Data: 21/09/2017

Bull Market de Brasil & Juros EUA.

 

Após uma semana distante dos mercados, acho que o momento seja oportuno para uma breve avaliação do cenário e dos mercados.

 

Brasil - Cenário sem grandes novidades. A inflação continua surpreendendo positivamente (para baixo), o que tem permitido a manutenção do processo de queda da Taxa Selic. O crescimento mostra sinais mais otimistas de recuperação. As contas externas seguem saudáveis. O quadro fiscal de longo-prazo ainda preocupa, mas a arrecadação federal de agosto mostrou sinais mais animadores, mostrando que a recuperação cíclica da economia devera ajudar até mesmo no front fiscal. 

 

A agenda micro avança de forma positiva, e notícias como um possível acordo entre a Petrobras e a União, em torno da Cessão Onerosa, é um exemplo importante do caminho que esta sedo seguido por esta administração, (não entrando aqui nas questões políticas, que hoje parecem mais ruídos do que motivos de mudanças substanciais de cenário). 

 

O BCB parece disposto a reduzir o ritmo de queda da taxa de juros, no atual estagio do ciclo. A despeito destes sinais, a mensagem é de que os juros poderão se manter baixos por mais tempo, o que não esta totalmente precificado no mercado de juros. Acredito que haja espaço para a extensão do ciclo de corte da Taxa Selic, mesmo que em ritmo mais moderado. Contudo, para a curva de juros, os ganhos de capital devem se concentrar, a partir de agora, nas perspectivas de juros baixos por mais tempo, ou seja, favorecendo a parte intermediária da curva. 

 

O BCB anunciou que deixara vencer cerca de US$4bi de swaps cambiais ao final deste mês. A postura do BC mostra tranquilidade em relação as perspectivas de fluxos, mas pode pressionar o câmbio até a ptax de vencimento do mês, especialmente diante o panorama externo. 

 

O Brasil esta no meio de um "Bull Market" clássico. Isso não significa que movimentos de correção/realização de lucros não irão ocorrer, mas que devem ser rápidos, pouco acentuados e estimulados apenas por eventos totalmente inesperados.

 

A dinâmica do Ibovespa é um exemplo claro deste processo. O mercado esta passando por uma realocação que parece mais estrutural do que cíclica, e ainda parece longe do final, talvez ainda nem no meio deste processo.

 

O cenário externo é um vetor que precisa ser acompanhado de perto para medirmos a probabilidade de eventuais movimentos pontuais de correção. 

 

Gosto das teses de investimentos positivas em relação ao Brasil, acredito que estamos em uma tendência, mas tenho o receio de que o mercado esteja taticamente esticado, especialmente vis-a-vis o que vejo do cenário externo. 

 

EUA - O cenário continua a ser de crescimento moderado, acima do potencial. Os desastres naturais de assolaram o pais e adjacências devem afetar os dados de curto-prazo, mas não a trajetória da economia. O mercado de trabalho segue robusto. A inflação está baixa, mas devem manter trajetória ascendente. 

 

O FOMC de hoje trouxe poucas novidades em relação as expectativas, mas acabou sendo mais hawkish do que o esperado, dado o histórico passado (não recente) deste comitê. O Fed parece convicto na manutenção do processo de normalização monetária, diante do cenário exposto acima. Apenas mudanças substanciais serão capazes de tirá-los do "piloto automatico"de 3 altas de 25bps ao ano nos juros, e na redução previsível de seu balanço, anunciado oficialmente hoje, mas amplamente esperado. 

 

A grande novidade dos últimos dias, ao meu ver, foi a mudança de dinâmica no Congresso, e sua relação com o Governo Trump. Hoje temos sinais mais positivos de cooperação, o que pode colocar a agenda legislativa novamente em sua rota imaginara após as eleições de novembro passado. Neste momento, pouco disso parece precificado,  poderia dar sustentação as taxas das Treasuries e, consequentemente, ao USD. 

 

Quando sai de férias, sinalizei para um possível "Goldilocks"se tornando um cenário de "Reflation". Este roteiro parece estar sendo seguido a risca. O "Reflation"não necessariamente será negativo para os ativos de risco, mas pode se tornar pontualmente mais desafiador se a velocidade de abertura de juros for muito acelerada. Este não é o cenário base, mas precisa ser monitorado. Por hora, trabalho com um cenário de "Reflation"que venha apenas a desestabilizar momentaneamente, e pontualmente, os ativos de risco, e muito por questões de posicionamento técnico e preços/valuation. 

 

Em suma, cenário praticamente inalterado, com alguns detalhes importantes. No Brasil, juros baixos por mais tempo, sinais mais claros de recuperação do crescimento e uma mudança clara de dinâmica por parte dos investidores, em busca de ativos alternativos ao CDI.

 

Nos EUA, a possibilidade de estarmos entrando em uma tendência de abertura de taxas de juros. Este processo deve ser saudável, mas pode causar volatilidades pontuais. 

 

Gosto de estar Long Brasil em geral, mas admito um receio de preços esticados taticamente. Como acertar correções pontuais é sempre muito difícil, o ideal é manter uma posição "core" e buscar assimetrias nos preços de cada classe de ativo em cada momento do tempo. 

 

Gosto de estar tomado em juros nos EUA aliado a compra de hedges via compra de volatilidade, com VIX abaixo de 10% e as vols das Treasuries também baixas para os padrões históricos. Carteira muito parecida aquela que venho frisando há vários meses, porem alterando instrumentos e tamanhos.   




Data: 12/09/2017

Reflation, here we go...(higher UK CPI). Notas do Copom.

Brasil – Notas do Copom Notas sem grandes novidades. Bem dovish, mas em linha com o comunicado. Querem encerrar o ciclo de forma gradual. Não descartam corte de 75bps na segunda reunião a partir de agora, mas cenário base ainda parece ser de cortes de 75bps e 50bps nas próximas duas reuniões do Copom. Interessante que não falam em taxa terminal, fim de ciclo e etc. Dá a impressão que poderiam ir caindo os juros enquanto o cenário permitir. Em suma, cenário de extensão do ciclo de queda da Taxa Selic, e manutenção dos juros baixos por um tempo relevante.

Neste ambiente, acredito que a parte curta da curva de juros ficará bem ancorada, mas já não apresenta um risco/retorno favorável para ganhos de capital. A partir de agora, deveremos ver um movimento mais claro de flattening da curva. Vejo duas oportunidades aqui. Uma, a retirada dos prêmios excessivos de alta de juros a partir de 2018, com a manutenção de uma Taxa Selic mais baixa por um tempo mais prolongado. Isso favoreceria a parte intermediária da curva. Acredito que este será um processo gradual. Ao mesmo tempo, vejo espaço para a redução dos prêmios de risco da parte mais longa da curva, em meio um cenário cíclico mais positivo, o avanço de importantes reformas estruturantes, e um cenário político cujos os “riscos de cauda” tem sido reduzidos. A NTNB 2050, por exemplo, parece ter “ficado para trás” em termos de desempenho se comparada vis-à-vis o movimento recente dos juros curtos, do Ibovespa e do próprio BRL.

Reflation – Após a divulgação dos dados de inflação de agosto mais elevados na China, no final de semana, hoje foi a vez da inflação na Inglaterra. Este é um tema que pode ganhar corpo nos próximos dias e o mercado não me parece posicionado para isso.

Segundo a Goldman Sachs:CPI inflation rose from +2.6%yoy to +2.9%yoy in August: a stronger increase than expected by both us (+2.7%yoy) and consensus (+2.8%yoy). Having dipped over the past few months, CPI inflation is now back to the rate it reached in May 2017. Core CPI inflation also rose by more than expected in August, from +2.4%yoy to +2.7%yoy: a 5½ year high.




Data: 12/09/2017

From Goldilocks to Reflation? [UPDATED]

O destaque desta manhã fica por conta de mais uma rodada de abertura de taxa das Treasuries, nos EUA. Ao contrário de ontem, contudo, até o momento, os demais ativos de risco como as bolsas e o dólar operam sem tendência definidas. Vemos alguma pressão sobre o complexo de commodities. Na noite de ontem, comentei sobre está dinâmica de mercado aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/from-goldilocks-to-reflation.html.

No Brasil, a mídia está reportando que Polícia Federal (PF) teria um relatório em que vê indícios de atuação ilícita do Presidente Michel Temer no que ficou cunhado pelos meios de comunicação locais como “quadrilha do PMDB na Câmara”. O relatório é preliminar, não implica diretamente em acusação jurídica, mas certamente poderá ser usado pela PGR em uma futura, e próxima, acusação formal ao Presidente Temer e seus aliados. Naturalmente, Temer e o Planalto negam suas atuações, e respondem de forma veemente contra as acusações deste relatório da PF. As acusações podem ser lidas aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/09/1917648-temer-autorizou-repasses-de-caixa-2-a-chalita-por-telefone-diz-funaro.shtml e aqui, por exemplo, http://g1.globo.com/politica/noticia/pf-ve-indicios-de-organizacao-criminosa-em-investigacao-sobre-pmdb-da-camara.ghtml.

Acredito que este seja mais um ruído pontual. Não vejo motivos para este assunto, em separado, afetar a dinâmica dos ativos locais. Contudo, olhando em um pano de fundo global de abertura de taxas de juros, após uma rápida e acentuada apreciação dos ativos do Brasil, não podemos descartar realizações pontuais de lucros, ou acomodações, dos ativos brasileiros no curto-prazo. Ainda me parece muito cedo e precoce falar em mudança de tendência. Por ora, tratarei as “realizações de lucros” como pontuais e como oportunidade de elevar as alocações nos ativos do Brasil. 




Data: 12/09/2017

From Goldilocks to Reflation?

A despeito da ausência de novidades relevantes no cenário, os ativos de risco operaram em um tom mais clássico de “risk-on”. Desta vez, contudo, as correlações do mercado se mostraram mais claras, com as bolsas em alta, o dólar em alta contra as moedas de G10, e uma abertura de taxa das Treasuries. Na semana passada havia comentado sobre a dicotomia existente entre a dinâmica do dólar e das Treasuries em detrimento as bolsas do país. Hoje, os movimentos me pareceram mais óbvios.

De agora em diante, estarei observando em que medida o cenário Goldilocks poderá se transformar em um cenário de Reflation. Os dados mais elevados de inflação de agosto na China, divulgados nesta madrugada, podem ser vistos como precursores destes movimentos. Neste último, os movimentos são liderados pela abertura de taxa de juros nos países desenvolvidos, o que acaba gerando alguma pressão, mesmo que pontual, sobre ativos mais dependentes de juros baixos, como é o caso dos ativos emergentes e do Brasil. Neste processo, as bolsas e as commodities tendem a liderar os movimentos de apreciação, em detrimento aos demais ativos. O dólar pode acabar se valorizando, especialmente em nos atuais níveis com a atual posição técnica.

Acredito, contudo, que estes movimentos só irão ocorrer de maneira mais tendenciosa caso o Core CPI dos EUA mostra um claro movimento altista, acima das expectativas do mercado. Caso contrário, deveremos voltar as tendências que vigoraram até aqui, com dólar em queda, juros baixos e apreciação dos ativos emergentes. Vale ressaltar que ainda não vejo motivos evidentes de mudanças de tendências, mas movimentos pontuais de ajuste. Repito, o Core CPI será determinante nesta trajetória.

Como o Brasil não é uma ilha isolada do mundo, os movimentos globais deverão afetar a dinâmica local, como foi o caso hoje, com o dólar em alta, os juros mais pressionados porém com o Ibovespa atingindo novos picos recentes.




Data: 11/09/2017

Sem novidades relevantes. Atenção à dinâmica dos ativos de risco.

Na sexta-feira, a agenda econômica foi esvaziada. Assim, o destaque ficou por conta, apenas, para a dinâmica dos ativos de risco. Chamou a atenção a realização de lucros, e reversão (até o momento pontual) da trajetória de alguns ativos. Ainda me parece cedo para afirmar que estamos diante de uma reversão de tendência ou de uma realização de lucros mais acentuada, mas vale manter uma atenção sobre estes pontos.

Por ora, não vejo mudanças de fundamentos que justifiquem movimentos de reversão maiores, mas os níveis de preço e os movimentos, em muitos casos acentuados, dos últimos meses, podem ter deixado a posição técnica momentaneamente prejudica e favorecer movimentos de acomodação.

Dois exemplos podem ser citados aqui. Primeiro, a forte queda do Cobre, que caiu mais de 3% na sexta-feira. Segundo, a reversão da tendência de apreciação do CNH, moeda da China, após o pais anunciar um corte de 20% para 0% nos Reveserve Requirements sobre operações de FX Fowards.

A agenda econômica nos EUA ganhará importância ao longo da semana, com os dados de inflação como PPI e CPI em foco.

No Brasil, o fluxo de notícias segue sem novidades relevantes, o que favorece o Governo e o status-quo. De novidade relevante para os mercados, apenas declarações de Meirelles de que irão retomar as tratativas para a Reforma da Previdência. O Governo tem a intensão de colocar o tema para votação ainda em outubro.

O cenário econômico permanece inalterado e positivo. O crescimento mostra sinais mais consistentes de recuperação, impulsionado pelo consumo. O mercado de trabalho apresenta dinâmica positiva. A inflação está baixa e continua surpreendendo o mercado e o BCB. Este pano de fundo permite que o processo de queda da Taxa Selic continue. As contas externas estão saudáveis. O cenário fiscal demanda cautela, mas há a expectativa de continuidade do processo de reformas.

 




Data: 11/09/2017

"Risk-On". Furacões em Foco. Inflação na agenda Americana.

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom positivo, com claro viés de “risk-on”. A ausência de desenvolvimentos relevantes no campo geopolítico, aliado a um pano de fundo econômico positivo, está dando suporte aos ativos de risco nesta manhã.

Ontem, comentei sobre este tema aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/sem-novidades-relevantes-atencao.html. Na semana passada, já havia escrito sobre o pano de fundo global no link a seguir: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/goldilocks-are-back.html.

A agenda do dia será relativamente esvaziada, mas ao longo da semana o destaque ficará por conta dos dados de inflação nos EUA e para as Notas do Copom no Brasil. Com os dados de atividade econômicas globais saudáveis, um mercado de trabalho em franca recuperação nas principais economias do mundo, a inflação baixa no mundo parece o último “conundrum” do cenário.

Em relação aos Furacões que atingiram os EUA nas últimas semanas, são sem dúvida alguma uma enorme tragédia humanitária. Em termos econômicos, os Furacões devem afetar negativamente a atividade no curto-prazo e provavelmente elevar a inflação. No médio e longo-prazos, contudo, os esforços de reconstrução deverão dar sustentação a atividade econômica e ao crescimento. Possivelmente, os esforços de reconstrução das áreas atingidas podem ajudar o Congresso a chegar a chegar a algum consenso do ponto de vista fiscal, liberando recursos e tornando a agenda política mais fluida.

Sobre a relação entre furacões e mercados, a Goldman Sachs escreveu hoje:

We see several potential implications for markets, most of which are modest. Our Commodities strategists expect the overall impact of both hurricanes to be net bearish for oil in the short term. Similarly, companies in sectors that are directly exposed to the regional damage will see some impact on short-term earnings, but the magnitude of the current impact should be modest in the longer term.

The broader macro market impact should be even more modest, as rational markets should 'see through' the anticipated short-term weakness in economic data. However, looking at the historical patterns around natural disasters suggests this may not always occur immediately. Fed officials should have less trouble 'de-noising' the data, although hurricane-related distortions may require slightly more discretion on the margin when interpreting data signals.




Data: 08/09/2017

Copom, Política Brasil e ECB.

 

Mercados – O dia foi marcado pela pressão baixista no dólar ao redor do mundo, ajudado por mais uma rodada de pressão nos yields das Treasuries. As commodities se favoreceram deste ambiente, enquanto as bolsas apresentaram leve apreciação.

 

Não vejo uma explicação boa para está pressão continua nos yields das Treasuries, em meio a um cenário de crescimento robusto e de economia saudável, a despeito da fraqueza da inflação, que aparenta ser uma questão global. Fico com uma certa “pulga atrás da orelha” quando vejo um movimento de forte pressão sobre as taxas de juros, fraqueza da moeda e alta dos metais preciosos. Me impressiona, neste ambiente, a ausência de pressão sobre as bolsas dos EUA. Acredito que, em algum momento, estes ativos precisarão encontrar um equilíbrio melhor, seja com as bolsas apresentando alguma correção, ou com os demais ativos (yields e dólar) apresentando algum ajuste a um cenário ainda em grande parte favorável de crescimento. 

 

Vimos mais um dia positivo para os ativos emergentes, com os ETFs e as ADRs de Brasil com desempenho positivo. Continuo vendo espaço para a rotação das bolsas desenvolvidas para as bolsas emergentes, e o Brasil como um importante favorecido deste processo. 

 

Brasil – Copom: O BCB anunciou um corte de 100bps na Taxa Selic, como era amplamente esperado. O comunicado após a decisão sinalizou para um processo gradual de queda da Taxa Selic de agora em diante, já que estamos em um estágio avançado deste ciclo de queda de juros. Mantidas as condições atuais, o cenário base parece ser de cortes de 75bps e 50bps nas próximas duas reuniões do Copom, com a possibilidade de algum corte adicional de 25bps após isso. 

 

Neste ambiente, acredito que a parte curta da curva de juros ficará bem ancorada, mas já não apresenta um risco/retorno favorável para ganhos de capital. A partir de agora, deveremos ver um movimento mais claro de flattening da curva. Vejo duas oportunidades aqui. Uma, a retirada dos prêmios excessivos de alta de juros a partir de 2018, com a manutenção de uma Taxa Selic mais baixa por um tempo mais prolongado. Isso favoreceria a parte intermediária da curva. Acredito que este será um processo gradual. Ao mesmo tempo,vejo espaço para a redução dos prêmios de risco da parte mais longa da curva, em meio um cenário cíclico mais positivo, o avanço de importantes reformas estruturante, e um cenário político cujos os riscos de cauda tem sido reduzidos. A NTNB 2050, por exemplo, parece ter “ficado para trás” em termos de desempenho se comparada vis-à-vis o movimento recente dos juros curtos, do Ibovespa e do próprio BRL. 

 

Brasil – Político: Em depoimento ao juiz Sergio Moro, Antonio Palocci, ex Ministro da Fazenda, acusado pelo MPF e atualmente preso, confessou que teria agido de maneira não republicana em diversos episódios que, supostamente, envolveria o ex presidente Lula e demais membros do PT. O depoimento de Palocci deve ser visto como mais um enorme obstáculo para o PT e deveria enfraquecer ainda mais o partido e as pretensões políticas do ex Presidente Lula. Este cenário costuma ser visto como positivo pelos mercados financeiros locais. 

 

O cenário político mostra redução dos riscos de cauda, com os últimos eventos envolvendo os delatores da JBS e, agora, novas acusações sobre Lula, de um membro de seu circulo íntimo. Com um cenário externo construtivo, uma recuperação cíclica da economia, o ambiente se mostra bastante propício para a apreciação dos ativos locais. A aproximação do fim do ciclo de corte da Taxa Selic deverá favorecer o Ibovespa, o BRL e parte mais longa curva de juros em detrimento às posições em juros mais curtos e NTNBs, que vinham sendo a maior alocação a risco do mercado até recentemente. 

 

Europa – O ECB manteve sua política monetária inalterada. Draghi sinalizou que o processo de revisão do QE está em curso, mas uma decisão definitiva deverá ser tomada em outubro. A despeito dos comentários sobre a apreciação recente do EUR, o ECB não colocou um peso grande sobre isso, o que favoreceu mais uma rodada de alta da moeda.  




Data: 06/09/2017

Brasil: Inflação Benigna, Cenário Positivo.

 

A quarta-feira foi marcada por uma estabilização do humor global a risco e pela continuidade do movimento de rotação de alocações dos países desenvolvidos para os países emergentes. Os ativos do Brasil têm sido os mais favorecidos por este movimento. 

 

Nos EUA, o Congresso autorizou a liberação de recursos para auxílio aos estragos causado pelo desastre natural do Furacão Harvey, no estado do Texas. Além disso, cresceram as chances de um acordo político que não paralise o país, e que dê condições de manter os pagamentos das obrigações do governo, o que estava em xeque devido as negociações políticas recentes. Estes eventos, aliados a ausência de novidades relevantes no tocante a Coréia Norte, e dados que confirmam um crescimento saudável do país, com o ISM Non-Manufacturing em níveis robustos de 55,3 pontos, deram sustentação aos ativos de risco como um todo. 

 

No Brasil, além do fluxo de notícias mais positivo, comentado esta manhã aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/brasil-fluxo-de-noticias-positivas.html, o IPCA de agosto ficou abaixo das expectativas do mercado, com alta de 0,19% MoM e 2,46% YoY, contra expectativas de 0,30% MoM e 2,58% YoY.

 

O qualitativo do indicador continua mostrando um quadro extremamente benigno para a inflação corrente e para a inflação prospectiva. O número deu ímpeto as expectativas do mercado em torno de um ciclo de queda da Taxa Selic ainda mais intenso e a manutenção de uma taxa de juros mais baixa por um período mais prolongado de tempo. Continuo vendo espaço para o fechamento das taxas de juros no país, já que a parte intermediária da curva de juros nominais precifica um ciclo de alta de juros a partir de 2018 que não vejo como factível. Diante dos eventos recentes, vejo espaço para a parte longa da curva de juros apresentar um “catch-up” em relação as demais classes de ativos. 




Data: 06/09/2017

Brasil: Fluxo de notícias positivas. Copom em foco.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade nesta manhã. Ontem, o destaque ficou por conta da pressão sobre os ativos dos EUA, com o dólar, as bolsas e os yields dos país operando em queda. Não há um vetor específicos que explique estes movimentos, mais um conjunto de vetores menores, menos importantes mas que, em conjunto, ajudaram estes movimentos. São eles: os riscos provenientes da Coréia do Norte, a onde de furacões de categorias mais elevadas e potencial destruidor grande, um efeito retardado aos dados mais fracos de emprego divulgados na sexta-feira, entre outros.

Continuo optando por um portfólio relativamente neutro no direcional a risco. Vejo espaço para movimentos de diferenciação. Como tenho comentado neste fórum, vejo espaço para a continuidade de rotação de ativos vistos como com valuations e posição técnica menos atrativos neste momento, em prol de ativos cujo valuation parece mais atraente e a posição técnica idem. Este é o caso, por exemplo, da migração das bolsas dos países desenvolvidos para as bolsas e os ativos emergentes em geral. Dados os riscos geopolíticos e os níveis de volatilidade implícita, gosto de buscar hedges em alguns índices de bolsa dos países desenvolvidos, ou executar as posições “compradas” através de estruturas de opção. As vols implícitas do Ibovespa, por exemplo, se mostram historicamente em níveis extremamente baixos, deixando o risco/retorna da operação comprada via opções bastante atrativa.

No Brasil, o fluxo de notícias deve ser lido como mais positivo. O Senado aprovou ontem a TLP e a revisão da meta fiscal. A mídia está reportando hoje que o BNDES pode devolver cerca de R$130bi ao Tesouro, em operação semelhante à ocorrida recentemente. No campo político, as novas revelações do “Caso JBS” enfraqueceram as denúncias da PGR sobre o núcleo central do Governo. Ainda é esperada uma nova denúncia contra o Presidente Michel Temer, em muito baseada na delação premiada, homologada ontem, segundo a mídia, de Lúcio Funaro. Contudo, é inegável que o Governo saiu fortalecido dos últimos eventos. Na noite de ontem, a mesma PGR denunciou o PT e seus principais integrantes, entre eles os ex Presidentes Lula e Dilma, em conexões com os esquemas de desvio de recursos da Petrobrás.

Hoje à noite teremos a reunião do Copom. O mercado espera um corte de 100bps na Taxa Selic, para 8,25%. O foco deverá ficar por conta do comunicado que o BCB irá divulgar e o tom que pretende adotar. O mercado está dividido entre expectativas de que o BCB tenha grau de liberdade, e não indique claramente os seus próximos passos, e outra parte do mercado que já espera uma indicação de desaceleração do ritmo de corte da Taxa Selic, baseado nos modelos de previsão de inflação do BCB, o nível da taxa atual de juros e o ciclo de corte já realizado. Acredito que haja espaço para que a Taxa Selic atinja níveis próximos, ou pouco abaixo de 7%. O comunicado do BCB irá, em muito, depender de como o BCB pretende encerrar este ciclo de corte de juros,ou com a chamada “escadinha”, reduzindo o ritmo de cortes até encerra-lo, ou continuar em um ritmo mais “agressivo” de 100bps, e encerrar o ciclo de cortes de maneira abrupta. Acredito que isso será bem comunicado, mas tenho pouca vantagem comparativa em tentar antecipar este processo. Continuo vendo espaço para o fechamento das taxas de juros no país, já que a parte intermediária da curva de juros nominais precifica um ciclo de alta de juros a partir de 2018 que não vejo como factível. 




Data: 05/09/2017

Estabilização do humor global a risco. No Brasil, governo se fortalece.

 

Os ativos de risco estão apresentando recuperação em relação ao leve “risk-off” verificado ontem. A ausência de uma reação mais enérgica e beligerante do Ocidente em relação aos últimos eventos na Península da Coréia é um vetor de sustentação dos ativos de risco esta manhã. Vale lembrar que na semana passada tivemos a confirmaço de um cenário econômico global positivo. Os eventos geopolíticos na Ásia são os únicos pontos de preocupação/ruído no curto-prazo. Assim, a ausência de reações mais negativas em resposta aos testes balísticos militares por parte da Coréia do Norte acaba gerando um cenário menos negativo para os ativos de risco.

Comentei sobre o cenário econômico global aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/08/the-world-is-fine-thanks.html e aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/goldilocks-are-back.html.

Sobre a Coréia do Norte, reforço que: Raramente situações como essa chegam ao ponto beligerante. Na maior parte das vezes, situações como essa chegam a um equilíbrio na base da diplomacia. Contudo, não estamos em tempos normais. Os líderes de EUA e Coreia do Norte são de difícil leitura. Acredito que ninguém tenha vantagem comparativa em prever este tipo de evento/situação. A sinalização de Trump, entretanto, coloca o mercado em alerta. Qualquer resposta verbal, ou novo teste balístico por parte da Coreia do Norte, poderá levar a uma reação desproporcional nos ativos de risco, especialmente nos atuais níveis de preço.

Continuo vendo um cenário econômico global relativamente positivo, e espaço para uma tendência de leve apreciação dos ativos de risco. Em especial, vejo espaço para a continuidade de rotação de ativos vistos como com valuations e posição técnica menos atrativos neste momento, em prol de ativos cujo valuation parece mais atraente e a posição técnica idem. Este é o caso, por exemplo, da migração das bolsas dos países desenvolvidos para as bolsas e os ativos emergentes em geral. Dados os riscos geopolíticos e os níveis de volatilidade implícita, gosto de buscar hedges em alguns índices de bolsa dos países desenvolvidos, ou executar as posições “compradas” através de estruturas de opção. As vols implícitas do Ibovespa, por exemplo, se mostram historicamente em níveis extremamente baixos, deixando o risco/retorna da operação bastante atrativa.

No Brasil, no final da tarde de ontem, o Procurador Geral da República anunciou que membros do Grupo da J&F, cujos acordos de delação premiada já foram homologados, e são de conhecimento público, entregaram a PGR novas gravações que não haviam sido disponibilizadas anteriormente. Segundo a PGR, as gravações trazem conversas gravíssimas, que colocam em dúvida a atuação e a postura de membros da própria PGR e do Judiciário como um todo, em todas as instancias. Segundo o Procurador Geral, já foi aberto uma investigação que pode vir a cassar os direitos concedidos aos delatores por terem omitido uma parte vista como relevante em suas delações premiadas.

O efeito prático deste evento é enfraquecer a delação do Grupo J&F e, consequentemente, enfraquecer todas as denuncias cuja base eram essas delações, mesmo que a PGR diga que as provas ainda são válidas. Neste caso, a situação do Presidente Michel Temer e de parte do seu núcleo político obtém uma vitória bastante importante politicamente. Uma eventual segunda denuncia já chegaria ao Congresso desgastada e enfraquecida. O evento de ontem deve ser lido pelo mercado como positivo por favorecer a continuidade do cenário político atual, reduzindo “riscos de cauda” de eventuais novas denuncias no curto-prazo.

Além disso, a mídia está reportando que Marcelo Odebrecht, em depoimento ao juiz Sergio Moro, confirmou que operava uma “conta propina” para membros dos governos do PT nos últimos 12 anos. Segundo a mídia, os depoimentos incriminariam os governos de Lula e Dilma. Sem tentar fazer juízo do caso, mas apenas em uma tentativa de entender a resposta do mercado a este evento, tendo a acreditar que o mercado irá ler este tipo de depoimento como elevando a probabilidade de uma nova condenação de Lula. Consequentemente, isso enfraqueceria o ex presidente em sua corrida presidencial de 2018. Assim, tende a ser lido como positivo pelos mercados financeiros locais.




Data: 04/09/2017

Coréia do Norte: Oops, I Did it Again...

 

O destaque do final de semana ficou por conta da constatação e mais um teste balístico militar por parte da Coréia do Norte. Desta vez, contudo, o teste foi classificado como “bem sucedido”. Os lançamentos teriam testado artefatos nucleares, ou uma possível bomba de hidrogênio, que teria causado um terremoto de cerca de 6,3-6,4 graus na mesma região que outros testes nucleares teriam sido conduzidos no passado. O teste deste domingo foi classificado como o mais poderoso realizado pela Coréia do Norte até o presente momento e seria mais uma confirmação dos imensos avanços atingidos pelo país em seu programa nuclear. 

 

A comunidade internacional foi rápida em condenar os testes. O Conselho de Segurança da ONU foi convocado para um reunião nesta segunda-feira. Por ora, a comunidade internacional ainda busca uma saída diplomática para a situação e os EUA é o único país que fala abertamente em uma possível solução militar para o caso. 

 

Reforço aqui o que tenho escrito neste fórum nas últimas semanas: O lançamento dos mísseis ocorre após uma semana de recuo na retórica entre a Coréia do Norte e os EUA. O evento deve ser visto como uma clara provocação da Coreia do Norte após as últimas declarações de Trump. Agora, ficamos diante de uma situação bastante incerta e delicada. Caso não reaja militarmente, e insista em ações preventivas por meios econômicos e diplomáticos, Trump irá começar a perder credibilidade. Assim, crescem as chances da Coreia do Norte insistir em seu programa nuclear e em suas provocações militares aos seus vizinhos mais alinhados com o ocidente. Caso Trump decida reagir de forma mais agressiva, militarmente, poderemos entrar em um ambiente muito mais hostil e incerto. 

 

Os ativos de risco tem mostrado uma capacidade bastante firme em ignorar este tipo de ruído. Acredito que poderemos ter uma reação negativa de curto-prazo, mas uma mudança de trajetória dos mercados só ocorrerá caso um conflito militar mais abrangente seja concretizado. Caso contrário, qualquer realização de curto-prazo será vista como oportunidade de novas alocações em ativos de risco. 

 

Acredito, contudo, que o mercado embute um risco excessivamente baixo de ocorrência de um evento como esses, dado a magnitude dos movimentos caso eles ocorram. Assim, me parece relativamente barato estruturar hedges nesta direção. As bolsas globais estão no highs recentes (e em alguns casos históricos), as volatilidades implícitas voltaram para níveis historicamente baixos e etc. Reforço aqui que o cenário base ainda é construtivo para a economia global. A probabilidade de ocorrência de um evento negativo no mundo se elevou, mas ainda é baixa, contudo os níveis de preço tornam a estruturação de hedges uma maneira barata de proteger os portfólios. 

 

Um último comentário sobre este tema: Raramente situações como essa chegam ao ponto beligerante. Na maior parte das vezes, situações como essa chegam a um equilíbrio na base da diplomacia. Contudo, não estamos em tempos normais. Os líderes de EUA e Coreia do Norte são de difícil leitura. Acredito que ninguém tenha vantagem comparativa em prever este tipo de evento/situação. A sinalização de Trump, entretanto, coloca o mercado em alerta. Qualquer resposta verbal, ou novo teste balístico por parte da Coreia do Norte, poderá levar a uma reação desproporcional nos ativos de risco, especialmente nos atuais níveis de preço. 

 

No Brasil, ao contrário do que se temia, a fluxo de notícias foi relativamente esvaziado. Não houve “fato novo” no âmbito político. Pelo menos por ora, não há informações novas concretas em torno de novas delações premiadas, ou em relação a eventual nova denuncia contra o Presidente Michel Temer, que venha a alterar o quadro político local de maneira derradeira.




Data: 01/09/2017

Goldilocks are back!

 

A sexta-feira foi marcada por duas divulgações relevantes.

Brasil – O PIB do 2Q apresentou alta de 0,2% QoQ, dentro das expectativas do mercado. Parte relevante da alta moderada do PIB foi explicada pelo Consumo, o que já vinha sendo observado nos números econômicos mensais. Os investimentos ainda se mostram tímidos, mas a recuperação do PIB mostra uma certa disseminação mais abrangente entre os setores, mesmo que ainda tímida.

O número de hoje confirma as expectativas do mercado de uma recuperação da economia e do crescimento de agora em diante, o que em nada altera a dinâmica dos mercados locais. O número não deveria mudar a política monetária de curto-prazo e nem mesmo o otimismo de alguns players na recuperação mais robusta do crescimento.

EUA – Os dados de emprego de agosto ficaram abaixo das expectativas do mercado, com uma criação de emprego mais baixa do que o esperado, uma taxa de desemprego mais elevada, e sem sinais consistentes de pressões salariais. A despeito da fraqueza do indicador, o mês de agosto é visto como um mês de difícil mensuração devido a questões sazonais. 

O número em nada altera a visão de uma economia saudável, um mercado de trabalho robusto mas sem necessidades de um processo de normalização monetária mais rápido do que aquele que vem sendo sinalizado pelo Fed. Tampouco altera as expectativas para a redução do balanço do Fed, cujo mercado espera que seja anunciado na reunião do FOMC de setembro. A continuidade do processo de alta de juros, contudo, continua dependente de dados de inflação mais firmes nos próximos meses.

Mercados – Após um período de consolidação, os ativos de risco aparentem estar voltando para suas tendências que foram regra ao longo de todo este ano. O pano de fundo continua construtivo para os ativos de risco em geral. Salvo mudanças substanciais de cenário e/ou riscos expecíficos (Coréia do Norte, por exemplo) parece que os mercados financeiros globais poderão retomar suas tendências que vinham sendo regra a até poucas semanas atrás (De maneira geral, uma apreciação moderada dos ativos de risco, com algumas diferenciações por questões de posicionamento e valuations. Em grande exemplo disso fica por conta da rotação de bolsas dos países desenvolvidos para alguns mercados emergentes, como o Brasil).

No Brasil, o Copom será o destaque da semana que vem. O mercado já trabalha com uma queda de 100bps na Taxa Selic. A comunicação que será apresentada pelo Comitê será fundamental para o movimento de curto-prazo da curva de juros e do seu “shape” de agora em diante. Ainda vejo espaço para o fechamento das taxas de juros, acredito que a Selic poderá testar níveis abaixo de 7%. A curva está excessivamente inclinada, mas espero que está inclinação só se reduza com o passar do tempo, conforme o mercado for se tornando mais confortável com um cenário de juros mais baixos por mais tempo.

Um risco que precisará ser monitorado, mas hoje é apenas um risco de baixa probabilidade, fica por conta do vazamento de novas informações de delações premiadas e eventuais novas acusações sobre integrantes do atual Governo e da base aliada. Nas últimas semanas, o mercado tem se mostrado confortável com a situação política, dando mais importância a situação cíclica positiva da economia. A postura do mercado deverá seguir assim, exceto por alguma alteração muito maior do cenário.




Data: 01/09/2017

No News is Good News...

 

Os ativos de risco apresentaram uma dinâmica bastante estranha na quinta-feira, o que pode ser explicado por fluxos pontuais de final de mês e de trimestre. Irei evitar fazer uma leitura desta dinâmica para não incorrer em interpretações erradas. O destaque do dia ficará por conta dos dados de emprego de agosto nos EUA. A minha impressão é que apenas números muito fora do consenso de mercado serão capazes de alterar de maneira fundamental a dinâmica dos ativos de risco.

 

Continuo vendo uma economia global saudável, sem riscos aparentes de inflação e com bancos centrais que irão normalizar suas políticas monetárias de maneira apenas gradual. Isso tende a favorecer os ativos de risco de maneira geral. O nível de preço e a posição técnica, contudo, aliados a alguns riscos de curto-prazo (como a situação na Coréia do Norte) estão favorecendo este movimento de consolidação. Comentei um pouco mais a fundo sobre estes tema aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/08/consolidacao-continua.html. 

 

O fluxo de notícias para Brasil também continua esvaziada. A despeito do tom alarmista da mídia, a agenda do Congresso avança na direção das reformas e das medidas essenciais para o governo. Uma nova rodada de delações premiadas está sendo apresentada ao STF pela PGR, e novas denuncias contra o Presidente Michel Temer e seu núcleo político deverá ocorrer nos próximos dias. 

 

No campo econômico, os dados de emprego divulgados ontem mostram uma promissora e positiva recuperação do emprego e da renda disponível,  o que já tem mostrado impactos positivos sobre o crescimento da economia. A inflação corrente está baixa. Os dados recentes levaram a uma nova onda de revisões positivas para a inflação deste e do próximo ano. Este ambiente tem ajudado a manter as expectativas de continuidade do ciclo de corte da taxa Selic. 




Data: 31/08/2017

The World is Fine, Thanks!

 

A economia global continua mostrando sinais positivos de que o crescimento permanece saudável e estável, o que está ajudando na estabilização das bolsas globais. Na noite de hoje, foi a vez do PMI Manufacturing da China apontar nesta direção, com uma alta de 51,4 para 51,7 pontos, acima das expectativas do mercado. Na Austrália, vimos dados de crédito e capex que também apresentaram tendências positivas nas divulgações ocorridas esta noite.

 

Na tarde de ontem já comentei a respeito do cenário para os ativos de risco. Para não soar repetitivo, minha visão pode ser encontrada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/08/consolidacao-continua.html. 

 

No Brasil, o governo encontra alguma resistência para a andamento da agenda do congresso, com a votação da TLP e das novas metas fiscais sendo constantemente atrasadas/adiadas. Não acredito que o mercado irá reagir a este noticiário. A despeito dos atrasos, a agenda do congresso tem caminhado na direção mínima necessária para manter o cenário cíclico positivo do país. 

 

Um artigo do Valor Econômico afirma que existe algum desconforto do BCB com a inclinação da curva de juros. O título do artigo aparenta ter mais informações oficiais do que o texto em si. Não há nenhuma cotação literal (nem em “on” nem em “off”) de membros do BCB, mas apenas a constatação de uma curva de juros ainda bastante inclinada: 

 

Risco de Selic a dois dígitos preocupa BC

Por Lucinda Pinto e José de Castro

 

No momento em que o mercado está ajustando suas apostas em uma Selic perto de 7%, o Banco Central tem demonstrado alguma preocupação com as expectativas para a taxa de juros em um horizonte mais longo. Nos encontros privados com representantes do mercado, um tema recorrente tem sido o comportamento das projeções dos contratos futuros de juros, que já apontam uma taxa de dois dígitos a partir de julho de 2019, a despeito do consenso entre os agentes de que a inflação deve permanecer sob controle. 

 

A resposta que o Banco Central tem recebido desses profissionais é que a confiança no cenário de juros baixos depende da evolução das reformas. E essa variável só estará definida após a eleição de 2018. "Hoje, o mercado vê uma queda forte de juros por razões conjunturais, mas não está seguro de que a queda é estrutural", define o economista-chefe da Garde Investimentos, Daniel Weeks. "Se a agenda de reformas não avança, o juro neutro é mais alto e a Selic tem que subir mais no futuro."  

 



Data: 31/08/2017

Consolidação continua.

 

Nas últimas semanas, venho insistindo na tese de que estamos no meio de um processo de consolidação/acomodação dos ativos de risco. A dinâmica dos mercados financeiros globais hoje apenas comprova esta teoria. Esta quarta-feira foi à vez de observamos uma consolidação do USD, com destaque para a queda do EUR após ter falhado no rompimento do 1,20; uma pressão sobre algumas commodities e, consequentemente, dos ativos mais dependentes de commodities. A mesma afirmação pode ser feita sobre as bolsas dos países desenvolvidos nas últimas semanas, assim como para o BRL, por exemplo. 

 

Vale ressaltar, contudo, que acomodação/consolidação não significa propriamente realizações de lucros mais rápidas e acentuadas e nem mesmo mudanças de tendências. 

 

Olhando para frente espero a continuidade destes movimentos de acomodação/consolidação no curto-prazo. Ademais, teremos duas alternativas. (1) O cenário econômico se mantém inalterado, os níveis de preço e posição técnica mostram alívio e as tendências que foram regra nos últimos meses são retomadas ou (2) Algum fato novo ou os dados econômicos apontem para uma mudança de cenário. 

 

O que estarei observando nos próximos dias para ter uma resposta de que caminho os ativos de risco seguirão: Dados econômicos como Core CPE e Payroll nos EUA, dados de crescimento na China, situação geopolítica na Coréia do Norte e situação de política interna nos EUA. Se nenhum desses eventos gerar uma mudança substancial de cenário, poderemos ver a retomada das tendências que vigoraram ao longo de todo este início de ano. Caso o cenário mostre alguma mudança, deveremos rever o cenário e as recomendações de alocação. 

 

O Brasil se insere neste panorama global, mas adicionaria a comunicação do BCB na reunião do Copom da próxima semana, assim como a reação da classe política e dos mercados locais a eventual nova denúncia contra Michel Temer, cuja mídia está afirmando que será baseada na delação premiada de Lúcio Funaro e que poderá ser anunciada até semana que vem. 

 

Continuo focado em um portfólio relativamente neutro no direcional a risco. Gosto de posições aplicadas na parte curta da curva local de juros, majoritariamente via estruturas de opção. A assimetria me parece boa. Também vejo valor na parte intermediária da curva nominal de juros. Venho trabalhando com alguns hedges via calls/spreads de USDBRL. Vejo casos específicos de valor na bolsa local. No cenário externo, continuo vendo espaço par abertura de taxa de juros em alguns países de g10, com hedge em estruturas de opção de bolsa. Gosto da venda do AUD no nível de 0,79-0,80, mas com visão tática e stops mais estreitos. 

 

No cenário econômico, não vejo alterações substanciais de panorama. Os dados de EUA continuam forte, como vimos hoje o ADP Employment com uma criação robusta de vagas de trabalho em agosto, e a revisão do PIB do 2Q para um crescimento saudável de 3% anualizado. No Brasil, vemos um cenário extremamente benigno de inflação corrente, e uma retomada gradual dos indicadores de confiança da inudtsria, comercio, consumidores e afins.




Data: 29/08/2017

Update.

 

Os ativos de risco foram capazes de apresentar recuperação ao longo do dia, após os novos lançamentos balísticos da Coréia do Norte no início da noite de ontem. Favoreceram o movimento de estabilização dos mercados financeiros globais o que foi lido pelo mercado como uma resposta moderada por parte de Trump e Cia, além da divulgação de dados econômicos que reforçaram a visão de uma economia global saudável.

Continuo com a visão de que estamos em meio a um processo de acomodação dos mercados financeiros globais. Vejo riscos que poderiam levar a uma realização de lucros mais rápida e acentuada dos mercados, mas a dinâmica mostra que apenas a concretização desses riscos, e não apenas o aumento da probabilidade de ocorrência, serão capazes de levar os ativos de risco a movimentos mais agressivos de depreciação.

Continuo vendo poucas tendências claras de mercado e optando por posições mais neutras no direcional a risco, e focada em temas específicos.

Dois ativos merecem destaque. Primeiro, o EUR aparentemente falhou tecnicamente o rompimento da barreira de 1,20, o que está trazendo alguma realização na moeda. Segundo, continuamos a ver uma dinâmica extremamente robusta do Ibovespa. As evidências anedóticas apontam para uma demanda bastante grande por esta classe de ativos, o que tem impedido realizações mais acentuadas. Aparentemente, precisaremos de uma mudança muito brusca de cenário para frear este movimento de apreciação da bolsa local.

No Brasil, a agenda legislativa está intensa, com uma série de medidas de interesse do governo na pauta de votação dos próximos dias. A mídia continua criando ruídos em torno do cenário político, mas de fato não há informações novas que venham a alterar o quadro cíclico da economia. O déficit fiscal primário de julho ficou acima das expectativas, mas este tema ficou em segundo plano após as recentes revisões anunciadas pelo governo.

 



Data: 29/08/2017

Coréia do Norte lança novos mísseis e torna cenário incerto e perigoso.

 

Os ativos de risco operam, neste momento, sobre pressão, liderados por uma queda nas bolsas globais. O movimento teve início após a Coréia do Norte promover mais uma sequencia de lançamentos de mísseis balísticos. Alguns desses mísseis, segundo a mídia, sobrevoaram território japonês e teriam caído em águas do país. reforço o que escrevi neste fórum no domingo:

 

O lançamento dos mísseis ocorre após uma semana de recrudescimento da retórica entre a Coréia do Norte e os EUA. O evento deve ser visto como uma clara provocação da Coreia do Norte após as últimas declarações de Trump.

Agora, ficamos diante de uma situação bastante incerta e delicada. Caso não reaja militarmente, e insista em ações preventivas por meios econômicos e diplomáticos, Trump irá começar a perder credibilidade. Assim, crescem as chances da Coreia do Norte insistir em seu programa nuclear e em suas provocações militares aos seus vizinhos mais alinhados com o ocidente. Caso Trump decida reagir de forma mais agressiva, militarmente, poderemos entrar em um ambiente muito mais hostil e incerto.

Acredito que podemos estar no meio de uma correção um pouco mais acentuado dos ativos de risco, puxada pelas incertezas trazidas pelo cenário geopolítico, mas ajudada por preços menos atrativos e posições técnicas esticadas.

Confrontos geopolíticos/militares podem afetar o crescimento global através do aumento da incerteza que, consequentemente, afeta o cenário para o consumo e os investimentos. Os gasto militares aumentam, o que pode ser visto como um fator que tende a atenuar o efeito deletério sobre o crescimento. De qualquer maneira, o aumento da incerteza deveria gerar, pelo menos no curto-prazo, menos crescimento e mais volatilidade nos ativos de risco.

Os analistas soltaram relatórios sobre os impactos do furacão Harvey sobre a economia dos EUA. Com comentei no final de semana: Eventos naturais como esse tendem a ter impactos pontuais nos dados econômicos, pois irão distorcer momentaneamente parte das estatísticas econômicas da região. Para os mercados, o impacto maior deverá ficar por conta dos derivados de petróleo e das curvas futuras dos mesmos. Em termos econômicos, eventos como esse tendem a mostrar um crescimento de curto-prazo pior, mais fraco, mas uma retomada relativamente rápida nos meses subsequentes. Assim, não há mudança de cenário para o país.

Os economistas estão estimando um impacto de US$30bi na economia, ou cerca de 0,2% do PIB. Este efeito negativo seria totalmente revertido no trimestre subsequente.

No Brasil, a mídia está especulando sobre a eventual nova denuncia da PGR sobre o Presidente Michel Temer, que pode ser anunciada em breve (próxima semana). Além disso, o Governo retornou suas negociações em torno do Refis e da Reforma da Previdência, mas nada de fundamentalmente novo.




Data: 28/08/2017

Coréia do Norte & Furacão.

 

O final de semana trouxe apenas duas notícias, até o momento, no cenário externo, que merecem destaque.

 

Um enorme furacão atingiu a região do Texas nos EUA, e a cidade de Houston, a quarta maior do país. O furacão afetou uma parte relevante das operações de refino de petróleo da região (e todo o país), além de uma parcela menor das plataformas de extração de petróleo.

 

Eventos naturais como esse tendem a ter impactos pontuais nos dados econômicos, pois irão distorcer momentaneamente parte das estatísticas econômicas da região. Para os mercados, o impacto maior deverá ficar por conta dos derivados de petróleo e das curvas futuras dos mesmos. Em termos econômicos, eventos como esse tendem a mostrar um crescimento de curto-prazo pior, mais fraco, mas uma retomada relativamente rápida nos meses subsequentes. Assim, não há mudança de cenário para o país. 

 

Na noite de sexta-feira para sábado, no hemisfério norte ocidental, a mídia reportou que a Coreia do Norte promoveu o lançamento de 3 mísseis balísticos de curto alcance (leia-se, segundo a mídia, cerca de 250km) na região oceânica entre as Coreias e o Japão. 

 

O lançamento dos mísseis ocorre após uma semana de recrudescimento da retórica entre a Coréia do Norte e os EUA. O evento deve ser visto como uma clara provocação da Coreia do Norte após as últimas declarações de Trump. 

 

Agora, ficamos diante de uma situação bastante incerta e delicada. Caso não reaja militarmente, e insista em ações preventivas por meios econômicos e diplomáticos, Trump irá começar a perder credibilidade. Assim, crescem as chances da Coreia do Norte insistir em seu programa nuclear e em suas provocações militares aos seus vizinhos mais alinhados com o ocidente. Caso Trump decida reagir de forma mais agressiva, militarmente, poderemos entrar em um ambiente muito mais hostil e incerto. 

 

Não há noticias relevantes no Brasil. Seguimos em um cenário cíclico positivo, marcado por uma estabilização/recuperação do crescimento, uma inflação corrente e perspectiva baixa, a expectativa de continuidade do ciclo de queda da Taxa Selic e contas externas saudáveis. A situação fiscal ainda demanda cautela, mas o governo atua na direção que parece correta (a despeito das dúvidas se serão viáveis). Ainda existem riscos políticos. Os níveis de preços já são menos atrativos do que anteriormente, mas na ausência de ruptura, ainda deverá haver demanda pelos ativos locais. 

 

No cenário externo, o mundo continua crescendo a taxas saudáveis. A inflação continua baixa. Estes dois vetores permitem que os bancos centrais das principais economias do mundo sejam graduais no processo de normalização monetária. Isso tem ajudado a manter a condições financeiras bastante frouxas e positivas. De qualquer maneira, existem riscos que precisam ser monitorados, como a estabilidade financeira em alguns setores da economia e do mercado, uma possível aceleração da inflação no mundo desenvolvido, ou uma desaceleração mais acentuada de alguma economia relevante, como a China. Estes riscos, hoje, ainda apresentam probabilidades baixas, mas impactos relevantes caso ocorram. A posição técnica e os níveis de preço de algumas classes de ativos já começam a se mostrar como uma restrição a continuidade do processo de apreciação dos ativos de risco. 

 



Data: 25/08/2017

Update.

A sexta-feira foi de poucas novidades no cenário. Yellen e Draghi trouxeram poucas informações adicionais para a política monetária de curto-prazo. Comentei sobre a eventual reação dos mercados a este discursos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/08/yellen-draghi-em-foco.html. 

Os dados econômicos globais continuam mostrando um crescimento saudável do mundo, como observamos com a divulgação do IFO na Alemanha e no Durable Goods Orders.

A situação entre EUA e Coréia do Norte mostrou arrefecimento nos últimos dias, mas é um risco que precisamos aprender a conviver ao longo do tempo. A situação política interna dos EUA ainda é uma fonte de preocupação e, aliada a preços e posição técnica, parece estar ajudando no processo de consolidação das bolsas dos EUA, e impedindo a abertura das taxas de juros no país, mesmo em um ambiente de crescimento saudável e mercado de trabalho robusto.

O dia foi, exceto pelo movimento do BRL, de dólar fraco no mundo. O mercado estava claramente preocupado com uma possível sinalização por parte de Yellen. Na ausência de comentários em torno da política monetária dos EUA, o mercado pôde continuar sua dinâmica de enfraquecimento do dólar, fechamento de taxas de juros, bom desempenho das commodities e dos mercados emergentes em geral.

No Brasil, vimos um pouco de consolidação. Impressiona o movimento do BRL nos últimos dias, que ficou muito aquém de seus pares. Tudo indica que algum fluxo pontual esteja afetando a moeda local, ou a perspectiva de queda na taxa de juros começa a fazer um efeito mais deletério na moeda. Eu mantenho minha visão de que o BRL deverá se manter em um range em torno de 3,1-3,3 no horizonte de curto-prazo.

O mercado de juros foi o destaque da semana, com as perspectivas de inflação baixa e as sinalizações do BCB apontando para a continuidade de queda da Taxa Selic. A curva apresentou movimento de steepening hoje. As inflações implícitas se consolidaram nos atuais níveis. Ainda vejo espaço para o fechamento dos vértices curtos/intermediários. Vejo boas assimetrias em algumas estruturas de opção.

O Ibovespa fechou estável com movimentos relevantes entre setores e empresas. Vejo oportunidades específicas de investimentos, mas que fogem a este fórum. 




Data: 25/08/2017

Yellen & Draghi em Foco.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento, a espera dos discursos de Yellen, do Fed, e de Draghi, do ECB. O cenário base é para que ambos não tragam novidades relevantes para a política monetária de curto-prazo em suas falas. 

Já se espera que o Fed anuncie o início da redução do seu balanço na reunião do FOMC de setembro, e que o ECB faça o mesmo em setembro ou outubro. A probabilidade de uma nova alta de juros por parte do Fed, contudo, até o final deste ano, gira em torno de 30%-35%. Há apenas uma alta de 25bps precificada na curva do EUA até o final de 2018.

O discurso de Yellen será sobre estabilidade financeira, e todas as atenções estarão voltadas para sua visão em relação às condições financeiras correntes, vistas pelo mercado como bastante frouxas (por alguns como excessivamente frouxas), e qual a postura que os Bancos Centrais, e o Fed em especial, precisam tomar diante de um pano de fundo como este.

No curto-prazo, a situação política dos EUA parece estar sendo um obstáculo maior  para o bom desempenho dos ativos de risco do que o cenário para a política monetária. Venho afirmando, e mantenho minha visão, de que estamos no meio de um processo natural e saudável de consolidação dos ativos de risco e, mais especificamente, das bolsas dos EUA/Europa.

Caso Yellen e Draghi não tragam novidades capazes de dar ímpeto a uma rodada adicional de realização de lucros, desta vez puxada por uma abertura de taxa de juros, queda das bolsas e, consequentemente, pressão sobre os ativos EM e as commodities, poderemos ter alguma estabilização, ou até mesmo recuperação das bolsas dos EUA/Europa. O obstáculo principal,  em torno da política nos EUA, contudo, deverá evitar uma tendência mais sustentável no curto-prazo até que os impasses no país sejam devidamente administrados.

No Brasil, os ativos locais continuam reagindo ao avanço da agenda legislativa/econômica em meio a um pano de fundo cíclico positivo para a economia. Continuo vendo uma inflação baixa, uma leve recuperação do crescimento, perspectivas de juros mais baixos e contas externas saudáveis. O risco continua a ser na esfera política, agora com os rumores de uma nova acusação da PGR sobre o Presidente Michel Temer.  




Data: 24/08/2017

 Brasil: Reformas e Política.

 

Neste momento, os ativos de risco operam próximos a estabilidade, sem novidades relevantes. A agenda do dia terá apenas o Jobless Claims, nos EUA, como destaque. Minha visão do mercado pode ser encontrada no link a seguir, para não soar repetitivo: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

No Brasil, a Reforma Política foi fatiada e avança na Câmara. A TLP deverá ir ao plenário ainda na manhã de hoje. Em suma, mesmo de maneira mais atabalhoada, a agenda legislativa caminha na direção correta.

Os jornais de hoje trazem algumas matérias que podem ter efeito relevante sobre as eleições de 2018. Segundo a Folha, um delator, de um suposto esquema de propina em obras do PSDB em São Paulo, teria afirmado que irá comprovar o pagamento de ilícitos em obras na região. A matéria pode ser encontrada aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/08/1912488-neo-delator-promete-extratos-de-propina-do-psdb.shtml. Se confirmada as acusações trazidas pela matéria, colocará o PSDB e seus membros no estados de São Paulo no meio das investigações, dificultando ainda mais a campanha a cargos eletivos, até mesmo para presidente da república, de alguns membros do partido.

Ainda na Folha, o jornal afirma que existe hoje um debate se João Doria, prefeito de São Paulo, poderia se filiar ao DEM para concorrer a presidência da república pelo partido: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2017/08/1912441-dem-se-divide-sobre-entrada-de-doria-no-partido-para-disputar-presidencia.shtml.

O Valor econômico traz artigo sobre as reuniões de Carlos Vianna ontem, em São Paulo. De maneira geral, uma mensagem neutra. O BCB continua seu ciclo de queda da Taxa Selic. Com a inflação ainda baixa, um hiato do produto aberto e com uma recuperação apenas gradual do crescimento, ainda existe espaço para a continuidade do ciclo de queda da Taxa Selix. Segundo o jornal:

O Banco Central não se impõe compromisso de sinalizar o fim do atual ciclo de alívio monetário. A autoridade monetária pode julgar, a depender dos cenários, terminar o processo sem necessariamente desacelerar a magnitude dos cortes. Essa foi uma das mensagens dadas pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana, que se reuniu ontem com economistas na capital paulista. A fala de um diretor nessa ocasião é incomum, já que nesses encontros o BC apenas coleta informações e impressões do mercado, as quais servem de subsídio para o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Segundo relatos, Viana explicou que o BC "não tem compromisso com 'escadinha'". Ou seja, não é obrigado a reduzir o ritmo de corte dos juros à medida que o fim do ciclo estiver mais próximo. Finalizado o ciclo, Viana considerou que "em algum momento" será preciso normalizar as condições monetárias, uma vez que a taxa real de juros ex-ante - diferença entre o juro nominal de um ano e a estimativa da Focus para o IPCA 12 meses à frente - já está em terreno expansionista.

Viana disse que há dois caminhos para essa normalização: queda do juro neutro (em um cenário de reformas) ou alta da meta Selic. "O que não quer dizer que você terá que subir os juros em 500 pontos-base", disse o diretor, referindo-se ao orçamento de corte de juros já promovido pelo Banco Central. Em outubro de 2016, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14,25% ao ano para 14%. E desde o fim de julho a taxa básica de juros da economia está em 9,25%

Nos EUA, Trump continua se mostrando um grande gerador de ruídos. O DB resumiu bem o último imbróglio no país:

The latest threat from President Trump in which he vowed to shut down the government should Congress not fund the border wall, in addition to the talk about ending NAFTA, seemed to undo much of the optimism around the tax reform talk and resulted in risk assets taking a few chips off the table yesterday. A NY Times report suggesting a rift in the relationship between Trump and Senate Majority Leader Mitch McConnell seemingly didn’t help either although McConnell has since issued a statement saying that he and Trump are working towards a unified agenda. Notwithstanding all of the noise and bluster, developments and headlines out of Washington continue to be the main driver for markets for the time being as investors by and large appear fairly relaxed around the general central bank message for now.

Back to the debt ceiling, the federal government has until sometime between late-September and mid-October in order to avoid a technical default by raising the ceiling and it feels like the story has plenty of room to run until then when Congress returns to Washington in early September. Previous experience in 2011 and 2013 showed that the debates became important fiscal turning points so it’s not to be underestimated. So the next six weeks have the potential to be interesting.




Data: 23/08/2017

Brasil: Riscos existem, mas a agenda econômica avança.

 

A quarta-feira foi bastante movimentada no Brasil, com algumas vitórias importantes para o Governo. A TLP foi aprovada pela Comissão Especial e irá a plenário em breve. Alguns avanços da PEC da Reforma Política também avançaram. O Governo anunciou um ambicioso programa de privatizações, além da liberação de cerca de R$15bi do PIS/PASEP. 

 

A despeito dos ruídos políticos, a agenda econômica avança, mesmo que de maneira mais conturbada do que o imaginado anteriormente. Os riscos existem e os preços estão se tornando menos atrativos, mas mantido o cenário base (local e externo) ainda deve haver demanda para os ativos locais. A inflação baixa consolida as expectativas de continuidade do ciclo de queda da Taxa Selic, sem perspectivas de elevação da taxa no horizonte relevante de tempo. 

 

Mantemos recomendações na parte curta da curva de juros nominais, administrando instrumentos e tamanho. Trocamos nossa exposição às NTNBs pela parte intermediária da curva nominal de juros. Nossa área econômica promoveu mudanças substanciais de expectativa para o IPCA, o que torna os juros nominais mais atrativos do que os juros reais. Mantemos um hedge via call/spreads de USDBRL e alguns plays específicos no mercado de renda variável. 

 

O IPCA-15 ficou abaixo das expectativas do mercado, consolidando um cenário de inflação extremamente baixa no curto-prazo, com perspectivas ainda bastante positivas para os próximos 12 meses. Segundo nossa área econômica:

 

>> O IPCA veio abaixo do esperado (+0,35% vs. BBG: 0,4%). Surpresas para baixo em alimentos, administrados e serviços; 

>> O qualitativo veio relativamente bom. Os índices de difusão subiram na margem, mas seguem em patamar relativamente baixo. A inflação de serviços dessaz desacelerou na margem e na média móvel trimestral se encontram em torno de 4%; 

>> A inflação da média dos núcleos acelerou rapidamente na margem (para 4,8% anualizada), mas na média móvel trimestral ficou em 3,6%. Vale mencionar que é um segmento mais ruidoso; 

>> Para o final do mês o IPCA deve ficar entre 0,30% e 0,35%. Com a informações mais recentes, o IPCA do ano está caminhando para 3,2%.

 

As contas externas mostraram um quadro de tranquilidade, com o déficit em conta corrente tranquilamente financiado pelo investimento estrangeiro direto. O destaque positivo do mês ficou por conta da conta de capital, com fluxos relevantes para renda fixa e bolsa. 

 

Os ativos externos estão passando por um processo de consolidação. Mantenho minha visão inalterada. De maneira geral, eu continuo vendo poucas teses claras de alocação/investimentos estruturais nos atuais níveis de preço/valuations, mesmo com um cenário base ainda construtivo. Os riscos (positivos e negativos) ainda existem, são crescentes e mal precificados pelos mercados financeiros globais. Assim, continuo optando por temas específicos de investimentos, por posições mais táticas e pela busca constante de hedges para eventuais cenário alternativos. 

 

Só adicionaria que a despeito de não ver motivos para “rompimentos” dos mercados externos, nem para o lado positivo, nem para o lado negativo, não estou gostando muito da dinâmica das bolsas dos EUA no curto-prazo. 

 

Os PMI/ISM globais mostraram um cenário de crescimento saudável e estável, sem mudanças substanciais de panorama para a economia global.  




Data: 23/08/2017

Novos sinais de fragilidade externa. Brasil: Oposição é dura, mas comprometimento com reformas continua.

As bolsas globais apresentaram forte recuperação na terça-feira puxadas pela ausência de novidades relevantes em um cenário base que continua a ser visto como positivo/construtivo. Em linhas gerais, por ora, exceto por ruídos pontuais, tais como a retórica entre EUA e a Coréia do Norte, e os problemas enfrentados por Trump em sua administração, segue um pano de fundo de crescimento global saudável, inflação baixa no mundo desenvolvido e condições financeiras globais frouxas.

De maneira geral, eu continuo vendo poucas teses claras de alocação/investimentos estruturais nos atuais níveis de preço/valuations, mesmo com um cenário base ainda construtivo. Os riscos (positivos e negativos) ainda existem, são crescentes e mal precificados pelos mercados financeiros globais. Assim, continuo optando por temas específicos de investimentos, por posições mais táticas e pela busca constante de hedges para eventuais cenário alternativos.

Nesta manhã, os mercados já mostram sinais de fragilidade novamente, com uma leve queda das bolsas e das commodities e alta do dólar. Neste momento, estes movimentos ainda são tímidos.

No Brasil, o destaque da terça-feira ficou por conta de uma forte alta do Ibovespa, liderada pelo anuncio da privatização (ou desestatização) da Eletrobrás, que acabou dando suporte as ações de empresas “públicas”. O movimento global de alta das bolsas também ajudou o movimento de ontem no Brasil.

Não sou especialista no mercado de renda variável. A bolsa local não parece “cara” tampouco “barata”, mas muito depende do cenário de cada um para o crescimento do país e, consequentemente, para a recuperação dos resultados corporativos (sem contas as expectativas de Taxa Selic, eleições de 2018 e etc). O que tenho visto, no geral, é um aumento do otimismo do mercado em relação ao crescimento da economia nos próximos anos, mas, em especial, em 2018. Ainda parecem haver casos específicos de oportunidades de investimentos no Ibovespa, mas acho difícil, da minha posição de “não especialista”, afirma que a bolsa local esteja “barata”.

No final da tarde de ontem, o BRL e o mercado de juros apresentaram forte deterioração, seguindo o fato da Comissão Especial da TLP ter sido encerrada por seu presidente (diga-se, um membro da oposição). Já existem articulações para colocar o tema em pauta na Comissão Especial (e no Plenário) ainda hoje. A TLP é um dos pontos fundamentais da agenda econômica deste Governo. É notório que desde a delação premiada da JBS ter se tornada pública, as articulações do Governo se tornaram mais difíceis. Contudo, pouco importa o caminho que seja percorrido para a aprovação de temas importantes, contanto que a agenda continue caminhando na direção correta. A aprovação (ou não) da TLP continuará tendo um impacto relevante sobre o preço dos ativos locais nos próximos dias.

Continuo recomendando alocações na parte curta da curva de juros de Brasil, majoritariamente via estruturas de opção, mas administrando tamanho e instrumentos. Nos atuais níveis de preço, encerramos nossa recomendação de compra de inflações implícitas na parte intermediária a curva. Trocamos o hedge via inflação implícita por call/spreads de dólar no final da semana passada.

Os jornais de hoje estão reportando os planos do governo para novas privatizações e medidas adicionais de ajuste do setor público. Além disso, existe a expectativa de que o BNDES faça um novo pagamento ao Tesouro Nacional. De maneira geral, as notícias apontam para um esforço adicional do Governo em seu projeto de ajuste econômico. A despeito da forte oposição enfrentada no Congresso e em setores da sociedade, este Governo continua mostrando comprometimento com o ajuste econômico.

No cenário externo, dois eventos merecem ser destacado essa manhã.

Primeiro, o PMI Manufacturing na Área do Euro subiu de 56,6 para 57,4 pontos em agosto, novo pico deste ciclo econômico e acima das expectativas do mercado. O número reforça o cenário de crescimento global saudável e uma excelente performance da região como um todo.

Segundo, Trump declarou na noite de ontem que, eventualmente, poderá encerrar o NAFTA. Segundo a mídia: "Personally, I don't think we can make a deal ... I think we'll end up probably terminating NAFTA at some point," he said at a rally in Arizona of the efforts to tweak the three-nation deal with Mexico and Canada. "I personally don't think you can make a deal without a termination but we're going to see what happens, OK? You're in good hands, I can tell you," he added.

As declarações de Trump seriam vistas como mais uma medida de pressão sobre seus parceiros comerciais, se não fossem as recentes medidas adotadas pelos EUA em relação ao comércio exterior. Na última semana, a “Administração Trump” deu início a um processo formal de investigações contra a China em torno de “Intellectual Property” e, agora, adota um tom mais agressivo em relação ao NAFTA.

A postura recente reforça que este novo Governo dos EUA irá adotar uma política comercial/externa muito mais dura e favorecendo os EUA em detrimento ao mundo. No atual ciclo econômico e com um pano de fundo geopolítico tenso, o impacto dessas medidas ainda parece muito pouco precificado pelo mercado.  




Data: 22/08/2017

Sinais de estabilização mais encorajadores.

Os ativos de risco estão mostrando sinais de estabilização, mas ainda sem força suficiente para uma recuperação mais sustentável, pelo menos por hora. O destaque desta manhã fica por conta de um leve movimento de dólar forte no mundo, liderado por uma abertura de taxa das Treasuries. As commodities continuam bem suportadas, enquanto as bolsas na Europa apresentam recuperação mais robusta vis-à-vis um movimento ainda tímido de alta dos futuros das bolsas dos EUA.

No Brasil, as notícias são mistas, mas a agenda será determinante. A votação da TLP na Comissão Especial hoje será tomada pelo mercado como um parâmetro para a agenda reformista deste governo. Caso seja aprovada, como o Governo promete (por 18 votos a 8) será visto como um sinal positivo pelos mercados. Caso a agenda legislativa fique travada e a Comissão não vote hoje, ou o Governo perda esta batalha, será visto como um sinal de perda de apoio da base e dificuldades na implementação de uma agenda de reformas.

A mídia está reportando que o MME irá desestatizar a Eletrobrás, o que seria mais um sinal extremamente positivo na agenda microeconômica deste governo, além de abrir mais um flanco de arrecadação às contas públicas. As ações da empresa chegaram a operar em alta de 20% no after-market de ontem.

Alguns blogs locais estão reportando que um acusado pela Operação Lava-Jato de ser operador do PMDB teria fechado um acordo de delação premiada, envolvendo o núcleo duro do governo e do PMDB em atos não republicanos e, segundo ele, ilícitos. Algumas grandes empresas nacionais também estariam envolvidas nas acusações deste personagem. Caso confirmada a informação, e comprovada às acusações, seria mais um grande obstáculo para a manutenção da governabilidade de Temer e Cia.

Em entrevista a Folha, Meirelles garante que a agenda de reformas será um importante vetor nas eleições de 2018: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/08/1911805-mensagem-reformista-deve-ganhar-a-proxima-eleicao-diz-meirelles.shtml.




Data: 21/08/2017

Sinais de fragilidade continuam.

Os ativos locais apresentam uma dinâmica extremamente ruim nesta segunda-feira, especialmente o BRL e a curva de juros, com steepening e alta das inflações implícitas.

O mercado mostra um quadro técnico ainda ruim e um certo receio em torno da agenda política desta semana, com a votação da TLP agendada para amanhã na Comissão Especial. A dinâmica de hoje mostra que estamos no meio de uma correção técnica, puxada por um news flow menos favorável. A continuidade deste movimento será determinada pela agenda política e pelo cenário externo. Caso as reformas não avancem, destaque aqui para a TLP amanhã, o movimento de correção técnica, natural e saudável, poderá ganhar entornos mais negativos e preocupantes.

Além disso, o indiciamento de Romero Jucá, pela PGR, na Operação Zelotes, também ajudou a dar um tom mais negativo para os ativos locais. Jucá é um dos principais articuladores do Governo no Congresso e um dos principais defensores da agenda de reformas. Vale lembrar que, de acordo com a mídia, Jucá foi indiciado no processo, mas ainda não condenado. Ele terá a oportunidade de defesa e, eventualmente, de comprovar (ou não) sua inocência. O ponto aqui é apenas alertar para o fato de um dos principais articuladores do Governo na agenda de reformas econômicas, que são vistas como importantes e positivas pelo mercado, foi atingido por mais uma acusação (e não condenação) por parte da PGR. Isso, além de outros ruídos, poderia enfraquecer as articulações do Governo no processo de aprovação das reformas.

Finalmente, a mídia está reportando que um dos acusados de ser operador do PMDB e pessoa próxima ao núcleo do atual Governo está prestes a fechar um acordo de delação premiada.

No cenário externo, vimos sinais de estabilização do humor, mas ainda vejo sinais de fragilidade dos ativos de risco.

Em suma, por ora, os movimentos de curto-prazo ainda me parecem correções técnicas, movimentos pontuais de realização de lucros. Contudo, nos atuais níveis de preço e de posição técnica, a dinâmica de mercado importa bastante. Assim, correções pontuais podem se transformar em realizações de lucros mais acentuadas.




Data: 21/08/2017

Sinais de estabilização, mas dinâmica ainda me parece frágil.

 

Os ativos de risco estão mostrando, novamente, sinais de fragilidade neste início de semana. Vale apontar, contudo, para alguma diferenciação dos movimentos, com as bolsas globais fracas e o dólar levemente mais forte, porém com as commodities ainda operando majoritariamente em alta.

 

No Brasil os jornais estão mantendo o foco nos desafios fiscais que o país enfrentará nos próximos anos, assim como na “batalha” corrente que ocorre no PSDB, um dos principais partidos da base aliada do atual Governo.

No cenário externo, a mídia está reportando a repercussão do novo passo adotado pelos EUA em sua nova e mais agressiva “guerra comercial” contra seus parceiros, neste caso, a China.




Data: 21/08/2017

Update.

 

O final de semana trouxe poucas novidades relevantes para o cenário. Assim, em que estágio nos encontramos: 

 

Brasil – O país segue em uma recuperação econômica cíclica. A inflação corrente está baixa, e permanecerá assim nos próximos 12 a 18 meses. O crescimento mostra sinais, mesmo que incipientes e erráticos, de recuperação. As contas externas continuam saudáveis. A situação das contas públicas ainda é o maior e o mais preocupante problema do país. O BCB deverá seguir o seu ciclo de queda da Taxa Selic, levando ela a, pelo menos, 7,5%, e sem perspectivas de elevação de taxas no horizonte relevante de tempo. 

 

O quadro político ainda é instável e requer cautela. A agenda das próximas semanas será fundamental para medir o apoio que o atual governo ainda tem do Congresso, e o quanto isso será suficiente para aprovar uma agenda mínima de reformas. O destaque da semana ficará por conta da votação da TLP. 

 

Em suma, vejo um pano de fundo relativamente estável no curto-prazo, mas com riscos crescentes e preocupantes de longo-prazo, especialmente devido a uma situação fiscal sem perspectivas de melhora, na ausência de reformas estruturantes que dependem da boa vontade do Congresso e da boa articulação do Governo. 

 

EUA – Os dados econômicos continuam apontando para um crescimento sólido, acima do potencial. O último exemplo disso foi a divulgação do Michigan Confidence na sexta-feira, que superou as expectativas do mercado e se manteve nos níveis mais elevados deste ciclo econômico. O mercado de trabalho se mostra bastante robusto, como pudemos confirmar com a divulgação de mais um Jobless Claims extremamente baixo e positivo na quinta-feira. A inflação, por sua vez, não mostra sinais consistentes de aceleração. Este ambiente permite que o Fed seja gradual no seu processo de normalização monetária. A redução do balanço deverá ser anunciada na reunião do FOMC de setembro, mas uma nova alta de juros ainda depende de dados mais positivos de inflação. 

 

Aqui, assim como no Brasil, o quadro político se mostra conturbado. Trump adota uma postura beligerante para quase todos os temas importantes da agenda do país, sejam eles econômicos, fiscais, geopolíticos comerciais e etc. Na sexta-feira, um dos mais importantes assessores de Trump, e um dos mais radicais, foi demitido do cargo. Sua saída deveria sinalizar para alguma mudança mais relevante na Casa Branca mas, por ora, enquanto o próprio presidente não alterar sua postura, será difícil acreditar no avanço da agenda legislativa do país. 

 

China – O país está passando por um processo natural de desaceleração. Até o momento, podemos classificar este processo como esperado e saudável, após as inúmeras medidas adotadas nos últimos meses visando evitar s excessos da economia e de alguns setores específicos. Contudo, qualquer sinal adicional de desaceleração mais intensa poderá ser recebida de forma mais negativa pelos ativos de risco. Por ora, este não é o cenário base, mas um cenário alternativo, com probabilidade ainda baixa, mas que poderia trazer impactos relevantes aos mercados financeiros globais. 

 

Coréia do Norte – Na última semana, vimos um recrudescimento da retórica entre EUA e a Coreia do Norte. Contudo, está agendada para está semana um exercício militar entre os EUA e seus aliados na Ásia na Península das Coréias. Podemos esperar novos ruídos provenientes da região. A situação aparenta tranquilidade, mas pode ganhar contornos mais negativos a qualquer momento. 

 

Mercados – Continuo vendo poucas teses estruturais de investimentos e buscando, assim, alocações mais táticas e em temas específicos. Ainda gosto de alocação na parte curta da curva de juros do Brasil, majoritariamente via estruturais de opções cujo risco/retorno me parece favorável para o nosso cenário base de Taxa Selic. Aproveitamos a deterioração da semana passada para destravar parte das nossas inflações implícitas na parte intermediária da curva, manteno exposição as NTN-Bs com um pouco de inflação implícita. No cenário externo, mantemos exposição as taxas de juros longas de alguns países do G10, buscando hedges em alguns índices de bolsa. Mantemos pequena exposição vendida em AUD e put/spreads de Vale, buscando “surfar” a desaceleração corrente da China. 

 

Não vejo motivos econômicos para uma realização de lucros muito mais acentuada do que aquela observada nos ativos de risco nos últimos dias. Contudo, algum “estrago” já foi feito no técnico do mercado nos últimos dias. Assim, a dinâmica de curto-prazo será essencial para medirmos se a correção será, como tem sido regra neste ciclo, rápida, pontual e pouco acentuada, ou se uma correção técnica maior está por vir.




Data: 18/08/2017

Risk-Off. 

 

Os ativos de risco apresentaram um forte movimento de “risk-off” ao longo da quinta-feira, liderados por uma rápida e acentuada queda das bolsas dos EUA. 

 

Não há mudanças substanciais de cenário econômico, mas um isolamento cada vez maior do presidente dos EUA em relação à classe política e a sociedade, o que está gerando um ruído maior em torno da possibilidade de implementação de uma agenda econômica e reformista no país.

Ontem, o movimento foi iniciado com rumores em torno da possível demissão de um dos assessores mais importantes da Casa Branca, aquele responsável pelo estudo, implementação e “meio de campo” entre uma Casa Branca ainda inexperiente, e o mercado financeiro e empresarial. Mesmo após os rumores terem sido negados, o mercado seguiu uma trajetória de deterioração.

Como tenho insistido neste fórum nas últimas semanas, vejo um cenário econômico global relativamente construtivo e saudável. Ainda vejo o cenário da mesma maneira, com um crescimento saudável, uma inflação baixa no mundo desenvolvido e condições financeiras globais ainda frouxas. Contudo, via poucas teses estruturais de investimentos, devido a preços pouco atrativos, uma posição técnica comprometida e valuations não “esticados”. Assim, via (e vejo) uma correção dos ativos de risco como natural e, até mesmo saudável na atual conjuntura. Por exemplo, uma queda entre 3% e 5% do S&P500 nos EUA se enquadraria neste perfil de realização de lucros, assim como uma alta de 2% a 3% no dólar, e assim por diante.

Por ora, parece que estamos no meio deste processo de acomodação dos mercados financeiros globais. Neste momento, não vejo motivos para movimentos muito mais agressivos do que estes comentados acima. Contudo, algum estrago técnico já foi feito nos mercados financeiros globais, e na posição técnica neste quinta-feira, o que pode manter os ativos de risco ainda voláteis e instáveis no curto-prazo. De qualquer maneira, estarei observando eventuais oportunidades de alocação no meio deste processo.

No Brasil, os ativos locais estão seguindo o humor global a risco e devem permanecer assim no curto-prazo. A mídia continua reportando uma série de ruídos e pressões políticas em torno do atual governo, mas sem novidades fundamentalmente novas. O foco deverá ficar para a aprovação (ou não) da TLP na semana que vem e para o andamento da agenda econômica de uma forma geral. Agora, a aprovação das novas metas fiscais também entrou no jogo político entre Congresso e Governo. 




Data: 17/08/2017

Brasil: Ruídos políticos continuam.

 

Os ativos de risco estão operando neste momento sem grandes tendências. A agenda do dia será um pouco mais agitada, com destaque para o Jobless Claims nos EUA. 

 

No Brasil, a Folha traz matéria em que afirma que a base aliada do Governo irá dificultar o ajuste da meta fiscal. O artigo pode ser visto aqui: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/08/1910549-aliados-ameacam-dificultar-ajuste-no-orcamento-e-pressionam-temer.shtml.

 

Por ora, o mercado deverá ler esta notícia como apenas um ruído pontual, que faz parte de todo o processo político o qual o país está passando. Eu continuo a ver a situação fiscal como preocupante. O avanço das medidas estruturantes de ajuste é essencial para a manutenção de um ambiente construtivo para o país e seus ativos. A situação cíclica da economia ajuda este processo (recuperação do crescimento, inflação baixa e juros em queda), mas não irá evitar cenários mais desastrosos no longo-prazo caso as reformas não avancem. 

 

Em uma nota um pouco mais técnica, após o anuncio da isonomia de impostos para fundos exclusivos fechados, o mercado começa a discutir opções à medida. Os artigos a seguir do Valor comentam sobre o tema: http://www.valor.com.br/financas/5083396/especialistas-buscam-opcao-fundo-exclusivo e http://www.valor.com.br/financas/5083178/come-cotas-deve-atingir-os-mais-ricos. 

 

Finalmente, Andreia Sadi, do Globo, traz informação de que a eventual delação de Lucio Funaro poderá contaminar o Congresso e as articulações do Governo. Segundo ela: 

 

"Governo admite que delação de Funaro contaminará Congresso 

 

Interlocutores do presidente Michel Temer já trabalham com a expectativa de a delação de Lucio Funaro ser fechada no curto prazo, nas próximas semanas. Diante disso, o governo avalia que a delação "contaminará" o ambiente político no Congresso em meio a discussões sobre reformas. 

 

Auxiliares do presidente admitiram ao blog que a expectativa no governo é de que a delação de Funaro atingirá o grupo político de Temer, tendo como personagens principais o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ministro Eliseu Padilha e o ex-assessor de Temer José Yunes. 

 

Diante deste cenário, afirmam, as revelações do operador do PMDB, que atuava, prioritariamente, junto ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), podem complicar a articulação do governo em busca de votos para derrubar uma eventual segunda denúncia da Procuradoria Geral da República contra Temer. 

 

Além disso, afirmam, também "tumultuará", nas palavras de um interlocutor do presidente, o ambiente na discussão das reformas, principalmente na votação das mudanças na Previdência. 

 

Funaro também deve revelar operações que atingirão parlamentares, por exemplo, como foi a campanha de Cunha à presidência da Câmara, em 2015. 

 

Um ex-aliado de Cunha disse ao blog que Funaro era conhecido nos bastidores do Congresso por ser responsável pelas operações financeiras junto a políticos quando acionado pelo ex-deputado, hoje preso pela Lava Jato. 

 

Por isso, conclui, se um dos dois tiver provas de pagamentos a políticos para oferecer aos investigadores, seria ele- e não Cunha."

 



Data: 17/08/2017

Update

 

Os ativos locais seguiram o humor global a risco. Como era previsto, o mercado já havia digerido a revisão da meta fiscal de 2017 e 2018, e pouco se incomodou com a revisão das metas de 2019 e 2020 (vale lembrar que eu considero as revisões preocupantes e o cenário delicado, mas entendo a reação dos mercados no curto-prazo). Ainda existe uma ampla disposição dos investidores em dar o benefício da dúvida a este governo e a este congresso.

 

No congresso, a votação da TLP na Comissão Especial ficou agendada para a semana que vem. Se o cronograma for cumprido, será uma vitória importante para o governo e a base aliada. 

 

EUA – As manifestações e os embates entre grupos de extrema direita e extrema esquerda no final de semana tomaram proporções muito maiores do que o imaginado anteriormente e, olhando de hoje, com razão, principalmente devido a reação tímida de Trump em relação aos eventos. 

 

Ao longo do dia, Trump foi obrigada e se desfazer de dois grupos de apoio empresarial, após uma onda de executivos abandonarem os postos que haviam assumido como conselheiros e pontes entre o Governo Trump e o setor produtivo da economia. Trump hoje está uma situação sem apoio do congresso, com uma agenda econômica “travada” e, agora, perde o apoio de importantes setores da economia. 

 

As Minutas do Fed trouxeram poucas novidades para o cenário. Existe um debate intenso em relação as surpresas baixistas de inflação no curto-prazo, e um dúvida de como irá reagir a economia em um ambiente de mercado de trabalho robusto, mas ainda sem sinais claros de inflação. O anuncio do começo da redução do balanço do Fed deverá ser feito na reunião do FOMC de setembro. Uma nova alta de juros pode ser anunciada em dezembro, mas condicionada a números melhores de inflação. 

 

Mercados – O dia foi de dólar fraco, fechamento de taxa de juros nos EUA, queda no petróleo, porém alta nas commodities metálicas. O mercado mostra poucas tendências claras no curto-prazo e continua a operar dentro de alguns “ranges”. Continuo com visibilidade baixa para os ativos de risco. 




Data: 16/08/2017

Brasil, mostra a tua cara! Ajuste fiscal mostra-se de difícil execução.

Os ativos de risco estão abrindo em tom levemente positivo, na ausência de notícias relevantes. Reforço o que comentei na noite de ontem: Na ausência de mudanças substanciais de cenário, ou de ruídos pontuais, o mercado deverá seguir o roteiro do “Goldilocks”. Lembrando, crescimento global saudável, inflação ainda baixa no mundo desenvolvido e condições financeiras frouxas. Isso deve favorecer a busca por ativos de risco. De maneira geral, vejo teses específicas de investimentos, mas pouca visibilidade de grandes tendências. O cenário macro global parece construtivo/positivo, mas existem riscos crescentes, com probabilidades ainda baixas, porém impactos relevantes nos preços dos ativos. No Brasil, é verdade que existem avanços relevantes ocorrendo na economia, e o cenário cíclico parece positivo e sem perspectivas de mudanças substanciais no curto-prazo. Contudo, também vejo preços menos óbvios e, em algumas classes de ativos, uma posição técnica comprometida. Os riscos do cenário também me parecem elevados, mesmo que o curto-prazo dê ares de tranquilidade ao ambiente local.

No Brasil, o governo anunciou na noite de ontem a revisão da meta fiscal. O déficit primário do governo central deverá ficar em R$159bi para 2017 e 2018. Estes números já vinham sendo ventilados e, aparentemente, já haviam sido digeridos pelo mercado. Já vinha comentando neste fórum que via a revisão da meta de 2018 com preocupação, por mostrar as elevadas dificuldades do país em promover ajustes cíclicos em problemas estruturais. De qualquer maneira, os R$159, por mais que eu veja como negativos, já havia sido assimilado pelo mercado.

O que mais me surpreendeu na revisão de ontem foi a alteração das contas públicas de 2019 e 2020. O déficit de 2019 foi revisado de R$65bi para R$139bi e 2020 de superávit de R$10bi para déficit de R$65bi. As medidas de ajuste adicional apresentadas são bastante positivas e mostram o enorme esforço que a equipe econômica está exercendo para ajustar as contas públicas nacionais. Contudo, mostram o tamanho do problema existente, e como medidas paliativas estão se tornando escassas e menos potentes. Por exemplo, o aumento da contribuição social do servidor público, de 11% para 14%, uma medida de bastante apelo popular e apela junto à mídia, só irá arrecadar cerca de R$2bi. O que estou dizendo aqui é que existe um esforço positivo de ajuste, mas um esforço por si só não é suficiente para resolver os problemas estruturais da economia.

Vejo duas saídas para este problema. Um esforço conjunto da classe política para promover reformas estruturantes, como a Reforma da Previdência, ou um surpresas muito grande de crescimento nos próximos anos, que ajudará a arrecadação de maneira surpreendente.

Em suma, achei as revisões de 2018, 2019 e 2020 extremamente preocupantes e negativas. Tenho enorme dúvida se o mercado continuará leniente, dando o benefício da dúvida a este governo e a este Congresso ou se, em algum momento, irá abandonar este “namoro”. Na dúvida, mantenho recomendações de neutralidade, com exposição a parte curta da curva de juros, majoritariamente via estruturas de opção e comprado em inflação implícita na parte intermediária da curva. Recentemente, adicionamos uma pequena call/spread de USDBRL taticamente.

A agencia de rating S&P manteve o Rating e Outlook do país estáveis na noite de ontem, mas tirou a nota de crédito de “credit watch”, ou seja, não veem necessidade de revisões da nota no curtíssimo-prazo (3 meses). Acho desnecessário comentar uma medida como esta logo após as revisões apresentadas pelo governo e o quanto isso afeta a credibilidade, já abalada desde a crise de 2008, nas agencias globais de rating.




Data: 15/08/2017

 "Goldilocks are back!". Riscos ainda existem...

O destaque do dia ficou para mais uma rodada de dados positivos nos EUA e sinais mais animadores de crescimento no Brasil. A combinação de dados mais positivos, com o recrudescimento dos ruídos geopolíticos ajudaram a dar sustentação aos ativos de risco.

Nos EUA, as vendas no varejo de julho ficaram bem acima das expectativas do mercado e após revisões altistas para os números de junho. O Empire Manufacturing de agosto, uma das prévias para o ISM, também superou as expectativas. De maneira geral, os números continuam apontando para um crescimento robusto da economia do país (e do mundo).

Na ausência de mudanças substanciais de cenário, ou de ruídos pontuais, o mercado deverá seguir o roteiro do “Goldilocks”. Lembrando, crescimento global saudável, inflação ainda baixa no mundo desenvolvido e condições financeiras frouxas. Isso deve favorecer a busca por ativos de risco, no geral.

No cenário externo, tenho optado por manter exposição apenas a tese de abertura de taxas de juros em alguns países de G10. Após um “spike” do VIX de 8% para 17%, o índice encontra-se agora abaixo de 12%, nível que já começa a ser razoável voltar a montagem de alguns hedges. Mantido o cenário atual, contudo, é razoável supor que o VIX teste novamente, mesmo que pontualmente, níveis abaixo de 10%. Sigo levemente vendido em AUD, e com PS de Vale, na tentativa de “surfar” essa desaceleração do crescimento da China. Não espero uma ruptura proveniente da China, mas um cenário de desaceleração gradual, com algum ajuste de preços dos ativos mais dependentes da demanda da China.

No Brasil, as vendas no varejo ficaram muito acima das expectativas em junho, mostrando sinais um pouco mais consistentes de recuperação da economia. Caso a recuperação do crescimento se mostre mais sustentável, uma boa parte dos problemas do país será resolvido de maneira mais fácil, como o problema da baixa arrecadação e dos elevados déficits fiscais. O número de hoje é um bom início desta longa jornada, mas não um sinal definitivo.

Após uma série de “balões de ensaio” em torno da tolerância do mercado ao déficit fiscal primário de 2017 e 2018 a mídia está repostando que o déficit será de R$159bi em ambos os anos. Chegou-se a especular um número de R$170bi para ambos os anos. Até poucos dias atrás, o mercado já havia digerido a revisão de 2017, mas “olhava torto” para a revisão do déficit de 2018. Após ventilarem um déficit de R$170bi, o anúncio de R$159bi deve até ser visto com bons olhos por um mercado anestesiado...(não que eu concorde, mas a dinâmica tem sido essa).

Mantenho alocação na parte curta da curva local de juros, majoritariamente em estratégias de opção cujo risco retorno me parecem ainda favoráveis caso nosso cenário base de queda de juros (-100/-75/-50) seja concretizado. Continuo vendo uma boa assimetria na parte intermediaria da curva de inflação implícita, mas reduzimos um pedaço da posição, por nível de preço, nos últimos dias.

De maneira geral, vejo teses específicas de investimentos, mas pouca visibilidade de grandes tendências. O cenário macro global parece construtivo/positivo, mas existem riscos crescentes, com probabilidades ainda baixas, porém impactos relevantes nos preços dos ativos. No Brasil, é verdade que existem avanços relevantes ocorrendo na economia, e o cenário cíclico parece positivo e sem perspectivas de mudanças substanciais no curto-prazo. Contudo, também vejo preços menos óbvios e, em algumas classes de ativos, uma posição técnica comprometida. Os riscos do cenário também me parecem elevados, mesmo que o curto-prazo dê ares de tranquilidade ao ambiente local.




Data: 15/08/2017

Risco geopolítico menos agudo.

O recrudescimento da retórica entre EUA e a Coréia do Norte estão ajudando a dar sustentação aos ativos de risco. Segundo a mídia internacional, a Coréia do Norte teria desistido, pelo menos neste momento, de atacar a ilha de Guam. Neste ambiente, observamos uma recuperação dos ativos de risco, mas, em especial, vimos uma forte alta das bolsas e uma abertura das taxas de juros em G10.

No Brasil, todo o foco da mídia e do mercado está voltado para a definição da meta fiscal de 2017 e 2018, além do andamento da agenda econômica no Congresso. A mídia especula um déficit fiscal entre R$159 e R$170 para ambos os anos. Ainda há incerteza em torno da leitura do relatório da TLP esta semana na Comissão Especial. A Reforma Política foi adiada devido às pressões do “Centrão”. Enfim, a situação política de curto-prazo tornou-se mais nebulosa. Ainda não parece haver motivos de ruptura, mas as incertezas cresceram.

Na tarde de ontem, Dudley, importante membro do Fed nos EUA, sinalizou para a manutenção de um processo de normalização monetária no país, mesmo diante de dados mais fracos de inflação. Suas declarações ajudaram a dar suporte as taxas das Treasuries e consequentemente, ajudaram a dar algum suporte ao dólar no mundo.

O presidente norte americano assinou no final da tarde de ontem o requerimento oficial em que pede investigações em torno da postura da China em relação a “Intellectual Property”. A medida é a primeira ação concreta dos EUA com relação as relações comerciais junto a China e pode marcar o início de um processo mais longo e estrutural de relações comerciais mais conturbadas dos EUA com seus principais parceiros comerciais.

Na Alemanha, o PIB do 2Q apresentou alta de 0,6% QoQ, basicamente em linha com as expectativas. O número confirma uma economia que cresce a taxas robustas e saudáveis.

Na China, seguindo os dados mais fracos de atividade econômica divulgados no domingo a noite, os dados de concessões de crédito de julho também surpreenderam para baixo, reforçando um quadro de desaceleração da economia. segundo a Goldman Sachs:

M2: 9.2% yoy in July (6.3% SA ann mom) vs. GSe: 9.8% yoy, Bloomberg consensus: 9.5% yoy. June: 9.5% yoy (12.3% SA ann mom estimated by GS). 

New CNY loans: RMB 825.5 bn in July (RMB loans to the real economy: RMB 915.2 bn) vs. GSe: RMB 850 bn, consensus: RMB 800 bn. Outstanding CNY loan growth: 13.2% yoy in July (14.3% SA ann mom, estimated by GS); June 12.9% yoy (12.1% SA ann mom).

Total social financing (TSF, flow, before adding local government bond net issuance): RMB 1220 bn in July vs. GSe: RMB 1100bn, consensus: RMB 1000 bn, June: RMB 1780 bn. According to the PBOC, TSF stock growth (not adjusting for local government bond issuance) was 13.2%yoy in July. There was RMB 754 bn issuance of local government bonds in July compared with RMB 461 bn in June, according to WIND data. After including this local government bond net issuance, we estimate adjusted TSF stock growth at 14.8% yoy in July, higher than 14.2% in June. The implied month-on-month growth of adjusted TSF was 21.1% SA ann, higher than 9.7% in June.




Data: 15/08/2017

Coréia do Norte, Fiscal Brasil e Crescimento na China.

O final de semana não trouxe uma escalada adicional de acusações e ameaças entre EUA e Coréia do Norte, o que está ajudando a dar sustentação aos ativos de risco neste começo de semana. 

A despeito da ausência de novidades nesta frente, tampouco houve qualquer sinal de que a situação entre os dois países esteja resolvida em definitivo. As informações a respeito do tema continuam espaças, na base dos rumores e, muitas vezes, desencontradas. Do lado americano, vimos declarações de que uma guerra nuclear não está na eminência de ocorrer e que a diplomacia ainda está sendo favorecida. Contudo, ouvimos rumores de que há preparativos militares para eventuais atuações nesta frente. Do lado coreano, existem rumores da possibilidade de novos testes balísticos, assim como a informação de preparativos militares para potenciais ataques.

No Brasil, os jornais de hoje dão como certa a revisão da meta fiscal de 2017 e 2018 para R$159bi. A semana será importante e decisiva no campo político, com importantes temas da pauta econômica, como a MP da TLP precisando avançar no Congresso. Falei sobre este tema e ruídos nesta frente no sábado pela manhã: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/08/brasil-fiscal-em-foco.html.

Os EUA devem iniciar hoje o primeiro processo formal de uma batalha contra o que considera práticas abusivas da China em relação a "Intelectual Property". Será a primeira medida mais agressiva na direção de uma política comercial mais restritiva, sinalizando para a manutenção do que foi prometido na campanha de Trump. O text do FT trata do tema: https://www.ft.com/content/e5b3141e-8043-11e7-a4ce-15b2513cb3ff.




Data: 15/08/2017

Brasil: Fiscal em foco.

O sábado amanhece com certo recrudescimento da retórica entre EUA e Coréia do Norte, não sei se pelo calendário do final do semana, ou por um esforço de ambas as partes. De novidade, há apenas um artigo na Bloomberg que relata um telefonema do premier chinês para Trump, pedindo um caminho diplomático para a situação. Segundo o artigo, China e EUA têm uma relação bastante próxima e estão dialogando sobre este tema.

No Brasil, os mercados locais foram negativamente afetados na tarde de ontem por rumores de que a TLP não teria condições de ser aprovada. Por ser uma das mais importantes medidas reformistas deste governo, o mercado logo fez uma ponte para prever dificuldades ainda maiores para a aprovação de qualquer tipo de reforma. Segundo analistas políticos que estão em constante contato com a ala política em Brasília, a informação não procede.

Os jornais de hoje, contudo, continuam afirmando que a meta fiscal de 2017 será revisada para R$159bi. Ainda existem informações desencontradas sobre a revisão da meta de 2018, com artigos falando em revisão para R$149b e outros falando em R$170bi. Uma coisa é certa, tudo indica que a meta fiscal de ambos os anos será revisada.

Mesmo com a revisão, o governo pretende anunciar o congelamento do aumento do funcionalismo público e de alguns benefícios do setor. Três artigos que valem a leitura sobre este tema:

https://oglobo.globo.com/economia/centrao-quer-alivio-no-refis-dificulta-aprovacao-da-meta-fiscal-21698741

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/08/1909327-salario-de-servidor-sera-congelado-e-governo-preve-poupar-r-98-bi.shtml

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,sem-dinheiro-para-a-meta,70001933522 

Minha opinião sobre este tema pode ser encontrada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/08/brasil-revisao-da-meta-fiscal-de-2018-e.html. 




Data: 11/08/2017

Long weekend...

O dia foi marcado pela divulgação do Core CPI nos EUA. O número apresentou alta de 0,1% MoM, abaixo das expectativas do mercado, marcando o quinto mês consecutivo de surpresas negativas na inflação.

Os membros do Fed já vinham alertando para um certo desconforto no front inflacionário. O número de hoje apenas confirma esta tendência. De qualquer maneira, acredito que o anuncio de uma redução do balanço está mais ligado ao bom andamento da atividade econômica, do emprego e das condições financeiras. Assim, a reunião do FOMC de setembro ainda me parece o momento ideal para o anuncio, já muito bem comunicado e sinalizado.

A expectativa de mais uma alta de 25bps nas taxas de juros este ano, contudo, parece mais incerta diante da sequência de dados mais baixos de inflação. Todavia, o mercado embute uma probabilidade em torno de 35% de mais uma alta de 25bps este ano, e um caminho extremamente gradual de alta de juros em 2018 e 2019 (menos de 3 altas de 25bps em cerca de 2 anos). Assim, as surpresas baixistas de inflação já parecem bem precificadas. 

A retórica de Trump em relação a Coréia do Norte se manteve dura. Trump indicou que está preparado para agir militarmente caso o país ameace os EUA, seus territórios ou qualquer um de seus aliados.

Vamos para o final de semana na seguinte situação. Se a Coréia do Norte resolver testar novos mísseis, ou promover qualquer ação militar concreta, poderemos abrir segunda-feira com uma nova rodada de pressão sobre os ativos de risco. Caso nada ocorra no final de semana, ficará a impressão que a Coréia do Norte “deu um passo para trás” temendo a reação dos EUA. Os mercados, assim, reagiriam com otimismo na segunda-feira.

Não alterei minha visão e minhas alocações. Comentários adicionais podem ser vistos no link a seguir: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.  




Data: 11/08/2017

Still risk-off mood....

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de realização de lucros (risk-off) que teve início na terça-feira após as declarações de Trump em torno da Coréia do Norte. Não há novidades relevantes em torno do que já tenho escrito neste fórum ao longo de toda a semana. Os comentários podem ser lidos no link a seguir: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

No Brasil, o principal foco de atenção continua a ser sobre o extremo desafio fiscal que assola o país, não apenas no curto-prazo, mas estruturalmente. Os jornais de hoje voltaram a afirmar que será necessário revisar a meta de 2017 e 2018. O jornal O Globo fala em uma meta de R$159bi para ambos os anos. O artigo pode ser visto aqui: http://g1.globo.com/politica/blog/cristiana-lobo/post/planejamento-propoe-deficit-de-r-159-bilhoes-para-2017-e-2018.html.

Na agenda do dia, o destaque ficará para o Core CPI nos EUA. Um número acima de 0,2% MoM poderá trazer de volta a tona o debate em torno da necessidade de um avanço mais rápido do processo de normalização monetária no país, trazendo ainda mais incerteza ao cenário e, provavelmente, uma nova rodada de pressão sobre os ativos de risco. Um número em linha não deverá afetar o curto-prazo. Um número abaixo de 0,2% MoM pode vir a tirar alguma pressão do cenário.




Data: 10/08/2017

"Risk-Off!"

O dia foi marcado por um movimento quase que generalizado de “risk-off”, com os mercados ainda digerindo a situação geopolítica global. Reforço aqui o que escrevi pela manhã:

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de realização de lucros (risk-off) que teve início na terça-feira após as declarações de Trump em torno da Coréia do Norte. Acredito que este evento seja um “trigger” para uma acomodação/realização de lucros dos ativos de risco no curto-prazo. Na ausência de um avanço beligerante nos próximos dias, contudo, o movimento de “risk-off” deve ser visto como pontual e passageiro, sem desdobramentos maiores para o cenário de médio e longo-prazo. Este cenário será alterado, contudo, caso a situação geopolítica piore de maneira demasiada, ou se outros vetores afetarem os mercados financeiros globais, tal como um Core CPI muito acima das expectativas nos EUA amanhã ou dados muito mais fracos de crescimento na China (que serão divulgados no início da semana que vem).

Mantenho posições neutras, focadas em temas específicos. Aproveitamos o dia para zerar as posições de compra de volatilidade em índices de bolsa dos EUA, que vinhamos carregando há cerca de 1 mês. O VIX saiu de próximo a 8% para 16% neste momento. O índice ainda pode subir mais, testar patamares próximos ou acima de 20%, mas eventos deste tipo são raros. O risco/retorno, nos atuais níveis, me parece ruim. As vols no mercado de FX ainda não reagira, na mesma magnitude do que as vols de bolsa (assim como as vols de Rates pouco reagiram a este ambiente).

No Brasil, também observei poucas alterações no cenário que preocupante que tenho descrito nos últimos dias. A situação pode, eventualmente, avançar na direção correta, e/ou os preços dos ativos locais podem reprecificar os riscos correntes e prospectivos. Contudo, hoje, ainda vejo prêmios de risco baixos, riscos elevados, e uma posição técnica comprometida.

Reforço que não estou adotando uma postura direcional negativa, apenas focando em temas específicos, levando em consideração cenário macro, nível de preços, e posição técnica.

Assim, ficamos da seguinte maneira. Zeramos a compra de volatilidade em bolsa dos EUA. Reduzimos a compra de inflação implícita na parte intermediária da curva local, mas mantemos uma posição ainda mediana. Mantemos exposição a parte curta da curva de juros nominais no Brasil, majoritariamente via estruturas de opção. Adicionamos um pequeno call/spread de USDBRL. Mantemos posição tomada em juros longos em alguns países do G10. Temos pequenas posições vendidas em AUD e put/spreads de Vale, mas cuja alocação a risco é bastante pequena. 




Data: 10/08/2017

Brasil: Revisão da meta fiscal de 2018 é preocupante. Reformas são imprescindíveis!

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de realização de lucros (risk-off) que teve início na terça-feira após as declarações de Trump em torno da Coréia do Norte. Acredito que este evento seja um “trigger” para uma acomodação/realização de lucros dos ativos de risco no curto-prazo.

Na ausência de um avanço beligerante nos próximos dias, contudo, o movimento de “risk-off” deve ser visto como pontual e passageiro, sem desdobramentos maiores para o cenário de médio e longo-prazo. Este cenário será alterado, contudo, caso a situação geopolítica piore de maneira demasiada, ou se outros vetores afetarem os mercados financeiros globais, tal como um Core CPI muito acima das expectativas nos EUA amanhã.

No Brasil, a Bloomberg anunciou ontem, através de fontes, e a Folha de São Paulo afirma hoje, nesta matéria (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/08/1908638-governo-deve-rever-meta-fiscal-de-2017-e-2018-ate-a-proxima-semana.shtml) que o governo irá rever as metas fiscais de 2017 e 2018. Acredito que a revisão da meta de 2017 já tenha sido assimilada pelo mercado. A matéria afirma, contudo, que o governo pretende revisar a meta de 2018 para R$170bi, superior ao déficit de 2016 e de 2017.

Entendo que existe um esforço imenso deste governo e desta equipe econômica para colocar o país de volta aos trilhos. Entendo que tudo ao alcance da equipe econômica está sendo feito para evitar cenários desastrosos para o país. Contudo, vejo com extrema preocupação a situação das contas públicas na ausência de reformas estruturantes. Vejo como extremamente negativo as revisões das metas, especialmente a de 2018.

O mercado vinha, até o momento, dando um benefício da dúvida a este Governo e a este Congresso, mas isso não irá vigorar desta forma para sempre. O momento de aprovar reformas é agora, com uma base política ainda forte e um governo que tem capacidade de articulação. Na atual conjuntura, não vejo disposição política e nem uma aglutinação em torno da Reforma da Previdência, o que me preocupa sobremaneira. Minha opinião pode mudar com o passar do tempo e as articulações do governo. Vejo uma assimetria grande (para o lado negativo) caso a Reforma da Previdência não seja aprovada.

Pode até ser que o governo ventilar a revisão da meta de 2018 seja uma maneira de pressionar o Congresso pela Reforma, esperando uma reação dos mercados locais aos números apresentados. Pode ser uma estratégia, ou pode ser o governo “jogando a toalha” nas reformas, ou simplesmente uma realidade dura e negativa da situação fiscal do país. 




Data: 09/08/2017

Riscos locais e externos.

Após um dia de pressão relativamente generalizada nos ativos de risco, as bolsas dos EUA foram capazes de se recuperar da pequena queda apresentada pela manhã. O foco do mercado permaneceu no cenário geopolítico, com as trocas de mensagens entre EUA e Coréia do Norte ainda bastante ativas.

Continuo a ver este problema geopolítico como um “risco de cauda”, que geralmente é de difícil mensuração e de difícil previsibilidade e posicionamento. De qualquer maneira, os atuais níveis de preço dos ativos globais, de maneira geral, também pouco me atraem. Na ausência de novidades relevantes, o cenário mais provável e de ranges para os ativos de risco ao redor do mundo.

Em outras palavras, neste momento, tenha pouca visibilidade em grandes temas de investimentos. Assim, tenho concentrado alocação em temas específicos e buscando proteções que julgo assimétricas. Por ora, a alocação a risco ainda é baixa, até que a visibilidade se torne mais clara.

Vale mencionar o leilão de Treasury 10yrs nos EUA, que apresentou demanda baixa. Será extremamente importante acompanhar os desenvolvimentos nesta frente. Mesmo com a inflação corrente baixa, o Fed indica que irá anunciar o começo do processo de redução de seu balanço, mais cedo do que tarde. Mesmo que os juros curtos permaneçam ancorados, o cenário de oferta e demanda por bonds mais longos será essencial para as taxas de juros no país.

No Brasil, o dia foi de “bear steepening” da curva de juros e alta do dólar. O mercado mostra um técnico já comprometido. Confesso que vejo um otimismo por parte dos investidores com relação ao quadro político local que não estou vendo na prática. Acredito que a aprovação da Reforma da Previdência é fundamental para a manutenção de um cenário construtivo para o país. Na atual conjuntura, tenho baixíssima visibilidade para afirmar que a Reforma será aprovada.

Assim, mantenho alocações em temas em que a visibilidade parece mais clara, como a parte curta da curva de juros. Não vejo grandes assimetrias no BRL e nas taxas longas de juros. Gosto das inflações implícitas na parte intermediária da curva como um hedge barato nos atuais níveis.

O IPCA de julho ficou levemente acima das expectativas, mas com um qualitativo ainda bastante positivo. O número em nada altera o cenário para a política monetária de curto-prazo.

O mesmo vale para o CAGED, cuja criação de postos de trabalho em julho superou as expectativas do mercado. 




Data: 09/08/2017

Globasl risk-off/Brasil: governo sofre resistência para promover reformas.

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de realização de lucros (risk-off) que teve início ontem após as declarações de Trump em torno da Coréia do Norte. No início da noite de ontem, a Coréia do Norte respondeu a Trump de forma rápida, agressiva e ameaçadora. Declarações de um membro do Governo norte coreano diziam que o país estava pronto para atacar a Ilha de Guam, território norte americano no Pacífico onde fica a cede de uma base militar dos EUA.

Mantenho aqui o que escrevi na tarde de ontem. Ficamos na seguinte situação: Raramente situações como essa chegam ao ponto beligerante. Na maior parte das vezes, situações como essa chegam a um equilíbrio na base da diplomacia. Contudo, não estamos em tempos normais. Os líderes de EUA e Coreia do Norte são de difícil leitura. Acredito que ninguém tenha vantagem comparativa em prever este tipo de evento/situação. A sinalização de Trump, entretanto, coloca o mercado em alerta. Qualquer resposta verbal, ou novo teste balístico por parte da Coreia do Norte, poderá levar a uma reação desproporcional nos ativos de risco, especialmente nos atuais níveis de preço.

No Brasil, os jornais continuam dando foco a situação calamitosa das contas públicas nacionais, e as dificuldades em encontrar saídas estruturais para o problema. Segundo o Valor:

O governo trabalha em uma combinação de corte de despesas, elevação de receitas e mudança de meta por conta da necessidade de se cobrir um buraco no orçamento de 2018 que há algumas semanas era estimado entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões e que números mais recentes apontam para algo entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, segundo fontes da área econômica. Essa deficiência considera a meta atual de R$ 129 bilhões definida para o ano que vem, cuja revisão está em discussão no governo. Além do rombo fiscal, o governo ainda estava enfrentando dificuldades em manter a despesa dentro do limite do teto de gastos. Com alta de despesas da Previdência superior a R$ 40 bilhões e do gasto com pessoal, entre outras obrigatórias, o teto estava sendo superado em mais de R$ 10 bilhões. O adiamento dos reajustes de servidores, medida também em discussão no governo, se insere nesse contexto. O governo em tese teria um espaço adicional para subir as despesas além do limite do ano que vem por conta do contingenciamento deste ano, mas se a meta for revista e permitir um desbloqueio, o espaço de 2018 se diminui.

Temer afirmou que o aumento do IR, que chegou a ser ventilado no inicio da semana, está fora de cogitação neste momento. O aumento do imposto sobre lucro e dividendos das empresas ainda é uma medida em estudo.

Além das soluções “tampões” de curto-prazo, existe um esforço par aprovar a Reforma da Previdência. Ao que me parece, ainda há uma chance de aprovar algumas medidas propostas pelo texto original, mas o calendário está se tornando excessivamente curto.

No tocante a TLP, matéria do Estadão já fala em mudanças na Taxa para atender as pequenas e médias empresas. Caso confirmada esta alteração, seria mais uma “desfiguração” de uma medida vendida como essencial para a economia. Segundo o Estadão:

Em meio às investidas do Congresso para mudar o desenho da nova taxa de juros que balizará os empréstimos do BNDES, o governo deve acenar com mudanças para que pequenas e médias empresas (MPMEs) tenham regras diferenciadas de financiamento. A estratégia é tentar vencer as resistências para a aprovação da chamada Taxa de Longo Prazo (TLP), medida essencial para que o Tesouro reduza o custo com subsídios. Os parlamentares temem que a iniciativa resulte em crédito mais caro para as empresas.




Data: 09/08/2017

"Fire and Fury".

A terça-feira apresentou 3 eventos que merecem comentário:

1 – O JOLTS Job Openings nos EUA subiu de 5.702 para 6.163 em junho, maior nível deste ciclo econômico. O número confirma um mercado de trabalho sólido e robusto, e uma economia que já opera no pleno emprego. O número de hoje, aliado aos recentes dados do mercado de trabalho, dão conforto ao Fed em seguir no processo gradual de normalização monetária.

2 – A BTA emitiu cerca de US$17,5 bilhões em bonds (dívida corporativa) em USD. A emissão ajudou a dar um tom altista para as taxas de juros nos EUA (aliada ao JOLTS já comentado acima). Esta emissão pode ser considerara grande e foi bem digerida pelo mercado. A emissão mostra uma demanda ainda grande por este tipo de ativo, mas também me faz lembrar de alguns excessos existentes no mercado atualmente.

3 – No final da tarde, o Presidente dos EUA Donald Trump escreveu em sua conta no Tweeter: North Korea "best not make any more threats to the U.S. They will be met with fire and fury like the world has never seen." Assim, ficamos na seguinte situação: Raramente situações como essa chegam ao ponto beligerante. Na maior parte das vezes, situações como essa chegam a um equilíbrio na base da diplomacia. Contudo, não estamos em tempos normais. Os líderes de EUA e Coreia do Norte são de difícil leitura. Acredito que ninguém tenha vantagem comparativa em prever este tipo de evento/situação. A sinalização de Trump, entretanto, coloca o mercado em alerta. Qualquer resposta verbal, ou novo teste balístico por parte da Coreia do Norte, poderá levar a uma reação desproporcional nos ativos de risco, especialmente nos atuais níveis de preço.

Neste ambiente, sigo com alocações em temas específicos, buscando fugir de “riscos de cauda”, ou apostar neles.

No Brasil, o foco segue centrado no debate em torno das contas públicas nacionais. Na ausência de reformas estruturantes, aumentos de impostos serão inevitáveis. Não acho que está seja uma solução definitiva, e nem positiva, para o país. Seguimos vendo um steepening da curva de juros e um aumento das inflações implícitas. Estes movimentos me parecem fazer sentido enquanto não houver um caminho claro para as contas públicas.

Continuo gostando de alocações na parte curta da curva de juros local, concentrada em algumas estruturas de opção. Vejo como uma boa assimetria as inflações implícitas na parte intermediária da curva (comprado e inflação implícita). Vejo espaço para um “rebound” tático do dólar no mundo. Gosto de posições tomadas em taxas em G10, com hedge em compra de vol para os atuais riscos do cenário externo. 




Data: 08/08/2017

Desaceleração na China e Impostos no Brasil.

O destaque da noite ficou por conta dos números de importação e exportação de julho na China. Ambos ficaram abaixo das expectativas do mercado, apontando para alguma desaceleração da economia do país e do mundo. Por ora, os números de hoje devem ser vistos como flutuações normais dos dados econômicos em meio a um ciclo de crescimento ainda saudável. Qualquer sinal de desaceleração mais acentuada da economia do país, contudo, poderá ser lida de maneira diferente e mais preocupante.

Segundo o Morgan Stanley: Export growth softened to 7.2% YoY in July from an elevated level of 11.3% YoY in June (Consensus and MSe: 11.0% YoY), dragged mainly by slower DM demand. That said, the YTD growth was still robust at 8.3% YoY, as compared to -8% in 2016. Meanwhile, imports growth moderated to 11.0% YoY in July (vs. 17.1% YoY in June; Consensus: 18.0% YoY; MSe: 17.4% YoY), dragged by steel, iron ore and auto. The faster pace of growth deceleration in imports than exports led to wider trade surplus, to US$46.7bn in July (vs. US$42.8bn in June).

No Brasil, em entrevista a Rede TV, o Presidente do BCB afirmou que mantidas as condições atuais o Copom poderá manter o ritmo de queda da Taxa Selic na próxima reunião de política monetária em 100bps. A afirmação está em linha com a precificação do mercado, mas talvez um pouco menos incisiva do que a quase certeza que o mercado trabalha hoje. As digitais de queda de 100bps, por exemplo, operam próximas a 75%-80% de probabilidade. Acredito que, olhando de hoje, com o cenário que temos de inflação e crescimento, a probabilidade de manutenção deste ritmo é elevada e deverá ser considerado o cenário base, mas riscos existem em torno deste cenário.

A mídia continua especulando em torno da situação fiscal do país. Segundo “fontes” o governo estuda mais um pacote de medidas, grande parte de aumento de impostos, visando não revisar a meta fiscal de 2018. O mercado deverá olhar com bons olhos, no curto-prazo, o esforço realizado por este governo para evitar a deterioração adicional das contas públicas. Contudo, a alta sucessiva de impostos é corrosiva a longo-prazo. A ausência de medidas estruturais, como a Reforma da Previdência, colocará o país em situação extremamente delicada no futuro. 




Data: 07/08/2017

Onu, Córeia do Norte e ruídos no Brasil.

O destaque do final de semana ficou por conta da decisão por parte da ONU em aprovar novas e pesadas sanções à Coréia do Norte, em resposta aos recentes novos testes militares do país. A medida teve o apoio da China e da Rússia, que são países vistos como aliados da Coreia do Norte e que, normalmente, atuam de maneira a atenuar as medidas cautelares contra o país. A Coréia do Norte reagiu verbalmente às medidas, prometendo um “mar de fogo” contra os EUA e seus aliados. No curto-prazo, assim, ficamos com um cenário de incerteza. Do lado negativo, temos uma Coréia de Norte cada vez mais avançada em seu programa nuclear. Do lado positivo, os EUA conseguiram cooptar China e Rússia em favor de uma solução diplomática para a questão. A situação na região é tensa e indefinida, mas uma solução militar, a despeito das recentes trocas de acusações, ainda é um “risco de cauda”.

No Brasil, o final de semana foi marcado por ruídos de curto-prazo. Já comentei sobre o tema no sábado. Os comentários podem ser lidos no link a seguir, no texto, “Brasil: Ruídos.”: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

Continuo vendo um cenário econômico global estável e relativamente construtivo, sem um “trigger” específico para realizações de lucro e/ou correções mais acentuadas das tendências recentes. Contudo, ainda vejo uma posição técnica comprometida e níveis de preços e valuations pouco atrativos na maior parte dos ativos de risco globais.

Continuo vendo espaço para o fechamento da parte curta da curva de juros no Brasil, mas administrando tamanho e instrumentos da posição mais ativamente os atuais níveis. Ainda vejo a nível das inflações implícitas na parte intermediária da curva de como um excelente hedge para o cenário local. Mantenho recomendação tomada na parte longa das curvas de juros de alguns países de G10, aliadas a compra de volatilidade em algumas classes de ativos, tais como bolsa e juros nessas regiões. Não tenho uma convicção estrutural no mercado de global de FX e bolsa, mas vejo espaço para um “rebound” de curto-prazo no dólar, baseado na posição técnica, valuation e cenário econômico.




Data: 07/08/2017

 Brasil: Ruídos.

O retorno do recesso parlamentar no Brasil trouxe de volta o foco da mídia ao cenário político local. Este sábado, os jornais estão com uma série de notícias em torno de temas variados que, em sua maior parte, giram em torno do quadro político local.

A primeira vista, as notícias tendem a ser vistas como negativas. De forma geral, por ora, vejo o noticiário como ruídos de curto-prazo, amplamente normais na atual conjuntura em que vivemos. Assim, não vejo motivos para alterar o quadro local, especialmente o cenário da economia. De qualquer maneira, como tenho insistido neste fórum nas últimas semanas, vejo os ativos locais, em sua maioria, sem grandes assimetrias para alocações relevantes no atual momento e nos atuais preços.

Vamos as notícias do dia:

- O Estadão e a Folha afirmam que a meta fiscal de 2017 será revisada de R$139bi para algo em torno de R$150bi. Há um esforço da equipe econômica para não revisar a meta de 2018. Novas altas de impostos poderiam ser anunciadas. Acredito que este tema, a despeito de preocupante do ponto de vista econômico, já tenha sido superado/digerido pelo mercado. Caso a meta de 2018 não seja revisada e o governo acene com medidas adicionais de aperto fiscal, a equipe econômica sairá fortalecida, em um sinal positivo para os ativos locais (pelo menos será essa a leitura dos mercados).

- O Broadcast traz a seguinte notícias: A equipe econômica trabalha para neutralizar as novas investidas do Congresso Nacional para mudar o desenho para a nova taxa de juros que baliza empréstimos do BNDES. Depois do relatório favorável à proposta, não se esperava dentro do governo maior resistência dos parlamentares, como tem ocorrido nos últimos dias nos bastidores. A pressão acendeu o sinal amarelo, porque a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP) é uma medida prioritária para reduzir o custo do Tesouro Nacional com subsídios. O mercado trabalha com o cenário de aprovação da TLP, que é um dos pilares mais importantes da agenda econômica. Acho que este tipo de pressão é natural do jogo político e apenas um ruído pontual. A não aprovação, contudo, seria uma grande derrota do governo.

- Em relação a Reforma da Previdência, em entrevista ao Estadão Michel Temer diz que a Reforma da Previdência será a reforma possível e não a reforma ideal. Acredito que o governo esteja focado na idade mínima e na equalização da contribuição previdenciária do setor público ao setor privado. Se isso conseguir avançar, já será um grande avanço. Outros veículos de comunicação dizem que “a fatura” da reforma da previdência será elevada e que a incerteza da aprovação ainda é grande.

- O jornal O Globo e a Folha trazem uma transcrição, supostamente retirada de um aparelho de celular do ex deputado Eduardo Cunha, em que o nome do presidente Michel Temer é citado, supostamente envolvido em recebimento de recursos ilegais. Vale ressaltar que tudo ainda não passa de suposições e não há acusações formais contra o presidente neste momento. A coluna Radar, da Folha, assim como site O Antagonista afirmam que a delação premiada de Eduardo Cunha avança e que o presidente Michel Temer seria o grande destaque das tratativas e das acusações. 




Data: 04/08/2017

EUA: Pleno Emprego.

O destaque do dia ficou por conta dos dados de emprego de julho nos EUA. Os números ficaram acima das expectativas do mercado, e confirmam um mercado de trabalho saudável e robusto. É bastante provável que o país esteja muito próximo, ou já além, do pleno emprego.

Os dados de rendimentos dos trabalhadores apresentaram uma elevação levemente acima das expectativas. Por um lado, o número pouco altera o cenário de curto-prazo para crescimento e política monetária. Por outro lado, deverá dar confiança ao Fed de que a continuidade do processo de normalização monetária ainda é necessária.

O mercado já espera a anuncio da redução do balanço do Fed para o mês de setembro e precifica em torno de 50% de probabilidade de uma alta de 25bps nas taxas de juros até o final do ano. A curva continua excessivamente leniente em relação a altas adicionais de juros nos anos de 2018 e 2019, o que me parece um risco para os próximos meses.

Na semana que vem, os dados de inflação (PPI e CPI) serão fundamentais para o cenário de curto e médio prazo dos ativos de risco.

Vale ressaltar que um importante membro da equipe econômica de Trump sinalizou para medidas que visam a repatriação de recursos corporativos de volta aos EUA, nos planos de reforma tributária/fiscal que estão sendo discutidas. Esta medida poderia ter impactos relevantes no mercado global de câmbio. Por ora, o mercado embute baixíssimo prêmio para qualquer avanço na agenda legislativa, econômica e tributária no país, já que Trump e cia. têm mostrado pouca capacidade de gestão política.

Ainda acho que seja cedo para afirmar que estamos diante de uma inversão completa de tendências para os ativos de risco, e prefiro esperar dos dados de inflação na semana que vem para ter maior certeza nesta frente. Enquanto isso, acredito que a posição técnica pode sim favorecer um “rebound” tático do dólar no mundo e dar alguma sustentação, mesmo que ainda frágil, às taxas de juros nos EUA. Continuo vendo o nível de preços das bolsas dos EUA como “esticados”, com valuations poucos atrativos. Uma correção me parece saudável, mas ainda não vejo um trigger claro para este evento (pode ser por simples mudança de dinâmica, mas ainda não há este sinal).

No Brasil, o dia foi de poucas novidades para o cenário, e pouca movimentação para os preços dos ativos locais. Minha maior convicção continua a ser na curva de juros, na parte curta da curva. Contudo, vejo uma Taxa Selic terminal, olhando de hoje, em 7%. Ainda existe espaço para fechamento de taxas, mas a assimetria está cada vez pior. Tenho dificuldades em alongar a duration da recomendação, diante das incertezas políticas, especialmente no tocante ao cenário fiscal. Contudo, tenho a entendimento que na ausência de novidades relevantes, o movimento recente de flattening da curva possa continuar.

O mesmo argumento é válido para o BRL e o Ibovespa. Não vejo grandes assimetrias nos atuais níveis, mas a manutenção de um cenário externo tranquilo (que será testado semana que vem com os dados de inflação nos EUA), e na ausência de novidades relevantes no cenário local, podem continuar a se apreciar. Aqui, vale comentar que já vejo uma quantidade não desprezível de locais vendidos em dólar e comprados em Ibovespa. Não acredito que o técnico seja excessivamente ruim, mas tampouco o mercado está totalmente desalocado. 




Data: 04/08/2017

Brasil: Benefício da dúvida.

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, na expectativa da divulgação dos dados de emprego de julho nos EUA.

Acredito que na atual conjuntura, a divulgação da Taxa de Desemprego e do Average Hourly Earnings (AHE) sejam até mais importantes do que o Payroll. Qualquer número mensal de criação de vagas de trabalho superior a 125-130 mil postos de trabalho será lida como positiva/construtiva. Um número muito mais baixo do que este pode trazer o receio de uma desaceleração mais preocupante da economia. Todavia, a combinação da Taxa de Desemprego e ao AHE poderá ser determinante para a política monetária de curto-prazo. Se os sinais de pressões inflacionárias permanecerem ausentes, prosseguirá um ambiente positivo para os ativos de risco, já que estará mantido o cenário de “Goldilocks”. Caso haja um sinal mais acentuado de pressões inflacionárias de salário, o mercado poderá ser obrigado a rever os próximos passos do Fed.

No Brasil, a despeito dos desafios fiscais de curto- prazo e estruturais, o mercado continua a dar o benefício da dúvida a esta equipe econômica. A simples intenção e disposição em promover reformas, mesmo que elas não sejam implementadas da forma ideal, ou de maneira suficiente para reverter o quadro fiscal, tem sido lida de forma positiva pelos investidores. Acredito que este quadro persistirá (não que eu concorde veementemente com isso) enquanto o cenário externo permanecer construtivo, e a equipe econômica sinalizando apoio às reformas e trabalhando em prol delas.

Os jornais de hoje trazem novamente este quadro. A Reforma da Previdência original já foi abandonada. Meirelles e Cia. acenam com uma “reforma” mais enxuta e menos agressiva. Além disso, a meta fiscal de 2017 e 2018 certamente será alterada nos próximos dias. Ao mesmo tempo em que sinaliza à reforma da previdência, o governo busca apoio para a reforma tributária, ou uma simplificação tributária, e ainda será necessário avançar na reforma política antes das eleições de 2018 ganharem corpo.




Data: 04/08/2017

Update.

A quinta-feira foi marcada por alguns desdobramentos mais negativos nos EUA. Primeiro, o ISM Non-Manufacturing de julho ficou abaixo das expectativas do mercado, no menor nível em 11 meses, porém em patamar que ainda indica expansão da economia. Acredito que, nos atuais níveis, é natural esperar alguma acomodação dos indicadores de confiança, que não permaneceram nestes patamares indefinidamente. Os ciclos econômicos mostram variações em torno das tendências nos níveis atingidos pela maior parte dos indicadores de confiança do país. De qualquer maneira, o número veio depois de vendas de veículos mais fracas e de um construction spending mais fraco, ambos divulgados no início da semana, o que ajudou a ascender um sinal de alerta nos investidores.

No final da tarde, a mídia do país divulgou que as investigações em torno da possível intervenção da Rússia nas eleições presidenciais devem ganhar novos contornos nos próximos dias, o que ajudou a piorar o humor a risco em torno dos ativos do país.

De maneira geral, vimos um fechamento de taxa de juros e uma levíssima fraqueza das bolsas. Por ora, vejo os eventos/sinais citados acima como ruídos de curto-prazo, normais nesta fase do ciclo econômico. Contudo, sinais adicionais nesta direção poderão levar os investidores a rever de maneira mais incisiva o cenário de crescimento para o país.

Nesta linha, os dados de emprego que serão divulgados amanhã ganham importância dobrada. Acredito que na atual conjuntura, a Taxa de Desemprego e o Average Hourly Earnings (AHE) sejam até mais importantes do que o Payroll. Qualquer número mensal de criação de vagas de trabalho superior a 125-130 mil postos de trabalho será lida como positiva/construtiva. Um número muito mais baixo do que este pode trazer o receio de uma desaceleração mais preocupante da economia. Todavia, a combinação da Taxa de Desemprego e ao AHE poderá ser determinante para a política monetária de curto-prazo. Se os sinais de pressões inflacionárias permanecerem ausentes, prosseguirá um ambiente positivo para os ativos de risco, já que estará mantido o cenário de “Goldilocks”. Caso haja um sinal mais acentuado de pressões inflacionárias de salário, o mercado poderá ser obrigado a rever os próximos passos do Fed.

No Brasil, os mercados leram a vitória de Temer na votação de ontem como neutra, e seguiram o humor global a risco. Assim, vimos uma realização de lucros no Ibovespa, um BRL estável e mais uma rodada de fechamento de taxa de juros, que continua se favorecendo de um cenário de baixa inflação, recuperação lenta e gradual do crescimento e um banco central que indica continuidade do ciclo de queda da Taxa Selic.

Continuo mantendo o foco em temas específicos de mercado. Não vejo grandes assimetrias no BRL e no Ibovespa nos atuais níveis, em termos de macro alocação. O mercado de juros deve continuar ancorado pela política monetária, mas tenho o temor que esteja entrando em uma dinâmica de excesso dado o tempo ainda até a próxima reunião do Copom.

De qualquer maneira, mantidas as condições atuais, “the pain trade is up!”. Os dados de amanhã poderá dar novo ímpeto à apreciação dos ativos de risco, ou levar o mercado a repensar as tendências recentes.  




Data: 03/08/2017

Brasil: Primeira batalha política superada. Cenário fiscal ainda é um problema.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade essa manhã, sem grande novidades relevantes. Destaque para uma leve queda nas bolsas da Europa e para um fortalecimento do dólar contra o AUD e NZD, mas os movimentos, no geral, estão sendo tímidos.

No Brasil, Temer venceu a sua primeira batalha de sobrevivência das acusações apresentadas pela PGR. O placar da votação, contudo, a despeito de favorável, foi muito aquém (263 votos a favor do arquivamento da denúncia) do que estava sendo ventilado na tarde de ontem (280 a 290 votos). Assim, acredito que possa haver alguma decepção por parte dos ativos locais na abertura do dia de hoje.

Passado este obstáculo, o governo deverá focar, novamente, na agenda de reformas. Os jornais de hoje já dão destaque à equipe econômica, que irá buscar o diálogo, novamente, em torno da Reforma da Previdência. Olhando pelo placar de ontem, me parece extremamente difícil que a proposta original seja aceita, ou que mesmo com algumas alterações o governo seja capaz de aprovar a Reforma. Acredito que Meirelles e Cia terão que partir para um “Plano B”, buscando aprovar medidas menos agressivas, que talvez não precisem de aprovação do Congresso e/ou apenas de maioria simples na Câmara.

As contas públicas nacionais continuam a ser o grande vilão do cenário local. Na ausência de reformas estruturais relevantes a situação irá se deteriorar a cada novo dia, colocando o país novamente em situação delicada em poucos anos.

No cenário externo, o destaque de ontem ficou por conta de declarações de alguns membros do Fed, na linha de que o aperto do mercado de trabalho ainda vislumbra a continuidade do ciclo de normalização monetária nos EUA. Segundo o DB:

Away from the markets, two Fed Chiefs have updated the market on their latest thinking. San Francisco Fed Chief Williams has said overnight that inflation should close in on the Fed's 2% target "within the next year or two", while Cleveland’s Fed Chief Mester sees it approaching that level "over the next year", but wanted to see more data (on Fed's preferred measure, the PCE deflator, inflation is 1.4% currently). On balance sheet unwind, Williams acknowledged that to keep the economy on a sustainable path of growth, we need to gradually reduce the monetary stimulus and that it will be appropriate to start unwinding the balance sheet this autumn, noting the normalisation process should take four years. On the interest rates outlook, both reiterated the gradual path FOMC has communicated is appropriate and Williams thought the ‘new normal’ interest rate is around 2.5%. 




Data: 02/08/2017

Brasil: Situação fiscal exige cautela.

A noite foi de poucas novidades relevantes. Nessa manhã, destaque para mais uma rodada de alta do EUR, para uma leve abertura de taxa dos juros nos EUA e para uma pequena realização de lucros nos preços das commodities metálicas não preciosas.

No Brasil, a mídia dá como certa a revisão da meta fiscal para este e para o próximo ano. O debate agora já não está centrado na possibilidade de mudança da meta, mas na magnitude que será a mudança. Tenho escrito neste fórum que, enquanto o cenário externo permanecer tranquilo, os ativos locais teriam uma tendência a superar este tipo de notícia. Contudo, começo a me perguntar em que momento o mercado poderá começar a “punir” os ativos locais diante das incertezas fiscais de curto e longo-prazos?

As contas públicas continuam a ser um grande problema para o país, que nem mesmo os avanços cíclicos da economia estão sendo capazes de acobertar. Na ausência de reformas estruturas, como da Previdência, a situação tende a piorar exponencialmente a cada novo ano, na ausência de uma aceleração sustentável do crescimento. O governo ainda batalha pela sua sobrevivência, mas acena para a possibilidade de retornar o debate da Reforma da Previdência vencida a primeira batalha por sua sobrevivência. Será este cenário crível? Os próximos dias serão fundamentais nesta frente. 




Data: 01/08/2017

Brasil: Contas externas saudáveis e recuperação lenta do crescimento.

Os ativos de risco apresentaram movimentos interessantes, na ausência de mudanças significativas de cenário. Destaque para o fechamento de taxas de juros em G10, após uma rápida e acentuada reversão das Treasuries no final da manhã. Confesso que não vi um “trigger” específico para o movimento de hoje. O mesmo comentário vale para a forte queda no preço do petróleo. Por outro lado, vimos um movimento quase que generalizado de fortalecimento do dólar no mundo, que em muito deve ser explicado por uma posição técnica já comprometida. Tendo a acreditar que estes movimentos sejam acomodações/realizações de lucros normais após o desempenho recente destas classes de ativos.

Nos EUA, o ISM Manufacturing recuou de 57,8 para 56,3 pontos, praticamente em linha com as expectativas. O número continua mostrando uma economia saudável, com crescimento relativamente estável. A queda de 1,3% MoM no Construction Spending de junho gerou algumas revisões marginais de PIB, ajudada também pelas prévias de vendas de veículos de julho, mas nada que altere de forma fundamental o cenário para o país.

No Brasil, o destaque ficou por conta das Notas do Copom. A mensagem do BCB é que mantidas as condições atuais deveremos ter uma nova queda de 100bps na Taxa Selic na próxima reunião do Copom. O parágrafo 24 resume bem esta visão: Debateu-se a conveniência de se sinalizar flexibilização adicional de mesma magnitude da adotada nesta reunião, versus uma flexibilização mais moderada. Concluíram por sinalizar, para a próxima reunião do Copom, uma possível flexibilização de mesma magnitude da adotada nesta reunião, mas que dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do Copom e de estimativas da extensão do ciclo. De forma geral, a magnitude da flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

Continuo gostando de exposição a parte curta da curva de juros, agora majoritariamente via estruturas de opção. Ainda gosto de manter exposição a parte intermediária da curva de inflação implícita. Continuo administrando tamanho e instrumentos, mas mantendo exposição a estas duas teses de investimentos.

Nos últimos dias, vimos um claro movimento de steepening da curva de juros e abertura das inflações implícitas. Acredito que o movimento faça sentido diante das condições atuais de política monetária, inflação, mas, principalmente, diante dos desafios das contas públicas nacionais no curto e no longo-prazo.

No campo econômico, segue um cenário de recuperação extremamente lenta do crescimento, contas externas saudáveis (vide superávit de $6,3Bi na balança comercial de julho) e desafios fiscais enormes.




Data: 01/08/2017

"The pain trade is up!"

O destaque da manhã está por conta de mais uma rodada de apreciação das bolsas ao redor do mundo. Os dados econômicos globais, especialmente relativos ao crescimento, continuam apontando para uma economia global robusta, o que ajuda a dar suporte aos ativos de risco.

Na Coréia do Sul as exportações de julho – um número visto como uma boa Proxy de crescimento global dado a abertura da economia do país e a elevada corrente de comércio – subiu de 13,6% YoY para 19,5% YoY, acima das expectativas de 15,9% YoY.

Na Austrália, o RBA manteve a política monetária inalterada, como era amplamente esperado. O RBa promoveu apenas uma pequena alteração no comunicado, para mostrar um leve desconforto adicional com o nível e a recente apreciação do AUD: "an appreciating exchange rate would be expected to result in a slower pick-up in economic activity and inflation than currently forecast".

No Brasil, os jornais de hoje dão como certa a possibilidade de revisão da meta fiscal para este ano. O número que está sendo ventilado é de R$159bi, contra uma meta de R$139bi. Os jornais também falam em medidas adicionais de ajuste, como a retirada das isenções fiscais para aplicações em LCI e LCA, por exemplo.

Além disso, existe algum foco da mídia na votação para denúncia sobre Michel Temer no Congresso. Existe uma mobilização para obter quorum para a seção. Hoje, a expectativa é que Temer saia vitorioso desta batalha. O placar da votação é visto por muitos como um indicativo da força que o Governo manterá após este evento.

Ainda na agenda de hoje, teremos as Notas do Copom, em que poderá se solidificar a expectativa de manutenção do ritmo de queda da Taxa Selic em 100bps na próxima reunião do Copom, e uma taxa de juros terminais para este ciclo de corte abaixo de 8%.

Continuo vendo com preocupação o quadro fiscal estrutural do país. Contudo, entendo que este governo esteja fazendo tudo que está ao seu alcance para atingir a meta deste ano. O cenário de hoje já é de uma forte contração fiscal. O impulso para a economia já está sendo bastante contracionista. As opções para o “atingimento” da meta são escassas, e uma revisão parece ser o cenário mais provável. Tendo a acreditar que, mantidas as condições atuais, os mercados financeiros locais tendem a dar pouco peso a está revisão, mas movimentos de steepening da curva de juros e alta das inflações implícitas são possíveis.

Minha visão segue inalterada. No Brasil, tenho poucas convicções direcionais e estruturais no Ibovespa e no BRL. Continuo gostando da parte curta da curva local de juros, mas focado em estruturais de opções que julgo assimétricas. Continuo gostando de exposição à parte intermediária da curva de inflação implícita.

No cenário externo, ainda vejo espaço para a abertura das taxas de juros longas em alguns países de G10. Vejo espaço para alguma exposição comprada em volatilidade em algumas classes de ativos. Estou sem visão clara em FX, buscando alguns casos específicos de alocação.

De maneira geral, ainda vejo um cenário global relativamente tranquilo e construtivo. Por ora, não há motivos para grandes preocupações e/ou rupturas. Contudo, vejo preços na maior parte dos ativos de risco pouco atrativos e posições técnicas que se deterioram a cada novo dia.




Data: 31/07/2017

Update

O dia trouxe poucas novidades relevantes para o cenário econômico, mas uma dinâmica de mercado que mostra um pouco o viés do mercado (que pode ter sido extrapolada por fluxos de final de mês).

Na Europa, os dados mais positivos de inflação e taxa de desemprego deram sustentação adicional ao EUR. A moeda atingiu novo pico para este ciclo econômico, acima de 1,18.

Nos EUA, destaque para uma grande rotação que está ocorrendo entre alguns setores da bolsa local, com queda do setor de tecnologia, muito em função de algum desapontamento de resultados e valuations menos atrativos, em favor do setor financeiro.

No Brasil, ainda segue a máxima de “No News Is Good News”. Um cenário externo ainda tranquilo, com um momento cíclico da economia favorável, continua induzindo a apreciação dos ativos locais.

Na Ásia, a despeito do arrefecimento do PMI Manufacturing da China em julho, vimos mais uma rodada de elevação nos preços das commodities metálicas não preciosas.

Minha visão segue inalterada. No Brasil, tenho poucas convicções direcionais e estruturais no Ibovespa e no BRL. Continuo gostando da parte curta da curva local de juros, mas focado em estruturais de opções que julgo assimétricas. Continuo gostando de exposição a parte intermediária da curva de inflação implícita.

No cenário externo, ainda vejo espaço para a abertura das taxas de juros longas em alguns países de G10. Vejo espaço para alguma exposição comprada em volatilidade em algumas classes de ativos. Estou sem visão clara em FX, buscando alguns casos específicos de alocação.

De maneira geral, ainda vejo um cenário global relativamente tranquilo e construtivo. Por ora, não há motivos para grandes preocupações e/ou rupturas. Contudo, vejo preços na maior parte dos ativos de risco pouco atrativos e posições técnicas que se deterioram a cada novo dia.




Data: 31/07/2017

Desaceleração na China, Inflação na Europa, Imposto no Brasil e Posição Técnica.

O destaque da noite ficou por conta de uma leve desaceleração dos PMIs na China. O PMI Manufacturing passou de 51,7 para 51,4 em julho, levemente abaixo das expectativas de 51,5 pontos. O número mostra uma economia ainda saudável, porém com sinais marginais de arrefecimento. Acredito que o dado de hoje pouca altera o cenário econômico global. Uma desaceleração da economia chinesa já era de certa forma esperada, após a sequencia de medidas adotadas no país visando administrar a liquidez e evitar os excessos e a evolução de “bolhas” em setores e mercados específicos.

Na Europa, o CPI de julho ficou dentro das expectativas do mercado, mas com o Core CPI levemente acima das expectativas. Na semana passada, os números de algumas importantes economias da região já haviam apontando nesta direção. Comentei, naquela ocasião, que: Na minha visão o destaque do dia ficou por conta dos dados econômicos na Europa. Além dos dados de PIB robustos, já comentados neste fórum mais cedo, os números de inflação de importantes economias da região, como a Alemanha, apresentaram surpresa positiva. Ainda é cedo para “cantar vitória” no tema inflacionário, mas o simples avanço dos indicadores de preço, mesmo que de forma gradual, mantém vivo o cenário de “Reflation”.

No Brasil, com a volta do recesso parlamentar, a mídia retornou o debate em torno da denuncia contra Temer, além de manter um foco na possibilidade de revisão da meta fiscal deste ano. Comentei um pouco sobre isso no sábado. Não vejo alterações em torno destes temas. Comentários adicionais podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.




Data: 31/07/2017

Ruídos Locais e Externos.

Os jornais deste sábado trazem alguns ruídos locais e externos.

No Brasil, a reportagem de capa da Revista Época traz o que seriam as provas da delação premiada da JBS. Vejam aqui:

http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/07/provas-da-jbs-trecho.html. Segundo a matéria, existem provas documentais, o qual a reportagem teria tido acesso, que implicam inúmeros políticos, de diversos partidos. Muitos dos nomes citadas ocupam posição de destaque no atual Governo e no Congresso. Em especial, a matéria dá destaque ao que seriam repasses a um suposto “operador” do atual Presidente Michel Temer.

Acredito que este seja mais um ruído de curto-prazo. A primeira semana de agosto será decisiva para o Governo. Segundo consta, na mídia e pelos analistas políticos, Temer tem maioria para evitar que a denuncia contra ele tenha andamento. Contudo, é natural esperar que o retorno do recesso parlamentar marque também o retorno dos ruídos políticos.

Tenho a sensação que para os mercados financeiros locais, diante dos avanços que estão sendo atingidos por está equipe (não entrando aqui no mérito de acusações, alegações e eventuais atos ilícitos), a manutenção do atual Governo, neste momento, será mais bem percebida do que a eventual troca de comando do país. Reforço que está é uma avaliação de reação dos mercados e ativos locais, e não uma avaliação jurídica. Não estou aqui fazendo juízo de valor e/ou analisando acusações, apenas tentando entender a reação dos mercados e ativos do Brasil diante das incertezas políticas.

A Folha de São Paulo traz nova matéria em torno das dificuldades do governo em atingir a meta fiscal deste ano. Vejam aqui: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/07/1905398-pressionado-por-rombo-governo-ja-admite-elevar-meta-fiscal-deste-ano.shtml. Acredito que, a despeito de ver com preocupação o quadro fiscal do país, o mercado já assimilou relativamente bem esta questão. O mercado está vendo o esforço que tem sido feito pela equipe econômica para atingir a meta, e o quão difícil será promover novas altas de impostos e/ou cortes de despesas. Assim, por mais que eu veja com extrema preocupação o quadro fiscal de longo-prazo, na ausência de reformas, tendo a acreditar que, enquanto o cenário externo estiver tranquilo, os ativos locais tendem a superar este tipo de notícia, exceto com movimentos localizados, como steepening da curva de juros e aumento das inflações implícitas.

No cenário externo, a Coreia do Norte testou mais um míssivel balístico intercontinental (ICBM) na tarde de ontem. Segundo reportagem da Bloomberg, o líder norte coreano afirma que já tem poder de atingir todo o território norte americano após os últimos testes do país.

Os eventos na Coreia do Norte podem ser vistos como “eventos de cauda”. É natural esperar alguma reação da comunidade internacional, mas especialmente dos EUA, nos próximos dias. As relações diplomáticas podem esquentar, especialmente entre EUA, Japão, Coréia do Sul (os mais afetados pelos eventos) vs China e Coreia do Norte. Devemos acompanhar os eventos atentamente. Sanções podem ser anunciadas, a diplomacia tentará ser utilizada e, em último caso, em um evento extremo, o poderia militar poderia ser utilizado.  




Data: 28/07/2017

Reflation still a good bet!

Na minha visão o destaque do dia ficou por conta dos dados econômicos na Europa. Além dos dados de PIB robustos, já comentados neste fórum mais cedo, os números de inflação de importantes economias da região, como a Alemanha, apresentaram surpresa positiva. Ainda é cedo para “cantar vitória” no tema inflacionário, mas o simples avanço dos indicadores de preço, mesmo que de forma gradual, mantém vivo o cenário de “Reflation”.

Nos EUA, O PIB do 2Q ficou levemente abaixo das expectativas, mas com um qualitativo bastante positivo. Os Estoques surpreenderam para baixo pelo segundo trimestre consecutivo, adicionando um risco altista para o 3Q.  O Consumo ficou bem acima das expectativas, assim como os Investimentos vierem mais fortes. O Employment Cost Index (ECI) apresentou alta de 0,54% QoQ, contra expectativas de 0,60% QoQ.

Ainda não há sinais consistentes de pressões inflacionárias, mas os números de hoje em nada alteram o cenário traçado pelo Fed. Acho válido ressaltar que os mercados financeiros colocam hoje pouquíssimo prêmio para um cenário de aceleração, mesmo que gradual, da inflação, além de expectativas quase nulas em torno da reforma tributária/fiscal nos EUA. A curva de juros precifica cerca de 50% de chance de mais 1 alta de 25bps nos juros este ano e menos de 3 altas de 25bps até 2019. A posição técnica de dólar apresentou mais uma rodada de adição de posições vendidas na moeda americana nesta semana.

Continuo gostando de posições tomadas em algumas taxas de juros no G10. Estou sem visão direcional para o dólar no mundo, mas olhando alguns casos específicos.

No Brasil, o mercado de juros continua seguindo o roteiro que tracei aqui após o Copom, com steepening da curva e abertura de inflação implícita. Ainda vejo espaço para a continuidade destes movimentos, mas as assimetrias começam se reduzir. Continuo sem visão direcional “top down” no BRL e no Ibovespa.

No cenário econômico, vejo poucas mudanças. Ainda existe um grande esforço para que a meta fiscal seja atingida este ano. Tivemos alguns sinais um pouco menos favoráveis para a inflação de curto-prazo, mas nada que altere o longo-prazo para a política monetária.

Quanto aos números divulgados hoje, nossa área econômica comenta o seguinte:

>> A taxa de desemprego ficou abaixo da esperada (13% vs. BBG: 13,3%) e caiu 0,2pp após ajuste sazonal (para 12,9%). Após ajuste sazonal, a taxa de participação ficou estável. Dessa maneira, a boa notícia partiu do forte incremento da população ocupada (quase 400mil, no trimestre encerrado em junho). Entretanto, isso decorreu às custas do enfraquecimento do mercado formal vis-à-vis ao informal. Em termos fiscais, isso tende a ser uma má notícia. Salários reais seguem estáveis na margem. No ano/ano crescem 3% (boa parte por conta da desaceleração da inflação em 12 meses). A massa salarial segue relativamente forte, sugerindo retomada do consumo.   




Data: 28/07/2017

Sinais de fadiga. Cenário macro ainda positivo. Técnico e valuations preocupam.

Os ativos de risco estão dando sinais de fadiga. Ainda não vejo um cenário para uma alteração completa de dinâmica dos mercados financeiros globais, mas acredito que uma realização de lucros seja saudável e necessária.

Reforço o que tenho insistido neste fórum há algum tempo. O cenário econômico continua favorável (crescimento sólido, inflação baixa no mundo desenvolvido, condições financeiras frouxas e resultados corporativos robustos), contudo, os movimentos recentes de apreciação trouxeram alguns efeitos colaterais que não podem ser ignorados, como preços “esticados”, valuations com pouca “gordura”, uma posição técnica pior, e uma leniência excessiva (vide os índices de volatilidade como VIX, MOVE e etc). Assim, vejo uma realização de lucros dos ativos de risco como um cenário possível, cada vez mais provável, que seria natural e saudável, porém não muito acentuado na ausência de novidades relevantes.

Um resultado na Amazon muito abaixo das expectativas divulgado na tarde de ontem deverá ser o foco do mercado ao longo do dia de hoje.

Para este ambiente, tenho recomendado algumas posições de compra de volatilidade, tanto em índices de bolsas nos EUA como no mercado de Treasuries.

No Brasil, os ativos locais reagiram à decisão do Copom dentro do roteiro que descrevi ontem cedo: Espero que o mercado apresente um relevante fechamento de taxa na parte curta da curva, com um “Bull Steepening” da mesma, ou seja, um fechamento ao longo de toda a curva, mas com a parte curta/intermediária apresentando fechamento de taxa superior a parte longa da curva. Eu continuo mantendo recomendação para alocação na parte curta da curva, com a compra de inflação implícita na parte intermediária da curva, estratégia que venho mantendo já há bastante tempo e ainda me parece pertinente.

Continuo vendo valor no mercado local de juros, mas opto por recomendações mais leves, menos agressivas, taticamente, apenas por questões de nível. Continuo vendo assimetria na parte intermediária da curva de inflação implícita e recomendando posições compradas em inflação implícita. Mantenho viés neutro no BRL e no Ibovespa, sem ver grandes assimetrias “top down” nessas alocações.

Os jornais de hoje trazem poucas novidades relevantes no Brasil. 

Nos EUA, tivemos ontem mais uma rodada de dados econômicos positivos, com destaque para o Durable Goods Orders, Jobless Claims e Trade Balance. As divulgações levaram o mercado a revisar para cima as expectativas de alta do PIB para o segundo trimestre deste ano, que será divulgado na manhã de hoje.

No campo político, o Congresso acelerou a agenda legislativa, mas ainda não há sinais concretos de que exista uma saída razoável para o Health Care Bill. Enquanto isso, um grupo de trabalho paralelo já estuda as possíveis medidas econômicas, fiscais e tributárias que irão à pauta nos próximos meses. Neste momento, as expectativas de avanços nesta agenda são extremamente baixas e pouquíssimo disto está precificado nos ativos do país.

Na Europa, os dados do PIB dos segundo trimestre divulgados esta manhã ficaram basicamente dentro das expectativas do mercado, que já eram expectativas positivas. Os números apontam para a manutenção de um crescimento saudável e robusto na região. 

Com este pano de fundo de dados econômicos mais sólidos, começa a voltar a tona alguns plays do que ficou conhecido como “Reflation”. Acredito que estes movimentos podem continuar e, eventualmente, ganhar corpo (condicionados a manutenção de dados positivos), especialmente frente a uma posição “leve” nesta direção. Vale ressaltar que será importante determinar qual país ou região estará liderando este movimento, pois este vetor será determinante para sabermos se o Reflation será conduzido com um dólar fraco ou um dólar forte, e se poderá ocorrer com um “risk-on”, crescimento forte com inflação baixa, ou “risk-off”, crescimento forte mas com a inflação começando a surpreender para cima.

Continuo sem visão estrutural para o dólar no mundo. Mantenho alocações tomadas em taxas de juros em alguns países de G10, via mercados futuros e via opções com compra de volatilidade. Acredito que compra de volatilidade de índices de bolsa seja um hedge com boa assimetria neste momento.




Data: 27/07/2017

Brasil: Selic volta a um dígito. Espaço maior para cortes adicionais.

Na ausência de novidades relevantes no cenário, os ativos de risco operam próximos a estabilidade neste momento. Na agenda do dia, destaque para o Durable Goods Orders nos EUA. Vale a pena ficar de olho no Congresso Americano. A agenda legislativa começa a caminhar de maneira mais fluida, o que pode destravar a pauta para as negociações em torno de reformas econômicas, fiscais e tributárias ao longo do segundo semestre do ano.

No Brasil, como era amplamente esperado, o BCB cortou a Taxa Selix em 100bs. O comunicado após a reunião deverá ser lido como “dovish” pelo mercado. O BCB deixou em aberta a possibilidade de manutenção do ritmo de corte de juros em 100bps, pelo menos na próxima reunião do Copom. Olhando do cenário atual, com as previsões de inflação apontadas pelo Copom, existe espaço para o corte da Taxa Selic abaixo de 8% neste ciclo econômico, e com alguma antecipação dos cortes.

Espero que o mercado apresente um relevante fechamento de taxa na parte curta da curva, com um “Bull Steepening” da mesma, ou seja, um fechamento ao longo de toda a curva, mas com a parte curta/intermediária apresentando fechamento de taxa superior a parte longa da curva. Eu continuo mantendo recomendação para alocação na parte curta da curva, com a compra de inflação implícita na parte intermediária da curva, estratégia que venho mantendo já há bastante tempo e ainda me parece pertinente.

 A Folha de São Paulo traz matéria de capa em que afirma que a base aliada do governo não vê a possibilidade de aprovação da Reforma da Previdência neste mandato.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/07/1904664-aliados-de-temer-querem-que-reforma-da-previdencia-fique-para-2019.shtml. Acredito que a possibilidade de aprovação da Reforma, no atual cenário, seja remota. Contudo, acredito que existe um “plano B” dentro do Governo para avançar em alguns pontos importantes da agenda econômica, mesmo que na ausência de uma Reforma da Previdência ampla. Como o mercado tem mostrado, enquanto o cenário externo estiver tranquilo, e a o ambiente cíclico da economia local favorável (inflação baixa, juros em queda, estabilização do crescimento, contas externas saudáveis e etc), o mercado mostra disposição em “ignorar” este tipo de “risco de cauda”. O risco retornará a agenda quando estas condições anteriores eventualmente vierem a desaparecer. As reformas econômicas e, em especial, a Reforma da Previdência, é um evento fundamental e indispensável para o sustentabilidade do país no longo-prazo.




Data: 26/07/2017

Fed, Markets and Beyond. 

 

O destaque do dia ficou por conta da reunião do FOMC, nos EUA. Na minha opinião, tanto a decisão, quanto o comunicado, ficaram estritamente em linha com as expectativas. O Fed fez um “market to market” da atividade, mercado de trabalho e inflação, e sinalizou para o anúncio do começo da redução do seu balanço na reunião de setembro. Todos esses vetores já eram amplamente esperados pelo mercado.

De qualquer maneira, observamos uma reação dos ativos de risco como se a decisão tivesse sido mais “dovish” do que as expectativas. Como tenho escrito neste fórum, o mercado está em uma clara dinâmica de “risk-on”, baseado em um pano de fundo de crescimento global saudável/robusto, uma inflação baixa no mundo desenvolvido e condições financeiras globais frouxas. Enquanto não houver uma mudança definitiva deste cenário, fica difícil de ver uma alteração relevante na dinâmica do mercado e na postura dos investidores. Por isso, tenho insistido que “the pain trade is up”, em uma analogia ao fato de que os ativos de risco, no geral, devem continuar se apreciando, na ausência de novidades relevantes (não que eu esteja nesta mesma ponta). Neste momento, a posição técnica, os níveis de preço e o valuation dos ativos tem importando pouco nesta equação.

Para não insistir neste tema, coloco aqui o link do texto deste mês do famoso e reconhecido investidor Howard Marks. Neste texto, Marks toca em muitos dos temas que tenho apontando neste fórum nas últimas semanas, como valuations “esticados”, leniência excessiva, posição técnica comprometida em alguns mercados, e etc, mostrando alguns sinais preocupantes (que já apontei neste fórum outras vezes), como a emissão de bonds de 100 anos na Argentina, a forte captação de fundos de Private Equity, entre outros. Obviamente, Marks escreve de forma muito mais formal, explicativa e detalhada do que meus breves comentários. Dado sua experiência, sua reputação e seu comprovado desempenho ao longo do tempo, acredito que o texto seja um “must read” para qualquer investidor atual:

https://www.oaktreecapital.com/docs/default-source/memos/there-they-go-again-again.pdf

Encerro por hoje reafirmando que não mantenho posições negativas no portfólio, mas continuo focado em temas específicos, tentando sair um pouco dos “plays” de “risk-on”/”risk-off” ou da busca de grandes tendências com correlações elevadas. 




Data: 26/07/2017

Brasil: Situação fiscal demanda cautela.

 

O destaque desta manhã fica por conta da alta no preço das commodities metálicas não preciosas. Os demais ativos de risco operam em compasso de espera para a decisão do Fed.

No Brasil, os jornais estão dando ampla cobertura às dificuldades que o Governo está enfrentando para fechar as contas públicas deste ano, e cumprir a meta fiscal estabelecida. As opções são cada vez menores e mais arriscadas, como receitas extraordinárias incertas, altas impopulares de impostos e, agora, ganha corpo, a possibilidade de alteração da meta fiscal.

Acredito que a alteração da meta seja extremamente negativa, pois mostra certa perda de poder político de Meirelles e equipe. Além disso, traz novamente a tona um quadro fiscal preocupante e insustentável no longo-prazo, na ausência de reformas estruturantes. De qualquer maneira, tenho dúvidas se os ativos locais irão reagir fortemente a este tipo de “news flow”. Enquanto os mercados externos estiverem tranquilos/construtivos, é difícil de ver uma reação de ruptura dos ativos locais. Podemos observar alguma under-performance em relação aos pares, steepening de curva, aumento de inflação implícita, e etc. De qualquer maneira, este tema voltou ao foco do mercado e deverá ser tratado com a devida cautela.

No cenário externo, destaque para Austrália cujos dados de inflação de junho ficaram abaixo das expectativas do mercado. Membros do RBA voltaram a afirmar que o país segue o seu ciclo próprio de ajuste monetário e não deveria reagir aos demais bancos centrais globais. Neste momento, observamos alguma pressão no AUD e um fechamento de taxa dos juros do país.




Data: 25/07/2017

Reflation and Technicals:

 

Os ativos de risco voltaram a operar com uma dinâmica de “Reflation”, ajudado por um quadro técnico favorável. Alguns eventos de hoje estão ajudando a rodada de reprecificação dos ativos de risco, que podem continuar nesta direção nos próximos dias:

- O IFO na Alemanha atingiu um novo pico deste ciclo econômico, mostrando uma atividade sólida e perspectivas positivas de crescimento;

- O Consumer Confidence nos EUA apresentou uma inesperada elevação em julho, ficando próximo ao pico deste ciclo econômico. A abertura qualitativa do indicador mostrou um quadro de aperto adicional do mercado de trabalho, que se mostra já no pleno emprego;

- Trump está prestes a atingir sua primeira vitória no Congresso, conseguindo um avanço, mesmo que ainda incerto, para a resolução do impasse do Health Care Bill.

Aliado a tudo isso, temos um quadro técnico relativamente saudável para as posições em prol do “Reflation” e as vésperas da reunião do FOMC. Apenas a título de exemplo, a posição técnica do dólar é a mais “vendida” deste ciclo econômico, ou desde 2013, as vésperas do “Taper Tantrum”. A posição “comprada” em títulos de Treasury 10 anos no mercado futuro também é a maior deste ciclo.

De maneira geral, não estou alterando minha visão central, e nem mesmo as principais recomendações de alocação. Continuo focado em temas específicos, vendo pouco prêmio em “plays” de risco. Entendo que “the pain trade is up”, e que podemos seguir na toada de apreciação dos ativos de risco como um todo, enquanto não houver um “trigger” que altere está dinâmica. Contudo, não acho que faça sentido “continuar nesta dança” e prefiro focar em temas específicos.

Mantenho recomendação tomada em taxas de juros longos em alguns países de G10. Gosto de exposição a parte curta da curva de juros no Brasil e compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. A única alteração relevante de recomendação nos últimos dias fica por conta de uma pequena compra de volatilidade, como um hedge que julgo ser assimétrico nos atuais níveis.

Não tenho visão estrutural para o dólar no mundo, mas entendo que a posição técnica, nos atuais níveis de preço, pode trazer alguma realização de lucros (alta do dólar) em algum momento dos próximos dias. A posição técnica da Treasury 10 anos, aliada aos níveis que estão sendo testados, podem levar a mais uma rodada de alta de taxas no curto-prazo. A reunião do FOMC amanhã será determinante para isso.

No Brasil, os ativos locais seguiram basicamente o humor global a risco, como já vem sendo regra nas últimas semanas. A situação fiscal do país voltou ao foco recentemente, com a alta de impostos e o burburinho em torno da necessidade de medidas adicionais para o cumprimento da meta fiscal deste ano.

A situação fiscal do país é preocupante não é de hoje, e as soluções são duras. Reformas estruturantes, alta de impostos, ou algum tipo de default (oficial ou “oficioso”). Isso era verdade há um mês, era verdade há uma semana e continua a ser verdade hoje. O mercado apenas “escolhe” o que olhar, e ao que dar peso maior, em cada momento do tempo.

De forma geral, mantenho minha visão de não ver grandes assimetrias no BRL, na curva longa de juros e no Ibovespa (como índice, como um todo). Entendo que existam bons “cases” micro, a bons preços, mas o meu foco aqui é macro alocação. Por ora, não vejo cenário de rompimento dos ativos locais nem para o lado negativo, e nem para o lado positivo. Até por isso, a estratégia tem sido focar em temas específicos, e assimetrias que julgo serem mais claras.

De forma geral, contudo, vejo pouco prêmio para eventuais “eventos de cauda” nos ativos locais, por mais as probabilidades de ocorrências sejam baixa. Assim, optei por exposição na parte intermediária de inflação implícita, onde consigo ver vários cenários (positivos ou negativos) em que possam ocorrer reprecificações relevantes nesta classe de ativos.  




Data: 25/07/2017

Brasil: Notícias mais negativas.

 

O destaque desta manhã fica por conta da alta no preço das commodities metálicas não preciosas. As bolsas da Europa operam em leve alta, com o dólar praticamente estável e os juros nos países desenvolvidos apresentando leve abertura de taxas.

Na Alemanha, o IFO – um dos indicadores de confiança mais importantes de toda a Europa – apresentou mais um mês de alta, atingindo um novo pico para este ciclo econômico. O número continua apontando para um crescimento saudável e robusto no país. Segundo o Morgan Stanley: Above consensus and our expectations, the Ifo headline business climate increased by 0.8 points to 116.0 in July. This print marks another all-time high. The index now stands at 2.0 SD above its LTA. The headline print continues to point to a strong outlook for the remainder of 2017. The headline number was driven by both current conditions as well as expectations. In detail, current conditions improved by 1.3 points to 125.4, which also marks a new record high. In other words, current conditions are now standing at 2.2 SD above LTA. Expectations increased by 0.5 points to 106.8, and continue pointing to an optimistic outlook for the rest of the year.

No Brasil, os jornais de hoje trazem notícias um pouco menos animadoras. Existe a possibilidade do retorno da “Bandeira Vermelha” na energia elétrica, o que poderia adicionar alguns bps na inflação até o final do ano.

Além disso, mesmo com a alta de impostos já anunciada, ainda existe o risco do descumprimento da meta fiscal deste ano. Existe hoje dentro do governo um debate se não é o caso de rever a meta deste ano. Vale lembrar que quando a meta foi estabelecida, existia quase que um consenso que o “rombo” esperado era elevado e seria, de certa forma, fácil atingir a meta deste ano. A realidade está se mostrando mais dura do que o previsto. Isso pode trazer a tona os riscos da ausência de reformas econômicas e fiscais estruturantes.

Segundo matéria de O Globo: O Planalto pressiona a Fazenda a permitir rombo fiscal maior este ano, para liberar recursos a órgãos públicos. O ministro Henrique Meirelles resiste.

BRASÍLIA- O risco real de paralisação completa da máquina pública por falta de recursos (o chamado shut down) levou o governo a começar a discutir uma revisão da meta fiscal de 2017, que hoje é de déficit primário de R$ 139 bilhões. A medida, no entanto, é polêmica. Ela têm o apoio da ala política, mas não do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para quem um aumento do rombo nas contas públicas agora seria um golpe na credibilidade de política econômica. Os interlocutores da Fazenda destacam que, embora tenha feito avanços importantes na área fiscal ao fixar um teto para os gastos públicos, o governo não conseguiu aprovar a agenda mais crucial — a reforma da Previdência — e, portanto, não teria condições de arcar com os custos de alterar a meta, algo que lembra os tempos do PT, num momento de fragilidade política do próprio presidente Michel Temer. Segundo interlocutores próximos a Meirelles, a própria permanência do ministro no cargo poderia ficar condicionada à preservação dos R$ 139 bilhões.

— Se a reforma da Previdência já tivesse sido aprovada, a conversa poderia até ser outra. Mas, sem a reforma, que está cada vez mais distante, mexer na meta é muito ruim — disse um interlocutor do governo, lembrando que o compromisso fiscal é uma bandeira de Meirelles.

Em artigo no Valor: A bandeira tarifária, mecanismo que cobra valor adicional nas contas de luz para sinalizar ao consumidor a necessidade de acionamento de usinas mais caras, pode voltar ao primeiro patamar da cor vermelha em agosto, após dois meses. Esse patamar gera um acréscimo na tarifa de R$ 3,00 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A possibilidade de acionamento do primeiro patamar da bandeira vermelha se deve à ausência de chuvas no mês de julho, fato que influencia as previsões para a primeira semana de agosto, período de referência para a definição da bandeira tarifária. Especialistas e empresas consultados pelo Valor consideram a possibilidade de o preço de liquidação de diferenças (PLD) - preço de energia no mercado de curto prazo - para a primeira semana de agosto, superar o valor de R$ 422 por megawatt-hora (MWh), que configura o primeiro patamar da bandeira vermelha. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciará na sexta-feira a cor da bandeira de agosto.




Data: 24/07/2017

Update

 

Os ativos de risco voltaram a dar sinais de realização de lucros. Nesta manhã, vejo mais uma rodada de queda nas bolsas da Europa e de alta no dólar contra as moedas emergentes. No geral, contudo, os movimentos ainda são bastante tímidos. Assim, continua valendo o que escrevi no domingo pela manhã, que copio na parte final deste e-mail.

O único destaque relevante ficou conta do Flash PMI na Europa. O numero ficou abaixo das expectativas, mas em patamar ainda consistente com um crescimento saudável. Acredito que seja natural flutuações dos indicadores de confiança em torno dos atuais níveis. Chegamos a patamares extremamente elevados historicamente. Estes níveis não costumam ser sustentáveis indefinidamente. O mais importante, neste momento, é medir a magnitude e a sustentabilidade das eventuais correções.




Data: 24/07/2017

A narrativa continua sendo: "As long as the music is playing, you’ve got to get up and dance."

 

Na sexta-feira observamos uma leve realização de lucros nos ativos de risco. Destaque para a queda das bolsas na Europa, para a queda no preço do petróleo e para o movimento de dólar forte contra moedas emergentes. Acredito que estes movimentos sejam normais, naturais e saudáveis diante da apreciação verificada ao longo dos últimos meses. Não vejo os movimentos de sexta-feira como mudanças de tendências ou de narrativa por parte dos ativos de risco (ou uma mudança de postura por parte dos investidores).

Continuo vendo um pano de fundo relativamente tranquilo, em que impera o que ficou cunhado como “Goldilocks” (crescimento saudável, inflação baixa e condições financeiras frouxas). Contudo, mantenho minha postura mais cautelosa frente a níveis de preços menos atrativos, valuations idem e uma posição técnica que se deteriora a cada novo dia. Por ora, contudo, ainda não vejo um trigger claro para a mudança de tendência ou de narrativa por parte dos mercados financeiros globais.

Alguns indicadores técnicos que me chamam a atenção, e valem ser citados como, são: Uma posição técnica vendida em dólar nos níveis mais altos deste ciclo; a alta das bolsas nos EUA cada vez mais concentrada em poucas empresas; níveis de P/E dos principais índices norte americanos nos níveis pré “estouro da bolha” de 2001; sell-sides com títulos como “Better Than Goldilocks”; VIX e MOVe em pisos históricos, e etc.

Fazer o “market timing” de reversões de tendências e/ou de correções de curto-prazo é sempre muito difícil. Afirmar que algumas classes de ativos estão em “níveis de bolha” também é sempre muito difícil. Como já falou muito bem Keynes: “The market can stay irrational longer than you can stay solvent.” E como completou o ex CEO do Citigroup antes da crise de 2008: "As long as the music is playing, you’ve got to get up and dance." Acredito que o momento seja de manter o foco em temas específicos, sempre buscando hedges e posições que podem parecer assimétricas. Não acho que seja o momento de “continuar dançando” e nem mesmo de “apostar contra as tendências”, mas certamente este momento chegará.

O WSJ traz dois artigos importantes hoje. Acho que não são capazes de alterar a narrativa dos mercados, mas podem ter alguma atenção no curto-prazo.

Primeiro, o Congresso nos EUA aprovou medidas que visam manter uma postura dura com relação a Rússia e evitam tirar poder de manobra de Trump em relação ao tema: vejam aqui: https://www.wsj.com/articles/u-s-lawmakers-reach-deal-on-new-sanctions-against-russia-1500761321

Segundo, o Premier chinês autorizou os órgãos reguladores em continuar investigando os deals fechados por alguns dos maiores conglomerados do país. Podemos ler a matéria completa aqui: https://www.wsj.com/articles/chinas-latest-clampdown-on-overseas-investing-has-president-xis-approval-1500802203

Acredito que esta medida na China seja positiva do ponto de vista de longo-prazo, pois evita os excessos em alguns setores da economia. Contudo, no curto-prazo, a medida poderá gerar volatilidade na bolsa local, reduzir o crescimento e gerar alguns ruídos em torno do setor corporativo. Os policy makers parecem estar se aproveitando de um momento de crescimento mais positivo para implementar medidas extremamente importantes de longo-prazo, mas cujos efeitos de curto-prazo podem trazer volatilidade e incertezas.

No Brasil, os jornais estão focados no aumento dos combustíveis após o anuncio da alta de impostos, mas sem novidades para o cenário econômico. Como já escrevi aqui, nossa área econômica espera um impacto da ordem de 60bps na inflação deste ano. Por ora, este aumento deverá ter pouco impacto sobre a política monetária, mas precisaremos acompanhar os efeitos secundários sobre a inflação nos próximos meses.

As contas externas de junho, divulgadas na sexta-feira, confirmaram um quadro de tranquilidade. A conta corrente continua sendo amplamente financiada por IED, fluxos que são vistos como de longo-prazo.




Data: 21/07/2017

Brasil: Aumento de impostos.

 

No Brasil, o governo anunciou o tão esperado aumento de impostos sobre combustíveis. Se, por um lado, a medida já era esperada, por lado, a magnitude do aumento foi superior as expectativas. Segundo cálculos da nossa área econômica, o impacto no IPCA deve ser entre 60bps e 70bps. Como a equipe já incorporava algum aumento de imposto para este ano, a previsão de IPCA para 2017 deverá se elevar de 3,2% para 3,5%. 

Considerando apenas os efeitos de primeira ordem, a medida deverá ter pouco impacto para política monetária de curto-prazo. Contudo, a postura do governo traz à luz as dificuldades encontradas pelo país para atingir as metas fiscais, em um pano de fundo de restrição via teto do endividamento, pouco espaço para cortes adicionais de gastos e fraco crescimento da economia (e, consequentemente, da arrecadação). Assim, o mercado retoma a discussão de que novos aumentos de impostos podem ser necessários nos próximos anos, na ausência de reformas fiscais mais estruturais e relevantes, como a Reforma da Previdência.

Na Austrália, um membro do RBA veio a público desfazer um mau entendido em relação as Minutas da última reunião de política monetária, apontando para um cenário de estabilidade dos juros que, agora, ficou entendido como mais dovish do que a mensagem que havia sido entendida no momento de divulgação das Minutas.. Neste momento, o AUD opera sobre pressão e os juros no país apresentam fechamento de taxas.




Data: 20/07/2017

Brasil: Desinflação continua acentuada.

 

No Brasil, o IPCA-15 de julho ficou abaixo das expectativas, confirmando um cenário de forte desinflação no país. O número ajudou a dar ímpeto ao movimento de fechamento de taxas de juros, mesmo com as especulações de aumento de impostos. Observamos um movimento claro de elevação das inflações implícitas e steepening da curva. 

 

Continuo recomendando alocação na parte curta da curva nominal de juros, mas concentrado em estruturas de opção. Continuo gostando bastante das inflações implícitas na parte intermediária da curva. Além da assimetria positiva, com pouco prêmio nos anos posteriores a 2018, a posição pode se favorecer de cenário de ajuste fiscal via impostos, ou se proteger de eventuais “cenários de cauda” para o Brasil (não que este seja o cenário base). 

 

O mercado de renda variável parece estar passando por um momento em que está digerindo uma janela de IPOs, o que está impedindo que o Ibovespa siga o movimento global de alta das bolsas e o bom desempenho do BRL e do mercado de juros. 

 

Na Europa, o ECB, na figura de Mario Draghi, deu uma aula de política monetária. Ele conseguiu manter a volatilidade do mercado de juros baixa, sem movimentos relevantes entre a abertura e o fechamento. O ECB, assim, conseguiu manter as taxas de juros de mercado em níveis cerca de 20 a 30bps superiores ao que eram antes de Sintra, evitando um aperto adicional das condições financeiras, mas evitando uma reversão dos movimentos de abertura de taxa atingidos após as sinalizações recentes.

 

Contudo, por sinalizar despreocupação com a alta recente do EUR, apontando condições financeiras ainda frouxas, Draghi acabou favorecendo uma alta adicional da moeda. Acredito que esta não era sua intensão, mas os atuais níveis ainda não parecem incomodar o ECB. 

 

Nos EUA, o Jobless Claims se manteve nos níveis mais baixos da história, mostrando um mercado de trabalho extremamente robusto. Um leilão de TIPs de 10 anos apresentou a menor demanda em cerca de 9 anos, o que acabou afetando o mercado de Treasury durante a tarde. 

 

Ainda acredito que vale o meu comentário de ontem. Após os recentes dados de inflação mais baixos no mundo desenvolvido, o mercado deixou de lado a teoria do “Consenso de Sintra”, em prol de um cenário em que não há pressa para dar continuidade ao processo de normalização monetária nos países de G10.

 

Concordo que dificilmente existe espaço para um discurso por parte dos bancos centrais que cause ruptura nos mercados, na ausência de dados de inflação mais robustos. Contudo, acho difícil que os principais BCs do mundo abandonem totalmente a disposição em dar continuidade ao processo de normalização monetária, mesmo que de forma gradual, em um ambiente em que as condições financeiras apresentaram afrouxamento adicional nas últimas duas semanas, em especial nos EUA. 

 

Acho que faça sentido os bancos centrais reduzirem medidas extraordinárias como QE e seus balanços, frente a um cenário de crescimento mais robusto e com riscos de cauda reduzidos. A inflação baixa, contudo, permite que os juros se mantenham baixos e que o processo de normalização monetária caminha de forma gradual.  




Data: 20/07/2017

Brasil: Solução via imposto. Inflacionário!

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade. Destaque apenas para um leve movimento de dólar forte, especialmente contra moedas emergentes e aquelas mais dependentes de commodities. O movimento parece mais um ajuste de posições antes do ECB do que uma mudança clara de tendência.

No Brasil, os jornais de hoje estão dando como certa a implementação do PIS/Cofins em combustíveis. As matérias ainda estão desencontradas em relação a maginitude desta elevação. Contudo, ontem ventilava-se uma elevação de cerca de 10 centavos por litro. Hoje se ventila uma elevação entre 20 e 30 centavos, em busca de uma arrecadação de R$10 bilhões este ano e R$20 bilhões ano que vem. A medida teria impacto relevante na inflação de curto-prazo, mas pouco impacto sobre a política monetária. Assim, reafirmo o que escrevi na tarde de ontem:

A mídia está dando como certa o aumento de impostos de combustíveis. Acredito que a estratégia do governo seja correta, diante das dificuldades de caixa da União e de um cenário inflacionário benigno. Confesso, inclusive, que se estivesse na posição deles elevaria o imposto de forma superior ao que está sendo ventilado. O mercado já assimilou bem a alta de impostos, e o governo ganharia “gordura” de arrecadação em um momento delicado para as contas públicas.

Este é um dos motivos que vejo grande assimetria nas inflações implícitas da parte intermediária da curva. A parte curta já precifica uma inflação baixa nos próximos 18 meses, mas vejo vários cenários possíveis em que a inflação seja mais alta após este período, ou que pelo menos o mercado precifique uma inflação mais elevada à frente. Necessidade de aumento de imposto, recuperação da economia com fechamento do hiato, possíveis problemas fiscais, e etc. O ganho pode ser auferido tanto em cenários de “catástrofe”, quanto em cenários positivos, mas com necessidades de ajustes.

No Japão, como era amplamente esperado, o BoJ manteve sua política monetária inalterada, promovendo apenas algumas mudanças em seu comunicado. A medida não muda em nada o cenário para o país. Segundo o Morgan Stanley: In the quarterly Outlook Report, the BoJ lowered its median forecast for price change, mainly in FY 2017-18 (F3/18-19), versus previous levels from the April report(Exhibit 2). Downward revision margins in FY 2017-18 were on track with media reports and did not offer any new surprises. These reductions constitute mark-to-market adjustments reflecting recent sluggish inflation, and the BoJ maintains its fundamental story of a moderate upward trend in prices driven by improvements in the output gap and the rise in mid-to-long-term inflation expectations. Upward revisions of the real GDP forecast, meanwhile, show that the BoJ is becoming even more bullish about economic prospects. The +1.8% growth rate for FY 2017 (vs. +1.6% previously and our +1.6% estimate) indicates that the BoJ might be using a fairly strong value as the Apr-Jun GDP (due out on August 14) forecast.

Na China, a medida oficial de fluxo mostrou um cenário de relativa estabilidade, com fluxos levemente negativos, porém em patamares confortáveis. Segundo o mesmo Morgan Stanley: June outflows still subdued: FX-denominated outflows (adjusted for forward contract positions) edged up to US$5.3bn in June (vs. US$4.0bn in May) due to increased net outward FDI (US$2.6bn in June vs. US$0.3bn in May). On the other hand, RMB-denominated outflows eased to US$14.7bn in June (vs. US$17.1bn in May). As a result, our estimated total cross-border outflows (sum of FX settlement and RMB settlement) edged down to US$20bn in June (vs. US$21bn in May), significantly lower than the average monthly outflows of US$55bn in 4Q16.

Na Austrália, os dados de mercado de trabalho voltaram a se mostrar robustos em junho, ficando dentro das expectativas do mercado, que já eram expectativas positivas. A despeito dos números positivos, o AUD apresenta leve queda neste momento. Segundo a Goldman Sachs: On face value, Australia’s June labour market report printed in line with solid consensus forecasts (Jobs: +14k, BBG: +15k; unemployment rate: 5.6%; BBG: 5.6%), but there are several reasons we would characterize it as compositionally to the stronger side of expectations. Firstly, jobs growth was skewed to full-time positions (+62.0k), contributing to the fastest annual growth since mid-2011 in trend terms (+2.1%yoy). Secondly, annual growth in hours worked rose to its equal fastest pace since 3Q2011. Thirdly, while the unemployment rate was unchanged at 5.6%, this was on higher-than-expected rates of participation – with the participation rate rising no less than +40bp in the past 5 months. And finally, jobs growth was regionally broad-based. Overall, today's update is adding to evidence that the Australian labour market is in good health. The momentum is consistent with alternative measures of labour conditions and we note that leading indicators suggest this momentum will be sustained. 




Data: 19/07/2017

Still, "no news is good news!".

A quarta-feira foi mais um dia em que valeu a máxima de que “no news is good news”. Não há alteração no cenário que tenho descrito neste fórum nos últimos dias. Na ausência de novidades relevantes no cenário, a sazonalidade do verão no hemisfério norte, aliado a um ambiente ainda construtivo (crescimento global saudável, inflação baixa e liquidez abundante), deverá continuar favorecendo os ativos de risco.

Vale ressaltar, contudo, que os próximos 7 dias serão fundamentais. Teremos as decisões do BoJ, ECB e Fed, além da decisão do Copom no Brasil. Após os recentes dados de inflação mais baixos no mundo desenvolvido, o mercado deixou de lado a teoria do “Consenso de Sintra”, em prol de um cenário em que não há pressa para dar continuidade ao processo de normalização monetária nos países de G10.

Concordo que dificilmente existe espaço para um discurso por parte dos bancos centrais que cause ruptura nos mercados, na ausência de dados de inflação mais robustos. Contudo, acho difícil que os principais BCs do mundo abandonem totalmente a disposição em dar continuidade ao processo de normalização monetária, mesmo que de forma gradual, em um ambiente em que as condições financeiras apresentaram afrouxamento adicional nas últimas duas semanas, em especial nos EUA. 

Diante do exposto, continuo focado em temas específicos e evitando exposição direcional. O movimento do mercado não me surpreende. Me deixa incomodado, obviamente, mas não me anima em adicionar recomendações direcionais relevantes. Posição técnica e nível de preços me incomodam nos atuais níveis.

No Brasil, a mídia está dando como certa o aumento de impostos de combustíveis. Acredito que a estratégia do governo seja correta, diante das dificuldades de caixa da União e de um cenário inflacionário benigno. Confesso, inclusive, que se estivesse na posição deles elevaria o imposto de forma superior ao que está sendo ventilado. O mercado já assimilou bem a alta de impostos, e o governo ganharia “gordura” de arrecadação em um momento delicado para as contas públicas.

Este é um dos motivos que vejo grande assimetria nas inflações implícitas da parte intermediária da curva. A parte curta já precifica uma inflação baixa nos próximos 18 meses, mas vejo vários cenários possíveis em que a inflação seja mais alta após este período, ou que pelo menos o mercado precifique uma inflação mais elevada à frente. Necessidade de aumento de imposto, recuperação da economia com fechamento do hiato, possíveis problemas fiscais, e etc. O ganho pode ser auferido tanto em cenários de “catástrofe”, quanto em cenários positivos, mas com necessidades de ajustes.

Estamos em uma janela bastante ativa de IPOs e emissões de papéis de dívida corporativa. Até o momento, as emissões estão sendo bem recebidas pelo mercado.

Nos EUA, a temporada de resultados corporativos continua, com bastante divergência entre empresas e setores. A agenda legislativa segue travada, mas a Casa Branca ainda busca superar o Health Care Bill para poder dar foco a agenda econômica. No cenário atual, o mercado precifica pouquíssimos avanços em ambas as frentes.




Data: 19/07/2017

Short term, no news is good news! Long term is less obvious.

Estive fora, em um evento externo, nos últimos 2 dias. Assim, o comentário de hoje se estende um pouco.

A sazonalidade do verão no hemisfério norte continua a favorecer uma baixa liquidez e movimentos menos acentuados. Na ausência de novidades relevantes no cenário, este pano de fundo deverá prevalecer.

Na Europa, a Bloomberg traz um artigo em que especula sobre os potenciais próximos passos do ECB, cuja reunião será amanhã. Segundo o artigo:

The ECB’s Frankfurt-based staff are examining scenarios for the future path of quantitative easing ahead of a Governing Council decision that is expected to take place in September or later, according to euro-area officials familiar with the matter. The people asked not to be named as the work is confidential. The analysis doesn’t mean a stimulus change is imminent. The staff’s preliminary work, which will be refined in coming weeks, includes the announcement of a tapering path, an extension of asset purchases at a reduced pace and a combination of strategies, two of the people said. Draghi himself will have the opportunity to set the stage for the September policy meeting when he attends the Kansas Federal Reserve’s symposium in Jackson Hole, Wyoming, on August 24-26.

Não vejo pressa, neste momento, para a retirada de liquidez por parte dos bancos centrais em G10 e, assim, nenhuma ruptura de curto-prazo, principalmente devido a uma inflação corrente baixa. Contudo, acredito que este processo de normalização monetária está em andamento, e deverá prevalecer nos próximos meses. O recente afrouxamento das condições financeiras, especialmente nos EUA, deve ser um vetor importante na função de reação do Fed.

No Brasil, os jornais trazem poucas novidades relevantes. O IPO do Carrefour Brasil saiu no preço mínimo, a despeito dos rumores de uma demanda elevada. A mídia continua ventilando possíveis medidas de arrecadação, dado o cenário ainda preocupante das contas públicas. O processo de privatização das hidrelétricas pretende arrecadar R$30bi. De qualquer maneira, a meta fiscal deste ano ainda está em risco a possibilidade de aumento de impostos é real e crescente.

No que tange a política monetária, o mercado se prepara para a reunião do Copom na semana que vem. Com a inflação corrente baixa, as expectativas de inflação contidas e em queda, uma inflação prospectiva baixa (pelo menos para 2017 e 2018) e uma recuperação econômica lenta e gradual, as expectativas hoje favorecem amplamente um corte de 100bps. A dúvida, neste momento, é qual a comunicação que o BCB irá tomar após esta reunião.

De maneira geral, acredito que precisamos diferenciar o cenário para os mercados de curto-prazo, do cenário de médio e longo-prazo. No curto-prazo, temos um ambiente de crescimento saudável, inflação baixa, condições financeiras frouxas e sem nenhuma ruptura ao redor do mundo. A posição técnica se deteriora e os preços dos ativos não me parecem atrativos nos atuais níveis e com o valuation atual. De qualquer maneira, na ausência de novidades relevantes, o mercado deverá permancer em compasso de espera, o que favorece, de maneira geral, ativos de risco e ativos de “carrego” (carry), como os ativos emergentes, bonds HY, HG, FX e etc.

No médio-prazo, diria do terceiro para o quarto trimestre do ano, poderemos ter uma conjunção de vetores menos positivos. A China aperta suas condições financeiras e administra o crescimento de excessos e bolhas em setores específicos. Passo o Congresso do Partido, em outubro/novembro, poderemos observar uma desaceleração da economia. Os bancos centrais em G10 paercem determinados em normalizar sua política monetária. Uma inflação mais elevada poderia dar ímpeto a este movimento. O ECB é hoje o grande comprador marginal de bonds. Um tapering poderia ter impactos ainda não mapeados ou totalmente precificados ao redor dos mercado. Nos EUA, a agenda legislativa está travada e própria sobrevivência de Trump poderá ser questionada. Entre outros argumentos.

Assim, continuo focado em temas específicos, e com dificuldade em recomendar posições direcionais de curto-prazo em ativos de risco. Continuo favorecendo a parte curta da curva de juros no Brasil, neste momento via estruturas de opção que se favorecem da extensão do ciclo de queda da Taxa Selic, no ritmo atual de 100bps de corte, com a possibilidade de redução do ritmo para 75bps após a reunião da semana que vem. Por assimetria, gosto da inflação implícita na parte intermediária da curva. Implícitas a 42%-4,3% me parecem com baixíssimo prêmio para um cenário de Brasil de médio-prazo. Ainda mantenho recomendação tomada em juros em G10. Continuo sem visão clara direcional  em FX e/ou nas bolsas globais. Acredito que “the pain trade is up”, mas acho que a posição técnica e os níveis de preços estão pouco atrativos.

Vou finalizar este texto com comentário do estrategista de FX do Morgan Stanley, um dos mais respeitados na área:

Extreme positioning. The USD has fallen to its lowest level since September 2016. The market is now the most USD bearish since April 2009 when our positioning tracker records began, warning us not to jump on the bandwagon of universal USD weakness. Differentiation seems warranted and hence we remain confident on our bullish USDJPY strategy. Tactically, it is important that the US 10-year yield has bounced from its 2.25% 200-day MA support and Asian equity markets are turning green. Today’s US data releases, such as building permits and housing starts, are both expected to register growth after recent weakness. Markets expecting permits to come in at 2.8%M (prev -4.9%) and housing starts at 6.2%M (prev -5.5%) and strong US earnings reports should help USDJPY too. Meanwhile, the Trump administration seems to be focusing on the tax reform with proposals likely turning more concrete in early September. Our point is that US headlines can hardly turn more negative from here. Expectations have reached a low point as expressed by bearish USD positioning. From a contrarian point of view, selected USD longs seems warranted.

Trading post QE. Moving away from QE and trying to normalise central bank balance sheets should, in the long-term, run against yielding assets and cause a repricing of risk. However, consolidating central bank balance sheets must be understood within the broader context of the combined commercial and central banks' balance sheets. It is the aggregate which counts and investors should not forget what brought QE into fashion. First, it was an emergency measure aimed at stabilising bearish expectations. Second, the central bank money bump was in reaction to commercial banks reducing their own balance sheets. The aim was to stabilise the aggregate of commercial and central banks' balance sheets.

History does not repeat itself, but it does rhyme. Experience makes us wiser and hence investors and policymakers should look into the rearview mirror to avoid making the same mistake twice. The 1936/37 Fed reserve requirement increased tightened conditions too fast, pushing the economy back into recession. This experience may be taken into account when tapering followed by central banks' balance sheet reduction are ahead. Caution will prevail. Against this measured approach stands the capital misallocation risk. Experience of the NASDAQ and subprime bubbles show that capital misallocation can store significant future deflationary potential. A repeat of the creation of another capital misallocation related deflation shock should be avoided, too. DM central banks seem to have entered a challenging run prone to mistakes. Yesterday, it was the former BoE’s Blanchflower suggesting that the Fed was making a big policy error by raising rates.

US real yield has declined, pushing real yields globally lower which should work in favour of equity markets, suggesting that the EM inflow will intensify. Only a few weeks ago, it appeared that the simultaneous rise of bonds and equities – what is nowadays called the risk parity trade – was complete. Likewise, investors preferring growth relative to value and the FANG trade all seem to be back on the agenda, seeing the KRW benefiting. S&P revising Mexico’s outlook to stable from negative has added to the risk bullish tone this morning.

Reflation, reflation. Simultaneously, reflation signs have returned, not only expressed by rising breakeven rates. The commodity markets also saw industrial material prices breaking higher. China’s steel price has recovered losses seen from its March high, iron ore has marched higher once again, and the outperformance of the CSI 300 is due to China’s material stocks pressing higher. It is only oil which continues to lag the trend as it deals with persistent signs of overcapacity. Overnight, Ecuador became the first OPEC member to publicly defy the cartel's agreed-upon production caps. While the country's increased output should not affect prices, as the amount it agreed to cut is very small compared to the size of global oil consumption, the move may prompt other small OPEC nations to follow suit which, in combination with rising North American shale energy supply, should keep oil offered relative to other commodities. 




Data: 19/07/2017

 "The pain trade is up!"

O dia foi de poucas novidades para o cenário econômico.

No cenário externo, a indefinição da agenda legislativa nos EUA favoreceu mais uma rodada de fechamento de taxas de juros e queda do dólar. O mercado de renda variável passa pela temporada de resultados, o que está promovendo uma forte rotação entre setores e empresas, com os índices de bolsa mantendo-se nos picos históricos. 

Assim, as condições financeiras não apenas se mantém frouxas, como apresentam afrouxamento adicional. Acredito que o Fed não está se sentindo confortável com este pano de fundo.

No Brasil, com o cenário político mais calmo, e a situação cíclica da economia bem definida, os ativos locais estão seguindo o humor global a risco. A perspectiva de cortes adicionais da taxa selic ajudam a ancorar a curva de juros.

Na ausência de novidades relevantes, este ambiente deverá prevalecer neste período de sazonalidade favorável. Eu continuo mantendo o foco em temas específicos, vendo os níveis atuais dos ativos de risco com cautela, mas entendendo que o pano de fundo favorece a continuidade das tendências recentes no curto-prazo. Vejo, no geral, assimetrias de risco muito menores em posições "compradas em ativos de risco" mas o "pain trade" ainda é de valorização dos mercados.




Data: 18/07/2017

Update.

Estou com acesso limitado ao computador, mas segue um resumo da noite.

O destaque da noite ficou por conta das Minutas do RBA na Australia. O documento foi lido como mais hawkish do que as expectativas, o que está dando forte suporte ao AUD e as demais moedas de G10. As Minutas são mais um sinal claro de conforto dos BCs desenvolvidos com o cenário corrente de crescimento, e um desconforto com as condições financeiras frouxas.

Na Inglaterra, o CPI de junho ficou bem abaixo das expectativas, também seguindo uma tendência global nos últimos dias. O número de hoje reduz a urgência de ajustes de curto-prazo, ou de qualquer processo de ruptura proveniente deste vetor (inflação/juros).

Nos EUA, à mídia está reportando que o Congresso irá abandonar a nova proposta para o Health Care Bill. Assim, o quadro político seguirá paralisado, e as expectativas de reformas econômicas devem continuar baixas, como já estão nos atuais níveis de preço.

Na China, os dados de preços dos imóveis foram positivos em junho. O Governo continua sua batalha em prol da redução da alavancagem da economia. Agora, estão lutando por uma redução dos retornos dos WMP, produto muito difundido e popular no país.

No Brasil, com o recesso político, a mídia da atenção para algumas questões econômicas.

A segunda rodada de repatriação está surpreendendo negativamente as expectativas. O Congresso aprovou a LDO com uma flexibilização do Teto dos Gastos. Do lado positivo, o IPO do Carrefour Brasil está com demanda forte, de 2x a oferta.

Sem novidades relevantes no cenário, deveremos continuar com baixa liquidez e a continuidade dos movimentos recentes.




Data: 17/07/2017

China: Dados positivos. PBoC mais hawkish.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade. O destaque da noite ficou por conta dos dados econômicos de junho na China. Os números mostraram uma economia ainda robusta, com crescimento acima das expectativas do mercado. O PIB do 2H, por exemplo, apresentou alta de 6,9% YoY, acima das expectativas de 6,8% YoY. Os dados de produção industrial, vendas no varejo e fixed asset investment, apresentaram expansão superiores às expectativas.

Por um lado, os números de hoje reafirmam um cenário de crescimento sólido e saudável, não apenas da economia chinesa, mas de toda a economia global. Contudo, por outro lado, os números de hoje abrem espaço para os policy makers chineses manterem uma política monetária e fiscal mais apertadas, visando administrar o eventual surgimento de excessos e bolhas na economia. Nesta frente, a National Financial Work Conference realizada ao longo deste final de semana manteve um tom mais hawkish que já vem sendo regra nos últimos meses. Segundo o Morgan Stanley:

Bottom line: The latest National Financial Work Conference, chaired by President Xi, confirms continued policy focus on reining in leverage and financial risks, including a pledge to continue with economic deleveraging (particularly in SOEs), and establishing a Financial Stability Development Committee to enhance policy coordination and close regulatory loopholes. We think it indicates that policymakers will maintain a hawkish bias on regulatory requirements and keep monetary conditions relatively tight to slow broad credit growth.

Highlights of the conference: The conference (held every five years) sets the key reform and regulatory framework for China’s financial industry. The past four had a special role in boosting financial developments over the past 20 years, such as establishing AMCs and recapitalization of the big four banks in 1997, creating a banking regulator and shareholding reforms for state-owned banks in 2002, promoting bond financing and launching a sovereign wealth fund in 2007, and further liberalizing the capital account in 2012 (Exhibit 1). However, during the latest (held on July 14-15), the focus has shifted from boosting developments to reining in financial risks and leverage. Whereas the Premier chaired the past four conferences, the President chaired the latest one, suggesting that top leaders have put a higher priority on risk management in the financial system.

The three key tasks listed by President Xi are to make the financial sector serve the real economy better, contain financial risks, and deepen financial reforms.

No Brasil, os jornais do final de semana trouxeram pouquíssimas novidades relevantes. 




Data: 14/07/2017

EUA: Inflação baixa, crescimento OK, Fed sem pressa = Risk On!

O “Consenso de Sintra” parece ter ficado para trás. Da mesma maneira rápida e inesperada com que atingiu os mercados financeiros globais, ele perdeu validade, pelo menos no curto-prazo.

A bateria de números econômicos divulgados hoje nos EUA mostrou um quadro de crescimento abaixo do esperado, com uma inflação que ainda surpreende para baixo, sem sinais consistentes de aceleração. As vendas no varejo apresentaram quedas, abaixo das expectativas de elevação. A produção industrial surpreendeu levemente para cima, enquanto o Michican Confidence caiu marginalmente, mas com as expectativas de inflação apresentando elevação.

A sazonalidade do verão no hemisfério norte, aliada a aparente ausência de riscos no curto-prazo está favorecendo um cenário de “risk-on” clássico. Este pano de fundo deverá se manter, até que alguma novidade relevante apareça no cenário.

Eu não acredito que os bancos centrais nas principais economias do mundo tenham abandonado a disposição em dar continuidade ao processo de normalização monetária, mas os dados recentes, em especial nos EUA, reduzem os “riscos de cauda” de um processo de ruptura ao longo do caminho.

No Brasil, o IBC-Br apresentou queda de 0,5% MoM, abaixo das expectativas de alta de 0,2% MoM. O número apenas confirma um cenário de crescimento fragilizado. Ainda trabalhamos com um processo de estabilização do crescimento, com uma recuperação extremamente lenta e gradual da economia.

Seguimos em um cenário cíclico favorável, com inflação extremamente baixa, expectativas de inflação contidas e perspectivas de cortes de juros. O crescimento mostra sinais de estabilização, mesmo que sem sinais claros de recuperação sustentável. As contas externas estão tranquilas, mas o fiscal ainda preocupa. O quadro político deverá oscilar entre momentos de euforia e momentos de maior preocupação.

O pano de fundo global, aliado aos avanços positivos conquistados na agenda econômica e política, estão ajudando o bom desempenho dos ativos locais. Tenho afirmado que não vejo grandes assimetrias nos mercados de BRL, Renda Variável e Juros Longos. Minha visão de curto-prazo se mostrou errada, pois o alinhamento dos vetores locais e externos está ajudando a dar ímpeto aos movimentos positivos de todos os ativos locais.

Continuo optando por manter recomendações e alocações mais neutras e menos direcionais, focada em temas específicos. No Brasil, ainda gosto de exposição a parte curta da curva de juros e da compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. Não tenho um cenário claro para o BRL. Ainda acredito que ele se manterá em um grande “range” no curto-prazo, talvez entre 3,1-3,3. Estou sem visão direcional no Ibovespa. No cenário externo, tenho pouca visibilidade no mercado global de FX, mas ainda gosto de posições tomadas em taxas de juros em alguns países de G10, administrando tamanho e instrumentos. 




Data: 14/07/2017

Agenda do dia será determinante.

Os ativos de risco estão operando a espera do Core CPI, do Retail Sales e do Michigan Confidence nos EUA. A agenda de hoje será extremamente importante para a dinâmica de curto-prazo dos mercados financeiros globais.

De maneira simples, acredito que mais um Core CPI baixo, diria abaixo de 0,2% MoM, dará a impressão de uma inflação inexistente, o que permite ao Fed ser ainda mais gradual em seu processo de normalização monetária. Com o crescimento saudável e o mercado de trabalho robusto, deveremos ficar diante de mais uma rodada de busca por ativos de risco, no que ficou conhecido como “risk-on”.

Um número um pouco mais “parrudo” de Core CPI, digamos acima de 0,2% MoM, poderá confirmar a visão do Fed de que o arrefecimento recente da inflação é temporário, e o cenário de elevação gradual dos índices de preço ainda é válido. Neste ambiente, o mercado irá lembrar que existe um consenso no G10 de que a política monetária precisa ser gradualmente normalizada. Assim, poderem observar uma nova rodada de abertura de taxas de juros que, dependendo da velocidade e da magnitude, poderá ter impactos relevantes sobre os ativos de risco como um todo.

No Brasil, o “clima” mudou bastante ao longo da semana. Além de um pano de fundo externo mais positivo para os mercados emergentes, o Governo conseguiu vitórias importantes, que colocam Temer de volta ao “jogo político”. A Reforma Trabalhista foi aprovada por um placar elástico, Lula foi condenado em primeira instância, Gedel Viera Lima, grande aliado de Temer, teve sua prisão “relaxada” para domiciliar e, agora, o relatório a favor da denuncia de Temer foi derrotado na CCJ.

Em suma, a despeito de todos os ruídos políticos, a pauta econômica avança. Os passos são naturalmente mais lentos do que anteriormente, mas a equipe econômica continua trabalhando e firme em sua função. Além disso, o Governo mostrou novos sinais de articulação política ao longo dos últimos dias.

Continuo favorecendo os temas de normalização monetária no G10, mas sabendo que a agenda de hoje poderá ser determinante para o curto-prazo. Precisamos estar preparados para ajustar tamanhos e instrumentos da posição após os dados desta manhã. No Brasil, nos atuais níveis, continuo confortável com a recomendação ao tema de cortes adicionais da Taxa Selic, que deveriam se reverter em taxas curtas mais baixas. Não vejo grandes assimetrias no BRL e Ibovespa nos atuais níveis.




Data: 13/07/2017

Crescimento global segue positivo. Números robustos na China.

O destaque da noite ficou por conta dos dados de exportação e importação da China. Os números ficaram acima das expectativas do mercado, mostrando expansão das contas externas e uma economia que ainda cresce a taxas robustas e saudáveis. Os números divulgados hoje confirmam um cenário positivo para o crescimento global e para a economia da China como um todo. Abaixo, cortesia do Morgan Stanley, seguem os detalhes da divulgação:

Exports growth picked up to 11.3% YoY in June (vs. a downwardly revised 8.3% in May; Consensus: 8.9%; MSe: 8.8%) on a broad basis, led by DM demand and higher value-added manufactured exports. This brings H1 growth to 8.5% YoY, on track to reach our estimated 9% growth for the full year. Meanwhile, imports growth rose for the second consecutive month to 17.2% YoY in June (vs. downwardly revised 14.5% in May; Consensus: 14.5%; MSe: 14.4%). While stronger external demand has boosted processing imports, domestic demand has likely held steady, reflected by stronger ordinary goods import growth. As a result, the trade surplus edged up to US$42.8bn in June from US$40.5bn in May.

No Brasil, a mídia continua dando atenção ao anuncio de condenação ao ex-presidente Lula, divulgada na tarde de ontem, em primeira instância, pelo juiz Sergio Moro. No campo político, o presidente Michel Temer ainda luta pela sua permanência no cargo, mas não há novidades relevantes nesta frente.

A agenda do dia será importante, com Jobless Claims, PPI e Retail Sales nos EUA. 

Acho válido voltar um pouco no tema do discurso de Yellen ontem, que acabou sendo interpretado como dovish pelo mercado, dando ímpeto a um forte movimento de “risk-on” ao redor do mundo. O Morgan Stanley fez uma análise um pouco diferente do discurso, mostrando que Yellen tentou ser o mais neutro possível em relação aos sinais recentes, mas acabou sendo interpretada de forma diferente. Abaixo, segue a análise do Morgan Stanley:

Treasuries posted good 7-year-led gains Wednesday, and another rate hike this year was priced down to 50/50 after a surprisingly strong reaction to prepared testimony from Fed Chair Yellen that was short and seemingly deliberately bland in sending no new messages about the policy or economic outlook that weren't reiterations of the June FOMC statement and press conference and FOMC minutes released last week. Indeed, particular areas of the testimony headline writers and investors seemed to be keying in on, including saying inflation was only "partly" depressed by transitory factors and the current neutral real fed funds is not far from current levels, were repeated almost directly from the minutes and press conference. The testimony noted that it "appears that the recent lower readings on inflation are partly the result of a few unusual reductions in certain categories of prices"; last week, the minutes said "inflation was running somewhat below the Committee's 2 percent objective in April, partly because of factors that appeared to be transitory." Her observations in the testimony on the path to a neutral policy setting were directly repeated from her June press conference (and many other similar comments over the years). Testimony: "Because the neutral rate is currently quite low by historical standards, the federal funds rate would not have to rise all that much further to get to a neutral policy stance. But because we also anticipate that the factors that are currently holding down the neutral rate will diminish somewhat over time, additional gradual rate hikes are likely to be appropriate over the next few years to sustain the economic expansion and return inflation to our 2 percent goal." Press conference: "Because the neutral rate is currently quite low by historical standards, the federal funds rate would not have to rise all that much further to get to a neutral policy stance. But because we also expect the neutral level of the federal funds rate to rise somewhat over time, additional gradual rate hikes are likely to be appropriate over the next few years to sustain the economic expansion."

There were some notable comments from Chair Yellen in response to questions but nothing really surprising. Raising the inflation target is "not a subject of discussion" for the Fed. "Special factors partly account" for recent weakness in inflation after core PCE reached as high as 1.8% and headline nearly 2% early in the year, it's "premature to reach the judgement that we're not on the path to 2% inflation over the next couple of years," and it remains "prudent" to continue removing policy accommodation "as long as our forecast is that we're heading back to 2%." But "there could be more going on there" with recent inflation weakness than just "transitory" factors, so the Fed will "watch very carefully," and inflation developments "will be a factor in our future decisions about rate increases." First up before the next rate hike is likely to be announcement of balance sheet reduction, which she expects "relatively soon," but the "exact timing of this I don't think matters a great deal." On financial conditions and asset prices, she said she's "not trying to opine on whether they're correct" but is focused on whether losses would have important risks of broader spillovers to financial stability, which she said she doesn't see as a serious concern.

If the near word-for-word repeats of policy and economic guidance from prior Fed communications were intended by Fed Chair Yellen to send no new signals, it didn't work. The 5-year yield opened slightly lower and dropped another 5 bp between the 8:30 release of the testimony and the 9:00 intraday low, only partially reversed into the start of the actual hearing at 10:00, didn't move much during the hearing, but then saw a bit more unwind after a half bp tail at the 10-year auction. Result at the 3:00 close was a 3 to 4 bp rally on the day, with the 2-year yield down 3 bp to 1.35%, 3-year 3 bp to 1.54%, 5-year 4 bp to 1.88%, 7-year 4 bp to 2.14%, 10-year 3.5 bp to 2.33%, and 30-year 3 bp to 2.89%. Our desk saw good macro-led buying in the belly of the Treasury curve and receiving in swaps that seemed to be short covering to a significant extent.




Data: 12/07/2017

Risk On!

O dia foi de forte desempenho dos ativos de risco. 

No cenário externo, o discurso de Yellen, já comentado mais cedo (copio o texto abaixo), dirimiu os riscos de uma retirada mais rápida e coordenada de liquidez global no curto-prazo. Continuo vendo espaço para um ajuste da curva longa de juros nos EUA, mas entendo que o mercado irá demandar números que confirmem o cenário atual mas, em especial, apontem para uma inflação mais elevada. Nesta linha, o Core CPI de sexta-feira ganha importância redobrada.

A despeito dos movimentos recentes, ainda acredito que o tema de normalização monetária no mundo desenvolvido será o grande destaque dos próximos meses. Este cenário não implica necessariamente em uma guinada nos ativos de risco, mas em alguns ajustes de preços ao longo do tempo. Exceto por uma mudança no cenário econômico, nos dados de curto-prazo, ainda dou um peso relevante a recente mudança de discurso dos BCs ao redor do mundo. Assim, mantenho recomendação de tomar taxas de juros nos EUA, nos vértices mais longos, administrando o tamanho e os instrumentos para tal. Utilizamos o movimento recente para reforçar essa recomendação. Reavaliaremos a posição após os dados de inflação.

No Brasil, o cenário de hoje parece o inverso daquele observado no final da semana passada. O Governo conseguiu uma importante vitória na Reforma Trabalhista. A situação de Temer parece um pouco mais tranquila (mesmo que não totalmente resolvida) após intensas articulações políticas e, na tarde hoje, o juiz Sergio Moro proferiu sentença condenando o ex-presidente Lula no que ficou conhecido como o “Caso do Triplex”.

A condenação em primeira instância é apenas um passo no processo jurídico. Para que Lula se torne inelegível nas próximas eleições presidenciais, a segunda instância precisará condena-lo até a data limite de indicação dos candidatos. Esta data será no meio de agosto.

Os ativos locais reagiram de forma bastante positiva à decisão. O mercado vê uma condenação de Lula como reduzindo suas chances de se eleger presidente novamente. Dado o perfil de esquerda das políticas econômicas propostas pelo PT, a redução da probabilidade de reeleição é vista como reduzindo as chances de medidas heterodoxas e populistas, que são vistas como negativas pelos investidores.

Continuo vendo o tema de redução mais agressiva da Taxa Selic como o cenário de maior convicção, com os preços ainda atrativos, no Brasil. Diante das diversas incertezas do cenário local e externo, tenho pouca convicção nos demais ativos locais. Mantenho recomendação à parte curta da curva de juros, majoritariamente via estruturas de opção, buscado um ciclo de queda da Taxa Selic superior ao que está precificado. Combinamos essa recomendação com posições tomadas na inflação implícita na parte intermediária da curva. Nos atuais níveis de preço, vejo pouca assimetria no BRL e nos vértices mais longos da curva da curva de juros. Contudo, se o cenário externo se mantiver tranquilo, não podemos descartar a continuidade da boa performance dos ativos locais durante a sazonalidade do verão no hemisfério norte.

As vendas no varejo de maio ficaram abaixo das expectativas do mercado, confirmando o cenário de que a recuperação será extremamente lenta e gradual.  Segue comentário da nossa área econômica:

As vendas no varejo vieram piores que as expectativas de mercado (restrito: -0,1%m/m dessaz vs. BBG: +0,3%m/m dessaz e 2,4%a/a vs. BBG: 3%a/a / ampliado: -0,7%m/m dessaz vs. BBG: +0,2%m/m dessaz e +4,5%a/a vs. BBG: +6,1%a/a). Depois das mudanças metodológicas no começo do ano houve uma mudança de nível das séries do varejo (isto significou maiores variações ano/ano nos meses recentes). O consumo apresentou um bom desempenho no mês na variação ano/ano (0,9%). Mantemos nosso cenário de atividade inalterado após a divulgação da PMC. Trabalhamos com uma queda de 0,3%t/t dessaz no segundo trimestre.




Data: 12/07/2017

Yellen, Reforma Trabalhista e China.

Os ativos de risco estão mostrando uma certa estabilização em relação as tendências recentes. Neste momento, observamos um fechamento de taxas de juros no mundo desenvolvido, as bolsas apresentam elevação na Europa e estabilidade nos EUA. O dólar opera praticamente estável, mas as commodities apresentam alta generalizada, lideradas pelo petróleo.

A agenda do dia terá o discurso de Yellen como destaque nos EUA. Espero que ela mantenha o tom dos discursos recentes do Fed e das Minutas do FOMC. Assim, devemos esperar a sinalização para uma redução do balanço da instituição, em breve, e para a continuidade de um processo gradual de alta de juros. Yellen deve mostrar certo otimismo com a retomada da economia, dizer que estão acompanhando de perto o arrefecimento recente da inflação, mas acreditam que fatores pontuais estejam segurando os preços no curto-prazo. Uma tendência de alta gradual dos índices de preço deverá ser retomada mais cedo ou mais tarde.

A Bloomberg reportou na noite de ontem que Gary Cohn deverá ser indicado para o cargo de Presidente do Fed pelo Presidente Americano. Cohn era um executivo de alta patente do banco Goldman Sachs. Seu perfil é um perfil executivo e de mercado, e não um perfil teórico e acadêmico, como nos últimos anos (talvez nas últimas décadas) foi favorecido em cargos de diretoria do Fed. A mudança de perfil seria bastante relevante, mas o mercado precisará de tempo para digerir esta notícia. 

No Brasil, a Reforma Trabalhista foi aprovada. A vitória do governo era esperada, mas o placar da decisão foi mais elástico, mais favorável ao governo do que se previa anteriormente. A decisão do senado era de certa forma esperada. O placar ainda mostra um certo controle do governo e do PMDB em assuntos chave para a economia. Contudo, vale lembrar que a Reforma Trabalhista sempre foi vista como um tema de aprovação mais fácil, especialmente no Senado, em que os interesses empresariais tem um poder de articulação maior. Em suma, Temer e Cia conseguem uma vitória importante, porém esperada. Temer deverá conseguir respirar um pouco no curto-prazo, mas sua situação deverá continuar delicada.

Na China, os números de agregados monetários ficaram levemente acima das expectativas, mas nos níveis mais baixos deste ciclo econômico. Os números mostram que o governo continua em um processo de aperto das condições monetárias, visando administrar o risco de bolhas em setores específicos. Contudo, este processo deverá ser bastante gradual, na tentativa de evitar “paradas súbitas” da economia.




Data: 12/07/2017

Update.

Estive ausente da mesa durante o dia, visitando alguns clientes, mas acho válido comentar alguns desenvolvimentos desta terça-feira:

Brasil – O dia foi marcado por uma relevante alta do Ibovespa. O dólar apresentou leve apreciação e o mercado de juros pequeno fechamento de taxa. Acredito que o quadro técnico do mercado esteja ajudando a dinâmica de curto-prazo. Na bolsa, em especial, uma classe de ativo que poucos investidores detém, e muitos já apresentam posições “vendidas”/negativas, por exemplo, está surpreendendo positivamente nos últimos dias, na ausência de notícias adicionais que possam gerar ruptura do cenário local e/ou externo.

O bom desempenho nominal e relativo dos ativos locais, se comparados a seus pares, nos últimos dias, está, sem dúvida, me surpreendendo. Vejo sinais mais preocupantes de curto-prazo que justificam posições mais cautelosas. Mantenho recomendação para posições na parte curta da curva de juros, neste momento concentrada em estruturas de opção, e compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. Acredito que o dólar (BRL) deverá se manter em um range em torno de 3,20-3,30 no curto-prazo, mas meu viés é um pouco mais negativo no médio-prazo, por questões locais e externas.

Não houve mudança no quadro econômico. No quadro político, estamos a espera da votação da Reforma Trabalhista no Senado e do andamento do inquérito relacionado ao presidente Temer na CCJ. Acredito que o mercado espera a aprovação da Reforma Trabalhista. A derrota do Governo seria uma surpresa negativa. Quanto ao Presidente, a situação é delicada e indefinida. Acho que seja indiferente para o mercado se o Presidente será Temer ou Rodrigo Maia, enquanto a equipe econômica continuar como está. Se houver qualquer risco de mudança da equipe econômica, e da direção da política econômica, podemos entrar em uma dinâmica explosiva (negativamente falando).

EUA – O dia foi marcado pela divulgação dos e-mails do filho do Presidente Trump. Neles, Trump Jr. troca mensagens em busca de um “dossiê” que poderia deixar a imagem de Hillary Clinton abalada. O intermediário deste “dossiê” seria uma advogada russa, que trabalharia em nome do governo russo.

Sem entrar em muitos detalhes, o evento de hoje é mais uma “lambança” da atual administração. De maneira geral, este tipo de evento reduz a probabilidade de andamento das reformas econômicas, fiscais e estruturais prometidas por Trump e Cia.

Acredito, contudo, que após os eventos do início do ano, o mercado coloque muito pouco das reformas nos atuais preços dos ativos dos EUA. Assim, o cenário econômico, ou seja, os dados, devem continuar mais importantes do que um ambiente político de maior incerteza.

Fed – Membros do Fed voltaram a sinalizar para a redução do balanço da instituição, que poderá ocorrer “em breve”. Em relação a alta de juros, contudo, há sinalização é de que muitos gostariam de ver sinais mais claros de aceleração dos índices de preço antes de dar continuidade ao processo de alta de juros. De qualquer maneira, a curva curta precifica um cenário extremamente gradual de alta nos Fed Funds, com cerca de 50% de probabilidade de mais uma alta de 25bps este ano e cerca de 2 altas de 25bps até o final de 2018.

Petróleo – O dia foi de forte alta da commodity, após dados positivos de estoques (queda de estoques). De maneira geral, o Petróleo segue em um range de $40-$50, com volatilidade elevada dentro desta banda. Nestes níveis, a despeito da vol de curto-prazo, o petróleo deverá ter pouco impacto sobre o quadro econômico e a política monetária das principais economias do mundo.

China – O país está no meio de um processo para desalavancar a economia e alguns setores. Me espanta a matéria abaixo do WSJ, que narra como um dos maiores conglomerados do país vendeu parte de seus ativos – suspeita-se que por pressão do governo – mais irá financiar grande parte da venda para o comprador!




Data: 10/07/2017

Consolidação. Cenário inalterado.

Os ativos de risco estão dando sinais mistos esta manhã. As taxas de juros nos EUA apresentam leve fechamento de taxa, em um movimento clássico de consolidação, após uma abertura rápida e acentuada nas últimas 2 semanas. Este movimento está ajudando a dar um tom mais positivo para os demais ativos de risco mas, em especial, as moedas e os ativos emergentes em geral. As commodoties continuam mostrando direções opostas, com as agrícolas apresentando nova rodada de alta e as metálicas ainda sobre pressão. Em geral, as bolsas globais operam em alta neste momento.

Não vejo grandes mudanças de cenário nos últimos dias. Assim, mantenho minhas recomendações em torno de dois temas principais. Primeiro, para o processo de normalização monetária no mundo desenvolvido. Neste caso, acredito que o risco deva ser concentrado em posições tomadas em taxas de juros em G10. A despeito da alta das vols implícitas nas últimas semanas, os níveis ainda parecem atrativos para adicionar posições utilizando este instrumento. Além disso, acho válido posições menores e mais pontuais em alguns pares de moedas. Estou, neste momento, favorecendo [venda de AUD + compra de vol]. Segundo, a despeito dos ruídos recentes no Brasil, ainda vejo espaço para o fechamento das taxas curtas de juros. Acho válido mesclar a posições com alguns hedges, tais como compra de inflação implícita na parte intermediária da curva e estruturas altistas de dólar (venda de BRL).

No Brasil, as notícias do final de semana talvez tenham sido mais mistas do que as expectativas no final da sexta-feira, que haviam se tornado bastante nebulosas/negativas. Ainda vejo sinais inequívocos de deterioração da situação corrente (vide comentário abaixo de sábado pela manhã), mas talvez o processo de deterioração ainda não tenha chegado a um ponto de ruptura. 

A “queda de braço” ente um quadro cíclico positivo (inflação cadente, estabilização do crescimento, contas externas tranquilas e queda das taxas de juros) e perspectivas estruturais e políticas nebulosas (dívida/PIB crescente, contas públicas negativas, crise políticas), deve continuar mantendo os ativos locais dentro de alguns ranges, sem tendências claras de curto-prazo.

No cenário externo, a reunião do G20, trouxe poucas novidades, exceto por confirmar uma postura vista como pouca produtiva pela nova administração dos EUA.

Na China, o CPI e o PPI ficaram estáveis em junho, levemente abaixo das expectativas. Não há sinais claros de problemas inflacionários no país, mas o PBoC deverá manter uma postura apertada em termos fiscais e monetárias visando evitar excessos na economia e em setores específicos. Vejam abaixo os detalhes do número, cortesia do Citibank:

CPI unchanged at 1.5%YoY — Jun CPI came in slightly lower than market/our estimates (Citi/Cons: 1.6%YoY). 2Q average CPI inflation remained flat at 1.4%YoY.

Sequentially, headline CPI inflation further fell from -0.1% MoM to -0.2%MoM in June. Specifically, food prices fell 1% MoM, non-food prices rose 0.1%MoM and services inflation increased 0.3%MoM.

Food price disinflation continued but moderated from -1.6%YoY in May to -1.2% YoY in Jun. Within food, disinflation in pork and egg continued, at -16.7%YoY and -9.3%YoY (vs. -12.8%YoY and -14.4%YoY in May). These items dragged overall CPI down 0.56ppt. Vegetable prices reversed from -6.3% YoY in May to 5.8%YoY in Jun and fruit prices rose 9.9%YoY, off a low year-ago base.

Non-food inflation slowed to 2.2%YoY, influenced likely by oil price changes. Specifically, the inflation of transportation, healthcare & medical services decelerated by 1ppt and -0.2 ppt to 0.1%YoY and 5.7%YoY respectively.

Service price inflation inched up to 3%YoY in June.

PPI steadies at 5.5%YoY — Negative MoM growth continued, at -0.2% vs. -0.3% in May. In 2Q, average PPI slowed to 5.8%YoY from 7.4%YoY in 1Q. Capital-goods inflation stayed at 7.3%YoY. By industry, goods price increases in raw materials and mining & quarrying slowed to 10%YoY and 18.3%YoY from 11.1%YoY and 22.7% YoY in May. Manufacturing goods price increase rose from 4.6%YoY to 5.4%YoY.

A situação corrente do Brasil parece ter se deteriorado bastante nos últimos dias. Vejamos:

- O Governo Temer parece passar por seu pior momento, com o seu apoio se esvaindo a cada novo dia, segundo a cobertura da mídia e de analistas políticos. 

- Rodrigo Maia é o nome mais cotado para uma eventual sucessão, mas a revista Veja de hoje traz reportagem dizendo que o atual presidente da Câmara será citado em uma possível (e, de acordo com a mídia, provável) delação premiada de Eduardo Cunha. Vale lembrar que Maia já é investigado em outros inquéritos relativos a Lava-Jato.

- Neste ínterim, o atual (e novo) presidente do BNDES deu declarações contrárias a TLP, avanço imenso apresentado pela atual equipe econômica à atuação do BNDES no “crédito subsidiado”. Sua postura acabou levando ao pedido de demissão de dois diretores da instituição, ambos vistos como economistas ortodoxos e profissionais alinhados com o mercado.

- A Folha de SP de hoje retornou o tema da possível delação de Palocci e afirma que o ex-ministro da fazenda iria acusar o seu sucessor de entregar informações sigilosas ou privilegiadas ao sistema financeiro nacional.

- No cenário externo, um ambiente que até pouco tempo atrás era visto como construtivo, mostra que poderá tomar um caminho ainda sem rupturas, mas em direção a uma menor liquidez global. O Brasil foi um dos países que mais se favoreceu da ampla liquidez global desde a crise de 2008. É natural esperar alguma reação quando, e se, este processo de normalização comece de fato.

Em termos gerais, temos alguns componentes mais negativos no curto-prazo, que ainda se confrontam com um quadro cíclico mais positivo da economia, com inflação baixa, corte de taxas de juros, recuperação (ou estabilização) do crescimento e contas externas tranquilas.

O quadro fiscal ainda é um problema grande e crescente. À medida as perspectivas de reformas estruturais de esvaziam, crescem os riscos de longo-prazo para o país, tornando-o mais frágil a qualquer mudança de curto-prazo do cenário externo ou das demais variáveis.

Assim, mantenho uma recomendação levemente mais negativa para o curto-prazo. A exposição à parte curta da curva de juros foi integralmente trocada por estruturas de opção. Mantemos pequena exposição comprada em dólar via estruturas de opção. Ainda achamos haver uma assimetria grande na inflação implícita da parte intermediária da curva, onde a maior parte da alocação a risco está concentrada no momento. 




Data: 07/07/2017

Update

EUA – Os dados de emprego divulgados há pouco em nada alteram a recente comunicação do Fed e, consequentemente, em nada alteram a as perspectivas para a política monetária do país. 

O Fed mudou de postura. Nos atuais níveis de emprego, não importando volatilidades pontuais dos dados econômicos, eles pretendem manter a normalização monetária em “piloto automático”. Nesta linha, os dados de hoje apenas reforçam a visão central do comitê, mesmo que os dados de rendimento tenham ficado abaixo das expectativas. O Fed está olhando o cenário prospectivo como positivo, e vendo a atual conjuntura como favorável a continuidade do processo de alta, mesmo que gradual, da inflação. Suas ações serão, por ora, guiadas por este cenário, e os números de hoje reforçam este ambiente.

A reação de curto-prazo do mercado pode ser guiada por ajustes de posições, após uma rodada recente de alta de taxas de juros, pressão nas commodities e etc. Não acredito que os números de hoje sejam capazes de alterar as tendências que tenho sinalizado neste fórum recentemente.

Brasil – O IPCA de junho ficou levemente abaixo das expectativas, confirmando um quadro de forte desinflação. O Presidente do BCB concedeu entrevista ontem a Miriam Leitão e suas declarações foram condizentes com a continuidade do ciclo de queda da Taxa Selic, de forma ainda acelerada. A curva de juros não precifica este cenário e ainda apresenta um prêmio de risco (de alta de juros) relevante para o ano de 2018.

O quadro político segue instável, mas na ausência de mudanças na equipe econômica pouco deve alterar o cenário para a política monetária e/ou para a curva curta de juros.




Data: 07/07/2017

Brasil: A mídia afirma que a situação de Temer chegou ao insustentável.

 

Os ativos de risco estão operando a espera dos dados de emprego nos EUA, a serem divulgados na manhã de hoje. Destaque para mais uma rodada de forte queda no preço do petróleo, que está levando consigo o demais complexo de commodities, em especial as metálicas não preciosas. 

 

Em relação aos dados que serão divulgados hoje, reforço minha visão de que os dados de emprego de junho a serem divulgados hoje serão esmiuçados no detalhe. Acredito que mais importante do que o headline do Payroll ou da Taxa de Desemprego, será importante entender os movimentos do Average Hourly Earnings. Um número mais sólido/robusto, poderá acentuar as tendências recentes. Apenas um número excepcionalmente fraco será capaz de reverter os movimentos dos últimos dias. Assim, vejo uma certa assimetria, com o mercado mais sensível a dados mais fortes. 

 

No Brasil, os jornais de hoje estão reportando que a situação do Presidente Temer parece ter ficado insustentável e sua queda é apenas uma questão de tempo. Rodrigo Maia será o nome mais cotado para sua substituição. Além da queda de Temer, existe reportagem mostrando que a contagem para a Reforma Trabalhista ficou mais apertada e hoje o governo venceria por apenas 1 voto. 

 

Confesso que já há algum tempo não tenho convicção de qual seria o melhor cenário político para o avanço (ou não) das reformas econômicas e para os preços de mercado, se com a permanência de um Governo Temer claramente enfraquecido, ou com sua substituição, cujo nome ainda não existe ou poderá ser tão fraco quanto à situação da atual administração. 

 

Assim, tenho mantido um viés de acreditar que o quadro cíclico da economia pouco se altera em qualquer dos cenários, exceto por mudanças drásticas de direção da política e da equipe econômica.

 

De maneira geral, mantenho meu cenário base inalterado. Os ativos de risco continuam reagindo à possibilidade de menor liquidez global de agora em diante. A dinâmica do mercado tem muito mais a ver com a posição técnica e estas perspectivas, do que com o cenário econômico de curto-prazo, que segue relativamente inalterado. 

 

Espero que esta dinâmica continue, até que os ativos de risco encontrem um novo ponto de equilíbrio, seja por preço, por posição técnica e/ou por mudança de cenário. Por ora, podemos esperar mais volatilidade e, possivelmente, mais movimentos como os de hoje. 

 

Finalizo aqui com um trecho de um texto postado ontem por Ray Dalio, um dos mais influentes gestores da atualidade: 

 

Central bankers have clearly and understandably told us that henceforth those flows from their punch bowls will be tapered rather than increased—i.e., that the directions of policy are reversing so we are at a) the end of that nine-year era of continuous pressings down on interest rates and pushing out of money that created the liquidity-fueled moves in the economies and markets, and b) the beginning of the late-cycle phase of the business/short-term debt cycle, in which central bankers try to tighten at paces that are exactly right in order to keep growth and inflation neither too hot nor too cold, until they don’t get it right and we have our next downturn. Recognizing that, our responsibility now is to keep dancing but closer to the exit and with a sharp eye on the tea leaves. 

 

As you know, looking ahead, we don’t project a big debt bubble bursting any time soon (because of the balance sheet repairs that have taken place), though we do see an increasingly intensifying “Big Squeeze”.




Data: 06/07/2017

Liquidez global dita o rumo dos ativos de risco.

 

Os ativos de risco continuam reagindo a possibilidade de menor liquidez global de agora em diante. A dinâmica do mercado tem muito mais a ver com a posição técnica e estas perspectivas, do que com o cenário econômico de curto-prazo, que segue relativamente inalterado.

 

Espero que está dinâmica continue, até que os ativos de risco encontrem um novo ponto de equilíbrio, seja por preço, por posição técnica e/ou por mudança de cenário. Por ora, podemos esperar mais volatilidade e, possivelmente, mais movimentos como os de hoje. 

 

Nos EUA, o ADP Employment apresentou sal´vel alta de 158 mil vagas, o Jobless Claims se manteve em baixos 248 mil e o ISM Non-Manufacturing apresetou robusta alta para 57,4 pontos. Os números de hoje estão alinhados com a continuidade do processo de normalização monetária sinalizado pelo Fed, e que tem sido fonte de ruídos nos mercados financeiros globais. 

 

Os dados de emprego de junho a serem divulgados amanhã serão esmiuçados no detalhe. Acredito que mais importante do que o headline do Payroll ou da Taxa de Desemprego, será importante entender os movimentos do Average Hourly Earnings. Um número mais sólido/robusto, poderá acentuar as tendências recentes. Apenas um número excepcionalmente fraco será capaz de reverter os movimentos dos últimos dias. Assim, vejo uma certa assimetria, com o mercado mais sensível a dados mais fortes. 

 

Mesmo após os movimentos recentes, as condições financeiras nos EUA permanecem bastante frouxas. 

 

No Brasil, confesso estar bastante surpreso com a boa performance dos ativos locais. Não tenho uma visão, ou viés, negativo com o país, mas acreditava que os ativos locais poderiam seguir mais de perto o humor global a risco. Nos últimos dias, ou nas últimas semanas, temos observado, na verdade, uma “over-performance” em relação a nossos pares. Sigo com posições neutras no país.




Data: 06/07/2017

Emprego nos EUA ditará a dinâmica dos ativos de risco.

Após uma breve correção das tendências recentes verificadas no inicio desta semana, os ativos de risco aparentam estar retomando a trajetória que começa a virar uma nova tendência de mercado. Neste momento, as taxas de juros voltaram a apresentar abertura de taxas, o que está colocando leve pressão nas bolsas. O dólar opera sem tendência definida, e sem movimentação relevante. Nas commodities, o petróleo e as metálicas não preciosas apresentam alta, enquanto as agrícolas apresentam queda, revertendo uma pequena parte do movimento recente.

O destaque do dia ficará por conta da divulgação do ADP Employment e do Jobless Claims. Acredito que o mercado será bastante sensível a dados mais positivos no tocante ao mercado de trabalho dos EUA.

No Brasil, poucas novidades relevantes. A mídia afirma que a defesa de Michel Temer no Congresso enfrenta resistência, e sua situação estaria se complicando ainda mais. Confesso que já há algum tempo não tenho convicção de qual seria o melhor cenário político para o avanço (ou não) das reformas econômicas e para os preços de mercado, se com a permanência de um Governo Temer claramente enfraquecido, ou com sua substituição, cujo nome ainda não existe ou poderá ser tão fraco quanto a situação da atual administração.

Assim, tenho mantido um viés de acreditar que o quadro cíclico da economia pouco se altera em qualquer dos cenários, exceto por mudanças drásticas de direção da política e da equipe econômica.

Mantenho minhas recomendações e posições centrais praticamente inalteradas, mas promovemos alguns ajustes nos últimos dias. Reduzimos exposição à parte curta da curva de juros no Brasil, colocando parte dos ganhos no bolso. Além disso, trocarmos algumas estruturas de opção de juros. Alteramos a posição em juros nominais por juros reais, e aumentamos a compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. Continuamos levemente vendidos em BRL via estrutura de opção. Adicionamos uma venda de [AUD+compra de vol]. Mantivemos exposição tomada nos juros dos EUA e comprada em puts de S&P.




Data: 05/07/2017

Commodities & Fed.

O dia foi marcado por três eventos relevantes. Primeiro, a queda superior a 4% no preço do petróleo. A notícia de que a Rússia se opõe a qualquer debate para cortes adicionais de produção pela OPEP foi um vetor determinante para a dinâmica de hoje. O anuncio de que a Volvo pretende implantar motores elétricos em todos os seus veículos até 2019 foi outro vetor que ajudou a colocar pressão no preço do petróleo.

Entendo que a volatilidade diária no preço do petróleo afeta o humor de curto-prazo dos mercados, mas enquanto se mantiver relativamente estável, acima de $40 (WTI), difícil ver impactos adicionais do preço para o cenário econômico.

Segundo, as commodities metálicas apresentaram uma nova rodada de queda de preços. Em alguns casos, níveis técnicos importantes estão sendo testados. A queda de preços parece ser fruto de questões de oferta, além das expectativas de redução da liquidez global, e não um sinal mais preocupante em relação ao crescimento da economia mundial.

Finalmente, as Minutas do FOMC confirmaram o que já vinha sendo amplamente comentado por membros do Fed nas últimas semanas. Vi as Minutas como levemente mais hawkish do que o que poderia se imaginar. O consenso parece migrar, cada vez mais, para a visão de necessidade de continuidade no processo de normalização monetária. As vozes discordantes parecem cada vez menos atuantes.

O comitê continuou dando um “play down” nos dados correntes de inflação baixa, se mostra confiante na recuperação da economia e preocupado com os efeitos negativos que os níveis atuais de emprego podem trazer a longo-prazo em termos de inflação e estabilidade financeira.

O comitê parece bastante desconfortável com o afrouxamento das condições financeiras. Não me lembro de ter lido documento como este em que se gastou tanto tempo neste tema e comentando preços de ativos de risco.

A Coréia do Norte voltou ao radar dos investidores. Este é um risco que precisa ser monitorado, mas de difícil mensuração e posicionamento.

No Brasil, o dia foi de poucas, ou nenhuma, novidade relevante. 

Continuo com postura mais cautelosa no curto-prazo, não tendo alterado de forma significativa as recomendações de alocação.




Data: 05/07/2017

Rate Normalization! / Brasil: Crise deflacionária!?

Os ativos de risco estão dando sequencia aos movimentos que já começam a mostrar sinais mais claros de uma nova tendência para os ativos de risco. As taxas de juros no países desenvolvidos abrem taxas; as commodities metálicas apresentam novos sinais de fragilidade, assim como as bolsas globais; o dólar opera em alta, especialmente versus as moedas emergentes.

Na agenda do dia, destaque para as Minutas do FOMC nos EUA. Amanhã teremos o ADP Employment e o Jobless Claims. Finalmente, na sexta-feira, os dados oficiais do mercado de trabalho para junho, tais como o Payroll, Taxa de Desemprego e os números de rendimentos. Está agenda será determinante para a dinâmica dos ativos de risco no curto e médio prazo.

No Brasil, a situação do presidente Michel Temer parece a cada dia mais complicada. A mídia informa que a contabilidade do governo para barrar a denuncia no Congresso continua complicada, ou seja, desfavorável ao presidente.

Os jornais de hoje reportam que o Banco Central do Brasil (BCB) deverá cortar a Taxa Selic em 100bps na próxima reunião do Copom. Artigos no Valor Econômico, de Cristiano Romero, e do Correio Braziliense, de Vicente Nunes, tratam deste tema. Segundo fontes, a crise política atual seria deflacionária e a indicação adequada seria um corte de juros mais profundo do que o imaginado na última reunião do Copom.

Repito aqui o que tenho escrito desde a última reunião do FOMC.

Ainda parece cedo para prever uma reversão completa das tendências que prevaleceram no primeiro semestre. Contudo, com a posição técnica muita mais “leve”, “limpa” e pouco consensual na direção da normalização monetária e nos conhecidos “reflation trades” e “Trump trades”, e um sinal cada vez mais claro por parte dos Bancos Centrais no G10 na direção de políticas monetárias menos expansionistas, podemos estar diante do começo de novas tendências para os ativos de risco neste segundo semestre do ano.

É importante lembrar que há quase uma década os investidores não se veem diante de um movimento coordenado de aperto monetário, com consequente (talvez esperado) aperto das condições financeiras. Muitos dos atuais investidores, traders e portfolio managers nunca vivenciaram um período com esse pano de fundo. Além disso, precisamos ter em mente que não existe experiência histórica que indique o melhor caminho para a normalização de taxas de juros vinda de níveis tão baixos, e com os balanços dos Bancos Centrais tão anabolizados.

O movimento por parte dos BCs será extremamente gradual e bem comunicado. É bastante provável que movimentos de “stop-and-go” venham a ocorrer, ou seja, momentos de aperto monetário sendo seguidos de alívio, mesmo que na comunicação, em reação a movimentos mais acentuados de correção dos ativos de risco (vamos lembrar que o Fed foi obrigado a fazer uma enorme pausa entre a primeira alta de 25bps nas taxas de juros e a segunda elevação, após uma reação negativa dos ativos de risco e uma “mini crise” na China e nos mercados emergentes). 

Os ativos de risco como um todo continuam em níveis historicamente elevados, com as volatilidades realizadas e implícitas em níveis nunca antes observados. O processo de normalização monetária não necessariamente irá causar reverberações negativas ao redor do mundo. Ainda podemos experimentar um momento prolongado de estabilidade econômica e financeira.

Todavia, a história mostra que momentos como o atual requerem cautela e posições mais neutras, frente a preços menos atrativos, além da busca por hedges, que ainda se mostram baratos nos atuais níveis.




Data: 04/07/2017

Brasil: Cíclico Positivo vs Incerteza Política.

 

Hoje é dia de feriado nos EUA. Assim, a liquidez será prejudicada. Não olharia a dinâmica dos ativos de risco ao longo do dia como sinalização alguma.

 

A Coréia do Norte anunciou hoje que promoveu mais um teste balístico, avançando em seu programa nuclear.

 

Segundo o WSJ: North Korea said it successfully test-launched an intercontinental ballistic missile, claiming a major advance for the isolated nation in its attempts to threaten the U.S. with a nuclear weapon. If fired at a more standard trajectory, the missile that Pyongyang launched on Tuesday could have flown for more than 4,160 miles, said David Wright, a physicist at the Union of Concerned Scientists. That is far enough to qualify as an ICBM. The distinction between an intermediate-range and intercontinental ballistic missile is an important one because the U.S. has forbidden North Korea from conducting an ICBM test, though it is unclear what the U.S. would do in response to a possible declaration from Pyongyang of a successful ICBM test. 

 

O avanço do programa militar norte coreano é um risco que precisa ser monitorado, mas, neste momento, “apenas” um “risco de cauda”. O avanço do programa militar deve ser visto como uma “moeda de troca” da Coréia do Norte em suas negociações junto ao ocidente. De qualquer maneira, não podemos descartar os riscos que o avanço militar do país representa para a estabilidade geopolítica mundial. 

 

Na Austrália, o RBA manteve a política monetária estável. Ao contrário do que alguns esperavam, o BC do país manteve sua comunicação neutra. Como parte do mercado esperava uma sinalização mais hawkish, a decisão de hoje está colocando pressão no AUD e nas taxas de juros do país. Vejo a economia da Austrália em uma fase do ciclo econômico ainda muito anterior aos demais países do G10. Assim, falar em normalização monetária neste momento me parece extremamente prematuro. 

 

No Brasil, continuamos a viver em uma “queda de braço” entre um cenário cíclico ainda positivo para a economia e um ambiente político de incerteza.

 

Na economia, a inflação continua baixa. A pesquisa Focus do BCB mostrou novas revisões baixistas para o IPCA e para o PIB nos anos de 2017 e 2018. Com uma inflação corrente baixa, uma inflação prospectiva baixa e expectativas de inflação contidas, além de expectativas cedentes de crescimento, abre-se espaço para que o BCB mantenha um ciclo de queda da Taxa Selic, talvez no mesmo ritmo de 100bps que vinha sendo regra. Além disso, ainda existe espaço na curva curta de juros para quedas adicionais de taxa, já que o mercado ainda apresenta prêmios relevantes de alta ao longo de 2018. 

 

No campo político, o governo Temer havia conseguido algumas vitórias na semana passada, com a decisão de reconduzir Aécio Neves – ex-presidente do principal partido aliado do governo – ao cargo de senador, além da libertação do ex-deputado ligado a Temer. Ontem, contudo, a justiça decretou a prisão de um importante membro do núcleo duro deste governo, assessor direto do presidente até poucos meses atrás.

 

A Folha traz hoje artigo em que afirma que o governo não teria os votos necessários para manter Temer no cargo: Contas preliminares feitas pelos articuladores de Michel Temer na Câmara apontam que o governo ainda não tem os votos necessários para derrotar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) a denúncia de corrupção feita contra o presidente. Mapas de votação feitos por líderes governistas mostram que o governo tem assegurados apenas 30 votos a favor de Temer entre os 66 integrantes da comissão. Há 21 indecisos que têm demonstrado insatisfação com o Planalto e ameaçam se posicionar contra o presidente. Temer precisa de 34 votos para garantir que a CCJ recomende o arquivamento da denúncia, que depois ainda precisará ser votada em plenário. 

 

Na minha visão, o cenário base deverá ser de continuidade desta “queda de braço” entre o cíclico positivo da economia e um quadro político de incerteza. Sendo assim, o cenário externo deverá desempatar este quadro ao longo do tempo. Enquanto o cenário externo estiver favorável, o país tem espaço para navegar esta travessia de forma relativamente tranquila. Havendo mudança do cenário externo, perspectiva que vejo como crescendo, como tenho repetido neste fórum dia-após-dia, poderemos ter momentos mais tortuosos pela frente.




Data: 03/07/2017

"Reflation" is Backs!. Brasil: "Cresce apoio a ideias próximas à esquerda, aponta Datafolha"

 

Os ativos de risco estão abrindo a semana com viés positivo, dando continuidade ao movimento de “risk-on”/”reflation” que acabou virando uma pequena tendência nos últimos dias. 

 

A agenda econômica está ajudando a dar um humor mais positivo aos mercados financeiros globais, com os números de confiança e crescimento se mantendo em patamares sólidos ou apresentando sinais de aceleração da atividade econômica global. 

 

No Japão, o Tankan – o indicador de confiança trimestral, coletado pelo BoJ, e o mais importante do país – apresentou mais uma rodada de avanço, ficando acima das expectativas do mercado e mostrando uma economia se não robusta, em processo de expansão. As eleições regionais em Tóquio trouxeram uma inesperada derrota ao partido ao atual primeiro ministro. O resultado das eleições foi surpreendente e inesperado. Segundo o Morgan Stanley: 

 

Gov. Koike extended an olive branch to PM Abe. In a post-victory press conference, she used a number of the key Abenomics phrases, such as “visibility” (in Japanese, “Mieru-ka"), and defined a policy priority strategy that focuses sharply on the key issues of Abenomics, aging, child care, abandoned housing, etc. In addition, she was extremely careful to avoid criticizing the LDP. When asked whether the recent scandals had hurt the LDP in the election, Gov. Koike said only, “That is for the LDP to analyze.”

 

In short, the good scenario for the economy and markets is that the Tokyo Assembly election result triggers a pro-reform Cabinet reshuffle, and returns focus to economic issues. The bad scenario is the LDP becomes paralyzed, and few reform actions are taken. Which scenario emerges will depend heavily on PM Abe’s own decisions over the next few weeks. 

 

Note also that the latest polls shows a drop of PM Abe’s support rates, but support ratios remain far from levels that would be dangerous to his continued tenure as PM. [*] Thus, the risk is not so much that PM Abe leaves office, but that he stays but can accomplish little. 

 

Na China, em linha com o que já havia mostrando o PMI Manufacturing oficial, o Caixin PMI Manufacturing subiu de 49,6 pontos, para 50,4 pontos, acima das expectativas de 49,8. Assim como no Japão, o número mostra uma economia relativamente estável e saudável. 

 

Na Austrália, o PMI Manufacturing subiu 0,2pts para 55 pontos, acima das expectativas do mercado. O numero se manteve em patamar considerado positivo. 

 

Os dados de exportação da Coreia do Sul apresentaram pequena retração na margem, mas se mantiveram em patamar elevado. Por ser uma economia bastante aberta, com uma corrente de comércio elevada, os dados de exportação do país costumam se olhados como uma Proxy para a saúde da economia mundial. Assim, vemos sinais de acomodação, mas em níveis ainda saudáveis. 

 

No Brasil, o Governo de Michel Temer conseguiu algumas vitórias nos últimos dias, em especial devido a decisões do STF, como a soltura do ex deputado ligado ao presidente e acusado de recebimento de propina. Além disso, Aécio Neves, ex presidente do principal partido aliado do governo, foi reconduzido a seu cargo de Senador. De qualquer maneira, nenhuma das medidas parece que irá alterar o quadro político local de maneira definitiva no curto-prazo. 

 

A situação econômica continua ciclicamente tranquila, devido à inflação baixa e as expectativas de queda na taxa de juros. Contudo, as contas públicas ainda preocupam. A expectativa do anuncio de aumento de impostos cresce a cada novo dia. A mídia afirma que o governo irá cancelar o esperado aumento da bolsa família, que seria de 4,5%, devido a ausência de espaço fiscal para a medida. 

 

No jornal Folha de São Paulo de hoje, uma pesquisa mostra que os pensamentos mais a esquerda voltaram a dominar a mente dos eleitores. Vejam o link abaixo: 

 

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/07/1897913-cresce-apoio-a-ideias-proximas-a-esquerda-aponta-datafolha.shtml 

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/07/1897882-numa-sociedade-pautada-por-medos-bandeiras-da-direita-registram-refluxo.shtml 

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/07/1897924-e-tudo-farinha-do-mesmo-saco-diz-vendedora-que-votou-em-aecio.shtml




Data: 03/07/2017

Reflation, Trump Trades and Trump Fears Back in Vogue.

 

A sexta-feira marcou o final do primeiro semestre do ano para os mercados financeiros globais. O período foi marcado por algumas decepções por parte do mercado, como a ausência de uma aceleração do crescimento global, que apenas se manteve saudável, porém relativamente estável. A inflação no mundo desenvolvido não acelerou como muitos esperavam. E, finalmente, a agenda econômica de Trump nos EUA não decolou. 

 

Com este pano de fundo, vimos uma abrupta mudança de postura por parte dos investidores ao longo deste período, que abandonaram temas consensuais, como o “dólar forte”, “a abertura de taxas de juros no mundo desenvolvido”, e o que ficou com a alcunha dos “Trump Trades”, em favor de temas como “alta das bolsas”, “carry trades”, “compra de ativos emergentes” e etc.

 

Nas últimas semanas, começamos a observar o retorno de alguns dos antigos temas que marcaram o final de 2016 e o início de 2017. Não vimos uma mudança drástica nos dados econômicos, que continuam apontando para um crescimento saudável, porém sem grandes acelerações, uma inflação contida no mundo desenvolvido, e uma agenda legislativa ainda com poucos avanços nos EUA.

 

Contudo, após a reunião dos bancos centrais em Sintra, voltou a tona a discussão da normalização monetária por parte dos bancos centrais no G10. No final da semana, Trump e Cia. deram sinais de que pretendem apertar o diálogo junto à China, retomando a discussão de uma postura mais dura nas relações comerciais entre os EUA e seus principais parceiros. O FT debate um pouco deste tema no artigo a seguir: https://www.ft.com/content/4bd30636-5d72-11e7-9bc8-8055f264aa8b. Além disso, a China dá sinais de que pretende manter uma política monetária e fiscal mais apertada, o que deverá contratar um crescimento mais brando de agora em diante. 

 

Ainda parece cedo para prever uma reversão completa de tendências nos mercados financeiros globais. Contudo, com as posição técnica muita mais “leve”, “limpa” e pouco consensual na direção da normalização monetária e nos conhecidos “reflation trades” e “Trump trades”, e um sinal cada vez mais claro por parte dos bancos centrais no G10, podemos estar diante do começo de novas tendências para os ativos de risco neste segundo semestre do ano.

 

É importante lembrar que a quase uma década os investidores não se veem diante de um movimento coordenado de aperto monetário, com consequente (talvez esperado) aperto das condições financeiras. Muitos dos atuais investidores, traders e portfolio managers nunca vivenciaram um momento com este. Sem contar que não existe experiência histórica para a reversão de taxas de juros vinda de níveis tão baixos, e com os balanços dos bancos centrais tão anabolizados. O movimento por parte dos BCs será extremamente gradual e bem comunicado. É bastante provável que movimentos de “stop-and-go” venham a ocorrer, ou seja, momentos de aperto monetário sendo seguidos de alívio, mesmo que na comunicação, em reação a movimentos mais acentuados de correção dos ativos de risco (vamos lembrar que o Fed foi obrigado a fazer uma enorme pausa entre a primeira alta de 25bps nas taxas de juros e a segunda elevação, após uma reação negativa dos ativos de risco e uma “mini crise” na China e nos mercados emergentes). 

 

Os ativos de risco como um todo continuam em níveis historicamente elevados, com as volatilidades realizadas e implícitas em níveis nunca antes observados. O processo de normalização monetária não necessariamente irá causar reverberações negativas ao redor do mundo. Ainda podemos experimentar um momento prolongado de estabilidade econômica e financeira.

 

Todavia, a história mostra que momentos como os atuais requerem cautela, posições mais neutras frente a preços menos atrativos, e a busca por hedges que ainda se mostram baratos.   




Data: 30/06/2017

"Rate Normalization"

 

Para não soar repetitivo, segue o link para os comentários da semana. Nestes comentários, falo um pouco mais sobre o porquê continuo vendo a mudança de postura dos bancos centrais de G10 como o principal vetor determinante para a dinâmica dos ativos de risco, não apenas no curto-prazo, mas talvez uma mudança mais estrutural: http://mercadosglobais.blogspot.com/. 

 

A sexta-feira confirmou um cenário propício para o “rate normalization”, que tenho chamado de uma evolução do “reflation”, pela ausência temporária de sinais claros de inflação no mundo. 

 

O destaque do dia ficou por conta da alta nas commodities, liderada pelo Petróleo e pelas commodities agrícolas. As taxas de juros em G10 voltaram, a abrir com o dólar relativamente misto. 

 

Nos EUA, o Chicago PMI apresentou forte elevação, saindo de 59,4 para 65,7, enquanto o Personal Income e Spending ficaram dentro das expectativas em maio, apontando para um crescimento em torno de 2,5%-3,0% anualizado no segundo trimestre do ano. 

 

No Brasil, o dia foi de otimismo para a bolsa e o mercado de juros, a despeito de leve alta do dólar. 

 

Estamos entrando em um período de recesso político, o que pode acabar acalmando o noticiário. Enquanto isso, a inflação segue baixa e o crescimento fragilizado. O anuncio da bandeira amarela em energia deverá colocar alguns bps na inflação de curto-prazo, mas pouco altera o cenário baixista para a inflação este ano. Uma alta de impostos deverá ser necessária para o cumprimento da meta fiscal. As contas externas seguem tranquilas. 

 

Mantenho minhas recomendações de alocação inalteradas. Focado na parte curta da curva de juros no brasil (até Jan19), com compra de inflação implícita na parte intermediária da curva, e estruturas de opção altistas de dólar. No cenário externo, posições tomadas em juros nos EUA, com hedges via puts de S&P. 

 

Continuo bastante surpreso com a continuidade do processo de repressão das volatilidades implícitas do mercado, mesmo vendo um cenário menos trivial de agora em diante. Acredito que, em algum momento, teremos uma reversão rápida e acentuada deste ambiente, mas é sempre difícil acertar este timing: “markets can remain irrational longer than you can remain solvent”.




Data: 30/06/2017

Economic Goldilocks. Rate Normalization. Higher Vol. / Brasil: Eleições 2018 ganham corpo no debate político.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. A agenda do dia será um pouco mais agitada, com Personal Income, Personal Spending e Core PCE, nos EUA, como destaque. 

 

Na China, PMI Manufacturing de junho subiu de 51,2 para 51,7 pontos, acima das expectativas de 51,0 pontos. O número mostra uma economia estável e saudável. Com este pano de fundo, continua mantido o cenário global de crescimento saudável, com flutuações em torno da tendência. Ainda não há sinais claros de aceleração da inflação, mas sim um processo gradual de elevação, de normalização.

 

A despeito de este ambiente ser considerado positivo em termos econômicos, o que ficou com a alcunha de “goldilocks”, o mercado passou a ler isso como um entrave à continuidade de apreciação dos ativos de risco, de uma forma geral. Isso ocorre, basicamente, pelo movimento coordenado dos bancos centrais no G10 na direção de dar continuidade ao processo de normalização monetária, ou seja, de redução do excesso de liquidez no mundo. 

 

Assim, fica mantido um ambiente econômico relativamente estável, de crescimento saudável, inflação contida (mesmo que ascendente) e um processo gradual de normalização monetária. Contudo, no curto-prazo, o mercado continuará a dar atenção, foco, a postura dos bancos centrais. Como os ativos de risco, de maneira geral, apresentavam um quadro de valuation pouco trivial, posição técnica comprometida, e volatilidade excessivamente baixa para os padrões históricos, é natural esperar que esta “nova ordem” global dos bancos centrais traga algum ajuste, mesmo que pontual. Ainda estou na fase de identificar se este ajuste será apenas pontual ou se poderemos entrar em uma tendência mais prolongada de baixos retornos, ou retornos negativos dos ativos de risco. 

 

No Brasil, não há novidades relevantes no cenário. O quadro político segue, de certa forma, paralisado. O quadro econômico continua estável, com inflação baixa, crescimento fragilizado, contas públicas preocupantes e contas externas tranquilas. 

 

Estive nas últimas 24 horas com alguns analistas políticos, e todos eles já estão voltando suas atenções para as eleições presidenciais de 2018. Cresce, de forma acelerada, o debate em torno dos candidatos e possíveis vitoriosos neste pleito. Existe um receio crescente, que me surpreende pelo timing adiantado, de que Lula possa ser candidato e, neste cenário, um candidato extremamente competitivo, com chances reais e concretas de vitória. Ainda não surgiu um nome forte capaz de supera-lo, caso as eleições fossem no curto-prazo. A maior chance de enfraquece-lo seria, neste momento, a sua inelegibilidade, por condenação na justiça em segunda instância, o que ainda não ocorreu. 




Data: 29/06/2017

Reflation -> Rate Normalization -> Higher Vol -> Risk Off?

Os ativos de risco basicamente mantiveram a trajetória que comentei pela manhã, com a diferença de uma queda nas bolsas globais e uma piora na percepção para os ativos de risco mais dependentes de liquidez, como algumas moedas e ativos emergentes em geral.

O tema de normalização monetária coordena (“rate normalization”)  que comentei pela manhã, e o DB chamou de “Sintra Pact”, continua e, na minha visão, continuará a ditar a dinâmica dos ativos de risco. Enquanto não houver uma clareza maior em relação ao nível que as taxas de juros nos países desenvolvidos podem atingir (não as taxas básicas, oficiais, mas as taxas de mercado) e como será o processo de redução do balanço dos principais bancos centrais ao redor do mundo, estamos propensos a realizações de lucros, um ambiente de maior volatilidade e incerteza.

Por ora, o cenário econômico segue relativamente estável e construtivo, no que o mercado deu a alcunha de “goldilocks”. Este cenário econômico costuma ser um ambiente favorável aos ativos de risco. Contudo, no curto-prazo, o mercado em que já via preços “esticados”, uma posição técnica comprometida e uma volatilidade excessivamente baixa, ou seja, uma certa complacência por parte dos investidores, será norteado pelo debate em torno do processo de normalização monetária.

Não estou promovendo alterações em minhas alocações, apenas administrando tamanhos e instrumentos.

No Brasil, o CMN reduziu a meta de inflação de 2019 para 4,25%, dentro das expectativas, mas também reduziu a meta de 2020 para 4,00%, o que não era totalmente esperado. A decisão deve ser vista como positiva, pois mostra comprometimento da equipe econômicas com um processo estrutural de inflação mais baixa no país.

O déficit do governo central, em maio, foi superior as expectativas. Um pagamento pontual explica a diferença das expectativas para o realizado. De qualquer maneira, como o governo já vem sinalizando, dificilmente o país será capaz de atingir a meta fiscal sem um aumento de imposto, ainda este ano. O favorito, no momento, é a CIDE e o PIS/Cofins de gasolina e derivados.

Tenho adotado postura mais cautelosa no curto-prazo. Os eventos recentes apenas reforçam minha visão. Por ora, estou vendo este momento de realização/acomodação como um evento normal diante de preços “esticados”, posição técnica comprometida e cenário menos óbvio. Contudo, precisaremos acompanhar no detalhe o efeito concreto que a mudança de postura por parte dos bancos centrais terá para o desempenho estrutural dos ativos de risco como todo.

Acho prudente manter alguns hedges para a posição aplicada na parte curta da curva local de juros, como estruturas de dólar (altista) e a compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. Mantenho viés tomador na curva de juros dos EUA. Acredito que as vols implícitas estejam baixas para adicionar a este tema via o mercado de opção. O mesmo vale para proteção dos portfólios via estruturas de opção (puts) no mercado de renda variável dos EUA.




Data: 29/06/2017

"The “Sintra pact” is here"!

Os ativos de risco estão dando continuidade aos movimentos verificados ontem. Destaque para a abertura das taxas de juros nos países desenvolvidos. As bolsas mostraram leve altas, assim como as commodities. O dólar opera em queda e os mercados emergentes aparentam estabilização.

Os movimentos recentes podem ser caracterizados como uma alternância, talvez evolução, ao “reflation”. Na ausência de dados concretos de inflação mais elevada, contudo, o “reflation” parece ter dado lugar ao “rate normalization”. Caso os números econômicos continuem mostrando uma economia global saudável, sem sinais claros de desaceleração mais acentuada, com um mercado de trabalho em recuperação no mundo desenvolvido, e uma inflação ascendente, mesmo que gradualmente, parece que será suficiente para ao principais bancos centrais do mundo mantenham a postura recente visando uma normalização monetária.

Tenho explorado bastante este tema em meus últimos comentários, já que vejo essa mudança de postura como bastante relevante para o cenário econômico global e para os mercados financeiros. Continuo alocado neste tema através de posições tomadas nas taxas de juros dos EUA, tendo adicionado recentemente posições via opções, cujas vols implícitas se mostravam historicamente baixas, tornando a alocação atrativa do ponto de vista de risco/retorno. A estratégia não vinha sendo acertada, como alertei aqui há algumas semanas atrás, mas começa a fazer sentido novamente. Mantenho minha visão e as recomendações de alocação inalteradas neste momento.

O DB resumiu bem está mudança de postura por parte dos principais BCs ao redor do mundo: 

Global co-ordination, the “Sintra pact” is here – the final change emerging is a co-ordinated shift by developed world central banks in a more hawkish direction, all apparent in rhetoric from the ECB, Fed, Bank of Canada, Bank of England and likely others in coming weeks (let’s call it “the Sintra pact”). This global co-ordination was implicitly confirmed by Draghi’s little-cited comment in the central banker Sintra panel yesterday where he noted the importance of G20 central bank co-ordination in keeping market volatility low. The implicit message here is that if all central banks sound hawkish at the same time then monetary policy divergence, and therefore FX volatility, will stay low. The problem with this “convergence” story however is that the Fed is already in a tightening flight mid-air with other central banks just about to take off the runway. With the next big question for the market the timing of a Fed "landing", hawkish co-ordination in such an environment can do serious damage to the dollar.

No Brasil, a CCJ do Senado aprovou o texto base da Reforma Trabalhista, que agora irá ao Plenário. A expectativa é para a aprovação da Reforma. Está deverá ser a última grande Reforma deste governo, já que a Previdência dificilmente sairá da Câmara, pelo menos na forma como é hoje.

Hoje pela manhã, o CMN deverá anunciar a meta de inflação. Existe uma expectativa grande re revisão da meta de 4,5% para 4,25% em 2019.

Continuo recomendando alocações na parte curta da curva nominal de juros (até o Jan19) aliada a hedges via estruturas de dólar e comprado em inflação implícita na parte intermediária da curva.




Data: 28/06/2017

"Risk-on"! Sazonalidade ajudando...

Fed (EUA), ECB (Europa), BoC (Canadá), BoE (Inglaterra)...”and counting”.

Os bancos centrais das principais economias do mundo continuam sinalizando para uma mudança clara de postura. Hoje foi a vez do BoE, na Inglaterra, alertar para a eventual necessidade de normalização monetária no país.

Um membro do ECB tentou minimizar a fala de Draghi ontem, mostrando certo desconforto por parte da instituição no tocante a abertura das taxas de juros e alta do EUR. Fico bastante intrigado com esta postura. Como um movimento relativamente tímido para um cenário mais amplo (alta de 15bps nas taxas de juros e 1,3% no EUR) pode gerar, de maneira tão rápida, uma resposta/reação por parte do ECB? Fica claro o receio da instituição em evitar movimentos acentuados, o que acaba colaborando para a compressão global das volatilidades. Este cenário vem sendo regra há alguns meses (talvez anos), mas é insustentável a longo-prazo. O timing para a mudança de dinâmica é impreciso, e se posicionar para isso é bastante difícil.

O dia foi marcado por um movimento mais coordenado de “risk-on”. Membros do ECB, na Europa, tentaram aliviar um pouco o discurso de Draghi realizado ontem, o que ajudou a acalmar o mercado global de taxas de juros. Consequentemente, vimos um bom desempenho dos ativos mais sensíveis as taxas de juros. Os estoques de petróleo vieram menos ruins do que o imaginado, o que ajudou a estabilizar o preço da commodity. De maneira geral, os eventos de hoje ajudaram a estabilizar o humor global a risco.

Vale a pena ressaltar que estamos próximos de um final de mês, final de trimestre e final de semestre. Neste período, fluxos pontuais acabam, mesmo que temporariamente, distorcendo alguns preços, e tornando alguns movimentos pontualmente mais acentuados.

Acredito que o tema de menor liquidez global continuará ditando a dinâmica dos ativos de risco nos próximos dias, semanas e meses. Como escrevi ontem:

Dei (e continuo dando), bastante peso a sinalização do Fed, que agora foi reforçada pelo ECB, dois dos principais bancos centrais do mundo, cuja política monetária foi propulsora da expansão dos balanços, da liquidez global e do afrouxamento das condições financeiras.

Por isso, tenho adotado postura mais cautelosa no curto-prazo. Os eventos recentes apenas reforçam minha visão. Por ora, estou vendo este momento de realização/acomodação como um evento normal diante de preços “esticados”, posição técnica comprometida e cenário menos óbvio. Contudo, precisaremos acompanhar no detalhe o efeito concreto que a mudança de postura por parte dos bancos centrais terá para o desempenho estrutural dos ativos de risco como todo.

Na ausência de novidades bombásticas no Brasil, os ativos locais estão seguindo o humor global a risco.  




Data: 28/06/2017

"Taking the punch bowl away"/ Brasil: CIDE e Defesa de Temer.

 

Os ativos de risco estão dando continuidade aos movimentos verificados ontem. A abertura de taxas de juros nos países desenvolvidos está colocando alguma pressão nas bolsas. O dólar opera sem tendência definida, assim como as commodities. 

 

A agenda econômica do dia será relativamente esvaziada. 

 

No Brasil, os jornais estão dando destaque à defesa realizada pelo Presidente Michel Temer em cadeia nacional. O cenário base segue de manutenção deste governo, enfraquecido, e sem poder de avançar nas principais reformas estruturantes para o país. Pelo menos, a equipe econômica deverá ser mantida o que, no mínimo, evita uma agenda mais populista e heterodoxa. 

 

Neste ambiente, a dinâmica dos mercados externos acaba sendo bastante importante para a direção dos ativos locais. Por isso, tenho concentrado esforços na parte curta da curva de juros, onde o cenário cíclico de baixa inflação corrente, expectativas de inflação contidas, recuperação lenta do crescimento, hiato do produto aberto e mercado de trabalho fragilizado, deverá manter o Banco Central em um caminho de corte da taxa Selic, que ainda não me parece totalmente precificada pela curva de juros. 

 

Os jornais falam também da possibilidade de implementação da CIDE para fins de cumprimento da meta fiscal deste ano. Na ausência de receitas extraordinárias adicionais, com uma expectativa minguante de recuperação da arrecadação, irá restar ao governo o aumento de impostos. Na atual conjuntura política, a equipe econômica é obrigada a buscar impostos viáveis, sem o aval co Congresso, cuja arrecadação seja relevante e imediata (ou quase imediata).




Data: 27/06/2017

"Taking the punch bowl away"

 

Hoje foi o primeiro dia, em muito tempo, que observarmos movimentos um pouco mais acentuados nos ativos de risco. Não houve uma tendência clara, como “risk-on” ou “risk-off”, mas a dominância de alguns temas não menos importantes. Interessante observar que mesmo após o movimento de hoje, as volatilidades implícitas dos ativos de risco continuam bastante deprimidas para os padrões históricos (vide gráfico abaixo).

Como tenho alertado desde a última reunião do FOMC, nos EUA, parece existir uma mudança clara de postura por parte do Fed, que agora é ecoado por outros dos principais bancos centrais ao redor do mundo. Este tema foi resgatado hoje com um discurso de Draghi na Europa. O discurso do ECB, visto como mais hawkish, segue um relatório do BIS – considerado o banco central dos bancos centrais – que foi divulgado nos últimos dias, e confirma os sinais de que existe uma disposição dos principais banqueiros centrais ao redor do mundo em retirar as políticas monetárias de exceção. Mesmo que este processo seja gradual, os investidores precisarão se adequar a essa nova ordem.

Escrevi na semana passada o seguinte: Acredito que o Fed tenha colocado “uma pulga atrás da orelha” do mercado, de certa forma se desvinculando de dados de curto-prazo, e mantendo uma visão prospectiva positiva para a economia, o que pressupõe a manutenção do processo de normalização monetária. O processo de comunicação da redução do balanço do Fed parece adiantado, e um anúncio oficial poderá ocorrer mais cedo do que tarde. Como este processo nunca foi testado anteriormente, pelo menos nas proporções atuais, é natural alguma cautela por parte dos investidores, especialmente se levarmos em conta o atual nível dos ativos de risco, a posição técnica de alguns mercados, e os níveis deprimidos das volatilidades realizadas e implícitas. Como já diz o ditado: “Tress don´t grow to the sky”.

Dei (e continuo dando), bastante peso a sinalização do Fed, que agora foi reforçada pelo ECB, dois dos principais bancos centrais do mundo, cuja política monetária foi propulsora da expansão dos balanços, da liquidez global e do afrouxamento das condições financeiras.

Por isso, tenho adotado postura mais cautelosa no curto-prazo. Os eventos recentes apenas reforçam minha visão. Por ora, estou vendo este momento de realização/acomodação como um evento normal diante de preços “esticados”, posição técnica comprometida e cenário menos óbvio. Contudo, precisaremos acompanhar no detalhe o efeito concreto que a mudança de postura por parte dos bancos centrais terá para o desempenho estrutural dos ativos de risco como todo.

Mantenho minhas posições praticamente inalteradas. Tenho administrado apenas tamanhos e instrumentos. Lembrando, assim, que continuo vendo valor na parte curta da curva de juros nominais no Brasil, e um bom risco/retorno em algumas estruturas de opção. Mantenho uma postura de administrar o tamanho e os instrumentos da posição. Diante das incertezas do cenário, me parece difícil que o mercado embarque em um movimento rápido e acentuado de precificar um ciclo muito maior de corte de juros “a valor presente”, mas acredito que, à medida que o tempo passe, e a inflação e o crescimento baixo se concretizem, na ausência de problemas adicionais no campo político e/ou externo, o ciclo de queda da Taxa Selic poderá continuar, em nível superior ao precificado na curva neste momento.

Acho prudente manter alguns hedges para a posição, como estruturas de dólar (altista) e a compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. Mantenho viés tomador na curva de juros dos EUA. Acredito que as vols implícitas estejam baixas para adicionar a este tema via o mercado de opção. O mesmo vale para proteção dos portfólios via estruturas de opção no mercado de renda variável dos EUA.

No campo econômico, os indicadores de confiança no Brasil mostraram arrefecimento, o que já parece ser um efeito direto da crise política que se instaurou no país. As coletas de inflação continuam baixas. A conta corrente mostrou superávit. As contas externas continuam saudáveis, o que dá algum conforto ao cenário de câmbio para o país.

Nos EUA, o Consumer Confidence atingiu o maior patamar deste ciclo econômico, superando as expectativas do mercado. Continuo vendo um cenário de crescimento saudável, sem sinais claros e óbvios de aceleração ou desaceleração da economia. O ambiente político continua nebuloso, com o “Health Care” sendo novamente adiada no Congresso para depois do recesso de 4 de julho.  




Data: 27/06/2017

Bancos centrais menos dovish / PGR apresenta denúncia contra Temer.

 

Os ativos de risco continuam mostrando certa estabilização, porém sem grandes tendências claras. As bolsas na Europa e nos EUA apresentam queda, as commodities sobem, o dólar opera em baixa, mas as taxas de juros no mundo desenvolvido apresentam abertura de taxas. 

 

Destaque para a alta do EUR, que sobe 0,65% neste momento, após um discurso de Draghi esta manhã. Está ganhando corpo a interpretação de bancos centrais menos expansionistas de agora em diante, o que está ajudando o EUR essa manhã, e dando suporte as taxas de juros no mundo desenvolvido. Já tratei deste tema, em relação ao Fed, neste fórum nas últimas semanas. retornaremos ao tema sempre que necessário. 

 

Nos EUA, o debate em torno do “Health Care” continua. Os sinais são de que a nova proposta apresentada dificilmente passará pelo Congresso, o que deverá manter a agenda legislativa ainda emperrada por algum tempo. Isso acaba atrasando, ou até inviabilizando, a agenda econômica de Trump. Segundo o DB:

 

"The headlines were largely dominated by the finding that an additional 22 million Americans would be left without insurance in a decade under the proposal, compared to 23 million in the House plan that passed in May. The CBO also found that the bill would lower the deficit by $321bn over the same period which compares to a $119bn reduction under the House bill. Significantly, following the CBO findings 3 Republican senators announced that they would block the bill from advancing. As a reminder, Majority Leader Mitch McConnell can only afford a maximum of two dissenters. McConnell is still aiming for a vote on the measures before the July 4th recess so it’ll be worth keeping an eye on how things progress." 

 

No Brasil, a PGR apresentou sua denuncia contra o presidente Michel Temer, por corrupção passiva. Ainda existe a expectativa de que Temer será denunciado por obstrução de justiça e formação de quadrilha. 

 

A primeira vista, não há fatos novos na denuncia, mas existem trechos da gravação que foram recuperados e antes estavam inaudíveis.

 

A denúncia apresentada era esperada. Difícil ver a concretização do fato como vetor para alterar o cenário político local. Continuamos em uma zona cinzenta em que o governo só tem forças para lutar por sua sobrevivência. Como não existe consenso (e bom senso) para um nome novo, de coalizão, para assumir o cargo tampão até as eleições de 2018, também não é possível, neste momento, vislumbrar qualquer outro cenário que não seja com Temer enfraquecido no poder. O cenário é ruim, de fragilidade política, mas é o cenário possível e provável na ausência de fatos novos. 

 

A ponta menos negativa desta equação é a manutenção de uma equipe econômica que, se não aprova reformas econômicas essenciais, também evita que coloquem em prática medidas populistas e heterodoxas, o que pode ser visto como positivo. 

 

A recuperação da gravação de Temer mostrou uma passagem em que o presidente afirma que foi influenciado pelo delator a colocar Henrique Meirelles como Ministro da Fazenda. A fala pode enfraquecer um pouco Meirelles. Contudo, vale lembrar que não existe nenhuma acusação formal contra o Ministro. Meirelles é visto como um profissional competente, trabalhador e correto, em todas as suas passagens pelo setor público e privado. Até que provem o contrário, acho difícil que a crise política afete o Ministro. Caso Meirelles seja afetado, a situação já delicada poderá entrar em uma dinâmica tenebrosa. A equipe econômica é o último pilar de sustentação deste governo e do país.  




Data: 27/06/2017

Brasil: Inflação baixa, crescimento baixo, expectativas de inflação cadentes.

 

O dia basicamente manteve os movimentos verificados pela manhã. O petróleo apresentou alguma volatilidade intraday maior, mas os demais ativos de risco permanecem em ranges bem definidos. 

 

No Brasil, a pesquisa Focus mostrou uma nova rodada de revisões para baixo do IPCA (inflação) e do PIB para este ano e para 2018. As coletas de inflação seguem baixas, sinalizando para uma deflação no mês de junho, talvez ainda mais acentuada do que o esperado até pouco tempo atrás. Os indicadores de confiança começaram a mostrar arrefecimento, no que já pode ser visto como uma reação as incertezas políticas recentes. 

 

O dia foi marcado por um forte movimento positivo do BRL e do Ibovespa. Vejo estes movimentos como uma reação a busca global por yields, depois de mais um número negativo na economia dos EUA (mais detalhes abaixo). Além disso, já vejo uma posição técnica relativamente “esticada” nesta direção, com muitos investidores locais “vendidos” em BRL e em Ibovespa. Isso pode ter ajudado a estender o movimento de hoje. 

 

Continuo vendo espaço para o fechamento de taxa da curva curta de juros. Ainda vejo muito prêmio de alta de taxas ao longo de 2018 e vejo espaço para mais cortes da Taxa Selic ao longo de 2017. Além do cenário baixista para a inflação e o crescimento, o BCB praticamente contratou uma surpresa inflacionária grande para os próximos meses, caso nossa área econômica esteja certa (e na maior parte das vezes costuma estar!). Continuo sem visão direcional nos demais ativos, optando por utiliza-los como hedges para a posição em juros. 

 

Nos EUA, o Durable Goods Orders ficou abaixo das expectativas, com um qualitativo também ruim. O número reduz marginalmente as expectativas para o PIB e coloca ainda mais peso em medidas fiscais para uma retomada mais sustentável do crescimento do país. 

 

Nesta frente, o Congresso continua debatendo a possibilidade de votação para o “Health Care Bill”, que ainda pode ocorrer está semana. Este seria um passo importante, talvez primordial, para o avanço da agenda econômica/fiscal. 

 

O número fraco de hoje ajudou os investidores a induzir mais uma rodada de busca por yields, o que favoreceu os ativos emergentes em geral.

 

O cenário econômico segue relativamente inalterado e construtivo, o que ficou cunhado como “goldilocks”. Contudo, vejo preços pouco atrativos no momento, uma posição técnica talvez comprometida, e não consigo enxergar com clareza grandes tendências de longo-prazo. 




Data: 26/06/2017

Sinais mais positivos.

 

Os ativos de risco estão dando sinais mais positivos neste começo de semana. Neste momento, o petróleo sobe 1%, o dólar apresenta queda generalizada, porém concentrada contra EM, as bolsas sobem ao redor do mundo e as taxas de juros apresentam abertura de taxas no mundo desenvolvido. Os movimentos podem ser classificados como de leve “risk-on”. 

 

Continuo vendo um cenário econômico global relativamente estável. Estava um pouco mais cauteloso com a dinâmica dos ativos de risco. O mercado mostrou estabilização desde sexta-feira, o que me traz algum conforto. Prefiro manter uma postura neutra, voltada para temas específicos, neste momento, com a busca de alguns hedges, por ver o mercado sem grandes tendências claras e com preços pouco atrativos. Mantenho posição aplicada na curva curta de juros no Brasil e tomado na curva de juros nos EUA. Como hedge, mantenho estruturas altistas de dólar (BRL) e compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. Assim como puts de S&P. 

 

Ao longo do final de semana, o Banco Central da Itália conseguiu organizar uma espécie de “bail-out” de dos bancos regionais, evitando a quebra de ambos e a necessidade de um “bail-in”. Este movimento acabou trazendo alívio aos mercados da região, que na sexta-feira já esperavam a “quebra” dos dois bancos e a necessidade de algum tipo de “bail-in”, com default de parte dos bonds de ambas as instituições. O modelo de resgate adotado acabou sendo mais brando do que o imaginado, evitando perdas maiores para os investidores das duas instituições e evitando uma corrida bancária no país. De qualquer maneira, este episódio lembra ao mercado como existem ainda “esqueletos” ao redor do mundo, muitos ainda fruto da crise de 2008 nos EUA e de 2011/12 na Europa. 

 

Na Alemanha, o IFO – um dos mais importantes indicadores de confiança de todo a Europa – apresentou nova alta, atingindo um novo pico histórico. O número mostra uma economia saudável e um cenário econômico praticamente inalterado. Segundo o Morgan Stanley: "Above consensus and our expectations, the Ifo headline business climate increased by 0.5 points to 115.1 in June. This marks a new all-time high, after already breaking historical records last month. The index now stands at 1.9 SD above its LTA. The headline print underlines the strong outlook for the remainder of 2017. The headline number was driven by both current conditions as well as expectations. In detail, current conditions improved by 0.9 points to 124.1, which also marks a new record high. In other words, current conditions are now standing at 2.1 SD above LTA. Expectations increased slightly by 0.3 points to 106.8, and continue pointing to an optimistic outlook for the rest of the year. Sentiment in manufacturing remained at cyclical highs. The strong manufacturing sentiment was complemented by an improvement in retail and wholesale, while construction sentiment corrected somewhat." 

 

No Brasil a Revista Isto É publicou em seu site na internet, na noite de ontem, que o juiz Sergio Moro irá condenar o ex presidente Lula por cerca de 22 anos de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, referente as investigações do Triplex no Guarujá. Se confirmada a condenação, seria o primeiro passo para uma possível inelegibilidade de Lula. Para deixar de ser “Ficha Limpa” e se tornar inelegível, Lula precisaria ser condenado em segunda instância. Não há prazo para a sentença de Moro e nem para a confirmação (ou não) em segunda instância. Os mercados financeiros locais tendem a ver uma possível condenação como positiva, pois reduzem os riscos de medidas econômicas drásticas após as eleições presidenciais de 2018, já que Lula ainda se mostra um candidato bastante competitivo segundo pesquisas rrecentes.




Data: 26/06/2017

Poucas novidades. Cenário inalterado. Ainda mantendo cautela.

 

O final de semana, até o momento, trouxe poucas novidades relevantes ao cenário econômico global. 

 

No Brasil, a mídia está reportando que a Polícia Federal terminou a perícia nas gravações realizadas pelos delatores da JBS, e que continham diálogos com o Presidente Michel Temer. Segundo os periódicos deste final de semana, as gravações não foram editadas e poderão ser usadas como prova nas investigações. Ainda de acordo com a mídia, a PGR deve apresentar as denuncias contra o Presidente de maneira “fatiada”, em 3 ou 4 passos. Assim, de acordo com a teoria da mídia, o desgaste do Presidente seria maior, pois precisaria levar cada uma das denúncias à votação no plenário do Congresso. 

 

Algumas matérias afirmam que o setor elétrico poderá sofrer uma onda de privatizações, que poderiam trazer cerca de R$30 bilhões de receitas a união. 

 

O Governo continua confiante na aprovação da Reforma Trabalhista no plenário. As demais reformas seguem em compasso de espera e com sua probabilidade de aprovação cada vez mais comprometida por um calendário que se torna, a cada dia, mais apertado. 

 

Nos EUA, após o anuncio de um novo pacote para o setor de saúde, Trump já ve dificuldades em sua aprovação que, a princípio, estaria agendada para a semana que se avizinha. Sem a aprovação deste tema, o avanço do pacote fiscal se torna cada vez mais difícil. 

 

Diante dos fatos acima, mantenho minha visão praticamente inaltera em relação a semana passada: 

 

"Mesmo com a aparente estabilização dos ativos de risco ao longo da sexta-feira, ainda vejo sinais de fragilidade, especialmente no tocante a dinâmica do petróleo. Como comentei ao longo da semana passada, a dinâmica de curto-prazo no petróleo, após a acentuada queda recente e nos atuais níveis, poderá continuar ditando a direção do humor global a risco. A decisão do Fed na semana passada ainda reverbera no mercado, e assim deverá permanecer nos próximos dias, semanas...quiçá meses e anos. 

 

Desde que a delação da JBS veio a público, e após as últimas sinalizações do Fed, vimos um movimento de sustentação do USDBRL e uma clara tendência de steepening da curva de juros. Acho que estes movimentos fazem sentido e podem continuar no curto-prazo. 

 

A curva local de juros precifica quedas de 85bps, 50bps e 30bps nas próximas 3 reuniões do Copom, com juros terminais em torno de 8,5%. Acredito que ainda haja espaço para o fechamento das taxas curtas, especialmente porque existe um prêmio de risco elevado (de altas de juros) ao longo de 2018, com a Selic atingindo novamente 10% no início de 2019. 

 

De qualquer maneira, mantenho postura neutra, com exposição as taxas curtas, porém protegido via opções altistas de dólar e com compra de inflação implícita na parte intermediária da curva."




Data: 23/06/2017

Mantendo cautela a despeito dos sinais de estabilização.

A semana está se encerrando com movimentos mais suaves dos ativos de risco, sem movimentos relevantes ou tendências muito claras, pelo menos até o momento.

Mesmo com a aparente estabilização dos ativos de risco ao longo da sexta-feira, ainda vejo sinais de fragilidade, especialmente no tocante a dinâmica do petróleo. Como comentei ontem, a dinâmica de curto-prazo no petróleo, após a acentuada queda recente e nos atuais níveis, poderá continuar ditando a direção do humor global a risco. A decisão do Fed na semana passada ainda reverbera no mercado, e assim deverá permanecer nos próximos dias, semanas...quiçá meses e anos.

No tocante ao cenário econômico, as prévias dos PMIs, especialmente na Europa e nos EUA, mostraram um quadro de moderação do crescimento. Os atuais níveis ainda são considerados saudáveis, condizentes com um crescimento razoável da economia global. A moderação nos últimos meses é de certa forma esperada, dado a alta rápida e acentuada verificada desde de fins de 2016. A partir de agora, contudo, o mercado irá esmiuçar o “hard data” em busca de sinais mais concretos de sustentação do crescimento. Caso isso não aconteça, o mercado será obrigado a rever o cenário de “goldlocks” que vinha sendo regra nos últimos meses.

No Brasil, o IPCA-15 ficou levemente acima das expectativas, mas em um patamar ainda muito favorável e com um qualitativo positivo. O número de hoje em nada deveria alterar a política monetária do BCB. Segundo nossa área econômica:

>> O IPCA veio acima do esperado (+0,16% vs. BBG: 0,11%). A nossa surpresa foi majoritariamente em administrados (combustíveis e energia elétrica), enquanto a média dos núcleos ficou 2bps acima. O qualitativo segue bom. Os indicadores de difusão (geral e de serviços) vieram em patamares bastante baixos (após ajuste sazonal). A média dos núcleos dessaz ficou em 3,1% anualizada (na média móvel trimestral dessaz). Serviços dessaz @ 4,4% (taxa anualizada) e serviços subjacentes @ 3,6%. Aparentemente a inflação de serviços subjacentes encontrou um certo piso para desaceleração (rigidez para baixo nos preços de serviços).

Desde que a delação da JBS veio a público, e após as últimas sinalizações do Fed, vimos um movimento de sustentação do USDBRL e uma clara tendência de steepening da curva de juros. Acho que estes movimentos fazem sentido e podem continuar no curto-prazo.

A curva local de juros precifica quedas de 85bps, 50bps e 30bps nas próximas 3 reuniões do Copom, com juros terminais em torno de 8,5%. Acredito que ainda haja espaço para o fechamento das taxas curtas, especialmente porque existe um prêmio de risco elevado (de altas de juros) ao longo de 2018, com a Selic atingindo novamente 10% no início de 2019.

De qualquer maneira, mantenho postura neutra, com exposição as taxas curtas, porém protegido via opções altistas de dólar e com compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. 




Data: 23/06/2017

Sinais de estabilização. Cautela ainda é necessária.

Os ativos de risco estão dando sinais de estabilização, com uma leve alta no preço do petróleo (0,4% neste momento) dando suporte as bolsas e a um movimento de dólar fraco no mundo. Ainda vejo este movimento com desconfiança e manter uma postura cautelosa neste momento.

Na agenda do dia, destaque para o IPCA-15 no Brasil e para as prévias dos PMI nos EUA e no mundo.

No cenário externo, na Europa, a prévia do PMI da Área do Euro se manteve em níveis saudáveis, condizentes com um crescimento positivo da região. O PMI Manufacturing subiu de 57,0 para 57,3, acima das expectativas de 56,8, e o PMI Services passou de 56,3 para 54,7 pontos, abaixo das expectativas de 56,1 pontos. Os números de hoje pouco alteram o cenário relativamente construtivo para o crescimento da região, assim como a direção da política monetária, que ainda permanecerá expansionista, porém em trajetória lenta e gradual de normalização.

No Brasil, no início da noite de ontem, os EUA anunciaram que estão suspendendo toda a importação de “carne fresca” do país. O efeito prático da medida é pequeno, mas sem dúvida uma medida que poderá gerar um efeito em cascata para outros países, além de afetar negativamente a imagem do Brasil em um momento já delicado. A medida tende a ser baixista para a inflação, pois irá gerar uma sobreoferta do produto internamente. Além disso, reduz as exportações e afeta negativamente o crescimento. Esses efeitos tendem a ser bastante pequenos, mas caso a medida acabe gerando contágio para outros países e/ou outros produtos, poderá majorar estes efeitos.

Os jornais de hoje trazem duas entrevistas de dois influentes gestores locais, Luiz Sthulberger e Armínio Fraga. Ambos alertam para os problemas do país e os riscos que o Brasil enfrenta na ausência de reformas. Ambos já apresentam um viés menos positivo (talvez até mais negativo) com o cenário local e externo, há algum tempo (meses), se comparados à média do mercado. Precisamos, assim, dar algum desconto a suas visões. Contudo, os dois são reconhecidos por acertarem cenários de longo-prazo mesmo que, por vezes, errem o timing de seus calls. As entrevistas devem reverberar sobre o mercado e os investidores locais ao longo do dia de hoje.




Data: 22/06/2017

Trading the Fed and Oil.

Não há mudanças significativas no cenário econômico global (nos EUA, o Jobless Claims se manteve nos lows históricos, o Bloomberg Consumer Confidence nos picos históricos, e o Leading Indicator mostrou novo avanço), mas precisamos levar em conta alguns vetores para entender (e tentar prever) a direção dos mercados financeiros globais no curto-prazo, e potencias impactos mais estruturais.

Primeiro, há a aparente mudança de postura por parte do Fed, já tratada aqui neste fórum incessantemente desde a semana passada. Segundo, existe a volatilidade recente no preço do petróleo. Ambos são capazes, individualmente, ou em conjunto, de alterar de maneira significativa a dinâmica dos ativos de risco.

A postura do Fed poderá ter impacto mais estrutural sobre os mercados financeiros globais, enquanto o petróleo parece ser uma questão pontual. Como vimos hoje, a simples estabilização de seu preço, mesmo que ainda em bases frágeis (subindo neste momento menos de 1%, após acentuada queda recente), foi capaz de dar um tom mais otimista para os ativos de risco em geral.

Acredito que o Fed tenha colocado “uma pulga atrás da orelha” do mercado, de certa forma se desvinculando de dados de curto-prazo, e mantendo uma visão prospectiva positiva para a economia, o que pressupõe a manutenção do processo de normalização monetária. O processo de comunicação da redução do balanço do Fed parece adiantado, e um anúncio oficial poderá ocorrer mais cedo do que tarde. Como este processo nunca foi testado anteriormente, pelo menos nas proporções atuais, é natural alguma cautela por parte dos investidores, especialmente se levarmos em conta o atual nível dos ativos de risco, a posição técnica de alguns mercados, e os níveis deprimidos das volatilidades realizadas e implícitas. Como já diz o ditado “Tress don´t grow to the sky”.

Sobre o petróleo, reforço o que escrevi ontem: Sou pouco entendido no assunto. Tendo a acreditar que o mercado de commodities apresenta movimentos de curto-prazo muito mais acentuados do que as mudanças de fundamentos representam. De qualquer maneira, com o WTI novamente próximo aos $40, e nos níveis mais baixos em cerca de 10 meses, o movimento começa a incomodar os demais ativos de risco. Tenho pouca sensibilidade a este mercado para emitir uma opinião concreta sobre sua direção, mas no curto-prazo a direção dele poderá ser determinante para o humor global a risco.

Vale a pena comentar a medida adotada na China, com intuito de medir os riscos a estabilidade financeira de alguns grandes conglomerados locais. Este artigo do FT resume bem a questão: https://www.ft.com/content/23c8ba54-5710-11e7-9fed-c19e2700005f. Este é um caso típico de “short term pain, for long term stability”. O governo chinês continua em uma cruzada para evitar bolhas em mercados específicos, visando desalavancar a economia e evitar problemas futuros mais agudos. O país apresentou clara estabilização neste início de ano. Alguma desaceleração do crescimento já é esperada para o segundo semestre. Contudo, como tudo na China é superlativo, qualquer desaceleração mais acentuada (e na china qualquer desvio de 0,2%, 0,3% no PIB faz preço) pode causar impactos maiores no preço dos ativos de risco.

No Brasil, o Relatório de Inflação ficou dentro do esperado (vide e-mail anterior). Na minha visão, o BCB manteve a porta aberta para a queda de 100bps ou 75bps na próxima reunião do Copom. Pelas previsões do BCB e do mercado, ainda existe um espaço razoável para a queda da Taxa Selic, o que não me parece totalmente precificado pelo mercado. Vale destacar que as expectativas de IPCA do BCB para os próximos 3 meses ainda são cerca de 40bps acima do que nossa área econômica estima, o que contrataria uma surpresa inflacionária ainda bastante grande no curto-prazo.

Continuo vendo um cenário econômico de goldilocks, mas os vetores citados acima me mantém mais cauteloso no curto-prazo, optando por posições em temas específicos, e fugindo, por ora, de temas maiores ou mais correlacionados (“dólar forte ou fraco”, , “abertura/fechamento de juros”, “alta/queda das bolsas” e etc).

Continuo vendo valor na parte curta da curva de juros nominais no Brasil, e um bom risco/retorno em algumas estruturas de opção. Mantenho uma postura de administrar o tamanho e os instrumentos da posição. Diante das incertezas do cenário, me parece difícil que o mercado embarque em um movimento rápido e acentuado de precificar um ciclo muito maior de corte de juros “a valor presente”, mas acredito que, à medida que o tempo passe, e a inflação e o crescimento baixo se concretizem, na ausência de problemas adicionais no campo político e/ou externo, o ciclo de queda da Taxa Selic poderá continuar, em nível superior ao precificado na curva neste momento. Acho prudente manter alguns hedges para a posição, como estruturas de dólar (altista) e compra de inflação implícita na parte intermediária da curva.

Mantenho viés tomador na curva de juros dos EUA. Acredito que as vols implícitas estejam baixas para adicionar a este tema via o mercado de opção. O mesmo vale para proteção dos portfólios via estruturas de opção no mercado de renda variável dos EUA.




Data: 22/06/2017

Brasil: Relatório de Inflação.

 

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira sem tendência definida. Ainda há sinais de instabilidade nos ativos de risco, com as bolsas dos EUA e da Europa apresentando queda. As commodities estão estáveis no momento, mas ainda há sinais de fragilidade no petróleo e no complexo de metais não preciosos, o que requer cautela para o humor global a risco. O dólar operam em leve queda ao redor do mundo, mas com movimentos bastante tímidos neste momento.

O dia será de agenda um pouco mais agitada do que o começo da semana. Nos EUA teremos o Jobless Claims. No Brasil o Relatório de Inflação (RI).

No Brasil, nossa área econômica espera que o RI mostre revisões baixistas nas projeções de inflação para os anos de 2017 e 2018. No primeiro caso, é esperada uma inflação abaixo do centro da meta, ao redor de 3,8%. No segundo caso, uma inflação em torno do centro da meta, em cerca de 4,5%. Esses números seriam inferiores as últimas estimativas oficiais apresentadas pelo BCB em seus últimos documentos oficiais. Se estas previsões foram confirmadas, deverá passar a impressão de que ainda existe amplo espaço (cíclico) para a queda da Taxa Selic, mesmo diante das incertezas políticas e dos problemas estruturais que afetam a taxa de juros de equilíbrio de longo-prazo, os juros estruturais da economia, e a taxa terminal para este ciclo de ajuste.

Os jornais de hoje trazem poucas novidades relevantes no campo político. A derrota do governo na Comissão do Senado para a aprovação do texto da Reforma Trabalhista ainda está reverberando na mídia. O Governo tenta, agora, se reorganizar, ao mesmo tempo em que gasta esforços na defesa do presidente perante a classe política, a sociedade e ao poder judiciário.




Data: 22/06/2017

Cautela ainda necessária. Foco deve ser em temas específicos.

 

O dia foi de poucas novidades econômicas concretas, mas com uma dinâmica que manteve os sinais de instabilidade iniciadas desde a última reunião do FOMC (e os sinais recentes do Fed).

 

O destaque absoluto ficou por conta de mais uma rodada de queda no preço do petróleo. Sou pouco entendido no assunto. Tendo a acreditar que o mercado de commodities apresenta movimentos de curto-prazo muito mais acentuados do que as mudanças de fundamentos representam. De qualquer maneira, com o WTI novamente próximo aos $40, e nos níveis mais baixos em cerca de 7-8 meses, o movimento começa a incomodar os demais ativos de risco. Tenho pouca sensibilidade a este mercado para emitir uma opinião concreta sobre sua direção. 

 

No Brasil, o destaque ficou por conta do bom desempenho da curva curta de juros, as vésperas da divulgação do Relatório de Inflação. A curva apresentou movimento de steepening, com as inflações implícitas subindo marginalmente. Acredito que estes movimentos fazem sentido, diante de um cenário cíclico extremamente favorável a continuidade do processo de distensão monetária, mas com elevados riscos estruturais provenientes do impasse político atual.

 

O Relatório de Inflação deverá mostrar um cenário de inflação mais baixa para 2017 e 2018 se comparadas as últimas estimativas do BCB. As expectativas devem ser bem abaixo do centro da meta para 2017 e em torno da meta em 2018. 

 

Continuo vendo valor na parte curta da curva de juros nominais, e um bom risco/retorno em algumas estruturas de opção. Mantenho uma postura de administrar o tamanho e os instrumentos da posição. Diante das incertezas do cenário, me parece difícil que o mercado embarque em um movimento rápido e acentuado de precificar um ciclo muito maior de corte de juros “a valor presente”, mas acredito que, à medida que o tempo passe, e a inflação e o crescimento baixo se concretizem, na ausência de problemas adicionais no campo político e/ou externo, o ciclo de queda da Taxa Selic poderá continuar, em nível superior ao precificado na curva neste momento. Acho prudente manter alguns hedges para a posição, como estruturas de dólar e compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. 

 

Nos EUA, destaque para o Existing Homes Sales, que apresentou alta em maio, acima das expectativas, e superior aos dados de housing divulgados na semana passada. É interessante observar que parte da fraqueza do setor imobiliário esteja relacionada a uma aparente ausência de oferta, o que já coloca pressão altista nos preços. Segundo o Morgan Stanley: 

 

"The housing market continues to struggle with record low numbers of homes for sale and labor shortages and other supply-side restraints preventing a stronger pickup in new home construction.

 

Listings in the affordable price range are scarce, homes are coming off the market at an extremely fast pace, and the prevalence of multiple offers in some markets are pushing prices higher. 

 

The average number of days a home was listed in May before being sold was down to 27 days from 29 in April and 32 a year ago, low in the six years the NAR has tracked it. 

 

Lack of supply versus stronger demand -- looking at mortgage purchase applications rising to a seven-year high in May and increasing further to an eight-year high so far in June -- has meant higher prices. The median existing home sales price hit a record high $252,800 in May, up 5.8% year/year. That's now 9.7% above the July 2006 housing bubble peak. 

 

Vale a pena deixar registrado que cresceu no mercado o debate em torno da postura recente adotada pelo Fed, e que venho explorando neste fórum desde a semana passada. Ainda não é um consenso no mercado quais serão os efeitos de uma possível, e cada vez mais provável, redução do balanço, mas cresce a visão de que poderá trazer efeitos negativos, mesmo que pontuais e localizados, sobre os ativos de risco em geral. 

 

Como este processo nunca ocorreu no passado, não há base de comparação. Além disso, muitos ativos de risco estão em picos históricos ou cíclicos, além das volatilidades estarem em pisos históricos.

 

Mantenho viés tomador na curva de juros dos EUA. Acredito que as vols implícitas estejam baixas para adicionar a este tema via o mercado de opção. O mesmo vale para proteção dos portfólios via estruturas de opção no mercado de renda variável dos EUA.     




Data: 21/06/2017

Cautela.

 

Os ativos de risco continuam operando com viés mais negativo. Vejo a mudança de postura por parte do Fed (já extensivamente comentada neste fórum nos últimos dias), assim como a pressão em algumas commodities (em especial o petróleo), como os principais vetores de sustentação deste viés mais pessimista. A deterioração recente da posição técnica, mostrada há alguns dias atrás pela emissão dos papéis de 100 anos na Argentina, também pode ser um vetor que esteja ajudando a dar um clima mais pessimista no curto-prazo. 

 

De maneira geral, o quadro macroeconômico segue inalterado, o que me faz acreditar que o movimento recente será pontual, e não uma mudança drástica de tendência. 

 

Por exemplo, as exportações dos primeiros 20 dias de junho, na Coréia do Sul – um país com corrente de comércio elevada, que costuma ser visto como proxy para o crescimento e a demanda global – apresentou recuperação em relação ao mês anterior, subindo elevados 24,4% YoY e 25,4% MoM (vs. 3,4% YoY e -16,2% MoM em maio). 

 

Por ora, contudo, ainda acho necessário adotar uma postura mais defensiva e tática no curto-prazo, a espera de preços mais atrativos e/ou um sinal mais claro de estabilização do humor global a risco. 

 

No Brasil, o governo sofreu uma inesperada e preocupante derrota em uma comissão do Senado, onde o texto da Reforma Trabalhista não foi aprovado. A vitória era amplamente esperada, mesmo que com pequena margem. 

 

A derrota não significa o fim da tramitação da Reforma Trabalhista. O que importa, no final das contas, é a aprovação, por maioria simples, no plenário da Casa. De qualquer maneira, a derrota é um sinal amarelo (talvez vermelho) para as reformas pendentes. Falta articulação e apoio político a este governo desde que a delação da JBS se tornou pública. Dificilmente temas polêmicos serão aprovados neste ambiente. 

 

A investigação apresentada até o momento sobre o presidente Michel Temer pela Polícia Federal (PF) aponta para indícios de corrupção passiva. À primeira vista, contudo, não existem provas adicionais aquelas já apresentadas e amplamente divulgadas na mídia nas últimas semanas. A mídia está, neste momento, apenas “requentando” notícias já amplamente divulgadas. Na opinião de um leigo no assunto, as acusações e provas parecem frágeis, na ausência de provas concretas ainda não apresentadas. Não à toa, a PF pediu tempo ao STF para concluir as investigações. 

 

No campo econômico, acumulam-se evidências de um processo desinflacionário bastante agudo e uma recuperação apenas lenta e gradual do crescimento. Ontem, o CAGED mostrou um mercado de trabalho ainda instável, a despeito dos sinais incipientes de recuperação. A arrecadação federal continua mostrando um quadro preocupante, em linha com um crescimento baixo. O número reforça a urgência de reformas estruturantes para o quadro fiscal do país.




Data: 20/06/2017

Cenário externo requer cautela no curto-prazo.

 

Na semana passada escrevi sobre a interpretação de que a sinalização do Fed havia sido mais hawkish do que as expectativas do mercado na decisão do FOMC. Ontem vimos Dudley reforçar está visão. Hoje, outros membros do Fed deram declarações na mesma linha. A mudança de postura do Fed me parece clara e coordenada. O Comitê parece cada vez mais sensível aos atuais níveis de emprego e os riscos que isso traz as perspectivas de inflação. Para colocar mais uma pitada de complexidade ao fato, alguns membros do Fed se mostram preocupados com o risco a estabilidade financeira, com os juros ainda extremamente baixos, e os níveis que alguns ativos de risco atingiram.

 

Nesta linha, alertei ontem para a emissão dos papéis de 100 anos da Argentina. Este tipo de operação, na maior parte das vezes, demonstra alguma leniência por parte dos investidores e, em muitos casos, costuma marcar um ponto de inflexão dos mercados (mesmo que pontual). Vide o e-mail enviado na tarde de ontem abaixo.

 

O cenário econômico ainda pode ser classificado como “goldilocks”. Contudo, a mudança de postura por parte do Fed não pode ser ignorada. Além disso, a emissão da Argentina mostra uma busca incessante, talvez exagerada, por yields, o que aponta para uma deterioração do quadro técnico. 

 

Acredito que o momento seja de manter os portfólios menos direcionais, em busca de temas mais específicos de investimento. Como venho afirmando nas últimas semanas, ainda vejo valor na parte curta da curva local de juros, mas tenho administrado tamanho e instrumentos. Além disso, acho indispensável a manutenção de hedges, como estruturas altistas de dólar e compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. 

 

A despeito do movimento externo nos últimos dias, com as commodities em queda e o dólar mais forte, ainda se mostra relativamente barato a alocações de alguns hedges para uma potencial deterioração do preço dos ativos, mesmo que pontual.

 

Quanto ao Brasil, muitos se mostravam surpresos com o bom desempenho dos ativos locais após os últimos eventos políticos. Na minha visão, grande parte disso se devia a um cenário externo construtivo. Este cenário começa a dar sinais, pelo menos no curto-prazo, de alguma deterioração. Como o Brasil não é uma ilha isolada, é razoável supor que uma piora do humor global deva afetar os ativos locais. 

 

Reafirmo que ainda não estou com um viés direcional pessimista, mas claramente menos otimista após os eventos recentes, já sinalizados desde a semana passada. O momento requer cautela, hedges e um posicionamento que permita adicionar risco em temas de maior convicção caso o mercado apresente uma realização mais acentuada.




Data: 20/06/2017

Sem novidades.

 

Os ativos de risco estão operando sem grandes movimentações neste momento. A agenda do dia será esvaziada. 

 

No Brasil, a Polícia Federal concluiu a fase preliminar de investigação sobre o Presidente Michel Temer. A PF viu indícios de corrupção passiva, mas pediu mais tempo ao STF para concluir as investigações. 

 

A partir de hoje, o juiz Sergio Moro poderá proferir a primeira sentença de Lula nas investigações da Lava-Jato. A condenação em primeira instância ainda não afeta a elegibilidade do ex presidente, mas é um passo grande na direção de torna-lo inelegível. Caso seja condenado em segunda instância, não seria mais considerado “ficha limpa”, tornando qualquer candidatura a cargo executivo impossibilitada.




Data: 19/06/2017

Goldilocks -> Relaftion

Brasil – A pesquisa Focus do BCB trouxe novas revisões baixistas para a inflação e o PIB, para os anos de 2017 e 2018. 

O presidente do BCB voltou a dar um tom de tranquilidade em relação ao cenário corrente para a política monetária.

Segundo os sinais emitidos por Ilan, os vetores cíclicos para a queda da taxa Selic parecem se sobrepor, de maneira cada vez mais clara, as incertezas que o cenário pode apresentar.

Como comentado no final de semana, o noticiário político parece trazer menos novidades relevantes, o que ajuda a acalmar os ânimos dos investidores.

Neste ambiente, o dia foi de bom desempenho da curva de juros, a despeito da pressão verificada no exterior, com a abertura de taxa das treasuries e a alta do dólar no mundo. Interessante observar o movimento continuo de queda das inflações implícitas, que estão reagindo a uma inflação corrente baixa, as expectativas de inflação baixa até fins de 2018 e aos sinais de que a meta de inflação será reduzida em breve.

Externo – A semana começou com alguns sinais de “reflation” (alta nas taxas de juros, alta nas bolsas, alta nas commodities metálicas não preciosas, queda nas commodities metálicas preciosas e etc), exceto pela queda no preço do petróleo. De maneira geral, prevalece um ambiente de “goldilocks”, como tenho comentado neste fórum nas últimas semanas. As bolsas dos EUA atingiram novas máximas históricas, o dólar apresentou alta generalizada, ajudado pela abertura das taxas de juros nos EUA.

O discurso de Dudley – importante membro do Fed – ajudou a dar ímpeto a estes movimentos. Dudley manteve o tom apresentado por Yellen na semana passada. O Fed parece cada vez mais sensível aos níveis do mercado de trabalho, mantido as demais variáveis constantes. Dudley acredita que a recuperação econômica será mantida e a inflação voltará a subir. O nível do emprego tem sido cada vez mais apontando como determinante neste processo. 

Além disso, no final da semana passada, O Tesouro Americano apresentou algumas propostas para a “desregulação” bancária. Caso colocada em prática, as medidas seriam capazes de estimular o crescimento, induzir a inflação e dar suporte as taxas de juros no país.

Segundo o Deutsche Bank: 

Last week’s Treasury report on core principles for regulating the United States financial system contain reform recommendations that are significant both to our macro outlook and to valuation of a broad spectrum of financial instruments. From a macro perspective, implementation of the Treasury’s recommendations could strengthen the credit impulse, contribute to more rapid growth and drawdown of remaining labor market slack, and help boost inflation toward the Fed’s target. These effects would be supportive of our macro view for moderately higher yields and a higher term premium. From a pricing perspective, the primary effect of these measures is to essentially remove Treasury holdings as a “binding constraint” on the balance sheet. This should cause compression of liquidity premium in the pricing of assets that have been distorted by high balance sheet costs relative to low asset returns.

Macro implications 

Our colleagues in Global Economics have observed a number of parallels between the current economic environment and that during the middle portion of the 1960s. The narrative goes that during this period, unemployment declined to well under 4%, relative to concurrent estimates of NAIRU of 5.6-5.7%. However, core PCE remained stubbornly low for an extended period. Ultimately, however, inflation turned up significantly. The apparent catalyst was fiscal stimulus, which drove the structural deficit from 0.7% of potential GDP to a nadir of 3.9% of potential GDP from 1965 to 1968.

From this perspective, dramatically declining expectations of the viability of fiscal stimulus suggest that the parallels might end there. To the extent that fiscal stimulus is not viable in the current political environment, inflation might be left to rise over time given further tightening of labor markets, with the Fed mechanistically pushing short rates higher to their current long term estimate of 3%.

We note, however, that the more powerful credit impulse which might be unleashed by the Treasury’s suggestions for financial reform could constitute a catalyst for more robust growth and a more rapid erosion of remaining slack in the labor market. This could push inflation up towards target and allow the Fed “space” to raise rates in a fashion more consistent with the dots than with current market pricing. This would support our core views for a recovery of inflation, moderate increases in market yields, and a restoration of the term premium.

Portfólio – Minha visão permaneceu inalterada nos últimos dias. Continuo vendo um cenário relativamente construtivo para a economia global, que vem sendo erradamente expressado (até o momento) via juros tomados nos EUA. Nos atuais níveis de preço, existem hedges extremamente baratos para serem incorporados ao portfólio.

Mantemos um viés positivo para a parte curta da curva de juros local. Temos administrado tamanho e os instrumentos da posição. Continuo gostando de hedges para qualquer eventual deterioração do cenário local, via estruturas de opção de dólar, e na inflação implícita, na parte intermediária da curva. 




Data: 19/06/2017

Goldilocks...

Os ativos de risco estão operando sem tendência definida. As bolsas da Europa e EUA operam em alta neste momento. As taxas de juros nos EUA apresentam leve fechamento de taxas, enquanto o dólar apresenta leve alta. As commodities operam sem direção única.

Por ora, o cenário externo continua benigno, no que ficou cunhado como um cenário de “goldilocks”. O crescimento global segue estável, com uma inflação no mundo desenvolvido ainda controlada e uma inflação emergente, grosso modo, cadente. Os bancos centrais das principais economias do mundo, a despeito de um processo de normalização monetária, ainda mantêm as condições financeiras globais frouxas.

Os riscos existem, e precisam ser monitorados, mas a probabilidade de ocorrência, neste momento, parece baixa. Vejo como riscos uma eventual desaceleração do crescimento chinês no segundo semestre do ano, a necessidade de uma aceleração no processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas e/ou problemas idiossincráticos em países específicos, que possam levar a contágio para países ou regiões mais relevantes (Itália, Brexit e etc).

A agenda da noite foi relativamente saudável. No Japão as exportações de maio apresentaram recuperação, mostrando uma economia global ainda robusta. As exportações saíram de 4,1% YoY para 7,5% YoY. O número traz algum alívio após uma rodada de dados um pouco menos positivos no tocante ao crescimento global.

Na China, os dados de preços de imóveis apresentaram alta em maio, também seguindo uma sequência de quedas nos meses anteriores. O número sugere alguma estabilização do setor, o que pode ser visto como um alívio de curto-prazo, dado a importância da economia da China para o mundo e do setor imobiliário para o crescimento chinês.

No Brasil, a mídia voltou a falar sobre a possibilidade de aprovação da Reforma da Previdência. O processo poderia ser feito de maneira “fatiada”, assim como a tramitação da Reforma Trabalhista está ocorrendo.

Além disso, segue o que comentei no domingo pela manhã (reproduzido abaixo). Não há informações novas no campo político, mas continua um embate de versões entre delatores e delatados.

 




Data: 19/06/2017

Poucas novidades.

 

O final de semana, até o momento, trouxe poucas novidades no cenário local e externo. 

 

No Brasil, a mídia continua focada na cobertura do que parece ser uma guerra aberta de versões entre delatores e delatados, no âmbito das investigações de corrupção no governo e no congresso como um todo. Por ora, não há nada de fundamentalmente novo daquilo que já foi reportado no passado e/ou, até mesmo, divulgado oficialmente em delações premiadas já tornadas públicas. 

 

No campo econômico, ventila-se que o governo trabalha em uma agenda positiva, que não dependa da aprovação do congresso para ser colocada em prática. Muitas das medidas que estão sendo ventiladas não passam de "requentamento" de medidas já em estudo ou em tramitação. Abaixo deste texto, copio uma lista descrita pelo Estadão. 

 

No cenário externo, Trump continua no centro de polêmicas, com rumores de que estaria sendo investigado por obstrução de justiça. Pessoas do seu entorno negam a versão, mas o mercado e a mídia ainda especulam medidas nesta direção. 

 

Voltado ao Brasil, segue  alista descrita do Estadão: 

 

EM ESTUDO 

* Reforma do PIS-Cofins

* Revisão da Lei do Bem, que estabelece incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento 

* Prorrogação do Repetro, que suspende a cobrança de tributos federais na importação de equipamento para o setor de óleo e gás 

* Permissão para que créditos tributários das empresas possam ser usados para pagar dívidas com a Previdência. 

* Construção de sistema que permitirá a emissão da nota fiscal eletrônica de serviços. 

* Aperfeiçoamento da lei de recuperação judicial. 

* Regulamentação do distrato, quando uma pessoa compra um imóvel na planta e desiste. 

* Marcos regulatórios para os setores de gás e de biocombustíveis. 

* Normas para atuação das agências reguladoras. 

* Criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), em substituição à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP)




Data: 19/06/2017

Update.

 

Os ativos de risco mostraram sinais de acomodação, após a reação de ontem aos sinais emitidos pelo Fed, e já comentados neste fórum na noite de ontem. 

 

A agenda econômica dos EUA se manteve, na melhor das hipóteses, mista. O Michigan Confidence - um dos indicadores mais importantes de confiaança do país - apesentou moderação superior as expectativas, mas com uma elevação nas expectativas de inflação. Acho natural, e até mesmo esperado, que os indicadores de confiança ("soft data") apresentem acomodação nos atuais níveis, os mais elevados da história recente. A manutenção destes indicadores em patamares robustos e elevados, contudo, ainda é sinal de uma economia saudável. 

 

Os dados do setor imobiliário voltaram a decepcionar, com queda expressiva e inesperada. O setor hoje ainda é um importante pilar de crescimento, mas sua importância para a economia se reduziu sobremaneira após a crise de 2008. 

 

Em suma, a despeito da volatilidade normal dos indicadores econômicos, continuo a ver um cenário de crescimento relativamente estável em torno de 2%-2,5%, uma inflação apenas gradualmente ascendente em meio a um mercado de trabalho robusto. O Fed deverá manter um processo gradual de normalização monetária, enquanto este cenário persistir, algo que não está totalmente precificado pelo mercado. 

 

No Brasil, o destaque ficou por conta de uma extensa entrevista do presidente do BCB. Ilan foi extremamente dovish, na minha visão, dando um enorme peso ao fatores cíclicos da economia, com a inflação baixa e o cenário de recuperação lenta do crescimento, além de dar algum "play down" na importância de curto-prazo para a Reforma da Previdência, sinalizando que outras reformas também são importantes. 

 

A Petrobrás anunciou mais uma rodada de queda no preço da gasolina, reduzindo as expectativas de inflação em cerca de 5bps. 

 

No campo político, não há novidades concretas. A mídia ventilando a possibilidade de uma série de novas delações premiadas, além de atividades suspeitas de todas as esferas da República.

 

Neste pano de fundo, repito o que tenho escrito nas últimas semanas. Continuo focado na parte curta da curva de juros no Brasil, onde ainda vejo uma assimetria relevante para a continuidade do processo de queda da Taxa Selic. Ainda trabalho com hedges locais e em busca de hedges externos, em que as vols baixas apresentam oportunidade de comprar seguros baratos.




Data: 16/06/2017

Fed em Foco.

Os ativos de risco tiveram uma quinta-feira de dinâmica interessante, talvez em um efeito retardado aos sinais emitidos pelo Fed e por Yellen ontem (comentei mais cedo sobre isso e copio o texto abaixo). 

O dia foi marcado por uma forte apreciação do dólar no mundo, sustentado pela abertura das taxas de juros nos EUA. As commodities apresentaram queda, assim como os ativos emergentes em geral tiveram um dia de pressão (negativa) generalizada. Após operar grande parte do dia em queda não desprezível, os índices de bolsa nos EUA acabara o dia apenas com leve queda.

O dia foi de agenda mista de dados nos EUA. A produção industrial apresentou queda superior as expectativas, mas os indicadores de confiança, o Philly Fed e o Empire Manufacturing ficaram acima das expectativas, mantendo as esperanças elevadas de que o crescimento do país deverá se manter em níveis saudáveis (talvez não excepcionalmente robusto, porém satisfatório).

Em especial, o Jobless Claims apresentou queda, permanecendo nos níveis mais baixos em cerca de 45 anos. Este indicador é extremamente importante, pois o Fed dá sinais de que, "ceteris paribus", ou seja, com um crescimento "ok", e uma inflação que não caio dos atuais níveis, dará mais importância aos números de emprego do que a movimentos vistos como pontuais na inflação e/ou no crescimento.

Em suma, mantido um pano de fundo de crescimento em torno de 2%, com uma inflação migrando aos 2%, mesmo que de forma extremamente gradual, os atuais níveis do mercado de trabalho terão relevância maior na função de reação de Yelle e cia.

O processo de normalização monetária por parte do Fed, neste cenário, deverá continuar gradual. Uma aceleração deste processo só será necessário caso a inflação comece a acelerar de forma mais sustentável. 

A reação do mercado hoje faz sentido diante de uma posição técnica talvez comprometida e um mercado que esperava um Fed mais preocupado com os indicadores recentes de inflação. Continuo focado em temas específicos, como a parte curta da curva de juros no Brasil, e buscando hedges para possíveis eventos extraordinários e/ou movimentos externos mais acentuados. Ainda está barato adicionar hedges nesta direção, com as volatilidade implícitas em lows históricos.

Sobre o Fed, escrevi mais cedo o seguinte:

Na noite de ontem aproveitei para analisar com calma a decisão do Fed e o discurso de Yellen.

Fiquei com a impressão que o Fed foi mais hawkish, ou menos dovish, do que se poderia imaginar, especialmente via-a-vis os dados recentes de inflação. Yellen deu um grande "play down" na baixa inflação recente, além de mostrar confiança na retomada da economia.

Mais importante do que isso, o Fed sinalizou que a comunicação do processo de redução do balanço já está avançada, e o começo efetivo deste processo de redução pode ocorrer mais cedo do que tarde.

O mercado le essa interpretação como um sinal de que o próximo passo poderá ser o anúncio efetivo da redução do balanço, deixando a próxima alta de juros apenas para o final do ano. Este cronograma favoreceria um steepening da curva de juros. Ainda é bastante incerto como o mercado irá reagir a este processo, nunca antes testado.

De forma geral, uma decisão esperada. Contudo, mantida as condições atuais, o Fed deverá dar continuidade ao processo de normalização monetária. Não é preciso que o crescimento avance muito mais, ou que a inflação acelere acentuadamente. O Fed parece cada vez mais sensível ao mercado de trabalho, dado o mais constante.




Data: 14/06/2017

Still a goldilocks scenario.

Estou fora da mesa em reunião com clientes, mas dado a importância do dia de hoje, acho válido tecer alguns comentários antes do feriado. Estarei com acesso restrito nos processos dias, então as atualizações e comentários podem ser prejudicados.

Na China, os dados de atividade econômica e agregados monetários de maio apresentaram um quadro de relativa estabilidade do crescimento. Vimos algum arrefecimento nos números referentes a investimentos, que precisam ser monitorados, mas nada que altere o pano de fundo de um crescimento relativamente estável nos próximos meses.

Nos EUA, o Core CPI ficou abaixo das expectativas, o terceiro mês consecutivo que isso acontece. As vendas no varejo também surpreenderam para baixo o consenso, mas já existiam algumas casas esperando números mais fracos. 

O Fed, por sua vez, elevou as taxas de juros em 25bps, como era amplamente esperado. O comunicado após a decisão apenas fez uma "marcação a mercado" dos números de crescimento, emprego e inflação. Yellen adotou um tom de relativa neutralidade, dando um certo "play down" nos dados recentes mais fracos de inflação.

De maneira geral, os números de hoje apenas reforçam o cenário de "goldilocks" que vem prevalecendo ao longo dos últimos meses. Existia um risco deste pano de fundo ser testado por dados mais fortes e/ou por um Fed mais duro vis-á-vis os preços  e a posição do mercado. Isso não aconteceu. Muito pelo contrário, os números recentes apenas reforçam o ambiente de crescimento estável/saudável, sem grandes acelerações ou desacelerações, com uma inflação contida. Neste cenário, os bancos centrais podem se dar ao luxo de agir com extrema cautela e gradualismo no processo de normalização monetária.

O Brasil acaba se favorecendo deste pano de fundo externo. Não há novidades relevantes no cenário local. A atividade mostra sinais ambíguos, mas parece certo que a recuperação continuará extremamente lenta e gradual. A inflação continua surpreendendo para baixo. As contas externas seguem tranquilas. É imperativo a aprovação de reformas estruturantes, como a Previdência, para o ajuste das contas públicas.

O quadro cíclico de inflação baixa e crescimento frágil não será alterado pelo vetor fundamental da aprovação ou não das reformas. o cenário externo dá certo suporte, ou tempo, para que o impasse político seja solucionado. A agenda legislativa está avançando. Os passos são lentos, os obstáculos são maiores, mas alguns avanços estão sendo conquistados.

Net/net, continuo vendo espaço para a queda da Taxa Selic e não vejo este cenáario totalmente precificado pela curva curta de juros. Ainda acho prudente trabalhar com hedges locais e externo. o cenário base continua a ser de "goldilocks", mas o mercado oferece uma oportunidade impar de adicionar hedges baratos ao portfólio.




Data: 13/06/2017

Estabilização do humor externo. Brasil: governo supera mais um obstáculo.

Os ativos de risco estão dando sinais de estabilização, após uma breve correção nos índices de bolsa dos EUA e da Europa. Ainda vejo a agenda econômica desta semana como determinante para a dinâmica dos ativos de risco durante o verão no hemisfério norte, período sazonalmente marcado por volatilidades mais baixas e liquidez idem.

Hoje, destaque para o PPI. Amanhã teremos o Core CPI, Retail Sales e decisão do FOMC. Está agenda é capaz de testar o ambiente atual de “goldilocks” ou manter o ambiente tranquilo para as próximas semanas.

No Brasil, destaque hoje para as Vendas no Varejo. O mercado já espera um número negativo, mas vemos riscos baixistas para esta divulgação.

No final da tarde de ontem, o PSDB anunciou que, por ora, permanecerá na base do governo. A decisão foi tomada visando manter a agenda de reformas e em busca de apoio do PMDB para as eleições de 2018. A posição do PSDB será reavaliada diariamente.

Passado o processo no TSE e, agora, com menos uma pressão iminente do mais importante partido aliado de sua base, o Governo Temer ganha tempo de reação, reduzindo, marginalmente, o “risco de cauda” de curto-prazo.

Já é amplamente esperado que a PGR irá abrir um inquérito contra Temer. O Governo já trabalha para barrar as investigações na Câmara, onde a PGR precisaria de maioria para dar andamento ao inquérito/processo.

Enquanto isso, a equipe econômica continua trabalhando em torno das reformas e de uma mínima agenda econômica. A mídia reporta que existe pressão de alas do governo para uma agenda positiva, visando o ajuste da tabela do IR, um novo Refis, entre outras medidas. A Fazenda é contrária a algumas dessas medidas, mas trabalha na direção de uma agenda que visa o emprego, a renda e uma recuperação do crescimento.

A pesquisa Focus realizada pelo BCB mostrou recuo das expectativas de inflação para 2018. As expectativas para o PIB voltaram a cair. O ambiente continua extremamente propício a queda da Taxa Selic, em um movimento que ainda não me parece totalmente precificado pelo mercado.

Continuo gostando de posições aplicadas na parte curta da curva nominal de juros. Existem estruturas de opção com bom risco/retorno para este cenário. Acho imprescindível manter hedges via estruturas altistas de dólar e compra de inflação implícita na parte intermediária da curva. No externo, gosto de posições tomadas na Treasury, mas com hedges via puts de S&P.  




Data: 12/06/2017

 Semana traz riscos que precisam se monitorados.

Os ativos de risco estão abrindo a semana sem tendência definida. As bolsas dos EUA e da Europa apresentam queda, mas as taxas de juros nos EUA abrem e o dólar opera sem tendência definida. O mesmo vale para as commodities.

Nos EUA, cresce o debate na mídia e nos relatórios de sell-side em torno de uma possível correção de preços em alguns setores específicos do mercado, como Tech. Os argumentos estão centrados em um cenário de valuations esticados e expectativas não realistas de crescimento de lucros.

Na Europa, problemas no setor financeiros voltaram a afetar a Espanha, após o sexto maior banco do país ser obrigado a sofrer intervenção. O JMP comenta sobre o tema:

While the market’s view of POPSM was that of a fairly idiosyncratic situation, mainly as a result of unresolved legacy issues, we think it was a complete surprised for everyone how quickly everything unfold with the ECB promptly declaring PoNV and putting the bank under resolution. We were baffled by one of the shortest sell-off we can remember, in particular in the context of the resolution of the sixth largest bank in the country and the de-facto write-off of all subordinated debt (€2bn). However, the market attention has now shifted towards other small Spanish banks where coverage ratios look vulnerable. We highlight banks such as Liberbank, Cajamar and Ibercaja where some Tier 2 bonds dropped more than 10pts over the last few sessions. We think there is an element of “missed opportunity” after some investors reflect on pretty impressive short trades over the last few months; namely POPSM subordinated debt and Vicen & Venban capital structure. Having said that, we do think there could be some substance with banks such as Liberbank potentially having to strength its balance sheet further. Conversely, we think Cajamar and, in particular, Ibercaja are stronger institutions where the market could be overreacting. 

We have run two distinct scenarios where a very conservative approach adjusts coverage ratios in line with those of POPSM. An alternative scenario, and arguably more realistic, calculates provision shortfall as a function of peers’ coverage ratios. We look at the results of our analysis in the context of reported Total Capital ratios and the 2017 SREP. We think the impact for Liberbank could be close to 400bps or very close to the current market capitalisation on an absolute basis. This may spell some question marks over the equity market access of the institution, in our view. However, with a pretty concentrated ownership structure (five investors owned approximately two-thirds of all ordinary shares), equity market access is a function of the underlying financial flexibility of these shareholders. We think there could be some negative momentum on valuation if the bank doesn’t take decisive action to dispel concerns around the book value of troubled assets, in particular if market concerns are magnified in the press.

Conversely, the capital position of Cajamar and, in particular, Ibercaja is more solid with enough capital to absorb potential losses while still being 2017 SREP compliant, in our view. We think the market has overreacted and while negative monument could last some time, we think this could ultimately prove an attractive entry point. We must emphasize that our analysis is simplistic in the sense of emphasizing the low coverage ratios of problematic assets and there may be additional losses in other lines in the balance sheet.

Reforço meu comentário de sexta-feira: Continuo vendo um cenário relativamente construtivo para a economia global, que vem sendo erradamente expressado (até o momento) via juros tomados nos EUA. Nos atuais níveis de preço, existem hedges extremamente baratos para serem incorporados ao portfólio. Elencaria Puts de S&P e Puts de Tsy como dois exemplos disso. Acho prudente ter proteções como essa para a próxima semana.

Mantenho um viés positivo para a parte curta da curva de juros local, mas trocando risco do mercado futuro para opções ao longo da sexta-feira (muito por risco/retorno e pelos riscos desta semana). Continuo gostando de hedges, via estruturas de opção de dólar, e na inflação implícita na parte intermediária da curva.

No Brasil, os jornais de hoje estão reportando que o PSDB deverá continuar em cima do muro e não irá decidir sobre saída (ou não) do governo na reunião agendada para hoje. O Governo mira agora seus esforços para a possível denuncia de Janot e uma nova batalha no Congresso para frear a investigação. Além disso, a mídia dá conta, desde o final de semana, de medidas que possam ser anunciadas visando estimular o emprego, a renda e o crescimento.




Data: 12/06/2017

Brasil: O TSE é um risco a menos, mas o cenário segue incerto.

Como era amplamente esperado, o TSE manteve o mandato de Michel Temer. O processo no TSE era apenas o primeiro passo em um longo e tortuoso caminho para este governo buscar uma reafirmação. A solução para os problemas políticos enfrentados por Temer e Cia está longe de ser encontrada, mas retirar o TSE do caminho é um passo importante nesta caminhada.

A mídia agora volta as suas atenções para a possível abertura de inquérito sobre as possíveis atitudes não republicanas de Temer, segundo as acusações da PGR. O governo terá que se articular no Congresso, em busca de apoio para a sobrevivência, já que a abertura do inquérito depende de maioria na Câmara dos Deputados.

Enquanto o inquérito não é aberto, a mídia continua trazendo a tona possíveis novas evidências contra o atual presidente e o seu entorno. Além disso, o fantasma de novas delações premiadas, que poderiam incriminar ainda mais o núcleo duro do governo, estão circulando na mídia diariamente.

Neste ambiente, Temer precisa concentrar seus esforços em sua defesa, deixando os interesses do país um pouco de lado. Este trabalho, contudo, está sendo exercido pela equipe econômica, capitaneada por Henrique Meirelles, como uma espécie de primeiro ministro informal.

Esta equipe econômica continua apresentando credencias que são bem vistas pelo mercado. A Reforma da Previdência é um passo essencial para colocar o país de volta na rota da recuperação econômica, mas outras medidas periféricas continuam avançando. 

Neste sábado, os jornais estão reportando que o governo buscará uma nova rodada de agenda positiva, focada no busca pelo emprego, o consumo e o crescimento. Não há detalhes sobre o caráter destas medidas.

De maneira geral, o cenário político continua incerto e nebuloso, mas me parece difícil fazer um “case” muito otimista ou muito pessimista no momento. O cenário externo terá um peso importante sobre a dinâmica dos ativos locais nos próximos dias. O mercado de juros local me parece mais defendido pela ancora da política monetária e de um quadro cíclico extremamente favorável à queda das taxas de juros. As incertezas sobre o crescimento e as reformas estruturantes continuam deixando o cenário para o câmbio e a bolsa um pouco mais incerto.




Data: 12/06/2017

Brasil: Inflação surpreende/ Externo: Hedges baratos.

Brasil – Destaque absoluto para a divulgação do IPCA de maio. A inflação apresentou alta de 0,31% MoM e 3,60% YoY, muito abaixo das expectativas de 0,47% MoM e 3,765 YoY. Nossa área econômica classificou o número da seguinte maneira:

O qualitativo do IPCA veio favorável, com a inflação de serviços (e a subjacente de serviços) abaixo das mínimas históricas (desde 2001). A inflação de serviços subjacentes dessaz ficou em apenas 3,1% na média móvel trimestral anualizada, enquanto serviços como todo em 5,9%. Na ponta dessaz, serviços ficaram em 4,7%. A média móvel trimestral da média dos núcleos ficou em 3,3% (taxa anualizada). A difusão dessaz de serviços rodou em patamar bastante baixo. Em suma, o cenário de desinflação prossegue e vemos um IPCA agora mais próximo de 3,25% para o ano.

O número de hoje mantém viva a chances de um corte de 100bps na próxima reunião do Copom. Acredito que esta probabilidade hoje seja superior a 50% (o mercado precifica probabilidade inferior a 30%). No mínimo, o número de hoje, aliado ao cenário de recuperação lenta do crescimento, pressupõe a continuidade do ciclo de queda de juros nas próximas reuniões do Copom. 

Em sinalizações recentes na mídia, e em reuniões com o mercado, membros do BCB sinalizaram que não estão presos a nenhum cenário específico de corte na próxima reunião, mas que veem um ambiente cíclico ainda propício a continuidade de queda da Taxa Selic. Aquela má interpretação do Comunicado após o último Copom, que critiquei neste fórum, parece já ter sido desfeito. Escreve o seguinte sobre este tema no início da semana:

Na semana passada, escrevi o seguinte sobre a decisão: Na minha humilde visão, acredito que este BCB esteja fazendo um excelente trabalho na condução da política monetária, mas sua comunicação, muitas vezes, peca pela excessiva transparência. Como não estamos em um país desenvolvido, mas, muito pelo contrário, em um país emergente, os 45 dias entre as reuniões do Comitê de Política Monetária trazem inúmeras informações novas. Assim, o excesso de sinalização pode acabar colocando o BCB em situação delicada, forçando-o a promover mudanças de postura repentinas às vésperas das reuniões. Este BCB já cometeu este erro no passado, se comprometendo com um ritmo de ajuste de juros, e pode se ver em situação semelhante novamente. Em suma, o foward guidance do livro texto, mesmo usado na melhor dos intensões aqui no Brasil, talvez não seja a melhor postura a ser tomada.

No interim entre o comunicado da semana passada e as Notas de hoje, observamos uma forte reação negativa dos ativos locais. A crise política explica parte do movimento, mas a comunicação do BCB, na minha opinião, ajudou a piorar o quadro. O BCB parece ter compreendido que, talvez, sua comunicação não tenha sido adequada, e procurou melhora-la nas Notas divulgadas hoje. Acredito que ele tenha conseguido desfazer a sensação ruim que tinha ficado após a reunião da semana passada.

Em termos gerais, o cenário base é que o Copom caia 75bps a Taxa Selic na próxima reunião. Contudo, o BCB não está totalmente preso a este cenário. A despeito da incerteza política, cujo efeito é ambíguo sobre o cenário para política monetária, o pano de fundo cíclico da economia, com inflação baixa e recuperação lenta do crescimento, ainda justificam a manutenção de um ciclo de queda das taxas de juros. O BCB afirma, como é esperado no atual estágio do ciclo, que é natural esperar quedas mais moderadas de agora em diante. Na minha visão, falar em fim de ciclo e/ou em taxa terminal de juros, neste momento, me parece prematuro.

Externo – O mercado leu as eleições na Inglaterra como um evento local e que, possivelmente, vislumbra uma política fiscal mais frouxa. O grande prejudicado neste processo acabou sendo a GBP.

Nos EUA vimos um sell-off não desprezível no Nasdaq. Não parece haver um evento específico que justifique o movimento, mas o forte desempenho de Tech neste início de ano, e valuations longe de barganhas, parecem ter ajudado o movimento de realização.

A semana que vem terá uma espécie de “Super Wednsday” com a divulgação do Core CPI, Retail Sales e decisão do FOMC.




Data: 09/06/2017

UK: Oops, They Did It Again!

Quando o cenário parecia convergir novamente para um ambiente de riscos mais controlados, as eleições gerais no Reino Unido trouxeram uma nova e inesperada surpresa aos mercados. O partido de Theresa May, a atual Primeira Ministra, perdeu sua maioria no Parlamento. As pesquisas eleitorais mostravam, até poucas semanas atrás, ampla vantagem para o partido de May, mas os números vinham convergindo conforme a data das eleições foram se aproximando. De qualquer maneira, as pesquisas ainda apontavam vitória por uma margem entre 3% a 5% para May e seu partido.

A derrota nas eleições realizadas ontem deverá levar a um Parlamento mais fragmentado e rachado. Este pano de fundo deverá enfraquecer os poderes do Reino Unido nas negociações para o Brexit, e manter o cenário político mais incerto.

Por ora, observamos uma queda de quase 2% no GBP, que está pressionando levemente o EUR. Até o presente momento não há sinais claros e óbvios de contágio do resultado para os demais ativos de risco. As bolsas sobem nos EUA e na Europa como um todo, as commodities operam sem tendência definida, e as taxas de juros estão estáveis nos EUA. O dólar apresenta movimento misto e não acentuado, exceto pelo GBP.

Na China, O CPI saiu de 1,2% YoY para 1,5% YoY em maio com o PPI recuando de 6,4% YoY para 5,5% YoY, ambos praticamente dentro das expectativas. Os números divulgados hoje em nada alteram o cenário econômico do país.

No Brasil, os jornais estão reportando que o TSE deverá inocentar Temer no processo em curso para a cassação da chapa das eleições presidências de 2014. A cassação é vista como um alívio temporário para o governo. Passado este evento, de acordo com a mídia, o Planalto terá que se defender das acusações da PGR, que provavelmente pedirá a abertura de inquérito sobre o presidente, além de administrar possíveis novas acusações, e o surgimento de novos delatores.

Enquanto isso, a pauta do Congresso avança a passos lentos. As reformas econômicas mais importantes foram adiadas. Neste momento, é extremamente difícil falar em Reforma da Previdência. O fim do processo no TSE é importante. Passada esta incerteza, o governo precisa recompor sua base e mostrar que tem condições de levar o país até as eleições do ano que vem.




Data: 08/06/2017

"Goldilocks" is back!

A narrativa do dia seguiu, grosso modo, o roteiro que descrevi hoje cedo. O ECB manteve a política monetária estável, mas alterou o comunicado para mostrar um pano de fundo mais balanceado para o crescimento, como era amplamente esperado. A área técnica do Banco apresentou revisões altistas para o PIB, porém baixistas para a inflação até 2019, mas dentro de uma expectativa que já vinha sendo ventilada no mercado.

Os ativos de risco pouco reagiram à decisão. Vimos alguma pressão no EUR, mas em um movimento natural de correção. Existia um risco de o ECB ser mais duro em seu discurso, o que acabou não ocorrendo.

De maneira geral, a decisão confirma que a liquidez global deverá continuar ampla, com movimentos apenas graduais por parte dos principais bancos centrais no mundo, como Fed, ECB e BoJ. Em um ambiente de crescimento estável e inflação contida, a liquidez ainda ampla, mesmo que caminhando em direção mais restritiva, ainda dá conforto aos investidores na busca por ativos de risco de uma forma geral.

Eu vejo um risco da curva de juros dos EUA estar precificando um cenário excessivamente dovish vis-à-vis o mercado de trabalho próximo ao pleno emprego. O Jobless Claims divulgado hoje voltou a mostrar um quadro de robustez do emprego no país.

De qualquer maneira, não vejo cenários claros de ruptura, porém de ajustes pontuais, que podem ser feitos pelo Fed ao longo do processo. A alta de juros em março, inesperada até poucos dias antes da reunião do FOMC, foi um exemplo disso. Além disso, existem instrumentos de hedge para cenários de reprecificação da curva de juros dos EUA, cujas volatilidades implícitas estão historicamente baixas, ou seja, existem instrumentos baratos para se alocar hedges nesta direção. O movimento recente dos ativos de risco mostra que a preocupação neste sentido deverá ocorrer se, e apenas, quando a inflação der sinais de vida.

Saindo do cenário dos bancos centrais, os números mais positivos de crescimento global mas, principalmente, os bons números de importação e exportação da China, também dão um alento para o cenário de “goldilocks” que está prevalecendo. Reforço que riscos existem e devem ser monitorados. Com as vols baixas, existem inúmeros hedges baratos para se proteger de eventos inesperados. Todavia, por ora, o cenário base continua a ser relativamente construtivo para ativos de risco e carry, o que favorece os ativos EM e, até mesmo, os ativos no Brasil.

No Brasil, “segue o jogo” do TSE. Vejo um mercado bastante dividido e incerto quanto ao melhor cenário político daqui para frente. Na minha opinião, a incerteza é o pior dos cenários. Assim, quanto antes os problemas forem superados, melhor. Se o TSE retirar Temer, seria um longo processo de embate jurídico. Se Temer ficar, deverá se defender da PGR e do STF, mas tem um apoio político ainda relativamente sólido. 




Data: 08/06/2017

Cenário externo continua positivo, evitando uma deterioração maior no Brasil.

 

Complementando o comentário de hoje cedo, que foi prejudicado por problemas técnicos, as informações que temos do cenário externo nas últimas horas reforçam um quadro de uma economia global que cresce de forma relativamente estável e saudável (vide exportações e importações da China, produção industrial na Alemanha, PIB na Área do Euro) e bancos centrais que sinalizam para um processo apenas gradual de retirada de liquidez da economia.

 

A reunião do ECB será em algumas horas e deverá reforçar este quadro. O BoJ, segundo artigos recentes, pretende também melhorar a sua comunicação, mas na direção de mostrar uma postura gradual no seu processo de normalização monetária. O Fed deverá elevar os juros na semana quevem e sinalizar para a continuidade do processo de normalização monetária, com mais uma alta (além das duas que terão sido concretizas na próxima semana) este ano e o anuncio dos detalhes do projeto de redução de seu balanço.

 

No Brasil, o cenário externo continua contribuindo para uma volatilidade mais baixa, mesmo que em um ambiente de incerteza. O quadro cíclico da economia também ajuda, com a inflação extremamente baixa, contas externas robustas e um crescimento que se recupera a passos lentos. A robustez da equipe econômica garante algum conforto para os investidores estrangeiros. 

 

O cenário político, contudo, se mostra conturbado. Mesmo que Temer sobreviva ao TSE, as acusações em cima dele devem se acumular, pelo o que sinaliza a mídia e a PGR. O PSDB, um dos principais pilares de sustentação do governo, acena com a ruptura, mesmo que mantendo uma postura pro reforma.

 

Tendo a acreditar que o mercado possa reagir positivamente a uma possível vitória de Temer no TSE. Segundo esta narrativa, Temer teria condições de recompor sua base em torno do mínimo possível de reformas para que o país possa sobreviver até as eleições do ano que vem. Contudo, os riscos não estarão totalmente dissipados.

 

Por isso, ainda tenho preferência por posições mais neutras em Brasil, aplicadas na parte curta da curva de juros, comprado em estruturas de opção de dólar como hedge e comprado em inflação implícita na parte intermediária da curva.




Data: 08/06/2017

Externo saudável. Sem luz no fim do túnel no Brasil.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, em um dia de agenda cheia.

 

Algum destaque para a abertura de taxa dos juros dos países desenvolvidos, primeiro na expectativa da decisão do ECB na Europa e,segundo, após um artigo da Bloomberg afirmar que o BoJ, no Japão, poderia alterar seu comunicado na próxima reunião. O mercado leu o artigo como uma possibilidade do BoJ já sinalizar para um "exit strategy" de sua atual política monetária. 

 

Na Europa, o consenso espera a manutenção da política monetária, mas com alterações na comunicação do ECB. Espera-se uma revisão altista dos dados de crescimento e a sinalização de riscos mais balanceados. 

 

Nos EUA o destaque ficará por conta do Jobless Claims. 

 

Na China, os dados de exportação e importação ficaram acima das expectativas, mostrando um crescimento local e global estável e saudável. Segundo o Morgan Stanley: 

 

May trade growth rose more than market expectations: Exports growth advanced to 8.7% YoY in May (vs. 8.0% YoY in April; Consensus: 7.2% YoY; MSe: 8.5% YoY), led by stronger exports to Euro Area and Korea. The exports growth trend has been largely in line with the Morgan Stanley Global Trade Leading Indicator (MSGTLI), which tends to lead China’s export growth by 4-5 months and is still elevated. Meanwhile, imports growth rebounded unexpectedly to 14.8% YoY in May (vs. 11.9% YoY in April; Consensus: 8.3% YoY; MSe: 9.0% YoY). The key driver was stronger processing imports on better external demand, while imports for domestic demand also remained largely stable. As a result, the trade surplus edged up to US$40.8bn in May from US$38.0bn in April. 

 

No Brasil, ainda não há luz no final do túnel. O episódio reportado pela mídia em que o presidente atual utilizou um avião privado de um hoje delator está sendo visto como um fato novo, e que traz mais fragilidade ao governo.

 

O Valor está reportando que o PSDB deverá abandonar o governo na reunião convocada para segunda. O partido apoiaria reformas econômicas mais brandas, mas não daria apoio irrestrito ao governo atual.




Data: 07/06/2017

Petróleo em foco. Sem definições no Brasil.

O destaque ficou mais uma vez por conta de uma forte queda no preço do petróleo, após números de estoques que mostraram forte acumulo na última semana. Ao contrário do que poderia se esperar, contudo, o mercado de juros e renda variável, nos EUA, apresentou desempenho positivo.

Nesta linha, a divulgação do testemunho do ex diretor do FBI ao congresso dos EUA foi lido pelo mercado como positivo pois, aparentemente, não demonstra obstrução de justiça por parte de Trump. Por esta narrativa, o testemunho reduziria o risco de cauda de um possível processo de impeachment do presidente Trump.

No Brasil, o processo do TSE foi interrompido e será retomado amanhã. Ainda há muitas incertezas em torno do processo, mas existe uma crescente expectativa de que o processo será encerrado ainda está semana. Além disso, cresce o entendimento de que Temer poderá ser absolvido.

Continuo vendo um cenário local extremamente nebuloso. O mercado deu sinais de que a permanência de Temer possa ser positiva, pois poderia trazer alguma tranquilidade, lhe dando tempo para recompor a base e dar andamento às reformas. Contudo, o MPF, PF e Judiciário continuam mostrando diversas acusações contra o presidente e aliados próximos, o que demonstra que a instabilidade política deverá ser recorrente em qualquer dos cenários trazidos pelo TSE.

Neste ambiente, continuo favorecendo um portfólio relativamente neutro em Brasil, aplicado na parte curta da curva, porém com hedge via estrutural de opção no dólar e comprado em inflação implícita na parte intermediária da curva.




Data: 07/06/2017

Sem novidades relevantes.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, seguindo uma noite sem muitas novidades. Após rápida e acentuada recuperação durante a terça-feira, o petróleo voltou a operar em queda, reagindo a números de estoques divulgados no início da noite de ontem.

 

A agenda econômica deverá permanecer esvaziada ao longo desta semana nos EUA. Algum destaque está sendo dado ao quadro político no país, onde o ex chefe do FBI irá testemunhar em uma sessão do Congresso.

 

No Brasil, o julgamento do TSE teve início e está, mas dentro do cronograma. O relator deverá ler o seu voto apenas hoje e será seguido pelo voto dos demais juízes.




Data: 06/06/2017

Brasil: Que diferença uma boa comunicação do BCB faz...

O dia foi marcado pela divulgação das Notas do Copom, referentes a reunião da semana passada, onde foi decidido a queda de 100bps da Taxa Selic. Na semana passada, escrevi o seguinte sobre a decisão:

Na minha humilde visão, acredito que este BCB esteja fazendo um excelente trabalho na condução da política monetária, mas sua comunicação, muitas vezes, peca pela excessiva transparência. Como não estamos em um país desenvolvido, mas, muito pelo contrário, em um país emergente, os 45 dias entre as reuniões do Comitê de Política Monetária trazem inúmeras informações novas. Assim, o excesso de sinalização pode acabar colocando o BCB em situação delicada, forçando-o a promover mudanças de postura repentinas às vésperas das reuniões. Este BCB já cometeu este erro no passado, se comprometendo com um ritmo de ajuste de juros, e pode se ver em situação semelhante novamente. Em suma, o foward guidance do livro texto, mesmo usado na melhor dos intensões aqui no Brasil, talvez não seja a melhor postura a ser tomada.

No interim entre o comunicado da semana passada e as Notas de hoje, observamos uma forte reação negativa dos ativos locais. A crise política explica parte do movimento, mas a comunicação do BCB, na minha opinião, ajudou a piorar o quadro.

O BCB parece ter compreendido que, talvez, sua comunicação não tenha sido adequada, e procurou melhora-la nas Notas divulgadas hoje. Acredito que ele tenha conseguido desfazer a sensação ruim que tinha ficado após a reunião da semana passada.

Em termos gerais, o cenário base é que o Copom caia 75bps a Taxa Selic na próxima reunião. Contudo, o BCB não está totalmente preso a este cenário. A despeito da incerteza política, cujo efeito é ambíguo sobre o cenário para política monetária, o pano de fundo cíclico da economia, com inflação baixa e recuperação lenta do crescimento, ainda justificam a manutenção de um ciclo de queda das taxas de juros. O BCB afirma, como é esperado no atual estágio do ciclo, que é natural esperar quedas mais moderadas de agora em diante. Na minha visão, falar em fim de ciclo e/ou em taxa terminal de juros, neste momento, me parece prematuro.

Nos EUA, um fato não usual parece ter ocorrido, com uma forte apreciação do JPY afetando o humor para os ativos de risco. Geralmente, a correlação é inversa, ou seja, a piora do humor global nos ativos de risco acaba afetando o JPY.

Os dados econômicos, com o JOLTs Job Openings atingindo o maior patamar deste ciclo econômico, continuam mostrando um mercado de trabalho robusto, mesmo que o qualitativo deste número não tenha sido tão positivo como o “headline”.  




Data: 06/06/2017

Commodities: Mais uma rodada de queda.

A despeito de uma agenda esvaziada durante a noite, os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais negativo. As commodities voltaram apresentar queda, em um movimento liderado pelo petróleo, mas que vem sido seguido, de perto, pelas commodities metálicas não preciosas. Nesta mesma linha, observamos hoje um fechamento de taxa de juros nos EUA e um movimento de dólar forte no mundo. O JPY, contudo, apresenta forte apreciação. Em suma, um dia clássico, mesmo que ainda tímido de “risk-off”.

Não vi nenhuma novidade que justifique estes movimentos. Contudo, as perspectivas de uma desaceleração da economia da China, após a divulgação de um ISM Manufacturing mais fraco, além dos sinais de um pico de curto-prazo no crescimento da Ásia como um todo podem estar dando sustentação a este quadro.

No Brasil, o foco da agenda ficará por conta do processo de cassação da chapa Dilma-Temer que retomará os trabalhos no início da noite de ontem. Neste momento, parece extremamente difícil prever o resultado desta fase do processo (Cassação? Pedido de vistas? Separação da chapa?).

Confesso que já tive mais certeza de qual seria o melhor cenário para o avanço das reformas no país. Acredito, agora, que o cenário de incerteza reinante no momento talvez seja o pior dos cenários possíveis. A manutenção do atual governo, com a retirada da incerteza de uma cassação, pode ajudar a recompor a base aliada e dar sustentação a Temer e Cia. A cassação da chapa poderá eleger um novo governo, com o mesmo perfil do atual, abrindo espaço para a retomada das discussões em torno das reformas econômicas. A manutenção do atual cenário, em que o governo apenas tem a preocupação em se defender de acusações, sem poder de discussão e diálogo com a base, torna as reformas econômicas inviáveis.

Ontem, a pesquisa Focus do BCB mostrou recuo das expectativas para o IPCA de 2017 e manutenção das expectativas para o IPCA de 2018. Já existe um movimento de revisão para baixo do PIB deste ano. Por ora, a despeito de uma leve alta do dólar, o cenário pouco mudou para a política monetária no país.

Acredito que a curva local de juros já tenha atingido um nível, na parte curta da curva (até Jan19) que justifique posições pelo menos medianas. Continuo gostando da inflação implícita na parte intermediária da curva e de estruturas de opção de dólar como hedge para as posições aplicadas na parte curta da curva.




Data: 06/06/2017

 Semana começa tranquila.

Os ativos de risco estão abrindo a semana com tom de relativa tranquilidade e estabilidade. Destaque para uma leve recuperação no preço das commodities, liderada por uma alta do Minério de Ferro esta noite.

No México, as eleições regionais afastaram, temporariamente, o risco de vitória de partidos extremistas nas eleições gerais, o que está ajudando o movimento de quase 2% de apreciação do MXN.

Na Austrália, os “business indicators” do 1Q mostraram um quadro de crescimento menos negativo do que se temia as vésperas da divulgação do PIB no país, o que também está ajudando a dar suporte a moeda do país (AUD). Segundo a Goldman Sachs:

Today's business indicators report was broadly stronger than expected - featuring solid and broad-based growth in profits (to an around decade high in the non-mining sector) and sales volumes, both at the corporate and unincorporated level. In concert with a larger than expected ~+40bp boost to 1Q2017 GDP from the inventory cycle, today's update has stronger implications for 1Q2017 GDP and we have revised up our tracking estimate by +10bp to +0.4%qoq to reflect this. To be clear, wages growth in the economy remains weak - however, we have argued that a major positive income shock which has clearly buoyed non-mining profitability and sentiment will filter through to wages over 2Q2017. In turn, just as the RBA has signaled greater conviction in its forecast solid recovery in growth, we remain of the view that the market has adopted an overly negative stance on the recent local economic news flow. We believe the market is under-estimating the probability of a rate hike in the medium term (GS: +25bp in November 2017).

No Brasil, os jornais trazem poucas novidades em relação ao que já discuti neste fórum durante o final de semana.




Data: 06/06/2017

Brazil: It´s not getting better...

Uma nova onda de atentados terroristas, realizados na forma de “Lobo Solitários”* atingiram Londres, a capital da Inglaterra. Os eventos devem trazer uma pitada de incerteza adicional às eleições gerais agendadas para esta semana.

A despeito da enorme tragédia humana que estes ataques terroristas causam na sociedade, este tipo de evento tem apresentando um padrão de trazer poucos impactos aos mercados financeiros globais.

No Brasil, a situação política apresentou deterioração ao longo do final de semana. O tempo passa, as acusações sobre o atual governo crescem – mesmo que sem condenações concretas – e o atual presidente dá sinais de que pretende permanecer no cargo e lutar, até a última instância, por seu mandato.

Na atual conjuntura, sem uma solução para este impasse, ou para esta crise política, a agenda legislativa avança a passos lentos, sem que as principais matérias necessárias para a recuperação dos melhores fundamentos econômicos para o país sejam pautadas. O aumento da incerteza afeta negativamente a confiança dos consumidores e empresários que, consequentemente, pressionam negativamente o crescimento. Por ora, a relativa tranquilidade do cenário externo esta dando algum espaço para que a deterioração dos preços dos ativos locais seja contida, mas não podemos contar com este ambiente “ad aeternum”. A inflação deverá continuar baixa, as reservas internacionais dão conforto à equipe econômica e as contas externas se mostram sólidas. Contudo, a classe política precisa entender que a trajetória da dívida/PIB, em um país sem crescimento, traz efeitos nefastos para a economia, para a sociedade e para os mercados financeiros locais. As reformas econômicas são imperativas.

De maneira geral ainda vejo um alto grau de incerteza no curto-prazo. Ainda vejo um cenário de afastamento do atual governo, com a eleição indireta de um candidato de bom senso, de consenso e com perfil reformista como a melhor opção na atual conjuntura. Contudo, este nome ainda não surgiu no cenário. Empurrar com a barriga um governo enfraquecido, sem capacidade de mobilização da base em torno das reformas me parece ser, talvez, o pior dos cenários possíveis, exceto pelas eleições diretas, que me parecem incostitucionais.  




Data: 06/06/2017

Brasil: Incertezas aumentam.

O fluxo de notícias deste início de final de semana está intenso. De maneira geral, os rumores que circulam no mercado mantém o cenário político extremamente incerto e nebuloso.

Nesta manhã, o ex deputado Rocha Loures – aquele que foi filmado em uma “ação controlada” da Polícia Federal recebendo uma mala com R$500 mil – foi preso. O ex deputado é visto pelos investigadores como uma pessoa muito próxima ao Presidente Michel Temer. Ele é acusado de ser um agente que defenderia o atual Presidente em relações não republicanas. A prisão de hoje eleva o clima de incerteza para o atual governo, pois aumenta a chance de que Loures acerte um acordo de elação premiada, podendo envolver a cúpula do atual governo. Vale lembrar que os fatos ainda estão em fase de investigação. A PGR apresentou seus argumentos e suas acusações, mas os envolvidos terão a oportunidade de defesa. Por ora, os acusados negam atividades ilícitas.

A grande mídia está especulando a possibilidade de delação premiada dos ex Ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega. O primeiro, com grandes laços no Governo Lula. O segundo, figura de confiança do Governo Dilma. A eventual concretização dessas delações poderia implicar de forma definitiva os últimos governos petistas nos escândalos recentes, reduzindo drasticamente as chances de uma candidatura petista competitiva para as eleições presidenciais de 2018.

A mídia especula, ainda, que o empresário, já preso a quase 1 ano, Lúcio Funaro, também estaria negociando um acordo de delação premiada. Segundo a mídia, Funaro teria estreitos laços com a cúpula do PMDB, e poderia trazer a tona novos episódios, além de provar atos que estão sendo investigados. De acordo com o que está sendo reportado hoje na mídia, Funaro teria condições de implicar de forma ainda mais concreta o envolvimento da cúpula do atual governo em relações espúrias entre o meio empresarial e o meio político.




Data: 02/06/2017

EUA: Sinais dúbios.

 

O destaque do dia ficou por conta dos dados de mercado de trabalho dos EUA para o mês de maio. O número mostrou uma desaceleração da criação mensal de vagas, mais uma queda na taxa de desemprego (totalmente explicada pela queda da taxa de participação) e uma alta gradual do Average Hourly Earnings. 

O mercado reagiu com mais um movimento de queda do dólar no mundo, sustentada pelo fechamento de taxas nos EUA. Os principais índices de bolsa do país apresentaram alta, atingindo novos picos históricos.

O número de hoje mostra uma economia saudável, e em nada altera o cenário para uma alta de 25bps por parte do Fed na reunião do FOMC deste mês. Acho natural, no atual nível de emprego, que haja uma desaceleração na criação mensal de vagas de trabalho. Assim como acho natural e esperado alguma moderação nos indicadores de confiança. A aparente ausência de pressões de salários indica que ainda possa haver algum espaço no hiato do produto. Eu vejo a economia muito próxima do pleno emprego e acredito que uma alta na inflação, mesmo que gradual, é uma questão de tempo.

A está altura do ciclo econômico parece evidente que os mercados financeiros globais continuarão a ver este ambiente de crescimento saudável, com uma criação ainda positiva de emprego, e sem pressões inflacionárias aparentes, como um ambiente propício aos ativos de risco em geral. 

Vale lembrar, contudo, que desde a última alta de juros promovida pelo Fed houve um forte afrouxamento das condições financeiras nos EUA. Persistindo este ambiente, e levando em conta as indicações de membros do Fed, é natural esperar que o processo de normalização monetária seja ainda mais rápido do que o imaginado anteriormente. Isto não significa, contudo, que o processo precise causar rupturas. O mercado hoje precifica 2 altas de juros de 25bps apenas em outubro de 2018 e menos de 2,5 altas de 25bps até o final de 2019. Na ausência de algum choque econômico, e mesmo diante de uma inflação controlada, este cenário me parece excessivamente pessimista.

No Brasil, a Produção Industrial de abril superou as expectativas do mercado com alta de 0,6% MoM e -4,5% YoY. A surpresa, contudo, em pouco altera o cenário nebuloso para o crescimento do país. Nossa área econômica resumiu de forma pertinente este quadro:

>> A PIM veio acima do esperado (+0,6%m/m dessaz vs. BBG: +0,1%m/m dessaz e -4,5%a/a vs. BBG: -5,5%a/a). Entretanto, a dinâmica de retomada da atividade industrial tem sido hesitante, ora subindo ora caindo, ficando mais ou menos de lado quando comparamos ano nível de produção do começo de 2016. A média móvel trimestral anualizada da taxa de crescimento da PIM mostrou contração de 2,7%. A produção de bens duráveis (segmento leading de ciclo) tem mostrado alguma tendência de retomada ao longo dos últimos meses. A nossa proxy mensal de investimentos mostrou queda em abril (e -8,7%a/a). O ainda elevado nível de estoques na indústria, o alto patamar de incerteza e o baixo nível de confiança industrial (FGV) sugerem a continuidade da dinâmica rastejante da produção industrial.

Não estou adicionando risco no momento. Estou observando com atenção o movimento da curva curta de juros no Brasil. Já vejo valor, por acreditar na continuidade de um processo de queda gradual da Taxa Selic, mas a dinâmica do mercado, aliado ao quadro técnico, me fazem esperar atentamente o momento oportuno para posições mais agressivas. Estou utilizando o BRL como hedge tático do book de juros, mesma postura na compra de inflações implícitas na parte intermediária da curva. 

No cenário externo, gosto de algumas posições direcionais via opções, cujas vols implícitas estão excessivamente baixas, na compra do dólar, porém extremante seletivo. Ainda gosto de posições tomadas nos juros dos EUA.




Data: 02/06/2017

Commodities sell-off!

 

A manhã está sendo marcada por mais uma rodada de forte queda nas commodities. Neste momento, por exemplo, o Petróleo cai 2,5% e o Cobre recua 1,7%. A despeito destes movimentos, as bolsas do EUA operam em alta, os juros estáveis e o dólar apresenta movimento misto. Não vi informação nova que justifique o movimento das commodities, mas o aumento do receio em relação a desaceleração da China, e a possibilidade de condições financeiras “menos frouxas” nos EUA, pode estar dando ímpeto a correção das commodities.

 

Os dados de emprego de maio, nos EUA, serão o destaque da agenda do dia e poderão determinar a dinâmica de curto-prazo dos ativos de risco. 

 

No Brasil, os jornais já falam abertamente na possibilidade de “desembarque” de parte do PSDB da base governista. A despeito da aparente reação do governo nos últimos dias, com o fluxo de notícias menos negativo no campo político, a situação ainda se mostra extremamente delicada e incerta.




Data: 01/06/2017

Sinais de desaceleração na Ásia. Copom opta pelo conservadorismo.

 

A agenda econômica na Ásia trouxe os primeiros sinais um pouco mais concretos de desaceleração da região. Após um começo de ano bastante positivo, os investidores podem começar a questionar a sustentabilidade do crescimento mais saudável apresentado no primeiro trimestre deste ano.

 

Na China, o Caixin Manufacturing PMI recuou de 50,3 para 49,6 pontos em maio, abaixo do patamar de 50 pontos que determina se a economia está em expansão ou em contração. Nos últimos meses e, em especial, nos últimos dias, o PBoC promoveu um forte aperto das condições monetária no país, elevando as taxas de juros de mercado de curto-prazo e ajudando a estabilizar o CNY. É natural esperar que está postura traga alguma desaceleração para a economia, mas resta saber qual a magnitude deste freio imposto pelo policy makers. 

 

Na Coréia do Sul, as exportações de maio – um número considerado importante para medir a saúde da economia global devido a elevada corrente de comércio do país – apresentou queda sequencial em torno de 4,2% MoM dessaz, saindo de mais de 20% YoY para 13,4% YoY. O número ainda se encontra em patamar saudável, mas a desaceleração requer atenção especial. 

 

Seguinte este fluxo de números, o Minério de Ferro apresentou mais uma forte queda, em um sinal de que a demanda possa estar desacelerando em um ambiente em que há uma entrada de ofertas previstas para os próximos meses/anos com a entrada em vigor de novas plantas de projetos passados. 

 

No Brasil, o Copom anunciou na noite de ontem uma queda de 100bps na Taxa Selic, como era amplamente esperado pelo mercado. Ao contrário do que eu imaginava (um comunicado em aberto e flexível para as próximas decisões), o BCB optou por sinalizar claramente a necessidade de cortes mais moderados nas próximas decisões (75bps), mesmo sinalizando que a crise política possa ter como efeito um menor crescimento. Neste cenário, a antecipação do corte de juros não é mais viável, segundo o comunicado, e a taxa de juros terminal do ciclo deveria ser maior do que a anteriormente prevista. 

 

Na tarde de ontem, a curva precificava queda de 100bps para esta reunião, 75bps e 50bps para as reuniões subsequentes. Já existia uma prêmio de risco elevado (altas de juros) para o ano de 2018. Acredito que a curva possa apresentar uma abertura de taxas hoje, pelo técnico do mercado e pela sinalização, na minha visão, muito mais hawkish por parte do BCB. 

 

Ainda vejo um cenário cíclico extremamente favorável a queda da Taxa Selic, com uma inflação desabando, uma recuperação muito lenta e gradual do crescimento e uma taxa de câmbio estável. De qualquer maneira, este BCB já deu inúmeras amostras de conservadorismo. Assim, precisamos respeitar sua postura e sua sinalização.




Data: 31/05/2017

Update.

 

No tocante aos mercados financeiros globais, destaque para mais um dia de forte queda no preço do petróleo, que voltou ao patamar de $48, após queda de quase 3% nesta quarta-feira. Na China, o PBoC promoveu mais um short squeeze no CNY. Após forte elevação das taxas de juros de mercado e de curto-prazo, a moeda do país apreciou cerca de 1%, movimento extremamente relevante para a volatilidade diária histórica da moeda.

No Brasil, o dia foi de forte queda da bolsa, apreciação do BRL e bom desempenho  do mercado de juros. Está se tornando cada vez mais difícil de tentar explicar os movimentos diários dos ativos locais. Fluxos pontuais e a posição técnica do mercado estão imperando na atual conjuntura.

No tocante ao cenário econômico, a taxa de desemprego de abril apresentou o primeiro recuo em cerca de 3 anos. A despeito da modesta recuperação, os sinais ainda são de um mercado de trabalho extremamente fraco e sem sinais consistentes de recuperação. Segundo nossa área econômica:

>> A taxa de desemprego veio abaixo do esperado (13,6% vs. BBG: 13,8%), mas ficou estável em 13,2% após ajuste sazonal. A população ocupada caiu ligeiramente no mês, enquanto a taxa de participação caiu (de 61,58% para 61,55%) – após ajuste sazonal. Isso contribuiu para manter a taxa de desemprego dessaz estável. Na margem, os reajustes nominais têm sido mais fracos (dessaz). Em 12 meses, a massa salarial real e o rendimento real tem crescido em patamar relativamente saudável. Boa parte disso se deve a rápida desaceleração do IPCA em 12 meses. A expectativa de lenta e gradual recuperação da economia brasileira (caso não tenha um forte headwind advindo da incerteza política) deve manter a taxa de desemprego em níveis bastante elevados nos próximos meses. Esperamos elevação adicional da taxa de desemprego dessaz nos próximos meses.

Nos EUA, o Chicago PMI saiu de 58,3 para 59,4 pontos, acima das expectativas de 57,0. O número é condizente com uma recuperação do crescimento neste segundo trimestre do ano. O Beige Book – análise qualitativa divulgada pelo Fed – mostrou um mercado de trabalho extremamente robusto, compatível com a minha visão de hiato do produto fechado e pleno emprego.




Data: 31/05/2017

China PMI, Europe Inflation and Brazil Political Scenario.

 

Os ativos de risco estão operando sem um viés claro neste momento. Na noite de hoje, a divulgação do PMI Manufacturing oficial da China ficou levemente acima das expectativas em maio, ficando estável em 51,2 pontos, acima das expectativas de 51 pontos. O número, de maneira geral, confirma um cenário de estabilidade do crescimento do país, a despeito do recente aperto das condições financeiras verificadas e induzidas pelo PBoC com o intuito de evitar novas rodadas de depreciação do CNY e impedir o desenvolvimento de “bolhas” em mercados específicos. 

 

Na Europa, o CPI Estimate saiu de 1,9% YoY para 1,4% YoY, levemente abaixo das expectativas de 1,5% YoY. A despeito das expectativas do começo de um processo de normalização monetária na região, os sinais de inflação ainda são escassos e divergentes. 

 

No Brasil, o Valor Econômico afirma que o PSDB fechou um acordo com o Governo Temer para apoiar o Governo e as Reformas enquanto este não sofrer nenhuma derrota jurídica. Caso Temer seja cassado pelo TSE, o PSDB afirmou que irá “desembarcar” do Governo. Neste cenário, o principal partido da base aliada se comprometeu a apoiar (e votar) a Reforma Trabalhista já nos próximos dias (talvez na próxima semana). 

 

A Folha de São Paulo vai além da Reforma Trabalhista e já afirma que o Governo retomou a contagem de votos para  Reforma da Previdência e poderia vota-la ainda no primeiro semestre, antes do encerramento do processo no TSE. 

 

O mesmo jornal voltou a reportar que Palocci trabalha na sua delação premiada, onde iria mirar esforços no setor financeiros (alguns bancos), empresarial e no ex presidente Lula.




Data: 30/05/2017

Brasil: Sem soluções fáceis, mas com yields atrativos. Até quando?

 

Exceto por questões idiossincráticas que estão afetando a dinâmica de países/ativos específicos, como o caso do MXN e do ZAR hoje, o cenário externo continua relativamente estável e tranquilo.

Nos EUA, os dados de Personal Income, Personal Spending e Core PCE ficaram praticamente dentro das expectativas. O Consumer Confidence de maio apresentou leve recuo, mas se manteve em patamar historicamente robusto.

Os números confirmam as expectativas de uma aceleração do crescimento do país neste segundo trimestre do ano, e uma inflação que sobe (apenas) gradualmente para a meta estabelecida pelo Fed, de 2%. Mantido este cenário, tudo indica que o Fed poderá elevar as taxas de juros em 25bps na reunião do FOMC de junho, cenário que está praticamente precificado na curva de juros. A curva, contudo, ainda trabalha com menos de 2 altas adicionais de 25bps até o final deste ano, e menos de 4 altas de 25bps até o final de 2018. Se o cenário atual se mantiver constante, tendo a acreditar que haja espaço para um aperto das taxas de juros de maneira um pouco mais acelerada do que está.

No Brasil, na ausência de novidades relevantes, o mercado continua seguindo fluxos pontuais. Hoje o dia foi de realização de lucros na curva de juros, mas bom desempenho do BRL e do Ibovespa, em movimentos contrários aqueles apresentados ontem.

A situação do governo continua delicada. O Congresso acena com a possibilidade de continuidade das reformas, mas de maneira mais desidratada do que o previsto anteriormente. Ao que tudo indica, enquanto o cenário externo estiver tranquilo, não os problemas locais será “relevados” pelos investidores.

A curva local precifica uma queda de praticamente 100bps no Copom desta semana, uma queda adicional de 75bps na reunião seguinte e cerca de 75bps adicionais de queda divididos nas duas reuniões subsequentes.

Nossa área econômica espera um IPCA de 3,65% este ano e 4,26% em 2018. O BCB teve uma surpresa baixista em torno de 50bps na inflação do primeiro trimestre deste ano. A recuperação da economia se mostra extremamente lenta e gradual. O dólar, a despeito da alta recente, se encontra praticamente no mesmo patamar da última reunião do Copom. Assim, a despeito das incertezas políticas, o quadro cíclico da economia ainda parece favorecer a manutenção de um processo de queda da Taxa Selic. Ainda parece haver “gordura”, ou prêmio de risco excessivo na parte curta da curva local de juros.

O cenário de incerteza doméstico, contudo, demanda a busca por hedges. A inflação implícita na “barriga da curva” e estruturas de opção de alta do dólar podem fazer sentido em um portfólio ainda aplicado em juros locais. As vols implícitas nas opções de BRL já caíram bastante. Não estão baixas, ou baratas, mas a busca por hedges parece ser prudente no atual cenário. 




Data: 30/05/2017

Brasil: Minirreforma da Previdência.

 

Na ausência de novidades relevantes no cenário, os ativos de risco operam próximos a estabilidade neste momento. A agenda do dia será importante, com Core PCE e Consumer Confidence nos EUA.

 

No Brasil, os jornais continuam reportando a possibilidade de avanço de uma Reforma da Previdência “fatiada” e “desidratada”, mas que seria melhor do que não efetuar nenhuma mudança na legislação. Segundo o jornal O Globo: 

 

"O fatiamento da reforma de Previdência começa a ganhar força no Congresso, em conversas reservadas entre técnicos, especialistas e parlamentares da base do governo, diante da instabilidade na política. Uma das alternativas seria redesenhar a proposta para focar nos servidores públicos, como uma forma de ajudar a resolver a crise fiscal nos estados e manter o apoio do setor produtivo, que defende as mudanças para consolidar a retomada da economia. Para os defensores dessa proposta alternativa, ao retirar do texto trabalhadores do setor privado que seriam alvo de polêmica, como rurais, idosos e deficientes de baixa renda que ganham Benefício de Prestação Continuada (BPC-Loas), a reforma ganharia o apoio de algumas bancadas, como a do Nordeste, e de boa parte do PSDB, um dos principais aliados do governo. Derrubaria também o argumento da oposição de que os mais pobres serão atingidos. Exceção seria a fixação de idade mínima de 65 anos para o funcionalismo, via alteração constitucional. Nesse caso, a medida poderia ser estendida para os aposentados do INSS, uma vez que alterações de idade para aposentadoria, em qualquer dos regimes, depende de mudança na Constituição. Para o especialista em contas públicas Raul Velloso, a crise que fragilizou o presidente da República pode obrigar o governo a reduzir o alcance da reforma — apesar do discurso contrário dos ministros. Segundo ele, a solução alternativa de fazer primeiro a reforma dos servidores públicos é “inteligente”."

 

Para O Estado:

 

Com o agravamento da crise política no País, líderes de partidos da base aliada na Câmara dos Deputados começaram a defender uma reforma da Previdência mais “enxuta”. Nas conversas, os parlamentares já discutem aprovar apenas o aumento da idade mínima para a aposentadoria, considerado um dos pilares da proposta. As outras mudanças seriam encaminhadas só a partir de 2019, quando o País terá um novo presidente eleito pelo voto direto. Outra opção cogitada por lideranças no Congresso é uma “minirreforma” da Previdência, como antecipou o Estadão/Broadcast na semana passada. Alguns estudos já foram encomendados para verificar a viabilidade de aprovar medidas por outros caminhos que não uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) - que precisaria de 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Uma saída seria fazer algumas mudanças por medida provisória (MP) ou projeto de lei, que precisam de menos votos.

 

Ainda segundo a mídia, o processo que corre no TSE sobre a Chapa Dilma-Temer poderá sofrer adiamento devido à elevada probabilidade de algum pedido de vistas por parte de algum dos julgadores. Devido à complexidade do tema, este caminho seria natural, e até mesmo esperado, nesta fase do processo.




Data: 29/05/2017

Brasil: Mercado de juros mostra maturidade.

 

A segunda-feira foi de feriado nos EUA e na Inglaterra, o que manteve os mercados externos sem grandes novidades.

No Brasil, tivemos mais um dia de bom desempenho do mercado de juros, a despeito de uma leve realização de lucros nos mercados de câmbio e renda variável.

A expectativa de um IPCA bastante benigno no próximo mês, após o reajuste da gasolina e a bandeira verde para a energia elétrica, estão sem dúvida ajudando a ancorar o mercado local de juros.

O Copom se reúne nesta semana, com decisão agendada para quarta-feira à noite. Olhando de hoje, o cenário mais provável parece ser o anuncio de corte de 100bps na Taxa Selic. O comunicado após a decisão deverá manter um grau maior de flexibilidade, dada as incertezas políticas recentes, cujo impacto imediato se faz sentir sobre a aprovação das reformas econômicas em curso.

Pelo lado cíclico da economia, ainda vejo um forte vetor desinflacionário, e uma recuperação do crescimento ainda mais lenta e gradual do que o imaginado anteriormente (devido as novas incertezas políticas). Sem uma alta mais rápida, acentuada e persistente do dólar (desvalorização do Real), não me parece haver argumentos para o BCB alterar sua trajetória de queda da Taxa Selic no curto-prazo. O debate em torno da taxa de juros de equilíbrio, e da taxa de juros terminais para este ciclo, ainda é importante, mas, no curto-prazo, o processo de queda da Taxa Selic parece, de certa forma, “blindado”. O mercado parece estar reagindo a este cenário, em um ambiente em que a posição técnica mostrou forte recuperação após o sell-off recente. 

A pesquisa Focus do BCB divulgada hoje mostrou leve alta nas expectativas de inflação de 2018. O movimento parece, até o momento, normal e natural diante das novas incertezas do cenário. 




Data: 29/05/2017

Brasil: Reforma da Previdência via Medida Provisória.

 

Em um dia de feriado nos EUA, e de agenda esvaziada durante a noite, os ativos de risco operam próximos a estabilidade neste momento. 

 

No Brasil, o jornal O Globo traz matéria em que afirma que o Governo já trabalha com alternativas à Reforma da Previdência. Segundo o artigo, algumas das mudanças poderiam ser feitas através de Medida Provisória, com efeito imediato, porém com abrangência muito menor: 

 

"Diante do receio de que a crise política inviabilize a aprovação da reforma da Previdência, a equipe econômica já pensa em alternativas para conter o crescimento das despesas com benefícios. São medidas que poderão entrar em vigor imediatamente, por meio de medida provisória (MP) ou projeto de lei. Entre elas estão a elevação do tempo mínimo de contribuição na aposentadoria por idade nas áreas urbana e rural, atualmente em 15 anos, e a redução do valor da pensão por morte, que hoje é integral, independentemente do número de dependentes. 

Também faz parte do cardápio o fim da fórmula 85/95 (soma de tempo de contribuição e idade para mulheres e homens, respectivamente), que entrou em vigor em dezembro de 2015 e permite o benefício integral. Outra possibilidade avaliada seria tornar proporcional o valor da aposentadoria por invalidez, que hoje é integral (a exceção seriam os acidentes de trabalho). Até a fórmula de cálculo do valor da aposentadoria — baseada atualmente em 100% das maiores contribuições — pode ser alterada via MP. 

MEDIDAS NÃO ALCANÇARIAM SERVIDOR PÚBLICO 

O problema é o alcance limitado desses mudanças em comparação à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287 — que altera as regras de aposentadoria para todos os brasileiros, com exceção dos militares — e que teve sua tramitação prejudicada pela crise política. As propostas alternativas valeriam apenas para os trabalhadores do setor privado (INSS) e comprometeriam dois grandes objetivos da proposta enviada ao Congresso: a fixação de idade mínima para aposentadoria e a convergência do regime previdenciário no país. 

Estas questões poderiam ser enfrentadas futuramente, em uma espécie de fatiamento da reforma. Porém, em um primeiro momento, admitem fontes envolvidas nas discussões, poderia aumentar o fosso entre os dois regimes — INSS e regimes próprios de servidores públicos de União, estados e municípios."




Data: 29/05/2017

Brasil: Batalha Campal!

 

No Brasil, os jornais do final de semana trouxeram uma onda de especulações dos bastidores do que estaria sendo negociado em Brasília. Não acho prudente entrar em detalhes de cada um dos rumores, mas segue abaixo uma manchete que resume um pouco o tom da mídia nestes últimos dias: 

 

"BASTIDORES: Acordão para manter Lula e Temer longe de Moro nasce em Brasília – Estadao 27/5 

Ideia é de utilizar uma eventual eleição presidencial indireta para “anistiar” parte do mundo político e colocar o Congresso como contraponto à Lava Jato e ao Ministério Público." 

 

De concreto, Temer continua a dar sinais de que lutará para se manter no cargo, e dar continuidade a sua agenda de reformas, até a última gota de esperança. O Presidente voltou a escrever um texto na Folha de São Paulo neste domingo mantendo está postura. 

 

Em uma direção que pode ser lida como preocupante pela sociedade e pelos mercados financeiros locais, e não estou aqui fazendo juízo do fato, mas apenas tentando entender a leitura do mercado, Temer substituiu o Ministro da Justiça. De acordo com a mídia, o Ministro anterior era visto como de pouca personalidade, incapaz de conter os avanços da Polícia Federal (PF). Os analistas políticos da grande mídia já falam abertamente na possibilidade de mudanças na cúpula da PF. 

 

Na atual conjuntura, parece que apenas o julgamento do TSE será capaz de promover mudanças no governo. Os pedidos de impeachment dificilmente serão acatados pelo Presidente da Câmara, e a renúncia se mostra cada vez mais distante. Mesmo no TSE, o processo pode se prolongar por muito mais tempo do que o desejado. 

 

Enquanto o Governo se concentra em manter-se no poder, os presidentes da Câmara e do Senado continuam buscando o caminho da serenidade, tentando manter a agenda legislativa em andamento. Cresce no mundo empresarial e nos mercados financeiros a leitura de que uma agenda reformista, com este ou com outro governo, é o único caminho possível para o país. Esta interpretação, de certa forma, tem ajudado a dar tranquilidade aos mercados locais. 

 

Em suma, na minha visão, gostaria de ter uma visibilidade melhor do cenário político de curto-prazo. A despeito de continuar acreditando em uma saída possível para esta crise política, que não seja extremamente danosa ao país, as incertezas trazidas por esta guerra travada entre Legislativo vs Executivo vs Judiciário não deveria ser bem vista pelos investidores, pelo menos no curto-prazo. Os mercados locais devem continuar extremamente sensíveis ao fluxo de notícias e ao quadro técnico (vide textos anteriores). 

 

No que diz respeito ao quadro técnico do mercado, o JPMorgan fez uma boa análise sobre o tema: 

 

The flows into EM bonds and equities continued this week, little affected by either Brazil's political crisis or concerns about China's shadow banking system. 

The Brazilian political crisis failed to deter overall flows into EM as offshore investors viewed it as buying opportunity. 

The outstanding shares of the EWZ ETF, the biggest offshore Brazilian equity ETF, rose steeply to the previous historical highs seen at the beginning of 2013, implying that foreign investors’ cumulative buying since the beginning of 2016 has fully reversed the selling of the previous three years.

Data by the Bovespa exchange on net open contracts on Brazilian equity futures are also consistent with the idea that the recent equity market correction in Brazil was rather driven by domestic investors and that foreign investors acted as a cushion, instead absorbing domestic investors' selling. 

Foreign ownership of Brazilian fixed income stands at well below its mid-2015 peak, and thus, we think it has a lot more room to increase from here relative to Brazilian equities. 

A daily extrapolation of BRL net spec positions suggests that BRL has likely shifted from overbought to oversold territory as a result of last week’s correction. 

Bid-offer spreads of Brazilian assets spiked sharply on May 18th, showing once again how vulnerable market liquidity is to bouts of volatility and uncertainty. 

The flows into EM bonds and equities continued this week, little affected by either Brazil's political crisis or concerns about China's shadow banking system.




Data: 26/05/2017

Brazil: No News is Good News?

Os ativos de risco tiveram um dia de relativa estabilidade, as vésperas de um feriado nos EUA. Destaque para uma recuperação superior a 1,5% no Petróleo, após acentuada queda na quinta-feira. Reafirmo o que escrevi neste fórum sobre o tema ontem: 

Não sou especialista no tema, mas ainda me parece razoável supor que o petróleo permaneça durante algum tempo em um range em torno de $45-$55 (as vezes um pouco abaixo, as vezes um pouco acima deste patamar). Se confirmado este cenário, a despeito dos sustos de volatilidade, não me parece haver efeitos econômicos relevantes e/ou impactos secundários nos ativos de risco.

Ainda nos EUA, O PIB do 1Q apresentou pequena revisão para altista e acima das expectativas do mercado. O Durable Goods Orders, contudo, ficou abaixo das expectativas e levou a mais uma revisão baixista para o PIB do 2Q. Continuo não vendo mudanças substanciais provenientes do mercado externo.

No Brasil, tivemos mais um dia de forte desempenho dos ativos locais. Eu atribuo uma grande parte do movimento recente a posição técnica do mercado. Se, antes da eclosão da crise política o mercado local estava excessivamente aplicado em juros (e levemente vendido em dólar), o que favoreceu uma onda de stops, passado o evento, o mercado se mostrou mais saudável, abrindo espaço para o bom desempenho recente, com forte alocação dos investidores estrangeiros ao mercado local.

Mas o técnico não explica a totalidade do movimento dos últimos dias. A visão de que existem saídas viáveis para a crise política, que não necessariamente sejam catastróficas para o país, também ajudaram na melhora do humor dos ativos locais.

A despeito da baderna da oposição na tentativa de obstruir a pauta do Congresso, Rodrigo Maia e Eunicio de Oliveira continuam tentando dar ares de normalidade a agenda legislativa.

A queda no preço da gasolina e do diesel, e a possibilidade de bandeira verde na energia elétrica ajudaram a ancorar a curva de juros, com a probabilidade de uma queda de 100bps no Copom da semana que vem se consolidando.

Ontem escrevi o seguinte: Eu ainda vejo valor na parte curta da curva de juros local. Gosto de ter umas opcionalidades para uma eventual catástrofe no mercado de câmbio. Existem oportunidades seletivas no mercado de renda variável. Vejo valor em posições tomadas nos juros dos países desenvolvidos nos atuais níveis.

Hoje reduzimos substancialmente, porém taticamente, as alocações nos ativos locais, mantendo apenas posições marginais. Ainda vemos uma saída para esta crise, e fundamentos relativamente saudáveis de curto-prazo. Contudo, a melhora acabou sendo muito rápida. Nada impede que novas rodadas de incerteza e volatilidade afetem os ativos locais.




Data: 26/05/2017

Update.

 

Os ativos de risco operam com leve viés negativo neste momento, mas os movimentos ao redor do mundo são bastante tímidos. A Bloomberg reportou que China teria alterado o modelo de fixing do CNY, o que foi posteriormente confirmado pelo país. Segundo o Citibank: 

 

"Reports today suggest that the PBoC have changed the formula used to set the daily USDCNY mid-point fix in order to dampen the effect of excessive volatility in the spot market. This confirms recent signs, and also suggests officials' reduced tolerance for market volatility in a politically sensitive year. 

 

This should help contain the pace of deterioration in market sentiment towards the renminbi. We do not view this shift as a regime change, and we anticipate that for the most part the USDCNY fixings will remain consistent with established pattern. We expect global FX moves will continue to feed through to the fixing as usual.

 

At this stage, we do not expect excessive pressure for depreciation vs. USD. In the short run, we expect investors would prefer short USDCNH exposure rather than look to short the renminbi." 

 

A agenda do dia terá como destaque nos EUA o Durable Goods Orders e o Michigan Confidence. 

 

No Brasil, a Folha de São Paulo afirma que Temer irá usar todos os instrumentos para alongar sua permanência no cargo. Sua defesa tentará prolongar a decisão do TSE. Enquanto isso, aliados, segundo o mesmo jornal, testem a hipótese de Tasso na presidência e Nelson Jobim na Justiça em uma eventual eleição indireta. Meirelles permaneceria na Fazenda. 

 

No início da noite de ontem a Petrobrás anunciou uma queda no preço da Gasolina e do Diesel. Segundo consta, a concorrência das importações foi o principal motivo por trás da decisão.




Data: 25/05/2017

Petróleo em Foco.

O destaque do dia ficou por conta da queda de mais de 5% no preço do Petróleo, em uma dinâmica clássica de “buy the rumor, sell the fact” após o anuncio, por parte da OPEP, de que irão estender o acordo de corte de produção. O evento era amplamente esperado. Não sou especialista no tema, mas ainda me parece razoável supor que o petróleo permaneça durante algum tempo em um range em torno de $45-$55 (as vezes um pouco abaixo, as vezes um pouco acima deste patamar). Se confirmado este cenário, a despeito dos sustos de volatilidade, não me parece haver efeitos econômicos relevantes e/ou impactos secundários nos ativos de risco.

Nos EUA, a balança comercial e o Wholesale Inventories levaram a uma pequena revisão das expectativas do PIB do 2Q. O Jobless Claims, por sua vez, se manteve nos níveis mais baixos deste ciclo econômico. Os números de hoje não alteram o cenário base para a economia do país. 

O dia foi de dinâmica menos volátil para os ativos locais, em um claro sinal de que a posição técnica parece mais saudável. Um estudo quantitativo das cotas dos fundos locais, assim como a análise qualitativa dos mesmos, aponta na mesma direção.

Não vi nenhuma novidade relevante no cenário político. As incertezas permanecem. Há saídas viáveis, que talvez não sejam tão catastróficas para o país, mas nada impede que o caminho até lá seja longo e tortuoso. Resumindo, mantenha o portfólio líquido, busque distorções e eventuais hedges para as carteiras. Isso não é uma estratégia simples nos atuais níveis de volatilidade do mercado e, especialmente, após a ocorrência de um clássico “Black Swan”.

Eu ainda vejo valor na parte curta da curva de juros local. Gosto de ter umas opcionalidades para uma eventual catástrofe no mercado de câmbio. Existem oportunidades seletivas no mercado de renda variável. Vejo valor em posições tomadas nos juros dos países desenvolvidos nos atuais níveis.




Data: 25/05/2017

Cenário de incerteza permanece, mas agenda legislativa avança.

 

Neste momento, os futuros das bolsas dos EUA atingem o maior patamar da história (pegando o S&P500 como parâmetro). As Taxas de Juros no país apresentam leve fechamento de taxas, enquanto o dólar opera sem tendência definida e as commodities, em geral, apresentam leve movimento de queda.

 

Na agenda do dia, destaque para o Jobless Claims nos EUA.

 

No Brasil, os jornais de hoje afirmam que FHC e Nelson Jobim já sinalizaram que não tem interesse em suceder Temer no caso de uma vacância do cargo de Presidente.

 

A Folha de São Paulo afirma que FHC, Lula e Sarney estão na linha de frente das articulações para buscar uma saída viável a esta crise política, com o menor custo possível ao país.

 

A mesma Folha afirma que o clima no TSE é pela cassação da Chapa Dilma-Temer, um cenário que vem se desenhando nos últimos dias e vem sendo incessantemente comentado neste fórum. 

 

No Congresso, a despeito da baderna promovida pela oposição ao longo do dia, a pauta legislativa avança, “aos trancos e barrancos”, porém na direção necessária. No final da noite de ontem a Câmara aprovou 6 MPs, após a oposição abandonar o plenário em um movimento de crítica ao fato do Planalto ter pedido o apoio do exército para controlar a baderna em Brasília. 

 

De maneira geral, acordamos hoje com o mesmo cenário de ontem. Parece-me haver uma solução para esta crise que não seja necessariamente catastrófica para o país. Esta solução passa pela saída de Temer, por eleições indiretas e pela eleição de um presidente de consenso, de bom senso e com caráter reformista. Infelizmente, até o presente momento, este nome ainda não apareceu de forma clara para a sociedade e para o Congresso, já que todos os nomes que estão sendo ventilados estão, aos poucos, sendo descartados, ou apresentando características que podem se tornar problemas no futuro. Mesmo em um ambiente de extrema incerteza, fragilidade do governo e baderna, a pauta legislativa avança, o que mostra que ainda existe a conscientização pela maioria dos parlamentares da necessidade de manter o país nos trilhos. 




Data: 24/05/2017

Brasil: País em chamas!

 

No cenário externo, o destaque ficou por conta das Minutas do FOMC. O texto trouxe poucas novidades em relação aquilo que vem sendo amplamente dito por membros do Fed. A desaceleração deste início de ano parece temporária, assim como o arrefecimento da inflação. Caso o cenário de crescimento mais robusto ao longo do ano se concretize, a inflação deverá retomar uma tendência gradual de alta, permitindo ao Fed dar continuidade ao processo de normalização monetária no país.

Os analistas, no geral, esperam mais 2 altas de 25bps na taxa básica de juros e o anuncio da redução do balanço da instituição. O mercado precifica cerca de 80% de probabilidade de uma alta de 25bps na reunião do FOMC de junho e menos de 2 altas completas de 25 este ano. Até o final de 2018, o mercado precifica menos de 4 altas de 25bps.

Segundo o economista David Greenlaw, do Morgan Stanley: The tone of the policy discussion reinforced the likelihood of a hike at the June meeting. There was some discussion about core inflation continuing to run below target  but the consensus seemed to be that the recent pattern would reverse.  The FOMC still seems on track to change balance sheet policy at the end of this year.  There was a new section at the end of the minutes that outlines an approach that seems to have the most support (see text below with key sections are underlined).  Reading between the lines, it seems that something like $10 bil of MBS and Treasuries combined would be allowed to run-off for the first three months, $20 bil for the second three months, $30 bil for the third three months with a final limit of $40 bil/mo.  It would probably take about 3 years to achieve a “normal” sized balance sheet under such an approach.

Os ativos de risco continuam reagindo de forma positiva ao cenário externo que temos observado e descrito neste fórum.

No Brasil, as incertezas persistem. O dia foi de violentas, mas não necessariamente volumosas, manifestações em Brasília, contrárias ao Presidente Temer. Se o Congresso não está literalmente em chamas, como alguns Ministérios, a situação é extremamente tensa, com a oposição utilizando da força física para barrar o avanço da pauta legislativa.

Ainda não parece haver um consenso em torno de um nome para assumir o país em caso de vacância da Presidência. O atual Presidente, por sua vez, insiste em permanecer no seu cargo, mesmo com a governabilidade abalada.

Como diria um sábio amigo, a única coisa que podemos ter certeza é que muitas surpresas ainda estão por acontecer.

Continuo esperando um mercado extremamente volátil, mesmo observando que existe uma saída não tão traumática para a situação do país. 




Data: 24/05/2017

Brasil: Solução via TSE ganha força.

 

Na noite de ontem a Moody´s reduziu o rating da China em um grau. A medida teve pouco impacto sobre o preço dos ativos. Segundo o Citibank:

 

Moody’s downgraded China’s sovereign credit rating, but outlook was changed from negative to stable — The rating is downgraded by one notch from Aa3 to A1 today, a first since 1989, on China’s rising debt problem and slowing economic growth. The rating agency was concerned over the lack of progress in China’s SOE and financial system, rising economy-wide debt levels and large contingent liabilities associated with various levels of the government. However, the short-term outlook has been changed from negative to stable, as the risks are balanced at the A1 rating level. 

 

No Brasil, os jornais de hoje estão dando força a tese de que a cassação da Chapa Dilma-Temer no TSE poderá ser a saída mais honrosa para Temer, além de ser um processo que poderá ser relativamente rápido e pouco traumático ao país. Assim, nos bastidores de Brasília, já começaram as articulações para possíveis nomes para uma eleição indireta.

 

De acordo com a mídia esta manhã, os nomes mais cotados seriam o de Rodrigo Maia, Nelson Jobim e Tasso Jereissati. Meirelles e Carmen Lucia também são citados, mas são nomes que apresentam pontos contrários maiores do que os demais. 

 

Como tenho insistido neste fórum, vejo uma solução rápida como positiva (ou menos catastrófica) e indispensável para o bom andamento do país. O Congresso dar sinais de que não pretende eleger um aventureiro, mas sim uma pessoa de consenso, bom senso e reformista é um caminho que deveria ser aplaudido pelos mercados locais. De novo, não acho que a crise esteja estancada. Ainda precisamos de conclusões concretas para ela. As reformas ainda estão em perigo e o novo presidente precisará de uma habilidade impar para recompor a base aliada. De qualquer maneira, o cenário que começa a tomar forma é muito menos traumático do que aquele que surgiu na semana passada.  




Data: 23/05/2017

Brasil: Há luz no fim do túnel.

No Brasil, o cenário político ainda é de muita incerteza. Uma nova operação da Polícia Federal na manhã de hoje prendeu um assessor direto do Presidente Michel Temer, complicando ainda mais a situação do Governo. 

Existe, neste momento (e, aqui, precisamos frisar o caráter temporário desta interpretação, já que os eventos têm atropelado qualquer conclusão mais concreta), a visão de que Temer não irá renunciar, e que o impeachment também parece ser um caminho difícil, já que Rodrigo Maia, um grande aliado do Presidente, precisaria acatar um dos pedidos em suas mãos (o que parece improvável no curto-prazo). Assim, o peso da decisão recairá sobre o julgamento da Chapa Dilma-Temer no TSE. 

Muitos já veem a condenação da Chapa como uma saída politicamente honrosa para Temer e menos traumática para o país. A mídia tem reportado que já existem trabalhos de bastidores com o intuito de alinhar um nome de consenso, de bom sendo e com caráter reformista para conduzir o país até as eleições de 2018.

Os ativos locais reagiram de forma positiva aos sinais emitidos pelo Congresso nas últimas horas. Como comentei pela manhã, estamos longe de superar está crise, mas se o Congresso decidir por manter um caráter reformista a este governo – que agora classifico como “tampão” – será um grande alívio para a sociedade, para a economia e, consequentemente, para os mercados. Enquanto a situação do Presidente continua delicadíssima, começam a surgir cenários possíveis para o futuro do país no curto-prazo e, muitos deles, menos negativos do que se previa anteriormente. A permanência do Presidente já não necessariamente vislumbra a não aprovação das reformas (pelos sinais do Congresso). As eleições indiretas, dada à postura do Congresso, deveriam eleger alguém de consenso, de bom senso e reformista. Eleições diretas parecem cada vez mais difíceis de serem colocadas em prática. Repito, a situação ainda é delicada, estamos longe de superar está crise, mas as soluções possíveis começam a ganhar contorno e, muitas delas, não são uma catástrofe para o país como se imaginou em um primeiro momento.

Acho importante chamar a atenção para a posição técnica do mercado. Desde o início desta crise política, os locais reduziram substancialmente suas posições em DI, Dólar e Ibovespa (segundo dados da BM&F), enquanto os estrangeiros tomaram a outra ponta, comprando ativos brasileiros. Olhando de hoje, fica claro que a posições técnica estava muito ruim e concentrada. Os últimos dias parecem ter levado a um quadro muito mais saudável para os ativos locais.

No campo econômico, o IPCA-15 de maio ficou levemente acima das expectativas, com alta de 0,24% MoM e 3,77% YoY, levemente acima das expectativas. A despeito da surpresa altista, o quadro de desinflação ainda persiste. Vemos alguns sinais um pouco piores no qualitativo do númro, especialmente em Serviços, mas nada que mude o quadro estrutural (positivo) para a inflação. Se não acontecer uma piora adicional do risco país, com o BRL controlado, ainda existe amplo espaço para o BCB manter o ciclo de corte da Taxa Selic. Talvez, não seja possível antecipar o ciclo de corte como era imaginado até poucos dias atrás, mas não há dúvida que o cenário ainda enseja um processo cíclico de corte de juros no país.

Os dados das contas externas de abril confirmaram um quadro de tranquilidade para esta rubrica, com um superávit na conta corrente, FDI ainda robusto e, neste mês, com uma entrada não desprezível na conta portfólio (renda fixa, em especial). 

Os fundamentos mais robustos, com o inflação baixa e contas externas saudáveis deve ajudar o país a atrasar o atual momento de maneira mais suave do no passado. Isso não significa que a situação esteja resolvida, ou que períodos de instabilidade dos mercados financeiros locais não acontecerão, mas dão alguma tranquilidade para que uma solução seja encontrada para o impasse político local.

No cenário externo, as prévias dos PMIs de maio confirmaram o bom momento da economia global. Os números mantem um cenário relativamente positivo nesta frente. Vale a pena ressaltar, contudo, que os PMIs – como grande parte dos indicadores de confiança ao redor do mundo – encontram-se nos patamares mais elevados deste ciclo econômico (e, em muitos casos, da história). É natural esperar que, mais cedo ou mais tarde, estes indicadores mostrem algum arrefecimento. O importante, contudo, é que os níveis se mantenham condizentes com um crescimento global saudável e que o “hard data” mostra uma expansão decente.




Data: 23/05/2017

Brasil: Situação ainda é delicada, mas soluções começam a surgir.

 

A despeito de algum arrefecimento no preço das commodities, e do ruído causado pelas explosões, em um aparente atentado terrorista em um show para adolescentes em Manchester, na Inglaterra, os ativos de risco operam em tom relativamente positivo. 

 

Os PMIs na Europa mantiveram-se nos níveis mais elevados deste ciclo econômico, superando as expectativas do mercado e confirmando um cenário de crescimento saudável na região. O Morgan Stanley classificou os números de hoje da seguinte forma: Stable at a six-year high: Today's composite PMI, at an unchanged 56.8, marginally better than the consensus, suggests that the recovery remains well supported. Employment growth looks strong, courtesy of improved optimism about future prospects. While moderating slightly, overall new order growth continues to be robust, and pipeline price pressures remain elevated, with only a mild easing in input cost inflation. 

 

Este números apenas ratificam o cenário que tenho descrito neste fórum para a economia mundial, ou seja, vejo um quadro de crescimento global relativamente saudável, com uma inflação contida no mundo desenvolvido e a necessidade de ajuste monetário apenas gradual. Enquanto perdurar este ambiente, eventos como este na Coreia do Norte serão vistos como pontuais, como ruídos de curto-prazo. Caso este ambiente se altere, seja com uma desaceleração mais acentuada do crescimento, ou com uma inflação mais elevada no mundo desenvolvido, seremos obrigados a reavaliar o cenário global. 

 

No Brasil, a defesa do Presidente Temer apresentou um parecer de um dos peritos mais respeitados do país afirmando que as gravações feitas das falas do presidente estão comprometidas, e não poderão ser usadas como prova no inquérito. Já a PGR garante que as gravações não serão a maior prova contra Temer, mas irão focar as acusações na mala de dinheiro recebida pelo deputado dito seu assessor pessoal. 

 

No inicio da noite de ontem, após o Presidente do Senado já ter dado sinais de que pretendia manter a agenda legislativa intacta, foi a vez do Presidente da Câmara adotar postura semelhante. A sinalização dos dois deve ser vista como positiva pelo mercado, pois mostra que o Congresso não está disposto a colocar o país em uma aventura. Estamos longe de superar está crise, mas se o Congresso decidir por manter um caráter reformista a este governo – que agora classifico como “tampão” – será um grande alívio para a sociedade, para a economia e, consequentemente, para os mercados. 

 

Enquanto a situação do Presidente continua delicadíssima, começam a surgir cenários possíveis para o futuro do país no curto-prazo e, muitos deles, menos negativos do que se previa anteriormente. A permanência do Presidente já não necessariamente vislumbra a não aprovação das reformas (pelos sinais do Congresso). As eleições indiretas, dada à postura do Congresso, deveriam eleger alguém de consenso, de bom senso e reformista. Eleições diretas parecem cada vez mais difíceis de serem colocadas em prática. Repito a situação ainda é delicada, estamos longe de superar está crise, mas as soluções possíveis começam a ganhar contorno e, muitas delas, não são uma catástrofe para o país. 

 

Na noite de ontem, a casa de rating S&P rebaixou o outlook da nota de crédito do país. Aliada a forte reação negativa dos mercados locais na semana passada, este tipo de posicionamento pode ser visto até como um alerta aos parlamentares de que o país não pode mudar a sua agenda. Que é imprescindível manter os trilhos da recuperação.




Data: 22/05/2017

Congresso acena com bom senso. Situação ainda é delicada.

 

Enquanto o imbróglio envolvendo o presidente Michel Temer continua sem solução, os ativos locais permanecem sobre pressão.

Neste momento, há uma guerra de versão na mídia. A defesa de Temer tenta descredenciar o áudio utilizado como prova para incriminar o presidente. Já a acusação afirma haver provas suficientes para que o inquérito seja estabelecido, e o Presidente investigado.

Do lado positivo, o Presidente do Senado tenta dar um ar de normalidade ao cenário, mantendo a agenda da Casa, e marcando para amanhã, na CAE, a leitura do texto da Reforma Trabalhista. 

Caso (e se) o Congresso efetivamente se coloque como um pilar de sustentação para as reformas econômicas em curso – e isso é um grande “se” neste momento – seria um grande amortecedor de choques para o país. De qualquer maneira, a Reforma da Previdência, grande bastião do atual Governo, está com a agenda prejudicada e sem sinal de retomada.

No tocante ao BCB, Illan manteve um discurso tranquilizador, nos mesmos moldes daquele já proferido na semana passada (vide tópicos abaixo). 

Esse ambiente de inflação baixa e expectativas ancoradas nos torna menos vulneráveis aos impactos de choques. 

Com expectativas de inflação ancoradas o Comitê pode se concentrar em evitar possíveis efeitos secundários de ajustes de preços relativos que possam ocorrer ao longo do tempo. 

Deve-se buscar identificar os efeitos primários desses choques, aos quais a política monetária não deve reagir. 

Isso se aplica tanto ao choque de oferta favorável nos preços de alimentos, ocorrido nesse início deste ano, quanto a efeitos advindos do mercado de câmbio.

Finalmente, o cenário externo segue tranquilo e favorável. As bolsas dos EUA recuperaram grande parte das perdas verificas na semana passada. As commodities mostraram sinais mais consistentes de estabilização e os fluxos para ativos EM parecem ter retornado.




Data: 22/05/2017

Brasil: Cenário de incerteza persiste.

 

A despeito de mais um teste balístico por parte da Coréia do Norte, os ativos de risco estão abrindo a semana em tom positivo. Minha visão em relação ao tema continua a mesma. Vejo um quadro de crescimento global relativamente saudável, com uma inflação contida no mundo desenvolvido e a necessidade de ajuste monetário apenas gradual. Enquanto perdurar este ambiente, eventos como este na Coreia do Norte serão vistos como pontuais, como ruídos de curto-prazo. Caso este ambiente se altere, seja com uma desaceleração mais acentuada do crescimento, ou com uma inflação mais elevada no mundo desenvolvido, seremos obrigados a reavaliar o cenário global. 

 

No Brasil, o Presidente Michel Temer dá novos sinais de que pretende se agarrar ao cargo e lutar até o último momento por seu mandato. Enquanto as investigações avançam, e  STF não julga o requerimento pedindo suspensão do inquérito, Temer tenta reagrupar sua base aliada e manter a agenda parlamentar em andamento. 

 

Neste momento, vejo a decisão do STF como evento que irá delinear o futuro do Presidente. Tenho enormes ressalvas na capacidade de Temer em reagrupar a base e manter o país no caminho das reformas, mas não podemos duvidar totalmente de um governo que passou por diversas crises e vem entregando uma agenda intensa e reformista. De qualquer maneira, continuo a ver a situação do país como extremamente delicada e sem uma saída fácil.




Data: 22/05/2017

Governo segue fragilizado.

 

O final de semana se encerra sem uma luz no final do túnel. Temer cancelou um jantar com aliados no inicio da noite por falta de quorum. O plenário do STF irá julgar na quarta-feira um pedido da defesa de Temer visando cancelar o inquérito sobre o presidente até que uma perícia mais minuciosa seja feita nas gravações apresentadas no processo. Enquanto isso, a base aliada espera algum sinal para decidir se permanece ao lado do governo ou desembarca de vez do atual projeto. 

 

O final de semana se encerra sem uma luz no final do túnel. Temer cancelou um jantar com aliados no inicio da noite por falta de quorum. O plenário do STF irá julgar na quarta-feira um pedido da defesa de Temer visando cancelar o inquérito sobre o presidente até que uma perícia mais minuciosa seja feita nas gravações apresentadas no processo. Enquanto isso, a base aliada espera algum sinal para decidir se permanece ao lado do governo ou desembarca de vez do atual projeto. 

 

O cenário está constantemente em mutação, e teremos que avaliar a situação a cada novo evento. 

 

Não pretendo comentar neste fórum todos os eventos políticos locais, que tem se mostrado extremamente dinâmicos, com ares de novela mexicana, ou de seriado de suspense norte americano. 

 

Em termos gerais, Michel Temer concedeu novo pronunciamento ontem, reforçando que permanecerá no cargo e lutará por sua inocência nos eventos investigados. Enquanto isso, sua base aliada se esvazia, com partidos da base rompendo com o governo e outros partidos estudando medidas na mesma direção. A OAB aprovou requerimento para o pedido de impeachment do presidente. 

 

O analista político da XP Investimentos, um dos melhores analistas atualmente na cobertura do cenário político local, Richard Back, resumiu de forma perfeita o cenário que o país se encontra: A certeza na incerteza é que falar em "Reforma da Previdência" neste ambiente é impossível. Falar em permanência de Temer vai se tornando improvável. Falar em queda de Temer sem alternativa óbvia é precipitado. É oficial: estamos em um beco sem saída. Ao menos por ora. 

 

Repito, com o risco de parecer uma “vitrola quebrada” que vejo a renuncia, com eleições indiretas, como o cenário menos traumático para o país neste momento. Empurrar um governo tampão com a barriga é um cenário que considero ruim. Abrir brecha para eleições diretas é um cenário péssimo. 

 

O Ministério Público parece estar adotando uma estratégia de tentar limpar o ambiente político para que as eleições de 2018 sejam menos afetadas por eventos não republicanos. Não entrarei no mérito da legalidade dos métodos utilizados. Estou apenas fazendo uma análise da situação corrente. 

 

O avanço das investigações só tende a favorecer os outsiders nas eleições de 2018. João Dória seria um desses nomes. Lula, Aécio, Serra e afins são cada vez mais dragados para o mesmo ralo, inviabilizando suas carreiras políticas futuras. Eles são investigados, nenhuma deles ainda foi de fato condenado, mas a mídia e a sociedade tende a “condenar” carreiras e imagens mesmo sem condenação da justiça, ou antes dela. 

 

Acredito que teremos um ambiente de elevada volatilidade nos mercados nos próximos dias. Meu viés é de manter uma posição aplicada na curva curta de juros, mas buscar hedges nos demais mercados. Esta não será uma tarefa simples, pois as vols já subiram drasticamente, a atuação do BCB pode mascarar os movimentos de curto-prazo no BRL, por exemplo, e o cenário externo ainda se mostra construtivo para o crescimento global e os ativos de risco em geral.




Data: 19/05/2017

Brasil: Temer ganha sobrevida. Incertezas persistem.

Os ativos de risco estão, desde ontem, apresentando sinais de estabilização do redor do mundo (ex Brasil). A divulgação do dados econômicos robustos nos EUA ajudaram a acalmar os ânimos dos investidores, assim como a estabilização do preço do petróleo. Ainda vejoum cenário relativamente construtivo para o cenário econômico global. Existe um risco, que classifiquei neste fórum como “ruído” no inicio da semana, em torno do cenário político dos EUA. Mantenho a mesma visão. Acredito que a agenda econômica de Trump deverá sofrer forte desgaste e atraso, mas enquanto o crescimento estiver robusto, o mercado será capaz de ver através destes ruídos políticos. Este ambiente soferá alteração estrutural, contudo, caso o crescimento dê sinais de arrefecimento e/ou a inflação leve o Fed a uma postura mais acelerada no processo de normalização monetária.

No Brasil, as gravações da delação premiada de um dos maiores grupos empresariais do país (e do mundo) se tornaram públicas ontem. Confesso que, referente as gravações, no tocante as acusações ao presidente Temer, achei as gravações menos incriminadores do que a forma como a mídia havia reportado o caso. O Governo teve uma interpretação semelhante e irá lutar, com todas as forças, para se defender do caso.

Os jornais de hoje afirmam que existe a possibilidade da gravação ter sido editada e que Temer já consulta advogados para acusar o delator de estar promovendo uma “armação” contra o presidente. Enquanto isso Meirelles afirma aos investidores que as reformas econômicas continuam e que ele se manterá no cargo mesmo na eventualidade de uma mudança de governo (não sei como ele pode ter esta certeza, mas está no papel dele para acalmar os ânimos). Por outro lado, Lula já articula em busca de eleições diretas no caso de vacância da presidência, ao contrário do que rege a legislação, em que eleições indiretas precisam ser convocadas.

Acredito que com as revelações públicas, o governo Temer deva ganhar alguma sobrevida. Isto não necessariamente será positivo, pois o estrago sobre seu governo foi grande. Os mercados locais ainda devem mostrar fragilidade, especialmente aqueles ativos cuja posição técnica é ruim, como mercado de juros.

Reforço que a melhor saída para o país seria uma renuncia rápida, com a eleição de um nome de consenso nacional que mantenha a equipe econômica e as reformas econômicas em curso (FHC? Pedro Parete? Nelson Jobim?). Contudo, Temer afastou ontem esta possibilidade no curto-prazo.

O cenário mais provável, agora, é que Temer lute para se manter no cargo, tente recompor sua base e superar essa crise. As reformas já foram prejudicadas (atrasadas) mas podem ser retomadas. O cenário de incerta não deverá ser bem visto pelo mercado, mesmo que possamos ver alguma estabilização dos ativos ao longo do dia de hoje devido a interpretação descrita acima.




Data: 19/05/2017

Brasil: Risk Off!

 

O dia foi de forte pressão sobre os ativos do Brasil, como era amplamente esperado. A situação política continua tensa e incerta. Temer declarou que não irá renunciar. Agora, estamos a espera das gravações que possivelmente envolvem o presidente em atos não muito republicanos.

Na minha visão, para o país e os mercados locais, a melhor opção é uma renuncia rápida, com a convocação de eleições indiretas e a eleição de um nome de consenso que manteria as reformas econômicas em curso (FHC? Henrique Meirelles? Pedro Parente?).

Vejo como probabilidade baixa a manutenção de Temer e a retomada da confiança em seu governo e a base para as reformas econômicas. O estrago parece já ter sido feito.

Quanto mais tempo Temer insistir em permanecer no cargo, pior para o país. A governabilidade ficou abalada e sua permanência apenas traz mais incerteza ao cenário.

O Banco Central anunciou uma ração diária de venda de swaps cambiais, após as intervenções realizadas hoje. O Tesouro Nacional anunciou leilões de recompra de papeis. 

Tenho um certo receio do quadro técnico do mercado, especialmente no mercado de juros. Novas rodadas de abertura de taxas de juros podem ocorrer. A dinâmica deverá melhorar apenas com a resolução do quadro político, ou quando os preços atingirem níveis de stress e o quadro técnico melhorar.




Data: 18/05/2017

All Bets Are Off. Stay Close To Home.

 

No final da tarde de ontem, o jornal O Globo divulgou em sua página da internet o que seria o vazamento da delação premiada (totalmente inesperada e fora do radar) de um dos maiores grupos empresariais do país. Além das relação nada republicanas com centenas de políticos, a delação, segundo a reportagem, apresentará uma gravação em que o atual Presidente Michel Temer compactua com um possível favorecimento ao ex Deputado e agora réu e preso pela Lava-Jato Eduardo Cunha.

As alegações são gravíssimas. Segundo a mídia de hoje pela manhã, para aliados, Temer não nega o encontro e nem mesmo sua postura em relação ao tema. O Planalto divulgou uma nota em que confirma a reunião mas repudia a postura de Temer.

O clima político esquentou e a situação de Temer ficou extremamente delicada. A agenda de reformas econômicas deverá ficar em segundo plano. A Reforma da Previdência deverá sair da pauta “a perder de vista”.

Pela reação da mídia e pelos sinais da base aliada, a situação do Governo é de insustentabilidade. Segundo a constituição, no caso de vacância do presidente, o presidente da Câmara do Deputados assume o cargo por um período curto de tempo, para convocação de eleições indiretas. Neste cenário, o Congresso quem elege o presidente, mas qualquer brasileiro poderá ser candidato. Como Rodrigo Maia também é investigado pela Operação Lava-Jato, existe uma zona cinzenta em torno da possibilidade de assumir, mesmo que temporariamente o cargo. O melhor cenário seria um processo rápido e a eleição de um nome de consenso, aliado com as reformas em curso. A realidade, contudo, deverá ser muito mais dura, envolta com incertezas e volatilidade.

Com este quadro de extrema incerteza, o mais improvável e inesperado dos riscos se concretiza no país, tornando o cenário um tanto quanto incerto. Minha visão construtiva precisa ser reavaliada. Por ora, o melhor a ser feito e esperar um maior claridade em torno do cenário político e/ou preços de mercado atrativos a ponto de justificar posições relevantes.

All Bets Are Off. Stay Close To Home.     




Data: 17/05/2017

[UPDATED] Mercados Globais - Risk-Off. Risco Político nos EUA. Ruído pontual...

 

Quando parece que o cenário está perfeito para o bom desempenho dos ativos de risco, surge um novo risco, talvez inesperado e imponderável, no campo político dos EUA.

Como comentei neste fórum pela manhã, a falta de experiência de Trump em um cargo público, suas decisões e postura pouco usuais e, em muitas vezes, totalmente questionáveis, estão tornando a sua administração um tanto quanto difícil e polêmica.

O cenário para o crescimento global ainda me parece construtivo. O que precisamos acompanhar é quanto tempo levará este ruído político nos EUA, quanto isso atrapalhará a agenda reformista da nova administração e o impacto disso nas expectativas dos agentes econômicos. Este é o principal canal de impacto negativo para a economia e os mercados financeiros.

Hoje, por exemplo, o S&P500 está tendo sua maior queda desde setembro de 2016, liderada pelo setor de Financials (que neste momento cai próximo a 3,5%). Não há dúvida que o posicionamento técnico, e a perda de confiança dos investidores na agenda do Governo Trump, estão sendo os principais responsáveis por esta dinâmica.

Neste momento, o mercado apresenta um “price-action” (uma dinâmica) bastante ruim. Tendo a respeitar os sinais do mercado, especialmente em um tema que tenho pouco conhecimento. Com as informações que temos até o momento, vejo os problemas na administração dos EUA como pontuais, ruídos de curto-prazo. Meu viés é de aproveitar realizações como a de hoje para adicionar risco ao portfólio. Os próximos dias podem trazer este tipo de oportunidade.

Os ativos que mais me atraem, neste momento, são o tomado em juros nos EUA, especialmente se a Treasury 10 anos for abaixo de 2,2%; o mercado de juros e o de renda variável no Brasil. Tenho convicção menor no dólar no mundo e prefiro optar por postura mais tática. Ainda vejo o BRL em um “range” em torno de 3,0-3,2.




Data: 17/05/2017

Risk-Off. Risco Político nos EUA. Ruído pontual

 

Os ativos de risco estão abrindo o dia com viés negativo e um claro movimento de “risk-off”. Na noite de ontem, a mídia dos EUA divulgou a informação de que a Trump teria pedido/exigido ao Diretor (agora demissionário) do FBI para encerrar as investigações em torno de um dos membros da nova administração do governo. A acusação se soma ao vazamento da notícia de que Trump teria dado informação confidencial de um aliado (especulasse que Israel) para uma comitiva da Rússia que esteve na Casa Branca na semana passada.

 

Nesta linha, os meios de comunicação ventilam que metade da população já quer o impeachment do atual presidente.

 

Por ora, vejo estes desdobramentos como ruídos de curto-prazo. As eleições no país foram extremamente apertadas, com uma vitória de Trump no Colégio Eleitoral mas uma derrota no Voto Popular. Assim, é natural que o país ainda esteja dividido em em relação a atual adiministração. Além disso, Trump é uma figura extremamente polêmica, que ainda precisa aprender a governar um país.

 

O risco, na minha visão, seria os ruídos atuais afetarem as expectativas dos agentes econômicos e, consequentemente, as perspectivas de crescimento. Além disso, ainda existe o risco de um Congresso dividido impedir, ou prejudicar, a agenda reformista do atual governo.

 

No Brasil, a mídia afirma que o governo continua articulando em torno de votos para a Reforma da Previdência. Agora, estão em busca de recursos para afagar os aliados com medidas e emendas.




Data: 16/05/2017

Cenário tranquilo e favorável.

 

Sem mudanças relevantes no cenário central, os ativos de risco estão mostrando certa acomodação nos atuais níveis. Ainda vejo um cenário externo razoavelmente construtivo, com um crescimento global saudável/sólido, uma inflação ainda contida no mundo desenvolvido e bancos centrais optando pelo gradualismo na condução do processo de normalização monetária.

Este pano de fundo tende a ser positivo para os ativos de risco e, em especial, para os países com fundamentos sólidos (ou em vias de recuperação), com valuations atrativos, posição técnica favorável e yields elevados. O Brasil se enquadra em praticamente todos estes aspectos e, assim, tem apresentado desempenho positivo nos últimos dias.

Os riscos existem e precisam ser monitorados. Por ora, contudo, a percepção é que a probabilidade de disseminação de algum destes riscos é baixa. Para citar alguns deles: (1)potencial alta mais acentuada dos juros nos países desenvolvidos, (2) desaceleração mais acelerada da China e/ou um aperto mais pronunciado da liquidez no país, (3) Riscos geopolíticos (Coréia do Norte e afins).

Confirmando este cenário, hoje, observamos um forte avanço da Produção Industrial de abril nos EUA, com alta de 1% MoM, acima das expectativas do mercado (0,4% MoM).. Na Alemanha, o ZEW – um dos principais indicadores de confiança do país e de toda a Europa – subiu de 19,5 para 20,6 pontos em maio, abaixo das expectativas (22,0) mas em patamar compatível com um crescimento robusto do país.

No Brasil, segue um cenário de forte desinflação, recuperação lenta e gradual do crescimento, contas externas favoráveis e perspectivas de recuperação do quadro fiscal com a aprovação das reformas econômicas propostas pelo atual governo.

Existem sinais incipientes de recuperação da economia, com o IBC-Br divulgado ontem e o CAGED divulgado hoje. Esta recuperação, contudo, promete ser extremamente lenta e gradual.

O cenário atual é condizente com uma antecipação do ciclo de queda da Taxa Selic. O mercado já migrou para uma queda de 125bps na próxima reunião do Copom. Os economistas promoveram revisões relevantes para a política monetária dos próximos meses, com muitas casas esperando juros terminais abaixo de 8%. Ainda há, todavia, um diferencial grande entre as expectativas dos economistas para a Taxa Selic e as expectativas do mercado. Em outras palavras, se os economistas estiverem corretos, ainda existe espaço para novas rodadas de fechamento de taxas de juros de mercado.  




Data: 16/05/2017

Petróleo em destaque.

 

O destaque da noite ficou por conta da acusação que foi vazada na mídia de que Trump teria dado informação confidencial sobre o Estado Islâmico a uma delegação Russa que visitou a Casa Branca na semana passada. Como presidente do país, parece que Trump tem o poder de tornar informação confidencial em informação pública, mas o vazamento deste episódio está trazendo um grande constrangimento a uma administração cercada de problemas. 

 

Na agenda do dia, destaque para os dados de housing nos EUA e para Industrial Production do país. 

 

Em relação à dinâmica de mercado, destaque para mais uma rodada de alta no preço do petróleo após a confirmação, ontem, de uma extensão do corte de produção dos países membros da OPEP. Não sou especialista no tema, mas me parece que o petróleo deveria se manter um grande range ao longo dos próximos meses. O nível de $45-$55 parece um bom o seu preço. Neste patamar, a despeito de uma elevada volatilidade, não deveria ser um tema de grande destaque para o cenário econômico global. 

 

No Brasil, a pesquisa Focus divulgada ontem pelo BCB mostrou novo recuo nas expectativas de inflação, o que deu conforto adicional ao mercado para precificar uma antecipação do ciclo de queda da Taxa Selic. O discurso de Ilan – Presidente do BCB – na sexta-feira, também foi interpretado como uma indicação de que, mantida as condições atuais, o BCB está viesado em acelerar o processo de queda da Taxa Selic. 

 

Interessante observar, contudo, que o mercado está lendo as declarações do BCB de maneira literal, ou seja, não há um grande movimento de extensão do ciclo de corte da taxa de juros, mas uma antecipação deste. A curva de juros já precifica uma queda de praticamente 125bps na próxima reunião do Copom, mas com quedas subsequentes muito inferiores a esta (-80bps/-50bps nas duas reuniões seguintes grosso modo). 

 

Os jornais de hoje estão ventilando a possibilidade do governo “descontingenciar” parte do orçamento, com o intuito de conseguir recursos em troca da Reforma da Previdência. A medida depende de alguma receita extraordinária. 

 

Na direção de uma agenda voltada ao crescimento, assim como a liberação dos recursos do FGTS, o governo começa a ventilar a possibilidade de uma correção da tabela do Imposto de Renda. A contrapartida poderia ser a taxação da distribuição de dividendos. A medida ainda está em estudo e não foi oficializada. 




Data: 15/05/2017

Sinalizações de afrouxamento na China. Novos ruídos no Brasil.

 

Final de semana, até o momento, de mudanças marginais no cenário. Alguns ruídos no cenário local e externo e apenas uma sinalização concreta mais importante no cenário externo, proveniente da China. Vejamos abaixo:

 

China – Segundo a Goldman Sachs, o relatório trimestral de política monetária divulgada ontem aponta para uma política monetária levemente mais frouxa no curto-prazo. Se confirmada esta visão, será em linha com o que tenho descrito neste fórum recentemente, ou seja, a desaceleração da economia vista nos últimos PMIs foi induzida pelo policy maker local e não causada por um movimento mais preocupante da economia.

 

Este pano de fundo me dá algum conforto, dado que a desaceleração não é fruto de nenhum “evento de crédito” inesperado. Como o governo quem está administrando a desaceleração do mercado de crédito e, consequentemente, da economia, eles podem reverter o processo se concluírem que a desaceleração chegou a níveis satisfatórios. Isso não quer dizer que não existam riscos. Eles existem, são reais e precisam ser monitorados. Um erro do policy maker poderia ter consequências catastróficas para o mundo. Em um pano de fundo de crescimento global ainda saudável, estes riscos, no curto-prazo, me parecem controlados, mas não totalmente dissipados. 

 

Para a Goldman Sachs:

 

"The last Q4 policy report released in Feb underscored a hawkish PBOC stance, as we discussed at that time. Market interest rates have risen significantly since then (e.g., by c.70bp/50bp for 7-day repo rate/5-year bond yield). In contrast, the latest Q1 policy report strikes a more neutral tone, in our view. Probably in response to the rapid series of reported regulatory tightening by other policy agencies in the last several weeks (e.g., see here, here and here) and market worries about potential over-tightening, the report suggests the need to improve coordination of financial policy as well as the "timing" and "rhythm" of regulatory measures. The report says this would help "stabilize market expectation" and "strike a balance between deleveraging and ensuring basic stability in liquidity conditions". 

 

In our view, following the measured moderation in interbank rates in the past week and solid bank loan data for April, the report's language further strengthens the signal that the PBOC has incrementally turned less hawkish to factor in regulatory tightening by other policy agencies and reduce the risk of an excessively tight overall policy stance. 

 

The report also emphasizes the PBOC's efforts to try to smooth out interbank volatility, and points out that what it refers to as the "most representative" interbank rate, DR007, has broadly moved in the 2.6%-2.9% range in recent months. DR007 is the 7-day repo interest rate that covers only depository institutions (see here for details).The report also emphasizes the PBOC's efforts to try to smooth out interbank volatility, and points out that what it refers to as the "most representative" interbank rate, DR007, has broadly moved in the 2.6%-2.9% range in recent months. DR007 is the 7-day repo interest rate that covers only depository institutions (see here for details). 

 

The weighted average lending rate for general bank loans (excluding bill financing) rose to 5.69% in Mar '17, up 19bp from Dec '16. Given the rough historical pattern that it takes a few months for market rates to feed through to bank lending rates (see here), the latter may continue to rise in the coming months reflecting the jump in market rates since late last year."

 

Brasil – Os veículos de comunicação passaram os últimos dias repercutindo as imagens da delação premiada dos marketeiros das últimas campanhas presidenciais do Brasil. Parte do que é descrito no vídeo já havia sido “vazado” na imprensa ao longo das últimas semanas. As declarações, caso provadas, colocam o antigo governo e seu partido em situação ainda mais delicada. A delação deverá ser usada como alvo para novos inquéritos e investigações, mostrando que a Operação Lava-Jato continua forte e atuante (e longe de um desfecho). 

 

Alguns jornais continuam especulando sobre uma possível delação premiada de um ex Ministro da Fazenda, atualmente preso acusado pela Operação Lava-Jato. Segundo a mídia, ele poderia complicar ainda mais a situação de pessoas já investigadas mas, além disso, envolver grandes grupos empresariais e, até mesmo, o sistema financeiro nacional. 

 

Não há grandes novidades em torno da Reforma da Previdência. O Governo continua sua batalha em busca de votos favoráveis a Reforma.

 

Coréia do Norte – O país promoveu mais um teste balístico neste final de semana, em uma primeira afronta ao novo presidente da Coréia do Sul. A Bloomberg reportou que o país sinalizou que poderia negociar junto aos EUA, na hora e no momento adequado. 

 

Vejo as provocações do país como ruídos de curto-prazo.




Data: 12/05/2017

What we learned this morning?

 

Nas últimas horas recebemos informações importantes do cenário econômico global. Descrevo as principais delas abaixo. De maneira geral, vejo os dados divulgados essa manhã como confirmando o cenário base com o qual temos trabalhado. Leia-se, um crescimento global ainda saudável, mas em um pano de fundo de inflação contida.

 

Como veremos abaixo, vejo este ambiente como positivo/construtivo para os ativos de risco em geral, mas, em especial, para os ativos emergentes com os fundamentos sólidos ou em vias de recuperação. 

 

China – Os agregados monetários de abril ficaram acima das expectativas. Os números divulgados hoje deveriam dirimir os receios do mercado em torno de uma desaceleração mais acentuada da economia do país no curto-prazo, reduzindo uma incerteza que gerou elevada volatilidade e pressão nas commodities nas últimas semanas. 

 

Como comentei no início da semana: Vejo a desaceleração recente como, de certa forma esperada mas, principalmente, induzida pelas medidas restritivas adotadas pelo governo ao longo dos últimos meses. Este pano de fundo me dá algum conforto, dado que a desaceleração não é fruto de nenhum “evento de crédito” inesperado. Como o governo quem está administrando a desaceleração do mercado de crédito e, consequentemente, da economia, eles podem reverter o processo se concluírem que a desaceleração chegou a níveis satisfatórios. Isso não quer dizer que não existam riscos. Eles existem, são reais e precisam ser monitorados. Um erro do policy maker poderia ter consequências catastróficas para o mundo. Em um pano de fundo de crescimento global ainda saudável, estes riscos, no curto-prazo, me parecem controlados, mas não totalmente dissipados. 

 

EUA – As vendas no varejo ficaram praticamente em linha com as expectativas, se consideradas as revisões altistas do mês anterior. O número mostra um crescimento ainda um pouco abaixo das expectativas, mas um cenário de econômica relativamente saudável. 

 

O Core CPI apresentou alta de 0,1% MoM, levando a alta para 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O número vem após uma queda de 0,1% MoM no mês anterior.

 

A despeito de um mercado de trabalho extremamente robusto, como mostrou o Jobless Claims ontem, uma economia próxima ao pleno emprego, ainda parece um “conundrum” a baixa reação da inflação, mostrando ainda algum espaço no hiato do produto.

 

A leitura é de que os números recentes devem ser vistos como positivos (“Goldilocks” / “Sweet Spot”), já que mostram um crescimento robusto e um mercado de trabalho sólido. As pressões inflacionárias são crescentes, porém ainda não excessivas. Assim, o Fed poderá dar continuidade ao seu processo de normalização monetária, porém de forma gradual e bem comunicada. Este cenário poderá ser revertido quando (e se) a inflação começar a dar sinais mais preocupantes de alta rápida e acentuada. 

 

No atual estágio do ciclo econômico dos EUA, com a taxa de desemprego em 4,4% existe um risco crescente da inflação começar a dar sinais mais claros de aceleração. Este é um risco que precisa ser monitorado e devidamente “hedgeado” nos portfólios. A dinâmica dos ativos de risco, entretanto, tem mostrado que o mercado irá ser reativo a este cenário, e não proativo, ou seja, enquanto o crescimento estiver sólido, mas a inflação controlada, o Fed deverá manter postura gradual e, assim, manter as condições financeiras frouxas, desenvolvendo um pano de fundo positivo para os ativos de risco em geral. 

 

Canadá – O país vem sendo foco de alguma atenção, após problemas localizados no setor imobiliário. Uma agencia de classificação de risco rebaixou o rating de 6 importantes bancos locais esta semana, o que ajudou a colocar uma pressão maior nos ativos do país. 

 

Tenho pouca capacidade analítica sobre este tema, pelo menos por ora. Devemos acompanhar os próximos desdobramentos locais. Até o momento, o problema se mostra localizado e contido. 

 

Brasil – A Petrobrás anunciou um forte resultado no primeiro trimestre do ano. A divulgação confirma que o atual governo está atingindo avanços extremamente positivos não apenas na agenda macroeconômica, mas também na agenda microeconômica. Vejo este como mais um sinal positivo para os fundamentos de longo-prazo do país.  




Data: 12/05/2017

Update.

 

Os ativos de risco estão abrindo o dia em tom mais negativo, com movimentos ainda tímidos, porém com correlação elevada e um viés de “risk-off”. Não vi nenhuma mudança de cenário que justifique o movimento de hoje. 

 

Ontem, nos EUA, o PPI de abril apresentou forte alta, muito acima das expectativas do mercado. Os dados econômicos no país continuam apontando para um cenário de crescimento saudável, mercado de trabalho no pleno emprego e hiato do produto fechado. Este ambiente deveria levar o Fed a novas altas de juros, mantendo um processo de normalização monetária mais rápido do que o mercado precifica neste momento, dando suporte as taxas de juros no país e ao dólar no mundo.

 

No Brasil, as Vendas no Varejo ficaram muito abaixo das expectativas, confirmando que a recuperação do crescimento será lenta e gradual. O cenário de inflação cadente e crescimento pífio justifica a postura do BCB em antecipar o ciclo de queda da Taxa Selic.

 

Hoje, os jornais trazem poucas novidades relevantes. O governo continua trabalhando na busca de votos para a Reforma da Previdência. Os sinais são de que eles devem conseguir algo entre 320 e 330 votos. Existe algum ruído em torno da Reforma Trabalhista, que pode sofrer mudanças marginais no Senado. O Governo também trabalha para acelerar a tramitação desta reforma no Senado. 

 

Na agenda do dia, destaque para o Core CPI nos EUA e para o discurso de Ilan – Presidente do BCB – no encerramento do Seminário de Metas de Inflação. 




Data: 11/05/2017

Brasil: Inflação abaixo da meta, Taxa de Juros e Reforma do Setor Elétrico.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade. Destaque para mais uma rodada de alta no preço do petróleo, que está dando suporte as commodities metálicas não preciosas neste momento. A aparente estabilização, com sinais um pouco mais consistentes e de menor fragilidade, estão ajudando a dar suporte aos mercados emergentes em geral, com moedas como o MXN, TRY e ZAR apresentando desempenhos positivos. 

 

Na agenda do dia, o destaque ficará por conta das Vendas no Varejo no Brasil e para o PPI nos EUA. 

 

No Brasil, os jornais de hoje dão destaque ao IPCA de abril divulgado ontem, e já comentado neste fórum na tarde de quarta-feira. Cresce, no mercado e na mídia, a probabilidade do BCB antecipar o ciclo de queda de juros, com uma potencial queda da Taxa Selic superior a 100bps na próxima reunião do Copom. 

 

Artigo da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/05/1882944-com-inflacao-abaixo-da-meta-bc-podera-acelerar-reducao-dos-juros.shtml 

 

O Valor Econômico traz uma matéria sobre a ampla reforma que o governo pretende colocar em prática no setor elétrico: http://www.valor.com.br/brasil/4964844/governo-prepara-ampla-reforma-do-setor-eletrico 

 

Além de uma agenda macroeconômica positiva, este governo vem avançando de forma extremamente rápida e positiva na agenda microeconômica, em uma direção que deverá criar ambiente para o avanço da economia e dos investimentos no país. 




Data: 10/05/2017

Update

 

A confirmação de uma forte queda nos estoques de petróleo nos EUA na última semana ajudou a dar sustentação ao complexo de commodities, após uma alta superior a 3% no petróleo.

O dia foi de agenda econômica relativamente esvaziada no âmbito externo. As declarações do Rosengren, do Fed, contudo, reforçaram o cenário que venho descrevendo neste fórum, ou seja, uma economia com crescimento saudável e com o mercado de trabalho robusto, já no pleno emprego, com o hiato do produto praticamente fechado. Este ambiente reforça a necessidade de continuidade do processo de normalização monetária no país.

No Brasil, o IPCA de abril ficou praticamente dentro das expectativas, com alta de 0,14% MoM e 4,08%. O Número mostrou um quadro qualitativo positivo, que justifica uma antecipação do ciclo de queda da taxa Selic, cenário que tem sido sinalizado pelo BCB. Segundo nossa área econômica:

>> IPCA veio ligeiramente abaixo da mediana de mercado (+0,14%vs. BBG: +0,16%). O qualitativo do IPCA permaneceu relativamente bom; O índice de difusão dessaz (% dos subitens em alta) ficou em 57,7%, abaixo da média histórica (62,6%) e condizente com um quadro inflacionário bastante benigno (níveis parecidos com 2005/2006); O núcleo de serviços dessaz ficou em 3,3% na média móvel trimestral anualizada; O desempenho do grupo serviços como um todo piorou, mas tendo em vista o comportamento do núcleo e a evolução do mercado de trabalho, esperamos que haja uma desaceleração no segmento como um todo.

No cenário político, o mercado voltou a mostrar uma confiança maior na possibilidade de aprovação da Reforma da Previdência. Não acho válido discorrer sobre cronograma e probabilidade de aprovação, mas acho justo dizer que o Governo está em um crescente em relação a estratégia de negociação junto a sua base. A campanha publicitária de explicação da Reforma junto à população também ajuda este processo político.

Em relação aos ativos locais, o BRL continua seguindo o humor global em relação ao dólar no mundo. Por ora, conseguiu manter a banda de cima do “range” recente, nos 3,20. Passada a Reforma da Previdência, existe espaço para que a banda de baixo seja novamente testada (3,00-3,05). As vols implícitas apresentaram alguma estabilização, após forte pressão nos últimos dias.

A curva de juros precifica quedas em torno de 115bps/80bps/45bps/20bps nas próximas 4 reuniões do Copom. Frente ao cenário da nossa área econômica de inflação baixa e recuperação lenta e gradual do crescimento, vemos espaço para uma antecipação do ciclo de queda da Taxa Selic. Assim, vemos prêmio da curva local de juros. A parte intermediária da curva, a meu ver, apresenta um prêmio relevante frente ao cenário binário da Previdência.  O FRA dos anos de 2019 (10,20%), 2020 (10,60%) e 2021 (10,80%) nos atuais níveis me parecem refletir está cautela.

No Ibovespa, estamos observando resultados corporativos trimestrais melhores do que o esperado e, principalmente, uma visão mais construtiva por parte das empresas para os próximos trimestres. O técnico do mercado também me parece favorável, já que poucos players apresentam posições relevantes nesta classe de ativo.




Data: 10/05/2017

Brasil: Agenda Positiva.

 

Os ativos de risco estão apresentando alguma realização de lucros dos movimentos recentes. Neste momento, destaque para um fechamento de taxas das Treasuries, que está ajudando o movimento de enfraquecimento do dólar no mundo. A divulgação de uma forte queda nos estoques de petróleo no final da tarde de ontem está ajudando a dar sustentação ao preço do petróleo.

 

Na agenda do dia, as atenções estarão voltadas para a divulgação do IPCA de abril no Brasil.

 

No inicio da noite de ontem, a Comissão Especial da Câmara aprovou o texto base da Reforma da Previdência, rejeitando praticamente todos os destaques do texto. A Reforma irá agora para o Plenário, mas ainda sem data para votação. O Governo continua sua batalha em busca de votos favoráveis. A ideia é buscar o fechamento de questão por parte do PMDB, em busca do mesmo movimento por parte de sua base governista. 

 

Ao mesmo tempo em que luta em favor da Previdência da Câmara, o governo busca agilizar a Reforma Trabalhista no Senado. 

 

O Valor Econômico de hoje traz um artigo em que afirma que o Governo irá lançar um pacote de investimentos ao redor de R$60bi. Segundo o texto:

 

"Em busca de uma agenda positiva para se contrapor às reformas impopulares em tramitação no Congresso, o governo deu contornos finais ao "Avançar", plano que substituirá o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e prevê investimentos de R$ 59 bilhões até o fim de 2018. A ideia é transmitir mensagem de que a economia saiu do "modo de espera" e está em processo de retomada. 

 

Mesmo com as restrições orçamentárias, os recursos serão exclusivamente públicos e devem ficar livres de eventuais contingenciamentos. Assessores presidenciais ressaltam que uma das principais diferenças do Avançar é a transparência nas informações. Não haverá a contabilização de desembolsos feitos por investidores privados em concessões de infraestrutura, aportes de estatais e nem créditos de bancos públicos. Esse dinheiro, segundo eles, inflava os balanços do programa adotado nas gestões dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rouseff. 

 

Mais de um terço dos investimentos (R$ 22,7 bilhões) vão para a área de transportes - rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Serão ações como construção ou duplicação de 2,3 mil quilômetros de estradas, dragagem de pelo menos seis portos e 1,2 mil quilômetros de trilhos. 

 

Todas as obras deverão ser entregues, ainda que parcialmente (em trechos), até dezembro de 2018. Um exemplo é o eixo norte da transposição do rio São Francisco, que teve um lote relicitado no início deste ano. Os aportes do Avançar também englobam outros três eixos: R$ 15,7 bilhões para habitação, saneamento básico e mobilidade urbana; R$ 13,5 bilhões para defesa; e R$ 7,4 bilhões para saúde, educação, recursos hídricos, cultura, turismo e esporte." 

 

Na China, o CPI ficou levemente acima das expectativas, enquanto o PPI, ambos de abril, ficou abaixo do consenso esperado pelo mercado. Os números de hoje pouco alteram a postura do PBoC. Segundo o Morgan Stanley:

 

"PPI softened for the second consecutive month: PPI slipped more than expected to 6.4% YoY in April (vs. 7.6% YoY in March; Consensus and MSe: 6.7% YoY). Besides a higher comparison base, the key drag was sequentially weaker commodity prices (-1.5% MoM in April vs. -0.1% MoM in March), particularly prices in oil and ferrous metal-related products. On the other hand, non-commodity PPI held up relatively well in April at 2.6% YoY (vs. 2.7% YoY in March), and its sequential growth edged down to -0.1% MoM (vs. 0.2% MoM in March) partly on seasonality. 

 

CPI rebounded modestly, led by higher core inflation: Headline CPI came in largely in line with consensus at 1.2% YoY in April (vs. 0.9% YoY in March; Consensus: 1.1% YoY; MSe: 1.2% YoY). The key driver was higher core inflation (2.1% YoY in April vs. 2.0% YoY in 1Q17 and 1.9% in 4Q16), supported by a better job market and higher income growth. That said, food prices were still declining, though at a milder pace in April (-3.5% YoY vs. -4.4% YoY in March)."




Data: 09/05/2017

Brasil: Sensação mais construtiva com Reforma da Previdência.

 

Dia de poucas novidades para o cenário econômico local e global.

Nos EUA, os JOLTs de março confirmou um mercado de trabalho robusto e uma economia no pleno emprego. Os membros do Fed vem dando declarações nesta direção, o que reforça um cenário de continuidade do processo de normalização monetária no país. 

Este cenário está dando algum a abertura das taxas de juros no país e, consequentemente, ajudado a dar suporte do dólar no mundo. Acredito que este movimento faça sentido e possa continuar, em maior ou menor grau, ao longo dos próximos dias.

Os movimentos recentes se diferenciam de um “Reflation” clássico pela fragilidade ainda demonstrada pelas commodities. Os sinais de desaceleração da China, aliados as perspectivas de melhor liquidez global, estão mantendo o complexo de commodities metálicas e petróleo sob pressão.

Em relação a China, vejo a desaceleração como, de certa forma esperada mas, principalmente, induzida pelas medidas restritivas adotadas pelo governo ao longo dos últimos meses. Este pano de fundo me dá algum conforto, dado que a desaceleração não é fruto de nenhum “evento de crédito” inesperado. Como o governo quem está administrando a desaceleração do mercado de crédito e, consequentemente, da economia, eles podem reverter o processo se concluírem que a desaceleração chegou a níveis satisfatórios. Isso não quer dizer que não existam riscos. Eles existem, são reais e precisam ser monitorados. Um erro do policy maker poderia ter consequências catastróficas para o mundo. Em um pano de fundo de crescimento global ainda saudável, estes riscos, no curto-prazo, me parecem controlados, mas não totalmente dissipados.

No Brasil, o mercado começa a mostrar uma confiança maior na possibilidade de aprovação da Reforma da Previdência. Neste momento, a Comissão Especial da Câmara está votando os destaques do texto base. Por ora, a Comissão ocorre sem surpresas. Não acho válido discorrer sobre cronograma e probabilidade de aprovação, mas acho justo dizer que o Governo está em um crescente em relação a estratégia de negociação junto a sua base. A campanha publicitária de explicação da Reforma junto à população também ajuda este processo político.

Em relação aos ativos locais, o BRL continua seguindo o humor global em relação ao dólar no mundo. Por ora, conseguiu manter a banda de cima do “range” recente, nos 3,20. Passada a Reforma da Previdência, existe espaço para a banda de baixo seja novamente testada (3,00-3,05). As vols implíticas apresentaram alguma estabilização, após forte pressão nos últimos dias.

A curva de juros precifica quedas em torno de 110bps/75bps/45bps/20bps nas próximas 4 reuniões do Copom. Frente ao cenário da nossa área econômica de inflação baixa e recuperação lenta e gradual do crescimento, vemos espaço para uma antecipação do ciclo de queda da Taxa Selic. Assim, vemos prêmio da curva local de juros. A parte intermediária da curva, a meu ver, apresenta um prêmio relevante frente ao cenário binário da Previdência.  O FRA dos anos de 2019 (10,20%), 2020 (10,60%) e 2021 (10,80%) nos atuais níveis me parecem refletir está cautela.

No Ibovespa, estamos observando resultados corporativos trimestrais melhores do que o esperado e, principalmente, uma visão mais construtiva por parte das empresas para os próximos trimestres. O técnico do mercado também me parece favorável, já que poucos players apresentam posições relevantes nesta classe de ativo. 




Data: 09/05/2017

Brasil: governo tentará votar Previdência até o final deste mês.

 

Os ativos de risco estão operando ainda com um viés construtivo, sustentados pelo pano de fundo de “Goldilocks” descrito neste fórum na sexta-feira passada. Ontem, vimos o VIX – índice de volatilidade da bolsa dos EUA – atingir (e fechar) no menos patamar desde 1993. A volatilidade de outros ativos também sofreu forte pressão ao longo do dia, como foi o caso da vol implícita do BRL, por exemplo. 

 

Hoje pela manhã, estamos vendo novos sinais de estabilização das commodities, mas a dinâmica ainda se mostra frágil e demanda cautela. As taxas de juros nos EUA voltaram a abrir, com a Treasury de 10 anos testando novamente o patamar de 2,4%. O movimento me parece fazer todo sentido frente a um mercado de trabalho robusto, próximo ao pleno emprego e com o hiato do produto da economia praticamente fechado. Neste ambiente, o dólar voltou a apresentar alta. 

 

No Brasil, a pesquisa Focus divulgada na manhã de ontem pelo BCB trouxe poucas novidades. As expectativas de inflação permanecem ancoradas. O que chamou a atenção, contudo, foi a alta das expectativas para 2018, que subiram 9bps. Ainda é cedo para tirar conclusões maiores em torno deste movimento. Será importante monitorar este vetor nas próximas semanas. 

 

O jornal O Globo de hoje afirma que o governo está traçando uma estratégia para votar a Reforma da Previdência até o final deste mês. Além disso, o Valor econômico afirma que o governo aposta na rejeição de todos os destaques da Reforma da Comissão Especial. 

 

Enquanto isso, o governo continua trabalhando intensamente, junto a sua base, para conquistar votos favoráveis a Reforma. Concomitantemente a este movimento, deu-se início a uma campanha publicitária mais agressiva para mostrar a necessidade de aprovação da manteria e a importância deste avanço para o país.




Data: 08/05/2017

China: Mais sinais de desaceleração. Impacto deve ser pontual.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. Ainda vejo alguma fragilidade no complexo de commodities que, a despeito da estabilização, ainda apresenta grande dificuldade em uma recuperação mais sustentável. O EUR opera sobre pressão, e as bolsas mostram alguma realização de lucros após o forte rally de sexta-feira.

 

Na China, as exportações e importações de abril ficaram abaixo das expectativas do mercado, mas em patamar consistente com um crescimento ainda saudável. Vale lembrar que alguma desaceleração da economia chinesa já era de uma maneira ou de outra, esperada pelo mercado. O governo local adotou uma série de medidas restritivas nos últimos meses, visando administrar os excessos em alguns setores da economia. A desaceleração do crescimento era apenas uma questão de tempo. Agora, resta saber qual será a magnitude desta desaceleração. Enquanto essa resposta não for clara, poderá existir algum receio por parte dos mercados financeiros globais, afetando os ativos mais dependentes da demanda do país. Vejo este impacto como pontual e ainda trabalho com um cenário relativamente construtivo para a economia global no curto-prazo.




Data: 08/05/2017

Brasil: Negociação em torno da Reforma da Previdência avança.

 

O final de semana foi de poucas novidades até o momento.

 

Na França, o segundo turno das eleições ocorrem, com as pesquisas apontando imensa vantagem de Macron nas intenções de voto. Mantida as expectativas, o evento deve ter pouco impacto sobre os ativos de risco.

 

Na China, as reservas internacionais de abril mostraram mais um mês de alta, confirmando um quadro de menor pressão de saída de recursos do país após as diversas medidas adotadas pelo governo nos últimos meses.

 

No Brasil, os jornais continuam dando destaque para as negociações em torno da Reforma da Previdência. A coluna Painel, da Folha de São Paulo, noticiou que os partidos da base aliada estão tentando organizar um anuncio conjunto de fechamento de questão em torno da Reforma, o que seria uma maneira de dar tranquilidade aos deputados (a votação seria uma pressão do partido e todos da base estarem no “mesmo barco”, sem brecha para reclamações em relação aos demais aliados).

 

Além disso, os jornais noticiam que o presidente Temer tomou a liderança das negociações, e autorizou seus articuladores a utilizarem “toda a tinta da caneta” (ou seja, tudo que puderem em relação a cargos e emendas parlamentares) para angariar apoio.

 

Parece que a estratégia começa a surtir efeito, com alguns deputados duvidosos começando a demonstrar mais tranquilidade em apoiar a Reforma. 




Data: 05/05/2017

Goldilocks? You better hedge the inflation risk...

 

O destaque do dia ficou por conta da divulgação dos dados de emprego de abril nos EUA. Os números mostraram uma criação robusta de empregos (211 mil vagas), mais uma inesperada queda na Taxa de Desemprego (de 4,5% para 4,4%) e uma alta esperada no Average Hourly Earnings (de 0,3% MoM, mas após revisão baixistasdo mês anterior).

Os números confirmam uma economia ainda bastante saudável, com um mercado de trabalho no pleno emprego e um hiato do produto praticamente fechado, dentro do que tenho descrito neste fórum já há algum tempo.

A leitura é de que os números devem ser vistos (ou já foram vistos) como “Goldilocks”, já que mostram um crescimento robusto, um mercado de trabalho sólido. As pressões inflacionárias são crescentes, porém ainda não excessivas. Assim, o Fed poderá dar continuidade ao seu processo de normalização monetária, porém de forma gradual e bem comunicada. Este cenário poderá ser revertido quando (e se) a inflação começar a dar sinais mais preocupantes de alta rápida e acentuada. 

No atual estágio do ciclo econômico dos EUA, com a taxa de desemprego em 4,4% existe um risco crescente da inflação começar a dar sinais mais claros de aceleração. Este é um risco que precisa ser monitorado e devidamente “hedgeado” nos portfólios. A dinâmica dos ativos de risco, entretanto, tem mostrado que o mercado irá ser reativo a este cenário, e não proativo, ou seja, enquanto o crescimento estiver sólido, mas a inflação controlada, o Fed deverá manter postura gradual e, assim, manter as condições financeiras frouxas, desenvolvendo um pano de fundo positivo para os ativos de risco em geral.

Os ativos no Brasil voltaram a seguir a dinâmica externa, na ausência de novidades relevantes e concretas no cenário. Deveremos conviver ainda com um período de incerteza em relação a Reforma da Previdência. Continuo confiante na aprovação, mas realista com o impacto de uma potencial derrota do governo. Nos últimos dias, vimos um esforço redobrado do governo, e do próprio presidente, na condução da comunicação da Reforma junto a base aliada e a população. Resta esperar para saber se terá impacto positivo nos próximos dias.

No final da tarde, foi divulgado amplamente pela mídia aberta o depoimento de um ex diretor da Petrobras, preso pela Operação Lava-Jato, que concedeu declarações parecidas aquelas já delineadas por um empreiteiro também investigado. Ambos colocam as últimas gestões do governo federal (não a atual) no centro das investigações. A mídia negativa em torno do tema pode ser lida como aumentando o risco de condenação dos envolvidos, e reduzindo a possibilidade de eleição (ou reeleição) de partidos vistos como mais à esquerda, e contrários as reformas econômicas em curso.




Data: 05/05/2017

EUA: Dados de Emprego em Foco / Brasil: Novos Ruídos na Previdência.

 

Os ativos de risco estão operando sem tendência definida, e com movimentos tímidos, a espera da divulgação dos dados de emprego nos EUA.

 

Acho que para a divulgação de hoje, o Average Hourly Earnings (AHE) ganha uma importância até superior ao “headline” do Payroll e da Taxa de Desemprego. Se estes dois números vierem próximos a expectativas (exemplo, Payroll na faixa de 130k a 230k) o AHE quem deverá determinar a dinâmica do mercado no curto-prazo. Um AHE muito elevado irá confirmar o que já mostrou o ECI e o ULC, ou seja, que existe uma clara trajetória ascendente de pressões salariais. Neste contexto, é natural esperar que o Fed dê prosseguimento ao seu processo de normalização monetária. Este cenário poderia levar uma abertura de taxa de juros mais acentuada no país, trazendo consequências aos demais ativos de risco. O cenário base, contudo, ainda é de um mercado de trabalho saudável, com pressões salariais altistas porém não acentuadas, o que mantém um pano de fundo relativamente construtivo para o cenário econômico global.

 

No Brasil, os jornais de hoje continuam especulando em torno da possível data para a votação da Reforma da Previdência na Câmara. Existem novos rumores de que a votação poderia ficar para o segundo semestre do ano. Na minha visão, é muito difícil, neste momento, acreditar em tudo que sai na mídia. A verdade é que, hoje, o governo não tem conforto que já tenha os 308 votos favorável ao texto da Reforma. Assim que tiver conforto neste número, colocarão o tema para votação. 

 

Existe uma proposta de um no Refis para ser aprovada pelo Congresso. Segundo a mídia, existe um desconforto da equipe econômica em torno desta proposta, pode reduziria em demasia a dívida de muitas empresas, prejudicando a arrecadação do governo e as contas públicas.  




Data: 04/05/2017

Commodities Rout!

 

Os ativos de risco estão passando por um turbulento momento em que dois vetores distintos atingem o cerne do mercado, afetando o cenário construtivo paras algumas classes de ativo, com os países emergentes. Vamos aos fatos:

Primeiro, observamos sinais de desaceleração da China. Os últimos PMIs do país mostram uma desaceleração do crescimento Chinês. Além disso, medidas adicionais as já implementadas nos últimos meses estão sendo tomadas, com o objetivo de evitar a dinâmica de bolha em alguns mercados e, em especial, restringir o mercado de crédito off-balance-sheet. Estas medidas tendem a afetar bastante o mercado de commodities que, em alguns casos, já se via diante de estoques crescentes (e um quadro técnico aparentemente ruim).

Segundo, voltou à tona o debate em torno da continuidade do processo de normalização monetária nos EUA. Este processo reduziria a liquidez dos mercados financeiros globais e tenderia a apertar as condições financeiras globais. Este vetor seria mais um “vento contrário” aos mercados emergentes e as commodities, por exemplo.

Como o Brasil não é uma ilha. Muito pelo contrário, é um país emergentes ainda muito dependente das commodities e das condições financeiras globais, os ativos locais estão sentindo os efeitos maléficos desses vetores citados acima.

A história mostra que os movimentos de correção nas commodities tendem a ser rápidos e acentuados, mesmo que pontuais. Assim, é sempre muito difícil tirar conclusões concretas em relação a dinâmica do mercado e, muito menos, acertar os pontos de inflexão do mercado.

Com relação a China, uma desaceleração já era esperada. A economia apresentou recuperação do 1Q, mas as medidas de restrição monetária impostas pelo governo apontavam na direção de um crescimento mais brando nos próximos 3 a 6 meses. Por ora, este cenário está se concretizando, mas ainda não há nenhum sinal mais alarmista nesta frente. Eu, particularmente, tenho uma grande preocupação em relação aos riscos de longo-prazo da economia da China, mas ainda vejo um curto-prazo relativamente estável no país.

É interessante lembrar, pegando o Minério de Ferro como exemplo, que ninguém esperava que esta commodity atingisse o patamar de US$90 há 6 meses atrás, e muito menos que permaneceria neste nível por algum tempo. O mercado trabalhava com um preço de US$60-US$65 para o médio-prazo. Agora, com o Minério voltando ao patamar visto como sustentável a médio-prazo, o mercado questiona até onde irá a queda (está analogia vale para o Cobre, Petróleo e afins).

Refleti sobre este aspecto apenas para dizer que o mercado financeiro tende a exagerar os movimentos, mesmo com mudanças apenas marginais de cenário. Temos que tentar ter o sangue frio para diferenciar mudanças efetivas e estruturais de cenário, de mudanças apenas pontuais de preço.

Nos EUA, continuo vendo um cenário em que o mercado de trabalho se encontra no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. O Fed está em um ciclo claro, que deverá ser gradual e prolongado, de normalização monetária (alta de juros e redução de balanço). Com a inflação ainda baixa, este processo deverá ser gradual e bem administrado. Apenas uma sequência mais clara de pressões inflacionárias poderá tornar este processo menos trivial, ou mais acelerado.

Sou da teoria que precisamos respeitar a dinâmica do mercado, especialmente diante de vetores que temos pouco controle. É notório que um menor crescimento da China, e a perspectiva de juros mais elevados nos EUA, tendem a ser menos construtivos para os mercados emergentes.

Assim, será cada vez mais importante a escolha dos ativos corretos na busca por alpha. Ainda vejo o Brasil bem posicionado (condicionado a aprovação das reformas econômicas) para lidar com este “novo” ambiente. É natural, contudo, esperar períodos de maior volatilidade e incerteza. De maneira geral, vejo os eventos recentes apenas como mudanças marginais de cenário. 




Data: 04/05/2017

Brasil: Governo obtém vitória na Comissão Especial da Previdência. PSDB fecha questão a favor da Reforma.

 

O destaque da noite ficou por conta do anuncio de que o Congresso Americano irá votar hoje a proposta de “Repeal and Replace” para o Obamacare. Segundo a mídia, Trump teria angariado os votos necessários para uma vitória nesta batalha. Caso o Congresso avance nesta direção, será um passo extremamente importante para que a agenda econômica de Trump volte aos trilhos, e comece a ser implementada.

 

Os ativos de risco reagiram de maneira clássica, com abertura de taxa de juros nos EUA e alta das bolsas. As commodities metálicas continuam sobre pressão, ainda digerindo o cenário que comentei na tarde de ontem:  A combinação de estoques mais elevados, sinais de que a atividade econômica da China tenha feito seu pico deste ciclo adicionadas e medidas de restrição ao crédito no país acabaram afetando o humor deste complexo e, consequentemente, da maior parte dos ativos dependentes de commodities metálicas (AUD, Mineradoras e afins).

 

No Brasil, a Comissão Especial da Câmara aprovou o texto base da Reforma da Previdência. A votação dos destaques foi encerrada após a invasão do plenário e só deve ser retomada na semana que vem. Existe uma articulação do “baixo clero” para a Reforma da Previdência só vá ao plenário após a aprovação da Reforma Trabalhista no Senado. Contudo, não há a confirmação destes boatos. Além disso, Renan Calheiros conseguiu manobrar para que a Trabalhista tramite em 3 Comissões do Senado, o que deverá demandar cerca de 45 dias. 

 

Nesta frente, o Governo já articula a retirada de Renan da liderança do PMDB no Senado, o que aliviaria o humor no Senado. 

 

Na madruga de ontem, após reunião com Temer, o PSDB fechou questão a favor da Reforma da Previdência, em mais uma importante sinalização para a pauta econômica do atual governo. 

 

Em suma, aos trancos e barrancos, mesmo com forte articulação da oposição, o governo está conseguindo imprimir a sua agenda, mesmo que as vezes com atrasos e, outras vezes, precisando negociar de maneira mais aberta. Acredito que este processo faça parte do ambiente democrático e ainda trabalho com um cenário construtivo para o país e seus ativos. Entendo, contudo, que deveremos conviver com alguma incerteza e volatilidade dos ativos locais no curto-prazo.




Data: 03/05/2017

Brasil: Recuperação Lenta e Gradual.

 

O dia foi bastante intenso para o cenário econômico local e global. Vamos aos fatos e seus potenciais desdobramentos: 

 

Brasil – A Produção Industrial apresentou queda de 1,8% MoM e alta de 1,1% YoY, abaixo das expectativas de -1% MoM e + 2% YoY. A abertura do número mostrou um quadro qualitativo ruim. Segundo nossa área econômica: 

 

>> A produção industrial veio abaixo do esperado (-1,8%m/m dessaz vs. BBG: -1%m/m dessaz e 1,1% a/a vs. BBG: 2%a/a). O segmento leading de ciclos, bens duráveis, apresentou queda acentuada em março (-8,5%m/m dessaz) e tem apresentado elevação no nível de estoques (segundo a FGV). O qualitativo da pesquisa foi ruim, com as categorias de uso encolhendo igual ou mais que o headline; O índice de difusão (% dos itens em alta) foi relativamente baixo (39,1%); O desempenho da produção industrial tem sido volátil (ora expandindo 8,5% anualizada na média móvel trimestral em fevereiro, ora contraindo -8,1% em março). O índice de confiança industrial tem se elevado, mas patamar ainda é condizente com a fraqueza no segmento. A elevação dos estoques em duráveis e bens de capital reforça a continuidade dessa fraqueza; Por enquanto, estamos trabalhando com um crescimento do PIB de 0,7% no primeiro trimestre de 2017 (em boa parte puxado pela expansão da agricultura e da indústria extrativa), mas há muitas fragilidades nos dados (por exemplo, o mercado de trabalho segue piorando) atrapalhando uma retomada mais substancial da economia. 

 

De maneira geral, o número de hoje reforça um quadro de recuperação extremamente lenta e gradual da economia.

 

As coletas de inflação continuam mostrando um pano de fundo de inflação contida. Somados um quadro de crescimento pífio e inflação baixa, o cenário continua extremamente propício para o BCB promover uma antecipação do ciclo de queda da Taxa Selic. 

 

No campo político, as especulações em torno da Reforma da Previdência continuam. A Comissão Especial, até o momento, não votou o texto base hoje. Existem rumores de que a votação possa ser adiada para amanhã. Além disso, a mídia segue ventilando para um potencial atraso na votação da Reforma no plenário. O rumor do momento é que o plenário da Câmara só votaria após o Senado apreciar a Reforma Trabalhista. 

 

EUA – O FOMC manteve a política monetária inalterada na reunião de hoje, como era amplamente esperado. O comunicado após a decisão, na minha visão, acabou sendo mais hawkish do que as expectativas. O Fed sinalizou que a fraqueza recente da atividade e da inflação são transitórias e que pretende manter seu processo de normalização monetária. 

 

O ADP Employment apresentou a criação de 177 mil postos de trabalho em abril, dentro das expectativas. O número confirma que o mercado de trabalho se apresenta robusta e próximo ao pleno emprego.

 

Commodities – O dia foi marcado por uma forte queda das commodities metálicas, lideradas pelo Cobre. A combinação de estoques mais elevados, sinais de que a atividade econômica da China tenha feito seu pico deste ciclo adicionadas e medidas de restrição ao crédito no país acabaram afetando o humor deste complexo e, consequentemente, da maior parte dos ativos dependentes de commodities metálicas (AUD, Mineradoras e afins).  




Data: 03/05/2017

Brasil: Agenda econômica avança no Congresso.

 

Os ativos de risco estão operando sem tendência definida, com alguma “Tensão Pré FOMC”. O destaque fica para uma leve alta do dólar no mundo. O petróleo apresenta leve recuperação, após dados mais positivos de estoques divulgados no final da tarde de ontem. A bolsa dos EUA apresenta leve queda, refletindo a divulgação do resultado, abaixo do esperado, da Apple na tarde de ontem. 

 

Hoje, o FOMC se reúne e divulga sua decisão de política monetária as 15h00. O consenso de mercado espera a manutenção do status quo. O Comitê deve apenas fazer uma “marcação a mercado” no seu comunicado no tocante ao cenário econômico. Se houver alguma surpresa, ela deve ficar para uma sinalização mais explícita em torno do que o Fed tem em mente, em relação a timing e a condução do processo para a redução do seu balanço. O cenário base, contudo, é de uma decisão sem surpresas. 

 

No Brasil, o calendário político avança. A Comissão Especial da Câmara deverá votar o texto base da Reforma da Previdência hoje ou amanhã. A votação em plenário deverá ficar para a segunda quinzena deste mês. Assim, o governo ganha tempo para explicar as mudanças recentes no relatório para a sua base.

 

Ontem, a Câmara aprovou a MP das concessões. Segundo o Valor Econômico:

 

"Após diversos adiamentos em meio à tramitação da reforma trabalhista no plenário, a Câmara dos Deputados aprovou ontem a medida provisória das concessões, que estabelece condições para a prorrogação e a relicitação de contratos de parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário. A proposta foi editada em meio à dificuldade das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato em obter crédito e realizar os investimentos prometidos. A votação dos destaques não tinha sido concluída até o fechamento desta edição. 

 

O resultado foi bem recebido por parlamentares da base de apoio ao governo no Congresso, já que a MP tem vigência até amanhã e precisava ser encaminhada ao Senado para votação ainda hoje. Se a MP não for votada nas duas Casas do Congresso até 4 de maio, perderá a validade e os negócios firmados durante sua vigência terão que ser regulados por um projeto de decreto legislativo. As regras são restritas aos empreendimentos federais que fazem parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). 

 

Ao Valor, aliados do Palácio do Planalto no Congresso destacaram a importância do resultado como um aceno de que a base governista está reaglutinada em torno da aprovação da pauta econômica do presidente Michel Temer, inclusive da reforma da Previdência. Ao editar a medida provisória, o governo alegou a necessidade de conseguir novos investimentos no setor de infraestrutura de transportes. Além disso, o texto prevê que serão objeto de relicitação os contratos no setor rodoviário, ferroviário e aeroportuário que não estiverem sendo atendidos ou cujos contratados não estejam conseguindo manter as obrigações contratuais ou financeiras."




Data: 02/05/2017

Brasil: Reforma da Previdência será o Foco da Semana.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, sem movimentos relevantes neste momento. A agenda dia será esvaziada em termos econômicos.

 

No Brasil, os jornais de hoje estão com informações desencontradas em torno da Reforma da Previdência. Enquanto a Folha de São Paulo fala em adiar novamente a votação do texto base na Comissão Especial, agendada para esta semana, os demais veículos de comunicação afirmam que a ordem no Governo é apressar as votações, colocando o texto na Comissão Especial até quinta-feira desta semana, no máximo, e mantendo o cronograma para ir ao plenário na segunda semana de maio.

 

Os ativos locais devem permanecer extremamente sensíveis aos noticiário em torno da Reforma da Previdência.




Data: 02/05/2017

Cenário Externo Permanece Construtivo.

 

Os ativos de risco voltaram a dar sinais mais positivos, com o tema de “Reflation” predominando sobre a dinâmica dos ativos de risco. Destaque para mais um dia de alta das bolsas e das commodities metálicas, abertura de taxas de juros nos países desenvolvidos, porém com o dólar misto e o petróleo em queda. O EWZ – ETF de bolsa Brasil operada nos EUA - fechou em alta em torno de 0,8%. 

 

Nos últimos dias, vimos os PMIs globais mostrando uma economia mundial ainda saudável e robusta. A despeito da queda dos números em países como China e EUA, o patamar dos PMIs continua condizente com um crescimento positivo e favorável. Como tenho insistido neste fórum: Vale atentar, contudo, que nesta fase do ciclo econômico, com a maior parte dos indicadores de confiança em picos históricos (ou deste ciclo econômico) é natural esperar alguma acomodação/ volatilidade em torno destes níveis. 

 

A manutenção de um patamar considerado robusto, sem quedas mais acentuadas e/ou generalizadas, parece ter dado ímpeto ao cenário construtivo para a economia global nos últimos dias. Além disso, os resultados corporativos trimestrais apontam na mesma direção, ou seja, crescimento positivo e aumento dos lucros do setor corporativo. Finalmente, o PIB do 1Q nos EUA, assim como alguns indicadores antecedentes do setor, confirmou um ambiente mais positivo para os investimentos/capex nos EUA, o que pode ser um vetor extremamente relevante de suporte ao crescimento ao longo dos próximos meses. 

 

A mídia dos EUA reportou hoje que o Congresso do país fechou um acordo de US$1T de orçamento para que o governo continue funcionando até setembro. Ainda não tive detalhes em torno deste pacote, mas retira um “risco de cauda” do curto-prazo. 

 

Trump manteve sua postura de comentar sobre todo e qualquer tema. Hoje, declarou que está estudando a divisão dos bancos de investimentos e bancos comerciais no país, além de declarar que pode vir a se encontrar com o líder da Coréia do Norte, caso exista algum momento que permite tal encontro.

 

No Brasil, os jornais de hoje apenas repercutiram a pesquisa eleitoral para presidente da república divulgada pelo Datafolha ontem, na Folha de São Paulo. Como comentei aqui ontem: Minha opinião pessoal é que ainda falta muito chão para o período eleitoral e o mercado não deveria reagir a este tipo de informação no curto-prazo. Acredito que ainda existem eventos importantes nos próximos 6 meses que podem determinar de forma mais clara a direção das eleições. De qualquer maneira, a pesquisa mostra uma força ainda grande de Lula (o que não deveria ser novidade para ninguém). Os demais partidos “convencionais”, e seus candidatos, apresentam uma clara tendência de perda de popularidade, como é o caso dos candidatos do PSDB (Aécio e Alckmin) e até mesmo do Rede (Marina Silva). Cresce o apoio de candidatos radicais e menos conhecidos, como Jair Bolsonaro. Este fenômeno não é novo e nem mesmo local. Existe uma tendência global ao radicalismo e ao “anti establishment” e as pesquisas no Brasil apontam nesta mesma direção. Contudo, ainda não sabemos quem será candidato em 2018, quem poderá ser candidato e se novos nomes aparecerão com força política cada vez maior.




Data: 02/05/2017

Cenário Político no Brasil, PMI na China e Coréia do Norte.

 

Brasil – Os jornais do final de semana se concentraram em 3 eventos locais.

 

Primeiro, repercutiram as manifestações de sexta-feira. A conclusão geral, já comentada neste fórum, é de que as manifestações foram pontuais, isoladas, violetas e concentrada em um grupo restrito de pessoais, que não representa os anseios da sociedade. Do ponto de vista político, a aparente fragilidade das manifestações retira um risco do curto-prazo, que seria de um movimento generalizado contra o atual governo e as reformas econômicas em curso.

 

Segundo, as negociações em torno da Reforma da Previdência continuam. Segundo a mídia, o governo conseguiu mapear os “infiéis”. Com um panorama de sua base mais claro, poderá promover uma pressão política maior em cima de seus aliados. A perda de cargos e de orçamento será utilizada como “moeda de troca”, e MPs podem ser liberadas para angarias mais aliados. Até mesmo a Agência Estado, que vem dando enfoque no “Placar da Previdência”, até o momento muito contrário ao Governo, divulgou artigo comentando a possibilidade de uma organização maior que consiga reverter parte dos votos. 

 

Finalmente, a Folha de São Paulo divulgou pesquisa eleitoral para as eleições de 2018. Minha opinião pessoal é que ainda falta muito chão para o período eleitoral e o mercado não deveria reagir a este tipo de informação no curto-prazo. Acredito que ainda existem eventos importantes nos próximos 6 meses que podem determinar de forma mais clara a direção das eleições. De qualquer maneira, a pesquisa mostra uma força ainda grande de Lula (o que não deveria ser novidade para ninguém). Os demais partidos “convencionais”, e seus candidatos, apresentam uma clara tendência de perda de popularidade, como é o caso dos candidatos do PSDB (Aécio e Alckmin) e até mesmo do Rede (Marina Silva). Cresce o apoio de candidatos radicais e menos conhecidos, como Jair Bolsonaro. Este fenômeno não é novo e nem mesmo local. Existe uma tendência global ao radicalismo e ao “anti establishment” e as pesquisas no Brasil apontam nesta mesma direção. Contudo, ainda não sabemos quem será candidato em 2018, quem poderá ser candidato e se novos nomes aparecerão com força política cada vez maior. 

 

China – O PMI Manufacturing de abril apresentou queda de 51,7 para 51,2 pontos, abaixo das expectativas do mercado. O número sai do maior patamar em 5 anos para um nível ainda condizente com um crescimento saudável. É natural esperar algum arrefecimento do crescimento do país. O governo adotou uma postura mais restritiva nos últimos meses e isso deverá impactar a economia ao longo dos próximos meses. O cenário base ainda é de um crescimento relativamente saudável, mesmo que com algum arrefecimento na margem. 

 

Coréia do Norte – O país promoveu mais um teste balístico na sexta-feira. Aparentemente, o teste foi mal sucedido e era de um míssil de médio alcance. Por um lado, as consecutivas falhas nos testes balísticos mostra uma Coréia militarmente enfraquecida, que não teria condições de ameaçar os países ocidentais, e nem mesmo seus vizinhos mais próximos. A ausência de armamentos mais potentes reduz o risco de uma guerra nuclear mais generalizada e o poder de defesa de EUA, China e Japão. Por outro lado, os consecutivos testes balísticos aumentam a tensão na região, e podem levar a uma reação mais concreta por parte da nova administração dos EUA.




Data: 28/04/2017

Manifestações no Brasil e Reflation nos EUA.

 

Brasil – O destaque do dia ficou por conta do reflexo das “manifestações” e da “greve geral” marcada para hoje. Na minha visão, existia o risco das manifestações se tornarem um evento grande e representativo, contrário ao atual governo, e contrário as reformas econômicas em curso. 

 

Até o presente momento, os focos de manifestação foram poucos e pequenos. Em muitos casos, foram focos agressivos, representados por uma parcela extremamente pequena da população. Não vi, até agora, nenhum evento específico que sugere uma mobilização maior da população contra o caminho que está sendo tomado pelo país, a despeito dos problemas ainda existentes no campo político (à medida que as investigações da Operação Lava-Jato avançam). 

 

Na ausência de uma oposição maior as reformas, vejo um ambiente menos hostil à classe político e, especialmente, na Câmara dos Deputados, para a aprovação da Reforma da Previdência. Não estou afirmando que a Reforma tenha que ser dada como “líquida e certa”. Contudo, se ontem existia o risco de uma oposição e uma mobilização grande da população contra as reformas, este risco foi dirimido ao longo do dia. 

 

Os ativos locais parecem ter entendido a situação no mesmo contexto com o que foi descrito acima, já que abriram sobre pressão, mas apresentaram recuperação ao longo do dia. 

 

Vejo o técnico do mercado local mais positivo do que no passado recente. A aprovação da Reforma da Previdência ainda é imperativa para manter o país na rota da recuperação econômica. Neste momento, me parece existir um prêmio de risco relevante nos ativos locais fruto do risco da não aprovação da reforma. 

 

A curva de juros apresentou forte steepening nas últimas semanas e o BRL apresenta desempenho relativo muito pior do que os seus pares. O Ibovespa apresenta desempenho absoluto positivo, mas visto diante dos novos picos atingidos em vários países do mundo, e diante de um quadro de clara recuperação do setor corporativo, me parece que o Ibovespa poderia estar em níveis ainda mais elevados não fosse o risco da Reforma da Previdência. 

 

EUA – O PIB do 1Q ficou levemente abaixo das expectativas (0,7% QoQ Anualizado vs 1,0% esperado). A composição do número, contudo mostra um quadro mais construtivo. A queda nos Estoques e no Consumo explicam boa parte da fraqueza deste primeiro trimestre, enquanto os Investimentos apresentaram forte recuperação. 

 

Diante de indicadores de confiança em picos históricos e com estoques mais ajustados, tudo indica que teremos uma recuperação robusta do crescimento neste segundo trimestre. 

 

O Employment Cost Index apresentou alta de 0,8% QoQ, acima das expectativas de 0,6% QoQ. O número confirma um cenário em que a economia dos EUA está no pleno emprego e com o hiato do produto praticamente fechado. 




Data: 28/04/2017

Resultados Corporativos em Foco. Sinais Positivos no Brasil e nos EUA.

 

Os ativos de risco estão operando com leve viés de “reflation”. O destaque, contudo, fica por conta do movimento de dólar mais fraco no mundo, liderado pela alta do EUR, e um bom desempenho das commodities. Eu ainda acredito que o cenário de “reflation” faça sentido, e deva prevalecer ainda por alguns meses.

 

A agenda do dia terá como destaque o PIB nos EUA, cujas expectativas já são de um número baixo e decepcionante, provavelmente abaixo de 1% QoQ anualizado. Existe uma grande expectativa, ainda, de aceleração da economia ao longo do ano. Vale lembrar que nos últimos anos, o PIB do 1Q no país tem uma clara tendência de ser o mais baixo do ano, o que já gera um debate em torno da sazonalidade deste período. 

 

Antes de entrar no cenário macroeconômico, gostaria de chamar a atenção para os excepcionais resultados corporativos que foram divulgados na noite de ontem nos EUA. Empresas da chamada “Nova Economia”, como Amazon, Google e Intel, no geral, apresentaram resultados muito fortes, positivos e muito acima das expectativas. Além disso, o anuncio do aumento de buybacks continuou a pleno vapor. Os resultados recentes deveriam dirimir o receio do mercado em torno de um eventual valution “esticado” por parte da bolsa dos EUA. Os resultados recentes mostram que existe a possibilidade de surpresas positivas nos earnings, ou seja, crescimento de lucros, mesmo que o P/E do S&P500 já esteja na banda de cima de seu valor histórico. 

 

O mesmo vale para o Brasil. Os resultados corporativos recentes mostram uma clara recuperação da saúde das empresas. Além disso, o setor varejista, por exemplo, aponta para a mesma direção observada em indicadores econômicos )como as Vendas no varejo e a ABRAS), ou seja, sinais de que a economia já tenha feito o seu piso e existe uma tendência de recuperação do crescimento. O setor bancário, em outro exemplo, também mostra recuperação da carteira de crédito e das perspectivas de melhora de resultados.  Há evidencias cada vez mais claras de que o ponto de inflexão da economia já foi feito. Além disso, a queda nas taxas de juros deverá ajudar setores mais alavancados (uma parte relevante da bolsa local) da bolsa local. Em suma, vejo se desenhar um cenário bastante positivo para o mercado local de renda variável. 

 

No campo econômico, o destaque fica por conta dos dados de inflação de março na Europa. O Core CPI passou de 1% YoY para 1,2% YoY e o CPI subiu para 1,9%. Os números foram acima das expectativas e em linha com um cenário de “reflation” global. A alta da inflação está dando ímpeto a alta do EUR está manhã. 

 

Ainda na região, o PIB da Espanha continuou surpreendendo positivamente, com alta de 0,8% QoQ. O país tem sido um dos destaques positivos de recupeação na Europa, mostrando dados robustos de crescimento. O mesmo não pode ser dito da França, com um PIB de apenas 0,3% QoQ e problemas estruturais maiores. 

 

No Japão, a produção industrial apresentou uma alta de 2,1% MoM, mas os indicadores de inflação voltaram a recuar. O país apresenta um cenário de crescimento mais positivo, mas sem qualquer sinal de uma alta mais sustentável da inflação. 




Data: 27/04/2017

Brasil: Importante e positiva vitória do Governo.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. Destaque apenas para mais uma rodada de queda no preço do petróleo, ainda seguindo uma dinâmica ruim após a divulgação dos estoques nos EUA no início da semana.

 

A agenda econômica dos EUA será relevante hoje, com Durable Goods Orders e Jobless Claims, para delinearmos o cenário de crescimento de curto-prazo da economia do país. 

 

No Brasil, o governo conseguiu ontem uma importante vitória ao aprovar a Reforma Trabalhista por 296 votos a favor e 177 votos contrários. 39 deputados faltaram a sessão. O placar é um importante termômetro para a Reforma da Previdência. Apesar de não ter atingido o número necessário de 308 votos para a Previdência, ainda há tempo de negociações e pressão sobre a base. Além disso, dos 39 deputados ausentes, o governo só precisaria do apoio de 12 destes membros, mantendo os demais dos 296 votos a seu favor.

 

Acredito que a aprovação de ontem será vista como uma grande vitória do Governo, e mais um passo importante e positivo para o país. Vale lembrar que a menos de duas semanas o cronograma da Reforma Trabalhista era muito mais distendido. O Governo aprovou o caráter de urgência e ainda aprovou no plenário a proposta, em tempo bastante reduzido e sem grandes dificuldades. A Reforma da Previdência, obviamente, é um tema muito mais polêmico, que demanda esforço maior e negociações mais intensas.

 

De qualquer maneira, acho importante não esquecermos a “floresta” olhando muito as “arvores”. Os avanços conquistados por esse Governo em pouco mais de 1 ano foram extraordinários, mesmo frente a todas ad dificuldades políticas impostas pela Operação Lava-Jato e seus desdobramentos. A inflação cai a passos largos, com a credibilidade do BCB retomada; aprovaram o Teto dos Gastos e a Reforma Trabalhista; o ambiente microeconômico melhorou de forma impar, o que está trazendo de volta os investimentos ao país; as estatais estão com uma governança melhor e os resultados começam a refletir isso; a Petrobras adotou uma política de preços de combustíveis mais transparente, e etc.

 

No Japão, como era amplamente esperado, o BoJ manteve a política monetária inalterada, mesmo revisando um pouco para o lado mais positivo seu cenário de crescimento.

 

Nos EUA, a administração de Trump negou os rumores de que poderia se retirar de forma abrupta do NAFTA. O caminho parece ser de uma negociação mais dura e favorável aos EUA, mas não de saída imediata.  




Data: 27/04/2017

Reforma Tributária nos EUA e Reforma Trabalhista no Brasil.

 

O dia foi de bastante volatilidade para os ativos de risco ao redor do mundo. Os ativos locais, basicamente, seguiram o humor global a risco. 

 

A despeito da ausência de dados econômicos relevantes para o cenário de longo-prazo, os investidores focaram as atenções para o anuncio dos “guidelines” da “Reforma Tributária” proposta por Trump e sua equipe nos EUA. Grande parte do que foi anunciado já havia sido ventilado na mídia nos últimos dias. Sem entrar nos detalhes do anuncio, caso efetivado, seria um enorme incentivo ao setor corporativo, aos investimentos e um alívio ao consumidor. Contudo, o “plano” carece de detalhes, e ainda existe uma grande interrogação no tocante ao apoio que Trump terá no Congresso. 

 

Existe a possibilidade do “Health Care/Obamacare” (Repeal and Replace) ser novamente votado até o final desta semana, o que abriria espaço para o avanço da Reforma Tributária. De qualquer maneira, após uma primeira reação positiva ao anuncio (alta da Bolsa e do USD, e abertura de taxas de juros) os ativos acabaram revertendo grande parte destes movimentos. 

 

Ainda vejo um cenário positivo para o crescimento dos EUA e do mundo. O avanço de uma agenda econômica robusta seria uma “cereja neste bolo”. O mercado de trabalho dos EUA me parece muito próximo ao pleno emprego e o hiato do produto fechado. Acho natural a volatilidade de curto-prazo na Bolsa, USD e Treasury, após a rápida e acentuada reação positiva ao primeiro turno da eleição presidencial da França. 

 

No Brasil, todas as atenções estão voltadas ao Congresso Nacional. A Câmara discute neste momento a Reforma Trabalhista. O Governo precisa de maioria simples para aprovar o projeto (cerca de 257 votos). Ventila-se que o Governo tenha cerca de 270-280 votos para a aprovação, o que seria positivo, mas insuficiente para aprovar a Reforma da Previdência. O placar de hoje será fundamental para a dinâmica dos ativos no curto-prazo. 




Data: 26/04/2017

Governo atinge uma vitória, mas acaba derrotado no final da noite.

 

Os ativos de risco estão abrindo sem tendência definida essa manhã, na ausência de notícias relevantes para o cenário externo. Na agenda do dia, nos EUA, existe a expectativa de que Donald Trump irá anunciar as linhas gerais de seu “plano de reforma tributária”, mas a agenda ainda não foi oficializada. 

 

No Brasil, continuamos a mercê do quadro político. Por um lado, o Governo conseguiu uma vitória na tarde de ontem, aprovando na Comissão Especial o texto base da Reforma Trabalhista, por 27 votos a 10. A Reforma deverá ir agora para plenário, ainda hoje. 

 

Por outro lado, o governo sofreu uma derrota na votação dos destaques para o socorro aos Estados. O destaque referente ao aumento da alíquota de contribuição previdenciária foi retirado do texto. Segundo a Folha:

 

"O texto previa aumento de 11% para, pelo menos, 14% na contribuição previdenciária dos servidores, com o objetivo de reequilibrar as contas dos Estados em calamidade financeira. Os deputados, no entanto, retiraram essa exigência do projeto. 

A exigência foi imposta pela União, em troca de socorro federal a esses governos. 

A votação indica dificuldade do governo em conseguir mobilizar sua própria base para aprovar um tema ligado à Previdência. 

Segundo o relator do projeto de socorro na Câmara, Pedro Paulo (PMDB-RJ),