pro-cyclical behavior", and pledged to keep the RMB stable at an equilibrium level. Both CNY and CNH appreciated against the US dollar after the statement.

This echoes our view that recent RMB depreciation is NOT intended to be used as a countermeasure against trade measures, as the lesson from August 2015 suggests that an active material depreciation could hurt market confidence and financial market stability. While the CNY may overshoot with shifting market expectations of policy stance amid higher trade tensions, the PBoC is unlikely to encourage material currency depreciation. We expect more PBoC intervention if depreciation risk intensifies

O comunicado ajuda a acalmar os ânimos de curto-prazo, mas em nada altera os vetores responsáveis pela pressão na moeda do país. Este é um vetor que ainda demanda cautela e atenção.

Nos EUA, ontem, vimos a divulgação de um forte ISM Manufacturing, o que confirma o cenário de uma economia sólida e robusta. As pressões inflacionárias continuam a se acumular.

Eu tenho, hoje, dúvidas se dados econômicos mostrando crescimento forte nos EUA serão bem recebidos pelos ativos de risco. Ainda acredito que o principal tema para os mercados nos próximos meses será a normalização monetária e o enxugamento de liquidez dos principais bancos centrais do mundo. Uma economia norte americana forte implica em continuidade, ou aceleração, do processo de normalização monetária, o que tem se colocado como uma grande restrição a um processo mais prolongado, permanente e duradouro dos ativo de risco, mantendo os mercados mais voláteis e incertos.

No Brasil, a pesquisa Focus do BCB continua mostrando expectativas de inflação ancoradas. As coletas de inflação já parecem ter feito seu pico e começam a mostrar arrefecimento mais acentuado na ponto, o que indica que o choque inflacionário da greve dos caminhoneiros foi realmente pontual. Contudo, os indicadores de atividade econômica apontam para uma recuperação mais lenta do que o esperado.

Todo este ambiente deve ajudar a estratégia do BCB em manter, neste momento, a Taxa Selic estável. Este cenário não é contemplado na curva de juros, que ainda embute um prêmio relevante de altas de juros no curto, médio e longo prazo.

O BCB tem ficado ausente do mercado de câmbio, enquanto o BRL parece “apenas” seguir o humor global em torno do dólar no mundo, sem um descolamento maior ou irracionalidade (falta de liquidez). Isso tem dado sustentação a um movimento de alta da moeda norte americana em relação ao Real.




Data: 02/07/2018

Risk-off. Cenário negativo da China começa a gerar contágio.

Os ativos de risco estão abrindo em tom mais negativo, com movimentos clássicos de “risk-off”. A dinâmica desta manhã está em linha com o panorama que traçamos na tarde de ontem, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/cenario-continua-desafiador.html. Não há muito mais informações para adicionarmos nesta manhã além do que já foi comentado ontem.

Destaque para mais uma rodada de depreciação da moeda da China, o CNY, e para um dia de forte queda nas bolsas da Ásia, lideradas pela China, mas seguidas pelos demais países da região, em um claro movimento de contágio.




Data: 02/07/2018

Cenário continua desafiador.

 

O final de semana trouxe novas evidências de que o cenário econômico e político global continuam mostrando sinais de complexidade, que demandam uma postura mais cautelosa. Reforço minha mensagem principal de sexta-feira (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/eua-mais-inflacao-menos-crescimento.html) de que o pano de fundo de aperto do mercado de trabalho nos EUA, com o hiato do produto fechado e a economia no pleno emprego começa a mostrar, nos dados econômicos, um cenário de acumulo de pressões inflacionárias, em um momento em que poderemos observar algum arrefecimento do crescimento, mesmo que ainda em níveis elevados, robustos e saudáveis. Os ativos de risco, no geral, continuam apresentando pouco poder de absorção de um ambiente mais desafiador a frente, na minha opinião.

Não vi nenhuma novidade realmente concreta no cenário para Brasil. Os jornais continuam dando enfoque as negociações eleitorais. Ao que tudo indica a coalização entre PSB e PDT de Ciro Gomes parece estar avançando e pode ser anunciada a qualquer momento, segundo a mídia local.

Na China, o Manufacturing PMI caiu de 51,9 para 51,5 pontos, praticamente dentro das expectativas, porem confirmando uma desaceleração da economia. Chama a ateção o arrefecimento do Export Orders, que caíram de 51,2 para 49,8 em junho. A situação da economia chinesa e dos mercados locais ainda demanda atenção especial e cautela.

Nesta mesma linha, vimos mais um arrefecimento das exportações na Coréia do Sul, que pela característica de uma economia aberta, costuma ser olhada como proxy para o crescimento da Ásia e do mundo.

Nos EUA, Trump manteve uma retórica dura, ou melhor, manteve uma postura de ameaça a seus parceiros comerciais. Desta vez, voltou suas declarações ao setor automobilístico e a Europa em especial. Uma possível “Guerra Comercial” é um “risco de cauda” que, hoje, temos pouco poder de previsão, mas os indicadores de confiança podem começar a sentir estes impactos caso não tenhamos uma retórica mais branda nas próximas semanas.

Ainda segundo a mídia nos EUA, a Coreia do Norte, estaria mantendo estruturas de enriquecimento de urânio para fins militares, em uma clara afronta ao “acordo” anunciado juntos aos EUA. Este é um risco que, até o momento, apresentou pouco impacto nos mercados financeiros globais de maneira mais permanente, e assim deve permanecer, pelo menos enquanto não houver uma mudança substancial de cenário nesta frente.

Na Alemanha, a situação política do Governo Merkel continua fragilizada.




Data: 29/06/2018

EUA: Mais inflação, menos crescimento.

O grande destaque desta sexta-feira, na minha opinião, ficou para os dados econômicos nos EUA. Como comentei hoje cedo, não irei comentar a fundo a dinâmica dos ativos de risco hoje, pois os fluxos de final de trimestre/semestre podem distorcer qualquer sinalização dos mercados.

Os números econômicos nos EUA mostraram um crescimento ainda sólido e saudável, mas com sinais de que o seu pico possa já ter sido feito. No tocante a inflação, acumula-se sinais de pressões altistas de preço. Existe uma chance não desprezível de observarmos números de crescimento mais fracos e inflação mais fortes nas próximas semanas, o que não costuma ser uma combinação positiva para ativos de risco.

Reforço o que escrevi mais cedo, com a contribuição do Morgan Stanley:

Os números na margem mostram alguma desaceleração do crescimento: The Q2 spending profile now shows a deceleration throughout the quarter: 0.6% in March, 0.5% in April and 0.2% in May.

A inflação continua dando sinais de firmeza e já se encontra na meta do Fed. Vale lembrar, contudo, que o Fed está confortável com o Core PCE “em torno de” 2%, ou seja, se não acentuar a alta de 2%-2,2%, na minha visão, não haverá mudança de política monetária: Headline PCE inflation, meanwhile, rose 0.21% (in line with MS/consensus), boosting the year-over-year rate of total PCE inflation to 2.25%—at or above the Fed's 2.0% goal for the third consecutive month.

O Chicago PMI se manteve perto das máximas deste ciclo econômico, com novos sinais de pressões inflacionárias. O Michigan Confidence apresentou leve arrefecimento, mas ainda em patamar elevado. As expectativas de inflação continuam a se mover para cima.

Continuo vendo a evolução de um cenário que deverá se colocar como uma restrição para apreciações adicionais, ou tendências mais prolongadas e positivas. Por ora, ainda não vejo nenhum “trigger” para uma tendência mais negativa, mas a evolução de um cenário que pode caminhar nesta direção. Enquanto isso, espero a manutenção de um ambiente de maior volatilidade e tendências (ou movimentos) mais curtos. Os portfólios devem estar adaptados a este ambiente.

No Brasil, a pesquisa mensal de emprego mostrou uma deterioração na parte qualitativa do mercado de trabalho, o que apenas reforça a situação de uma recuperação ainda mais lenta do que o esperado no crescimento do país. Os dados fiscais apresentaram recuperação, o que deve garantir o atingimento da meta fiscal deste ano com certa tranquilidade. Este vetor, contudo, é uma foto do passado e os riscos prospectivos nessa frente, na ausência de reformar adicionais, continuam extremamente elevados.

Neste momento, estamos presenciando mais uma rodada de depreciação do Peso na Argentina (ARS), o que apenas confirma a minha visão de um cenário global ainda conturbado e longe de uma estabilização mais duradoura.

O final de semana trará as eleições no México como destaque. Já é amplamente esperado que AMLO, o candidato de esquerda, ganhe as eleições, com potencial de conseguir uma maioria no congresso nunca antes atingida. Nos últimos anos AMLO migrou para um discurso mais ao centro, o que está fazendo os investidores acreditarem em um cenário parecido com o Lula no Brasil em 2002, em que a despeito de ser de esquerda, o país acabou passando por um período de bonança. Só vale lembrar, contudo, que o cenário internacional é totalmente diferente atualmente. Assim, qualquer erro ou guinada mais à esquerda/populista será punido de forma mais rigorosa pelo mercado. Dado a importância do México para o mundo emergente, e as comparações que serão feitas com Brasil, precisamos estar atentos ao que ocorrerá no país a partir de segunda-feira.




Data: 29/06/2018

 "Risk-on": Final de trimestre pode afetar os fluxos hoje.

Os ativos de risco estão abrindo a sexta-feira em tom mais positivo, com movimentos clássicos de “risk-on”. Destaque para a alta nas bolsas globais. Os mercados na China apresentaram recuperação, com leve apreciação da moeda (CNY) mas forte alta dos índices de bolsa.

Como hoje é final de trimestre e de semestre, alguns fluxos pontuais poderão distorcer, pontualmente, a dinâmica de preços, sem que isso seja de fato um sinal de melhora no cenário. Assim, deveremos esperar a semana que vem para termos uma noção mais clara do panorama internacional em termos de dinâmica de mercado.

Continuo com viés mais cauteloso, mas administrando ativamente o tamanho e os instrumentos do portfólio, tentando manter este viés, porém com um portfólio balanceado e com alguns temas de investimentos específicos. Dado as incertezas e a volatilidade dos mercados, as posições hoje estão com baixa utilização de risco.

Na Europa, a União Europeia conseguiu chegar a um acordo de última hora no tocante a questão migratória da região, o que tira um peso da região e pode trazer alguma estabilidade política local, especialmente para o Governo de Merkel na Alemanha.

Na Inglaterra, o PIB do primeiro trimestre do ano apresentou alta superior as expectativas, após revisão do PIB de crescimento de 0,1% QoQ para 0,2% QoQ.

Na Alemanha, o desemprego caiu novamente pelo décimo segundo mês consecutivo, em cerca de 15 mil postos de trabalho, com o desemprego permanecendo nos pisos históricos de 5,2%. O número mostra um mercado de trabalho extremamente apertado e próximo ao pleno emprego.

Nos EUA, os números continuam apontando para um crescimento extremamente sólido da economia no 2Q, que pode chegar a 4,5%-5% QoQ anualizado. Os indicadores de confiança e as evidências anedóticas, contudo, começam a mostrar os impactos negativos da “Guerra Comercial” nas expectativas, o que pode vir a afetar o crescimento neste começo de 3Q. O próprio Fed já começa a chamar a atenção para este possível impacto. O dia hoje será de agenda agitada no campo econômico.

No Brasil, o Relatório de Inflação trouxe uma mensagem muito parecida ao que já havia sido sinalizado nas Notas do Copom. As previsões de inflação do BCB continuam bastante baixas e ancoradas, mesmo após a alta do dólar. As medidas de núcleo encontram-se ainda mais baixas, especialmente aquelas mais afetadas pela atividade econômica. Na atual conjuntura, não há necessidade de um ciclo de alta de juros por parte do BCB. Isso será reavaliado em cada reunião. Olhando de hoje, apenas uma alta extremamente acentuada do dólar, que venha a afetar as expectativas de inflação, será capaz de alterar a postura do BCB. A atividade continua muito fraco e a recuperação mais lenta do que o esperado pelo BCB até pouco tempo atrás, e mesmo descontado os efeitos da greve dos caminhões.




Data: 28/06/2018

Sinais de estabilização dos ativos. Cenário segue com vetores negativos.

Após uma quarta-feira de “risk-off” generalizado, os ativos de risco estão mostrando alguma estabilização neste momento, a despeito de mais um dia de péssima performance dos ativos na China, com depreciação cambial e queda dos índices de bolsa. Todos os vetores que apontei ontem (aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/risk-off_27.html) continuam presentes e ainda não foram endereçados. Assim, continuo vendo um cenário mais negativo no curto-prazo.

Para colocar mais uma pitada de complexidade ao cenário, além desses vetores citados nos últimos dias (redução da liquidez global, problemas na China, “Guerra Comercial”) temos convivido com uma forte alta no preço do petróleo, o que costuma se caracterizar por mais inflação e menos crescimento, em um momento já de economia, especialmente nos EUA, no pleno emprego e com o hiato do produto fechado.

No tocante a China, a Bloomberg está reportando que o Governo pretende proibir a venda de “bonds” (títulos de dívida) de curto-prazo por parte das empresas. Pela primeira vez em cerca de um ano e meio o país vive um momento de apreensão e dificuldade. Ainda me parece cedo para ter uma opinião mais firme em relação a real situação da economia, mas me parece claro que o cenário é bastante complicado e demanda cautela no curto-prazo.

No Brasil, o BCB não atuou no câmbio mesmo com uma depreciação cambial relevante, porém não muito diferente dos seus pares. Espero a continuidade das intervenções, mas em montante inferior ao que vinha sendo feito ao longo do ultimo mês. A maneira de intervir deverá ser mais errática, com intuito apenas de prover liquidez e evitar a irracionalidade do mercado. O BRL ainda parece precisar de algum ajuste (de depreciação) dado as pesadas intervenções recentes.

Caso a depreciação continue de forte acentuada, afetando as expectativas de inflação de 2019 e à frente, o BCB já sinalizou que poderá elevar a Taxa Selic como meio de conter a desancoragem das expectativas.

Os dados econômicos recentes trazem poucas novidades para o cenário de Brasil. A inflação de curto-prazo continua elevada, mas parece estar fazendo seu pico. Poderemos ter números mais baixos de inflação do meio de julho ate final de agosto. A atividade econômica mostra-se bastante deprimida. Será importante ver em que medida a atividade irá se recuperar após a greve dos caminhoneiros, e diante de um quadro externo desafiador e um ambiente político indefinido. Os primeiros indicadores de sondagem mostram uma recuperação aquém do previsto após a greve, o que merece atenção.




Data: 27/06/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão abrindo o dia novamente em tom negativo, com movimentos clássicos de “risk-off”. Destaque para mais uma forte queda das bolsas na China e depreciação do Yuan (CNY), a moeda do país (mais detalhes abaixo). Continuo com visão mais cautelosa e negativa no curto-prazo. As posições refletem este viés. Contudo, sigo com postura mais tática, ainda vendo os mercados em ranges.  Para mais detalhes das posições, vejam aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.

Alguns vetores justificam este pano de fundo mais nebuloso nos últimos dias. Vamos a eles:

1 – A normalização monetária nos países desenvolvidos, em especial nos EUA, continua a reduzir a liquidez dos mercados e a se colocar como uma grande restrição a apreciações adicionais aos ativos de risco. Vejo este vetor como estrutural, ou seja, de longo-prazo. Acredito que este processo irá continuar a criar uma espécie de barreira a apreciações mais acentuadas e prolongadas dos ativos de risco.

2 – A China passa por um momento mais delicado de desaceleração, o que não ocorria desde 2016. O país costuma, quase que anualmente (exceto em 2017) passar por períodos curtos de desaceleração que, normalmente, são administrados de maneira bem sucedida pelo Governo e pelo PBoC. A atuação desses agentes, nos últimos anos, sempre foi suficiente para estabilizar a economia e os mercados, mas não sem antes criar volatilidade e momentos negativos nos ativos de risco.

A cerca de 5 a 6 semanas, começamos a ver sinais de fragilidade na economia chinesa. Desta vez, contudo, com o agravante de um problema um pouco mais agudo no mercado de crédito, que sempre foi apontando como um enorme risco de longo-prazo à economia.

Neste caso, só nos resta acompanhar os próximos passos da economia e dos mercados na China, mas pela primeira vez em cerca de um ano e meio o país começa a se mostrar um vetor desestabilizador para os mercados financeiros globais, após um longo período de estabilidade e pouca atenção dada pelos investidores.

3 – O Governo dos EUA continua caminhando na direção de maior confronto nas negociações comerciais. Este tema é mais espinhoso e incerto, dado a imprevisibilidade desta administração liderada por Trump.

4 – A Europa passa por um momento de incerteza econômica, com sinais de desaceleração da economia, e problemas políticos diversos, como a situação do novo governo na Itália e a fragilidade de Merkel na Alemanha. A Europa está se mostrando que pode começar a ser vista como o novo Japão em termos de economia e política, ou seja, uma região com baixo crescimento estrutural, mudanças políticas constantes e poucas pressões inflacionárias. A comparação não é perfeita e nem totalmente “honesta”, mas é uma percepção que poderá se formar com o tepo.

No Brasil, o CMN reduziu a meta de inflação de 2021 para 3,75%. A mudança é um enorme avanço institucional para o país, pois irá tornar mais “caro” políticas heterodoxas em eventuais novos governos eleitos. Não vou entrar no mérito da discussão se a decisão foi, ou não, acertada.

Acredito que a decisão irá ajudar a ancorar as expectativas de inflação mais longas. Não vejo a decisão alterando a política monetária de curto-prazo. O mercado estava bastante comprado e inflação implícita na parte intermediária da curva e esta decisão poderá causar alguma pressão (baixistas de taxa) nestas posições e na parte intermediária da curva, no curto-prazo. Com o cenário externo ainda nebuloso e o político local indefinido, contudo, a decisão pouco deve alterar a dinâmica de médio-prazo (3 a 6 meses).

Ainda ontem o STF anunciou algumas decisões que podem favorecer o ex Presidente Lula, soltando alguns condenados em segunda instância que estavam presos. Os casos não são idênticos, mas as decisões serão vistas pelo mercado como um sopro de esperança para Lula ser solto em agosto.




Data: 26/06/2018

Sinais de estabilização. Fragilidade ainda presente no cenário externo.

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de “risk-off” clássico. Hoje pela manhã, estamos observando uma dinâmica mais estável, sem novidades relevantes no cenário. Os sinais de fragilidade, contudo, ainda permanecem.

Continuo com visão cautelosa e esperando que os mercados continuem apresentando movimentos de “stop-and-go”, ou “risk-on, risk-off” ao longo do ano, até que um cenário mais negativo se desenvolva. Este roteiro seria seguido seja pelo erro na política comercial americana, seja pela alta mais aguda da inflação nos países desenvolvidos (e nos EUA em especial), ou pela chegada do risco de desaceleração do crescimento global. Nenhum desses vetores (ainda) parecem estar presentes, o que me leva a crer que, por ora, o cenário base seja de mais volatilidade, porém ainda dentro dos “ranges” (das bandas) que estão sendo respeitadas ao longo deste ano.

No Brasil, a única novidade na mídia fica por conta da possível aliança do PR a Jair Bolsonaro nas eleições. O DEM parece ter encomendado pesquisa com Datena como vice de Maia, o que poderia levar Maia a uma posição mais vantajosa nas pesquisas eleitorais (fala-se em 8% das intenções de voto). Finalmente, o PT testando Jacques Vagner como candidato mostra uma capacidade de obter 5% das intenções de voto apenas na Bahia.

De qualquer maneira, nada de concreto, o que mantém o cenário ainda desafiador e indefinido no campo político.

Os ativos do Brasil apresentaram ontem um dia de recuperação. Acredito que grande parte do movimento tenha sido sustentada pela posição técnia, já mais negativa, e pela percepção de valuations e preços mais atrativos nos ativos do país. Entendo que teremos volatilidade e melhoras na dinâmica não podem ser descartadas. Contudo, para uma melhora sustentada e estrutural precisaremos de um cenário externo mais favorável e de uma definição do cenário político. Por ora, nenhum desses vetores me parecem presentes.




Data: 25/06/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão abrindo a manhã em tom mais negativo. Alguns eventos justificam o movimento. Primeiro, a mídia internacional está reportando que os EUA pretendem utilizar meios legais para impedir alguns investimentos chineses no país. Caso isso seja confirmado, seria mais um agressivo passo na relação comercial entre os EUA e a China, elevando em mais um degrau o risco de um erro de política comercial. O mercado, até pouco tempo atrás, estava complacente com a escalada na retórica comercial dos EUA. Agora, nos últimos dias, começou a se preocupar mais com este vetor. Comentei um pouco mais sobre este risco no meu comentário de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/).

Segundo, uma reunião de emergência convocada pela União Europeia para discutir os problemas de imigração da região trouxe demandas agressivas por mudanças na legislação por parte do novo governo da Itália, país mais afetado pelos fluxos populacionais. As demandas italianas são um duro golpe ao governo de Merkel na Alemanha. Agora, elevam-se as chances do Governo Merkel perder mais forçar e seja trocado no curto-prazo, trazendo um vetor de incerteza adicional a região e ao cenário político global.

Finalmente, na Alemanha, o IFO ficou dentro das expectativas, porém com mais uma queda. Sendo um dos principais indicadores de confiança da região, a queda adicional do IFO mostra um quadro de indefinição para o crescimento da Alemanha e de toda Europa. O crescimento ainda se mostra saudável, mas claramente mais fragilizado do que se imaginava até alguns meses atrás.

Não há novidades relevantes no Brasil. A mídia continua cobrindo as intervenções do BCB o câmbio e do Tesouro no mercado de dívida pública. O quadro eleitoral mostra pouca variação.




Data: 25/06/2018

Após uma semana, pouca coisa mudou.

Após uma semana de descanso, acompanhando as notícias de forma superficial, aqui vão alguns comentários preliminares de como vejo o cenário. Estarei mais preparado para entrar em detalhes de algum tema específico ao longo dos próximos dias.

De maneira geral, o cenário, local e externo, assim como o nível de preço dos ativos, está quase que rigorosamente igual há uma semana, ou seja, não vejo grandes mudanças fundamentais de cenário econômico ao longo dos últimos dias, que justifiquem qualquer mudança de postura ou posicionamento.

Vamos a alguns temas mais específicos:

Brasil – Continuamos a sentir os impactos negativos, porém pontuais, da greve dos caminhoneiros nos indicadores de atividade econômica. Na inflação, este efeito é altista, porém temporário.

O grande destaque da semana ficou por conta da reunião do Copom, em que o comitê manteve a Taxa Selic estável em 6,5%, indicando exatamente para estes efeitos pontuais nos números dos próximos meses. O comunicado procurou manter flexibilidade na atuação de política monetária, mas mostrou pouca propensão a utiliza-la (ou seja, promover altas de juros), pelos menos com o câmbio “controlado” em torno de 3,7-3,9 no curto-prazo.

Não houve mudança de cenário econômico e político. A corrida eleitoral continua aberta e não vi nenhum fato concreto que altere o cenário de incerteza e indefinição nesta frente.

O BCB continua atuando de forma relativamente agressiva no câmbio, com swaps cambiais e leilões de linha, porém de maneira mais errática. Por ora, esta postura tem sido bem sucedida em manter o BRL em torno de 3,7-3,8, especialmente com os últimos dias de dólar mais estável para fraco no mundo.

Da mesma forma, o Tesouro Nacional continua promovendo leilões de compra e recompra de títulos, o que ancorou o mercado, mesmo que muito próximo aos highs de taxa deste ciclo.

A grande mudança ficou por conta da posição técnica do mercado. Nosso acompanhamento de posições dos fundos mostra um mercado muito mais balanceado, com muitos gestores já menores em alocações em Brasil e muitos outros já com posições mais pessimistas. Este posicionamento também pode estar dando algum alívio de curto-prazo ao mercado. Vale lembrar que a posição técnica é importante para movimentos de curto-prazo, mas estudos comprovam que, na média, o consenso costuma estar correto.

Eu continuo pouco animado para carregar posições estruturais em Brasil, nestes níveis, com esta posição técnica e as incertezas do cenário, para qualquer um dos lados (positivo o negativo). Minha intenção é seguir com postura mais tática, posições relativas e a busca por assimetrias em mercados específicos.

EUA – O país continua mostrando crescimento robusto e acima do resto do mundo. Será importante monitorar os próximos dados de inflação. O Fed está, por ora, em piloto autoático em seu processo de normalização monetária. Vejo um risco maior de o Fed ter que ser mais agressivo no processo de normalização do que ter que desacelerar este ritmo.

O Governo Trump continua com postura agressiva no tocante as negocições com seus parceiros comerciais, mas o mercado, por ora, está ignorando este fato, acreditando que essa postura não passa de uma estratégia em busca de melhores termos. Eu vejo um risco crescente de um erro de política comercial, à medida que as medidas vão sendo implementadas. Não descarto a possibilidade próprio mercado fazer o papel de trazer mais racionalidade a esta discussão, caso observemos uma forte reação negativa em algum momento do tempo.

Me chamou a atenção, porém um tema para o longíssimo prazo, a aprovação pela Suprema Corte, autorizando os Estados a cobrarem impostos sobre as empresas de varejo na internet. Este é um tema que acho que ganhará corpo com o tempo, de maior regulamentação do setor de tecnologia como um todo. Este tema surgiu com o “escândalo da Cambridge Analytica e do Facebook” e deve ganhar corpo ao longo do tempo.

Europa – Alguns países continuam apresentando problemas políticos locais (Itália, Alemanha e etc). Vimos um sopro de esperança na estabilização do crescimento da região com os números preliminares dos PMIs divulgados no final da semana passada.

A região continua mostrando dinâmica confusa e problemas diversos.

China – A China foi foco de estabilização dos mercados  desde início de 2017. Nos últimos meses, começamos a ver sinais de arrefecimento do crescimento e alguns problemas um pouco mais agudos no mercado local de crédito. A recente piora na relação comercial com os EUA parece já está afetando o crescimento do país.

O PBoC anunciou mais um corte de compulsório neste domingo. O PBoC também vem mantendo a moeda um pouco mais depreciada do que o imaginado. O Governo continuará tentando administrar da maneira mais gradual possível o processo de desaceleração da economia e os problemas no mercado de crédito. Eles sempre foram capazes de conduzir este processo de maneira positiva. De qualquer maneira, é uma área que precisamos acompanhar de perto, pois pode trazer consequências mais problemáticas caso saia do controle.




Data: 15/06/2018

EM: No Relief...

O “relief rally” dos mercados emergentes, do qual me referi pela manhã, durou apenas metade de um dia. Os mercados emergentes voltaram a apresentar forte pressão. Nem mesmo a percepção do mercado de um Fed e um ECB dovish – pelo menos pela reação dos ativos, não que eu concorde com essas intepretações – foi capaz de conter o movimento de desalavancagem dessa classe de ativos.

Vimos novamente forte pressão sobre Brasil, Argentina, Turquia, México e afins. Confesso que estamos em um ambiente o qual já não sei ao certo o que será capaz de estancar essa sangria. Pegando a Argentina como exemplo, o país elevou as taxas de juros para 40%, promoveu forte intervenção cambial, anunciou mais austeridade fiscal e fechou um pacote de ajuda junto ao FMI. Nada disso foi capaz, pelo menos por ora, de conter a depreciação do ARS e a depreciação dos ativos do país. Ao que tudo indica, outros países emergentes estão caminhando na mesma direção.

O que me resta é acreditar que após 10 anos de liquidez abundante, o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, mas especificamente nos EUA e na Europa, está gerando uma pressão estrutural sobre essas classes de ativos e apenas a estabilização desse processo será capaz de reverter esses movimentos.

Na Europa, o ECB anunciou um “tapering” de seu QE e sinalizou para o seu encerramento no final deste ano. Este processo, obviamente, está condicionado aos dados econômicos. A sinalização de taxas de juros baixas até meados de 2019 foi percebida como dovish, levando a forte queda do EUR e fechamento de taxa de juros.

Minha conclusão é que as reuniões do Fed e do ECB pouco alteraram o cenário de médio-prazo, em que a normalização monetária continuará nesses países/regiões, trazendo enormes restrições para a apreciação dos ativos de risco.

Nos EUA, as vendas no varejo de maio ficaram muito acima do esperado, e apresentaram revisões altistas para o mês anterior. O Jobless Claims se manteve nos níveis mais baixos em várias décadas. O Import e Export Prices mostraram sinais de acumulo de pressões inflacionárias. Esses números confiram o cenário de uma economia no pleno emprego com o hiato do produto fechado, o que enseja a continuidade do processo de normalização monetária, talvez de forma mais rápida e acentuada do que o que está precificado no mercado neste momento.

No Brasil, a intervenção mais agressiva anunciada pelo BCB está chegando ao fim, com o dólar voltando ao patamar de 3,8. É muito provável que intervenções agressivas, porém mais erráticas e sem anúncios oficiais, continuem no curto-prazo.

O mercado de juros apresentou mais uma rodada de “stops”, com a curva apresentando um movimento quase que linear de abertura. Impressiona a precificação de alta de juros na parte curta, com um ciclo já bastante agressivo e começando na reunião do Copom da semana que vem.

Acredito que mantido este cenário, com a dificuldade que o BCB está tendo em manter o dólar bem comportado, o BCB será levado a promover um ajuste na Taxa Selic. Tenho pouco convicção no tamanho e no timing deste ajuste.




Data: 15/06/2018

Fed mais hawkish. Cenário inalterado.

Os ativos de risco estão abrindo essa manhã com leve vié de “risk-off”, com destaque para uma pequena queda das bolsas e uma pressão no mercado de commodities. As taxas de juros nos países desenvolvidos operam em baixa e o dólar apresenta desempenho mai misto neste momento.

Segundo a mídia internacional, o Governo dos EUA irá anunciar hoje a imposição de tarifas de importações em cerca de 800 a 900 produtos de um total de US$50bi, de transações com a China. Caso isso se confirme, é esperado que a China reaja de maneira rápida e similar, impondo medidas recíprocas. Este seria mais um perigoso passo para uma possível “guerra comercial”. Por mais que o mercado ainda veja essas ações apenas como meios de se conseguir melhores condições comerciais, este tipo de postura aumenta, sobremaneira, a probabilidade de um erro de política comercial, com impactos negativos sobre a atividade e altistas sobre a inflação.

No Brasil, o BCB anunciou que irá vender, no mínimo, na semana que vem mais US$10bi em swaps cambiais. O BCB continua cumprindo o seu papel de prover liquidez e racionalidade ao mercado. Continuo acreditando que essa postura será suficiente apenas para suavizar o movimento da moeda, mas incapaz de alterar sua direção e sua dinâmica. Acredito que esse seja o objetivo do BCB e, por ora, podemos dizer que ele está sendo bem sucedido, caso contrário, o dólar estaria em patamares muito mais elevados. A médio-prazo, contudo, a utilização dos swaps, de maneira agressiva como está sendo usado no curto-prazo, pode deixar o país em situação mais delicada, especialmente se o cenário eleitoral permanecer nebuloso e o cenário externo mais desafiador. Neste caso, apenas uma alta mais agressiva das taxas de juros será capaz de ajudar na estabilização da moeda.

O CMN anunciou medidas de alívio aos fundos previdenciários, com intuito de trazer algum vendedor final de taxa de juros ao mercado. Antecipando o ajuste do prazo-médio das seguradoras, o CMN visa prover liquidez ao mercado de juros.

A curva  local de juros já precifica cerca de 35 a 40bps de alta na Taxa Selic no Copom da semana que vem. A curva como um todo apresenta cerca e 250bps de alta este ano. Até acredito que serão necessárias altas de juros em breve, mas talvez seja cedo para o BCB reagir já na reunião da próxima semana, exceto por uma escalada ainda mais acentuada do dólar, digamos acima de 4.00 até lá. De qualquer maneira, acredito que o BCB será bastante pragmático, seguindo os seus modelos de inflação no tocante a política monetária, ou seja, os efeitos do câmbio serão levados sim em conta, mas apenas a medida que mudem o patamar das expectativas de inflação.




Data: 14/06/2018

Fed mais hawkish. Cenário inalterado.

Nos EUA, o Fed elevou a taxa de juros em 25bps como era amplamente esperado. O comunicado divulgado após a decisão mostrou um Comitê mais confiante no cenário de recuperação da economia. Algumas modificações foram feitas no comunicado para se enquadrar em um novo ambiente de taxas de juros correntes mais elevadas. As projeções do FOMC mostraram revisões altistas para a inflação e crescimento, e baixistas para a taxa de desemprego. Os “dots” se moveram para cima em 2018, sinalizando para mais 2 altas de 25bps este ano. O Fed anunciou que irá promover coletivas de imprensa após todas as reuniões, mas que isso não significa nenhuma mensagem ou sinalização.

Na minha visão, as modificações foram mais hawkish do que o esperado. A mesma mensagem foi passada por Jay Powell na coletiva de imprensa. A reunião de hoje em nada altera o cenário com o qual temos trabalhado. A decisão do ECB amanhã, contudo, pode nos reservas mais surpresas, dado a maior indefinição, ou falta de um consenso maior, em torno do que será anunciado ou sinalizado.

No Brasil, as vendas no varejo de abril apresentaram alta superior as expectativas, com revisões altistas no mês anterior. Acredito que este número seja uma fotografia do passado e as perspectivas de crescimento pioraram bastante nas últimas semanas. Não há nada neste número que me faça ficar mais otimista com o estado futuro da economia.

O BCB continuou com uma agressiva intervenção cambial, conseguindo manter a performance do BRL (mais ou menos) em linha com os seus pares. Eu continuo me perguntando, incessantemente, qual seria o novo patamar do dólar caso o BCB não estivesse promovendo essas intervenções? Além disso, o que ocorrerá quando essa ração de venda de dólares diária terminar?

Reforço que entendo o papel do BCB em prover liquidez e racionalidade ao mercado. Não existem evidências concretas de que qual a melhor maneira de se atuar no mercado de câmbio (por não ser uma ciência exata e não termos a contraprova do cenário alternativo), mas diante de uma mudança global de cenário e dos desafios locais, não seria mais prudente deixar o câmbio buscar seu novo patamar de ajuste? Continuo acreditando que o BCB será incapaz de alterar a direção da moeda caso os cenários locais e externo permanecem com o mesmo quadro atual. A atuação agressiva no curto-prazo pode vir a piorar a situação local no médio-prazo, caso o cenário continue desafiador. Isso não significa que o BCB tenha que se ausentar do mercado ou que esteja errado em atuações agressivas. Todavia, infelizmente, só saberemos a resposta dessas perguntas ex-post. O cenário me parece ainda extremamente desafiador.

A curva local de juros apresentou mais um dia de forte abertura de taxa, com apenas pequeno steepening na parte curta. Os prêmios podem parecer excessivos, mas continuo sem ver um trigger claro para a inversão destes movimentos.




Data: 14/06/2018

Sinais mais positivos. Chances de "relief rally" de curto-prazo.

Neste momento, pela primeira vez em muito tempo, vemos sinais mais positivos para os mercados emergentes, na figura de um dólar mais fraco no mundo. Me parece cedo para afirmar que chegamos ao fim do “sell-off”, até porque não houve mudança substancial de cenário econômico, mas acho essas sinalizações do mercado importantes, pois podem dizer muito a respeito da posição técnica e do nível de preços e valuation dos mercados.

O dia será marcado pela decisão do ECB na Europa, onde o mercado esta dividido em relação as expectativas do que será sinalizado na reunião de hoje.

No Brasil, o noticiário também apresentou algumas notícias marginalmente mais positivas. A despeito das informações desencontradas, os jornais dizem que o cenário mais provável é de uma aliança entre o DEM e o PSDB, vista como mais positiva pelo mercado. O Congresso aprovou o regime de urgência na votação do Regime da Cessão Onerosa e a privatização da Eletrobrás poderá entrar na pauta do Congresso ainda este mês. A caminhada nessa direção, mesmo que muito devagar, mostra alguma estabilidade no Congresso, sabendo das restrições no ciclo eleitoral, mesmo com um Governo em “fim de festa” e totalmente desorganizado. É um pingo de esperança em um oceano de incertezas.

Na China, os dados de atividade econômica ficaram abaixo das expectativas. É o primeiro mês de desaceleração mais acentuada do crescimento. Pode ser que efeitos pontuais tenham afetado o indicador. De qualquer maneira, em se falando de China, qualquer desaceleração deve ser vista como alerta para a economia global. É natural esperar medidas de ajuste monetária, fiscal e creditício com o intuito de administrar esta desaceleração de maneira mais gradual, ou seja, medidas de estímulo a economia devem ser anunciadas em breve.

A Goldman Sachs fez um breve apanhado sobre os números:

Industrial production (IP): +6.8% yoy in May (GS forecast: +7.2% yoy, Bloomberg consensus: +7.0% yoy); +3.8% month-over-month annualized in May vs. April, seasonally adjusted by GS. April: +7.0% yoy, +6.6% mom annualized.

Retail sales: +8.5% yoy in May (GS: +9.7% yoy, consensus: +9.6% yoy); April: +9.4% yoy.

Fixed asset investment (FAI): +6.1% ytd yoy in May (GS: +7.1% yoy, consensus: +7.0% yoy); single month May growth: +3.9%; April single month yoy: +6.1%.

Property-related data:

Floor space sold: +8.0% yoy in May, vs. -4.1% yoy in April (value of sales +20.6% yoy, vs. +5.8% yoy in April).

Floor area under construction: +2.0% yoy in May, vs +1.6% yoy in April.

New starts: +20.5% yoy in May, vs. +2.9% yoy in April.

Real estate investment: +9.9% yoy in May, vs. +10.1% yoy in April.

Na Inglaterra, as vendas no varejo superaram as expectativas, mostrando um crescimento robusto e saudável pelo segundo mês consecutivo. A melhora nas perspectivas de crescimento na região da Europa é importante pois é a região do país que mais vêm desapontando as expectativas nos últimos meses. Este tipo de indicado também favorece o humor global a risco.




Data: 13/06/2018

Fed em foco!

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, a espera da decisão do FOMC nos EUA no meio da tarde de hoje Destaque negativo para a depreciação da Lira naTurquia (TRY) nessa manhã.

Espero que o Fed eleve os juros em 25bps e promova algumas mudanças em seu comunicado. Essa também é a expectativa e o consenso do mercado. Há uma chance com probabilidade relativamente elevada dos “dots” se moverem para cima, sinalizando para a possibilidade de 4 atas de 25bps ao longo de todo o ano de 2018.

No Brasil, segundo Vera Magalhães, o PSB esta mais perto de uma aliança com o PDT de Ciro Gomes. Os jornais continuam focados no avanço das negociações eleitorais, mas ainda sem nenhum anuncio concreto.

A Folha traz um artigo que afirma que o Teto dos Gastos poderá parar o país, segundo alerta do TCU ao governo Temer. Caso migremos para um cenário em que o Teto dos Gastos não seja mais respeitado, ou seja rechaçado pela classe política, teremos mais uma rodada de pressão sobre os ativos locais. O Teto dos Gastos foi um dos mais importantes avanços econômicos do país nos últimos anos. É bem verdade que na ausência de reformas adicionais o Teto acabaria ficando pressionado. Contudo, aos olhos do mercado, o caminho são as reformas econômicas, e não a retirada do Teto.

Minha visão segue praticamente inalterada, mas a curto-prazo será muito influenciada pelas decisões do Fed hoje do ECB amanhã.




Data: 13/06/2018

A narrativa segue inalterada.

O Core CPI nos EUA ficou dentro das expectativas do mercado, com alta de 0,2% MoM e 2,2% YoY. O número de hoje em nada altera a narrativa para os mercados/ativos de risco e muito menos altera as expectativas para o FOMC amanhã.

Assim, vimos mais uma rodada de fortalecimento do dólar no mundo, acentuado por rumores de que o Fed pretende promover interações com os jornalistas após todas as reuniões do FOMC, ao contrário das apresentações trimestrais que ocorrem atualmente. O destaque continuou por conta da pressão negativa sobre os ativos emergentes.

Na Europa, mais precisamente na Alemanha, o ZEW – um dos indicadores de confiança mais importantes da região – apresentou queda superior as expectativas, mostrando um quadro de incerteza para o crescimento da Europa no curto-prazo. Isso pode estar ocorrendo devido a ruídos pontuais, tais como eventos políticos na Itália e Espanha, “Guerra Comercial” e etc. De qualquer maneira, a região continua crescendo acima do potencial, mas certamente um sinal amarelo, de alerta, está ligado em torno deste ambiente.

As atenções agora estarão voltadas para o FOMC amanhã e a reunião do ECB na quinta-feira. Em relação ao Fed, já é amplamente esperado uma alta de juros (entre 20 e 25bps). Será extremamente importante observar as alterações no comunicado, especialmente para prevermos os movimentos no “shape” da curva de juros local.

No Brasil, o BCB voltou a intervir de forma agressiva no mercado de câmbio, ajudando a moeda a apresentar desempenho relativo superior a seus pares. O mercado de juros apresentou “steepening” da curva, com a parte curta ancorada na expectativa da manutenção da Taxa Selic no Copom da semana que vem, mas a parte longa ainda afetada pelas incertezas locais e externas. Os eventuais impactos fiscais das intervenções cambiais também estão ajudando o movimento de “steepening” e níveis mais elevados do CDS no país (custo do seguro).

Continuo com viés mais cauteloso e negativo. Para mudar minha visão, precisará ocorrer alguma mudança substancial de cenário, local ou externo. Contudo, nos atuais níveis de preço, especialmente no Brasil, reduzimos substancialmente as posições. Estamos com postura mais tática e flexível. Reduzimos quase que integralmente nossa posição em inflação implícita, após alta superior a 60bps em poucos dias. Ainda vemos uma inflação mais elevada de agora em diante, mas a assimetria ficou menos atrativa nos atuais níveis.

Acredito que o dólar esteja artificialmente baixo (contra o BRL). Caso não haja mudança de cenário, ele deverá se acomodar em patamar mais elevado (BRL mais depreciado). Contudo, devemos esperar as intervenções mais agressivas do BCB cessarem antes de uma visão mais concreta em relação ao curto-prazo.

Não vejo prêmios excessivos na curva de juros local na atual conjuntura de incerteza.

Continuo vislumbrando juros mais elevados estruturalmente nos EUA.




Data: 12/06/2018

Inflação nos EUA em foco!

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, exceto por alguma leve pressão em algumas moedas emergentes, como o TRY e o ZAR, neste momento.

O destaque da noite ficou por conta da assinatura de um memorando (um espécie de acordo) para a “desnuclearização” da Coréia do Norte. Este movimento era, em parte, esperado e já vinha sendo precificado pelo mercado, desde quando um fórum entre EUA e Coréia do Norte foi confirmado. Não espero nenhum movimento de mercado proveniente deste evento, mas entendo a enorme importância deste acontecimento para a sociedade e para todo o mundo.

O dia será marcado pela divulgação do Core CPI nos EUA. De forma simplificada, acredito que um número acima de 0,3% MoM (inclusive) poderá levar a uma nova reprecificação das taxas de juros nos EUA, acelerando os movimentos de desalavancagem em outros ativos de risco. Um número de 0,2% MoM em nada altera o cenário que temos convivido nas últimas semanas. Finalmente, um número abaixo de 0,2% MoM deveria trazer algum alívio momentâneo e pontual para as taxas de juros no mundo desenvolvido e alguma descompressão nos ativos mais pressionados recentemente, como os ativos emergentes, por exemplo. Não acredito, contudo, que esta descompressão seria duradoura ou prolongada.

No Brasil, os jornais de hoje estão dando foco as articulações políticas em torno das eleições presidenciais. De mais importante, na minha visão, será o encontro de Rodrigo Maia, do DEM, com Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, para um eventual encontro conseguinte com o candidato do PDT para presidente e uma possível aliança entre eles. O crescimento da candidatura de Ciro é vista hoje pelo mercado com um dos maiores riscos ao cenário eleitoral.

Na Inglaterra os dados de emprego de maio mostraram um mercado de trabalho robusto, próximo do pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Acho importante analisar os acontecimentos do país, pois acredito que a Inglaterra esteja em uma fase do ciclo econômico bastante parecido com os EUA. O que ocorre por lá, poderá ocorrer nos EUA. Nesta linha, vemos o acumulo de pressões inflacionárias. Segundo o Morgan Stanley:

A hawkish report on employment: Headline employment growth slowed, from 197k to 140k, but less than expected, and it remains strong, pushing the employment rate to a record 75.6%. Unemployment fell a solid 38k, keeping the unemployment rate steady at 4.2%, a 40-year low and a touch below the BoE's estimate of NAIRU, and inactivity fell, pushing the inactivity rate to a record low.

A dovish report on pay: In a key month for pay settlements, regular average earnings growth surprised to the downside, falling a touch to 2.8% 3M/Y in April. While we do expect the tight labour market, reflecting in reports of rising starting salaries, and rising public sector pay settlements to push pay up in coming months, today's weaker print highlights the risks to that call.




Data: 12/06/2018

Big Week Ahead!

Estive hoje pela manhã participando de um evento com investidores institucionais e assessores de investimentos na região nordeste do país. Minha impressão mais importante é que estes investidores estão, grosso modo, alocados no mercado de renda fixa (Fundos Prefixados, NTN-F, NTN-B e afins) e em situação delicada. As dúvidas giram em torno de: (1) manter a posição e esperar melhor ponto de saída ou (2) zerar a posição o mais rápido possível.

De maneira geral, não vejo nenhum apetite para o aumento de exposição, pelo menos sem uma mudança radical de cenário local e externo. Este panorama está totalmente em linha com o que tenho incessantemente debatido neste fórum nas últimas semanas. Para não soar repetitivo, minhas observações podem ser revisitadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.

Quanto ao cenário, vi poucas novidades desde sexta-feira. No Brasil, o destaque ficou por conta da pesquisa Datafolha. Eu não sou analista político e acredito que não tenho nenhuma vantagem comparativa em emitir opiniões firmes sobre o tema. Assim, na minha humilde opinião, a pesquisa apenas confirmou o cenário que já vêm sendo regra nas últimas semanas, ou seja, permanece um ambiente de incerteza política, sem definição e sem a ascensão de um “salvador da pátria” (pelo menos aos olhos dos mercados. Comentei um pouco sobre este ambiente aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/relatorio-semanal-de-asset-allocation.html).

O BCB continuou sua batalha contra a depreciação cambial, com uma nova intervenção, expressiva, na moeda. A diferença é que hoje não foi capaz de levar a uma apreciação mais acentuada do BRL. Continuo entendendo que o papel do BCB seja dar liquidez ao mercado e prezar pela estabilidade financeira. Contudo, não entendo a imprevisibilidade da atuação e a maneira, por vezes erráticas, de promover estas intervenções. De maneira geral, acredito que o BRL esteja artificialmente apreciado. Se o cenário externo se mantiver constante e não houver uma mudança do cenário político local, a depreciação da moeda será inevitável. Por ora, precisamos esperar os efeitos dessa venda superior a US$20bi no horizonte de uma semana que o BCB está promovendo, além da agenda extremamente carregada no cenário externo, antes de tomarmos um direcionamento mais claro nesta classe de ativo.

Outro destaque ficou por conta da abertura das inflações implícitas, com o mercado “se dando conta” de que poderemos ter um IPCA próximo a 1% este mês. Continuamos vendo uma boa assimetria nesta classe de ativos, posição que alocamos a cerca de 10 dias atrás. Nos atuais níveis, começamos a administrar mais ativamente o tamanho e os vértices da posição.

No cenário externo, destaque para a manutenção de uma postura agressiva por parte de Trump no G7, além da perda de esperanças em um acordo e torno do NAFTA. Continuo vendo este tema como um “sideshow” e mais preocupado com o cenário de inflação e política monetária nos EUA e na Europa. Não que eu acredite que este tema seja irrelevante, mas por acreditar que estes outros temas são muito mais importantes para a dinâmica de curto e médio prazo dos ativos de risco.

Somente esta semana, teremos o Core CPI amanhã, a decisão do FOMC na quarta-feira e a decisão do ECB na quinta-feira. Estaremos olhando atentamente estes eventos para a administração do portfólio. Seguimos tomados em juros nos EUA, através de estruturas de opção. Começamos a montar um hedge via puts de S&P. Temos uma pequena posição comprada em EUR pela assimetria que as opções estão mostrando, com vols implícitas baixíssimas, e com o EUR próximo aos pisos recentes.




Data: 08/06/2018

BCB goes all-in.

Brasil – O IPCA de maio apresentou alta de 0,40% MoM e 2,86% YoY, acima das expectativas de 0,29% MoM e 2,74% YoY. A despeito da surpresa altista, o qualitativo do indicador ainda mostra um quadro saudável.

De qualquer maneira, acredito que a inflação tenha feito o seu piso e deveremos conviver com números mais elevados de agora em diante, seja via repasse cambial, seja através dos impactos da greve dos caminhoneiros. Continuo gostando de carregar alguma posição comprada em inflação implícita.

O destaque do dia, contudo, ficou por conta da dinâmica do mercado. O BCB, com uma atuação agressiva no mercado de câmbio, conseguiu promover uma queda de cerca de 5% no dólar (contra Real). A despeito de uma elevada volatilidade pela manhã, o movimento do dólar ajudou a dar suporte ao mercado de juros ao longo da tarde.

Ainda acho cedo para a acreditar em uma mudança de tendência dos ativos locais. Entendo que o quadro técnico esteja mais saudável e o preço dos ativos mais atrativo, mas só teria conforto em alocações mais otimistas em Brasil com uma definição mais clara do quadro eleitoral. Enquanto isso não ocorre, vejo os movimentos de hoje como “relief rallies”, ou movimentos de acomodação, muito mais técnicos do que fundamentais.

É bastante provável que alguns investidores tenham comprado dólar nos últimos dias como hedge do portfólio de juros (ou bolsa). Além daqueles comprados em dólar como posição estrutural. A postura surpreendentemente agressiva do BCB, e não entrarei no mérito de se foi acertada ou não, acabou levando a uma excessiva apreciação da moeda local, exacerbada por este quadro técnico.

O movimento de hoje está em linha com o panorama que traçamos hoje pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/risk-off.html), em que a agressividade do BCB poderia dar suporte ao mercado, mas dificilmente conseguiria reverter, de fato, a direção dos ativos.

Continuo com postura tática, sem alocações relevantes (positivas ou negativas). Vejo um cenário ainda desafiador, o que me impede de manter posições estruturais positivas, mas também vejo o nível de preços como pouco atrativos, neste momento, para posições mais negativas. Sigo vendo uma boa assimetria nas inflações implícitas, não apenas por performarem bem em um cenário mais desafiador, como por acreditar em uma inflação mais elevada de agora em diante.

Externo – A melhora dos ativos no Brasil ajudou uma recuperação dos ativos globais. O foco da semana que vem ficará por conta do Core CPI nos EUA já na terça-feira. Este número poderá ser fundamental para a dinâmica dos mercados globais no curto-prazo.

As reuniões do G7 também serão determinantes para testar até onde os EUA está disposto a ir em suas negociações comerciais.

Continuo acreditando na tese de juros mais elevados de forma mais estrutural nos EUA. Na atual conjuntura, e nos atuais níveis de preço, já vejo boas assimetrias em algumas estruturas e opções no mercado de renda variável dos EUA como hedge da posição de juros.




Data: 08/06/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão abrindo o dia com um movimento clássico de “risk-off”. Bolsas em queda, dólar forte, fechamento de taxa de juros nos países desenvolvidos e pressão nos ativos emergentes,

Trump manteve um tom extremamente hostil em relação a seus parceiros comerciais, especialmente o Canadá, as vésperas da reunião do G7. A turbulência (ou crise) nos Países Emergentes (EM) também ajuda a cautela global. Finalmente, a produção industrial da Alemanha apresentou queda de 1% MoM em abril, muito abaixo das expectativas de alta de 0,3% MoM, trazendo de volta a tona o debate em torno da real situação econômica da Europa.

No Brasil, no início da noite de ontem, o Presidente do BCB concedeu entrevista coletiva em que ratificou a postura que vem adotando nos últimos dias, ou seja, BCB e Tesouro continuarão atuando no mercado de câmbio e de títulos públicos a fim de dar liquidez e racionalidade aos mercados. Não existe a intenção, neste momento, de se mexer na política monetária (se vão conseguir, já é ua outra história, passiva de intenso debate).

Ilan sinalizou que o BCB irá promover uma forte intervenção no câmbio nos próximos dias, na ordem de US$20bi. O montante é expressivo. Existe uma possibilidade que, com este valor, eles consigam acalmar o mercado, pelo menos no curto-prazo. Continuo não vendo o BCB ou o Tesouro como capazes de alterar a direção dos mercados, mas entendo que existe o dever fiduciário de manter a estabilidade financeira. Assim, a atuação conjunta é, de fato, necessária. Como atuar, contudo, é uma questão passiva de debate e críticas, que não quero entrar no mérito neste momento.

Vale ressaltar que outros países emergentes, como Argentina e Turquia, foram obrigados a elevar as taxas de juros com intuito de frear o movimento de depreciação cambial. O caso do Brasil, no curto-prazo, é diferente, mas não podemos descartar movimentos como este caso a situação local não se reverta. Saimos de uma situação matemática de inflação corrente e prospectiva, para uma situação irracional de fluxos. Nestes momentos, nem sempre o livro texto tem as respostas mais exatas ou precisas.

Os ativos locais tiveram ontem um dia de forte depreciação. O destaque ficou por conta da forte alta de juros da parte curta da curva. O movimento é típico de stops do mercado, que ainda apresentava posições relevantes nesta parte da curva, com a perspectiva de que os prêmios eram excessivos para um cenário de inflação baixa e recuperação apenas gradual do crescimento.

O quadro técnico do mercado está se tornando mais positivo a medida que o tempo passa e as posições vão sendo stopadas (limpadas). Ainda não tenho nenhuma vontade de fazer alocação nesta direção ou carregar qualquer posição estrutural em Brasil.

A Folha de hoje afirma que o PP e o DEM podem apoiar Ciro Gomes nas eleições.

A XP divulgou pesquisa eleitora em que mostra pequena piora, dentro da margem de erro, de Bolsonaro. Ciro continua ganhando espaço. Haddad se mostra competitivo se apoiado por Lula. Marina apresenta algum “momentum” e Alckmin continua mostrando fraqueza. Em suma, um cenário ainda indefinido e sem conclusões positiva a luz dos mercados financeiros locais.

A Argentina anunciou um “stand-by-agreement” com o FMI, no montante de US$50bi. O acordo foi atingido antes do previsto e seu volume é levemente superior as expectativas. Segundo a Goldman Sachs:

Argentina reached a “staff-level” agreement with IMF for a 3-year Exceptional-Access Stand-By Arrangement (SBA) for US$50bn (1,110% of Argentina’s quota in the IMF). The agreement is expected to be ratified by the IMF Executive Board soon. Furthermore, the authorities have indicated that they have secured US$5.65bn in credit lines from other multilateral agencies (World Bank, IADB, CAF).

As expected, as part of the IMF agreement the Argentine authorities commit to a faster pace of fiscal consolidation and to more realistic inflation targets. The new 2018-2021 federal government’s primary fiscal balance as a share of GDP is as follows: -2.7% (2018), -1.3% (2019), 0% (2020) +0.5% (2021). The market expectation for the primary fiscal deficit in 2018 was slightly lower (-2.5% of GDP). In our assessment, the 2018 target is not very demanding and the government is likely to over-achieve it. The primary fiscal deficit target for 2019 (-1.3% of GDP) is within the range of expectations. Primary fiscal balance in 2020 and small surplus in 2021 is a positive development but that is a commitment that will have to be honored by the administration that will be elected on October 2019.

The new inflation targets are: 17% for 2019, 13% for 2020 and 9% for 2021. The authorities stated that there will be no inflation target for 2018. In our assessment the 2019-2021 targets are demanding but not unrealistic.

Furthermore, the IMF agreement entails a number of other very positive developments, including commitments to:

maintain a flexible and market-determined exchange rate;

immediately put an end to central bank financing of the federal deficit, and;

submitting a bill to Congress modifying the central bank charter in order achieve legal independence and operational autonomy for the central bank and strengthen its inflation targeting regime.




Data: 07/06/2018

Brasil: Tesouro e BCB anunciam atuação conjunta para trazer liquidez ao mercado.

Nesta manhã, o dólar opera mais forte ao redor do mundo, porém mais fraco em relação ao EUR. Neste momento, as bolsas globais operam em leve alta e as taxas de juros no mundo desenvolvidos apresentam abertura de taxa. Os ativos Emergentes, no geral continuam mostrando fragilidade.

No Brasil, no inicio da noite de ontem o BCB e o Tesouro anunciaram uma ação conjunta em que oferecerão ofertas de Compromissadas de 9 meses ao mercado, além de manter o programa de compra e venda de títulos públicos.

A postura assertiva do Tesouro visa garantir a liquidez e a funcionalidade do mercado em um momento de maior volatilidade e busca por hedges. Acho difícil que essas atuações mudem a direção dos mercados, mas podem trazer alguma acomodação, e mais funcionalidade, que de fato se perdeu ao longo desta semana. Juliano Ferreira, da corretora Tullet fez um bom resumo sobre a atuação conjunta:

Atuação conjunta BC (Liquidez) + TN (gestão da dívida):

1. BC “emprestando” NTN-F (via compromissada pós de 9m) p/ MMs que precisam atender demanda de gringo e não têm conseguido;

2. Essas facas emprestadas também ajudarão quem quer entrar na recompra e não consegue;

3. TN resolveu abrir um pouco a venda (300k) p/ ajudar a atender demanda final por papel;

4. TN na recompra (1.5bi) p/ ajudar o psicológico do mercado e se manter presente para quem quer saída;

5. Leilões TN agora tudo holandês, mostrando ”fair play” nesse momento de turbulência;

6. Atuação não impacta curva curta (compromissada é pós) e pode ajudar a fletar quando MM entregar papel seco p/ o gringo e aplicar o longo;

7. A intenção é apenas dar funcionalidade para os mercados de títulos nesse momento de turbulência e sem parâmetros.

Segundo a mídia, Benjamin Steinbruch pediu afastamento de vice-presidente da FIESP. Este é um rito obrigatório para quem visa cargo eletivo. Especula-se que ele pode se tornar vice na chapa de Ciro Gomes. Do ponto de vista político, seria uma jogada inteligente colocar um empresário em uma chapa claramente esquerdista.

Os jornais afirmam ainda que a nova tabela do frete poderá ser divulgada em breve. Continuo acreditando que quanto mais interferência do governo (qualquer governo) na livre atuação da economia não será bem vista pelos investidores em ativos no Brasil.

Na Alemanha, o factory orders apresentou forte queda de 2,5% MoM em abril, muito abaixo das expectativas de alta de 0,8% MoM. A situação econômica da Europa como um todo ainda se mostra meio nebulosa. O crescimento se mantém em patamar saudável, mas com claros sinais de arrefecimento.




Data: 07/06/2018

Brasil continua pressionado.

Brasil – Vou parecer uma “vitrola quebrada”, mas tivemos mais um dia de forte deterioração dos ativos locais, seguindo a tendência das últimas semanas. Alta do dólar, alta das taxas de juros, com “bear steepening” e queda da bolsa. As últimas pesquisas eleitorais, e o quadro político e econômico do país não ajudam o humor local (vide mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/). Além disso, o cenário externo permanece mais desafiador para os países emergentes em geral. Não vejo estes vetores melhorando no curto-prazo e sigo com visão mais cautelosa e negativa.

Entendo que a posição técnica já apresentou alguma melhora, com alguns fundos locais zerados e outros já na ponta negativa, mas o estoque de posições “positivas em Brasil” ainda parece demandar alguns ajustes adicionais. O mercado até parece “esticado” para o lado negativo no curto-prazo, mas precisaremos de algum “trigger” para que o movimento seja revertido.

Fora uma mudança substancial do cenário externo, apenas uma mudança no quadro político local, que venha a aumentar substancialmente a probabilidade de vitória de um candidato liberal e reformista, será capaz de reverter estes movimentos negativos. Enquanto isso, o máximo que podemos esperar são movimento se acomodação, “relief rallies”, que costumam ser curtos e pouco duradouros.

As recentes declarações dos candidatos a presidente, pelo menos daqueles que se mostram mais competitivos, em nada ajudam o humor dos investidores em relação ao Brasil. A fragilidade do atual Governo e as medidas de afrouxamento adotadas após a greve dos caminhoneiros também não ajudam o humor dos mercados locais.

Externo - Alguns membros do ECB na Europa sinalizaram para uma discussão em torno da redução, ou discussão de encerramento, do QE na reunião de política monetária deste mês, o que ajudou a dar suporte aos yields (taxas de juros) dos países desenvolvidos e ao EUR.

Na Índia, o Banco Central do país promoveu uma alta inesperada nas taxas de juros. A situação do país é um pouco diferente da situação do Brasil, pois já houve uma piora relevante das expectativas de inflação, o que ainda não ocorreu no Brasil. De qualquer forma, fica cada vez mais claro que os bancos centrais emergentes estão se tornando mais hawkish.

O cenário externo continua mais desafiador para os países emergentes e para o Brasil, a medida que fica mais evidente os acúmulos de pressões inflacionárias, especialmente nos EUA, e a necessidade de continuidade do ajuste da política monetária nos países desenvolvidos, o que foi um grande suporte aos ativos de risco nos últimos 10 anos.




Data: 06/06/2018

Brasl\EM: "Between a rock and a hard place".

Nesta manhã, o dólar opera mais fraco contra as moedas de G7, porém mais forte contra EM. Observamos uma abertura de taxas de juros nos EUA e uma leve alta global das bolsas, os bonds da Itália operam, neste momento, sobre pressão.

Ontem pela tarde comentei mais a fundo sobre o pano de fundo global e seus impactos sobre os ativos locais (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/brasil-reacao-dos-mercados-e-condizente.html). Sigo com a mesma visão. Uma recuperação do cenário de crescimento dos EUA levará a uma nova rodada de abertura de taxas de juros no país, colocando pressão adicional nos países emergentes. Um cenário de desaceleração global, o que me parece mais um “cenário de cauda”, ou seja, me parece mais um risco do que um cenário central, também manteria essa classe de ativos, de alguma forma, pressionada. Assim, estamos cada vez mais distantes do cenário de “Goldilocks” que prevaleceu grande parte de 2016 e 2017, e mais perto de um cenário que podemos caracterizar como “between a rock and a hard place”.

No Brasil, os jornais de hoje reportam que o evento e busca de união do centro para as eleições deste ano foi esvaziada. A candidata Manuela D´avila estaria mantendo conversas constantes com Ciro Gomes. Segundo o Estadão, o Governo poderá rever o preço do frente, a fim de atender uma demanda do agronegócio. Se confirmado, será mais uma ação que não deverá ser bem vista pelo mercado, pois mostrará que este governo resolveu seguir o caminho da intervenção e, de certa forma, do populismo, atendendo demandas e pressões de diversos grupos da sociedade. Como já comentei aqui nas últimas semanas, este é o grande risco do cenário local, pois nenhum dos candidatos que se mostram competitivos mostra capacidade e convicção para não migrar para uma postura como essa (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/relatorio-semanal-de-asset-allocation.html).




Data: 05/06/2018

Brasil: Caminho tortuoso pela frente.

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade essa manhã. Destaque para mais uma rodada de pressão em alguns ativos emergentes, como é o caso da moeda do México (MXN) e da Turquia (TRY).

No Brasil, uma pesquisa eleitoral do site Poder 360 mostrou a consolidação do cenário de polarização entre o que é considerado a “extrema direita” de Jair Bolsonaro e a “extrema esquerda” de Ciro Gomes. Bolsonaro lidera a corrida eleitoral em todos os cenários e venceria no segundo turno contra todos os candidatos simulados. Ciro continua subindo nas pesquisas, enquanto Alckmin e Marina mostram desempenho abaixo do esperado. Os demais candidatos se mostram pouco competitivos.

Mesmo com as diversas críticas a metodologia desta pesquisa, podemos concluir que se consolida um cenário de polarização, que não deve ser bem recebida pelos investidores de maneira geral. Já tenho tratado deste tema neste fórum há algumas semanas.

Segundo a mídia, existe um esforço capitaneado por antigos políticos, como é o caso de Fernando Henrique Cardoso, em busca de unir o centro em torno de uma candidatura única, liberal e reformista. Por ora, este esforço ainda não colhei frutos. A esquerda, por sua vez, também busca algum tipo de união. O posicionamento do PT, as vésperas da eleição, será extremamente importante nesta frente.

Finalmente, a mídia está reportando que o Governo pretende utilizar os leilões do Pré-Sal, ou a Cesão Onerosa, como meio de absorver, e evitar, reajustes frequentes e muito elevados no preço da gasolina. Segundo os jornais, o Governo teme novos protestos, desta vez contra a alta no preço da gasolina. Este tipo de postura costuma ser interpretada pelo mercado como intervencionista, custosa em termos fiscal e negativa para o longo-prazo do país.

O PMI Services na Área do Euro apresentou arrefecimento, saindo de 54,7 para 53,8 em maio. O número mostra um crescimento ainda saudável, mas claramente em tendência de queda. Ainda existem incertezas em relação ao crescimento da região, a despeito do bom desempenho dos números nos EUA nos últimos dias.




Data: 04/06/2018

Risk-On!

A despeito da ausência de avanços nas negociações comerciais entre os EUA e a China, os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, com um movimento clássico de “risk-on”. Os recentes dados econômicos positivos ao redor do mundo, que mostram um crescimento global ainda saudável e relativamente robusto, parecem estar dando suporte ao humor global a risco. Além disso, a posição técnica mais saudável e o nível de preços mais atrativo parecem estar dando suporte adicional a estes movimentos.

No final de semana, o destaque da mídia internacional ficou por conta da ausência de um acordo, ou até mesmo a ausência de qualquer tipo de avanço, nas negociações comerciais entre China e EUA. Por ora, o mercado está vendo este tema apenas como um “risco de cauda”. A recente postura dos EUA, contudo, eleva as chances de um erro de cálculo e de que alguma “guerra comercial” seja de fato “instalada” no cenário.

No Brasil, os jornais de final de semana continuaram repercutindo os últimos eventos na Patrobrás, com a mudança de presindente da empresa e o enfraquecimento da gestão da companhia. Além disso, os efeitos da greve dos caminhoneiros ainda ecoa sobre um cenário incerto. A recuperação dos ativos de risco no mundo, contudo, pode trazer algum alivio, mesmo que temporário, para os ativos brasileiros.

Eu mantenho minha tese de investimento de juros mais altos estruturalmente nos EUA. No Brasil, estou sem uma tese estrutural no curto-prazo. Continuo com uma visão mais cautelosa, preferindo carregar alguma posição de inflação implícita, que me parece com um risco\retorno relativamente atraente. Os demais ativos, prefiro manter postura tática, dinâmica, agil e sem preconceitos, porém com um viés ainda mais negativo, pelo menos até que se tenho uma noção mais clara de cenáio internacional.




Data: 04/06/2018

Update.

O destaque do dia ficou por conta dos dados de emprego nos EUA. Os números mostraram uma criação de vagas de trabalho robusta em maio, a menor taxa de desemprego em quase 20 anos e uma aceleração nos rendimentos, mostrando acumulo de pressões inflacionárias. Além disso, o ISM Manufacturing mostrou um cenário de crescimento relativamente estável e saudável.

Em linhas gerais, os números dos últimos dias mostraram um quadro de robustez do crescimento norte americano, e alguns sinais mais positivos de crescimento global, como as exportações da Coreia do Sul, vendas no varejo na Alemanha, entre outros. O mercado já trabalha com um crescimento do PIB dos EUA em torno de 3,5% anualizado no segundo trimestre do ano.

Por um lado, os números retiram um risco do curto-prazo, de uma desaceleração mais acentuada do crescimento global como chegou-se a temer nas últimas semanas. Por outro lado, a manutenção de um crescimento sólido mantém os bancos centrais das principais economias do mundo devem se manter em um processo de normalização monetária, o que tem se mostrado (e se provado) uma grande restrição para rodadas adicionais de apreciação dos ativos de risco no geral.

No Brasil, a atuação do Tesouro está ajudando a trazer mais estabilidade e racionalidade ao mercado de juros, a despeito do steepening da curva. O mercado de câmbio continua pressionado pelo humor global em relação ao dólar no mundo, além da pressão em busca por hedges em um ambiente de incerteza do ciclo eleitoral.

O presidente da Petrobrás pediu demissão e deverá ser substituído pelo diretor financeiros, com algum reconhecimento do mercado. As ações da empresa caíram cerca de 15%. O Ibovespa apresentou alta, puxado peo bom desempenho de outros setores da economia.

Eu reforço a minha visão de que a situação econômica e política do país apresentou grande deterioração nas últimas semanas. Não vejo uma melhora do cenário local até uma definição em relação ao quadro político. Além disso, o cenário externo deixou de ser um vento favorável e, na margem, pode se tornar um vento contrário de forma mais estrutural.

Entendo que houve uma melhora substancial na posição técnica do mercado, loca e externo. Entendo que o nível de preços se mostra mais atrativo. Contudo, vejo melhoras apenas como pontuais e localizadas, que podem (ou poderão) ser cunhadas como “relief rally”. Não tenho vontade de ter posições estruturais em Brasil neste momento.

Além disso, sigo vendo o processo de normalização monetária nos EUA como uma restrição a melhoras estruturais nos ativos de risco, além de questões pontuais e idiossincráticas, como na Itália, Espanha, México (eleições e NAFTA), Brasil, Turquia atuando na mesma direção.




Data: 01/06/2018

Dia agitado. Incerteza permanece.

A quinta-feira foi bastante agitada. Comentarei de maneira breve alguns dos eventos do dia. De maneira geral, contudo, os eventos de hoje apenas ratificam um cenário de cautela, em que deverá predominar a incerteza e a volatilidade dos mercados financeiros globais. Continuo com viés mais cauteloso, senão negativo, pelo menos no curto-prazo.

Os ativos de risco apresentaram dinâmica negativa, em reação aos eventos comentados abaixo. Destaque para forte pressão nos ativos emergentes, quedas das bolsas e commodities, mas alta nas taxas de juros. A maior parte dos eventos abaixo explica esses movimentos.

EUA/Guerra Comercial – O Governo Trump anunciou que irá seguir com a imposição de tarifas de importação em alguns produtos, como Aço, para países e regiões como México, Canadá e União Europeia. Após o anuncio, esses países e regiões anunciaram que irão adotar medidas de reciprocidade. Este caminho adotado pelos EUA deverá trazer um maior grau de incerteza ao cenário econômico e, consequentemente, aos ativos de risco.

No limite, ainda acredito que está postura do Governo Trump é “apenas” uma maneira de buscar alavancagem nas negociações comerciais bilaterais. Contudo, é óbvio que aumento o grau de incerteza do cenário, levando os investidores a demandarem um maior prêmio de risco nos mercados financeiros. O risco de um erro de política comercial aumenta drasticamente com este tipo de posição.

EUA/Economia – Os dados de hoje (Jobless Claims, Personal Income & Spending, Chicago PMI, Core PCE) confirmaram um cenário de crescimento saudável, até mesmo robusto, com mercado de trabalho apertado e acumulo de pressões inflacionárias. Os números recentes apenas reforçam esse quadro, em nada alterando o cenário para a política monetária no país. Ainda vejo o Fed elevando as taxas de juros entre 3 e 4 vezes este ano, com a manutenção de seu processo de redução de balanço. O mercado hoje embute menos de 50bps de alta de juros nos próximos 12 meses.

Europa/Inflação – A inflação na Europa apresentou alta acima do esperado, ficando muito próxima aos 2% objetivados pelo ECB. Mesmo que vetores pontuais expliquem parte da alta, também observamos uma aceleração do Core CPI. Ainda é cedo para cantar vitória na inflação na região, mas os números de hoje indicam que a maior parte dos países desenvolvidos devem permanecer em um ambiente de normalização monetária, retirando algum tipo de suporte aos mercados, que permaneceram ao longo dos últimos 10 anos.

Exceto por mudanças substancias no cenário de crescimento, o que os números ainda não indicam, ou um acidente financeiro, que leve a um forte aperto das condições financeiras, é difícil ver uma mudança de rumo, ou rota, por parte dos principais bancos centrais desenvolvidos.

Itália – Após idas e vindas, um governo dito populista e contra as principais reformas implementadas no país nos últimos anos, acabou sendo formado. Neste momento, o mercado está lendo este desfecho como “menos negativo” do que novas eleições. A despeito da retirada de um risco de curto-prazo, permanecem incertezas imensas no cenário e os investidores devem continuar a pedir mais prêmios nos ativos do país ao longo do tempo.

Espanha – O Governo Rajoy parece estar em situação delicada e novas incertezas podem afetar a Europa e os ativos da região.

China/PMI – O PMI Manufacturing do país apresentou uma surpreendente elevação. O país continua se mostrando como fonte de estabilidade global, diante de uma série de incertezas que afetaram os mercados nas últimas semanas. Precisamos monitorar apenas o processo de desalavancagem que vem ocorrendo no setor financeiro do país.

Brasil – No final da tarde de ontem o Tesouro anunciou que irá continuar a promover leilões de recompra de títulos públicos, cancelou os leilões de vendas e afirmou que promoverá emissões de duration mais curta. O anunciou ajudou a trazer alívio a um mercado bastante volátil ao longo da quarta-feira.

Como já afirmei aqui anteriormente, a postura do Tesouro e do BCB está correta. Contudo, essa atuação visa apenas trazer racionalidade e liquidez aos mercados locais, não necessariamente sendo suficiente ou capazes de alterar a direção e a dinâmica dos ativos do Brasil. Continuamos a mercê do quadro político incerto, de um panorama econômico delicado e de um ambiente externo mais desafiador.




Data: 01/06/2018

Update.

Os ativos de risco continuam apresentando recuperação, neste momento.

Brasil/PIB – Crescimento de 1,2% YoY e 0,4% QoQ. Dentro das expectativas do mercado. A abertura do indicador, contudo, mostra um quadro qualitativo um pouco mais negativo. A grande verdade, contudo, é que este número “olha no retrovisor” do cenário. As perspectivas de crescimento pioraram bastante nas últimas semanas, com dados de atividade econômica mais contemporâneos mostrando desaceleração do crescimento e, agora, com a greve que atingiu o país, e a incerteza política neste estágio do ciclo eleitoral, se colocando como grande restrição a uma melhor mais substancial de crescimento. As expectativas de PIB para este ano devem migrar, aos poucos, para um patamar abaixo de 2%.

Brasil/Fiscal -  O superávit primário ficou em R$2,9bi em abril, muito abaixo das expectativas de R$7,1bi. O Brasil vinha sendo favorecido por uma recuperação cíclica da economia, que estava ajudando a recuperação (também cíclica) da arrecadação. A arrecadação mostrava elasticidade ainda maior ao que o crescimento. A greve dos caminhoneiros levou o governo a adotar medidas com impacto fiscal. Ainda é incerto o quanto deste impacto conseguirá ser recompensado por medidas aprovadas pelo Congresso (como a re-oneração da folha de pagamentos).

Assim, estamos diante de uma piora clara e evidente das perspectivas de crescimento, a situação fiscal deverá ser impactada e existe uma enorme incerteza de qual será a real disposição e capacidade do próximo governo, que será eleito em outubro, em fazer os ajustes e as reformas necessárias à economia.

Os ativos locais estão reagindo de acordo, com o movimento mais evidente nos últimos dias ficando por conta da forte abertura de taxa de juros e steepening da curva. A despeito da melhora na posição técnica e nos preços/valuations, o mercado ainda não parece totalmente preparado para este novo nível de volatilidade e para um ambiente que se mostra mais desafiador para os ativos do pais. Neste momento, não vejo motivos para uma mudança definitiva de ambiente ou tendência dos ativos locais até as eleições, no mínimo.

Europa – A quarta-feira foi mais positiva para a região, com dados de inflação mais firmes na Alemanha e na Espanha, além de números de vendas no varejo mais fortes e mercado de trabalho ainda robusto na Alemanha.

Esses dados estão ajudando a dar algum suporte ao humor global a risco, assim como sustentação ao EUR. Os fluxos de final de mês também podem estar afetando o mercado.

Itália – A situação política do país continua incerta. Na margem, surgiu a possibilidade, novamente, da formação de um governo com os mesmos partidos radicais que promoveram a primeira tentativa frustrada. O mercado, neste momento, está olhando esta tentativa como “menos negativa” do que novas eleições. De maneira geral, contudo, os mesmos riscos existentes ontem estão presentes hoje. A diferença é que o mercado ajustou preços e posições para este quadro de maior incerteza.




Data: 30/05/2018

Humor mais positivo. Fragilidade permanece.

 

Os ativos de risco tiveram um quinta-feira de deterioração generalizada, em um movimento clássico de “risk-off”. O movimento foi puxado pela deterioração da situação política e financeira na Itália. Esta manhã, neste momento, estamos observando uma recuperação, ainda tímida, dos ativos de risco, com movimentos generalizados de “risk-on”. Ainda vejo os movimentos, por ora, como tímidos, e os sinais de fragilidade continuam.

No Brasil, mesmo com a atuação do Tesouro no mercado de títulos públicos, vimos uma forte abertura de taxa de juros, com movimentos de steepening da curva, o dólar subiu e o Ibovespa apresentou alta, mas quase que majoritariamente puxado pela Petrobrás. O presidente da empresa promoveu conference call com analistas, afirmou que contina no cargo, mas os jornais de hoje mostram que Temer já estuda mudanças na política de preços da empresa. Tendo a acreditar que este tipo de notícia não será bem recebida pelo mercado.

Continuo com viés mais cauteloso. Entendo que os ativos locais tenham piorado exageradamente nos últimos dias, porém em linha com a piora do cenário econômico e político. Movimentos de acomodação, ou aé mesmo recuperação (“relief rally”), podem ser observados nos próximos dias (posição técnica e preços mais atrativos), mas não vejo uma alteração clara de tendência para os ativos locais enquanto não houver uma clareza maior em relação as eleições e eventuais reformas econômicas.

Nos EUA, o Governo Trump reforçou sua postura de que irá seguir com as tarifas de importação sobre a China. A economia continua mostrando crescimento relativamente estável, hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias. Com este pano de fundo, continuo vendo restrições para tendências mais prolongadas de “risk-on”. Ainda vejo um cenário de volatilidade, porém sem tendências claras definidas.

A situação da Itália segue delicada e incerta. Na Espanha, os problemas são menores e mais administráveis, mas o risco de contágio na Europa aumentou bastante nos últimos dias.

Na China, a despeito de um crescimento relativamente estável, crescem os números de “eventos de crédito” no mercado local de dívida. Por ora, estes “eventos” são vistos como saudáveis, em um longo e bem administrado processo de desalavancagem da economia. O risco, contudo, fica por conta de uma eventual escalada neste tema que não consiga ser administrada de maneira gradual pelo Governo e pelo PboC.




Data: 29/05/2018

Risk-Off: Crise Institucional na Itália e no Brasil.

 

Os ativos de risco estão abrindo o dia com “risk-off” cássico, puxado por uma forte deterioração no preço dos ativos da Itália, após a incertea política aumentar na ausênia de um governo. A dinâmica dos últimos dias reafirma a minha convicção de portfólios mais cautelosos, visando a preservação de capital, mas mantendo a flexibilidade, agilidade e liquidez em busca de alocações que visam se apropriar desta volatilidade. Não vejo este cenário se alterando no curto-prazo e ainda vislumbro u resto de ano bastante tumultuado e turbulento.

No Brasil, os jornais estão repercutindo com preocupação a situação intitucional do país. Mesmo após o acordo com os caminhoneiros, a situação social continua fragilizada e o governo, segundo a mídia, tem receio que a situação migre para um cenário parecido com 2013, onde uma “simples” manifestação contra aumento de impostos migrou para uma grande manifestação contra a classe política.

Segundo os jornais de hoje, já se fala na ausência de governabilidade no Congresso e na impossibilidade de Temer encerrar seu mandato.

Uma pesquisa Ibope em São Paulo mostrou Bolsonaro ganhando terreno, assim como Ciro Gomes, em detrimento a alguma perda de espaço, mesmo que pequena, de Alckmin. Impressiona observar Bolsonora na frente de Alckmin no berço político tucano, neste estágio do ciclo econômico.

Na atual situação do país, tendo a acreditar que o mercado financeiro local não irá receber bem a polarização política entre Bolsonaro e Ciro, ambos com pautas econômicas ainda duvidosas.

De acordo com a mídia, o Governo já trabalha com uma inflação de 1% este mês devido a extensão da greve.




Data: 28/05/2018

Humor externo mais positivo.

 

Em um dia de feriado nos EUA, os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, exceto por mais uma forte queda do Petróleo. Alguns eventos estão ajudando este humor. A reunião entre os EUA e Coréia do Norte pode (novamente) entrar na agenda dos próximos dias, a Turquia anunciou novas medidas de suporte a seus mercados e, na Itália, não houve acordo para um governo entre os partidos radicais, retirando um risco de curto-prazo, porém mantendo a situação política do país em um limbo. Novas eleições devem ocorrer ainda este ano. Neste íterim, um governo “tampão” será convocado para guiar o país. Não podemos esperar nenhuma medida concreta ou reforma neste período.

No Brasil, o governo anuncio na noite de ontem novas medidas visando um acordo com os caminhoneiros em greve. Tudo indica que as demandas foram atendidas e a greve irá se encerrar. Comentei mais sobre este tema ontem, no texto a seguir: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-algumas-reflexoes.html.

As medidas anunciadas, caso mantidas por mais do que os 60 dias prometidos, podem custar cerca de R$20bi ao ano e cerca de R$13bi até o final deste ano. O orçamento do país é apertado para se conseguir alguma compensação destas medidas.

Os jornais de hoje estão adotando um tom bastante negativo no tocante a situação econômica e social do pais, refletindo a greve e a postura do governo na administração deste problema.




Data: 28/05/2018

Brasil: Algumas reflexões.

 

A greve dos caminhoneiros ainda não foi totalmente debelada. A situação do país está sendo normalizada de forma ainda excessivamente lenta. Contudo, é natural esperar (e acreditar) que nos próximos dias a greve tenha ficado para trás e o país volte ao normal.

A associação de funcionários da Petrobrás anunciou uma greve de 72 horas com início na quarta-feira, com reivindicações parecidas à pauta dos caminhoneiros.

Com a atuação do Banco Central no mercado de câmbio, e agora do Tesouro no mercado de títulos públicos (comentado no sábado aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/cenario-externos-nebuloso-brasil.html) não descarto alguma acomodação, normalização ou até mesmo “relief rally” dos ativos do Brasil. Contudo, a situação que o país vivenciou nos últimos dias, na minha opinião, trazem consequências e conclusões à longo-prazo muito mais importates.

Não é o meu intuito neste fórum fazer juízo de valor, apoio ou críticas a qualquer tipo de movimento. A minha intenção é entender o impacto que as questões referentes ao país terão sobre os ativos financeiros locais e aos investimentos de curto e longo-prazo.

Na minha visão, a situação que o país viveu com este episódio dos últimos dias mostra o total despreparo do país para lidar com situações de crise, e uma sociedade que se mostra imatura, ou não preparada, para as mudanças e reformas necessárias no longo-prazo para a saúde econômica do país. Reforço que não estou julgando, fazendo juízo de valor, crítica ou tomando partido de nenhum dos lados. A falta de disposição de várias esferas da sociedade neste evento, assim como no debate da reforma da previdência no ano passado, mostra que será extremamente complicado para que o próximo governo, o próximo presidente e o próximo Congresso Nacional consigam avançar nas reformas econômicas, imperativas para o bom funcionamento econômico do país em um cenário externo mais desafiador.

Nas últimas semanas, vimos como a ausência de bases econômicas sólidas podem levar países a situação delicadas, com forte depreciação de seus ativos. Falo aqui dos eventos na Argentina e Turquia, ambas levadas a promover forte elevação das taxas de juros, além de intervenções no mercado de câmbio, com medidas adicionais de ajuste fiscal, com efeitos ainda mais recessivos e negativos para a sociedade geral.

Na atual conjuntura do ciclo eleitoral do Brasil, não vejo nenhuma plataforma, de nenhum dos candidatos competitivos, realmente capaz de alterar a situação do país. Além disso, a maior parte dos candidatos competitivos não mostra real intenção, posicionamento e, mais importante de tudo, convicção na necessidade das reformas.

Finalmente, neste momento, fica dificil vislumbrar que teremos de fato uma mudança substancial no Congresso capaz de apoiar esta agenda liberal e reformista.Assim, mesmo que momentos de acomodação e recuperação dos ativos locais venham a ocorrer nos próximos dias ou semanas, apenas a visibilidade da próxima administração será capaz de alterar o humor dos investidores, locais e externos, em torno dos ativos do país. Por ora, este ambiente traz volatilidade e incerteza aos portfólios e investimentos, e assim permanecerá. Mantenho meu viés de cautela, flexibilidade, agilidade e liquidez dos portfólios.




Data: 28/05/2018

Cenário externos nebuloso. Brasil: Atuação do Tesouro é positiva, Greve e Inflação.

 

Os ativos de risco apresentaram alguns sinais negativos ontem, com destaque para a forte queda do Petróleo e fechamento de taxa das Treasuries nos EUA. Estes movimentos me fazem lembrar que o ano tem sido marcado por grandes movimentos de “washout” das principais posições consensuair do mercado.

Já vimos uma grande reversão do dólar no mundo, uma enorme pressão nos ativos emergentes, uma acentuada queda das bolsas (em fevereiro) e agora estamos diante de pressões no petróleo e (baixistas) nas taxas das Treasuries.

Não vejo grandes mudanças de cenário, mas entendo que o quadro técnico esteja, novamente, se sobrepondo ao cenário econômico no curto-prazo, em um momento de posição técnica menos saudável, preços menos atrativos e um cenário econômico menos obvio.

No campo econômico, continuo tentando entender a magnitude da desaceleração na Europa, os problemas políticas na Itália e Espanha, as questões indiossicráticas em países emergentes como Argentina e Turquia, e a política externa do governo Trump. Esses temas devem continuar ditando a dinâmica de curto-prazo dos mercados, trazendo volatilidade e poucas tendências claras ou objetivas. Além disso, gosto de lembrar que estamos no meio do processo de normalização monetária nos EUA, com altas de juros programadas e uma redução do balanço do Fed em “piloto automatico” o que deve continuar atuando como restrição à rodadas mais prolongadas de apreciação dos ativos de risco como um todo.

No Brasil, o Tesouro Nacional anunciou na noite de ontem que irá cancelar os próximos leilões de vendas de títulos públicos e irá promover leilões de recompras diários. Aredito que a decisão seja acertada e em boa hora. Assim como o BCB conseguiu trazer mais racionalidade ao mercado de câmbio com os leilões de swap cambiais diários, o Tesouro deverá ser bem sucedido em conter movimentos irracionais no mercado de juros. Vale lembrar que essa atuação não visa mudar a direção do mercado, mas trazer menos volatilidade e mair racionalidade. Os ativos do país continuarão suceptíveis ao cenário externo e a eventuais reações a deterioração do cenário doméstico, seja político ou econômico.

A despeito do acordo anunciado entre o Governo e os caminhoneiros, o país continua em situação delicada. A autorização do uso da força militar está ajudando a liberar algumas estradas, em algumas regiões, mas a mídia, neste momento, continua reportando situação de bloqueio, falta de alimentos e combustíveis, perdas financeiras elevadas nas fazendas avicultoras e etc.

Na tarde de ontem, foi anunciado o aumento da bandeira de energia para “Vermelha 2”. Segundo especialistas, isso poderá elevar a inflação entre 20bps e 30bps no mês

maneira geral, continuo vendo o cenário como excessivamente nebuloso. Entendo que teremos mais volatilidade e os portfólios precisam estar preparados para este ambiente, tanto no sentido de preservação de capital, como com o intuito de se apropriar da volatilidade e busca de “alpha”.Contiuo sem disposição a carregar grandes temas estruturais de investimento neste momento, mas atuando de forma enérgica, agil, flexível e sem preconceito em busca de “alpha” para os fundos e portfólios.

 




Data: 25/05/2018

Sinais de estabilização. Cenário ainda não me anima.

 

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira em tom mais estável. Contudo, alguns sinais de fragilidade permanecem, como a depreciação de moedas emergentes como a TRY e o ZAR.  Continuo não vislumbrand nenhuma grande oportunidade de alocação no curto-prazo, mas mantendo postura agil e flexível para se favorecer de movimentos que aparentam ser exagerados.

No Brasil, o governo anunciou um acordo junto aos caminhoneiros para evitar um casos social. A despeito do anuncio, alguns orgãos da classe afirmam que a greve irá continuar. Neste momento, ainda não consigo ter uma noção concreta de qual será a situação ao longo do dia.

Com este pano de fundo local, e um cenário externo que me parece mais desafiador, não tenho nenhuma vontade de ter alocações estruturais e relevantes em ativos no Brasil. O BRL tem se mostrado bem comportado nos últimos dias devido a presença mais agressiva do BCB nos swaps cambiais. A curva de juros não me aparenta ter prêmios significativos. Pelo contrário, começo a acreditar que os prêmios, na média, de agora em diante, precisam ser ainda maiores. Na bolsa, nos últimos dias, vimos uma melhor na posição técnica e nos preços e valuations. No geralm todos os mercados apresenam posição técnica mais saudável neste momento, mas o mercado, especialmente os fundos locais, me parecem “machucados” para acreditar em uma tomada de riscomais agressiva no curto-prazo.

Depois da Itália passar por desafios políticos, agora a Espanha apresenta cenário desafiador, com o risco do governo Rajoy sofrer um voto de confiança. O cenário de crescimento na Europa já vinha se mostrando mais desafiador e, agora, importantes economicas da região apresentam desafios políticos que podem afetar ainda mais negativamente a confiança e o crescimento.

Nos EUA, Trump voltou a adotar postura mais dura em relação as negociações junto a Coréia do Norte, as questões comerciais com a China e seus parceiros comerciais, como México, Canada e Europa, no tocante as importações de automóveis. Vejo um cenário ainda nebuloso, a despeito de acreditar que esta postura é apenas uma forma, um caminho, de buscar situações mais vantajosas para os EUA e mostrar firmeza as vésperas de uma eleição no Congresso Americano.




Data: 24/05/2018

 Cautela é necessária. Sinais de fragilidade (local e externo) permanecem.

 

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira em tom mais estável. Destaque para a depreciação de 2,5% na Lira (TRY) na Turquia, que após uma rápida e acentuada depreciação “intraday” ontem após a elevação dos juros em 300bps voltou a mostrar fragilidade. A Bloomberg traz hoje um artigo em que mostra a exposição de alguns bancos Europeus à Turquia e a TRY, o que pode gerar algum contágio, mesmo que pequeno e pontual.

Na noite de ontem, Trump pediu que o secretário de Comércio iniciasse investigações em torno das importações americanas de automóveis, o que pode levar a uma nova rodada de anúncio de tarifas de importação. Com esta postura, Trump demonstra que a “Guerra Comercial” ainda não está vencida e que o aparente avanço conseguido no final de semana com a China pode ter sido apenas um “alarme falso”. Continuo acreditando que este tipo de postura é apenas uma maneira de se conquistar alavancagem nas negociações, mas certamente mostra um cenário ainda desafiador pela frente.

No Brasil a Petrobrás anunciou uma queda de 10% no preço do diesel, que deverá vigorar por 15 dias. Depois disso, a empresa pretende voltar a sua política de preço. O Congresso, por sua vez, para zerar a CIDE, aprovou durante a noite a reoneração da folha de pagamentos.

Eu vejo a decisão da Petrobrás, mesmo que politicamente sendo uma decisão difícil dado o impacto para a sociedade e o caos social que está se instalando no país, como uma decisão extremamente danosa à imagem da empresa do ponto de vista do investidor. A decisão abriu um precedente enorme para que a política de preços seja abandonada por qualquer questão, econômica ou social, que venha a afetar o país.

Como tenho afirmado neste fórum, a situação vivida nos últimos dias mostra como o próximo Presidente o próximo Governo precisará estar comprometido com o ajuste econômico para manter suas convicções e não adotar medidas vistas como populistas a luz do mercado. Por ora, os candidatos que estão mostrando competitividade nas pesquisas não demonstram esse apego e convicção pelas reformas. Assim, é natural o mercado pedir mais prêmio de risco nos ativos do Brasil nesta fase do ciclo eleitoral.

No tocante aos ativos Brasileiros, acho importante comentar sobre a posição técnica e a dinâmica dos mercados locais. Nas últimas semanas, vimos uma grande “limpada” de posições no Câmbio (BRL) e no mercado de juros. Esses, nos últimos dias, foram ancorados pela decisão de política monetária do BCB e pela intervenção via swaps cambiais. Agora, começamos a ver uma limpada de posições no mercado de renda variável. A queda da Petrobrás nos últimos dias, uma grande “over-performance” do Ibovespa e do mercado, já é sinal disso. Além disso, nos últimos dias, vimos uma forte queda das inflações implícitas e aumento de taxa de juros reais nas NTN-Bs. Na minha visão, este movimento é totalmente técnico e explicado por um posicionamento pouco saudável do mercado nesta classe de ativo que, agora, começa a se desfazer.




Data: 24/05/2018

Update.

 

Os ativos de risco estão apresentando dinâmica mais difusa ao longo do dia de hoje. Acho válido comentar sobre alguns temas:

Brasil/Político – A situação da alta no preço dos combustíveis está gerando uma grande revolta popular, com problemas de abastecimento já sendo reportados pela mídia. A queda da CIDE pode não ser suficiente para amenizar o problema. Assim, o mercado começa a se questionar se a pressão para uma solução não irá recair, no final das contas, na Petrobrás. A ação da empresa apresentou forte queda nos últimos dias, desde que o assunto entrou no radar dos investidores.

Confesso que hoje não vejo solução econômica simples, que seja capaz de atender a população/sociedade, sem que afete o (correto) caminho traçado para a empresa do ponto de vista empresarial. Assim, é natural que o mercado continua a se questionar sobre o tema, pedindo mais prêmio de risco para carregar ações e papeis da dívida da empresa.

Brasil/Inflação – O IPCA-15 de maio apresentou alta de 0,14% MoM e 2,7% YoY, muito abaixo das expectativas. O qualitativo do indicador também foi positivo, com os núcleos e a difusão baixos. A inflação de serviços, mais aderente a política monetária, mostrou um quadro de inflação extremamente baixa.

O número de hoje apenas reforça a mensagem do BCB de que os juros devem ficar mais baixos por mais tempo. Contudo, o cenário externo e o câmbio precisam ser monitorados. Não vejo grandes assimetrias hoje, no atual cenário externo, com um ciclo eleitoral indefinido se aproximando, no mercado de juros, exceto por posições táticas e alguns poucos plays de curva.

Turquia – Após gerar grande volatilidade ao longo da noite e durante toda a manhã, o país anunciou uma alta inesperada de 300bps nas taxas de juros, como o Governo voltando a adotar um discurso mais ortodoxo. A depreciação superior a 4% na Lira (TRY) se transformou em uma apreciação de 2,4% neste momento.

Este é mais um caso de busca por racionalidade e ancoragem por parte de uma autoridade monetária emergente. Parece que estamos longe de uma solução para os desafios que esses países têm pela frente, mas passos importantes, assertivos e corretos estão sendo tomados nessas economias.

Europa/Crescimento – O PMI da Europa apresentou mais um mês de queda, puxado por Alemanha e França. A fraqueza da economia da Europa, aliada aos riscos políticos na Itália voltaram a pressionar o EUR e colocar em dúvida o cenário de recuperação coordenada da economia global.

Ainda vejo a economia da Europa crescendo a taxas relativamente saudáveis, a despeito de mais baixas do que na virada do ano e do patamar que se imaginava. Ainda trabalho com um cenário de crescimento saudável da economia mundial, com flutuações em torno da tendência.

EUA – O Markit PMI do país apresentou alta em maio, confirmando o bom momento da economia deixando ainda mais aparente as diferenças econômicas entre os EUA e o resto do mundo.

As Minutas do FOMC mostraram um cenário de crescimento robusto e saudável, aperto do mercado de trabalho e acumulo de pressões inflacionárias. Contudo, como já virou praxe nesses documentos, existe um grande debate em torno de como se dará o processo de normalização monetária de agora em diante.

Acredito que o Fed será reativo aos dados econômicos. Hoje parece justo acreditar em mais 2 a 3 altas de 25bps nas taxas de juros este ano, mas os dados de inflação serão fundamentais para moldarmos este processo. Entendo que as Minutas possam gerar volatilidade e incerta no curto-prazo,  mas estou mais preocupado e focado nos dados econômicos para a manutenção de uma das principais teses de investimento do portfólio, leia-se, taxas de juros estruturalmente mais elevadas nos EUA.




Data: 23/05/2018

Risk-Off!

 

Depois de uma segunda e terça-feira de melhora generalizada dos ativos de risco, com boa descompressão dos prêmios dos ativos emergentes, os mercados globais estão abrindo a quarta-feira em tom mais negativo, com movimento clássico de risk-off. Não me parece haver um motivo específico, ou trigger único, para estes movimentos. Vale mencionar, contudo, a forte desvalorização da Lira (TRY) na Turquia – que neste momento cai cerca de 3,7% em relação ao dólar – e as incertezas que ainda rondam o cenário econômico e político na Itália, que podem começar a estar impactando e gerando contágio ao resto do mundo.

Diante deste quadro e desta dinâmica, diria que o “relief rally” que eu estava prevendo tenha, neste momento, se encerrado. O mercado mostra alto grau de volatilidade e incerteza, o que tem impedido a alocação de risco de maneira mais estrutural (longo-prazo). Assim, vou continuar favorecendo uma postura mais tática (curto-prazo) e um portfólio mais neutro, buscando posições em temas específicos ou posições relativas.

No Brasil, a intervenão do BCB no mercado de câmbio parece ter trazido ancoragem e racionalidade ao mercado. Espero que o Real (BRL) apresente desempenho relativo melhor do que os seus pares neste ambiente descrito acima, mas ele não estará totalmente imune a rodadas de dinâmica negativa como essa que estamos observando essa manhã.

O Governo anunciou que irá zerar a CIDE de combustíveis, mas o Ocngresso irá votar a reoneração da folha de alguns setores para evitar perdas de receita. Essa postura é “menos pior” que alterar a politica de preços da Petrobrás, e ou aceitar uma perda de receitas sem contrapartida. Contudo, mostra o grau de preção que o próximo governo irá enfrentar. Sem um Presindete de fato comprometido com o ajuste econômico, é natural que este tipo de pressão, entre outras, acabe sucumbindo o novo presidente ou governo à medidas mais populistas.

A Ata do Copom mostrou que o BCB pretene manter a Taxa Selic estável nas próximas reuniões, mantidas as condições atuais de inflação corrente, expectativas de inflação e inflação prospectiva. Contudo, como sempre, o BCB irá monitorar o cenário prospectiva para, então, decidir seus próximos passos. Acredito que a curva de juros tenha que operar com prêmio de alta de juros. Mesmo com prêmios na ordem de 350-400bps nos FRAs mais longos (2 a 4 anos) não vejo o mercado de juros, neste momento, como apresentando valor que jistifique posições estruturais e\ou relevantes para o portfólio. Acredito que  o mercado ficará mais volátil. Vejo mais valor em plays de curva e posições apenas táticas.




Data: 22/05/2018

Risk-On!

 

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de “risk-on”, movimento que está tendo seguimento esssa manhã. O destaque fica por conta para a compreesão dos prêmios dos ativos dos países emergentes\Brasil, que foram um dos mais afetados e pressionados nas últimas semanas. A dinâmia do mercado esta em linha com o roteiro que tracei no final da semana passada e começo desta semana (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/vejo-espaco-para-uma-recuperacao-dos.html).

Eu vejo espaço para este movimento de compressão de prêmios continuar no curto-prazo, baseado em um cenário de crescimento global ainda suadável, melhora na posição técnica, preços\valuations mais atrativos e uma atuação mais assertiva e correta por parte dos policy makers.

A longo-prazo, contudo, eu vejo o estágio do ciclo econômico nos EUA como já avançado, o que irá gerar restrições à melhoras mais estruturais, acentuadas e permanentes esses ativos. Assim, minha visão mais construtiva é tática\cíclica, mas não deixa de vislumbrar uma recuperação que pode ser relevantes dessas classes de ativos. Continuarei adotado postura mais flexível e agil ao longo do ano, pois vejo um mercado com volatilidade e inertezas maiores.

Essa manhã a China anuncio que irá baixar as tarifas e importação de carros para 15%, em um movimento que mostra comprometimento com as negociações promovidas no final de semana, reduzindo ainda mais os riscos de uma batalha comercial mai ampla. Este tipo de medida\postura deverá ajudar o humor global a risco, à medida que eleva as perspectivas do comércio global e, consequentemente, do crescimento mundial.

No Brasil, o destaque negativo fica por conta da tentativa de intervençõ do governo na política de preços da Petrobrás, em um ambiente de escalada rápida e acentuada do preço do petróleo e dos combustíveis. Ainda precisamos entender quais medidas serão tomadas, mas qualquer iterferência concreta será mau recebida pelo mercado. Devido ao cenário externo, na margem, mais construtivo, a interferênia deverá ficar concentrada no preço das ações da Petrobrás. Medidas mais agressivas podem trazer de volta a tona o questionamento em torno da quadro econômico do país, levando a uma dinâmica pior dos ativos locais (steepening da curva de juros, alta do dólar e etc).

Hoje a agenda terá as Notas do Copom. Espero que o Comitê reforce a mensagem de que a Taxa Selic ficará mais baixa no horiznte relevante de tempo, já que a inflação corrente e prospectiva, além das expectativas de inflação, continuam ancoradas. O hiato do produto continua muito aberto, o que permite um crescimento sem pressões altistas na inflação. Além disso, a recuperação do crescimento e do emprego segue lenta e gradual.

Na Itália a formação de um governo mais populista continua deixando os ativos do país mais pressionados. O problema continua localizado e sem gerar contágio para o resto do mundo. Ainda precisamos entender quais serão as reais chances desse governo implementar medidas econômicas deletérias ao país, mas sem dúvida é natural e esperado que o mercado peça mais prêmios para os ativos italianos de agora em diante.




Data: 21/05/2018

Vejo espaço para uma recuperação dos ativos EM\Brasil. Contudo, é sempre difícil acertar pontos de inflexão.

 

O destaque do final de semana ficou por conta da conclusão das negociaões preliminares entre os EUA e a China em torno de suas relações comerciais. Segundo um comunicado conjunto emitido após as reuniões, os países de comprometeram em estreitar seus relacionamentos, com a China buscando elevar substancialmente as compras de produtos norte americanos. Não houve a divulgações de metas ou números concretos, mas um comprometimento em torno do tema. Após o comunicado, os EUA anunciaram, mesmo que semi-oficialmente que, por ora, não irão impo tarifas de importação à China, freando assim, a “guerra comercial” entre ambos. 

 

Os eventos do final de semana, assim, reduzem substancialmente os riscos de uma “guerra comercial” mais ampla e se colocam dentro do cenário bae que a maior parte do mercado vinha trabalhando. De maneira geral, a despeito do risco de uma postura mais dura por parte da administração Trump, a maior parte do mercado esperava (e espera) que as negociações caminhem em um direação ainda construtiva. 

 

É natural supor que passado este evento, e mesmo com riscos de execusão, e riscos em outras frentes, como no NAFTA, algum prêmio de risco seja reduzido nos mercados financeiros globais. 

 

Nesta mesma frente, vimos a divulgação de dados mais robustos e ainda saudáveis de exportações na Coréia do Sul e no Japão ao longo desta noite, o que mostra uma economia global ainda relativamente estável e saudável, mesmo que com flutuações em torno da tendência. 

 

De maneira geral, vejo algum espaço para a normalização dos ativos de risco, especialmente aqueles mais pressionados nos últimos dias e semanas, como os ativos emergentes. Entendo que seja difícil acertar pontos de inflexão nos mercados, e que a dinâmica destes ativos ainda se mostra fragilizada (comentei um pouco mais sobre isso no sábado: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-bcb-aumenta-oferta-de-swaps.html), mas vejo o acumulo de evidências de um quadro econômico ainda positivo, uma melhora na posição técnica, preços e valuations mais atrativos e uma atuação correta dos policy makers. 

 

Entendo que talvez o mercado de FX não seja a melhor classe de ativos, mesmo vislumbrando uma melhora tática ou cíclica, mas há espaço para acomodação no mercado de juros, assim como alguns setores e empresas da bolsa apresentaram correções excessivas vis-a-vis seus fundamentos.




Data: 21/05/2018

Brasil: BCB aumenta oferta de swaps cambiais. Mais um passo acertado.

 

Brasil\Câmbio – No final da tarde de ontem o Banco Central (BCB) anunciou um aumento na oferta de swap cambiais, dos US$250mm diários, para US$750mm diários. Além da oferta, o BCB divulgou comunicado em que busca diferenciar a postura no tocante ao câmbio de sua política monetária.

 

Acredito que a atuação do BCB esteja correta, primeiro ofertando um montante menor de swaps, depois deixando de cair a Taxa Selic e, agora, oferecendo maior hedge cambial ao mercado. O movimento de fortalecimento do dólar é global e não local. Contudo, é dever do BCB suavizar os movimentos, mas não tentar mudar a direção da moeda. Como no passado o BCB conseguiu reduzir o estoque de swaps, e como o país ainda é credor em dólares, é natural e saudável este tipo de movimento e postura por parte da autoridade monetária. 

 

Como o objetivo não é alterar a direção da moeda e o movimento do dólar é global, precisaremos observar o cenário externo para definir até onde irá à taxa de câmbio. Os últimos passos do Brasil, e de outros países emergentes como a Argentina, foram passos positivos, assertivos e na direção correta, mas ainda é cedo para definirmos até onde irá este movimento recente. Tendo a acreditar que estamos chegando a um ponto de posição técnica mais saudável, preços e valuations mais atrativos, em um pano de fundo não tão negativo como aparenta, mas é sempre muito difícil, senão impossível, acertar pontos de inflexão nestes tipos de movimentos ou tendências. 

 

Brasil\Política – A direita continua bem representada por Bolsonaro na disputa eleitoral para presidente. O Centro ainda se mostra muito disperso, sem poder de coalização e com grandes problemas existenciais. A esquerda, na figura de Ciro Gomes, começa a mostrar alguma convergência, dependendo de Lula e do PT para uma definição de em que caminho irão tomar. O cenário segue bastante nebuloso e indefinido. 

 

Os jornais dos últimos dias mostram preocupação no PSDB em torno da candidatura de Alckmin. O nome de Doria volta a ser ventilado em seu lugar. O PDT de Ciro trabalha para buscar um vice do PSB e o PT continua insistindo na candidatura de Lula, equanto há coversas e pressões de bastidores para algum “plano B”. 

 

EUA vs China – Não houve avanços significativas nas conversas entre ambos os países, mas há algum esforço para mostra coesão nas negociações. Parece que a China ofereceu, ou se comprometeu, em elevar suas compras de produtos americanos, mas sem se comprometer com qualquer meta de redução do déficit. Segundo a Bloomberg: 

 

"(Bloomberg) -- China will significantly increase purchases of U.S. goods and services, the White House said in a statement following talks in Washington this week that aimed to resolve a trade dispute between the world’s two largest economies. Both sides agreed on meaningful increases in U.S. agriculture and energy exports, the White House said, adding that the U.S. will send a team to China to work out the details." 

 

EUA vs NAFTA – Não houve acordo entre as partes em no tempo estipulado. Agora, o México passará por uma eleição presidencial que poderá alterar significativamente o quadro político local, assim como os EUA terão eleições para o Congresso que também poderão alterar a dinâmica política do país, tornando as negociações ainda mais complicadas.




Data: 18/05/2018

Alguns comentários adicionais.

Mercado ainda bastante sensíveis e fragilizados. Seguem algumas atualizações de temas que acabei não comentado nas últimas 24 horas mas que julgo serem relevantes para o curto-prazo:

Emergentes/Fluxos/Posição – Fluxo para emergentes continua ruim/negativo. Até acredito que o mercado aparente ter exagerado um pouco no movimento, mas os fluxos mostram que a posição técnica ainda precisa ser administrada (ou digerida) ao longo do tempo. Segundo o Morgan Stanley:

EM outflows continue: EM debt-dedicated fund outflows continued over the last week, standing at US$1.3bn (up to May 16) compared to outflows of US$2.1bn in the previous week. Hard currency funds registered outflows of US$259m (0.12% of AUM), while local currency funds lost US$918m (0.48% of AUM). Blend currency funds also saw outflows of US$100m (0.19% of AUM). ETFs reported inflows of US$266m over the past week, driven by inflows of US$547m into hard currency ETFs, while local currency ETFs recorded outflows of US$280m. Meanwhile, non-ETFs continued to see outflows of a similar magnitude to the previous week, totalling US$1.5bn. This was again driven by hard currency non-ETFs, which saw outflows of US$806m, while local currency non-ETFs experienced outflows of US$632m. Outflows from regional or country-focused local currency funds picked up from US$33m last week to US$720m this week. Split by type, funds with global mandates saw outflows across both local (US$192m) and hard (US$131m) currency funds. Lastly, blend currency funds lost US$89m. Overall, year-to-date debt-dedicated fund inflows have now slipped to US$9.7bn.

Brasil – O quadro político segue indefinido e, na margem, a esquerda parece demonstrar mais capacidade de aglutinação do que o centro. A mídia continua reportando avanço nas negociações em torno de Ciro Gomes. Do ponto de vista do mercado, este seria uma caminho que não é bem recebido, pelas ideias pouco ortodoxas do ponto de vista de política econômica do candidato do PDT.

Itália – O país caminhou para um acordo entre partidos mais radicais. A despeito de terem deixado de lado plataformas mais heterodoxas, como cancelamento de dívida e saída da União Europeia, são dois partidos que devem dificultar a implementação de reformas econômicas urgentes a uma economia com elevada dívida/PIB. Além disso, existe um risco, com probabilidade crescente, de aumento do déficit fiscal.

China vs EUA – A mídia reportou durante a noite, ainda não confirmado, que a China teria oferecido uma redução de cerca de US$200bi do seu déficit com os EUA. Me parece difícil chegar a este montante e uma confirmação deste rumor ainda precisa ser observado. Quaisquer avanços nessas negociações serão bem recebidas pelos ativos de risco.

EUA vs NAFTA – Um acordo não foi atingido na data estipulada (ontem). Parece que ainda há diversas diferenças a serem reconciliadas. Acredito que um acordo irá acontecer, mas a demora no processo pode gerar mais incerteza e volatilidade em um período de eleições no México, em especial.




Data: 18/05/2018

EM: Pressionados, até quando?

Os ativos de risco estão abrindo o dia em tom mais estável. Ontem foi mais um dia de forte pressão nos mercados emergentes, a despeito da relativa tranquilidade dos mercados desenvolvidos.

Muitos estão me questionando quando que iremos observar uma estabilização deste humor global em torno dos mercados emergentes e do Brasil. Acredito que alguns dos seguintes vetores precisa ser observados. (1) Estabilização dos juros nos EUA. Precisamos ver as taxas de juros pararam de subir, e ter alguma convicção que o um novo patamar foi encontrado. (2) níveis de preços e valuations (ainda) mais atrativos precisam ser atingidos. (3) a posição técnica precisa se tornar mais saudável. O mercado ficou em torno de 2 anos comprando ativos emergentes, não será em apenas 1 ou 2 meses que o ajuste será totalmente efetuado.

Além desses vetores, teremos que superar problemas locais e indiossicráticos, como eleições no Brasil e no México, além de um ambiente econômico desafiador na Turquia e Argentina. Finalmente, o aparente estágio avançado do ciclo econômico nos EUA se mostra como uma grane barreira, ou restrição, a movimentos mais prolongados de recuperação.

Os ativos no Brasil ontem apresentaram reação clássica a decisão do Copom, com “bear flattening” da curva de juros, over-performance do BRL em relação a seus pares, porém forte queda da bolsa. Confesso que a despeito da direção dos mercados terem sido em linha com as minhas expectativas (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-copom-adotada-estrategia-correta.html) fiquem um pouco surpreso com o tamanho dos movimentos de depreciação no câmbio e na bolsa.

A agenda do dia será esvaziada. Nos últimos dias, nossos portfólios se tornaram ainda mais defensivos. Por ora, abandonamos nossa tese de investimentos de juros mais baixos por mais tempo no Brasil. Não temos hoje nenhuma posição relevante em juros no Brasil. Acreditamos que os juros devem ficar mais baixos por mais tempo, mas isso deverá ser expresso através de posições na curva, e não posições direcionais. Antes de alocar posição neste tema, contudo, gostaria de observar alguma estabilização do mercado. Estamos apenas como pequena posição em bolsa Brasil, através de uma carteira de ações cujo os preços não nos parecem refletir a melhora de fundamentos apresentada nos resultados recém divulgados. A disciplina do stop, contudo, será respeitada caso necessário. Seguimos tomados em juros nos EUA como principal posição do fundo, complementado com pequenas posições, via opção, e com visão de hedge, vendidos em S&P e em AUD.




Data: 03/05/2018

Fed, Swap Cambial e baixa inflação na Europa.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira em tom mais positivo. Na tarde de ontem, o Fed anunciou sua decisão de política monetária, em que manteve a taxa de juros inalterada, como era amplamente esperado. O FOMC, contudo, promoveu uma pequena alteração em seu comunicado, para sinalizar que a inflação está mais perto de sua meta “simétrica” de inflação de 2%.

Esta mensagem foi lida como um sinal de conforto por parte do Comitê que, caso a inflação suba acima de 2%, porém não muito acima, isso não implicaria em uma mudança de postura por parte do FOMC. Assim, se mantém o cenário de cerca de 3 a 4 altas de 25bps nas taxas de juros nos EUA nos próximos anos. Apenas uma mudança drástica de cenário levará o Fed a alterar sua rota de normalização monetária.

Na minha visão, a decisão de ontem em nada altera o cenário base e os cenários de “risco” alternativos. Entendo que a decisão retira algum risco de cauda do curto-prazo, o que pode dar algum alívio pontual a um mercado excessivamente cauteloso nos últimos dias, mas ainda vejo o cenário econômico como ditando o ritmo dos ativos de  risco.

Nessa frente, o ADP Employment apresentou alta em torno de 200 mil vagas de trabalho em abril, confirmando o bom momento da economia e do mercado de trabalho. Todas as atenções estarão voltadas para o Payroll amanhã e, principalmente, para os dados de rendimentos e as eventuais pressões inflacionariam.

No início da noite de ontem, no Brasil, o BCB anunciou o começo da rolagem de swap cambiais. Se mantido o ritmo anunciado todos os dias até o final do mês, o BCB estará vendendo cerca de US$2,8bi ao mercado. Segundo a própria instituição, a medida visa suavizar o movimento de alta do dólar. A postura adotada pelo BCB mostra desconforto com o movimento do câmbio, colocando em debate a próxima queda de 25bps nas taxas e juros sinalizados para a próxima reunião do Copom. Neste ambiente, a dinâmica do mercado nos próximos dias será extremamente importante.

Na Europa, a inflação de abril apresentou uma inesperada desaceleração, com o CPI caindo a 1,2% YoY e o Core CPI para 0,7% YoY, A arrefecimento da inflação coloca a estratégia de normalização monetária do ECB em xeque e o EUR em situação ainda mais delicada caso os dados de emprego amanhã, nos EUA, mostrem um quadro de mercado de trabalho apertado e pressões inflacionárias.

Diante de todo o exposto acima, os dados de emprego amanha nos EUA ganham uma importância gigantesca para a dinâmica de quase todas as classes de ativos de risco para os próximos dias e semanas.




Data: 02/05/2018

Humor mais positivo. Agenda importante.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira em tom mais positivo. O resultado da Apple, divulgado o final da tarde de ontem, levou a uma alta de 5% no preço da ação no “after-market”, o que está ajudando o humor global a risco. Assim, neste momento, vemos uma leve alta das bolsas globais, as commodities operam em tom positivo, os juros abrem no mundo desenvolvido e o dólar apresenta leve queda, porém ainda mostra dificulades em cair de maneira mais acentuada.

Comentei um pouco mais sobre os movimentos recentes aqui. Copio o link para não soar repetitivo: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/dollar-rules.html.

O destaque do dia ficará por conta do ADP Employment e para a decisão do FOMC, nos EUA. Espero ver um mercado de trabalho ainda robusto, mas entendo que nesta fase do ciclo econômico seja esperado que a criação de vagas de trabalho arrefeça dos cerca de 200-250 mil dos últimos meses, para algo em torno de 100-150mil de maneira mais sustentável. Mesmo neste ambiente, as pressões infacionárias deveriam se acumular.

No tocante ao FOMC, espero que o Comitê relate um cenário relativamente estável no tocant ao crescimento, mas mostre mais confiança na trajetória da inflação a sua meta de 2%. Ainda vejo um processe de, pelo menos, 3 a 4 altas de 25bps na taxa de juros neste e no próximo ano, cenário que não está precificado na curva de juros.

No Brasil,o dólar chegou a operar ontem em torno de 3,53-3,54 no mercado de balcão. O BCB vem sinalizando que a primeira linha de defesa seriam as interveções cambiais, seja via swaps ou via reservas. Acredito que o BCB ainda não atuou pois o movimento vem sendo relativamente gradual e concomitantemente com a alta do dólar ao redor do mundo. Assim, em termos relativos as demais moedas, a queda\depreciação do Real se mostra menos acentuada do que contra o dólar norte americano. Ainda não vejo a queda de 25bps na Taxa Selic sinalizada pelo BCB para o próximo Copom como estando em risco, mas o mercado pode questionar a estratégia do BCB caso a depreciação cambial continue. A posição técnica na parte curta da curva ainda me parece pouco saudável. De modo geral, ainda vejo os juros no Brasil mais baixos por mais tempo, mas não gosto do risco\retorno na curva curta de juros no ambiente que estamos vivenciando neste momento. Minha visão pode mudar por preço, dinâmica de mercado ou alguma mudança no cenário.




Data: 02/05/2018

Dollar Rules!

A terça-feira foi novamente marcada por uma alta do dólar no mundo (, mas desta vez sustentada pela abertura das taxas de juros nos EUA. Os ativos emergentes operaram todo o dia sobre forte pressão.

A narrativa em relação ao dólar continua a mesma que tenho descrito neste fórum já há alguns dias vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/). O resto da semana será fundamental para que está dinâmica se converta de fato em uma nova tendência, ou alguma acomodação desses movimentos aconteça. Destaque para o ADP Employment e decisão do FOMC amanhã nos EUA, e para os dados oficiais de emprego na sexta-feira.

O grande destaque econômico do dia, na minha visão, ficou por conta do ISM Manufacturing. O número apresentou queda superior as expectativas, saindo de 58.3 para 57.3. A despeito da queda, o número continua em patamar saudável e condizente com um crescimento estável da economia (hoje em torno de 2,5%). Ainda mais importante do que o “headline”, o Prices Paid – indicador de pressões inflacionárias – apresentou forte elevação, passando para 79.3 pontos, o maior patamar em vários anos.

Assim, seguimos em um pano de fundo em que acumulam-se evidências cada vez mais claras de pressões inflacionárias, em uma economia que cresce a taxas relativamente constantes. Não vejo outro caminho ao Fed se não manter seu processo de normalização monetária, com cerca de 3 a 4 altas de 25bps por ano e uma redução de seu balanço. Ainda vejo o risco de mais altas de juros como uma probabilidade muito maior do que uma desaceleração da economia. Além disso, acredito que o mercado embute probabilidade excessivamente baixa de uma cenário inflacionário mais preocupante juros muito mais altos no curto-prazo (12 a 24 meses).

Fora o cenário econômico, a temporada de resultados corporativos continua relativamente positiva. O dia teve como destaque a Apple, que acabou subindo cerca de 5% no “after-market”. Além disso, vimos alguns ruídos envolvendo o NAFTA e as negocições em torno das tarifas sobre o Aço. Por ora, vejo esses temas como secundários ao cenário econômico, mas entendo que eles acabem gerando volatilidade e alguns fluxos de curto-prazo.

No Brasil, me parece que estamos definitivamente na agenda eleitoral. Me chamou a atenção nos últimos dias o aumento de mais de 5% no Bolsa Família e uma notícia hoje dando conta de uma potencial injeção de R$15bi na Caixa Econômica visando o estímulo ao crédito. Continuo vendo o cenário doméstico como mais desafiador até as eleições, tanto do ponto de vista local como, agora, do ponto de vista externo. Tenho dificuldades em vislumbrar tendências muito claras para os ativos locais. Acredito que veremos movimentos bruscos e, talvez, até mesmo acentuados, mas sem uma tnedência muito clara. Vou continuar com recomendações e aloações mais baixas e adotando postura mais tática nos ativos locais.




Data: 02/05/2018

Dólar, Treasuries e Cenário.

 

Obs: Peço desculpa em antecipação pelo tamanho excessivo do texto de hoje, mas acho importante resumir os eventos dos últimos 5 dias em que estive com menos "pegada" do dia-a-dia.

O dia foi um tanto quanto interessante para estar de volta. Do ponto de vista econômico, não houve de fato uma mudança muito relevante de pano de fundo, como veremos abaixo.

Mercados:

Para os ativos de risco, vimos a confirmação de uma dinâmica diferente em relação ao dólar no mundo. O mercado agora arpoveita qualquer queda do dólar como oportunidade de compra da moeda americana. Como comentei na semana passada, o dólar parece tecnicamente rompendo alguns niveis importantes e uma tendência de alta pode estar se caracterizando. A posição do mercado, excessivamente vendida em dólar no mundo, está ajudando a exaxerbar este movimento. Além disso, o cenário economico de diferencial de crescimento, politica monetária e taxa de juros, além do momentum da moeda parecem dar suporte ao movimento, que poe continuar no curto-prazo. Comentei sobre isso na semana passada aqui, na seção sobre EUA (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/comentarios-sobre-os-eventos-recentes.html).

Os juros nos EUA, até o momento, falharam em romper os 3%, mas não conseguem também apresentar fechamento de taxas mais expressivos. A semana será extremamente importante nessa frente, como comentei aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/semana-de-agenda-importante.html.

Destaque de hoje para ruídos envolvendo o programa nuclear do Irã, que deram suporte ao petróleo. A correlação do petróleo com os juros e as “breakeven inflations” nos EUA continua elevado. Eu prefiro focar no cenário econômico, com os dados de emprego, renda e a reunião do FOMC na hora de tomar decisões de alocação, mas estes movimentos de curto-prazo precisam ser acompanhados para eventuais desenvolvimentos mais relevantes.

Este ambiente tem pressionado os ativos emergentes como um todo, e o Brasil tem seguido está dinâmica. Mantenho a visão de que os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta da economia do país, até uma definição clara das eleições, no último trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis, e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Cenário econômico:

Na Europa, as vendas no varejo da Alemanha surpreenderam negativamente, colocando mais um vetor de preocupação em relação ao crescimento da economia local.

Nos EUA, a inflação ficou dentro das expectativas do mercado, com o Core PCE novamente muito proximo a meta de 2% do Fed. O número era de certa forma esperado, mas reafirma o cenário de acumulo de pressões inflacionarias e manutenção da postura do Fed de normalização de sua política monetária. Os dados de crescimento, como o Chicago PMI, Personal Consumption e Spending, fluam em torno de uma tendência, com alguns dados mais positivos e outros não tão positivos, mas sinalizando para um crescimento ainda saudável e em torno da tendência.

No Brasil, destaque apenas para a pesquisa Focus, que mostrou alguma pequena revisão altista para as expectativas de inflação de 2019. Ainda acho cedo para a depreciação cambial começar a atrapalhar a politica monetária, mas acho que o mercado, por sua vez, pode começar a se questionar em relação a isso. Com as posições aplicadas em juros ainda relevantes, não descartaria uma rodada de desalavancagem nos vértices mais curtos da curva. Ainda vejo este cenário como um “cenário de cauda”, mas cuja probabilidade começa a aumentar.

Posição:

Continuo com baixa exposição a risco no Brasil, focado na pate mais longa da curva de juros reais. O portfólio segue tomado em juros nos EUA de forma relevante. Seguidos utilizando a venda de AUDJPY como hedge da carteira, assim como algumas estruturas de opção de S&P. Por ora, estamos com poucos temas de investimentos alocados devido a baixa visibilidade do mercado. Acredito que podemos estar em um ponto de inflexao relevante para o cenário e os mercados. Assim, precisamos estar liquidez e com agilidade para tomar posições mais relevantes.  




Data: 02/05/2018

Visão Geral.

 

Para quem não teve acesso aos meus últimos, e breves comentários, segue abaixo. A partir de hoje teremos as rotinas reestabelecidas:

Agenda: 

A próxima semana será extremamente importante para o pano de fundo global, com destaque para a decisão do FOMC, o Core PCE e os dados oficiais de emprego nos EUA. 

Com alguns mercados em níveis importantes, o rompimento desses níveis pode significar um avanço mais concreto em suas tendências recente, como o fortalecimento do dólar, a abertura de taxa de juros nos EUA e a pressão sobre os mercados emergentes.

Estarei olhando com especial atenção a confirmação do cenário de acumulo de pressões inflacionarias, em meio a um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto fechado. Ainda vejo este como o cenário mais provável. O mercado me parece preparado para movimentos graduais nessa direção, mas não para um cenário mais agressivo de inflação e aperto do mercado de trabalho.

Ainda vejo este risco com uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje e por isso a maior posição do portfólio continua a ser tomada em juros nos EUA. Eu vejo o mercado ainda bastante preocupado com a "guerra fiscal” e uma potencial desaceleração mais acentuada do crescimento, mas vejo estes riscos como apresentando baixa probabilidade neste momento.

Caso o FOMC e os dados de inflação e emprego não confirmem o cenário base com o qual tenho trabalhado, ou apresentem alguma acomodação de curto-prazo, o portfólio precisará ser readequado, com posições mais balanceadas. Voltamos a colocar alguns hedges no mercado externo, via opções de S&P e JPY. O portfólio hoje apresenta um viés levemente negativo mas será reavaliado diariamente está semana conforme os dados e das decisões de política econômica forem sendo concretizadas.

No Brasil, vejo os ativos locais reféns do cenário externo no curto-prazo, e ainda à mercê de um quadro político turbulento e um cenário econômico menos óbvio do que antes. Sigo com uma visão construtiva para o mercado local de juros, mas estamos com posições mais defensivas e buscando defender o portfólio de maneira tática.

Comentário gerais:

Brasil - Os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta, até uma definição clara das eleições no último trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Vale ressaltar que nos últimos dias vimos nos dados de contas externas uma situação ainda saudável, mas fortes fluxos de saída da conta portfólio, em renda fixa e renda variável, mostrando pouco interesse do investidor estrangeiro por Brasil. As contas públicas ficaram abaixo das expectativas, muito devido a questões pontuais. Contudo, a recente decepção do crescimento deverá afetar também a recuperação cíclica das contas públicas.

EUA - Continuo vendo um crescimento relativamente estável, em torno de 2,5%, com flutuações em torno desta tendência. As pressões inflacionárias continuaram se acumulando, como vimos hoje no Employment Cost Index. Não vejo motivos para o Fed alterar sua postura de normalização monetária. Continuo vendo uma alta da inflação como um risco com maior probabilidade do que uma desaceleração do crescimento. Continuo acreditando na alta estrutural dos juros no pais, em todos os vértices.

Vejo este pano de fundo como uma enorme restrição para o bom desempenho de ativos de risco nos próximos meses. Nas últimas semanas vimos uma mudança de tendência do dólar no mundo, com a posição técnica exacerbando os movimentos. O cenário econômico, o momentum, e a posição técnica parecem favorecer continuidade deste movimento de suporte ao dólar no curto-prazo.

Europa - Os dados de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O ECB mostrou postura mais cautelosa em sua reunião. Hoje mesmo vimos surpresas negativas no PIB a França e Inglaterra. Por ora, ainda parece ser uma acomodação do crescimento, mas conforme o temo passa e as surpresas não são revertidas, corremos o risco de uma mudança mais significativa de cenário. A alta do EUR perdeu momentum e posição especulativa se mostra muita comprada na moeda, questões que precisam ser monitoradas.

China - As recentes surpresas de crescimento e sinais anedóticos, como a queda no preço do minério, levaram o PBoC a adotar postura mais expansionista, com queda do compulsório e outras medidas mais pontuais. O cenário base continua a ser de desaceleração gradual da economia, com o PBoC buscando suavizar os movimentos. O risco continuas a ser de uma desaceleração mais acentuada, sem que o PBoC seja capaz de administrar este movimento.

Mercados - No geral, ainda vemos os mercados em ranges. A bolsa dos EUA está no meio de uma queda de braço entre resultados micro positivos, mas restrições macro. O dólar mostra sinais de tendência altista, assim como os juros nos EUA. O Brasil vem sofrendo os efeitos de um cenário local e externo mais nebuloso.

Continuo buscando temas específicos de investimento, mas com alocação a risco, mas baixa e postura mais tática. Acredito que o ano será mais oportuníssimo do que aplicativo. O primeiro trimestre mostrou que esta minha tese está correta.      




Data: 30/04/2018

Agenda importante na próxima semana.

 

A próxima semana será extremamente importante para o pano de fundo global, com destaque para a decisão do FOMC, o Core PCE e os dados oficiais de emprego nos EUA. 

 

Com alguns mercados em níveis importantes, o rompimento desses níveis pode significar um avanço mais concreto em suas tendencias recente, como o fortalecimento do dólar, a abertura de taxa de juros nos EUA e a pressão sobre os mercados emergentes.

 

Estarei olhando com especial atenção a confirmação do cenário de acumulo de pressões inflacionarias, em meio a um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto fechado. Ainda vejo este como o cenário mais provável. O mercado me parece preparado para movimentos graduais nessa direção, mas não para um cenário mais agressivo de inflação e aperto do mercado de trabalho. 

 

Ainda vejo este risco com uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje e por isso a maior posição do portfólio continua a ser tomada em juros nos EUA. Eu vejo o mercado ainda bastante preocupado com a "guerra fiscal” e uma potencial desaceleração mais acentuada do crescimento, mas vejo estes riscos como apresentando baixa probabilidade neste momento. 

 

Caso o FOMC e os dados de inflação e emprego não confirmem o cenário base com o qual tenho trabalhado, ou apresentem alguma acomodação de curto-prazo, o portfólio precisará ser readequado, com posições mais balanceadas. Voltamos a colocar alguns hedges no mercado externo, via opções de S&P e JPY. O portfolio hoje apresenta uma viés levemente negativo mas será reavaliado diariamente está semana conforme os dados e das decisões de política econômica forem sendo concretizadas. 

 

No Brasil, vejo os ativos locais reféns do cenário externo no curto-prazo, e ainda à mercê de um quadro político turbulento e um cenário econômico menos óbvio do que antes. Sigo com uma visão construtiva para o mercado local de juros, mas estamos com posições mais defensivas e buscando defender o portfólio de maneira tática.




Data: 27/04/2018

Breve comentário.

Ainda estou com acesso limitado ao mercado, mas acho que alguns eventos recentes merece atenção:

Brasil - Os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta, até uma definição clara das eleições no ultimo trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Vale ressaltar que nos últimos dias vimos nos dados de contas externas uma situação ainda saudável, mas fortes fluxos de saída da conta portfolio, em renda fixa e renda variável, mostrando pouco interesse do investidor estrangeiro por Brasil. As contas publicas ficaram abaixo das expectativas, muito devido a questões pontuais. Contudo, a recente decepção do crescimento deverá afetar também a recuperação cíclica das contas publicas.

EUA - Continuo vendo um crescimento relativamente estável, em torno de 2,5%, com flutuações em torno desta tendência. Os pressões inflacionárias continuaram se acumulando, como vimos hoje no Employment Cost Index. Não vejo motivos para o Fed alterar sua postura de normalização monetária. Continuo vendo uma alta da inflação como um risco com maior probabilidade do que uma desaceleração do crescimento. Continuo acreditando na alta estrutural dos juros no pais, em todos os vertices.

Vejo este pano de fundo como uma enorme restrição para o bom desempenho de ativos de risco nos próximos meses. Nas últimas semanas vimos uma mudança de tendencia do dólar no mundo, com a posição técnica exacerbando os movimentos. O cenário econômico, o momentum, e a posição técnica parecem favorecer continuidade deste movimento de suporte ao dólar no curto-prazo.

Europa - Os dados de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O ECB mostrou postura mais cautelosa em sua reunião. Hoje mesmo vimos surpresas negativas no PIB a França e Inglaterra. Por ora, ainda parece ser uma acomodação do crescimento, mas conforme o temo passa e as surpresas não são revertidas, corremos o risco de uma mudança mais significativa de cenário. A alta do EUR perdeu momentum e posição especulativa se mostra muita comprada na moeda, questões que precisam ser monitoradas.

China - As recentes surpresas de crescimento e sinais anedóticos, como a queda no preço do minério, levaram o PBoC a adotar postura mais expansionista, com queda do compulsório e outras medidas mais pontuais. O cenário base continua a ser de desaceleração gradual da economia, com o PBoC buscando suavizar os movimentos. O risco continuas a ser de uma desaceleração mais acentuada, sem que o PBoC seja capaz de administrar este movimento.

Mercados - No geral, ainda vemos os mercados em ranges. A bolsa dos EUA esta no meio de uma queda de braço entre resultados micro positivos, mas restrições macro. O dólar mostra sinais de tendencia altista, assim como os juros nos EUA. O Brasil vem sofrendo os efeitos de um cenário local e externo mais nebuloso.

Continuo buscando temas específicos de investimento, mas com alocação a risco mas baixa e postura mais tática. Acredito que o ano será mais oportunístico do que aplicativo. O primeiro trimestres mostrou que esta minha tese esta correta.   




Data: 24/04/2018

Humor mais positivo essa manhã.

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, com uma alta nas bolsas e nas commodities, uma estabilização das taxas das treasuries e um leve dólar fraco com as moedas emergentes. A divulgação do resultado da Google (Alphabet) no fechamento do dia de ontem pode ter ajudado a dar algum suporte aos ativos de risco. 

De maneira geral, contudo, os resultados corporativos têm vindo acima das expectativas, mas os índices de bolsas dos EUA não estão conseguindo sustentar uma alta mais persistente e permanente. O pano de fundo macroeconômico, com diversos “ventos contrários” (“headwinds”), por ora, está predominando em relação a um quadro microeconômico ainda positivo.

No Brasil, os jornais estão dando atenção às articulações políticas em torno das eleições presidenciais para outubro. O STF irá analisar mais um recurso que pode, eventualmente, favorecer o ex-presidente Lula. Até o momento, o PT etsá mantendo sua candidatura a presidente, em uma estratégia que já vinha se desenhando a bastante tempo. Finalmente, no final da tarde de ontem, a Bloomberg divulgou uma matéria em que afirma que a Odebrecht não iirá honrar na data prevista o pagamento de coupon de um de seus papeis de dívida. O evento, por mais que já vinha sendo monitorado, em nada ajuda o humor em relação aos ativos do país, mesmo que seja um caso específico e bastante isolado.

Na Alemanha, o IFO – um dos principais indicadores de confiança do país e da região – caiu abaixo das expectativas do mercado. Continuo vendo a queda dos indicadores de confiança e de atividade como uma processo natural de acomodação do ciclo econômico. Contudo, é natural que o mercado olhe esses sinais com desconfiança e que uma “luz amarela” paire sobre o cenário até que tenhamos um panorama mais claro da real situação econômica da região.

Na Austrália, a inflação medida pelo CPI ficou abaixo das expectativas do mercado. O número mostrou um quadro de poucas (ou nenhuma) pressão inflacionária, o que deve permitir ao RBA manter a política monetária estável e ser um dos últimos bancos centrais de países desenvolvidos a promoveram mudanças em sua postura. 




Data: 23/04/2018

Posição técnica e potenciais novas tendências.

Acho importante analisarmos o cenário global hoje em duas vertentes distantes. Primeiro, no tocante ao cenário econômico. Segundo, no que diz respeito a dinâmica dos mercados financeiros globais.

No tocante ao cenário econômico, o dia foi marcado pela divulgação de dados econômicos mais positivos. Em especial, as prévias dos PMI´s de abril, na Europa e nos EUA, mostraram sinais de estabilização do crescimento econômico mundial. Os números de hoje reforçam a minha tese de que o arrefecimento do crescimento no primeiro trimestre do ano foi apenas uma acomodação natural do ciclo econômico. Os PMI´s foram ainda corroborados pelos números de exportação da Coreia do Sul. Por ser uma economia bastante aberta e com corrente de comércio elevada, suas exportações costumam ser vistas como um termómetro para a atividade econômica global. De maneira resumida, ainda vemos uma economia com crescimento positivo e relativamente estável, a despeito de flutuações em torno da tendência.

No passado recente, normalmente, dados econômicos mais fortes deveriam ser lidos como positivos pelos ativos de risco e os mercados financeiros globais. Ultimamente, não é isso que tem acontecido. Acredito que parte disso seja explicado pela fase atual do ciclo econômico, em que mais crescimento significa, eventualmente, mais inflação e mais aperto monetário. Outra parte pode ser explicada pelo processo de normalização monetária em curso nos EUA (não vamos esquecer que o Fed está reduzindo seu balanço progressivamente) e, finalmente, um outro vetor seja o técnico do mercado.

O dia foi marcado por uma forte alta do dólar no mundo, que está sendo sustentado pela abertura das taxas de juros nos EUA. Neste caso, em especial, o patamar de 3% das Treasuries de 10 anos está sendo acompanhado atentamente para eventuais rompimentos e/ou acomodações. O dólar, por sua vez, me parece estar passando por um grande ajuste técnico. As posições “vendidas em dólar” no mundo vieram se acumulando ao longo dos últimos meses, com o consenso se formando em torno de um dólar mais fraco diante dos déficits gêmeos e políticas econômicas adotadas pela administração Trump. Os últimos dias estão testando essa tese. A posição técnica comprometida acaba exacerbando os movimentos.

O mesmo comentário vale para os ativos emergentes e as commodities metálicas, cujo consenso vem se formando em torno do bom desempenho desses ativos em uma fase final do ciclo econômico, em detrimento a outras classes de ativos, como bolsas, rates, bonds (HY, HG e etc), spreads e afins.

Os ativos no Brasil estão apenas seguindo este humor global a risco e este ajuste de posições, com destaque para o steepening da curva (vemos muitos fundos com posições de flattening), alta do dólar (pressão no BRL) que está testando o patamar de 3,45 e apenas leve pressão na bolsa, mas com importantes movimentos entre setores.

Nas últimas semanas (talvez nos últimos 2 meses) tenho alertado para a ausência de tendências nos mercados financeiros globais, com os ativos, grosso modo, operando em ranges relativamente curtos. Algumas classes de ativos estão, neste momento, testando níveis importantes e algumas tendências e/ou rompimentos podem estar ocorrendo (ou em desenvolvimento).

O mais claro e óbvio parece ser o Petróleo. Depois, o dólar no mundo encontra-se em patamar importante, seguido das Treasuries norte americanas, especialmente a parte mais longa da curva. Ainda acho cedo para afirmar que estamos, de fato, diante de novas tendências, sejam técnicas ou fundamentais, mas certamente esses níveis serão atentamente acompanhados. Seus rompimentos ou resistências poderão ter enorme influência na dinâmica dos próximos dias/semanas.




Data: 23/04/2018

Pesquisa eleitoral no Brasil e Juros nos EUA.

Não há novidades relevantes no cenário que mereçam comentários adicionais aqueles já realizados nos últimos dias. Os mercados estão iniciando a semana com mais uma rodada de abertura de taxa de juros nos EUA, o que está dando suporte ao dólar no mundo. Por ora, as bolsas globais operam apenas em leve queda, assim como as commodities.

Para não soar repetitivo, sugiro rever meus comentários recentes aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eua-juros-de-10-anos-proximos-aos-picos.html, aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/juros-nos-eua-em-foco.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/pesquisa-eleitoral-no-brasil-e-juros.html.

Na agenda do dia, o destaque ficará por conta das prévias dos PMIs, especialmente nos EUA, além da continuidade da divulgação dos resultados corporativos das empresas nos EUA.

No Brasil, o fluxo de notícias continua bastante esvaziado. O mercado continuará focado nos desenvolvimentos políticos referentes as eleições e na trajetória da recuperação da economia. O cenário de inflação baixa e contida já parece estar no consenso, deixando a indefinição do cenário apenas por conta do crescimento, do cenário político e do ambiente externo.




Data: 23/04/2018

Pesquisa eleitoral no Brasil e Juros nos EUA.

 

Alguns breves comentários sobre alguns eventos recentes:

Brasil – Uma nova pesquisa eleitoral foi divulgada essa manhã. O quadro para a corrida presidencial segue o mesmo das últimas pesquisas. Bolsonaro e Joaquim Barbosa se mostram bastante competitivos seguidos, com menos ímpeto, por Marina, Alckmin, Ciro Gomes e um potencial candidato apoiado pelo PT/Lula. De maneira geral, não há mudanças relevantes no quadro eleitoral. A situação parece bastante aberta e sem definição. Ao longo da semana, vimos Bolsonaro, Marina e Barbosa sinalizarem para políticas econômicas mais ao centro, liberais e reformistas, o que ajudou a dar algum conforto aos investidores e algum suporte aos ativos locais vis-à-vis os seus pares externos.

Geopolítica – Os jornais de hoje estão dando atenção à sinalização da Coreia do Norte de que existe disposição em encerrar os testes balísticos e desativar suas estruturas militares referentes a estes testes. Este é o primeiro avanço concreto nas negociações entre a Coreia do Norte e os EUA. Os eventos recentes reduzem, substancialmente, o risco de maiores problemas na região. O mercado já vinha mostrando otimismo nesta frente. Algum redução adicional de prêmio de risco nesta frente pode ocorrer nos próximos dias.

Mercados – Ao longo da sexta-feira os ativos de risco basicamente seguiram a dinâmica que apresentei aqui ontem pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/juros-nos-eua-em-foco.html), com  mercado de juros nos EUA ditando a direção dos mercados financeiros globais. A Treasury de 10 anos testou novamente os picos deste ciclo econômico, acima de 2,95%.

Acredito que estamos em um processo estrutural e prolongado de abertura de taxas de juros nos EUA e em vários países desenvolvidos. Contudo, este processo e caracterizado pelo o que é conhecido como “stop-and-go”. Rodadas de abertura de taxas de juros, geralmente entre 20bps e 50bps, são seguidas de movimentos de acomodação. Geralmente, enquanto estamos no meio dessas rodadas, a direção e a velocidade de abertura das taxas acabam afetando o humor global a risco. Quando o mercado se acomoda, vemos um alívio nos mercados financeiros globais e alguma nova alocação a risco.

Por este motivo que ainda vejo os ativos de risco operando em alguns “ranges” relativamente estreitos, sem muitas tendências. Assim, venho trabalhando com poucos temas de investimentos, sendo que o principal deles é a alta estrutural de juros nos EUA e no mundo desenvolvido. Ao que tudo indica, estamos no meio de mais uma rodada de alta de taxas de juros. Resta saber a magnitude desta “pernada” e qual será sua velocidade e seu patamar de acomodação. O nível psicológico de 3% nas Treasuries de 10 anos será atentamente observado para eventuais rompimentos ou acomodações. 




Data: 20/04/2018

 Juros nos EUA em foco.

 

Os ativos de risco estão abrindo o dia com o dólar mais forte, as bolsas e as commodities sobre pressão, e com uma leve abertura de taxa de juros nos EUA. Acredito que o curto-prazo será guiado pela direção das taxas de juros nos EUA, que estão novamente testando os picos deste ciclo econômico.

Não apenas o atual patamar dos juros nos EUA será importante (chegando aos 3% no vértice de 10 anos), mas a sua direção e a sua velocidade de abertura serão fundamentais para o ambiente global a risco. Já ficou claro nos últimos meses que enquanto os juros nos EUA estão no meio deste processo de abertura de taxas, os movimentos costumam perdurar por alguns dias (ou algumas semanas), com aberturas em torno de 20 a 50bps.

A dinâmica do mercado tem sido de abertura estrutural de taxas, porém em rodadas concentradas em alguns dias/semanas, seguidas de movimentos de acomodação no novo patamar. A dinâmica dos últimos dias mostra que podemos estar no meio de mais uma dessas rodadas.

Sendo assim, em nada alterei minha visão já expressada aqui nos últimos dias: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eua-juros-de-10-anos-proximos-aos-picos.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/brasil-politica-em-foco.html.

No Brasil, Joaquim Barbosa declarou que sua candidatura ainda não está confirmada e sofre resistência de sua família e do próprio partido, o PSB.

Voltando ao tema anterior, gostaria de colocar abaixo o comentário do DB sobre o tema discorrido acima:

Indeed we’ve come a long way very quickly. As we started last week WTI Oil was trading at $62 and 10 year Treasuries at around 2.78%. 10 days later and yesterday oil peaked at $69.5 (currently $68.3) and Treasuries ended at 2.911% yesterday. Oil is at the highest since December 2014 and US 10yrs are within 4bps of their mid-February highs which in turn were the highs since late 2013/early 2014. As an aside we haven’t been above 3.05% since 2011. For the record, 10 year Bund yields were also around 3% back then as opposed to the still moribund (pardon the pun) 0.598% close yesterday which was nearly 7bps higher on the day. Meanwhile US 10 year breakevens marked a fresh high since July 2014 while the 2s10s and 5s30s steepened 3.7bp and 1.4bp respectively.

Interestingly the probability (according to Bloomberg) of four Fed rates hikes in 2018 is now at the highest of the year - at around 33% - from 18% at the start of last week. A reminder that DB has long felt 4 rates hikes (one done) this year and 4 next year are likely.

As discussed above Oil has certainly played its part in the recent move but other commodities have also contributed. For metals (although yesterday was a down day - see below), the big driver appears to be the sanctions imposed on Russia's Rusal(the largest aluminium supplier outside of China) by the US which has seen a significant volume of metals (namely aluminium) removed from the market. Tariffs talk has also contributed and LME Aluminium is up 24.0% in April alone. At the same time our commodities strategists noted that this has come at a time when China's primary supply growth in Aluminium is set to decelerate sharply this year on a combination of limited new capacity and cost pressures. For Oil, the story is more one of fundamentalswith OPEC highlighting that high inventories, which had weighed on the market for the last few years, have now been largely wiped out, helping to rebalance the market. The demand side of the equation is also said to have improved of late in the lead up to the northern hemisphere summer. It's worth noting that OPEC energy ministers have been meeting over the last 36 hours. Watch out for any headlines.  




Data: 19/04/2018

Brasil: Política em foco.

 

Os ativos no Brasil apresentaram ontem mais um dia de bom desempenho, mesmo com uma performance mais mista das bolsas nos EUA. Destaque para a forte alta do Ibovespa, flattening da curva de juros e queda do dólar.

Vejo alguns vetores que justificam estes movimentos. Primeiro, a estabilização do humor global a risco, que já vinha sendo apontada neste fórum desde o final da semana passada.

Segundo, uma posição técnica mais construtiva e preços/valuations mais atrativos.

Finalmente, nos últimos dias, vimos a maior parte dos candidatos a presidente que se mostram competitivos fazerem acenos positivos ao mercado. De uma maneira ou de outra, Bolsonaro, Marina e Joaquim Barbosa estão adotando um discurso mais ao centro, liberal e reformista no tocante a economia, o que acaba dando algum conforto aos investidores.

Continuo acreditando que ainda falta muito tempo para as eleições e as incertezas devem permanecer elevadas por algum tempo. Como tenho afirmado aqui, de agora em diante, qualquer mudança no quadro eleitoral irá ter um impacto mais relevante sobre os preços dos ativos locais.

O mercado havia ficado muito otimista com o cenário desde a virada do ano ate meados de fevereiro. Depois, observamos um ajuste de posições ate alguns dias atras, com desanimo em relação às eleições e um cenário externo mais desafiador. Agora, estamos passando por mais um ajuste na direção positiva.

Eu tenho tentado manter uma posição mais focada no cenário econômico, mas com a intensão de defender o portfólio na eventualidade de mudanças bruscas de panorama. Assim, continuo vendo a parte longa da curva de juros reais como o ativo com bom potencial de apreciação [fechamento de taxa], mas com poder de defesa em cenário alternativos [devido aos níveis já elevados de taxas vis-à-vis as taxas curtas e o cenário econômico prospectivo].

No cenário externo, ainda vejo os mercados operando em "ranges". Os últimos dias foram marcados pela estabilização do humor global a risco, com a redução de alguns riscos de cauda, uma boa temporada de resultados corporativos nos EUA e o anuncio da redução do compulsório na China.

Não vejo esses vetores alterando de maneira estrutural a dinâmica que tem sido regra este ano. Acho que o bom desempenho de curt-prazo pode se sustentar mantido este ambiente, mas ainda vejo restrições de medio-prazo para o retorno de uma tendencia realmente clara de apreciação e "Risk-on".

Entre os riscos, vejo o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, especialmente nos EUA, e a desaceleração da economia chinesa. 




Data: 18/04/2018

Sem grandes novidades.

 

O dólar opera um pouco mais forte contra as outras moedas de G10 essa manhã, porém misto em relação às moedas EM. As bolsas globais sobem e os juros no mundo desenvolvido, no geral, apresentam leve abertura de taxas.

O destaque negativo fica por conta as bolsas da China, que após mais um dia de queda em torno de 1,5%, operam próximas as pisos recentes, em um movimento bastante estranho e desconexo com o resto do mundo, que talvez justifique as recentes medidas anunciadas pelo PBoC (comentadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/bolsas-em-alta-mas-tendencias-ainda-nao.html).

A inflação na Inglaterra ficou abaixo das expectativas, a despeito dos dados de emprego divulgados ontem terem surpreendido positivamente e mostrado um quadro de robustez do emprego.

No Brasil, a mídia está dando atenção às potenciais alianças para o processo eleitoral, com alguma especulação em relação a uma possível aliança entre Joaquim Barbosa e Marina Silva. O Globo traz matéria em que aponta medidas do governo, sem impacto fiscal, a fim de liberar cerca de R$66bi para a economia. Segundo o jornal:

Num cenário de retomada da atividade ainda patinando, baixa popularidade do governo e com um contingente de 13 milhões de desempregados em ano de eleições, o governo recorre a medidas sem impacto fiscal para tentar estimular a economia. Sem margem de manobra para iniciativas mais ousadas, as ações incluem a redução de depósitos compulsórios, já feita pelo Banco Central, que vai liberar R$ 25,7 bilhões para empréstimos, e a permissão para que trabalhadores de qualquer idade possam sacar recursos do PIS/ Pasep depositados até 1988, o que pode resultar em estímulo de 15 bilhões. Aliadas a outras iniciativas, estas propostas têm potencial de injetar até R$ 66 bilhões na economia. 




Data: 18/04/2018

Bolsas em alta, mas tendências ainda não estão bem definidas.

 

O destaque do dia ficou por conta da alta nas bolsas globais, puxadas pelos argumentos já apresentados neste fórum há alguns dias, tais como: a melhora no quadro técnico, os preços/valuations mais atrativos, uma temporada de resultados corporativos positivos e a redução de alguns “riscos de cauda” no curto-prazo.

De maneira geral, contudo, os mercados globais seguem sem tendências definidas, respeitando alguns “ranges” relativamente curtos e sem uma definição clara de temas de investimento. Este pano de fundo tem dificultado bastante a busca por “alpha” e por “beta” nos ativos de risco nas últimas 4 a 6 semenas. Ainda vejo um cenário relativamente sem visibilidade no curto-prazo, com a manutenção dos atuais “ranges” curtos e sem muitas tendências. Eventualmente, o cenário ficará mais claro e as tendências mais definidas. Enquanto isso, continuo optando por posições menores e por liquidez, afim de manter espaço de risco para eventuais oportunidades.

O Ibovespa conseguiu seguir a melhora externa após um breve período de desempenho pífio, em linha com o que escrevi neste fórum esta manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/humor-mais-positivo-crescimento-da.html). O BRL tentou apresentar melhora mais expressiva, mas sua dinâmica mostra que ainda há espaço para desalavancagem e busca por hedges. O mercado de juros segue como destaque positivo, ancorado por uma política monetária frouxa e um cenário construtivo para a inflação (em meio a surpresas negativas de crescimento).

No ponto de vista econômico, nos EUA, os dados do mercado imobiliário e a produção industrial de março mostraram um crescimento relativamente estável e positivo, reduzindo os riscos de uma desaceleração mais acentuada da economia.

Na China, em uma decisão totalmente inesperada pelo mercado, o PBoC anunciou um corte de 100bps no compulsório de alguns bancos. A medida pode ser vistas de alguns ângulos. Primeiro, mostra que a desaceleração recente talvez seja mais acentuada do que os dados oficiais apontam. Segundo, que não há disposição do governo em deixar a economia desacelerar de maneira mais acentuada. Assim, por ora, vejo a medida como neutra já que, por um lado, mostra uma economia mais frágil, talvez já tendo passado pelo seu pico de crescimento. Por outro lado, contudo, “ajustes finos” serão feitos para evitar cenários mais catastróficos. Assim, o cenário continua a ser de uma desaceleração gradual da economia, mas o risco de um processo mais acentuado de piora continuará pairando ao longo dos próximos meses. 




Data: 17/04/2018

Humor mais positivo. Crescimento da China e possibilidade de recuperação no Brasil.

 

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, seguindo a narrativa apresentada neste fórum na tarde de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/fragilidade-do-mercado-local.html), em que apontamos a melhora no quadro técnico, os preços/valuations mais atrativos, uma temporada de resultados corporativos positiva e a redução de alguns “riscos de cauda” do curto-prazo como motivos para uma estabilização do humor global a risco.

Mesmo com o cenário local mais turvo devido as eleições, se mantido o melhor humor global a risco nos próximos dias, esperaria alguma recuperação dos ativos do Brasil, como alta da bolsa, queda do dólar e flattening da curva de juros, mas em movimentos que estariam “restringidos” pelo cenário de incerteza eleitoral, ou seja, seriam movimentos mais táticos do que estratégicos.

Na China, o PIB do 1Q ficou em linha com as expectativas, com alta de 6,8% Yoy. A produção industrial e o Fixed Asset Invesment (dado de investimento) ficaram abaixo das expectativas em março, mas com as vendas no varejo acima do esperado. De maneira geral, os números de março confirmam o cenário base (e as expectativas do consenso) de que o pico do crescimento chinês ficou para trás e estamos diante de uma desaceleração da economia do país. O risco continua a ser de uma desaceleração mais acentuada do que o esperado, mas os dados de hoje, pelo menos ainda, não mostram um cenário preocupante.

Em Cingapura, as exportações de março ficaram abaixo das expectativas do mercado. Como o país apresenta uma corrente do comércio elevada, suas exportações costumam ser vistas como uma “proxy” para o crescimento global. Os números de março, divulgados hoje, reforçam os sinais de alguma desaceleração da economia mundial no primeiro trimestre do ano. Ainda vejo essa desaceleração como um movimento natural de acomodação do crescimento, em meio a um ciclo econômico ainda positivo, mas de fato o acumulo de sinais na mesma direção acende uma luz amarela nos mercados e nos investidores, o que ajudou a dar um tom mais negativo nos ativos de risco nas últimas semanas.




Data: 17/04/2018

Fragilidade do mercado local. Estabilização do mercado externo

 

Os ativos de risco seguiram uma dinâmica interessante hoje. Vamos por partes:

Brasil – Os indicadores de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O IBC-Br divulgado hoje – uma espécie de PIB mensal coletado pelo BCB – apresentou alta de pífios 0,09% MoM e 0,66% YoY em fevereiro, abaixo das expectativas de 0,80% YoY. Nas últimas semanas, vimos as expectativas de crescimento arrefeceram de algo superior a 3% para algo inferior a 3%, mais próximo de 2,5% (em termos de crescimento do PIB em 2018). De maneira geral, ainda acredito que estamos passando por um momento de acomodação, mas a recuperação gradual da economia continua. Talvez o cenário não seja tão positivo como se imaginou no final de 2017 e início de 2018, mas também não tão negativo como agora.

Para os ativos locais está decepção de crescimento, somada a incerteza eleitoral (já comentado aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eleicoes-brasil-situacao-na-siria-e.html) estão ajudando o movimento de queda da bolsa, alta do dólar e “steepening” da curva de juros.

Hoje, em especial, o movimento pareceu bastante técnico, com a bolsa em forte queda pelo segundo dia consecutivo, o mercado de juros apresentando fechamento de taxa relevante e o dólar praticamente estável, porém ainda em patamar elevado, acima de 3,40. Infelizmente, por ora, não vejo nenhuma das incertezas locais se dissipando. Ainda espero um ambiente de maior volatilidade e mais incerteza, com o quadro técnico, por vezes, dominando a dinâmica. A principal tese de investimentos continua a ser juros mais baixos por mais tempo, através de posições aplicadas (compradas) na parte longa da curva de NTNB (juros reais).

EUA – As vendas no varejo de março ficaram dentro das expectativas do mercado, confirmando um primeiro trimestre relativamente fraco da economia. Nos últimos anos, por questões sazonais, muito devido ao clima/temperatura, o primeiro trimestre do ano costuma apresentar crescimento abaixo das expectativas e se mostrar o trimestre mais fraco do ano. Tudo indica que este ano este mesmo efeito será sentido.

Como comentado no final de semana, a ausência de deterioração da situação na Síria ajudou a dar um tom mais calmo aos ativos de risco ao redor do mundo, mais explícito através da alta das bolsas e queda das volatilidades implícitas. A boa temporada de resultados corporativos também está ajudando a colocar um suporte nos ativos de risco.

Vejo um curto-prazo um pouco mais construtivo, com a dissipação de alguns riscos de cauda e o suporte de um quadro técnico mais saudável e níveis de preço/valuations mais atrativos. A médio e longo-prazo ainda vejo os ativos de risco sustentando algumas bandas (como por exemplo o S&P entre 2.550 e 2.800). Os principais riscos que estou monitorando continuam a ser a necessidade de um aperto monetário mais agressivo nos EUA e uma eventual desaceleração maior da economia da China (como comentei no detalhe do link acima). A principal tese de investimento externo continua a ser juros mais altos, através de posições tomadas em Treasury (por questões econômicas, técnicas e fluxos).




Data: 16/04/2018

Síria (global) e Datafolha (local) ainda em foco. Risk-On, por ora...

 

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, puxados pela alta das bolsas e abertura de taxas de juros no mundo desenvolvido. O dólar opera de maneira mais mista e sem tendência, enquanto as commodities operam majoritariamente em queda, lideradas pelo petróleo. 

 

A reação do mercado é basicamente em linha com a minha visão exposta aqui ontem, de que os desenvolvimentos após o ataque dos EUA (e seus aliados) a Síria poderiam ser vistos de forma positiva pelos investidores. 

 

Só gostaria de reforçar que minha visão mais construtiva em relação ao evento refere-se ao curto-prazo. A situação diplomática entre os EUA e a Rússia ainda é bastante delicada neste momento. Tudo indica que novas sanções econômicas às empresas e cidadãos russos serão impostas pelos EUA. Não sabemos qual será a resposta da Rússia. Os EUA irão manter presença da Síria e novos ataques não estão descartados. Em suma, mantenho uma visão cautelosa estruturalmente para os próximos meses, mesmo entendendo que, no curto-prazo, os eventos recentes retiram algum risco de escalada mais acentuada nesta crise. 

 

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:  

 

- No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no final de março. 

 

- Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts. 

 

- Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 16/04/2018

Eleições Brasil, Situação na Síria e Riscos.

 

Brasil – O Datafolha divulgou hoje mais uma pesquisa eleitoral. Não sou um especialista no assunto, então farei comentários apenas superficiais. Nos cenário sem a presença do ex-presidente Lula, os que importam, em minha opinião, o quadro segue o mesmo de antes, ou seja, sem uma definição clara ou concreta. 

 

Bolsonaro continua liderando as intenções de voto e pelo menos outros 4 candidatos se mostram competitivos, são eles: Marina, Ciro, Joaquim Barbosa e Alckmin (não necessariamente nesta ordem). Os demais candidatos mostra baixíssima expressão e dificilmente conseguirão sair desta situação. 

 

Para os mercados financeiros locais, acho difícil que essa pesquisa altere a incerteza que predomina sobre o tema. Acredito que a partir de agora qualquer mudança mais relevante neste quadro, para o bem ou para o mau (na percepção dos investidores) passarão a ser mais relevantes para a dinâmica de preço. 

 

Por ora, seguimos em um cenário de enorme incerteza em relação a este tema, o que não deveria alterar a postura mais cautelosa do mercado. 

 

Síria – A operação militar dos EUA (e seus aliados) na Síria, até este momento, se mostrou um ataque pontual e preciso. Não houve uma reação militar ou diplomática mais dura ou agressiva por parte do exércitio sírio e, muito menos, pela Rússia. 

 

Assim, por ora, parece que os EUA conseguiram atingir de maneira vitoriosa seu objetivo de enfraquecer o poderia bélico (e o arsenal químico) da Síria, sem gerar um problema diplomático mais grave. 

 

Ainda é cedo para acreditar que a situação esteja de fato resolvida, mas para os mercados financeiros globais a situação, se permanecer neste ambiente, será vista como de baixo risco e, até mesmo, pode retirar um “risco de cauda” de curto-prazo. 

 

Riscos – Continuo vendo dois grandes riscos concretos e com maior probabilidade do que o mercado embute neste estágio do ciclo. Primeiro, de uma aceleração mais rápida da inflação nos EUA e/ou a necessidade de um aperto de juros mais agressivo do que o precificado na curva atualmente. 

 

Segundo, vejo sinais um pouco mais preocupantes de desaceleração na China. Não vejo um ambiente de elevada desaceleração, mas talvez uma tolerância maior por parte deste governo, com o poder mais consolidado, de um menor crescimento no curto-prazo visando medidas estruturais para desalavancar a economia e evitar bolhas em setores específicos da economia.




Data: 16/04/2018

Ataque à Síria, Riscos no Brasil & desaceleração na China.

 

Síria – Na noite de ontem, os EUA, em conjunto com a França e a Inglaterra, promoveram ataques de mísseis contra alvos na Síria. Podemos dizer que, de certa forma, a medida era esperada após os eventos recentes. 

 

Para o cenário geopolítico global, será importante entender a estratégia americana. Se será apenas um ou poucos ataques localizados, ou um processo mais longo de intervenção no país. Acredito que, por ora, a primeira opção ainda apresenta maior probabilidade. Sem segundo lugar, será ainda mais relevante observar a postura da Rússia neste caso. O risco, aqui, é de uma postura dura e que os russos levem está questão específica na Síria a um problema muito maior de relações diplomáticas e risco de um conflito armado mais amplo entre as duas potencias. 

 

Até a abertura dos mercados no domingo à noite deveremos ter uma sensação mais clara dessa situação. Por ora, esperaria um pequeno movimento de “risk-off” no curto-prazo, cuja magnitude e duração dependerão da estratégia dos EUA e da resposta da Rússia. O movimento mais óbvio e que pode ser mais duradouro seria uma alta do Ouro e do Petróleo. 

 

Brasil – Os ativos no Brasil continuam apresentando desempenho nominal e relativo bastante pífio. Ontem vimos mais uma depreciação cambial, nova queda da bolsa e steepening da curva de juros. Além da desalavancagem de posição diante das incertezas da eleição, que já comentei neste fórum há algumas semanas, em meio a um cenário externo mais nebuloso, agora estamos convivendo com dados de atividade econômica mais fracos. 

 

Nos últimos dias, vimos as vendas no varejo mais fracas e a mesma dinâmica para o setor de serviços, que levou a uma nova rodada de revisões baixistas do PIB. Além disso, os ativos do Brasil, especialmente o BRL, estão sendo vistos, cada vez mais, como uma opção barata de hedge para alguns portfólios globais. 

 

Eu não acredito que a situação do país fosse tão boa como se chegou a pensar (e precificar nos ativos locais) no início do ano, mas também não vejo uma mudança substancial de cenário nas últimas semanas. Entendo e tendo a concordar com a postura do mercado de reduzir risco em meio as incertezas externas e eleitorais. Diante de um cenário mais turvo, acredito que iremos conviver com mais volatilidade, menos tendências e movimentos mais curtos, o que demandam postura tática e/ou posições relativas e temas muito específicos de investimentos. 

 

China – Os dados de exportação da China em março ficaram muito abaixo das expectativas, como já havia comentado aqui na manhã de ontem. Contudo, o Ano Novo Lunar pode ainda estar afetando este indicador. 

 

Os dados de agregados monetários e empréstimos, divulgados na manhã de ontem, contudo, apontaram na mesma direção de desaceleração da economia, com queda do M2 (e demais agregados) além de empréstimos (“on” e “off” balance sheet) abaixo das expectativas. Tudo indica que o Governo e o PBoC estão satisfeitos com o atual nível de crescimento da economia e estão adotando uma postura contra-cíclica de ajuste e desalavancagem. 

 

Minha tese inicial de que veremos uma desaceleração gradual da economia de agora em diante, uma vez o “novo” governo chinês perpetuado no cargo continua válida e reforçada pelos dados econômicos. Uma desaceleração me parece encomendada. Por ora, a expectativa é que a desaceleração seja gradual, mas sempre existe o risco de um erro de política no meio do caminho (que deveria ser prontamente revertido pelo Governo e PBoC) ou um receio maior do mercado em relação ao real estágio de desaceleração por parte do mercado. 

 

Em suma, ainda vejo um cenário base de desaceleração gradual, mas com riscos de erros no meio do caminho. Vejo que neste cenário aumenta o risco de que, em algum momento, os ativos de risco passem novamente por um “china fear”, ou medo de desaceleração mais acentuada do país afetando os ativos mais dependentes da demanda chinesa.   




Data: 13/04/2018

Retórica mais branda de Trump, Agenda de resultados e BRL em foco.

 

Os ativos de risco estão apresentando recuperação à medida que Trump alivia sua retórica em relação a sua estratégia comercial. Além de um tom mais ameno com relação à China, Trump indicou que pode rever sua posição de se retirar do TPP.

A agenda do dia terá os resultados corporativos do setor bancário como destaque na agenda dos EUA. O mercado já espera uma temporada bastante positiva de resultados corporativos trimestrais, puxada pela recuperação da economia e pela reforma tributária, em um momento que a bolsa dos EUA apresenta um preço/valor mais atrativo que a pouco tempo atrás. Serão os resultados suficientes para levar a um novo pico das bolsas dos EUA? Está é a expectativa de muitos analistas.

No Brasil, o destaque tem ficado por conta da terrível performance do câmbio (BRL). A moeda voltou a operar acima de 3,40, com desempenho nominal pífio, especialmente contra os seus pares. Existe uma série de teorias para explicar essa dinâmica, como menor carrego (“carry”), busca por hedge em período eleitoral e afins. Não consigo dizer com convicção o que explica essa performance, em um pano de fundo de contas externas saudáveis. Contudo, não acredito que haja um cenário de reversão profunda deste movimento. Assim, continuo neutro no mercado de câmbio e adotando postura tática.

A mídia está reportando que Rodrigo Maia pode desistir da disputa pelo planalto. O governo segue em busca da privatização da Eletrobrás, mas não há articulação no Congresso para avanço da medida. A justiça decidiu encaminhar as investigações sobre “caixa 2” nas campanhas de Alckmin para a Justiça Eleitoral, e não para a força tarefa da Laja-Jato, o que retira um risco grande a situação do candidato do PSDB, mesmo que ainda crie desgaste para a sua imagem. 

Na China, as exportações apresentaram queda de 8% YoY, muito abaixo das expectativas de elevação. O número pode ainda estar sendo muito afetado pelo Ano Novo Lunar, o que torna sua análise poluída e de difícil conclusão. Só teremos um poder maior de análise com os dados de abril. Olhando o primeiro trimestre como um todo, a economia ainda demonstra estabilidade em uma situação saudável.




Data: 12/04/2018

Brasil: Alianças políticas, meta de inflação e curva de juros.

 

A despeito das bolsas estarem operando próximos a estabilidade este momento, existem sinais de fragilidade nos mercados financeiros globais, com as commodities metálicas não preciosas em queda, o dólar forte e o fechamento das taxas de juros no mundo desenvolvido. 

 

A noite foi relativamente esvaziada de notícias. O oco do curto-prazo ficará por conta dos desenvolvimentos na Síria. A agenda do dia terá as vendas no varejo no Brasil e o Jobless Claims nos EUA como destaque. 

 

No Brasil, a mídia está reportando que o PSDB está avançando em uma potencial aliança com o PSC e PSD para as eleições de outubro, o que dá algum corpo a campanha de Alckmin para presidente. 

 

Segundo O Globo, o governo decidiu colocar a meta de inflação de 2021 em 3,75%, com uma banda de acomodação de 1,5%. Se confirmada a notícia, seria mais um impulso para o fechamento da inclinação da curva longa de juros no Brasil, que ainda apresenta formato excessivamente “steepado”. Continuo vendo mais valor na parte intermediária e longa das curvas reais e nominais de juros. Caso esta notícia seja confirmada, espero um flattening da curva, com os juros nominais over-performando os juros reais na parte intermediária da curva, em especial. 

 

Em Hong Kong, vimos o HKD, moeda do país atrelada ao dólar, testar a parte mais fraca de sua banda pela primeira vez desde 2005. O momento é bastante localizado e não deveria trazer contágio, especialmente devido ao tamanho do mercado do país e sua relevância econômica e financeira. 

 

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos: 

 

- No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada. 

 

- Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts. 

 

- Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY. 




Data: 11/04/2018

 Inflação nos EUA, Conflito na Síria e Política no Brasil.

Os ativos de risco estão devolvendo parte da recuperação verificada ontem, mas na ausência de novidades relevantes. Na agenda do dia, destaque para o Core CPI nos EUA e para as Minutas do FOMC. Insisto que vejo a inflação nos EUA como o principal risco ao cenário econômico global nos próximos meses.

Para não soar repetitivo, minha visão pode ser vista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/risk-on-china-adota-tom-conciliador.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/inflacao-em-foco-no-brasil-e-nos-eua.html.

Saindo do âmbito econômico, um potencial ataque militar dos EUA, em conjunto com seus aliados (França e Inglaterra, em especial) ao Governo de Assad, na Síria, está trazendo alguma incerteza adicional aos mercados, em especial aos ativos da Rússia e da Turquia. Acredito que este problema deveria permanecer isolado. Contudo, assim como no casa da “guerra comercial” com a China, um ataque dos EUA eleva a chance de um erro de política externa, em especial, a relação com a Rússia.

Na China, a inflação ficou abaixo das expectativas, influenciada por vetores pontuais e ainda impactada pelo efeito base do Ano Novo Lunar. A inflação no país não é um problema no curto-prazo. Mais importantes serão os dados de crescimento de março que darão uma medida mais concreta do estado da economia.

No Brasil, a mídia está reportando que o Ministro do STF Marco Aurélio decidiu não analisar a questão da prisão em segunda instância neste momento, o que poderia beneficiar Lula. A mídia está reportando também que o inquérito envolvendo Alckmin pode caminhar de maneira mais rápida com o ex-governador e São Paulo sem foro privilegiado. O cenário eleitoral continua bastante incerto neste estágio do processo, o que não é visto com bons olhos pelo mercado.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza. No curto-prazo, ainda não vejo nenhuma das incertezas se dissipando por completo, o que deverá manter o pano de fundo de mais volatilidade, menos tendência e temas de investimentos mais frágeis ou menos caracterizados.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 11/04/2018

Inflação em foco no Brasil e nos EUA.

Os eventos do dia apenas reforçam o cenário base as minhas visões que venho descrevendo neste fórum. São eles:

Brasil/Inflação – O IPCA de março ficou levemente abaixo das expectativas, com alta de 0,09% MoM e 2,68% YoY. A inflação no país continua baixa e seu qualitativo positivo. Este quadro pressupõe juros mais baixos por mais tempo.

A despeito deste cenário econômico, tenho o receio, e precisa ficar claro que é apenas um risco, com probabilidade ainda bastante baixa, da continuidade da alta do Dólar em relação ao Real levar o mercado a repensar uma eventual queda adicional da Taxa Selic em 25bps. A probabilidade de queda de 25bps na próxima reunião do Copom estava em torno de 85% tendo recuado para cerca de 75% nos últimos dias. Como a posição técnica do mercado de juros curtos não me parece saudável, vejo este risco, mas ainda com probabilidade bastante reduzida, mas que precisa ser observado.

EUA/Inflação – O PPI, assim como os seus núcleos, apresentou alta superior as expectativas do mercado em março. Os números de hoje apontam para uma inflação mais elevada do Core CPI nos próximos meses. Por ora, o cenário base continua a ser de uma alta gradual da inflação, com o Fed mantendo sua postura de 3 a 4 altas de 25bps nas taxas de juros por ano e a redução de seu balanço em “piloto automático”. Ainda não há sinais de uma elevação mais acelerada e preocupante na inflação, mas os últimos meses já mostram um quadro de maior rigidez dos preços, além de evidências anedóticas na mesma direção (ISM Prices Paid, beige Book e etc).

Contudo, reforço o que venho escrevendo aqui. Vejo uma probabilidade maior do que o mercado de uma alta mais rápida e acentuada da inflação nos EUA nos próximos meses. Acho que o mercado está excessivamente leniente com esta possibilidade neste estágio do ciclo econômico.

Guerra Comercial – Este tema continua sendo mais um risco do que um cenário base. É inegável que a probabilidade de ocorrência de um erro de política externa se elevou nas últimas duas semanas, mas continua baixa. A postura de Trump com relação a China em muito se assemelha aquela adotada nas negociações do NAFTA, que migram para uma solução amigável e negociada.

Os últimos comentários de ambas as partes, China e EUA, apontam na direção do diálogo e da conciliação.




Data: 10/04/2018

Risk-on: China adota tom conciliador.

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, com um “risk-on” mais clássico. O destaque da noite ficou por conta do discurso do Premier da China. Xi adotou um tom conciliador e reforçou a sinalização de que o país irá buscar o caminho das reformas e da maior abertura econômica. A postura adotada por ele foi vista pelo mercado como menos bélica, abrindo caminho para uma negociação junto aos EUA.

A agenda do dia traz como destaque o IPCA no Brasil e o PPI nos EUA.

Continuo acreditando que o maior risco estrutural e efetivo para o cenário global seja o estágio do ciclo econômico nos EUA e a possibilidade de uma inflação mais elevada no país. Por isso, o PPI hoje e o Core CPI amanhã ganham relevância dobrada. No tocante às relações comerciais, entendo que elevou-se o risco de um erro de política externa nas últimas semanas, mas se tomarmos o NAFTA como exemplo, parece que a postura mais dura dos EUA é “apenas” uma maneira diferente e mais dura de negociação. Assim, continuo vendo com probabilidade baixa (mesmo que maior do que antes) uma guerra comercial mais ampla. Porém, vejo com uma probabilidade mais elevada, e mais elevada do que embutido no mercado, o risco inflacionário nos EUA.

Ontem observamos mais um dia de forte pressão nos ativos do Brasil. De maneira simplista, acredito que as eleições entraram de fato no radar dos investidores. A ausência de um quadro eleitoral mais definido neste estágio do processo parece ter começado a incomodar o mercado que, por sua vez, se mostrava excessivamente alocado em ativos do Brasil, em especial os investidores locais. Isso tudo em meio a um cenário externo mais volátil e desafiador. 

Não vejo mudanças significativas de cenário, exceto por um crescimento um pouco mais fraco do que o imaginado no início do ano e a ausência de reformas econômicas adicionais. Não acredito que o país estava tão bem posicionado como os mercados precificavam até cerca de um mês atrás, mas também não vejo o país em situação tão crítica como o mercado começa a precificar neste momento. Acredito que a dinâmica seja um misto de receio político com uma posição técnica menos construtiva.

Além do Brasil, vimos uma dinâmica bastante ruim por parte dos ativos da Rússia, após novas sanções econômicas por parte dos EUA. Geralmente eventos locais não geram contágio global, mas a relevância da economia e dos mercados russos, em meio a um quadro já fragilizado, eventualmente pode estar ajudando a dar um tom mais defensivo para os mercados emergentes em geral.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza. No curto-prazo, ainda não vejo nenhuma das incertezas se dissipando por completo, o que deverá manter o pano de fundo de mais volatilidade, menos tendência e temas de investimentos mais frágeis ou menos caracterizados.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 09/04/2018

Bolsas e dólar em alta. Volatilidade continua elevada.

Os ativos de risco estão abrindo a semana com forte alta das bolsas e leve abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido. O dólar apresenta alta global, após a China sinalizar que poderia utilizar uma depreciação cambial como instrumento contra as tarifas impostas pelos EUA.

No sábado fiz um comentário mais profundo sobre os eventos da semana passada, que podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/incertezas-persistem.html.

Agenda – A próxima semana terá como destaque o IPCA de março e as vendas no varejo no Brasil. Assim como os desdobramentos do quadro eleitoral. Nos EUA, destaque para o Core CPI e para as Minutas do FOMC. A temporada de resultados corporativos se iniciará, com expectativas já elevadas devido ao efeito da Reforma Tributária. Na China, os dados de atividade econômica de março ganham atenção especial após o Ano Novo Lunar. Na Europa, será importante medirmos o real estado da economia, depois de uma sequencia de dados mais fracos. 

De maneira geral, continuo vendo a inflação nos EUA como o maior risco ao cenário base ao longo dos próximos meses. Nesta frente, o artigo de hoje de Gavyn Davies no FT traz uma boa análise sobre o tema. Infelizmente, só está disponível para assinantes: https://www.ft.com/content/1c09ca70-38b4-11e8-8b98-2f31af407cc8.

EUA – Trump adotou um discurso marginalmente mais conciliador em relaçã