Data: 25/05/2018

Sinais de estabilização. Cenário ainda não me anima.

 

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira em tom mais estável. Contudo, alguns sinais de fragilidade permanecem, como a depreciação de moedas emergentes como a TRY e o ZAR.  Continuo não vislumbrand nenhuma grande oportunidade de alocação no curto-prazo, mas mantendo postura agil e flexível para se favorecer de movimentos que aparentam ser exagerados.

No Brasil, o governo anunciou um acordo junto aos caminhoneiros para evitar um casos social. A despeito do anuncio, alguns orgãos da classe afirmam que a greve irá continuar. Neste momento, ainda não consigo ter uma noção concreta de qual será a situação ao longo do dia.

Com este pano de fundo local, e um cenário externo que me parece mais desafiador, não tenho nenhuma vontade de ter alocações estruturais e relevantes em ativos no Brasil. O BRL tem se mostrado bem comportado nos últimos dias devido a presença mais agressiva do BCB nos swaps cambiais. A curva de juros não me aparenta ter prêmios significativos. Pelo contrário, começo a acreditar que os prêmios, na média, de agora em diante, precisam ser ainda maiores. Na bolsa, nos últimos dias, vimos uma melhor na posição técnica e nos preços e valuations. No geralm todos os mercados apresenam posição técnica mais saudável neste momento, mas o mercado, especialmente os fundos locais, me parecem “machucados” para acreditar em uma tomada de riscomais agressiva no curto-prazo.

Depois da Itália passar por desafios políticos, agora a Espanha apresenta cenário desafiador, com o risco do governo Rajoy sofrer um voto de confiança. O cenário de crescimento na Europa já vinha se mostrando mais desafiador e, agora, importantes economicas da região apresentam desafios políticos que podem afetar ainda mais negativamente a confiança e o crescimento.

Nos EUA, Trump voltou a adotar postura mais dura em relação as negociações junto a Coréia do Norte, as questões comerciais com a China e seus parceiros comerciais, como México, Canada e Europa, no tocante as importações de automóveis. Vejo um cenário ainda nebuloso, a despeito de acreditar que esta postura é apenas uma forma, um caminho, de buscar situações mais vantajosas para os EUA e mostrar firmeza as vésperas de uma eleição no Congresso Americano.




Data: 24/05/2018

 Cautela é necessária. Sinais de fragilidade (local e externo) permanecem.

 

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira em tom mais estável. Destaque para a depreciação de 2,5% na Lira (TRY) na Turquia, que após uma rápida e acentuada depreciação “intraday” ontem após a elevação dos juros em 300bps voltou a mostrar fragilidade. A Bloomberg traz hoje um artigo em que mostra a exposição de alguns bancos Europeus à Turquia e a TRY, o que pode gerar algum contágio, mesmo que pequeno e pontual.

Na noite de ontem, Trump pediu que o secretário de Comércio iniciasse investigações em torno das importações americanas de automóveis, o que pode levar a uma nova rodada de anúncio de tarifas de importação. Com esta postura, Trump demonstra que a “Guerra Comercial” ainda não está vencida e que o aparente avanço conseguido no final de semana com a China pode ter sido apenas um “alarme falso”. Continuo acreditando que este tipo de postura é apenas uma maneira de se conquistar alavancagem nas negociações, mas certamente mostra um cenário ainda desafiador pela frente.

No Brasil a Petrobrás anunciou uma queda de 10% no preço do diesel, que deverá vigorar por 15 dias. Depois disso, a empresa pretende voltar a sua política de preço. O Congresso, por sua vez, para zerar a CIDE, aprovou durante a noite a reoneração da folha de pagamentos.

Eu vejo a decisão da Petrobrás, mesmo que politicamente sendo uma decisão difícil dado o impacto para a sociedade e o caos social que está se instalando no país, como uma decisão extremamente danosa à imagem da empresa do ponto de vista do investidor. A decisão abriu um precedente enorme para que a política de preços seja abandonada por qualquer questão, econômica ou social, que venha a afetar o país.

Como tenho afirmado neste fórum, a situação vivida nos últimos dias mostra como o próximo Presidente o próximo Governo precisará estar comprometido com o ajuste econômico para manter suas convicções e não adotar medidas vistas como populistas a luz do mercado. Por ora, os candidatos que estão mostrando competitividade nas pesquisas não demonstram esse apego e convicção pelas reformas. Assim, é natural o mercado pedir mais prêmio de risco nos ativos do Brasil nesta fase do ciclo eleitoral.

No tocante aos ativos Brasileiros, acho importante comentar sobre a posição técnica e a dinâmica dos mercados locais. Nas últimas semanas, vimos uma grande “limpada” de posições no Câmbio (BRL) e no mercado de juros. Esses, nos últimos dias, foram ancorados pela decisão de política monetária do BCB e pela intervenção via swaps cambiais. Agora, começamos a ver uma limpada de posições no mercado de renda variável. A queda da Petrobrás nos últimos dias, uma grande “over-performance” do Ibovespa e do mercado, já é sinal disso. Além disso, nos últimos dias, vimos uma forte queda das inflações implícitas e aumento de taxa de juros reais nas NTN-Bs. Na minha visão, este movimento é totalmente técnico e explicado por um posicionamento pouco saudável do mercado nesta classe de ativo que, agora, começa a se desfazer.




Data: 24/05/2018

Update.

 

Os ativos de risco estão apresentando dinâmica mais difusa ao longo do dia de hoje. Acho válido comentar sobre alguns temas:

Brasil/Político – A situação da alta no preço dos combustíveis está gerando uma grande revolta popular, com problemas de abastecimento já sendo reportados pela mídia. A queda da CIDE pode não ser suficiente para amenizar o problema. Assim, o mercado começa a se questionar se a pressão para uma solução não irá recair, no final das contas, na Petrobrás. A ação da empresa apresentou forte queda nos últimos dias, desde que o assunto entrou no radar dos investidores.

Confesso que hoje não vejo solução econômica simples, que seja capaz de atender a população/sociedade, sem que afete o (correto) caminho traçado para a empresa do ponto de vista empresarial. Assim, é natural que o mercado continua a se questionar sobre o tema, pedindo mais prêmio de risco para carregar ações e papeis da dívida da empresa.

Brasil/Inflação – O IPCA-15 de maio apresentou alta de 0,14% MoM e 2,7% YoY, muito abaixo das expectativas. O qualitativo do indicador também foi positivo, com os núcleos e a difusão baixos. A inflação de serviços, mais aderente a política monetária, mostrou um quadro de inflação extremamente baixa.

O número de hoje apenas reforça a mensagem do BCB de que os juros devem ficar mais baixos por mais tempo. Contudo, o cenário externo e o câmbio precisam ser monitorados. Não vejo grandes assimetrias hoje, no atual cenário externo, com um ciclo eleitoral indefinido se aproximando, no mercado de juros, exceto por posições táticas e alguns poucos plays de curva.

Turquia – Após gerar grande volatilidade ao longo da noite e durante toda a manhã, o país anunciou uma alta inesperada de 300bps nas taxas de juros, como o Governo voltando a adotar um discurso mais ortodoxo. A depreciação superior a 4% na Lira (TRY) se transformou em uma apreciação de 2,4% neste momento.

Este é mais um caso de busca por racionalidade e ancoragem por parte de uma autoridade monetária emergente. Parece que estamos longe de uma solução para os desafios que esses países têm pela frente, mas passos importantes, assertivos e corretos estão sendo tomados nessas economias.

Europa/Crescimento – O PMI da Europa apresentou mais um mês de queda, puxado por Alemanha e França. A fraqueza da economia da Europa, aliada aos riscos políticos na Itália voltaram a pressionar o EUR e colocar em dúvida o cenário de recuperação coordenada da economia global.

Ainda vejo a economia da Europa crescendo a taxas relativamente saudáveis, a despeito de mais baixas do que na virada do ano e do patamar que se imaginava. Ainda trabalho com um cenário de crescimento saudável da economia mundial, com flutuações em torno da tendência.

EUA – O Markit PMI do país apresentou alta em maio, confirmando o bom momento da economia deixando ainda mais aparente as diferenças econômicas entre os EUA e o resto do mundo.

As Minutas do FOMC mostraram um cenário de crescimento robusto e saudável, aperto do mercado de trabalho e acumulo de pressões inflacionárias. Contudo, como já virou praxe nesses documentos, existe um grande debate em torno de como se dará o processo de normalização monetária de agora em diante.

Acredito que o Fed será reativo aos dados econômicos. Hoje parece justo acreditar em mais 2 a 3 altas de 25bps nas taxas de juros este ano, mas os dados de inflação serão fundamentais para moldarmos este processo. Entendo que as Minutas possam gerar volatilidade e incerta no curto-prazo,  mas estou mais preocupado e focado nos dados econômicos para a manutenção de uma das principais teses de investimento do portfólio, leia-se, taxas de juros estruturalmente mais elevadas nos EUA.




Data: 23/05/2018

Risk-Off!

 

Depois de uma segunda e terça-feira de melhora generalizada dos ativos de risco, com boa descompressão dos prêmios dos ativos emergentes, os mercados globais estão abrindo a quarta-feira em tom mais negativo, com movimento clássico de risk-off. Não me parece haver um motivo específico, ou trigger único, para estes movimentos. Vale mencionar, contudo, a forte desvalorização da Lira (TRY) na Turquia – que neste momento cai cerca de 3,7% em relação ao dólar – e as incertezas que ainda rondam o cenário econômico e político na Itália, que podem começar a estar impactando e gerando contágio ao resto do mundo.

Diante deste quadro e desta dinâmica, diria que o “relief rally” que eu estava prevendo tenha, neste momento, se encerrado. O mercado mostra alto grau de volatilidade e incerteza, o que tem impedido a alocação de risco de maneira mais estrutural (longo-prazo). Assim, vou continuar favorecendo uma postura mais tática (curto-prazo) e um portfólio mais neutro, buscando posições em temas específicos ou posições relativas.

No Brasil, a intervenão do BCB no mercado de câmbio parece ter trazido ancoragem e racionalidade ao mercado. Espero que o Real (BRL) apresente desempenho relativo melhor do que os seus pares neste ambiente descrito acima, mas ele não estará totalmente imune a rodadas de dinâmica negativa como essa que estamos observando essa manhã.

O Governo anunciou que irá zerar a CIDE de combustíveis, mas o Ocngresso irá votar a reoneração da folha de alguns setores para evitar perdas de receita. Essa postura é “menos pior” que alterar a politica de preços da Petrobrás, e ou aceitar uma perda de receitas sem contrapartida. Contudo, mostra o grau de preção que o próximo governo irá enfrentar. Sem um Presindete de fato comprometido com o ajuste econômico, é natural que este tipo de pressão, entre outras, acabe sucumbindo o novo presidente ou governo à medidas mais populistas.

A Ata do Copom mostrou que o BCB pretene manter a Taxa Selic estável nas próximas reuniões, mantidas as condições atuais de inflação corrente, expectativas de inflação e inflação prospectiva. Contudo, como sempre, o BCB irá monitorar o cenário prospectiva para, então, decidir seus próximos passos. Acredito que a curva de juros tenha que operar com prêmio de alta de juros. Mesmo com prêmios na ordem de 350-400bps nos FRAs mais longos (2 a 4 anos) não vejo o mercado de juros, neste momento, como apresentando valor que jistifique posições estruturais e\ou relevantes para o portfólio. Acredito que  o mercado ficará mais volátil. Vejo mais valor em plays de curva e posições apenas táticas.




Data: 22/05/2018

Risk-On!

 

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de “risk-on”, movimento que está tendo seguimento esssa manhã. O destaque fica por conta para a compreesão dos prêmios dos ativos dos países emergentes\Brasil, que foram um dos mais afetados e pressionados nas últimas semanas. A dinâmia do mercado esta em linha com o roteiro que tracei no final da semana passada e começo desta semana (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/vejo-espaco-para-uma-recuperacao-dos.html).

Eu vejo espaço para este movimento de compressão de prêmios continuar no curto-prazo, baseado em um cenário de crescimento global ainda suadável, melhora na posição técnica, preços\valuations mais atrativos e uma atuação mais assertiva e correta por parte dos policy makers.

A longo-prazo, contudo, eu vejo o estágio do ciclo econômico nos EUA como já avançado, o que irá gerar restrições à melhoras mais estruturais, acentuadas e permanentes esses ativos. Assim, minha visão mais construtiva é tática\cíclica, mas não deixa de vislumbrar uma recuperação que pode ser relevantes dessas classes de ativos. Continuarei adotado postura mais flexível e agil ao longo do ano, pois vejo um mercado com volatilidade e inertezas maiores.

Essa manhã a China anuncio que irá baixar as tarifas e importação de carros para 15%, em um movimento que mostra comprometimento com as negociações promovidas no final de semana, reduzindo ainda mais os riscos de uma batalha comercial mai ampla. Este tipo de medida\postura deverá ajudar o humor global a risco, à medida que eleva as perspectivas do comércio global e, consequentemente, do crescimento mundial.

No Brasil, o destaque negativo fica por conta da tentativa de intervençõ do governo na política de preços da Petrobrás, em um ambiente de escalada rápida e acentuada do preço do petróleo e dos combustíveis. Ainda precisamos entender quais medidas serão tomadas, mas qualquer iterferência concreta será mau recebida pelo mercado. Devido ao cenário externo, na margem, mais construtivo, a interferênia deverá ficar concentrada no preço das ações da Petrobrás. Medidas mais agressivas podem trazer de volta a tona o questionamento em torno da quadro econômico do país, levando a uma dinâmica pior dos ativos locais (steepening da curva de juros, alta do dólar e etc).

Hoje a agenda terá as Notas do Copom. Espero que o Comitê reforce a mensagem de que a Taxa Selic ficará mais baixa no horiznte relevante de tempo, já que a inflação corrente e prospectiva, além das expectativas de inflação, continuam ancoradas. O hiato do produto continua muito aberto, o que permite um crescimento sem pressões altistas na inflação. Além disso, a recuperação do crescimento e do emprego segue lenta e gradual.

Na Itália a formação de um governo mais populista continua deixando os ativos do país mais pressionados. O problema continua localizado e sem gerar contágio para o resto do mundo. Ainda precisamos entender quais serão as reais chances desse governo implementar medidas econômicas deletérias ao país, mas sem dúvida é natural e esperado que o mercado peça mais prêmios para os ativos italianos de agora em diante.




Data: 21/05/2018

Vejo espaço para uma recuperação dos ativos EM\Brasil. Contudo, é sempre difícil acertar pontos de inflexão.

 

O destaque do final de semana ficou por conta da conclusão das negociaões preliminares entre os EUA e a China em torno de suas relações comerciais. Segundo um comunicado conjunto emitido após as reuniões, os países de comprometeram em estreitar seus relacionamentos, com a China buscando elevar substancialmente as compras de produtos norte americanos. Não houve a divulgações de metas ou números concretos, mas um comprometimento em torno do tema. Após o comunicado, os EUA anunciaram, mesmo que semi-oficialmente que, por ora, não irão impo tarifas de importação à China, freando assim, a “guerra comercial” entre ambos. 

 

Os eventos do final de semana, assim, reduzem substancialmente os riscos de uma “guerra comercial” mais ampla e se colocam dentro do cenário bae que a maior parte do mercado vinha trabalhando. De maneira geral, a despeito do risco de uma postura mais dura por parte da administração Trump, a maior parte do mercado esperava (e espera) que as negociações caminhem em um direação ainda construtiva. 

 

É natural supor que passado este evento, e mesmo com riscos de execusão, e riscos em outras frentes, como no NAFTA, algum prêmio de risco seja reduzido nos mercados financeiros globais. 

 

Nesta mesma frente, vimos a divulgação de dados mais robustos e ainda saudáveis de exportações na Coréia do Sul e no Japão ao longo desta noite, o que mostra uma economia global ainda relativamente estável e saudável, mesmo que com flutuações em torno da tendência. 

 

De maneira geral, vejo algum espaço para a normalização dos ativos de risco, especialmente aqueles mais pressionados nos últimos dias e semanas, como os ativos emergentes. Entendo que seja difícil acertar pontos de inflexão nos mercados, e que a dinâmica destes ativos ainda se mostra fragilizada (comentei um pouco mais sobre isso no sábado: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-bcb-aumenta-oferta-de-swaps.html), mas vejo o acumulo de evidências de um quadro econômico ainda positivo, uma melhora na posição técnica, preços e valuations mais atrativos e uma atuação correta dos policy makers. 

 

Entendo que talvez o mercado de FX não seja a melhor classe de ativos, mesmo vislumbrando uma melhora tática ou cíclica, mas há espaço para acomodação no mercado de juros, assim como alguns setores e empresas da bolsa apresentaram correções excessivas vis-a-vis seus fundamentos.




Data: 21/05/2018

Brasil: BCB aumenta oferta de swaps cambiais. Mais um passo acertado.

 

Brasil\Câmbio – No final da tarde de ontem o Banco Central (BCB) anunciou um aumento na oferta de swap cambiais, dos US$250mm diários, para US$750mm diários. Além da oferta, o BCB divulgou comunicado em que busca diferenciar a postura no tocante ao câmbio de sua política monetária.

 

Acredito que a atuação do BCB esteja correta, primeiro ofertando um montante menor de swaps, depois deixando de cair a Taxa Selic e, agora, oferecendo maior hedge cambial ao mercado. O movimento de fortalecimento do dólar é global e não local. Contudo, é dever do BCB suavizar os movimentos, mas não tentar mudar a direção da moeda. Como no passado o BCB conseguiu reduzir o estoque de swaps, e como o país ainda é credor em dólares, é natural e saudável este tipo de movimento e postura por parte da autoridade monetária. 

 

Como o objetivo não é alterar a direção da moeda e o movimento do dólar é global, precisaremos observar o cenário externo para definir até onde irá à taxa de câmbio. Os últimos passos do Brasil, e de outros países emergentes como a Argentina, foram passos positivos, assertivos e na direção correta, mas ainda é cedo para definirmos até onde irá este movimento recente. Tendo a acreditar que estamos chegando a um ponto de posição técnica mais saudável, preços e valuations mais atrativos, em um pano de fundo não tão negativo como aparenta, mas é sempre muito difícil, senão impossível, acertar pontos de inflexão nestes tipos de movimentos ou tendências. 

 

Brasil\Política – A direita continua bem representada por Bolsonaro na disputa eleitoral para presidente. O Centro ainda se mostra muito disperso, sem poder de coalização e com grandes problemas existenciais. A esquerda, na figura de Ciro Gomes, começa a mostrar alguma convergência, dependendo de Lula e do PT para uma definição de em que caminho irão tomar. O cenário segue bastante nebuloso e indefinido. 

 

Os jornais dos últimos dias mostram preocupação no PSDB em torno da candidatura de Alckmin. O nome de Doria volta a ser ventilado em seu lugar. O PDT de Ciro trabalha para buscar um vice do PSB e o PT continua insistindo na candidatura de Lula, equanto há coversas e pressões de bastidores para algum “plano B”. 

 

EUA vs China – Não houve avanços significativas nas conversas entre ambos os países, mas há algum esforço para mostra coesão nas negociações. Parece que a China ofereceu, ou se comprometeu, em elevar suas compras de produtos americanos, mas sem se comprometer com qualquer meta de redução do déficit. Segundo a Bloomberg: 

 

"(Bloomberg) -- China will significantly increase purchases of U.S. goods and services, the White House said in a statement following talks in Washington this week that aimed to resolve a trade dispute between the world’s two largest economies. Both sides agreed on meaningful increases in U.S. agriculture and energy exports, the White House said, adding that the U.S. will send a team to China to work out the details." 

 

EUA vs NAFTA – Não houve acordo entre as partes em no tempo estipulado. Agora, o México passará por uma eleição presidencial que poderá alterar significativamente o quadro político local, assim como os EUA terão eleições para o Congresso que também poderão alterar a dinâmica política do país, tornando as negociações ainda mais complicadas.




Data: 18/05/2018

Alguns comentários adicionais.

Mercado ainda bastante sensíveis e fragilizados. Seguem algumas atualizações de temas que acabei não comentado nas últimas 24 horas mas que julgo serem relevantes para o curto-prazo:

Emergentes/Fluxos/Posição – Fluxo para emergentes continua ruim/negativo. Até acredito que o mercado aparente ter exagerado um pouco no movimento, mas os fluxos mostram que a posição técnica ainda precisa ser administrada (ou digerida) ao longo do tempo. Segundo o Morgan Stanley:

EM outflows continue: EM debt-dedicated fund outflows continued over the last week, standing at US$1.3bn (up to May 16) compared to outflows of US$2.1bn in the previous week. Hard currency funds registered outflows of US$259m (0.12% of AUM), while local currency funds lost US$918m (0.48% of AUM). Blend currency funds also saw outflows of US$100m (0.19% of AUM). ETFs reported inflows of US$266m over the past week, driven by inflows of US$547m into hard currency ETFs, while local currency ETFs recorded outflows of US$280m. Meanwhile, non-ETFs continued to see outflows of a similar magnitude to the previous week, totalling US$1.5bn. This was again driven by hard currency non-ETFs, which saw outflows of US$806m, while local currency non-ETFs experienced outflows of US$632m. Outflows from regional or country-focused local currency funds picked up from US$33m last week to US$720m this week. Split by type, funds with global mandates saw outflows across both local (US$192m) and hard (US$131m) currency funds. Lastly, blend currency funds lost US$89m. Overall, year-to-date debt-dedicated fund inflows have now slipped to US$9.7bn.

Brasil – O quadro político segue indefinido e, na margem, a esquerda parece demonstrar mais capacidade de aglutinação do que o centro. A mídia continua reportando avanço nas negociações em torno de Ciro Gomes. Do ponto de vista do mercado, este seria uma caminho que não é bem recebido, pelas ideias pouco ortodoxas do ponto de vista de política econômica do candidato do PDT.

Itália – O país caminhou para um acordo entre partidos mais radicais. A despeito de terem deixado de lado plataformas mais heterodoxas, como cancelamento de dívida e saída da União Europeia, são dois partidos que devem dificultar a implementação de reformas econômicas urgentes a uma economia com elevada dívida/PIB. Além disso, existe um risco, com probabilidade crescente, de aumento do déficit fiscal.

China vs EUA – A mídia reportou durante a noite, ainda não confirmado, que a China teria oferecido uma redução de cerca de US$200bi do seu déficit com os EUA. Me parece difícil chegar a este montante e uma confirmação deste rumor ainda precisa ser observado. Quaisquer avanços nessas negociações serão bem recebidas pelos ativos de risco.

EUA vs NAFTA – Um acordo não foi atingido na data estipulada (ontem). Parece que ainda há diversas diferenças a serem reconciliadas. Acredito que um acordo irá acontecer, mas a demora no processo pode gerar mais incerteza e volatilidade em um período de eleições no México, em especial.




Data: 18/05/2018

EM: Pressionados, até quando?

Os ativos de risco estão abrindo o dia em tom mais estável. Ontem foi mais um dia de forte pressão nos mercados emergentes, a despeito da relativa tranquilidade dos mercados desenvolvidos.

Muitos estão me questionando quando que iremos observar uma estabilização deste humor global em torno dos mercados emergentes e do Brasil. Acredito que alguns dos seguintes vetores precisa ser observados. (1) Estabilização dos juros nos EUA. Precisamos ver as taxas de juros pararam de subir, e ter alguma convicção que o um novo patamar foi encontrado. (2) níveis de preços e valuations (ainda) mais atrativos precisam ser atingidos. (3) a posição técnica precisa se tornar mais saudável. O mercado ficou em torno de 2 anos comprando ativos emergentes, não será em apenas 1 ou 2 meses que o ajuste será totalmente efetuado.

Além desses vetores, teremos que superar problemas locais e indiossicráticos, como eleições no Brasil e no México, além de um ambiente econômico desafiador na Turquia e Argentina. Finalmente, o aparente estágio avançado do ciclo econômico nos EUA se mostra como uma grane barreira, ou restrição, a movimentos mais prolongados de recuperação.

Os ativos no Brasil ontem apresentaram reação clássica a decisão do Copom, com “bear flattening” da curva de juros, over-performance do BRL em relação a seus pares, porém forte queda da bolsa. Confesso que a despeito da direção dos mercados terem sido em linha com as minhas expectativas (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-copom-adotada-estrategia-correta.html) fiquem um pouco surpreso com o tamanho dos movimentos de depreciação no câmbio e na bolsa.

A agenda do dia será esvaziada. Nos últimos dias, nossos portfólios se tornaram ainda mais defensivos. Por ora, abandonamos nossa tese de investimentos de juros mais baixos por mais tempo no Brasil. Não temos hoje nenhuma posição relevante em juros no Brasil. Acreditamos que os juros devem ficar mais baixos por mais tempo, mas isso deverá ser expresso através de posições na curva, e não posições direcionais. Antes de alocar posição neste tema, contudo, gostaria de observar alguma estabilização do mercado. Estamos apenas como pequena posição em bolsa Brasil, através de uma carteira de ações cujo os preços não nos parecem refletir a melhora de fundamentos apresentada nos resultados recém divulgados. A disciplina do stop, contudo, será respeitada caso necessário. Seguimos tomados em juros nos EUA como principal posição do fundo, complementado com pequenas posições, via opção, e com visão de hedge, vendidos em S&P e em AUD.




Data: 03/05/2018

Fed, Swap Cambial e baixa inflação na Europa.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira em tom mais positivo. Na tarde de ontem, o Fed anunciou sua decisão de política monetária, em que manteve a taxa de juros inalterada, como era amplamente esperado. O FOMC, contudo, promoveu uma pequena alteração em seu comunicado, para sinalizar que a inflação está mais perto de sua meta “simétrica” de inflação de 2%.

Esta mensagem foi lida como um sinal de conforto por parte do Comitê que, caso a inflação suba acima de 2%, porém não muito acima, isso não implicaria em uma mudança de postura por parte do FOMC. Assim, se mantém o cenário de cerca de 3 a 4 altas de 25bps nas taxas de juros nos EUA nos próximos anos. Apenas uma mudança drástica de cenário levará o Fed a alterar sua rota de normalização monetária.

Na minha visão, a decisão de ontem em nada altera o cenário base e os cenários de “risco” alternativos. Entendo que a decisão retira algum risco de cauda do curto-prazo, o que pode dar algum alívio pontual a um mercado excessivamente cauteloso nos últimos dias, mas ainda vejo o cenário econômico como ditando o ritmo dos ativos de  risco.

Nessa frente, o ADP Employment apresentou alta em torno de 200 mil vagas de trabalho em abril, confirmando o bom momento da economia e do mercado de trabalho. Todas as atenções estarão voltadas para o Payroll amanhã e, principalmente, para os dados de rendimentos e as eventuais pressões inflacionariam.

No início da noite de ontem, no Brasil, o BCB anunciou o começo da rolagem de swap cambiais. Se mantido o ritmo anunciado todos os dias até o final do mês, o BCB estará vendendo cerca de US$2,8bi ao mercado. Segundo a própria instituição, a medida visa suavizar o movimento de alta do dólar. A postura adotada pelo BCB mostra desconforto com o movimento do câmbio, colocando em debate a próxima queda de 25bps nas taxas e juros sinalizados para a próxima reunião do Copom. Neste ambiente, a dinâmica do mercado nos próximos dias será extremamente importante.

Na Europa, a inflação de abril apresentou uma inesperada desaceleração, com o CPI caindo a 1,2% YoY e o Core CPI para 0,7% YoY, A arrefecimento da inflação coloca a estratégia de normalização monetária do ECB em xeque e o EUR em situação ainda mais delicada caso os dados de emprego amanhã, nos EUA, mostrem um quadro de mercado de trabalho apertado e pressões inflacionárias.

Diante de todo o exposto acima, os dados de emprego amanha nos EUA ganham uma importância gigantesca para a dinâmica de quase todas as classes de ativos de risco para os próximos dias e semanas.




Data: 02/05/2018

Humor mais positivo. Agenda importante.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira em tom mais positivo. O resultado da Apple, divulgado o final da tarde de ontem, levou a uma alta de 5% no preço da ação no “after-market”, o que está ajudando o humor global a risco. Assim, neste momento, vemos uma leve alta das bolsas globais, as commodities operam em tom positivo, os juros abrem no mundo desenvolvido e o dólar apresenta leve queda, porém ainda mostra dificulades em cair de maneira mais acentuada.

Comentei um pouco mais sobre os movimentos recentes aqui. Copio o link para não soar repetitivo: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/dollar-rules.html.

O destaque do dia ficará por conta do ADP Employment e para a decisão do FOMC, nos EUA. Espero ver um mercado de trabalho ainda robusto, mas entendo que nesta fase do ciclo econômico seja esperado que a criação de vagas de trabalho arrefeça dos cerca de 200-250 mil dos últimos meses, para algo em torno de 100-150mil de maneira mais sustentável. Mesmo neste ambiente, as pressões infacionárias deveriam se acumular.

No tocante ao FOMC, espero que o Comitê relate um cenário relativamente estável no tocant ao crescimento, mas mostre mais confiança na trajetória da inflação a sua meta de 2%. Ainda vejo um processe de, pelo menos, 3 a 4 altas de 25bps na taxa de juros neste e no próximo ano, cenário que não está precificado na curva de juros.

No Brasil,o dólar chegou a operar ontem em torno de 3,53-3,54 no mercado de balcão. O BCB vem sinalizando que a primeira linha de defesa seriam as interveções cambiais, seja via swaps ou via reservas. Acredito que o BCB ainda não atuou pois o movimento vem sendo relativamente gradual e concomitantemente com a alta do dólar ao redor do mundo. Assim, em termos relativos as demais moedas, a queda\depreciação do Real se mostra menos acentuada do que contra o dólar norte americano. Ainda não vejo a queda de 25bps na Taxa Selic sinalizada pelo BCB para o próximo Copom como estando em risco, mas o mercado pode questionar a estratégia do BCB caso a depreciação cambial continue. A posição técnica na parte curta da curva ainda me parece pouco saudável. De modo geral, ainda vejo os juros no Brasil mais baixos por mais tempo, mas não gosto do risco\retorno na curva curta de juros no ambiente que estamos vivenciando neste momento. Minha visão pode mudar por preço, dinâmica de mercado ou alguma mudança no cenário.




Data: 02/05/2018

Dollar Rules!

A terça-feira foi novamente marcada por uma alta do dólar no mundo (, mas desta vez sustentada pela abertura das taxas de juros nos EUA. Os ativos emergentes operaram todo o dia sobre forte pressão.

A narrativa em relação ao dólar continua a mesma que tenho descrito neste fórum já há alguns dias vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/). O resto da semana será fundamental para que está dinâmica se converta de fato em uma nova tendência, ou alguma acomodação desses movimentos aconteça. Destaque para o ADP Employment e decisão do FOMC amanhã nos EUA, e para os dados oficiais de emprego na sexta-feira.

O grande destaque econômico do dia, na minha visão, ficou por conta do ISM Manufacturing. O número apresentou queda superior as expectativas, saindo de 58.3 para 57.3. A despeito da queda, o número continua em patamar saudável e condizente com um crescimento estável da economia (hoje em torno de 2,5%). Ainda mais importante do que o “headline”, o Prices Paid – indicador de pressões inflacionárias – apresentou forte elevação, passando para 79.3 pontos, o maior patamar em vários anos.

Assim, seguimos em um pano de fundo em que acumulam-se evidências cada vez mais claras de pressões inflacionárias, em uma economia que cresce a taxas relativamente constantes. Não vejo outro caminho ao Fed se não manter seu processo de normalização monetária, com cerca de 3 a 4 altas de 25bps por ano e uma redução de seu balanço. Ainda vejo o risco de mais altas de juros como uma probabilidade muito maior do que uma desaceleração da economia. Além disso, acredito que o mercado embute probabilidade excessivamente baixa de uma cenário inflacionário mais preocupante juros muito mais altos no curto-prazo (12 a 24 meses).

Fora o cenário econômico, a temporada de resultados corporativos continua relativamente positiva. O dia teve como destaque a Apple, que acabou subindo cerca de 5% no “after-market”. Além disso, vimos alguns ruídos envolvendo o NAFTA e as negocições em torno das tarifas sobre o Aço. Por ora, vejo esses temas como secundários ao cenário econômico, mas entendo que eles acabem gerando volatilidade e alguns fluxos de curto-prazo.

No Brasil, me parece que estamos definitivamente na agenda eleitoral. Me chamou a atenção nos últimos dias o aumento de mais de 5% no Bolsa Família e uma notícia hoje dando conta de uma potencial injeção de R$15bi na Caixa Econômica visando o estímulo ao crédito. Continuo vendo o cenário doméstico como mais desafiador até as eleições, tanto do ponto de vista local como, agora, do ponto de vista externo. Tenho dificuldades em vislumbrar tendências muito claras para os ativos locais. Acredito que veremos movimentos bruscos e, talvez, até mesmo acentuados, mas sem uma tnedência muito clara. Vou continuar com recomendações e aloações mais baixas e adotando postura mais tática nos ativos locais.




Data: 02/05/2018

Dólar, Treasuries e Cenário.

 

Obs: Peço desculpa em antecipação pelo tamanho excessivo do texto de hoje, mas acho importante resumir os eventos dos últimos 5 dias em que estive com menos "pegada" do dia-a-dia.

O dia foi um tanto quanto interessante para estar de volta. Do ponto de vista econômico, não houve de fato uma mudança muito relevante de pano de fundo, como veremos abaixo.

Mercados:

Para os ativos de risco, vimos a confirmação de uma dinâmica diferente em relação ao dólar no mundo. O mercado agora arpoveita qualquer queda do dólar como oportunidade de compra da moeda americana. Como comentei na semana passada, o dólar parece tecnicamente rompendo alguns niveis importantes e uma tendência de alta pode estar se caracterizando. A posição do mercado, excessivamente vendida em dólar no mundo, está ajudando a exaxerbar este movimento. Além disso, o cenário economico de diferencial de crescimento, politica monetária e taxa de juros, além do momentum da moeda parecem dar suporte ao movimento, que poe continuar no curto-prazo. Comentei sobre isso na semana passada aqui, na seção sobre EUA (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/comentarios-sobre-os-eventos-recentes.html).

Os juros nos EUA, até o momento, falharam em romper os 3%, mas não conseguem também apresentar fechamento de taxas mais expressivos. A semana será extremamente importante nessa frente, como comentei aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/semana-de-agenda-importante.html.

Destaque de hoje para ruídos envolvendo o programa nuclear do Irã, que deram suporte ao petróleo. A correlação do petróleo com os juros e as “breakeven inflations” nos EUA continua elevado. Eu prefiro focar no cenário econômico, com os dados de emprego, renda e a reunião do FOMC na hora de tomar decisões de alocação, mas estes movimentos de curto-prazo precisam ser acompanhados para eventuais desenvolvimentos mais relevantes.

Este ambiente tem pressionado os ativos emergentes como um todo, e o Brasil tem seguido está dinâmica. Mantenho a visão de que os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta da economia do país, até uma definição clara das eleições, no último trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis, e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Cenário econômico:

Na Europa, as vendas no varejo da Alemanha surpreenderam negativamente, colocando mais um vetor de preocupação em relação ao crescimento da economia local.

Nos EUA, a inflação ficou dentro das expectativas do mercado, com o Core PCE novamente muito proximo a meta de 2% do Fed. O número era de certa forma esperado, mas reafirma o cenário de acumulo de pressões inflacionarias e manutenção da postura do Fed de normalização de sua política monetária. Os dados de crescimento, como o Chicago PMI, Personal Consumption e Spending, fluam em torno de uma tendência, com alguns dados mais positivos e outros não tão positivos, mas sinalizando para um crescimento ainda saudável e em torno da tendência.

No Brasil, destaque apenas para a pesquisa Focus, que mostrou alguma pequena revisão altista para as expectativas de inflação de 2019. Ainda acho cedo para a depreciação cambial começar a atrapalhar a politica monetária, mas acho que o mercado, por sua vez, pode começar a se questionar em relação a isso. Com as posições aplicadas em juros ainda relevantes, não descartaria uma rodada de desalavancagem nos vértices mais curtos da curva. Ainda vejo este cenário como um “cenário de cauda”, mas cuja probabilidade começa a aumentar.

Posição:

Continuo com baixa exposição a risco no Brasil, focado na pate mais longa da curva de juros reais. O portfólio segue tomado em juros nos EUA de forma relevante. Seguidos utilizando a venda de AUDJPY como hedge da carteira, assim como algumas estruturas de opção de S&P. Por ora, estamos com poucos temas de investimentos alocados devido a baixa visibilidade do mercado. Acredito que podemos estar em um ponto de inflexao relevante para o cenário e os mercados. Assim, precisamos estar liquidez e com agilidade para tomar posições mais relevantes.  




Data: 02/05/2018

Visão Geral.

 

Para quem não teve acesso aos meus últimos, e breves comentários, segue abaixo. A partir de hoje teremos as rotinas reestabelecidas:

Agenda: 

A próxima semana será extremamente importante para o pano de fundo global, com destaque para a decisão do FOMC, o Core PCE e os dados oficiais de emprego nos EUA. 

Com alguns mercados em níveis importantes, o rompimento desses níveis pode significar um avanço mais concreto em suas tendências recente, como o fortalecimento do dólar, a abertura de taxa de juros nos EUA e a pressão sobre os mercados emergentes.

Estarei olhando com especial atenção a confirmação do cenário de acumulo de pressões inflacionarias, em meio a um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto fechado. Ainda vejo este como o cenário mais provável. O mercado me parece preparado para movimentos graduais nessa direção, mas não para um cenário mais agressivo de inflação e aperto do mercado de trabalho.

Ainda vejo este risco com uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje e por isso a maior posição do portfólio continua a ser tomada em juros nos EUA. Eu vejo o mercado ainda bastante preocupado com a "guerra fiscal” e uma potencial desaceleração mais acentuada do crescimento, mas vejo estes riscos como apresentando baixa probabilidade neste momento.

Caso o FOMC e os dados de inflação e emprego não confirmem o cenário base com o qual tenho trabalhado, ou apresentem alguma acomodação de curto-prazo, o portfólio precisará ser readequado, com posições mais balanceadas. Voltamos a colocar alguns hedges no mercado externo, via opções de S&P e JPY. O portfólio hoje apresenta um viés levemente negativo mas será reavaliado diariamente está semana conforme os dados e das decisões de política econômica forem sendo concretizadas.

No Brasil, vejo os ativos locais reféns do cenário externo no curto-prazo, e ainda à mercê de um quadro político turbulento e um cenário econômico menos óbvio do que antes. Sigo com uma visão construtiva para o mercado local de juros, mas estamos com posições mais defensivas e buscando defender o portfólio de maneira tática.

Comentário gerais:

Brasil - Os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta, até uma definição clara das eleições no último trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Vale ressaltar que nos últimos dias vimos nos dados de contas externas uma situação ainda saudável, mas fortes fluxos de saída da conta portfólio, em renda fixa e renda variável, mostrando pouco interesse do investidor estrangeiro por Brasil. As contas públicas ficaram abaixo das expectativas, muito devido a questões pontuais. Contudo, a recente decepção do crescimento deverá afetar também a recuperação cíclica das contas públicas.

EUA - Continuo vendo um crescimento relativamente estável, em torno de 2,5%, com flutuações em torno desta tendência. As pressões inflacionárias continuaram se acumulando, como vimos hoje no Employment Cost Index. Não vejo motivos para o Fed alterar sua postura de normalização monetária. Continuo vendo uma alta da inflação como um risco com maior probabilidade do que uma desaceleração do crescimento. Continuo acreditando na alta estrutural dos juros no pais, em todos os vértices.

Vejo este pano de fundo como uma enorme restrição para o bom desempenho de ativos de risco nos próximos meses. Nas últimas semanas vimos uma mudança de tendência do dólar no mundo, com a posição técnica exacerbando os movimentos. O cenário econômico, o momentum, e a posição técnica parecem favorecer continuidade deste movimento de suporte ao dólar no curto-prazo.

Europa - Os dados de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O ECB mostrou postura mais cautelosa em sua reunião. Hoje mesmo vimos surpresas negativas no PIB a França e Inglaterra. Por ora, ainda parece ser uma acomodação do crescimento, mas conforme o temo passa e as surpresas não são revertidas, corremos o risco de uma mudança mais significativa de cenário. A alta do EUR perdeu momentum e posição especulativa se mostra muita comprada na moeda, questões que precisam ser monitoradas.

China - As recentes surpresas de crescimento e sinais anedóticos, como a queda no preço do minério, levaram o PBoC a adotar postura mais expansionista, com queda do compulsório e outras medidas mais pontuais. O cenário base continua a ser de desaceleração gradual da economia, com o PBoC buscando suavizar os movimentos. O risco continuas a ser de uma desaceleração mais acentuada, sem que o PBoC seja capaz de administrar este movimento.

Mercados - No geral, ainda vemos os mercados em ranges. A bolsa dos EUA está no meio de uma queda de braço entre resultados micro positivos, mas restrições macro. O dólar mostra sinais de tendência altista, assim como os juros nos EUA. O Brasil vem sofrendo os efeitos de um cenário local e externo mais nebuloso.

Continuo buscando temas específicos de investimento, mas com alocação a risco, mas baixa e postura mais tática. Acredito que o ano será mais oportuníssimo do que aplicativo. O primeiro trimestre mostrou que esta minha tese está correta.      




Data: 30/04/2018

Agenda importante na próxima semana.

 

A próxima semana será extremamente importante para o pano de fundo global, com destaque para a decisão do FOMC, o Core PCE e os dados oficiais de emprego nos EUA. 

 

Com alguns mercados em níveis importantes, o rompimento desses níveis pode significar um avanço mais concreto em suas tendencias recente, como o fortalecimento do dólar, a abertura de taxa de juros nos EUA e a pressão sobre os mercados emergentes.

 

Estarei olhando com especial atenção a confirmação do cenário de acumulo de pressões inflacionarias, em meio a um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto fechado. Ainda vejo este como o cenário mais provável. O mercado me parece preparado para movimentos graduais nessa direção, mas não para um cenário mais agressivo de inflação e aperto do mercado de trabalho. 

 

Ainda vejo este risco com uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje e por isso a maior posição do portfólio continua a ser tomada em juros nos EUA. Eu vejo o mercado ainda bastante preocupado com a "guerra fiscal” e uma potencial desaceleração mais acentuada do crescimento, mas vejo estes riscos como apresentando baixa probabilidade neste momento. 

 

Caso o FOMC e os dados de inflação e emprego não confirmem o cenário base com o qual tenho trabalhado, ou apresentem alguma acomodação de curto-prazo, o portfólio precisará ser readequado, com posições mais balanceadas. Voltamos a colocar alguns hedges no mercado externo, via opções de S&P e JPY. O portfolio hoje apresenta uma viés levemente negativo mas será reavaliado diariamente está semana conforme os dados e das decisões de política econômica forem sendo concretizadas. 

 

No Brasil, vejo os ativos locais reféns do cenário externo no curto-prazo, e ainda à mercê de um quadro político turbulento e um cenário econômico menos óbvio do que antes. Sigo com uma visão construtiva para o mercado local de juros, mas estamos com posições mais defensivas e buscando defender o portfólio de maneira tática.




Data: 27/04/2018

Breve comentário.

Ainda estou com acesso limitado ao mercado, mas acho que alguns eventos recentes merece atenção:

Brasil - Os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta, até uma definição clara das eleições no ultimo trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Vale ressaltar que nos últimos dias vimos nos dados de contas externas uma situação ainda saudável, mas fortes fluxos de saída da conta portfolio, em renda fixa e renda variável, mostrando pouco interesse do investidor estrangeiro por Brasil. As contas publicas ficaram abaixo das expectativas, muito devido a questões pontuais. Contudo, a recente decepção do crescimento deverá afetar também a recuperação cíclica das contas publicas.

EUA - Continuo vendo um crescimento relativamente estável, em torno de 2,5%, com flutuações em torno desta tendência. Os pressões inflacionárias continuaram se acumulando, como vimos hoje no Employment Cost Index. Não vejo motivos para o Fed alterar sua postura de normalização monetária. Continuo vendo uma alta da inflação como um risco com maior probabilidade do que uma desaceleração do crescimento. Continuo acreditando na alta estrutural dos juros no pais, em todos os vertices.

Vejo este pano de fundo como uma enorme restrição para o bom desempenho de ativos de risco nos próximos meses. Nas últimas semanas vimos uma mudança de tendencia do dólar no mundo, com a posição técnica exacerbando os movimentos. O cenário econômico, o momentum, e a posição técnica parecem favorecer continuidade deste movimento de suporte ao dólar no curto-prazo.

Europa - Os dados de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O ECB mostrou postura mais cautelosa em sua reunião. Hoje mesmo vimos surpresas negativas no PIB a França e Inglaterra. Por ora, ainda parece ser uma acomodação do crescimento, mas conforme o temo passa e as surpresas não são revertidas, corremos o risco de uma mudança mais significativa de cenário. A alta do EUR perdeu momentum e posição especulativa se mostra muita comprada na moeda, questões que precisam ser monitoradas.

China - As recentes surpresas de crescimento e sinais anedóticos, como a queda no preço do minério, levaram o PBoC a adotar postura mais expansionista, com queda do compulsório e outras medidas mais pontuais. O cenário base continua a ser de desaceleração gradual da economia, com o PBoC buscando suavizar os movimentos. O risco continuas a ser de uma desaceleração mais acentuada, sem que o PBoC seja capaz de administrar este movimento.

Mercados - No geral, ainda vemos os mercados em ranges. A bolsa dos EUA esta no meio de uma queda de braço entre resultados micro positivos, mas restrições macro. O dólar mostra sinais de tendencia altista, assim como os juros nos EUA. O Brasil vem sofrendo os efeitos de um cenário local e externo mais nebuloso.

Continuo buscando temas específicos de investimento, mas com alocação a risco mas baixa e postura mais tática. Acredito que o ano será mais oportunístico do que aplicativo. O primeiro trimestres mostrou que esta minha tese esta correta.   




Data: 24/04/2018

Humor mais positivo essa manhã.

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, com uma alta nas bolsas e nas commodities, uma estabilização das taxas das treasuries e um leve dólar fraco com as moedas emergentes. A divulgação do resultado da Google (Alphabet) no fechamento do dia de ontem pode ter ajudado a dar algum suporte aos ativos de risco. 

De maneira geral, contudo, os resultados corporativos têm vindo acima das expectativas, mas os índices de bolsas dos EUA não estão conseguindo sustentar uma alta mais persistente e permanente. O pano de fundo macroeconômico, com diversos “ventos contrários” (“headwinds”), por ora, está predominando em relação a um quadro microeconômico ainda positivo.

No Brasil, os jornais estão dando atenção às articulações políticas em torno das eleições presidenciais para outubro. O STF irá analisar mais um recurso que pode, eventualmente, favorecer o ex-presidente Lula. Até o momento, o PT etsá mantendo sua candidatura a presidente, em uma estratégia que já vinha se desenhando a bastante tempo. Finalmente, no final da tarde de ontem, a Bloomberg divulgou uma matéria em que afirma que a Odebrecht não iirá honrar na data prevista o pagamento de coupon de um de seus papeis de dívida. O evento, por mais que já vinha sendo monitorado, em nada ajuda o humor em relação aos ativos do país, mesmo que seja um caso específico e bastante isolado.

Na Alemanha, o IFO – um dos principais indicadores de confiança do país e da região – caiu abaixo das expectativas do mercado. Continuo vendo a queda dos indicadores de confiança e de atividade como uma processo natural de acomodação do ciclo econômico. Contudo, é natural que o mercado olhe esses sinais com desconfiança e que uma “luz amarela” paire sobre o cenário até que tenhamos um panorama mais claro da real situação econômica da região.

Na Austrália, a inflação medida pelo CPI ficou abaixo das expectativas do mercado. O número mostrou um quadro de poucas (ou nenhuma) pressão inflacionária, o que deve permitir ao RBA manter a política monetária estável e ser um dos últimos bancos centrais de países desenvolvidos a promoveram mudanças em sua postura. 




Data: 23/04/2018

Posição técnica e potenciais novas tendências.

Acho importante analisarmos o cenário global hoje em duas vertentes distantes. Primeiro, no tocante ao cenário econômico. Segundo, no que diz respeito a dinâmica dos mercados financeiros globais.

No tocante ao cenário econômico, o dia foi marcado pela divulgação de dados econômicos mais positivos. Em especial, as prévias dos PMI´s de abril, na Europa e nos EUA, mostraram sinais de estabilização do crescimento econômico mundial. Os números de hoje reforçam a minha tese de que o arrefecimento do crescimento no primeiro trimestre do ano foi apenas uma acomodação natural do ciclo econômico. Os PMI´s foram ainda corroborados pelos números de exportação da Coreia do Sul. Por ser uma economia bastante aberta e com corrente de comércio elevada, suas exportações costumam ser vistas como um termómetro para a atividade econômica global. De maneira resumida, ainda vemos uma economia com crescimento positivo e relativamente estável, a despeito de flutuações em torno da tendência.

No passado recente, normalmente, dados econômicos mais fortes deveriam ser lidos como positivos pelos ativos de risco e os mercados financeiros globais. Ultimamente, não é isso que tem acontecido. Acredito que parte disso seja explicado pela fase atual do ciclo econômico, em que mais crescimento significa, eventualmente, mais inflação e mais aperto monetário. Outra parte pode ser explicada pelo processo de normalização monetária em curso nos EUA (não vamos esquecer que o Fed está reduzindo seu balanço progressivamente) e, finalmente, um outro vetor seja o técnico do mercado.

O dia foi marcado por uma forte alta do dólar no mundo, que está sendo sustentado pela abertura das taxas de juros nos EUA. Neste caso, em especial, o patamar de 3% das Treasuries de 10 anos está sendo acompanhado atentamente para eventuais rompimentos e/ou acomodações. O dólar, por sua vez, me parece estar passando por um grande ajuste técnico. As posições “vendidas em dólar” no mundo vieram se acumulando ao longo dos últimos meses, com o consenso se formando em torno de um dólar mais fraco diante dos déficits gêmeos e políticas econômicas adotadas pela administração Trump. Os últimos dias estão testando essa tese. A posição técnica comprometida acaba exacerbando os movimentos.

O mesmo comentário vale para os ativos emergentes e as commodities metálicas, cujo consenso vem se formando em torno do bom desempenho desses ativos em uma fase final do ciclo econômico, em detrimento a outras classes de ativos, como bolsas, rates, bonds (HY, HG e etc), spreads e afins.

Os ativos no Brasil estão apenas seguindo este humor global a risco e este ajuste de posições, com destaque para o steepening da curva (vemos muitos fundos com posições de flattening), alta do dólar (pressão no BRL) que está testando o patamar de 3,45 e apenas leve pressão na bolsa, mas com importantes movimentos entre setores.

Nas últimas semanas (talvez nos últimos 2 meses) tenho alertado para a ausência de tendências nos mercados financeiros globais, com os ativos, grosso modo, operando em ranges relativamente curtos. Algumas classes de ativos estão, neste momento, testando níveis importantes e algumas tendências e/ou rompimentos podem estar ocorrendo (ou em desenvolvimento).

O mais claro e óbvio parece ser o Petróleo. Depois, o dólar no mundo encontra-se em patamar importante, seguido das Treasuries norte americanas, especialmente a parte mais longa da curva. Ainda acho cedo para afirmar que estamos, de fato, diante de novas tendências, sejam técnicas ou fundamentais, mas certamente esses níveis serão atentamente acompanhados. Seus rompimentos ou resistências poderão ter enorme influência na dinâmica dos próximos dias/semanas.




Data: 23/04/2018

Pesquisa eleitoral no Brasil e Juros nos EUA.

Não há novidades relevantes no cenário que mereçam comentários adicionais aqueles já realizados nos últimos dias. Os mercados estão iniciando a semana com mais uma rodada de abertura de taxa de juros nos EUA, o que está dando suporte ao dólar no mundo. Por ora, as bolsas globais operam apenas em leve queda, assim como as commodities.

Para não soar repetitivo, sugiro rever meus comentários recentes aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eua-juros-de-10-anos-proximos-aos-picos.html, aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/juros-nos-eua-em-foco.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/pesquisa-eleitoral-no-brasil-e-juros.html.

Na agenda do dia, o destaque ficará por conta das prévias dos PMIs, especialmente nos EUA, além da continuidade da divulgação dos resultados corporativos das empresas nos EUA.

No Brasil, o fluxo de notícias continua bastante esvaziado. O mercado continuará focado nos desenvolvimentos políticos referentes as eleições e na trajetória da recuperação da economia. O cenário de inflação baixa e contida já parece estar no consenso, deixando a indefinição do cenário apenas por conta do crescimento, do cenário político e do ambiente externo.




Data: 23/04/2018

Pesquisa eleitoral no Brasil e Juros nos EUA.

 

Alguns breves comentários sobre alguns eventos recentes:

Brasil – Uma nova pesquisa eleitoral foi divulgada essa manhã. O quadro para a corrida presidencial segue o mesmo das últimas pesquisas. Bolsonaro e Joaquim Barbosa se mostram bastante competitivos seguidos, com menos ímpeto, por Marina, Alckmin, Ciro Gomes e um potencial candidato apoiado pelo PT/Lula. De maneira geral, não há mudanças relevantes no quadro eleitoral. A situação parece bastante aberta e sem definição. Ao longo da semana, vimos Bolsonaro, Marina e Barbosa sinalizarem para políticas econômicas mais ao centro, liberais e reformistas, o que ajudou a dar algum conforto aos investidores e algum suporte aos ativos locais vis-à-vis os seus pares externos.

Geopolítica – Os jornais de hoje estão dando atenção à sinalização da Coreia do Norte de que existe disposição em encerrar os testes balísticos e desativar suas estruturas militares referentes a estes testes. Este é o primeiro avanço concreto nas negociações entre a Coreia do Norte e os EUA. Os eventos recentes reduzem, substancialmente, o risco de maiores problemas na região. O mercado já vinha mostrando otimismo nesta frente. Algum redução adicional de prêmio de risco nesta frente pode ocorrer nos próximos dias.

Mercados – Ao longo da sexta-feira os ativos de risco basicamente seguiram a dinâmica que apresentei aqui ontem pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/juros-nos-eua-em-foco.html), com  mercado de juros nos EUA ditando a direção dos mercados financeiros globais. A Treasury de 10 anos testou novamente os picos deste ciclo econômico, acima de 2,95%.

Acredito que estamos em um processo estrutural e prolongado de abertura de taxas de juros nos EUA e em vários países desenvolvidos. Contudo, este processo e caracterizado pelo o que é conhecido como “stop-and-go”. Rodadas de abertura de taxas de juros, geralmente entre 20bps e 50bps, são seguidas de movimentos de acomodação. Geralmente, enquanto estamos no meio dessas rodadas, a direção e a velocidade de abertura das taxas acabam afetando o humor global a risco. Quando o mercado se acomoda, vemos um alívio nos mercados financeiros globais e alguma nova alocação a risco.

Por este motivo que ainda vejo os ativos de risco operando em alguns “ranges” relativamente estreitos, sem muitas tendências. Assim, venho trabalhando com poucos temas de investimentos, sendo que o principal deles é a alta estrutural de juros nos EUA e no mundo desenvolvido. Ao que tudo indica, estamos no meio de mais uma rodada de alta de taxas de juros. Resta saber a magnitude desta “pernada” e qual será sua velocidade e seu patamar de acomodação. O nível psicológico de 3% nas Treasuries de 10 anos será atentamente observado para eventuais rompimentos ou acomodações. 




Data: 20/04/2018

 Juros nos EUA em foco.

 

Os ativos de risco estão abrindo o dia com o dólar mais forte, as bolsas e as commodities sobre pressão, e com uma leve abertura de taxa de juros nos EUA. Acredito que o curto-prazo será guiado pela direção das taxas de juros nos EUA, que estão novamente testando os picos deste ciclo econômico.

Não apenas o atual patamar dos juros nos EUA será importante (chegando aos 3% no vértice de 10 anos), mas a sua direção e a sua velocidade de abertura serão fundamentais para o ambiente global a risco. Já ficou claro nos últimos meses que enquanto os juros nos EUA estão no meio deste processo de abertura de taxas, os movimentos costumam perdurar por alguns dias (ou algumas semanas), com aberturas em torno de 20 a 50bps.

A dinâmica do mercado tem sido de abertura estrutural de taxas, porém em rodadas concentradas em alguns dias/semanas, seguidas de movimentos de acomodação no novo patamar. A dinâmica dos últimos dias mostra que podemos estar no meio de mais uma dessas rodadas.

Sendo assim, em nada alterei minha visão já expressada aqui nos últimos dias: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eua-juros-de-10-anos-proximos-aos-picos.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/brasil-politica-em-foco.html.

No Brasil, Joaquim Barbosa declarou que sua candidatura ainda não está confirmada e sofre resistência de sua família e do próprio partido, o PSB.

Voltando ao tema anterior, gostaria de colocar abaixo o comentário do DB sobre o tema discorrido acima:

Indeed we’ve come a long way very quickly. As we started last week WTI Oil was trading at $62 and 10 year Treasuries at around 2.78%. 10 days later and yesterday oil peaked at $69.5 (currently $68.3) and Treasuries ended at 2.911% yesterday. Oil is at the highest since December 2014 and US 10yrs are within 4bps of their mid-February highs which in turn were the highs since late 2013/early 2014. As an aside we haven’t been above 3.05% since 2011. For the record, 10 year Bund yields were also around 3% back then as opposed to the still moribund (pardon the pun) 0.598% close yesterday which was nearly 7bps higher on the day. Meanwhile US 10 year breakevens marked a fresh high since July 2014 while the 2s10s and 5s30s steepened 3.7bp and 1.4bp respectively.

Interestingly the probability (according to Bloomberg) of four Fed rates hikes in 2018 is now at the highest of the year - at around 33% - from 18% at the start of last week. A reminder that DB has long felt 4 rates hikes (one done) this year and 4 next year are likely.

As discussed above Oil has certainly played its part in the recent move but other commodities have also contributed. For metals (although yesterday was a down day - see below), the big driver appears to be the sanctions imposed on Russia's Rusal(the largest aluminium supplier outside of China) by the US which has seen a significant volume of metals (namely aluminium) removed from the market. Tariffs talk has also contributed and LME Aluminium is up 24.0% in April alone. At the same time our commodities strategists noted that this has come at a time when China's primary supply growth in Aluminium is set to decelerate sharply this year on a combination of limited new capacity and cost pressures. For Oil, the story is more one of fundamentalswith OPEC highlighting that high inventories, which had weighed on the market for the last few years, have now been largely wiped out, helping to rebalance the market. The demand side of the equation is also said to have improved of late in the lead up to the northern hemisphere summer. It's worth noting that OPEC energy ministers have been meeting over the last 36 hours. Watch out for any headlines.  




Data: 19/04/2018

Brasil: Política em foco.

 

Os ativos no Brasil apresentaram ontem mais um dia de bom desempenho, mesmo com uma performance mais mista das bolsas nos EUA. Destaque para a forte alta do Ibovespa, flattening da curva de juros e queda do dólar.

Vejo alguns vetores que justificam estes movimentos. Primeiro, a estabilização do humor global a risco, que já vinha sendo apontada neste fórum desde o final da semana passada.

Segundo, uma posição técnica mais construtiva e preços/valuations mais atrativos.

Finalmente, nos últimos dias, vimos a maior parte dos candidatos a presidente que se mostram competitivos fazerem acenos positivos ao mercado. De uma maneira ou de outra, Bolsonaro, Marina e Joaquim Barbosa estão adotando um discurso mais ao centro, liberal e reformista no tocante a economia, o que acaba dando algum conforto aos investidores.

Continuo acreditando que ainda falta muito tempo para as eleições e as incertezas devem permanecer elevadas por algum tempo. Como tenho afirmado aqui, de agora em diante, qualquer mudança no quadro eleitoral irá ter um impacto mais relevante sobre os preços dos ativos locais.

O mercado havia ficado muito otimista com o cenário desde a virada do ano ate meados de fevereiro. Depois, observamos um ajuste de posições ate alguns dias atras, com desanimo em relação às eleições e um cenário externo mais desafiador. Agora, estamos passando por mais um ajuste na direção positiva.

Eu tenho tentado manter uma posição mais focada no cenário econômico, mas com a intensão de defender o portfólio na eventualidade de mudanças bruscas de panorama. Assim, continuo vendo a parte longa da curva de juros reais como o ativo com bom potencial de apreciação [fechamento de taxa], mas com poder de defesa em cenário alternativos [devido aos níveis já elevados de taxas vis-à-vis as taxas curtas e o cenário econômico prospectivo].

No cenário externo, ainda vejo os mercados operando em "ranges". Os últimos dias foram marcados pela estabilização do humor global a risco, com a redução de alguns riscos de cauda, uma boa temporada de resultados corporativos nos EUA e o anuncio da redução do compulsório na China.

Não vejo esses vetores alterando de maneira estrutural a dinâmica que tem sido regra este ano. Acho que o bom desempenho de curt-prazo pode se sustentar mantido este ambiente, mas ainda vejo restrições de medio-prazo para o retorno de uma tendencia realmente clara de apreciação e "Risk-on".

Entre os riscos, vejo o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, especialmente nos EUA, e a desaceleração da economia chinesa. 




Data: 18/04/2018

Sem grandes novidades.

 

O dólar opera um pouco mais forte contra as outras moedas de G10 essa manhã, porém misto em relação às moedas EM. As bolsas globais sobem e os juros no mundo desenvolvido, no geral, apresentam leve abertura de taxas.

O destaque negativo fica por conta as bolsas da China, que após mais um dia de queda em torno de 1,5%, operam próximas as pisos recentes, em um movimento bastante estranho e desconexo com o resto do mundo, que talvez justifique as recentes medidas anunciadas pelo PBoC (comentadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/bolsas-em-alta-mas-tendencias-ainda-nao.html).

A inflação na Inglaterra ficou abaixo das expectativas, a despeito dos dados de emprego divulgados ontem terem surpreendido positivamente e mostrado um quadro de robustez do emprego.

No Brasil, a mídia está dando atenção às potenciais alianças para o processo eleitoral, com alguma especulação em relação a uma possível aliança entre Joaquim Barbosa e Marina Silva. O Globo traz matéria em que aponta medidas do governo, sem impacto fiscal, a fim de liberar cerca de R$66bi para a economia. Segundo o jornal:

Num cenário de retomada da atividade ainda patinando, baixa popularidade do governo e com um contingente de 13 milhões de desempregados em ano de eleições, o governo recorre a medidas sem impacto fiscal para tentar estimular a economia. Sem margem de manobra para iniciativas mais ousadas, as ações incluem a redução de depósitos compulsórios, já feita pelo Banco Central, que vai liberar R$ 25,7 bilhões para empréstimos, e a permissão para que trabalhadores de qualquer idade possam sacar recursos do PIS/ Pasep depositados até 1988, o que pode resultar em estímulo de 15 bilhões. Aliadas a outras iniciativas, estas propostas têm potencial de injetar até R$ 66 bilhões na economia. 




Data: 18/04/2018

Bolsas em alta, mas tendências ainda não estão bem definidas.

 

O destaque do dia ficou por conta da alta nas bolsas globais, puxadas pelos argumentos já apresentados neste fórum há alguns dias, tais como: a melhora no quadro técnico, os preços/valuations mais atrativos, uma temporada de resultados corporativos positivos e a redução de alguns “riscos de cauda” no curto-prazo.

De maneira geral, contudo, os mercados globais seguem sem tendências definidas, respeitando alguns “ranges” relativamente curtos e sem uma definição clara de temas de investimento. Este pano de fundo tem dificultado bastante a busca por “alpha” e por “beta” nos ativos de risco nas últimas 4 a 6 semenas. Ainda vejo um cenário relativamente sem visibilidade no curto-prazo, com a manutenção dos atuais “ranges” curtos e sem muitas tendências. Eventualmente, o cenário ficará mais claro e as tendências mais definidas. Enquanto isso, continuo optando por posições menores e por liquidez, afim de manter espaço de risco para eventuais oportunidades.

O Ibovespa conseguiu seguir a melhora externa após um breve período de desempenho pífio, em linha com o que escrevi neste fórum esta manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/humor-mais-positivo-crescimento-da.html). O BRL tentou apresentar melhora mais expressiva, mas sua dinâmica mostra que ainda há espaço para desalavancagem e busca por hedges. O mercado de juros segue como destaque positivo, ancorado por uma política monetária frouxa e um cenário construtivo para a inflação (em meio a surpresas negativas de crescimento).

No ponto de vista econômico, nos EUA, os dados do mercado imobiliário e a produção industrial de março mostraram um crescimento relativamente estável e positivo, reduzindo os riscos de uma desaceleração mais acentuada da economia.

Na China, em uma decisão totalmente inesperada pelo mercado, o PBoC anunciou um corte de 100bps no compulsório de alguns bancos. A medida pode ser vistas de alguns ângulos. Primeiro, mostra que a desaceleração recente talvez seja mais acentuada do que os dados oficiais apontam. Segundo, que não há disposição do governo em deixar a economia desacelerar de maneira mais acentuada. Assim, por ora, vejo a medida como neutra já que, por um lado, mostra uma economia mais frágil, talvez já tendo passado pelo seu pico de crescimento. Por outro lado, contudo, “ajustes finos” serão feitos para evitar cenários mais catastróficos. Assim, o cenário continua a ser de uma desaceleração gradual da economia, mas o risco de um processo mais acentuado de piora continuará pairando ao longo dos próximos meses. 




Data: 17/04/2018

Humor mais positivo. Crescimento da China e possibilidade de recuperação no Brasil.

 

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, seguindo a narrativa apresentada neste fórum na tarde de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/fragilidade-do-mercado-local.html), em que apontamos a melhora no quadro técnico, os preços/valuations mais atrativos, uma temporada de resultados corporativos positiva e a redução de alguns “riscos de cauda” do curto-prazo como motivos para uma estabilização do humor global a risco.

Mesmo com o cenário local mais turvo devido as eleições, se mantido o melhor humor global a risco nos próximos dias, esperaria alguma recuperação dos ativos do Brasil, como alta da bolsa, queda do dólar e flattening da curva de juros, mas em movimentos que estariam “restringidos” pelo cenário de incerteza eleitoral, ou seja, seriam movimentos mais táticos do que estratégicos.

Na China, o PIB do 1Q ficou em linha com as expectativas, com alta de 6,8% Yoy. A produção industrial e o Fixed Asset Invesment (dado de investimento) ficaram abaixo das expectativas em março, mas com as vendas no varejo acima do esperado. De maneira geral, os números de março confirmam o cenário base (e as expectativas do consenso) de que o pico do crescimento chinês ficou para trás e estamos diante de uma desaceleração da economia do país. O risco continua a ser de uma desaceleração mais acentuada do que o esperado, mas os dados de hoje, pelo menos ainda, não mostram um cenário preocupante.

Em Cingapura, as exportações de março ficaram abaixo das expectativas do mercado. Como o país apresenta uma corrente do comércio elevada, suas exportações costumam ser vistas como uma “proxy” para o crescimento global. Os números de março, divulgados hoje, reforçam os sinais de alguma desaceleração da economia mundial no primeiro trimestre do ano. Ainda vejo essa desaceleração como um movimento natural de acomodação do crescimento, em meio a um ciclo econômico ainda positivo, mas de fato o acumulo de sinais na mesma direção acende uma luz amarela nos mercados e nos investidores, o que ajudou a dar um tom mais negativo nos ativos de risco nas últimas semanas.




Data: 17/04/2018

Fragilidade do mercado local. Estabilização do mercado externo

 

Os ativos de risco seguiram uma dinâmica interessante hoje. Vamos por partes:

Brasil – Os indicadores de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O IBC-Br divulgado hoje – uma espécie de PIB mensal coletado pelo BCB – apresentou alta de pífios 0,09% MoM e 0,66% YoY em fevereiro, abaixo das expectativas de 0,80% YoY. Nas últimas semanas, vimos as expectativas de crescimento arrefeceram de algo superior a 3% para algo inferior a 3%, mais próximo de 2,5% (em termos de crescimento do PIB em 2018). De maneira geral, ainda acredito que estamos passando por um momento de acomodação, mas a recuperação gradual da economia continua. Talvez o cenário não seja tão positivo como se imaginou no final de 2017 e início de 2018, mas também não tão negativo como agora.

Para os ativos locais está decepção de crescimento, somada a incerteza eleitoral (já comentado aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eleicoes-brasil-situacao-na-siria-e.html) estão ajudando o movimento de queda da bolsa, alta do dólar e “steepening” da curva de juros.

Hoje, em especial, o movimento pareceu bastante técnico, com a bolsa em forte queda pelo segundo dia consecutivo, o mercado de juros apresentando fechamento de taxa relevante e o dólar praticamente estável, porém ainda em patamar elevado, acima de 3,40. Infelizmente, por ora, não vejo nenhuma das incertezas locais se dissipando. Ainda espero um ambiente de maior volatilidade e mais incerteza, com o quadro técnico, por vezes, dominando a dinâmica. A principal tese de investimentos continua a ser juros mais baixos por mais tempo, através de posições aplicadas (compradas) na parte longa da curva de NTNB (juros reais).

EUA – As vendas no varejo de março ficaram dentro das expectativas do mercado, confirmando um primeiro trimestre relativamente fraco da economia. Nos últimos anos, por questões sazonais, muito devido ao clima/temperatura, o primeiro trimestre do ano costuma apresentar crescimento abaixo das expectativas e se mostrar o trimestre mais fraco do ano. Tudo indica que este ano este mesmo efeito será sentido.

Como comentado no final de semana, a ausência de deterioração da situação na Síria ajudou a dar um tom mais calmo aos ativos de risco ao redor do mundo, mais explícito através da alta das bolsas e queda das volatilidades implícitas. A boa temporada de resultados corporativos também está ajudando a colocar um suporte nos ativos de risco.

Vejo um curto-prazo um pouco mais construtivo, com a dissipação de alguns riscos de cauda e o suporte de um quadro técnico mais saudável e níveis de preço/valuations mais atrativos. A médio e longo-prazo ainda vejo os ativos de risco sustentando algumas bandas (como por exemplo o S&P entre 2.550 e 2.800). Os principais riscos que estou monitorando continuam a ser a necessidade de um aperto monetário mais agressivo nos EUA e uma eventual desaceleração maior da economia da China (como comentei no detalhe do link acima). A principal tese de investimento externo continua a ser juros mais altos, através de posições tomadas em Treasury (por questões econômicas, técnicas e fluxos).




Data: 16/04/2018

Síria (global) e Datafolha (local) ainda em foco. Risk-On, por ora...

 

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, puxados pela alta das bolsas e abertura de taxas de juros no mundo desenvolvido. O dólar opera de maneira mais mista e sem tendência, enquanto as commodities operam majoritariamente em queda, lideradas pelo petróleo. 

 

A reação do mercado é basicamente em linha com a minha visão exposta aqui ontem, de que os desenvolvimentos após o ataque dos EUA (e seus aliados) a Síria poderiam ser vistos de forma positiva pelos investidores. 

 

Só gostaria de reforçar que minha visão mais construtiva em relação ao evento refere-se ao curto-prazo. A situação diplomática entre os EUA e a Rússia ainda é bastante delicada neste momento. Tudo indica que novas sanções econômicas às empresas e cidadãos russos serão impostas pelos EUA. Não sabemos qual será a resposta da Rússia. Os EUA irão manter presença da Síria e novos ataques não estão descartados. Em suma, mantenho uma visão cautelosa estruturalmente para os próximos meses, mesmo entendendo que, no curto-prazo, os eventos recentes retiram algum risco de escalada mais acentuada nesta crise. 

 

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:  

 

- No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no final de março. 

 

- Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts. 

 

- Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 16/04/2018

Eleições Brasil, Situação na Síria e Riscos.

 

Brasil – O Datafolha divulgou hoje mais uma pesquisa eleitoral. Não sou um especialista no assunto, então farei comentários apenas superficiais. Nos cenário sem a presença do ex-presidente Lula, os que importam, em minha opinião, o quadro segue o mesmo de antes, ou seja, sem uma definição clara ou concreta. 

 

Bolsonaro continua liderando as intenções de voto e pelo menos outros 4 candidatos se mostram competitivos, são eles: Marina, Ciro, Joaquim Barbosa e Alckmin (não necessariamente nesta ordem). Os demais candidatos mostra baixíssima expressão e dificilmente conseguirão sair desta situação. 

 

Para os mercados financeiros locais, acho difícil que essa pesquisa altere a incerteza que predomina sobre o tema. Acredito que a partir de agora qualquer mudança mais relevante neste quadro, para o bem ou para o mau (na percepção dos investidores) passarão a ser mais relevantes para a dinâmica de preço. 

 

Por ora, seguimos em um cenário de enorme incerteza em relação a este tema, o que não deveria alterar a postura mais cautelosa do mercado. 

 

Síria – A operação militar dos EUA (e seus aliados) na Síria, até este momento, se mostrou um ataque pontual e preciso. Não houve uma reação militar ou diplomática mais dura ou agressiva por parte do exércitio sírio e, muito menos, pela Rússia. 

 

Assim, por ora, parece que os EUA conseguiram atingir de maneira vitoriosa seu objetivo de enfraquecer o poderia bélico (e o arsenal químico) da Síria, sem gerar um problema diplomático mais grave. 

 

Ainda é cedo para acreditar que a situação esteja de fato resolvida, mas para os mercados financeiros globais a situação, se permanecer neste ambiente, será vista como de baixo risco e, até mesmo, pode retirar um “risco de cauda” de curto-prazo. 

 

Riscos – Continuo vendo dois grandes riscos concretos e com maior probabilidade do que o mercado embute neste estágio do ciclo. Primeiro, de uma aceleração mais rápida da inflação nos EUA e/ou a necessidade de um aperto de juros mais agressivo do que o precificado na curva atualmente. 

 

Segundo, vejo sinais um pouco mais preocupantes de desaceleração na China. Não vejo um ambiente de elevada desaceleração, mas talvez uma tolerância maior por parte deste governo, com o poder mais consolidado, de um menor crescimento no curto-prazo visando medidas estruturais para desalavancar a economia e evitar bolhas em setores específicos da economia.




Data: 16/04/2018

Ataque à Síria, Riscos no Brasil & desaceleração na China.

 

Síria – Na noite de ontem, os EUA, em conjunto com a França e a Inglaterra, promoveram ataques de mísseis contra alvos na Síria. Podemos dizer que, de certa forma, a medida era esperada após os eventos recentes. 

 

Para o cenário geopolítico global, será importante entender a estratégia americana. Se será apenas um ou poucos ataques localizados, ou um processo mais longo de intervenção no país. Acredito que, por ora, a primeira opção ainda apresenta maior probabilidade. Sem segundo lugar, será ainda mais relevante observar a postura da Rússia neste caso. O risco, aqui, é de uma postura dura e que os russos levem está questão específica na Síria a um problema muito maior de relações diplomáticas e risco de um conflito armado mais amplo entre as duas potencias. 

 

Até a abertura dos mercados no domingo à noite deveremos ter uma sensação mais clara dessa situação. Por ora, esperaria um pequeno movimento de “risk-off” no curto-prazo, cuja magnitude e duração dependerão da estratégia dos EUA e da resposta da Rússia. O movimento mais óbvio e que pode ser mais duradouro seria uma alta do Ouro e do Petróleo. 

 

Brasil – Os ativos no Brasil continuam apresentando desempenho nominal e relativo bastante pífio. Ontem vimos mais uma depreciação cambial, nova queda da bolsa e steepening da curva de juros. Além da desalavancagem de posição diante das incertezas da eleição, que já comentei neste fórum há algumas semanas, em meio a um cenário externo mais nebuloso, agora estamos convivendo com dados de atividade econômica mais fracos. 

 

Nos últimos dias, vimos as vendas no varejo mais fracas e a mesma dinâmica para o setor de serviços, que levou a uma nova rodada de revisões baixistas do PIB. Além disso, os ativos do Brasil, especialmente o BRL, estão sendo vistos, cada vez mais, como uma opção barata de hedge para alguns portfólios globais. 

 

Eu não acredito que a situação do país fosse tão boa como se chegou a pensar (e precificar nos ativos locais) no início do ano, mas também não vejo uma mudança substancial de cenário nas últimas semanas. Entendo e tendo a concordar com a postura do mercado de reduzir risco em meio as incertezas externas e eleitorais. Diante de um cenário mais turvo, acredito que iremos conviver com mais volatilidade, menos tendências e movimentos mais curtos, o que demandam postura tática e/ou posições relativas e temas muito específicos de investimentos. 

 

China – Os dados de exportação da China em março ficaram muito abaixo das expectativas, como já havia comentado aqui na manhã de ontem. Contudo, o Ano Novo Lunar pode ainda estar afetando este indicador. 

 

Os dados de agregados monetários e empréstimos, divulgados na manhã de ontem, contudo, apontaram na mesma direção de desaceleração da economia, com queda do M2 (e demais agregados) além de empréstimos (“on” e “off” balance sheet) abaixo das expectativas. Tudo indica que o Governo e o PBoC estão satisfeitos com o atual nível de crescimento da economia e estão adotando uma postura contra-cíclica de ajuste e desalavancagem. 

 

Minha tese inicial de que veremos uma desaceleração gradual da economia de agora em diante, uma vez o “novo” governo chinês perpetuado no cargo continua válida e reforçada pelos dados econômicos. Uma desaceleração me parece encomendada. Por ora, a expectativa é que a desaceleração seja gradual, mas sempre existe o risco de um erro de política no meio do caminho (que deveria ser prontamente revertido pelo Governo e PBoC) ou um receio maior do mercado em relação ao real estágio de desaceleração por parte do mercado. 

 

Em suma, ainda vejo um cenário base de desaceleração gradual, mas com riscos de erros no meio do caminho. Vejo que neste cenário aumenta o risco de que, em algum momento, os ativos de risco passem novamente por um “china fear”, ou medo de desaceleração mais acentuada do país afetando os ativos mais dependentes da demanda chinesa.   




Data: 13/04/2018

Retórica mais branda de Trump, Agenda de resultados e BRL em foco.

 

Os ativos de risco estão apresentando recuperação à medida que Trump alivia sua retórica em relação a sua estratégia comercial. Além de um tom mais ameno com relação à China, Trump indicou que pode rever sua posição de se retirar do TPP.

A agenda do dia terá os resultados corporativos do setor bancário como destaque na agenda dos EUA. O mercado já espera uma temporada bastante positiva de resultados corporativos trimestrais, puxada pela recuperação da economia e pela reforma tributária, em um momento que a bolsa dos EUA apresenta um preço/valor mais atrativo que a pouco tempo atrás. Serão os resultados suficientes para levar a um novo pico das bolsas dos EUA? Está é a expectativa de muitos analistas.

No Brasil, o destaque tem ficado por conta da terrível performance do câmbio (BRL). A moeda voltou a operar acima de 3,40, com desempenho nominal pífio, especialmente contra os seus pares. Existe uma série de teorias para explicar essa dinâmica, como menor carrego (“carry”), busca por hedge em período eleitoral e afins. Não consigo dizer com convicção o que explica essa performance, em um pano de fundo de contas externas saudáveis. Contudo, não acredito que haja um cenário de reversão profunda deste movimento. Assim, continuo neutro no mercado de câmbio e adotando postura tática.

A mídia está reportando que Rodrigo Maia pode desistir da disputa pelo planalto. O governo segue em busca da privatização da Eletrobrás, mas não há articulação no Congresso para avanço da medida. A justiça decidiu encaminhar as investigações sobre “caixa 2” nas campanhas de Alckmin para a Justiça Eleitoral, e não para a força tarefa da Laja-Jato, o que retira um risco grande a situação do candidato do PSDB, mesmo que ainda crie desgaste para a sua imagem. 

Na China, as exportações apresentaram queda de 8% YoY, muito abaixo das expectativas de elevação. O número pode ainda estar sendo muito afetado pelo Ano Novo Lunar, o que torna sua análise poluída e de difícil conclusão. Só teremos um poder maior de análise com os dados de abril. Olhando o primeiro trimestre como um todo, a economia ainda demonstra estabilidade em uma situação saudável.




Data: 12/04/2018

Brasil: Alianças políticas, meta de inflação e curva de juros.

 

A despeito das bolsas estarem operando próximos a estabilidade este momento, existem sinais de fragilidade nos mercados financeiros globais, com as commodities metálicas não preciosas em queda, o dólar forte e o fechamento das taxas de juros no mundo desenvolvido. 

 

A noite foi relativamente esvaziada de notícias. O oco do curto-prazo ficará por conta dos desenvolvimentos na Síria. A agenda do dia terá as vendas no varejo no Brasil e o Jobless Claims nos EUA como destaque. 

 

No Brasil, a mídia está reportando que o PSDB está avançando em uma potencial aliança com o PSC e PSD para as eleições de outubro, o que dá algum corpo a campanha de Alckmin para presidente. 

 

Segundo O Globo, o governo decidiu colocar a meta de inflação de 2021 em 3,75%, com uma banda de acomodação de 1,5%. Se confirmada a notícia, seria mais um impulso para o fechamento da inclinação da curva longa de juros no Brasil, que ainda apresenta formato excessivamente “steepado”. Continuo vendo mais valor na parte intermediária e longa das curvas reais e nominais de juros. Caso esta notícia seja confirmada, espero um flattening da curva, com os juros nominais over-performando os juros reais na parte intermediária da curva, em especial. 

 

Em Hong Kong, vimos o HKD, moeda do país atrelada ao dólar, testar a parte mais fraca de sua banda pela primeira vez desde 2005. O momento é bastante localizado e não deveria trazer contágio, especialmente devido ao tamanho do mercado do país e sua relevância econômica e financeira. 

 

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos: 

 

- No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada. 

 

- Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts. 

 

- Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY. 




Data: 11/04/2018

 Inflação nos EUA, Conflito na Síria e Política no Brasil.

Os ativos de risco estão devolvendo parte da recuperação verificada ontem, mas na ausência de novidades relevantes. Na agenda do dia, destaque para o Core CPI nos EUA e para as Minutas do FOMC. Insisto que vejo a inflação nos EUA como o principal risco ao cenário econômico global nos próximos meses.

Para não soar repetitivo, minha visão pode ser vista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/risk-on-china-adota-tom-conciliador.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/inflacao-em-foco-no-brasil-e-nos-eua.html.

Saindo do âmbito econômico, um potencial ataque militar dos EUA, em conjunto com seus aliados (França e Inglaterra, em especial) ao Governo de Assad, na Síria, está trazendo alguma incerteza adicional aos mercados, em especial aos ativos da Rússia e da Turquia. Acredito que este problema deveria permanecer isolado. Contudo, assim como no casa da “guerra comercial” com a China, um ataque dos EUA eleva a chance de um erro de política externa, em especial, a relação com a Rússia.

Na China, a inflação ficou abaixo das expectativas, influenciada por vetores pontuais e ainda impactada pelo efeito base do Ano Novo Lunar. A inflação no país não é um problema no curto-prazo. Mais importantes serão os dados de crescimento de março que darão uma medida mais concreta do estado da economia.

No Brasil, a mídia está reportando que o Ministro do STF Marco Aurélio decidiu não analisar a questão da prisão em segunda instância neste momento, o que poderia beneficiar Lula. A mídia está reportando também que o inquérito envolvendo Alckmin pode caminhar de maneira mais rápida com o ex-governador e São Paulo sem foro privilegiado. O cenário eleitoral continua bastante incerto neste estágio do processo, o que não é visto com bons olhos pelo mercado.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza. No curto-prazo, ainda não vejo nenhuma das incertezas se dissipando por completo, o que deverá manter o pano de fundo de mais volatilidade, menos tendência e temas de investimentos mais frágeis ou menos caracterizados.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 11/04/2018

Inflação em foco no Brasil e nos EUA.

Os eventos do dia apenas reforçam o cenário base as minhas visões que venho descrevendo neste fórum. São eles:

Brasil/Inflação – O IPCA de março ficou levemente abaixo das expectativas, com alta de 0,09% MoM e 2,68% YoY. A inflação no país continua baixa e seu qualitativo positivo. Este quadro pressupõe juros mais baixos por mais tempo.

A despeito deste cenário econômico, tenho o receio, e precisa ficar claro que é apenas um risco, com probabilidade ainda bastante baixa, da continuidade da alta do Dólar em relação ao Real levar o mercado a repensar uma eventual queda adicional da Taxa Selic em 25bps. A probabilidade de queda de 25bps na próxima reunião do Copom estava em torno de 85% tendo recuado para cerca de 75% nos últimos dias. Como a posição técnica do mercado de juros curtos não me parece saudável, vejo este risco, mas ainda com probabilidade bastante reduzida, mas que precisa ser observado.

EUA/Inflação – O PPI, assim como os seus núcleos, apresentou alta superior as expectativas do mercado em março. Os números de hoje apontam para uma inflação mais elevada do Core CPI nos próximos meses. Por ora, o cenário base continua a ser de uma alta gradual da inflação, com o Fed mantendo sua postura de 3 a 4 altas de 25bps nas taxas de juros por ano e a redução de seu balanço em “piloto automático”. Ainda não há sinais de uma elevação mais acelerada e preocupante na inflação, mas os últimos meses já mostram um quadro de maior rigidez dos preços, além de evidências anedóticas na mesma direção (ISM Prices Paid, beige Book e etc).

Contudo, reforço o que venho escrevendo aqui. Vejo uma probabilidade maior do que o mercado de uma alta mais rápida e acentuada da inflação nos EUA nos próximos meses. Acho que o mercado está excessivamente leniente com esta possibilidade neste estágio do ciclo econômico.

Guerra Comercial – Este tema continua sendo mais um risco do que um cenário base. É inegável que a probabilidade de ocorrência de um erro de política externa se elevou nas últimas duas semanas, mas continua baixa. A postura de Trump com relação a China em muito se assemelha aquela adotada nas negociações do NAFTA, que migram para uma solução amigável e negociada.

Os últimos comentários de ambas as partes, China e EUA, apontam na direção do diálogo e da conciliação.




Data: 10/04/2018

Risk-on: China adota tom conciliador.

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, com um “risk-on” mais clássico. O destaque da noite ficou por conta do discurso do Premier da China. Xi adotou um tom conciliador e reforçou a sinalização de que o país irá buscar o caminho das reformas e da maior abertura econômica. A postura adotada por ele foi vista pelo mercado como menos bélica, abrindo caminho para uma negociação junto aos EUA.

A agenda do dia traz como destaque o IPCA no Brasil e o PPI nos EUA.

Continuo acreditando que o maior risco estrutural e efetivo para o cenário global seja o estágio do ciclo econômico nos EUA e a possibilidade de uma inflação mais elevada no país. Por isso, o PPI hoje e o Core CPI amanhã ganham relevância dobrada. No tocante às relações comerciais, entendo que elevou-se o risco de um erro de política externa nas últimas semanas, mas se tomarmos o NAFTA como exemplo, parece que a postura mais dura dos EUA é “apenas” uma maneira diferente e mais dura de negociação. Assim, continuo vendo com probabilidade baixa (mesmo que maior do que antes) uma guerra comercial mais ampla. Porém, vejo com uma probabilidade mais elevada, e mais elevada do que embutido no mercado, o risco inflacionário nos EUA.

Ontem observamos mais um dia de forte pressão nos ativos do Brasil. De maneira simplista, acredito que as eleições entraram de fato no radar dos investidores. A ausência de um quadro eleitoral mais definido neste estágio do processo parece ter começado a incomodar o mercado que, por sua vez, se mostrava excessivamente alocado em ativos do Brasil, em especial os investidores locais. Isso tudo em meio a um cenário externo mais volátil e desafiador. 

Não vejo mudanças significativas de cenário, exceto por um crescimento um pouco mais fraco do que o imaginado no início do ano e a ausência de reformas econômicas adicionais. Não acredito que o país estava tão bem posicionado como os mercados precificavam até cerca de um mês atrás, mas também não vejo o país em situação tão crítica como o mercado começa a precificar neste momento. Acredito que a dinâmica seja um misto de receio político com uma posição técnica menos construtiva.

Além do Brasil, vimos uma dinâmica bastante ruim por parte dos ativos da Rússia, após novas sanções econômicas por parte dos EUA. Geralmente eventos locais não geram contágio global, mas a relevância da economia e dos mercados russos, em meio a um quadro já fragilizado, eventualmente pode estar ajudando a dar um tom mais defensivo para os mercados emergentes em geral.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza. No curto-prazo, ainda não vejo nenhuma das incertezas se dissipando por completo, o que deverá manter o pano de fundo de mais volatilidade, menos tendência e temas de investimentos mais frágeis ou menos caracterizados.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 09/04/2018

Bolsas e dólar em alta. Volatilidade continua elevada.

Os ativos de risco estão abrindo a semana com forte alta das bolsas e leve abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido. O dólar apresenta alta global, após a China sinalizar que poderia utilizar uma depreciação cambial como instrumento contra as tarifas impostas pelos EUA.

No sábado fiz um comentário mais profundo sobre os eventos da semana passada, que podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/incertezas-persistem.html.

Agenda – A próxima semana terá como destaque o IPCA de março e as vendas no varejo no Brasil. Assim como os desdobramentos do quadro eleitoral. Nos EUA, destaque para o Core CPI e para as Minutas do FOMC. A temporada de resultados corporativos se iniciará, com expectativas já elevadas devido ao efeito da Reforma Tributária. Na China, os dados de atividade econômica de março ganham atenção especial após o Ano Novo Lunar. Na Europa, será importante medirmos o real estado da economia, depois de uma sequencia de dados mais fracos. 

De maneira geral, continuo vendo a inflação nos EUA como o maior risco ao cenário base ao longo dos próximos meses. Nesta frente, o artigo de hoje de Gavyn Davies no FT traz uma boa análise sobre o tema. Infelizmente, só está disponível para assinantes: https://www.ft.com/content/1c09ca70-38b4-11e8-8b98-2f31af407cc8.

EUA – Trump adotou um discurso marginalmente mais conciliador em relação a China no final de semana, mostrando certo otimismo com um avanço amigável das negociações. De maneira geral, uma guerra comercial parece um cenário de risco, e os passos do NAFTA podem ser vistos como parâmetro da postura que a administração Trump irá adotar em suas negociações. De fato, contudo, esta “nova ordem mundial” eleva as chances de um erro de política externa, o que demanda mais volatilidade e prêmios de risco mais elevados.

Síria – A mídia internacional está reportando que o país teria usado armamento químico contra sua população. Os EUA reagiram com retórica dura, sinalizando para uma postura mais bélica em relação ao governo de Assad. A Rússia, por sua vezx, defendeu a sua posição (pró Assad) e afirmou que uma resposta mais dura por parte dos EUA será respondida da mesma forma pela Rússia.

De maneira geral, mais um ruído pontual e localizado em um ambiente já fagilizado para os ativos de risco.

Brasil – O ex-presidente Lula se entregou e está sob a custódia da polícia federal. Passado o “furor” da mídia, para os investidores, o evento só importa pelo eventual impacto que terá no quadro eleitoral de agora até outubro. Com a incerteza da situação, e um quadro eleitoral ainda “em aberto” é natural que os mercados locais demandem mais prêmios de risco, especialmente em um momento de incerteza externa e a despeito de um quadro econômico cíclico ainda bastante positivo.




Data: 09/04/2018

Agenda, EUA (vs China) e Síria.

Ontem fiz um comentário mais profundo sobre os eventos da semana passada, que podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/incertezas-persistem.html.

Agenda – A próxima semana terá como destaque o IPCA de março e as vendas no varejo no Brasil. Assim como os desdobramentos do quadro eleitoral. Nos EUA, destaque para o Core CPI e para as Minutas do FOMC. A temporada de resultados corporativos se iniciará, com expectativas já elevadas devido ao efeito da Reforma Tributária. Na China, os dados de atividade econômica de março ganham atenção especial após o Ano Novo Lunar. Na Europa, será importante medirmos o real estado da economia, depois de uma sequencia de dados mais fracos. 

De maneira geral, continuo vendo a inflação nos EUA como o maior risco ao cenário base ao longo dos próximos meses. Nesta frente, o artigo de hoje de Gavyn Davies no FT traz uma boa análise sobre o tema. Infelizmente, só está disponível para assinantes: https://www.ft.com/content/1c09ca70-38b4-11e8-8b98-2f31af407cc8.

EUA – Trump adotou um discurso marginalmente mais conciliador em relação a China no final de semana, mostrando certo otimismo com um avanço amigável das negociações. De maneira geral, uma guerra comercial parece um cenário de risco, e os passos do NAFTA podem ser vistos como parâmetro da postura que a administração Trump irá adotar em suas negociações.

De fato, contudo, esta “nova ordem mundial” eleva as chances de um erro de política externa, o que demanda mais volatilidade e prêmios de risco mais elevados.Síria – A mídia internacional está reportando que o país teria usado armamento químico contra sua população. Os EUA reagiram com retórica dura, sinalizando para uma postura mais bélica em relação ao governo de Assad. A Rússia, por sua vezx, defendeu a sua posição (pró Assad) e afirmou que uma resposta mais dura por parte dos EUA será respondida da mesma forma pela Rússia.

De maneira geral, mais um ruído pontual e localizado em um ambiente já fagilizado para os ativos de risco.

Brasil – O ex-presidente Lula se entregou e está sob a custódia da polícia federal. Passado o “furor” da mídia, para os investidores, o evento só importa pelo eventual impacto que terá no quadro eleitoral de agora até outubro. Com a incerteza da situação, e um quadro eleitoral ainda “em aberto” é natural que os mercados locais demandem mais prêmios de risco, especialmente em um momento de incerteza externa e a despeito de um quadro econômico cíclico ainda bastante positivo.




Data: 09/04/2018

Incertezas persistem.

Os últimos dias, e a sexta-feira em especial, foram bastante intensos para os ativos de risco e para o cenário econômico. O momento parece oportuno para analisarmos alguns temas:

Brasil – Não há mudanças estruturais no quadro cíclico positivo. O crescimento continua em um caminho de recuperação, somente um pouco mais lento do que o imaginado no final de 2017 e começo de 2018. A inflação corrente continua extremamente baixa e as perspectivas são de que este quadro deverá perdurar por algum tempo. Isso está permitindo a continuidade do ciclo de corte da Taxa Selic, que deverá tingir 6,25% e permanecer neste patamar no horizonte relevante de tempo.

O quadro político, contudo, se mostra mais incerto. A situação do ex-presidente Lula é importante para a sociedade e para a grande mídia, dado a sua popularidade, mas para os mercados, o que importa é apenas sua elegibilidade e sua capacidade de transferir votos para seu sucessor. O primeiro parece garantido pela constituição sua incapacidade de se tornar candidato, o segundo ainda é uma incerteza.

De qualquer maneira, a situação política é uma grande incógnita, já que o quadro eleitoral se mostra difuso, com vários candidatos e ainda nenhum candidato de centro, liberal e reformista capaz de aglutinar partidos e a sociedade em sua volta, como imaginava ser possível os investidores locais até pouco tempo atrás. A mídia está reportando que Joaquim Barbosa se filiou ao PSB, trazendo mais um candidato potencial a cena eleitoral.

O grande risco, neste ambiente, é um cenário parecido com aquele que vivenciamos nas últimas eleições para prefeito do Rio de Janeiro, onde a quantidade elevada de candidatos levou dois nomes de pouca expressão para o segundo turno.

Em suma, o cenário econômico segue ciclicamente positivo, o que de certa forma já vinha sendo incorporado nos preços dos ativos locais. A das eleições e do cenário externo está trazendo um novo vetor de incerteza ao cenário local.

EUA – A despeito de alguns dados de crescimento mais fracos, na média, o crescimento do país ainda se mostra estável e saudável, em torno de 2,5%. Os dados de emprego de março, divulgados ontem, mostraram uma menor criação de postos de trabalho, mas após um mês de fevereiro bastante robusto. É possível e provável que o clima tenha afetado esses dois meses. As médias de 2, 3, 4, 6 e 12 meses continuam mostrando um quadro de solidez do mercado de trabalho. Além disso, o Average Hourly Earnings apresentou alta dentro das expectativas, de 2,7% YoY, confirmando o acumulo, ainda gradual, de pressões inflacionárias na economia.

O presidente do Fed, Jay Powell, manteve o tom de seus últimos discursos em sua aparição ontem em evento em Chicago. Sua postura continua a ser de gradualismo, porém manutenção, do processo de normalização monetária. Ao que tudo indica, o Fed será reativo aos números, e não proativo. Enquanto isso, manterá seu processo de normalização monetária, de certa forma, em “piloto automático”, com 3 a 4 altas de juros por ano e a redução de seu balanço como já anunciado.

Europa – Continuamos a observar dados mais fracos de crescimento, especialmente na Alemanha. Por ora, ainda parece estarmos no meio de um processo de acomodação da economia, e não mudança de tendência. Contudo, é natural o mercado questionar, e se tornar um pouco mais sensível ao tema de menor crescimento, conforme se acumulam evidência de desaceleração.

China – O país tem se mostrado mais fonte de estabilidade do que de instabilidade ao longo dos últimos meses. Será importantes observamos os indicadores econômicos de março, a serem divulgados em breve, para termos uma melhor sensibilidade da economia passado o Ano Novo Lunar no país.

Mercados – Os ativos de risco estão em um momento de pouco visbilidade, se tendência e mais volatilidade. Vemos alguns argumentos ainda positivos, tais como: crescimento global sólido, condições financeiras ainda frouxas, gradualismo dos bancos centrais, inflação ainda contida no mundo desenvolvido, mas alguns argumentos já menos positivos do que no passado, tais como: posição técnica mais comprometida, valuations menos atrativos, direção coordenada dos bancos centrais na retirada de liquidez, "guerra comercial" e etc.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza, até que alguns desses argumentos superem os demais. No curto-prazo, ainda não vejo nenhum dos lado (positivo e negativo) ganhando essa “queda de braço”, o que deverá manter o pano de fundo de mais incerteza e volatilidade.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. 




Data: 06/04/2018

The Trump Short Call Position

Após dois dias de estabilização, os ativos de risco, especialmente as bolsas globais, estão novamente sobre pressão essa manhã (mesmo que longe dos pisos atingidos durante a madrugada) após Trump declarar que tem o intuito de impor novas tarifas em cerca de US$100bi de importação de produtos chineses caso a China adote de fato o princípio da reciprocidade.

O cenário base continua a ser de que essa postura do governo dos EUA seja apenas uma maneira de conseguir levar os chineses a mesa de negociação, buscando melhores termos comerciais aos EUA. Contudo, a China já mostrou que não irá esmorecer diante da agressividade americana. Assim, cresce o risco de um erro de política externa ao longo do tempo.

Além disso, Trump voltou a dar declarações contra o modelo de negócios da Amazon, o que no curto-prazo tem deixado o setor de tecnologia mais sensível e fragilizado a luz da possibilidade de uma rodada de maior regulamentação no setor.

Depois de vivermos anos em um ambiente em que ficou conhecido como “Fed Put”, onde o Fed não deixava o mercado cair depois de um certo patamar, parece que hoje vivemos em um ambiente de “Short Trump Call”, onde o Trumo não parece deixar o mercado subir, como se estivesse vendido em uma call de bolsa. No final das contas, contudo, ainda acredito que os fundamentos irão prevalecer e, nesta frente, os dados de emprego hoje ganham importância redobrada (mais detalhes abaixo).

Finalmente, Trump “tweetou” ontem que espera dados de emprego hoje extremamente positivos. Como o presidente dos EUA recebe os números oficiais com um dia de antecipação, é provável que Trump esteja “antecipando” um bom resultado para os dados de hoje, em linha com o que os indicadores antecedentes também haviam mostrado ao longo dos últimos mês.

De maneira geral, no lado externo, continuamos em um cenário de maior incerteza e mais volatilidade, sem tendências relevantes claras ou grandes temas de investimentos. Continuo acreditando que o Average Hourly Earnings (AHE) a ser divulgado hoje nos EUA será o principal indicador para a dinâmica dos ativos de risco no curto-prazo, assim como o discurso de Jay Powell, presidente do Fed, algumas horas depois.

Continuo vendo um cenário de hiato do produto fechado e pleno emprego que, em algum momento, deveria trazer pressões inflacionárias maiores para a economia dos EUA. É neste contexto que os números de hoje ganham importância. Caso os números mostrem um mercado de trabalho sólido, porém sem grandes pressões de inflação, vamos continuar em um ambiente relativamente construtivo para os mercados. Caso contrário, poderemos estar de fato em um ponto de inflexão importante na economia.

No Brasil, o juiz Sergio Moro determinou a prisão do ex-presidente Lula. Na visão do mercado, quando mais complicada a situação do ex-presidente, menor os riscos de um candidato forte na extrema esquerda.

A despeito dos eventos recentes, os ativos locais mostram uma dinâmica bastante ruim, em especial o BRL. Neste caso específico, podemos citar o baixa atratividade do “carry” (carrego) da moeda, que pode estar afastando investidores estrangeiros e atraindo alocações para fins de hedge. De qualquer maneira, os investidores parecem estar utilizando qualquer rodada de apreciação dos ativos locais para reduzir risco em alocações em Brasil. A postura se justifica por um quadro externo mais incerto e a aproximação das eleições, em um ambiente ainda bastante fragmentado.

Neste pano de fundo, faz sentido o melhor desempenho do mercado de juros, especialmente a parte curta e intermediária da curva, que contém um componente mais local e de política monetária cuja os investidores conseguem ter um controle maior diante do cenário benigno de inflação e crescimento ainda fragilizado.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos: 

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva e pequena posição comprada em ações voltadas para a economia doméstica.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Com hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 05/04/2018

De volta aos fundamentos.

Os ativos de risco apresentaram forte recuperação na tarde de ontem e estão seguindo a mesma dinâmica essa manhã, com alta das bolsas e das commodities, abertura de taxas de juros nos EUA e dólar mais forte ao redor do mundo.

Os mercados globais continuam bastante sensíveis aos ruídos de curto-prazo, em especial no tocante as tarifas de importação e aos comentários de Trump em relação a algumas empresas de tecnologia, e acabaram deixando um pouco de lado o pano de fundo econômico.

A despeito da nova rodada de tarifas entre EUA e China, há sinais de que o NAFTA possa estar chegando a um acordo final. Caso confirmado um novo acordo, irá ficar comprovado que a postura mais dura da administração Trump nos EUA é, de fato, uma estratégia de negociação, mas que o objetivo final não é prejudicar este ou aquele país, mas buscar um meio termo que seja mais vantajoso a economia dos EUA. Acredito que parte disso esteja sendo concluído pelo mercado nas últimas 24 horas.

A dinâmica de hoje é um primeiro sinal de que o cenário econômico possa voltar a dominar as tendências dos ativos de risco, com os dados oficiais de emprego nos EUA amanhã como grande destaque de curto-prazo.

Nas últimas semanas, vimos sinais de arrefecimento, ou acomodação, do crescimento global, porém concentrado mais nos dados ex-EUA. Nos EUA, o crescimento parece mais estável, o mercado de trabalho robusto (vide ISM Employment, Jobless Claims e ADP Employment) e sinais de acumulo de preções inflacionárias (vide ISM Prices Paid, indicadores de inflação dos Fed regionais, Core PCE). Assim, não é de se espantar que hoje observamos uma alta nas bolsas seguida de abertura de taxas de juros e dólar mais forte no mundo.

No Brasil, o STF negou o Habeas Corpus do ex-presidente Lula, vetor que vinha se colocando como uma grande restrição para o bom desempenho dos ativos locais no curto-prazo. Vejo espaço para uma descompressão dos prêmios nos ativos locais no curto-prazo, especialmente contra os seus pares. Contudo, no final das contas, o cenário externo deverá continuar dando o tom dos ativos locais.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva e pequena posição comprada em ações voltadas para a economia doméstica.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Com hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.

Na agenda do dia, destaque para o Jobless Claims. Nas últimas semanas, o número tem se mantido nos patamares mais baixos em cerca de 45 anos, apontando para um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto praticamente fechado.




Data: 04/04/2018

Watch Out!

Alguns eventos dessa noite/manhã merecem comentários adicionais aqueles que fiz hoje cedo. Vamos por partes:

Brasil – As declarações do Comandante máximo do exército em uma rede social, sinalizando certo apoio as manifestações populares em favor de uma decisão contrária ao pleito da defesa do ex-presidente Lula no STF em nada ajudam o clima no país. Muito pelo contrário, colocam um pano de fundo ainda mais delicado em um cenário político já comprometido e em um ambiente externo desafiador.

Continuo acreditando que pouco importa a decisão do STF de hoje para a elegibilidade de Lula nas eleições presidências de outubro. Contudo, entendo que a medida que as eleições se aproximam e o cenário político continue indefinido qualquer situação como essa irá trazer volatilidade e incerteza aos mercados financeiros locais. Soma-se a isso uma posição técnica não totalmente comprometida, mas longe de saudável, que temos um ambiente propício a mais volatilidade e sem tendências claras definidas.

China – A grande surpresa da retaliação chinesa as tarifas impostas pelos EUA ficaram por conta de produtos importantes da pauta entre os dois países, em especial, a Soja. Não à toa, os futuros de Soja caem cerca de 4% neste momento.

Adotando uma postura de reciprocidade, a China mostra que irá adotar posição dura nas negociações, o que aumenta exponencialmente as chances de um erro de política externa à frente. Ainda acredito que, no final das contas, a postura dos EUA é apenas uma “jogada” em busca de negociação de melhores termos comerciais. Todavia, em um ambiente já delicado, este tipo de atuação em nada ajuda o humor global a risco.

Europa – O Flash CPI subiu de 1,1% YoY para 1,4% YoY, em linha com as expectativas. O Core ficou abaixo do esperado em 1% YoY. O número não traz nenhuma urgência para que o ECB mude sua política monetária, mas mostra que a direção da inflação no mundo é para cima e que dificilmente os bancos centrais das economias desenvolvidas, cujo o ciclo econômico está mais avançado, irão alterar seu processo de normalização monetária.

EUA – O ADP Employment apresentou a criação de 241 mil postos de trabalho em março, após criação de 246 mil postos em fevereiro. O número aponta para mais um número forte dos dados oficiais, como o Payroll, na sexta-feira. Mais importante do que isso, a possibilidade de uma alta mais expressiva no Average Hourly Earnings (AHE) em um contexto de pleno emprego e hiato do produto fechado.

Caso o AHE superem as expectativas e mostrem um quadro de maiores pressões inflacionárias, poderemos entrar em um ambiente ainda mais desafiador para os mercados financeiros globais.




Data: 04/04/2018

Risk-Off

Após uma breve e frágil recuperação dos ativos de risco ontem, neste momento, estamos observando mais um movimento clássico e relativamente acentuado de “risk-off” ao redor do mundo.

No final da tarde de ontem, os EUA anunciaram os produtos chineses que terão suas importações tarifadas. Ao longo da noite, a China declarou que irá usar o princípio da reciprocidade e irá tarifar produtos dos EUA na mesma proporção.

Os ativos de risco mostram um quadro técnico comprometido, seja por posição técnica, preços/valuations, descaracterização de tendência, gráfico e etc, em um pano de fundo econômico menor trivial do que anteriormente, com sinais de desaceleração global, bancos centrais retirando liquidez gradativamente do mercado e sinais de acumulo de pressões inflacionárias nos EUA.

Tudo isso tem trazido mais volatilidade e incerteza aos mercados financeiros globais. Continuo com uma visão mais cautelosa, favorecendo plays relativos, posições defensivas e postura tática até que o cenário se torne menos nebuloso ou os  preços ainda mais atrativos.

No Brasil, mesmo ontem com os ativos de risco apresentando recuperação, observamos uma deterioração de preços. Claramente eu estava dando pouco peso a decisão do STF de hoje em relação ao habeas corpus (HC) do ex-presidente Lula. Contudo, a expectativa da decisão parece ter tido peso importante sobre os ativos locais nos últimos dias.

Uma vitória de Lula será vista como extremamente negativo no curto-prazo, pois Lula continuará solto, em campanha eleitoral, podendo ajudar a transferir votos para algum aliado de extrema esquerda. Lula deverá continuar inelegível e sua capacidade de transferir votos ainda é uma incógnita. Todavia, no curto-prazo, os mercados locais devem reagir de maneira negativa a decisão.

Além disso, uma possível decisão a favor de Lula poderia levar a uma revisão do entendimento da prisão após decisão em segunda instância, o que seria visto como um enorme retrocesso institucional ao país.

O Valor Econômico de hoje traz matéria em que afirma que o entendimento nos bastidores do STF é de que Lula terá seu pleito atendido hoje.




Data: 03/04/2018

Poucas novidades. Ativos de risco apresentam recuperação tímida.

Os ativos de risco estão apresentando recuperação essa manhã, mas de maneira ainda tímida. A média móvel de 200 dias do S&P500 continua a ser o grande foco do mercado no curto-prazo. Eu vejo o Average Hourly Earnings a ser divulgado nos EUA na sexta-feira como o principal evento dos próximos dias, que poderá determinar a direção dos mercados financeiros globais nas próximas semanas.

O fluxo de notícias no Brasil continua com poucas informações relevantes para o cenário, com as eleições e o julgamento do HC do ex-presidente Lula dominando o debate.

Na ausência de noticias relevantes e para não soar repetitivos, deixo aqui o link de meus últimos comentários, onde entro mais a fundo do quadro geral de curto-prazo:  https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/mercados-globais-pmi-na-china-inflacao.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/tech-trouble-china-tariffs-and-nafta.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/sem-claridade.html.




Data: 03/04/2018

Sem claridade...

Os mesmos vetores que estavam afetando o humor global a risco durante a manhã, e já foram comentados aqui mais cedo (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/tech-trouble-china-tariffs-and-nafta.html), acabaram levando a uma forte queda dos índices de bolsa nos EUA neste segunda-feira.

A despeito de questões pontuais específicas no setor de tecnologia, que já venho comentado há algumas semanas, a queda espalhada entre os diversos setores da bolsa dos EUA acabou surgindo como um destaque negativo ao longo desta última rodada de queda de preços.

Tecnicamente falando, o S&500 está testando a média móvel de 200 dias, que costuma funcionar como um grande suporte de curto-prazo. Caso o “rompimento” para baixo seja confirmado, para aqueles que costumam acompanhar gráficos, será um sinal mais negativo, que indicará a possibilidade de mais perdas no curto-prazo. Vale ressaltar que minha análise é fundamentalista. Porém, no curto-prazo, dado a importância de alguns indicadores técnicos/gráficos, entendo que o mercado acabe reagindo a este tipo de sinal. Não acredito que, no longo-prazo, este tipo de análise leve a qualquer tipo de conclusão, senão acompanhada de indicadores fundamentalistas claros.

Assim, ao meu ver, o grande destaque do dia ficou por conta da forte alta do ISM Prices Paid, que subiu de 74,2 para 78,1 pontos em março, com fortes evidências anedóticas de acumulo de preços inflacionárias na economia norte americana. Este cenário está totalmente em linha com os riscos que venho apontando neste fórum desde o final do ano passado, em um pano de fundo de pleno emprego e hiato do produto fechado. Na minha visão, este vetor é o que pode ter um impacto mais permanente no cenário econômico e na dinâmica dos mercados financeiros globais. Assim, o Average Hourly Earnings a ser divulgado na sexta-feira, nos EUA, em conjunto com os dados oficiais de emprego de março, ganham atenção e importância redobrados.

No Brasil, os ativos locais estão basicamente seguindo o humor global a risco, enquanto a mídia continua focada nas eleições presidências e no julgamento do Habeas Corpus de Lula no STF. Diante do cenário exposto acima, estes eventos, na minha visão, ganham relevância secundário.

Continuo favorecendo um portfólio mais neutro, com posições relativas, temas específicos de investimentos e postura mais tática do que estratégica.




Data: 02/04/2018

"Tech Trouble", China Tariffs and NAFTA.

Os ativos de risco estão retornando do feriado com uma aparente normalização de fluxos, que está dando suporte ao mercado de commodities e a uma abertura das taxas de juros no mundo desenvolvido. Contudo, o dólar opera com pouca movimentação e direção mista, enquanto a bolsa dos EUA apresenta nova rodada de pressão, em um ambiente ainda de baixa visibilidade e maior incerteza.

No sábado fiz um breve resumo de minha visão, que pode ser revista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/mercados-globais-pmi-na-china-inflacao.html.

No final de semana, o Facebook foi vítima de um vazamento de um relatório que coloca, novamente, a empresa no foco do debate da mídia e dos mercados, sugerindo uma postura questionável da empresa e a manutenção de um foco que poderá levar a maior regulamentação e pressão das autoridades em seu modelo de negócios.

O presidente dos EUA ainda voltou a comentar, através de seu Tweeter que  modelo de negócios da Amazon precisa ser regulamentado e taxado de forma mais efetiva do que atualmente é. Além disso, Trump criticou a maneira com que a empresa utiliza o serviço postal do país, um sistema que apresenta déficits e prejuízo, enquanto a Amazon segue sua trilha de lucros e sucesso.

Tanto os eventos recentes relativos ao Facebook quanto a postura de Trump em relação a Amazon apontam para um novo ambiente regulatório no setor de Tecnologia, que poderá entrar em um cenário de maior regulamentação, como ocorreu com o setor bancários após a crise de 2008. Por ser um setor bastante relevante para os índices de bolsa, este cenário pode continuar se mostrando uma restrição para o desempenho das bolsas, especialmente nos EUA. Vale lembar que não estou tomando partido de nenhum dos lados, mas apenas fazendo uma análise técnica sobre a situação e seu eventual impacto nos mercados financeiros globais.

No final da tarde de domingo a China anunciou uma nova rodada de tarifas de importação em retaliação a recente postura dos EUA em relação a seus produtos. A medida traz de volta a tona o risco de uma guerra comercial mais ampla, que havia sido reduzido após as recentes tratativas entre os dois países, que haviam sido reportadas pela mídia. O mercado continua bastante sensível a este tema, dado sua importância para o cenário econômico global.

Finalmente, Trump declarou que um acordo para o NAFTA pressupõe que o México irá controlar suas fronteiras e evitar o tráfico de drogas do México para os EUA. Caso isso não ocorra, os EUA não estão dispostos a fechar um novo acordo, segundo o presidente americano.

Ainda vejo o ambiente propício para uma postura defensiva, focada em posições relativas, temas específicos de investimentos e uma postura mais tática do que estratégica. Minhas recomendações podem ser recordadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

As últimas 72 horas trouxeram informações que reforçam este quadro.

Na China, o PMI Manufacturing oficial apresentou relevante alta, acima do esperado, em março, saindo de 50,3 para 51,5. Os dados deste início de ano ainda estão bastante comprometidos pelos efeitos do Ano Novo Lunar. De maneira geral, as médias de janeiro e março mostram uma desaceleração gradual da economia, em linha com o cenário central.

A inflação na Itália e na França ficou acima das expectativas em março, com altas de, respectivamente, 1,1% YoY (vs 0,8% YoY esperado) e 1,5% YoY (vs 1,5% YoY esperado). Os números seguem dados marginalmente mais baixos na Alemanha. A inflação na Europa mostra uma trajetória ascendente, mais ainda de maneira gradual. Não deveria alterar a postura do ECB em relação a política monetária na região.

No Brasil, a mídia está com as atenções voltadas para a última operação da Política Federal, que prendeu pessoas próximas ao atual Presidente Michel Temer. Sem dúvida alguma, uma operação como esta coloca o Presidente em situação acuada e não tem como ser vista como neutra, mas sim negativa. Contudo, com as eleições de outubro a espreita, não há nenhuma expectativa de aprovação de reformas econômicas e ou qualquer debate estrutural para os próximos meses. Assim, a Operação deveria ter maior impacto nas articulações políticas para as eleições do que na economia ou no preço dos ativos brasileiros.

Na quinta-feira a divulgação da safra agrícola por parte da USDA mostrou, pela primeira vez em muito tempo, uma piora nas perspectivas de várias commodities, o que levou a uma forte alta no preço das chamadas “Soft Commodities”, ou commodities agrícolas. Esta classe de ativo veio de vários anos de pressões baixistas de preço, pressionadas por um quadro de demanda fraca e oferta excedente. Este cenário parece estar mudando, tanto no tocante a demanda, com bom crescimento global, quanto, agora, no tocante a oferta, após as notícias recentes. Este vetor pode ser importante para a inflação de vários países/regiões e para a classe de investimentos como um todo.




Data: 02/04/2018

PMI na CHina, Inflação na Europa e Política Brasil.

O primeiro trimestre do ano se encerrou com um quadro econômico basicamente em linha com o esperado e com o cenário base que venho descrevendo neste fórum, ou seja, um crescimento global saudável, uma inflação que sobe de maneira gradual no mundo desenvolvido e a continuidade do processo de normalização monetária nas economias mais avançadas, especialmente aquelas em estágio mais avançado do ciclo econômico.

Para os mercados financeiros globais, o trimestre foi mais desafiador, por uma série de motivos, tais como, posição técnica comprometida, preços/valuations menos atrativos e a confirmação de um menor suporte por parte da política monetária em vários países/regiões. Além disso, algumas medidas adotadas pelo Governo dos EUA, em especial no tocante a imposição de tarifas de importações, também não ajudaram o humor dos ativos de risco. Finalmente, a perspectiva de uma inflação mais elevada, especialmente nos EUA, atuou como uma restrição para o bom desempenho dos mercados financeiros globais.

Nas últimas semanas, observamos alguns dados mais fracos de crescimento no mundo. Vejo esses dados como uma acomodação natural do ciclo. Talvez já tenhamos passado pelo pico do crescimento mundial, mas vejo como uma probabilidade baixa uma desaceleração mais acentuada da economia global neste momento.

Ainda vejo uma aceleração da inflação, especialmente nos EUA, como o maior risco ao cenário nos próximos 6 meses. Acredito que o crescimento irá flutuar em torno dos atuais níveis, mas com probabilidade baixa de grandes acelerações e/ou desacelerações. Uma inflação mais elevada, contudo, poderia trazer os mesmos temores, e a mesma reação dos ativos de risco, daquela verificada no início do ano, entre janeiro e meados de fevereiro.

Nesta linha, os dados de emprego nos EUA, na próxima sexta-feira, ganham importância redobrada, especialmente os dados de rendimentos (Average Hourly Earnings ou AHE).

Ainda vejo o ambiente propício para uma postura defensiva, focada em posições relativas, temas específicos de investimentos e uma postura mais tática do que estratégica. Minhas recomendações podem ser recordadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

As últimas 24 horas trouxeram informações que reforçam este quadro.

Na China, o PMI Manufacturing oficial apresentou relevante alta, acima do esperado, em março, saindo de 50,3 para 51,5. Os dados deste início de ano ainda estão bastante comprometidos pelos efeitos do Ano Novo Lunar. De maneira geral, as médias de janeiro e março mostram uma desaceleração gradual da economia, em linha com o cenário central.

A inflação na Itália e na França ficou acima das expectativas em março, com altas de, respectivamente, 1,1% YoY (vs 0,8% YoY esperado) e 1,5% YoY (vs 1,5% YoY esperado). Os números seguem dados marginalmente mais baixos na Alemanha. A inflação na Europa mostra uma trajetória ascendente, mais ainda de maneira gradual. Não deveria alterar a postura do ECB em relação a política monetária na região.

No Brasil, a mídia está com as atenções voltadas para a última operação da Política Federal, que prendeu pessoas próximas ao atual Presidente Michel Temer. Sem dúvida alguma, uma operação como esta coloca o Presidente em situação acuada e não tem como ser vista como neutra, mas sim negativa. Contudo, com as eleições de outubro a espreita, não há nenhuma expectativa de aprovação de reformas econômicas e ou qualquer debate estrutural para os próximos meses. Assim, a Operação deveria ter maior impacto nas articulações políticas para as eleições do que na economia ou no preço dos ativos brasileiros.

Na quinta-feira a divulgação da safra agrícola por parte da USDA mostrou, pela primeira vez em muito tempo, uma piora nas perspectivas de várias commodities, o que levou a uma forte alta no preço das chamadas “Soft Commodities”, ou commodities agrícolas. Esta classe de ativo veio de vários anos de pressões baixistas de preço, pressionadas por um quadro de demanda fraca e oferta excedente. Este cenário parece estar mudando, tanto no tocante a demanda, com bom crescimento global, quanto, agora, no tocante a oferta, após as notícias recentes. Este vetor pode ser importante para a inflação de vários países/regiões e para a classe de investimentos como um todo.




Data: 02/04/2018

Update.

A chegada do fim do primeiro trimestre do ano está trazendo alguma normalização aos fluxos e estabilização aos ativos de risco. Tendo a acreditar que, a partir de segunda-feira, teremos um quadro técnico mais limpo, permitindo que os mercados financeiros globais voltem a focar nos temas econômicos, mesmo que eu ainda não veja grandes temas de investimentos ou tendências muito claras no curto-prazo. Continuarei focado em temas específicos, em posições relativas e com postura mais tática.

A quinta-feira, véspera de feriado, trouxe algumas informações ao mercado, o qual trataremos abaixo. Adianto que nenhuma delas altera o cenário base que venho descrevendo neste fórum, mas reforçam algumas questões.

No Brasil, O Relatório de Inflação (RI) divulgado pelo BCB trouxe a mesma mensagem que já havia sido muito bem descrita no comunicado após a última decisão do Copom e as Notas desta mesma reunião. Mensagem essa que havia sido entendido e digerida pelo mercado. De maneira resumida, o BCB foi surpreendido pela baixa inflação no curto-prazo, o que o levou a sinalizar para mais uma queda de 25bps na próxima reunião, colocando a Taxa Selic em 6,25%. Depois disso, o “sarrafo” para novas quedas de taxa será mais “elevado”. O BCB trabalha com um cenário base de uma pausa em seu ciclo de queda de juros que, segundo o presidente da instituição, deverá durar alguns meses.

O RI em nada altera a minha visão de que o valor de alocações no mercado de juros está na parte intermediária e longa das curvas reais e nominais. Nos últimos dias, elevamos alocações e recomendações nessa classe de ativos e nesta parte da curva. Reforço que vejo o cenário atual como muito diferente dos outros ciclos econômicos do país. O hiato do produto aberto e a recuperação apenas gradual da economia permitirão que o país cresce por algum tempo sem gerar pressões inflacionárias mais preocupantes. Este pano de fundo permite que os juros fiquem mais baixos por mais tempo, o que ainda não está totalmente precificado na curva de juros.

O cenário descrito acima foi ainda reforçado pelo leve aumento da Taxa de Desemprego, de 12,2% para 12,6% em fevereiro, em linha com as expectativas. Em termos dessazonalizados, isso representa uma leve queda na taxa de desemprego. O número mostra um mercado de trabalho em recuperação, porém de maneira apenas gradual.

Na Alemanha, o CPI de fevereiro ficou abaixo das expectativas, com 0,4% MoM e 1,6% YoY (esperado de 0,5% MoM e 1,7%). O número de hoje se soma a uma sequência de dados econômicos mais fracos no país e na Europa como um todo.

No tocante ao crescimento, ainda vejo as surpresas negativas como acomodações naturais no ciclo econômico, especialmente em um contexto em que o primeiro trimestre do ano tem uma tendência natural a trazer surpresas baixistas. De qualquer maneira, não descarto que tenhamos passado pelo pico do crescimento global, ou estamos próximo a ele, e uma acomodações em patamar ainda saudável, porém mais baixo, irá ocorrer.

A inflação na região continua subindo de maneira extremamente gradual. Não vejo os números recentes alterando a postura já gradualista do ECB. No limite, tira uma certa urgência que vinha sendo impulsiona por expectativas do mercado para uma normalização monetária mais rápida e acentuada na região, em especial em relação aos EUA. Isso ficou mais explícito no desempenho recente do EUR, que acabou sofrendo por esta piora de perspectiva relativa.

Nos EUA, o Jobless Claims caiu para 215k, menor patamar em cerca de 45 anos. O número mostra um mercado de trabalho extremamente robusto e confirma minha tese de que a economia americana está no pleno emprego e, provavelmente, com o hiato do produto próximo a seu fechamento.

O Core PCE ficou dentro das expectativas do mercado, com alta de 0,2% MoM e 1,6% YoY em fevereiro. O número mostra uma inflação gradualmente ascendente.

O Chicago PMI caiu de 61,9 para 57,4 pontos, abaixo das expectativas de 62,0. A despeito da queda, o número continua em patamar elevado e condizente com um crescimento saudável da economia.

A despeito de alguma volatilidade nos indicadores recentes de crescimento, e uma maior volatilidade dos mercados financeiros, o Fed parece focado em seu processo de normalização monetária e só deverá mudar sua postura diante de mudanças muito substanciais de cenário ou aperto das condições financeiras. Nenhum desses vetores parecem presentes neste momento.

Após uma rodada de dados de inflação e rendimentos mais forte no início do ano, observamos uma acomodação no cenário inflacionário, o que levou a uma consequente acomodação do mercado de juros. Dado o estágio do ciclo econômico e a sensibilidade do mercado a este tema, uma nova rodada de dados mais forte nesta frente poderá levar a uma nova leva de pressões (altistas) nos juros do país. Não acho que este cenário esteja descartado. Muito pelo contrário, consigo enxergar este como sendo o cenário base para os próximos meses, ou seja, momentos de estabilização pontuados por rodadas de maior pressão altista (nas taxas de juros dos EUA), a luz de um pano de fundo de mercado de trabalho extremamente robusto e expectativa de fechamento do hiato do produto.




Data: 29/03/2018

Cenário externo, novo Ministro da Fazenda e redução de compulsório.

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco apresentam sinais de estabilização essa manhã, após uma quarta-feira ainda de pressão. A despeito da estabilização, neste momento, ainda há uma sensação de fragilidade nos mercados financeiros global. O dia de hoje e a segunda-feira após o feriado serão importantes para medirmos se a minha tese de que o final do trimestre está (estava) gerando fluxos pontuais que acabaram distorcendo o preço de algumas classes de ativos e alguns ativos específicos.

De qualquer maneira, ainda vejo vetores antagônicos que devem impedir uma direção muita clara dos ativos de risco no curto-prazo. Por isso, continuo favorecendo temas específicos de investimentos, posições relativas e uma postura mais tática.

Para não soar repetitivo, no meu comentário de ontem descrevi com mais calma esses vetores citados acima. Como não houve mudança substancial de cenário de ontem para hoje, recomendo a leitura do texto para maiores detalhes: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/risk-off_28.html.

No Brasil, Eduardo Guardia foi confirmado como novo Ministro da Fazenda com a saída de Henrique Meirelles, que irá se afastar do cargo para disputar as eleições de outubro. Tanto a saída de Meirelles como a entrada de Guardia eram esperadas e não deveriam trazer impacto aos ativos locais.

No final da tarde de ontem, o BCB anunciou uma redução de compulsório dos depósitos a vista e na poupança. A medida deve ser vista como positiva para o crescimento do país e reforça a postura de que o ciclo de queda da Taxa Selic está próximo do seu final, com uma probabilidade elevada de mais um corte de 25bps para 6,25% e a manutenção deste patamar por um período prolongado de tempo.

Para os mercados, a medida deveria favorecer o setor bancário/financeiros, além dos setores mais dependentes do crescimento doméstico, como consumo, shoppings e afins. A medida reforça a minha visão de maior espaço para parte intermediária e longa das curvas nominais e reais de juros em detrimento a parte curta da curva. Nos últimos dias vimos mais uma rodada de “steeping” da curva de juros em um movimento que entendo o racional porém discordo de seus argumentos. Assim, continuo favorecendo posições de flattening e aplicadas na parte mais longa das curvas nominais e reais.

Na minha visão, o cenário atual de inflação e crescimento é muito diferente daquele verificado em outros ciclos econômicos do Brasil. Assim, não acredito, pelo menos por ora, que o BCB esteja adotando uma postura errada ou excessivamente “frouxa”/”dovish”. Com o hiato do produto muito aberto, um crescimento gradual e uma inflação corrente e prospectiva baixas eu não vejo motivos, neste momento, de temer por um erro de política monetária, como vejo alguns de meus pares argumentando.

A China anunciou na tarde de ontem um pequeno corte de impostos. A medida deverá ter impacto limitado sobre a economia mas mostra de maneira um pouco mais clara como o governo pretende atuar de agora em diante. A despeito de um postura de maior aperto monetária e de uma meta fiscal mais dura, a China continua atuando de maneira contra-cíclica, impedindo movimentos mais bruscos de sua economia.

Visão & Posição:

No inicio da semana reduzimos substancialmente a posição comprada em EUR e JPY mas mantivemos a posição vendida em AUD. Ontem reduzimos nossa venda de EUR e aumentamos marginalmente nossa compra de JPY. Estamos sem posição estrutural vendida em S&P mas operando taticamente na venda deste ativo em momento oportunos.

Iniciamos uma pequena posição vendida em dólar e comprada em BRL (Real) via estrutura de opção para o final de abril. Aumentamos a posição ao longo da semana a despeito da dinâmica ruim. Acreditamos que a moeda local deveria operar em um range entre 3,10-3,35 no curto-prazo. Vemos as contas externas do país como saudáveis e um cenário cíclico bastante positivo, o que deveria favorecer a apreciação da moeda. Contudo, entendemos que o carrego hoje seja muito pior do que no passado, o que tem favorecido a utilização da moeda como hedge para outras posições. Além disso, entendemos que existe um vetor global que costuma a dar o tom no mercado de moedas. Finalmente, por estarmos no final de um trimestre mais positivo para o setor corporativo, vemos fluxos de saída de recursos do país como um vetor pontual que possa estar impedindo o bom desempenho da moeda. Está pressão poderia arrefecer após o final deste mês. De qualquer maneira, nos atuais níveis (3,31-3,32) vemos o risco/retorno como favorável para testarmos uma posição como esta no mercado de opção cuja vol implícita não nos parece esxcessiva (10,5%-11%).

Além disso, começamos a montar uma pequena posição de “flattening” da curva de juros no Brasil. Aumentamos a posição ontem Nosso cenário de juros mais baixos por mais tempo contempla uma curva menos “steep” do que a atual. Como o BCB ainda está em um ciclo de corte de juros e seus destino final ainda é incerto, estamos montando a posição de maneira gradual e parcimoniosa.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. Estamos optando por estruturar as operações via opções longas, dado a volatilidade baixa e uma postura mais defensiva diante dos riscos de curto-prazo.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Na sexta-feira, zeramos nosso pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Continuamos achando que o S&P deve permanecer em uma banda entre 2.500-2.800 no curto-prazo.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. Algumas opções “fora do dinheiro” se favoreceram da surpresa do comunicado do Copom.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 28/03/2018

Risk-Off!

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco apresentaram um dia de forte de contração, ou Risk-Off, na terça-feira e estão dando continuidade a este movimento na manhã de hoje. O destaque ficou por cona da forte queda do setor de Tecnologia na bolsa dos EUA, liderado pelo Facebook e seguido pelas demais empresas do setor.

Acredito que parte do movimento seja explicado por questões técnicas, como fluxos de final de trimestre, cujo trigger acabou sendo o “escândalo” envolvendo o Facebook na semana passada e que trouxe um debate em torno de uma maior regulamentação do setor (falei um pouco mais sobre isso no quinto parágrafo do texto deste link aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/cenario-base-cenario-alternativo-riscos.html). Além disso, neste estágio do ciclo econômico, o nível de preços e valuation e a posição técnica acabaram deixando o mercado mais frágil e sensível.

A questão técnica do final do trimestre pode estar tendo um peso exagerado na dinâmica do mercado este final de mês e trimestre, com fluxos de saída do mercado de ações e entrada no mercado de bonds, além de fluxos que afetam o mercado de câmbio ao redor do mundo. De qualquer maneira, só teremos uma sensação ou claridade maior em relação a esses fluxos nos próximos dias.

Ainda vejo um cenário econômico relativamente estável e saudável. O crescimento global parece estável a despeito de dados na margem mais fracos do que o esperado e não há, pelo menos ainda, sinais mais preocupantes de aceleração da inflação no mundo desenvolvido. Assim, os bancos centrais podem manter uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária.

Este pano de fundo deveria impedir um movimento ainda mais acentuado e permanente de realização de lucros ou “risk-off”. Contudo, na direção oposta, temos bancos centrais, especialmente o Fed, quase que em “piloto automático” no processo de normalização monetária, um crescimento global que pode ter feito o seu pico, preços/valuations menos triviais e uma posição técnica menos saudável que no passado. Isso tem tornado a volatilidade mais elevada e o risco/retorno de várias classes de ativos menos atrativo, o que acaba levando, de maneira forçada ou não, a uma redução de risco por parte do mercado devido ao aumento do VaR das carteiras.

A dinâmica do mercado está totalmente em linha com o pano de fundo que tenho exposto neste fórum, em que afirmo que o mercado terá mais volatilidade e tendências menos claras no curto-prazo. Como exemplo disso, tenho citado o S&P500 entre 2.500 e 2.800 e no cenário local o BRL entre 3,10 e 3,40. Caso alguma dessas bandas seja testada deveremos rever este cenário.

No Brasil, as Notas do Copom não trouxeram informações novas em relação ao Comunicado divulgado após a decição de política monetária. O BCB indica ser prudente mais um corte de 25bps na Taxa Selic para 6,25% e, após isso, a manutenção desta taxa no horizonte relevante de tempo. O BCB não fecha a porta para novas quedas, mas o “sarrafo” para que isso ocorra está muito mais “alto”.

O BCB anunciou ontem leilão de linha de câmbio. A postura é natural e recorrente este período de final de trimestre. Acredito que o BRL (Real) também esteja sofrendo os efeitos pontuais de fluxos de final de mês e trimestre, o que fez a moeda operar na banda de cima do range que vejo para este ano, entre 3,10-3,35.

Dados Econômicos:

Nos EUA, o Consumer Confidence divulgado ontem apresentou leve queda, mas manteve em patamar condizente com um crescimento ainda saudável da economia. A abertura do indicador mostrou mais um avanço do mercado de trabalho, apontando para um quadro de pleno emprego.

Visão & Posição:

No inicio da semana reduzimos substancialmente a posição comprada em EUR e JPU mas mantivemos a posição vendida em AUD. Estamos sem posição estrutural vendida em S&P mas operando taticamente na venda deste ativo em momento oportunos.

Iniciamos uma pequena posição vendida em dólar e comprada em BRL (Real) via estrutura de opção para o final de abril. Aumentamos a posição ontem a despeito da dinâmica ruim. Acreditamos que a moeda local deveria operar em um range entre 3,10-3,35 no curto-prazo. Vemos as contas externas do país como saudáveis e um cenário cíclico bastante positivo, o que deveria favorecer a apreciação da moeda. Contudo, entendemos que o carrego hoje seja muito pior do que no passado, o que tem favorecido a utilização da moeda como hedge para outras posições. Além disso, entendemos que existe um vetor global que costuma a dar o tom no mercado de moedas. Finalmente, por estarmos no final de um trimestre mais positivo para o setor corporativo, vemos fluxos de saída de recursos do país como um vetor pontual que possa estar impedindo o bom desempenho da moeda. Está pressão poderia arrefecer após o final deste mês. De qualquer maneira, nos atuais níveis (3,31-3,32) vemos o risco/retorno como favorável para testarmos uma posição como esta no mercado de opção cuja vol implícita não nos parece esxcessiva (10,5%-11%).

Além disso, começamos a montar uma pequena posição de “flattening” da curva de juros no Brasil. Aumentamos a posição ontem Nosso cenário de juros mais baixos por mais tempo contempla uma curva menos “steep” do que a atual. Como o BCB ainda está em um ciclo de corte de juros e seus destino final ainda é incerto, estamos montando a posição de maneira gradual e parcimoniosa.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. Estamos optando por estruturar as operações via opções longas, dado a volatilidade baixa e uma postura mais defensiva diante dos riscos de curto-prazo.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Na sexta-feira, zeramos nosso pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Continuamos achando que o S&P deve permanecer em uma banda entre 2.500-2.800 no curto-prazo.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. Algumas opções “fora do dinheiro” se favoreceram da surpresa do comunicado do Copom.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 27/03/2018

Risk-On! Growth vs Tariffs. Growth is winning today...

Mercados & Cenário:

Desde a manhã de ontem, os ativos de risco estão apresentando forte recuperação, com destaque para as altas nas bolsas e nas commodities. A mídia está reportando desde o início de segunda-feira que os EUA e a China estão dialogando para que as medidas impostas pelos EUA não levem a um cenário mais amplo de protecionismo. A China também sinaliza disponibilidade de manter esforços para abrir alguns de seus mercados aos EUA.

Com o crescimento global ainda saudável e a inflação no mundo desenvolvido subindo de maneira gradual, os ativos de risco voltaram a apresentar desempenho positivo. A dinâmica do mercado está totalmente em linha com o pano de fundo que tenho exposto neste fórum, em que afirmo que o mercado terá mais volatilidade e tendências menos claras no curto-prazo.

No Brasil, a mídia está reportando que Henrique Meirelles deixará o Ministério da Fazendo para concorrer a presidente. O mais cotado para o seu lugar é Guardia, secretário da pasta e nome respeitado internamente  e pelo mercado. Este caminho era de certa forma esperado e não deveria trazer surpresas aos ativos locais.

Dados Econômicos:

No Brasil, ontem, vimos o Focus – pesquisa semanal de expectativas coletada pelo BCB – mostrar recuo nas expectativas de inflação de 2018 e 2019, o que reforça o bom momento da inflação (inflação baixa) o que tem permitido o BCB a manter o ciclo de corte da Taxa Selic e a reafirmarmos nossa expectativa de juros mais baixos por mais tempo no país.

Ainda no país, os dados de crédito mostraram a manutenção de uma tendência de leve recuperação do setor, mas sem novidades relevantes nesta frente.

Agenda:

A agenda do dia terá o Consumer Confidence nos EUA como destaque.

Visão & Posição:

Iniciamos uma pequena posição vendida em dólar e comprada em BRL (Real) via estrutura de opção para o final de abril. Acreditamos que a moeda local deveria operar em um range entre 3,10-3,35 no curto-prazo. Vemos as contas externas do país como saudáveis e um cenário cíclico bastante positivo, o que deveria favorecer a apreciação da moeda. Contudo, entendemos que o carrego hoje seja muito pior do que no passado, o que tem favorecido a utilização da moeda como hedge para outras posições. Além disso, entendemos que existe um vetor global que costuma a dar o tom no mercado de moedas. Finalmente, por estarmos no final de um trimestre mais positivo para o setor corporativo, vemos fluxos de saída de recursos do país como um vetor pontual que possa estar impedindo o bom desempenho da moeda. Está pressão poderia arrefecer após o final deste mês. De qualquer maneira, nos atuais níveis (3,31-3,32) vemos o risco/retorno como favorável para testarmos uma posição como esta no mercado de opção cuja vol implícita não nos parece esxcessiva (10,5%-11%).

Além disso, começamos a montar uma pequena posição de “flattening” da curva de juros no Brasil. Nosso cenário de juros mais baixos por mais tempo contempla uma curva menos “steep” do que a atual. Como o BCB ainda está em um ciclo de corte de juros e seus destino final ainda é incerto, estamos montando a posição de maneira gradual e parcimoniosa.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. Estamos optando por estruturar as operações via opções longas, dado a volatilidade baixa e uma postura mais defensiva diante dos riscos de curto-prazo.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Na sexta-feira, zeramos nosso pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Continuamos achando que o S&P deve permanecer em uma banda entre 2.500-2.800 no curto-prazo.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. Algumas opções “fora do dinheiro” se favoreceram da surpresa do comunicado do Copom.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 26/03/2018

Risk-On!

 

Sem uma deterioração adicional na relação entre EUA e China, e com uma retórica ainda conciliadora entre ambos os países, os ativos de risco estão apresentando forte recuperação essa manhã. Vale lembrar também que, a despeito de algumas surpresas negativas para o crescimento global nas últimas semanas, na sexta-feira observamos uma forte recuperação do Durable Goods Orders nos EUA. O número mostrou uma economia saudável e um crescimento em bases sólidas, a despeito de ruídos pontuais. Comentamos um pouco mais sobre esses temas abaixo. 

 

No Brasil, a mídia segue dando atenção à situação do ex-presidente Lula e das articulações em torno das eleições. Não há nenhuma novidade, a meu ver, que seja de fato relevante para os ativos locais. 

 

Na sexta-feira os ativos de risco deram continuidade ao movimento de “risk-off” que acabou marcando toda a semana. O destaque ficou por conta da pressão nas bolsas globais e do fechamento das taxas de juros nos países desenvolvidos. O dólar apresentou desempenho mais misto, os ativos emergentes foram foco de pressão, assim como as commodities metálicas, especialmente aquelas mais dependentes de crescimento. 

 

O final de semana trouxe poucas novidades concretas. A mídia internacional continua focada na questão envolvendo a imposição de tarifas de importação por parte dos EUA e a resposta de seus “parceiros comerciais”, mas, em especial, por parte da China. 

 

Não há novidades relevantes nesta frente. A China ameaça adotar uma postura de reciprocidade. Entretanto, ainda evita adotar uma posição mais dura, com foco em produtos mais relevantes para o comércio entre os dois países (como a Soja) ou tocando em temas mais polêmicos de forma oficial, como uma possível redução nas compras, ou até mesmo a venda, dos títulos de dívida dos EUA, cuja China é uma das maiores detentoras ao redor do mundo e, por várias vezes, a maior compradoras marginal. 

 

Acho o momento oportuno para revermos o nosso cenário econômico e o que vem afetando o humor global a risco no curto-prazo. Nas últimas semanas, alguns temas merecem destaque, tais como, o maior protecionismo por parte dos EUA, sinais de desaceleração global e a sinalização, pelos principais bancos centrais do mundo, de que o processo de normalização monetária irá continuar, mesmo que de maneira gradual. Toquei mais a fundo nestes temas na sexta-feira e não alterei a minha visão sobre eles. A minha opinião pode ser lida aqui:  https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/tarifas-crescimento-e-bancos-centrais.html.

 




Data: 26/03/2018

Cenário Base. Cenário Alternativo. Riscos & Conclusões.

 

Na sexta-feira os ativos de risco deram continuidade ao movimento de “risk-off” que acabou marcando toda a semana. O destaque ficou por conta da pressão nas bolsas globais e do fechamento das taxas de juros nos países desenvolvidos. O dólar apresentou desempenho mais misto, os ativos emergentes foram foco de pressão, assim como as commodities metálicas, especialmente aquelas mais dependentes de crescimento. 

 

O final de semana trouxe poucas novidades concretas. A mídia internacional continua focada na questão envolvendo a imposição de tarifas de importação por parte dos EUA e a resposta de seus “parceiros comerciais”, mas, em especial, por parte da China. 

 

Não há novidades relevantes nesta frente. A China ameaça adotar uma postura de reciprocidade. Entretanto, ainda evita adotar uma posição mais dura, com foco em produtos mais relevantes para o comércio entre os dois países (como a Soja) ou tocando em temas mais polêmicos de forma oficial, como uma possível redução nas compras, ou até mesmo a venda, dos títulos de dívida dos EUA, cuja China é uma das maiores detentoras ao redor do mundo e, por várias vezes, a maior compradoras marginal. 

 

Acho o momento oportuno para revermos o nosso cenário econômico e o que vem afetando o humor global a risco no curto-prazo. Nas últimas semanas, alguns temas merecem destaque, tais como, o maior protecionismo por parte dos EUA, sinais de desaceleração global e a sinalização, pelos principais bancos centrais do mundo, de que o processo de normalização monetária irá continuar, mesmo que de maneira gradual. Toquei mais a fundo nestes temas na sexta-feira e não alterei a minha visão sobre eles. A minha opinião pode ser lida aqui:  https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/tarifas-crescimento-e-bancos-centrais.html. 

 

Vale adicionar um tema a estas questões de curto-prazo, que diz respeito a ruídos no setor de tecnologia na bolsa dos EUA. Não quero entrar aqui no mérito específico de problemas pontuais. Em termos gerais, contudo, os sinais recentes apontam na direção de uma maior regulamentação do setor como um todo, assim como na possibilidade de impostos mais elevados para essas empresas. Como o setor de tecnologia foi um dos mais favorecidos no processo de apreciação das bolsas ao redor do mundo desde a crise de 2008, não é de se espantar que vem sendo um dos setores mais pressionados recentemente. Este quadro pode continuar a trazer ruído para os mercados e se mostrar uma restrição para altas adicionais e/ou na mesma proporção daquelas vistas nos últimos anos. 

 

No tocante ao cenário base de longo-prazo, ainda não vejo mudanças significativas que me levem a revisar a visão geral. Ainda vejo um crescimento global saudável. É verdade que talvez o pico do crescimento tenha sido feito, ou esteja sendo feito neste momento, mas acho muito cedo para nos preocuparmos com uma desaceleração mais abrupta do crescimento. Ainda temos políticas monetárias expansionistas, condições financeiras favoráveis e um impulso fiscal como não víamos há vários anos. Estes pilares deveriam sustentar o crescimento da economia mundial, mesmo que em ritmo inferior aquele verificado no último trimestre do ano passado e inicio deste ano. 

 

O risco ao cenário base fica por conta de um eventual aperto exagerado das condições financeiras, devido a algum evento exógeno. O cenário de inflação, especialmente nos EUA, também merece destaque como um vetor que poderia testar o cenário base de forma mais surpreendente. 

 

O cenário mais provável ainda é de uma aceleração gradual da inflação para a meta de 2% do Fed. Contudo, devido ao fechamento do hiato do produto e da economia no pleno emprego, este movimento poderia ser mais rápido e acentuado do que o consenso espera hoje, podendo levar a uma reação mais agressiva por parte do Fed. Este quadro poderia causar um aperto inesperado das condições financeiras. Continuo trabalhando com um cenário central de alta gradual da inflação, mas vejo uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje deste cenário alternativo descrito acima. Preocupa-me um pouco a convicção do mercado de que o cenário inflacionário, neste estágio do ciclo econômico nos EUA, seja tão favorável. 

 

Vejo a Europa em um estágio cerca de 3 a 4 anos atrás do estágio do ciclo dos EUA e o Japão cerca de 2 a 3 anos atrás do ciclo da Europa. A Inglaterra e o Canadá, contudo, parecem em ciclos mais próximos deste descrito acima para a economia norte americana. 

 

A China se mostrou foco de estabilidade ao longo de 2017 e início de 2018. O cenário base ainda é de uma desaceleração do crescimento ao longo deste ano, porém de maneira gradual e bem conduzida. Como sempre, o risco é de que a desaceleração acabe sendo mais rápida e acentuada do que o esperado. Dado a transição política que está em fase avançada neste momento, tudo indica que o país irá seguir em um caminho de reformas, nem que isso implique em menor crescimento no curto-prazo. Com o poder mais concentrado e garantido nas mãos do atual Premier, uma desaceleração de curto-prazo não seria vista como um problema grave, contanto que tenha como objetivo dar bases mais solidas para a economia no futuro. 

 

Desde que comecei a cobrir a economia da China, há 15 anos, todos os anos, menos em 2017, tivemos 1 ou 2 momentos em que houve algum tipo de questionamento (negativo) em relação a solidez da economia do país. Na maior parte das vezes, a desaceleração era pontual e o Governo foi capaz de conduzir o processo de maneira a evitar problemas mais graves na economia. Não descarto momentos mais incertos, mesmo que pontuais, para a economia do país ao longo deste ano. Será fundamental, todavia, entender qual a postura o Governo irá adotar para lidar com uma eventual desaceleração da economia. 

 

É difícil falar dos países emergentes como um bloco único, dado as individualidades de cada país. Fazendo um esforço, contudo, podemos dizer que os países emergentes apresentam hoje fundamentos mais sólidos. As contas externas são mais saudáveis, os juros reais mais elevados, o crescimento mais sólido e a inflação mais baixa do que em momentos anteriores, como no “Taper Tantrum” de 2013. Alguns países, inclusive, mostram avanços no campo político, como Argentina, África do Sul, Brasil (?) e etc. 

 

Dito tudo isso, ainda vejo um ano mais conturbado para os mercados financeiros globais. Enquanto o crescimento global ainda for robusto/saudável, fica difícil acreditar em um movimento mais acentuado e permanente de “Risk-Off”. Contudo, também não consigo mais ver todos os componentes que levaram ao cenário de “Goldilocks” que marcou os anos de 2016 e 2017. 

 

Por isso tenho evocado aqui que o ano será de temas mais específicos de investimentos, de posições relativas e uma postura mais tática (curto-prazo) do que estratégica (longo-prazo). Tenho chamado este cenário de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. 

 

Não a toa vemos muitas classes de ativos sem tendências definidas, sem grandes temas de investimentos. Já alertei aqui no passado que via o S&P500, por exemplo, entre 2.500 e 2.800, enquanto prevalecer este cenário descrito acima. O mesmo racional vale para as outras classes de ativos. 

 

Finalmente, neste ambiente, mais do que no passado recente, a análise de posição técnica do mercado de preços e “valuations” ganham um peso ainda maior, tornando a gestão ativa de suma importância novamente. A busca por “alpha” este novamente na dianteira dos investimentos, em detrimento ao “buy and hold” da gestão passiva. 




Data: 23/03/2018

Tarifas, Crescimento e Bancos Centrais.

Os ativos de risco tiveram na quinta-feira um dia de “risk-off” clássico e acentuado, com queda das bolsas e das commodities, fechamento de taxas de juros nos países desenvolvidos, dólar forte e pressão nos ativos emergentes em geral.

A noite de elevada volatilidade e de manutenção de um viés negativo nos mercados financeiros globais. Acredito que alguns vetores estejam influenciando os ativos de risco no curto-prazo. Não vejo nenhum deles sendo dissipados nos próximos dias (ou semanas). Assim, deveremos conviver ainda com um ambiente de elevada volatilidade e sem tendências definidas. Vamos aos fatos:

Tarifas – O governo dos EUA anunciou que irá taxar cerca de US$60bi de importações da China em cerca de 25%. Outras medidas também serão tomadas. Durante a noite, a China anunciou que irá adotar medidas de reciprocidade. Já anunciou tarifas em cerca de US$3bi de importações de Aço e Alumínio dos EUA e sinalizou que outras medidas serão tomadas caso os EUA não migrem para uma postura de maior diálogo.

Ainda vejo a postura dos EUA como uma meio de buscar negociações mais vantajosas, mas não uma necessidade de entrar em um conflito comercial mais amplo. Contudo, certamente as decisões recentes elevam as chances de um ambiente mais desafiador e de um erro de política comercial ao longo do caminho, o que deve manter o humor global a risco sob pressão até que uma claridade maior seja observada.

Sinais de desaceleração do crescimento – Nos últimos dias, vimos sinais ao redor do mundo de desaceleração do crescimento, com destaque para os PMIs da Europa, China e Japão. Além dos sinais provenientes dos dados econômicos, nos últimos dias vimos recuos significativos nas commodities metálicas mais sensíveis ao crescimento, como Minério de Ferro e Cobre.

O primeiro trimestre do ano é conhecido por sazonalmente trazer surpresas negativas de crescimento, que depois acabam sendo compensadas por uma aceleração da economia nos trimestres subsequentes. Por ora, ainda vejo os indicadores econômicos em níveis saudáveis e condizentes com um crescimento positivo. Contudo, em um pano de fundo de fragilidade, sinais como estes acabam afetando o humor global a risco e acendendo um sinal amarelo no cenário.

Bancos Centrais – A despeito da reação dos mercados a decisão do Fed e do ECB, os principais bancos centrais do mundo seguem em uma trajetória de normalização monetária, com retirada de estímulos. Me parece que o cenário precisaria mudar muito para este caminho ser alterado. Vou além, não descarto a possibilidade de termos que conviver com mais inflação e menos crescimento nos próximos meses, em especial, nos EUA.

No Brasil, a reação do mercado a decisão do Copom foi em linha com o que comentamos neste fórum na manhã de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/tarifas-pmi-fraco-na-europa-e-surpresa.html), com a curva de juros apresentando um “Bull steepening” com forte fechamento de taxa da parte curta e uma elevada over-performance dos setores domésticos e mais dependentes de taxa de juros em detrimento aos setores cíclicos e mais dependentes do cenário externo na bolsa. Vejo espaço para a continuidade deste movimento na bolsa. No mercado de juros, continuo preferindo a parte intermediária e longa da curva.




Data: 22/03/2018

Tarifas, PMI fraco na Europa e surpresa no Copom,

Os ativos de risco estão abrindo essa manhã sobre pressão, com destaque para a queda das bolsas e o fechamento de taxa de juros no mundo desenvolvido. Vejo duas explicações para estes movimentos.

Primeiro, a mídia continua circulando a informação de que o Governo dos EUA ira anunciar, ainda está semana, cerca de US$50bi em tarifas, em cerca de 100 produtos chineses, com o intuito de forçar a China a “melhorar” (segundo as palavras de Trump) as relações comerciais entre os dois países. Esta medida seria um passo a mais no projeto de Trump em busca de relações bilaterais que visam favorecer a economia interna dos EUA. De maneira geral, medidas protecionistas, ou “guerras comerciais”, tendem a ser baixistas para o crescimento e altistas para a inflação. Por ora, a China e os demais parceiros comerciais dos EUA têm adotado um tom conciliador e visando o diálogo. Caso este pano de fundo se altere, poderemos ter um cenário muito mais desafiador para a economia mundial e os mercados financeiros globais.

Segundo, essa manhã vimos um arrefecimento, uma queda acima das expectativas, dos PMIs na Europa. A despeito de permanecerem em níveis elevados e condizentes ainda com um crescimento saudável, o mercado poderá começar a questionar o real ímpeto do crescimento e se, de fato, já não passamos do melhor momento da economia global. Por ora, ainda me parece cedo para termos conclusões a este respeito e a economia mundial continua a me parecer saudável. Contudo, entendo que este tipo de questionamento poderá surgir à medida que o ciclo econômico se estenda.

Na China, o PBoC anunciou uma alta de 5bps na sua taxa de juros, seguindo o movimento do Fed. A medida era amplamente esperada.

No Brasil, o Copom anunciou um corte de 25bps na Taxa Selic para 6,5%, como era esperado pelo mercado. Contudo, ao contrário da minha expectativa, e da expectativa do mercado, o comunicado após a reunião sinalizou para uma elevada probabilidade de mais uma queda de 25bps na próxima reunião do Copom, o que levaria a Taxa Selic para uma nova mínima de 6,25%.

Acredito que a postura do BCB não será questionada pelo mercado, como no passado, pois existe sim um pano de fundo de inflação extremamente baixa e hiato do produto muito aberto que justifica esta queda na taxa de juros e sua manutenção em patamar baixo por mais tempo.

Acredito que o mercado irá reagir hoje com forte fechamento de taxa na parte curta da curva, ao contrário do que comentei neste fórum ontem, e um steepening da curva. De qualquer maneira, reforço que vejo espaço para a compressão dos prêmios na parte intermediária e longa da curva de juros no país, já que os FRA´s a partir de 2019 me parecem excessivamente elevados (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/copom-curva-de-juros.html). Acho razoável vermos uma over-performance, na bolsa, dos setores mais ligados a economia domestica e sensíveis a juros em detrimento aos setores mais globais e cíclicos. Nossa carteira está construído exatamente dentro desta prerrogativa.




Data: 22/03/2018

A hawkish Fed, but a dovish market.

O comentário de hoje precisa ser dividido em duas partes. Primeiro, qual foi a conclusão da reunião do FOMC. Segundo, como estava o posicionamento do mercado, que em muito explica esta primeira reação a decisão divulgada hoje.

Em relação ao Fed, a decisão só não foi definitivamente hawkish pois não houve uma mudança nas previsões do Fed para 4 altas de 25bps este ano ao invés de 3, o que alguns esperavam. De qualquer modo, essa alteração só não ocorreu por um pequeno detalhe, talvez de um membro do FOMC que nem seja votante este ano.

Todas as demais alterações do comunicado e das previsões do Fed foram na direção de mais confiança na recuperação da economia, em um mercado de trabalho robusto e em um processo de aceleração da inflação. Isso tudo levou o Comitê a revisar para cima as expectativas de taxas de juros de 2019 em diante, em alguns casos de forma relevante.

Minha visão é de que o Fed está cada vez mais confiante no seu cenário e o processo de alta de juros seguirá em piloto automático, com uma alta de juros por trimestre. Caso a inflação mostre aceleração, o que eu acredito que poderá ocorrer (mais cedo do que tarde), este processo poderá ser ainda mais acelerado do que o previsto. A decisão de hoje, e todos os seus sinais emitidos pelo Fed, apontam nessa direção.

A reação do mercado, contudo, mostrou uma forte queda do dólar, alta das commodities e recuperação dos mercados emergentes. Acredito que a posição técnica do mercado, talvez excessivamente cautelosa as vésperas da decisão do FOMC, levaram a esta reação. Como é usual, vimos uma forte queda das volatilidade implícitas de vários mercados, mas com destaque para as vols de Treasuries, o que acabou ajudando a dar alívio a algumas classes de ativos.

De maneira geral, não vejo a decisão de hoje alterando em nada o cenário que temos descrito neste fórum (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/). Vejo a reação de hoje como de certa forma exagerada. Aproveitamos a oportunidade para elevar as alocações tomadas em Treasuries e vendidas em AUD, que haviam sido reduzidas no início da semana. Não alteramos as demais recomendações de alocação (que pode ser vista no link acima).




Data: 21/03/2018

 All eyes on the Fed decision!

 

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco operam na expectativa da decisão do FOMC esta tarde. O destaque da manhã fica por conta de um movimento de dólar mais fraco no mundo.

Com uma noite tranquila, meus comentários de ontem a tarde seguem válidos e podem ser lidos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/sinais-de-fragilidade-permanecem.html, para não soar repetitivo.

Dados Econômicos:

As exportações dos primeiros 20 dias de março na Coreia do Sul, um indicador muito olhado como Proxy para o crescimnto global devido a elevada abertura e corrente de comércio no país, seguiu mostrando desaceleração, mas ainda em patamar elevado, condizente com um crescimento global ainda saudável. Segundo a Goldman Sachs

Daily ex-ship exports (a better proxy for current external demand than headline exports, in our view) rose 8% yoy during the first 20 days of March, moderating slightly from 9% growth in February (Exhibit 1). While sequential momentum turned positive to 0.5% mom sa from a dip in February, the level of daily exports was still below January levels (Exhibit 3).[1] Total exports during first 20 days grew 9% yoy, improving from the February weakness of -4% yoy that was weighed down by work-day differences.

Agenda:

Hoje teremos a decisão do FOMC nos EUA como destaque. O mercado já espera uma alta de 25bps nas taxas dos Fed Funds. O debate e a incerteza ficam por conta de uma possível mudança nas expectativas para as taxas de juros futuras por parte dos membros do Fed. Existe já alguma expectativa por parte do mercado de que alguns membros do comitê podem trabalhar com 4 altas de juros este ano, ao invés de 3. Isso, contudo, não é consenso no mercado. Além disso, será a primeira aparição de Jay Powell em uma “press conference” oficial, um importante teste para o novo presidente do Fed.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 21/03/2018

Sinais de fragilidade permanecem.

 

Mercados & Comentários:

O dia foi marcado pela abertura das taxas de juros nos EUA e por um movimento global de alta do dólar. Acredito que estes movimentos sejam típicos de alguma “tensão” em antecipação a reunião do Fed de amanhã (mais detalhes abaixo). O dólar, em especial, acaba sofrendo em meio a uma posição técnica pouco trivial, com o mercado ainda bastante “vendido” na moeda dos EUA.

Ainda vejo sinais de fragilidade nos ativos de risco. O spread da LIBOR-OIS continua se elevando, os riscos de um maior protecionismo por parte dos EUA ainda não foram dissipados e os principais bancos centrais do mundo continuam caminhando na direção de normalização monetária, ou seja, de retirar estímulos da economia global. Além disso, o setor de Tecnologia na bolsa dos EUA enfrenta um questionamento que nunca antes havia enfrentado, o que pode causar ruído e volatilidade em um ambiente de valuations “esticados” e posição técnica comprometida.

Contudo, exceto por dados pontuais, o crescimento global continua saudável e relativamente robusto, o que tem evitado uma mudança completa de dinâmica por parte dos ativos de risco, para um cenário um pouco mais negativo. Caso o crescimento dê sinais mais substancias de arrefecimento, o que é um cenário alternativo, não o cenário base, a situação dos ativos de risco pode ficar ainda mais delicada.

Enquanto isso, devemos seguir em um ambiente de incerteza, pouca visibilidade e sem tendências definidas, em linha com nossa visão mais estrutural para este ano, focada em temas específicos, em posições relativas e postura mais tática.

O Brasil continua refém deste quadro global. Nos últimos dias vimos um forte movimento de depreciação do BRL, que já opera acima de 3,30 e, hoje, observamos uma abertura das taxas de juros reais e nominais, com “steppening’ da curva. Estes movimentos seguem o pano de fundo global, mas são exacerbados por uma posição técnica pouco saudável. Vemos muitos fundos aplicados em juros novamente e muitos vendidos em dólar. Isso está ajudando o movimento recente de realização de lucros.

Ainda vejo o BRL em um rangde entre 3,10-3,35 ao longo do ano. A banda de cima pode ser testada em breve e, caso rompida, minha visão deverá ser reavaliada. Continuo vendo um cenário favorável para o mercado local de juros ao longo do ano e vejo o movimento recente apenas como uma realização pontual de lucros.

Dados econômicos:

O ZEW, na Alemanha, um dos principais indicadores de confiança do país, apresentou queda relevante e acima das expectativas. A despeito da queda, ainda vejo o indicador em um nível saudável e condizente com um crescimento robusto da economia do país.

Agenda:

Amanhã teremos a decisão do FOMC nos EUA como destaque. O mercado já espera uma alta de 25bps nas taxas dos Fed Funds. O debate e a incerteza ficam por conta de uma possível mudança nas expectativas para as taxas de juros futuras por parte dos membros do Fed. Existe já alguma expectativa por parte do mercado de que alguns membros do comitê podem trabalhar com 4 altas de juros este ano, ao invés de 3. Isso, contudo, não é consenso no mercado. Além disso, será a primeira aparição de Jay Powell em uma “press conference” oficial, um importante teste para o novo presidente do Fed.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. 

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico no Brasil.




Data: 20/03/2018

Fed, Liquidity, Tech and Tariffs.

 

Os ativos de risco tiveram uma segunda-feira de “risk-off” generalizado. O humor global a risco está sendo afetado por um misto de: Expectativa em torno da sinalização que será dado pelo Fed após a reunião do FOMC nos EUA; riscos de uma “Guerra Comercial” mais ampla; uma liquidez global mais prejudicada (vide o spread LIBOR-OIS); e ruídos (pelo menos por ora) em torno do setor de tecnologia na bolsa dos EUA. Como este foi o setor que apresentou o melhor desempenho nos últimos anos, encontra-se em nível de preços pouco triviais, com posição técnica prejudicada, e cujo impacto nos índices de bolsa acaba sendo elevado, qualquer movimento gera um desconforto maior no mercado como um todo.

Hoje pela manhã vemos alguma estabilização das bolsas globais e do dólar no mundo, em um contexto de abertura de taxa de juros nos países desenvolvidos.

A mídia está reportando que os EUA pretendem anunciar tarifas na ordem de R$60bi, em cerca de 100 produtos provenientes da China. Ainda há muita incerteza e ruído em torno do tema. Até o momento, os chineses têm optando por uma postura de diálogo e conciliação. Caso isso mude, o cenário poderá se tornar um tanto quanto complexo e negativo.

Neste momento, estamos passando por um cenário de incertezas, dúvidas e baixa visibilidade. Até por isso, vemos os ativos de risco sem tendências definidas porém com mais volatilidade. Continuo vendo este pano de fundo no curto-prazo e, talvez, ao longo de todo ano. Assim, continuo favorecendo posições em temas mais específicos e pouco direcionais, posições relativas ou posições mais táticas e em instrumentos com risco/retorno atrativos e perdas limitadas. Ontem, reduzimos nossas puts de S&P e nosso short AUD, mas mantivemos exposição a ambos os temas (vide abaixo).

O Brasil, na ausência de notícias locais relevantes, continua “refém” dos movimentos globais. Vale a pena destacar, contudo, o bom desempenho do mercado de juros, em um pano de fundo local de inflação corrente e prospectiva baixas, que deverá favorecer juros mais baixos por mais tempo, uma vez que o BCB reduza a Taxa Selic para 6,50% e a mantenha neste patamar no horizonte relevante de tempo. Isso pano de fundo está favorecendo um movimento de “flattening” da curva, movimento que concordo e que estamos posicionados através de juros reais longos. Este viés deverá prevalecer, salvo movimentos globais.

Agenda:

A agenda do dia será esvazaida. A semana terá como destaque a reunião do FOMC nos EUA e a reunião fo G20 que ocorrerá na Argentina. Ao longo da semana comentaremos mais sobre estes dois eventos.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 19/03/2018

Risk-Off. Waiting FOMC and G20.

 

Os ativos de risco estão iniciando a semana em tom mais negativo, com queda das bolsas e das commodities, abertura de taxas de juros e dólar forte no mundo. O movimento parece embutir um pouco de tensão as vésperas de uma semana importante, com a decisão de política monetária por parte do Fed (FOMC) e a reunião do G20, ambos eventos que podem ser capazes de alterar a dinâmica dos ativos de risco de maneira mais estrutural. 

 

O final de semana trouxe pouquíssimas novidades relevantes ao cenário. Assim, mantenho minha visão basicamente inalterada, assim como as recomendações de portfólio. Para não soar repetitivo, meus últimos comentários podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/. 

 

O estrategista de FX do Morgan Stanley resumiu muito bem o pano de fundo de curto-prazo. Assim, tomo a liberdade de copiar suas colocações abaixo: 

 

Risk off as… This is unlikely to be a good week for risk. Quarter-end liquidity pressures are emphasised by the long Easter weekend, and 1m, 3m and 6m US T-bill auctions have pushed the 3m Libor-OIS spread wider to reach 51bp this morning. Uncertainty over the FOMC meeting, Japan’s PM Abe's approval rating falling to its lowest level since he took office in 2012 and a US PC producer considering redirecting its supply chain away from Asia are also likely to contribute to putting risky assets under selling pressure. Iron ore has declined 4.3% on a report that holdings at ports have climbed to unprecedented levels and are large enough to cover more than 50 days of imports. Steel rebar has declined 1.5% and hot-rolled coil has dropped 1.3%. Cryptocurrencies – an indicator of global liquidity conditions – have broken lower. 

 

...liquidity punch bowl is taken away… The Fed is likely to hike rates by 25bp, taking the target range to 1.50-1.75%. Market focus will be on the statement and content of the press conference which are likely to lean towards hawkishness. However, it will not only be the Fed taking the liquidity punch bowl away; weekend comments from the ECB have been hawkish too. The Bundesbank’s Weidmann confirmed that the ECB had not decided when and how to end QE, but that positive economic developments and inflation forecasts could allow the ECB to quickly end its bond purchases. The ECB’s Knot expressed "a high degree of confidence" that inflation in the euro zone will hit the ECB's target of just under 2% "at some point". The ECB’s Villeroy suggested that the central bank was on a path towards normalising its ultra-easy monetary policy as inflation accelerates. 

 

No Brasil, João Doria, do PSDB, “atropelou” seus adversários na prévia para disputar o Governo do Estado de São Paulo. A mídia traz algumas matérias sobre um potencial aumento da conta de luz (algo em torno de 20%), que poderia colocar alguma pressão sobre a inflação. 

 

Agenda: 

 

A semana terá como destaque a reunião do FOMC nos EUA e a reunião fo G20 que ocorrerá na Argentina. Ao longo da semana comentaremos mais sobre estes dois eventos. 

 

Visão & Posição: 

 

- Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. 

 

- Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. 

 

- Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana. 

 

- No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. 

 

- Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 16/03/2018

The US economy is fine, thanks.

Após uma rodada de dados econômicos mais negativos nos EUA a semana está se encerrando em um tom mais positivo nesta frente. A despeito de dados do mercado imobiliário mais fracos do que as expectativas, um setor que hoje representa um percentual relativamente pequeno da economia, observamos dados bastante positivos em outras frentes.

A produção industrial de fevereiro apresentou alta de 1,1% MoM, acima das expectativas de 0,4% MoM. O JOLTS Job Openings subiu de 5667 para 6312, um novo pico deste ciclo econômico e de vários anos. O Michigan Confidence subiu de 99,7 para 102,0, acima das expectativas de 99,3, também um novo pico deste ciclo econômico. As expectativas de inflação de 1 ano do Michigan, que são dados mais voláteis, subiram de 2,7% para 2,9%, maior nível desde começo de 2015.

De maneira geral, vejo os dados de hoje como reforçando o cenário de uma economia dos EUA ainda saudável, com um mercado de trabalho robusto e numa fase avançada do ciclo econômico.

Não vejo motivos para alterar meu cenário base e as alocações de portfólio que tenho descrito neste fórum (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

Interessante notar que nos últimos dias vimos um movimento mais coordenado de fortalecimento do dólar, no que me parece ser um misto de ajuste de posição técnica, que havia ficado excessivamente “vendida em dólar”, com um cenário um pouco mais desafiaor, diante dos ruídos envolvendo as tarifas de importação e a possibilidade de um Fed mais agressivo no processo de normalização monetária.

Olhando à frente, teremos a reunião do G20, que pode trazer informações importantes em relação a postura que será tomada pelas principais economias do mundo diante da mudança de política externa adotada pelo Governo Trump.

A mídia continua especulando que o Governo dos EUA poderá anunciar, dentro de poucas semanas, medidas comerciais com o intuito de frear o déficit comercial com a China. Por ora, as demais economias do mundo estão adotando uma postura mais conservadora e amigável, buscando o diálogo ao invés do embate. Caso isso mude, seja por medidas mais agressivas dos EUA, ou por decisão das demais potenciais mundiais, podemos entrar em uma espiral mais complicada para a economia mundial e os mercados financeiros globais.

Na semana que vem, teremos ainda a reunião do Fed, onde já é universalmente esperado uma alta de 25bps nas taxas de juros. O debate gira em torno de qual o discurso que será adotado pelo Comitê em relação a política monetária prospectiva, com o mercado debatendo quantas altas de juros poderemos ter este e no próximo ano. A curva hoje precifica cerca de 3 altas de 25bps este ano (o mercado especula que as altas pode ser 4) e cerca de 2 altas de 25bps ano que vem.

O Brasil, enquanto isso, tem sido um espectador deste pano de fundo global e os ativos do país estão meramente seguindo os fluxos pontuais e a dinâmica externa. Salvo questões microeconômicas de resultados corporativos e/ou movimentos de M&A na bolsa local, até a proximidade das eleições, devemos seguir o humor externo e questões pontuais de fluxos e posição técnica.




Data: 16/03/2018

 Update.

Mercados & Cenário:

A noite foi relativamente tranquila. Ainda vejo sinais de fragilidade nos ativos de risco, a despeito de operaram próximos a estabilidade neste momento (6h20 de Brasília). Vemos uma apreciação do JPY, EUR e do CHF, mas um dólar forte contra as demais moedas. Os demais ativos de risco operam próximos a estabilidade e sem tendência definida.

No Brasil, o jornal O Globo traz reportagem em que afirma que a arrecadação federal superou em R$10bi as expectativas no primeiro bimestre do ano, mas que o Governo decidiu não desbloquear recursos neste momento. O estadão diz que existe um impasse no debate em torno da Cessão Onerosa, o que está atrasando, em cerca de 60 dias, as negociações em torno do caso. Já o Valor Econômico afirma que a União Europeia poderá parar de comprar carne de frango da BRF.

O destaque da quinta-feira ficou por conta do movimento de fortalecimento do dólar no mundo e alguma pressão no mercado de commodities. Os ativos emergentes também operaram sob pressão. O movimento dos últimos dias mostra uma certa fadiga dos mercados financeiros globais, especialmente nas classes de ativos cuja posição técnica se mostra mais comprometida (USD, Treasury, EM, Commodities, por exemplo).

Continuo vendo um mercado, grosso modo, sem grandes tendências no curto-prazo. O cenário base continua a ser de um crescimento global saudável, uma inflação ascendente no mundo desenvolvido e uma normalização monetária gradual nas principais economias do mundo.

Contudo, alguns ruídos de curto-prazo parecem estar afetando o humor global a risco. O governo dos EUA se mostra instável em relação a sua equipe, a imposição de tarifas de importação trouxeram a tona o debate de uma possível guerra comercial, a LIBOR-OIS Spread segue abrindo taxa, observamos dados de crescimento mais fracos na margem e vemos sinais de que o ciclo econômico dos EUA esteja em estágio avançado (o que pode estar sendo apontada pelo “flatetning” da curva de juros do país, mas com muito debate e incerteza em relação a este tema).

Neste pano de fundo, vejo mais incertezas do que convicções no curto-prazo, o que mantém minha convicção em um portfólio mais neutro e focada em temas específicos. A utilização de instrumentos que mitiguem as perdas em cenário adversos (ou alternativos) também me parece uma postura prudente. Não alterei minha visão em relação a essas questões.

No Brasil, os últimos dias foram marcados por uma realização de lucros em praticamente todos os mercados. Juros curtos, Bolsa e Câmbio (BRL). Além do cenário externo citado acima, a posição técnica nesses ativos me parecia, de certa forma, comprometida, o que acabou dando ímpeto a estes movimentos.

O destaque, como tenho  citado ao longo da semana, acabou ficando por conta do “flattening” da curva de juros, com a curva longa de juros nominais e reais apresentando desempenho bastante positivo ao longo da semana.

Dados Econômicos:

Nos EUA, o Empire Manufacturing e o Philly Fed permaneceram em patamar robusto e consistente com um crescimento sólido da economia. o Jobless Claims se manteve em nível condizente com um mercado de trabalho aquecido.

A despeito de algumas surpresas recentes nos dados de atividade econômica, que podem fazer com que o PIB do 1Q fique (bem) abaixo das expectativas, ainda não há motivos concretos para suspeitar de uma desaceleração mais permanente da economia dos EUA.

Agenda:

A agenda de amanhã terá, nos EUA, alguns dados do mercado imobiliário, a produção industrial e o Michigan Confidence.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 16/03/2018

Ativos de risco seguem sem tendências definidas.

Mercados & Cenário:

O destaque do dia ficou por conta do movimento de fortalecimento do dólar no mundo e alguma pressão no mercado de commodities. Os ativos emergentes também operaram sob pressão. O movimento dos últimos dias mostra uma certa fadiga dos mercados financeiros globais, especialmente nas classes de ativos cuja posição técnica se mostra mais comprometida (USD, Treasury, EM, Commodities, por exemplo).

Continuo vendo um mercado, grosso modo, sem grandes tendências no curto-prazo. O cenário base continua a ser de um crescimento global saudável, uma inflação ascendente no mundo desenvolvido e uma normalização monetária gradual nas principais economias do mundo.

Contudo, alguns ruídos de curto-prazo parecem estar afetando o humor global a risco. O governo dos EUA se mostra instável em relação a sua equipe, a imposição de tarifas de importação trouxeram a tona o debate de uma possível guerra comercial, a LIBOR-OIS Spread segue abrindo taxa, observamos dados de crescimento mais fracos na margem e vemos sinais de que o ciclo econômico dos EUA esteja em estágio avançado (o que pode estar sendo apontada pelo “flatetning” da curva de juros do país, mas com muito debate e incerteza em relação a este tema).

Neste pano de fundo, vejo mais incertezas do que convicções no curto-prazo, o que mantém minha convicção em um portfólio mais neutro e focada em temas específicos. A utilização de instrumentos que mitiguem as perdas em cenário adversos (ou alternativos) também me parece uma postura prudente. Não alterei minha visão em relação a essas questões.

No Brasil, os últimos dias foram marcados por uma realização de lucros em praticamente todos os mercados. Juros curtos, Bolsa e Câmbio (BRL). Além do cenário externo citado acima, a posição técnica nesses ativos me parecia, de certa forma, comprometida, o que acabou dando ímpeto a estes movimentos.

O destaque, como tenho  citado ao longo da semana, acabou ficando por conta do “flattening” da curva de juros, com a curva longa de juros nominais e reais apresentando desempenho bastante positivo ao longo da semana.

Dados Econômicos:

Nos EUA, o Empire Manufacturing e o Philly Fed permaneceram em patamar robusto e consistente com um crescimento sólido da economia. o Jobless Claims se manteve em nível condizente com um mercado de trabalho aquecido.

A despeito de algumas surpresas recentes nos dados de atividade econômica, que podem fazer com que o PIB do 1Q fique (bem) abaixo das expectativas, ainda não há motivos concretos para suspeitar de uma desaceleração mais permanente da economia dos EUA.

Agenda:

A agenda de amanhã terá, nos EUA, alguns dados do mercado imobiliário, a produção industrial e o Michigan Confidence.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 15/03/2018

Sem novidades relevantes.

Mercados & Cenário:

Hoje pela manhã vemos uma recuperação das bolsas globais, commodities em queda, um dólar levemente mais forte e taxas de juros estáveis no mundo desenvolvido.

A noite foi de poucas novidades relevantes para o cenário e para os mercados.

Para não soar repetitivo, segue o comentário da tarde de ontem, onde abordamos todos os temas relevantes de curto-prazo: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/libor-ois-treasury-curve-and.html.




Data: 15/03/2018

Libor-OIS, Treasury Curve and Cryptocurrencies.

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco iniciaram o dia em uma toada positiva (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/dados-positivos-na-china-retiram-mais.html), mas os ruídos envolvendo a administração da Casa Branca e os rumores em torno de novas medidas com caráter protecionista acabaram, novamente, afetando o humor global a risco. Enquanto este tema estiver no foco do mercado, podemos esperar mais volatilidade e um mercado sem grandes tendências.

Medidas protecionistas costumam ser vistas como negativas para o crescimento global (menor crescimento) e “positivas” para inflação (inflação mais elevada). Esta combinação não é positiva, de maneira geral, para ativos de risco.

Eu tenho pouca vantagem comparativa para ter convicção em que caminho será tomado. O mercado parece trabalhar com o cenário central de que a postura do governo dos EUA é apenas uma “jogada” de negociação em busca de termos comerciais mais vantajosos para a economia americana. Esta postura acaba gerando volatilidade de curto-prazo, mas não altera o destino final da economia.

Contudo, caso este cenário central se mostre errada, e o governo dos EUA opte por adotar medidas de fato mais agressivas, me parece haver amplo espaço para uma reprecificação do cenário econômico global e, consequentemente, para os ativos de risco.

Vale atentar aqui para alguns movimentos recentes, que não tem relação com o que foi dito acima, mas merecem atenção especial:

1 – Forte “flattening” da curva de juros nos EUA;

2 – Forte abertura do spread LIBOR-OIS;

3 – Forte quedas das “cripto-moedas”.

Sobre o tema (1), parece um movimento usual próximo do final do ciclo econômico de economias desenvolvidas. Muitos utilizam este sinal como um indicador de recessão, mas outros afirmam que devido ao QE (e afins) o poder preditivo da curva de Treasury foi reduzido drasticamente nos últimos anos.

Em relação a (2), parece um movimento técnico, de excesso de oferta de papeis em meio a um cenário de emissões elevadas e reprimidas. Pelo menos este é o consenso de mercado. Não parece, neste momento, haver o entendimento de que a abertura deste spread seja um indicador mais preocupante de solvência do mercado bancário dos EUA, como foi na crise de 2008.

Não tenho opiniões forte sobre (3). Vimos declarações e movimentos recentes na direção de reduzir a efetividade deste instrumento como meio de troca, o que parece estar afetando o preço desta classe de ativo.

No Brasil, destaque para o movimento de “flattening” da curva de juros. Este é um movimento normal/natural em períodos de fim do ciclo de queda de juros. Como o cenário prospectivo aponta para uma inflação baixa e comportada, achamos natural que os juros locais fiquem mais baixos por mais tempo. Exatamente por isso, temos favorecido os vértices mais longos da curva real de juros já há algum tempo (vide comentários adicionais na seção abaixo).

Dados econômicos:Nos EUA, as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas e o PPI acima do esperado. As vendas no varejo levaram o mercado a revisar para baixo as expectativas para o PIB do primeiro trimestre do ano.

Ainda não vejo motivos para mudar o cenário base de um crescimento sólido da economia dos EUA ao longo deste ano. Contudo, os dados recentes apontam para um crescimento mais fraco do que o previsto e uma inflação que mostra sinais mais consistentes de elevação. Está combinação não costuma ser positiva para ativos de risco. Por ora, contudo, as magnitudes ainda não merecem uma reavaliação substancial do cenário base, apenas ascendem um sinal amarelo no cenário.

Agenda:

A agenda de amanhã terá o Empire Manufacturing, Philadelphia Fed, Jobless Claims e o Import and Export Prices como destaque da agenda nos EUA.

Visão & Posição:

Com a volatilidade implícita das moedas nos “pisos” recentes, adicionamos no início da semana exposição (via opções) na posição comprada em EUR, cujo o risco/retorno nos parece bastante atraente com a vol implícita abaixo de 7%.

Voltamos a reduzir nossa exposição em bolsa no Brasil ao longo da terça-feira, mas mantivemos a posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção, após os dados do mercado de trabalho nos EUA. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidades, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico no Brasil.




Data: 14/03/2018

Dados positivos na China retiram mais um risco do curto-prazo.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco estão apresentando recuperação nesta manhã, após os dados de atividade econômica na China superaram as expectativas do mercado nos meses de janeiro e fevereiro. As bolsas globais e as commodities metálicas sobem e o dólar opera em queda contra as moedas emergentes e mais dependentes de commodities.

Os números mais fortes no país afastam mais um dos riscos ao cenário econômico global no curto-prazo, que seria uma desaceleração mais acentuada da economia chinesa. Além disso, mostra uma economia global ainda robusta. Os números deveriam ajudar a dar suporte aos ativos de risco no curto-prazo, especialmente para as classes que acabaram “ficando para trás” nesta recuperação dos mercados nas últimas semanas, como as commodities e EMFX, por exemplo.

De maneira geral, contudo, os números de hoje em nada alteram o pano de fundo de longo-prazo, de mercados menos direcionais e mais táticos ao longo do ano, que tenho insistido neste fórum (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

Dados Econômicos:

Destaque para os dados da China, que a Goldman Sachs resumiu da seguinte forma:

Industrial production (IP): +7.2% yoy in January to February (GS forecast: +6.0% yoy, Bloomberg consensus: +6.2% yoy); +13.0% month-over-month annualized in January to February vs December, seasonally adjusted by GS. December: +6.2% yoy, +7.4% mom annualized.

Retail sales: +9.7% yoy in January to February (GS: +9.0% yoy, consensus: +9.8% yoy); December: +9.4% yoy.

Fixed asset investment (FAI): +7.9% yoy in January to February (GS: +7.0% yoy, consensus: +7.0% yoy); 2017 full year/December single month yoy: +7.2%.

Property-related data:

Floor space sold: +4.1% yoy in January-February, vs. +6.1% yoy in December (value of sales +15.3% yoy, vs. +20.5% yoy in December).

Floor area under construction: +1.5% yoy in January to February, vs. +3.0% yoy in December.

New starts: +2.9% yoy in January to February, vs. +8.6% yoy in December.

Real estate investment: +9.9% yoy in January to February, vs. +1.9% yoy in December.

Agenda:O destaque do dia ficará por conta do Retail Sales e do PPI nos EUA.

Visão & Posição:

Com a volatilidade implícita das moedas nos “pisos” recentes, adicionamos no início da semana exposição via opções na posição comprada em EUR, cujo o risco/retorno nos parece bastante atraente com a vol implícita abaixo de 7%.

Voltamos a reduzir nossa exposição em bolsa no Brasil ao longo da terça-feira, mas mantivemos a posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção, após os dados do mercado de trabalho nos EUA. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidades, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico.




Data: 13/03/2018

A espera do Core CPI nos EUA

 

As últimas 24 horas trouxeram poucas informações novas ao cenário econômico global. Os ativos de risco, no geral, recuperaram grande parte das perdas verificadas em fevereiro nas últimas semanas, e observamos a normalização de vários indicadores de mercado, como as volatilidade implícitas. 

 

Acredito que estamos passando por um momento de calmaria, mas que o cenário do ano será permeado por uma volatilidade média mais elevada do que nos últimos 2 anos. Viveremos momentos de maior calmaria como o recente, mas teremos que conviver com períodos de maior incerteza como em fevereiro. Este cenário permanecerá enquanto o crescimento global estiver robusto, mas a inflação ascendente. Está dinâmica mudará, para alguns dos lados, caso um desses vetores arrefeça, e acabe levando o mercado a uma direção mais clara.

 

Enquanto isso, continuo favorecendo posições mais neutras no direcional e a utilização de instrumentos que defendam o portfólio de “riscos de cauda” ou de mudança abrupta de cenário. 

 

Todas as atenções estarão voltadas hoje para a divulgação do Core CPI nos EUA. 

 

Acredito que um número abaixo de 0,2% MoM poderá dar ímpeto a um movimento adicional de “Risk-On”, em um pano de fundo de “Goldilocks”. Um número acima de 0,3% MoM irá trazer de volta o debate em torno do momento do ciclo econômico nos EUA, levando a uma rodada de alta de juros e pressão nos ativos de risco, com o ambiente de “Goldilocks” sendo mais uma vez questionado e um movimento de “Risk-Off” podendo imperar no curto-prazo. 

 

No Brasil, o BCB vem sinalizando para mais um corte de 25bps na Taxa Selic, para 6,50%, após as surpresas positivas recentes no âmbito inflacionário. Este cenário já está incorporado (precificado) na curva curta de juros. 

 

Dados Econômicos: 

 

A segunda-feira não apresentou nenhuma divulgação relevante de dados econômicos. No Brasil, a pesquisa Focus do BCB mostrou mais um recuou nas expectativas de inflação para 2019, o que tem ajudado a manter ancorada a curva de juros do país. 

 

Agenda: 

 

O destaque do dia ficará por conta do Core CPI nos EUA (comentários na primeira seção deste texto). 

 

Visão & Posição: 

 

Com a volatilidade implícita das moedas nos “pisos” recentes, adicionamos exposição via opções na posição comprada em EUR, cujo o risco/retorno nos parece bastante atraente com a vol implícita abaixo de 7%. 

 

Na sexta-feira, elevamos marginalmente nossa exposição à bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção, após os dados do mercado de trabalho nos EUA. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções. 

 

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções. 

 

- Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. 

 

- Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. Após meses bastante positivo em janeiro e fevereiro, essas posições estão “sofrendo” nos últimos dias. Da forma que foram estruturadas, eles estão “organicamente” perdendo relevância no portfólio. Por ora, não estamos adicionando a essas posições. 

 

- Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Após o movimento recente, a posições foi substancialmente reduzida. 

 

- No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. 

 

- Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico e voltamos a ter alguma exposição comprada em Ibovespa através do mercado de opções. 




Data: 12/03/2018

Goldilocks for now, watching US Core CPI.

 

O final de semana não trouxe novidades ao cenário econômico global. Neste ambiente, os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento verificado na sexta-feira, com destaque para a alta das bolsas globais, uma leve abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido e um dólar e commodities mais mistas. 

 

Os dados do mercado de trabalho de fevereiro, nos EUA, concentraram as atenções da sexta-feira. De maneira geral (e resumida), os números divulgados mostraram um mercado de trabalho forte e robusto, com a economia já muito próxima (ou tendo ultrapassado) o pleno emprego. 

 

Os números mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho, uma taxa de desemprego baixa, que só não recuou novamente devido a uma alta não desprezível da taxa de participação, mas rendimentos (pressões inflacionárias provenientes do mercado de trabalho) mais baixos do que as expectativas. 

 

De maneira geral, este quadro costuma caracterizar um cenário bastante positivo para os ativos de risco. Contudo, acredito que precisamos tomar cuidado com interpretações de curto-prazo nesta fase do ciclo econômico. 

 

Os números de fevereiro reduzem os riscos, ou a percepção, de que o Fed esteja atrasado no processo de normalização monetária. Dito de outra forma, o número reforça a necessidade de continuidade do ajuste na política monetária dos EUA, com cerca de 4 altas de juros este ano, e um processo relativamente “automático” (já anunciado) de redução do balanço do Fed, mas reduz a probabilidade, pelo menos no curto-prazo, de um “erro de política monetária”. 

 

Este pano de fundo pode favorecer no curto-prazo ativos que sofreram ao longo de fevereiro, como os ativos emergentes e as bolsas globais. Contudo, o cenário permanecerá bastante sensível aos dados de inflação, emprego e renda. Já nesta semana teremos a divulgação do Core CPI nos EUA. 

 

No Brasil, IPCA de fevereiro ficou dentro das expectativas do mercado no Brasil. O qualitativo do indicador mostra uma inflação baixa e comportada. Os números recentes corroboram um cenário de mais uma queda na Taxa Selic para 6,5% e juros mais baixos por mais tempo no país. Continuamos a ver as taxas longas como excessivamente elevadas no Brasil. 

 

O mercado de juros locais tem se mostrado muito bem comportado ao longo do ano, muito em conta da robustez do cenário de baixa inflação. O BRL e o Ibovespa tem apresentando alguma volatilidade maior, muito em conta do cenário externo. Neste estágio do ciclo, e nos atuais níveis de preço, preferimos posições em ações específicas, cuja precificação ainda se mostra atrativa, e continuamos a ver o BRL em um grande “range” entre 3,10-3,35 ao longo no horizonte relevante de tempo. 

 

Dados Econômicos: 

 

A segunda-feira não apresentou nenhuma divulgação relevante de dados econômicos. 

 

Agenda: 

 

O dia será de agenda relativamente esvaziada. As atenções estarão centradas no Core CPI, nos EUA, amanhã. Acredito que um número abaixo de 0,2% MoM poderá dar ímpeto a um movimento adicional de “Risk-On” em um pano de fundo de “Goldilocks”. Um número acima de 0,3% MoM irá trazer de volta o debate em torno do momento do ciclo econômico nos EUA, levando a uma rodada de alta de juros e pressão nos ativos de risco, com o ambiente de “Goldilocks” sendo mais uma vez questionado e um movimento de “Risk-Off” podendo imperar no curto-prazo. 

 

Visão & Posição: 

 

Diante do exposto acima, elevamos marginalmente nossa exposição sà bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções. 

 

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções. 

 

- Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. 

 

- Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. Após meses bastante positivo em janeiro e fevereiro, essas posições estão “sofrendo” nos últimos dias. Da forma que foram estruturadas, eles estão “organicamente” perdendo relevância no portfólio. Por ora, não estamos adicionando a essas posições. 

 

- Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Após o movimento recente, a posições foi substancialmente reduzida. 

 

- No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. 

 

- Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico e voltamos a ter alguma exposição comprada em Ibovespa através do mercado de opções. 




Data: 09/03/2018

Goldilocks, for now...

 

Mercados & Cenário:

Os dados do mercado de trabalho de fevereiro, nos EUA, concentraram as atenções do dia. De maneira geral (e resumida), os números divulgados hoje mostraram um mercado de trabalho forte e robusto, com a economia já muito próxima (ou tendo ultrapassado) o pleno emprego.

Os números mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho, uma taxa de desemprego baixa, que só não recuou novamente devido a uma alta não desprezível da taxa de participação, mas rendimentos (pressões inflacionárias provenientes do mercado de trabalho) mais baixos do que as expectativas.

De maneira geral, este quadro costuma caracterizar um cenário bastante positivo para os ativos de risco. Contudo, acredito que precisamos tomar cuidado com interpretações de curto-prazo nesta fase do ciclo econômico.

Os números de hoje reduzem os riscos, ou a percepção, de que o Fed esteja atrasado no processo de normalização monetária. Dito de outra forma, o número de hoje reforça a necessidade de continuidade do ajuste na política monetária dos EUA, com cerca de 4 altas de juros este ano, e um processo relativamente “automático” (já anunciado) de redução do balanço do Fed, mas reduz a probabilidade, pelo menos no curto-prazo, de um “erro de política monetária”.

Este pano de fundo pode favorecer, no curto-prazo, ativos que sofreram ao longo de fevereiro, como os ativos emergentes e as bolsas globais. Contudo, o cenário permanecerá bastante sensível aos dados de inflação, emprego e renda. Já na semana que vem teremos a divulgação do Core CPI nos EUA.

O IPCA de fevereiro ficou dentro das expectativas do mercado no Brasil. O qualitativo do indicador mostra uma inflação baixa e comportada. Os números recentes corroboram um cenário de mais uma queda na Taxa Selic para 6,5% e juros mais baixos por mais tempo no país. Continuamos a ver as taxas longas como excessivamente elevadas.

Diante do exposto acima, elevamos marginalmente nossa exposição a bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.Diante do exposto acima, elevamos marginalmente nossa exposição a bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. Após meses bastante positivo em janeiro e fevereiro, essas posições estão “sofrendo” nos últimos dias. Da forma que foram estruturadas, eles estão “organicamente” perdendo relevância no portfólio. Por ora, não estamos adicionando a essas posições.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Após o movimento recente, a posições foi substancialmente reduzida.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico e voltamos a ter alguma exposição comprada em Ibovespa através do mercado de opções.




Data: 09/03/2018

 Dados de emprego nos EUA em foco.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco operam na expectativa dos dados de emprego de fevereiro nos EUA. Acredito que o foco deverá ficar por conta do Average Hourly Earnings, ou o rendimento dos trabalhadores, em um português mais simples. Caso o número venha mais forte do que o esperado, o mercado retornará a dinâmica de abertura de taxa de juros nos EUA e pressão nos ativos de risco, com o mercado interpretando que o Fed esteja “atrás da curva” nas altas de juros. Um número mais baixo poderá levar a um grande alívio dos ativos de risco e um rally mais acentuado de todos aqueles ativos que mais sofreram nas últimas semanas (EM, US Equities e afins).

No final da tarde de ontem, Trump assinou os termos de implementação das tarifas de importação sobre o Aço e o Alumínio, Trump deixou o México e o Canadá fora das tarifas, com o argumento de que irão buscar um acordo bilateral nas negociações do NAFTA. Esta postura ajudou a trazer alívio aos mercados financeiros globais. A despeito deste pano de fundo, Trump declarou que irá buscar “tarifas de reciprocidade” em breve, o que Poe caracterizar um passo importante e negativo nesta batalha comercial.

Não há novidades relevantes no Brasil. O destaque do dia ficará para o IPCA de fevereiro.

Dados Econômicos:

Na China, o CPI ficou acima das expectativas em fevereiro, com alta de 2,9% YoY. A despeito dos impactos pontuais do Ano Novo Lunar, a abertura do indicador mostrou um quadro de pressões inflacionárias no país. Este quadro justifica a manutenção de uma política monetária e fiscal mais apertadas ao logo deste ano. Os números de agregados monetários mostraram relativa estabilidade no mês de fevereiro.

Na Alemanha, a produção industrial de janeiro apresentou queda de 0,6% MoM, abaixo das expectativas de alta de 0,1% MoM. Os números recentes mostram uma desaceleração do crescimento do país. mas ainda em patamar saudável.

Agenda:

Destaque do dia para o ADP Employment nos EUA. Amanhã e sexta teremos a decisão do ECB na Europa e do BoJ no Japão.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico.




Data: 09/03/2018

Ajustes Técnicos.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco parecem estar passando por um momento de ajuste de posições. Se olharmos no detalhe, os movimentos recentes se mostram mais acentuados nos ativos cujas posições técnicas se mostram pouco saudáveis.

Por exemplo, vimos hoje uma forte queda do EUR, que é uma das maiores posições compradas do mercado. Tanto o Ibovespa quanto o BRL mostram desempenho pífio nos últimos 2 dias. Estes dois ativos são “top picks” de vários fundos locais, assim como recomendações relevantes de vários “sell-sides” de bancos estrangeiros. Finalmente, vemos uma acomodação das taxas de juros nos EUA, um ativo que mostra posição excessivamente “vendida” (tomada em taxas) segundo os números recentes.

O ECB trouxe pouca informação nova ao mercado. O Banco promoveu uma pequena alteração no seu comunicado, mas que era em parte esperada. Acredito que o movimento do EUR e do mercado de juros esteja mais intimamente ligado a posição técnica do que a uma mudança expressiva de cenário.

Os ativos no Brasil continuam seguindo o humor global a risco. A curva de juros vem se mostrando bem comportada, em muito ajudada pelo cenário benigno de inflação e por dados de atividade econômica mais fracos do que o esperado nas últimas semanas. O Ibovespa e o BRL estão seguindo o humor global a risco e, nos últimos dias, parecem estar sofrendo o efeito técnico comentado no início deste texto.

Dados econômicos:

Nos EUA, o Jobless Claims subiu de 210k para 231k na última semana. O nível do indicador ainda é compatível com um mercado de trabalho extremamente robusto. Não há mudança de cenário nesta direção.

Agenda:

Amanhã teremos a divulgação dos dados de mercado de trabalho nos EUA. Acredito que o foco deverá ficar por conta do Average Hourly Earnings, ou o rendimento dos trabalhadores em um português mais simples. Caso o número venha mais forte do que o esperado, o mercado retornará a dinâmica de abertura de taxa de juros nos EUA e pressão nos ativos de risco, com o mercado interpretando que o Fed esteja “atrás da curva” nas altas de juros. Um número mais baixo poderá levar a um grande alívio dos ativos de risco e um rally mais acentuado de todos aqueles ativos que mais sofreram nas últimas semanas (Em, US Equities e afins).

Visão & Posição:

Não alteramos de forma relevante nosso portfólio. Continuamos administrando apenas os tamanhos e os instrumentos das posições, mas com os temas de investimentos inalterados.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. 




Data: 07/03/2018

Risk-Off!

 

Mercados & Cenário:

No início da noite da ontem a mídia internacional reportou que Gary Cohn, o principal conselheiro econômico de Trump, visto como uma pessoa ponderada e liberal, estaria pedindo afastamento de suas funções. Se confirmado a notícia, seria um sinal de que Cohn perdeu a “queda de braço” em relação ao protecionismo que Trump  pretende colocar em prática e que não intenção do atual governo dos EUA de recuar nas medidas (tarifas) anunciadas na semana passada.

Os ativos de risco reagiram de maneira clássica, com um movimento de “risk-off”. Desde então, vimos alguma estabilização do humor global a risco, mas ainda há um senso de fragilidade nos mercados financeiros globais.

Este evento apenas reforço a minha visão mais cautelosa que vem sendo descrito neste fórum já desde fins de janeiros.

Acredito que os dados de crescimento global estejam dando suporte aos ativos de risco no curto-prazo. Como venho comentando nas últimas semanas, a despeito de sinais mais negativos, tais como pressões inflacionarias nos EUA, desaceleração da China, protecionismo dos EUA e afins (veja mais aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/), o crescimento global ainda garante algum suporte ao humor global a risco.

Eu reafirmo minha visão de que o momento seja de portfólios mais neutros, de utilização de instrumentos e estruturas que se defendam de “riscos de cauda” (ou riscos de stress) e pela busca de posições relativas. Como argumentei diversas vezes nos últimos meses, por exemplo, vejo as bolsas americanas operando “de lado”, com mais volatilidade, porém sem direção clara, como o S&P entre 2.550 e 2.850.

Nesta fase do ciclo econômico, assim como em 2007/2008 antes da crise imobiliária nos EUA, o mercado favoreceu e (deve favorecer agora) os ativos emergentes, que são percebidos como ativos com melhores fundamentos econômicos, uma posição técnica mais saudável e nível de preços e “valuations” mais atrativos. O mesmo vale para algumas commodities. Este ambiente, contudo, precisará ser reavaliado ao menor sinal de piora nas perspectivas de crescimento e/ou com evidências mais claras de inflação acima do esperado nos EUA ou no resto do mundo desenvolvido.

No Brasil, as coletas de inflação continuam apontando para um inflação corrente extremamente baixa. O mercado já migrou para uma expectativa de mais um corte de 25bps na Taxa Selic, para 6,5%. Os juros devem permanecer neste patamar (ou em torno dele) no horizonte relevante de tempo. Não há novidades relevantes no campo político. A candidatura de Lula parece cada vez mais difícil, Bolsonaro continua liderando as pesquisas de intenções de votos na ausência de Lula.

Dados Econômicos:

Na Austrália, o PIB do 4Q17 apresentou alta de 0,4% QoQ, abaixo das expectativas de o,5% QoQ. A despeito da surpresa, a abertura do indicador apresentou um quadro qualitativo relativamente positivo.

No Brasil, a produção industrial caiu um pouco mais que o esperado no mês de janeiro, (-2,4% MoM) mas não alterou o cenário de recuperação gradual do crescimento do país.

Agenda:

Destaque do dia para o ADP Employment nos EUA. Amanhã e sexta teremos a decisão do ECB na Europa e do BoJ no Japão.

Visão & Posição:

Aproveitamos o movimento recente para alongar a posição de NTNB no nosso portfólio local. Assim como o mercado, vemos uma probabilidade alta de mais um corte de 25bps na Taxa Selic. Nos atuais níveis de preço, acreditamos que a curva de juros esteja excessivamente inclinada e as maiores oportunidades estão na compressão dos prêmios da curva longa, visando uma taxa de juros mais baixa por mais tempo.

Adicionamos na semana passada uma posição comprada em EUR para compor o portfólio externo que já era comprado em JPY e vendido em AUD. Utilizamos o mercado de opções, onde vemos a volatilidade implícita em níveis atrativos.

O cenário de déficit fiscal e déficit nas contas externas deverá favorecer o enfraquecimento do dólar contra as moedas de países desenvolvidos. Os problemas domésticos na Austrália, aliados aos ruídos de uma política externa mais combativa do Governo Trump deveria favorecer o enfraquecimento do AUD.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 06/03/2018

Crescimento global positivo ainda sustenta humor global a risco.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco foram capazes de superar a retórica agressiva de Trump em relação a imposição de tarifas de importação para o Aço e o Alumínio, além de ignorarem um resultado marginalmente mais negativa nas eleições da Itália, e acabaram encerrando a segunda-feira em tom mais positivo.

Acredito que os dados de crescimento global estejam dando suporte ao ativos de risco. Como venho comentando nas últimas semanas, a despeito de sinais mais negativos, tais como pressões inflacionarias nos EUA, desaceleração da China, protecionismo dos EUA e afins (veja mais aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/), o crescimento global ainda garante algum suporte ao humor global a risco.

Eu reafirmo minha visão de que o momento seja de portfólios mais neutros, de utilização de instrumentos e estruturas que se defendam de “riscos de cauda” (ou riscos de stress) e pela busca de posições relativas. Como argumentei diversas vezes nos últimos meses, por exemplo, vejo as bolsas americanas operando “de lado”, com mais volatilidade, porém sem direção clara, como o S&P entre 2.550 e 2.850.

Nesta fase do ciclo econômico, assim como em 2007/2009 antes da crise imobiliária nos EUA, o mercado favoreceu e (deve favorecer agora) os ativos emergentes, que são percebidos como ativos com melhores fundamentos econômicos, uma posição técnica mais saudável e nível de preços e “valuations” mais atrativos. O mesmo vale para algumas commodities. Este ambiente só será , e precisará ser reavaliado, ao menor sinal de piora nas perspectivas de crescimento e/ou com evidências mais claras de inflação acima do esperado nos EUA ou no resto do mundo desenvolvido.

No Brasil, a grande supresa recente ficou pro conta da inflação corrente mais baixa do que o esperado, o que levou o mercado a precificar mais uma queda de 25bps na Taxa Selic para 6,5%. Esta probabilidade já gira em torno de 75%. Os indicadores recentes crescimento estão surpreendendo o mercado levemente na ponta negativa, mas ainda vejo um ambiente de recuperação gradual do crescimento do país.

Dados Econômicos:

Na Austrália, as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas do mercado, assim como a balança comercial. Contudo, os indicadores antecedentes do PIB acabaram levando a uma leve revisão altista para o número que será divulgado essa semana. De qualquer maneira, o RBA (banco central do país) manteve sua política monetária estável, dentro das expectativas do mercado.

Agenda:

A semana traz como destaque os dados de emprego nos EUA e a decisão do ECB na Europa. Hoje teremos a produção industrial no Brasil.

Visão & Posição: 

Aproveitamos o movimento recente para alongar a posição de NTNB no nosso portfólio local. Assim como o mercado, vemos uma probabilidade alta de mais um corte de 25bps na Taxa Selic. Nos atuais níveis de preço, acreditamos que a curva de juros esteja excessivamente inclinada e as maiores oportunidades estão na compressão dos prêmios da curva longa, visando uma taxa de juros mais baixa por mais tempo.

Adicionamos na semana passada uma posição comprada em EUR para compor o portfólio externo que já era comprado em JPY e vendido em AUD. Utilizamos o mercado de opções, onde vemos a volatilidade implícita em níveis atrativos.

O cenário de déficit fiscal e déficit nas contas externas deverá favorecer o enfraquecimento do dólar contra as moedas de países desenvolvidos. Os problemas domésticos na Austrália, aliados aos ruídos de uma política externa mais combativa do Governo Trump deveria favorecer o enfraquecimento do AUD.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.

 




Data: 05/03/2018

Eleição na Itália, Metas na China e baixa inflação no Brasil.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom levemente negativo. A manutenção de uma retórica dura de Trump (nos EUA) em relação ao anuncio de medidas protecionistas e o resultado da eleição na Itália estão, neste momento, ditando o ritmo dos mercados financeiros globais.

Na Itália, uma vez mais, as pesquisas eleitorais falharam em antecipar um forte avanço de partidos populistas. O resultado é de certa forma negativo, mas não totalmente inesperado. O cenário base, a partir de agora, é para a tentativa de formação de um governo, o que deve perdurar por bastante tempo sem uma conclusão óbvia. O DB resumiu de forma clara a situação:

Yet again, opinion polls got it wrong. Five Star and Northern League came in significantly stronger than projected by opinion polls.

No party or formal coalition has a majority. Arithmetically, however, an anti-establisment/euroscepitc post-election alliance between Five Star and NL has an outright majority. The next few days will be important to understand if such a coalition can effectively be formed.

The focus will turn to the President of the Republic and the consultations he will undertake to form a government around end-March/early-April.

As long as the threat to euro membership remains absent, an accumulation of factors is required to create real fear about debt sustainability. It will take time to accumulate these factors.

Na China, o Governo anunciou uma meta de crescimento “em torno de 6,5%”, mas adotou um discurso mais duro em relação ao déficit fiscal. O anunciou confirma uma maior disposição em lidar com problemas, ou excessos, em setores específicos da economia, nem que isso incorra em um menor crescimento no curto-prazo.

No Brasil, o grande destaque recente está por conta das surpresas baixistas na inflação. Este pano de fundo levou o mercado a reavaliar a probabilidade de mais uma queda de 25bps na Taxa Selic, para 6,5%, hoje precificada com chances superiores a 60%. Este ambiente tem permitido que os ativos locais, especialmente o mercado de juros e câmbio, apresente desempenho relativo melhor que os seus pares globais.




Data: 05/03/2018

Trade War and Italian Election.

 

Mercados & Cenário:

A mídia internacional voltou o seu foco no final de semana para os eventos recentes nos EUA, em especial para as declarações de Trump de que irá impor tarifas elevadas de importação para o Aço e o Alumínio. Comentei isso na semana passada e reafirmo minha visão (mais detalhes abaixo/ https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/trade-war.html).

A China, por ora, está adotando um tom mais conciliador, buscando o diálogo e evitando um conflito retórico mais duro (https://www.ft.com/content/db0106f8-1f7f-11e8-a895-1ba1f72c2c11). Se isso mudar, a situação pode ficar um tanto quanto mais complicada e negativa. A Europa e o Canadá adotaram um tom retórico mais duro, mas parecem ter um poder de barganha menor do que a China.

Na Alemanha, Merkel conseguiu o apoio de coalização para mais um governo, o que era de certa forma esperado e reduz um “risco de cauda” do cenário europeu. As eleições na Itália estão acontecendo neste momento e a apuração de votos terá início às 19h00 no horário de Brasília.

No Brasil, o Estadão traz notícia de que O MDB do atual presidente Michel Temer poderia apoiar Henrique Meirelles, atual Ministro da Fazenda, para vice-presidente da chapa de Geraldo Alckmin, do PSDB, nas eleições de outubro. Por ora, são apenas rumores. Se confirmado, daria a chapa de Alckmin muito tempo de TV e mídia, bastante exposição, além de toda a “maquina” do governo a seu favor, o que nesta eleição, em especial, poderá ter um enorme impacto no resultado oficial.

Voltando ao tema do início deste texto, estamos convivendo com uma economia no pleno emprego nos EUA (o Jobless Claims divulgado na última semana não deixa dúvida disso) e com o hiato do produto fechado (as pressões inflacionárias são cada vez mais evidentes). Neste pano de fundo, o Governo Americano aprovou uma Reforma Tributária em que reduziu substancialmente os impostos e levará a um aumento expressivo do déficit fiscal. As contas externas já apresentam um quadro de déficits elevados. Para encerrar este ambiente, o Governo ainda estuda um Pacote de Infraestrutura, o afrouxamento da regulação bancária visando o estímulo ao crédito e, agora, começa a adotar medidas protecionistas, visando o estímulo à economia doméstica.

De maneira geral, este pano de fundo costuma não chegar a um destino positivo. O protecionismo recente costuma trazer menos crescimento e mais inflação, um “coquetel” que costuma ser muito negativo para os ativos de risco.

Levando em conta o ponto de partida de preços, valuations e posição técnica, além do pano de fundo econômico, a cofirmação do cenário descrito acima pode levar uma depreciação conjunta dos ativos dos EUA, com o dólar (USD), as bolsas e os títulos de dívida (bonds)do país em queda.

Este cenário descrito acima deverá centralizar o debate de curto-prazo. De maneira geral, contudo, como o crescimento global continua robusto e saudável, ainda fica difícil de vislumbrar um movimento mais consolidadamente negativo para os ativos de risco. Caso este vetor mude (para menor crescimento) o cenário poderá se tornar um tanto quanto complicado (negativo). Por isso, continuo favorecendo um portfólio mais neutro no curto-prazo, mas observando atentamente a evolução dos demais vetores econômicos. Estou me tornando cada vez mais angustiado com as evidências recentes.

Nosso portfólio (mais detalhes abaixo) já estava preparado para este ambiente e estamos apenas ajustando ativamente os instrumentos e tamanhos das posições. Além da compra de JPY e venda de AUD adicionamos uma compra de EUR no portfólio. Seguimos taticamente vendidos em S&P e estruturalmente tomados em juros. No Brasil, nosso portfólio está concentrado em NTN-Bs mais longas e com um portfólio de ações mais voltado para a economia doméstica.

Agenda:

As eleições na Itália terão um desfecho nesta madrugada. A semana traz como destaque os dados de emprego nos EUA.




Data: 02/03/2018

Trade War!

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco reagiram de forma negativa ao anuncido feito por Trump ontem de que irá impor tarifas elevadas de importações para produtos como Aço e Alumínio. Se confirmada, as declarações de Trump irão delinear um cenário extremamente complicado e perigoso para a economia dos EUA.

Estaremos convivendo com uma economia no pleno emprego (o Jobless Claims divulgado ontem não deixa dúvida disso), com o hiato do produto fechado (as pressões inflacionárias são cada vez mais evidentes). Neste pano de fundo, o Governo Americano aprovou uma Reforma Tributária em que reduziu substancialmente os impostos e levará a um aumento expressivo do déficit fiscal e a um aumento do déficit em conta corrente. Para encerrar este ambiente, o Governo ainda estuda um Pacote de Infraestrutura, o afrouxamento da regulação bancária visando o estímulo ao crédito e, agora, começa a adotar medidas protecionistas, visando o estímulo a economia doméstica.

De maneira geral, este pano de fundo costuma não chegar em um destino positivo. Como já comentei neste fórum no passado, Trump parece estar seguindo a mesma cartilha adotada nos dois Governos de Dilma no Brasil. Nós, como Brasileiros, devemos saber onde isso chegou.

Nosso portfólio (mais detalhes abaixo) já estava preparado para este ambiente, e estamos apenas ajustando ativamente os instrumentos e tamanhos das posições. Além da compra de JPY e venda de AUD adicionamos uma compra de EUR no portfólio. Seguimos taticamente vendidos em S&P e estruturalmente tomados em juros.

No Japão, o BoJ declarou que pode começar um processo de normalização monetária no ano fiscal de 2019, o que está dando suporte ao JPY neste momento. Além disso, vimos a divulgação de dados extremamente robustos do mercado de trabalho, com a Taxa de Desemprego caindo de 2,8% para 2,4%, muito abaixo das expectativas. Os números de inflação da região de Tókio também surpreenderam para cima o consenso do mercado.

O Brasil continua seguindo o humor global a risco, mas o cenário cíclico mais positivo está ajudando com que o “beta” dos movimentos seja muito menor do que no passado.

Agenda:

A agenda do dia será relativamente esvaziada. No final de semana, as eleições na Itália serão o foco do mercado. Hoje, o consenso aponta para um resultado misto, que não traria grandes mudanças no quadro político do país. O risco fica por conta do crescimento dos partidos radicais, que poderiam formar um bloco de controle maior e dominar o país. As consequências para os ativos de risco poderiam ser desastrosas no curto-prazo.

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais:

No Brasil, o pIB do 4Q17 ficou abaixo das expectativas do mercado, com crescimento de 0,1% QoQ. A despeito da surpresa negativa, o número não latera o cenário de uma recuperação gradual do crescimento do país.

Nos EUA, O ISM Manufacturing atingiu um novo pico para este ciclo econômico, com uma abertura da mesma forma positiva. A despeito das surpresas recentes em alguns indicadores, os sinais são de uma economia que ainda cresce a taxas robustas.

O Jobless Claims caiu ao menor nível desde 1969. O número mostra um mercado de trabalho em ebulição, no pleno emprego.

Visão:

Adicionamos uma posição comprada em EUR para compor o portfólio externo que já era comprado em JPY e vendido em AUD. Utilizamos o mercado de opções, onde vemos a volatilidade implícita em níveis atrativos.

O cenário de déficit fiscal e déficit nas contas externas deverá favorecer o enfraquecimento do dólar contra as moedas de países desenvolvidos. Os problemas domésticos na Austrália, aliados aos ruídos de um política externa mais combativa do Governo Trump deveria favorecer o enfraquecimento do AUD.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 01/03/2018

Watching Global Growth..

 

O destaque da manhã fica por conta do fechamento de taxas das Treasuries e dos demais países desenvolvidos na Europa. As commodities operam em queda. O movimento é uma continuidade daquele verificado ao longo da quarta-feira. O AUD também opera pressionado, após dados de “capex”/investimentos abaixo das expectativas do mercado. 

 

Nas últimas semanas observamos sinais de acomodação do crescimento global. Até o momento, vejo este movimento como natural neste estágio do ciclo econômico. Contudo, a queda recente do PMI Manufacturing na China acendeu um sinal amarelo no meu cenário e merecerá atenção nos próximos dias/semanas.

 

Com muitos ativos de risco ainda em níveis de “valuations” pouco atrativos (ou menos triviais), sinais mais concretos ou coordenados de desaceleração global não seriam bem recebidos pelos mercados. Por ora, reforço que este ainda é um cenário alternativo. A desaceleração ainda me parece pontual e normal para este estágio do ciclo econômico. Os indicadores continuam em níveis sólidos e condizentes com um crescimento global saudável. Contudo, por vezes, o mercado pode reagir, mesmo que pontualmente, a variações no “delta”, na margem, do crescimento. 

 

Mantenho uma visão mais cautelosa no curto-prazo no tocante aos ativos de risco, mas com a consciência de que a divulgação do Core PCE nos EUA pode dar o tom da dinâmica dos mercados financeiros globais nos próximos dias. O mercado já espera uma alta de 0,3% MoM, que é considerada elevada para os padrões históricos do indicador. 

 

Ontem comentei de maneira mais detalhada sobre os últimos acontecimentos no mercado de renda fixa dos EUA, que merecem atenção nos próximos dias, como eventuais oportunidades, ou como sinalização de um cenário mais desafiador pela frente. Vejam mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/us-fixed-income-in-focus.html. 

 

Agenda: 

A agenda de amanhã traz O PIB do Brasil como destaque local. Nos EUA teremos o Core PCE e o ISM Manufacturing como foco do dia. 

 

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais: 

Na Coréia do Sul, as exportações dos primeiros 20 dias de fevereiro mostram um quadro de relativa estabilidade do crescimento do país. As exportações da Coréia são vistas como uma “proxy”, ou um termômetro, da economia global, dado a corrente de comércio elevada do país e as características da economia coreana. Segundo a Goldman Sachs: 

"February headline exports slowed to 4.0% yoy, down from 22.3% yoy in the previous month, but better than consensus expectations of 0.5% and our above-consensus forecast of 1.5%, on acceleration in exports towards end of the month following the Lunar New Year holidays. Sequential momentum weakened to -0.8% mom sa, the first sequential decline since Oct 2017, but the 3m/3m momentum improved to +1.6% from a marginal decline of -0.3% in the previous month. Imports moderated to 14.8% yoy, narrowing the trade surplus slightly to US$3.3bn. 

 

Na Austrália, os números de “capex”/investimentos ficaram abaixo das expectativas do mercado. A economia do país mostra um desempenho claramente inferior aos seus pares nesta fase do ciclo econômico, o que vem permitindo que o RBA mantenha uma política monetária mais frouxa por mais tempo. Segundo o Citibank: 

 

"Private sector capital expenditure fell by 0.2% in Q4, below the market consensus estimate and Citi’s 1.0% forecast. On a yearly basis, capex growth actually accelerated to 4.0% but only because of a weaker base effect from falling capex in Q4 2016. Mining capex returned to quarterly negative growth, falling by 4.7% while other selected industries (services and construction) posted a fifth consecutive gain, increasing by 1.7% (Figure 2 again). Manufacturing rose 2.6%. In total non-mining capex increased by 1.7%, but this is below the average for all other quarters in 2017 of 2.7%. 

 

Capex gains was across fewer industries and states. Chain volume data for the detailed industry breakdown isn’t available, but current price data showed capex gains concentrated in only a few services sectors such as utilities, finance and insurance, real estate and transport, postal and warehousing. Falls were recorded in wholesale and retail trade, construction, IT and telcos, professional, scientific and technical services and other selected services. In addition, there was a geographical narrowing of capex gains to NSW, VIC and QLD. SA, WA and TAS actual chain volume capex spending eased in Q4." 

 

Visão: 

 

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum. 

 

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”. 

 

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo). 

 

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra. 

 

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

 

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.   




Data: 28/02/2018

US Fixed Income in Focus!

Mercados & Comentários:

Neste momento, os ativos de risco demonstram sinais de fragilidade. Continuo com um viés um pouco mais negativo no curto-prazo, pelos motivos já citados neste fórum nos últimos dias. Minha visão central continua a ser de manutenção de um portfólio mais neutro (mais detalhes abaixo, na última seção deste texto).

No Brasil dois eventos merecem destaque. Primeiro, o Instituto de Pesquisa Paraná divulgou uma pesquisa para Presidente da República no Estado de São Paulo. A pesquisa mostrou uma competitividade grande, especialmente entre Bolsonaro e Alckmin. Continuo acreditando que estamos muito distantes das eleições para este tipo de pesquisa fazer preço no mercado. Contudo, quanto mais perto chegamos do pleito, mais importante esses eventos se tornarão. Vejo a pesquisa de hoje como positiva, pois mostra uma competitividade grande de candidatos que são considerados menos traumáticos para o cenário econômico pós eleições, mesmo sabendo de todos os riscos existentes e as incertezas do plano econômico de muitos desses nomes.

Segundo, o Credit Suisse soltou um relatório dando um “downgrade” no mercado de renda variável no Brasil. O relatório parece estar afetando pontualmente o humor para a bolsa local.

Nos EUA, continuando o que escrevi aqui mais cedo em torno do mercado de “Money Market” no país (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/lower-china-pmi-watch-out-for-libor-ois.html), vale destacar que vimos mais uma rodada de abertura de taxas e spreads dos instrumentos de renda fixa com curta “duration” ao longo do dia, e mais uma abertura do LIBOR-OIS.

A despeito deste indicador ter sido um sintoma bastante negativo na crise de 2008, muitos afirmam que, neste momento, a abertura deste spread está mais ligada a uma questão técnica de aumento da oferta de “T-bills”, em um momento de demanda cadente, do que propriamente um sinal mais desastroso ou negativo para os mercados financeiros globais. De qualquer maneira, é um sinal que precisa ser monitorado.

Além deste efeito, diante do cenário atual de normalização monetária nos EUA, com alta dos Fed Funds e redução do balanço de Fed, alguns outros efeitos secundários também são sentidos no mercado de renda fixa dos EUA.

Um desses efeitos é o aumento do custo de hedge dos “Corporate Bonds” americanos para investidores do Japão e da Europa, grandes compradores destes papéis nos últimos anos. Essa mudança de cenário pode trazer grandes movimentos e transformações em um mercado extremamente expressivo para os ativos de risco.

Por ora, esses movimentos estão sendo ordenados, mas precisamos monitora-los atentamente, pois é um mercado de mais de US$4 trilhões, que pode ter impacto significativo nos demais ativos de risco.

Os artigos abaixo, o primeiro do Financial Times e o segundo da PIMCO, falam um pouco sobre o que está ocorrendo no mercado de renda fixa dos EUA de maneira mais didática:

https://www.ft.com/content/112b115e-1618-11e8-9e9c-25c814761640

https://blog.pimco.com/en/2018/02/tapping-yield-at-the-front-end-of-the-curve

Dados econômicos:

No Brasil, a Taxa de Desemprego subiu de 11,8% para 12,2% em janeiro, acima das expectativas de 12,0%. Mesmo o número dessazonalizado apresentou alta na mesma magnitude. Observamos alguma acomodação nos dados de rendimentos. De maneira geral, o número de hoje me parece apenas uma acomodação do emprego, e não uma mudança de tendência positiva.

Nos EUA, as revisões do PIB do 4Q18 não trouxeram informações relevantes novas. O Chicago PMI caiu de 65,7 para 61,9 pontos, abaixo das expectativas de 64,1. A despeito da queda, o número continua em patamar elevado e consistente com um crescimento robusto e saudável da economia.

O Consumer Confidence, por sua vez, subiu de 124,3 para 130,8 pontos, acima das expectativas de 126,5. A abertura do indicador também foi bastante positiva, com o sub-indice de emprego atingindo o maior patamar em vários anos.

Agenda:

A agenda de amanhã traz O PIB do Brasil como destaque local. Nos EUA teremos o Core PCE e o ISM Manufacturing como foco do dia.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como o discurso de Powell hoje, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, manterei uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos à posição comprada em JPY.




Data: 28/02/2018

Lower China PMI/ Watch out for LIBOR-OIS Spread!

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento (6h00 de Brasília). Vejo os mercados financeiros globais ainda bastante sensíveis às taxas de juros no mundo desenvolvido e, em especial, as taxas das Treasuries nos EUA. Assim, vejo espaço para novos movimentos de “risk-off” no curto-prazo. De qualquer maneira, mantenho um portfólio mais neutro e uma postura mais tática (detalhes abaixo), ou seja, administrando ativamente os tamanhos e os instrumentos do portfólio.

A noite trouxe dados econômicos apontando para certo “speed bump” na economia global (ver detalhes abaixo) com um PMI Manufacturing abaixo das expectativas na China e dados de produção industrial e vendas no varejo em queda no Japão.

Nas últimas semanas começou a chamar à atenção dos mercados externos a abertura de spreads entre a LIBOR-OIS. Este é indicador que ficou bastante famoso na crise de 2008 e costuma medir a liquidez do mercado bancário dos EUA e a percepção do risco bancário do mesmo.

A LIBOR é um indicador de retorno das “taxas bancáris” para “empréstimos” no “overnight” (de um dia para outro). A OIS é a taxa de um swap de mesmo vencimento (“duration”), mas que não apresenta o risco bancário e não apresenta transferência do montante total dos recursos. Por ser um derivativo, o OIS necessita apenas de ajustes diários de margem. Assim a diferença entre as duas e vista como um indicador da percepção do mercado em relação aos riscos do mercado bancário e da liquidez deste mercado.

A recente abertura deste spread não tem, ainda, uma explicação concreta, mas está chamando a atenção dos investidores e merece alguma atenção nos próximos dias.

Agenda:

A agenda de hoje traz o Chicago PMI como destaque nos EUA e a Taxa de Desemprego no Brasil como destaque.

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais:

Na China, o Manufacturing PMI recuou de 51,3 para 50,3 pontos em janeiro, abaixo das expectativas de relativa estabilidade. O Ano Novo Lunar pode ter afetado negativamente o indicador de forma pontual. Ainda parece cedo para conclusões mais concreta em torno deste indicador, mas eu diria que a queda está em linha com um cenário de desaceleração gradual da economia chinesa ao longo deste ano. O risco continua a ser de uma desaceleração mais acentuada e inesperada pelo mercado.

No Japão, a produção industrial e as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas. O mesmo efeito do Ano Novo Lunar chinês citado acima pode ter tido impacto negativo nestes indicadores. Os dados econômicos do país costum ser bastante voláteis e qualquer conclusão, neste momento, me parece precipitada.

Na França, o CPI ficou abaixo das expectativas reduzindo, em grande parte, os riscos do CPI fechado da Área do Euro surpreender positivamente (para cima) nas próximas horas.

Visão:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 27/02/2018

A new hawkish sheriff in town?

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco estão tendo um dia de “risk-off” clássico, após o discurso de Powell – novo presidente do Fed – ao Congresso americano ser lido como mais hawkish do que as expectativas. Neste momento, vemos uma queda nas bolsas e nas commodidites, um dólar mais forte no mundo e uma abertura das taxas de juros nos EUA. Os ativos no Brasil continuam seguindo o humor global a risco, mas vem demonstrando um “beta” menor, de certa forma “blindados” pelos fundamentos cíclicos mais positivos.

Powell descreveu um cenário bastante positivo, com riscos (em sua maioria) na direção da necessidade de mais altas de juros. Como os ativos de risco estão bastante sensíveis as taxas de juros nos EUA, a alta nas taxas acabou dando ímpeto a um movimento de realização de lucros nos ativos de risco após a recuperação verificada nas últimas duas semanas.

O movimento de hoje, liderado pelas declarações de Powell, apenas confirmam nosso cenário base de um mercado mais volátil e da necessidade de uma postura mais tática, de um portfólio mais neutro e da utilização de instrumentos que mitiguem riscos de cauda.

Dados econômicos:

No Brasil, destaque para o superávit fiscal primário de R$31,1bi em janeiro, muito superior as expectativas de R$23bi. O número reforça a minha visão de que até mesmo o quadro fiscal, o grande problema do país no longo-prazo, será favorecido pela recuperação cíclica da economia, com mais crescimento, melhora do emprego, inflação e juros mais baixos.

Nos EUA, o Durable Goods Orders ficou abaixo das expectativas. O número de soma a uma sequência de dados um pouco mais fracos divulgados nas últimas semanas. Vejo este processo de acomodação como natural nesta fase do ciclo econômico. Ainda não vejo motivos para alterar o cenário de um crescimento ainda saudável da economia este ano.

O Consumer Confidence, por sua vez, subiu de 124,3 para 130,8 pontos, acima das expectativas de 126,5. A abertura do indicador também foi bastante positiva, com o sub-indice de emprego atingindo o maior patamar em vários anos.

Agenda:

A agenda de amanhã traz o Chicago PMI como destaque nos EUA e a Taxa de Desemprego no Brasil como destaque.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como o discurso de Powell hoje, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, manterei uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos à posição comprada em JPY.




Data: 27/02/2018

[Update] All eyes on Fed Chair Powell.

Mercados & Comentários:

Na expectativa do discurso de Powell, novo presidente do Fed, ao Congresso nos EUA, os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom um pouco mais misto. Neste momento (6h00 de Brasília) vemos uma leve queda das bolsas, um dólar e commodities mais mistas e uma pequena abertura das taxas de juros nos EUA e demais países desenvolvidos.

A noite foi relativamente esvaziada em termos de dados econômicos. Além de Powell, a agenda trará Durable Goods e Consumer Confidence.

No Brasil, a mídia continua focada em um cenário eleitoral que pouca informação nova e concreta trouxe para a dinâmica dos mercados locais nas últimas semanas, exceto pela condenação de Lula em segunda instância. O cenário econômico segue ciclicamente bastante positivo.

Os ativos de risco estão apresentando mais um dia de bom desempenho, de maneira geral. Para não soar repetitivo, minha visão de curto e longo-prazo foi descrita em mais detalhes nos últimos dias e pode ser lida aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/updated.html.

Em termos gerais, a estabilização das Treasuries nos EUA abaixo de 2,9% parece estar dando um alento aos mercados financeiros, em um pano de fundo de crescimento global ainda robusto e a despeito dos sinais cada vez mais claros de um “renascimento” das pressões inflacionárias nos EUA.

Passado o ajuste técnico dos ativos de risco na primeira quinzena de fevereiro, o mercado parece mais balanceado. Uma nova rodada de deterioração irá demandar novos sinais inflacionários no mundo desenvolvido, especialmente nos EUA. Enquanto isso, o mercado sinaliza que há demanda e disposição pela busca por ativos com posição técnica saudável, “valuations” atrativos e fundamentos sólidos. Neste contexto, os ativos emergentes já viraram consenso entre os sell-sides e muitos buy-sides. Em algum momento, isso pode ser uma restrição a apreciações adicionais. Por ora, “the trend (and the flow) is your friend...”.

O Brasil vem se beneficiando deste pano de fundo e ainda é impulsionado por um cenário econômico local bastante positivo. O destaque do dia ficou por conta do “bull  flattening” da curva de juros, em linha com nosso comentário no final da semana passada (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brazilian-rates.html).

Dados econômicos:

No Brasil, destaque para as contas externas. A conta corrente apresentou déficit inferior as expectativas (US$4,3bi vs US$5bi esperados) com surpresa positiva do FDI (US$6,5bi vs expectativas de US$3,8bi). Acho válido chamar a atenção para o forte fluxo na conta capital, com entrada superior a US$10bi em renda fixa e renda variável. O fluxo é elevado inclusive para a sazonalidade deste período do ano (janeiro).

Os números de hoje confirmam nossa visão de contas externas saudáveis e poucos riscos nesta frente. De qualquer maneira, o BRL deverá continuar seguindo o humor global a risco. Tenho um viés mais positivo com o BRL neste estágio e próximo a 3,25, mas mantenho a visão de que ele deverá permanecer em uma banda entre 3,10 e 3,30 no horizonte relevante de tempo.

A arrecadação de janeiro também surpreendeu as expectativas positivamente, reforçando o cenário base de que até mesmo o quadro fiscal, o grande problema do país no longo-prazo, será favorecido pela recuperação cíclica da economia, com mais crescimento, melhora do emprego, inflação e juros mais baixos.

Agenda:

O destaque da agenda de amanhã ficará por conta da apresentação de Powell, novo presidente do Fed, ao Congresso americano. Powell falará em nome do Comitê. Assim, deverá reforçar a visão de que a política monetária deverá seguir na direção de normalização. Devemos esperar mais altas de juros e a continuidade do balanço do Fed. Powell deverá mostrar um tom mais otimista em relação a recuperação da economia e pode dar algum sinal mais forte de sua visão em relação ao potencial impacto da Reforma Tributária. Qualquer sinalização muito diferente desta poderá ter impacto imediato e relevante nos mercados.

A curva de juros nos EUA precifica probabilidade em torno de 90% de mais uma alta de 25bps nos Fed Funds em março. A curva precifica cerca de 2,5 altas de 25bps este ano, mas poucas altas em 2019. Ainda me parece haver espaço para ajustes nesta frente (juros mais altos) ao longo do ano e conforme o cenário de crescimento sólido e inflação ascendente for se confirmando.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 27/02/2018

DM Inflation and Yields in Focus! Spain Inflation higher...

A inflação na Espanha ficou acima das expectativas em janeiro (vide abaixo). A Alemanha divulga o seu número fechado em breve. 

Os mercados financeiros globais mostraram estabilização nas últimas duas semanas após a estabilização das taxas de juros nos EUA. Números mais fortes de inflação poderiam trazer de volta a tona o debate do "reflation" no mundo, com um "spike" nos "yields" podendo afetar o humor global a risco.

É por isso que continuo com um cenário mais cauteloso e um portfólio mais neutro.




Data: 26/02/2018

All eyes on Fed Chair Powell.

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco estão apresentando mais um dia de bom desempenho, de maneira geral. Para não soar repetitivo, minha visão de curto e longo-prazo foi descrita em mais detalhes nos últimos dias e pode ser lida aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/updated.html.

Em termos gerais, a estabilização das Treasuries nos EUA abaixo de 2,9% parece estar dando um alento aos mercados financeiros, em um pano de fundo de crescimento global ainda robusto e a despeito dos sinais cada vez mais claros de um “renascimento” das pressões inflacionárias nos EUA.

Passado o ajuste técnico dos ativos de risco na primeira quinzena de fevereiro, o mercado parece mais balanceado. Uma nova rodada de deterioração irá demandar novos sinais inflacionários no mundo desenvolvido, especialmente nos EUA. Enquanto isso, o mercado sinaliza que há demanda e disposição pela busca por ativos com posição técnica saudável, “valuations” atrativos e fundamentos sólidos. Neste contexto, os ativos emergentes já viraram consenso entre os sell-sides e muitos buy-sides. Em algum momento, isso pode ser uma restrição a apreciações adicionais. Por ora, “the trend (and the flow) is your friend...”.

O Brasil vem se beneficiando deste pano de fundo e ainda é impulsionado por um cenário econômico local bastante positivo. O destaque do dia ficou por conta do “bull  flattening” da curva de juros, em linha com nosso comentário no final da semana passada (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brazilian-rates.html).

Dados econômicos:

No Brasil, destaque para as contas externas. A conta corrente apresentou déficit inferior as expectativas (US$4,3bi vs US$5bi esperados) com surpresa positiva do FDI (US$6,5bi vs expectativas de US$3,8bi). Acho válido chamar a atenção para o forte fluxo na conta capital, com entrada superior a US$10bi em renda fixa e renda variável. O fluxo é elevado inclusive para a sazonalidade deste período do ano (janeiro).

Os números de hoje confirmam nossa visão de contas externas saudáveis e poucos riscos nesta frente. De qualquer maneira, o BRL deverá continuar seguindo o humor global a risco. Tenho um viés mais positivo com o BRL neste estágio e próximo a 3,25, mas mantenho a visão de que ele deverá permanecer em uma banda entre 3,10 e 3,30 no horizonte relevante de tempo.

A arrecadação de janeiro também surpreendeu as expectativas positivamente, reforçando o cenário base de que até mesmo o quadro fiscal, o grande problema do país no longo-prazo, será favorecido pela recuperação cíclica da economia, com mais crescimento, melhora do emprego, inflação e juros mais baixos.

Agenda:

O destaque da agenda de amanhã ficará por conta da apresentação de Powell, novo presidente do Fed, ao Congresso americano. Powell falará em nome do Comitê. Assim, deverá reforçar a visão de que a política monetária deverá seguir na direção de normalização. Devemos esperar mais altas de juros e a continuidade do balanço do Fed. Powell deverá mostrar um tom mais otimista em relação a recuperação da economia e pode dar algum sinal mais forte de sua visão em relação ao potencial impacto da Reforma Tributária. Qualquer sinalização muito diferente desta poderá ter impacto imediato e relevante nos mercados.

A curva de juros nos EUA precifica probabilidade em torno de 90% de mais uma alta de 25bps nos Fed Funds em março. A curva precifica cerca de 2,5 altas de 25bps este ano, mas poucas altas em 2019. Ainda me parece haver espaço para ajustes nesta frente (juros mais altos) ao longo do ano e conforme o cenário de crescimento sólido e inflação ascendente for se confirmando.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 26/02/2018

Momento de acomodação. Cenário evolui de maneira fluida.

Mercados & Comentários:

Na ausência de novidades relevantes no cenário, os ativos de risco estão abrindo a semana na mesma toada em que finalizaram a semana passada, ou seja, com as bolsas em alta, um leve fechamento de taxa de juros no mundo desenvolvido, um dólar mais fraco no mundo e as commodities com desempenho misto.

Os ativos de risco parecem estar passando por um momento de consolidação, passado o ajuste técnico na primeira quinzena de fevereiro. Por ora, não consigo identificar nenhuma tendência definida de curto-prazo.

Os leilões de títulos públicos (Bills, Notes and Bonds) nos EUA ao longo da semana, de tamanho elevado para os padrões históricos, devido a necessidade de financiamento de um déficit elevado em um momento de menor demanda (redução do balanço do Fed, redução de compras por parte de Japão e China e etc), foram relativamente bem digeridos pelo mercado, o que ajudou a estabilizar as Treasuries 10yrs em abaixo de 2,90%, dando alívio aos demais ativos de risco.

O cenário base continua sendo de um crescimento global sólido, robusto e saudável. Nos últimos dias, observamos alguns dados econômicos mais fracos do que as expectativas, especialmente na Europa e nos EUA. Este tipo de acomodação/consolidação dos dados econômicos costuma ser normal nesta fase do ciclo econômico. Ainda não há sinais mais preocupantes. O patamar dos números de crescimento continua apontando para uma economia global com crescimento sólido e sincronizado.

O grande risco para o cenário continuar a ser no campo inflacionário, especialmente nos EUA. Vejo a economia no pleno emprego, com hiato do produto fechado e com a acumulação de sinais de pressões (altistas) na inflação. A velocidade da inflação que será fundamental para a dinâmica dos ativos de risco nos próximos meses, assim como para a reação do Fed a este pano de fundo. Tenho escrito bastante sobre isso desde fins do ano passado (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

No Brasil, seguimos em um ambiente ciclicamente bastante positivo e sem novidades relevantes. O grande destaque dos últimos dias acabou ficando para a divulgação de novos indicadores apontando para um quadro bastante benigno para a inflação (baixista) (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brazilian-rates.html). O cenário ciclicamente positivo para o país, em termos econômicos, dificilmente será revertido nos próximos 12 a 18 meses. Para os mercados financeiros locais, contudo, temos as incertezas das eleições para presidente e o cenário externo.

Agenda:

A semana terá como destaque o Core PCE nos EUA, o principal indicar de inflação utilizado pelo Fed na análise econômica para implementação de sua política monetária. Após o Core CPI e o PPI, o mercado já espera uma aceleração deste indicador, para uma alta de 0,3% MoM em janeiro. Dado essas expectativas já elevadas, os riscos de curto-prazo acabam sendo mitigados, porém não totalmente isolados, dado a sensibilidade dos mercados financeiros globais as taxas de juros (“yields”) das Treasuries nos EUA.

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais:

O final de semana trouxe poucas novidades relevantes ao cenário. Acho válido citar a possibilidade da mudança da legislação na China, que pode permitir a consolidação do poder do atual primeiro ministro (vide detalhes abaixo no link para artigo do FT). A notícia pode ter pouco impacto de curto-prazo, mas pode abrir caminho, a longo-prazo, para um novo cenário no país.

Nessa linha, vimos na semana passada o Governo Chinês anunciar uma espécie de intervenção no Angbank, um grande conglomerado financeiro que, assim como a HNA, sofre problemas de liquidez devido a acelerada espanção, financiada por dívida, ao longo dos últimos anos. Com essa postura, o Governo mostra aversão a problemas financeiros maios graves, optando pelo intervencionismo no curto-prazo. Os problemas no mercado de crédito na China são conhecidos e crescem ano após ano. Por ora, o Governo Chinês têm mostrado enorme habilidade em administrar esta questão. Todavia, este é um risco que precisa ser monitorado no detalhe e não sairá do radar nos próximos anos.

FT - China poised to end two-term limit on presidency:https://www.ft.com/content/a99120f8-1a07-11e8-aaca-4574d7dabfb6

Visão:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 23/02/2018

Brazilian Rates.

Mercados & Comentários:

A sexta-feira manteve o tom descrito hoje pela manhã  de mercados sem grandes tendências no geral (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/sem-tendencias-relevantes.html).

Não houve informação ou movimentação nova no mercado externo que valha comentários adicionais aqueles já elaborados ao longo da semana.

Vale a pena concentrar os comentários de hoje na curva de juros do Brasil. Após um período de “bull steepening” da curva de juros nas últimas semanas, com o mercado elevando as apostas de mais um corte de 25bps na Taxa Selic (que já está com probabilidade em torno de 60% segundo o mercado de opções digitais), o mercado hoje apresentou um movimento de “bull flattening”, reagindo ao IPCA-15 de fevereiro e o anuncio do CMN comentado mais cedo do ajuste nas carteiras de fundos de previdência e seguradoras que será revertido nos próximos anos.

A curva curta de juros me parece relativamente bem precificada. Sem cortes adicionais da Taxa Selic, por exemplo, o Jan19 poderia abrir levemente taxas. Existe sim espaço para compressão de prêmios conforte o cenário de Taxa Selic entre 6,75% e 6,50% for sendo confirmado ao longo do ano. Contudo, a assimetria nesta parte da curva me parece ruim neste momento do ciclo. A título ilustrativo, o FRA do 4Q de 2018 está em 6,7%.

Continuo preferindo posições na parte intermediária da curva, que costuma performar melhor perto do fim do ciclo de afrouxamento monetário. O FRA de 2019 está em 8,5%, o que parece alinhado com um ciclo gradual de alta da Taxa Selic, caso necessário algum ajuste em 2019.

A parte longa da curva apresenta prêmios ainda maiores, mais deverá conviver com um cenário externo mais incerto e um período eleitoral ainda indefinido. Os FRAs mais longos, como o Jan21 a 10,6% parecem mais “premiados”, mas mesmo nesta parte da curva precisamos ter uma conjunção de vetores favoráveis para ganhos expressivos. 

Assim, por ora, tenho favorecido a parte intermediária e longa das curvas reais de juros. Entendo que o risco/retorno hoje no mercado local de juros seja pior do que no passado e, por isso, o tamanho das posições deverá ser ajustado de acordo com os riscos do cenário e de acordo com os atuais níveis de preço.

Dados econômicos:

No Brasil, destaque para o IPCA-15. O número ficou em linha com as expectativas, com alta de 0,38% MoM e 2,86% YoY. O qualitativo do indicador mostrou um quadro bastante positivo, de núcleos extremamente baixos. Outros indicadores correntes de inflação apontam para um quadro ainda mais benigno da inflação no curto-prazo. Nossa área econômica já trabalha com um IPCA que pode ficar abaixo de 3,5% este ano, muito abaixo da meta de inflação e das previsões recentes do Banco Central do Brasil (BCB).

No Canadá, assim como Japão mais cedo, os números de inflação surpreenderam positivamente (inflação mais alta) as expectativas do mercado. Estes números se encaixam perfeitamente no nosso cenário base de “reflation” nas principais economias desenvolvidas e justifica a manutenção de nossa expectativa de continuidade do processo de normalização monetária nessas economias, além de taxas de juros estruturalmente mais elevadas nesses países e/ou regiões.




Data: 23/02/2018

Sem tendências relevantes.

Mercados:

Os ativos de risco estão operando sem tendências definidas nos últimos dias. Ontem, por exemplo, o dia foi de enfraquecimento generalizado do dólar no mundo, mas após um fortalecimento da moeda no dia anterior. O S&P, já por alguns dias consecutivos, opera em uma estreita banda de 2700 com 2750 pontos.

No Brasil, a quinta-feira foi marcada por um “bear flattening” da curva de juros, com o mercado aparentemente ajustando posições excessivamente aplicadas na parte curta da curva (até o Jan20) para a divulgação do IPCA-15. O BRL continua seguindo o humor global a risco em torno do dólar no mundo, enquanto o Ibovespa se favorece da melhora cíclica da economia e de um fluxo bastante positivo de um mercado que busca alternativa a um CDI abaixo de 7%.

Agenda:

O destaque do dia ficará para o IPCA-15 no Brasil. As coletas apontam para um número baixo e controlado. Nossa área econômica já trabalha com um IPCA fechado este ano que pode ficar abaixo de 3,5%, muito abaixo da meta do BCB e das previsões do mesmo. Este cenário deve garantir que a Taxa Selic permaneça abaixo de 7% ao longo de todo o ano, com uma probabilidade não desprezível de mais um corte de 25bps. Este pano de fundo continua a dar ancoragem a curva de juros locais, a despeito dos prêmios hoje estarem muito menores do que nos últimos anos.

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais:

No Brasil, o CMN anunciou uma mudança técnica no requerimento para seguradoras e fundos de previdências, com o intuito de evitar um vetor que distorceu bastante o mercado de títulos públicos no Brasil nos últimos anos. Segundo o Valor Econômico:

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou uma mudança na regulação dos fundos de previdência e seguradoras que vinha promovendo uma distorção tanto no mercado de títulos da dívida pública, notadamente as NTN-Fs, quanto na curva de juros futuros (DI).

Uma regra editada em 2015 determinava que o prazo médio mínimo da carteira (duration) de títulos deveria ser de dois anos. O objetivo na época era estimular o alongamento de prazos e fazer uma desindexação dos investimentos da taxa Selic. No entanto, ao longo do ano passado a existência dessa regra passou a gerar um aumento na inclinação da curva de juros futuros e uma demanda tão elevada por ativos prefixados que os títulos passaram a apresentar prêmios negativos persistentes.

Para atender à regra as instituições de previdência compravam um título prefixado de prazo longo e faziam uma operação casada no mercado de juros futuros para reduzir o risco de perdas com a volatilidade.

A regra passou a gerar distorções no mercado conforme mudou o cenário para as taxas de juros. A Selic caiu e a previsão do mercado é de juros baixos por mais tempo. Assim, o alongamento e desindexação das carteiras se torna algo mais natural.

O destaque da noite ficou por conta dos dados de inflação (CPI) no Japão. Os números ficaram levemente acima das expectativas, mostrando um quadro de aumento gradual da inflação no país. este dado se encaixa perfeitamente no nosso cenário base de “reflation” nas principais economias desenvolvidas e justifica a manutenção de nossa expectativa de continuidade do processo de normalização monetária nessas economias e taxas de juros estruturalmente mais elevadas.

As Minutas do ECB trouxeram poucas novidades ao mercado. Segundo o documento, existe um viés para os membros do Comitê buscaram alguma mudança na sua comunicação junto ao mercado no começo de 2018, caso o cenário se mantenha como o atual, ou seja, com uma recuperação robusta do crescimento e uma ascensão gradual da inflação.

Visão:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY. 




Data: 22/02/2018

Leve risk-off!

Mercados:

Os ativos de risco estão apresentando leve viés de risk-off” essa manhã. Destaque para a queda das bolsas e das commodities. O dólar opera mais misto no mundo, com destaque para a apreciação do JPY. O mercado de juros apresenta leve fechamento de taxa no mundo desenvolvido.

O movimento de hoje parece uma extensão da pressão negativa do final da tarde de ontem, após o mercado digerir de maneira mais correta, na minha opinião, as Minutas do FOMC (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/sem-alteracao-no-nosso-cenario-base.html).

Agenda:

Hoje teremos um leilão de bonds de 7yrs nos EUA e o Jobless Claims como destaque. Será importante monitorar a demanda para o leilão de bonds de 7yrs, em um momento de aumento de oferta e redução de balanço do Fed. O Jobless Claims deverá mostrar um mercado de trabalho apertado, com a economia já no que considero o “pleno emprego”.

Visão:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Estamos de olho para retornar à posição comprada em JPY que foi taticamente zerada após o carnaval.

Dados econômicos:

A agenda da noite foi relativamente esvaziada.




Data: 21/02/2018

Sem alteração no nosso cenário base.

Mercados:

Os ativos de risco ainda estão, neste momento, digerindo as Minutas do FOMC. Após uma primeira reação de Minutas mais dovish do que o esperado, começamos a observar uma reação mais em linha com uma interpretação deMinutas mais hawkish, parecido com a nossa impressão inicial (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/eua-minutas-do-fomc-alguns-comentarios.html).

Neste momento, vemos um dólar mais forte, impulsionado pela abertura de taxa de juros nos EUA. As bolsas globais operam em alta, mas longe dos picos do dia e em trajetória declinante.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco. Vale a pena citar, contudo, o bom desempenho do Ibovespa nos últimos dias, mesmo em termos relativos (versus EEM, S&P e etc). A curva de juros local continua sua trajetória de “steepening”, com o mercado já precificando chances elevadas de mais um corte na Taxa Selic na próxima reunião do Copom.

Agenda:

O leilão de Note de 5yrs foi relativamente bem digerido pelo mercado. Amanhã teremos um leilão de bonds de 7yrs nos EUA. Será importante monitorar a demanda por esses papéis, em um momento de aumento de oferta e redução de balanço do Fed.

Visão:

Os dados econômicos divulgados hoje, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base comentado hoje pela manhã e reproduzido abaixo.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela (Long Risk, Long Risk-On) tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Estamos de olho para retornar à posição comprada em JPY que foi taticamente zerada após o carnaval.

Dados econômicos:

Nos EUA as prévias dos ISM ficaram acima das expectativas do mercado, com leve elevação em relação ao mês anterior. Os números continuam mostrando uma economia extremamente robusta. O Markit US Manufacturing saiu de 55,5 para 55,9 contra expectativas de estabilidade e o Markit US Services subiu de 53,3 para 55,9 versus expectativas de 53,7.

Na Europa, as prévias dos PMIs ficaram abaixo das expectativas do mercado, após uma pequena desaceleração no mês. A despeito da surpresa negativa, os PMIs continuam em patamar considerados elevados e condizentes com um crescimento extremamente robusto, inclusive acima das expectativas do mercado e do ECB.

As Minutas do Fed mostraram um Comitê mais convicto no cenário de recuperação do crescimento, mais preocupado com o aperto do mercado de trabalho e do nível de preço dos ativos financeiros, além de mais confiante da evolução dos “custos do trabalho”. Abaixo, compilei algumas passagens que mostram que as expressões utilizadas pelos mais hawkish apontam para uma quantidade maior de participantes do que as expressões utilizadas pelos participantes mais dovish.

De maneira geral, achei as Minutas em linha com os dados recentes e um pouco mais hawkish, abrindo espaço para mais altas de juros este ano.

Financial Inbalance:

Regulatory actions and improved risk management in recent years had put the financial system in a better position to withstand adverse shocks, such as a substantial decline in asset prices, than in the past. However, amid elevated asset valuations and an increased use of debt by nonfinancial corporations, several participants cautioned that imbalances in financial markets may begin to emerge as the economy continued to operate above potential. In this environment, increased use of leverage by nonbank financial institutions might be difficult to detect in a timely manner. It was also noted that the Committee should regularly reassess risks to the financial system and their implications for the economic outlook in light of the potential for changes in regulatory policies over time.

Wage Pressure:

During their discussion of labor market conditions, participants expressed a range of views about recent wage developments. While some participants heard more reports of wage pressures from their business contacts over the intermeeting period, participants generally noted few signs of a broad-based pickup in wage growth in available data. With regard to how firms might use part of their tax savings to boost compensation, a few participants suggested that such a boost could be in the form of onetime bonuses or variable pay rather than a permanent increase in wage structures. It was noted that the pace of wage gains might not increase appreciably if productivity growth remains low. That said, a number of participants judged that the continued tightening in labor markets was likely to translate into faster wage increases at some point.

Labor Market:

Many participants reported that labor market conditions were tight in their Districts, evidenced by low unemployment rates, difficulties for employers in filling open positions or retaining workers, or some signs of upward pressure on wages. The unemployment rate, at 4.1 percent, had remained near the lowest level seen in the past 20 years. It was noted that other labor market indicators—such as the U-6 measure of unemployment or the share of involuntary part-time employment—had returned to their pre-recession levels. A few participants judged that while the labor market was close to full employment, some margins of slack remained; these participants pointed to the employment-to-population ratio or the labor force participation rate for prime-age workers, which remained below pre-recession levels, as well as the absence to date of clear signs of a pickup in aggregate wage growth.




Data: 21/02/2018

Correction Mood...

Mercados:

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de realização de lucros, com destaque para o dólar forte e a queda das bolsas globais. Hoje pela manhã, vemos mais sinais, um pouco menos acentuados, de pressões negativas, com uma queda adicional das bolsas ao redor do mundo, mas o dólar mais misto.

No Brasil, os ativos locais foram capazes de se descolar do movimento global, com bom desempenho do Ibovespa e da curva de juros. Acredito que dois vetores ajudaram este descolamento: Primeiro, o acumulo de sinais que mostram a recuperação cíclica da economia, cada vez mais espalhada e consolidada. Em segundo lugar, o amplo apoio do Congresso a intervenção na área de segurança do estado do Rio de Janeiro, que mostra um apoio amplo a um pauta de maior interesse da sociedade. Este apoio indica disposição para a provação de algumas medidas, com apoio popular, que ainda podem ser positivas para o país em termos econômicos e sociais.

Nesta linha, a colocação do PL da Eletrobrás, com sua privatização em pauta, voltando à agenda, as ações da empresa apresentaram forte elevação, ajudando as demais estatais na bolsa.

Agenda:

Na agenda do dia, destaque absoluto para as Minutas do FOMC nos EUA. Ontem, tivemos o leilão de mais de US$165bi de T-Bills. Hoje teremos o leilão de Notes e amanhã de Bonds. Será importante monitorar a demanda por esses papéis em um momento de aumento de oferta e redução de balanço do Fed.

Visão:

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela (Longo Risk, Long Risk-On) tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas. No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Estamos de olho para retornar a posição comprada em JPY que foi taticamente zerada após o carnaval.

Dados econômicos:

Coréia do Sul – uma economia bastante aberta com fluxo de comércio elevado – cujos dados de exportações são vistos como uma proxy para o crescimento global, observamos uma leve desaceleração das exportações nos primeiros 20 dias de fevereiro. O número não aponta para uma mudança drástica de cenário, mas para uma desaceleração, para uma acomodação, gradaul, pontual e normal do crescimento. Segundo a Goldman Sachs:

Daily ex-ship exports (a better proxy for current external demand than headline exports, in our view) rose 8.6% yoy during the first 20 days of February, slowing from 14.8% growth in January (Exhibit 1). In seasonally adjusted terms, it fell 4% from a month ago, after six consecutive months of gains (Exhibit 3).[1] The 3m/3m momentum that reduces work-day distortions arising from lunar holidays slowed to 2.9% from 3.8% in the previous month.

Preliminary data provided by the customs office show a sharp moderation in yoy growth, in part due to base effects from the change in the timing of lunar holidays (Jan 27-30 in 2017 vs. Feb 15-18 in 2018). Autos and handset exports fell 16% and 41% yoy respectively, weakening from the previous month, while ships exports also retreated to a decline of 20%, from +3% in January. Chips exports, largely unaffected by holiday distortions, continued a second month of moderation to 33% yoy while petroleum exports alone strengthened to 29% yoy mostly on positive price effects.

Na Austrália, obervamos uma desaceleração dos investimentos, a despeito de dados de salários levemente acima das expectativas. Os números de hoje não alteraram a posição do RBA (BC do país) que vem sinalizando para a manutenção da política monetária no horizonte relevante de tempo. De acordo com o Morgan Stanley:

Wage growth ticks up, still subdued: Wages increased 0.6% in the quarter (0.552% unrounded), staying within the 0.4%-0.6% range it has held since mid-2014. There has been some sequential strengthening however, and annual growth has ticked up to 2.1%. The increase in the quarter looks to have been driven by the public sector where growth increased to 0.6%qoq (private was flat at 0.5%qoq). The healthcare industry had the largest wage growth (2.8%yoy), while wages in retail remain subdued (1.6%yoy). This result doesn't change our expectation of unchanged RBA policy rate for 2018, given wage growth remains subdued and the unemployment rate (5.5%) is well above the level the RBA thinks is needed to see a sustained pickup in wage growth (<5.0%).

Dwelling, government construction declined: The large quarterly decline in the headline construction work done data for 4Q17 (-19.4%qoq) was mainly driven by the completion of LNG projects, which boosted engineering construction the previous two quarters (see Exhibit 2). Abstracting from this effect, dwelling investment looks to have continued to decline, falling -2.4%qoq (-5.5%yoy) in real terms. Government construction also unexpectedly declined -2.1%qoq, but has been strong over the past year (+12.5%yoy). On the other hand, non-residential building grew 3.4%qoq and, excluding WA, engineering was up 2.3%qoq.




Data: 19/02/2018

Dia de feriado nos EUA. Humor segue mais positivo.

Hoje é dia de feriado nos EUA. Assim, a liquidez do dia ficará prejudicada. Não olharia a dinâmica dos ativos de risco nesta segunda-feira como nenhuma indicação concreta, pois os mercados ficarão a mercê de fluxos pontuais. A agenda do dia será esvaziada.

Não vejo mudanças substancias do cenário base. Para não soar repetitivo em tudo aquilo que tenho escrito nos últimos dias, deixou aqui o link de meus últimos comentários: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/quadro-tecnico-mais-saudavel-cenario.html e https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brasil-em-foco.html.

Neste momento, os mercados financeiros globais operam em tom positivo, mas sem movimentações relevantes. As bolsas globais seguem a tendência de alta que foi regra na última semana, o dólar se mostra um pouco mais misto (assim como as acommodities). Os juros no mundo desenvolvido apresentam leve abertura de taxas.

Ao longo da semana, nos EUA, o destaque ficará por conta das Minutas do FOMC e de um calendário bastante agressivo de emissões de títulos públicos, com cerca de US$250 bilhões agendados, entre T-Bills, Notes e Bonds.

No Brasil, enquanto não há mudanças substanciais de cenário, a mídia continua focada nas especulações em torno do pleito eleitoral de outubro, assim como na repercussão da intervenção federal no sistema de segurança do Rio de Janeiro. Por ora, nenhum deles apresenta mudanças significativas para os mercados locais no curto-prazo, a despeito da importância econômica e social para a sociedade a longo-prazo.

No Valor Econômico, Ribamar Oliveira afirma que a arrecadação federal de janeiro apresentou forte recuperação. Se confirmado o artigo, o número estará em linha com a minha tese que até mesmo o quadro fiscal cíclico, de curto-prazo, apresenta um cenário mais positivo, assim como as demais variáveis do país. Isso não significa que as reformas não sejam essenciais a longo-prazo, mas que a classe política ganhou um alento de curto-prazo, ajudada pela recuperação extremamente positiva “na ponta” da economia. Segundo o artigo:

Em meio ao turbilhão político criado pela intervenção federal no Rio de Janeiro, o governo recebeu pelo menos uma boa notícia na semana passada: a receita tributária apresentou forte alta em janeiro. Dados preliminares indicam que a arrecadação de tributos administrados pela Receita Federal (excluída a contribuição para a Previdência Social) superou R$ 102 bilhões, de acordo com o Siafi, sistema eletrônico que registra as despesas e receitas do governo federal.

Houve aumento real na comparação com o arrecadado no mesmo mês do ano passado, segundo fontes consultadas pelo Valor.

O resultado é considerado muito importante pela área técnica porque janeiro é o mês de arrecadação tributária mais forte, em virtude do ajuste anual do Imposto de Renda feito pelas pessoas jurídicas. As fontes informaram que ocorreu também arrecadação expressiva dos diversos programas de parcelamento de débitos tributários, os chamados Refis. Os tributos diretamente relacionados à atividade econômica, como PIS e Cofins, também apresentaram aumento expressivo, fruto da retomada da economia.

Houve aumento também das chamadas receitas não administradas, principalmente da arrecadação com royalties. Nesse caso, o destaque ficou por conta dos royalties do petróleo, que cresceram muito na comparação com o mesmo mês de 2017. O excelente resultado da arrecadação tranquiliza o governo sobre o cumprimento da meta fiscal deste ano. 




Data: 19/02/2018

Brasil em Foco.

O cenário econômico local continua mostrando um quadro cíclico positivo. Os números recentes mostram um crescimento mais consolidado, espalhado e elevado. O mercado de trabalho está em recuperação, com a taxa de desemprego em queda e os rendimentos médios reais em alta. A inflação corrente continua baixa e as expectativas apontam para uma inflação abaixo da meta ao longo deste ano e, quiçá, o ano que vem. As contas externas estão saudáveis, já que o baixo déficit em conta corrente do país é amplamente financiado por fluxos considerados robustos e de longo-prazo, como os investimentos estrangeiros diretos. As contas públicas, ou seja, o quaro fiscal, é um grande problema de longo-prazo. Contudo, mesmo aqui, a melhora cíclica da economia ajuda a dar algum alento de curto-prazo. Isso não significa que as reformas econômicas não deixem de ser indispensáveis.

Temos duas incertezas pairando sobre o cenário. Primeiro, uma potencial mudança do cenário externo, que tenho feito observação diárias (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/) e não é objeto deste comentário. Segundo, o quadro político local, que poderá determinar se a recuperação cíclica da economia se tornará, de fato, em uma recuperação mais estrutural, ou em um ambiente estruturalmente mais positivo.

Nesta frente, existem mais incertezas do que convicções. A aparente retirada de Lula do pleito eleitoral, se confirmada pelo TSE, reduz substancialmente os riscos de um cenário alternativo de extrema esquerda. Todavia, o cenário político ainda é nebuloso e incerto neste momento.

Vamos fazer uma breve análise dos ativos locais:

BRL (Real/Câmbio) – Continuo vendo o BRL operar em uma banda ao longo dos próximos meses, entre 3,10 e 3,30, ou algo em torno deste “range”. Consigo ver o câmbio romper para abaixo dos 3,10 na eventualidade da eleição de um candidato reformista e pró mercado e se ajudado por um cenário externo favorável a um dólar fraco.

Ibovespa (Bolsa) – Até o momento, o movimento da bolsa local foi integralmente puxado pelas empresas e setores cíclicos, muito em linha com o que ocorreu ao redor do mundo. Ainda não vimos um cenário de recuperação de preços dos setores mais voltados para a economia doméstica e a história de recuperação interna. Acredito que chegará o momento em que teremos uma rotação entre setores e empresas, com os setores cíclicos com restrições de “valuations” e de um cenário externo mais desafiador, em detrimento a preços e um cenário mais atrativos para os setores mais dependentes da economia local. No geral, de todas as classes de ativos, a bolsa me parece o ativo mais capaz de mostrar reprecificação adicional.

Juros – Vejo a Taxa Selic entre 6,50% e 6,75% ao longo de todo o ano e um ciclo de ajuste monetário (alta de juros) relativamente contido no próximo ciclo de alta da Taxa Selic. Assim, existe ainda espaço para algum fechamento de taxas de juros no país. Contudo, vejo o risco/retorno deste mercado como muito pior do que no passado recente. Não acredito que seja o momento de ter posições excessivas nesta classe de ativos. Consigo ver um fechamento adicional de taxas, mas como o ditado popular costuma dizer, será como “tirar o bagaço da laranja”.

A parte curta da curva me parece justa porém a curva bastate “steep”. Contudo, para um fechamento de taxas mais acentuado da parte longa da curva, dependeremos de um cenário eleitoral positivo, o que não devemos ter visibilidade no curto-prazo.

Assim, tenho favorecido apenas posições pequenas na parte longa da curva de NTN-B.




Data: 19/02/2018

Quadro técnico mais saudável. Cenário econômico continua demandando atenção.

Os ativos de risco encerraram a semana com um tom um pouco mais tranquilo do que aquele verificado ao longo das últimas semanas. Como tenho comentados nos últimos dias, a dinâmica do mercado mostra um quadro técnico mais saudável. Contudo, o cenário econômico continua mostrando um pano de fundo de pressões inflacionárias que se acumulam, especialmente nos EUA. Nos últimos dias, vimos o Core CPI, o PPI e seu quadro qualitativo além do Import Price, todos superando as expectativas e mostrando um ambiente cada vez mais claro de inflação mais alta, disseminada e espalhada.

Neste estágio do ciclo econômico, contudo, o crescimento global permanece robusto, o que acaba dando uma sensação ainda positiva no curto-prazo, evitando que os investidores adotem postura mais cautelosa e/ou defensiva. Observamos alguns números de crescimento um pouco mais fracos do que as expectativas (como as vendas no varejo e a produção industrial) nos EUA. Por ora, contudo, parecem ser questões pontuais e não uma mudança clara de cenário.

Em linhas gerais, acredito que estamos em um importante ponto de inflexão da economia mundial, capitaneada pelo cenário dos EUA. Estamos no estágio final do ciclo econômico, em que mais crescimento implica, necessariamente, em mais inflação. Assim, a política monetária terá que ser ajustada o que, em algum momento, levará a uma desaceleração da economia e a uma eventual desaceleração do crescimento.

Como gestores, precisamos identificar quais os cenários prospectivos mais prováveis e, principalmente, como o mercado irá reagir a estes cenários. O mercado costuma antecipar ciclos, mas por vezes apresenta reações atrasadas ao cenário corrente.

No momento atual, tenho mais dúvidas do que convicções claras. Acredito que estamos no estágio final do ciclo econômico, especialmente nos EUA, maior e mais importante economia do mundo. Por um lado, a inflação começa a dar sinais mais claros de ascensão. Por outro lado, contudo, o crescimento corrente continua robusto e saudável.

Não vejo sinais claros de que o mercado tenha mudado de maneira definitiva a dinâmica dos últimos anos (“buy the dips”, convicção nos “fundamentos” emergentes e afins). Não me parece que estamos, ainda, no momento de ruptura ou na mudança definitiva de cenário. Contudo, por vezes, essas coisas ocorrem de forma rápida e acentuada.

Assim, acredito que iremos conviver com um período de maior volatilidade. Consigo ver um cenário de diferenciação entre classes de ativos e regiões nesta fase do ciclo. Por exemplo, consigo ver a bolsa americana “andando e lado”, com os investidores ainda buscando “valor” nos mercados emergentes. Apenas quando o cenário mudar de fato, a mudança de direção dos ativos de risco ocorrerá com maior correlação e sem grandes diferenciações.

No Brasil, a mídia está focada na intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. A Reforma da Previdência foi definitivamente enterrada e a pauta do Congresso se tornará mais voltada a segurança, um vetor com mais apelo eleitoral.

No campo econômico, o quadro cíclico positivo continua. As coletas de inflação mostram um quadro bastante benigno, o crescimento continua mais consolidado e espalhado, com pudemos observar nos dados de Serviços divulgados ontem. As contas externas estão saudáveis e até mesmo o fiscal mostra sinais de recuperação cíclica.




Data: 16/02/2018

Humor global a risco mostra um quadro técnico mais balanceado.

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de “risk-on’ verificado nos últimos dias, na ausência de notícias relevantes para o cenário econômico global.

O mercado parece tecnicamente mais balanceado, a despeito de um cenário econômico um pouco mais desafiador. Os números recentes mais elevados de inflação nos EUA e os sinais incipientes de uma atividade econômica mais fraca no país, por ora, não foram capazes de abalar o humor mais positivo dos ativos de risco nos últimos dias.

No Brasil, a mídia está reportando que Luciano Huck desistiu de se candidatar a presidente da república. De acordo com o Estadão, Huck pode apoiar Geraldo Alckmin para presidente.

De acordo com Broadcast, o Governo Federal resolveu promover uma intervenção na segurança do Rio de Janeiro. De acordo com a matéria:

O presidente Michel Temer decidiu no início da madrugada desta sexta-feira, 16, decretar intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. O Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado, inclusive com poder de prisão de seus membros. O interventor será o general Walter Braga Neto. Na prática, o oficial vai substituir o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na área de segurança. A decisão do governo federal contou com o aval de Pezão.

Continuo favorecendo um portfólio balanceado, ainda comprado em ativos do Brasil e tomado em taxa de juros nos EUA como posições “core”. Venho administrando ativamente os instrumentos e os tamanhos dessas posições. Voltei a buscar alguns hedges para o portfólio, após a recente estabilização do humor global a risco e das volatilidades realizadas e implícitas.




Data: 15/02/2018

Risk-On!

Os ativos de risco estão mantendo uma trajetória mais positiva. Acredito que o mercado esteja sinalizando que o grosso do ajuste técnico de curto-prazo já tenha sido efetuado. De qualquer maneira, a longo-prazo, o cenário econômico irá prevalecer. Nesta frente, continuo vendo sinais que demandam cautela na alocação a risco.

No Brasil, as Notas do Copom, na minha visão, mostraram um Comitê mais dividido e uma probabilidade mais elevada para um corte adicional da Taxa Selic do que a impressão que tinha ficado após o comunicado da última reunião do Copom. Aliado a isso, nossa área econômica (Top 5 do BCB nas expectativas de IPCA por várias vezes) está vendo números de inflação muito mais baixos do que aquelas do BCB. Assim, vejo uma probabilidade não desprezível de um corte adicional da Taxa Selic.

De qualquer maneira, vejo um risco/retorno não muito atrativo no mercado local de juros. Consigo ver espaço para fechamento adicional da curva, já que a Taxa Selic deverá permanecer entre 6,5% e 6,75% pelo menos até o final do ano, mas vejo alguns riscos que tornam a curva pouco atrativa para posições muito agressivas. Mantemos exposição na parte longa de NTN-Bs, mas em tamanho muito mais reduzido do que aquele verificado no ano passado. Existem algumas opcionalidades interessantes para mais um corte de juros no mercado de opção.

O dia hoje foi de bom desempenho das NTN-Bs, fruto no pagamento de cupom e da mudança de composição dos IMAs. Vejo uma posição técnica não muito

Nos EUA, observamos novos sinais de pressões inflacionarias com a divulgação do PPI e seus derivados. Aqui, a mensagem se soma a uma gama de outros indicadores que apontam para um hiato do produto fechado e pleno emprego. A produção industrial ficou abaixo das expectativas em janeiro, levando a uma revisão baixista para as expectativas do PIB do 1Q.

O pano de fundo econômico ainda não pode ser descrito como negativo, mas continuo desconfortável com o panorama atual. Continuo recomendando um portfólio mais balanceado e a busca por hedges. A utilização do mercado de opções, em um cenário como o atual, me parece extremamente prudente. Inclusive, a queda recente das vols implícitas abre novas oportunidades de alocação, seja para posições direcionais ou para busca por hedges.




Data: 15/02/2018

Risk Assets Power Ahead!

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de “risk-on’ verificado ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/from-risk-off-to-risk-on-for-now-not.html), na ausência de notícias relevantes para o cenário econômico global.

Na África do Sul, o Presidente do país se retirou do cargo, abrindo espaço para um cenário político um pouco mais favorável. Este movimento era, de certa forma esperado, mas os ativos do país apresentaram bom desempenho após a notícia.

Os dados do mercado de trabalho na Austrália ficaram um pouco abaixo das expectativas do mercado. A despeito da surpresa negativa, o AUD está seguindo o humor global a risco na sua trajetória de enfraquecimento do doar no mundo.

No Brasil, o fluxo de noticias continua esvaziado, com a mídia mantendo as especulações em torno das eleições presidenciais.

Continuo mantendo um portfólio balanceado, porém admistrando ativamente o tamanho e os instrumentos das posições. Mantenho posição comprada em ativos do Brasil e tomada em Treasuries como principais alocações. Reduzimos taticamente a compra de JPY após o movimento recente. Por ora, estamos sem nenhuma posição/hedge com viés mais negativo para ativos de risco, mas a tendência é que algo seja incorporado em breve (como a venda de S&P feita em fins de janeiro, por exemplo).




Data: 15/02/2018

From "risk-off" to risk-on"? For now, not forever...

Os ativos de risco estão operando com viés de “risk-on”, após reverterem toda a pressão negativa depois da divulgação dos dados econômicos dos EUA essa manhã. A dinâmica do mercado me diz que o técnico está mais saudável após a correção recente, e os investidores ainda irão tentar “comprar a ideia” de que enquanto o crescimento global estiver robusto, o cenário continua construtivo para os ativos de risco.

Eu mantenho minha visão que o momento seja de cautela, de postura mais tática do que estratégica e pela busca de “alpha” ao invés de “beta”.

A volatilidade implícita de várias classes de ativos recuou bastante ao longo do dia, a despeito da volatilidade corrente (realizada) seguir elevada. Este ambiente irá trazer novas oportunidade de alocação.

Vale a pena alertar para um cenário de “wash-out” dos ativos norte americanos, com o dólar em queda, queda dos bonds/Treasuries e pressão nas bolsas do país. O mercado começa a dar mais atenção ao cenário de aumento do déficit fiscal e externo, em meio a um hiato do produto fechado e pleno emprego. O Fed mantem uma política monetária expansionista e o Governo Trump adota medidas, na minha humilde opinião, erradas para esse estágio do ciclo econômico, como Reforma Tributária, Pacote de Infraestrutura, menos regulação bancária e afins. Isso pode trazer uma pressão estrutural aos ativos dos EUA.

Os ativos no Brasil seguiram o humor global a risco e assim devem continuar até que tenhamos uma definição mais clara das eleições.




Data: 15/02/2018

Staying Close to Home!

Nos EUA, o Core CPi ficou acima das expectativas do mercado, com alta de 0,3% MoM e 1,8% YoY, contra expectativas de 0,2% MoM e 1,7% YoY. Hoouve revisão baixista do mês anterior de 0,3% MoM para 0,2% MoM. Mesmo levando em conta a revisão, o número dá força a narrativa de que a economia está com o hiato do produto fechado e no pleno emprego. A ressurreição da inflação, assim, era uma questão de tempo.

As vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas. Neste caso, existem argumentos para acreditar que a surpresa negativa possa ser pontual. Ainda não há indícios claros de desaceleração mais permanente do crescimento.

De qualquer maneira, a combinação dos números é claramente negativa para os ativos de risco. Os mercados financeiros globais reagiram de maneira clássica, com dólar forte, abertura de taxas de juros e queda das bolsas.

Eu até acredito que possa haver alguma estabilização do humor global a risco ao longo do dia, mas não acredito que seja o momento de adicionar ativos de risco ao portfólio. O momento requer cautela, pois os números de hoje se acumulam as evidências de que possamos estar diante de um ponto de inflexão extremamente importante do cenário econômico global.

Pretendo observar a dinâmica do dia para ter conclusões mais claras da posição técnica do mercado. De forma geral, não vejo motivos para otimismo no curto-prazo. O cenário econômico está mudando drasticamente, o mercado veio de cerca de 10 anos de tranquilidade e busca por yields e ativos de risco. Não será em poucos dias (ou semanas) que o ajuste ocorrerá.

Devemos estar preparados para uma nova ordem mundial de agora em diante. Tenho pregado que o ano de 2018 será um ano de “corridas”, “tiros de 100m” e não um ano de “home runs” ou de “maratonas”.




Data: 15/02/2018

All eyes on the US Core CPI.

Os ativos de risco abriram a terça-feira sob pressão, mas conseguiram reverter o movimento para fechar o dia de ontem em tom mais positivo. Hoje pela manhã, está tendência mais positiva prevalece. Não houve nenhuma informação nova para o cenário, o que me leva a crer que os movimentos ainda estejam sendo liderados por ajuste técnicos de posições.

O grande destaque do dia ficará por conta do Core CPI nos EUA. O número já é bastante esperado pelo mercado. Espero uma reação relativamente clássica ao indicador. Assim, um número acima de 0,2% MoM pode trazer de volta a tendência de abertura de taxas de juros e, consequentemente, alguma rodada adicional de pressão nos ativos de risco. Um número menor do que este poderá ajudar a estabilizar o humor global a risco, trazendo demanda para ativos como os ativos emergentes.

De maneira geral, contudo, vejo os próximos meses ainda com extrema cautela e incerteza. Um cenário mais propício para alocações táticas do que estruturais. Não será um mês de inflação mais baixa do que o esperado que irá reverter totalmente o pano de fundo de hiato do produto fechado, pleno emprego e sinais mais claros de pressões inflacionárias nos EUA.

O novo presidente do Fed, Powell concedeu declarações ontem onde basicamente sinalizou que, por ora,  cenário base de normalização gradual da política monetária está mantido. Segundo o DB:

Staying in the US, in the prepared remarks at his ceremonial swearing in, the new Fed Chair Powell reiterated that “we are in the process of gradually normalising both interest rate policy and our balance sheet with a view to extending the recovery…” Elsewhere, he noted that “we will remain alert to any developing risks to financial stability”, which to us sounds all very comforting, but imagine the potential carnage had he suggested that the Fed ‘won't’ be paying any attention to risks to financial stability. Finally, he indicated the “financial system is incomparably stronger and safer, with much higher capital and liquidity” and that “we will also preserve the essential gains in financial regulation while seeking to ensure that our policies are as efficient as possible”.

Os ativos no Brasil, grosso modo, devem seguir o humor global a risco. Localmente, a mídia voltou a reportar sobre os esforços do governo para aprovar a Reforma da Previdência. Novas concessões poderão ser feitas. O mercado hoje não trabalha com o cenário de aprovação de nenhuma medida. Assim, qualquer avanço nessa frente será visto como positivo para o cenário local.

O cenário cíclico no Brasil continua positivo. O crescimento dá sinais de estar mais consolidado e espalhado, o mercado de trabalho mostra recuperação do emprego e dos rendimentos, a inflação continua baixa assim como as expectativas de inflação. As contas externas estão saudáveis e, até mesmo as contas públicas, o grande problema estrutural do país, apresenta recuperação cíclica, ajudada pela recuperação da economia.




Data: 15/02/2018

Foco no Core CPI nos EUA.

Os mercados financeiros globais seguem sem tendência definida e com volatilidade elevada, padrão que deverá se manter até que o cenário econômico se torne mais claro.

Ontem vimos uma recuperação dos ativos de risco, liderados por uma alta em torno de 1,5% das bolsas nos EUA. Hoje já estamos vendo alguma pressão adicional nos mercados. Tudo isso sem grandes novidades de cenário ou quadro técnico.

Não tenho convicção em afirmar que o ajuste técnico já tenha ocorrido e finalizado totalmente, e nem mesmo em que fase estamos do ciclo econômico. Tenho apenas alguns comentários.

Tenho uma convicção elevada que estamos no estágio final do ciclo econômico nos EUA. Estamos na fase de hiato do produto fechado, pleno emprego e sinais de inflação. Se a economia ainda tem 3 ou 6 ou 12 ou mais meses de crescimento robusto sem uma aceleração mais rápida da inflação eu não consigo afirmar com convicção, mas me parece claro que dificilmente passaremos mais de 12 a 18 meses sem maiores problemas. O Core CPI, a ser divulgado na quarta-feira pela manhã, poderá determinar se teremos alguma acomodação de curto-prazo, ou se o ciclo pode de fato estar na sua última fase. Neste último caso, ainda teríamos um amplo espaço para os ativos de risco precificarem este novo ambiente global.

No tocante ao quadro técnico, tenho pouco a agregar. Me parece que o ajuste inicial dos produtos mais alavancados em estruturas de venda de volatilidade já ficou para trás, mas ainda vejo uma outra potencial onda de ajustes em produtos menos alavancados, porém com tamanhos muito mais relevantes para os ativos de risco (Risk Parity, Vol Target Funds, Balanced Mutual Funds, CTAs e etc). O ajuste nessas classes poderia leva meses, mas seria condicionante a continuidade de um cenário econômico mais desafiador. Por isso a importância do Core CPI nos EUA a ser divulgado na quarta-feira.

Este começo de semana, feriado de Carnaval no Brasil, trouxe poucas novidades do ponto de vista econômico para os mercados financeiros globais. Apenas dois eventos merecem atenção:

Primeiro, a divulgação do Plano de Infraestrutura e o Orçamento para os próximos anos do Governo Trump nos EUA. A divulgação ficou basicamente em linha com o que já vinha sendo ventilado na mídia. Em termos gerais, o pacote de infraestrutura mira um gasto em torno de US$1,5 trilhões, com uma parcela não desprezível vinda dos cofres públicos. A conclusão geral, e mais importante para o pano de fundo temos descrito neste fórum, é que o pacote eleva o déficit fiscal do país, em um momento de hiato de produto fechado, pleno emprego, e sinais cada vez mais claros de pressões inflacionárias. O DB resumiu assim o evento:

In the US, President Trump has proposed a $4.4trn federal budget for 2019 that seeks to reduce domestic programs such as Medicare in favour of higher spending on the military and immigration enforcements. The plans will see the deficit almost double in FY19 to $984bln and rise $7.1trn over the next decade. Mr Trump said he would push for a “reciprocal tax” on imports against higher tariff countries without providing details and reiterated his $1.5trn infrastructure plan of which $200bln federal funds will act as seed funds to incentivise further spending by state and local government as well as the private sector. Notably, both Reuters and NY Times noted Presidential budgets are rarely enacted by the Congress. The budget director Mulvaney called the plans as a “messaging document”, so we’ll wait and see if these messages will translate into any reality.

Segundo, na China, os dados de agregados monetários mostraram arrefecimento adicional. Os números estão em linha com o cenário de uma desaceleração gradual da economia do país. Nos últimos dias, o governo divulgou um comunicado, após a volatilidade recente dos mercados financeiros globais, de que pretende manter uma política monetária prudente e um crescimento balanceado.

O Brasil continua a mercê dos eventos globais, sem novidades internas relevantes. A Reforma da Previdência parece uma questão já deixada para trás. A mídia continua especulando em torno da corrida presidencial, mas sem eventos concretos ou informações novas. Continuo acreditando que os mercados locais irão seguir o humor global a risco até que a corrida eleitoral fique mais clara para algum lado (positivo ou negativo), quando  poderemos ver algum descolamento da dinâmica dos ativos brasileiros em relação ao resto do mundo.




Data: 09/02/2018

Sem novidades. Uma visão interessante do cenário,

Os ativos de risco apresentaram alguma recuperação ao longo do dia, após forte pressão negativa adicional ao longo de toda a tarde de quinta-feira e no fechamento das bolsas dos EUA. Já comentei amplamente sobre o cenário corrente nos últimos dias. não vejo motivos para me estender neste tema (vejam os comentários aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

Na China, o CPI e o PPI ficaram dentro das expectativas do mercado, mostrando um cenário estável de inflação.

No Brasil, não há novidades locais relevantes.

A agenda do dia será esvaziada. Assim, os ativos de risco devem continuar a mercê de fluxos pontuais e questões técnicas.

Abaixo, copio o comentário dos analistas de FX do Morgan Stanley. Eles costumam apresentar panoramas muito acertados, com uma visão sóbria sobre o cenário econômico:

Bonds and equities falling simultaneously suggest that the current market correction is down to a liquidity squeeze. The best capital market environment develops when there is sufficient free liquidity standing ready to drive asset valuations higher. Over recent weeks, it appears that increasing signs of global economic expansion have resulted in financial capital being transferred to the real side of the economy. Rising inflation, with US breakevens reaching the FED target, has pushed rate expectations higher. The USD failing to correct higher despite USD supportive interest rate and yield differentials did not help either, with the weakening of the USD pushing inflation higher.

Inflation, liquidity and volatility are all linked. Low inflation allows central banks to stay accommodative which is an important condition, keeping liquidity and capital markets supported. A second factor driving financial market conditions is net savings which are typically generated within surplus environments such as Japan, EMU and Asia. Paradoxically, a more balanced global economy, which sees current account surpluses coming down, has the potential to undermine capital markets. This risk intensifies when surpluses are falling quickly. Periods when Japan, EMU and Asia are exporting vast amounts of capital tend to work in favour of capital markets as cross border capital flows predominantly turn up within foreign financial markets. The contribution of EMU, Japan and Asia to global liquidity should not be underestimated. In this sense, recent good news out of Germany with the ‘Metall’ sector agreeing an effective 3.9% wage increase and Germany’s upcoming new government declaring the end of austerity may boost local domestic demand, but it will reduce its savings which will likely be exported into other markets.

Potential policy mistakes: With liquidity in retreat, volatility will have to establish new levels. Policy mistakes can add to volatility. The most prominent policy mistake was G4 central banks such as the FED not understanding liquidity dynamics coming from the ‘glut of Asian savings’ (2002-2007) which pushed funding costs and volatility too low for too long, allowing the misallocation of capital into sub-prime and other low quality assets. Now the glut of Asian savings has been replaced by an even bigger glut of savings coming out of EMU, Japan and Asia. Reducing these savings too fast, by pushing Europe into a demand boom, could have volatility and financial asset price consequences that central banks, once again, may not have on their radar.

Best trades: The countries which benefited from the glut of savings have seen their balance sheets move into extremes, now deploying high credit gaps and running high asset exposures. We therefore like to buy the EUR and JPY against currencies which benefited from the glut of savings and think there is room for double digit gains in such crosses. EUR longs against AUD, CAD, NZD and GBP are our best recommendation. EURUSD should bounce from levels above 1.2165. Turning EM credit neutral has been timely. EMBIG spreads widened 12bp yesterday and the EMBIG total return index fell 0.72%. In comparison, while EMBIG spreads sold off 17bp on Monday, the total return held up better at just -0.34% due to decline in UST yields. We have also seen large ETF HC ETF outflows of US$1.4bn in February which is over 50% of the US$2.2bn inflow in EM HC ETFs recorded in January.

Markets do talk and in this sense the reaction of GBP to the BOE’s hawkishness was remarkable. GBP was not able to hold its gains although the BOE's Carney did lay out a scenario to hike rates earlier and towards higher levels relative to what has been previously priced into the front end of the curve. Importantly, the UK may potentially be the most affected when international liquidity conditions tighten, with its high level of unsecured debt and its 4.6% GDP current account deficit. GBP/JPY rebounded to test its previous break lower level and reversed from there. GBP remains a sell at current levels.

FED Put: After listening to FED’s Dudley, some investors wonder if the FED has withdrawn its equity markets ‘put’. He said the economy is likely to continue to grow above its normal pace, calling the 10% equity market correction ‘small potatoes'. Esther George and John Williams all recently reinforced the idea the Fed is on course to hike three times this year. Koenig, a principal policy adviser who prepares the Dallas Fed Chief for FOMC meetings, also suggests that inflation is actually higher than the Commerce Department's current estimates, using an experimental forecasting model. Their latest "nowcast" for the personal consumption expenditures price index, the Fed's preferred gauge of consumer price levels, saw overall inflation in their series reaching 1.9% in September and November before retreating to 1.8% in December and 1.6% in January. China’s January inflation has come in line within expectations, seeing CPI easing from 1.8% in December to 1.5% and PPI growth declining from 4.9% to 4.3%. However, Exhibit 1 indicates it may be too early to gain reassurance from falling Chinese inflation rates. The impact of the rising TWI has diluted the impact of the falling PPI. Time lags considered, it seems that the ‘China price’ may still push US core inflation higher which is bad news for risky assets.

Watching China: China has an interest in keeping the global economy strong to progress with its balance sheet de-risking strategy. The 1987 stock crash showed that a sudden volatility event can undermine otherwise strong fundamentals. Now as markets focus on inflation and potential central bank tightening responses, keeping inflation rates low may be the best cure for risk appetite to rebound. Today, the PBoC has released nearly CNY2 trn in temporary liquidity. China switching from a strategy of RMB strength towards a more neutral approach may, via its impact on China import prices into the US, help to ease the inflation scare a bit. Unfortunately, the 10-year US breakeven rate has stayed elevated despite the recent capital market volatility which suggests that the equity market may have further near-term downside potential. The RTY has eased back again towards its 200-day MAV. A break of this level could bring a test of August lows into play implicit with a 7% further decline.




Data: 08/02/2018

Ainda sem luz no final do túnel.

O dia foi marcado por mais uma rodada de pressão nas bolsas globais. Temos dois vetores para analisar a situação. Primeiro, a questão técnica já comentada aqui ao longo da semana (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/quadro-tecnico-tenebroso-situacao-me.html). A situação me parece ainda frágil, mas não vejo, por hora, risco sistêmico. Podemos, sim, observar novas ondas de ajuste de posições em outras estratégias (CTAs, Risk Parity, Balance Mutual Funds e afins) nos próximos dias, que deveriam manter a volatilidade elevada e alguma pressão negativa nos ativos de risco. De forma geral, não vejo estes efeitos como duradouros a longo-prazo.

O segundo vetor fica por conta do cenário macro, onde vejo sinais mais preocupantes e que precisam continuar a ser monitorados. Podemos estar diante de uma mudança mais estrutural de cenário, com a alta nas taxas de juros nos países desenvolvidos levando a um pano de fundo menos trivial para os ativos de risco como um todo (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/eua-deficit-fiscal-juros-e-ativos-de.html).

Hoje vimos o Banco Central da Inglaterra (BOE) sinalizar para a eventual necessidade de acelerar o processo e normalização monetária no país. Este cenário está em linha com o que venho descrevendo aqui: Especialmente nos EUA (mas também na Inglaterra e, em menor escala e ainda em uma fase anterior do ciclo econômico, na Europa e Japão) vemos sinais de um hiato do produto fechado, pleno emprego e pressões inflacionárias. Isso deveria levar a necessidade de juros mais elevados e deixar de ser positivo para os ativos de risco que, no geral, apresentam preços/”valuations” mais apertados e uma posição técnica mais comprometida após quase 10 anos de valorização após a crise de 2008.

Ainda não tenho convicção completa nesta mudança de cenário, por isso tenho buscado um portfólio mais balanceado e adotado postura mais tática em diversas alocações.

No Brasil, o IPCA de janeiro ficou muito abaixo das expectativas do mercado, com alta de 0,29% MoM e 2,86% YoY. A surpresa positivo (baixista para a inflação) acabou se sobrepondo a decisão do Copom a anunciada na noite de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brasil-bcb-sinaliza-para-o-fim-do-corte.html). Assim, observamos um movimento não desprezível de “steepening” da curva de juros, ajudado pela dinâmica externa. Reforço a minha visão de que não vejo um bom risco/retorno da curva curta de juros. Nos atuais níveis, ainda vejo uma assimetria maior nas taxas longas, especialmente das NTN-Bs, mas muito menor do que no passado recente.




Data: 08/02/2018

Brasil: BCB sinaliza para o fim do corte na Taxa Selic.

Os ativos de risco tiveram mais uma noite de volatilidade. Neste momento, contudo, operam próximos a estabilidade. Não há nenhuma informação nova que vale comentários adicionais além daqueles já descritos aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/eua-deficit-fiscal-juros-e-ativos-de.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/volatilidade-segue-elevada.html.

No Brasil, o BCB reduziu a Taxa Selic em 25bps como era amplamente esperado. O Comunicado após a decisão deixou claro que o Banco pretende encerrar o ciclo com a Taxa nos atuais 6,75%, exceto por mudanças substanciais de cenário base. Espero apenas uma leve elevação das taxas curtas e a continuidade de um movimento de fllatenning da curva de juros. Reitero o que escrevi na manhã de ontem, as vésperas da decisão:

Vejo a Taxa Selic caindo para 6,75% e permanecendo neste patamar até, pelo menos, o final do ano. Vejo uma probabilidade, hoje mais baixa, da Selic atingir 6,5%. O BCB não deverá fechar a porta para isso na decisão de hoje, mas me parece, neste momento, um cenário mais remoto. Não gosto do risco/retorno da parte curta das curvas de juros no Brasil. Acredito que ainda exista valor na parte intermediária das curvas reais e nominais, assim como na curva longa. Prefiro manter exposição na curva de juros reais neste momento. Os ganhos na curva de juros, a partir de agora, serão mais moderados e mais demorados. O risco/retorno é pior, mas ainda consigo ver espaço para ganhos de capital, especialmente na parcela longa da curva real, como nas NTNBs 2050.

Os dados de exportação de janeiro na China ficaram dentro das expectativas do mercado, mas as importações apresentaram forte elevação. Os números mostram um cenário de crescimento ainda saudável no país, a despeito de distorções pontuais que podem estar afetando o número deste mês, em especial.




Data: 07/02/2018

EUA: Déficit Fiscal, Juros e Ativos de Risco.

O destaque do dia ficou por conta de um forte movimento global de dólar forte. O BRL apenas seguiu o movimento ao redor do mundo, mas continua com desempenho relativo pior do que os seus pares. Me parece que muitos têm utilizado a moeda como hedge de outras posições, como Long Ibovespa e aplicado em juros.

Os mercados financeiros globais continuam muito voláteis e sensíveis. Ainda tenho a sensação que estamos no meio do processo de ajuste. Continuo receoso que podemos estar vivenciando o começo de uma mudança de cenário global um pouco mais estrutural.

Ainda mantenho a visão que descrevi pela manhã aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/volatilidade-segue-elevada.html.

O movimento de dólar forte no mundo não teve um “trigger” específico. Minha visão é que o movimento faz parte de um pano de fundo mais abrangente de ajuste de posições, ou “wash-out” de posições consensuais que prevaleceram no inicio deste ano. Já tínhamos visto uma correção nas bolsas globais, nas cripto-moedas e um pouco nas taxas de juros (a Treasury 10yrs chegou a sair de 2,88% para 2,64% no dia do “flash crash” das bolsas dos EUA). Agora, parece que o movimento de ajuste atingiu as posições excessivamente vendidas em dólar no mundo.

As declarações de membros do ECB de que o Tesouro Americano estaria deliberadamente tentando desvalorizar o USD com as declarações recentes também ajudaram o movimento, assim como vetores que impulsionam o déficit dos EUA e, consequentemente, dão novo ímpeto a abertura das taxas de juros do país.

O Congresso dos EUA anunciou um acordo em torno do Orçamento do país, por mais dois anos. Em termos sucintos, o acordo retira um risco político de curto-prazo, o que deveria ser visto como positivo. Todavia, o acordo prevê novos gastos orçamentários e, consequentemente, eleva o déficit fiscal do país.

Volto aqui a um tema que tenho insistido nas últimas semanas. Estamos na fase final do ciclo econômico dos EUA. A economia apresenta hiato do produto fechado, pleno emprego e sinais de pressões inflacionárias. As recentes medidas do Governo dos EUA, como a Reforma tributária, a proposta de alivio na regulação bancária, o potencial pacote de infraestrutura e, agora, este acordo orçamentário, deveriam ter sido medidas tomadas no pós-crise de 2008 e não na atual fase do ciclo econômico.

Acredito que estamos em um ponto que este tipo de medida passa a ser contra produtiva e podem afetar negativamente o humor global a risco. O canal de contágio continua a ser as taxas de juros mais longas dos EUA, que precisam ser monitoradas no detalhe.




Data: 07/02/2018

Volatilidade segue elevada.

Os ativos de risco apresentaram na terça-feira uma forte recuperação, liderados pelas bolsas dos EUA. Este tipo de movimento, caracterizado por elevada volatilidade, é natural em períodos como o que estamos convivendo hoje. Mantenho uma visão, com convicção ainda baixa, que o momento atual está sendo exacerbado por questões técnicas e que ainda não estamos “de fato” diante de uma mudança estrutural de cenário e dinâmica dos mercados financeiros globais.

Contudo, olhando à frente, vejo condições, nos próximos 3 a 6 meses, de uma mudança de fato no pano de fundo global, conforme ficar ainda mais claro que o hiato do produto nos EUA esteja fechado, a economia no pleno emprego e, consequentemente, que a inflação é uma realidade corrente. Assim, a normalização monetária nos EUA (e em outras importantes regiões do mundo) deveria não apenas continuar, mas, talvez, inclusive, se intensificar.

Neste ínterim, vejo espaço para os investidores “comprarem” a ideia de diferenciação entre classes de ativos e regiões. Por exemplo, as bolsas dos EUA podem acabar operando em “range”, sem tendência definida, mas com bom desempenho das bolsas EM. O diferencial de “valuation”, a posição técnica, os fluxos e os fundamentos aparentemente melhores na comparação relativa poderiam embasar um cenário como este.

Não há novidades relevantes locais no Brasil. O destaque ficará por conta da reunião do Copom. Vejo a Taxa Selic caindo para 6,75% e permanecendo neste patamar até, pelo menos, o final do ano. Vejo uma probabilidade, hoje mais baixa, da Selic atingir 6,5%. O BCB não deverá fechar a porta para isso na decisão de hoje, mas me parece, neste momento, um cenário mais remoto. Não gosto do risco/retorno da parte curta das curvas de juros no Brasil. Acredito que ainda exista valor na parte intermediária das curvas reais e nominais, assim como na curva longa, Prefiro manter exposição na curva de juros reais neste momento. Os ganhso na curva de juros, a partir de agora, serão mais moderados e mais demorados, O risco/retorno é pior, mas ainda consigo ver espaço para ganhos de capital, especialmente na parcela longa da curva real, como nas NTNBs 2050.

Tenho buscado manter um portfólio mais balanceado. Mantenho posições de pequenas para médias em Brasil, concentrada na parte longa da curva de juros reais, com uma pequena posição vendida em dólar (comprada em BRL) via estruturas de opção com perda limitada e uma posição pequena em bolsa via “stock picking”. No portfólio externo, a posição central continua a ser tomada em taxas longas de juros nos EUA. Mantemos nosso Long JPY. Zeramos nossa posição tática vendida em AUD e SPX iniciada no final de janeiro.

Olhando para frente, deveremos manter este mesmo tipo de postura. A posição em BRL já ficou bastante reduzida pela perda de delta. Não estou com pressa de voltar a elevar a alocação, pois estou revendo o cenário após os eventos recentes. Estou de olho no Ibovespa, aonde vejo espaço para um bom desempenho, mesmo que relativo, e onde as vols implícitas estão baixas para manter alocações compradas.

No cenário externo, conseguia ver uma realização entre 5% e 10% da bolsa nos EUA (o que já aconteceu), mas uma correção mais acentuada dependerá dos dados econômicos, como descritos acima. O VIX encontra-se em torno de 30%, patamar elevado historicamente.Consigo ver picos acima de 20% e uma média mais próxima as médias de longo-prazo a partir de agora. A Treasury de 10 anos me parece esticada no curto-prazo, mas continuo convicto na abertura de taxas em termos estruturais.  




Data: 06/02/2018

Quadro técnico tenebroso. Situação me parece pontual.

Os ativos de risco encerraram a segunda-feira sobre forte pressão, liderados pelas bolsas dos EUA. Após uma dinâmica tenebrosa durante a noite, neste momento, vejo sinais de estabilização do humor.

Esta correção técnica teve início pelo receio do mercado em torno do cenário econômico, com os sinais de fechamento do hiato do produto nos EUA podendo levar a um processo mais rápido, acentuado e estrutural de alta de juros nos países desenvolvidos e, consequentemente, afetar os “valuations” e os preços dos ativos de risco. Este movimento desembocou neste ajuste técnico pelo o qual estamos passando.

Nos últimos e, em especial, em 2017, uma série de estratégias, tais como CTA, Risk Parity, Balanced Mutual Funds, Short Volatility e afins, se tornaram bastante populares e ganharam escala imensa. Em um ambiente de volatilidade baixa e reprimida estas estratégias apresentaram desempenho bastante positivo, atraindo ainda mais demanda. Isso criou uma certa “bola de neve”. Agora, o aumento repentino da volatilidade do mercado cria a necessidade de um ajuste rápido e acentuado dessas estratégias, que é refletido através da necessidade da venda de alguns ativos financeiros, como as bolsas dos EUA. Leia um pouco mais aqui: https://www.zerohedge.com/news/2018-02-05/it-traders-panic-xiv-disintegrates-after-close.

Acredito que este seja um problema técnica e pontual que não deveria nos levar a próxima crise financeira de fato. Com certeza é um problema que deveremos superar no curto-prazo, onde a volatilidade permanecerá elevada. Meu viés é de acreditar que esta correção esteja próxima do fim. Estou de olho para começar a elevar as alocações em algumas estratégias, mas buscando estruturas com perdas limitadas, talvez focadas em venda de volatilidade nos atuais níveis.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco. O BCB anunciou o início da rolagem dos swaps cambiais que vencem este mês, o que ainda era uma certa dúvida para o mercado. O BRL pode apresentar algum alívio de curto-prazo. 




Data: 05/02/2018

O quadro técnico está ditando a dinâmica dos ativos de risco.

 

Neste momento, os ativos de risco estão confirmando a minha tese de que o quadro técnico do mercado, no curto-prazo, será mais importante do que os dados econômicos de fato. Estamos observando mais uma rodada do movimento de “risk-off”, liderado pela queda das bolsas dos EUA. Desta vez, porém, as correlações se mostram mais “normais”, com as taxas de juros fechando e o dólar forte no mundo. Os ativos do Brasil estão seguindo o humor global a risco, como esperávamos (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/risk-off-continua.html).

No curto-prazo, o movimento parece um pouco esticado (VIX próximo a 25% costuma ser um sinal de excesso de pessimismo, por exemplo), mas fica muito difícil, neste momento, prever até que ponto o técnico do mercado levará a correção dos ativos de risco.

Acho válido apontar que o Ibovespa, ao contrário do BRL, mostra performance relativa mais positiva se comparado a seus pares e as demais bolsas globais. O movimento comprova a tese de que os investidores ainda veem um quadro relativo mais positivo para bolsas EM/Brasil, baseados em valuations mais atrativos, posição técnica mais confortável e expectativa de fluxos para esta(s) classe de ativos.

O destaque econômico do dia ficou por conta da divulgação do ISM Non-Manufacturing, que ficou acima das expectativas do mercado, no patamar mais alto deste ciclo econômico. O número confirma o bom momento da economia.

A reação dos ativos de risco ao número, todavia, levanta a preocupação de que estamos no estágio final do ciclo econômico, em que mais crescimento significa mais inflação e, consequentemente, juros mais elevados. Dado o nível de preço dos ativos de risco e a posição técnica do mercado, mais crescimento começa a se tornar menos positivo, ou até mesmo negativo, para os ativos de risco.

Ainda não estou preparado para afirmar que estamos diante de uma mudança clara de cenário e/ou pano de fundo. Vejo sim com preocupação os sinais recentes da economia e dos mercados globais. Até por isso, tenho optado por um portfólio mais balanceado e pela busca por hedges assimétricos.

Vejo ainda espaço para o mercado permanecer relativamente saudável após está rodada de realização de lucros. Talvez com os ativos nos EUA “trabalhando de lado”, sem tendências relevantes, mas com o mercado buscando “alpha” em outras classes de ativos e regiões, como os Emergentes (EM). Ao longo do ano, com o acumulo de sinais mais claros de inflação mais elevada nos EUA (e quem sabe na Europa), contudo, poderemos ter convicção maior na mudança de cenário e em um pano de fundo mais desafiador estruturalmente para os ativos de risco. Este “roteiro” seria muito parecido com aquele seguido anteriormente a crise de 2008, entre meados de 2007 e meados de 2008.

Continuo com posições de pequenas para médias no Brasil. Não elevamos as alocações. Mantivemos exposição em NTNBs longas, nossa estrutura de BRL foi organizamente reduzida, assim como nossa posição em Ibovespa. No portfólio externo, estamos menores, mas ainda estruturalmente tomados em juros nos EUA. Zeramos nossa venda tática em S&P e seguimos taticamente vendidos em AUDJPY.




Data: 05/02/2018

"Risk-Off" continua.

 

Os ativos de risco estão iniciando a semana com a mesma dinâmica que encerraram a semana passada, com movimentos clássicos de “risk-off”. O final de semana não trouxe nenhuma informação nova em relação à semana passada. 

 

No curto-prazo, mais importante do que os dados econômicos, será entender o quadro técnico do mercado e sua dinâmica. 

 

A transformação da dinâmica recente em uma nova tendência mais estrutural irá depender, obrigatoriamente, da divulgação de números que mostrem um hiato do produto fechado, o pleno emprego e pressões inflacionárias, especialmente nos EUA. 

 

Contudo, a continuidade de um movimento de realização de lucros depende mais do quadro técnico do mercado, do ajuste de posições em algumas estruturas e estratégias de investimentos (como, por exemplo, os “Risk Parity Funds”, as vendas de volatilidade via ETF e etc) e do “behavior” dos investidores. 

 

No Brasil, a mídia afirma que não existem os votos para a Reforma da Previdência e está deverá ser “engavetada” pelo Presidente da Câmara Rodrigo Maia. Não existia nenhuma expectativa em torno deste tema por parte do mercado. De resto, continuam as especulações em torno da campanha presidencial, porém sem avanços ou conclusões concretas sobre o tema. Continuo vendo os ativos do Brasil, no curto-prazo, seguindo o humor global a risco. 

 

O que eu escrevi no sábado, segue válido (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/goodbye-secular-stagnation.html).    




Data: 05/02/2018

Goodbye Secular Stagnation...

 

Os ativos de risco tiveram na sexta-feira um dos dias de pior desempenho desde meados de 2016. A título de exemplo, os índices de bolsa nos EUA apresentaram quedas em torno de 2%, algo que não acontecia desde o terceiro trimestre de 2016. 

 

Estes movimentos foram liderados pela divulgação dos dados referentes ao mercado de trabalho nos EUA em janeiro. Os números mostraram uma criação ainda robusta de vagas de trabalho no mês e uma taxa de desemprego baixa. Porém, mais importante do que isso, observamos um aumento expressivo dos rendimentos médios reais dos trabalhadores, o que pressupõe o acumulo de pressões inflacionárias na economia. 

 

Vale lembrar que estes números seguem uma série de outros dados medidas que apontam na direção de uma economia aquecida, com o hiato do produto fechado e no pleno emprego. Isso tudo ocorre em um pano de fundo em que outras medidas ainda irão afetar a economia na mesma direção, talvez no pior momento possível do ciclo econômico, como os incentivos da Reforma Tributária, um potencial pacote de infraestrutura, medidas menos restritivas ao setor financeiro (que devem estimular empréstimos e a velocidade do dinheiro) além de medidas protecionistas. 

 

No meio disso tudo, ainda temos uma política monetária em processo extremamente gradual de normalização, porém ainda bastante expansionista. O preço dos ativos de risco, em muitos casos, se mostrava menos trivial do ponto de vista de “valuation” e “valor” e uma posição técnica comprometida. 

 

A conjunção desses fatores levou a uma mudança na dinâmica dos ativos de risco ao redor do mundo. Primeiro observamos um aumento razoável das volatilidades realizadas e implícitas de várias classes de ativos, e agora estamos vivenciando um processo de ajuste de preços e posições. 

 

Olhando para a frente, neste momento, tenho mais dúvidas do que certezas, mas algumas coisas começam a ficar mais claras. Ainda acho cedo para afirmar com convicção que estamos de fato diante de uma mudança de cenário base. Contudo, o acumulo de evidências me leva a crer que estamos no estágio final do ciclo econômico, onde mais crescimento significa mais inflação e isso não seja necessariamente positivo para os ativos de risco. 

 

Eu entendo que os Bancos Centrais nas economias desenvolvidas irão tentar manter uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária. Todavia, no final das contas, o que irá determinar a velocidade deste processo será os dados econômicos. Não podemos descartar cenários de manutenção do “status-quo” atual, ainda de “Goldilocks”, nem mesmo da mudança radical de cenário, para um “risk-off” mais acentuado, liderado pelo aumento da inflação e das taxas de juros.  Por ora, minha visão está no meio deste caminho.

 

Acredito que o ano terá mais volatilidade e mais diferenciação entre classes de ativos e ativos de diferentes países e regiões. Vejo mais valor em posições relativas do que em posições direcionais. Posições táticas deverão ser mais importantes do que posições estratégicas. A volatilidade média dos mercados deverá ser mais elevada do que no passado recente, com picos ainda mais altos. Até uma definição clara em torno das eleições presidenciais, os ativos do Brasil deverão seguir o humor global a risco. 

 

Como escrevi desde o pré julgamento de Lula em segunda instância (pode ler lido na sequencia aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/), tenho buscado manter um portfólio mais balanceado. Mantenho posições de pequenas para médias em Brasil, concentrada na parte longa da curva de juros reais, com uma pequena posição vendida em dólar (comprada em BRL) via estruturas de opção com perda limitada e uma posição pequena em bolsa via “stock picking”. No portfólio externo, a posição central continua a ser tomada em taxas longas de juros nos EUA. Reduzimos nosso Long JPY em meados de janeiro. Mantemos posição tática vendida em AUD e SPX iniciada no final de janeiro, mas reduzimos e trocamos os instrumentos após os movimentos de ontem. 

 

Olhando para frente, deveremos manter este mesmo tipo de postura. A posição em BRL já ficou bastante reduzida pela perda de delta. Não estou com pressa de voltar a elevar a alocação, pois estou revendo o cenário após os eventos recentes. Estou de olha no Ibovespa, aonde vejo espaço para um bom desempenho, mesmo que relativo, e onde as vols implícitas estão baixas para manter alocações. 

 

No cenário externo, consigo ver uma realização entre 5% e 10% da bolsa nos EUA (já caiu cerca de 4% dos picos), mas uma correção mais acentuada dependerá dos dados econômicos, como descritos acima. O VIX encontra-se em torno de 15%, patamar elevado se considerado o ano de 2017, mas ainda próximo às médias de prazos mais longos (em torno de 12%). Consigo ver picos acima de 20% e uma média mais próxima as médias de longo-prazo a partir de agora. A Treasury de 10 anos me parece esticada no curto-prazo, mas continuo convicto na abertura de taxas em termos estruturais. Podemos, daqui a 2-3 anos, olhar para trás, ver a taxa em 2,85%, e pensar: “nosso, como aquelas taxas estavam muito erradas....”.




Data: 02/02/2018

Bitcoin and Beyond

 

No dia 18 de janeiro, escrevi o seguinte sobre as cripto-moedas (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/ultimas-horas-trouxeram-noticias.html):

Eu não deveria entrar no mérito de comentar sobre as “cripto- moedas” por ter a consciência de que nada entendo sobre o assunto. Só tenho uma pequena, e talvez irrelevante opinião sobre o tema. A alta parabólica nos preços do Bitcoin e Cia, na minha humilde visão, é um sintoma da mesma “doença” que afetou os demais mercados globais e ativos de risco nos últimos anos. Entre outros (nova tecnologia, sigilo nas transações, utilização criminosa e etc), o excesso de liquidez global me parece ser uma importante explicação para este fenômeno. Assim, conforme entramos no estágio final do ciclo de afrouxamento monetário, com Fed reduzindo QE e subindo juros, ECB iniciando processo semelhante, PBoC com política fiscal e monetária mais apertada e BoJ sinalizando caminho parecido, mesmo que em um momento futuro, acabam trazendo alguma incerta para a continuidade destes movimentos parabólicos.

E complementei com o seguinte argumento sobre o pano de fundo externo:

Eu vejo os eventos recentes como reforçando a tese em prol de taxas de juros mais elevadas no mundo desenvolvido mas, em especial, nos EUA. Tenho o receio de que estejamos entrando na fase do ciclo econômico em que mais crescimento signifique mais inflação e, até mesmo, um certo “overheating” da economia dos EUA, o que não tende a ser positivo para os mercados no longo-prazo. Ainda me parece cedo para rever totalmente o pano de fundo de “Goldilocks” que ainda domina a cabeça dos investidores, todavia continuo vendo sinais que precisam ser estudados e maturados no curto-prazo.

Os números recentes e a dinâmica de curto-prazo dos ativos de risco apenas reforçam a minha tese. Ainda não tenho um cenário base negativo como pano de fundo, mas continuo me aprofundando no entendimento dos dados recentes, pois vejo o acumulo de sinais que podem alterar o pano de fundo corrente, com reverberações importantes para os ativos de risco.

Assim, mantenho um portfólio mais balanceado desde o pré-julgamento de Lula em segunda instância. Mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/relatorio-mensal-de-asset-allocation.html.




Data: 02/02/2018

As atenções estão voltadas às  taxas de juros nos EUA.

 

Os ativos de risco estão passando por um momento de acomodação, puxados por uma abertura nas taxas de juros dos países desenvolvidos relativamente acentuada para os padrões históricos recentes.

O cenário base de crescimento sólido ao redor do mundo, inflação contida nas economias avançadas e postura gradual dos bancos centrais ainda é válido. Contudo, acumulam-se evidências de que em algumas economias, tais como EUA e Alemanha, o hiato do produto fechado e o pleno emprego possam já começar a estar causando pressões inflacionárias, o que levaria a necessidade de uma postura mais proativa e agressiva por parte dos bancos centrais dessas economias.

Eu entendo que os bancos centrais nas economias avançadas irão buscar um processo de normalização monetária gradual e bem comunicado. Contudo, no final das contas, quem determinará isso serão os dados econômicos, que podem vir a atropelar este desejo. Assim, no atual estágio do ciclo, precisamos ter atenção redobrada.

Os dados recentes apenas reforçam a tese descrita acima. Nos EUA, o Unit Labor Cost apresentou alta de 2% QoQ no 4Q17, muito acima das expectativas. O Jobless Claims continuou próximo a 230k, no piso desde a década de 70. Este quadro sinaliza para um mercado de trabalho no pleno emprego!

O destaque da agenda de hoje ficará por conta dos dados oficiais do mercado de trabalho nos EUA. Espera-se uma taxa de desemprego estável, uma criação ainda robusta de vagas de trabalho e uma alta gradual dos rendimentos médios reais. Acredito que, em algum momento, veremos um arrefecimento no nível de criação mensal de vagas de trabalho, com maiores pressões nos rendimentos, movimentos típicos de um ciclo econômico mais maduro.

No Brasil, o Governo tenta manter vivas as expectativas para a Reforma da Previdência, mas suas chances hoje são vistas como mínimas pelo mercado. A Produção Industrial de dezembro apresentou forte alta de 2,8% MoM, acima das expectativas. O número reforça o quadro de um crescimento mais consolidado, espalhado e coloca um risco altista nas expectativas para o PIB do país em 2018. Os ativos locais continuam seguindo o humor global a risco. 




Data: 01/02/2018

Hawkish Fed.

 

Os ativos de risco estão dando continuidade, hoje pela manhã, aos movimentos verificados após a decisão do FOMC, nos EUA, no final da tarde de ontem. Vemos uma leve alta do dólar no mundo, uma abertura de taxa das Treasuries mas com as bolsas globais ainda bem comportadas.

O grande destaque de ontem foi à decisão do Fed/FOMC nos EUA. Como era amplamente esperado, o Fed manteve sua política monetária inalterada. Contudo, promoveu algumas alterações sutis em seu comunicado que não passaram despercebidas pelo mercado. Além de darem um tom mais otimista com relação ao crescimento e a convergência da inflação para sua meta de 2%, o comunicado mostrou disposição por parte do comitê em promover altas adicionais na taxa de juros ao longo deste ano.

O mercado ainda precifica cerca de 60bps de alta de juros para este ano, enquanto as previsões do Fed apontam para 3 altas de 25bps (agora com perspectivas de altas adicionais a essas segundo o comunicado). A reação natural do mercado foi uma alta do dólar e um “flattening” da curva de juros. Por ora, ainda não há sinais consistentes de que a postura do Fed esteja afetando o humor para os demais ativos de risco.

Além da decisão do Fed, a agenda nos EUA trouxe um ADP Employment mostrando uma criação de 235mil postos de trabalho em dezembro, número bastante robusto. O Employment Cost Index apresentou alta de 0,6% QoQ no 4Q17, em linha com as expectativas. O número confirma uma trajetória gradual de aumento do custo do trabalho. Finalmente, vimos números de atividade econômica, como o Chicago PMI, mantendo-se em patamar saudável e elevado, condizente com um crescimento robusto da economia.

No Brasil, a Taxa de Desemprego apresentou mais um mês de recuo, com a continuidade do processo de recuperação dos rendimentos médios reais. Os números estão em linha com um cenário de recuperação do mercado de trabalho, que dar sustentação a recuperação do crescimento do país.

Os dados fiscais mostram um quadro ainda preocupante, mas a recuperação da economia levou o governo a superar a meta de déficit fiscal primário (menos déficit) em 2017. Os números mostram o potencial positivo que a recuperação cíclica da economia traz aos indicadores econômicos, o que deverá continuar ao longo deste ano, independente de fatores exógenos. Contudo, não podemos esquecer que para que esta recuperação cíclica se torne estrutural as reformas econômicas ainda são indispensáveis.

Hoje pela manhã observamos dados robustos de exportações da Coreia do Sul. Por ser uma economia aberta e com corrente do comercio elevada, estes números costumam ser vistos como proxy para o crescimento global. Assim, ainda vemos sinais positivos da economia mundial, a despeito do estágio avançado do ciclo econômico.

Finalmente, dados do setor imobiliária na Austrália levaram a uma forte queda do AUD (moeda do país) esssa manhã. Segundo o Morgan Stanley: Watch the Australian housing space. Building approvals in Australia fell sharply in December, reversing the sharp uptick in previous months. Approvals were down 5.5%Y (vs. consensus of +11.5%Y), with apartments leading the decline. The Sydney area saw a decline of 60%Y in apartment approvals to the lowest level in 3 years. A deterioration in housing would have large implications for the AUD, in our view. Yesterday’s weaker than expected headline inflation should see the RBA firmly on hold through 1H18, in our view, which should see rate differentials weigh on the AUD regardless of developments in the housing market.

Em termos de portfólio, continuo buscando uma posição mais neutra no curto-prazo. Mantenho exposição aos ativos no Brasil, focado na parte longa da curva de NTN-B, com alguma exposição comprada em BRL (vendida em dólar) via estrutura de opções com perda limitada e comprado em uma pequena carteira de ações locais. As posições em Brasil hoje podem ser consideradas entre pequenas e médias, já que acredito que continuaremos a seguir o humor global a risco.

No externo, continuo tomado em taxa de juros nos EUA como principal tema de investimento, administrando apenas tamanho e instrumentos. Mantenho uma posição comprada em JPY, mas menor do que como comecei o ano. Taticamente, ou seja, em menor escala e com stops mais curtos, estamos levemente vendidos em AUD e SPX desde final da semana passada.

 



Data: 31/01/2018

Brasil: Pesquisa Datafolha mostra cenário incerto. Centro não evolui...

 

A noite foi um pouco mais agitada, com informações relevantes ao cenário. 

 

Brasil – A pesquisa Datafolha para presidente da república realizada após a condenação de Lula em segunda instância mostra o ex-presidente ainda na liderança das pesquisas, consolidado em torno de 35% das intenções de voto. Quando retirado da pesquisa, cenário que acredito ser o mais provável no momento, os mais favorecidos, por ora, da saída de Lula da corrida eleitoral seriam Marina Silva e Ciro Gomes. Nestes cenários, Bolsonaro ainda lidera a disputa, seguido de Marina. Os candidatos considerados mais ao centro e liberais continuam “patinando” abaixo de 10% das intenções de voto. 

 

Brasil – A pesquisa Datafolha para presidente da república realizada após a condenação de Lula em segunda instância mostra o ex-presidente ainda na liderança das pesquisas, consolidado em torno de 35% das intenções de voto. Quando retirado da pesquisa, cenário que acredito ser o mais provável no momento, os mais favorecidos, por ora, da saída de Lula da corrida eleitoral seriam Marina Silva e Ciro Gomes. Nestes cenários, Bolsonaro ainda lidera a disputa, seguido de Marina. Os candidatos considerados mais ao centro e liberais continuam “patinando” abaixo de 10% das intenções de voto. 

 

Acredito que, no curto-prazo, a pesquisa deve ser vista como negativa pelos investidores locais. Eu acredito que ainda falta muito tempo para as eleições e o centro ainda precisa se unir em torno de um nome único e competitivo caso queira evoluir nas pesquisas. A despeito de reconhecer que um segundo turno entre Bolsonaro e Marina não seja o cenário ideal para os mercados financeiros locais, tampouco acredito que algum deles fariam uma mudança drástica de política econômica caso eleitos. Assim, vejo os cenário como levemente negativos no curto-prazo apenas. 

 

A pesquisa pode ser vista aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1954606-sem-lula-disputa-por-vaga-no-segundo-turno-se-acirra.shtml. 

 

China – O Flash PMI do país mostrou uma desaceleração, ficando abaixo das expectativas do mercado de estabilidade. O número confirma um cenário de uma economia levemente mais fraca na margem, cenário com que muitos já trabalhavam desde o ano passado. O risco continua a ser de uma desaceleração superior as expectativas, mais rápida e acentuada, que poderia afetar de maneira mais contundente o cenário base. 

 

Segundo o Morgan Stanley: Official manufacturing PMI unexpectedly slipped on weaker new orders: The NBS manufacturing PMI edged down to 51.3 in January (vs. 51.6 in December, Consensus and MSe: 51.6), led by weaker new orders (52.6 in January vs. 53.4 in December). In particular, new export orders dipped by 2.4ppt to 49.5 (vs. 51.9 in December), suggesting external demand likely normalized from elevated levels in January due to front-loaded orders ahead of the December holiday season. That said, the drag was partly offset by stronger consumer goods production before Chinese New Year, as NBS disclosed that PMI reading in the industry has edged up by 0.3ppt to 52.7 in January." 

 

Austrália – Os dados de inflação do 4Q18 ficaram levemente abaixo das expectativas, reduzindo a probabilidade, que já era baixa, de qualquer ajuste monetário no país no curto-prazo. De acordo com Citibank: 

 

"Quarterly CPI was weaker than expected for the fifth consecutive quarter. Q4 CPI printed at 0.6%, below the 0.7% consensus estimate and our 0.8% forecast. The trimmed mean increased by just 0.4%, also below consensus expectations for a 0.5% increase and our 0.5% forecast. The Q4 CPI data marked the longest period of continually weaker-than-expected headline CPI on record. The last previous run of consecutively weaker-than-expected data was from Q1 to Q4 2005. This long run of downward surprises is more marked than seen in a number of major economies."  




Data: 31/01/2018

Risk-Off! For how long?

 

Não há mudanças substanciais de cenário econômico nos últimos dias, mas certamente os mercados financeiros globais emitem sinais de fadiga. A alta das volatilidades (realizadas e implícitas) e a perda de correlação entre várias classes de ativos (já comentado mais cedo e reproduzido abaixo) não podem ser ignorados. 

 

Por ora, estou tratando o movimento recente como uma correção natural e saudável, após um começo de ano extremamente agressivo em termos de apreciação dos ativos financeiros. A posição técnica mais poluída, níveis de preço menos atrativos e uma agenda econômica mais carregada podem explicar parte dos movimentos recentes. 

 

O que me chama mais a atenção, e deve ser visto de forma um pouco mais estrutural, é a dinâmica global das taxas de juros dos países desenvolvidos desde a virada do ano. Além de um pano de fundo econômico que justifica juros mais elevados, temos um quadro técnico de mais emissões (aumento da oferta) e redução da demanda (através da redução do balanço do Fed e “tapering” do ECB). 

 

Este cenário me preocupa, já que vejo este processo como estrutural e não apenas pontual. Taxas de juros mais elevadas significam taxas de desconto mais altas e, consequentemente, valuations (preços de ativos financeiros) mais baixos. Não sei quando isso fará preço de forma mais estrutural nos mercados financeiros globais. 

 

Os ativos no Brasil continuam seguindo o humor global a risco, na ausência de notícias locais relevantes. As atenções do mercado estarão voltadas para as pesquisas de opinião em torno das eleições presidênciais. No cenário macro, continuamos a ver um ambiente de recuperação do crescimento, cada vez mais consolidado e espalhado, inflação contida, e contas externas saudáveis. Em termos políticos, não vemos alinhamento para a aprovação da Reforma da Previdência no curto-prazo. O mercado vê da mesma forma. A aprovação seria vista como bastante positiva pelos ativos locais. 

 

Em termos de portfólio, continuo buscando posições mais balanceadas e relativas, visando um cenário um pouco mais turbulento à frente, mesmo que pontualmente. Precisamos estar preparados e líquidos para eventuais mudanças estruturais de cenário.




Data: 30/01/2018

A volatilidade está de volta?

 

A despeito da manutenção de um “cenário base” relativamente estável ao redor do mundo, e da maior parte dos ativos de risco encontrarem-se em níveis apreciados para o histórico recente e, em muitos casos (como as bolsas nos EUA), em picos históricos, já vemos desde a virada do ano um padrão de volatilidade (vol) mais elevada nos ativos financeiros. 

 

Além disso, acho válido mencionar a perda de algumas correlações históricas, pelo menos no curto-prazo, como das Treasuries com S&P, do JPY com a Treasury e o S&P, do dólar no mundo com o diferencial de juros, entre outros. 

 

De modo geral, vejo estes sinais como uma evolução natural do cenário prospectivo. Com relação a alta nas volatilidades, dado o estágio do ciclo econômico global, acredito que possa ser uma tendência de veio para ficar, ou seja, vols mais altas do que o histórico padrão recente. Este tipo de ambiente favorece a busca por plays relativos e a diferenciação entre países/regiões, classes de ativos e afins. Costuma ser um ambiente mais propícios para os fundos macro fundamentalistas.




Data: 30/01/2018

Sinais de fadiga dos ativos de risco.

 

Desde o começo de segunda-feira os ativos de risco estão mostrando sinais de fadiga e apresentando alguns movimentos clássicos de realização de lucros, ou “risk-off”> Acredito que o movimento seja natural em qualquer ciclo econômico e pode ser explicado por um misto entre posição técnica um pouco prejudicada no curto-prazo, preços menos atrativos e uma agenda econômica e de política monetária mais carregada ao longo da semana. 

 

Ainda vejo espaço para a continuidade desta “acomodação” dos ativos de risco no curto-prazo, que julgo ser natural e saudável. Por ora, contudo, ainda não vejo motivos concretos para alterar de maneira radical o cenário base com o qual os mercados tem trabalhado, leia-se, crescimento global saudável, inflação ainda baixa no mundo desenvolvido e ajuste apenas gradual da política monetária nas principais economias do mundo. 

 

De qualquer maneira, reforço que vejo um acumulo de sinais na direção contrária a este cenário base, como tenho insistido nas últimas semanas (e pode ser lido aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/). Isso requer um portfólio mais balanceado, a busca por posições relativas e a procura por hedges. 

 

Os ativos no Brasil estão seguindo a risca o humor global em torno dos ativos de risco. Até o momento, não houve nenhuma “over performance” dos ativos Brasileiros baseado na melhora cíclica dos fundamentos locais (crescimento mais consolidado e espalhado, inflação baixa, juros baixos, contas externas saudáveis e, até mesmo, ume leve melhora nas contas públicas) e nem mesmo na aparente redução do “risco de cauda” do processo eleitoral após a condenação de Lula na segunda instância, o que na teoria o torna inelegível. 

 

Assim, mantenho um portfólio ainda alocado em ativos do Brasil. Nos atuais níveis de preço, a posição pode ser considerada de média para pequena. Estou favorecendo as NTN-Bs na parte intermediária da curva, posições compradas em BRL (vendidas em USD) através de estruturas de opção com perda limitada e uma pequena posição comprada em renda variável em que migramos boa parte das posição em Ibovespa por alguns “stock picks”. No cenário externo, seguimos tomados me juros longos nos EUA e comprados em JPY estruturalmente. Taticamente, ou seja, com stops mais curto, adicionamos uma venda de S&P e de AUD no final da semana passada. Neste caso, a visão é de curto-prazo e visando ter algum hedge no portfólio. 

 

No tocante aos dados econômicos correntes, não há alterações de cenário. Nos EUA, ontem, vimos o Core PCE de dezembro subir 0,2% MoM e 1,5% YoY, dentro das expectativas do mercado. Os dados de despesas ficaram levemente acima das expectativas, mostrando um quadro de crescimento saudável e robusto do país. 

 

No Brasil, a Nota de Crédito do BCB mostrou a continuidade do processo gradual de recuperação do mercado de crédito. Esta recuperação tem sido extremamente lenta, mas já mostra sinais mais positivos há algum tempo. Este deve ser mais um vetor de suporte ao crescimento no próximos meses.  




Data: 26/01/2018

"Risk-On" Continues.  Watch out for market signals...

 

Os dados econômicos divulgados hoje (que se somam aqueles divulgados ao longo de toda a semana) em nada alteram o cenário econômico global. Por consequência, a dinâmica dos ativos de risco permanece inalterada. 

 

O PIB dos EUA ficou levemente abaixo das expectativas, com alta de 2,6% (QoQ anualizado). Contudo, a abertura do indicador mostrou um quadro qualitativo saudável, com robustez da demanda interna. Continuo vendo uma economia aquecida, com hiato do produto fechado e risco crescentes de uma aceleração mais ampla da inflação. 

 

Continuamos a viver em um pano de fundo de crescimento global robusto, uma inflação ainda baixa no mundo desenvolvido e bancos centrais que normalizam as suas condições monetárias de maneira gradual e bem comunicada. 

 

Até agora, este processo de normalização monetária não foi capaz de promover nenhum ajuste nas condições financeiras. Muito pelo contrário, vivemos um período em que as condições financeiras se mostram bastante frouxas, até mais frouxas do que antes do início deste processo de normalização monetária. 

 

A dinâmica dos ativos de risco, assim, continua na direção entre o “Risk-On” e o “Goldilocks”. Ao que tudo indica, apenas uma reversão completa deste pano de fundo será capaz de alterar a direção dos mercados financeiros globais de maneira convincente. Enquanto isso, podemos esperar apenas realizações pontuais derivadas de uma posição técnica menos construtiva (mais detalhes abaixo) e preços menos atraentes. De forma geral, contudo, esses vetores não têm se mostrado capazes de impedir a continuidade das tendências, apenas freá-la de maneira pontual em alguns poucos momentos. 

 

No Brasil, os ativos locais continuam seguindo o humor global, ajudados por um ambiente interno também positivo. Volto a afirmar aqui, como já falei há alguns dias atrás, que acredito que mais de 80% do movimento dos ativos brasileiros seja explicado pelo pano de fundo global. Muito pouco do movimento recente é explicado pelo “evento condenação do Lula” e/ou pela melhora dos fundamentos locais. Somente como exemplo, o BRL ainda apresenta desempenho pior que seus pares em janela de 3, 6 e 12 meses. O mesmo vale para o EWZ se comparado ao EEM. 

 

Mantenho minha visão inalterada sobre posicionamento. Mais detalhes podem ser lidos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.




Data: 26/01/2018

Brasil em alta, dólar em baixa e desafios de longo-prazo.

 

Na tarde de ontem, o dólar apresentou um rápido e acentuado rally, após Trump dizer que os comentários a respeito da moeda, feitos pelo Secretário do Tesouro, tinham sido tirados de contexto. Agora pela manhã, a moeda norte americana voltou a operar sobre forte pressão ao redor do mundo. 

 

O movimento de ontem mostra que a posição técnica do dólar pode estar um pouco prejudicada, com muitos investidores já posicionados na mesma direção. Contudo, o cenário aponta para a continuidade desta tendência. Exceto por realizações de lucros pontuais, continuo vendo um dólar mais fraco estruturalmente. 

 

Os números de inflação no Japão apresentaram estabilidade em dezembro, levemente abaixo das expectativas de uma leve aceleração. A despeito do cenário mais positivo para o crescimento, e de um processo bastante gradual de alta na inflação, ainda não se observa um movimento mais acentuado de pressão inflacionária no país. 

 

Os comentários que fiz ontem continuam válidos: 

 

Os ativos do Brasil negociados nos EUA estão mantendo a tendência de forte desempenho até o momento. O EWZ subiu 1%, a PBR 1,3% e ITUB 2,6%, apenas para citar alguns poucos exemplos. 

 

Dada à decisão de ontem, parece haver espaço para os ativos locais continuarem mostrando bom desempenho no curto-prazo. Além do pano de fundo econômico que considero ciclicamente muito positivo para o país, existe uma “enxurrada” de fluxo que poderia migrar para ativos de maior risco, ou seja, renda variável, títulos longos e, consequentemente, favorecer o BRL. 

 

Ao longo desta quinta-feira, a Petrobrás está executando uma emissão de bonds (dívida) no exterior. Segundo a mídia, a demanda pelos papeis já supera os US$10 bilhões, o que confirma o interesse por ativos brasileiros. A Natura também realizou emissão hoje, com boa demanda e taxas relativamente fechadas. 

 

No cenário externo, o grande destaque continua por conta da forte pressão sobre o dólar no mundo, uma tendência que se acentua e parece consolidada. As declarações recentes do Secretário do Tesouro dos EUA apenas deram ímpeto adicional ao movimento. 

 

Na Europa, o ECB manteve o tom de seu descuro de dezembro, após manter a política monetária inalterada, o que era amplamente esperado. O Banco terá um grande desafio nos próximos meses, pois precisará passar por um processo de transição em sua política monetária, face uma economia extremamente robusta. A ausência de declarações mais rígidas em relação à apreciação recente do EUR, por exemplo, podem ter ajudado a dar ainda mais sustentação a moeda ao longo do dia de hoje. 

 

Na Alemanha, o IFO – um dos principais indicadores de confiança de toda a Europa – apresentou alta, superando as expectativas do mercado. Todos os indicadores econômicos da Alemanha apontam para um crescimento robusto, acima das expectativas. 

 

Nos EUA, o Jobless Claims se manteve nos níveis mais baixos desde a década de 70. O número mostra um mercado de trabalho apertado, já no pleno emprego e uma economia que apresenta hiato do produto já fechado. 

 

Diante deste quadro, continuo favorecendo os ativos do Brasil, apenas administrando tamanho e instrumentos. Vejo uma tese ainda positiva para os mercados emergentes nos próximos meses e para o Brasil, em especial. No cenário externo, continuo perseguindo este aumento estrutural das taxas de juros nos países desenvolvidos. Acredito que este movimento continuará sendo seguido por um enfraquecimento global do dólar, que estamos posicionados via compra de JPY e BRL no portfólio de Brasil. 

 

Se o curto-prazo parece apresentar espaço para a manutenção desta dinâmica acima citada, mas sem grandes problemas aparentes, continuo preocupado com os desenvolvimentos a longo-prazo. 

 

As políticas que vem sendo implementadas nos EUA como corte de impostos, estímulo fiscal, plano de infraestrutura, enfraquecimento do dólar, protecionismo, menor regulamentação bancária, em um pano de fundo de crescimento forte, hiato do produto fechado e pleno emprego, são políticas que levarão ao aumento do déficit público, à inflação, ao aumento das taxas longas de juros e a novas rodadas de depreciação da moeda local. No geral, estes movimentos não costumam terminar de maneira saudável. 




Data: 26/01/2018

Brasil em alta, dólar em baixa e desafios de longo-prazo.

 

Os ativos do Brasil negociados nos EUA estão mantendo a tendência de forte desempenho até o momento. O EWZ sobe 2,8%, a PBR sobe 3% e ITUB sobe 3,5%, apenas para citar alguns poucos exemplos. 

 

Dada à decisão de ontem, parece haver espaço para os ativos locais continuarem mostrando bom desempenho no curto-prazo. Além do pano de fundo econômico que considero ciclicamente muito positivo para o país, existe uma “enxurrada” de fluxo que poderia migrar para ativos de maior risco, ou seja, renda variável, títulos longos e, consequentemente, favorecer o BRL. 

 

Ao longo desta quinta-feira, a Petrobrás está executando uma emissão de bonds (dívida) no exterior. Segundo a mídia, a demanda pelos papeis já supera os US$10 bilhões, o que confirma o interesse por ativos brasileiros. A Natura também realizou emissão hoje, com boa demanda e taxas relativamente fechadas. 

 

No cenário externo, o grande destaque continua por conta da forte pressão sobre o dólar no mundo, uma tendência que se acentua e parece consolidada. As declarações recentes do Secretário do Tesouro dos EUA apenas deram ímpeto adicional ao movimento. 

 

Na Europa, o ECB manteve o tom de seu descuro de dezembro, após manter a política monetária inalterada, o que era amplamente esperado. O Banco terá um grande desafio nos próximos meses, pois precisará passar por um processo de transição em sua política monetária, face uma economia extremamente robusta. A ausência de declarações mais rígidas em relação à apreciação recente do EUR, por exemplo, podem ter ajudado a dar ainda mais sustentação a moeda ao longo do dia de hoje. 

 

Na Alemanha, o IFO – um dos principais indicadores de confiança de toda a Europa – apresentou alta, superando as expectativas do mercado. Todos os indicadores econômicos da Alemanha apontam para um crescimento robusto, acima das expectativas. 

 

Nos EUA, o Jobless Claims se manteve nos níveis mais baixos desde a década de 70. O número mostra um mercado de trabalho apertado, já no pleno emprego e uma economia que apresenta hiato do produto já fechado. 

 

Diante deste quadro, continuo favorecendo os ativos do Brasil, apenas administrando tamanho e instrumentos. Vejo uma tese ainda positiva para os mercados emergentes nos próximos meses e para o Brasil, em especial. No cenário externo, continuo perseguindo este aumento estrutural das taxas de juros nos países desenvolvidos. Acredito que este movimento continuará sendo seguido por um enfraquecimento global do dólar, que estamos posicionados via compra de JPY e BRL no portfólio de Brasil. 

 

Se o curto-prazo parece apresentar espaço para a manutenção desta dinâmica acima citada, mas sem grandes problemas aparentes, continuo preocupado com os desenvolvimentos a longo-prazo. 

 

As políticas que vem sendo implementadas nos EUA como corte de impostos, estímulo fiscal, plano de infraestrutura, enfraquecimento do dólar, protecionismo, menor regulamentação bancária, em um pano de fundo de crescimento forte, hiato do produto fechado e pleno emprego, são políticas que levarão ao aumento do déficit público, à inflação, ao aumento das taxas longas de juros e a novas rodadas de depreciação da moeda local. No geral, estes movimentos não costumam terminar de maneira saudável. 




Data: 24/01/2018

Brasil: Primeiro passo na longa jornada das eleições.

 

Ontem foi o primeiro dia depois de muito tempo que observamos alguns sinais mais negativos dos mercados financeiros globais, com alguns movimentos, mesmo que ainda tímidos, de realizações de lucros. 

 

Observamos uma pressão sobre os ativos emergentes, uma forte queda do Minério de Ferro, uma apreciação maior do JPY, um fechamento de taxa de juros das Treasuires, entre outros. Estes são sinais claros de fadiga dos movimentos recentes no curto-prazo. Os sinais ainda são incipientes e os movimentos controlados. Por não haver uma mudança clara de necessário, por ora, estas correções seriam apenas reações naturais a preços menos atrativos e a uma posição técnica mais desfavorável. Ainda cedo falar em mudança ou inversão de cenário e tendência. 

 

Hoje pela manhã já vemos um mercado de volta as tendências recentes, com destaque para o dólar fraco no mundo, as bolsas e as commodities em alta e taxas de juros mais estáveis nos países desenvolvidos. 

 

No Brasil, hoje é o primeiro passo na longa jornada que será a campanha eleitoral para presidente. Lula será julgado em segunda instância no TRF-4, em Porto Alegre. Não vou entrar aqui nos meandros do processo. Acredito que um resultado de 3x0 será bem recebido pelo mercado. Um resultado de 2x1 poderá levar a alguma realização de lucros dos ativos locais. Qualquer resultado com Lula inocentado terá reação extremamente negativa dos ativos locais. 

 

Acredito que o mercado tenha reduzido alocação em ativos do Brasil nos últimos dias e que a posição técnica esteja saudável, mas isso não evitará movimentos relevantes em caso de “resultados extremos” da decisão de hoje. 

 

O IPCA-15, divulgado ontem, apresentou inflação abaixo do esperado. O número mostrou um quadro qualitativo positivo (inflação, núcleos e difusão baixas). O número divulgado ontem tira um pouco da sensação ruim deixada pelo IPCA de dezembro, mostrando um quadro de relativa tranquilidade para a inflação. Continuo acreditando que a Taxa Selic cairá para, pelo menos, 6,75% e ficará neste patamar por um longo período de tempo. 




Data: 23/01/2018

EUA: Caminho sem volta?

 

Nesta noite, como era esperado, o BoJ, no Japão, manteve a política monetária inalterada. As declarações da instituição apontam para um maior otimismo em torno do crescimento e da convergência da inflação para a meta. 

 

Uma forte queda no preço do Minério de Ferro durante a noite está colocando alguma pressão no AUD essa manhã. 

 

O grande destaque dos últimos dias, contudo, continua por parte do EUA e ontem não foi diferente. O Senado chegou a um acordo e o “shutdown” foi encerrado de forma relativamente rápida, apresentado pouco impacto nos mercados no curto-prazo. Ao que tudo indica, a solução do impasse deverá incorrer em mais gastos e mais déficit fiscal a longo-prazo. 

 

No final da tarde de ontem, o POLITICO – um veículo de comunicação norte americano especializado em cenário político (por mais obvio que pareça) – divulgou um esboço do “Pacote de Infraestrutura” que deverá ser divulgado pelo Governo Trump. De forma clássica, o pacote deverá dar suporte ao crescimento, via investimentos, porém com o efeito secundário de também aumentar o déficit público. 

 

No início da noite, o Governo dos EUA anunciaram a implementação de tarifas para painéis solares e lavadoras de roupa, no que parece o primeiro passo em um longo processo de “trading war” que Trump e Cia, pretendem adotar. 

 

Nós, brasileiros, deveríamos reconhecer de maneira mais clara o cenário que está se desenhando nos EUA, pois vivenciamos situação muito semelhante há poucos anos atrás, e ainda sofremos as consequências nefastas deste ambiente. 

 

Vejamos: Uma economia robusta, em um mercado de trabalho aquecido, com política monetária excessivamente frouxa. Adiciona a isso um pacote de estímulo fiscal/tributário, um plano de infraestrutura com gastos públicos adicionais e a imposição de barreiras a seus parceiros comerciais visando defender a industria nacional. Lembra alguma coisa? (Brasil entre 2011 e 2015). As consequências parecem claras. Aumento do déficit fiscal, piora nos fundamentos econômicos, uma moeda mais fraca e taxas de juros longas mais elevadas me parecem ser o caminho natural deste processo a longo-prazo. 




Data: 22/01/2018

Watch out!

 

Os ativos de risco estão abrindo a semana sem movimentos relevantes. No domingo, a situação política na Alemanha caminhou na direção de um acordo entre os partidos da base governista. Assim, o atual governo poderá seguir em frente, sem a necessidade de novas eleições no curto-prazo. A notícia ajudou a dar sustentação ao EUR ao longo da noite. 

 

Na Coréia do Sul, as exportações dos primeiros 20 dias de janeiro apresentaram alta de 14,5% YoY, subindo dos 12,2% YoY do mês anterior. O número mostra uma economia global ainda bastante robusta (por ser uma economia muito aberta, com corrente de comércio elevada, as exportações do pas são lidars como uma boa “proxy” para o crescimento global). 

 

O noticiário no Brasil continua sem novidades relevantes. Mantenho a visão de que o próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula em segunda instância, no TRF-4, agendado para a semana que se inicia amanhã. 

 

Nossa análise quantitativa e qualitativa mostra que os fundos locais não estão com posições excessivas alocados em ativos locais. A visão predominante ainda é bastante positiva, mas a maior parte dos fundos ajustou suas posições nos últimos dias. Em suma, a posição técnica em ativos do Brasil não me parece ruim. Contudo, mantenho a visão de que nos atuais níveis de preço não vejo tanto assimetria para o evento citado anteriormente, exceto nos casos extremos, cujas probabilidades são mais baixas (leia-se Lula inocentado ou Lula condenado por 3x0 com a mesma condenação proferida em primeira instância). 

 

O cenário externo, contudo, começa a ficar um pouco mais interessante. A semana terá como destaque a decisão de política monetária em importantes países e regiões do mundo, como na Europa e no Japão. 

 

Nos EUA, o Congresso não chegou a um acordo e o “shutdown” teve inicio oficialmente na madrugada de sábado.. A visão central do mercado é que este evento poderá reduzir o PIB entre 0,2% e 0,3%, mas com impacto limitado e pontual. Do ponto de vista político, um acordo poderá seguir o caminho de novas concessões entre Democratas e Republicanos e, consequentemente, mais medidas na direção do aumento do déficit fiscal do país podem ser implementadas. 

 

No final da tarde de sexta-feira, um membro do Fed responsável por regulamentação bancária concedeu declarações de que o Fed e o Governo estariam na fase final dos estudos para aliviar parte das limitações/restrições de alavancagem implementadas após a crise de 2008. Seria mais uma medida na direção de aliviar restrições bancárias, se caracterizando mais um vetor na direção de estimular o crescimento do país. 

 

Na minha visão, estes eventos são extremamente relevantes, pois ocorrem ao mesmo tempo em que o crescimento já se mostra sólido, o mercado de trabalho robusto e, com uma convicção cada vez maior, um hiato do produto fechado e a economia no pleno emprego. Os mercados financeiros globais estão lendo esse pano de fundo e essas medidas como bastante positivas, o que de todo não está errado. São medidas que deverão sustentar o crescimento no curto-prazo, o que costuma ser muito positivo para os ativos de risco em geral. 

 

Contudo, acumulam-se evidências que muitas dessas medidas estão sendo implementadas no pior momento possível para a economia. São medidas que deveriam ter sido colocadas em prática logo após a crise, e não 10 anos depois, no atual estágio, já maduro, do ciclo econômico. Estamos falando de Reforma Tributária, Plano de Infraestrutura, menos limites aos bancos, em meio a uma economia no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Se a teoria econômica ainda é válida, em algum momento, e esse momento parece cada vez mais próximo, estamos correndo o risco de observar uma aceleração da inflação em velocidade e magnitude que, hoje, não é esperada pelo mercado. 

 

Reforço que não estou aqui fazendo apologia a um cenário mais negativo, pois as mudanças de cenário costumam ser graduais, com o acumulo de evidências contrárias ao cenário base. Por ora, a estratégia ótima e tentar “surfar” ainda o bom momento econômico global. Todavia, a prudência recomenda a busca de hedges, além da alocação em ativos líquidos e instrumentos que defendam o portfólio na eventualidade da mudança de cenário base realmente se concretizar.  




Data: 22/01/2018

EUA: Risk of overheating...

 

O noticiário no Brasil continua sem novidades relevantes. Mantenho a visão de que o próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula em segunda instância, no TRF-4, agendado para a semana que se inicia amanhã. 

 

Nossa análise quantitativa e qualitativa mostra que os fundos locais não estão com posições excessivas alocados em ativos locais. A visão predominante ainda é bastante positiva, mas a maior parte dos fundos ajustou suas posições nos últimos dias. Em suma, a posição técnica em ativos do Brasil não me parece ruim. Contudo, mantenho a visão de que nos atuais níveis de preço não vejo tanto assimetria para o evento citado anteriormente, exceto nos casos extremos, cujas probabilidades são mais baixas (leia-se Lula inocentado ou Lula condenado por 3x0 com a mesma condenação proferida em primeira instância). 

 

O cenário externo, contudo, começa a ficar um pouco mais interessante. A semana terá como destaque a decisão de política monetária em importantes países e regiões do mundo, como na Europa e no Japão. 

 

Nos EUA, o Congresso não chegou a um acordo o “shutdown” teve inicio oficialmente nesta madrugada. Ainda existe a possibilidade de um acordo neste domingo. A visão central do mercado é que este evento poderá reduzir o PIB entre 0,2% e 0,3%, mas com impacto limitado e pontual. Do ponto de vista político, um acordo poderá seguir o caminho de novas concessões e, consequentemente, mais medidas na direção do aumento do déficit fiscal do país. 

 

No final da tarde de sexta-feira, um membro do Fed responsável por regulamentação bancária concedeu declarações de que o Fed e o Governo estariam na fase final dos estudos para aliviar parte das limitações implementadas após a crise de 2008. Seria mais uma medida na direção de aliviar restrições bancárias, se caracterizando mais um vetor na direção de estimular o crescimento do país. 

 

Na minha visão, estes eventos são extremamente relevantes, pois ocorrem ao mesmo tempo em que o crescimento já se mostra sólido, o mercado de trabalho robusto e, com uma convicção cada vez maior, um hiato do produto fechado e a economia no pleno emprego. Os mercados financeiros globais estão lendo esse pano de fundo e essas medidas como bastante positivas, o que de todo não está errado. São medidas que deverão sustentar o crescimento no curto-prazo, o que costuma ser muito positivo para os ativos de risco em geral. 

 

Contudo, acumulam-se evidências que muitas dessas medidas estão sendo implementadas no pior momento possível para a economia. São medidas que deveria ter sido colocadas em prático logo após a crise, e não 10 anos depois, no atual estágio, já maduro, do ciclo econômico. Estamos falando de Reforma Tributária, Plano de Infraestrutura, menos limites aos bancos, em meio a uma economia no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Se a teoria econômica ainda é válida, em algum momento, e esse momento parece cada vez mais próximo, estamos correndo o risco de observar uma aceleração da inflação em velocidade e magnitude que, hoje, não é esperada pelo mercado. 

 

Reforço que não estou aqui fazendo apologia a um cenário mais negativo, pois as mudanças de cenário costumam ser graduais, com o acumulo de evidências contrárias ao cenário base. Por ora, a estratégia ótima e tentar “surfar” ainda o bom momento econômico global. Todavia, a prudência recomenda a busca de hedges, além da alocação em ativos líquidos e instrumentos que defendam o portfólio na eventualidade da mudança de cenário base realmente se concretizar. 




Data: 18/01/2018

"Don´t be fooled by randomness"

 

Acho importante termos em mente que a forte recuperação dos ativos no Brasil desde meados de dezembro está intimamente ligada, ou seja, é em grande parte explicada pelo ambiente global. Observamos um forte fluxo para emergentes neste cerca de um mês. Os fundamentos desses países, em sua maioria, mas com várias exceções, é sem dúvida melhor do que no passado recente. Além disso, o ambiente global de juros baixos, crescimento sólido e inflação (ainda) baixa no mundo desenvolvido, ajuda os fluxos para a classe EM. Finalmente, os “valuations” parecem mais atrativos em EM se comparados a DM. 

 

Meu ponto aqui é que grande parte do desempenho de Brasil é explicado pelo externo, como na maior parte das vezes. Não vamos nos enganar que os fundamentos locais explicam a alta rápida e acentuada dos ativos locais. Assim, qualquer mudança no pano de fundo externo terá impacto relevante nos ativos locais. Reforço que não estou fazendo uma afirmação que o cenário irá mudar, mas que, se mudar, isso terá impacto em Brasil.




Data: 18/01/2018

Ultimas horas trouxeram notícias relevantes ao cenário.

 

As últimas 12 horas trouxeram notícias interessantes aos cenário, mas que apenas reforçam o cenário base, sem alterar o pano de fundo global, mas que podem ter algum impacto nos mercados financeiros. Vamos as notícias. 

 

Nos EUA, a Apple anunciou que irá pagar cerca de US$36bi em impostos e repatriar lucros retidos no exterior. O dinheiro será usado para investimentos, tais como um novo “campus” e a contratação de milhares de funcionários. Segundo consta, grande parte dos recursos da empresa estão em títulos curtos (Treasuies até 5 anos) e corporate bonds. A leitura do mercado foi relativamente natural, com alta das bolsas, precificando mais crescimento via investimentos e emprego, e alta nas taxas de juros, devido a mais uma fonte de venda de títulos públicos em meio a um pano de fundo de solidez do crescimento e do emprego. 

 

Na noite de ontem, os dados de estoques e fluxos de títulos norte americanos mostrou uma queda no estoque de Treasuries por parte de Japão e, especialmente, da China, em cerca de US$10bi cada. O número é relevante em um contexto em que há rumores de que a China poderia reduzir suas compras de Treasuries devido às incertezas do cenário e diante de preços menos atrativos. Os números de ontem confirmam estes rumores, mesmo que já negados oficialmente, uma vez que as reservas internacionais da China estão subindo nos últimos meses e o estoque de Treasuries caiu ao menor nível desde julho de 2017.

 

Os números econômicos da China de dezembro mostraram um PIB, uma produção industrial e dados de investimentos basicamente em linha com as expectativas, mas as vendas no varejo surpreenderam negativamente. Os números estão em linha com a tese de que o pico da atividade no país ficou para trás e deveremos conviver com uma desaceleração gradual da economia de agora em diante. 

 

Eu vejo os eventos recentes como reforçando a tese em prol de taxas de juros mais elevadas no mundo desenvolvido mas, em especial, nos EUA. Tenho o receio de que estejamos entrando na fase do ciclo econômico em que mais crescimento signifique mais inflação e, até mesmo, um certo “overheating” da economia dos EUA, o que não tende a ser positivo para os mercados no longo-prazo. Ainda me parece cedo para rever totalmente o pano de fundo de “Goldilocks” que ainda domina a cabeça dos investidores, todavia continuo vendo sinais que precisam ser estudados e maturados no curto-prazo. Assim, mantenho relevante exposição tomada em juros nos EUA. 

 

Eu não deveria entrar no mérito de comentar sobre as “cripto- moedas” por ter a consciência de que nada entendo sobre o assunto. Só tenho uma pequena, e talvez irrelevante opinião sobre o tema. A alta parabólica nos preços do Bitcoin e Cia, na minha humilde visão, é um sintoma da mesma “doença” que afetou os demais mercados globais e ativos de risco nos últimos anos. Entre outros (nova tecnologia, sigilo nas transações, utilização criminosa e etc), o excesso de liquidez global me parece ser uma importante explicação para este fenômeno. Assim, conforme entramos no estágio final do ciclo de afrouxamento monetário, com Fed reduzindo QE e subindo juros, ECB iniciando processo semelhante, PBoC com política fiscal e monetária mais apertada e BoJ sinalizando caminho parecido, mesmo que em um momento futuro, acabam trazendo alguma incerta para a continuidade destes movimentos parabólicos.




Data: 17/01/2018

Still a "Goldilocks/Risk-On" scenario, but keep one eye open.

 

Os ativos de risco retomaram a dinâmica que impera desde o começo do ano, em um misto entre “Goldilocks” e “Risk-On”. O aumento da volatilidade apresentada ontem, especialmente nas bolsas dos EUA, por ora, não passou de um ajuste técnico. Neste momento, vemos novos picos das bolsas norte americanas, além de uma nova rodada no movimento de dólar fraco no mundo. 

 

A despeito dos movimentos de hoje estarem me surpreendendo pela magnitude, mantenho a mesma visão que venho descrevendo nos últimos dias. Continuo vendo espaço para o bom desempenho dos ativos de risco, em especial de ativos emergentes, que tenho expressado através de ativos do Brasil. Contudo, nos atuais níveis de preço, já estamos com uma posição menor, além de instrumentos mais defensivos. Os ativos locais estão seguindo o humor global a risco e estão susceptíveis as mudanças de fluxos e humor dos mercados externos. 

 

De fato, ainda não vejo uma mudança clara de cenário que justifique alterar totalmente o portfólio, mas sinais recentes não podem ser desprezados, e precisam ser analisados e maturados nas próximas semanas. Seguimos tomados em juros nos EUA e Long AUDJPY. 

 

O que mais me preocupa é o consenso em torno de um cenário tranquilo para a inflação no mundo desenvolvido e nos EUA, em especial. No atual nível de emprego e crescimento, com a alta recente das commodities e a queda do dólar, me parece uma questão de tempo para vermos uma aceleração mais clara e espalhada da inflação, algo que seria surpresa para o mercado (dependendo da magnitude do movimento). 

 

Até o momento estes sinais e este cenário não passam de “wishful thinking”, mas como já comentei aqui em outros momentos, o cenário não muda de uma hora para outra. As mudanças estruturais de cenário costumam ser lentas, graduais, movidas pelo acumulo de evidências na direção contrária ao cenário corrente. Dificilmente observamos mudanças drásticas, rápidas e acentuadas de cenário, na ausência de choques exógenos. 

 

Nos EUA, a produção industrial apresentou alta superior as expectativas em dezembro, refletindo uma recuperação mais aguda de “utilities”, muito em função do frio acima do normal neste período. Mais importantes do que isso, o Beige Book – uma espécie de relatório qualitativo da economia compilado pelo Fed – mostrou um crescimento sólido, um mercado de trabalho robusto e apertado além de sinais cada vez mais evidentes de pressões altistas na inflação e nos salários. 

 

Na China, continuamos a ver um aperto das condições financeiras locais, com alta nas taxas de juros de mercado. Além disso, existem evidências anedóticos de desaceleração em alguns setores, como o setor imobiliário.




Data: 17/01/2018

Brasil: Petro e Governo em vias de resolver a Cessão Onerosa.

 

A noite foi novamente de poucas novidades para o cenário global. Neste momento, vemos uma estabilização do humor global a risco após os eventos de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/staying-close-to-home-for-now.html). A agenda do dia será um pouco mais agitada em comparação ao início da semana, com destaque para a produção industrial e “Beige Book” nos EUA. 

 

No Brasil, após reunião entre o presidente da Petrobrás e o Ministro da Fazenda, o primeiro afirmou que o governo irá editar uma portaria dando 60 dias para que a Cessão Onerosa seja resolvida, o que explica a alta de quase 3% da Petro na manhã de ontem e o bom desempenho da ação ao longo de todo o dia. 

 

O Presidente da Câmara se mostra pouco otimista com a aprovação da Reforma da Previdência, mas também não acredito que exista esta expectativa no mercado. O próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula, em segunda instância, no TRF-4, agendado para o dia 24 deste mês. 

 

Vale a pena citar que observamos um expressivo aumento das volatilidades implícitas nas opções de Ibovespa (e derivados, como Petro) e no BRL (em magnitude menor) nos últimos dias. O movimento está em linha com o que vemos ao redor do mundo, mas acredito que é em muito explicado pela busca por “opcionalidades” e “defesa” para o evento do dia 24 citado acima.




Data: 17/01/2018

Staying close to home, for now...

 

O grande destaque do dia até o momento (tirando a forte queda das “cripto-moedas”) ficou por conta da rápida e acentuada queda das bolsas dos EUA após a abertura do mercado à vista. Os índices das bolsas norte americanas atingiram as suas máximas históricas logo na abertura para, desde então, apresentarem uma queda extremamente acentuada para os padrões históricos recentes. Antes disso, as volatilidades implícitas de alguns mercados já haviam apresentando alguma elevação. 

 

Por ora, vejo esses movimentos como correções técnicas naturais diante de um mercado claramente “esticado” e uma posição técnica que vinha se deteriorando. Além disso, a apreciação dos ativos de risco vinha ocorrendo em uma dinâmica, em uma derivada, extremamente incomum pela sua velocidade e magnitude. 

 

Ainda me parece muito cedo para fazer um diagnóstico concreto em relação a situação. Mantenho minha visão de que alguns sinais recentes merecem cautela e atenção redobrada, mas ainda acho cedo para dar uma opinião firme e concreta de mudança de ambiente e/ou cenário. 

 

Mantenho um portfólio mais balanceado e posições “compradas em ativos de risco” menores e/ou com instrumentos mais defensivos, tese que vinha descrevendo neste fórum desde a semana passada. Pretendo manter as carteiras assim até segunda ordem. Temos um longo ano pela frente e muitos desenvolvimentos precisam ser maturados. 

 

Escrevi bastante nos últimos dias sobre a necessidade de redução do risco dos portfólios e/ou a busca por hedge, em um pano de fundo de acumulação de sinais contrários ao cenário base em um ambiente de posição técnica mais comprometida e valuations e preços menos atrativos. Estes comentários podem ser revisitados aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/. 

 

Reforço que, por ora, ainda vejo a dinâmica de hoje como uma acomodação, uma pequena realização de lucros, mas a evolução do cenário merece um debate mais profundo nos próximos dias.




Data: 16/01/2018

Poucas novidades. Sinais econômicos positivos no Brasil.

A noite foi de poucas novidades para o cenário global. Os ativos de risco operam próximos a estabilidade esta manhã.

No Brasil, uma matéria do Ribamar Oliveira no Valor Econômico diz que o déficit fiscal primário de 2017 poderá ficar abaixo de R$120 bilhões, muito inferior a meta de déficit de R$159 bilhões. A surpresa positiva seria fruto de uma forte melhora na arrecadação, além de um controle ainda mais rigoroso de despesas.

Caso seja confirmado este número, reforçaria a minha tese de que até mesmos as contas públicas, o grande problema estrutural do país, irão passar por uma janela de cerca de 12 a 18 meses de recuperação, que daria tempo ao país para adotar as medidas estruturantes necessárias para transformar um cenário cíclico mais positivo em um ambiente estrutural mais sólido. Reforço que vejo as reformas econômicas como fundamentais e essenciais para o longo-prazo do país, mas reafirmo que teremos um cenário econômico cíclico nos próximos 12 meses (pelo menos) que dificilmente serão alterados por choques externos ou choques políticos locais.

Nesta linha, o IBC-Br – uma espécie de PIB mensal coletado pelo BCB – apresentou alta acima das expectativas (divulgado ontem), mostrando uma recuperação do crescimento cada vez mais consolidada e espalhada, mesmo que ainda gradual. 




Data: 15/01/2018

Sem novidades relevantes. Destaque para o dólar fraco.

O final de semana não trouxe praticamente novidades ao cenário econômico local ou global e nem mesmo notícias relevantes. Hoje pela manhã, destaque para mais uma rodada de queda do dólar no mundo. As bolsas globais seguem bem sustentadas, assim como as commodities. O mercado de juros opera, neste momento, próximo a estabilidade.

Mantenho minha visão descrita neste fórum nos últimos dias, que podem ser revisitadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.




Data: 15/01/2018

Mais sinais de que o cenário pode estar mudando.

A sexta-feira trouxe informações importantes para o cenário econômico global, a despeito de uma reação menos trivial por parte dos mercados financeiros. Os dados divulgados ontem estão em linha com a minha tese de que estão se acumulando evidências que podem estar sinalizando para uma mudança gradual do cenário econômico. Este tipo de alteração não costuma acontecer de uma hora para outra e precisam ser monitorados de maneira cada vez mais atenta (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html).




Data: 12/01/2018

Alguns comentários adicionais sobre China e cenário global.

Os dados de agregados monetários na China mostraram sinais de que a política monetária no país seguiu mais apertada em dezembro e deverá permanecer assim neste início de ano*. Estes dados estão em linha com a minha tese de que alguns sinais recentes, como a sinalização do BoJ no Japão e as recentes medidas na China, apontam para um movimento mais coordenado e, talvez, mais agressivo (do que o esperado anteriormente, mas não necessariamente deixando de ser gradual) de normalização monetária nas economias desenvolvidas.

Estes sinais não precisam ser necessariamente negativos para os mercados financeiros globais, mas certamente terão reverberações sobre os ativos de risco. A alta recente do EUR é um exemplo disso, assim como o movimento de abertura de taxa de juros nos EUA.

Reforço que o pano de fundo segue relativamente inalterado, mas acumulam-se sinais que merecem atenção cada vez mais especial. Vejam mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html e https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html.

*Segundo a Nomura:

M2 growth resumed its decline, falling to 8.2% y-o-y in December from 9.1% in November, a new historical low despite the positive base effect (Consensus: 9.2%; Nomura: 9.4%). M1 growth also moderated by 0.9 percentage points (pp) to 11.8%. New RMB deposits were -RMB792.9bn, weaker than the historical average in December. 

New aggregate financing moderated to RMB1.14trn in December from RMB1.60trn in November, weaker than market expectations, but largely in line with our forecast (Consensus: RMB1.5trn; Nomura: RMB1.15trn). For full-year 2017, aggregate financing increased by RMB19.44trn, higher than the incremental rise in 2016, but growth in the stock of aggregate financing moderated to 12.0% y-o-y from 12.8% in 2016. If outstanding local government bonds are included, growth in the stock of augmented aggregate financing moderated to 13.7% from 16.4%, as net issuance of local government bonds was lower in 2017 than in 2016.

Shadow banking activity made a large contribution to aggregate financing in 2017, as its outstanding growth picked up to 15.1% in 2017 from 4.9% in 2016. We believe it could be due to financing deleveraging which has encouraged funds flowing to the real economy from financial markets. Growth in bond financing, meanwhile, slowed significantly to 2.5% in 2017 from 22.5% in 2016, because of stricter regulations in the bond market last year.

Growth in outstanding RMB loans eased to 12.7% y-o-y in December, with new RMB loans down significantly to RMB584.4bn from RMB1,120bn in November (Consensus: RMB1000bn; and Nomura: RMB750bn). New loans to the household sector and corporate sector nearly halved in December from November. For full-year 2017, new RMB loans totalled RMB13.53trn from RMB12.6trn in 2016, with outstanding growth slowing.    




Data: 12/01/2018

Brasil: Nota de crédito rebaixada.

No início da noite de ontem a agencia de rating S&P anunciou o corte da nota de crédito do país. Na minha visão, a medida é de certa forma esperada. Dado o atual nível de preço dos ativos locais, um pouco “esticados”, e a posição técnica, um pouco mais comprometida, poderemos observar alguma reação negativa na abertura do mercado. Olhando à frente, contudo, não vejo este evento como um “game changer” para a dinâmica dos ativos locais. A mudança da nota de crédito de um país, quando ele sai de “Investment Grade” para “Junk Bond” costuma ser relevante, pois altera a “piscina” de investidores aptos a alocar naquele ativo. Quando um ativo já é “Junk Bond” e apenas tem sua nota rebaixada, isso pouco altera os fluxos para este ativo. No limite, o rebaixamento pode até ser positivo, pois mostra ao Congresso a necessidade e a urgência na aprovação de reformas estruturais, tirando a leniência de curto-prazo com o cenário cíclico mais positivo, até mesmo para as contas públicas.

No final da tarde de ontem Fed Dudley concedeu declarações bastante fortes e consideradas fortes. O Presidente do Fed de NY, que está de saída do cargo, mostrou preocupação com o risco de estabilidade financeira e um possível processo de “overheating” da economia dos EUA. Segundo o Morgan Stanley:

At 4:00 PM comments from NY Fed President Dudley hit the tapes but the market reaction was very muted even as the comments seemed explicitly hawkish. The lack of a notable reaction in the market might be because Dudley is set to retire from the Fed and the FOMC by the middle of this year. Nevertheless, Dudley stated that the Fed may have to "press harder" on breaks at some point given how easy financial conditions have become. He expressed worries that the recent tax cuts may overheat the US economy and was not concerned by the recent flattening in the yield curve.

Na China, os dados de exportação de dezembro ficaram levemente acima das expectativas, mas observamos um forte recuo das importações. Os números estão em linha com um cenário de crescimento global ainda robusto, mas com sinais cada vez mais claros de desaceleração da economia chinesa. De acordo com o Citibank:

China’s export growth moderated slightly – In dollar terms, export growth slowed from 12.3%YoY in Nov to 10.9%YoY in Dec, roughly in line with market expectations (Citi: 11.3%YoY, Consensus: 10.8%). Import growth decelerated sharply by 13.2 ppt to 4.5%YoY, much lower than expected (Citi: 13%, Consensus: 15.1%). As a result, the monthly trade balance widened notably from USD40.2 bn to USD54.7 bn. For 2017 as a whole, the growth of exports and imports surged to 8.3% and 15.9%, comparing with -7.7% and -5.4% in 2016, while the annual trade balance narrowed to USD430.7 bn from USD509.7 bn one year ago. In the meantime, the trade structure continued to improve, with the share of ordinary trade surplus rising by 1.3 ppt to 56.4%. According to China Customs, the price factor contributed to 52.6% and 37.3% of the import and export growth in 2017.

Minha visão de mercado de curto e longo-prazo segue inalterada. Para mais detalhes, segue o link para os comentários recentes: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.




Data: 11/01/2018

Back to Goldilocks and Risk-On!

Os ativos de risco estão apresentando mais uma pernada de apreciação, na continuidade do movimento de “Risk-On” que vem sendo regra neste começo de ano. Minha visão de acomodação de curto-prazo, até o momento, está se mostrando errada. Continuo com um portfólio balanceado.

O dia trouxe alguns destaques. Nos EUA, o PPI acabou apresentando leve queda em dezembro, abaixo das expectativas de alta. A despeito da surpresa baixista, a abertura do indicador revelou que alguns componentes mais ligados ao CPI apresentaram alguma “firmeza”, o que aponta para o CPI um pouco mais alto amanhã.

Na Europa, as Minutas do ECB relevaram um viés para a continuidade do processo de normalização monetária, no que está virando uma tendência coordenada entre os bancos centrais das economias desenvolvidas.

Nesta linha, vimos dados animadores de expectativas de inflação no Japão, que mostraram um movimento mais claro de alta pela primeira vez em muitos anos.

De maneira geral, seguimos ainda em um pano de fundo de crescimento global robusto, inflação contida no mundo desenvolvido e bancos centrais agindo de maneira gradual no processo de normalização monetária.

Ao que tudo indica, a dinâmica positiva dos mercados só será de fato testada quando um desses vetores apresentarem uma mudança clara e definitiva, o que ainda não parece ser o caso. De qualquer maneira, reforço que vejo sinais nesta direção que podem estar se acumulando ao longo do tempo, e precisam de atenção especial (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html e https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html).

O nível de preços e a posição técnica de curto-prazo demandam alguma atenção.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco, sem muitas surpresas locais, exceto pelo movimento de flattening da curva de juros já comentado ontem e que não é uma surpresa para este fórum (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-curva-de-juros.html). 




Data: 11/01/2018

Acomodação.

A China negou os rumores de ontem de que via as Treasuries como um ativo menos atraente para suas reservas.

Os ativos de risco mostram sinais de acomodação, após breve realização de lucros ao longo da quarta-feira.

Mantenho a visão de que ainda não haja uma mudança clara e fundamental de cenário, mas que alguma acomodação dos ativos de risco possa ocorrer no curto-prazo, baseado em sinais que merecem alguma atenção, somados a posição técnica um pouco mais comprometida e ao nível de preços menos atraentes no curtíssimo-prazo. Neste momento, ainda não vejo motivos para alterar a visão estrutural ainda construtiva.

A noite foi de poucas novidades econômicas e políticas no Brasil e no mundo. A agenda do dia trará o PPI nos EUA como destaque.  




Data: 10/01/2018

Wait and see...

Na linha da minha tese descrita neste fórum desde o início da semana, hoje tivemos mais acúmulos de evidências que podem se mostra um “vento contrário” (do inglês “headwinds”) para os ativos de risco no curto-prazo e, eventualmente, podem estar indicando uma mudança de cenário estrutural.

No cenário externo, o destaque ficou por conta dos rumores de que o governo da China já não acha mais as Treasuries um ativo atrativo para suas reservas. Como detentor de quase US$1,5tri de papeis dos EUA, se confirmada, seria uma mudança substancial de postura.

Eu acredito que as declarações sejam uma jogada política as vésperas do governo dos EUA anunciarem medidas visando maiores restrições a alguns parceiros comerciais. Mantenho uma visão altista para os juros dos EUA e das economias desenvolvidas como um todo, mas minha tese é mais baseada nos fundamentos econômicos e não leva em conta este tipo de medida. Caso esta visão seja confirmada, seria uma enorme mudança para este mercado. Acho cedo para acreditar nisso.

No final da tarde a mídia reportou que o Canadá estaria se preparando para a retirada dos EUA do NAFTA. Este cenário não me parece fora do normal. Acho que seja bastante factível. Um dos pilares da política de Trump eram as relações comerciais. Passada a Reforma Tributária, Trump poderá focar agora neste tema de campanha. Seria uma medida bastante negativa do ponto de vista da corrente de comércio global e, consequentemente, para o crescimento. No limite, é uma medida que pode trazer traços de “stagflação”, pois reduz o crescimento e aumenta a inflação dado a importância de Canadá e México para a economia do país.

No Brasil, o IPCA de dezembro ficou muito acima das expectativas, com alta de 0,44% contra expectativas de 0,30%. O IPCA fechou o ano com alta de 2,95%, muito abaixo da meta de inflação. Parte da surpresa altista poderá ser explicada pelo efeito do “Black Friday”. Como este fenômeno ainda é muito recente no Brasil, ainda existe uma certa dificuldade em computar os seus efeitos.

Acho que o número pouco altera o cenário para a política monetária. Ainda vejo a Taxa Selic em 6,75%, ou abaixo, e ficando neste patamar por um longo período de tempo. Na semana passada havia comentado que já via pouca assimetria na parte curta da curva, o que se provou correto. Ainda vejo prêmios excessivos na parte intermediária da curva, mas estes deverão ser consumidos apenas ao longo do tempo.

Mantenho uma posição mais defensiva e balanceada desde o começo da semana, reavaliando o cenário econômico após os eventos recentes e tendo em vista a apreciação rápida e acentuada dos ativos de risco recentemente.




Data: 10/01/2018

From "Goldilocks" to "Risk-Off".

Após o acumulo de alguns sinais de mudança no cenário econômico global, mesmo que de maneira pontual (comentei aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html) os ativos de risco mostram sinais de fadiga do movimento de “Risk-On’/”Goldilocks” verificado neste começo de ano e começa a mostrar uma direção um pouco mais voltada ao “Risk-Off” porém liderada pelo “Reflation”, ou seja, por uma abertura de taxa de juros e um movimento mais misto do dólar. A posição técnica um pouco mais comprometida e o nível de valuation de alguns ativos pode ajudar neste movimento de consolidação/correção de curto-prazo.




Data: 09/01/2018

The winds are changing?

O destaque do dia ficou por conta dos desenvolvimentos no Japão (comentados hoje cedo aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/boj-em-foco.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html ).

Desde então, vimos um movimento de “steepening” da curva de juros no mundo desenvolvido, mas, especialmente, nos EUA. A posição técnica na direção contrária pode ter ajudado a acentuar o movimento nesta direção. Isso gerou pressão em alguns ativos emergentes, como no caso do Brasil, mas o movimento não foi generalizado e nem acentuado.

Vale mencionar a taxa das Treasuries de 10 anos, acima do patamar psicológico de 2,50%. Vejo este movimento como estrutural e ainda espero a continuidade desta tendência. Outro ativo que merece destaque é o Petróleo, com quase 2% de alta adicional e com o WTI próximo a $63.

No cenário econômico, o destaque ficou por conta da robusta alta das vendas no varejo no Brasil, superando as expectativas do mercado. Mesmo com um impacto não desprezível do “Black Friday”, os números confirmam um “momentum” positivo da economia. Espero um ambiente ainda bastante favorável para a economia do país nos próximos 12 a 18 meses. As eleições podem solidificar esta tendência, ou reverter este quadro, mas não antes de 12 meses, que me parecem bastante consolidados.

Como escrevi hoje cedo, ainda não acho que o cenário esteja mudando, mas frente as evidências recentes e aos movimentos das últimas semanas, alguma reflexão é necessária.

Nos últimos dias, ajustamos algumas posições em termos de tamanho e instrumentos, nos beneficiando das volatilidades implícitas ainda baixas e dos movimentos recentes. Seguimos alocados em ativos no Brasil, mas em tamanho taticamente mais reduzido e defensivo. Continuamos tomados em juros nos EUA e como uma posição maior, que olhamos como hedge que pode funcionar em vários cenários, vendidos em AUDJPY.




Data: 09/01/2018

Alguns sinais merecem atenção.

As mudanças estruturais de cenário costumam ser lentas, graduais, movidas pelo acumulo de evidências na direção contrária ao cenário corrente. Dificilmente observamos mudanças drásticas, rápidas e acentuadas de cenário, na ausência de choques exógenos.

Não acho que estamos diante de uma mudança clara de ambiente econômico, mas acho válido chamar a atenção para algumas mudanças marginais nos últimos dias, que somadas a outras evidências dos últimos meses, começam a trazer algumas novidades ao cenário base.

O processo de normalização monetária já está em curso nos EUA há alguns anos. O processo de ajuste monetário na Europa foi anunciado ano passado e começou de fato este ano, com a redução do montante do QE. Nos últimos dias, percebemos uma leve mudança de sinalização por parte do BoJ no Japão e, hoje, vimos este “ajuste técnico” no “QE japonês” comentado pela manhã.

Por ora, todo este processo de normalização monetária está sendo extremamente gradual, bem conduzido e muito bem comunicado. O cenário central ainda é de que este processo continue a ser executado de forma tranquila. Contudo, 2018 poderá ser o primeiro ano em que os 3 principais bancos centrais do mundo (sem contar a China), em conjunto, promovem um ajuste em suas condições monetárias.

Na China, já vemos um PBoC muito mais preocupado com a qualidade do crescimento do que com seu patamar. Além disso, vemos um claro processo de busca pela desalavancagem. A economia da China costuma funcionar em pequenos ciclos. Geralmente observarmos 2 a 3 trimestres de crescimento mais forte, seguidos de 2 a 3 trimestres de desaceleração. Estes ciclos costumam ser induzidos pelo PBoC e pelo Governo, através de ajustes nas políticas fiscais, monetárias e creditícias.

O ano de 2017, especialmente os 3 primeiros trimestres do ano, foi marcado por um crescimento muito mais forte do que o esperado. Desde o começo do quarto trimestre do ano, percebemos um PBoC mais hawkish, promovendo uma política monetária mais apertada. Isso é visível nas taxas de juros do país e nos indicadores de crédito e agregados monetários.

Hoje, a mídia está reportando um ajuste técnico na maneira em que o PBoC computa o fixing para a taxa de câmbio do CNY. No limite, segundo os analistas, a medida trará mais volatilidade a taxa de câmbio e alguma pressão de depreciação do CNY. A medida mostra um PBoC mais confortável com o cenário de curto-prazo, corroborando as demais medidas adotadas nos últimos meses.

Assim, após ser uma grande surpresa positiva nos últimos meses, o mercado já espera uma desaceleração do crescimento chinês. Este processo deverá ser conduzido e induzido pelo PBoC, e tende a ser gradual. Contudo, não podemos esquecer que erros de política podem ocorrer, assim como pelo tamanho da economia chinesa, qualquer desaceleração costuma não ser ignorada pelo mercado.

Em suma, o cenário base de crescimento global robusto, inflação controlada no mundo desenvolvido e normalização monetária gradual nos países desenvolvidos ainda é o cenário base e assim deve permanecer no curto-prazo. Contudo, algumas evidências se acumulam de que em algum momento, e este momento parece cada vez mais próximo pelo estágio do ciclo econômico, poderemos ter alguma (ou algumas) dessas variáveis sendo testadas, ou revertidas. 




Data: 09/01/2018

BoJ em Foco!

O destaque da noite ficou por conta de um pequeno ajuste, aparentemente técnico, realizado pelo BoJ, no Japão, no seu processo de QE. A pequena redução das compras de ativos levou a uma apreciação do JPY e uma nova rodada de abertura de taxas de juros no mundo desenvolvido. Segundo a Blooberg:

A minor tweak in a regular Bank of Japan bond-purchase operation on Tuesday was enough to send the yen climbing the most in almost a month, even though evidence weighs overwhelmingly against the adjustment signifying anything meaningful. What the yen’s spike does show is just how big a move will come whenever the central bank does telegraph a fine-tuning in its stimulus program. Tuesday’s gain was as big as 0.5 percent against the dollar, in wake of the BOJ trimming purchases of bonds dated in 10-to-25 years by 10 billion yen ($89 million) compared with its previous operation. Governor Haruhiko Kuroda said last January, in wake of speculation about the significance of similar mechanical tweaks, that such operational tweaks don’t send any signals on policy intentions.

Uma potencial aceleração no processo de normalização monetária nos países desenvolvidos é o principal risco que vejo para os mercados financeiros globais ao longo de 2018. O evento de hoje me parece apenas um ajuste técnico e ainda está longe de sinalizar uma mudança clara de cenário ou tendência. Contudo, a reação dos mercados mostra a sensibilidade atual dos investidores com o tema em questão.

Acredito que o cenário base siga inalterado. Contudo, após a rápida e acentuada apreciação dos ativos de risco, vejo espaço para alguma acomodação de curto-prazo. No âmbito externo, sigo estruturalmente tomado em taxas de juros nos EUA. Ao longo destes primeiros dias do ano, adicionei uma venda de AUDJPY, via opção, como hedge do portfólio. Acredito que exista um cenário favorável a posição tanto no âmbito “micro” de Austrália e Japão, como a direção da posição combinada (a correlação com o resto do portfólio) ajuda a balancear o portfólio. Além disso, as volatilidades implícitas neste par está no menor nível em cerca de 10 anos.

Na Alemanha, as exportações de dezembro apresentaram alta de 4% MoM, muito acima das expectativas. O número apenas confirma o bom momento da economia global.

No Brasil, a mídia está reportando que Rodrigo Maia passou a se articular de maneira mais intensa para uma potencial candidatura a presidente. Na mesma linha, a aparição de Luciano Huck no programa dominical Domingão do Faustão trouxe de volta a mesa do debate, com imensa intensidade, a possibilidade de Huck voltar a cena política caso até março-abril não se tenha uma candidatura de centro mais competitiva.

O Governo anunciou ontem que irá encerrar, por ora, o debate envolvendo a “Regra de Ouro”. A decisão parece acertada dado o momento ainda delicado para a Reforma da Previdência. 




Data: 08/01/2018

Mais do mesmo...

Os ativos de risco continuam operando em tom positivo, no que pode ser classificado em “Risk-On”, entre o “Goldilocks” e o “Reflation”. Espero a continuidade desses movimentos, até que o pano de fundo econômico seja de fato testado com uma alteração de cenário, ou quando os vetores “posição técnica” e “valuation” passem a serem impedimentos a novas rodadas de apreciação dos ativos de risco.

Por ora, nenhum desses indicadores ainda parecem se mostrar uma restrição muito grande às tendências atuais, mas a velocidade e magnitude dos movimentos recentes saltam aos olhos, e geram algum desconforto de curto-prazo (porém, mais na linha de uma acomodação pontual do que de fato uma alteração de tendência). Escrevi bastante sobre esses temas nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/dados-economicos-mantem-o-cenario.html).

Hoje pela manhã, destaque para uma leve alta do dólar no mundo, as bolsas globais permanecem bem suportadas e o mercado de juros globais apresentam leve abertura de taxas.

No Brasil, não houve notícias relevantes. Rodrigo Maia, em entrevista na televisão, manteve o discurso liberal e reformista, se colocando como possível candidato a presidente. Mantenho visão de que ainda falta muito tempo para as eleições e o próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula em segunda instância do dia 24 deste mês.

A Folha de São Paulo divulgou algumas informações sobre o patrimônio da família Bolsonaro, que prontamente retrucou as acusações de aumento indevido de patrimônio. As matérias mostram como o “jogo eleitoral” no Brasil costuma ser uma guerra travada, muitas vezes, no campo pessoal, fugindo do saudável debate da agenda econômica e social do candidato. O vitorioso, muitas vezes, é aquele que “sabe apanhar e se levantar” e não necessariamente o melhor candidato para a sociedade...Todos aqueles que pretendem se candidatar precisam saber, e estar preparados, para este “jogo baixo” do processo eleitoral no Brasil.

O debate em torno da “Regra de Ouro” continua, mas sem ainda uma conclusão concreta. O desafio da equipe econômica é apresentar um projeto que evite que regra seja quebrada, mas não afrouxando demais as regras atuais.

A Coréia do Sul apresentou declarações de desconforto com o movimento recente de apreciação de sua moeda (KRW), o que pode estar dando ímpeto ao movimento global de hoje cedo com o dólar mais forte no mundo.

Na China, as reservas internacionais de dezembro apresentaram elevação acima das expectativas. Os números mostram um ambiente de estabilidade econômica no final de 2017. No curto-prazo, espero uma desaceleração da economia do país, mas de forma bem comunicada e administrada. Os problemas de liquidez no conglomerado HNA precisam ser monitorados. Caso virem problemas de solvência, poderemos sentir algum impacto e/ou contágio em outros mercados.

Na Alemanha, o Factory Orders apresentou leve queda (-0,4% MoM) em novembro, abaixo das expectativas de estabilidade. A despeito da surpresa negativa, o número ainda não altera os bons fundamentos da economia do país e da Europa como um todo. 




Data: 05/01/2018

Dados econômicos mantêm o cenário positivo e inalterado. 

Os números do mercado de trabalho nos EUA em nada mudam o pano de fundo econômico global e consequentemente a narrativa para os ativos de risco. Os dados mostraram uma criação ainda saudável de vagas de trabalho, uma taxa de desemprego estável, porém baixa e uma alta gradual nos rendimentos médios reais.

No Brasil, a produção industrial apresentou leve elevação, com um quadro qualitativo positivo. Os dados da ANFEVEA confirmaram o bom momento para a indústria automobilística local. Ambos os indicadores estão em linha com o cenário base de uma recuperação gradual do crescimento, mas um processo cada vez mais consolidado e espalhado.

Não há novidades relevantes nos mercados financeiros globais. O dia foi novamente de alta nas bolsas globais, alguma abertura de taxas de juros no mundo e um movimento mais misto do dólar. Não vejo motivos, pelo menos ainda, para uma alteração abrupta ou completa das principais tendências que vem sendo regra ao longo dos últimos meses.

O principal risco continua me parecendo o surgimento mais concreto da inflação no mundo desenvolvido. Os problemas de liquidez na HNA, na China, um dos grandes conglomerados do país, precisam ser acompanhados de perto. Por ora, parece mais um problema de liquidez do que de solvência, mas dado o tamanho da empresa, não pode ser totalmente ignorado.

A rápida e acentuada apreciação dos ativos de risco nas últimas semanas gera desconforto pela velocidade e magnitude, mas estão em linha com o pano de fundo econômico. A posição técnica começa a se deteriorar, mas ainda não parece um impedimento a novas rodadas de apreciação. A posição técnica e o valuation são vetores que, eventualmente, podem se mostrar uma restrição a apreciações adicionais dos ativos de risco, mas parece que precisam estar acompanhados de uma mudança de cenário para inverter de fato as tendências.

Assim, deveremos seguir com um pouco de “mais do mesmo” nos próximos dias, exceto por realizações pontuais de lucros. O próximo importante indicador para os mercados serão os dados de inflação nos EUA.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco. O próximo importante evento local será o julgamento de Lula na segunda instância, no TRF-4, agendado para o dia 24 deste mês. Nossa análise dos fundos locais mostra uma posição técnica já um pouco mais comprometida. A parte curta da curva de juros, como comentei ontem, já se mostra menor atrativa. Ainda vejo espaço para novas rodadas de apreciação dos ativos locais, mas esses vetores precisam ser monitorados.

Vale a pena mencionar que este começo de ano está sendo ajudado por fortes fluxos globais para emergentes, assim como uma nova rodada de alocações de investidores institucionais locais no mercado de renda variável do Brasil. Espero que está seja uma tendência de longo-prazo, mas em certos momentos do tempo, como agora, teremos algumas concentrações de fluxos.




Data: 05/01/2018

Todas as atenções voltadas para o mercado de trabalho nos EUA.

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, na expectativa da divulgação dos dados de emprego de dezembro nos EUA, agendados para 11h30 desta manhã.

No Brasil, a mídia está reportando que o Governo pretende apresentar uma PEC que permita o descumprimento da “Regra de Ouro”. Fora isso, continuam as especulações em torno do julgamento de Lula em segunda instância, no TRF-4, marcado para o dia 24deste mês. Em relação as eleições, crescem as expectativas de uma coalização ampla, de centro e liberal, em torno de um candidato único. Por ora, este nome seria Geraldo Alckmin, do PSDB, mas ele precisa melhorar nas pesquisas para consolidar sua posição.

Os dados econômicos globais continuam mostrando uma economia robusta ao redor do mundo e um mercado de trabalho aquecido nos EUA. Diante deste cenário, a narrativa dos ativos de risco continua a mesma, amplamente comentada neste fórum nas últimas semanas.

Este pano de fundo será testando hojr, com a divulgação dos dados de mercado de trabalho nos EUA. As atenções devem se voltar para o Average Hourly Earnings (AHE). Uma aceleração mais acentuada deste indicador me parece o único vetor capaz de frear a toada atual dos mercados financeiros globais. Números dentro das expectativas podem trazer novas rodadas de busca por ativos de risco.

Nesta linha, acho interessante citar a alta de 250 mil postos de trabalho no ADP Employment. Além disso, o ADP concedeu a seguinte declaração: “The job market ended the year strongly. Robust Christmas sales prompted retailers and delivery services to add to their payrolls. The tight labor market will get even tighter, raising the specter that it will overheat"




Data: 04/01/2018

Melting up continues...

Os dados econômicos globais continuam mostrando uma economia robusta ao redor do mundo e um mercado de trabalho aquecido nos EUA. Diante deste cenário, a narrativa dos ativos de risco continua a mesma, amplamente comentada neste fórum nas últimas semanas.

Este pano de fundo será testando amanhã, com a divulgação dos dados de mercado de trabalho nos EUA. As atenções devem se voltar para o Average Hourly Earnings (AHE). Uma aceleração mais acentuada deste indicador me parece o único vetor capaz de frear a toada atual dos mercados financeiros globais. Números dentro das expectativas podem trazer novas rodadas de busca por ativos de risco.

Nesta linha, acho interessante citar a alta de 250 mil postos de trabalho no ADP Employment. Além disso, o ADP concedeu a seguinte declaração: “The job market ended the year strongly. Robust Christmas sales prompted retailers and delivery services to add to their payrolls. The tight labor market will get even tighter, raising the specter that it will overheat".

Olhando à frente, acredito que o ritmo de criação de vagas de trabalho nos EUA deverá arrefecer, mas ainda mantendo uma trajetória declinante na taxa de desemprego. Em algum momento, e este momento me parece cada vez mais próximo, dado o estágio do ciclo econômico, uma alta nos rendimentos deverá ficar mais evidente nos dados. A velocidade deste processo quem ditará a reação dos ativos de risco. Enquanto este processo não ocorrer, ou ocorrer de maneira branda, o pano de fundo de “Goldilocks” permanecerá como tema central. Quando este pano de fundo for testado, o mercado será obrigado a rever seu cenário base.

O outro destaque do dia ficou por conta dos PMIs globais, que mostraram aceleração, confirmando o cenário de um crescimento global bastante forte no final de 2017. Segundo o JPMorgan:

Our global all-industry output PMI, which tracks global GDP growth, climbed 0.3-pts to 54.4 in December. The latest reading is consistent with 3.4% annualized growth in global GDP, exactly equal to J.P. Morgan’s 1Q growth forecast. This might sound ho-hum but we’d note that our forecast has been revised up by 0.4%-pts in just the past four weeks. Our global GDP nowcaster, which includes the PMI as well as other of our proprietary global data, is tracking 3.7% global growth in December.

Mantemos um portfólio ainda, grosso modo, comprado em ativos no Brasil, via o mercado de juros (aplicado) e o mercado de renda variável. Além disso, mantemos exposição tomada em juros, majoritariamente nos EUA.

Contudo, aproveitamos este forte início de ano para ajustar algumas posições, em termos de tamanho e instrumentos, nos aproveitando das volatilidades implícitas baixas. Além disso, começamos a montar alguns hedges no mercado externo, buscando casos específicos que façam sentido ao portfólio e com risco/retorno favorável.

Vale a pena mencionar que a curva curta de juros local já precifica cerca de uma queda de 25bps no próximo Copom e mais alguns bps de queda no Copom seguinte, tornando sua atratividade menos favorável. Vimos uma grande demanda por estruturas de opção (IDIs) que visam juros mais baixos por mais tempo, e quedas da Saxa Selic abaixo de 6,75%. Tenho essa visão, mas as estruturas já mostram atratividade pior. Mantenho foco na parte intermediária da curva, sabendo que deveremos conviver com alguma volatilidade ao longo do ano. 




Data: 04/01/2018

Markets are melting up...

Na ausência de novidades relevantes no cenário, com os dados e eventos recentes apenas reforçando o pano de fundo de crescimento global sólido, a inflação subindo apenas gradualmente nas economias maduras, e a continuidade de um processo de ajuste monetário bem administrado no mundo desenvolvido, os ativos de risco seguem em uma dinâmica bastante positiva.

Como comentei ontem a tarde (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-world-is-on-fire.html) algum desses vetores citados acima, ou um choque exógeno, precisam ser alterados para que está dinâmica seja realmente testada. Uma piora na posição técnica e no valuation dos mercados seriam outros vetores para impedir a continuidade dessa tendência positiva.

Algumas pessoas me questionaram nos últimos dias se o rigoroso inverno no hemisfério norte pode mudar o cenário econômico global. Acho natural supor, como ocorreu nos últimos anos, que o crescimento do primeiro trimestre do ano seja mais fraco em algumas economias (EUA e Europa, por exemplo) devido ao “fator frio”, mas este efeito tende a ser pontual, com os impactos negativos sendo compensados nos meses e trimestres subsequentes. Algum impacto altista na inflação não pode ser descartado. O Fed, por exemplo, parece já ter entendido que este efeito que ocorre quase todo começo do ano não costuma ser bem modelado pelos modelos de desazonalização. Assim, o banco central dos EUA costuma “olhar por cima” deste efeito passageiro. Em suma, algum impacto poderá ocorrer, mas vejo como passageiro, não alterando o cenário econômico e nem mesmo a política monetária.

No Brasil, temos uma manhã sem novidades. Entrevista de Carlos Marun, da “tropa de choque” de Michel Temer, afirmando que o governo poderá apoiar Geraldo Alckmin do PSDB na corrida eleitoral, mas que ainda é cedo para prognósticos.

Na China, o Caixin Services PMI subiu de 51,9 para 53,9 pontos em dezembro, mostrando uma economia saudável.  




Data: 03/01/2018

Noite com poucas novidades relevantes.

Os ativos de risco operando sem movimentos relevantes esta manhã. As bolsas continuam bem suportadas, o dólar apresenta dinâmica mais mista no mundo com mais um pequeno movimento de abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido.

A noite trouxe poucos destaques ou informações relevantes novas. Acho interessante chamar a atenção para a recente sinalização de membros do ECB, que indicam um caminho para o começo do fim do QE. As declarações estão em linha com minha expectativa de um processo estrutural e prolongado de alta nas taxas de juros no mundo desenvolvido. O DB resumiu bem as declarações da seguinte maneira:

Moving onto central bankers speak, the ECB’s Coeure warned over New Year that QE will not last forever and that “given what we see in the economy, I believe there is a reasonable chance that the extension of our QE program decided in October can be the last”. That said, he did reiterate the governing council’s view that the program “can be kept in place for longer should inflation disappoint on the downside”, and if inflation turned out higher than expected, “we would have plenty of instruments with which to react”.

Following on, the ECB’s Nowotny also added to the debate on QE and equity markets. He noted the end of QE is “within sight”, but it will take a “couple of years” until the ECB’s total assets start to shrink even if net new bond purchases stop, in part given the rolling over of maturing assets into new ones. On equities, he sees the US markets as “very heated”, so more capital is now flowing into Europe, so “one has to be careful we don’t get a price bubble in Europe, too”.

A Coréia do Sul ofereceu a oportunidade de diálogo junto a Coréia do Norte, em busca de um entendimento para o fim dos ataques verbais e os testes balísticos do Norte.

No Brasil, a mídia traz a informação de que Geraldo Alckmin, presidente do PSDB, estaria disposto a oferecer o cargo de vice na chapa presidencial para um membro do DEM. Ainda falta bastante tempo para as eleições e um candidato de centro ainda precisa se consolidar nas pesquisas, mas um avanço nesta direção seria bastante positivo na construção de uma chapa sólida e reformista.

A mídia continua reportando o esforço do governo para a aprovação da Reforma da Previdência, mas o recesso parlamentar parece ser um grande empecilho para qualquer avanço concreto nesta direção.




Data: 02/01/2018

The Bull Market Continues...

Os ativos de risco iniciaram o ano com as mesmas tendências que prevaleceram ao longo de grande parte de 2018. Os movimentos em alguns mercados, como no Brasil, por exemplo, mostram que houve uma redução de posições no final de 2017 e que, com o novo ano e os P&Ls zerados, há “dinheiro para ser colocado para trabalhar” dado o cenário econômico que prevalece no país.

Escrevi bastante sobre esse tema nos últimos dias (e nas últimas semanas), especialmente no tumultuado período de meados de outubro a meados de dezembro. Quem tiver interesse em mais detalhes veja aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

Apenas complementando o comentário de hoje cedo (vide abaixo) temos adicionado uma posição comprada em volatilidade de Ibovespa, para compor o portfólio comprado em bolsa do Brasil. Vemos a vol implícita atual como excessivamente baixa diante dos riscos (negativos, mas especialmente, os riscos positivos) do cenário local nas próximas semanas.

Além disso, começamos a montar uma posição comprada em JPY para compor o portfólio local e externo, como um hedge que nos parece barato, via opção, cuja vol implícita está historicamente baixa, e que poderá apresentar desempenho positivo em diversos cenários, se mostrando um ativo que traga defesa, mas também alpha ao atual portfólio.




Data: 02/01/2018

Some early 2018 (late 2017) news.

Feliz Ano Novo a todos! Para uma visão mais geral do cenário econômico neste início de ano, vejam aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/comeco-de-2018-deve-trazer-poucas.html.

Escrevo nesta manhã para fazer uma breves atualizações de notícias de final de 2017 e começo de 2018:

Brasil – Inflação: A ANEEL anunciou Bandeira Verde para a cobrança de energia em janeiro. O mercado esperava Bandeira Amarela. O anuncio deverá retirar cerca de 20bps da inflação do primeiro mês do ano. Segundo nossa área econômica, as nossas perspectivas de IPCA para dezembro, janeiro e fevereiro devem trazer uma surpresa baixista superior a 50bps na inflação se comparado às expectativas do BCB em seu último relatório de inflação.

Por mais que energia seja um preço administrado em que o BCB busca apenas evitar os impactos de segunda ordem, este quadro apenas reforça minha expectativa de uma inflação controlada e abaixo da meta em 2018. Isso deverá permitir que o BCB corte a Taxa Selic pelo menos mais 25bps para 6,75% com uma chance crescendo da Taxa selic chegando a níveis de 6,5% ou abaixo, permanecendo neste patamar um longo período de tempo. Conforme este cenário for sendo confirmado, espero uma compressão da parte intermediária da curva de juros, com prêmios de alta que ainda me parecem excessivos. Escrevi mais sobre isso a cerca de 1 semana atrás, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-curva-de-juros.html.

Brasil – Mercado de Trabalho: Os dados de emprego divulgados na sexta-feira mostram um quadro de recuperação gradual do mercado de trabalho, com uma recuperação visível dos rendimentos dos trabalhadores, muito impulsionados pela acentuada queda na inflação. O mercado de trabalho costuma ser um indicador que apresenta recuperação mais lenta e demorada. A recuperação neste ciclo tem sido gradual, porém mais cedo do que muitos esperavam. Os números ratificam o ambiente de recuperação econômica.

Brasil – Reforma da Previdência: O Governo tem feito um trabalho de certa forma importante em manter o tema em debate na mídia, mas ainda me parece difícil verificar a aprovação da Reforma no começo do ano legislativo. De qualquer maneira, acredito que os ativos locais precificam muito pouco, ou nada, da Reforma da Previdência, que deverá ser um tema para a próxima administração.

Brasil – Eleição: A mídia continua divulgando e debatendo pesquisas eleitorais e possíveis candidatos. Mantenho a visão de que ainda falta uma eternidade para o começo do pleito. O dia 24 de janeiro, dia do julgamento de Lula no TRF-4, em segunda instância, será uma data importante para este vetor.

Brasil – Temer: O Presidente foi diagnosticado com infecção urinária. Sua saúde está claramente debilitada, mas seu governo só precisa atravessar mais 1 ano. O que conseguir emplacar, de agora em diante, já me parece lucro. Todo foco deverá se voltar as eleições, já que vejo o cenário econômico mais positivo consolidado, na ausência de choques exógenos.

China – PMI: O Manufactuing PMI desacelerou de 51,8 para 51,6, dentro das expectativas do mercado. O número confirma um cenário de desaceleração da economia, como já é amplamente esperado. Por ora, esta desaceleração tem sido gradual e bem administrada.

Europa – Inflação na Alemanha: O CPI da Alemanha desacelerou menos do que o esperado, de 1,8% YoY para 1,6% YoY contra expectativas de 1,4% YoY. Espero um processo gradual, porém mais visível de alta na inflação nos países desenvolvidos, que irão permitir a continuidade do processo de normalização monetária nas principais economias do mundo. Isso deve permitir que a curva de juros desses países e regiões mantenham uma trajetória de alta de taxa de juros. 




Data: 02/01/2018

2018 começa na mesma toada do término do ano passado.

Para uma visão mais geral do cenário econômico neste início de ano, vejam aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/comeco-de-2018-deve-trazer-poucas.html.

Ontem fiz algumas breves atualizações de notícias de final de 2017 e começo de 2018, que podem se lidas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/some-early-2018-late-2017-news.html.

Os jornais locais hoje trazem poucas novidades relevantes para o quadro de Brasil. A mídia continua debatendo a respeito do julgamento de Lula em segunda instância no TRF-4, agendado para o dia 24 de janeiro, além do quadro eleitoral. Não vejo nenhuma informação nova para alterar o cenário de curto-prazo.

No âmbito externo, destaque para as manifestações no Irã. O problema parece localizado. A despeito de severo e relevante, dado o número de manifestantes e pela reação aparentemente opressora do governo, que já causou a morte de vários manifestantes, o tema só afetaria o humor global a risco pelo canal do Petróleo, ou na eventualidade da intervenção de outros países nas questões locais do Irã. Por ora, não há indícios de que isso esteja ocorrendo. Ficaria de olho no preço e na dinâmica do petróleo como termômetro para um eventual contágio a outros mercados e ativos de risco.

A Coréia do Norte concedeu declarações mais conciliadoras com relação à Coreia do Sul, aparentemente concedendo uma trégua a sua vizinha em prol das Olimpíadas de Inverno que irão ocorrer no país vizinho. Além disso, as declarações do Norte abrem espaço para a tentativa de algum acordo entre os dois países. O risco geopolítico deverá permanecer elevado ao longo do ano. Contudo, os mercados financeiros globais já demonstraram que tem uma capacidade grande em ignorar este tipo de risco, enquanto o problema está na base das acusações e na retórica, ou até mesmo na base apenas de “testes balísticos”. Este pano de fundo só será alterado caso um conflito armado, direto, eventualmente seja desencadeado. A probabilidade desta ocorrência é baixa, mas erros de política/geopolítica costumam ser de baixa previsibilidade.

Inicio o ano da mesma forma em que encerrei 2017. Ainda alocado em ativos no Brasil, dando preferência à parte intermediária e longa da curva de juros, além de alocado no mercado de renda variável. Não tenho uma visão muito clara ou convicta para o BRL, mas vejo uma oportunidade tática no atual nível próxima a 3,33, na venda do dólar. Nos links acima discorro um pouco sobre o pano de fundo que embasa minhas posições.

No cenário externo, sigo tomado nas taxas de juros nos EUA e olhando oportunidades nos Gilts e nos Bunds. No momento, estão sem hedges relevantes na carteira, mas olhando no detalhe para eventuais posições que venham a compor este portfólio de maneira mais balanceada.




Data: 27/12/2017

Brasil: De volta aos fundamentos.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, na ausência de mudanças substanciais de cenário. Destaque para a forte alta do petróleo nos últimos dias, com o WTI testando o patamar de US$60. Um misto de demanda global mais aquecida e controle de oferta por parte da OPEP ajudam a explicar o movimento.

O MXN é um dos destaques negativos recentes, com forte depreciação. Fundamentos econômicos mais frágeis do que os seus pares emergentes, um quadro político incerto com eleições presidenciais em 2018 e as incertezas que rondam as negociações em torno do NAFTA são os principais vetores para explicar o movimento da moeda. Nem mesmo a atuação mais agressiva do Banxico no mercado de câmbio tem sido suficiente para conter o movimento de depreciação.

No Brasil, a terça-feira foi de movimentos positivos para os ativos locais. Passado o debate da reforma da previdência, os investidores voltaram o foco para o cenário cíclico mais positivo da economia, com um quadro técnico mais favorável e preços/valuations mais atrativos.

No cenário econômico, os dados continuam corroborando um ambiente mais positivo para o país. Ontem, a pesquisa Focus do BCB mostrou expectativas de inflação ancoradas e em queda para 2017 e 2018, o que permitirá novos cortes da taxa Selic e sua manutenção em patamar baixo por um longo período de tempo. Escrevi mais sobre isso nos últimos dias, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-curva-de-juros.html.

Até mesmo o quadro fiscal, o principal problema estrutural da economia, mostra sinais de recuperação. O Governo Central apresentou superávit primário em novembro acima de R$1bi, resultado muito superior às expectativas de déficit de R$9bi esperados pelo mercado. A recuperação do crescimento, com inflação baixa e juros baixos, em meio a um enorme esforço de controle de gastos por parte do governo irá ajudar, por ora de maneira cíclica, até mesmo as contas públicas nos próximos 12 meses. É inegável que a continuidade das reformas seja um imperativo, mas mesmo o quadro fiscal deverá apresentar recuperação cíclica nos próximos meses, dando mais um conforto de fundamentos econômicos mais robustos em 2018.

Continuo otimista com os ativos locais neste final de 2017 e início de 2018, optando por manter exposição na parte intermediária e longa da curva de juros e no mercado de renda variável. Vejo valor no câmbio nos atuais níveis, mas prefiro manter postura mais tática dado sua péssima performance recente e minha menor convicção nesta classe de ativos.

Continuo tomada na curva de juros nos EUA. Estou olhando com mais atenção eventuais oportunidades nos Bunds e nos Gilts. Estou sem posição relevante no mercado de FX e, por ora, sem hedges muito óbvios para implementar nas carteiras. 




Data: 26/12/2017

Curva de Juros Brasil.

A curva de juros no Brasil precifica hoje mais uma queda de 22bps na próxima reunião do Copom e uma pequena queda de 7bps na reunião seguinte. Já na reunião do Copom de maio, a curva começa a precificar um processo relativamente agressivo de alta de juros, com  o CDI retornando a 8,15% no começo de 2019 e chegando a acima de 11,5% em 2020. O FRA de 2019 embute taxa de 9,4%, o FRA de 2020 taxa de 11,2% e o FRA de 2021 taxa de 11,55%. 

Eu continuo trabalhando com um cenário em que a Taxa Selic cai pelo menos mais 25bps, para 6,75% na próxima reunião do Copom, com probabilidade relevante de quedas adicionais, com o CDI se mantendo entre 6,5% e 7% por um longo período de tempo. Por “longo período de tempo”, no Brasil, leia-se pelo menos até 2019. Após este período, a visibilidade do cenário é mais turva. Todavia, ainda vejo espaço para uma alta muito mais moderada do que nos últimos processos de ajustes altistas de taxas de juros, talvez com um ciclo de alta em torno de 200 a 250bps.

Entendo que estamos próximos ao fim do ciclo de queda da Taxa Selic e momentos como o atual, diante dos riscos eleitorais, ensejam uma curva mais inclinada positivamente. Pelo menos, este foi o padrão histórico no Brasil e na maioria das economias globais. Este pano de fundo justifica a postura atual mais cautelosa do mercado. Contudo, estamos diante de um cenário nunca antes vivido pela economia do país, com hiato do produto extremamente aberto, inflação baixa, perspectivas ancoradas, mercado de trabalho ainda em estado de “stress”, mesmo que já em recuperação, e uma recuperação apenas gradual do crescimento.

Diante deste pano de fundo, e levando em conta que estamos diante de um novo patamar de juros, por ora cíclico, mas que pode se tornar estrutural, ainda vejo amplo espaço para o fechamento de taxas da curva local de juros, especialmente na parte intermediária da curva. Esta analise vale para os juros reais e os juros nominais. Entendo que a parte mais longa da curva irá depender mais do calendário eleitoral. Mas mesmo diante deste risco, já vejo um prêmio não desprezível nas taxas longas. Este, todavia, dependerá muito mais da evolução política, do que do cenário cíclico mais positivo como a parte intermediária.

Assim, ainda vejo espaço para ganhos não desprezíveis na curva local de juros. Estes, por sua vez, poderão induzir novos fluxos para o mercado de renda variável, mas este será tema para um próximo comentário.




Data: 26/12/2017

Sem novidades no Natal.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, na ausência de mudanças substanciais de cenário. Destaque apenas para o bom desempenho do CNY, a moeda da China, nos últimos dois dias, com apreciação em torno de 1%. Não vi motivos aparentes para este movimento.

A agenda econômica do dia será esvaziada. Espero um mercado sem grandes movimentações, baixa liquidez e com poucas tendências nestes últimos dias do ano. A baixa liquidez, contudo, eventualmente, poderá causar alguns “flash crashes” pontuais, como foi o caso do EUR ontem, que chegou a cair momentaneamente cerca de 2%, para depois voltar a seu patamar anterior sem grandes variações.

Mantenho minha visão central de cenário local e externo, amplamente discutida aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

No Brasil, ao mesmo tempo em que a mídia coloca Rodrigo Maia como potencial candidato a Presidente da República nas eleições do ano que vem, surgem matérias na mesma mídia em que o acusam de ter recebido, aparentemente, financiamento ilegal em suas campanhas anteriores. Continuo acreditando que ainda falta uma eternidade para as eleições, e que o grande vetor para os mercados financeiros locais continua a ser a candidatura (ou não) de Lula. Todavia, este tipo de dinâmica apresentada pelo nome de Rodrigo Maia mostra àqueles que pretendem se tornar candidatos como será a campanha eleitoral, extremamente difícil, praticamente uma guerra, onde toda a vida dos candidatos estará sobre a mesa. Isso deverá ser levado em conta por aqueles que pretendem se candidatar a esta vaga.

A mídia internacional, na ausência de notícias com substancia, está dando ampla cobertura ao excesso de volatilidade das “cripto moedas”. Acredito que esta “classe de ativo” ainda não tem importância ou impacto nos mercados econômicos globais. Assim, não merecem grande destaque neste fórum. Eu também tenho pouco conhecimento para emitir opiniões robustas a respeito desta “nova classe de ativo”. Por ora, acredito que as “cripto moedas” sejam mais um fenômeno social e psicológico do que de fato um meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. De qualquer maneira, não descarto que elas virem um ativo mais “robusto” ao longo do tempo.

Nos EUA, a mídia está reportando que o período do Natal trouxe animo as varejistas convencionais, após um longo período de pressão. Esta evidência anedótica apenas reforça o quadro de crescimento robusto que tenho mostrado aqui ao longo dos últimos meses.

Após o anuncio de novas sanções econômicas contra Coreia do Norte por parte do EUA, os norte coreanos voltaram a afirmar que os EUA cometem um “ato de guerra”. Os mercados financeiros globais pouco reagiram a troca e acusações. Isso já virou uma regra. Acredito que apenas atos militares concretos por parte da Coreia do Norte, contra alvos aliados (EUA, Japão, Coréia do Sul ou outros) serão capazes de mover os ativos de risco de maneira mais acentuada e consistente.




Data: 21/12/2017

Alguns breves comentários antes de 2018.

Os Mercados Globais está tirando uma licença paternidade, antes do previsto, e de maneira inesperada, mas com saúde e sem problemas adicionais. Só retornará “a todo vapor”, de maneira diária, após a virada do ano. Aproveito para desejar boas festas e feliz ano novo a todos. 

A sazonalidade do final de ano e um calendário econômico que apenas ratifica o cenário base que temos descrito neste fórum há algumas semanas ajuda a dar confiança nas posições centrais que temos insistido, mesmo após um período que compreendeu o final de outubro, todo novembro e a primeira metade de setembro, onde observamos e vivenciamos uma forte pressão nos ativos do Brasil e uma baixa reação dos juros nos países de desenvolvidos, especialmente nos EUA, aos evidentes sinais de robustez do crescimento e avanço da Reforma Tributária. Recomendo a lida do link a seguir, onde todos os temas abaixos, entre outros, estão descritos de maneira mais detalhada: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

As reversões de parte desses dois movimentos foram o grande destaque dos últimos dias, com uma recuperação dos ativos locais e alta das taxas das Treasuries, que testam agora o patamar de 2,50%. Esta dinâmica dos ativos locais se encaixa bem na minha tese, descrita neste fórum diversas vezes ao longo das últimas semanas, sem sucesso até então, de que o fluxo de notícias envolvendo a Reforma da Previdência estava encobrindo uma melhora cada vez mais evidente e espalhada dos fundamentos cíclicos da economia, ao mesmo tempo em que a posição técnica apresentava melhora sistemática e os preços/valuations se mostravam mais atrativos.

Os últimos dias apenas reforçaram este cenário mais positivo para a economia do Brasil. A inflação segue baixa e qualitativamente positiva, o BCB reforça a mensagem de que há espaço para novos cortes na Taxa Selic e sinaliza que os juros podem ficar baixos por mais tempo, as contas externas continuam bastante saudáveis, o crescimento segue em uma recuperação gradual, mas cada vez mais consolidado e espalhado. Até mesmo o quadro fiscal, grande problema a longo-prazo para a economia, mostra reação, com uma melhora acentuada da arrecadação. O quadro de maior crescimento, menor inflação e juros mais baixos devem trazer alívio às contas públicas ao longo de 2018. É inegável que as reformas estruturais sejam um imperativo, mas teremos uma janela que deverá trazer mais tranquilidade ao cenário nesta frente.

Finalmente, vimos uma rodada positiva de emissões de dívida corporativas externas, além de IPOs na bolsa local, todos com demanda robusta. O leilão de energia foi muito positivo, mesmo sem a participação de estatais. Em suma, um cenário cíclico extremamente positivo, que vinha sendo ignorado pelo mercado desde fins de outubro, por questões diversas, mas que começam a ser impor mesmo diante das incertezas políticas que rondam 2018. Ainda acredito que exista espaço para continuidade dos movimentos recentes.

Mantenho exposição aos ativos locais, concentrado na bolsa e no mercado de juros, especialmente na parte intermediária e longa da curva real de juros. Tenho menor visibilidade e convicção no mercado de câmbio. Continuo acreditando que a taxa de juros ficará mais baixa por mais tempo e, quanto tiver que ser elevada, e um dia certamente terá que subir, deverá subir menos do que a curva precifica neste momento. Diante deste cenário, com juros baixos, o mercado deverá perceber a recuperação de uma economia com hiato do produto elevado, sem necessidade de “choques de juros” o que deverá favorecer o mercado de renda variável. Estes são dos dois temas que tenho focado ao longo de todo o segundo semestre do ano e que deveremos continuar buscando no início de 2018.

No cenário externo, sigo convicto no processo estrutural de alta de juros no mundo desenvolvido. Estou concentrando posição na parte intermediária da curva americana por questões operacionais, mas aonde o cenário me parece mais claro neste momento, diante do avanço da Reforma Tributária, a possibilidade de um pacote de infraestrutura em meio a um crescimento robusto e mercado de trabalho sólido. Estou olhando com calma o mercado de Bunds e Gilts para, eventualmente, montar posição na mesma direção.

Não me estenderei no cenário externo dado minha restrição de tempo. Meus deveres domésticos me chamam.

Feliz 2018.

Dan H. Kawa.  




Data: 18/12/2017

Risk On! Year End Rally...

Os ativos de risco estão operando em tom positivo, em um clássico movimento de “risk-on” e/ou “year end rally”. Meus comentários de ontem, reproduzidos abaixo, seguem pertinentes e atuais. Os jornais de hoje trazem poucas informações novas ao cenário. Na agenda econômica, destaque apenas para os dados de exportação de Singapura. Por ser um país com corrente de comércio elevada e um importante “hub” de tecnologia da Ásia, os números são vistos como uma proxy para o crescimento global. Os dados mostram uma economia mundial ainda bastante robusta e saudável.

Não há mudanças substanciais de cenário econômico local e global neste final de ano. Estamos entrando nas últimas duas semanas do ano, geralmente marcadas por uma baixa liquidez e pela continuidade dos movimentos que prevaleceram ao longo de todo o ano que fica para trás. Na ausência de uma agenda econômica mais carregada, ou de eventos políticos que tragam mudanças de cenário, o natural é esperar que tenhamos um pouco de “mais do mesmo” em relação ao que prevaleceu ao longo de todo o ano de 2017. Mudanças de posicionamento, rotações e afins deverão esperar o inicio de 2018.

No Brasil, acho interessante observar que a mídia tenta manter acesso o debate em torno da Reforma da Previdência, mesmo com o recesso parlamentar que se avizinha. Inclusive, alguns meios de comunicações vincularam matérias mostrando o abismo existente entre a previdência da maior parte da sociedade brasileira se comparada àquela adotada por uma minoria em algumas classes do funcionalismo público. Após um longo período de silêncio da mídia e da sociedade, talvez de maneira atrasada, começa a se formar algum movimento, mesmo que tímido, em prol das reformas. De maneira geral, acho difícil que o mercado volte a “comprar o sonho” da aprovação da reforma em 2018, mas certamente o governo tentará manter está chama acessa.

No que tange o cenário eleitoral, a grande incógnita fica por conta da situação de Lula após o resultado em segunda instância de seu primeiro julgamento. Em uma matéria no O Globo, especialistas, membros do TSE e ex-membros do mesmo colegiado afirmam que caso a sentença da primeira instância seja confirmada, dificilmente Lula poderá ser candidato a presidente no ano que vem. Sigo na linha de que ainda falta muito tempo para as eleições e para termos um cenário muito claro da corrida eleitoral, mas reforço que existe um “cenário de cauda”, sem a candidatura de Lula e com um candidato forte de cetro que é pouco apreciada pelo mercado, que continua focado nos riscos negativos e em um posicionamento mais defensivo para 2018.

No cenário externo, os dados de crescimento global continuam fortes e sincronizados, e os bancos centrais confirmam uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária. A China mostra sinais de desaceleração, mas dentro de um cenário base ainda controlado pelo PBoC e pelo Governo, que traz riscos apenas na eventualidade de um erro de política monetária. Este cenário deverá prevalecer ao longo do começo de 2018, mas certamente será testado por dados mais altos de inflação, uma normalização mais rápida e/ou uma desaceleração do crescimento.

No Brasil, a recuperação do crescimento se mostra mais consolidada e espalhada, mas ainda extremamente gradual. A inflação está baixa e suas perspectivas continuam positivas (baixas). Me impressiona o elevado prêmio de risco (altas de juros) precificados na curva ao longo de 2018. Até entendo o prêmio de risco para o período pós eleitoral, a despeito de não concordar com seu nível, mas as taxas mais curtas deveriam estar muito mais ancoradas diante do cenário de crescimento e inflação.

As contas externas continuam extremamente saudáveis e até mesmo o lado fiscal deverá mostra recuperação no curto-prazo (próximos 12 meses). 




Data: 18/12/2017

2017 aproxima-se do fim.

Não há mudanças substanciais de cenário econômico local e global neste final de ano. Estamos entrando nas últimas duas semanas do ano, geralmente marcadas por uma baixa liquidez e pela continuidade dos movimentos que prevaleceram ao longo de todo o ano que fica para trás. Na ausência de uma agenda econômica mais carregada, ou de eventos políticos que tragam mudanças de cenário, o natural é esperar que tenhamos um pouco de “mais do mesmo” em relação ao que prevaleceu ao longo de todo o ano de 2017. Mudanças de posicionamento, rotações e afins deverão esperar o inicio de 2018.

No Brasil, acho interessante observar que a mídia tenta manter acesso o debate em torno da Reforma da Previdência, mesmo com o recesso parlamentar que se avizinha. Inclusive, alguns meios de comunicações vincularam matérias mostrando o abismo existente entre a previdência da maior parte da sociedade brasileira se comparada àquela adotada por uma minoria em algumas classes do funcionalismo público. Após um longo período de silêncio da mídia e da sociedade, talvez de maneira atrasada, começa a se formar algum movimento, mesmo que tímido, em prol das reformas. De maneira geral, acho difícil que o mercado volte a “comprar o sonho” da aprovação da reforma em 2018, mas certamente o governo tentará manter está chama acessa.

No que tange o cenário eleitoral, a grande incógnita fica por conta da situação de Lula após o resultado em segunda instância de seu primeiro julgamento. Em uma matéria no O Globo, especialistas, membros do TSE e ex-membros do mesmo colegiado afirmam que caso a sentença da primeira instância seja confirmada, dificilmente Lula poderá ser candidato a presidente no ano que vem. Sigo na linha de que ainda falta muito tempo para as eleições e para termos um cenário muito claro da corrida eleitoral, mas reforço que existe um “cenário de cauda”, sem a candidatura de Lula e com um candidato forte de cetro que é pouco apreciada pelo mercado, que continua focado nos riscos negativos e em um posicionamento mais defensivo para 2018.

No cenário externo, os dados de crescimento global continuam fortes e sincronizados, e os bancos centrais confirmam uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária. A China mostra sinais de desaceleração, mas dentro de um cenário base ainda controlado pelo PBoC e pelo Governo, que traz riscos apenas na eventualidade de um erro de política monetária. Este cenário deverá prevalecer ao longo do começo de 2018, mas certamente será testado por dados mais altos de inflação, uma normalização mais rápida e/ou uma desaceleração do crescimento.

No Brasil, a recuperação do crescimento se mostra mais consolidada e espalhada, mas ainda extremamente gradual. A inflação está baixa e suas perspectivas continuam positivas (baixas). Me impressiona o elevado prêmio de risco (altas de juros) precificados na curva ao longo de 2018. Até entendo o prêmio de risco para o período pós eleitoral, a despeito de não concordar com seu nível, mas as taxas mais curtas deveriam estar muito mais ancoradas diante do cenário de crescimento e inflação.

As contas externas continuam extremamente saudáveis e até mesmo o lado fiscal deverá mostra recuperação no curto-prazo (próximos 12 meses).  




Data: 15/12/2017

Fim de ano traz alguma volatilidade aos ativos de risco.

Ontem observamos um dia de queda das bolsas dos EUA e da Europa. Alguns ruídos envolvendo a aprovação da Reforma Tributária parecem ter dado o tom do final da tarde de quinta-feira. A despeito da queda das bolsas, vimos uma leve abertura das taxas de juros nos EUA e um dólar majoritariamente mais forte no mundo. O movimento me parece ser um processo clássico de realização de lucros, natural nesta fase do ano.

Hoje vemos bolsas e commodities em leve alta, pequena abertura das taxas de juros nos EUA e um dólar mais fraco.

Em termos econômicos, a quinta-feira trouxe fortes dados de vendas no varejo nos EUA, além de um Jobless Claims em níveis historicamente baixos e condizentes com um mercado de trabalho extremamente robusto. Os números levaram o mercado a uma revisão altista nas previsões do PIB para o 4Q do ano, além de dar ímpeto a tese de continuidade no processo de normalização monetária dos EUA.

Na Europa, o ECB manteve a política monetária inalterada, como era amplamente esperado. Draghi reafirmou a postura de gradualismo no processo de normalização monetária. A área técnica do Banco promoveu revisões altistas de crescimento e baixistas para taxa de desemprego, mas se alterações relevantes no quadro de inflação, em uma direção muito parecida com aquela adotada pelo Fed. A decisão do BoE na Inglaterra não trouxe novidades, sem alterações na política monetária.

No Brasil, a Reforma da Previdência foi abandonada. Os jornais ainda aventam a possibilidade de vota-la em fevereiro de 2018, mas afirma que novas concessões serão feitas. O mercado duvida na possibilidade de aprovação de temas polêmicos em ano eleitoral. As agências de risco já sinalizam para um rebaixamento da nota de crédito do país. os ativos locais operaram sob pressão. Espero volatilidade e novas ondas de desalocação nos ativos do Brasil, até que a posição técnica mais saudável, o nível de preços/valuation e o quadro econômico mais positivo fiquem mais evidentes.

No Japão, o Tankan – um dos mais importantes indicadores de confiança do país – apresentou mais um trimestre de alta, reforçando o cenário de recuperação da economia japonesa.




Data: 14/12/2017

Mundo cresce com sincronismo. China desacelera como o esperado.

Neste momento, estamos observando uma abertura de taxa das Treasuries nos EUA, que está devolvendo cerca de 60% do movimento de fechamento de taxas verificado ontem. Neste ambiento, o dólar opera majoritariamente em alta. As bolsas e as commodities, no geral, apresentam leve elevação, mas sem movimentos relevantes.

Não vi nenhuma novidade para explicar as reversões dos movimentos de ontem, mas também não conclui neste fórum que o Fed havia sido definitivamente dovish em sua reunião. Assim, os movimentos de curto-prazo me parecem mais ruídos. Não vejo alterações significativas de cenário. Ainda trabalho com um cenário base de curto-prazo de crescimento global saudável, inflação gradualmente em alta no mundo desenvolvido e normalização monetária gradual e bem comunicada por parte dos principais bancos centrais das economias avançadas. Este cenário ainda me parece construtivo para ativos de risco no geral, deveria favorecer uma elevação estrutural das taxas de juros das economias avançadas. Entendo que, neste estágio do ciclo, teremos uma maior diferenciação entre os ativos de alguns países e regiões, assim como um desempenho melhor de alguns ativos em detrimento a outros.

Não há novidades em relação a Reforma da Previdência no Brasil. A informação corrente é de que não haverá votação este ano. O Congresso aprovou o Orçamento fr 2018, o que deverá reduzir os trabalhos na casa a partir de agora. Ainda espero alguma pressão sobe os ativos locais, mas acredito que em algum momento, a melhora cíclica dos fundamentos, frente a posição técnica mais saudável e a preços mais atrativos irá favorecer os ativos locais.

Destaque da noite para os dados econômicos da China que mostraram alguma estabilização do crescimento. De maneira geral, o cenário base de desaceleração gradual da economia do país continua inalterado. O PBoC, seguindo o Fed, anunciou algumas medidas adicionais de aperto monetário, o que reforça a expectativa de uma política monetária mais apertada de agora em diante. Segundo o DB:

In China, the November macro data just released was broadly in line but slightly lower than the prior month. Both the IP and fixed assets investments matched expectations at 6.1% yoy and 7.2% respectively, but were 0.1ppt lower than the prior month. Retail sales were softer than expectations at 10.2% yoy (vs. 10.3%). Elsewhere, China’s central bank has slightly increased the borrowing costs it charges in open market operations following the Fed’s move, lifting the cost of the 7 and 28 day reverse repo agreement by 5bp.

Nos EUA, a Camara e o Senado parecem ter chegado a um acordo em torno da Reforma Tributária, em mais um importante passo na direção de uma política tributária e fiscal mais frouxa. Em meio a um crescimento sólido e um mercado de trabalho robusto, a implementação dessas reformas deverá ser visto como mais hawkish, reforçando a expectativa de que o Fed deverá dar continuidade ao processo de normalização monetária.

Ainda pela manhã, vimos dados positivos de crescimento na Europa, além de dados robustos de emprego na Austrália. Os números apenas confirmam um quadro de robustez e sincronismo da economia mundial.          




Data: 14/12/2017

Fed & Previdência.

Fed – Dentro do esperado, o Fed elevou a taxa de juros em 25bps. A decisão teve dois votos pela manutenção das taxas. O Fed promoveu um ajuste para cima de suas expectativas de crescimento, com alguns membros já incorporando algum impacto fiscal em suas previsões. Houve novas revisões baixistas para a taxa de desemprego. Contudo, as expectativas de inflação se mantiveram estáveis, o que acabou sendo lido pelo mercado como uma postura dovish por parte da Comitê.

Eu não vejo a decisão de hoje como alterando de forma significativa o cenário econômico global. Seguimos em um ambiente ainda construtivo para ativos de risco como um todo.

Reforma da Previdência – Alguns membros do “núcleo duro” do entorno de Temer deram declarações de que a Reforma foi de fato “abandonada” este ano, e só voltará a pauta no ano que vem. Existe um entendimento do mercado de que dificilmente qualquer tema mais polêmico seja votado em ano eleitoral.

Como era de se esperar, vimos uma forte pressão na bolsa e uma piora nos mercados de câmbio e juros. Contudo, dado o ambiente global, o BRL e a curva de juros conseguiram mostrar comportamento relativamente tranquilo. Interessante observar a queda nas volatilidades implícitas das opções de bolsa.

A partir de agora, minha tese de fato será testada. Ou o mercado continua sem tendência e pressionado, ou os investidores voltam a olhar os fundamentos da economia, a melhora cíclica e o valor que está sendo criado em alguns ativos, em meio a um pano de fundo global construtivo. 




Data: 14/12/2017

Alguns comentários.

Estou fora do RJ, entre reuniões com clientes e eventos de terceiros. Assim, serei mais breve do que eu gostaria nos comentários, mas acho importante falar sobre alguns desenvolvimentos recentes,

Primeiro, estive em um evento de um grande banco de investimentos esta manhã. Em uma pesquisa com os participantes, a maioria investidores e empresários de SP, a pesquisa mostrou opiniões bastante divididas em relação a capacidade de Lula disputar ou não as eleições de 2018. Os números ficaram muito próximos a 50%. A grande maioria, contudo, disse ter preocupação elevada com o processo eleitoral e pretende adotar postura mais cautelosa no ano que vem.

Acho que a pesquisa é extremamente importante porque explica bem o que está ocorrendo com os ativos brasileiros no curto-prazo, em termos de pressões negativas com a chegada do próximo ano, além de questões mais específicas, como o “shape” steepado da curva de juros.

O resultado da pesquisa ainda reforça a minha tese de que a grande surpresa para o mercado em 2018 será um eventual processo eleitoral mais tranquilo do que o esperado. Não que eu ache que este seja o cenário base, mas um cenário alternativo talvez pouco apreciado pelos investidores. Na maioria das vezes, os investidores trabalham com cenários de cauda negativos, mas precisamos ter em mente que cenários de cauda positivos também existem. Imagem uma eleição em 2018, eventualmente, sem a participação de Lula e com o centro unido em torno de um candidato único? Isso, hoje, é pouco provável e pouco precificado, mas não um cenário totalmente descartado.

Vamos a alguns temas:

Reforma da Previdência – Tudo indica que sua aprovação será extremamente difícil no curto-prazo. Volto a dizer que não tenho vantagem comparativa em apontar nenhum cenário como favorito, mas o fluxo de notícias emanando de Brasília ainda é ruim, ou desfavorável a Reforma.

Continuo acreditando que pouco da Reforma esteja precificado nos ativos do Brasil, mas entendo que a retirada dela do horizonte relevante poderá trazer mais volatilidade e pressão para os ativos locais. Por isso, a estratégia de curto-prazo é se manter vivo, para buscar potenciais oportunidades de alocação. Ainda vejo o cenário macro como bastante construtivo, o que deverá favorecer os ativos locais no médio-prazo.

Copom/Política Monetária – As Notas do Copom divulgadas ontem, e a apresentação de Carlos Vianna hoje no mesmo evento citado acima, mostram um BCB bastante tranquilo e confortável com o cenário de inflação. É natural que o cenário base seja de um corte de 25bps na próxima reunião, pelas indicações das Notas e pelo atual estágio do ciclo econômico.

Contudo, o BCB deixou claro que existem riscos para os dois lados da política monetária, positivos e negativos. Continuo surpreso como o mercado e os sell-sides, em especial, só conseguem ver os riscos negativos para um ciclo de corte de juros mais curto do que o cenário base. Dado as expectativas de inflação de nossa área econômica para este final de ano e para o primeiro trimestre de 2018, não descarto um corte de 50bps na próxima reunião do Copom, ou um ciclo mais prolongado de quedas de 25bps. Além disso, não vejo espaço para altas de juros ao longo de 2018. Assim, continuo vendo bastante valor na parte intermediária das curvas locais de juros.

Vendas no Varejo – Os números divulgados hoje ficaram muito abaixo das expectativas. Muitos estão citando o efeito do “Black Friday”, cada vez mais relevante no país, como potencial vetor de volatilidade nestes números. De maneira geral, ainda vejo um processo de recuperação gradual da economia, o que permite não apenas um cenário mais construtivo para o país, mas uma política monetária mais frouxa por mais tempo.

Mercados Brasil – A despeito de todos os ruídos envolvendo a Reforma da Previdência, o mercado local continua saudável. Os IPOs estão transcorrendo de forma tranquila, assim como as emissões de dívida, locais e externas.

EUA – Após dados de PPI mais altos do que as expectativas (divulgados ontem), o Core CPI apresentou alta de apenas 0,1% MoM. Continua, assim, o conundrum em torno da inflação no país, em meio a um crescimento robusto e um mercado de trabalho de sólido.

Ainda vejo as taxas de juros no mundo desenvolvido no meio de um processo estrutural de alta.

A reunião do FOMC, dentro de 1 hora, será importante para medirmos a temperatura dentro do Fed em meio a este cenário construtivo, porém confuso do ponto de vista de política econômica (baixa inflação, baixo desemprego, crescimento sólido). 




Data: 12/12/2017

 Condições externas favoráveis. Ruídos na Reforma da Previdência prevalecem.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade esta manhã. Destaque para mais um dia de alta no preço do petróleo e para a continuidade de um ambiente relativamente construtivo para os ativos de risco em geral. O destaque da agenda do dia ficará por conta do PPI nos EUA, mas a agenda ganhará corpo ao longo da semana, com Core CPI e FOMC na quarta-feira e reunião do ECB na quinta-feira.

No Brasil, a Folha traz reportagem em que afirma que a Reforma da Previdência possa ficar para o início de 2018. Os demais meios de comunicação reportam que o Governo segue em busca dos votos para que a aprovação da Reforma ocorra ainda na semana que vem. Os ruídos envolvendo o tema continuam elevados e os ativos locais devem continuar sensíveis ao tema.

Para não soar repetitivo, deixo abaixo meus comentários recentes:

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/condicoes-externas-seguem-favoraveis.html

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/update.html




Data: 11/12/2017

Condições externas seguem favoráveis. Agenda demanda atenção.

Os ativos no Brasil continuam muito sensíveis aos ruídos envolvendo a Reforma da Previdência. Acredito que a dinâmica deverá continuar assim até que o evento saia da janela do mercado, para o bem ou para o mal. Depois disso, espero que os fundamentos econômicos voltem a ditar o rumo dos ativos brasileiros.

De novidade concreta, estamos vendo uma inflação corrente extremamente baixa e perspectivas de inflação ainda baixa para o começo de 2018. O Relatório Focus do BCB reflete um pouco este cenário construtivo para a inflação e para o crescimento. As Notas do Copom, que serão divulgadas amanhã, trarão uma claridade melhor em relação as intensões futuras do banco central. Continuo vendo a Taxa Selic cair a pelo menos 6,75%, com riscos crescentes de uma taxa inferior a essa. Acredito que os juros permanecerão baixos por um tempo prolongado de tempo.

No cenário externo, a notícia mais importante do dia, no meu ponto de vista, foi a divulgação dos dados de agregados monetários na China, que ficaram acima das expectativas do mercado, mostrando um certo alívio para as condições financeiras do país. Os números divulgados hoje confirmam a minha visão de que o aperto monetário recente foi induzido pelo PBoC, com o intuito de trazer mais racionalidade ao mercado chinês, buscando evitar bolhas e excessos em setores específicos da economia. Com este pano de fundo, qualquer sinal mais acentuado de desaceleração, poderá ser contrabalanceado por medidas de alívio. Assim, segue um cenário de desaceleração gradual da economia chinesa. Os riscos a estabilidade financeiras existem, mas devem ser vistos como “riscos de cauda”. Por ora, o governo chinês vem conseguindo promover um ajuste relativamente saudável da economia.

A semana será carregada de indicadores de inflação nos EUA e decisão de bancos centrais nos EUA e na Europa. Estes momentos sempre costumam ser um pouco mais tensos para os mercados, especialmente vis-à-vis os atuais níveis de preço e as volatilidade realizadas e implícitas baixas.

Continuo vendo um processo gradual de elevação da inflação nos EUA. Isso irá permitir que o processo de normalização monetária nos EUA e no resto do mundo desenvolvido seja também gradual e bem comunicado. Continuo gostando de posições tomadas em juros em alguns países do G10, combinadas com posições compradas em volatilidade de Rates e alguns pares de FX. Tenho focado no AUD por questões específicas do país.

No curto-prazo, a despeito de todos os riscos inerentes a fase atual do ciclo econômico global, continuo vendo um cenário relativamente construtivo para o final de 2017 e começo de 2018. Os dados de inflação nos EUA e as decisões do Fed do ECB poderão, eventualmente, alterar este quadro. Trabalho com um cenário base sem alterações drásticas de pano de fundo para as próximas semanas.




Data: 11/12/2017

Brasil: Reforma da Previdência apresenta "momento" favorável...

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade esta manhã. Destaque para o lançamento do futuro de Bitcoin na CME, que levou a uma forte alta do ativo em suas primeiras horas de negociação. Na Nova Zelândia, a nomeação de um novo “Governor” para o Banco Central do país foi bem recebido pelo mercado, levando a uma alta superior a 1% no NZD, a moeda do país. A agenda externa será relativamente esvaziada hoje, mas a semana nos resera a divulgação do Core CPI e a decisão do Fed na quarta-feira.

Na China, os dados de inflação, o CPI e o PPI, ficara abaixo das expectativas do mercado em novembro. Os números não alteram de forma significativa o cenário econômico para o país. Comentei um pouco mais sobre este cenário no final da semana passada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/update.html.

No Brasil, o “momento” em torno da Reforma da Previdência continua positivo, como discorri ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-fluxo-de-noticias-mais-positivas.html). Interessante mostrar uma pesquisa realizada pelo Ibope a pedido do Planalto, e divulgada hoje pelo Correio Braziliense:

Correio Braziliense - Aprovação sobe e rejeição despenca

Embora a maioria da população entenda que, se a reforma da Previdência emplacar, o país terá mais recursos para investir em saúde, educação e segurança pública, falta convencê-la da necessidade de se instituir uma idade mínima para aposentadoria e explicar a regra de transição para se chegar à exigência de 62 anos, para mulheres, e de 65, para homens. É o que mostra a pesquisa de opinião pública encomendada pela Presidência da República ao Ibope, à qual o Correio teve acesso. Com a nova investida nas propagandas e os recentes cortes na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 287, a aprovação à reforma subiu de 18% para 26% nos últimos dias. A rejeição caiu de 46%, no início de novembro, para 30%, no fim do mês. No mesmo período, os indecisos foram de 33% para 42%, uma margem grande para angariar apoio.

Ainda de acordo com o levantamento, 67% dos brasileiros concordam que servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada tenham as mesmas regras para se aposentar, e 55% são favoráveis à reforma acabar com privilégios de algumas categorias. Os números levam a duas principais conclusões: as propagandas têm gerado efeitos positivos para o governo e o discurso de equiparação de regras tem funcionado. O que as pessoas ainda não aceitam bem é a idade mínima, que, com a regra de transição proposta, aumentará aos poucos: 66% dos entrevistados dizem não concordar com esse dispositivo. Uma das maiores preocupações dos trabalhadores ainda é que as novas regras comecem a valer de imediato e ataquem direitos adquiridos.




Data: 11/12/2017

Brasil: Fluxo de notícias mais positivas.

O final de semana, até o momento, trouxe poucas novidades para o cenário externo, mas alguns desenvolvimentos relevantes para o cenário local.

Vale lembrar que continuo acreditando que os fundamentos da economia do Brasil estão se consolidando em trajetória mais positiva. Este pano de fundo deveria manter os ativos locais, a médio-prazo e sem alterações relevantes no cenário externo, de certa forma também em trajetória positiva. Contudo, no curto-prazo, é inegável que os investidores estão de olho no avanço (ou não) da Reforma da Previdência e que os ativos do Brasil irão reagir, mesmo que pontualmente, aos desenvolvimentos nesta frente.

Dito isso, o final de semana trouxe notícias mais construtivas. Após o “fechamento de questão” em torno da Reforma por parte do PMDB e do PTB, o PPS anunciou, segundo a mídia, que também votará em bloco pela Reforma. A convenção do PSDB elegeu, como era amplamente esperado, Geraldo Alckmin como presidente do partido. Em seu discurso, Alckmin adotou um tom duro e crítico contra a sua oposição, leia-se Lula e o PT. Além disso, fez acenos positivos ao atual Governo liderado por Michel Temer. Desta forma, Alckmin começa a dar uma direção mais clara ao PSDB, podendo se colocar como uma opção mais viável a uma candidatura oficial, com apoio mais amplo dos partidos de centro, nas eleições presidenciais de 2018. Além disso, de acordo com a mídia, Alckmin irá, agora, convocar a executiva do PSDB para tentar o “fechamento de questão” em torno da Reforma. Finalmente, o Governo sinaliza para uma votação dia 18 de dezembro, mas a mídia está reportando esta manhã que o debate em torno da Reforma poderá ser iniciado já dia 14, esta semana, na Câmara.

De maneira geral, vejo os desenvolvimentos recentes como mais positivos em favor da Reforma. Repito que tenho pouca visibilidade a este tema. Não tenho nenhuma vantagem comparativa para dar uma opinião mais firme em torno da possível aprovação, ou não da Reforma da Previdência. Então, tenho tentado focar nos fundamentos econômicos locais, na posição técnica do mercado e nas aparentes assimetrias dos ativos do Brasil vis-à-vis as probabilidades de aprovação da Reforma e os fundamentos econômicos.

A posição técnica me parece bastante saudável. Os estrangeiros estão reduzindo consistentemente alocações em Brasil, de níveis que já eram extremamente baixos para os padrões históricos. Nosso acompanhamento do fundos locais mostra um mercado pouco alocado e ainda favorecendo posições na parte curta da curva de juros ou nas NTN-Bs. Pouquíssimos fundos apresentam posições relevantes em Renda Variável e BRL.

Os fundamentos seguem positivos. Apenas para focar em um tema, o IPCA de novembro ficou abaixo das expectativas e as coletas de inflação mostram uma perspectiva de inflação baixa ainda em 2018. Este ambiente irá permitir que a Taxa Selic fica em torno, provavelmente abaixo de 7% ao longo de 2018, o que será um grande “vento favorável” à economia.

No tocante aos preços de mercado e probabilidade embutidas, ainda vejo valor no s ativos locais. Entendo que o processo de recuperação de preços não será “one-off”, instantâneo, e nem linear. Mas nos atuais níveis, ainda vejo valor e uma probabilidade baixa embutida em relação a recuperação cada vez mais visível, consolidada e espalhada da economia.  




Data: 08/12/2017

Update.

A semana trouxe poucas novidades relevantes para os cenários local e externo. De maneira geral, os dados econômicos seguem corroborando um cenário ainda construtivo e relativamente estável para a economia global.

Neste estágio do ciclo econômico, alguma acomodação dos números é natural, como o caso da produção industrial da Alemanha, que caiu pelo segundo mês consecutivo em outubro. Ainda não vejo motivos evidentes para temer uma mudança brusca ou substancial de cenário. Não há apertos consideráveis das condições financeiras, os juros seguem baixos no mundo desenvolvido, os bancos centrais mostram gradualismo no processo de normalização monetária, não há sinais aparentes de uma aceleração mais aguda da inflação no mundo, e etc.

Nos EUA, os dados de emprego divulgados hoje reforçaram um quadro de robustez do mercado de trabalho, com uma criação ainda saudável de postos de trabalho, uma taxa de desemprego baixa, porém sem pressões muito preocupantes do lado dos salários. Este costuma ser um cenário bastante positivo para a economia dos EUA e para os ativos de risco como um todo.

A China vem trazendo algum ruído aos mercados da Ásia, com algum aperto, induzido pelo PBoC, das condições financeiras levando a alguma pressão nas bolsas. Este processo parece estar sendo guiado pelo PBoC e permanece um risco localizado e contido. Como não me parece um evento exógeno, inesperado, porém liderado pelo PBoC, tendo a acreditar que o objetivo seja trazer alguma racionalidade e desalavancagem para a economia e o sistema financeiro local. Assim, o cenário base parece ser de uma desaceleração gradual da economia. Caso estes eventos venham a trazer impactos mais relevantes para o país, tendo a acreditar que o Governo teria os instrumentos adequados para evitar uma piora mais acentuada da situação. De qualquer maneira, erros de política monetária devem ser vistos como “risco de cauda” e não como cenário base.

No Brasil, o IPCA de novembro apresentou alta de 0,28% MoM e 2,8% YoY. O quadro qualitativo do indicador continua mostrando uma inflação corrente baixa e perspectivas ainda positivas (inflação baixa) para o ano de 2018. Os números de hoje reforçam a minha visão de taxas de juros mais baixas por mais tempo no país. Acredito que ainda haja espaço para a Taxa Selic cair para algo em torno de 6,75%-6,50% e ficar neste patamar por cerca de um ano (ou mais). Neste ambiente, ainda vejo valor na parte intermediária da curva de juros. Como tenho refletido neste fórum, não acredito que a compressão desses prêmios será feita de forma rápida, mas ao longo do tempo, conforme o mercado for se convencendo, ou se tornando mais confortável, com o cenário descrito acima.

Os ativos locais continuam bastante sensíveis aos ruídos envolvendo a Reforma da Previdência. Não tenho opinião, ou vantagem comparativa, em opinar se a Reforma será, ou não, aprovada. Tenho um viés, contudo, de acreditar que o simples fato desta questão estar na mídia está sendo negativa para os mercados locais. Acredito que, não sendo aprovada, poderemos ver alguma pressão pontual e limitada, de curto-prazo, nos ativos do Brasil, mas ainda vejo os fundamentos de médio-prazo, ainda bastante positivos, se sobrepondo a Reforma da Previdência.

Na minha visão, é inegável que o Brasil tem um problema fiscal gigantesco, que precisará ser equacionado nos próximos anos. Contudo, o cenário de 2018 será um pouco mais tranquilo do ponto de vista econômico e fiscal, com a melhora do crescimento, uma inflação e juros baixos, e receitas extraordinárias dando algum “respiro”, de curto-prazo, a situação fiscal. Isso não significa que a Reforma não seja imprescindível, mas que, caso não haja grandes alterações no cenário externo, o mercado poderá dar mais algum benefício da dúvida ao país. Contudo, uma mudança no cenário externo, em meio a um quadro eleitoral mais incerto, na ausência da Reforma, deixará o país menos “blindado”, e mais susceptível, aos fluxos de curto-prazo.

Em suma, ainda vejo valor na parte intermediária das curvas de juros (nominal e real). Vejo valor e uma posição técnica favorável no mercado de renda variável. Continuo vendo o BRL em um range entre 3,10-3,35, mas dos ativos locais é o que eu menos tenho convicção, preferindo adotar postura tática ou utiliza-lo como hedge.

Alguns comentários finais. O cenário para fluxo continua construtivo em dezembro. Teremos a emissão da BR Distribuidora na semana que vem (IPO), que pode estar trazendo algum “overhand” ao mercado de renda variável local. As emissões de dívidas corporativas continuam com demanda alta, saindo a taxas fechadas, como foi o caso do papel de BTG Pactual ontem. Em suma, a despeito da dinâmica ruim dos ativos locais, o mercado permanece bastante saudável. 




Data: 08/12/2017

Notícias mais positivas no Brasil, dados construtivos na China e agenda carregada hoje.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, a espera dos dados de emprego nos EUA. Ontem, a notícia de evolução nas negociações do Brexit, o avanço para evitar um “shutdown” nos EUA, além de rumores de que Trump poderiam anunciar um pacote agressivo e detalhado de investimentos já no inicio de 2018 ajudaram a dar suporte aos ativos norte americanos no final da tarde.

No Brasil, os ativos locais continuam mostrando elevada volatilidade e sensibilidade em relação a Reforma da Previdência. A quarta-feira foi de fluxo de notícias mais negativo, o que acabou castigando os ativos do país. Hoje pela manhã, os jornais indicam que a votação está acordada para o dia 18 deste mês e que o governo já teria contabilizado cerca de 396 votos a favor da Reforma. Na agenda do dia, teremos o IPCA como destaque.

Na China, os dados de importação e exportação de novembro apresentaram forte recuperação, mostrando algum “payback” de questões pontuais do mês anterior, mas também apontando para um cenário de relativa estabilidade da economia do país, ou seja, um pano de fundo ainda construtivo. Segundo o Citibank: China’s export growth bounced back strongly – In dollar terms, export growth unexpectedly surged from 6.9%YoY in Oct to 12.3%YoY in Nov, much higher than market’s expectations (Citi: 4.9%YoY, Consensus: 5.3%YoY). Import growth also improved by 0.5 ppt to 17.7%YoY. Overall, the monthly trade balance widened from USD 38.2 bn in Oct to USD 40.21 bn.