Data: 17/08/2018

Still a rocky path...

A despeito da aparente tranquilidade das bolsas na Europa e nos EUA essa manhã, e um mercado de commodities mais estável, estamos observando mais uma rodada de pressão nos ativos emergentes, em especial nas moedas, novamente liderados pela Turquia. Na China, a noite foi de CNY estável, mas de no queda (entre 1% e 2%) dos índices de bolsa. De maneira geral, ainda não vi os problemas em ambos os países serem endereçados de maneira estrutural.

Na Turquia, em conference call com investidores na manhã de ontem, o Ministro das Finanças fez um discurso relativamente ortodoxo, afirmando que não irão implementar controle de capitais e adotarão as medidas necessárias para estabilizar a economia. Contudo, colocou grande parte do peso do que está acontecendo no país no ambiente internacional, não deu indicações de que pretende elevar as taxas de juros ou pedir ajuda financeira ao FMI, o que ainda dá alguma sensação de que estão em “negação” em relação a real situação da economia. Indicou que pretendem manter uma política fiscal apertada, o que pode ser visto como positivo. Todavia, o país apresenta menos de 30% de dívida\PIB. O problema do país não é fiscal, mas sim seu balanço de pagamentos e sua inflação de curto-prazo. O fiscal ajuda a inflação estruturalmente, mas o monetário é necessário para ajudar a inflação e a moeda no curto-prazo. Enfim, ainda parece que a situação poderá piorar antes de que medidas concretas na direção correta sejam tomadas.

No Brasil a notícia (rumor) de que Alckmin poderia ser denunciado pelo MP ainda antes do primeiro turno levou a uma forte deterioração dos ativos locais no início da tarde. A dinâmica do mercado me leva a crer que os investidores ainda colocam um peso razoável no crescimento de Alckmin uma vez iniciada a corrida eleitoral. Assim, uma decepção nesta frente, poderia levar a uma forte deterioração dos preços dos ativos locais. Continuo vendo a corrida eleitoral como extremamente competitiva, com cerca de 4 candidatos podendo chegar ao segundo turno. Combinações extremamente negativas poderiam ocorrer, a luz da opinião do mercado em relação aos candidatos, ou combinações menos prejudiciais aos preços. A volatilidade deverá permanecer.

Em relação a China, de acordo com o estrategista do Morgan Stanley que copio abaixo, o país adotou estratégia diferente, drenando liquidez offshore para conter a depreciação da moeda. Se, por um lado, isso ajuda a estabilizar o CNY, por outro lado acaba colocando mais um importante banco central do mundo na direção do aperto de liquidez, o que tem sido o principal problema para os ativos de risco ao longo deste ano:

China tightens offshore liquidity… According to Reuters, the Shanghai branch of the PBOC has banned banks in the Shanghai Free Trade Zone from depositing or lending yuan offshore through interbank accounts. China draining offshore liquidity, pushing 1y CNH forward points above 600bp has helped stabilise RMB markets by reducing speculative flows. The difference between onshore CNY and offshore CNH 3m fixings jumped 80bp overnight to 106bp, but remains low when compared to levels reached during the height of RMB depreciation pressure in late 2015 (over 700bp). Remember, the PBOC’s policy on the RMB, concretely its USDCNY fixing relative to model expectations alongside interbank liquidity conditions, is part of our four-factor USD scorecard, which suggests the DXY will correct lower by 2% on a 3m change basis. However, China pushing the CNY-CNH forward spreads wider (see first Exhibit) does not only stabilise the RMB on FX markets, it also suggests that China has changed its strategy. Draining offshore liquidity comes at a price, namely increasing RMB hedging costs for potential offshore investors into RMB-denominated assets via the Connect programmes

....not boding well for offshore investors… Earlier this year, it appeared China was targeting capital inflows to ease domestic financial conditions which came under strain due to its balance sheet de-risking strategies. Inflows via the Hong Kong- Shanghai Stock and Bond Connect programmes picked up over the course of the past year and were still positive in July despite the intense RMB sell-off in that month. However, with offshore liquidity tightness pushing RMB interest rates higher, potential offshore investors into China’s equity and bond markets may be discouraged as they find it difficult to predict future hedging costs.

...indicating a changing strategy. Instead of attracting inflows, China’s adjusted strategy may focus on preventing outflows. This finding is also supported by our work on China’s balance of payments, finding that the large share of the ‘errors & omissions’ and ‘other investments’ components relative to the reduced size of the total balance may be an indication that the capital account has been less effectively sealed to prevent outflows than previously thought. In respect of its capital account, China seems to have moved from encouraging inflows towards discouraging outflows. As such, China has become more defensive, which may explain its weak equity performance and the commodity bear market. Yesterday, the State Council said China will substantially support private capital investments to stabilise investment and boost the vitality of China's economy. The continued weak performance of the CSI 300 and CRB Rind indices suggests that the market has doubts on the success of its policy approach.

Debt vs cash flow. Debt is a problem when it does not find adequate cash flows to back it up. Creating debt to fund productivity-enhancing and hence cash flow-generating investments is not only unproblematic; it is desirable. However, the last decade has seen QE-inspired debt creation not inspiring investment and hence keeping productivity gains near historic lows. Corporates have repaid equity, handing capital back to investors thus pushing asset prices and consumer-led demand up. Keeping debt sustainable when rates rise is the challenge, and can only work with the help of productivity which boosts cash flows. Starting in February, markets concluded that EM would be in a difficult position as its cash position was regarded as too weak. EM assets started weakening in a domino-like manner, starting with Argentina. Since debt is a global issue, we wonder if the problem of the debt/cash flow mismatch goes beyond EM. If the answer is yes, what FX conclusion is there to be drawn?

US volatility is too low. The second Exhibit shows how the S&P 500 has diverged from the MSCI EM index. Indeed, the spread has reached a multi-year extreme. Obviously, the consensus concludes that the US could generate the cash flow required to service debt in the long term. Hence, the market seems to assume US productivity will pick up beyond a cyclical rebound, coming along with an output gap-closed economy. Even investors who are optimistic on the long-term US growth and productivity prospects may have to agree that the relative US stock market outperformance looks stretched. The same could be said for FX. The DXY looks stretched and is likely to correct lower from here.




Data: 16/08/2018

Relief Rally!

Os ativos de risco estão apresentando recuperação, após a mídia internacional reportar que os EUA e a China irão retomar negociações, ainda em níveis hierárquicos baixos, para uma melhor relação comercial entre ambos os países.

Vejo este anuncio como um passo importante na direção de endereçar um problema de curto-prazo e ajudar um mercado que talvez tenha ficado excessivamente negativo em termo técnicos e de preços.

Contudo, não vejo este como sendo o principal vetor de deterioração do mercado ao longo dos últimos meses. Continuo acreditando que a redução global de liquidez está sendo, e será, o principal vetor, ou tema de investimento, nos próximos meses. Como não vejo o Fed alterando seu processo de normalização monetária, vejo as recuperações dos ativos de risco, como as de hoje, como “relief rallies”, ou seja, pontuais, localizadas, curtas e pouco potentes. Neste ambiente, a volatilidade deverá permanecer mais elevada do que no passado recente.

Não há novidades no Brasil. O PT, como era amplamente esperado, registrou a candidatura de Lula. Os jornais estão dando destaque a isso essa manhã. É totalmente esperado que sua candidatura seja impugnada, mais cedo ou mais tarde, pelo TSE. Uma batalha judicial ainda deverá ser travada, trazendo mídia e atenção ao ex-presidente, mas expectativas que consiga estar na corrida presidencial são bastante baixas.

Hoje teremos um conference call com o Ministro das Finanças da Turquia, as 10h00 horário do Brasil, organizada por 3 bancos internacionais. Além disso, teremos jobless claims nos EUA.

Na noite de ontem comentei mais a fundo sobre alguns temas e sobre estratégias de investimento: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/sem-novidades-relevantes.html.




Data: 16/08/2018

Sem novidades relevantes.

Vou tentar não soar como uma vitrola quebrada e fazer uma análise rápida dos principais eventos e seus desdobramentos no dia de hoje:

China – Não houve novidades nessa frente, exceto pela dinâmica terrível do CNY, Bolsas Locais e das commodities em geral (metálicas e petróleo). Comentei mais a fundo sobre o tema nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/turquia-e-china-sintomas-de-uma-mesma.html).

Uma estabilização do humor em relação ao país só será possível com dados mais claros de estabilização da economia. Crescem as dúvidas em relação a capacidade do policy maker em estabilizar a economia em meio a um cenário externo mais desafiador e um ambiente interno de maior alavancagem.

Turquia – As recentes medidas anunciadas pelo país tornaram mais caras, ou talvez até inviáveis, as apostas contra a moeda (TRY). Isso explica a forte apreciação nos últimos dias. Contudo, não houve nenhum avanço na direção de endereçar de fato os problemas estruturais da economia. O anuncio de US$15bi de investimentos do Catar é um passo positivo, mas muito tímido diante das necessidades de financiamento do país.

Com a inviabilidade de promover posições vendidas na moeda, a estruturação de hedges torna-se mais caras ou quase impossíveis. Assim, existe um cenária da busca por hedges em outras moedas emergentes ou outros ativos/instrumentos.

Em suma, acredito que a moeda (TRY) deixou de ser um bom termômetro da situação local. Ainda não vi avanços concretos na direção de ajustes que estabilizem o país de maneira mais definitiva.

Brasil – As pesquisas divulgadas hoje, assim como as demais pesquisas recentes, mostraram um quadro de indefinição política. Nada mudou nessa frente. Não tenho nenhuma convicção de quem ganhará as eleições.

Confesso que fiquei bastante impressionado com o bom desempenho recente do mercado de juros local. Hoje, em especial, o pagamento de cupom das NTN-Bs pode estar ajudando, mas continuo vendo o mercado com pouco prêmio no geral. Continuo vendo bastante assimetria na compra das inflações implícitas.

EUA – Os dados divulgados hoje (retail sales, industrial production, e etc) mostraram uma economia saudável e robusto. Como ainda não vimos um aperto substancial das condições financeiras, a despeito da crise nos países emergentes, o Fed me parece de mão atadas, ou seja, deverá manter o seu “plano de voo” de normalização monetária.

Posições – Reduzimos um pouco nossas alocações negativas após o movimento recente. Seguimos comprados em inflação implícita no Brasil e operando taticamente no dólar e nos juros. Continuamos tomados em juros nos EUA, na parte intermediária da curva, porém com estruturas de opção compradas em volatilidade e vendidas em bolsas dos EUA.

Continuaremos com postura mais tática do que o habitual devido ao ambiente que se coloca a nossa frente.




Data: 15/08/2018

Sem avanços positivos. Viés continua negativo e preocupante.

Os ativos de risco tiveram uma noite de dinâmica negativa, liderados por mais uma deterioração no sentimento em relação a China. Os índices de bolsa do país caíram, na média, mais de 2%, com nova depreciação cambial. As commodities metálicas não preciosas operam sobre forte pressão como o  Cobre, por exemplo, recuando 2% neste momento. OS demais ativos mais dependentes da demanda do país continuam com price-action preocupante. Comentei um pouco mais sobre o cenário da China na noite de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/turquia-e-china-sintomas-de-uma-mesma.html).

Na Turquia, após a moeda depreciar quase 5%, o governo limitou a capacidade dos bancos de apostar contra a Lira (TRY), o que acabou levando a uma forte reação positiva da moeda, que aprecia em torno de 3% neste momento. Além disso, o governo anunciou aumento de tarifas de bens americanos.

Continuo acreditando que as medidas adotadas até agora são apenas paliativas, capazes de reduzir a velocidade de deterioração da depreciação cambial, mas incapazes de alterar definitivamente o quadro econômico e financeiro do país. A situação me lembra bastante o roteiro seguido pela Grécia na crise de 2011-2012. O país, antes de anunciar medidas de ajuste fiscal, monetário e creditício, além de negociar um pacote de ajuda junto ao FMI, tentou de todas as maneiras restringir as “vendas a descoberto” (short sell) na bolsa, nos bonds (CDS) e afins. Após uma situação calamitosa, foi obrigada a tomar a nem sempre fácil decisão de um ajuste econômico, que necessariamente implica em grande pressão negativa em termos de crescimento, com consequências políticas óbvias.

Continuo vendo a situação corrente como extremamente frágil e preocupante, mantendo um viés negativo no curto-prazo. Vejo o Brasil inserido neste contexto, sem grandes novidades locais relevantes. As pesquisas eleitorais serão importantes e terão efeitos no preço, mas o ambiente externo parece que irá dominar no curto-prazo.

Na agenda do dia, teremos uma rodada importante de dados nos EUA, com vendas no varejo, Unit Labor Cost e produção industrial. Vejo a economia americana relativamente robusta e ainda imune ao ambiente global, o que deverá manter o Fed em sua trajetória de normalização monetária, o que não deixa de ser o principal vetor causador de todos esses obstáculos de curto-prazo a economia e aos mercados financeiros globais.




Data: 15/08/2018

Turquia e China: Sintomas de uma mesma "doença".

A terça-feira foi de forte recuperação, na média, dos ativos de risco, capitaneados por uma recuperação dos ativos na Turquia. A despeito da melhora nos mercados emergentes, os ativos mais dependentes da demanda da China apresentaram pressão negativa, após mais uma rodada de dados fracos de crescimento. Os ativos no Brasil basicamente seguiram o humor global a risco, ou seja, apresentaram forte recuperação. Acredito que o cenário externo explica integralmente este movimento.

Os mercados financeiros globais parecem migrar de um problema (Turquia) para outro (China), sem que o problema anterior seja definitivamente endereçado. Porém, ainda não há sinais claros de contágio, com alguns ativos de risco em níveis historicamente elevados (bolsas americanas, por exemplo).

Continuo acreditando que os obstáculos recentes enfrentados por alguns países são meramente sintomas da redução de liquidez global que vem sendo efetuada pelo Fed, e que deverá ser seguida por outros importantes bancos centrais ao redor do mundo. Não vejo, em especial o Fed, alterando essa dinâmica. Assim, acredito que será desafiador para os ativos de risco apresentarem apreciações adicionais de preços ao longo dos próximos meses, exceto por momentos pontuais de aparente calmaria, com uma probabilidade alta de um cenário de maior volatilidade e de maior pressão nos preços e valuations dos ativos de risco.

Eu vejo o movimento de hoje apenas como uma acomodação, que costuma ser natural, em momentos de maior incerteza, em que o cenário (negativo) ainda não está muito claro ou definido.

Não vejo as medidas anunciadas pela Turquia até o momento como suficientes para estabilizar a situação do país de maneira definitiva. Ainda espero incerteza vindas nesta frente, apesar de entender que os canais de contágio não são muito claros e/ou tão grandes assim.

Pela primeira vez em algum tempo a situação econômica e financeira da China aparenta ser um pouco mais grave do que as situações anteriores. Além de um ambiente externo mais hostil, de menor liquidez global e “guerra comercial”, o país precisa lidar com um menor espaço para afrouxamento monetário, fiscal e creditício, em uma economia claramente alavancada. Este pano de fundo, por ora, está impedindo que as medidas recém implementadas sejam capazes de conter os movimentos de depreciação dos ativos locais, como ocorria de maneira recorrente em situações passadas. Este cenário, assim, merece atenção especial e pode ser o principal tema dos mercados nos próximos dias/semanas.

Este ambiente tem levado a uma queda acentuada de algumas commodities metálicas, como é o caso do Cobre. Contudo, o movimento, até o momento, se mostra bastante localizado e sem sinais mais claros de contágio. As volatilidades implícitas no mercado de opções (FX e Equities) seguem historicamente baixas e outros mercados ao redor do mundo não mostram qualquer sinal de problemas.

Continuo com uma visão mais cautelosa com o cenário externo, pelos motivos que vêm sendo amplamente citados neste fórum nos últimos meses (normalização monetária, China, “guerra comercial”, preços/valuations, posição técnica e afins). No Brasil, não tenho nenhuma convicção em relação ao resultado das eleições. Acredito que a corrida eleitoral será apertada e permeada de incerteza e volatilidade para os mercados financeiros locais. Os portfólios, assim, segue mais táticos do que alocativo, mais líquido e simples, com a administração mais ativa do que a média do tamanho e dos instrumentos das alocações.




Data: 14/08/2018

Rebound in Turkey, but China fear growing

Os ativos de risco estão apresentando uma recuperação essa manhã, liderados por uma apreciação de mais de 4% na Lira Turca (TRY). Não há mudanças substancias de cenário na Turquia.

Assim, mantenho um viés negativo e posições que expressam essa visão.

O governo não propôs ou implementou nenhuma medida capaz de reverter, de maneira definitiva, a dinâmica negativa dos ativos financeiros do país. Muito pelo contrário, o governo continua com discurso agressivo e combativo contrário ao imperialismo dos EUA do Ocidente em geral. Enquanto medidas agressivas e ortodoxas não forem implementadas (aperto fiscal e monetário, ajuda do FMI e afins) acredito que as acomodações serão pontuais e esporádicas, de certa forma naturais e esperadas, em um quadro de incerteza e elevada volatilidade.

Na China, os sinais de fragilidade se acumulam, com os dados de atividade econômica de julho abaixo do esperado, mostrando um crescimento baixo. Não a toa, as commodities metálicas não preciosas e os demais ativos mais dependentes do crescimento chinês (como o AUD) continuam a operar sob pressão negativa essa manhã, mesmo com o espasmo de recuperação na Turquia.

Nos últimos meses a China adoto uma série de medidas de afrouxamento monetário, fiscal e creditício, com o intuito de administrar de maneira mais suave a desaceleração do país. Por ora, ao contrário dos outros anos, este plano ainda não se mostrou bem-sucedido e a economia continua mostrando sinais claros de desaceleração. Com a alavancagem já bastante elevada, o nível de estimulo necessário para criar um delta de crescimento maior é cada vez mais acentuado, tornando o poder do policy maker cada vez menor. Além disso, o ambiente internacional de enxugamento de liquidez torna o pano de fundo mais desafiador para a China.

Segundo o Morgan Stanley: On a monthly basis, fixed asset investment (FAI) growth dipped from 5.7% YoY in June to 3.1% in July (the slowest pace since Dec-2002), as a sharp slowdown in infrastructure investment (-5.4% YoY in July vs. -0.9% in June) outweighed a growth uptick in property investment, likely reflecting the lagged effect of aggressive tightening on local government financing vehicles and fiscal consolidation in H1. Retail sales growth also cooled to 8.8% YoY (vs. 9.0% in June) on a slowdown in car and home appliance sales, and industrial production (IP) growth stayed unchanged at 6.0% YoY, as weaker car production offset stronger production growth in other mid- to downstream sectors. Growth of our MS-CHEX index picked up slightly to 4.6% in July (vs. 4.3% in June), largely driven by stronger foreign trade activity. Admittedly, the recent strength of exports and imports is unlikely to be sustained in Q4 after the implementation of tariff hikes.

De acordo com a Bloomberg: A rally in bonds from China’s local government finance vehicles, sparked by the recent easing measures, may be at risk of losing momentum after a surprise bond default by a state-owned firm on Monday. Xinjiang Production Construction 6th Shi State-owned Assets Management, a cotton trader owned by the local government, missed interest and principal on a 500 million yuan ($72.6 million) note on Monday. The company has features similar to an
LGFV, which raises funds for local authorities and carries out infrastructure investments, according to analysts. The default has dampened investors’ belief that the Chinese government would bail out such funding platforms, according to SWS Research Co. China last month introduced a package of fiscal policies aimed at supporting the economy, while a State Council meeting also urged financial institutions to ensure reasonable borrowing demand from LGFVs. Those steps buoyed risk appetite for corporate bonds, so the timing of the missed payments from Xinjiang Production is a surprise, according to a report from TF Securities Co.

Na Alemanha, o ZEW apresentou estabilização com o PIB do 2Q apontando para um crescimento de 0,6%. Os números são certamente mais positivos, mas apenas uma fotografia do passado diante das incertezas recentes emanando da Turquia e do cenário internacional.

Não há novidades relevantes no Brasil, com o foco nas pesquisas eleitorais e no contexto internacional.




Data: 14/08/2018

Cenário segue desafiador. 

Não houve mudanças significativas no cenário externo ao longo do dia, já comentando (aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/keep-your-seatbealt-fastened.html) desde a semana passada.

Continuo vendo a situação da Turquia de maneira extremamente frágil. Só vejo medidas agressivas e ortodoxas como capazes de reverter de maneira definitiva a situação do país. Qualquer outra medida, como as anunciadas hoje, será vistas apenas como paliativas, capazes apenas de promover acomodações pontuais no mercado.

Isto tudo ocorre em um pano de fundo em que o Fed, nos EUA, deverá manter seu “plano de voo” de normalização monetária, dado que a situação nos países emergentes, por ora, deverá afetar pouco o cenário interno, com mercado de trabalho robusto, pleno emprego, hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias. Ou seja, desta vez, a “fed put” está muito mais “fora do dinheiro” do que no passado recente.

No Brasil, a tarde foi de recuperação dos ativos locais. Vejo duas explicações possíveis. Primeiro, a expectativa de alguma intervenção do Tesouro ou do BCB nos mercados de câmbio e dívida pública, após declarações para acalmar o mercado. Segundo, algum possível rumor de pesquisa eleitoral.

Continuo vendo um cenário interno de enorme incerteza eleitoral, cujo o quadro pouco se alterou nos últimos meses.

Dito isso, mantenho uma postura tática e defensiva. No Brasil, a única posição estrutural segue sendo a compra de inflação implícita, cuja assimetria me parece muito atraente (não veja a inflação muito abaixo de 4% em cenários positivos e muito acima de 4,5%-5% em cenários alternativos). Sigo com viés tático no dólar e sem muita atuação no mercado de renda variável.

No cenário externo, reduzimos taticamente algumas apostas negativas, após o VIX testar os 15%. Depois de uma forte alta do dólar, zeramos a posição short AUD taticamente, mas mantivemos posição tomada nos juros dos EUA, com hedges via estruturas de opção de índices de bolsas dos EUA (S&P, Nasdaq e compra de VIX).

Continuo esperando um ambiente de elevada volatilidade, que deve favorecer postura mais tática em detrimento a posições alocativas. No curto-prazo, sigo com viés mais negativo, até ter uma visibilidade melhor de uma eventual estabilização da situação na Turquia e nos demais países emergentes.




Data: 13/08/2018

Keep your seatbealt fastened...

Os ativos de risco estão abrindo sobre pressão, com a situação na Turquia longe de uma solução definitiva. No final de semana, os governantes turcos mantiveram uma postura e um tom de desafio em relação aos EUA e aos mercados financeiros globais, mostrando que existe, neste momento, pouca disposição em adotar medidas agressivas e ortodoxas capazes de estabilizar a economia e reverter a dinâmica recente.

Não há novidades relevantes no Brasil. O foco do mercado deverá ficar por conta da situação na Turquia e seus desdobramentos.

Hoje pela manhã, a autoridade monetária divulgou algumas medidas de suporte ao setor bancário. Na minha opinião, são medidas positivas, mas pequenas e pouco poderosas para reverter o quadro econômico e financeiro do país.

Na minha visão, apenas um pacote de medidas ortodoxas, como ajuste fiscal, aperto monetário, ajuda financeiras do FMI, entre outros, serão capazes de estabilizar e, eventualmente, reverter essa dinâmica negativa. Quanto mais tempo demorar para essas medidas serem tomadas, mais poderosas e extremas deverão ser as medidas anunciadas.

O caso recente da Argentina é um bom exemplo disso. Mesmo com taxas de juros acima de 40% e um elevado pacote do FMI, o país ainda está administrando uma depreciação cambial e uma depreciação de seus ativos, em meio um cenário de aperto das condições financeiras globais.

Diante da postura dos governantes turcos, ainda não me parece haver disposição para atuar nessa direção descrita acima. Assim a situação pode ter que ficar pior antes de melhorar.

Segundo a mídia, as medidas anunciadas pelo BC turco são:

Entre as ações, o BC turco citou a elevação dos limites de depósito de garantia das operações com liras dos bancos de 7,2 bilhões de euros para 20 bilhões de euros.

A autoridade também reduziu os índices de exigência de reserva de lira em 250 pontos base para todas as faixas de vencimento e disse que os leilões tradicionais de recompra ou de venda de depósito podem ser mantidos com vencimentos máximos de 91 dias, se necessário.

Além disso, o BC turco afirmou que, em dias com maior necessidade financiamento, mais de um leilão de recompra pode ser realizado, com vencimentos entre 6 e 10 dias. Também será possível que os bancos façam empréstimos em moeda estrangeira no vencimento de um mês, além do tradicional prazo de uma semana.




Data: 13/08/2018

 All bets are off...

Sem a menor dúvida o destaque do dia ficou por conta da forte depreciação da Lira (TRY) na Turquia, que neste momento cai cerca de 16,5% contra o dólar, e acabou gerando um movimento clássico e global de “risk-off”. Hoje pela manhã já escrevi um pouco sobre este tema (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/contagio.html).

O que podemos esperar daqui para a frente?

Peguemos o caso mais recente dos eventos na Argentina. O país passou por situação econômica e financeira de fragilidade parecida com a da Turquia. A diferença, neste caso, é que o Governo Argentino adotou postura liberal, pragmática e ortodoxa, como já vinha sendo o caso. No final das contas, acabaram pedindo ajuda financeira ao FMI.

Na Turquia, o governo apresenta propostas mais heterodoxas e afirma não ter a intenção de se curvar a pedidos de ajuda financeira. Além disso, o país ainda precisa lidar com uma “guerra comercial” e sanções por parte dos EUA, o que deixa sua situação muito mais delicada e de solução mais prolongada.

Assim, acredito que a situação não irá se estabilizar por si só. A Argentina, mesmo após todas as medidas adotadas e a ajuda do FMI, ainda está convivendo com depreciação cambial e de seus ativos financeiros. A Turquia terá que se esforçar para conseguir estabilizar sua situação no futuro não muito distante. Talvez a situação ainda precise piorar antes de melhorar.

A exposição dos bancos europeus à Turquia parece ser da ordem de US$110bi. Precisamos entender a fundo os efeitos secundários desses movimentos recentes e do potencial de contágio ainda maior a outros países e mercados.

Tudo isso acontece em um contexto de redução da liquidez global. O Core CPI de julho, divulgado nos EUA hoje, mostrou uma alta de 0,243% MoM e 2,4% YoY, reforçando o cenário de alta gradual da inflação. Diferente do passado recente, não parece haver espaço, pelo menos ainda, para o Fed alterar a sua postura, ou seja, sair do seu processo de normalização monetária, para tentar estabilizar uma situação global exógena a sua economia.

Neste contexto, podemos esperar a continuidade de um cenário de incerta e volatilidade, com eventuais “flash crash” ocorrendo de maneira mais corriqueira do que no passado recente. Apenas esse ano, já vimos situação semelhantes na Argentina, Turquia, Itália, China, Cobre, Facebook, Netflix...apenas para citar alguns exemplo.

O Brasil está inserido neste contexto global e não está imune a todo este ambiente. Para piorar, estamos entrando em um ponto crítico das eleições sem que haja um cenário claro delineado para a política interna. Uma pesquisa semanal divulgada hoje pela XP Investimentos mostrou que Bolsonaro continua consolidado na ausência de Lula, que Haddad, com eventual apoio de Lula, é extremamente competitivo, e que Alckmin, mesmo após as alianças recentes e a mídia que teve, aparece sem conseguir conquistar intensões de votos relevantes ou decisivos.

Continuo com uma visão externa cautelosa e com posições que expressão esta visão, a despeito da relativa (ou aparente) estabilidade que alguns mercados podem ter aparentado ao longo de julho e deste começo de agosto.




Data: 10/08/2018

Contágio.

Os ativos de risco estão abrindo a sexta-feira sobre forte pressão, com um movimento clássico de risk-off. Bolsas e commodities em queda, dólar forte no mundo e depreciação dos ativos emergentes.

O trigger para o movimento de hoje parece estar sendo a rápida e acentuada depreciação (adicional) da Lira (TRY) na Turquia. A moeda hoje cai, neste momento, cerca de 7% contra o dólar.

Contudo, sinais de problemas idiossincráticos em vários países e classes de ativos já vinham sendo percebidos (e comentados neste fórum) há algumas semanas. Apenas para citar alguns: forte depreciação da moeda da China e queda de sua bolsa, problemas na Itália, a própria Turquia, acentuada depreciação do Cobre e etc.

Estes vetores estavam sendo vistos como pontuais e localizados, mas passaram a gerar um contágio maior esta manhã.

O pano de fundo para este ambiente, na minha opinião, é a redução da liquidez global através do processo de normalização monetária das economias desenvolvidas, um processo que deverá perdurar ainda por algum tempo, caso meu cenário base esteja correto.

Assim, continuo vendo um ambiente externo mais desafiador no horizonte relevante de tempo, com os ativos de risco mantendo um perfil de "stop-and-go", ou seja, momentos de aparente tranquilidade sendo seguidos por janelas de incerteza, volatilidade e pressão negativa nos ativos de risco em geral.

Em relação a Turquia, alguma medida mais concreta deverá ser tomada, assim como foi feito na Argentina, que recorreu ao FMI, para estabilizar sua situação econômica e financeira.

A diferença, neste caso, é que ao contrário da Argentina, que tem um governo mais liberal e pragmático, o governo turco é um pouco mais heterodoxo. Além disso, a economia turca é um pouco mais relevante para o mundo emergente e sua presença é mais perceptível nas carteiras de investimentos globais. a exposição dos bancos europeus ao país também aparenta ser mais relevante em termos nominais (fala-se em algo em torno de US$100bi).

A agenda do dia nos reserva a divulgação do Core CPI nos EUA.

No Brasil, o destaque ficou por conta do primeiro debate eleitoral. Não tive a oportunidade de ver o debate em sua integra devido a conflito de agenda, mas o pouco que consegui ver apenas reforça o cenário base de incerteza dessas eleições.   




Data: 09/08/2018

Pesquisa eleitoral mostra cenário de incerteza.

A noite foi de estabilização dos mercados na China, com o CNY operando sem grandes movimentações, porém com forte alta das bolsas. Na Turquia, contudo, o TRY voltou a mostrar acentuada (2,5%) depreciação esta manhã, atingindo, novamente, seu ponto mais baixo (ou depreciado) da história. Os mercados financeiros globais continuam olhando este tipo de dinâmica como pontual e localizada, sem sinais claros de contágio para o resto do mundo.

Na agenda do dia, o destaque ficará por conta do PPI nos EUA, que será uma prévia menos importante do que o Core CPI esperado para amanhã. Este sim, com capacidade de determinar a dinâmica dos ativos de risco nos próximos dias ou semanas, quiçá meses.

No Brasil, os ativos locais apresentaram ontem mais um dia de desempenho relativo pior do que os seus pares. Desta vez, uma pesquisa eleitoral para presidente, em São Paulo, realizada pela CNT\MDA pode ser vista como responsável pelo movimento.

De acordo com a pesquisa, Lula continua liderando a corrida eleitoral quando seu nome é colocado na base. Sem Lula, Bolsonaro lidera com cerca de 4pp percentuais a frente de Alckmin. Alckmin é seguido de Haddad e Ciro, cerca de 4pp atrás. Importante ressaltar que Haddad aparece com cerca de 8pp e Manuela D`Avila com cerca de 1,7pp. Se somados os dois, cuja coligação foi anunciada há alguns poucos dias, ambos somam cerca de 10pp, ficando em terceiro colocado, apenas levemente atrás de Alckmin. Isso sem contar que não houve uma campanha de Lula em favor desta “nova” chapa, com potencial relevante de boa transferência adicional de intenções de voto.

Por ser o maior colégio eleitoral do país e o berço do PSDB há anos, uma vitória de Alckmin em São Paulo é indispensável para leva-lo ao segundo turno. Por ora, seu desempenho nas pesquisas no Estado ainda não mostra um quadro favorável para o seu desempenho.

A pesquisa confirma um cenário eleitoral de incerteza e inalterado, sem mudanças relevantes, que já prevalece há meses, mesmo com tudo que já foi promovido na mídia, em favor e contra vários dos candidatos.

Entendo que a campanha eleitoral ainda não começou. Que as coligações são recentes e que o programa eleitoral e a campanha em si podem fazer uma diferença grande de agora em diante. Contudo, por ora, a fotografia da situação ainda não é animadora para um mercado local que sonha com um candidato mais ao centro, liberal e reformista. Isso explica os recentes movimentos dos ativos locais.




Data: 08/08/2018

Problemas idiossincráticos.

Os ativos de risco estão abrindo próximos a estabilidade. Na China, a noite foi de nova depreciação da moeda e queda das bolsas. Na Turquia, o TRY deprecia cerca de 1,5% neste momento. Ou seja, os problemas idiossincráticos continuam presentes, sem sinais de que foram definitivamente debelados, mas também, por ora, sem gerar contágio ao resto do mundo.

O fluxo de no´tícias para o Brasil foi esvaziado. Ontem comentei um pouco sobre o cenário local: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/brasil-dinamica-mostra-um-mercado-sem.html.

Na agenda do dia, destaque para o IPCA no Brasil. Nos EUA, destaque para um leilão de títulos do Tesouro dos EUA. 




Data: 08/08/2018

Brasil: A dinâmica mostra um mercado sem prêmios.

A terça-feira foi de poucas novidades relevantes no cenário externo. Dois vetores precisam ser acompanhando nessa etapa final da semana. Primeiro, o quão sustentável será a estabilização dos mercados na China. Segundo, os indicadores de inflação nos EUA, com o Core CPI sendo o destaque na sexta-feira.

O destaque do dia, assim, ficou por conta da dinâmica dos mercados no Brasil. Eu diria que o dia de hoje marcou definitivamente o período eleitoral, onde a sensibilidade dos ativos locais ficará maior e mais elasticidade a qualquer notícia (ou rumor) nesta frente. É verdade que o anúncio do apoio do Centrão a Alckmin ajudou os ativos locais, porém em meio a um contexto externo favorável que tornou difícil diferenciar o quanto da recuperação dos ativos brasileiros foi fruto de questões locais e o quanto da situação externa.

Hoje, os mercados locais abriram otimistas, seguindo o humor global e na ausência de notícias locais relevantes. No início da tarde, contudo, começaram a apresentar rápida e acentuada deterioração.

Especula-se que um rumor, de uma possível delação premiada, de um possível aliado de Alckmin viria a tona e colocaria o nome do candidato a presidente do PSDB nos holofotes de maneira negativa.

Não se sabe ao certo se este foi o real motivo da deterioração dos ativos locais. O que me chamou mais a atenção foi a magnitude e velocidade de deterioração em cima de um simples rumor, de uma suposição de algo bastante abstrato. A dinâmica do mercado mostrou, ou talvez tenha comprovado, como o mercado está sensível e, talvez, sem muito prêmio para eventuais "cenários de cauda".

O mercado de juros, com a parte intermediária e longa da curva abrindo mais de 20bps dos lows de taxa do dia, me pareceu o tecnicamente mais complicado e com pouquíssimo prêmio. A dinâmica diz muito deste mercado. A bolsa apresentou até comportamento positivo no relativo com as demais classes de ativos.

De maneira geral, continuo sem convicção em relação ao resultado final das eleições.

As Notas do Copom reforçaram o "plano de voo" do BCB de manter os juros estáveis no horizonte relevante de tempo, mas com flexibilidade de atuação em mudanças bruscas de cenário.  




Data: 07/08/2018

Risk-On. Sinais de estabilização na China.

Os ativos de risco estão abrindo a manhã em tom positivo. A noite foi de apreciação da moeda da China e forte alta das bolsas locais (entre 2% e 3%). Este é o primeiro dia de sinal um pouco mais concreto de estabilização da situação do país, mas ainda me parece cedo para afirmar que a situação esteja controlada por completo.

No Japão, os dados de salários apresentaram forte elevação em junho e a mídia está reportando que chegou-se a discutir uma alta de juros no país na última reunião do BoJ. Vejo estes indicadores e este tipo de rumor (ou ruído) na direção de reforçar o cenário de normalização monetária nas economias desenvolvidas e consequente redução do excesso de liquidez global ao longo do tempo.

Na Austrália, o RBA manteve sua política monetária estável, como era amplamente esperado, sem mudanças significativas em seu comunicado.

Neste momento, após depreciação de quase 6% ontem, estamos observando uma apreciação em torno de 1,5% da Lira Turca (TRY). A ausência de liquidez no mercado parece estar ajudando a exacerbar os movimentos na moeda, mas o pano de fundo mantém o cenário negativo de maneira convicta.

Não há novidades relevantes no Brasil que mereçam destaque especial.




Data: 06/08/2018

Problemas pontuais e localizados. Há risco de contágio da China.

Obs: Como o relatório mensal foi enviado no meio da semana passada, excepcionalmente hoje não teremos o envio do relatório semanal.

A semana trouxe poucas novidades relevantes para o cenário econômico, com uma agenda esvaziada, exceto pela queda do Factory Orders na Alemanha, já comentada pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/china-ainda-mostra-fragilidade.html).

Do ponto de vista da dinâmica dos mercados, contudo, tivemos alguns sinais relevantes, que comentaremos a seguir. Por ora, estou observando problemas pontuais e localizados (Turquia, China, Commodities Metálicas, Itália e etc), que estão sendo tratados pelo mercado como questões idiossincráticas.

Contudo, no que diz respeito a China, caso não haja uma reversão clara e definitiva dos movimentos recentes (queda das bolsas, depreciação do câmbio, desaceleração da economia, fechamento de taxas de juros e afins) acredito que haja espaço para algum tipo de contágio aos demais mercados financeiros globais.

Pela primeira vez em algum tempo a situação econômica e financeira da China aparenta ser um pouco mais grave do que as situações anteriores. Além de um ambiente externo mais hostil, de menor liquidez global e “guerra comercial”, o país precisa lidar com um menor espaço para afrouxamento monetário, fiscal e creditício, em uma economia claramente alavancada. Este pano de fundo, por ora, está impedindo que as medidas recém implementadas sejam capazes de conter os movimentos de depreciação dos ativos locais, como ocorria de maneira recorrente em situações passadas. Este cenário, assim, merece atenção especial e pode ser o principal tema dos mercados nos próximos dias/semanas.

Este ambiente tem levado a uma queda acentuada de algumas commodities metálicas, como é o caso do Cobre. Contudo, o movimento, por hora, se mostra bastante localizado e sem sinais mais claros de contário. As volatilidades implícitas no mercado de opções (FX e Equities) seguem historicamente baixas e outros mercados ao redor do mundo não mostram qualquer sinal de problemas.

Na Turquia, a moeda do país apresentou depreciação adicional de 4,5%, já de níveis historicamente depreciados. Além de uma situação econômica fragilizada, o país precisa lidar agora com a possibilidade de sanções por parte dos EUA.

Na Itália, os papeis soberanos do país continuam com dinâmica ruim e forçando o Tesouro a atuar visando reduzir a volatilidade dos mercados locais.

No campo positivo, os mercados norte americanos continuam mostrando estar saudáveis, com as bolsas próximas aos picos recentes. A temporada de resultados corporativos e a demanda por empresas do setor de tecnologia estão ajudando a dar suporte aos ativos locais.

No Brasil, o dia foi de leve realização de lucros nos mercados de câmbio e renda variável, sem notícias relevantes. O quadro eleitoral deverá tornar os ativos locais mais sensíveis e elásticos a qualquer notícia política, com o cenário externo como pano de fundo.

Continuo com uma visão mais cautelosa com o cenário externo, pelos motivos que vêm sendo amplamente citados neste fórum nos últimos meses (normalização monetária, China, “guerra comercial”, preços/valuations, posição técnica e afins). No Brasil, não tenho nenhuma convicção em relação ao resultado das eleições. Acredito que a corrida eleitoral será apertada e permeada de incerteza e volatilidade para os mercados financeiros locais.




Data: 06/08/2018

China ainda mostra fragilidade.

Os ativos de risco estão abrindo a semana com leve viés negativo. Destaque para a depreciação da moeda da China (0,2%-0,25% neste momento) e para a queda das bolsas locais (entre 1% e 2%). A medida de aumento de compulsório sobre operações de câmbio anunciadas na sexta-feira, até o momento, foi capaz apenas de suavizar o movimento, sem sinais concretos de mudança de tendência dos problemas no país.

Na Alemanha, o Factory Orders apresentou queda de 4% MoM, sinalizando para uma desaceleração do crescimento. A despeito de ser um dado bastante volátil e de difícil interpretação no mês-a-mês, a queda desta magnitude não deixa de transparecer alguma fraqueza, mesmo que de curto-prazo, do crescimento. Efeitos pontuais como a "guerra comercial" e a desaceleração da China e da Ásia podem estar começando a mostrar sinais mais claros de contágio econômico ao resto do mundo.

No Brasil, as convenções partidárias para as eleições presidenciais deste ano foram finalizadas no final de semana sem surpresas relevantes. Exceto pelo apoio do "Centrão" a Alckmin e pela neutralidade do PSB o âmbito federal, a campanha, até o momento, está em linha com o esperado e sem mudanças significativas há alguns meses.

Uma pesquisa Ibope em São Paulo divulgada na sexta-feira mostrou Alckmin a frente de Bolsonaro e dos demais candidatos em seu colégio eleitoral. Este cenário deveria ser esperado dado sua capilaridade e popularidade no maior centro populacional e eleitoral do país, mas não era isso que vina sendo mostrado em outras pesquisas. Assim, esta liderança deve ser vista como positiva pelos investidores, que veem no candidato do PSDB a maior esperança liberal, ao centro e reformista, em um pano de fundo de aumento de expectativas em sua candidatura.

Minha visão central continua inalterada. Para não soar repetitivo, pode ser vista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.




Data: 03/08/2018

Risk-On!

A sexta-feira foi de alívio para os ativos de risco, com os ativos no Brasil se destacando no movimento.

Primeiro, a China anunciou medidas visando encarecer as “apostas” contra a sua moeda, o que ajudou a estabilizar o CNY ao longo do dia. O aumento do compulsório para operar a moeda do país já foi utilizado no passado, sem muito sucesso em mudar a direção do movimento, porém capaz de suavizar a depreciação.

Segundo, os dados de emprego nos EUA mostraram, ou confirmaram, um mercado de trabalho bastante aquecido e no pleno emprego.

A reação dos mercados de dólar mais fraco no mundo e fechamento de taxas de juros me parece um movimento mais técnico do que fundamental. Os números recentes mostram uma economia saudável, talvez que já tenha feito seu pico de crescimento, mas sem sinais claros de desaceleração acentuada, em meio a um mercado de trabalho robusto e acumulo de pressões inflacionárias, mesmo que de maneira apenas gradual.

Não vejo mudanças substanciais neste ambiente, mas entendo que a ausência de pressões inflacionárias mais acentuadas, em meio a um crescimento sólido, ajuda a passar a impressão de um cenário tranquilo e de “Goldilocks”.

No Brasil, além desses vetores externos, as recentes articulações de Alckmin, candidato do PSDB a presidente, e considerado pelo mercado como o candidato mais preparado para tocar as reformas econômicas necessárias ao páis, levaram a um otimismo em relação a sua campanha.

Assim, o dia foi de forte queda do dólar, alta na bolsa (ajudada por um resultado corporativo positivo de Petrobrás) e flattening da curva de juros.

Entendo que, como já comentado neste fórum, o apoio do “Centrão” a Alckmim e, agora, a escolha de uma candidata a vice-presidente da região Sul, ligada ao agronegócio e engajada nas redes sociais, coloca o candidato do PSDB em posição vantajosa na corrida eleitoral, mas ainda não muda dramaticamente o cenário de enorme incerteza que cerca a disputa para presidente do país.

De maneira geral, não vejo alterações relevantes no cenário, a despeito de uma dinâmica de preços mais positiva nos últimos dias (em especial hoje). No Brasil, ainda pretendo manter baixa alocação a risco no geral devido as incertezas eleitorais, buscando posições que me parecem assimétricas (inflação implícita) e com postura tática no câmbio e na bolsa.

No cenário externo, continuo acreditando na alta de juros das taxas norte americanas. Gosto de manter hedges via compra de vol em índices de bolsa e pequena posição vendida em AUD via opções (compra de vol com perda limitada) como proxy para os problemas enfrentados pela China.




Data: 03/08/2018

China segue em foco.

Na quinta-feira a Apple foi a primeira empresa a atingir o valor de US$1 trilhão, o que acabou dando suporte as bolsas dos EUA.

Esta noite, contudo, observamos mais uma rodada de depreciação da moeda da China e queda das bolsas locais. OS sinais de fragilidade na China continuam evidentes, a despeito da ausência de qualquer contágio mais relevante, neste momento, ao resto do mundo. Vemos algum impacto negativo nos mercados asiáticos e emergentes, mas ainda de maneira apenas incipiente.

No Brasil, Geraldo Alckmin anunciou Ana Amélia como candidata a vice-presidente, enquanto Marina Silva anunciou Eduardo Jorge. Ana Amélia traz um nome feminino e é do colégio eleitoral do Sul, bastante importante nas eleições. Eduardo Jorge, contudo, é um nome de pouca expressão e de um partido com poder de aglutinação para Marina. Alckmin dá mais um firme passo em sua campanha eleitoral, que pode ajuda-lo a angariar votos à frente, mas ainda não muda de maneira determinante o quadro de incerteza eleitoral.

A agenda do dia terá os dados de emprego nos EUA como destaque. Caso se confirme um cenário de emprego robusto e acumulo de pressões inflacionárias, o cenário deverá se manter desafiador para os ativos de risco (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/sem-otimismo.html). 




Data: 02/08/2018

Risk-Off! China assusta e demanda cautela.

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira sob pressão, liderados por uma dinâmica bastante negativa nas bolsas da Ásia. Estas, por sua  vez, foram puxadas por mais um queda expressiva da bolsa da China.

Entendo que o anúncio, na tarde de ontem, por parte do Governo dos EUA, de que poderia elevar as tarifas de 10% para 25% da proposta de taxar adicionais US$200bi de importações da China possam ter ajudado o movimento, mas creio que este não é o único motivo para esta dinâmica de "risk-off" esta manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/08/sem-otimismo.html).

Os sinais de fragilidade e cautela emitidos pela China, tanto em termos econômicos, como em caráter financeiro vêm se acumulando há algumas semanas e continuam sem uma estabilização ou solução de curto-prazo. A China ainda se representa um dos principais, senão o principal, risco ao cenário econômico global e os sinais continuam preocupantes.

No Brasil, o Copom manteve a política monetária estável, com a Taxa Selic em 6,5%, como era amplamente esperado. Não houve mudanças significativas no comunicado e na mensagem central do BCB. O Banco pretende manter as taxas de juros estáveis no horizonte relevante de tempo, mas está ciente dos riscos, locais e externos, e não se furtará de alterar sua postura, ou seu "plano de voo", caso o cenário seja alterado por algum choque mais permanente ao cenário. 




Data: 01/08/2018

 Cenário sem alterações. Riscos continuam evidentes.

Os dados econômicos divulgados ontem nos EUA continuam mostrando uma economia com crescimento robusto (Chicago PMI, Consumer Confidence) e acumulo de pressões inflacionárias (Core PCE, Employment Cost Index), mas sem que haja uma aceleração mais rápida e acentuada da inflação, pelo menos neste momento.

Os números em nada alteram o pano de fundo para a continuidade do processo de normalização monetária de curto-prazo, que ainda vejo como uma restrição para a apreciação adicional dos ativos de risco ao longo deste ano.

No início da noite de ontem, a Bloomberg reportou que os EUA estariam pensando em elevar de 10% para 25% as tarifas sinalizadas para cerca de US$200bi em importações da China. De acordo com o WSJ, as negociações entre os dois países estariam mostrando poucos avanços.

O momento de crescimento robusto, exuberância do mercado financeiro e algumas "vitórias" nas negociações com Europa e NAFTA, devem dar ímpeto aos EUA em manter uma postura mais dura junto as negociações comerciais com a China. Não vejo o porque, do ponto de vista dos EUA (não que eu ache certo ou errado), mudar esta postura mais dura neste momento. Talvez a situação precise piorar antes de melhorar neste quesito.

Na China, a noite foi de forte queda das bolsas e nova depreciação do CNY. Os sinais de fragilidade continuam evidentes. Nesta manhã, a mídia está reportando que os policy makers estão acelerando os esforços para dar sustentação a economia, agora com o foco no aumento dos empréstimos.

Na Europa, os números recentes (PIB, CPI) mostraram um crescimento ainda saudável, porém mais baixo, e uma inflação mais elevada. Alguns efeitos pontuais podem estar pressionando a inflação para cima, mas este mix de menor crescimento e maior inflação deixa a região em uma situação menos confortável no curto-prazo.

Não há novidades relevantes no Brasil. As pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos 2 dias mostram um quadro inalterado, sem mudanças substanciais de panorama. Como comentado na manhã de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/sem-mudancas-significativas-no-japao.html) alguns resultados corporativos pressionara negativamente o Ibovespa ontem, o que acabou afetando o humor no mercado de câmbio e levando a um steepening da curva de juros.

Na agenda do dia, destaque para o ADP Employment, ISM Manufacturing e decisão do FOMC, todos nos EUA.




Data: 31/07/2018

Semana Agitada!

A semana começou com poucas novidades relevantes em relação aos últimos dias.

No Brasil, a pesquisa Focus do BCB não mostrou mudanças significativas nas expectativas do mercado. As coletas de inflação continuam mostrando um quadro de inflação baixa e contida, a despeito de alguns riscos altistas à frente. O resultado fiscal do setor público ficou praticamente dentro das expectativas em junho, reforçando um cenário de fragilidade das contas públicas, o que há muito tempo já é consenso, além de se configurar como o grande problema estrutural do país.

Os ativos locais continuam seguindo o humor global a risco, com uma sensibilidade que deverá se tornar mais elevada a qualquer mudança no cenário eleitoral, à medida que as eleições se aproximam.

Continuo favorecendo uma postura tática e flexível no mercado local de câmbio. Vejo pouco prêmio na curva de juros. Contudo, com a inflação baixa e o crescimento pífio, o BCB poderá ter condições de manter os juros estáveis (ou mais baixos) por mais tempo. Vejo uma assimetria ainda bastante positiva na compra de inflação implícita na parte intermediária da curva.

No cenário externo, o destaque continua por conta da pressão negativa no setor de tecnologia da bolsa dos EUA, em detrimento a outros setores e bolsas de outras regiões do mundo. A temporada de resultados corporativos, o nível de preço e valuation, a posição técnica e o cenário macro global (normalização monetária) parecem ser os pilares que estão ditando este movimento de curto-prazo.

Ainda tenho uma visão estrutural de juros mais altos nos EUA. Vejo as bolsas globais respeitando os ranges recentes, a despeito dos argumentos (válidos e verdadeiros) de valuations atrativos em alguns mercados, posição técnica saudável e etc. Gosto de manter hedges via compra de puts de alguns índices de bolsa. Estamos com viés tático no mercado de câmbio global, com pequena posição comprada em puts de AUD. Estas posições estão sendo administradas de maneira extremamente ágil, flexível e tática.

A semana nos reserva uma agenda extremamente importante nos próximos dias:

Decisão do BoJ, no Japão, esta noite. Nos últimos dias surgiram rumores de que o BoJ poderia anunciar mudanças na sua política monetária. Acredito que, se alguma mudança for anunciada, será marginal. Contudo, qualquer mudança, em um contexto global de normalização monetária, poderá ter impactos relevantes de longo-prazo nos mercados financeiros globais. Tenho comentado bastante sobre isso ao longo deste ano.

Divulgação do Core PCE nos EUA na manhã de terça-feira. Após a divulgação do PIB do segundo trimestre na sexta-feira, este dado perdeu um pouco de relevância. Os números de sexta-feira apontam para um Core PCE entre 0,005% MoM e 0,100% MoM. Este número indicaria um cenário de inflação que sobe apenas gradualmente. Este pano de fundo deverá manter o Fed em um processo gradual de normalização monetária, sem necessidade de frear ou acelerar este processo.

Divulgação do Employment Cost Index (terça-feira) e Average Hourly Earnings (sexta-feira). Estes números serão fundamentais para medirmos o acumulo de pressões inflacionárias na economia dos EUA.




Data: 31/07/2018

Sinais que demandam atenção.

Na sexta-feira o PIB dos EUA ficou rigorosamente em linha com as expectativas coletadas pela Bloomberg, porém abaixo do que chegou-se a especular ao longo da semana. A ata em torno de 4% trimestral anualizada foi uma das mais altas para um trimestre desde a crise de 2008. A abertura do indicador mostrou um quadro qualitativo de crescimento saudável e sustentável. o destaque ficou por conta do consumo com a inflação surpreendendo para baixo. De maneira geral, o indicador não altera o cenário de curto-prazo para a economia dos EUA e deve manter o Fed em seu "plano e voo" de normalização monetária, porém sem necessidades de acelerar ou frear este processo no curto-prazo. Ainda podemos esperar um total de 4 altas e 25bps nas taxas de juros ao longo de todo o ano de 2018 e a manutenção do processo de redução do balanço do Fed.

No Brasil, na sexta-feira, o destaque ficou por conta da divulgação de uma pesquisa semanal de intensões eleitorais para presidente da encomendada pela XP Investimentos. A pesquisa mostrou uma alta em torno de 1 a 2pp nas intensões de votos para Geraldo Alckmin, dentro da margem de erro, mas o levando para o patamar em torno de 10%. Este movimento está em linha com o que o mercado imaginou após o anuncio da aliança do Centrão e ajudou um movimento de performance relativa mais positiva dos ativos do Brasil em relação aos seus pares (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/brasil-mudanca-relevante-na-corrida.html). Reforço que, na minha visão, o recente movimento de apreciação dos ativos no Brasil está muito mais ligado ao alívio internacional do que a qualquer mudança no cenário local. Assim, dependendo de como a corrida eleitoral caminhar a partir de agosto poderá ter impacto relevante sobre os preços locais.

Ainda na sexta-feira, o destaque ficou por conta de uma forte queda em alguns índices de bolsas nos EUA. Vejo este movimento como uma reação a divulgação de resultados corporativos abaixo das expectativas (Facebook, Netflix e etc) em meio a um ambiente de estágio final de ciclo econômico nos EUA. A despeito de um crescimento sólido, vemos um hiato do produto fechado, sinais de pleno emprego e acumulo de pressões inflacionárias. Ainda acredito que estamos na fase em que os ativos de risco estão respeitando alguns "ranges". O movimento de sexta-feira nas bolsas dos EUA reforça esta visão, pois muitos desses índices falharam em romper alguns picos históricos. À medida que o ciclo econômico chega ao fim, poderemos ter alguns rompimento para o lado negativo. Contudo ainda não me parece que estamos neste estágio. Ainda podemos esperar incerteza, volatilidade mas que os "ranges" deste ano sejam respeitados.

O final de semana trouxe poucas novidades para este ambiente. Esta manhã, vemos os mercados operando próximos a estabilidade, sem movimentos relevantes neste momento. na China, a moeda voltou a operar sobre pressão (depreciação) e as bolsas em leve queda, mostrando que ainda predomina um cenário de fragilidade no país.




Data: 27/07/2018

Fragilidade na China, Política no Brasil e PIB nos EUA.

A noite foi de mais uma rodada, mesmo que mais branda, de depreciação do CNY, a moeda da China, e queda das bolsas do país. A despeito destes sinais preocupantes de fragilidade da economia e da estabilidade financeira no país, os demais ativos de risco operam próximos a estabilidade neste momento.

No inicio da noite de ontem, a Amazon anunciou resultado positivo, ao contrário do que havia ocorrido com o Facebook no dia anterior. A despeito de uma receita abaixo do esperado e de um guidance de receita menor, as margens mais elevadas e o crescimento em alguns setores considerados mais rentáveis e promissos do que a parcela de "vendas de produtos" acabarm delineando um resultado mais positivo.

No Brasil, os ativos locais devem continuar seguindo o humor global a risco. Continuamos sem novidades relevantes no cenário econômico. A mídia segue dando cobertura a campanha política para as eleições presidenciais e suas articulações. A temporada de resultados corporativos no país, até o momento, na média, apresenta-se como positiva. O mercado, contudo, parece ter antecipado parte deste movimento nas últimas 2 a 3 semanas.

As atenções do dia estarão voltadas para a divulgação do PIB do segundo trimestre nos EUA. As expectativas coletadas pela Bloomberg estão em 4,2% (crescimento trimestral anualizado) mas existe um viés de um número mais elevado, na ordem de 4,5%-5,0%.




Data: 26/07/2018

Movimentos interessantes...

Os ativos de risco estão dando alguns sinais interessantes ao longo desta quinta-feira. Observamos um movimento de dólar forte no mundo, que teve início com a queda do CNY na China durante a noite e acabou sendo acentuada após a reunião do ECB na Europa. Draghi e Cia trouxeram poucas novidades ao cenário, o que ajudou a reforçar a mensagem de juros mais baixos por mais tempo, levando a uma nova onda de pressão no EUR.

Continua me chamando bastante a atenção o que vem ocorrendo na China (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/china-em-foco.html). O governo segue divulgando medidas de afrouxamento monetário, financeiro e fiscal. A postura dos policy makers aparenta certo pânico com o cenário de curto-prazo. O CNY, a moeda da China, voltou a apresentar depreciação relevante para os padrões da moeda. Caso este movimento continue, poderá ter reverberações e contágio relevante para os demais mercados financeiros globais.

O dia foi de abertura de taxas de juros nos EUA, após números robustos de Durable Goods e Jobless Claims e ainda refletindo os efeitos positivos do “acordo”, ou “trégua”, anunciada entre EUA e Europa no tocante a “guerra comercial”. Amanhã teremos a importante divulgação do PIB do segundo trimestre, cujas expectativas já se mostram bastante elevadas.

No mercado de renda variável, nos EUA, estamos vendo um movimento relevante de diferenciação entre setores, o que ainda mantém os índices muito próximos aos picos históricos. A divulgação do resultado trimestral da Amazon será extremamente importante, depois do que vimos após a divulgação do Facebook (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/trump-to-world-winning.html).

Os ativos no Brasil continuaram a seguir o humor global a risco, com fortalecimento do dólar, juros mais elevados e steepening da curva, e queda da bolsa. Não há novidades relevantes no cenário de Brasil.

O dia de hoje em nada altera minha visão para os mercados e os portfólios.




Data: 26/07/2018

Trump to the world: Winning!

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de "risk-on" clássico, com desempenho positivo de praticamente todas das classes de ativos (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/no-news-still-good-news-for-markets.html). O movimento acabou sendo acentuado no final da tarde, após os EUA e a Europa anunciarem uma trégua na "Guerra Comercial" e um pré-acordo para melhorar as relações comerciais entre ambos,  buscando o diálogo com o intuito de um comércio bilateral com menos barreiras.

Tentando não tomar partido de nenhum lado, mas temos que admitir que o avanço da agenda de Trump nos EUA o coloca em situação bastante positiva para os "mid term elections", a despeito de todos os ruídos e críticas envolvendo sua administração. Trump tem conseguido entregar parte relevante da agenda que prometeu em sua campanha.

No inicio da noite, o Facebook anunciou seu resultado trimestral, mostrando um crescimento abaixo do esperado no "Daily Average Users (DAU), margem mais baixa e aumento dos custos, basicamente com forte alta da força de trabalho. Além disso, na conferência após o resultado, os executivos da empresa sinalizaram para um ambiente mais hostil para a rentabilidade da empresa nos próximos trimestres, com crescimento mais brando e margens mais apertadas. A ação caiu cerca de 20% no after-market. Por ser umas das 5 maiores empresas em market-cap nos principais índices de bolsa dos EUA (S&P500 e Nasdaq) a direção da ação hoje pode ter impacto relevante no mercado.

Os ativos na China voltaram a apresentar desempenho negativo esta noite, com depreciação da moeda e queda nas bolsas. Aliado ao resultado do Facebook, estes movimentos estão favorecendo uma abertura mais negativa dos ativos de risco esta manhã. Em relação a China, o governo continua anunciando medidas amplas de afrouxamento monetário e fiscal. Continuo bastante impressionado com a magnitude e a amplitude das medidas. Não me recorde de momento no passado recente em que os policy makers adotaram tantas medidas ao mesmo tempo, de escopos tão amplos, com o intuito de suavizar a desaceleração da economia e os problemas no âmbito financeiro. Vejo isso de duas maneiras. Primeiro, as medidas deveriam ser bem sucedidas em dar algum suporte a economia, como sempre foram no passado, com o sucesso do governo em manter a economia e o crescimento relativamente estáveis. Contudo, a série de medidas pode estar mostrando algum desespero por parte do governo e sinalizando que a situação pode ser um pouco mais grave do que o imaginado. Continuo vendo a China como um dos grandes riscos ao cenário econômico e a estabilidade financeira global e os sinais de fragilidade continuam.

No Brasil, os ativos locais seguiram basicamente o humor global a risco. Acredito que cerca de 90% do movimento dos ativos locais nos últimos dias seja explicado pela melhora no ambiente global. É bem verdade que o quadro político pode ter ajudado o movimento, mas olhando em termos relativos a seus pares vemos que parte relevante da recuperação dos ativos locais pode ser explicado pelo cenário externo. Continuo vendo poucas mudanças no cenário local.

Na agenda do dia, destaque para a decisão de política monetária do ECB na Europa, para o Jobless Claims e o Durable Goods nos EUA.




Data: 25/07/2018

No news (still) good news for markets...

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. O destaque fica por conta de um dólar mais fraco no mundo, com bom desempenho das moedas emergentes. Os ativos de risco apresentaram desempenho mais positivo na China (comentei mais a respeito do país na manhã de ontem: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/china-em-foco.html).

Na Alemanha, o IFO - um dos indicadores de confiança mais importantes de toda a Europa - ficou praticamente estável e acima de sua média histórica, a despeito de abaixo dos picos recentes. os indicadores de confiança da região continuam mostrando um crescimento saudável e relativamente robusto, mesmo que abaixo do que se vu na virada de 2017 e início de 2018. Os números em nada alteram o cenário para a região ou as expectativas para a política monetária.

Na Austrália, o CPI ficou abaixo das expectativas do mercado. O número confirma um cenário de total ausência de pressões inflacionárias no país. A Austrália deverá ser um dos últimos países desenvolvidos a dar início a qualquer tipo de normalização monetária. Além da inflação baixa, a recuperação do crescimento se mostra lenta e o país ainda precisa administrar um mercado imobiliário com sinais de bolha em algumas regiões do país.

Não há nenhuma novidade relevante no Brasil. Os ativos locais continuam seguindo o humor global a risco, com os movimentos exacerbados pela posição técnica, muito em linha com o que comentei neste fórum no final da semana passada (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/politica-brasil-e-guerra-cambial.html).

Minha visão em relação ao cenário e aos mercados não sofreu nenhuma alteraçao nos últimos dias. Continuo vendo a economia dos EUA em um estágio avançado do ciclo econômico, com crescimento forte, hiato do produto fechado e aperto do mercado de trabalho. O mundo cresce a um ritmo saudável. O processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas deverá prosseguir. No longo-prazo, este ambiente deverá se colocar como uma restrição a apreciações adicionais dos ativos de risco.

No curto-prazo, contudo, a impressão de ausência de riscos (somente a impressão, fazendo uma leitura do mercado, não que seja minha opinião, pois vejo diversos riscos no cenário) , com um crescimento global forte, está levando a uma interpretação de um ambiente mais positivo, o que está ajudando a dar ímpeto a apreciação dos mercados financeiros globais. Estes movimentos são ainda impulsionados por uma posição técnica que havia ficado excessivamente negativa (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever-redux.html) e por uma sazonalidade de baixa volatilidade do verão no hemisfério norte. Não sei ao certo até onde este curto-prazo mais positivo irá perdurar, mas nçao acredito que seja uma nova e prolongada tendência.

Enquanto o cenário de longo-prazo citado acima não ficar mais evidente, os ativos de risco devem permanecer respeitando alguns "ranges" relativamente largos. Quando o cenário ficar mais claro, espero uma tendência mais prolongada de final de ciclo, com movimentos de depreciação dos ativos de risco.




Data: 24/07/2018

 China em foco!

Nos últimos dias, o governo da China anunciou uma série de medidas de suporte a economia, visando estabilizar o crescimento e a situação financeira do país. Por ora, observamos uma recuperação das bolsas locais e das commodities em geral, a despeito da continuidade do processo de depreciação do câmbio. O "modus operandi" do governo chinês está totalmente em linha com o histórico passado, em que os policy makers atuam de forma reativa, na tentativa de administrar de maneira gradual e suave qualquer desaceleração da economia ou ou risco a estabilidade financeira. Historicamente, eles sempre foram bem sucedidos nessas empreitadas. Desta vez, o risco pode ser considerado mais elevado, devido ao contexto global e ao tamanho que o mercado de crédito e a alavancagem atingiu no país nos últimos anos, mas as características ainda bastante planejadas da economia permitem um controle relativamente grande do governo sobre a situação. Me espanta, contudo, a magnitude, a esfera e a agressividade das medidas recentes, que podem estar mostrando que a situação era ainda mais delicada do que se imaginava anteriormente.

Na Europa, a prévia do PMI mostrou relativa estabilidade dos PMIs Manufacturings, com desaceleração dos PMIs Services, levando a uma pequena desaceleração dos PMIs Composites. Os números mostram um crescimento saudável, porém mais brando do que o imaginado anteriormente. Este indicador em nada altera o cenário para a região.

Não há novidade relevantes no Brasil. O cenário externo e as eleições devem continuar a dominar a dinâmica dos ativos locais, já que continuamos a ver um cenário de recuperação apenas lenta do crescimento, uma inflação baixa e contida, contas externas saudáveis mas problemas fiscais latentes, ambiente que já perdurá há vários meses sem alterações relevantes.




Data: 24/07/2018

Taxas de juros novamente em foco.

O dia foi de poucas novidades no âmbito macroeconômico, mas de dinâmica relevante . O destaque ficou por conta da abertura das taxas de juros nos EUA, com importante "steepening" da curva. O movimento está bastante em linha com a visão que vem sendo amplamente debatida neste fórum e o qual escrevi na noite deste domingo, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/normalizacao-monetaria-global.html.

No Brasil, os ativos de risco tiveram um dia de maior tranquilidade após as recentes novidades no campo político (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/politica-brasil-e-guerra-cambial.html).

A semana nos reserva uma agenda importante, com destaque para as prévias dos PMIs globais a partir de amanhã, como irá desenrolar os problemas enfrentados pela China e as negocições comerciais juntos ao governo dos EUA, o PIB do segundo trimestre nos EUA e importantes resultados corporativos do setor de tecnologia nos EUA.

No final da tarde de hoje, a Google divulgou um resultado positivo e suas ações subiam cerca de 5% no after-market 




Data: 23/07/2018

Normalização Monetária Global,

O final de semana trouxe poucas novidades no front doméstico e/ou externo.

No Brasil, os partidos políticos estão promovendo suas convenções, e anunciando oficialmente seus candidatos para a corrida presidencial. No final de semana foi a vez de Bolsonaro ficar nos holofotes da mídia neste quesito. Continuo acreditando que a grande novidade do cenário foi o anúncio do apoio do “Centrão” à Alckmin, candidato do PSDB. Já comentei extensivamente sobre isso nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com/).

No cenário externo, o G20 trouxe poucas novidades. O Grupo chamou a atenção para os riscos no cenário prospectivo, especialmente de uma recuperação do crescimento global menos sincronizada, e pelos ruídos envolvendo a postura do governo dos EUA no tocante ao comércio exterior, nada muito diferente do que temos observado quase que diariamente. O G20 não costuma ser um fórum de mudanças importantes de políticas, ou de decisões relevantes.

No final da semana passada, surgiram rumores de que o BoJ, no Japão, poderia alterar sua política monetária, com o intuito de permitir uma alta natural e gradual das taxas longas de juros no país, sem que isso acarrete em aperto das condições financeiras.

Na minha visão, este tipo de rumores ou medida apenas reforça a visão de que estamos apenas no meio de um processo estrutural, talvez multianual, de normalização monetária nas economias desenvolvidas e nas principais economias do mundo. Neste ambiente, devemos esperar mais volatilidade, mais incerteza e ajustes nos preços de uma série de classes de ativos, passados cerca de 10 anos, desde a crise de 2008 nos EUA, em que vigou um ambiente de liquidez excessivamente abundante.

O pano de fundo de baixa volatilidade e precificações excessivas dos ativos de risco está ficando para trás. Este processo de ajuste deverá ser prolongado, caracterizado por um ambiente de “stop-and-go”, ou seja, momentos de normalidade e aparente tranquilidade, como as últimas 3 semanas, pontuados por momentos de maior incerteza, volatilidade e pressão nos preços e valuations dos ativos, como vimos em fevereiro nas bolsas dos EUA, em maio e junho nos mercados emergentes e, mais recentemente, nos preços das commodities.

O Governo Chinês anunciou mais medidas de ajuste visando aliviar a situação financeira local. O país continua passando por um momento de instabilidade e fragilidade. No passado, sempre que o Governo adotou medidas mais proativas na tentativa de suavizar a situação acabou sendo bem sucedido em manter a desaceleração do país apenas gradual, e conter a pressão negativa nos ativos financeiros. Não tenho convicção se estamos diante de um cenário mais negativo desta vez, ou se, em breve, observaremos uma estabilização da situação. A risco, contudo, é que na ausência de uma estabilização, dado o tamanho de tudo que gira em torno da China, os problemas podem ser muito grandes e com reverberações e contágios globais.

A semana será de agenda um pouco mais agitada, com importantes resultados corporativos do setor de tecnologia nos EUA, as prévias dos PMIs globais e o PIB do segundo trimestre dos EUA.

Além disso, precisamos observar como irá ser o andamento das negociações comerciais entre os EUA e seus parceiros, especialmente a China e a Europa.




Data: 23/07/2018

Política Brasil e Guerra Cambial.

O meu ponto é que no curto-prazo dado a posição técnica do mercado, e a mudança marginal, ou o delta positivo, da posição do candidato do PSDB, visto como mais ao centro, liberal e reformista, poderia levar a um movimento positivo dos ativos no Brasil.

Existe uma diferença grande entre movimentos de curto-prazo, táticos, e o cenário de longo-prazo, estrutural. Foi isso que tentei mostrar na manhã de ontem. Ainda vejo uma enorme assimetria na inflação implícita na parte intermediária da curva. No curto-prazo, contudo, tenho buscado um portfólio mais neutro após o evento descrito acima, seja com posições em renda variável ou em câmbio, todas via estruturas de opção com perda limitada cujas vol implícitas ainda não eram excessivamente elevadas. Continuo vendo um cenário de incerteza e volatilidade, especialmente quando colocamos tudo isso no contexto de um cenário externo que ainda vejo como desafiador e menos construtivo, em que as posições táticas serão muito importantes, talvez até mais do que as posições estruturais.

No contexto internacional, além da Guerra Comercial, os EUA parecem estar no caminho de uma Guerra Cambial, após declarações forte de Trump e Munchin. Suas declarações levaram a uma forte queda do dólar no mundo nesta sexta-feira. Ao que me parece, Trump está tentando se aproveitar de uma fragilidade econômica e financeira da China para pressiona-los a mesa de negociações e forjar um acordo comercial melhor para a economia dos EUA.

Eu confesso que não tenho grande convicção do dólar no mundo, nem no curto e nem no longo-prazo. A queda do dólar ontem pode ter sido exacerbada por uma posição técnica muita comprada na moeda dos EUA. Contudo, uma coisa eu aprendi nos últimos 16 anos, a despeito de movimentos pontuais, seja por questões técnicas, seja por tentativas de mudanças de tendência via intervenção verbal, nunca costumam ser bem-sucedidas no longo-prazo. No longo-prazo, as moedas sempre convergem para os seus fundamentos, sejam eles quais forem.

A potencial Guerra Cambial adiciona apenas mais um vetor de indefinição de curto-prazo a um cenário externa já desafiador.

Quanto a China, a situação continua dando sinais de fragilidade. Nos últimos dias, vimos uma atuação mais ativa do Governo na tentativa de estabilizar a situação. Precisamos acompanhar de perto os próximos capítulos nesta frente.




Data: 20/07/2018

Brasil: Mudança relevante na corrida presidencial.

A grande novidade do cenário ficou por conta do anuncio do chamado “Centrão”, no Brasil, de que irá apoiar Geraldo Alckmin, do PSDB, na corrida presidencial. Este acordo irá garantir um tempo de TV extremamente relevante para Alckmin, especialmente em uma campanha curta e com recursos mais limitados. Além disso, o apoio deste “bloco” também garante alguma capilaridade maior a Alckmin em alguns municípios e regiões aonde estes partidos apresentam presença relevante.

Acredito que este anuncio seja extremamente relevante para a corrida presidencial, pois irá colocar Alckmin em uma posição muito melhor que anteriormente, e melhor do que seus principais concorrentes diretos. Entendo que isso não será visto nas pesquisas eleitorais no curto-prazo, mas certamente após começada a campanha. Acredito que exista espaço para os ativos locais apresentarem desempenho relativo e absoluto positivo no curto-prazo, pois vejo a posição técnica do mercado como neutra para levemente na ponta negativa (fundos e tesourarias com viés negativos Brasil).

De qualquer maneira, a incerteza eleitoral permanecerá. Este movimento positivo pode ser rápido e acentuado, porém não definitivo. Ainda teremos bastante volatilidade até o dia das eleições.

Vale aqui um comentário adicional. Depois de tudo o que foi falado sobre a busca pelo “novo” nas eleições, pelo “outsider”, estamos caminhando para um pouco de “mais do mesmo”, com coligações meio que esperadas, e candidatos que estão na política há décadas. Neste ambiente, ainda fico na dúvida se a teoria que nestas eleições as mídias sociais terão impacto tão relevante, ou mais relevante, do que a campanha clássica via TV, rádio e “corpo a corpo” de fato será válida, ou se a TV (rádio e afins) ainda terá um impacto ainda mais decisivo. Se este último for verdade, Alckmin abriu uma vantagem espetacular sobre seus concorrentes.

No cenário internacional, a China continua mostrando fragilidade. A noite foi de volatilidade. Após uma abertura bastante negativa, após um fixing da moeda em níveis depreciados, os mercados locais apresentaram recuperação, com estabilização da moeda e forte alta das bolsas. Existem rumores de que houve intervenção brusca do PBoC no mercado.

Minha visão exposta aqui ontem sobre a China continua válida: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/algumas-palavras-sobre-china.html.




Data: 19/07/2018

Algumas palavras sobre a China.

Hoje mais cedo não comentei sobre um outro desdobramento bastante importante do cenário externo, que é a situação bastante delicada da China. Hoje observamos mais uma relevante depreciação da moeda e nova onda de pressão nas bolsas do país.

Há evidência de que o Governo e o PBoC já atuam junto aos bancos em busca de prover liquidez ao mercado, para evitar uma deterioração adicional do mercado de crédito do país.

Historicamente, o Governo chinês sempre foi capaz de conduzir processos de desaceleração da economia e desalavancagem do sistema financeiro de maneira gradual e suave, mesmo que com períodos pontuais de volatilidade. A diferença, neste momento, é o nível de alavancagem que a economia atingiu e a margem de manobra mais apertada existente no cenário local. Além disso, o cenário externo de melhor liquidez global também atua como uma restrição ao poder de administração da situação interna.

Não tenho a convicção se “this time is different” e podemos estar diante de um problema maior na China, ou se o problema é apenas pontual e deve ser passageiro. Contudo, com certeza absoluta, é um vetor que precisa ser acompanhado, pois terá impacto relevante sobre os mercados financeiros globais. No mínimo, torna um cenário global já desafiador ainda mais fragilizado.




Data: 19/07/2018

Mudança de tom: Temporário ou Permanente?

Pela primeira vez em bastante tempo os ativos de risco estão operando em linha com o que eu acredito que seja o cenário base de longo-prazo do pano de fundo global.

Em linhas gerais, um cenário de ciclo econômico em estágio avançado nos EUA, onde mais crescimento implica em hiato do produto fechado, pleno emprego e pressões inflacionárias. Este ambiente, no geral, não costuma ser construtivo para os ativos de risco no geral, especialmente em um momento em que muitas classes de ativos apresentam valuations pouco triviais e após passados quase 10 anos de fluxos exorbitantes e constantes para muitas dessas classes.

Assim, neste momento, estamos observando uma leve alta nas taxas de juros dos EUA, levando a uma queda das bolsas e das commodities, uma alta do dólar e uma pressão nos ativos emergentes.

Reforço que não sei ao certo quando este cenário ficará de fato mais evidente ao mercado, por isso ainda trabalho com um pano de fundo em que os ativos de risco respeitem alguns “ranges”, como tem sido regra ao longo deste ano, porém com mais volatilidade ao longo do caminho.

No Brasil, os jornais dão ampla cobertura a indicação de que o PR poderá caminhar junto com o “Centrão” na decisão do apoio ao candidato a presidente. O cenário segue dividido entre Alckmin e Ciro. Espero uma reação binária do mercado a esta decisão (muita positiva com Alckmin, muita negativa com Ciro), já que o apoio implica em tempo de TV e capilaridade em pequenas cidades e municípios do país. O “Centrão”, segundo a mídia, pretende indicar Josué Gomes para o vide da chapa.

Na Austrália, os dados de emprego divulgados para junho superaram as expectativas e mostraram um quadro de solidez do mercado de trabalho, mas o ambiente externo mais negativo essa manhã está se sobrepondo a notícia local, com o AUD operando sobre pressão neste momento. 




Data: 18/07/2018

Diferenciação entre classes de ativos.

Os ativos de risco estão apresentando desempenho misto nesta terça-feira, com as commodities majoritariamente em queda e o dólar em alta no mundo, a despeito do bom desempenho das bolsas globais e dos ativos emergentes em geral.

Acredito que alguns vetores explicam esta dinâmica, a maior parte deles de curto-prazo. Já toquei neste tema nas últimas semanas aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever-redux.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever.html.

De maneira geral, a posição técnica do mercado, os valuations mais atrativos (em algumas classes de ativos como as bolsas e os ativos EM) e a percepção de um cenário de “Goldilocks” no curto-prazo, em um período de férias de verão no hemisfério norte, sazonalmente mais positivo para os mercados e de mais baixa volatilidade, estão dando ímpeto a esta dinâmica.

A boa temporada de resultados corporativos nos EUA apenas reforça este pano de fundo descrito acima, pelo menos até o momento.

Continuo com pouca convicção de até onde estes movimentos podem ir, mas mantendo minha visão de longo-prazo de estarmos mais próximo do estágio final do ciclo econômico nos EUA. Os ranges devem ser mantidos, com um curto-prazo mais positivo, porém um longo-prazo mais desafiador. Seguimos gostando de posições tomadas em juros nos EUA, aliadas a alguns hedges no mercado de renda variável internacional.

Os ativos no Brasil estão apenas seguindo este humor global mais positivo, com o ímpeto adicional de uma posição técnica que havia apresentando uma forte reversão de excesso de otimismo do começo do ano para um excesso de pessimismo nas últimas semanas.

Nos atuais níveis, não vejo grandes prêmios de risco na curva de juros dado a incerteza do cenário eleitoral local e do pano de fundo externo. O dólar (BRL) deve seguir o humor global a risco, com o agravante da incerteza local. A bolsa apresentou ajuste relevante este mês, e deve continuar seguindo os fluxos pontuais do cenário externo. Nos atuais níveis, gosto da assimetria da inflação implícita da parte intermediária da curva de juros e de posições táticas compradas em dólar através de estruturas de opção. Estou com visão neutra para a bolsa local, no momento.

A agenda do dia trouxe poucas novidades a este cenário. O discurso do Presidente do Fed no Congresso apresentou um tom balanceado, em que a manutenção do processo de normalização monetária deverá continuar no atual ritmo, exceto por mudanças substanciais de panorama.

A produção industrial nos EUA apresentou um rebote da queda do mês anterior, alterando pouco as expectativas para o crescimento do país.

A Inglaterra apresenta alguma incerteza e volatilidade em torno das negociações para o Brexit, o que hoje levou a uma queda mais expressiva do GBP.

Estarei visitando parceiros nos próximos dias, o que pode tornar os updates com periodicidade menor, mas não deixarei de passar as principais impressões sempre que necessário.




Data: 17/07/2018

Sinais de cautela continuam

Os ativos de risco estão abrindo próximos a estabilidade. Ontem o destaque ficou por conta de uma forte queda no preço do Petróleo e para a divulgação do resultado trimestral da Netflix, uma empresa americana que é uma das "queridinhas" dos mercados nos últimos anos, tendo subido cerca de 100% em 2018. Após o resultado de ontem, a ação caiu cerca de 13% no after-market, carregando consigo todos os índices norte americanos.

No campo econômico, nos EUA, as vendas no varejo de junho ficaram dentro das expectativas do mercado, mas com revisões altistas para o mês anterior. Continuamos a ver um cenário de crescimento robusto da economia dos EUA.

Na agenda do dia de hoje, o destaque ficará por conta da aparição do Presidente do Fed no Congresso dos EUA. Espera-se que Jay Powell mantenha o mesmo tom que já foi revelado na Ata do FOMC e no relatório ao Congresso divulgado na semana passada.

No Brasil, não houve mudança no panorama local ou notícia que mereça atenção especial.

Eu mantenho um viés mais cauteloso e acreditando que, por ora, os ativos de risco irão respeitar aluns ranges. Quando ficar mais claro e evidente que estamos em um estágio mais avançado do ciclo econômico, acredito que a maior probabilidade seja de rompimento desses ranges para o lado negativo, de depreciação dos ativos de risco em geral ("risk-off"). Ainda não sei a certo qual será o "trigger" para este movimento e quando ele irá ocorrer, por isso acredito na importância dos próximos dados e das sinalizações do mercado.




Data: 16/07/2018

China: Sinais adicionais de desaceleração gradual da economia.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade essa manhã, apenas com um leve destaque negativo para a queda no preço das commodities metálicas não preciosas e do petróleo.

O destaque da manhã ficou por conta dos dados de atividade econômica na China. A produção industrial surpreendeu negativamente, a despeito do PIB e do número de investimentos terem ficado dentro das expectativas do mercado. Os números de hoje confirmam um cenário de desaceleração da economia chinesas, o que corrobora a preocupação e a recente atuação do governo e do PBoC na tentativa de administrar este movimento da maneira mais gradual e suave possível.

No Brasil, não houve notícias formais em torno do encontro do “Centrão” para decidir a candidatura a presidente. Segundo a Folha de São Paulo Ciro Gomes irá dar enfoque em seu programa de Governo com o intuito de atrair o DEM e seus aliados.

De acordo com a mesma Folha, a equipe economia não irá cumprir as pautas bomba do Congresso:

A secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, afirma que a equipe econômica não vai cumprir parte das pautas-bomba aprovadas pelo Congresso Nacional. À Folha, Vescovi diz que espera um parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para subsidiar a manutenção de alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os fabricantes de refrigerantes instalados na Zona Franca de Manaus.

Dados de atividade econômica na China:

Q2 real GDP: +6.7% yoy (GS forecast: +6.8% yoy, Bloomberg consensus: +6.7% yoy); +6.6% quarter-over-quarter annualized in Q2 vs Q1, seasonally adjusted by GS. Q1: +6.8% yoy, +7.2% qoq annualized.

Industrial production (IP): +6.0% yoy in June (GS forecast: +6.6% yoy, Bloomberg consensus: +6.5% yoy); +7.7% month-over-month annualized in June vs. May, seasonally adjusted by GS. May: +6.8% yoy, +4.6% mom annualized.

Retail sales: +9.0% yoy in June (GS: +9.0% yoy, consensus: +8.8% yoy); May: +8.5% yoy.

Fixed asset investment (FAI): +6.0% ytd yoy in June (GS: +6.3% yoy, consensus: +6.0% yoy); single month June growth: +5.8%; May single month yoy: +3.9%.

Property-related data:

Floor space sold: +4.5% yoy in June, vs. 8.0% yoy in May (value of sales +17.1% yoy, vs. +20.6% yoy in May).

Floor area under construction: +2.5% yoy in June, vs 2.0% yoy in May.

New starts: +15% yoy in June, vs. +20.5% yoy in May.

Real estate investment: +8.3% yoy in June, vs. +9.9% yoy in May.




Data: 16/07/2018

Goldilocks for now, not forever - Redux.

Os ativos de risco estão seguindo em uma dinâmica positiva, em linha com o que imaginei que poderia acontecer passada a divulgação dos principais dados econômicos nos EUA (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever.html):

Os números recentes reforçam o cenário de solidez da economia, com mercado de trabalho robusto, porém sem pressões inflacionárias adicionais. As pressões inflacionárias continuam se acumulando, mas não há sinais de necessidade de uma postura mais agressiva por parte do Fed. Este ambiente favorece a estratégia do Fed de normalização gradual da política monetária, sem ter que acelerar o movimento. Esta impressão, mesmo que seja pontual, está ajudando – e pode ajudar nos próximos dias – alguma descompressão daqueles ativos que mais sofreram ao longo das últimas semanas. Estes movimentos devem ser vistos como pontuais, mesmo que com duração de algumas semanas.

Aliado aos vetores citados acima, uma combinação de posição técnica favorável, preços e valuations – em algumas classes de ativos – um pouco mais atrativos e a sazonalidade do verão e das férias no hemisfério norte estão ajudando a dar ímpeto a análise de um cenário de “Goldilocks” e provocando um “risk-on” nos ativos de risco.

Continuo acreditando que esta interpretação e estes movimentos são de curto-prazo. Não sei até onde estes movimentos podem perdurar. Não vejo mudanças substanciais do pano de fundo de longo-prazo.

No Brasil, acredito que grande parte da recuperação recente dos ativos locais, em especial na Bolsa, tenha sido provocada por este pano de fundo externo.

No campo político, existe alguma animação com o começo das alianças para as eleições e o acordo do PSDB com o PSD, em parte esperado. A eventual divulgação do apoio do “Centrão” poderá ter um efeito importante sobre a campanha eleitoral e a percepção do mercado em torno da possibilidade de algum dos candidatos. Ainda existe alguma ponta de esperança, por parte de alguns players, de algum ganho de ímpeto por parte do candidato do PSDB após feitas alianças e começado a campanha eleitoral. Historicamente, o tempo de TV e as alianças sempre foram importantes nesta frente, levando a aumentos não desprezíveis nas pesquisas eleitorais.

Acredito que o cenário ainda é bastante indefinido e só teremos uma possibilidade e melhor avaliação mais perto de começada, ou após iniciada, a campanha eleitoral. Enquanto isso, o cenário externo será preponderante sobre o preço dos ativos locais.




Data: 13/07/2018

Sinais de fragilidade permanecem.

A despeito do bom desempenho das bolsas globais, já vemos sinais negativos novamente esta manhã, com o dólar forte no mundo, as commodities em queda, fechamento de taxa de juros no mundo desenvolvido e um desempenho ruim dos ativos na China.

Ontem, nos EUA, o Core CPI apresentou alta de 0,2% MoM e 2,3% YoY, dentro das expectativas do mercado. O Jobless Claims caiu para próximo  de 215 mil na semana, número muito próximo ao patamar mais baio deste ciclo econômico.

Os números recentes reforçam o cenário de uma economia que cresce a taxas robustas, com o mercado de trabalho sólido e apertado, e um hiato do produto fechado. A inflação mostra trajetória ascendente, porém sem uma aceleração adicional ou acentuada que precise levar o Fed a adotar uma postura mais agressiva (rápida a acentuada) de normalização monetária. Este pano de fundo confirma que estamos, por ora, diante da manutenção de um processo de normalização monetária que pode ser conduzido de maneira gradual, como tem sido feito. Este ambiente não altera o cenário mais cauteloso para os ativos de risco, a despeito de dar algum tempo adicional de ajuste devido a ausência de dados mais elevados de inflação.

No Brasil, ontem, vimos um bom desempenho da Bolsa, mas com uma deterioração absoluta e relativa dos mercados de Câmbio e Renda Fixa. A piora no cenário local, com a “pauta bomba” avançando no Congresso pode ser visto como grande a grande responsável por esta dinâmica. De fato houve uma deterioração não desprezível do cenário desde a greve dos caminhoneiros, que fica evidente a cada dia que passa e cujo mercado começa a se dar conta de maneira mais evidente agora. Comentei sobre isso em outros momentos (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/relatorio-semanal-de-asset-allocation.html?q=greve).

Segundo o Estado, o PSD selou apoio a Alckmin nas eleições para presidente, isso daria um tempo próximo a 20% na TV para o candidato do PSDB. De acordo com a mídia, em Pernambuco, o PSB teria acertado apoio ao PT. O PSB segue divido na cena nacional.

Na China, os dados de exportação e importação ficaram acima das expectativas, assim como os números de crédito. No tocante aos agregados monetários, os números mais elevados indicam que o Governo já adota uma postura mais frouxa para contrabalancear, ou administrar de maneira mais suave, a desaceleração recente da economia.




Data: 12/07/2018

Recuperação.

Os ativos de risco estão apresentando recuperação essa manhã. A “guerra comercial” continua a ser o foco do momento, com qualquer notícia em seu entorno movendo o preço dos ativos de risco. Continuo vendo este tema como um risco de curto-prazo, mas o cenário econômico, especialmente, mas não exclusivamente, nos EUA como principal propulsor dos mercados nos próximos meses.

Nesta frente, a divulgação do Core CPI nos EUA pode ser determinante para a dinâmica dos ativos de risco de maneira um pouco mais longa. Vale lembrar que todos os indicadores recentes apontam na direção de uma economia robusta, um mercado de trabalho aquecido e apertado, e sinais de acumulo de pressões inflacionárias, mesmo que ainda não acentuados.

Este mesmo pano de fundo, em menor proporção e em um estágio ainda anterior (em alguns anos) ao estágio norte americano, pode ser visto em outras economias desenvolvidas.

No Brasil, não há mudanças de cenário. As negociações em torno das eleições continuam, sem que hajam mudanças concretas no quadro geral. A mídia vêm, nos últimos dias, reportando a “pauta bomba” do Congresso, que pode colocar as contas públicas em situação ainda mais delicada. Com um governo enfraquecido, a atual equipe econômica trabalha apenas para evitar a aprovação de medidas excessivamente danosas ao país, já que a agenda de reformas acabou ficando de lado.




Data: 11/07/2018

Sinais preocupantes...

A quarta-feira manteve a tônica de “risk-of” do começo do dia (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/risk-off.html).

Vale chamar a atenção para a divulgação do PPI nos EUA, superando as expectativas do mercado, e confirmando um pano de fundo de acumulo de pressões inflacionárias no país. Amanhã teremos o Core CPI, cujas expectativas encontram-se em 0,2% MoM e 2,3% YoY.

Em relação aos mercados, observamos forte reação negativa das commodities e das moedas emergentes, com a depreciação superior a 1% do CNH (moeda da China operada em Hong Kong) chamando bastante a atenção, assim como a queda de 5% no Petróleo, a queda de 3,5% na TRY (Lira Turca) e os 1,7% do BRL.

Estes movimentos estão em linha com um momento de final de ciclo econômico e redução da liquidez global, assim como o flattening da curva de juros nos EUA.

Me impressiona, na verdade, ainda vermos as bolsas dos EUA próximas aos picos históricos, diante de um cenário extremamente desafiador. Eu entendo os argumentos de crescimento de “earnings”, P/E “baixos” e bom momento da economia, mas não me recordo de movimentos na magnitude que estamos vendo em EM, Commodities, curva de juros e afins que não tenham afetado o mercado de equities de maneira mais agressiva (caso esses movimentos continuem, é claro).

O Brasil simplesmente seguiu o humor global a risco.




Data: 11/07/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão apresentando forte movimento de “risk-off” essa manhã, após os EUA divulgarem uma lista de mais cerca de US$200bi em produtos chineses que podem ser passivos de novas taxações de importação. Continuo vendo um cenário extremamente desafiador à frente tanto no tocante ao panorama externo como interno, como podemos ver abaixo nas notícias do dia.

Confesso que não gosto de basear meus portfólios e meu cenário em cima de eventos de pouco poder de previsão, onde tenho pouca vantagem comparativa, como a política comercial dos EUA. Assim, eu mantenho o que já falei aqui outras vezes (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/update.html)

A mídia internacional está dando grande enfoque a “guerra comercial” iniciada pelos EUA contra a China e seus potenciais desdobramentos de agora em diante. Os mercados continuam mostrando baixa reação ou precificação a estes movimentos, vendo estes desenvolvimentos apenas como um meio de negociação, para que os EUA cheguem a termos, ou acordos, mais vantajosos ao país. Eu tendo a acreditar que o objetivo final seja esse, mas que talvez o caminho até lá não seja tão benigno como poderíamos imaginar anteriormente. Com a economia dos EUA robusta, um mundo que se mostra saudável e o preços dos ativos de risco, especialmente nos EUA, em níveis elevados, o pano de fundo para o Governo Trump insistir em sua postura de maior confronto nunca pareceu tão favorável. Além disso, as últimas pesquisas qualitativas em torno de seu governo mostram uma melhor na percepção da sociedade em relação a sua administração, o que é extremamente importante as vésperas das “Mid Term Elections” que irão se realizar em novembro. Assim, não podemos descartar a continuidade de uma postura de maior confronto, com uma possibilidade dos mercados financeiros, em algum momento, serem os responsáveis por disciplinar Trump e seu governo, com uma forte reação negativa a sua política.

No tocante ao pano de fundo econômico, que julgo mais importante a longo-prazo, continuo observando sinais de aperto do mercado de trabalho, o que ficou ainda mais evidente com a divulgação do JOLTs Job Openings de maio ontem, nos EUA. O Morgan Stanley trouxe uma avaliação qualitativa interessante do indicador:

Data releases in the US this morning confirmed the message of stronger economic growth in Q2 from recent PMI, auto sales and employment data. NFIB small business confidence beat the consensus estimate in June despite declining slightly relative to its May level. Underlying detail highlighted strength in employment components and the potential for an acceleration in wages due to a lack of skilled labor. Both the "% of firms with positions not able to fill right now" and "% of businesses with few or no qualified applicants for job openings" indices rose to their strongest reported levels in the history of the NFIB survey. Consistent with this message today’s JOLTS data for May, when including revisions, revealed that the number of job openings comfortably exceeded the number of unemployed for a third straight month. Despite concerns about the impact trade tensions may be having on the economy, there is little evidence in the data (yet) that activity levels have been impacted. The bigger concern in the near term may be how well the economy can perform given the lack of desired and available labor.

No Brasil, com o governo enfraquecido, o Congresso aprovou algumas medidas de impacto fiscal negativo, enquanto a pauta econômica de reformas ficou de lado. Segundo o Estado:

O Senado aprovou ontem proposta que revoga decreto do presidente Michel Temer e mantém benefícios tributários para a indústria de refrigerantes na Zona Franca de Manaus. Os incentivos foram cortados para bancar parte da fatura de R$ 13,5 bilhões do “bolsa caminhoneiro”, pacote de subsídios dado pelo governo para reduzir o valor do diesel e pôr fim à greve no setor de transporte de cargas. O texto ainda precisa passar pela Câmara, mas a equipe econômica entende que o ato é ilegal e vai trabalhar para derrubá-lo.

O texto ainda precisa passar pela Câmara, mas a equipe econômica entende que o ato é ilegal e vai trabalhar para derrubá-lo.

O benefício vai tirar R$ 740 milhões das contas públicas em 2018. Esse é um dos itens da pauta apelidada por fontes da área econômica de “farra fiscal”. Como o Estado mostrou em 23 de junho, às vésperas das eleições, o Congresso abriu a porteira para projetos que dão benefícios a alguns setores ou que resultam em perdas de receita, sem nenhum tipo de compensação.

Ontem, os senadores também aprovaram projeto que vai “resgatar” empresas que foram excluídas do Simples Nacional no início do ano. Essas 312,2 mil companhias perderam direito ao regime tributário mais benevolente porque deixaram de cumprir suas obrigações, inclusive de pagamento de tributos, mas podem ganhar nova chance graças à iniciativa do Congresso Nacional. O texto segue para sanção presidencial. O Comitê Gestor do Simples Nacional, presidido pelo secretário da Receita, Jorge Rachid, já emitiu parecer contrário à medida.

Segundo apurou a reportagem, há o temor no governo de que a medida seja considerada renúncia fiscal, já que as empresas excluídas deveriam passar a contribuir pelo regime de lucro real ou lucro presumido, pagando mais tributos. Pelo projeto, elas voltariam ao Simples no meio do exercício, com obrigações tributárias menores.




Data: 10/07/2018

"No news is good news..."

Os ativos de risco estão abrindo próximos a estabilidade essa manhã, na ausência de notícias relevantes. Os ativos na China apresentaram dinâmica mais positivo nos últimos dias, o que também foi um vetor estabilizador para os mercados.

A agenda da semana ganhará relevância a partir de quarta-feira, com a divulgação do PPI e CPI nos EUA, além do início da temporada de resultados corporativos.

Questões localizadas continuam demandando atenção (Turquia, Brexit, Eleições Brasil e etc), mas ainda foram incapazes de gerar qualquer tipo de contágio maior ao resto do mundo ou dos ativos de risco.

Na China, o CPI e o PPI ficaram praticamente dentro das expectativas em junho, mostrando um quadro de baixas pressões inflacionárias. A ausência de inflação reforça um pano de fundo em que existe espaço para a atuação do PBoC no tocante a estímulos monetários com o intuito de dar suporte a economia.

No Brasil, os jornais continuam fazendo a cobertura das eleições, sem que haja qualquer novidade relevante ou concreta nesta frente. Os ruídos envolvendo a prisão do ex-presidente Lula também mereceram manchetes, mas sem que haja de fato qualquer impacto ao cenário.

Para não soar repetitivo, minha visão pode ser encontrada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/




Data: 10/07/2018

Viés positivo, com problemas localizados.

A segunda-feira se encerra com um excelente desempenho das bolsas globais, mas com alguns problemas idiossicráticos em alguns países.

Na Turquia, o primeiro Ministro anunciou mudanças na legislação e colocou seu genro como Ministro das Finanças. Neste momento, após operar pela manhã em apreciação, a Lira Turca (TRY) deprecia cerca de 3%.

Na Inglaterra, a Primeira Ministra enfrenta grandes pressões de seu gabinete em torno das negociação do Brexit.

No México, os ativos locais vêm operando com dinâmica própria e hoje apresentaram depreciação após números de inflação um pouco mais elevados.

O destaque positivo ficou por conta dos mercados nos EUA, com alta das bolsas e abertura de taxas de juros. O movimento pode estar sendo ajudado pelas expectativas positivas em torno da temporada de resultados, além dos vetores já comentados aqui nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com/).

O dólar ameaçou um movimento de queda, dando sequencia aquele verificado após os dados de emprego na sexta-feira, mas acabou sendo freado pelos fatores acima citados.

Estamos passando, assim, por um período de diferenciação, pelo menos até que um novo tema global de investimentos, ou uma nova grande tendência, se torne mais clara no cenário.

 



Data: 09/07/2018

Risk-On!

 

Os ativos de risco estão iniciando a semana em tom positivo, com “risk-on” generalizado, dando seguimento a interpretação do cenário de “Goldilocks” após a divulgação dos dados de emprego nos EUA na sexta-feira. Comentei sobre essa possibilidade e este pano de fundo no final da semana passada, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/goldilocks-for-now-not-forever.html. Afirmei que a sazonalidade das férias de verão nos EUA, preços e valuations atrativos em algumas classes de ativos e a posição técnica do mercado poderiam favorecer este tipo de movimento no curto-prazo, mesmo que não alterasse o cenário ainda desafiador de longo-prazo. Sigo com visão cautelosa e tentando manter um portfólio relativamente neutro. 

 

Vale ressaltar que nos últimos dias observamos também dados de atividade econômica mais positivos, especialmente na Europa e na Alemanha, o que nos remete ao cenário do começo do ano, em que o crescimento global era sincronizado, favorecendo um ambiente bastante positivo para os ativos de risco. 

 

No Brasil, o imbróglio envolvendo o ex Presidente Lula ontem não passa de um ruído de curto-prazo. A situação em nada altera o cenário político local. Ainda vejo um quadro de indefinição eleitoral, que só deverá ser definido mais próximo as eleições. O mais importante neste tema ficará por conta da capacidade de Lula em transferir votos para o seu eventual candidato a presidente, dado que tudo indica que a situação jurídica dele aponta para a incapacidade de se eleger, baseado na lei de Ficha Limpa. Obviamente, em um cenário menos provável de que Lula seja candidato, as pesquisas mostram que ele continua a ser bastante competitivo.




Data: 09/07/2018

Update.

 

A mídia internacional está dando grande enfoque a “guerra comercial” iniciada pelos EUA contra a China e seus potenciais desdobramentos de agora em diante. Os mercados continuam mostrando baixa reação ou precificação a estes movimentos, vendo estes desenvolvimentos apenas como um meio de negociação, para que os EUA cheguem a termos, ou acordos, mais vantajosos ao país. 

 

Eu tendo a acreditar que o objetivo final seja esse, mas que talvez o caminho até lá não seja tão benigno como poderíamos imaginar anteriormente. Com a economia dos EUA robusta, um mundo que se mostra saudável e o preços dos ativos de risco, especialmente nos EUA, em níveis elevados, o pano de fundo para o Governo Trump insistir em sua postura de maior confronto nunca pareceu tão favorável. Além disso, as últimas pesquisas qualitativas em torno de seu governo mostram uma melhor na percepção da sociedade em relação a sua administração, o que é extremamente importante as vésperas das “Mid Term Elections” que irão se realizar em novembro. Assim, não podemos descartar a continuidade de uma postura de maior confronto, com uma possibilidade dos mercados financeiros, em algum momento, serem os responsáveis por disciplinar Trump e seu governo, com uma forte reação negativa a suas políticas.

 

Ainda neste final de semana um encontro entre as delegações dos EUA e da Coreia do Norte trouxe ruído ao acordo de desnuclearização da Coreia. De acordo com a mídia internacional, a Coreia do Norte chamou as demandas dos EUA e a postura da delegação americana de inaceitáveis, o que coloca em risco o acordo que havia sido anunciado. Acredito que o mercado dê pouca importância a este tema, a despeito da imensa importância geopolítica. Apenas uma deterioração acentuada deste relacionamento, que aproxime de uma guerra de fato, seria capaz de afetar o humor dos ativos financeiros.

 

No Brasil, a mídia continua a fazer a cobertura das eleições, sem que haja qualquer avanço de fato. A XP Investimentos divulgou pesquisa em que mostra que grande parte do eleitorado decide seus votos após iniciada a campanha eleitoral, com a TV ainda sendo importante fonte de informação. Isso confirma a importância das alianças e do tempo de TV dos candidatos, além de reforçar que a disputa continua em aberto, sem definição, como já era verdade desde sempre. 

 

Sigo vendo os mercados financeiros globais ainda respeitado os “ranges” que vem sendo regra ao longo deste ano, com volatilidade (positiva e negativa) mas sem grandes tendências. Para não soar repetitivo, minha visão pode ser revista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.




Data: 09/07/2018

Goldilocks for now, not forever.

 

Passada a ressaca da Copa, vamos ao que interessa. Os dados de emprego de junho, nos EUA, mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho, uma alta positiva da Taxa de Desemprego – pois foi puxada pela elevação na taxa de participação – porém com poucas pressões de salários. Os mercados reagiram com um movimento clássico de “risk-on”. 

 

De fato, a combinação destes números nos remete aos períodos do passado recente de “Goldilocks” da economia dos EUA e dos mercados financeiros globais. Caso os dados de inflação nos EUA na semana que vem não mostrarem uma alta mais acentuada dos índices de preço, essa dinâmica mais positiva poderá perdurar por mais algum tempo, especialmente em um período de sazonalidade positivo devido as férias de verão no hemisfério norte. 

 

Contudo, não acredito que estes movimentos sejam permanentes, estruturais ou que denotam uma nova tendência. Ainda vejo os mercados globais, grosso modo, com volatilidade (positiva ou negativa), porém respeitando alguns “ranges”. Por isso tenho favorecido um portfólio ainda balanceado. 

 

Ainda vejo a economia dos EUA em estágio avançado do ciclo econômico, e uma economia das Europa e do resto do mundo desenvolvido que ainda demandará normalização monetária e redução da liquidez global, o que não costuma ser positivo para os ativos de risco a longo-prazo. Nos últimos dias, vimos uma recuperação da atividade econômica em alguns dados da Europa, que foram lidos, acertadamente, como positivos pelos ativos de risco. Chamou-me a atenção a forte elevação dos salários no Japão. Ainda é cedo para acreditar em mudança de tendência no país, mas caso se confirme está dinâmica, seria uma novidade extremamente relevante para o cenário. 

 

Em suma, os números recentes reforçam o cenário de solidez da economia, com mercado de trabalho robusto, porém sem pressões inflacionárias adicionais. As pressões inflacionárias continuam se acumulando, mas não há sinais de necessidade de uma postura mais agressiva por parte do Fed. Este ambiente favorece a estratégia do Fed de normalização gradual da política monetária, sem ter que acelerar o movimento. Esta impressão, mesmo que seja pontual, está ajudando – e pode ajudar nos próximos dias – alguma descompressão daqueles ativos que mais sofreram ao longo das últimas semanas. Estes movimentos devem ser vistos como pontuais, mesmo que com duração de algumas semanas. 

 

No Brasil, o IPCA ficou dentro das expectativas, mostrando efeitos altistas pontuais e um qualitativo ainda bastante positivo.

 

Os ativos do Brasil apresentaram dinâmica positiva, seguindo o resto do mundo. A baixa liquidez devido ao jogo da Copa e a posição técnica do mercado (comprada em dólar e já mais negativa) ajudaram a acentuar o movimento da moeda e da curva longa de juros.

 



Data: 09/07/2018

[COMPLEMENTO] Mercados Globais - Emprego nos EUA em foco!

 

Hoje entrou em vigor as tarifas chinesas e americanas em cerca de US$34bi de produtos entre os dois países. Este é o começo de uma guerra comercial em que o mercado espera que seja apenas um instrumento de negociação. A entrada em vigor das tarifas, contudo, acentua a probabilidade de um erro de política comercial, com um impacto maior do que o esperado na economia global e uma eventual reação mais negativa dos ativos de risco. Por ora, vejo o efeito dessas tarifas como mais inflacionários do que com grandes efeitos sobre o crescimento. 

 

Na Alemanha, a produção industrial de maio apresentou forte elevação, seguindo o que já havia sido mostrado pelo Factory Orders. O número reduz a probabilidade de uma desaceleração mais acentuada na Europa no curto-prazo, mantendo o cenário de crescimento saudável ainda inalterado.




Data: 09/07/2018

Emprego nos EUA em foco!

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, na espera dos dados de emprego de junho nos EUA. Os ativos na China apresentaram dinâmica um pouco melhor esta noite, mas ainda com sinais de fragilidade. Para não soar repetitivo, minha visão segue inalterada e pode ser revista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/. 

 

Para os dados de emprego hoje nos EUA, o foco deverá permanecer nos indicadores de rendimentos (Average Hourly Earnings). Imagino que, em breve, a criação de vagas mensais de trabalho deverá arrefecer para abaixo dos 200 mil postos mensais, para algo mais perto (ou talvez abaixo) de 100 mil postos, sem que isso signifique um impacto extremamente negativo no crescimento, mas simplesmente pelo estado da economia e do mercado de trabalho próximo ao pleno emprego. Contudo, devermos observar a continuidade do processo de elevação dos rendimentos e da inflação. A dúvida que me resta, neste momento, é a velocidade que este processo se dará. 

 

Não há novidades relevantes no Brasil. Em entrevista a Miriam Leitão, Ilan - presidente do BCB - apenas reforçou a mensagem do comunicado do Copom e das Notas do Copom. 

 

Continuo com viés cauteloso e um portfólio mais defensivo, tanto no Brasil quanto no exterior. 




Data: 09/07/2018

EUA: Crescimento sólido, mercado de trabalho apertado, Fed atento.

 

O dia trouxe algumas informações passivas de comentários: 

 

Brasil – A XP Investimentos divulgou pesquisa com alguns de seus clientes em relação as expectativas para as eleições. A maior parte dos entrevistados (mais de 50%) esperam um segundo turno nas eleições entre Bolsonaro e Marina ou Bolsonaro e Alckmin. Apenas uma parcela menor espera um segundo turno com dois candidatos mais extremos. 

 

Na minha visão, o cenário eleitoral continua extremamente incerto. Não podemos descartar cenário mais extremos do ponto de vista do mercado, dado as inúmeros indefinições que temos pela frente. Assim, ainda existe amplo espaço para deterioração dos ativos locais caso cenários mais extremos se desenvolvam. 

 

O dia foi de deterioração nominal e relativa dos ativos locais. O BCB continuou ausente do mercado de câmbio. Com o dólar a 3,93, o mercado parece mais ajustado após as excessivas intervenções do BCB, mas claramente ainda existe ampla demanda por hedge. O mercado de juros, contudo, ainda parece estar sendo muito afetado pela atuação do Tesouro e não podemos descartar um ajuste (altista nas taxas) uma vez o Tesouro se afastando das intervenções. 

 

EUA – O ADP Employment mostrou uma criação robusta de vagas de trabalho. O ISM Non-Manufacturing mostrou uma economia robusta. As evidências qualitativas do ISM do Markit PMI mostram um mercado de trabalho extremamente apertado e pressões inflacionarias se acumulando. 

 

As Minutas do FOMC apresentaram um quadro em linha com este descrito acima, mas algum receio pontual com relação a “Guerra Comercial” e os desafios enfrentados pelos mercados emergentes. 

 

Acredito que a economia norte americana seja relativamente fechada e a “put” do Fed seja mais “fora do dinheiro” em um ambiente de aperto da economia e acúmulos inflacionários. Os dados de emprego amanhã e o Core CPI na semana que vem serão determinantes para este quadro e, consequentemente, para a dinâmica dos ativos de risco. 

 

Por ora, não vejo nenhum motivo para alterar o cenário base que vem se desenvolvendo desde o começo do ano.




Data: 05/07/2018

EUA: Crescimento sólido, mercado de trabalho apertado, Fed atento.

O dia trouxe algumas informações passivas de comentários:

Brasil – A XP Investimentos divulgou pesquisa com alguns de seus clientes em relação as expectativas para as eleições. A maior parte dos entrevistados (mais de 50%) esperam um segundo turno nas eleições entre Bolsonaro e Marina ou Bolsonaro e Alckmin. Apenas uma parcela menor espera um segundo turno com dois candidatos mais extremos. 

Na minha visão, o cenário eleitoral continua extremamente incerto. Não podemos descartar cenário mais extremos do ponto de vista do mercado, dado as inúmeros indefinições que temos pela frente. Assim, ainda existe amplo espaço para deterioração dos ativos locais caso cenários mais extremos se desenvolvam.

O dia foi de deterioração nominal e relativa dos ativos locais. O BCB continuou ausente do mercado de câmbio. Com o dólar a 3,93, o mercado parece mais ajustado após as excessivas intervenções do BCB, mas claramente ainda existe ampla demanda por hedge. O mercado de juros, contudo, ainda parece estar sendo muito afetado pela atuação do Tesouro e não podemos descartar um ajuste (altista nas taxas) uma vez o Tesouro se afastando das intervenções.

EUA – O ADP Employment mostrou uma criação robusta de vagas de trabalho. O ISM Non-Manufacturing mostrou uma economia robusta. As evidências qualitativas do ISM do Markit PMI mostram um mercado de trabalho extremamente apertado e pressões inflacionarias se acumulando.

As Minutas do FOMC apresentaram um quadro em linha com este descrito acima, mas algum receio pontual com relação a “Guerra Comercial” e os desafios enfrentados pelos mercados emergentes.

Acredito que a economia norte americana seja relativamente fechada e a “put” do Fed seja mais “fora do dinheiro” em um ambiente de aperto da economia e acúmulos inflacionários. Os dados de emprego amanhã e o Core CPI na semana que vem serão determinantes para este quadro e, consequentemente, para a dinâmica dos ativos de risco.

Por ora, não vejo nenhum motivo para alterar o cenário base que vem se desenvolvendo desde o começo do ano.




Data: 05/07/2018

Tom positivo. Agenda importante.

 

As bolsas nos EUA e na Europa operam em alta neste momento, a despeito da continuidade de um péssimo desempenho das bolsas na China e leve depreciação da moeda local. A dinâmica na China ainda pressupõe fragilidade do cenário e ainda demanda cautela. Vemos um arrefecimento no preço das commodities metálicas que pode sinalizar algum contágio deste ambiente para o resto do cenário global. 

 

A agenda do dia será fundamental, aliada ao Payroll amanhã e o Core CPI nos EUA na semana que vem, para a direção dos ativos de risco no curto-prazo. Foco no ADP Employment e nas Minutas do FOMC. 

 

Na Alemanha, o Factory Orders divulgado hoje cedo apresentou alta acentuada e acima das expectativas, afastando o risco de uma desaceleração adicional da economia da Europa no curto-prazo, mas colocando o processo de normalização monetária no país de novo no centro do debate. 

 

Não há novidades relevantes no cenário para Brasil. Comentei um pouco sobre os mercados locais ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/brasil-posicao-tecnica.html). 

 

Na minha visão, o cenário global, exceto por flutuações naturais em torno desta tendência, irá continuar mostrando uma economia nos EUA robusta e saudável, com aperto do mercado de trabalho e fechamento do hiato do produto, com acumulo de pressões inflacionárias. Já não vejo dados fortes (positivos) como favorecendo uma dinâmica positiva (“risk-on”) para os ativos de risco, pois mais crescimento implica em mais inflação e, consequentemente, juros mais elevados. 

 

Entendo que a taxa de criação de vagas de trabalho (ADP Employment \ Payroll) invariavelmente irá arrefecer abaixo da média de 200 mil por mês dos últimos meses (talvez mais perto, ou abaixo, de 100 mil), sem implicar em desaceleração da economia. Muito mais importante que estes indicadores, de agora em diante, serão os indicadores de remuneração (Average Hourly Earnings \ Employment Cost Index \ e etc) além dos indicadores de inflação propriamente ditos (Core CPI, Core PCE e afins).




Data: 05/07/2018

Brasil: Posição Técnica.

A quarta-feira de feriado nos EUA trouxe pouco liquidez aos mercados locais. O destaque do dia ficou por conta da Produção Industrial (PIM) de maio, que apresentou queda de 10,9% MoM, acima das expectativas de queda de 13,2% MoM. O número foi fortemente influenciado pela greve dos caminhoneiros e parte relevante da surpresa positiva ficou por conta da alta na indústria extrativa. Os indicadores antecedentes, de confiança e as sondagens de junho e julho apontam para uma recuperação extremamente lenta e gradual do crescimento. Acredito que ainda podemos ter revisões baixistas para o PIB deste ano.

No tocante aos ativos locais, o dólar (BRL) caminha para encerrar o dia no maior patamar deste ciclo econômico, acima de 3,90 e mostrando que as intervenções do BCB foram suficientes apenas para suavizar o movimento e atrasar o ajuste da moeda.

Interessante observar o movimento de flattening da curva de juros. Confesso que não sei ao certo o motivo do movimento.A bolsa mostrou desempenho positivo nos últimos dias, provavelmente baseada na percepção de preços e valuations atrativos.

Os movimentos recentes estão em linha com o que estamos ouvindo dos fundos multimercados nas primeiras atualizações do final do mês de junho. De maneira geral, sabendo que é sempre complicado generalizar, vemos o mercado mais comprador de dólar, mas ainda confiante em juros mais baixos por mais tempo no país, e com um viés mais otimistas com o mercado de renda variável. Estes feedbacks estão totalmente em linha com o desempenho recente dos ativos locais. Assim, começa a me preocupar um pouco a posição técnica do mercado. Alguns poucos fundos ainda mantém posição comprada em inflação implícita na parte intermediária da curva, como um hedge relativamente assimétrico para as eleições.

As posições hoje são mais balanceadas do que no passado recente e o mercado não parece unidirecional. De forma geral, contudo, eu tendo a acreditar que o mercado ainda é mais comprado (mais otimista) com os ativos locais, a despeito da concentração de posições compradas em dólar contra o Real.

A agenda de amanhã e sexta-feira, com ADP Employment, ISM Non-Manufacturing, FOMC Minutes, Payroll e com o Core CPI na semana que vem poderão ser determinantes para a dinâmica dos ativos locais e globais nas próximas semanas. Estes dados podem definir a melhor alocação de portfólio para o curto-prazo. Stay tuned!




Data: 05/07/2018

Tom positivo. Agenda importante.

As bolsas nos EUA e na Europa operam em alta neste momento, a despeito da continuidade de um péssimo desempenho das bolsas na China e leve depreciação da moeda local. A dinâmica na China ainda pressupõe fragilidade do cenário e ainda demanda cautela. Vemos um arrefecimento no preço das commodities metálicas que pode sinalizar algum contágio deste ambiente para o resto do cenário global.

A agenda do dia será fundamental, aliada ao Payroll amanhã e o Core CPI nos EUA na semana que vem, para a direção dos ativos de risco no curto-prazo. Foco no ADP Employment e nas Minutas do FOMC.

Na Alemanha, o Factory Orders divulgado hoje cedo apresentou alta acentuada e acima das expectativas, afastando o risco de uma desaceleração adicional da economia da Europa no curto-prazo, mas colocando o processo de normalização monetária no país de novo no centro do debate.

Não há novidades relevantes no cenário para Brasil. Comentei um pouco sobre os mercados locais ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/brasil-posicao-tecnica.html).

Na minha visão, o cenário global, exceto por flutuações naturais em torno desta tendência, irá continuar mostrando uma economia nos EUA robusta e saudável, com aperto do mercado de trabalho e fechamento do hiato do produto, com acumulo de pressões inflacionárias. Já não vejo dados fortes (positivos) como favorecendo uma dinâmica positiva (“risk-on”) para os ativos de risco, pois mais crescimento implica em mais inflação e, consequentemente, juros mais elevados.

Entendo que a taxa de criação de vagas de trabalho (ADP Employment \ Payroll) invariavelmente irá arrefecer abaixo da média de 200 mil por mês dos últimos meses (talvez mais perto, ou abaixo, de 100 mil), sem implicar em desaceleração da economia. Muito mais importante que estes indicadores, de agora em diante, serão os indicadores de remuneração (Average Hourly Earnings \ Employment Cost Index \ e etc) além dos indicadores de inflação propriamente ditos (Core CPI, Core PCE e afins).




Data: 04/07/2018

Feriado nos EUA. Destaque para PIM no Brasil.

Hoje será feriado nos EUA, o que deixará os mercados com baixa liquidez. Na China, a despeito do segundo dia consecutivo de apreciação da moeda (CNY) as bolsas do país apresentaram mais um dia de queda, mostrando que ainda prevalece uma incerteza e fragilidade no cenário local.

Na agenda local, destaque para a PIM, onde se espera uma queda entre 12% e 16% da produção em maio, ápice da greve dos caminhoneiros. Nossa área econômica tem nos reportado que a recuperação em junho e os indicadores e sondagens de junho e julho apontam para uma recuperação da atividade muito mais modesta e gradual do que o que poderia se imaginar, ao contrário da inflação, que já dá sinais inequívocos de arrefecimento, e cujos núcleos seguem extremamente baixos.

No Brasil, pesquisa eleitoral do Poder360 mostrou uma queda nas intenções de voto de Bolsonaro, alguma alta de Ciro e Marina, com leve queda de Alckmin. Todos os movimentos foram pequenos e dentro da margem de erro da pesquisa. Os números de hoje reforçam o quadro de incerteza do cenário eleitoral e, por ora, em nada alteram a dinâmica política do país. Acredito que em fins de julho e começo de agosto, com as coligações já formadas, poderemos ter um panorama mais claro para as eleições. Existe uma probabilidade não desprezível de chegarmos no final do primeiro turno com um quadro em que 4 ou 5 candidatos sejam viáveis, ou tenham capacidade e intenções de voto suficientes, para chegar ao segundo turno, assim como foi as eleições para prefeito do Rio de Janeiro nas ultimas eleições locais (https://www.poder360.com.br/datapoder360/datapoder360-a-3-meses-da-eleicao-bolsonaro-e-lider-e-nao-voto-tem-42/).

Na Inglaterra, o PMI Manufacturing ficou acima das expectativas, mostrando um quadro de crescimento saudável e robusto. O número eleva a chance de mais uma alta de juros no país no curto-prazo. Eu vejo a Inglaterra em um ciclo econômico muito parecido com aquele dos EUA, com o emprego apertado, o hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias. A diferença do país, contudo, reside nas incertezas provenientes do Brexit.




Data: 03/07/2018

Relief Rally!

Os ativos de risco estão apresentando um “relief rally” neste momento. Por ora, os movimentos ainda são tímidos, porém positivos. As bolsas da China apresentaram leve alta (0,4%-0,5%)  e a moeda do país apresentou pequena apreciação (0,2%-0,3%).

O movimento positivo desta manhã esta sendo sustentado pela notícia de um acordo na Alemanha em torno do coalização para a manutenção do Governo de Merkel. Isso vinha sendo um vetor negativo que estava ajudando a dar um tom mais negativo nos ativos europeus.

Na China, o PBoC divulgou um comunicado em que explica os fatores que estão levando a depreciação do CNY e que não é uma política de Estado a depreciação da moeda. Segundo o Morgan Stanley:

The PBoC governor said in a statement at 2:10pm today that the central bank is paying attention to recent RMB fluctuations, which are “mainly due to factors such as a stronger dollar and external uncertainties, and there has been some pro-cyclical behavior", and pledged to keep the RMB stable at an equilibrium level. Both CNY and CNH appreciated against the US dollar after the statement.

This echoes our view that recent RMB depreciation is NOT intended to be used as a countermeasure against trade measures, as the lesson from August 2015 suggests that an active material depreciation could hurt market confidence and financial market stability. While the CNY may overshoot with shifting market expectations of policy stance amid higher trade tensions, the PBoC is unlikely to encourage material currency depreciation. We expect more PBoC intervention if depreciation risk intensifies

O comunicado ajuda a acalmar os ânimos de curto-prazo, mas em nada altera os vetores responsáveis pela pressão na moeda do país. Este é um vetor que ainda demanda cautela e atenção.

Nos EUA, ontem, vimos a divulgação de um forte ISM Manufacturing, o que confirma o cenário de uma economia sólida e robusta. As pressões inflacionárias continuam a se acumular.

Eu tenho, hoje, dúvidas se dados econômicos mostrando crescimento forte nos EUA serão bem recebidos pelos ativos de risco. Ainda acredito que o principal tema para os mercados nos próximos meses será a normalização monetária e o enxugamento de liquidez dos principais bancos centrais do mundo. Uma economia norte americana forte implica em continuidade, ou aceleração, do processo de normalização monetária, o que tem se colocado como uma grande restrição a um processo mais prolongado, permanente e duradouro dos ativo de risco, mantendo os mercados mais voláteis e incertos.

No Brasil, a pesquisa Focus do BCB continua mostrando expectativas de inflação ancoradas. As coletas de inflação já parecem ter feito seu pico e começam a mostrar arrefecimento mais acentuado na ponto, o que indica que o choque inflacionário da greve dos caminhoneiros foi realmente pontual. Contudo, os indicadores de atividade econômica apontam para uma recuperação mais lenta do que o esperado.

Todo este ambiente deve ajudar a estratégia do BCB em manter, neste momento, a Taxa Selic estável. Este cenário não é contemplado na curva de juros, que ainda embute um prêmio relevante de altas de juros no curto, médio e longo prazo.

O BCB tem ficado ausente do mercado de câmbio, enquanto o BRL parece “apenas” seguir o humor global em torno do dólar no mundo, sem um descolamento maior ou irracionalidade (falta de liquidez). Isso tem dado sustentação a um movimento de alta da moeda norte americana em relação ao Real.




Data: 02/07/2018

Risk-off. Cenário negativo da China começa a gerar contágio.

Os ativos de risco estão abrindo em tom mais negativo, com movimentos clássicos de “risk-off”. A dinâmica desta manhã está em linha com o panorama que traçamos na tarde de ontem, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/07/cenario-continua-desafiador.html. Não há muito mais informações para adicionarmos nesta manhã além do que já foi comentado ontem.

Destaque para mais uma rodada de depreciação da moeda da China, o CNY, e para um dia de forte queda nas bolsas da Ásia, lideradas pela China, mas seguidas pelos demais países da região, em um claro movimento de contágio.




Data: 02/07/2018

Cenário continua desafiador.

 

O final de semana trouxe novas evidências de que o cenário econômico e político global continuam mostrando sinais de complexidade, que demandam uma postura mais cautelosa. Reforço minha mensagem principal de sexta-feira (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/eua-mais-inflacao-menos-crescimento.html) de que o pano de fundo de aperto do mercado de trabalho nos EUA, com o hiato do produto fechado e a economia no pleno emprego começa a mostrar, nos dados econômicos, um cenário de acumulo de pressões inflacionárias, em um momento em que poderemos observar algum arrefecimento do crescimento, mesmo que ainda em níveis elevados, robustos e saudáveis. Os ativos de risco, no geral, continuam apresentando pouco poder de absorção de um ambiente mais desafiador a frente, na minha opinião.

Não vi nenhuma novidade realmente concreta no cenário para Brasil. Os jornais continuam dando enfoque as negociações eleitorais. Ao que tudo indica a coalização entre PSB e PDT de Ciro Gomes parece estar avançando e pode ser anunciada a qualquer momento, segundo a mídia local.

Na China, o Manufacturing PMI caiu de 51,9 para 51,5 pontos, praticamente dentro das expectativas, porem confirmando uma desaceleração da economia. Chama a ateção o arrefecimento do Export Orders, que caíram de 51,2 para 49,8 em junho. A situação da economia chinesa e dos mercados locais ainda demanda atenção especial e cautela.

Nesta mesma linha, vimos mais um arrefecimento das exportações na Coréia do Sul, que pela característica de uma economia aberta, costuma ser olhada como proxy para o crescimento da Ásia e do mundo.

Nos EUA, Trump manteve uma retórica dura, ou melhor, manteve uma postura de ameaça a seus parceiros comerciais. Desta vez, voltou suas declarações ao setor automobilístico e a Europa em especial. Uma possível “Guerra Comercial” é um “risco de cauda” que, hoje, temos pouco poder de previsão, mas os indicadores de confiança podem começar a sentir estes impactos caso não tenhamos uma retórica mais branda nas próximas semanas.

Ainda segundo a mídia nos EUA, a Coreia do Norte, estaria mantendo estruturas de enriquecimento de urânio para fins militares, em uma clara afronta ao “acordo” anunciado juntos aos EUA. Este é um risco que, até o momento, apresentou pouco impacto nos mercados financeiros globais de maneira mais permanente, e assim deve permanecer, pelo menos enquanto não houver uma mudança substancial de cenário nesta frente.

Na Alemanha, a situação política do Governo Merkel continua fragilizada.




Data: 29/06/2018

EUA: Mais inflação, menos crescimento.

O grande destaque desta sexta-feira, na minha opinião, ficou para os dados econômicos nos EUA. Como comentei hoje cedo, não irei comentar a fundo a dinâmica dos ativos de risco hoje, pois os fluxos de final de trimestre/semestre podem distorcer qualquer sinalização dos mercados.

Os números econômicos nos EUA mostraram um crescimento ainda sólido e saudável, mas com sinais de que o seu pico possa já ter sido feito. No tocante a inflação, acumula-se sinais de pressões altistas de preço. Existe uma chance não desprezível de observarmos números de crescimento mais fracos e inflação mais fortes nas próximas semanas, o que não costuma ser uma combinação positiva para ativos de risco.

Reforço o que escrevi mais cedo, com a contribuição do Morgan Stanley:

Os números na margem mostram alguma desaceleração do crescimento: The Q2 spending profile now shows a deceleration throughout the quarter: 0.6% in March, 0.5% in April and 0.2% in May.

A inflação continua dando sinais de firmeza e já se encontra na meta do Fed. Vale lembrar, contudo, que o Fed está confortável com o Core PCE “em torno de” 2%, ou seja, se não acentuar a alta de 2%-2,2%, na minha visão, não haverá mudança de política monetária: Headline PCE inflation, meanwhile, rose 0.21% (in line with MS/consensus), boosting the year-over-year rate of total PCE inflation to 2.25%—at or above the Fed's 2.0% goal for the third consecutive month.

O Chicago PMI se manteve perto das máximas deste ciclo econômico, com novos sinais de pressões inflacionárias. O Michigan Confidence apresentou leve arrefecimento, mas ainda em patamar elevado. As expectativas de inflação continuam a se mover para cima.

Continuo vendo a evolução de um cenário que deverá se colocar como uma restrição para apreciações adicionais, ou tendências mais prolongadas e positivas. Por ora, ainda não vejo nenhum “trigger” para uma tendência mais negativa, mas a evolução de um cenário que pode caminhar nesta direção. Enquanto isso, espero a manutenção de um ambiente de maior volatilidade e tendências (ou movimentos) mais curtos. Os portfólios devem estar adaptados a este ambiente.

No Brasil, a pesquisa mensal de emprego mostrou uma deterioração na parte qualitativa do mercado de trabalho, o que apenas reforça a situação de uma recuperação ainda mais lenta do que o esperado no crescimento do país. Os dados fiscais apresentaram recuperação, o que deve garantir o atingimento da meta fiscal deste ano com certa tranquilidade. Este vetor, contudo, é uma foto do passado e os riscos prospectivos nessa frente, na ausência de reformar adicionais, continuam extremamente elevados.

Neste momento, estamos presenciando mais uma rodada de depreciação do Peso na Argentina (ARS), o que apenas confirma a minha visão de um cenário global ainda conturbado e longe de uma estabilização mais duradoura.

O final de semana trará as eleições no México como destaque. Já é amplamente esperado que AMLO, o candidato de esquerda, ganhe as eleições, com potencial de conseguir uma maioria no congresso nunca antes atingida. Nos últimos anos AMLO migrou para um discurso mais ao centro, o que está fazendo os investidores acreditarem em um cenário parecido com o Lula no Brasil em 2002, em que a despeito de ser de esquerda, o país acabou passando por um período de bonança. Só vale lembrar, contudo, que o cenário internacional é totalmente diferente atualmente. Assim, qualquer erro ou guinada mais à esquerda/populista será punido de forma mais rigorosa pelo mercado. Dado a importância do México para o mundo emergente, e as comparações que serão feitas com Brasil, precisamos estar atentos ao que ocorrerá no país a partir de segunda-feira.




Data: 29/06/2018

 "Risk-on": Final de trimestre pode afetar os fluxos hoje.

Os ativos de risco estão abrindo a sexta-feira em tom mais positivo, com movimentos clássicos de “risk-on”. Destaque para a alta nas bolsas globais. Os mercados na China apresentaram recuperação, com leve apreciação da moeda (CNY) mas forte alta dos índices de bolsa.

Como hoje é final de trimestre e de semestre, alguns fluxos pontuais poderão distorcer, pontualmente, a dinâmica de preços, sem que isso seja de fato um sinal de melhora no cenário. Assim, deveremos esperar a semana que vem para termos uma noção mais clara do panorama internacional em termos de dinâmica de mercado.

Continuo com viés mais cauteloso, mas administrando ativamente o tamanho e os instrumentos do portfólio, tentando manter este viés, porém com um portfólio balanceado e com alguns temas de investimentos específicos. Dado as incertezas e a volatilidade dos mercados, as posições hoje estão com baixa utilização de risco.

Na Europa, a União Europeia conseguiu chegar a um acordo de última hora no tocante a questão migratória da região, o que tira um peso da região e pode trazer alguma estabilidade política local, especialmente para o Governo de Merkel na Alemanha.

Na Inglaterra, o PIB do primeiro trimestre do ano apresentou alta superior as expectativas, após revisão do PIB de crescimento de 0,1% QoQ para 0,2% QoQ.

Na Alemanha, o desemprego caiu novamente pelo décimo segundo mês consecutivo, em cerca de 15 mil postos de trabalho, com o desemprego permanecendo nos pisos históricos de 5,2%. O número mostra um mercado de trabalho extremamente apertado e próximo ao pleno emprego.

Nos EUA, os números continuam apontando para um crescimento extremamente sólido da economia no 2Q, que pode chegar a 4,5%-5% QoQ anualizado. Os indicadores de confiança e as evidências anedóticas, contudo, começam a mostrar os impactos negativos da “Guerra Comercial” nas expectativas, o que pode vir a afetar o crescimento neste começo de 3Q. O próprio Fed já começa a chamar a atenção para este possível impacto. O dia hoje será de agenda agitada no campo econômico.

No Brasil, o Relatório de Inflação trouxe uma mensagem muito parecida ao que já havia sido sinalizado nas Notas do Copom. As previsões de inflação do BCB continuam bastante baixas e ancoradas, mesmo após a alta do dólar. As medidas de núcleo encontram-se ainda mais baixas, especialmente aquelas mais afetadas pela atividade econômica. Na atual conjuntura, não há necessidade de um ciclo de alta de juros por parte do BCB. Isso será reavaliado em cada reunião. Olhando de hoje, apenas uma alta extremamente acentuada do dólar, que venha a afetar as expectativas de inflação, será capaz de alterar a postura do BCB. A atividade continua muito fraco e a recuperação mais lenta do que o esperado pelo BCB até pouco tempo atrás, e mesmo descontado os efeitos da greve dos caminhões.




Data: 28/06/2018

Sinais de estabilização dos ativos. Cenário segue com vetores negativos.

Após uma quarta-feira de “risk-off” generalizado, os ativos de risco estão mostrando alguma estabilização neste momento, a despeito de mais um dia de péssima performance dos ativos na China, com depreciação cambial e queda dos índices de bolsa. Todos os vetores que apontei ontem (aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/risk-off_27.html) continuam presentes e ainda não foram endereçados. Assim, continuo vendo um cenário mais negativo no curto-prazo.

Para colocar mais uma pitada de complexidade ao cenário, além desses vetores citados nos últimos dias (redução da liquidez global, problemas na China, “Guerra Comercial”) temos convivido com uma forte alta no preço do petróleo, o que costuma se caracterizar por mais inflação e menos crescimento, em um momento já de economia, especialmente nos EUA, no pleno emprego e com o hiato do produto fechado.

No tocante a China, a Bloomberg está reportando que o Governo pretende proibir a venda de “bonds” (títulos de dívida) de curto-prazo por parte das empresas. Pela primeira vez em cerca de um ano e meio o país vive um momento de apreensão e dificuldade. Ainda me parece cedo para ter uma opinião mais firme em relação a real situação da economia, mas me parece claro que o cenário é bastante complicado e demanda cautela no curto-prazo.

No Brasil, o BCB não atuou no câmbio mesmo com uma depreciação cambial relevante, porém não muito diferente dos seus pares. Espero a continuidade das intervenções, mas em montante inferior ao que vinha sendo feito ao longo do ultimo mês. A maneira de intervir deverá ser mais errática, com intuito apenas de prover liquidez e evitar a irracionalidade do mercado. O BRL ainda parece precisar de algum ajuste (de depreciação) dado as pesadas intervenções recentes.

Caso a depreciação continue de forte acentuada, afetando as expectativas de inflação de 2019 e à frente, o BCB já sinalizou que poderá elevar a Taxa Selic como meio de conter a desancoragem das expectativas.

Os dados econômicos recentes trazem poucas novidades para o cenário de Brasil. A inflação de curto-prazo continua elevada, mas parece estar fazendo seu pico. Poderemos ter números mais baixos de inflação do meio de julho ate final de agosto. A atividade econômica mostra-se bastante deprimida. Será importante ver em que medida a atividade irá se recuperar após a greve dos caminhoneiros, e diante de um quadro externo desafiador e um ambiente político indefinido. Os primeiros indicadores de sondagem mostram uma recuperação aquém do previsto após a greve, o que merece atenção.




Data: 27/06/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão abrindo o dia novamente em tom negativo, com movimentos clássicos de “risk-off”. Destaque para mais uma forte queda das bolsas na China e depreciação do Yuan (CNY), a moeda do país (mais detalhes abaixo). Continuo com visão mais cautelosa e negativa no curto-prazo. As posições refletem este viés. Contudo, sigo com postura mais tática, ainda vendo os mercados em ranges.  Para mais detalhes das posições, vejam aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.

Alguns vetores justificam este pano de fundo mais nebuloso nos últimos dias. Vamos a eles:

1 – A normalização monetária nos países desenvolvidos, em especial nos EUA, continua a reduzir a liquidez dos mercados e a se colocar como uma grande restrição a apreciações adicionais aos ativos de risco. Vejo este vetor como estrutural, ou seja, de longo-prazo. Acredito que este processo irá continuar a criar uma espécie de barreira a apreciações mais acentuadas e prolongadas dos ativos de risco.

2 – A China passa por um momento mais delicado de desaceleração, o que não ocorria desde 2016. O país costuma, quase que anualmente (exceto em 2017) passar por períodos curtos de desaceleração que, normalmente, são administrados de maneira bem sucedida pelo Governo e pelo PBoC. A atuação desses agentes, nos últimos anos, sempre foi suficiente para estabilizar a economia e os mercados, mas não sem antes criar volatilidade e momentos negativos nos ativos de risco.

A cerca de 5 a 6 semanas, começamos a ver sinais de fragilidade na economia chinesa. Desta vez, contudo, com o agravante de um problema um pouco mais agudo no mercado de crédito, que sempre foi apontando como um enorme risco de longo-prazo à economia.

Neste caso, só nos resta acompanhar os próximos passos da economia e dos mercados na China, mas pela primeira vez em cerca de um ano e meio o país começa a se mostrar um vetor desestabilizador para os mercados financeiros globais, após um longo período de estabilidade e pouca atenção dada pelos investidores.

3 – O Governo dos EUA continua caminhando na direção de maior confronto nas negociações comerciais. Este tema é mais espinhoso e incerto, dado a imprevisibilidade desta administração liderada por Trump.

4 – A Europa passa por um momento de incerteza econômica, com sinais de desaceleração da economia, e problemas políticos diversos, como a situação do novo governo na Itália e a fragilidade de Merkel na Alemanha. A Europa está se mostrando que pode começar a ser vista como o novo Japão em termos de economia e política, ou seja, uma região com baixo crescimento estrutural, mudanças políticas constantes e poucas pressões inflacionárias. A comparação não é perfeita e nem totalmente “honesta”, mas é uma percepção que poderá se formar com o tepo.

No Brasil, o CMN reduziu a meta de inflação de 2021 para 3,75%. A mudança é um enorme avanço institucional para o país, pois irá tornar mais “caro” políticas heterodoxas em eventuais novos governos eleitos. Não vou entrar no mérito da discussão se a decisão foi, ou não, acertada.

Acredito que a decisão irá ajudar a ancorar as expectativas de inflação mais longas. Não vejo a decisão alterando a política monetária de curto-prazo. O mercado estava bastante comprado e inflação implícita na parte intermediária da curva e esta decisão poderá causar alguma pressão (baixistas de taxa) nestas posições e na parte intermediária da curva, no curto-prazo. Com o cenário externo ainda nebuloso e o político local indefinido, contudo, a decisão pouco deve alterar a dinâmica de médio-prazo (3 a 6 meses).

Ainda ontem o STF anunciou algumas decisões que podem favorecer o ex Presidente Lula, soltando alguns condenados em segunda instância que estavam presos. Os casos não são idênticos, mas as decisões serão vistas pelo mercado como um sopro de esperança para Lula ser solto em agosto.




Data: 26/06/2018

Sinais de estabilização. Fragilidade ainda presente no cenário externo.

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de “risk-off” clássico. Hoje pela manhã, estamos observando uma dinâmica mais estável, sem novidades relevantes no cenário. Os sinais de fragilidade, contudo, ainda permanecem.

Continuo com visão cautelosa e esperando que os mercados continuem apresentando movimentos de “stop-and-go”, ou “risk-on, risk-off” ao longo do ano, até que um cenário mais negativo se desenvolva. Este roteiro seria seguido seja pelo erro na política comercial americana, seja pela alta mais aguda da inflação nos países desenvolvidos (e nos EUA em especial), ou pela chegada do risco de desaceleração do crescimento global. Nenhum desses vetores (ainda) parecem estar presentes, o que me leva a crer que, por ora, o cenário base seja de mais volatilidade, porém ainda dentro dos “ranges” (das bandas) que estão sendo respeitadas ao longo deste ano.

No Brasil, a única novidade na mídia fica por conta da possível aliança do PR a Jair Bolsonaro nas eleições. O DEM parece ter encomendado pesquisa com Datena como vice de Maia, o que poderia levar Maia a uma posição mais vantajosa nas pesquisas eleitorais (fala-se em 8% das intenções de voto). Finalmente, o PT testando Jacques Vagner como candidato mostra uma capacidade de obter 5% das intenções de voto apenas na Bahia.

De qualquer maneira, nada de concreto, o que mantém o cenário ainda desafiador e indefinido no campo político.

Os ativos do Brasil apresentaram ontem um dia de recuperação. Acredito que grande parte do movimento tenha sido sustentada pela posição técnia, já mais negativa, e pela percepção de valuations e preços mais atrativos nos ativos do país. Entendo que teremos volatilidade e melhoras na dinâmica não podem ser descartadas. Contudo, para uma melhora sustentada e estrutural precisaremos de um cenário externo mais favorável e de uma definição do cenário político. Por ora, nenhum desses vetores me parecem presentes.




Data: 25/06/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão abrindo a manhã em tom mais negativo. Alguns eventos justificam o movimento. Primeiro, a mídia internacional está reportando que os EUA pretendem utilizar meios legais para impedir alguns investimentos chineses no país. Caso isso seja confirmado, seria mais um agressivo passo na relação comercial entre os EUA e a China, elevando em mais um degrau o risco de um erro de política comercial. O mercado, até pouco tempo atrás, estava complacente com a escalada na retórica comercial dos EUA. Agora, nos últimos dias, começou a se preocupar mais com este vetor. Comentei um pouco mais sobre este risco no meu comentário de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com/).

Segundo, uma reunião de emergência convocada pela União Europeia para discutir os problemas de imigração da região trouxe demandas agressivas por mudanças na legislação por parte do novo governo da Itália, país mais afetado pelos fluxos populacionais. As demandas italianas são um duro golpe ao governo de Merkel na Alemanha. Agora, elevam-se as chances do Governo Merkel perder mais forçar e seja trocado no curto-prazo, trazendo um vetor de incerteza adicional a região e ao cenário político global.

Finalmente, na Alemanha, o IFO ficou dentro das expectativas, porém com mais uma queda. Sendo um dos principais indicadores de confiança da região, a queda adicional do IFO mostra um quadro de indefinição para o crescimento da Alemanha e de toda Europa. O crescimento ainda se mostra saudável, mas claramente mais fragilizado do que se imaginava até alguns meses atrás.

Não há novidades relevantes no Brasil. A mídia continua cobrindo as intervenções do BCB o câmbio e do Tesouro no mercado de dívida pública. O quadro eleitoral mostra pouca variação.




Data: 25/06/2018

Após uma semana, pouca coisa mudou.

Após uma semana de descanso, acompanhando as notícias de forma superficial, aqui vão alguns comentários preliminares de como vejo o cenário. Estarei mais preparado para entrar em detalhes de algum tema específico ao longo dos próximos dias.

De maneira geral, o cenário, local e externo, assim como o nível de preço dos ativos, está quase que rigorosamente igual há uma semana, ou seja, não vejo grandes mudanças fundamentais de cenário econômico ao longo dos últimos dias, que justifiquem qualquer mudança de postura ou posicionamento.

Vamos a alguns temas mais específicos:

Brasil – Continuamos a sentir os impactos negativos, porém pontuais, da greve dos caminhoneiros nos indicadores de atividade econômica. Na inflação, este efeito é altista, porém temporário.

O grande destaque da semana ficou por conta da reunião do Copom, em que o comitê manteve a Taxa Selic estável em 6,5%, indicando exatamente para estes efeitos pontuais nos números dos próximos meses. O comunicado procurou manter flexibilidade na atuação de política monetária, mas mostrou pouca propensão a utiliza-la (ou seja, promover altas de juros), pelos menos com o câmbio “controlado” em torno de 3,7-3,9 no curto-prazo.

Não houve mudança de cenário econômico e político. A corrida eleitoral continua aberta e não vi nenhum fato concreto que altere o cenário de incerteza e indefinição nesta frente.

O BCB continua atuando de forma relativamente agressiva no câmbio, com swaps cambiais e leilões de linha, porém de maneira mais errática. Por ora, esta postura tem sido bem sucedida em manter o BRL em torno de 3,7-3,8, especialmente com os últimos dias de dólar mais estável para fraco no mundo.

Da mesma forma, o Tesouro Nacional continua promovendo leilões de compra e recompra de títulos, o que ancorou o mercado, mesmo que muito próximo aos highs de taxa deste ciclo.

A grande mudança ficou por conta da posição técnica do mercado. Nosso acompanhamento de posições dos fundos mostra um mercado muito mais balanceado, com muitos gestores já menores em alocações em Brasil e muitos outros já com posições mais pessimistas. Este posicionamento também pode estar dando algum alívio de curto-prazo ao mercado. Vale lembrar que a posição técnica é importante para movimentos de curto-prazo, mas estudos comprovam que, na média, o consenso costuma estar correto.

Eu continuo pouco animado para carregar posições estruturais em Brasil, nestes níveis, com esta posição técnica e as incertezas do cenário, para qualquer um dos lados (positivo o negativo). Minha intenção é seguir com postura mais tática, posições relativas e a busca por assimetrias em mercados específicos.

EUA – O país continua mostrando crescimento robusto e acima do resto do mundo. Será importante monitorar os próximos dados de inflação. O Fed está, por ora, em piloto autoático em seu processo de normalização monetária. Vejo um risco maior de o Fed ter que ser mais agressivo no processo de normalização do que ter que desacelerar este ritmo.

O Governo Trump continua com postura agressiva no tocante as negocições com seus parceiros comerciais, mas o mercado, por ora, está ignorando este fato, acreditando que essa postura não passa de uma estratégia em busca de melhores termos. Eu vejo um risco crescente de um erro de política comercial, à medida que as medidas vão sendo implementadas. Não descarto a possibilidade próprio mercado fazer o papel de trazer mais racionalidade a esta discussão, caso observemos uma forte reação negativa em algum momento do tempo.

Me chamou a atenção, porém um tema para o longíssimo prazo, a aprovação pela Suprema Corte, autorizando os Estados a cobrarem impostos sobre as empresas de varejo na internet. Este é um tema que acho que ganhará corpo com o tempo, de maior regulamentação do setor de tecnologia como um todo. Este tema surgiu com o “escândalo da Cambridge Analytica e do Facebook” e deve ganhar corpo ao longo do tempo.

Europa – Alguns países continuam apresentando problemas políticos locais (Itália, Alemanha e etc). Vimos um sopro de esperança na estabilização do crescimento da região com os números preliminares dos PMIs divulgados no final da semana passada.

A região continua mostrando dinâmica confusa e problemas diversos.

China – A China foi foco de estabilização dos mercados  desde início de 2017. Nos últimos meses, começamos a ver sinais de arrefecimento do crescimento e alguns problemas um pouco mais agudos no mercado local de crédito. A recente piora na relação comercial com os EUA parece já está afetando o crescimento do país.

O PBoC anunciou mais um corte de compulsório neste domingo. O PBoC também vem mantendo a moeda um pouco mais depreciada do que o imaginado. O Governo continuará tentando administrar da maneira mais gradual possível o processo de desaceleração da economia e os problemas no mercado de crédito. Eles sempre foram capazes de conduzir este processo de maneira positiva. De qualquer maneira, é uma área que precisamos acompanhar de perto, pois pode trazer consequências mais problemáticas caso saia do controle.




Data: 15/06/2018

EM: No Relief...

O “relief rally” dos mercados emergentes, do qual me referi pela manhã, durou apenas metade de um dia. Os mercados emergentes voltaram a apresentar forte pressão. Nem mesmo a percepção do mercado de um Fed e um ECB dovish – pelo menos pela reação dos ativos, não que eu concorde com essas intepretações – foi capaz de conter o movimento de desalavancagem dessa classe de ativos.

Vimos novamente forte pressão sobre Brasil, Argentina, Turquia, México e afins. Confesso que estamos em um ambiente o qual já não sei ao certo o que será capaz de estancar essa sangria. Pegando a Argentina como exemplo, o país elevou as taxas de juros para 40%, promoveu forte intervenção cambial, anunciou mais austeridade fiscal e fechou um pacote de ajuda junto ao FMI. Nada disso foi capaz, pelo menos por ora, de conter a depreciação do ARS e a depreciação dos ativos do país. Ao que tudo indica, outros países emergentes estão caminhando na mesma direção.

O que me resta é acreditar que após 10 anos de liquidez abundante, o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, mas especificamente nos EUA e na Europa, está gerando uma pressão estrutural sobre essas classes de ativos e apenas a estabilização desse processo será capaz de reverter esses movimentos.

Na Europa, o ECB anunciou um “tapering” de seu QE e sinalizou para o seu encerramento no final deste ano. Este processo, obviamente, está condicionado aos dados econômicos. A sinalização de taxas de juros baixas até meados de 2019 foi percebida como dovish, levando a forte queda do EUR e fechamento de taxa de juros.

Minha conclusão é que as reuniões do Fed e do ECB pouco alteraram o cenário de médio-prazo, em que a normalização monetária continuará nesses países/regiões, trazendo enormes restrições para a apreciação dos ativos de risco.

Nos EUA, as vendas no varejo de maio ficaram muito acima do esperado, e apresentaram revisões altistas para o mês anterior. O Jobless Claims se manteve nos níveis mais baixos em várias décadas. O Import e Export Prices mostraram sinais de acumulo de pressões inflacionárias. Esses números confiram o cenário de uma economia no pleno emprego com o hiato do produto fechado, o que enseja a continuidade do processo de normalização monetária, talvez de forma mais rápida e acentuada do que o que está precificado no mercado neste momento.

No Brasil, a intervenção mais agressiva anunciada pelo BCB está chegando ao fim, com o dólar voltando ao patamar de 3,8. É muito provável que intervenções agressivas, porém mais erráticas e sem anúncios oficiais, continuem no curto-prazo.

O mercado de juros apresentou mais uma rodada de “stops”, com a curva apresentando um movimento quase que linear de abertura. Impressiona a precificação de alta de juros na parte curta, com um ciclo já bastante agressivo e começando na reunião do Copom da semana que vem.

Acredito que mantido este cenário, com a dificuldade que o BCB está tendo em manter o dólar bem comportado, o BCB será levado a promover um ajuste na Taxa Selic. Tenho pouco convicção no tamanho e no timing deste ajuste.




Data: 15/06/2018

Fed mais hawkish. Cenário inalterado.

Os ativos de risco estão abrindo essa manhã com leve vié de “risk-off”, com destaque para uma pequena queda das bolsas e uma pressão no mercado de commodities. As taxas de juros nos países desenvolvidos operam em baixa e o dólar apresenta desempenho mai misto neste momento.

Segundo a mídia internacional, o Governo dos EUA irá anunciar hoje a imposição de tarifas de importações em cerca de 800 a 900 produtos de um total de US$50bi, de transações com a China. Caso isso se confirme, é esperado que a China reaja de maneira rápida e similar, impondo medidas recíprocas. Este seria mais um perigoso passo para uma possível “guerra comercial”. Por mais que o mercado ainda veja essas ações apenas como meios de se conseguir melhores condições comerciais, este tipo de postura aumenta, sobremaneira, a probabilidade de um erro de política comercial, com impactos negativos sobre a atividade e altistas sobre a inflação.

No Brasil, o BCB anunciou que irá vender, no mínimo, na semana que vem mais US$10bi em swaps cambiais. O BCB continua cumprindo o seu papel de prover liquidez e racionalidade ao mercado. Continuo acreditando que essa postura será suficiente apenas para suavizar o movimento da moeda, mas incapaz de alterar sua direção e sua dinâmica. Acredito que esse seja o objetivo do BCB e, por ora, podemos dizer que ele está sendo bem sucedido, caso contrário, o dólar estaria em patamares muito mais elevados. A médio-prazo, contudo, a utilização dos swaps, de maneira agressiva como está sendo usado no curto-prazo, pode deixar o país em situação mais delicada, especialmente se o cenário eleitoral permanecer nebuloso e o cenário externo mais desafiador. Neste caso, apenas uma alta mais agressiva das taxas de juros será capaz de ajudar na estabilização da moeda.

O CMN anunciou medidas de alívio aos fundos previdenciários, com intuito de trazer algum vendedor final de taxa de juros ao mercado. Antecipando o ajuste do prazo-médio das seguradoras, o CMN visa prover liquidez ao mercado de juros.

A curva  local de juros já precifica cerca de 35 a 40bps de alta na Taxa Selic no Copom da semana que vem. A curva como um todo apresenta cerca e 250bps de alta este ano. Até acredito que serão necessárias altas de juros em breve, mas talvez seja cedo para o BCB reagir já na reunião da próxima semana, exceto por uma escalada ainda mais acentuada do dólar, digamos acima de 4.00 até lá. De qualquer maneira, acredito que o BCB será bastante pragmático, seguindo os seus modelos de inflação no tocante a política monetária, ou seja, os efeitos do câmbio serão levados sim em conta, mas apenas a medida que mudem o patamar das expectativas de inflação.




Data: 14/06/2018

Fed mais hawkish. Cenário inalterado.

Nos EUA, o Fed elevou a taxa de juros em 25bps como era amplamente esperado. O comunicado divulgado após a decisão mostrou um Comitê mais confiante no cenário de recuperação da economia. Algumas modificações foram feitas no comunicado para se enquadrar em um novo ambiente de taxas de juros correntes mais elevadas. As projeções do FOMC mostraram revisões altistas para a inflação e crescimento, e baixistas para a taxa de desemprego. Os “dots” se moveram para cima em 2018, sinalizando para mais 2 altas de 25bps este ano. O Fed anunciou que irá promover coletivas de imprensa após todas as reuniões, mas que isso não significa nenhuma mensagem ou sinalização.

Na minha visão, as modificações foram mais hawkish do que o esperado. A mesma mensagem foi passada por Jay Powell na coletiva de imprensa. A reunião de hoje em nada altera o cenário com o qual temos trabalhado. A decisão do ECB amanhã, contudo, pode nos reservas mais surpresas, dado a maior indefinição, ou falta de um consenso maior, em torno do que será anunciado ou sinalizado.

No Brasil, as vendas no varejo de abril apresentaram alta superior as expectativas, com revisões altistas no mês anterior. Acredito que este número seja uma fotografia do passado e as perspectivas de crescimento pioraram bastante nas últimas semanas. Não há nada neste número que me faça ficar mais otimista com o estado futuro da economia.

O BCB continuou com uma agressiva intervenção cambial, conseguindo manter a performance do BRL (mais ou menos) em linha com os seus pares. Eu continuo me perguntando, incessantemente, qual seria o novo patamar do dólar caso o BCB não estivesse promovendo essas intervenções? Além disso, o que ocorrerá quando essa ração de venda de dólares diária terminar?

Reforço que entendo o papel do BCB em prover liquidez e racionalidade ao mercado. Não existem evidências concretas de que qual a melhor maneira de se atuar no mercado de câmbio (por não ser uma ciência exata e não termos a contraprova do cenário alternativo), mas diante de uma mudança global de cenário e dos desafios locais, não seria mais prudente deixar o câmbio buscar seu novo patamar de ajuste? Continuo acreditando que o BCB será incapaz de alterar a direção da moeda caso os cenários locais e externo permanecem com o mesmo quadro atual. A atuação agressiva no curto-prazo pode vir a piorar a situação local no médio-prazo, caso o cenário continue desafiador. Isso não significa que o BCB tenha que se ausentar do mercado ou que esteja errado em atuações agressivas. Todavia, infelizmente, só saberemos a resposta dessas perguntas ex-post. O cenário me parece ainda extremamente desafiador.

A curva local de juros apresentou mais um dia de forte abertura de taxa, com apenas pequeno steepening na parte curta. Os prêmios podem parecer excessivos, mas continuo sem ver um trigger claro para a inversão destes movimentos.




Data: 14/06/2018

Sinais mais positivos. Chances de "relief rally" de curto-prazo.

Neste momento, pela primeira vez em muito tempo, vemos sinais mais positivos para os mercados emergentes, na figura de um dólar mais fraco no mundo. Me parece cedo para afirmar que chegamos ao fim do “sell-off”, até porque não houve mudança substancial de cenário econômico, mas acho essas sinalizações do mercado importantes, pois podem dizer muito a respeito da posição técnica e do nível de preços e valuation dos mercados.

O dia será marcado pela decisão do ECB na Europa, onde o mercado esta dividido em relação as expectativas do que será sinalizado na reunião de hoje.

No Brasil, o noticiário também apresentou algumas notícias marginalmente mais positivas. A despeito das informações desencontradas, os jornais dizem que o cenário mais provável é de uma aliança entre o DEM e o PSDB, vista como mais positiva pelo mercado. O Congresso aprovou o regime de urgência na votação do Regime da Cessão Onerosa e a privatização da Eletrobrás poderá entrar na pauta do Congresso ainda este mês. A caminhada nessa direção, mesmo que muito devagar, mostra alguma estabilidade no Congresso, sabendo das restrições no ciclo eleitoral, mesmo com um Governo em “fim de festa” e totalmente desorganizado. É um pingo de esperança em um oceano de incertezas.

Na China, os dados de atividade econômica ficaram abaixo das expectativas. É o primeiro mês de desaceleração mais acentuada do crescimento. Pode ser que efeitos pontuais tenham afetado o indicador. De qualquer maneira, em se falando de China, qualquer desaceleração deve ser vista como alerta para a economia global. É natural esperar medidas de ajuste monetária, fiscal e creditício com o intuito de administrar esta desaceleração de maneira mais gradual, ou seja, medidas de estímulo a economia devem ser anunciadas em breve.

A Goldman Sachs fez um breve apanhado sobre os números:

Industrial production (IP): +6.8% yoy in May (GS forecast: +7.2% yoy, Bloomberg consensus: +7.0% yoy); +3.8% month-over-month annualized in May vs. April, seasonally adjusted by GS. April: +7.0% yoy, +6.6% mom annualized.

Retail sales: +8.5% yoy in May (GS: +9.7% yoy, consensus: +9.6% yoy); April: +9.4% yoy.

Fixed asset investment (FAI): +6.1% ytd yoy in May (GS: +7.1% yoy, consensus: +7.0% yoy); single month May growth: +3.9%; April single month yoy: +6.1%.

Property-related data:

Floor space sold: +8.0% yoy in May, vs. -4.1% yoy in April (value of sales +20.6% yoy, vs. +5.8% yoy in April).

Floor area under construction: +2.0% yoy in May, vs +1.6% yoy in April.

New starts: +20.5% yoy in May, vs. +2.9% yoy in April.

Real estate investment: +9.9% yoy in May, vs. +10.1% yoy in April.

Na Inglaterra, as vendas no varejo superaram as expectativas, mostrando um crescimento robusto e saudável pelo segundo mês consecutivo. A melhora nas perspectivas de crescimento na região da Europa é importante pois é a região do país que mais vêm desapontando as expectativas nos últimos meses. Este tipo de indicado também favorece o humor global a risco.




Data: 13/06/2018

Fed em foco!

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, a espera da decisão do FOMC nos EUA no meio da tarde de hoje Destaque negativo para a depreciação da Lira naTurquia (TRY) nessa manhã.

Espero que o Fed eleve os juros em 25bps e promova algumas mudanças em seu comunicado. Essa também é a expectativa e o consenso do mercado. Há uma chance com probabilidade relativamente elevada dos “dots” se moverem para cima, sinalizando para a possibilidade de 4 atas de 25bps ao longo de todo o ano de 2018.

No Brasil, segundo Vera Magalhães, o PSB esta mais perto de uma aliança com o PDT de Ciro Gomes. Os jornais continuam focados no avanço das negociações eleitorais, mas ainda sem nenhum anuncio concreto.

A Folha traz um artigo que afirma que o Teto dos Gastos poderá parar o país, segundo alerta do TCU ao governo Temer. Caso migremos para um cenário em que o Teto dos Gastos não seja mais respeitado, ou seja rechaçado pela classe política, teremos mais uma rodada de pressão sobre os ativos locais. O Teto dos Gastos foi um dos mais importantes avanços econômicos do país nos últimos anos. É bem verdade que na ausência de reformas adicionais o Teto acabaria ficando pressionado. Contudo, aos olhos do mercado, o caminho são as reformas econômicas, e não a retirada do Teto.

Minha visão segue praticamente inalterada, mas a curto-prazo será muito influenciada pelas decisões do Fed hoje do ECB amanhã.




Data: 13/06/2018

A narrativa segue inalterada.

O Core CPI nos EUA ficou dentro das expectativas do mercado, com alta de 0,2% MoM e 2,2% YoY. O número de hoje em nada altera a narrativa para os mercados/ativos de risco e muito menos altera as expectativas para o FOMC amanhã.

Assim, vimos mais uma rodada de fortalecimento do dólar no mundo, acentuado por rumores de que o Fed pretende promover interações com os jornalistas após todas as reuniões do FOMC, ao contrário das apresentações trimestrais que ocorrem atualmente. O destaque continuou por conta da pressão negativa sobre os ativos emergentes.

Na Europa, mais precisamente na Alemanha, o ZEW – um dos indicadores de confiança mais importantes da região – apresentou queda superior as expectativas, mostrando um quadro de incerteza para o crescimento da Europa no curto-prazo. Isso pode estar ocorrendo devido a ruídos pontuais, tais como eventos políticos na Itália e Espanha, “Guerra Comercial” e etc. De qualquer maneira, a região continua crescendo acima do potencial, mas certamente um sinal amarelo, de alerta, está ligado em torno deste ambiente.

As atenções agora estarão voltadas para o FOMC amanhã e a reunião do ECB na quinta-feira. Em relação ao Fed, já é amplamente esperado uma alta de juros (entre 20 e 25bps). Será extremamente importante observar as alterações no comunicado, especialmente para prevermos os movimentos no “shape” da curva de juros local.

No Brasil, o BCB voltou a intervir de forma agressiva no mercado de câmbio, ajudando a moeda a apresentar desempenho relativo superior a seus pares. O mercado de juros apresentou “steepening” da curva, com a parte curta ancorada na expectativa da manutenção da Taxa Selic no Copom da semana que vem, mas a parte longa ainda afetada pelas incertezas locais e externas. Os eventuais impactos fiscais das intervenções cambiais também estão ajudando o movimento de “steepening” e níveis mais elevados do CDS no país (custo do seguro).

Continuo com viés mais cauteloso e negativo. Para mudar minha visão, precisará ocorrer alguma mudança substancial de cenário, local ou externo. Contudo, nos atuais níveis de preço, especialmente no Brasil, reduzimos substancialmente as posições. Estamos com postura mais tática e flexível. Reduzimos quase que integralmente nossa posição em inflação implícita, após alta superior a 60bps em poucos dias. Ainda vemos uma inflação mais elevada de agora em diante, mas a assimetria ficou menos atrativa nos atuais níveis.

Acredito que o dólar esteja artificialmente baixo (contra o BRL). Caso não haja mudança de cenário, ele deverá se acomodar em patamar mais elevado (BRL mais depreciado). Contudo, devemos esperar as intervenções mais agressivas do BCB cessarem antes de uma visão mais concreta em relação ao curto-prazo.

Não vejo prêmios excessivos na curva de juros local na atual conjuntura de incerteza.

Continuo vislumbrando juros mais elevados estruturalmente nos EUA.




Data: 12/06/2018

Inflação nos EUA em foco!

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, exceto por alguma leve pressão em algumas moedas emergentes, como o TRY e o ZAR, neste momento.

O destaque da noite ficou por conta da assinatura de um memorando (um espécie de acordo) para a “desnuclearização” da Coréia do Norte. Este movimento era, em parte, esperado e já vinha sendo precificado pelo mercado, desde quando um fórum entre EUA e Coréia do Norte foi confirmado. Não espero nenhum movimento de mercado proveniente deste evento, mas entendo a enorme importância deste acontecimento para a sociedade e para todo o mundo.

O dia será marcado pela divulgação do Core CPI nos EUA. De forma simplificada, acredito que um número acima de 0,3% MoM (inclusive) poderá levar a uma nova reprecificação das taxas de juros nos EUA, acelerando os movimentos de desalavancagem em outros ativos de risco. Um número de 0,2% MoM em nada altera o cenário que temos convivido nas últimas semanas. Finalmente, um número abaixo de 0,2% MoM deveria trazer algum alívio momentâneo e pontual para as taxas de juros no mundo desenvolvido e alguma descompressão nos ativos mais pressionados recentemente, como os ativos emergentes, por exemplo. Não acredito, contudo, que esta descompressão seria duradoura ou prolongada.

No Brasil, os jornais de hoje estão dando foco as articulações políticas em torno das eleições presidenciais. De mais importante, na minha visão, será o encontro de Rodrigo Maia, do DEM, com Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, para um eventual encontro conseguinte com o candidato do PDT para presidente e uma possível aliança entre eles. O crescimento da candidatura de Ciro é vista hoje pelo mercado com um dos maiores riscos ao cenário eleitoral.

Na Inglaterra os dados de emprego de maio mostraram um mercado de trabalho robusto, próximo do pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Acho importante analisar os acontecimentos do país, pois acredito que a Inglaterra esteja em uma fase do ciclo econômico bastante parecido com os EUA. O que ocorre por lá, poderá ocorrer nos EUA. Nesta linha, vemos o acumulo de pressões inflacionárias. Segundo o Morgan Stanley:

A hawkish report on employment: Headline employment growth slowed, from 197k to 140k, but less than expected, and it remains strong, pushing the employment rate to a record 75.6%. Unemployment fell a solid 38k, keeping the unemployment rate steady at 4.2%, a 40-year low and a touch below the BoE's estimate of NAIRU, and inactivity fell, pushing the inactivity rate to a record low.

A dovish report on pay: In a key month for pay settlements, regular average earnings growth surprised to the downside, falling a touch to 2.8% 3M/Y in April. While we do expect the tight labour market, reflecting in reports of rising starting salaries, and rising public sector pay settlements to push pay up in coming months, today's weaker print highlights the risks to that call.




Data: 12/06/2018

Big Week Ahead!

Estive hoje pela manhã participando de um evento com investidores institucionais e assessores de investimentos na região nordeste do país. Minha impressão mais importante é que estes investidores estão, grosso modo, alocados no mercado de renda fixa (Fundos Prefixados, NTN-F, NTN-B e afins) e em situação delicada. As dúvidas giram em torno de: (1) manter a posição e esperar melhor ponto de saída ou (2) zerar a posição o mais rápido possível.

De maneira geral, não vejo nenhum apetite para o aumento de exposição, pelo menos sem uma mudança radical de cenário local e externo. Este panorama está totalmente em linha com o que tenho incessantemente debatido neste fórum nas últimas semanas. Para não soar repetitivo, minhas observações podem ser revisitadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/.

Quanto ao cenário, vi poucas novidades desde sexta-feira. No Brasil, o destaque ficou por conta da pesquisa Datafolha. Eu não sou analista político e acredito que não tenho nenhuma vantagem comparativa em emitir opiniões firmes sobre o tema. Assim, na minha humilde opinião, a pesquisa apenas confirmou o cenário que já vêm sendo regra nas últimas semanas, ou seja, permanece um ambiente de incerteza política, sem definição e sem a ascensão de um “salvador da pátria” (pelo menos aos olhos dos mercados. Comentei um pouco sobre este ambiente aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/relatorio-semanal-de-asset-allocation.html).

O BCB continuou sua batalha contra a depreciação cambial, com uma nova intervenção, expressiva, na moeda. A diferença é que hoje não foi capaz de levar a uma apreciação mais acentuada do BRL. Continuo entendendo que o papel do BCB seja dar liquidez ao mercado e prezar pela estabilidade financeira. Contudo, não entendo a imprevisibilidade da atuação e a maneira, por vezes erráticas, de promover estas intervenções. De maneira geral, acredito que o BRL esteja artificialmente apreciado. Se o cenário externo se mantiver constante e não houver uma mudança do cenário político local, a depreciação da moeda será inevitável. Por ora, precisamos esperar os efeitos dessa venda superior a US$20bi no horizonte de uma semana que o BCB está promovendo, além da agenda extremamente carregada no cenário externo, antes de tomarmos um direcionamento mais claro nesta classe de ativo.

Outro destaque ficou por conta da abertura das inflações implícitas, com o mercado “se dando conta” de que poderemos ter um IPCA próximo a 1% este mês. Continuamos vendo uma boa assimetria nesta classe de ativos, posição que alocamos a cerca de 10 dias atrás. Nos atuais níveis, começamos a administrar mais ativamente o tamanho e os vértices da posição.

No cenário externo, destaque para a manutenção de uma postura agressiva por parte de Trump no G7, além da perda de esperanças em um acordo e torno do NAFTA. Continuo vendo este tema como um “sideshow” e mais preocupado com o cenário de inflação e política monetária nos EUA e na Europa. Não que eu acredite que este tema seja irrelevante, mas por acreditar que estes outros temas são muito mais importantes para a dinâmica de curto e médio prazo dos ativos de risco.

Somente esta semana, teremos o Core CPI amanhã, a decisão do FOMC na quarta-feira e a decisão do ECB na quinta-feira. Estaremos olhando atentamente estes eventos para a administração do portfólio. Seguimos tomados em juros nos EUA, através de estruturas de opção. Começamos a montar um hedge via puts de S&P. Temos uma pequena posição comprada em EUR pela assimetria que as opções estão mostrando, com vols implícitas baixíssimas, e com o EUR próximo aos pisos recentes.




Data: 08/06/2018

BCB goes all-in.

Brasil – O IPCA de maio apresentou alta de 0,40% MoM e 2,86% YoY, acima das expectativas de 0,29% MoM e 2,74% YoY. A despeito da surpresa altista, o qualitativo do indicador ainda mostra um quadro saudável.

De qualquer maneira, acredito que a inflação tenha feito o seu piso e deveremos conviver com números mais elevados de agora em diante, seja via repasse cambial, seja através dos impactos da greve dos caminhoneiros. Continuo gostando de carregar alguma posição comprada em inflação implícita.

O destaque do dia, contudo, ficou por conta da dinâmica do mercado. O BCB, com uma atuação agressiva no mercado de câmbio, conseguiu promover uma queda de cerca de 5% no dólar (contra Real). A despeito de uma elevada volatilidade pela manhã, o movimento do dólar ajudou a dar suporte ao mercado de juros ao longo da tarde.

Ainda acho cedo para a acreditar em uma mudança de tendência dos ativos locais. Entendo que o quadro técnico esteja mais saudável e o preço dos ativos mais atrativo, mas só teria conforto em alocações mais otimistas em Brasil com uma definição mais clara do quadro eleitoral. Enquanto isso não ocorre, vejo os movimentos de hoje como “relief rallies”, ou movimentos de acomodação, muito mais técnicos do que fundamentais.

É bastante provável que alguns investidores tenham comprado dólar nos últimos dias como hedge do portfólio de juros (ou bolsa). Além daqueles comprados em dólar como posição estrutural. A postura surpreendentemente agressiva do BCB, e não entrarei no mérito de se foi acertada ou não, acabou levando a uma excessiva apreciação da moeda local, exacerbada por este quadro técnico.

O movimento de hoje está em linha com o panorama que traçamos hoje pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/risk-off.html), em que a agressividade do BCB poderia dar suporte ao mercado, mas dificilmente conseguiria reverter, de fato, a direção dos ativos.

Continuo com postura tática, sem alocações relevantes (positivas ou negativas). Vejo um cenário ainda desafiador, o que me impede de manter posições estruturais positivas, mas também vejo o nível de preços como pouco atrativos, neste momento, para posições mais negativas. Sigo vendo uma boa assimetria nas inflações implícitas, não apenas por performarem bem em um cenário mais desafiador, como por acreditar em uma inflação mais elevada de agora em diante.

Externo – A melhora dos ativos no Brasil ajudou uma recuperação dos ativos globais. O foco da semana que vem ficará por conta do Core CPI nos EUA já na terça-feira. Este número poderá ser fundamental para a dinâmica dos mercados globais no curto-prazo.

As reuniões do G7 também serão determinantes para testar até onde os EUA está disposto a ir em suas negociações comerciais.

Continuo acreditando na tese de juros mais elevados de forma mais estrutural nos EUA. Na atual conjuntura, e nos atuais níveis de preço, já vejo boas assimetrias em algumas estruturas e opções no mercado de renda variável dos EUA como hedge da posição de juros.




Data: 08/06/2018

Risk-Off!

Os ativos de risco estão abrindo o dia com um movimento clássico de “risk-off”. Bolsas em queda, dólar forte, fechamento de taxa de juros nos países desenvolvidos e pressão nos ativos emergentes,

Trump manteve um tom extremamente hostil em relação a seus parceiros comerciais, especialmente o Canadá, as vésperas da reunião do G7. A turbulência (ou crise) nos Países Emergentes (EM) também ajuda a cautela global. Finalmente, a produção industrial da Alemanha apresentou queda de 1% MoM em abril, muito abaixo das expectativas de alta de 0,3% MoM, trazendo de volta a tona o debate em torno da real situação econômica da Europa.

No Brasil, no início da noite de ontem, o Presidente do BCB concedeu entrevista coletiva em que ratificou a postura que vem adotando nos últimos dias, ou seja, BCB e Tesouro continuarão atuando no mercado de câmbio e de títulos públicos a fim de dar liquidez e racionalidade aos mercados. Não existe a intenção, neste momento, de se mexer na política monetária (se vão conseguir, já é ua outra história, passiva de intenso debate).

Ilan sinalizou que o BCB irá promover uma forte intervenção no câmbio nos próximos dias, na ordem de US$20bi. O montante é expressivo. Existe uma possibilidade que, com este valor, eles consigam acalmar o mercado, pelo menos no curto-prazo. Continuo não vendo o BCB ou o Tesouro como capazes de alterar a direção dos mercados, mas entendo que existe o dever fiduciário de manter a estabilidade financeira. Assim, a atuação conjunta é, de fato, necessária. Como atuar, contudo, é uma questão passiva de debate e críticas, que não quero entrar no mérito neste momento.

Vale ressaltar que outros países emergentes, como Argentina e Turquia, foram obrigados a elevar as taxas de juros com intuito de frear o movimento de depreciação cambial. O caso do Brasil, no curto-prazo, é diferente, mas não podemos descartar movimentos como este caso a situação local não se reverta. Saimos de uma situação matemática de inflação corrente e prospectiva, para uma situação irracional de fluxos. Nestes momentos, nem sempre o livro texto tem as respostas mais exatas ou precisas.

Os ativos locais tiveram ontem um dia de forte depreciação. O destaque ficou por conta da forte alta de juros da parte curta da curva. O movimento é típico de stops do mercado, que ainda apresentava posições relevantes nesta parte da curva, com a perspectiva de que os prêmios eram excessivos para um cenário de inflação baixa e recuperação apenas gradual do crescimento.

O quadro técnico do mercado está se tornando mais positivo a medida que o tempo passa e as posições vão sendo stopadas (limpadas). Ainda não tenho nenhuma vontade de fazer alocação nesta direção ou carregar qualquer posição estrutural em Brasil.

A Folha de hoje afirma que o PP e o DEM podem apoiar Ciro Gomes nas eleições.

A XP divulgou pesquisa eleitora em que mostra pequena piora, dentro da margem de erro, de Bolsonaro. Ciro continua ganhando espaço. Haddad se mostra competitivo se apoiado por Lula. Marina apresenta algum “momentum” e Alckmin continua mostrando fraqueza. Em suma, um cenário ainda indefinido e sem conclusões positiva a luz dos mercados financeiros locais.

A Argentina anunciou um “stand-by-agreement” com o FMI, no montante de US$50bi. O acordo foi atingido antes do previsto e seu volume é levemente superior as expectativas. Segundo a Goldman Sachs:

Argentina reached a “staff-level” agreement with IMF for a 3-year Exceptional-Access Stand-By Arrangement (SBA) for US$50bn (1,110% of Argentina’s quota in the IMF). The agreement is expected to be ratified by the IMF Executive Board soon. Furthermore, the authorities have indicated that they have secured US$5.65bn in credit lines from other multilateral agencies (World Bank, IADB, CAF).

As expected, as part of the IMF agreement the Argentine authorities commit to a faster pace of fiscal consolidation and to more realistic inflation targets. The new 2018-2021 federal government’s primary fiscal balance as a share of GDP is as follows: -2.7% (2018), -1.3% (2019), 0% (2020) +0.5% (2021). The market expectation for the primary fiscal deficit in 2018 was slightly lower (-2.5% of GDP). In our assessment, the 2018 target is not very demanding and the government is likely to over-achieve it. The primary fiscal deficit target for 2019 (-1.3% of GDP) is within the range of expectations. Primary fiscal balance in 2020 and small surplus in 2021 is a positive development but that is a commitment that will have to be honored by the administration that will be elected on October 2019.

The new inflation targets are: 17% for 2019, 13% for 2020 and 9% for 2021. The authorities stated that there will be no inflation target for 2018. In our assessment the 2019-2021 targets are demanding but not unrealistic.

Furthermore, the IMF agreement entails a number of other very positive developments, including commitments to:

maintain a flexible and market-determined exchange rate;

immediately put an end to central bank financing of the federal deficit, and;

submitting a bill to Congress modifying the central bank charter in order achieve legal independence and operational autonomy for the central bank and strengthen its inflation targeting regime.




Data: 07/06/2018

Brasil: Tesouro e BCB anunciam atuação conjunta para trazer liquidez ao mercado.

Nesta manhã, o dólar opera mais forte ao redor do mundo, porém mais fraco em relação ao EUR. Neste momento, as bolsas globais operam em leve alta e as taxas de juros no mundo desenvolvidos apresentam abertura de taxa. Os ativos Emergentes, no geral continuam mostrando fragilidade.

No Brasil, no inicio da noite de ontem o BCB e o Tesouro anunciaram uma ação conjunta em que oferecerão ofertas de Compromissadas de 9 meses ao mercado, além de manter o programa de compra e venda de títulos públicos.

A postura assertiva do Tesouro visa garantir a liquidez e a funcionalidade do mercado em um momento de maior volatilidade e busca por hedges. Acho difícil que essas atuações mudem a direção dos mercados, mas podem trazer alguma acomodação, e mais funcionalidade, que de fato se perdeu ao longo desta semana. Juliano Ferreira, da corretora Tullet fez um bom resumo sobre a atuação conjunta:

Atuação conjunta BC (Liquidez) + TN (gestão da dívida):

1. BC “emprestando” NTN-F (via compromissada pós de 9m) p/ MMs que precisam atender demanda de gringo e não têm conseguido;

2. Essas facas emprestadas também ajudarão quem quer entrar na recompra e não consegue;

3. TN resolveu abrir um pouco a venda (300k) p/ ajudar a atender demanda final por papel;

4. TN na recompra (1.5bi) p/ ajudar o psicológico do mercado e se manter presente para quem quer saída;

5. Leilões TN agora tudo holandês, mostrando ”fair play” nesse momento de turbulência;

6. Atuação não impacta curva curta (compromissada é pós) e pode ajudar a fletar quando MM entregar papel seco p/ o gringo e aplicar o longo;

7. A intenção é apenas dar funcionalidade para os mercados de títulos nesse momento de turbulência e sem parâmetros.

Segundo a mídia, Benjamin Steinbruch pediu afastamento de vice-presidente da FIESP. Este é um rito obrigatório para quem visa cargo eletivo. Especula-se que ele pode se tornar vice na chapa de Ciro Gomes. Do ponto de vista político, seria uma jogada inteligente colocar um empresário em uma chapa claramente esquerdista.

Os jornais afirmam ainda que a nova tabela do frete poderá ser divulgada em breve. Continuo acreditando que quanto mais interferência do governo (qualquer governo) na livre atuação da economia não será bem vista pelos investidores em ativos no Brasil.

Na Alemanha, o factory orders apresentou forte queda de 2,5% MoM em abril, muito abaixo das expectativas de alta de 0,8% MoM. A situação econômica da Europa como um todo ainda se mostra meio nebulosa. O crescimento se mantém em patamar saudável, mas com claros sinais de arrefecimento.




Data: 07/06/2018

Brasil continua pressionado.

Brasil – Vou parecer uma “vitrola quebrada”, mas tivemos mais um dia de forte deterioração dos ativos locais, seguindo a tendência das últimas semanas. Alta do dólar, alta das taxas de juros, com “bear steepening” e queda da bolsa. As últimas pesquisas eleitorais, e o quadro político e econômico do país não ajudam o humor local (vide mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/). Além disso, o cenário externo permanece mais desafiador para os países emergentes em geral. Não vejo estes vetores melhorando no curto-prazo e sigo com visão mais cautelosa e negativa.

Entendo que a posição técnica já apresentou alguma melhora, com alguns fundos locais zerados e outros já na ponta negativa, mas o estoque de posições “positivas em Brasil” ainda parece demandar alguns ajustes adicionais. O mercado até parece “esticado” para o lado negativo no curto-prazo, mas precisaremos de algum “trigger” para que o movimento seja revertido.

Fora uma mudança substancial do cenário externo, apenas uma mudança no quadro político local, que venha a aumentar substancialmente a probabilidade de vitória de um candidato liberal e reformista, será capaz de reverter estes movimentos negativos. Enquanto isso, o máximo que podemos esperar são movimento se acomodação, “relief rallies”, que costumam ser curtos e pouco duradouros.

As recentes declarações dos candidatos a presidente, pelo menos daqueles que se mostram mais competitivos, em nada ajudam o humor dos investidores em relação ao Brasil. A fragilidade do atual Governo e as medidas de afrouxamento adotadas após a greve dos caminhoneiros também não ajudam o humor dos mercados locais.

Externo - Alguns membros do ECB na Europa sinalizaram para uma discussão em torno da redução, ou discussão de encerramento, do QE na reunião de política monetária deste mês, o que ajudou a dar suporte aos yields (taxas de juros) dos países desenvolvidos e ao EUR.

Na Índia, o Banco Central do país promoveu uma alta inesperada nas taxas de juros. A situação do país é um pouco diferente da situação do Brasil, pois já houve uma piora relevante das expectativas de inflação, o que ainda não ocorreu no Brasil. De qualquer forma, fica cada vez mais claro que os bancos centrais emergentes estão se tornando mais hawkish.

O cenário externo continua mais desafiador para os países emergentes e para o Brasil, a medida que fica mais evidente os acúmulos de pressões inflacionárias, especialmente nos EUA, e a necessidade de continuidade do ajuste da política monetária nos países desenvolvidos, o que foi um grande suporte aos ativos de risco nos últimos 10 anos.




Data: 06/06/2018

Brasl\EM: "Between a rock and a hard place".

Nesta manhã, o dólar opera mais fraco contra as moedas de G7, porém mais forte contra EM. Observamos uma abertura de taxas de juros nos EUA e uma leve alta global das bolsas, os bonds da Itália operam, neste momento, sobre pressão.

Ontem pela tarde comentei mais a fundo sobre o pano de fundo global e seus impactos sobre os ativos locais (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/brasil-reacao-dos-mercados-e-condizente.html). Sigo com a mesma visão. Uma recuperação do cenário de crescimento dos EUA levará a uma nova rodada de abertura de taxas de juros no país, colocando pressão adicional nos países emergentes. Um cenário de desaceleração global, o que me parece mais um “cenário de cauda”, ou seja, me parece mais um risco do que um cenário central, também manteria essa classe de ativos, de alguma forma, pressionada. Assim, estamos cada vez mais distantes do cenário de “Goldilocks” que prevaleceu grande parte de 2016 e 2017, e mais perto de um cenário que podemos caracterizar como “between a rock and a hard place”.

No Brasil, os jornais de hoje reportam que o evento e busca de união do centro para as eleições deste ano foi esvaziada. A candidata Manuela D´avila estaria mantendo conversas constantes com Ciro Gomes. Segundo o Estadão, o Governo poderá rever o preço do frente, a fim de atender uma demanda do agronegócio. Se confirmado, será mais uma ação que não deverá ser bem vista pelo mercado, pois mostrará que este governo resolveu seguir o caminho da intervenção e, de certa forma, do populismo, atendendo demandas e pressões de diversos grupos da sociedade. Como já comentei aqui nas últimas semanas, este é o grande risco do cenário local, pois nenhum dos candidatos que se mostram competitivos mostra capacidade e convicção para não migrar para uma postura como essa (https://mercadosglobais.blogspot.com/2018/06/relatorio-semanal-de-asset-allocation.html).




Data: 05/06/2018

Brasil: Caminho tortuoso pela frente.

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade essa manhã. Destaque para mais uma rodada de pressão em alguns ativos emergentes, como é o caso da moeda do México (MXN) e da Turquia (TRY).

No Brasil, uma pesquisa eleitoral do site Poder 360 mostrou a consolidação do cenário de polarização entre o que é considerado a “extrema direita” de Jair Bolsonaro e a “extrema esquerda” de Ciro Gomes. Bolsonaro lidera a corrida eleitoral em todos os cenários e venceria no segundo turno contra todos os candidatos simulados. Ciro continua subindo nas pesquisas, enquanto Alckmin e Marina mostram desempenho abaixo do esperado. Os demais candidatos se mostram pouco competitivos.

Mesmo com as diversas críticas a metodologia desta pesquisa, podemos concluir que se consolida um cenário de polarização, que não deve ser bem recebida pelos investidores de maneira geral. Já tenho tratado deste tema neste fórum há algumas semanas.

Segundo a mídia, existe um esforço capitaneado por antigos políticos, como é o caso de Fernando Henrique Cardoso, em busca de unir o centro em torno de uma candidatura única, liberal e reformista. Por ora, este esforço ainda não colhei frutos. A esquerda, por sua vez, também busca algum tipo de união. O posicionamento do PT, as vésperas da eleição, será extremamente importante nesta frente.

Finalmente, a mídia está reportando que o Governo pretende utilizar os leilões do Pré-Sal, ou a Cesão Onerosa, como meio de absorver, e evitar, reajustes frequentes e muito elevados no preço da gasolina. Segundo os jornais, o Governo teme novos protestos, desta vez contra a alta no preço da gasolina. Este tipo de postura costuma ser interpretada pelo mercado como intervencionista, custosa em termos fiscal e negativa para o longo-prazo do país.

O PMI Services na Área do Euro apresentou arrefecimento, saindo de 54,7 para 53,8 em maio. O número mostra um crescimento ainda saudável, mas claramente em tendência de queda. Ainda existem incertezas em relação ao crescimento da região, a despeito do bom desempenho dos números nos EUA nos últimos dias.




Data: 04/06/2018

Risk-On!

A despeito da ausência de avanços nas negociações comerciais entre os EUA e a China, os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, com um movimento clássico de “risk-on”. Os recentes dados econômicos positivos ao redor do mundo, que mostram um crescimento global ainda saudável e relativamente robusto, parecem estar dando suporte ao humor global a risco. Além disso, a posição técnica mais saudável e o nível de preços mais atrativo parecem estar dando suporte adicional a estes movimentos.

No final de semana, o destaque da mídia internacional ficou por conta da ausência de um acordo, ou até mesmo a ausência de qualquer tipo de avanço, nas negociações comerciais entre China e EUA. Por ora, o mercado está vendo este tema apenas como um “risco de cauda”. A recente postura dos EUA, contudo, eleva as chances de um erro de cálculo e de que alguma “guerra comercial” seja de fato “instalada” no cenário.

No Brasil, os jornais de final de semana continuaram repercutindo os últimos eventos na Patrobrás, com a mudança de presindente da empresa e o enfraquecimento da gestão da companhia. Além disso, os efeitos da greve dos caminhoneiros ainda ecoa sobre um cenário incerto. A recuperação dos ativos de risco no mundo, contudo, pode trazer algum alivio, mesmo que temporário, para os ativos brasileiros.

Eu mantenho minha tese de investimento de juros mais altos estruturalmente nos EUA. No Brasil, estou sem uma tese estrutural no curto-prazo. Continuo com uma visão mais cautelosa, preferindo carregar alguma posição de inflação implícita, que me parece com um risco\retorno relativamente atraente. Os demais ativos, prefiro manter postura tática, dinâmica, agil e sem preconceitos, porém com um viés ainda mais negativo, pelo menos até que se tenho uma noção mais clara de cenáio internacional.




Data: 04/06/2018

Update.

O destaque do dia ficou por conta dos dados de emprego nos EUA. Os números mostraram uma criação de vagas de trabalho robusta em maio, a menor taxa de desemprego em quase 20 anos e uma aceleração nos rendimentos, mostrando acumulo de pressões inflacionárias. Além disso, o ISM Manufacturing mostrou um cenário de crescimento relativamente estável e saudável.

Em linhas gerais, os números dos últimos dias mostraram um quadro de robustez do crescimento norte americano, e alguns sinais mais positivos de crescimento global, como as exportações da Coreia do Sul, vendas no varejo na Alemanha, entre outros. O mercado já trabalha com um crescimento do PIB dos EUA em torno de 3,5% anualizado no segundo trimestre do ano.

Por um lado, os números retiram um risco do curto-prazo, de uma desaceleração mais acentuada do crescimento global como chegou-se a temer nas últimas semanas. Por outro lado, a manutenção de um crescimento sólido mantém os bancos centrais das principais economias do mundo devem se manter em um processo de normalização monetária, o que tem se mostrado (e se provado) uma grande restrição para rodadas adicionais de apreciação dos ativos de risco no geral.

No Brasil, a atuação do Tesouro está ajudando a trazer mais estabilidade e racionalidade ao mercado de juros, a despeito do steepening da curva. O mercado de câmbio continua pressionado pelo humor global em relação ao dólar no mundo, além da pressão em busca por hedges em um ambiente de incerteza do ciclo eleitoral.

O presidente da Petrobrás pediu demissão e deverá ser substituído pelo diretor financeiros, com algum reconhecimento do mercado. As ações da empresa caíram cerca de 15%. O Ibovespa apresentou alta, puxado peo bom desempenho de outros setores da economia.

Eu reforço a minha visão de que a situação econômica e política do país apresentou grande deterioração nas últimas semanas. Não vejo uma melhora do cenário local até uma definição em relação ao quadro político. Além disso, o cenário externo deixou de ser um vento favorável e, na margem, pode se tornar um vento contrário de forma mais estrutural.

Entendo que houve uma melhora substancial na posição técnica do mercado, loca e externo. Entendo que o nível de preços se mostra mais atrativo. Contudo, vejo melhoras apenas como pontuais e localizadas, que podem (ou poderão) ser cunhadas como “relief rally”. Não tenho vontade de ter posições estruturais em Brasil neste momento.

Além disso, sigo vendo o processo de normalização monetária nos EUA como uma restrição a melhoras estruturais nos ativos de risco, além de questões pontuais e idiossincráticas, como na Itália, Espanha, México (eleições e NAFTA), Brasil, Turquia atuando na mesma direção.




Data: 01/06/2018

Dia agitado. Incerteza permanece.

A quinta-feira foi bastante agitada. Comentarei de maneira breve alguns dos eventos do dia. De maneira geral, contudo, os eventos de hoje apenas ratificam um cenário de cautela, em que deverá predominar a incerteza e a volatilidade dos mercados financeiros globais. Continuo com viés mais cauteloso, senão negativo, pelo menos no curto-prazo.

Os ativos de risco apresentaram dinâmica negativa, em reação aos eventos comentados abaixo. Destaque para forte pressão nos ativos emergentes, quedas das bolsas e commodities, mas alta nas taxas de juros. A maior parte dos eventos abaixo explica esses movimentos.

EUA/Guerra Comercial – O Governo Trump anunciou que irá seguir com a imposição de tarifas de importação em alguns produtos, como Aço, para países e regiões como México, Canadá e União Europeia. Após o anuncio, esses países e regiões anunciaram que irão adotar medidas de reciprocidade. Este caminho adotado pelos EUA deverá trazer um maior grau de incerteza ao cenário econômico e, consequentemente, aos ativos de risco.

No limite, ainda acredito que está postura do Governo Trump é “apenas” uma maneira de buscar alavancagem nas negociações comerciais bilaterais. Contudo, é óbvio que aumento o grau de incerteza do cenário, levando os investidores a demandarem um maior prêmio de risco nos mercados financeiros. O risco de um erro de política comercial aumenta drasticamente com este tipo de posição.

EUA/Economia – Os dados de hoje (Jobless Claims, Personal Income & Spending, Chicago PMI, Core PCE) confirmaram um cenário de crescimento saudável, até mesmo robusto, com mercado de trabalho apertado e acumulo de pressões inflacionárias. Os números recentes apenas reforçam esse quadro, em nada alterando o cenário para a política monetária no país. Ainda vejo o Fed elevando as taxas de juros entre 3 e 4 vezes este ano, com a manutenção de seu processo de redução de balanço. O mercado hoje embute menos de 50bps de alta de juros nos próximos 12 meses.

Europa/Inflação – A inflação na Europa apresentou alta acima do esperado, ficando muito próxima aos 2% objetivados pelo ECB. Mesmo que vetores pontuais expliquem parte da alta, também observamos uma aceleração do Core CPI. Ainda é cedo para cantar vitória na inflação na região, mas os números de hoje indicam que a maior parte dos países desenvolvidos devem permanecer em um ambiente de normalização monetária, retirando algum tipo de suporte aos mercados, que permaneceram ao longo dos últimos 10 anos.

Exceto por mudanças substancias no cenário de crescimento, o que os números ainda não indicam, ou um acidente financeiro, que leve a um forte aperto das condições financeiras, é difícil ver uma mudança de rumo, ou rota, por parte dos principais bancos centrais desenvolvidos.

Itália – Após idas e vindas, um governo dito populista e contra as principais reformas implementadas no país nos últimos anos, acabou sendo formado. Neste momento, o mercado está lendo este desfecho como “menos negativo” do que novas eleições. A despeito da retirada de um risco de curto-prazo, permanecem incertezas imensas no cenário e os investidores devem continuar a pedir mais prêmios nos ativos do país ao longo do tempo.

Espanha – O Governo Rajoy parece estar em situação delicada e novas incertezas podem afetar a Europa e os ativos da região.

China/PMI – O PMI Manufacturing do país apresentou uma surpreendente elevação. O país continua se mostrando como fonte de estabilidade global, diante de uma série de incertezas que afetaram os mercados nas últimas semanas. Precisamos monitorar apenas o processo de desalavancagem que vem ocorrendo no setor financeiro do país.

Brasil – No final da tarde de ontem o Tesouro anunciou que irá continuar a promover leilões de recompra de títulos públicos, cancelou os leilões de vendas e afirmou que promoverá emissões de duration mais curta. O anunciou ajudou a trazer alívio a um mercado bastante volátil ao longo da quarta-feira.

Como já afirmei aqui anteriormente, a postura do Tesouro e do BCB está correta. Contudo, essa atuação visa apenas trazer racionalidade e liquidez aos mercados locais, não necessariamente sendo suficiente ou capazes de alterar a direção e a dinâmica dos ativos do Brasil. Continuamos a mercê do quadro político incerto, de um panorama econômico delicado e de um ambiente externo mais desafiador.




Data: 01/06/2018

Update.

Os ativos de risco continuam apresentando recuperação, neste momento.

Brasil/PIB – Crescimento de 1,2% YoY e 0,4% QoQ. Dentro das expectativas do mercado. A abertura do indicador, contudo, mostra um quadro qualitativo um pouco mais negativo. A grande verdade, contudo, é que este número “olha no retrovisor” do cenário. As perspectivas de crescimento pioraram bastante nas últimas semanas, com dados de atividade econômica mais contemporâneos mostrando desaceleração do crescimento e, agora, com a greve que atingiu o país, e a incerteza política neste estágio do ciclo eleitoral, se colocando como grande restrição a uma melhor mais substancial de crescimento. As expectativas de PIB para este ano devem migrar, aos poucos, para um patamar abaixo de 2%.

Brasil/Fiscal -  O superávit primário ficou em R$2,9bi em abril, muito abaixo das expectativas de R$7,1bi. O Brasil vinha sendo favorecido por uma recuperação cíclica da economia, que estava ajudando a recuperação (também cíclica) da arrecadação. A arrecadação mostrava elasticidade ainda maior ao que o crescimento. A greve dos caminhoneiros levou o governo a adotar medidas com impacto fiscal. Ainda é incerto o quanto deste impacto conseguirá ser recompensado por medidas aprovadas pelo Congresso (como a re-oneração da folha de pagamentos).

Assim, estamos diante de uma piora clara e evidente das perspectivas de crescimento, a situação fiscal deverá ser impactada e existe uma enorme incerteza de qual será a real disposição e capacidade do próximo governo, que será eleito em outubro, em fazer os ajustes e as reformas necessárias à economia.

Os ativos locais estão reagindo de acordo, com o movimento mais evidente nos últimos dias ficando por conta da forte abertura de taxa de juros e steepening da curva. A despeito da melhora na posição técnica e nos preços/valuations, o mercado ainda não parece totalmente preparado para este novo nível de volatilidade e para um ambiente que se mostra mais desafiador para os ativos do pais. Neste momento, não vejo motivos para uma mudança definitiva de ambiente ou tendência dos ativos locais até as eleições, no mínimo.

Europa – A quarta-feira foi mais positiva para a região, com dados de inflação mais firmes na Alemanha e na Espanha, além de números de vendas no varejo mais fortes e mercado de trabalho ainda robusto na Alemanha.

Esses dados estão ajudando a dar algum suporte ao humor global a risco, assim como sustentação ao EUR. Os fluxos de final de mês também podem estar afetando o mercado.

Itália – A situação política do país continua incerta. Na margem, surgiu a possibilidade, novamente, da formação de um governo com os mesmos partidos radicais que promoveram a primeira tentativa frustrada. O mercado, neste momento, está olhando esta tentativa como “menos negativa” do que novas eleições. De maneira geral, contudo, os mesmos riscos existentes ontem estão presentes hoje. A diferença é que o mercado ajustou preços e posições para este quadro de maior incerteza.




Data: 30/05/2018

Humor mais positivo. Fragilidade permanece.

 

Os ativos de risco tiveram um quinta-feira de deterioração generalizada, em um movimento clássico de “risk-off”. O movimento foi puxado pela deterioração da situação política e financeira na Itália. Esta manhã, neste momento, estamos observando uma recuperação, ainda tímida, dos ativos de risco, com movimentos generalizados de “risk-on”. Ainda vejo os movimentos, por ora, como tímidos, e os sinais de fragilidade continuam.

No Brasil, mesmo com a atuação do Tesouro no mercado de títulos públicos, vimos uma forte abertura de taxa de juros, com movimentos de steepening da curva, o dólar subiu e o Ibovespa apresentou alta, mas quase que majoritariamente puxado pela Petrobrás. O presidente da empresa promoveu conference call com analistas, afirmou que contina no cargo, mas os jornais de hoje mostram que Temer já estuda mudanças na política de preços da empresa. Tendo a acreditar que este tipo de notícia não será bem recebida pelo mercado.

Continuo com viés mais cauteloso. Entendo que os ativos locais tenham piorado exageradamente nos últimos dias, porém em linha com a piora do cenário econômico e político. Movimentos de acomodação, ou aé mesmo recuperação (“relief rally”), podem ser observados nos próximos dias (posição técnica e preços mais atrativos), mas não vejo uma alteração clara de tendência para os ativos locais enquanto não houver uma clareza maior em relação as eleições e eventuais reformas econômicas.

Nos EUA, o Governo Trump reforçou sua postura de que irá seguir com as tarifas de importação sobre a China. A economia continua mostrando crescimento relativamente estável, hiato do produto fechado e acumulo de pressões inflacionárias. Com este pano de fundo, continuo vendo restrições para tendências mais prolongadas de “risk-on”. Ainda vejo um cenário de volatilidade, porém sem tendências claras definidas.

A situação da Itália segue delicada e incerta. Na Espanha, os problemas são menores e mais administráveis, mas o risco de contágio na Europa aumentou bastante nos últimos dias.

Na China, a despeito de um crescimento relativamente estável, crescem os números de “eventos de crédito” no mercado local de dívida. Por ora, estes “eventos” são vistos como saudáveis, em um longo e bem administrado processo de desalavancagem da economia. O risco, contudo, fica por conta de uma eventual escalada neste tema que não consiga ser administrada de maneira gradual pelo Governo e pelo PboC.




Data: 29/05/2018

Risk-Off: Crise Institucional na Itália e no Brasil.

 

Os ativos de risco estão abrindo o dia com “risk-off” cássico, puxado por uma forte deterioração no preço dos ativos da Itália, após a incertea política aumentar na ausênia de um governo. A dinâmica dos últimos dias reafirma a minha convicção de portfólios mais cautelosos, visando a preservação de capital, mas mantendo a flexibilidade, agilidade e liquidez em busca de alocações que visam se apropriar desta volatilidade. Não vejo este cenário se alterando no curto-prazo e ainda vislumbro u resto de ano bastante tumultuado e turbulento.

No Brasil, os jornais estão repercutindo com preocupação a situação intitucional do país. Mesmo após o acordo com os caminhoneiros, a situação social continua fragilizada e o governo, segundo a mídia, tem receio que a situação migre para um cenário parecido com 2013, onde uma “simples” manifestação contra aumento de impostos migrou para uma grande manifestação contra a classe política.

Segundo os jornais de hoje, já se fala na ausência de governabilidade no Congresso e na impossibilidade de Temer encerrar seu mandato.

Uma pesquisa Ibope em São Paulo mostrou Bolsonaro ganhando terreno, assim como Ciro Gomes, em detrimento a alguma perda de espaço, mesmo que pequena, de Alckmin. Impressiona observar Bolsonora na frente de Alckmin no berço político tucano, neste estágio do ciclo econômico.

Na atual situação do país, tendo a acreditar que o mercado financeiro local não irá receber bem a polarização política entre Bolsonaro e Ciro, ambos com pautas econômicas ainda duvidosas.

De acordo com a mídia, o Governo já trabalha com uma inflação de 1% este mês devido a extensão da greve.




Data: 28/05/2018

Humor externo mais positivo.

 

Em um dia de feriado nos EUA, os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, exceto por mais uma forte queda do Petróleo. Alguns eventos estão ajudando este humor. A reunião entre os EUA e Coréia do Norte pode (novamente) entrar na agenda dos próximos dias, a Turquia anunciou novas medidas de suporte a seus mercados e, na Itália, não houve acordo para um governo entre os partidos radicais, retirando um risco de curto-prazo, porém mantendo a situação política do país em um limbo. Novas eleições devem ocorrer ainda este ano. Neste íterim, um governo “tampão” será convocado para guiar o país. Não podemos esperar nenhuma medida concreta ou reforma neste período.

No Brasil, o governo anuncio na noite de ontem novas medidas visando um acordo com os caminhoneiros em greve. Tudo indica que as demandas foram atendidas e a greve irá se encerrar. Comentei mais sobre este tema ontem, no texto a seguir: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-algumas-reflexoes.html.

As medidas anunciadas, caso mantidas por mais do que os 60 dias prometidos, podem custar cerca de R$20bi ao ano e cerca de R$13bi até o final deste ano. O orçamento do país é apertado para se conseguir alguma compensação destas medidas.

Os jornais de hoje estão adotando um tom bastante negativo no tocante a situação econômica e social do pais, refletindo a greve e a postura do governo na administração deste problema.




Data: 28/05/2018

Brasil: Algumas reflexões.

 

A greve dos caminhoneiros ainda não foi totalmente debelada. A situação do país está sendo normalizada de forma ainda excessivamente lenta. Contudo, é natural esperar (e acreditar) que nos próximos dias a greve tenha ficado para trás e o país volte ao normal.

A associação de funcionários da Petrobrás anunciou uma greve de 72 horas com início na quarta-feira, com reivindicações parecidas à pauta dos caminhoneiros.

Com a atuação do Banco Central no mercado de câmbio, e agora do Tesouro no mercado de títulos públicos (comentado no sábado aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/cenario-externos-nebuloso-brasil.html) não descarto alguma acomodação, normalização ou até mesmo “relief rally” dos ativos do Brasil. Contudo, a situação que o país vivenciou nos últimos dias, na minha opinião, trazem consequências e conclusões à longo-prazo muito mais importates.

Não é o meu intuito neste fórum fazer juízo de valor, apoio ou críticas a qualquer tipo de movimento. A minha intenção é entender o impacto que as questões referentes ao país terão sobre os ativos financeiros locais e aos investimentos de curto e longo-prazo.

Na minha visão, a situação que o país viveu com este episódio dos últimos dias mostra o total despreparo do país para lidar com situações de crise, e uma sociedade que se mostra imatura, ou não preparada, para as mudanças e reformas necessárias no longo-prazo para a saúde econômica do país. Reforço que não estou julgando, fazendo juízo de valor, crítica ou tomando partido de nenhum dos lados. A falta de disposição de várias esferas da sociedade neste evento, assim como no debate da reforma da previdência no ano passado, mostra que será extremamente complicado para que o próximo governo, o próximo presidente e o próximo Congresso Nacional consigam avançar nas reformas econômicas, imperativas para o bom funcionamento econômico do país em um cenário externo mais desafiador.

Nas últimas semanas, vimos como a ausência de bases econômicas sólidas podem levar países a situação delicadas, com forte depreciação de seus ativos. Falo aqui dos eventos na Argentina e Turquia, ambas levadas a promover forte elevação das taxas de juros, além de intervenções no mercado de câmbio, com medidas adicionais de ajuste fiscal, com efeitos ainda mais recessivos e negativos para a sociedade geral.

Na atual conjuntura do ciclo eleitoral do Brasil, não vejo nenhuma plataforma, de nenhum dos candidatos competitivos, realmente capaz de alterar a situação do país. Além disso, a maior parte dos candidatos competitivos não mostra real intenção, posicionamento e, mais importante de tudo, convicção na necessidade das reformas.

Finalmente, neste momento, fica dificil vislumbrar que teremos de fato uma mudança substancial no Congresso capaz de apoiar esta agenda liberal e reformista.Assim, mesmo que momentos de acomodação e recuperação dos ativos locais venham a ocorrer nos próximos dias ou semanas, apenas a visibilidade da próxima administração será capaz de alterar o humor dos investidores, locais e externos, em torno dos ativos do país. Por ora, este ambiente traz volatilidade e incerteza aos portfólios e investimentos, e assim permanecerá. Mantenho meu viés de cautela, flexibilidade, agilidade e liquidez dos portfólios.




Data: 28/05/2018

Cenário externos nebuloso. Brasil: Atuação do Tesouro é positiva, Greve e Inflação.

 

Os ativos de risco apresentaram alguns sinais negativos ontem, com destaque para a forte queda do Petróleo e fechamento de taxa das Treasuries nos EUA. Estes movimentos me fazem lembrar que o ano tem sido marcado por grandes movimentos de “washout” das principais posições consensuair do mercado.

Já vimos uma grande reversão do dólar no mundo, uma enorme pressão nos ativos emergentes, uma acentuada queda das bolsas (em fevereiro) e agora estamos diante de pressões no petróleo e (baixistas) nas taxas das Treasuries.

Não vejo grandes mudanças de cenário, mas entendo que o quadro técnico esteja, novamente, se sobrepondo ao cenário econômico no curto-prazo, em um momento de posição técnica menos saudável, preços menos atrativos e um cenário econômico menos obvio.

No campo econômico, continuo tentando entender a magnitude da desaceleração na Europa, os problemas políticas na Itália e Espanha, as questões indiossicráticas em países emergentes como Argentina e Turquia, e a política externa do governo Trump. Esses temas devem continuar ditando a dinâmica de curto-prazo dos mercados, trazendo volatilidade e poucas tendências claras ou objetivas. Além disso, gosto de lembrar que estamos no meio do processo de normalização monetária nos EUA, com altas de juros programadas e uma redução do balanço do Fed em “piloto automatico” o que deve continuar atuando como restrição à rodadas mais prolongadas de apreciação dos ativos de risco como um todo.

No Brasil, o Tesouro Nacional anunciou na noite de ontem que irá cancelar os próximos leilões de vendas de títulos públicos e irá promover leilões de recompras diários. Aredito que a decisão seja acertada e em boa hora. Assim como o BCB conseguiu trazer mais racionalidade ao mercado de câmbio com os leilões de swap cambiais diários, o Tesouro deverá ser bem sucedido em conter movimentos irracionais no mercado de juros. Vale lembrar que essa atuação não visa mudar a direção do mercado, mas trazer menos volatilidade e mair racionalidade. Os ativos do país continuarão suceptíveis ao cenário externo e a eventuais reações a deterioração do cenário doméstico, seja político ou econômico.

A despeito do acordo anunciado entre o Governo e os caminhoneiros, o país continua em situação delicada. A autorização do uso da força militar está ajudando a liberar algumas estradas, em algumas regiões, mas a mídia, neste momento, continua reportando situação de bloqueio, falta de alimentos e combustíveis, perdas financeiras elevadas nas fazendas avicultoras e etc.

Na tarde de ontem, foi anunciado o aumento da bandeira de energia para “Vermelha 2”. Segundo especialistas, isso poderá elevar a inflação entre 20bps e 30bps no mês

maneira geral, continuo vendo o cenário como excessivamente nebuloso. Entendo que teremos mais volatilidade e os portfólios precisam estar preparados para este ambiente, tanto no sentido de preservação de capital, como com o intuito de se apropriar da volatilidade e busca de “alpha”.Contiuo sem disposição a carregar grandes temas estruturais de investimento neste momento, mas atuando de forma enérgica, agil, flexível e sem preconceito em busca de “alpha” para os fundos e portfólios.

 




Data: 25/05/2018

Sinais de estabilização. Cenário ainda não me anima.

 

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira em tom mais estável. Contudo, alguns sinais de fragilidade permanecem, como a depreciação de moedas emergentes como a TRY e o ZAR.  Continuo não vislumbrand nenhuma grande oportunidade de alocação no curto-prazo, mas mantendo postura agil e flexível para se favorecer de movimentos que aparentam ser exagerados.

No Brasil, o governo anunciou um acordo junto aos caminhoneiros para evitar um casos social. A despeito do anuncio, alguns orgãos da classe afirmam que a greve irá continuar. Neste momento, ainda não consigo ter uma noção concreta de qual será a situação ao longo do dia.

Com este pano de fundo local, e um cenário externo que me parece mais desafiador, não tenho nenhuma vontade de ter alocações estruturais e relevantes em ativos no Brasil. O BRL tem se mostrado bem comportado nos últimos dias devido a presença mais agressiva do BCB nos swaps cambiais. A curva de juros não me aparenta ter prêmios significativos. Pelo contrário, começo a acreditar que os prêmios, na média, de agora em diante, precisam ser ainda maiores. Na bolsa, nos últimos dias, vimos uma melhor na posição técnica e nos preços e valuations. No geralm todos os mercados apresenam posição técnica mais saudável neste momento, mas o mercado, especialmente os fundos locais, me parecem “machucados” para acreditar em uma tomada de riscomais agressiva no curto-prazo.

Depois da Itália passar por desafios políticos, agora a Espanha apresenta cenário desafiador, com o risco do governo Rajoy sofrer um voto de confiança. O cenário de crescimento na Europa já vinha se mostrando mais desafiador e, agora, importantes economicas da região apresentam desafios políticos que podem afetar ainda mais negativamente a confiança e o crescimento.

Nos EUA, Trump voltou a adotar postura mais dura em relação as negociações junto a Coréia do Norte, as questões comerciais com a China e seus parceiros comerciais, como México, Canada e Europa, no tocante as importações de automóveis. Vejo um cenário ainda nebuloso, a despeito de acreditar que esta postura é apenas uma forma, um caminho, de buscar situações mais vantajosas para os EUA e mostrar firmeza as vésperas de uma eleição no Congresso Americano.




Data: 24/05/2018

 Cautela é necessária. Sinais de fragilidade (local e externo) permanecem.

 

Os ativos de risco estão abrindo a quinta-feira em tom mais estável. Destaque para a depreciação de 2,5% na Lira (TRY) na Turquia, que após uma rápida e acentuada depreciação “intraday” ontem após a elevação dos juros em 300bps voltou a mostrar fragilidade. A Bloomberg traz hoje um artigo em que mostra a exposição de alguns bancos Europeus à Turquia e a TRY, o que pode gerar algum contágio, mesmo que pequeno e pontual.

Na noite de ontem, Trump pediu que o secretário de Comércio iniciasse investigações em torno das importações americanas de automóveis, o que pode levar a uma nova rodada de anúncio de tarifas de importação. Com esta postura, Trump demonstra que a “Guerra Comercial” ainda não está vencida e que o aparente avanço conseguido no final de semana com a China pode ter sido apenas um “alarme falso”. Continuo acreditando que este tipo de postura é apenas uma maneira de se conquistar alavancagem nas negociações, mas certamente mostra um cenário ainda desafiador pela frente.

No Brasil a Petrobrás anunciou uma queda de 10% no preço do diesel, que deverá vigorar por 15 dias. Depois disso, a empresa pretende voltar a sua política de preço. O Congresso, por sua vez, para zerar a CIDE, aprovou durante a noite a reoneração da folha de pagamentos.

Eu vejo a decisão da Petrobrás, mesmo que politicamente sendo uma decisão difícil dado o impacto para a sociedade e o caos social que está se instalando no país, como uma decisão extremamente danosa à imagem da empresa do ponto de vista do investidor. A decisão abriu um precedente enorme para que a política de preços seja abandonada por qualquer questão, econômica ou social, que venha a afetar o país.

Como tenho afirmado neste fórum, a situação vivida nos últimos dias mostra como o próximo Presidente o próximo Governo precisará estar comprometido com o ajuste econômico para manter suas convicções e não adotar medidas vistas como populistas a luz do mercado. Por ora, os candidatos que estão mostrando competitividade nas pesquisas não demonstram esse apego e convicção pelas reformas. Assim, é natural o mercado pedir mais prêmio de risco nos ativos do Brasil nesta fase do ciclo eleitoral.

No tocante aos ativos Brasileiros, acho importante comentar sobre a posição técnica e a dinâmica dos mercados locais. Nas últimas semanas, vimos uma grande “limpada” de posições no Câmbio (BRL) e no mercado de juros. Esses, nos últimos dias, foram ancorados pela decisão de política monetária do BCB e pela intervenção via swaps cambiais. Agora, começamos a ver uma limpada de posições no mercado de renda variável. A queda da Petrobrás nos últimos dias, uma grande “over-performance” do Ibovespa e do mercado, já é sinal disso. Além disso, nos últimos dias, vimos uma forte queda das inflações implícitas e aumento de taxa de juros reais nas NTN-Bs. Na minha visão, este movimento é totalmente técnico e explicado por um posicionamento pouco saudável do mercado nesta classe de ativo que, agora, começa a se desfazer.




Data: 24/05/2018

Update.

 

Os ativos de risco estão apresentando dinâmica mais difusa ao longo do dia de hoje. Acho válido comentar sobre alguns temas:

Brasil/Político – A situação da alta no preço dos combustíveis está gerando uma grande revolta popular, com problemas de abastecimento já sendo reportados pela mídia. A queda da CIDE pode não ser suficiente para amenizar o problema. Assim, o mercado começa a se questionar se a pressão para uma solução não irá recair, no final das contas, na Petrobrás. A ação da empresa apresentou forte queda nos últimos dias, desde que o assunto entrou no radar dos investidores.

Confesso que hoje não vejo solução econômica simples, que seja capaz de atender a população/sociedade, sem que afete o (correto) caminho traçado para a empresa do ponto de vista empresarial. Assim, é natural que o mercado continua a se questionar sobre o tema, pedindo mais prêmio de risco para carregar ações e papeis da dívida da empresa.

Brasil/Inflação – O IPCA-15 de maio apresentou alta de 0,14% MoM e 2,7% YoY, muito abaixo das expectativas. O qualitativo do indicador também foi positivo, com os núcleos e a difusão baixos. A inflação de serviços, mais aderente a política monetária, mostrou um quadro de inflação extremamente baixa.

O número de hoje apenas reforça a mensagem do BCB de que os juros devem ficar mais baixos por mais tempo. Contudo, o cenário externo e o câmbio precisam ser monitorados. Não vejo grandes assimetrias hoje, no atual cenário externo, com um ciclo eleitoral indefinido se aproximando, no mercado de juros, exceto por posições táticas e alguns poucos plays de curva.

Turquia – Após gerar grande volatilidade ao longo da noite e durante toda a manhã, o país anunciou uma alta inesperada de 300bps nas taxas de juros, como o Governo voltando a adotar um discurso mais ortodoxo. A depreciação superior a 4% na Lira (TRY) se transformou em uma apreciação de 2,4% neste momento.

Este é mais um caso de busca por racionalidade e ancoragem por parte de uma autoridade monetária emergente. Parece que estamos longe de uma solução para os desafios que esses países têm pela frente, mas passos importantes, assertivos e corretos estão sendo tomados nessas economias.

Europa/Crescimento – O PMI da Europa apresentou mais um mês de queda, puxado por Alemanha e França. A fraqueza da economia da Europa, aliada aos riscos políticos na Itália voltaram a pressionar o EUR e colocar em dúvida o cenário de recuperação coordenada da economia global.

Ainda vejo a economia da Europa crescendo a taxas relativamente saudáveis, a despeito de mais baixas do que na virada do ano e do patamar que se imaginava. Ainda trabalho com um cenário de crescimento saudável da economia mundial, com flutuações em torno da tendência.

EUA – O Markit PMI do país apresentou alta em maio, confirmando o bom momento da economia deixando ainda mais aparente as diferenças econômicas entre os EUA e o resto do mundo.

As Minutas do FOMC mostraram um cenário de crescimento robusto e saudável, aperto do mercado de trabalho e acumulo de pressões inflacionárias. Contudo, como já virou praxe nesses documentos, existe um grande debate em torno de como se dará o processo de normalização monetária de agora em diante.

Acredito que o Fed será reativo aos dados econômicos. Hoje parece justo acreditar em mais 2 a 3 altas de 25bps nas taxas de juros este ano, mas os dados de inflação serão fundamentais para moldarmos este processo. Entendo que as Minutas possam gerar volatilidade e incerta no curto-prazo,  mas estou mais preocupado e focado nos dados econômicos para a manutenção de uma das principais teses de investimento do portfólio, leia-se, taxas de juros estruturalmente mais elevadas nos EUA.




Data: 23/05/2018

Risk-Off!

 

Depois de uma segunda e terça-feira de melhora generalizada dos ativos de risco, com boa descompressão dos prêmios dos ativos emergentes, os mercados globais estão abrindo a quarta-feira em tom mais negativo, com movimento clássico de risk-off. Não me parece haver um motivo específico, ou trigger único, para estes movimentos. Vale mencionar, contudo, a forte desvalorização da Lira (TRY) na Turquia – que neste momento cai cerca de 3,7% em relação ao dólar – e as incertezas que ainda rondam o cenário econômico e político na Itália, que podem começar a estar impactando e gerando contágio ao resto do mundo.

Diante deste quadro e desta dinâmica, diria que o “relief rally” que eu estava prevendo tenha, neste momento, se encerrado. O mercado mostra alto grau de volatilidade e incerteza, o que tem impedido a alocação de risco de maneira mais estrutural (longo-prazo). Assim, vou continuar favorecendo uma postura mais tática (curto-prazo) e um portfólio mais neutro, buscando posições em temas específicos ou posições relativas.

No Brasil, a intervenão do BCB no mercado de câmbio parece ter trazido ancoragem e racionalidade ao mercado. Espero que o Real (BRL) apresente desempenho relativo melhor do que os seus pares neste ambiente descrito acima, mas ele não estará totalmente imune a rodadas de dinâmica negativa como essa que estamos observando essa manhã.

O Governo anunciou que irá zerar a CIDE de combustíveis, mas o Ocngresso irá votar a reoneração da folha de alguns setores para evitar perdas de receita. Essa postura é “menos pior” que alterar a politica de preços da Petrobrás, e ou aceitar uma perda de receitas sem contrapartida. Contudo, mostra o grau de preção que o próximo governo irá enfrentar. Sem um Presindete de fato comprometido com o ajuste econômico, é natural que este tipo de pressão, entre outras, acabe sucumbindo o novo presidente ou governo à medidas mais populistas.

A Ata do Copom mostrou que o BCB pretene manter a Taxa Selic estável nas próximas reuniões, mantidas as condições atuais de inflação corrente, expectativas de inflação e inflação prospectiva. Contudo, como sempre, o BCB irá monitorar o cenário prospectiva para, então, decidir seus próximos passos. Acredito que a curva de juros tenha que operar com prêmio de alta de juros. Mesmo com prêmios na ordem de 350-400bps nos FRAs mais longos (2 a 4 anos) não vejo o mercado de juros, neste momento, como apresentando valor que jistifique posições estruturais e\ou relevantes para o portfólio. Acredito que  o mercado ficará mais volátil. Vejo mais valor em plays de curva e posições apenas táticas.




Data: 22/05/2018

Risk-On!

 

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de “risk-on”, movimento que está tendo seguimento esssa manhã. O destaque fica por conta para a compreesão dos prêmios dos ativos dos países emergentes\Brasil, que foram um dos mais afetados e pressionados nas últimas semanas. A dinâmia do mercado esta em linha com o roteiro que tracei no final da semana passada e começo desta semana (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/vejo-espaco-para-uma-recuperacao-dos.html).

Eu vejo espaço para este movimento de compressão de prêmios continuar no curto-prazo, baseado em um cenário de crescimento global ainda suadável, melhora na posição técnica, preços\valuations mais atrativos e uma atuação mais assertiva e correta por parte dos policy makers.

A longo-prazo, contudo, eu vejo o estágio do ciclo econômico nos EUA como já avançado, o que irá gerar restrições à melhoras mais estruturais, acentuadas e permanentes esses ativos. Assim, minha visão mais construtiva é tática\cíclica, mas não deixa de vislumbrar uma recuperação que pode ser relevantes dessas classes de ativos. Continuarei adotado postura mais flexível e agil ao longo do ano, pois vejo um mercado com volatilidade e inertezas maiores.

Essa manhã a China anuncio que irá baixar as tarifas e importação de carros para 15%, em um movimento que mostra comprometimento com as negociações promovidas no final de semana, reduzindo ainda mais os riscos de uma batalha comercial mai ampla. Este tipo de medida\postura deverá ajudar o humor global a risco, à medida que eleva as perspectivas do comércio global e, consequentemente, do crescimento mundial.

No Brasil, o destaque negativo fica por conta da tentativa de intervençõ do governo na política de preços da Petrobrás, em um ambiente de escalada rápida e acentuada do preço do petróleo e dos combustíveis. Ainda precisamos entender quais medidas serão tomadas, mas qualquer iterferência concreta será mau recebida pelo mercado. Devido ao cenário externo, na margem, mais construtivo, a interferênia deverá ficar concentrada no preço das ações da Petrobrás. Medidas mais agressivas podem trazer de volta a tona o questionamento em torno da quadro econômico do país, levando a uma dinâmica pior dos ativos locais (steepening da curva de juros, alta do dólar e etc).

Hoje a agenda terá as Notas do Copom. Espero que o Comitê reforce a mensagem de que a Taxa Selic ficará mais baixa no horiznte relevante de tempo, já que a inflação corrente e prospectiva, além das expectativas de inflação, continuam ancoradas. O hiato do produto continua muito aberto, o que permite um crescimento sem pressões altistas na inflação. Além disso, a recuperação do crescimento e do emprego segue lenta e gradual.

Na Itália a formação de um governo mais populista continua deixando os ativos do país mais pressionados. O problema continua localizado e sem gerar contágio para o resto do mundo. Ainda precisamos entender quais serão as reais chances desse governo implementar medidas econômicas deletérias ao país, mas sem dúvida é natural e esperado que o mercado peça mais prêmios para os ativos italianos de agora em diante.




Data: 21/05/2018

Vejo espaço para uma recuperação dos ativos EM\Brasil. Contudo, é sempre difícil acertar pontos de inflexão.

 

O destaque do final de semana ficou por conta da conclusão das negociaões preliminares entre os EUA e a China em torno de suas relações comerciais. Segundo um comunicado conjunto emitido após as reuniões, os países de comprometeram em estreitar seus relacionamentos, com a China buscando elevar substancialmente as compras de produtos norte americanos. Não houve a divulgações de metas ou números concretos, mas um comprometimento em torno do tema. Após o comunicado, os EUA anunciaram, mesmo que semi-oficialmente que, por ora, não irão impo tarifas de importação à China, freando assim, a “guerra comercial” entre ambos. 

 

Os eventos do final de semana, assim, reduzem substancialmente os riscos de uma “guerra comercial” mais ampla e se colocam dentro do cenário bae que a maior parte do mercado vinha trabalhando. De maneira geral, a despeito do risco de uma postura mais dura por parte da administração Trump, a maior parte do mercado esperava (e espera) que as negociações caminhem em um direação ainda construtiva. 

 

É natural supor que passado este evento, e mesmo com riscos de execusão, e riscos em outras frentes, como no NAFTA, algum prêmio de risco seja reduzido nos mercados financeiros globais. 

 

Nesta mesma frente, vimos a divulgação de dados mais robustos e ainda saudáveis de exportações na Coréia do Sul e no Japão ao longo desta noite, o que mostra uma economia global ainda relativamente estável e saudável, mesmo que com flutuações em torno da tendência. 

 

De maneira geral, vejo algum espaço para a normalização dos ativos de risco, especialmente aqueles mais pressionados nos últimos dias e semanas, como os ativos emergentes. Entendo que seja difícil acertar pontos de inflexão nos mercados, e que a dinâmica destes ativos ainda se mostra fragilizada (comentei um pouco mais sobre isso no sábado: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-bcb-aumenta-oferta-de-swaps.html), mas vejo o acumulo de evidências de um quadro econômico ainda positivo, uma melhora na posição técnica, preços e valuations mais atrativos e uma atuação correta dos policy makers. 

 

Entendo que talvez o mercado de FX não seja a melhor classe de ativos, mesmo vislumbrando uma melhora tática ou cíclica, mas há espaço para acomodação no mercado de juros, assim como alguns setores e empresas da bolsa apresentaram correções excessivas vis-a-vis seus fundamentos.




Data: 21/05/2018

Brasil: BCB aumenta oferta de swaps cambiais. Mais um passo acertado.

 

Brasil\Câmbio – No final da tarde de ontem o Banco Central (BCB) anunciou um aumento na oferta de swap cambiais, dos US$250mm diários, para US$750mm diários. Além da oferta, o BCB divulgou comunicado em que busca diferenciar a postura no tocante ao câmbio de sua política monetária.

 

Acredito que a atuação do BCB esteja correta, primeiro ofertando um montante menor de swaps, depois deixando de cair a Taxa Selic e, agora, oferecendo maior hedge cambial ao mercado. O movimento de fortalecimento do dólar é global e não local. Contudo, é dever do BCB suavizar os movimentos, mas não tentar mudar a direção da moeda. Como no passado o BCB conseguiu reduzir o estoque de swaps, e como o país ainda é credor em dólares, é natural e saudável este tipo de movimento e postura por parte da autoridade monetária. 

 

Como o objetivo não é alterar a direção da moeda e o movimento do dólar é global, precisaremos observar o cenário externo para definir até onde irá à taxa de câmbio. Os últimos passos do Brasil, e de outros países emergentes como a Argentina, foram passos positivos, assertivos e na direção correta, mas ainda é cedo para definirmos até onde irá este movimento recente. Tendo a acreditar que estamos chegando a um ponto de posição técnica mais saudável, preços e valuations mais atrativos, em um pano de fundo não tão negativo como aparenta, mas é sempre muito difícil, senão impossível, acertar pontos de inflexão nestes tipos de movimentos ou tendências. 

 

Brasil\Política – A direita continua bem representada por Bolsonaro na disputa eleitoral para presidente. O Centro ainda se mostra muito disperso, sem poder de coalização e com grandes problemas existenciais. A esquerda, na figura de Ciro Gomes, começa a mostrar alguma convergência, dependendo de Lula e do PT para uma definição de em que caminho irão tomar. O cenário segue bastante nebuloso e indefinido. 

 

Os jornais dos últimos dias mostram preocupação no PSDB em torno da candidatura de Alckmin. O nome de Doria volta a ser ventilado em seu lugar. O PDT de Ciro trabalha para buscar um vice do PSB e o PT continua insistindo na candidatura de Lula, equanto há coversas e pressões de bastidores para algum “plano B”. 

 

EUA vs China – Não houve avanços significativas nas conversas entre ambos os países, mas há algum esforço para mostra coesão nas negociações. Parece que a China ofereceu, ou se comprometeu, em elevar suas compras de produtos americanos, mas sem se comprometer com qualquer meta de redução do déficit. Segundo a Bloomberg: 

 

"(Bloomberg) -- China will significantly increase purchases of U.S. goods and services, the White House said in a statement following talks in Washington this week that aimed to resolve a trade dispute between the world’s two largest economies. Both sides agreed on meaningful increases in U.S. agriculture and energy exports, the White House said, adding that the U.S. will send a team to China to work out the details." 

 

EUA vs NAFTA – Não houve acordo entre as partes em no tempo estipulado. Agora, o México passará por uma eleição presidencial que poderá alterar significativamente o quadro político local, assim como os EUA terão eleições para o Congresso que também poderão alterar a dinâmica política do país, tornando as negociações ainda mais complicadas.




Data: 18/05/2018

Alguns comentários adicionais.

Mercado ainda bastante sensíveis e fragilizados. Seguem algumas atualizações de temas que acabei não comentado nas últimas 24 horas mas que julgo serem relevantes para o curto-prazo:

Emergentes/Fluxos/Posição – Fluxo para emergentes continua ruim/negativo. Até acredito que o mercado aparente ter exagerado um pouco no movimento, mas os fluxos mostram que a posição técnica ainda precisa ser administrada (ou digerida) ao longo do tempo. Segundo o Morgan Stanley:

EM outflows continue: EM debt-dedicated fund outflows continued over the last week, standing at US$1.3bn (up to May 16) compared to outflows of US$2.1bn in the previous week. Hard currency funds registered outflows of US$259m (0.12% of AUM), while local currency funds lost US$918m (0.48% of AUM). Blend currency funds also saw outflows of US$100m (0.19% of AUM). ETFs reported inflows of US$266m over the past week, driven by inflows of US$547m into hard currency ETFs, while local currency ETFs recorded outflows of US$280m. Meanwhile, non-ETFs continued to see outflows of a similar magnitude to the previous week, totalling US$1.5bn. This was again driven by hard currency non-ETFs, which saw outflows of US$806m, while local currency non-ETFs experienced outflows of US$632m. Outflows from regional or country-focused local currency funds picked up from US$33m last week to US$720m this week. Split by type, funds with global mandates saw outflows across both local (US$192m) and hard (US$131m) currency funds. Lastly, blend currency funds lost US$89m. Overall, year-to-date debt-dedicated fund inflows have now slipped to US$9.7bn.

Brasil – O quadro político segue indefinido e, na margem, a esquerda parece demonstrar mais capacidade de aglutinação do que o centro. A mídia continua reportando avanço nas negociações em torno de Ciro Gomes. Do ponto de vista do mercado, este seria uma caminho que não é bem recebido, pelas ideias pouco ortodoxas do ponto de vista de política econômica do candidato do PDT.

Itália – O país caminhou para um acordo entre partidos mais radicais. A despeito de terem deixado de lado plataformas mais heterodoxas, como cancelamento de dívida e saída da União Europeia, são dois partidos que devem dificultar a implementação de reformas econômicas urgentes a uma economia com elevada dívida/PIB. Além disso, existe um risco, com probabilidade crescente, de aumento do déficit fiscal.

China vs EUA – A mídia reportou durante a noite, ainda não confirmado, que a China teria oferecido uma redução de cerca de US$200bi do seu déficit com os EUA. Me parece difícil chegar a este montante e uma confirmação deste rumor ainda precisa ser observado. Quaisquer avanços nessas negociações serão bem recebidas pelos ativos de risco.

EUA vs NAFTA – Um acordo não foi atingido na data estipulada (ontem). Parece que ainda há diversas diferenças a serem reconciliadas. Acredito que um acordo irá acontecer, mas a demora no processo pode gerar mais incerteza e volatilidade em um período de eleições no México, em especial.




Data: 18/05/2018

EM: Pressionados, até quando?

Os ativos de risco estão abrindo o dia em tom mais estável. Ontem foi mais um dia de forte pressão nos mercados emergentes, a despeito da relativa tranquilidade dos mercados desenvolvidos.

Muitos estão me questionando quando que iremos observar uma estabilização deste humor global em torno dos mercados emergentes e do Brasil. Acredito que alguns dos seguintes vetores precisa ser observados. (1) Estabilização dos juros nos EUA. Precisamos ver as taxas de juros pararam de subir, e ter alguma convicção que o um novo patamar foi encontrado. (2) níveis de preços e valuations (ainda) mais atrativos precisam ser atingidos. (3) a posição técnica precisa se tornar mais saudável. O mercado ficou em torno de 2 anos comprando ativos emergentes, não será em apenas 1 ou 2 meses que o ajuste será totalmente efetuado.

Além desses vetores, teremos que superar problemas locais e indiossicráticos, como eleições no Brasil e no México, além de um ambiente econômico desafiador na Turquia e Argentina. Finalmente, o aparente estágio avançado do ciclo econômico nos EUA se mostra como uma grane barreira, ou restrição, a movimentos mais prolongados de recuperação.

Os ativos no Brasil ontem apresentaram reação clássica a decisão do Copom, com “bear flattening” da curva de juros, over-performance do BRL em relação a seus pares, porém forte queda da bolsa. Confesso que a despeito da direção dos mercados terem sido em linha com as minhas expectativas (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/brasil-copom-adotada-estrategia-correta.html) fiquem um pouco surpreso com o tamanho dos movimentos de depreciação no câmbio e na bolsa.

A agenda do dia será esvaziada. Nos últimos dias, nossos portfólios se tornaram ainda mais defensivos. Por ora, abandonamos nossa tese de investimentos de juros mais baixos por mais tempo no Brasil. Não temos hoje nenhuma posição relevante em juros no Brasil. Acreditamos que os juros devem ficar mais baixos por mais tempo, mas isso deverá ser expresso através de posições na curva, e não posições direcionais. Antes de alocar posição neste tema, contudo, gostaria de observar alguma estabilização do mercado. Estamos apenas como pequena posição em bolsa Brasil, através de uma carteira de ações cujo os preços não nos parecem refletir a melhora de fundamentos apresentada nos resultados recém divulgados. A disciplina do stop, contudo, será respeitada caso necessário. Seguimos tomados em juros nos EUA como principal posição do fundo, complementado com pequenas posições, via opção, e com visão de hedge, vendidos em S&P e em AUD.




Data: 03/05/2018

Fed, Swap Cambial e baixa inflação na Europa.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira em tom mais positivo. Na tarde de ontem, o Fed anunciou sua decisão de política monetária, em que manteve a taxa de juros inalterada, como era amplamente esperado. O FOMC, contudo, promoveu uma pequena alteração em seu comunicado, para sinalizar que a inflação está mais perto de sua meta “simétrica” de inflação de 2%.

Esta mensagem foi lida como um sinal de conforto por parte do Comitê que, caso a inflação suba acima de 2%, porém não muito acima, isso não implicaria em uma mudança de postura por parte do FOMC. Assim, se mantém o cenário de cerca de 3 a 4 altas de 25bps nas taxas de juros nos EUA nos próximos anos. Apenas uma mudança drástica de cenário levará o Fed a alterar sua rota de normalização monetária.

Na minha visão, a decisão de ontem em nada altera o cenário base e os cenários de “risco” alternativos. Entendo que a decisão retira algum risco de cauda do curto-prazo, o que pode dar algum alívio pontual a um mercado excessivamente cauteloso nos últimos dias, mas ainda vejo o cenário econômico como ditando o ritmo dos ativos de  risco.

Nessa frente, o ADP Employment apresentou alta em torno de 200 mil vagas de trabalho em abril, confirmando o bom momento da economia e do mercado de trabalho. Todas as atenções estarão voltadas para o Payroll amanhã e, principalmente, para os dados de rendimentos e as eventuais pressões inflacionariam.

No início da noite de ontem, no Brasil, o BCB anunciou o começo da rolagem de swap cambiais. Se mantido o ritmo anunciado todos os dias até o final do mês, o BCB estará vendendo cerca de US$2,8bi ao mercado. Segundo a própria instituição, a medida visa suavizar o movimento de alta do dólar. A postura adotada pelo BCB mostra desconforto com o movimento do câmbio, colocando em debate a próxima queda de 25bps nas taxas e juros sinalizados para a próxima reunião do Copom. Neste ambiente, a dinâmica do mercado nos próximos dias será extremamente importante.

Na Europa, a inflação de abril apresentou uma inesperada desaceleração, com o CPI caindo a 1,2% YoY e o Core CPI para 0,7% YoY, A arrefecimento da inflação coloca a estratégia de normalização monetária do ECB em xeque e o EUR em situação ainda mais delicada caso os dados de emprego amanhã, nos EUA, mostrem um quadro de mercado de trabalho apertado e pressões inflacionárias.

Diante de todo o exposto acima, os dados de emprego amanha nos EUA ganham uma importância gigantesca para a dinâmica de quase todas as classes de ativos de risco para os próximos dias e semanas.




Data: 02/05/2018

Humor mais positivo. Agenda importante.

Os ativos de risco estão abrindo a quarta-feira em tom mais positivo. O resultado da Apple, divulgado o final da tarde de ontem, levou a uma alta de 5% no preço da ação no “after-market”, o que está ajudando o humor global a risco. Assim, neste momento, vemos uma leve alta das bolsas globais, as commodities operam em tom positivo, os juros abrem no mundo desenvolvido e o dólar apresenta leve queda, porém ainda mostra dificulades em cair de maneira mais acentuada.

Comentei um pouco mais sobre os movimentos recentes aqui. Copio o link para não soar repetitivo: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/05/dollar-rules.html.

O destaque do dia ficará por conta do ADP Employment e para a decisão do FOMC, nos EUA. Espero ver um mercado de trabalho ainda robusto, mas entendo que nesta fase do ciclo econômico seja esperado que a criação de vagas de trabalho arrefeça dos cerca de 200-250 mil dos últimos meses, para algo em torno de 100-150mil de maneira mais sustentável. Mesmo neste ambiente, as pressões infacionárias deveriam se acumular.

No tocante ao FOMC, espero que o Comitê relate um cenário relativamente estável no tocant ao crescimento, mas mostre mais confiança na trajetória da inflação a sua meta de 2%. Ainda vejo um processe de, pelo menos, 3 a 4 altas de 25bps na taxa de juros neste e no próximo ano, cenário que não está precificado na curva de juros.

No Brasil,o dólar chegou a operar ontem em torno de 3,53-3,54 no mercado de balcão. O BCB vem sinalizando que a primeira linha de defesa seriam as interveções cambiais, seja via swaps ou via reservas. Acredito que o BCB ainda não atuou pois o movimento vem sendo relativamente gradual e concomitantemente com a alta do dólar ao redor do mundo. Assim, em termos relativos as demais moedas, a queda\depreciação do Real se mostra menos acentuada do que contra o dólar norte americano. Ainda não vejo a queda de 25bps na Taxa Selic sinalizada pelo BCB para o próximo Copom como estando em risco, mas o mercado pode questionar a estratégia do BCB caso a depreciação cambial continue. A posição técnica na parte curta da curva ainda me parece pouco saudável. De modo geral, ainda vejo os juros no Brasil mais baixos por mais tempo, mas não gosto do risco\retorno na curva curta de juros no ambiente que estamos vivenciando neste momento. Minha visão pode mudar por preço, dinâmica de mercado ou alguma mudança no cenário.




Data: 02/05/2018

Dollar Rules!

A terça-feira foi novamente marcada por uma alta do dólar no mundo (, mas desta vez sustentada pela abertura das taxas de juros nos EUA. Os ativos emergentes operaram todo o dia sobre forte pressão.

A narrativa em relação ao dólar continua a mesma que tenho descrito neste fórum já há alguns dias vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/). O resto da semana será fundamental para que está dinâmica se converta de fato em uma nova tendência, ou alguma acomodação desses movimentos aconteça. Destaque para o ADP Employment e decisão do FOMC amanhã nos EUA, e para os dados oficiais de emprego na sexta-feira.

O grande destaque econômico do dia, na minha visão, ficou por conta do ISM Manufacturing. O número apresentou queda superior as expectativas, saindo de 58.3 para 57.3. A despeito da queda, o número continua em patamar saudável e condizente com um crescimento estável da economia (hoje em torno de 2,5%). Ainda mais importante do que o “headline”, o Prices Paid – indicador de pressões inflacionárias – apresentou forte elevação, passando para 79.3 pontos, o maior patamar em vários anos.

Assim, seguimos em um pano de fundo em que acumulam-se evidências cada vez mais claras de pressões inflacionárias, em uma economia que cresce a taxas relativamente constantes. Não vejo outro caminho ao Fed se não manter seu processo de normalização monetária, com cerca de 3 a 4 altas de 25bps por ano e uma redução de seu balanço. Ainda vejo o risco de mais altas de juros como uma probabilidade muito maior do que uma desaceleração da economia. Além disso, acredito que o mercado embute probabilidade excessivamente baixa de uma cenário inflacionário mais preocupante juros muito mais altos no curto-prazo (12 a 24 meses).

Fora o cenário econômico, a temporada de resultados corporativos continua relativamente positiva. O dia teve como destaque a Apple, que acabou subindo cerca de 5% no “after-market”. Além disso, vimos alguns ruídos envolvendo o NAFTA e as negocições em torno das tarifas sobre o Aço. Por ora, vejo esses temas como secundários ao cenário econômico, mas entendo que eles acabem gerando volatilidade e alguns fluxos de curto-prazo.

No Brasil, me parece que estamos definitivamente na agenda eleitoral. Me chamou a atenção nos últimos dias o aumento de mais de 5% no Bolsa Família e uma notícia hoje dando conta de uma potencial injeção de R$15bi na Caixa Econômica visando o estímulo ao crédito. Continuo vendo o cenário doméstico como mais desafiador até as eleições, tanto do ponto de vista local como, agora, do ponto de vista externo. Tenho dificuldades em vislumbrar tendências muito claras para os ativos locais. Acredito que veremos movimentos bruscos e, talvez, até mesmo acentuados, mas sem uma tnedência muito clara. Vou continuar com recomendações e aloações mais baixas e adotando postura mais tática nos ativos locais.




Data: 02/05/2018

Dólar, Treasuries e Cenário.

 

Obs: Peço desculpa em antecipação pelo tamanho excessivo do texto de hoje, mas acho importante resumir os eventos dos últimos 5 dias em que estive com menos "pegada" do dia-a-dia.

O dia foi um tanto quanto interessante para estar de volta. Do ponto de vista econômico, não houve de fato uma mudança muito relevante de pano de fundo, como veremos abaixo.

Mercados:

Para os ativos de risco, vimos a confirmação de uma dinâmica diferente em relação ao dólar no mundo. O mercado agora arpoveita qualquer queda do dólar como oportunidade de compra da moeda americana. Como comentei na semana passada, o dólar parece tecnicamente rompendo alguns niveis importantes e uma tendência de alta pode estar se caracterizando. A posição do mercado, excessivamente vendida em dólar no mundo, está ajudando a exaxerbar este movimento. Além disso, o cenário economico de diferencial de crescimento, politica monetária e taxa de juros, além do momentum da moeda parecem dar suporte ao movimento, que poe continuar no curto-prazo. Comentei sobre isso na semana passada aqui, na seção sobre EUA (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/comentarios-sobre-os-eventos-recentes.html).

Os juros nos EUA, até o momento, falharam em romper os 3%, mas não conseguem também apresentar fechamento de taxas mais expressivos. A semana será extremamente importante nessa frente, como comentei aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/semana-de-agenda-importante.html.

Destaque de hoje para ruídos envolvendo o programa nuclear do Irã, que deram suporte ao petróleo. A correlação do petróleo com os juros e as “breakeven inflations” nos EUA continua elevado. Eu prefiro focar no cenário econômico, com os dados de emprego, renda e a reunião do FOMC na hora de tomar decisões de alocação, mas estes movimentos de curto-prazo precisam ser acompanhados para eventuais desenvolvimentos mais relevantes.

Este ambiente tem pressionado os ativos emergentes como um todo, e o Brasil tem seguido está dinâmica. Mantenho a visão de que os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta da economia do país, até uma definição clara das eleições, no último trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis, e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Cenário econômico:

Na Europa, as vendas no varejo da Alemanha surpreenderam negativamente, colocando mais um vetor de preocupação em relação ao crescimento da economia local.

Nos EUA, a inflação ficou dentro das expectativas do mercado, com o Core PCE novamente muito proximo a meta de 2% do Fed. O número era de certa forma esperado, mas reafirma o cenário de acumulo de pressões inflacionarias e manutenção da postura do Fed de normalização de sua política monetária. Os dados de crescimento, como o Chicago PMI, Personal Consumption e Spending, fluam em torno de uma tendência, com alguns dados mais positivos e outros não tão positivos, mas sinalizando para um crescimento ainda saudável e em torno da tendência.

No Brasil, destaque apenas para a pesquisa Focus, que mostrou alguma pequena revisão altista para as expectativas de inflação de 2019. Ainda acho cedo para a depreciação cambial começar a atrapalhar a politica monetária, mas acho que o mercado, por sua vez, pode começar a se questionar em relação a isso. Com as posições aplicadas em juros ainda relevantes, não descartaria uma rodada de desalavancagem nos vértices mais curtos da curva. Ainda vejo este cenário como um “cenário de cauda”, mas cuja probabilidade começa a aumentar.

Posição:

Continuo com baixa exposição a risco no Brasil, focado na pate mais longa da curva de juros reais. O portfólio segue tomado em juros nos EUA de forma relevante. Seguidos utilizando a venda de AUDJPY como hedge da carteira, assim como algumas estruturas de opção de S&P. Por ora, estamos com poucos temas de investimentos alocados devido a baixa visibilidade do mercado. Acredito que podemos estar em um ponto de inflexao relevante para o cenário e os mercados. Assim, precisamos estar liquidez e com agilidade para tomar posições mais relevantes.  




Data: 02/05/2018

Visão Geral.

 

Para quem não teve acesso aos meus últimos, e breves comentários, segue abaixo. A partir de hoje teremos as rotinas reestabelecidas:

Agenda: 

A próxima semana será extremamente importante para o pano de fundo global, com destaque para a decisão do FOMC, o Core PCE e os dados oficiais de emprego nos EUA. 

Com alguns mercados em níveis importantes, o rompimento desses níveis pode significar um avanço mais concreto em suas tendências recente, como o fortalecimento do dólar, a abertura de taxa de juros nos EUA e a pressão sobre os mercados emergentes.

Estarei olhando com especial atenção a confirmação do cenário de acumulo de pressões inflacionarias, em meio a um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto fechado. Ainda vejo este como o cenário mais provável. O mercado me parece preparado para movimentos graduais nessa direção, mas não para um cenário mais agressivo de inflação e aperto do mercado de trabalho.

Ainda vejo este risco com uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje e por isso a maior posição do portfólio continua a ser tomada em juros nos EUA. Eu vejo o mercado ainda bastante preocupado com a "guerra fiscal” e uma potencial desaceleração mais acentuada do crescimento, mas vejo estes riscos como apresentando baixa probabilidade neste momento.

Caso o FOMC e os dados de inflação e emprego não confirmem o cenário base com o qual tenho trabalhado, ou apresentem alguma acomodação de curto-prazo, o portfólio precisará ser readequado, com posições mais balanceadas. Voltamos a colocar alguns hedges no mercado externo, via opções de S&P e JPY. O portfólio hoje apresenta um viés levemente negativo mas será reavaliado diariamente está semana conforme os dados e das decisões de política econômica forem sendo concretizadas.

No Brasil, vejo os ativos locais reféns do cenário externo no curto-prazo, e ainda à mercê de um quadro político turbulento e um cenário econômico menos óbvio do que antes. Sigo com uma visão construtiva para o mercado local de juros, mas estamos com posições mais defensivas e buscando defender o portfólio de maneira tática.

Comentário gerais:

Brasil - Os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta, até uma definição clara das eleições no último trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Vale ressaltar que nos últimos dias vimos nos dados de contas externas uma situação ainda saudável, mas fortes fluxos de saída da conta portfólio, em renda fixa e renda variável, mostrando pouco interesse do investidor estrangeiro por Brasil. As contas públicas ficaram abaixo das expectativas, muito devido a questões pontuais. Contudo, a recente decepção do crescimento deverá afetar também a recuperação cíclica das contas públicas.

EUA - Continuo vendo um crescimento relativamente estável, em torno de 2,5%, com flutuações em torno desta tendência. As pressões inflacionárias continuaram se acumulando, como vimos hoje no Employment Cost Index. Não vejo motivos para o Fed alterar sua postura de normalização monetária. Continuo vendo uma alta da inflação como um risco com maior probabilidade do que uma desaceleração do crescimento. Continuo acreditando na alta estrutural dos juros no pais, em todos os vértices.

Vejo este pano de fundo como uma enorme restrição para o bom desempenho de ativos de risco nos próximos meses. Nas últimas semanas vimos uma mudança de tendência do dólar no mundo, com a posição técnica exacerbando os movimentos. O cenário econômico, o momentum, e a posição técnica parecem favorecer continuidade deste movimento de suporte ao dólar no curto-prazo.

Europa - Os dados de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O ECB mostrou postura mais cautelosa em sua reunião. Hoje mesmo vimos surpresas negativas no PIB a França e Inglaterra. Por ora, ainda parece ser uma acomodação do crescimento, mas conforme o temo passa e as surpresas não são revertidas, corremos o risco de uma mudança mais significativa de cenário. A alta do EUR perdeu momentum e posição especulativa se mostra muita comprada na moeda, questões que precisam ser monitoradas.

China - As recentes surpresas de crescimento e sinais anedóticos, como a queda no preço do minério, levaram o PBoC a adotar postura mais expansionista, com queda do compulsório e outras medidas mais pontuais. O cenário base continua a ser de desaceleração gradual da economia, com o PBoC buscando suavizar os movimentos. O risco continuas a ser de uma desaceleração mais acentuada, sem que o PBoC seja capaz de administrar este movimento.

Mercados - No geral, ainda vemos os mercados em ranges. A bolsa dos EUA está no meio de uma queda de braço entre resultados micro positivos, mas restrições macro. O dólar mostra sinais de tendência altista, assim como os juros nos EUA. O Brasil vem sofrendo os efeitos de um cenário local e externo mais nebuloso.

Continuo buscando temas específicos de investimento, mas com alocação a risco, mas baixa e postura mais tática. Acredito que o ano será mais oportuníssimo do que aplicativo. O primeiro trimestre mostrou que esta minha tese está correta.      




Data: 30/04/2018

Agenda importante na próxima semana.

 

A próxima semana será extremamente importante para o pano de fundo global, com destaque para a decisão do FOMC, o Core PCE e os dados oficiais de emprego nos EUA. 

 

Com alguns mercados em níveis importantes, o rompimento desses níveis pode significar um avanço mais concreto em suas tendencias recente, como o fortalecimento do dólar, a abertura de taxa de juros nos EUA e a pressão sobre os mercados emergentes.

 

Estarei olhando com especial atenção a confirmação do cenário de acumulo de pressões inflacionarias, em meio a um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto fechado. Ainda vejo este como o cenário mais provável. O mercado me parece preparado para movimentos graduais nessa direção, mas não para um cenário mais agressivo de inflação e aperto do mercado de trabalho. 

 

Ainda vejo este risco com uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje e por isso a maior posição do portfólio continua a ser tomada em juros nos EUA. Eu vejo o mercado ainda bastante preocupado com a "guerra fiscal” e uma potencial desaceleração mais acentuada do crescimento, mas vejo estes riscos como apresentando baixa probabilidade neste momento. 

 

Caso o FOMC e os dados de inflação e emprego não confirmem o cenário base com o qual tenho trabalhado, ou apresentem alguma acomodação de curto-prazo, o portfólio precisará ser readequado, com posições mais balanceadas. Voltamos a colocar alguns hedges no mercado externo, via opções de S&P e JPY. O portfolio hoje apresenta uma viés levemente negativo mas será reavaliado diariamente está semana conforme os dados e das decisões de política econômica forem sendo concretizadas. 

 

No Brasil, vejo os ativos locais reféns do cenário externo no curto-prazo, e ainda à mercê de um quadro político turbulento e um cenário econômico menos óbvio do que antes. Sigo com uma visão construtiva para o mercado local de juros, mas estamos com posições mais defensivas e buscando defender o portfólio de maneira tática.




Data: 27/04/2018

Breve comentário.

Ainda estou com acesso limitado ao mercado, mas acho que alguns eventos recentes merece atenção:

Brasil - Os números de confiança, crescimento e emprego continuam surpreendendo negativamente. Neste estágio do ciclo eleitoral, começo a achar que dificilmente iremos ver uma recuperação mais robusta, até uma definição clara das eleições no ultimo trimestre do ano.

Este pano de fundo, com um cenário externo mais nebuloso, torna os ativos locais, nos atuais níveis e com a atual posição técnica, com pouca atratividade de curto-prazo. Continuo com postura mais tática do que estratégica, com baixa alocação a risco Brasil.

Vale ressaltar que nos últimos dias vimos nos dados de contas externas uma situação ainda saudável, mas fortes fluxos de saída da conta portfolio, em renda fixa e renda variável, mostrando pouco interesse do investidor estrangeiro por Brasil. As contas publicas ficaram abaixo das expectativas, muito devido a questões pontuais. Contudo, a recente decepção do crescimento deverá afetar também a recuperação cíclica das contas publicas.

EUA - Continuo vendo um crescimento relativamente estável, em torno de 2,5%, com flutuações em torno desta tendência. Os pressões inflacionárias continuaram se acumulando, como vimos hoje no Employment Cost Index. Não vejo motivos para o Fed alterar sua postura de normalização monetária. Continuo vendo uma alta da inflação como um risco com maior probabilidade do que uma desaceleração do crescimento. Continuo acreditando na alta estrutural dos juros no pais, em todos os vertices.

Vejo este pano de fundo como uma enorme restrição para o bom desempenho de ativos de risco nos próximos meses. Nas últimas semanas vimos uma mudança de tendencia do dólar no mundo, com a posição técnica exacerbando os movimentos. O cenário econômico, o momentum, e a posição técnica parecem favorecer continuidade deste movimento de suporte ao dólar no curto-prazo.

Europa - Os dados de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O ECB mostrou postura mais cautelosa em sua reunião. Hoje mesmo vimos surpresas negativas no PIB a França e Inglaterra. Por ora, ainda parece ser uma acomodação do crescimento, mas conforme o temo passa e as surpresas não são revertidas, corremos o risco de uma mudança mais significativa de cenário. A alta do EUR perdeu momentum e posição especulativa se mostra muita comprada na moeda, questões que precisam ser monitoradas.

China - As recentes surpresas de crescimento e sinais anedóticos, como a queda no preço do minério, levaram o PBoC a adotar postura mais expansionista, com queda do compulsório e outras medidas mais pontuais. O cenário base continua a ser de desaceleração gradual da economia, com o PBoC buscando suavizar os movimentos. O risco continuas a ser de uma desaceleração mais acentuada, sem que o PBoC seja capaz de administrar este movimento.

Mercados - No geral, ainda vemos os mercados em ranges. A bolsa dos EUA esta no meio de uma queda de braço entre resultados micro positivos, mas restrições macro. O dólar mostra sinais de tendencia altista, assim como os juros nos EUA. O Brasil vem sofrendo os efeitos de um cenário local e externo mais nebuloso.

Continuo buscando temas específicos de investimento, mas com alocação a risco mas baixa e postura mais tática. Acredito que o ano será mais oportunístico do que aplicativo. O primeiro trimestres mostrou que esta minha tese esta correta.   




Data: 24/04/2018

Humor mais positivo essa manhã.

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, com uma alta nas bolsas e nas commodities, uma estabilização das taxas das treasuries e um leve dólar fraco com as moedas emergentes. A divulgação do resultado da Google (Alphabet) no fechamento do dia de ontem pode ter ajudado a dar algum suporte aos ativos de risco. 

De maneira geral, contudo, os resultados corporativos têm vindo acima das expectativas, mas os índices de bolsas dos EUA não estão conseguindo sustentar uma alta mais persistente e permanente. O pano de fundo macroeconômico, com diversos “ventos contrários” (“headwinds”), por ora, está predominando em relação a um quadro microeconômico ainda positivo.

No Brasil, os jornais estão dando atenção às articulações políticas em torno das eleições presidenciais para outubro. O STF irá analisar mais um recurso que pode, eventualmente, favorecer o ex-presidente Lula. Até o momento, o PT etsá mantendo sua candidatura a presidente, em uma estratégia que já vinha se desenhando a bastante tempo. Finalmente, no final da tarde de ontem, a Bloomberg divulgou uma matéria em que afirma que a Odebrecht não iirá honrar na data prevista o pagamento de coupon de um de seus papeis de dívida. O evento, por mais que já vinha sendo monitorado, em nada ajuda o humor em relação aos ativos do país, mesmo que seja um caso específico e bastante isolado.

Na Alemanha, o IFO – um dos principais indicadores de confiança do país e da região – caiu abaixo das expectativas do mercado. Continuo vendo a queda dos indicadores de confiança e de atividade como uma processo natural de acomodação do ciclo econômico. Contudo, é natural que o mercado olhe esses sinais com desconfiança e que uma “luz amarela” paire sobre o cenário até que tenhamos um panorama mais claro da real situação econômica da região.

Na Austrália, a inflação medida pelo CPI ficou abaixo das expectativas do mercado. O número mostrou um quadro de poucas (ou nenhuma) pressão inflacionária, o que deve permitir ao RBA manter a política monetária estável e ser um dos últimos bancos centrais de países desenvolvidos a promoveram mudanças em sua postura. 




Data: 23/04/2018

Posição técnica e potenciais novas tendências.

Acho importante analisarmos o cenário global hoje em duas vertentes distantes. Primeiro, no tocante ao cenário econômico. Segundo, no que diz respeito a dinâmica dos mercados financeiros globais.

No tocante ao cenário econômico, o dia foi marcado pela divulgação de dados econômicos mais positivos. Em especial, as prévias dos PMI´s de abril, na Europa e nos EUA, mostraram sinais de estabilização do crescimento econômico mundial. Os números de hoje reforçam a minha tese de que o arrefecimento do crescimento no primeiro trimestre do ano foi apenas uma acomodação natural do ciclo econômico. Os PMI´s foram ainda corroborados pelos números de exportação da Coreia do Sul. Por ser uma economia bastante aberta e com corrente de comércio elevada, suas exportações costumam ser vistas como um termómetro para a atividade econômica global. De maneira resumida, ainda vemos uma economia com crescimento positivo e relativamente estável, a despeito de flutuações em torno da tendência.

No passado recente, normalmente, dados econômicos mais fortes deveriam ser lidos como positivos pelos ativos de risco e os mercados financeiros globais. Ultimamente, não é isso que tem acontecido. Acredito que parte disso seja explicado pela fase atual do ciclo econômico, em que mais crescimento significa, eventualmente, mais inflação e mais aperto monetário. Outra parte pode ser explicada pelo processo de normalização monetária em curso nos EUA (não vamos esquecer que o Fed está reduzindo seu balanço progressivamente) e, finalmente, um outro vetor seja o técnico do mercado.

O dia foi marcado por uma forte alta do dólar no mundo, que está sendo sustentado pela abertura das taxas de juros nos EUA. Neste caso, em especial, o patamar de 3% das Treasuries de 10 anos está sendo acompanhado atentamente para eventuais rompimentos e/ou acomodações. O dólar, por sua vez, me parece estar passando por um grande ajuste técnico. As posições “vendidas em dólar” no mundo vieram se acumulando ao longo dos últimos meses, com o consenso se formando em torno de um dólar mais fraco diante dos déficits gêmeos e políticas econômicas adotadas pela administração Trump. Os últimos dias estão testando essa tese. A posição técnica comprometida acaba exacerbando os movimentos.

O mesmo comentário vale para os ativos emergentes e as commodities metálicas, cujo consenso vem se formando em torno do bom desempenho desses ativos em uma fase final do ciclo econômico, em detrimento a outras classes de ativos, como bolsas, rates, bonds (HY, HG e etc), spreads e afins.

Os ativos no Brasil estão apenas seguindo este humor global a risco e este ajuste de posições, com destaque para o steepening da curva (vemos muitos fundos com posições de flattening), alta do dólar (pressão no BRL) que está testando o patamar de 3,45 e apenas leve pressão na bolsa, mas com importantes movimentos entre setores.

Nas últimas semanas (talvez nos últimos 2 meses) tenho alertado para a ausência de tendências nos mercados financeiros globais, com os ativos, grosso modo, operando em ranges relativamente curtos. Algumas classes de ativos estão, neste momento, testando níveis importantes e algumas tendências e/ou rompimentos podem estar ocorrendo (ou em desenvolvimento).

O mais claro e óbvio parece ser o Petróleo. Depois, o dólar no mundo encontra-se em patamar importante, seguido das Treasuries norte americanas, especialmente a parte mais longa da curva. Ainda acho cedo para afirmar que estamos, de fato, diante de novas tendências, sejam técnicas ou fundamentais, mas certamente esses níveis serão atentamente acompanhados. Seus rompimentos ou resistências poderão ter enorme influência na dinâmica dos próximos dias/semanas.




Data: 23/04/2018

Pesquisa eleitoral no Brasil e Juros nos EUA.

Não há novidades relevantes no cenário que mereçam comentários adicionais aqueles já realizados nos últimos dias. Os mercados estão iniciando a semana com mais uma rodada de abertura de taxa de juros nos EUA, o que está dando suporte ao dólar no mundo. Por ora, as bolsas globais operam apenas em leve queda, assim como as commodities.

Para não soar repetitivo, sugiro rever meus comentários recentes aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eua-juros-de-10-anos-proximos-aos-picos.html, aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/juros-nos-eua-em-foco.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/pesquisa-eleitoral-no-brasil-e-juros.html.

Na agenda do dia, o destaque ficará por conta das prévias dos PMIs, especialmente nos EUA, além da continuidade da divulgação dos resultados corporativos das empresas nos EUA.

No Brasil, o fluxo de notícias continua bastante esvaziado. O mercado continuará focado nos desenvolvimentos políticos referentes as eleições e na trajetória da recuperação da economia. O cenário de inflação baixa e contida já parece estar no consenso, deixando a indefinição do cenário apenas por conta do crescimento, do cenário político e do ambiente externo.




Data: 23/04/2018

Pesquisa eleitoral no Brasil e Juros nos EUA.

 

Alguns breves comentários sobre alguns eventos recentes:

Brasil – Uma nova pesquisa eleitoral foi divulgada essa manhã. O quadro para a corrida presidencial segue o mesmo das últimas pesquisas. Bolsonaro e Joaquim Barbosa se mostram bastante competitivos seguidos, com menos ímpeto, por Marina, Alckmin, Ciro Gomes e um potencial candidato apoiado pelo PT/Lula. De maneira geral, não há mudanças relevantes no quadro eleitoral. A situação parece bastante aberta e sem definição. Ao longo da semana, vimos Bolsonaro, Marina e Barbosa sinalizarem para políticas econômicas mais ao centro, liberais e reformistas, o que ajudou a dar algum conforto aos investidores e algum suporte aos ativos locais vis-à-vis os seus pares externos.

Geopolítica – Os jornais de hoje estão dando atenção à sinalização da Coreia do Norte de que existe disposição em encerrar os testes balísticos e desativar suas estruturas militares referentes a estes testes. Este é o primeiro avanço concreto nas negociações entre a Coreia do Norte e os EUA. Os eventos recentes reduzem, substancialmente, o risco de maiores problemas na região. O mercado já vinha mostrando otimismo nesta frente. Algum redução adicional de prêmio de risco nesta frente pode ocorrer nos próximos dias.

Mercados – Ao longo da sexta-feira os ativos de risco basicamente seguiram a dinâmica que apresentei aqui ontem pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/juros-nos-eua-em-foco.html), com  mercado de juros nos EUA ditando a direção dos mercados financeiros globais. A Treasury de 10 anos testou novamente os picos deste ciclo econômico, acima de 2,95%.

Acredito que estamos em um processo estrutural e prolongado de abertura de taxas de juros nos EUA e em vários países desenvolvidos. Contudo, este processo e caracterizado pelo o que é conhecido como “stop-and-go”. Rodadas de abertura de taxas de juros, geralmente entre 20bps e 50bps, são seguidas de movimentos de acomodação. Geralmente, enquanto estamos no meio dessas rodadas, a direção e a velocidade de abertura das taxas acabam afetando o humor global a risco. Quando o mercado se acomoda, vemos um alívio nos mercados financeiros globais e alguma nova alocação a risco.

Por este motivo que ainda vejo os ativos de risco operando em alguns “ranges” relativamente estreitos, sem muitas tendências. Assim, venho trabalhando com poucos temas de investimentos, sendo que o principal deles é a alta estrutural de juros nos EUA e no mundo desenvolvido. Ao que tudo indica, estamos no meio de mais uma rodada de alta de taxas de juros. Resta saber a magnitude desta “pernada” e qual será sua velocidade e seu patamar de acomodação. O nível psicológico de 3% nas Treasuries de 10 anos será atentamente observado para eventuais rompimentos ou acomodações. 




Data: 20/04/2018

 Juros nos EUA em foco.

 

Os ativos de risco estão abrindo o dia com o dólar mais forte, as bolsas e as commodities sobre pressão, e com uma leve abertura de taxa de juros nos EUA. Acredito que o curto-prazo será guiado pela direção das taxas de juros nos EUA, que estão novamente testando os picos deste ciclo econômico.

Não apenas o atual patamar dos juros nos EUA será importante (chegando aos 3% no vértice de 10 anos), mas a sua direção e a sua velocidade de abertura serão fundamentais para o ambiente global a risco. Já ficou claro nos últimos meses que enquanto os juros nos EUA estão no meio deste processo de abertura de taxas, os movimentos costumam perdurar por alguns dias (ou algumas semanas), com aberturas em torno de 20 a 50bps.

A dinâmica do mercado tem sido de abertura estrutural de taxas, porém em rodadas concentradas em alguns dias/semanas, seguidas de movimentos de acomodação no novo patamar. A dinâmica dos últimos dias mostra que podemos estar no meio de mais uma dessas rodadas.

Sendo assim, em nada alterei minha visão já expressada aqui nos últimos dias: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eua-juros-de-10-anos-proximos-aos-picos.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/brasil-politica-em-foco.html.

No Brasil, Joaquim Barbosa declarou que sua candidatura ainda não está confirmada e sofre resistência de sua família e do próprio partido, o PSB.

Voltando ao tema anterior, gostaria de colocar abaixo o comentário do DB sobre o tema discorrido acima:

Indeed we’ve come a long way very quickly. As we started last week WTI Oil was trading at $62 and 10 year Treasuries at around 2.78%. 10 days later and yesterday oil peaked at $69.5 (currently $68.3) and Treasuries ended at 2.911% yesterday. Oil is at the highest since December 2014 and US 10yrs are within 4bps of their mid-February highs which in turn were the highs since late 2013/early 2014. As an aside we haven’t been above 3.05% since 2011. For the record, 10 year Bund yields were also around 3% back then as opposed to the still moribund (pardon the pun) 0.598% close yesterday which was nearly 7bps higher on the day. Meanwhile US 10 year breakevens marked a fresh high since July 2014 while the 2s10s and 5s30s steepened 3.7bp and 1.4bp respectively.

Interestingly the probability (according to Bloomberg) of four Fed rates hikes in 2018 is now at the highest of the year - at around 33% - from 18% at the start of last week. A reminder that DB has long felt 4 rates hikes (one done) this year and 4 next year are likely.

As discussed above Oil has certainly played its part in the recent move but other commodities have also contributed. For metals (although yesterday was a down day - see below), the big driver appears to be the sanctions imposed on Russia's Rusal(the largest aluminium supplier outside of China) by the US which has seen a significant volume of metals (namely aluminium) removed from the market. Tariffs talk has also contributed and LME Aluminium is up 24.0% in April alone. At the same time our commodities strategists noted that this has come at a time when China's primary supply growth in Aluminium is set to decelerate sharply this year on a combination of limited new capacity and cost pressures. For Oil, the story is more one of fundamentalswith OPEC highlighting that high inventories, which had weighed on the market for the last few years, have now been largely wiped out, helping to rebalance the market. The demand side of the equation is also said to have improved of late in the lead up to the northern hemisphere summer. It's worth noting that OPEC energy ministers have been meeting over the last 36 hours. Watch out for any headlines.  




Data: 19/04/2018

Brasil: Política em foco.

 

Os ativos no Brasil apresentaram ontem mais um dia de bom desempenho, mesmo com uma performance mais mista das bolsas nos EUA. Destaque para a forte alta do Ibovespa, flattening da curva de juros e queda do dólar.

Vejo alguns vetores que justificam estes movimentos. Primeiro, a estabilização do humor global a risco, que já vinha sendo apontada neste fórum desde o final da semana passada.

Segundo, uma posição técnica mais construtiva e preços/valuations mais atrativos.

Finalmente, nos últimos dias, vimos a maior parte dos candidatos a presidente que se mostram competitivos fazerem acenos positivos ao mercado. De uma maneira ou de outra, Bolsonaro, Marina e Joaquim Barbosa estão adotando um discurso mais ao centro, liberal e reformista no tocante a economia, o que acaba dando algum conforto aos investidores.

Continuo acreditando que ainda falta muito tempo para as eleições e as incertezas devem permanecer elevadas por algum tempo. Como tenho afirmado aqui, de agora em diante, qualquer mudança no quadro eleitoral irá ter um impacto mais relevante sobre os preços dos ativos locais.

O mercado havia ficado muito otimista com o cenário desde a virada do ano ate meados de fevereiro. Depois, observamos um ajuste de posições ate alguns dias atras, com desanimo em relação às eleições e um cenário externo mais desafiador. Agora, estamos passando por mais um ajuste na direção positiva.

Eu tenho tentado manter uma posição mais focada no cenário econômico, mas com a intensão de defender o portfólio na eventualidade de mudanças bruscas de panorama. Assim, continuo vendo a parte longa da curva de juros reais como o ativo com bom potencial de apreciação [fechamento de taxa], mas com poder de defesa em cenário alternativos [devido aos níveis já elevados de taxas vis-à-vis as taxas curtas e o cenário econômico prospectivo].

No cenário externo, ainda vejo os mercados operando em "ranges". Os últimos dias foram marcados pela estabilização do humor global a risco, com a redução de alguns riscos de cauda, uma boa temporada de resultados corporativos nos EUA e o anuncio da redução do compulsório na China.

Não vejo esses vetores alterando de maneira estrutural a dinâmica que tem sido regra este ano. Acho que o bom desempenho de curt-prazo pode se sustentar mantido este ambiente, mas ainda vejo restrições de medio-prazo para o retorno de uma tendencia realmente clara de apreciação e "Risk-on".

Entre os riscos, vejo o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas, especialmente nos EUA, e a desaceleração da economia chinesa. 




Data: 18/04/2018

Sem grandes novidades.

 

O dólar opera um pouco mais forte contra as outras moedas de G10 essa manhã, porém misto em relação às moedas EM. As bolsas globais sobem e os juros no mundo desenvolvido, no geral, apresentam leve abertura de taxas.

O destaque negativo fica por conta as bolsas da China, que após mais um dia de queda em torno de 1,5%, operam próximas as pisos recentes, em um movimento bastante estranho e desconexo com o resto do mundo, que talvez justifique as recentes medidas anunciadas pelo PBoC (comentadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/bolsas-em-alta-mas-tendencias-ainda-nao.html).

A inflação na Inglaterra ficou abaixo das expectativas, a despeito dos dados de emprego divulgados ontem terem surpreendido positivamente e mostrado um quadro de robustez do emprego.

No Brasil, a mídia está dando atenção às potenciais alianças para o processo eleitoral, com alguma especulação em relação a uma possível aliança entre Joaquim Barbosa e Marina Silva. O Globo traz matéria em que aponta medidas do governo, sem impacto fiscal, a fim de liberar cerca de R$66bi para a economia. Segundo o jornal:

Num cenário de retomada da atividade ainda patinando, baixa popularidade do governo e com um contingente de 13 milhões de desempregados em ano de eleições, o governo recorre a medidas sem impacto fiscal para tentar estimular a economia. Sem margem de manobra para iniciativas mais ousadas, as ações incluem a redução de depósitos compulsórios, já feita pelo Banco Central, que vai liberar R$ 25,7 bilhões para empréstimos, e a permissão para que trabalhadores de qualquer idade possam sacar recursos do PIS/ Pasep depositados até 1988, o que pode resultar em estímulo de 15 bilhões. Aliadas a outras iniciativas, estas propostas têm potencial de injetar até R$ 66 bilhões na economia. 




Data: 18/04/2018

Bolsas em alta, mas tendências ainda não estão bem definidas.

 

O destaque do dia ficou por conta da alta nas bolsas globais, puxadas pelos argumentos já apresentados neste fórum há alguns dias, tais como: a melhora no quadro técnico, os preços/valuations mais atrativos, uma temporada de resultados corporativos positivos e a redução de alguns “riscos de cauda” no curto-prazo.

De maneira geral, contudo, os mercados globais seguem sem tendências definidas, respeitando alguns “ranges” relativamente curtos e sem uma definição clara de temas de investimento. Este pano de fundo tem dificultado bastante a busca por “alpha” e por “beta” nos ativos de risco nas últimas 4 a 6 semenas. Ainda vejo um cenário relativamente sem visibilidade no curto-prazo, com a manutenção dos atuais “ranges” curtos e sem muitas tendências. Eventualmente, o cenário ficará mais claro e as tendências mais definidas. Enquanto isso, continuo optando por posições menores e por liquidez, afim de manter espaço de risco para eventuais oportunidades.

O Ibovespa conseguiu seguir a melhora externa após um breve período de desempenho pífio, em linha com o que escrevi neste fórum esta manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/humor-mais-positivo-crescimento-da.html). O BRL tentou apresentar melhora mais expressiva, mas sua dinâmica mostra que ainda há espaço para desalavancagem e busca por hedges. O mercado de juros segue como destaque positivo, ancorado por uma política monetária frouxa e um cenário construtivo para a inflação (em meio a surpresas negativas de crescimento).

No ponto de vista econômico, nos EUA, os dados do mercado imobiliário e a produção industrial de março mostraram um crescimento relativamente estável e positivo, reduzindo os riscos de uma desaceleração mais acentuada da economia.

Na China, em uma decisão totalmente inesperada pelo mercado, o PBoC anunciou um corte de 100bps no compulsório de alguns bancos. A medida pode ser vistas de alguns ângulos. Primeiro, mostra que a desaceleração recente talvez seja mais acentuada do que os dados oficiais apontam. Segundo, que não há disposição do governo em deixar a economia desacelerar de maneira mais acentuada. Assim, por ora, vejo a medida como neutra já que, por um lado, mostra uma economia mais frágil, talvez já tendo passado pelo seu pico de crescimento. Por outro lado, contudo, “ajustes finos” serão feitos para evitar cenários mais catastróficos. Assim, o cenário continua a ser de uma desaceleração gradual da economia, mas o risco de um processo mais acentuado de piora continuará pairando ao longo dos próximos meses. 




Data: 17/04/2018

Humor mais positivo. Crescimento da China e possibilidade de recuperação no Brasil.

 

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, seguindo a narrativa apresentada neste fórum na tarde de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/fragilidade-do-mercado-local.html), em que apontamos a melhora no quadro técnico, os preços/valuations mais atrativos, uma temporada de resultados corporativos positiva e a redução de alguns “riscos de cauda” do curto-prazo como motivos para uma estabilização do humor global a risco.

Mesmo com o cenário local mais turvo devido as eleições, se mantido o melhor humor global a risco nos próximos dias, esperaria alguma recuperação dos ativos do Brasil, como alta da bolsa, queda do dólar e flattening da curva de juros, mas em movimentos que estariam “restringidos” pelo cenário de incerteza eleitoral, ou seja, seriam movimentos mais táticos do que estratégicos.

Na China, o PIB do 1Q ficou em linha com as expectativas, com alta de 6,8% Yoy. A produção industrial e o Fixed Asset Invesment (dado de investimento) ficaram abaixo das expectativas em março, mas com as vendas no varejo acima do esperado. De maneira geral, os números de março confirmam o cenário base (e as expectativas do consenso) de que o pico do crescimento chinês ficou para trás e estamos diante de uma desaceleração da economia do país. O risco continua a ser de uma desaceleração mais acentuada do que o esperado, mas os dados de hoje, pelo menos ainda, não mostram um cenário preocupante.

Em Cingapura, as exportações de março ficaram abaixo das expectativas do mercado. Como o país apresenta uma corrente do comércio elevada, suas exportações costumam ser vistas como uma “proxy” para o crescimento global. Os números de março, divulgados hoje, reforçam os sinais de alguma desaceleração da economia mundial no primeiro trimestre do ano. Ainda vejo essa desaceleração como um movimento natural de acomodação do crescimento, em meio a um ciclo econômico ainda positivo, mas de fato o acumulo de sinais na mesma direção acende uma luz amarela nos mercados e nos investidores, o que ajudou a dar um tom mais negativo nos ativos de risco nas últimas semanas.




Data: 17/04/2018

Fragilidade do mercado local. Estabilização do mercado externo

 

Os ativos de risco seguiram uma dinâmica interessante hoje. Vamos por partes:

Brasil – Os indicadores de crescimento continuam surpreendendo negativamente. O IBC-Br divulgado hoje – uma espécie de PIB mensal coletado pelo BCB – apresentou alta de pífios 0,09% MoM e 0,66% YoY em fevereiro, abaixo das expectativas de 0,80% YoY. Nas últimas semanas, vimos as expectativas de crescimento arrefeceram de algo superior a 3% para algo inferior a 3%, mais próximo de 2,5% (em termos de crescimento do PIB em 2018). De maneira geral, ainda acredito que estamos passando por um momento de acomodação, mas a recuperação gradual da economia continua. Talvez o cenário não seja tão positivo como se imaginou no final de 2017 e início de 2018, mas também não tão negativo como agora.

Para os ativos locais está decepção de crescimento, somada a incerteza eleitoral (já comentado aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/eleicoes-brasil-situacao-na-siria-e.html) estão ajudando o movimento de queda da bolsa, alta do dólar e “steepening” da curva de juros.

Hoje, em especial, o movimento pareceu bastante técnico, com a bolsa em forte queda pelo segundo dia consecutivo, o mercado de juros apresentando fechamento de taxa relevante e o dólar praticamente estável, porém ainda em patamar elevado, acima de 3,40. Infelizmente, por ora, não vejo nenhuma das incertezas locais se dissipando. Ainda espero um ambiente de maior volatilidade e mais incerteza, com o quadro técnico, por vezes, dominando a dinâmica. A principal tese de investimentos continua a ser juros mais baixos por mais tempo, através de posições aplicadas (compradas) na parte longa da curva de NTNB (juros reais).

EUA – As vendas no varejo de março ficaram dentro das expectativas do mercado, confirmando um primeiro trimestre relativamente fraco da economia. Nos últimos anos, por questões sazonais, muito devido ao clima/temperatura, o primeiro trimestre do ano costuma apresentar crescimento abaixo das expectativas e se mostrar o trimestre mais fraco do ano. Tudo indica que este ano este mesmo efeito será sentido.

Como comentado no final de semana, a ausência de deterioração da situação na Síria ajudou a dar um tom mais calmo aos ativos de risco ao redor do mundo, mais explícito através da alta das bolsas e queda das volatilidades implícitas. A boa temporada de resultados corporativos também está ajudando a colocar um suporte nos ativos de risco.

Vejo um curto-prazo um pouco mais construtivo, com a dissipação de alguns riscos de cauda e o suporte de um quadro técnico mais saudável e níveis de preço/valuations mais atrativos. A médio e longo-prazo ainda vejo os ativos de risco sustentando algumas bandas (como por exemplo o S&P entre 2.550 e 2.800). Os principais riscos que estou monitorando continuam a ser a necessidade de um aperto monetário mais agressivo nos EUA e uma eventual desaceleração maior da economia da China (como comentei no detalhe do link acima). A principal tese de investimento externo continua a ser juros mais altos, através de posições tomadas em Treasury (por questões econômicas, técnicas e fluxos).




Data: 16/04/2018

Síria (global) e Datafolha (local) ainda em foco. Risk-On, por ora...

 

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, puxados pela alta das bolsas e abertura de taxas de juros no mundo desenvolvido. O dólar opera de maneira mais mista e sem tendência, enquanto as commodities operam majoritariamente em queda, lideradas pelo petróleo. 

 

A reação do mercado é basicamente em linha com a minha visão exposta aqui ontem, de que os desenvolvimentos após o ataque dos EUA (e seus aliados) a Síria poderiam ser vistos de forma positiva pelos investidores. 

 

Só gostaria de reforçar que minha visão mais construtiva em relação ao evento refere-se ao curto-prazo. A situação diplomática entre os EUA e a Rússia ainda é bastante delicada neste momento. Tudo indica que novas sanções econômicas às empresas e cidadãos russos serão impostas pelos EUA. Não sabemos qual será a resposta da Rússia. Os EUA irão manter presença da Síria e novos ataques não estão descartados. Em suma, mantenho uma visão cautelosa estruturalmente para os próximos meses, mesmo entendendo que, no curto-prazo, os eventos recentes retiram algum risco de escalada mais acentuada nesta crise. 

 

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:  

 

- No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no final de março. 

 

- Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts. 

 

- Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 16/04/2018

Eleições Brasil, Situação na Síria e Riscos.

 

Brasil – O Datafolha divulgou hoje mais uma pesquisa eleitoral. Não sou um especialista no assunto, então farei comentários apenas superficiais. Nos cenário sem a presença do ex-presidente Lula, os que importam, em minha opinião, o quadro segue o mesmo de antes, ou seja, sem uma definição clara ou concreta. 

 

Bolsonaro continua liderando as intenções de voto e pelo menos outros 4 candidatos se mostram competitivos, são eles: Marina, Ciro, Joaquim Barbosa e Alckmin (não necessariamente nesta ordem). Os demais candidatos mostra baixíssima expressão e dificilmente conseguirão sair desta situação. 

 

Para os mercados financeiros locais, acho difícil que essa pesquisa altere a incerteza que predomina sobre o tema. Acredito que a partir de agora qualquer mudança mais relevante neste quadro, para o bem ou para o mau (na percepção dos investidores) passarão a ser mais relevantes para a dinâmica de preço. 

 

Por ora, seguimos em um cenário de enorme incerteza em relação a este tema, o que não deveria alterar a postura mais cautelosa do mercado. 

 

Síria – A operação militar dos EUA (e seus aliados) na Síria, até este momento, se mostrou um ataque pontual e preciso. Não houve uma reação militar ou diplomática mais dura ou agressiva por parte do exércitio sírio e, muito menos, pela Rússia. 

 

Assim, por ora, parece que os EUA conseguiram atingir de maneira vitoriosa seu objetivo de enfraquecer o poderia bélico (e o arsenal químico) da Síria, sem gerar um problema diplomático mais grave. 

 

Ainda é cedo para acreditar que a situação esteja de fato resolvida, mas para os mercados financeiros globais a situação, se permanecer neste ambiente, será vista como de baixo risco e, até mesmo, pode retirar um “risco de cauda” de curto-prazo. 

 

Riscos – Continuo vendo dois grandes riscos concretos e com maior probabilidade do que o mercado embute neste estágio do ciclo. Primeiro, de uma aceleração mais rápida da inflação nos EUA e/ou a necessidade de um aperto de juros mais agressivo do que o precificado na curva atualmente. 

 

Segundo, vejo sinais um pouco mais preocupantes de desaceleração na China. Não vejo um ambiente de elevada desaceleração, mas talvez uma tolerância maior por parte deste governo, com o poder mais consolidado, de um menor crescimento no curto-prazo visando medidas estruturais para desalavancar a economia e evitar bolhas em setores específicos da economia.




Data: 16/04/2018

Ataque à Síria, Riscos no Brasil & desaceleração na China.

 

Síria – Na noite de ontem, os EUA, em conjunto com a França e a Inglaterra, promoveram ataques de mísseis contra alvos na Síria. Podemos dizer que, de certa forma, a medida era esperada após os eventos recentes. 

 

Para o cenário geopolítico global, será importante entender a estratégia americana. Se será apenas um ou poucos ataques localizados, ou um processo mais longo de intervenção no país. Acredito que, por ora, a primeira opção ainda apresenta maior probabilidade. Sem segundo lugar, será ainda mais relevante observar a postura da Rússia neste caso. O risco, aqui, é de uma postura dura e que os russos levem está questão específica na Síria a um problema muito maior de relações diplomáticas e risco de um conflito armado mais amplo entre as duas potencias. 

 

Até a abertura dos mercados no domingo à noite deveremos ter uma sensação mais clara dessa situação. Por ora, esperaria um pequeno movimento de “risk-off” no curto-prazo, cuja magnitude e duração dependerão da estratégia dos EUA e da resposta da Rússia. O movimento mais óbvio e que pode ser mais duradouro seria uma alta do Ouro e do Petróleo. 

 

Brasil – Os ativos no Brasil continuam apresentando desempenho nominal e relativo bastante pífio. Ontem vimos mais uma depreciação cambial, nova queda da bolsa e steepening da curva de juros. Além da desalavancagem de posição diante das incertezas da eleição, que já comentei neste fórum há algumas semanas, em meio a um cenário externo mais nebuloso, agora estamos convivendo com dados de atividade econômica mais fracos. 

 

Nos últimos dias, vimos as vendas no varejo mais fracas e a mesma dinâmica para o setor de serviços, que levou a uma nova rodada de revisões baixistas do PIB. Além disso, os ativos do Brasil, especialmente o BRL, estão sendo vistos, cada vez mais, como uma opção barata de hedge para alguns portfólios globais. 

 

Eu não acredito que a situação do país fosse tão boa como se chegou a pensar (e precificar nos ativos locais) no início do ano, mas também não vejo uma mudança substancial de cenário nas últimas semanas. Entendo e tendo a concordar com a postura do mercado de reduzir risco em meio as incertezas externas e eleitorais. Diante de um cenário mais turvo, acredito que iremos conviver com mais volatilidade, menos tendências e movimentos mais curtos, o que demandam postura tática e/ou posições relativas e temas muito específicos de investimentos. 

 

China – Os dados de exportação da China em março ficaram muito abaixo das expectativas, como já havia comentado aqui na manhã de ontem. Contudo, o Ano Novo Lunar pode ainda estar afetando este indicador. 

 

Os dados de agregados monetários e empréstimos, divulgados na manhã de ontem, contudo, apontaram na mesma direção de desaceleração da economia, com queda do M2 (e demais agregados) além de empréstimos (“on” e “off” balance sheet) abaixo das expectativas. Tudo indica que o Governo e o PBoC estão satisfeitos com o atual nível de crescimento da economia e estão adotando uma postura contra-cíclica de ajuste e desalavancagem. 

 

Minha tese inicial de que veremos uma desaceleração gradual da economia de agora em diante, uma vez o “novo” governo chinês perpetuado no cargo continua válida e reforçada pelos dados econômicos. Uma desaceleração me parece encomendada. Por ora, a expectativa é que a desaceleração seja gradual, mas sempre existe o risco de um erro de política no meio do caminho (que deveria ser prontamente revertido pelo Governo e PBoC) ou um receio maior do mercado em relação ao real estágio de desaceleração por parte do mercado. 

 

Em suma, ainda vejo um cenário base de desaceleração gradual, mas com riscos de erros no meio do caminho. Vejo que neste cenário aumenta o risco de que, em algum momento, os ativos de risco passem novamente por um “china fear”, ou medo de desaceleração mais acentuada do país afetando os ativos mais dependentes da demanda chinesa.   




Data: 13/04/2018

Retórica mais branda de Trump, Agenda de resultados e BRL em foco.

 

Os ativos de risco estão apresentando recuperação à medida que Trump alivia sua retórica em relação a sua estratégia comercial. Além de um tom mais ameno com relação à China, Trump indicou que pode rever sua posição de se retirar do TPP.

A agenda do dia terá os resultados corporativos do setor bancário como destaque na agenda dos EUA. O mercado já espera uma temporada bastante positiva de resultados corporativos trimestrais, puxada pela recuperação da economia e pela reforma tributária, em um momento que a bolsa dos EUA apresenta um preço/valor mais atrativo que a pouco tempo atrás. Serão os resultados suficientes para levar a um novo pico das bolsas dos EUA? Está é a expectativa de muitos analistas.

No Brasil, o destaque tem ficado por conta da terrível performance do câmbio (BRL). A moeda voltou a operar acima de 3,40, com desempenho nominal pífio, especialmente contra os seus pares. Existe uma série de teorias para explicar essa dinâmica, como menor carrego (“carry”), busca por hedge em período eleitoral e afins. Não consigo dizer com convicção o que explica essa performance, em um pano de fundo de contas externas saudáveis. Contudo, não acredito que haja um cenário de reversão profunda deste movimento. Assim, continuo neutro no mercado de câmbio e adotando postura tática.

A mídia está reportando que Rodrigo Maia pode desistir da disputa pelo planalto. O governo segue em busca da privatização da Eletrobrás, mas não há articulação no Congresso para avanço da medida. A justiça decidiu encaminhar as investigações sobre “caixa 2” nas campanhas de Alckmin para a Justiça Eleitoral, e não para a força tarefa da Laja-Jato, o que retira um risco grande a situação do candidato do PSDB, mesmo que ainda crie desgaste para a sua imagem. 

Na China, as exportações apresentaram queda de 8% YoY, muito abaixo das expectativas de elevação. O número pode ainda estar sendo muito afetado pelo Ano Novo Lunar, o que torna sua análise poluída e de difícil conclusão. Só teremos um poder maior de análise com os dados de abril. Olhando o primeiro trimestre como um todo, a economia ainda demonstra estabilidade em uma situação saudável.




Data: 12/04/2018

Brasil: Alianças políticas, meta de inflação e curva de juros.

 

A despeito das bolsas estarem operando próximos a estabilidade este momento, existem sinais de fragilidade nos mercados financeiros globais, com as commodities metálicas não preciosas em queda, o dólar forte e o fechamento das taxas de juros no mundo desenvolvido. 

 

A noite foi relativamente esvaziada de notícias. O oco do curto-prazo ficará por conta dos desenvolvimentos na Síria. A agenda do dia terá as vendas no varejo no Brasil e o Jobless Claims nos EUA como destaque. 

 

No Brasil, a mídia está reportando que o PSDB está avançando em uma potencial aliança com o PSC e PSD para as eleições de outubro, o que dá algum corpo a campanha de Alckmin para presidente. 

 

Segundo O Globo, o governo decidiu colocar a meta de inflação de 2021 em 3,75%, com uma banda de acomodação de 1,5%. Se confirmada a notícia, seria mais um impulso para o fechamento da inclinação da curva longa de juros no Brasil, que ainda apresenta formato excessivamente “steepado”. Continuo vendo mais valor na parte intermediária e longa das curvas reais e nominais de juros. Caso esta notícia seja confirmada, espero um flattening da curva, com os juros nominais over-performando os juros reais na parte intermediária da curva, em especial. 

 

Em Hong Kong, vimos o HKD, moeda do país atrelada ao dólar, testar a parte mais fraca de sua banda pela primeira vez desde 2005. O momento é bastante localizado e não deveria trazer contágio, especialmente devido ao tamanho do mercado do país e sua relevância econômica e financeira. 

 

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos: 

 

- No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada. 

 

- Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts. 

 

- Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY. 




Data: 11/04/2018

 Inflação nos EUA, Conflito na Síria e Política no Brasil.

Os ativos de risco estão devolvendo parte da recuperação verificada ontem, mas na ausência de novidades relevantes. Na agenda do dia, destaque para o Core CPI nos EUA e para as Minutas do FOMC. Insisto que vejo a inflação nos EUA como o principal risco ao cenário econômico global nos próximos meses.

Para não soar repetitivo, minha visão pode ser vista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/risk-on-china-adota-tom-conciliador.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/inflacao-em-foco-no-brasil-e-nos-eua.html.

Saindo do âmbito econômico, um potencial ataque militar dos EUA, em conjunto com seus aliados (França e Inglaterra, em especial) ao Governo de Assad, na Síria, está trazendo alguma incerteza adicional aos mercados, em especial aos ativos da Rússia e da Turquia. Acredito que este problema deveria permanecer isolado. Contudo, assim como no casa da “guerra comercial” com a China, um ataque dos EUA eleva a chance de um erro de política externa, em especial, a relação com a Rússia.

Na China, a inflação ficou abaixo das expectativas, influenciada por vetores pontuais e ainda impactada pelo efeito base do Ano Novo Lunar. A inflação no país não é um problema no curto-prazo. Mais importantes serão os dados de crescimento de março que darão uma medida mais concreta do estado da economia.

No Brasil, a mídia está reportando que o Ministro do STF Marco Aurélio decidiu não analisar a questão da prisão em segunda instância neste momento, o que poderia beneficiar Lula. A mídia está reportando também que o inquérito envolvendo Alckmin pode caminhar de maneira mais rápida com o ex-governador e São Paulo sem foro privilegiado. O cenário eleitoral continua bastante incerto neste estágio do processo, o que não é visto com bons olhos pelo mercado.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza. No curto-prazo, ainda não vejo nenhuma das incertezas se dissipando por completo, o que deverá manter o pano de fundo de mais volatilidade, menos tendência e temas de investimentos mais frágeis ou menos caracterizados.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 11/04/2018

Inflação em foco no Brasil e nos EUA.

Os eventos do dia apenas reforçam o cenário base as minhas visões que venho descrevendo neste fórum. São eles:

Brasil/Inflação – O IPCA de março ficou levemente abaixo das expectativas, com alta de 0,09% MoM e 2,68% YoY. A inflação no país continua baixa e seu qualitativo positivo. Este quadro pressupõe juros mais baixos por mais tempo.

A despeito deste cenário econômico, tenho o receio, e precisa ficar claro que é apenas um risco, com probabilidade ainda bastante baixa, da continuidade da alta do Dólar em relação ao Real levar o mercado a repensar uma eventual queda adicional da Taxa Selic em 25bps. A probabilidade de queda de 25bps na próxima reunião do Copom estava em torno de 85% tendo recuado para cerca de 75% nos últimos dias. Como a posição técnica do mercado de juros curtos não me parece saudável, vejo este risco, mas ainda com probabilidade bastante reduzida, mas que precisa ser observado.

EUA/Inflação – O PPI, assim como os seus núcleos, apresentou alta superior as expectativas do mercado em março. Os números de hoje apontam para uma inflação mais elevada do Core CPI nos próximos meses. Por ora, o cenário base continua a ser de uma alta gradual da inflação, com o Fed mantendo sua postura de 3 a 4 altas de 25bps nas taxas de juros por ano e a redução de seu balanço em “piloto automático”. Ainda não há sinais de uma elevação mais acelerada e preocupante na inflação, mas os últimos meses já mostram um quadro de maior rigidez dos preços, além de evidências anedóticas na mesma direção (ISM Prices Paid, beige Book e etc).

Contudo, reforço o que venho escrevendo aqui. Vejo uma probabilidade maior do que o mercado de uma alta mais rápida e acentuada da inflação nos EUA nos próximos meses. Acho que o mercado está excessivamente leniente com esta possibilidade neste estágio do ciclo econômico.

Guerra Comercial – Este tema continua sendo mais um risco do que um cenário base. É inegável que a probabilidade de ocorrência de um erro de política externa se elevou nas últimas duas semanas, mas continua baixa. A postura de Trump com relação a China em muito se assemelha aquela adotada nas negociações do NAFTA, que migram para uma solução amigável e negociada.

Os últimos comentários de ambas as partes, China e EUA, apontam na direção do diálogo e da conciliação.




Data: 10/04/2018

Risk-on: China adota tom conciliador.

Os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom mais positivo, com um “risk-on” mais clássico. O destaque da noite ficou por conta do discurso do Premier da China. Xi adotou um tom conciliador e reforçou a sinalização de que o país irá buscar o caminho das reformas e da maior abertura econômica. A postura adotada por ele foi vista pelo mercado como menos bélica, abrindo caminho para uma negociação junto aos EUA.

A agenda do dia traz como destaque o IPCA no Brasil e o PPI nos EUA.

Continuo acreditando que o maior risco estrutural e efetivo para o cenário global seja o estágio do ciclo econômico nos EUA e a possibilidade de uma inflação mais elevada no país. Por isso, o PPI hoje e o Core CPI amanhã ganham relevância dobrada. No tocante às relações comerciais, entendo que elevou-se o risco de um erro de política externa nas últimas semanas, mas se tomarmos o NAFTA como exemplo, parece que a postura mais dura dos EUA é “apenas” uma maneira diferente e mais dura de negociação. Assim, continuo vendo com probabilidade baixa (mesmo que maior do que antes) uma guerra comercial mais ampla. Porém, vejo com uma probabilidade mais elevada, e mais elevada do que embutido no mercado, o risco inflacionário nos EUA.

Ontem observamos mais um dia de forte pressão nos ativos do Brasil. De maneira simplista, acredito que as eleições entraram de fato no radar dos investidores. A ausência de um quadro eleitoral mais definido neste estágio do processo parece ter começado a incomodar o mercado que, por sua vez, se mostrava excessivamente alocado em ativos do Brasil, em especial os investidores locais. Isso tudo em meio a um cenário externo mais volátil e desafiador. 

Não vejo mudanças significativas de cenário, exceto por um crescimento um pouco mais fraco do que o imaginado no início do ano e a ausência de reformas econômicas adicionais. Não acredito que o país estava tão bem posicionado como os mercados precificavam até cerca de um mês atrás, mas também não vejo o país em situação tão crítica como o mercado começa a precificar neste momento. Acredito que a dinâmica seja um misto de receio político com uma posição técnica menos construtiva.

Além do Brasil, vimos uma dinâmica bastante ruim por parte dos ativos da Rússia, após novas sanções econômicas por parte dos EUA. Geralmente eventos locais não geram contágio global, mas a relevância da economia e dos mercados russos, em meio a um quadro já fragilizado, eventualmente pode estar ajudando a dar um tom mais defensivo para os mercados emergentes em geral.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza. No curto-prazo, ainda não vejo nenhuma das incertezas se dissipando por completo, o que deverá manter o pano de fundo de mais volatilidade, menos tendência e temas de investimentos mais frágeis ou menos caracterizados.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva. Taticamente zeramos nossa posição em renda variável Brasil no meio da semana passada.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Como hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 09/04/2018

Bolsas e dólar em alta. Volatilidade continua elevada.

Os ativos de risco estão abrindo a semana com forte alta das bolsas e leve abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido. O dólar apresenta alta global, após a China sinalizar que poderia utilizar uma depreciação cambial como instrumento contra as tarifas impostas pelos EUA.

No sábado fiz um comentário mais profundo sobre os eventos da semana passada, que podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/incertezas-persistem.html.

Agenda – A próxima semana terá como destaque o IPCA de março e as vendas no varejo no Brasil. Assim como os desdobramentos do quadro eleitoral. Nos EUA, destaque para o Core CPI e para as Minutas do FOMC. A temporada de resultados corporativos se iniciará, com expectativas já elevadas devido ao efeito da Reforma Tributária. Na China, os dados de atividade econômica de março ganham atenção especial após o Ano Novo Lunar. Na Europa, será importante medirmos o real estado da economia, depois de uma sequencia de dados mais fracos. 

De maneira geral, continuo vendo a inflação nos EUA como o maior risco ao cenário base ao longo dos próximos meses. Nesta frente, o artigo de hoje de Gavyn Davies no FT traz uma boa análise sobre o tema. Infelizmente, só está disponível para assinantes: https://www.ft.com/content/1c09ca70-38b4-11e8-8b98-2f31af407cc8.

EUA – Trump adotou um discurso marginalmente mais conciliador em relação a China no final de semana, mostrando certo otimismo com um avanço amigável das negociações. De maneira geral, uma guerra comercial parece um cenário de risco, e os passos do NAFTA podem ser vistos como parâmetro da postura que a administração Trump irá adotar em suas negociações. De fato, contudo, esta “nova ordem mundial” eleva as chances de um erro de política externa, o que demanda mais volatilidade e prêmios de risco mais elevados.

Síria – A mídia internacional está reportando que o país teria usado armamento químico contra sua população. Os EUA reagiram com retórica dura, sinalizando para uma postura mais bélica em relação ao governo de Assad. A Rússia, por sua vezx, defendeu a sua posição (pró Assad) e afirmou que uma resposta mais dura por parte dos EUA será respondida da mesma forma pela Rússia.

De maneira geral, mais um ruído pontual e localizado em um ambiente já fagilizado para os ativos de risco.

Brasil – O ex-presidente Lula se entregou e está sob a custódia da polícia federal. Passado o “furor” da mídia, para os investidores, o evento só importa pelo eventual impacto que terá no quadro eleitoral de agora até outubro. Com a incerteza da situação, e um quadro eleitoral ainda “em aberto” é natural que os mercados locais demandem mais prêmios de risco, especialmente em um momento de incerteza externa e a despeito de um quadro econômico cíclico ainda bastante positivo.




Data: 09/04/2018

Agenda, EUA (vs China) e Síria.

Ontem fiz um comentário mais profundo sobre os eventos da semana passada, que podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/incertezas-persistem.html.

Agenda – A próxima semana terá como destaque o IPCA de março e as vendas no varejo no Brasil. Assim como os desdobramentos do quadro eleitoral. Nos EUA, destaque para o Core CPI e para as Minutas do FOMC. A temporada de resultados corporativos se iniciará, com expectativas já elevadas devido ao efeito da Reforma Tributária. Na China, os dados de atividade econômica de março ganham atenção especial após o Ano Novo Lunar. Na Europa, será importante medirmos o real estado da economia, depois de uma sequencia de dados mais fracos. 

De maneira geral, continuo vendo a inflação nos EUA como o maior risco ao cenário base ao longo dos próximos meses. Nesta frente, o artigo de hoje de Gavyn Davies no FT traz uma boa análise sobre o tema. Infelizmente, só está disponível para assinantes: https://www.ft.com/content/1c09ca70-38b4-11e8-8b98-2f31af407cc8.

EUA – Trump adotou um discurso marginalmente mais conciliador em relação a China no final de semana, mostrando certo otimismo com um avanço amigável das negociações. De maneira geral, uma guerra comercial parece um cenário de risco, e os passos do NAFTA podem ser vistos como parâmetro da postura que a administração Trump irá adotar em suas negociações.

De fato, contudo, esta “nova ordem mundial” eleva as chances de um erro de política externa, o que demanda mais volatilidade e prêmios de risco mais elevados.Síria – A mídia internacional está reportando que o país teria usado armamento químico contra sua população. Os EUA reagiram com retórica dura, sinalizando para uma postura mais bélica em relação ao governo de Assad. A Rússia, por sua vezx, defendeu a sua posição (pró Assad) e afirmou que uma resposta mais dura por parte dos EUA será respondida da mesma forma pela Rússia.

De maneira geral, mais um ruído pontual e localizado em um ambiente já fagilizado para os ativos de risco.

Brasil – O ex-presidente Lula se entregou e está sob a custódia da polícia federal. Passado o “furor” da mídia, para os investidores, o evento só importa pelo eventual impacto que terá no quadro eleitoral de agora até outubro. Com a incerteza da situação, e um quadro eleitoral ainda “em aberto” é natural que os mercados locais demandem mais prêmios de risco, especialmente em um momento de incerteza externa e a despeito de um quadro econômico cíclico ainda bastante positivo.




Data: 09/04/2018

Incertezas persistem.

Os últimos dias, e a sexta-feira em especial, foram bastante intensos para os ativos de risco e para o cenário econômico. O momento parece oportuno para analisarmos alguns temas:

Brasil – Não há mudanças estruturais no quadro cíclico positivo. O crescimento continua em um caminho de recuperação, somente um pouco mais lento do que o imaginado no final de 2017 e começo de 2018. A inflação corrente continua extremamente baixa e as perspectivas são de que este quadro deverá perdurar por algum tempo. Isso está permitindo a continuidade do ciclo de corte da Taxa Selic, que deverá tingir 6,25% e permanecer neste patamar no horizonte relevante de tempo.

O quadro político, contudo, se mostra mais incerto. A situação do ex-presidente Lula é importante para a sociedade e para a grande mídia, dado a sua popularidade, mas para os mercados, o que importa é apenas sua elegibilidade e sua capacidade de transferir votos para seu sucessor. O primeiro parece garantido pela constituição sua incapacidade de se tornar candidato, o segundo ainda é uma incerteza.

De qualquer maneira, a situação política é uma grande incógnita, já que o quadro eleitoral se mostra difuso, com vários candidatos e ainda nenhum candidato de centro, liberal e reformista capaz de aglutinar partidos e a sociedade em sua volta, como imaginava ser possível os investidores locais até pouco tempo atrás. A mídia está reportando que Joaquim Barbosa se filiou ao PSB, trazendo mais um candidato potencial a cena eleitoral.

O grande risco, neste ambiente, é um cenário parecido com aquele que vivenciamos nas últimas eleições para prefeito do Rio de Janeiro, onde a quantidade elevada de candidatos levou dois nomes de pouca expressão para o segundo turno.

Em suma, o cenário econômico segue ciclicamente positivo, o que de certa forma já vinha sendo incorporado nos preços dos ativos locais. A das eleições e do cenário externo está trazendo um novo vetor de incerteza ao cenário local.

EUA – A despeito de alguns dados de crescimento mais fracos, na média, o crescimento do país ainda se mostra estável e saudável, em torno de 2,5%. Os dados de emprego de março, divulgados ontem, mostraram uma menor criação de postos de trabalho, mas após um mês de fevereiro bastante robusto. É possível e provável que o clima tenha afetado esses dois meses. As médias de 2, 3, 4, 6 e 12 meses continuam mostrando um quadro de solidez do mercado de trabalho. Além disso, o Average Hourly Earnings apresentou alta dentro das expectativas, de 2,7% YoY, confirmando o acumulo, ainda gradual, de pressões inflacionárias na economia.

O presidente do Fed, Jay Powell, manteve o tom de seus últimos discursos em sua aparição ontem em evento em Chicago. Sua postura continua a ser de gradualismo, porém manutenção, do processo de normalização monetária. Ao que tudo indica, o Fed será reativo aos números, e não proativo. Enquanto isso, manterá seu processo de normalização monetária, de certa forma, em “piloto automático”, com 3 a 4 altas de juros por ano e a redução de seu balanço como já anunciado.

Europa – Continuamos a observar dados mais fracos de crescimento, especialmente na Alemanha. Por ora, ainda parece estarmos no meio de um processo de acomodação da economia, e não mudança de tendência. Contudo, é natural o mercado questionar, e se tornar um pouco mais sensível ao tema de menor crescimento, conforme se acumulam evidência de desaceleração.

China – O país tem se mostrado mais fonte de estabilidade do que de instabilidade ao longo dos últimos meses. Será importantes observamos os indicadores econômicos de março, a serem divulgados em breve, para termos uma melhor sensibilidade da economia passado o Ano Novo Lunar no país.

Mercados – Os ativos de risco estão em um momento de pouco visbilidade, se tendência e mais volatilidade. Vemos alguns argumentos ainda positivos, tais como: crescimento global sólido, condições financeiras ainda frouxas, gradualismo dos bancos centrais, inflação ainda contida no mundo desenvolvido, mas alguns argumentos já menos positivos do que no passado, tais como: posição técnica mais comprometida, valuations menos atrativos, direção coordenada dos bancos centrais na retirada de liquidez, "guerra comercial" e etc.

Neste ambiente, é natural convivermos com mais volatilidade e incerteza, até que alguns desses argumentos superem os demais. No curto-prazo, ainda não vejo nenhum dos lado (positivo e negativo) ganhando essa “queda de braço”, o que deverá manter o pano de fundo de mais incerteza e volatilidade.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. 




Data: 06/04/2018

The Trump Short Call Position

Após dois dias de estabilização, os ativos de risco, especialmente as bolsas globais, estão novamente sobre pressão essa manhã (mesmo que longe dos pisos atingidos durante a madrugada) após Trump declarar que tem o intuito de impor novas tarifas em cerca de US$100bi de importação de produtos chineses caso a China adote de fato o princípio da reciprocidade.

O cenário base continua a ser de que essa postura do governo dos EUA seja apenas uma maneira de conseguir levar os chineses a mesa de negociação, buscando melhores termos comerciais aos EUA. Contudo, a China já mostrou que não irá esmorecer diante da agressividade americana. Assim, cresce o risco de um erro de política externa ao longo do tempo.

Além disso, Trump voltou a dar declarações contra o modelo de negócios da Amazon, o que no curto-prazo tem deixado o setor de tecnologia mais sensível e fragilizado a luz da possibilidade de uma rodada de maior regulamentação no setor.

Depois de vivermos anos em um ambiente em que ficou conhecido como “Fed Put”, onde o Fed não deixava o mercado cair depois de um certo patamar, parece que hoje vivemos em um ambiente de “Short Trump Call”, onde o Trumo não parece deixar o mercado subir, como se estivesse vendido em uma call de bolsa. No final das contas, contudo, ainda acredito que os fundamentos irão prevalecer e, nesta frente, os dados de emprego hoje ganham importância redobrada (mais detalhes abaixo).

Finalmente, Trump “tweetou” ontem que espera dados de emprego hoje extremamente positivos. Como o presidente dos EUA recebe os números oficiais com um dia de antecipação, é provável que Trump esteja “antecipando” um bom resultado para os dados de hoje, em linha com o que os indicadores antecedentes também haviam mostrado ao longo dos últimos mês.

De maneira geral, no lado externo, continuamos em um cenário de maior incerteza e mais volatilidade, sem tendências relevantes claras ou grandes temas de investimentos. Continuo acreditando que o Average Hourly Earnings (AHE) a ser divulgado hoje nos EUA será o principal indicador para a dinâmica dos ativos de risco no curto-prazo, assim como o discurso de Jay Powell, presidente do Fed, algumas horas depois.

Continuo vendo um cenário de hiato do produto fechado e pleno emprego que, em algum momento, deveria trazer pressões inflacionárias maiores para a economia dos EUA. É neste contexto que os números de hoje ganham importância. Caso os números mostrem um mercado de trabalho sólido, porém sem grandes pressões de inflação, vamos continuar em um ambiente relativamente construtivo para os mercados. Caso contrário, poderemos estar de fato em um ponto de inflexão importante na economia.

No Brasil, o juiz Sergio Moro determinou a prisão do ex-presidente Lula. Na visão do mercado, quando mais complicada a situação do ex-presidente, menor os riscos de um candidato forte na extrema esquerda.

A despeito dos eventos recentes, os ativos locais mostram uma dinâmica bastante ruim, em especial o BRL. Neste caso específico, podemos citar o baixa atratividade do “carry” (carrego) da moeda, que pode estar afastando investidores estrangeiros e atraindo alocações para fins de hedge. De qualquer maneira, os investidores parecem estar utilizando qualquer rodada de apreciação dos ativos locais para reduzir risco em alocações em Brasil. A postura se justifica por um quadro externo mais incerto e a aproximação das eleições, em um ambiente ainda bastante fragmentado.

Neste pano de fundo, faz sentido o melhor desempenho do mercado de juros, especialmente a parte curta e intermediária da curva, que contém um componente mais local e de política monetária cuja os investidores conseguem ter um controle maior diante do cenário benigno de inflação e crescimento ainda fragilizado.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos: 

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva e pequena posição comprada em ações voltadas para a economia doméstica.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Com hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.




Data: 05/04/2018

De volta aos fundamentos.

Os ativos de risco apresentaram forte recuperação na tarde de ontem e estão seguindo a mesma dinâmica essa manhã, com alta das bolsas e das commodities, abertura de taxas de juros nos EUA e dólar mais forte ao redor do mundo.

Os mercados globais continuam bastante sensíveis aos ruídos de curto-prazo, em especial no tocante as tarifas de importação e aos comentários de Trump em relação a algumas empresas de tecnologia, e acabaram deixando um pouco de lado o pano de fundo econômico.

A despeito da nova rodada de tarifas entre EUA e China, há sinais de que o NAFTA possa estar chegando a um acordo final. Caso confirmado um novo acordo, irá ficar comprovado que a postura mais dura da administração Trump nos EUA é, de fato, uma estratégia de negociação, mas que o objetivo final não é prejudicar este ou aquele país, mas buscar um meio termo que seja mais vantajoso a economia dos EUA. Acredito que parte disso esteja sendo concluído pelo mercado nas últimas 24 horas.

A dinâmica de hoje é um primeiro sinal de que o cenário econômico possa voltar a dominar as tendências dos ativos de risco, com os dados oficiais de emprego nos EUA amanhã como grande destaque de curto-prazo.

Nas últimas semanas, vimos sinais de arrefecimento, ou acomodação, do crescimento global, porém concentrado mais nos dados ex-EUA. Nos EUA, o crescimento parece mais estável, o mercado de trabalho robusto (vide ISM Employment, Jobless Claims e ADP Employment) e sinais de acumulo de preções inflacionárias (vide ISM Prices Paid, indicadores de inflação dos Fed regionais, Core PCE). Assim, não é de se espantar que hoje observamos uma alta nas bolsas seguida de abertura de taxas de juros e dólar mais forte no mundo.

No Brasil, o STF negou o Habeas Corpus do ex-presidente Lula, vetor que vinha se colocando como uma grande restrição para o bom desempenho dos ativos locais no curto-prazo. Vejo espaço para uma descompressão dos prêmios nos ativos locais no curto-prazo, especialmente contra os seus pares. Contudo, no final das contas, o cenário externo deverá continuar dando o tom dos ativos locais.

Continuo trabalhando com um cenário ainda desafiador para os ativos de risco de maneira geral, buscando poucos temas de investimentos e posições relativas. Neste momento, estamos com baixa alocação a risco e em temas bastante específicos:

No Brasil, juros longos por mais tempo e recuperação cíclica da economia, através de posição comprada em NTN-B na parte longa da curva e pequena posição comprada em ações voltadas para a economia doméstica.

Nos EUA, juros mais altos estruturalmente, através de posições tomadas em Treasury na parte intermediária da curva, via compra de puts.

Com hedge, temos uma posição comprada em JPY e vendida em AUD através de compra de puts de AUDJPY.

Na agenda do dia, destaque para o Jobless Claims. Nas últimas semanas, o número tem se mantido nos patamares mais baixos em cerca de 45 anos, apontando para um mercado de trabalho no pleno emprego com o hiato do produto praticamente fechado.




Data: 04/04/2018

Watch Out!

Alguns eventos dessa noite/manhã merecem comentários adicionais aqueles que fiz hoje cedo. Vamos por partes:

Brasil – As declarações do Comandante máximo do exército em uma rede social, sinalizando certo apoio as manifestações populares em favor de uma decisão contrária ao pleito da defesa do ex-presidente Lula no STF em nada ajudam o clima no país. Muito pelo contrário, colocam um pano de fundo ainda mais delicado em um cenário político já comprometido e em um ambiente externo desafiador.

Continuo acreditando que pouco importa a decisão do STF de hoje para a elegibilidade de Lula nas eleições presidências de outubro. Contudo, entendo que a medida que as eleições se aproximam e o cenário político continue indefinido qualquer situação como essa irá trazer volatilidade e incerteza aos mercados financeiros locais. Soma-se a isso uma posição técnica não totalmente comprometida, mas longe de saudável, que temos um ambiente propício a mais volatilidade e sem tendências claras definidas.

China – A grande surpresa da retaliação chinesa as tarifas impostas pelos EUA ficaram por conta de produtos importantes da pauta entre os dois países, em especial, a Soja. Não à toa, os futuros de Soja caem cerca de 4% neste momento.

Adotando uma postura de reciprocidade, a China mostra que irá adotar posição dura nas negociações, o que aumenta exponencialmente as chances de um erro de política externa à frente. Ainda acredito que, no final das contas, a postura dos EUA é apenas uma “jogada” em busca de negociação de melhores termos comerciais. Todavia, em um ambiente já delicado, este tipo de atuação em nada ajuda o humor global a risco.

Europa – O Flash CPI subiu de 1,1% YoY para 1,4% YoY, em linha com as expectativas. O Core ficou abaixo do esperado em 1% YoY. O número não traz nenhuma urgência para que o ECB mude sua política monetária, mas mostra que a direção da inflação no mundo é para cima e que dificilmente os bancos centrais das economias desenvolvidas, cujo o ciclo econômico está mais avançado, irão alterar seu processo de normalização monetária.

EUA – O ADP Employment apresentou a criação de 241 mil postos de trabalho em março, após criação de 246 mil postos em fevereiro. O número aponta para mais um número forte dos dados oficiais, como o Payroll, na sexta-feira. Mais importante do que isso, a possibilidade de uma alta mais expressiva no Average Hourly Earnings (AHE) em um contexto de pleno emprego e hiato do produto fechado.

Caso o AHE superem as expectativas e mostrem um quadro de maiores pressões inflacionárias, poderemos entrar em um ambiente ainda mais desafiador para os mercados financeiros globais.




Data: 04/04/2018

Risk-Off

Após uma breve e frágil recuperação dos ativos de risco ontem, neste momento, estamos observando mais um movimento clássico e relativamente acentuado de “risk-off” ao redor do mundo.

No final da tarde de ontem, os EUA anunciaram os produtos chineses que terão suas importações tarifadas. Ao longo da noite, a China declarou que irá usar o princípio da reciprocidade e irá tarifar produtos dos EUA na mesma proporção.

Os ativos de risco mostram um quadro técnico comprometido, seja por posição técnica, preços/valuations, descaracterização de tendência, gráfico e etc, em um pano de fundo econômico menor trivial do que anteriormente, com sinais de desaceleração global, bancos centrais retirando liquidez gradativamente do mercado e sinais de acumulo de pressões inflacionárias nos EUA.

Tudo isso tem trazido mais volatilidade e incerteza aos mercados financeiros globais. Continuo com uma visão mais cautelosa, favorecendo plays relativos, posições defensivas e postura tática até que o cenário se torne menos nebuloso ou os  preços ainda mais atrativos.

No Brasil, mesmo ontem com os ativos de risco apresentando recuperação, observamos uma deterioração de preços. Claramente eu estava dando pouco peso a decisão do STF de hoje em relação ao habeas corpus (HC) do ex-presidente Lula. Contudo, a expectativa da decisão parece ter tido peso importante sobre os ativos locais nos últimos dias.

Uma vitória de Lula será vista como extremamente negativo no curto-prazo, pois Lula continuará solto, em campanha eleitoral, podendo ajudar a transferir votos para algum aliado de extrema esquerda. Lula deverá continuar inelegível e sua capacidade de transferir votos ainda é uma incógnita. Todavia, no curto-prazo, os mercados locais devem reagir de maneira negativa a decisão.

Além disso, uma possível decisão a favor de Lula poderia levar a uma revisão do entendimento da prisão após decisão em segunda instância, o que seria visto como um enorme retrocesso institucional ao país.

O Valor Econômico de hoje traz matéria em que afirma que o entendimento nos bastidores do STF é de que Lula terá seu pleito atendido hoje.




Data: 03/04/2018

Poucas novidades. Ativos de risco apresentam recuperação tímida.

Os ativos de risco estão apresentando recuperação essa manhã, mas de maneira ainda tímida. A média móvel de 200 dias do S&P500 continua a ser o grande foco do mercado no curto-prazo. Eu vejo o Average Hourly Earnings a ser divulgado nos EUA na sexta-feira como o principal evento dos próximos dias, que poderá determinar a direção dos mercados financeiros globais nas próximas semanas.

O fluxo de notícias no Brasil continua com poucas informações relevantes para o cenário, com as eleições e o julgamento do HC do ex-presidente Lula dominando o debate.

Na ausência de noticias relevantes e para não soar repetitivos, deixo aqui o link de meus últimos comentários, onde entro mais a fundo do quadro geral de curto-prazo:  https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/mercados-globais-pmi-na-china-inflacao.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/tech-trouble-china-tariffs-and-nafta.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/sem-claridade.html.




Data: 03/04/2018

Sem claridade...

Os mesmos vetores que estavam afetando o humor global a risco durante a manhã, e já foram comentados aqui mais cedo (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/04/tech-trouble-china-tariffs-and-nafta.html), acabaram levando a uma forte queda dos índices de bolsa nos EUA neste segunda-feira.

A despeito de questões pontuais específicas no setor de tecnologia, que já venho comentado há algumas semanas, a queda espalhada entre os diversos setores da bolsa dos EUA acabou surgindo como um destaque negativo ao longo desta última rodada de queda de preços.

Tecnicamente falando, o S&500 está testando a média móvel de 200 dias, que costuma funcionar como um grande suporte de curto-prazo. Caso o “rompimento” para baixo seja confirmado, para aqueles que costumam acompanhar gráficos, será um sinal mais negativo, que indicará a possibilidade de mais perdas no curto-prazo. Vale ressaltar que minha análise é fundamentalista. Porém, no curto-prazo, dado a importância de alguns indicadores técnicos/gráficos, entendo que o mercado acabe reagindo a este tipo de sinal. Não acredito que, no longo-prazo, este tipo de análise leve a qualquer tipo de conclusão, senão acompanhada de indicadores fundamentalistas claros.

Assim, ao meu ver, o grande destaque do dia ficou por conta da forte alta do ISM Prices Paid, que subiu de 74,2 para 78,1 pontos em março, com fortes evidências anedóticas de acumulo de preços inflacionárias na economia norte americana. Este cenário está totalmente em linha com os riscos que venho apontando neste fórum desde o final do ano passado, em um pano de fundo de pleno emprego e hiato do produto fechado. Na minha visão, este vetor é o que pode ter um impacto mais permanente no cenário econômico e na dinâmica dos mercados financeiros globais. Assim, o Average Hourly Earnings a ser divulgado na sexta-feira, nos EUA, em conjunto com os dados oficiais de emprego de março, ganham atenção e importância redobrados.

No Brasil, os ativos locais estão basicamente seguindo o humor global a risco, enquanto a mídia continua focada nas eleições presidências e no julgamento do Habeas Corpus de Lula no STF. Diante do cenário exposto acima, estes eventos, na minha visão, ganham relevância secundário.

Continuo favorecendo um portfólio mais neutro, com posições relativas, temas específicos de investimentos e postura mais tática do que estratégica.




Data: 02/04/2018

"Tech Trouble", China Tariffs and NAFTA.

Os ativos de risco estão retornando do feriado com uma aparente normalização de fluxos, que está dando suporte ao mercado de commodities e a uma abertura das taxas de juros no mundo desenvolvido. Contudo, o dólar opera com pouca movimentação e direção mista, enquanto a bolsa dos EUA apresenta nova rodada de pressão, em um ambiente ainda de baixa visibilidade e maior incerteza.

No sábado fiz um breve resumo de minha visão, que pode ser revista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/mercados-globais-pmi-na-china-inflacao.html.

No final de semana, o Facebook foi vítima de um vazamento de um relatório que coloca, novamente, a empresa no foco do debate da mídia e dos mercados, sugerindo uma postura questionável da empresa e a manutenção de um foco que poderá levar a maior regulamentação e pressão das autoridades em seu modelo de negócios.

O presidente dos EUA ainda voltou a comentar, através de seu Tweeter que  modelo de negócios da Amazon precisa ser regulamentado e taxado de forma mais efetiva do que atualmente é. Além disso, Trump criticou a maneira com que a empresa utiliza o serviço postal do país, um sistema que apresenta déficits e prejuízo, enquanto a Amazon segue sua trilha de lucros e sucesso.

Tanto os eventos recentes relativos ao Facebook quanto a postura de Trump em relação a Amazon apontam para um novo ambiente regulatório no setor de Tecnologia, que poderá entrar em um cenário de maior regulamentação, como ocorreu com o setor bancários após a crise de 2008. Por ser um setor bastante relevante para os índices de bolsa, este cenário pode continuar se mostrando uma restrição para o desempenho das bolsas, especialmente nos EUA. Vale lembar que não estou tomando partido de nenhum dos lados, mas apenas fazendo uma análise técnica sobre a situação e seu eventual impacto nos mercados financeiros globais.

No final da tarde de domingo a China anunciou uma nova rodada de tarifas de importação em retaliação a recente postura dos EUA em relação a seus produtos. A medida traz de volta a tona o risco de uma guerra comercial mais ampla, que havia sido reduzido após as recentes tratativas entre os dois países, que haviam sido reportadas pela mídia. O mercado continua bastante sensível a este tema, dado sua importância para o cenário econômico global.

Finalmente, Trump declarou que um acordo para o NAFTA pressupõe que o México irá controlar suas fronteiras e evitar o tráfico de drogas do México para os EUA. Caso isso não ocorra, os EUA não estão dispostos a fechar um novo acordo, segundo o presidente americano.

Ainda vejo o ambiente propício para uma postura defensiva, focada em posições relativas, temas específicos de investimentos e uma postura mais tática do que estratégica. Minhas recomendações podem ser recordadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

As últimas 72 horas trouxeram informações que reforçam este quadro.

Na China, o PMI Manufacturing oficial apresentou relevante alta, acima do esperado, em março, saindo de 50,3 para 51,5. Os dados deste início de ano ainda estão bastante comprometidos pelos efeitos do Ano Novo Lunar. De maneira geral, as médias de janeiro e março mostram uma desaceleração gradual da economia, em linha com o cenário central.

A inflação na Itália e na França ficou acima das expectativas em março, com altas de, respectivamente, 1,1% YoY (vs 0,8% YoY esperado) e 1,5% YoY (vs 1,5% YoY esperado). Os números seguem dados marginalmente mais baixos na Alemanha. A inflação na Europa mostra uma trajetória ascendente, mais ainda de maneira gradual. Não deveria alterar a postura do ECB em relação a política monetária na região.

No Brasil, a mídia está com as atenções voltadas para a última operação da Política Federal, que prendeu pessoas próximas ao atual Presidente Michel Temer. Sem dúvida alguma, uma operação como esta coloca o Presidente em situação acuada e não tem como ser vista como neutra, mas sim negativa. Contudo, com as eleições de outubro a espreita, não há nenhuma expectativa de aprovação de reformas econômicas e ou qualquer debate estrutural para os próximos meses. Assim, a Operação deveria ter maior impacto nas articulações políticas para as eleições do que na economia ou no preço dos ativos brasileiros.

Na quinta-feira a divulgação da safra agrícola por parte da USDA mostrou, pela primeira vez em muito tempo, uma piora nas perspectivas de várias commodities, o que levou a uma forte alta no preço das chamadas “Soft Commodities”, ou commodities agrícolas. Esta classe de ativo veio de vários anos de pressões baixistas de preço, pressionadas por um quadro de demanda fraca e oferta excedente. Este cenário parece estar mudando, tanto no tocante a demanda, com bom crescimento global, quanto, agora, no tocante a oferta, após as notícias recentes. Este vetor pode ser importante para a inflação de vários países/regiões e para a classe de investimentos como um todo.




Data: 02/04/2018

PMI na CHina, Inflação na Europa e Política Brasil.

O primeiro trimestre do ano se encerrou com um quadro econômico basicamente em linha com o esperado e com o cenário base que venho descrevendo neste fórum, ou seja, um crescimento global saudável, uma inflação que sobe de maneira gradual no mundo desenvolvido e a continuidade do processo de normalização monetária nas economias mais avançadas, especialmente aquelas em estágio mais avançado do ciclo econômico.

Para os mercados financeiros globais, o trimestre foi mais desafiador, por uma série de motivos, tais como, posição técnica comprometida, preços/valuations menos atrativos e a confirmação de um menor suporte por parte da política monetária em vários países/regiões. Além disso, algumas medidas adotadas pelo Governo dos EUA, em especial no tocante a imposição de tarifas de importações, também não ajudaram o humor dos ativos de risco. Finalmente, a perspectiva de uma inflação mais elevada, especialmente nos EUA, atuou como uma restrição para o bom desempenho dos mercados financeiros globais.

Nas últimas semanas, observamos alguns dados mais fracos de crescimento no mundo. Vejo esses dados como uma acomodação natural do ciclo. Talvez já tenhamos passado pelo pico do crescimento mundial, mas vejo como uma probabilidade baixa uma desaceleração mais acentuada da economia global neste momento.

Ainda vejo uma aceleração da inflação, especialmente nos EUA, como o maior risco ao cenário nos próximos 6 meses. Acredito que o crescimento irá flutuar em torno dos atuais níveis, mas com probabilidade baixa de grandes acelerações e/ou desacelerações. Uma inflação mais elevada, contudo, poderia trazer os mesmos temores, e a mesma reação dos ativos de risco, daquela verificada no início do ano, entre janeiro e meados de fevereiro.

Nesta linha, os dados de emprego nos EUA, na próxima sexta-feira, ganham importância redobrada, especialmente os dados de rendimentos (Average Hourly Earnings ou AHE).

Ainda vejo o ambiente propício para uma postura defensiva, focada em posições relativas, temas específicos de investimentos e uma postura mais tática do que estratégica. Minhas recomendações podem ser recordadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

As últimas 24 horas trouxeram informações que reforçam este quadro.

Na China, o PMI Manufacturing oficial apresentou relevante alta, acima do esperado, em março, saindo de 50,3 para 51,5. Os dados deste início de ano ainda estão bastante comprometidos pelos efeitos do Ano Novo Lunar. De maneira geral, as médias de janeiro e março mostram uma desaceleração gradual da economia, em linha com o cenário central.

A inflação na Itália e na França ficou acima das expectativas em março, com altas de, respectivamente, 1,1% YoY (vs 0,8% YoY esperado) e 1,5% YoY (vs 1,5% YoY esperado). Os números seguem dados marginalmente mais baixos na Alemanha. A inflação na Europa mostra uma trajetória ascendente, mais ainda de maneira gradual. Não deveria alterar a postura do ECB em relação a política monetária na região.

No Brasil, a mídia está com as atenções voltadas para a última operação da Política Federal, que prendeu pessoas próximas ao atual Presidente Michel Temer. Sem dúvida alguma, uma operação como esta coloca o Presidente em situação acuada e não tem como ser vista como neutra, mas sim negativa. Contudo, com as eleições de outubro a espreita, não há nenhuma expectativa de aprovação de reformas econômicas e ou qualquer debate estrutural para os próximos meses. Assim, a Operação deveria ter maior impacto nas articulações políticas para as eleições do que na economia ou no preço dos ativos brasileiros.

Na quinta-feira a divulgação da safra agrícola por parte da USDA mostrou, pela primeira vez em muito tempo, uma piora nas perspectivas de várias commodities, o que levou a uma forte alta no preço das chamadas “Soft Commodities”, ou commodities agrícolas. Esta classe de ativo veio de vários anos de pressões baixistas de preço, pressionadas por um quadro de demanda fraca e oferta excedente. Este cenário parece estar mudando, tanto no tocante a demanda, com bom crescimento global, quanto, agora, no tocante a oferta, após as notícias recentes. Este vetor pode ser importante para a inflação de vários países/regiões e para a classe de investimentos como um todo.




Data: 02/04/2018

Update.

A chegada do fim do primeiro trimestre do ano está trazendo alguma normalização aos fluxos e estabilização aos ativos de risco. Tendo a acreditar que, a partir de segunda-feira, teremos um quadro técnico mais limpo, permitindo que os mercados financeiros globais voltem a focar nos temas econômicos, mesmo que eu ainda não veja grandes temas de investimentos ou tendências muito claras no curto-prazo. Continuarei focado em temas específicos, em posições relativas e com postura mais tática.

A quinta-feira, véspera de feriado, trouxe algumas informações ao mercado, o qual trataremos abaixo. Adianto que nenhuma delas altera o cenário base que venho descrevendo neste fórum, mas reforçam algumas questões.

No Brasil, O Relatório de Inflação (RI) divulgado pelo BCB trouxe a mesma mensagem que já havia sido muito bem descrita no comunicado após a última decisão do Copom e as Notas desta mesma reunião. Mensagem essa que havia sido entendido e digerida pelo mercado. De maneira resumida, o BCB foi surpreendido pela baixa inflação no curto-prazo, o que o levou a sinalizar para mais uma queda de 25bps na próxima reunião, colocando a Taxa Selic em 6,25%. Depois disso, o “sarrafo” para novas quedas de taxa será mais “elevado”. O BCB trabalha com um cenário base de uma pausa em seu ciclo de queda de juros que, segundo o presidente da instituição, deverá durar alguns meses.

O RI em nada altera a minha visão de que o valor de alocações no mercado de juros está na parte intermediária e longa das curvas reais e nominais. Nos últimos dias, elevamos alocações e recomendações nessa classe de ativos e nesta parte da curva. Reforço que vejo o cenário atual como muito diferente dos outros ciclos econômicos do país. O hiato do produto aberto e a recuperação apenas gradual da economia permitirão que o país cresce por algum tempo sem gerar pressões inflacionárias mais preocupantes. Este pano de fundo permite que os juros fiquem mais baixos por mais tempo, o que ainda não está totalmente precificado na curva de juros.

O cenário descrito acima foi ainda reforçado pelo leve aumento da Taxa de Desemprego, de 12,2% para 12,6% em fevereiro, em linha com as expectativas. Em termos dessazonalizados, isso representa uma leve queda na taxa de desemprego. O número mostra um mercado de trabalho em recuperação, porém de maneira apenas gradual.

Na Alemanha, o CPI de fevereiro ficou abaixo das expectativas, com 0,4% MoM e 1,6% YoY (esperado de 0,5% MoM e 1,7%). O número de hoje se soma a uma sequência de dados econômicos mais fracos no país e na Europa como um todo.

No tocante ao crescimento, ainda vejo as surpresas negativas como acomodações naturais no ciclo econômico, especialmente em um contexto em que o primeiro trimestre do ano tem uma tendência natural a trazer surpresas baixistas. De qualquer maneira, não descarto que tenhamos passado pelo pico do crescimento global, ou estamos próximo a ele, e uma acomodações em patamar ainda saudável, porém mais baixo, irá ocorrer.

A inflação na região continua subindo de maneira extremamente gradual. Não vejo os números recentes alterando a postura já gradualista do ECB. No limite, tira uma certa urgência que vinha sendo impulsiona por expectativas do mercado para uma normalização monetária mais rápida e acentuada na região, em especial em relação aos EUA. Isso ficou mais explícito no desempenho recente do EUR, que acabou sofrendo por esta piora de perspectiva relativa.

Nos EUA, o Jobless Claims caiu para 215k, menor patamar em cerca de 45 anos. O número mostra um mercado de trabalho extremamente robusto e confirma minha tese de que a economia americana está no pleno emprego e, provavelmente, com o hiato do produto próximo a seu fechamento.

O Core PCE ficou dentro das expectativas do mercado, com alta de 0,2% MoM e 1,6% YoY em fevereiro. O número mostra uma inflação gradualmente ascendente.

O Chicago PMI caiu de 61,9 para 57,4 pontos, abaixo das expectativas de 62,0. A despeito da queda, o número continua em patamar elevado e condizente com um crescimento saudável da economia.

A despeito de alguma volatilidade nos indicadores recentes de crescimento, e uma maior volatilidade dos mercados financeiros, o Fed parece focado em seu processo de normalização monetária e só deverá mudar sua postura diante de mudanças muito substanciais de cenário ou aperto das condições financeiras. Nenhum desses vetores parecem presentes neste momento.

Após uma rodada de dados de inflação e rendimentos mais forte no início do ano, observamos uma acomodação no cenário inflacionário, o que levou a uma consequente acomodação do mercado de juros. Dado o estágio do ciclo econômico e a sensibilidade do mercado a este tema, uma nova rodada de dados mais forte nesta frente poderá levar a uma nova leva de pressões (altistas) nos juros do país. Não acho que este cenário esteja descartado. Muito pelo contrário, consigo enxergar este como sendo o cenário base para os próximos meses, ou seja, momentos de estabilização pontuados por rodadas de maior pressão altista (nas taxas de juros dos EUA), a luz de um pano de fundo de mercado de trabalho extremamente robusto e expectativa de fechamento do hiato do produto.




Data: 29/03/2018

Cenário externo, novo Ministro da Fazenda e redução de compulsório.

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco apresentam sinais de estabilização essa manhã, após uma quarta-feira ainda de pressão. A despeito da estabilização, neste momento, ainda há uma sensação de fragilidade nos mercados financeiros global. O dia de hoje e a segunda-feira após o feriado serão importantes para medirmos se a minha tese de que o final do trimestre está (estava) gerando fluxos pontuais que acabaram distorcendo o preço de algumas classes de ativos e alguns ativos específicos.

De qualquer maneira, ainda vejo vetores antagônicos que devem impedir uma direção muita clara dos ativos de risco no curto-prazo. Por isso, continuo favorecendo temas específicos de investimentos, posições relativas e uma postura mais tática.

Para não soar repetitivo, no meu comentário de ontem descrevi com mais calma esses vetores citados acima. Como não houve mudança substancial de cenário de ontem para hoje, recomendo a leitura do texto para maiores detalhes: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/risk-off_28.html.

No Brasil, Eduardo Guardia foi confirmado como novo Ministro da Fazenda com a saída de Henrique Meirelles, que irá se afastar do cargo para disputar as eleições de outubro. Tanto a saída de Meirelles como a entrada de Guardia eram esperadas e não deveriam trazer impacto aos ativos locais.

No final da tarde de ontem, o BCB anunciou uma redução de compulsório dos depósitos a vista e na poupança. A medida deve ser vista como positiva para o crescimento do país e reforça a postura de que o ciclo de queda da Taxa Selic está próximo do seu final, com uma probabilidade elevada de mais um corte de 25bps para 6,25% e a manutenção deste patamar por um período prolongado de tempo.

Para os mercados, a medida deveria favorecer o setor bancário/financeiros, além dos setores mais dependentes do crescimento doméstico, como consumo, shoppings e afins. A medida reforça a minha visão de maior espaço para parte intermediária e longa das curvas nominais e reais de juros em detrimento a parte curta da curva. Nos últimos dias vimos mais uma rodada de “steeping” da curva de juros em um movimento que entendo o racional porém discordo de seus argumentos. Assim, continuo favorecendo posições de flattening e aplicadas na parte mais longa das curvas nominais e reais.

Na minha visão, o cenário atual de inflação e crescimento é muito diferente daquele verificado em outros ciclos econômicos do Brasil. Assim, não acredito, pelo menos por ora, que o BCB esteja adotando uma postura errada ou excessivamente “frouxa”/”dovish”. Com o hiato do produto muito aberto, um crescimento gradual e uma inflação corrente e prospectiva baixas eu não vejo motivos, neste momento, de temer por um erro de política monetária, como vejo alguns de meus pares argumentando.

A China anunciou na tarde de ontem um pequeno corte de impostos. A medida deverá ter impacto limitado sobre a economia mas mostra de maneira um pouco mais clara como o governo pretende atuar de agora em diante. A despeito de um postura de maior aperto monetária e de uma meta fiscal mais dura, a China continua atuando de maneira contra-cíclica, impedindo movimentos mais bruscos de sua economia.

Visão & Posição:

No inicio da semana reduzimos substancialmente a posição comprada em EUR e JPY mas mantivemos a posição vendida em AUD. Ontem reduzimos nossa venda de EUR e aumentamos marginalmente nossa compra de JPY. Estamos sem posição estrutural vendida em S&P mas operando taticamente na venda deste ativo em momento oportunos.

Iniciamos uma pequena posição vendida em dólar e comprada em BRL (Real) via estrutura de opção para o final de abril. Aumentamos a posição ao longo da semana a despeito da dinâmica ruim. Acreditamos que a moeda local deveria operar em um range entre 3,10-3,35 no curto-prazo. Vemos as contas externas do país como saudáveis e um cenário cíclico bastante positivo, o que deveria favorecer a apreciação da moeda. Contudo, entendemos que o carrego hoje seja muito pior do que no passado, o que tem favorecido a utilização da moeda como hedge para outras posições. Além disso, entendemos que existe um vetor global que costuma a dar o tom no mercado de moedas. Finalmente, por estarmos no final de um trimestre mais positivo para o setor corporativo, vemos fluxos de saída de recursos do país como um vetor pontual que possa estar impedindo o bom desempenho da moeda. Está pressão poderia arrefecer após o final deste mês. De qualquer maneira, nos atuais níveis (3,31-3,32) vemos o risco/retorno como favorável para testarmos uma posição como esta no mercado de opção cuja vol implícita não nos parece esxcessiva (10,5%-11%).

Além disso, começamos a montar uma pequena posição de “flattening” da curva de juros no Brasil. Aumentamos a posição ontem Nosso cenário de juros mais baixos por mais tempo contempla uma curva menos “steep” do que a atual. Como o BCB ainda está em um ciclo de corte de juros e seus destino final ainda é incerto, estamos montando a posição de maneira gradual e parcimoniosa.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. Estamos optando por estruturar as operações via opções longas, dado a volatilidade baixa e uma postura mais defensiva diante dos riscos de curto-prazo.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Na sexta-feira, zeramos nosso pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Continuamos achando que o S&P deve permanecer em uma banda entre 2.500-2.800 no curto-prazo.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. Algumas opções “fora do dinheiro” se favoreceram da surpresa do comunicado do Copom.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 28/03/2018

Risk-Off!

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco apresentaram um dia de forte de contração, ou Risk-Off, na terça-feira e estão dando continuidade a este movimento na manhã de hoje. O destaque ficou por cona da forte queda do setor de Tecnologia na bolsa dos EUA, liderado pelo Facebook e seguido pelas demais empresas do setor.

Acredito que parte do movimento seja explicado por questões técnicas, como fluxos de final de trimestre, cujo trigger acabou sendo o “escândalo” envolvendo o Facebook na semana passada e que trouxe um debate em torno de uma maior regulamentação do setor (falei um pouco mais sobre isso no quinto parágrafo do texto deste link aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/cenario-base-cenario-alternativo-riscos.html). Além disso, neste estágio do ciclo econômico, o nível de preços e valuation e a posição técnica acabaram deixando o mercado mais frágil e sensível.

A questão técnica do final do trimestre pode estar tendo um peso exagerado na dinâmica do mercado este final de mês e trimestre, com fluxos de saída do mercado de ações e entrada no mercado de bonds, além de fluxos que afetam o mercado de câmbio ao redor do mundo. De qualquer maneira, só teremos uma sensação ou claridade maior em relação a esses fluxos nos próximos dias.

Ainda vejo um cenário econômico relativamente estável e saudável. O crescimento global parece estável a despeito de dados na margem mais fracos do que o esperado e não há, pelo menos ainda, sinais mais preocupantes de aceleração da inflação no mundo desenvolvido. Assim, os bancos centrais podem manter uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária.

Este pano de fundo deveria impedir um movimento ainda mais acentuado e permanente de realização de lucros ou “risk-off”. Contudo, na direção oposta, temos bancos centrais, especialmente o Fed, quase que em “piloto automático” no processo de normalização monetária, um crescimento global que pode ter feito o seu pico, preços/valuations menos triviais e uma posição técnica menos saudável que no passado. Isso tem tornado a volatilidade mais elevada e o risco/retorno de várias classes de ativos menos atrativo, o que acaba levando, de maneira forçada ou não, a uma redução de risco por parte do mercado devido ao aumento do VaR das carteiras.

A dinâmica do mercado está totalmente em linha com o pano de fundo que tenho exposto neste fórum, em que afirmo que o mercado terá mais volatilidade e tendências menos claras no curto-prazo. Como exemplo disso, tenho citado o S&P500 entre 2.500 e 2.800 e no cenário local o BRL entre 3,10 e 3,40. Caso alguma dessas bandas seja testada deveremos rever este cenário.

No Brasil, as Notas do Copom não trouxeram informações novas em relação ao Comunicado divulgado após a decição de política monetária. O BCB indica ser prudente mais um corte de 25bps na Taxa Selic para 6,25% e, após isso, a manutenção desta taxa no horizonte relevante de tempo. O BCB não fecha a porta para novas quedas, mas o “sarrafo” para que isso ocorra está muito mais “alto”.

O BCB anunciou ontem leilão de linha de câmbio. A postura é natural e recorrente este período de final de trimestre. Acredito que o BRL (Real) também esteja sofrendo os efeitos pontuais de fluxos de final de mês e trimestre, o que fez a moeda operar na banda de cima do range que vejo para este ano, entre 3,10-3,35.

Dados Econômicos:

Nos EUA, o Consumer Confidence divulgado ontem apresentou leve queda, mas manteve em patamar condizente com um crescimento ainda saudável da economia. A abertura do indicador mostrou mais um avanço do mercado de trabalho, apontando para um quadro de pleno emprego.

Visão & Posição:

No inicio da semana reduzimos substancialmente a posição comprada em EUR e JPU mas mantivemos a posição vendida em AUD. Estamos sem posição estrutural vendida em S&P mas operando taticamente na venda deste ativo em momento oportunos.

Iniciamos uma pequena posição vendida em dólar e comprada em BRL (Real) via estrutura de opção para o final de abril. Aumentamos a posição ontem a despeito da dinâmica ruim. Acreditamos que a moeda local deveria operar em um range entre 3,10-3,35 no curto-prazo. Vemos as contas externas do país como saudáveis e um cenário cíclico bastante positivo, o que deveria favorecer a apreciação da moeda. Contudo, entendemos que o carrego hoje seja muito pior do que no passado, o que tem favorecido a utilização da moeda como hedge para outras posições. Além disso, entendemos que existe um vetor global que costuma a dar o tom no mercado de moedas. Finalmente, por estarmos no final de um trimestre mais positivo para o setor corporativo, vemos fluxos de saída de recursos do país como um vetor pontual que possa estar impedindo o bom desempenho da moeda. Está pressão poderia arrefecer após o final deste mês. De qualquer maneira, nos atuais níveis (3,31-3,32) vemos o risco/retorno como favorável para testarmos uma posição como esta no mercado de opção cuja vol implícita não nos parece esxcessiva (10,5%-11%).

Além disso, começamos a montar uma pequena posição de “flattening” da curva de juros no Brasil. Aumentamos a posição ontem Nosso cenário de juros mais baixos por mais tempo contempla uma curva menos “steep” do que a atual. Como o BCB ainda está em um ciclo de corte de juros e seus destino final ainda é incerto, estamos montando a posição de maneira gradual e parcimoniosa.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. Estamos optando por estruturar as operações via opções longas, dado a volatilidade baixa e uma postura mais defensiva diante dos riscos de curto-prazo.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Na sexta-feira, zeramos nosso pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Continuamos achando que o S&P deve permanecer em uma banda entre 2.500-2.800 no curto-prazo.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. Algumas opções “fora do dinheiro” se favoreceram da surpresa do comunicado do Copom.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 27/03/2018

Risk-On! Growth vs Tariffs. Growth is winning today...

Mercados & Cenário:

Desde a manhã de ontem, os ativos de risco estão apresentando forte recuperação, com destaque para as altas nas bolsas e nas commodities. A mídia está reportando desde o início de segunda-feira que os EUA e a China estão dialogando para que as medidas impostas pelos EUA não levem a um cenário mais amplo de protecionismo. A China também sinaliza disponibilidade de manter esforços para abrir alguns de seus mercados aos EUA.

Com o crescimento global ainda saudável e a inflação no mundo desenvolvido subindo de maneira gradual, os ativos de risco voltaram a apresentar desempenho positivo. A dinâmica do mercado está totalmente em linha com o pano de fundo que tenho exposto neste fórum, em que afirmo que o mercado terá mais volatilidade e tendências menos claras no curto-prazo.

No Brasil, a mídia está reportando que Henrique Meirelles deixará o Ministério da Fazendo para concorrer a presidente. O mais cotado para o seu lugar é Guardia, secretário da pasta e nome respeitado internamente  e pelo mercado. Este caminho era de certa forma esperado e não deveria trazer surpresas aos ativos locais.

Dados Econômicos:

No Brasil, ontem, vimos o Focus – pesquisa semanal de expectativas coletada pelo BCB – mostrar recuo nas expectativas de inflação de 2018 e 2019, o que reforça o bom momento da inflação (inflação baixa) o que tem permitido o BCB a manter o ciclo de corte da Taxa Selic e a reafirmarmos nossa expectativa de juros mais baixos por mais tempo no país.

Ainda no país, os dados de crédito mostraram a manutenção de uma tendência de leve recuperação do setor, mas sem novidades relevantes nesta frente.

Agenda:

A agenda do dia terá o Consumer Confidence nos EUA como destaque.

Visão & Posição:

Iniciamos uma pequena posição vendida em dólar e comprada em BRL (Real) via estrutura de opção para o final de abril. Acreditamos que a moeda local deveria operar em um range entre 3,10-3,35 no curto-prazo. Vemos as contas externas do país como saudáveis e um cenário cíclico bastante positivo, o que deveria favorecer a apreciação da moeda. Contudo, entendemos que o carrego hoje seja muito pior do que no passado, o que tem favorecido a utilização da moeda como hedge para outras posições. Além disso, entendemos que existe um vetor global que costuma a dar o tom no mercado de moedas. Finalmente, por estarmos no final de um trimestre mais positivo para o setor corporativo, vemos fluxos de saída de recursos do país como um vetor pontual que possa estar impedindo o bom desempenho da moeda. Está pressão poderia arrefecer após o final deste mês. De qualquer maneira, nos atuais níveis (3,31-3,32) vemos o risco/retorno como favorável para testarmos uma posição como esta no mercado de opção cuja vol implícita não nos parece esxcessiva (10,5%-11%).

Além disso, começamos a montar uma pequena posição de “flattening” da curva de juros no Brasil. Nosso cenário de juros mais baixos por mais tempo contempla uma curva menos “steep” do que a atual. Como o BCB ainda está em um ciclo de corte de juros e seus destino final ainda é incerto, estamos montando a posição de maneira gradual e parcimoniosa.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. Estamos optando por estruturar as operações via opções longas, dado a volatilidade baixa e uma postura mais defensiva diante dos riscos de curto-prazo.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Na sexta-feira, zeramos nosso pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Continuamos achando que o S&P deve permanecer em uma banda entre 2.500-2.800 no curto-prazo.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. Algumas opções “fora do dinheiro” se favoreceram da surpresa do comunicado do Copom.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 26/03/2018

Risk-On!

 

Sem uma deterioração adicional na relação entre EUA e China, e com uma retórica ainda conciliadora entre ambos os países, os ativos de risco estão apresentando forte recuperação essa manhã. Vale lembrar também que, a despeito de algumas surpresas negativas para o crescimento global nas últimas semanas, na sexta-feira observamos uma forte recuperação do Durable Goods Orders nos EUA. O número mostrou uma economia saudável e um crescimento em bases sólidas, a despeito de ruídos pontuais. Comentamos um pouco mais sobre esses temas abaixo. 

 

No Brasil, a mídia segue dando atenção à situação do ex-presidente Lula e das articulações em torno das eleições. Não há nenhuma novidade, a meu ver, que seja de fato relevante para os ativos locais. 

 

Na sexta-feira os ativos de risco deram continuidade ao movimento de “risk-off” que acabou marcando toda a semana. O destaque ficou por conta da pressão nas bolsas globais e do fechamento das taxas de juros nos países desenvolvidos. O dólar apresentou desempenho mais misto, os ativos emergentes foram foco de pressão, assim como as commodities metálicas, especialmente aquelas mais dependentes de crescimento. 

 

O final de semana trouxe poucas novidades concretas. A mídia internacional continua focada na questão envolvendo a imposição de tarifas de importação por parte dos EUA e a resposta de seus “parceiros comerciais”, mas, em especial, por parte da China. 

 

Não há novidades relevantes nesta frente. A China ameaça adotar uma postura de reciprocidade. Entretanto, ainda evita adotar uma posição mais dura, com foco em produtos mais relevantes para o comércio entre os dois países (como a Soja) ou tocando em temas mais polêmicos de forma oficial, como uma possível redução nas compras, ou até mesmo a venda, dos títulos de dívida dos EUA, cuja China é uma das maiores detentoras ao redor do mundo e, por várias vezes, a maior compradoras marginal. 

 

Acho o momento oportuno para revermos o nosso cenário econômico e o que vem afetando o humor global a risco no curto-prazo. Nas últimas semanas, alguns temas merecem destaque, tais como, o maior protecionismo por parte dos EUA, sinais de desaceleração global e a sinalização, pelos principais bancos centrais do mundo, de que o processo de normalização monetária irá continuar, mesmo que de maneira gradual. Toquei mais a fundo nestes temas na sexta-feira e não alterei a minha visão sobre eles. A minha opinião pode ser lida aqui:  https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/tarifas-crescimento-e-bancos-centrais.html.

 




Data: 26/03/2018

Cenário Base. Cenário Alternativo. Riscos & Conclusões.

 

Na sexta-feira os ativos de risco deram continuidade ao movimento de “risk-off” que acabou marcando toda a semana. O destaque ficou por conta da pressão nas bolsas globais e do fechamento das taxas de juros nos países desenvolvidos. O dólar apresentou desempenho mais misto, os ativos emergentes foram foco de pressão, assim como as commodities metálicas, especialmente aquelas mais dependentes de crescimento. 

 

O final de semana trouxe poucas novidades concretas. A mídia internacional continua focada na questão envolvendo a imposição de tarifas de importação por parte dos EUA e a resposta de seus “parceiros comerciais”, mas, em especial, por parte da China. 

 

Não há novidades relevantes nesta frente. A China ameaça adotar uma postura de reciprocidade. Entretanto, ainda evita adotar uma posição mais dura, com foco em produtos mais relevantes para o comércio entre os dois países (como a Soja) ou tocando em temas mais polêmicos de forma oficial, como uma possível redução nas compras, ou até mesmo a venda, dos títulos de dívida dos EUA, cuja China é uma das maiores detentoras ao redor do mundo e, por várias vezes, a maior compradoras marginal. 

 

Acho o momento oportuno para revermos o nosso cenário econômico e o que vem afetando o humor global a risco no curto-prazo. Nas últimas semanas, alguns temas merecem destaque, tais como, o maior protecionismo por parte dos EUA, sinais de desaceleração global e a sinalização, pelos principais bancos centrais do mundo, de que o processo de normalização monetária irá continuar, mesmo que de maneira gradual. Toquei mais a fundo nestes temas na sexta-feira e não alterei a minha visão sobre eles. A minha opinião pode ser lida aqui:  https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/tarifas-crescimento-e-bancos-centrais.html. 

 

Vale adicionar um tema a estas questões de curto-prazo, que diz respeito a ruídos no setor de tecnologia na bolsa dos EUA. Não quero entrar aqui no mérito específico de problemas pontuais. Em termos gerais, contudo, os sinais recentes apontam na direção de uma maior regulamentação do setor como um todo, assim como na possibilidade de impostos mais elevados para essas empresas. Como o setor de tecnologia foi um dos mais favorecidos no processo de apreciação das bolsas ao redor do mundo desde a crise de 2008, não é de se espantar que vem sendo um dos setores mais pressionados recentemente. Este quadro pode continuar a trazer ruído para os mercados e se mostrar uma restrição para altas adicionais e/ou na mesma proporção daquelas vistas nos últimos anos. 

 

No tocante ao cenário base de longo-prazo, ainda não vejo mudanças significativas que me levem a revisar a visão geral. Ainda vejo um crescimento global saudável. É verdade que talvez o pico do crescimento tenha sido feito, ou esteja sendo feito neste momento, mas acho muito cedo para nos preocuparmos com uma desaceleração mais abrupta do crescimento. Ainda temos políticas monetárias expansionistas, condições financeiras favoráveis e um impulso fiscal como não víamos há vários anos. Estes pilares deveriam sustentar o crescimento da economia mundial, mesmo que em ritmo inferior aquele verificado no último trimestre do ano passado e inicio deste ano. 

 

O risco ao cenário base fica por conta de um eventual aperto exagerado das condições financeiras, devido a algum evento exógeno. O cenário de inflação, especialmente nos EUA, também merece destaque como um vetor que poderia testar o cenário base de forma mais surpreendente. 

 

O cenário mais provável ainda é de uma aceleração gradual da inflação para a meta de 2% do Fed. Contudo, devido ao fechamento do hiato do produto e da economia no pleno emprego, este movimento poderia ser mais rápido e acentuado do que o consenso espera hoje, podendo levar a uma reação mais agressiva por parte do Fed. Este quadro poderia causar um aperto inesperado das condições financeiras. Continuo trabalhando com um cenário central de alta gradual da inflação, mas vejo uma probabilidade maior do que o mercado embute hoje deste cenário alternativo descrito acima. Preocupa-me um pouco a convicção do mercado de que o cenário inflacionário, neste estágio do ciclo econômico nos EUA, seja tão favorável. 

 

Vejo a Europa em um estágio cerca de 3 a 4 anos atrás do estágio do ciclo dos EUA e o Japão cerca de 2 a 3 anos atrás do ciclo da Europa. A Inglaterra e o Canadá, contudo, parecem em ciclos mais próximos deste descrito acima para a economia norte americana. 

 

A China se mostrou foco de estabilidade ao longo de 2017 e início de 2018. O cenário base ainda é de uma desaceleração do crescimento ao longo deste ano, porém de maneira gradual e bem conduzida. Como sempre, o risco é de que a desaceleração acabe sendo mais rápida e acentuada do que o esperado. Dado a transição política que está em fase avançada neste momento, tudo indica que o país irá seguir em um caminho de reformas, nem que isso implique em menor crescimento no curto-prazo. Com o poder mais concentrado e garantido nas mãos do atual Premier, uma desaceleração de curto-prazo não seria vista como um problema grave, contanto que tenha como objetivo dar bases mais solidas para a economia no futuro. 

 

Desde que comecei a cobrir a economia da China, há 15 anos, todos os anos, menos em 2017, tivemos 1 ou 2 momentos em que houve algum tipo de questionamento (negativo) em relação a solidez da economia do país. Na maior parte das vezes, a desaceleração era pontual e o Governo foi capaz de conduzir o processo de maneira a evitar problemas mais graves na economia. Não descarto momentos mais incertos, mesmo que pontuais, para a economia do país ao longo deste ano. Será fundamental, todavia, entender qual a postura o Governo irá adotar para lidar com uma eventual desaceleração da economia. 

 

É difícil falar dos países emergentes como um bloco único, dado as individualidades de cada país. Fazendo um esforço, contudo, podemos dizer que os países emergentes apresentam hoje fundamentos mais sólidos. As contas externas são mais saudáveis, os juros reais mais elevados, o crescimento mais sólido e a inflação mais baixa do que em momentos anteriores, como no “Taper Tantrum” de 2013. Alguns países, inclusive, mostram avanços no campo político, como Argentina, África do Sul, Brasil (?) e etc. 

 

Dito tudo isso, ainda vejo um ano mais conturbado para os mercados financeiros globais. Enquanto o crescimento global ainda for robusto/saudável, fica difícil acreditar em um movimento mais acentuado e permanente de “Risk-Off”. Contudo, também não consigo mais ver todos os componentes que levaram ao cenário de “Goldilocks” que marcou os anos de 2016 e 2017. 

 

Por isso tenho evocado aqui que o ano será de temas mais específicos de investimentos, de posições relativas e uma postura mais tática (curto-prazo) do que estratégica (longo-prazo). Tenho chamado este cenário de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. 

 

Não a toa vemos muitas classes de ativos sem tendências definidas, sem grandes temas de investimentos. Já alertei aqui no passado que via o S&P500, por exemplo, entre 2.500 e 2.800, enquanto prevalecer este cenário descrito acima. O mesmo racional vale para as outras classes de ativos. 

 

Finalmente, neste ambiente, mais do que no passado recente, a análise de posição técnica do mercado de preços e “valuations” ganham um peso ainda maior, tornando a gestão ativa de suma importância novamente. A busca por “alpha” este novamente na dianteira dos investimentos, em detrimento ao “buy and hold” da gestão passiva. 




Data: 23/03/2018

Tarifas, Crescimento e Bancos Centrais.

Os ativos de risco tiveram na quinta-feira um dia de “risk-off” clássico e acentuado, com queda das bolsas e das commodities, fechamento de taxas de juros nos países desenvolvidos, dólar forte e pressão nos ativos emergentes em geral.

A noite de elevada volatilidade e de manutenção de um viés negativo nos mercados financeiros globais. Acredito que alguns vetores estejam influenciando os ativos de risco no curto-prazo. Não vejo nenhum deles sendo dissipados nos próximos dias (ou semanas). Assim, deveremos conviver ainda com um ambiente de elevada volatilidade e sem tendências definidas. Vamos aos fatos:

Tarifas – O governo dos EUA anunciou que irá taxar cerca de US$60bi de importações da China em cerca de 25%. Outras medidas também serão tomadas. Durante a noite, a China anunciou que irá adotar medidas de reciprocidade. Já anunciou tarifas em cerca de US$3bi de importações de Aço e Alumínio dos EUA e sinalizou que outras medidas serão tomadas caso os EUA não migrem para uma postura de maior diálogo.

Ainda vejo a postura dos EUA como uma meio de buscar negociações mais vantajosas, mas não uma necessidade de entrar em um conflito comercial mais amplo. Contudo, certamente as decisões recentes elevam as chances de um ambiente mais desafiador e de um erro de política comercial ao longo do caminho, o que deve manter o humor global a risco sob pressão até que uma claridade maior seja observada.

Sinais de desaceleração do crescimento – Nos últimos dias, vimos sinais ao redor do mundo de desaceleração do crescimento, com destaque para os PMIs da Europa, China e Japão. Além dos sinais provenientes dos dados econômicos, nos últimos dias vimos recuos significativos nas commodities metálicas mais sensíveis ao crescimento, como Minério de Ferro e Cobre.

O primeiro trimestre do ano é conhecido por sazonalmente trazer surpresas negativas de crescimento, que depois acabam sendo compensadas por uma aceleração da economia nos trimestres subsequentes. Por ora, ainda vejo os indicadores econômicos em níveis saudáveis e condizentes com um crescimento positivo. Contudo, em um pano de fundo de fragilidade, sinais como estes acabam afetando o humor global a risco e acendendo um sinal amarelo no cenário.

Bancos Centrais – A despeito da reação dos mercados a decisão do Fed e do ECB, os principais bancos centrais do mundo seguem em uma trajetória de normalização monetária, com retirada de estímulos. Me parece que o cenário precisaria mudar muito para este caminho ser alterado. Vou além, não descarto a possibilidade de termos que conviver com mais inflação e menos crescimento nos próximos meses, em especial, nos EUA.

No Brasil, a reação do mercado a decisão do Copom foi em linha com o que comentamos neste fórum na manhã de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/tarifas-pmi-fraco-na-europa-e-surpresa.html), com a curva de juros apresentando um “Bull steepening” com forte fechamento de taxa da parte curta e uma elevada over-performance dos setores domésticos e mais dependentes de taxa de juros em detrimento aos setores cíclicos e mais dependentes do cenário externo na bolsa. Vejo espaço para a continuidade deste movimento na bolsa. No mercado de juros, continuo preferindo a parte intermediária e longa da curva.




Data: 22/03/2018

Tarifas, PMI fraco na Europa e surpresa no Copom,

Os ativos de risco estão abrindo essa manhã sobre pressão, com destaque para a queda das bolsas e o fechamento de taxa de juros no mundo desenvolvido. Vejo duas explicações para estes movimentos.

Primeiro, a mídia continua circulando a informação de que o Governo dos EUA ira anunciar, ainda está semana, cerca de US$50bi em tarifas, em cerca de 100 produtos chineses, com o intuito de forçar a China a “melhorar” (segundo as palavras de Trump) as relações comerciais entre os dois países. Esta medida seria um passo a mais no projeto de Trump em busca de relações bilaterais que visam favorecer a economia interna dos EUA. De maneira geral, medidas protecionistas, ou “guerras comerciais”, tendem a ser baixistas para o crescimento e altistas para a inflação. Por ora, a China e os demais parceiros comerciais dos EUA têm adotado um tom conciliador e visando o diálogo. Caso este pano de fundo se altere, poderemos ter um cenário muito mais desafiador para a economia mundial e os mercados financeiros globais.

Segundo, essa manhã vimos um arrefecimento, uma queda acima das expectativas, dos PMIs na Europa. A despeito de permanecerem em níveis elevados e condizentes ainda com um crescimento saudável, o mercado poderá começar a questionar o real ímpeto do crescimento e se, de fato, já não passamos do melhor momento da economia global. Por ora, ainda me parece cedo para termos conclusões a este respeito e a economia mundial continua a me parecer saudável. Contudo, entendo que este tipo de questionamento poderá surgir à medida que o ciclo econômico se estenda.

Na China, o PBoC anunciou uma alta de 5bps na sua taxa de juros, seguindo o movimento do Fed. A medida era amplamente esperada.

No Brasil, o Copom anunciou um corte de 25bps na Taxa Selic para 6,5%, como era esperado pelo mercado. Contudo, ao contrário da minha expectativa, e da expectativa do mercado, o comunicado após a reunião sinalizou para uma elevada probabilidade de mais uma queda de 25bps na próxima reunião do Copom, o que levaria a Taxa Selic para uma nova mínima de 6,25%.

Acredito que a postura do BCB não será questionada pelo mercado, como no passado, pois existe sim um pano de fundo de inflação extremamente baixa e hiato do produto muito aberto que justifica esta queda na taxa de juros e sua manutenção em patamar baixo por mais tempo.

Acredito que o mercado irá reagir hoje com forte fechamento de taxa na parte curta da curva, ao contrário do que comentei neste fórum ontem, e um steepening da curva. De qualquer maneira, reforço que vejo espaço para a compressão dos prêmios na parte intermediária e longa da curva de juros no país, já que os FRA´s a partir de 2019 me parecem excessivamente elevados (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/copom-curva-de-juros.html). Acho razoável vermos uma over-performance, na bolsa, dos setores mais ligados a economia domestica e sensíveis a juros em detrimento aos setores mais globais e cíclicos. Nossa carteira está construído exatamente dentro desta prerrogativa.




Data: 22/03/2018

A hawkish Fed, but a dovish market.

O comentário de hoje precisa ser dividido em duas partes. Primeiro, qual foi a conclusão da reunião do FOMC. Segundo, como estava o posicionamento do mercado, que em muito explica esta primeira reação a decisão divulgada hoje.

Em relação ao Fed, a decisão só não foi definitivamente hawkish pois não houve uma mudança nas previsões do Fed para 4 altas de 25bps este ano ao invés de 3, o que alguns esperavam. De qualquer modo, essa alteração só não ocorreu por um pequeno detalhe, talvez de um membro do FOMC que nem seja votante este ano.

Todas as demais alterações do comunicado e das previsões do Fed foram na direção de mais confiança na recuperação da economia, em um mercado de trabalho robusto e em um processo de aceleração da inflação. Isso tudo levou o Comitê a revisar para cima as expectativas de taxas de juros de 2019 em diante, em alguns casos de forma relevante.

Minha visão é de que o Fed está cada vez mais confiante no seu cenário e o processo de alta de juros seguirá em piloto automático, com uma alta de juros por trimestre. Caso a inflação mostre aceleração, o que eu acredito que poderá ocorrer (mais cedo do que tarde), este processo poderá ser ainda mais acelerado do que o previsto. A decisão de hoje, e todos os seus sinais emitidos pelo Fed, apontam nessa direção.

A reação do mercado, contudo, mostrou uma forte queda do dólar, alta das commodities e recuperação dos mercados emergentes. Acredito que a posição técnica do mercado, talvez excessivamente cautelosa as vésperas da decisão do FOMC, levaram a esta reação. Como é usual, vimos uma forte queda das volatilidade implícitas de vários mercados, mas com destaque para as vols de Treasuries, o que acabou ajudando a dar alívio a algumas classes de ativos.

De maneira geral, não vejo a decisão de hoje alterando em nada o cenário que temos descrito neste fórum (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/). Vejo a reação de hoje como de certa forma exagerada. Aproveitamos a oportunidade para elevar as alocações tomadas em Treasuries e vendidas em AUD, que haviam sido reduzidas no início da semana. Não alteramos as demais recomendações de alocação (que pode ser vista no link acima).




Data: 21/03/2018

 All eyes on the Fed decision!

 

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco operam na expectativa da decisão do FOMC esta tarde. O destaque da manhã fica por conta de um movimento de dólar mais fraco no mundo.

Com uma noite tranquila, meus comentários de ontem a tarde seguem válidos e podem ser lidos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/sinais-de-fragilidade-permanecem.html, para não soar repetitivo.

Dados Econômicos:

As exportações dos primeiros 20 dias de março na Coreia do Sul, um indicador muito olhado como Proxy para o crescimnto global devido a elevada abertura e corrente de comércio no país, seguiu mostrando desaceleração, mas ainda em patamar elevado, condizente com um crescimento global ainda saudável. Segundo a Goldman Sachs

Daily ex-ship exports (a better proxy for current external demand than headline exports, in our view) rose 8% yoy during the first 20 days of March, moderating slightly from 9% growth in February (Exhibit 1). While sequential momentum turned positive to 0.5% mom sa from a dip in February, the level of daily exports was still below January levels (Exhibit 3).[1] Total exports during first 20 days grew 9% yoy, improving from the February weakness of -4% yoy that was weighed down by work-day differences.

Agenda:

Hoje teremos a decisão do FOMC nos EUA como destaque. O mercado já espera uma alta de 25bps nas taxas dos Fed Funds. O debate e a incerteza ficam por conta de uma possível mudança nas expectativas para as taxas de juros futuras por parte dos membros do Fed. Existe já alguma expectativa por parte do mercado de que alguns membros do comitê podem trabalhar com 4 altas de juros este ano, ao invés de 3. Isso, contudo, não é consenso no mercado. Além disso, será a primeira aparição de Jay Powell em uma “press conference” oficial, um importante teste para o novo presidente do Fed.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 21/03/2018

Sinais de fragilidade permanecem.

 

Mercados & Comentários:

O dia foi marcado pela abertura das taxas de juros nos EUA e por um movimento global de alta do dólar. Acredito que estes movimentos sejam típicos de alguma “tensão” em antecipação a reunião do Fed de amanhã (mais detalhes abaixo). O dólar, em especial, acaba sofrendo em meio a uma posição técnica pouco trivial, com o mercado ainda bastante “vendido” na moeda dos EUA.

Ainda vejo sinais de fragilidade nos ativos de risco. O spread da LIBOR-OIS continua se elevando, os riscos de um maior protecionismo por parte dos EUA ainda não foram dissipados e os principais bancos centrais do mundo continuam caminhando na direção de normalização monetária, ou seja, de retirar estímulos da economia global. Além disso, o setor de Tecnologia na bolsa dos EUA enfrenta um questionamento que nunca antes havia enfrentado, o que pode causar ruído e volatilidade em um ambiente de valuations “esticados” e posição técnica comprometida.

Contudo, exceto por dados pontuais, o crescimento global continua saudável e relativamente robusto, o que tem evitado uma mudança completa de dinâmica por parte dos ativos de risco, para um cenário um pouco mais negativo. Caso o crescimento dê sinais mais substancias de arrefecimento, o que é um cenário alternativo, não o cenário base, a situação dos ativos de risco pode ficar ainda mais delicada.

Enquanto isso, devemos seguir em um ambiente de incerteza, pouca visibilidade e sem tendências definidas, em linha com nossa visão mais estrutural para este ano, focada em temas específicos, em posições relativas e postura mais tática.

O Brasil continua refém deste quadro global. Nos últimos dias vimos um forte movimento de depreciação do BRL, que já opera acima de 3,30 e, hoje, observamos uma abertura das taxas de juros reais e nominais, com “steppening’ da curva. Estes movimentos seguem o pano de fundo global, mas são exacerbados por uma posição técnica pouco saudável. Vemos muitos fundos aplicados em juros novamente e muitos vendidos em dólar. Isso está ajudando o movimento recente de realização de lucros.

Ainda vejo o BRL em um rangde entre 3,10-3,35 ao longo do ano. A banda de cima pode ser testada em breve e, caso rompida, minha visão deverá ser reavaliada. Continuo vendo um cenário favorável para o mercado local de juros ao longo do ano e vejo o movimento recente apenas como uma realização pontual de lucros.

Dados econômicos:

O ZEW, na Alemanha, um dos principais indicadores de confiança do país, apresentou queda relevante e acima das expectativas. A despeito da queda, ainda vejo o indicador em um nível saudável e condizente com um crescimento robusto da economia do país.

Agenda:

Amanhã teremos a decisão do FOMC nos EUA como destaque. O mercado já espera uma alta de 25bps nas taxas dos Fed Funds. O debate e a incerteza ficam por conta de uma possível mudança nas expectativas para as taxas de juros futuras por parte dos membros do Fed. Existe já alguma expectativa por parte do mercado de que alguns membros do comitê podem trabalhar com 4 altas de juros este ano, ao invés de 3. Isso, contudo, não é consenso no mercado. Além disso, será a primeira aparição de Jay Powell em uma “press conference” oficial, um importante teste para o novo presidente do Fed.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. 

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico no Brasil.




Data: 20/03/2018

Fed, Liquidity, Tech and Tariffs.

 

Os ativos de risco tiveram uma segunda-feira de “risk-off” generalizado. O humor global a risco está sendo afetado por um misto de: Expectativa em torno da sinalização que será dado pelo Fed após a reunião do FOMC nos EUA; riscos de uma “Guerra Comercial” mais ampla; uma liquidez global mais prejudicada (vide o spread LIBOR-OIS); e ruídos (pelo menos por ora) em torno do setor de tecnologia na bolsa dos EUA. Como este foi o setor que apresentou o melhor desempenho nos últimos anos, encontra-se em nível de preços pouco triviais, com posição técnica prejudicada, e cujo impacto nos índices de bolsa acaba sendo elevado, qualquer movimento gera um desconforto maior no mercado como um todo.

Hoje pela manhã vemos alguma estabilização das bolsas globais e do dólar no mundo, em um contexto de abertura de taxa de juros nos países desenvolvidos.

A mídia está reportando que os EUA pretendem anunciar tarifas na ordem de R$60bi, em cerca de 100 produtos provenientes da China. Ainda há muita incerteza e ruído em torno do tema. Até o momento, os chineses têm optando por uma postura de diálogo e conciliação. Caso isso mude, o cenário poderá se tornar um tanto quanto complexo e negativo.

Neste momento, estamos passando por um cenário de incertezas, dúvidas e baixa visibilidade. Até por isso, vemos os ativos de risco sem tendências definidas porém com mais volatilidade. Continuo vendo este pano de fundo no curto-prazo e, talvez, ao longo de todo ano. Assim, continuo favorecendo posições em temas mais específicos e pouco direcionais, posições relativas ou posições mais táticas e em instrumentos com risco/retorno atrativos e perdas limitadas. Ontem, reduzimos nossas puts de S&P e nosso short AUD, mas mantivemos exposição a ambos os temas (vide abaixo).

O Brasil, na ausência de notícias locais relevantes, continua “refém” dos movimentos globais. Vale a pena destacar, contudo, o bom desempenho do mercado de juros, em um pano de fundo local de inflação corrente e prospectiva baixas, que deverá favorecer juros mais baixos por mais tempo, uma vez que o BCB reduza a Taxa Selic para 6,50% e a mantenha neste patamar no horizonte relevante de tempo. Isso pano de fundo está favorecendo um movimento de “flattening” da curva, movimento que concordo e que estamos posicionados através de juros reais longos. Este viés deverá prevalecer, salvo movimentos globais.

Agenda:

A agenda do dia será esvazaida. A semana terá como destaque a reunião do FOMC nos EUA e a reunião fo G20 que ocorrerá na Argentina. Ao longo da semana comentaremos mais sobre estes dois eventos.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 19/03/2018

Risk-Off. Waiting FOMC and G20.

 

Os ativos de risco estão iniciando a semana em tom mais negativo, com queda das bolsas e das commodities, abertura de taxas de juros e dólar forte no mundo. O movimento parece embutir um pouco de tensão as vésperas de uma semana importante, com a decisão de política monetária por parte do Fed (FOMC) e a reunião do G20, ambos eventos que podem ser capazes de alterar a dinâmica dos ativos de risco de maneira mais estrutural. 

 

O final de semana trouxe pouquíssimas novidades relevantes ao cenário. Assim, mantenho minha visão basicamente inalterada, assim como as recomendações de portfólio. Para não soar repetitivo, meus últimos comentários podem ser vistos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/. 

 

O estrategista de FX do Morgan Stanley resumiu muito bem o pano de fundo de curto-prazo. Assim, tomo a liberdade de copiar suas colocações abaixo: 

 

Risk off as… This is unlikely to be a good week for risk. Quarter-end liquidity pressures are emphasised by the long Easter weekend, and 1m, 3m and 6m US T-bill auctions have pushed the 3m Libor-OIS spread wider to reach 51bp this morning. Uncertainty over the FOMC meeting, Japan’s PM Abe's approval rating falling to its lowest level since he took office in 2012 and a US PC producer considering redirecting its supply chain away from Asia are also likely to contribute to putting risky assets under selling pressure. Iron ore has declined 4.3% on a report that holdings at ports have climbed to unprecedented levels and are large enough to cover more than 50 days of imports. Steel rebar has declined 1.5% and hot-rolled coil has dropped 1.3%. Cryptocurrencies – an indicator of global liquidity conditions – have broken lower. 

 

...liquidity punch bowl is taken away… The Fed is likely to hike rates by 25bp, taking the target range to 1.50-1.75%. Market focus will be on the statement and content of the press conference which are likely to lean towards hawkishness. However, it will not only be the Fed taking the liquidity punch bowl away; weekend comments from the ECB have been hawkish too. The Bundesbank’s Weidmann confirmed that the ECB had not decided when and how to end QE, but that positive economic developments and inflation forecasts could allow the ECB to quickly end its bond purchases. The ECB’s Knot expressed "a high degree of confidence" that inflation in the euro zone will hit the ECB's target of just under 2% "at some point". The ECB’s Villeroy suggested that the central bank was on a path towards normalising its ultra-easy monetary policy as inflation accelerates. 

 

No Brasil, João Doria, do PSDB, “atropelou” seus adversários na prévia para disputar o Governo do Estado de São Paulo. A mídia traz algumas matérias sobre um potencial aumento da conta de luz (algo em torno de 20%), que poderia colocar alguma pressão sobre a inflação. 

 

Agenda: 

 

A semana terá como destaque a reunião do FOMC nos EUA e a reunião fo G20 que ocorrerá na Argentina. Ao longo da semana comentaremos mais sobre estes dois eventos. 

 

Visão & Posição: 

 

- Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. 

 

- Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. 

 

- Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana. 

 

- No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. 

 

- Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 16/03/2018

The US economy is fine, thanks.

Após uma rodada de dados econômicos mais negativos nos EUA a semana está se encerrando em um tom mais positivo nesta frente. A despeito de dados do mercado imobiliário mais fracos do que as expectativas, um setor que hoje representa um percentual relativamente pequeno da economia, observamos dados bastante positivos em outras frentes.

A produção industrial de fevereiro apresentou alta de 1,1% MoM, acima das expectativas de 0,4% MoM. O JOLTS Job Openings subiu de 5667 para 6312, um novo pico deste ciclo econômico e de vários anos. O Michigan Confidence subiu de 99,7 para 102,0, acima das expectativas de 99,3, também um novo pico deste ciclo econômico. As expectativas de inflação de 1 ano do Michigan, que são dados mais voláteis, subiram de 2,7% para 2,9%, maior nível desde começo de 2015.

De maneira geral, vejo os dados de hoje como reforçando o cenário de uma economia dos EUA ainda saudável, com um mercado de trabalho robusto e numa fase avançada do ciclo econômico.

Não vejo motivos para alterar meu cenário base e as alocações de portfólio que tenho descrito neste fórum (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

Interessante notar que nos últimos dias vimos um movimento mais coordenado de fortalecimento do dólar, no que me parece ser um misto de ajuste de posição técnica, que havia ficado excessivamente “vendida em dólar”, com um cenário um pouco mais desafiaor, diante dos ruídos envolvendo as tarifas de importação e a possibilidade de um Fed mais agressivo no processo de normalização monetária.

Olhando à frente, teremos a reunião do G20, que pode trazer informações importantes em relação a postura que será tomada pelas principais economias do mundo diante da mudança de política externa adotada pelo Governo Trump.

A mídia continua especulando que o Governo dos EUA poderá anunciar, dentro de poucas semanas, medidas comerciais com o intuito de frear o déficit comercial com a China. Por ora, as demais economias do mundo estão adotando uma postura mais conservadora e amigável, buscando o diálogo ao invés do embate. Caso isso mude, seja por medidas mais agressivas dos EUA, ou por decisão das demais potenciais mundiais, podemos entrar em uma espiral mais complicada para a economia mundial e os mercados financeiros globais.

Na semana que vem, teremos ainda a reunião do Fed, onde já é universalmente esperado uma alta de 25bps nas taxas de juros. O debate gira em torno de qual o discurso que será adotado pelo Comitê em relação a política monetária prospectiva, com o mercado debatendo quantas altas de juros poderemos ter este e no próximo ano. A curva hoje precifica cerca de 3 altas de 25bps este ano (o mercado especula que as altas pode ser 4) e cerca de 2 altas de 25bps ano que vem.

O Brasil, enquanto isso, tem sido um espectador deste pano de fundo global e os ativos do país estão meramente seguindo os fluxos pontuais e a dinâmica externa. Salvo questões microeconômicas de resultados corporativos e/ou movimentos de M&A na bolsa local, até a proximidade das eleições, devemos seguir o humor externo e questões pontuais de fluxos e posição técnica.




Data: 16/03/2018

 Update.

Mercados & Cenário:

A noite foi relativamente tranquila. Ainda vejo sinais de fragilidade nos ativos de risco, a despeito de operaram próximos a estabilidade neste momento (6h20 de Brasília). Vemos uma apreciação do JPY, EUR e do CHF, mas um dólar forte contra as demais moedas. Os demais ativos de risco operam próximos a estabilidade e sem tendência definida.

No Brasil, o jornal O Globo traz reportagem em que afirma que a arrecadação federal superou em R$10bi as expectativas no primeiro bimestre do ano, mas que o Governo decidiu não desbloquear recursos neste momento. O estadão diz que existe um impasse no debate em torno da Cessão Onerosa, o que está atrasando, em cerca de 60 dias, as negociações em torno do caso. Já o Valor Econômico afirma que a União Europeia poderá parar de comprar carne de frango da BRF.

O destaque da quinta-feira ficou por conta do movimento de fortalecimento do dólar no mundo e alguma pressão no mercado de commodities. Os ativos emergentes também operaram sob pressão. O movimento dos últimos dias mostra uma certa fadiga dos mercados financeiros globais, especialmente nas classes de ativos cuja posição técnica se mostra mais comprometida (USD, Treasury, EM, Commodities, por exemplo).

Continuo vendo um mercado, grosso modo, sem grandes tendências no curto-prazo. O cenário base continua a ser de um crescimento global saudável, uma inflação ascendente no mundo desenvolvido e uma normalização monetária gradual nas principais economias do mundo.

Contudo, alguns ruídos de curto-prazo parecem estar afetando o humor global a risco. O governo dos EUA se mostra instável em relação a sua equipe, a imposição de tarifas de importação trouxeram a tona o debate de uma possível guerra comercial, a LIBOR-OIS Spread segue abrindo taxa, observamos dados de crescimento mais fracos na margem e vemos sinais de que o ciclo econômico dos EUA esteja em estágio avançado (o que pode estar sendo apontada pelo “flatetning” da curva de juros do país, mas com muito debate e incerteza em relação a este tema).

Neste pano de fundo, vejo mais incertezas do que convicções no curto-prazo, o que mantém minha convicção em um portfólio mais neutro e focada em temas específicos. A utilização de instrumentos que mitiguem as perdas em cenário adversos (ou alternativos) também me parece uma postura prudente. Não alterei minha visão em relação a essas questões.

No Brasil, os últimos dias foram marcados por uma realização de lucros em praticamente todos os mercados. Juros curtos, Bolsa e Câmbio (BRL). Além do cenário externo citado acima, a posição técnica nesses ativos me parecia, de certa forma, comprometida, o que acabou dando ímpeto a estes movimentos.

O destaque, como tenho  citado ao longo da semana, acabou ficando por conta do “flattening” da curva de juros, com a curva longa de juros nominais e reais apresentando desempenho bastante positivo ao longo da semana.

Dados Econômicos:

Nos EUA, o Empire Manufacturing e o Philly Fed permaneceram em patamar robusto e consistente com um crescimento sólido da economia. o Jobless Claims se manteve em nível condizente com um mercado de trabalho aquecido.

A despeito de algumas surpresas recentes nos dados de atividade econômica, que podem fazer com que o PIB do 1Q fique (bem) abaixo das expectativas, ainda não há motivos concretos para suspeitar de uma desaceleração mais permanente da economia dos EUA.

Agenda:

A agenda de amanhã terá, nos EUA, alguns dados do mercado imobiliário, a produção industrial e o Michigan Confidence.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 16/03/2018

Ativos de risco seguem sem tendências definidas.

Mercados & Cenário:

O destaque do dia ficou por conta do movimento de fortalecimento do dólar no mundo e alguma pressão no mercado de commodities. Os ativos emergentes também operaram sob pressão. O movimento dos últimos dias mostra uma certa fadiga dos mercados financeiros globais, especialmente nas classes de ativos cuja posição técnica se mostra mais comprometida (USD, Treasury, EM, Commodities, por exemplo).

Continuo vendo um mercado, grosso modo, sem grandes tendências no curto-prazo. O cenário base continua a ser de um crescimento global saudável, uma inflação ascendente no mundo desenvolvido e uma normalização monetária gradual nas principais economias do mundo.

Contudo, alguns ruídos de curto-prazo parecem estar afetando o humor global a risco. O governo dos EUA se mostra instável em relação a sua equipe, a imposição de tarifas de importação trouxeram a tona o debate de uma possível guerra comercial, a LIBOR-OIS Spread segue abrindo taxa, observamos dados de crescimento mais fracos na margem e vemos sinais de que o ciclo econômico dos EUA esteja em estágio avançado (o que pode estar sendo apontada pelo “flatetning” da curva de juros do país, mas com muito debate e incerteza em relação a este tema).

Neste pano de fundo, vejo mais incertezas do que convicções no curto-prazo, o que mantém minha convicção em um portfólio mais neutro e focada em temas específicos. A utilização de instrumentos que mitiguem as perdas em cenário adversos (ou alternativos) também me parece uma postura prudente. Não alterei minha visão em relação a essas questões.

No Brasil, os últimos dias foram marcados por uma realização de lucros em praticamente todos os mercados. Juros curtos, Bolsa e Câmbio (BRL). Além do cenário externo citado acima, a posição técnica nesses ativos me parecia, de certa forma, comprometida, o que acabou dando ímpeto a estes movimentos.

O destaque, como tenho  citado ao longo da semana, acabou ficando por conta do “flattening” da curva de juros, com a curva longa de juros nominais e reais apresentando desempenho bastante positivo ao longo da semana.

Dados Econômicos:

Nos EUA, o Empire Manufacturing e o Philly Fed permaneceram em patamar robusto e consistente com um crescimento sólido da economia. o Jobless Claims se manteve em nível condizente com um mercado de trabalho aquecido.

A despeito de algumas surpresas recentes nos dados de atividade econômica, que podem fazer com que o PIB do 1Q fique (bem) abaixo das expectativas, ainda não há motivos concretos para suspeitar de uma desaceleração mais permanente da economia dos EUA.

Agenda:

A agenda de amanhã terá, nos EUA, alguns dados do mercado imobiliário, a produção industrial e o Michigan Confidence.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. A posição é hoje muito inferior ao que era no final de 2017 e começo de 2018.




Data: 15/03/2018

Sem novidades relevantes.

Mercados & Cenário:

Hoje pela manhã vemos uma recuperação das bolsas globais, commodities em queda, um dólar levemente mais forte e taxas de juros estáveis no mundo desenvolvido.

A noite foi de poucas novidades relevantes para o cenário e para os mercados.

Para não soar repetitivo, segue o comentário da tarde de ontem, onde abordamos todos os temas relevantes de curto-prazo: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/libor-ois-treasury-curve-and.html.




Data: 15/03/2018

Libor-OIS, Treasury Curve and Cryptocurrencies.

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco iniciaram o dia em uma toada positiva (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/dados-positivos-na-china-retiram-mais.html), mas os ruídos envolvendo a administração da Casa Branca e os rumores em torno de novas medidas com caráter protecionista acabaram, novamente, afetando o humor global a risco. Enquanto este tema estiver no foco do mercado, podemos esperar mais volatilidade e um mercado sem grandes tendências.

Medidas protecionistas costumam ser vistas como negativas para o crescimento global (menor crescimento) e “positivas” para inflação (inflação mais elevada). Esta combinação não é positiva, de maneira geral, para ativos de risco.

Eu tenho pouca vantagem comparativa para ter convicção em que caminho será tomado. O mercado parece trabalhar com o cenário central de que a postura do governo dos EUA é apenas uma “jogada” de negociação em busca de termos comerciais mais vantajosos para a economia americana. Esta postura acaba gerando volatilidade de curto-prazo, mas não altera o destino final da economia.

Contudo, caso este cenário central se mostre errada, e o governo dos EUA opte por adotar medidas de fato mais agressivas, me parece haver amplo espaço para uma reprecificação do cenário econômico global e, consequentemente, para os ativos de risco.

Vale atentar aqui para alguns movimentos recentes, que não tem relação com o que foi dito acima, mas merecem atenção especial:

1 – Forte “flattening” da curva de juros nos EUA;

2 – Forte abertura do spread LIBOR-OIS;

3 – Forte quedas das “cripto-moedas”.

Sobre o tema (1), parece um movimento usual próximo do final do ciclo econômico de economias desenvolvidas. Muitos utilizam este sinal como um indicador de recessão, mas outros afirmam que devido ao QE (e afins) o poder preditivo da curva de Treasury foi reduzido drasticamente nos últimos anos.

Em relação a (2), parece um movimento técnico, de excesso de oferta de papeis em meio a um cenário de emissões elevadas e reprimidas. Pelo menos este é o consenso de mercado. Não parece, neste momento, haver o entendimento de que a abertura deste spread seja um indicador mais preocupante de solvência do mercado bancário dos EUA, como foi na crise de 2008.

Não tenho opiniões forte sobre (3). Vimos declarações e movimentos recentes na direção de reduzir a efetividade deste instrumento como meio de troca, o que parece estar afetando o preço desta classe de ativo.

No Brasil, destaque para o movimento de “flattening” da curva de juros. Este é um movimento normal/natural em períodos de fim do ciclo de queda de juros. Como o cenário prospectivo aponta para uma inflação baixa e comportada, achamos natural que os juros locais fiquem mais baixos por mais tempo. Exatamente por isso, temos favorecido os vértices mais longos da curva real de juros já há algum tempo (vide comentários adicionais na seção abaixo).

Dados econômicos:Nos EUA, as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas e o PPI acima do esperado. As vendas no varejo levaram o mercado a revisar para baixo as expectativas para o PIB do primeiro trimestre do ano.

Ainda não vejo motivos para mudar o cenário base de um crescimento sólido da economia dos EUA ao longo deste ano. Contudo, os dados recentes apontam para um crescimento mais fraco do que o previsto e uma inflação que mostra sinais mais consistentes de elevação. Está combinação não costuma ser positiva para ativos de risco. Por ora, contudo, as magnitudes ainda não merecem uma reavaliação substancial do cenário base, apenas ascendem um sinal amarelo no cenário.

Agenda:

A agenda de amanhã terá o Empire Manufacturing, Philadelphia Fed, Jobless Claims e o Import and Export Prices como destaque da agenda nos EUA.

Visão & Posição:

Com a volatilidade implícita das moedas nos “pisos” recentes, adicionamos no início da semana exposição (via opções) na posição comprada em EUR, cujo o risco/retorno nos parece bastante atraente com a vol implícita abaixo de 7%.

Voltamos a reduzir nossa exposição em bolsa no Brasil ao longo da terça-feira, mas mantivemos a posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção, após os dados do mercado de trabalho nos EUA. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidades, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico no Brasil.




Data: 14/03/2018

Dados positivos na China retiram mais um risco do curto-prazo.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco estão apresentando recuperação nesta manhã, após os dados de atividade econômica na China superaram as expectativas do mercado nos meses de janeiro e fevereiro. As bolsas globais e as commodities metálicas sobem e o dólar opera em queda contra as moedas emergentes e mais dependentes de commodities.

Os números mais fortes no país afastam mais um dos riscos ao cenário econômico global no curto-prazo, que seria uma desaceleração mais acentuada da economia chinesa. Além disso, mostra uma economia global ainda robusta. Os números deveriam ajudar a dar suporte aos ativos de risco no curto-prazo, especialmente para as classes que acabaram “ficando para trás” nesta recuperação dos mercados nas últimas semanas, como as commodities e EMFX, por exemplo.

De maneira geral, contudo, os números de hoje em nada alteram o pano de fundo de longo-prazo, de mercados menos direcionais e mais táticos ao longo do ano, que tenho insistido neste fórum (vide aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

Dados Econômicos:

Destaque para os dados da China, que a Goldman Sachs resumiu da seguinte forma:

Industrial production (IP): +7.2% yoy in January to February (GS forecast: +6.0% yoy, Bloomberg consensus: +6.2% yoy); +13.0% month-over-month annualized in January to February vs December, seasonally adjusted by GS. December: +6.2% yoy, +7.4% mom annualized.

Retail sales: +9.7% yoy in January to February (GS: +9.0% yoy, consensus: +9.8% yoy); December: +9.4% yoy.

Fixed asset investment (FAI): +7.9% yoy in January to February (GS: +7.0% yoy, consensus: +7.0% yoy); 2017 full year/December single month yoy: +7.2%.

Property-related data:

Floor space sold: +4.1% yoy in January-February, vs. +6.1% yoy in December (value of sales +15.3% yoy, vs. +20.5% yoy in December).

Floor area under construction: +1.5% yoy in January to February, vs. +3.0% yoy in December.

New starts: +2.9% yoy in January to February, vs. +8.6% yoy in December.

Real estate investment: +9.9% yoy in January to February, vs. +1.9% yoy in December.

Agenda:O destaque do dia ficará por conta do Retail Sales e do PPI nos EUA.

Visão & Posição:

Com a volatilidade implícita das moedas nos “pisos” recentes, adicionamos no início da semana exposição via opções na posição comprada em EUR, cujo o risco/retorno nos parece bastante atraente com a vol implícita abaixo de 7%.

Voltamos a reduzir nossa exposição em bolsa no Brasil ao longo da terça-feira, mas mantivemos a posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção, após os dados do mercado de trabalho nos EUA. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidades, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Reestruturamos esta operação no início da semana.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico.




Data: 13/03/2018

A espera do Core CPI nos EUA

 

As últimas 24 horas trouxeram poucas informações novas ao cenário econômico global. Os ativos de risco, no geral, recuperaram grande parte das perdas verificadas em fevereiro nas últimas semanas, e observamos a normalização de vários indicadores de mercado, como as volatilidade implícitas. 

 

Acredito que estamos passando por um momento de calmaria, mas que o cenário do ano será permeado por uma volatilidade média mais elevada do que nos últimos 2 anos. Viveremos momentos de maior calmaria como o recente, mas teremos que conviver com períodos de maior incerteza como em fevereiro. Este cenário permanecerá enquanto o crescimento global estiver robusto, mas a inflação ascendente. Está dinâmica mudará, para alguns dos lados, caso um desses vetores arrefeça, e acabe levando o mercado a uma direção mais clara.

 

Enquanto isso, continuo favorecendo posições mais neutras no direcional e a utilização de instrumentos que defendam o portfólio de “riscos de cauda” ou de mudança abrupta de cenário. 

 

Todas as atenções estarão voltadas hoje para a divulgação do Core CPI nos EUA. 

 

Acredito que um número abaixo de 0,2% MoM poderá dar ímpeto a um movimento adicional de “Risk-On”, em um pano de fundo de “Goldilocks”. Um número acima de 0,3% MoM irá trazer de volta o debate em torno do momento do ciclo econômico nos EUA, levando a uma rodada de alta de juros e pressão nos ativos de risco, com o ambiente de “Goldilocks” sendo mais uma vez questionado e um movimento de “Risk-Off” podendo imperar no curto-prazo. 

 

No Brasil, o BCB vem sinalizando para mais um corte de 25bps na Taxa Selic, para 6,50%, após as surpresas positivas recentes no âmbito inflacionário. Este cenário já está incorporado (precificado) na curva curta de juros. 

 

Dados Econômicos: 

 

A segunda-feira não apresentou nenhuma divulgação relevante de dados econômicos. No Brasil, a pesquisa Focus do BCB mostrou mais um recuou nas expectativas de inflação para 2019, o que tem ajudado a manter ancorada a curva de juros do país. 

 

Agenda: 

 

O destaque do dia ficará por conta do Core CPI nos EUA (comentários na primeira seção deste texto). 

 

Visão & Posição: 

 

Com a volatilidade implícita das moedas nos “pisos” recentes, adicionamos exposição via opções na posição comprada em EUR, cujo o risco/retorno nos parece bastante atraente com a vol implícita abaixo de 7%. 

 

Na sexta-feira, elevamos marginalmente nossa exposição à bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção, após os dados do mercado de trabalho nos EUA. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções. 

 

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções. 

 

- Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. 

 

- Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. Após meses bastante positivo em janeiro e fevereiro, essas posições estão “sofrendo” nos últimos dias. Da forma que foram estruturadas, eles estão “organicamente” perdendo relevância no portfólio. Por ora, não estamos adicionando a essas posições. 

 

- Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Após o movimento recente, a posições foi substancialmente reduzida. 

 

- No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. 

 

- Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico e voltamos a ter alguma exposição comprada em Ibovespa através do mercado de opções. 




Data: 12/03/2018

Goldilocks for now, watching US Core CPI.

 

O final de semana não trouxe novidades ao cenário econômico global. Neste ambiente, os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento verificado na sexta-feira, com destaque para a alta das bolsas globais, uma leve abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido e um dólar e commodities mais mistas. 

 

Os dados do mercado de trabalho de fevereiro, nos EUA, concentraram as atenções da sexta-feira. De maneira geral (e resumida), os números divulgados mostraram um mercado de trabalho forte e robusto, com a economia já muito próxima (ou tendo ultrapassado) o pleno emprego. 

 

Os números mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho, uma taxa de desemprego baixa, que só não recuou novamente devido a uma alta não desprezível da taxa de participação, mas rendimentos (pressões inflacionárias provenientes do mercado de trabalho) mais baixos do que as expectativas. 

 

De maneira geral, este quadro costuma caracterizar um cenário bastante positivo para os ativos de risco. Contudo, acredito que precisamos tomar cuidado com interpretações de curto-prazo nesta fase do ciclo econômico. 

 

Os números de fevereiro reduzem os riscos, ou a percepção, de que o Fed esteja atrasado no processo de normalização monetária. Dito de outra forma, o número reforça a necessidade de continuidade do ajuste na política monetária dos EUA, com cerca de 4 altas de juros este ano, e um processo relativamente “automático” (já anunciado) de redução do balanço do Fed, mas reduz a probabilidade, pelo menos no curto-prazo, de um “erro de política monetária”. 

 

Este pano de fundo pode favorecer no curto-prazo ativos que sofreram ao longo de fevereiro, como os ativos emergentes e as bolsas globais. Contudo, o cenário permanecerá bastante sensível aos dados de inflação, emprego e renda. Já nesta semana teremos a divulgação do Core CPI nos EUA. 

 

No Brasil, IPCA de fevereiro ficou dentro das expectativas do mercado no Brasil. O qualitativo do indicador mostra uma inflação baixa e comportada. Os números recentes corroboram um cenário de mais uma queda na Taxa Selic para 6,5% e juros mais baixos por mais tempo no país. Continuamos a ver as taxas longas como excessivamente elevadas no Brasil. 

 

O mercado de juros locais tem se mostrado muito bem comportado ao longo do ano, muito em conta da robustez do cenário de baixa inflação. O BRL e o Ibovespa tem apresentando alguma volatilidade maior, muito em conta do cenário externo. Neste estágio do ciclo, e nos atuais níveis de preço, preferimos posições em ações específicas, cuja precificação ainda se mostra atrativa, e continuamos a ver o BRL em um grande “range” entre 3,10-3,35 ao longo no horizonte relevante de tempo. 

 

Dados Econômicos: 

 

A segunda-feira não apresentou nenhuma divulgação relevante de dados econômicos. 

 

Agenda: 

 

O dia será de agenda relativamente esvaziada. As atenções estarão centradas no Core CPI, nos EUA, amanhã. Acredito que um número abaixo de 0,2% MoM poderá dar ímpeto a um movimento adicional de “Risk-On” em um pano de fundo de “Goldilocks”. Um número acima de 0,3% MoM irá trazer de volta o debate em torno do momento do ciclo econômico nos EUA, levando a uma rodada de alta de juros e pressão nos ativos de risco, com o ambiente de “Goldilocks” sendo mais uma vez questionado e um movimento de “Risk-Off” podendo imperar no curto-prazo. 

 

Visão & Posição: 

 

Diante do exposto acima, elevamos marginalmente nossa exposição sà bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções. 

 

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções. 

 

- Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva. 

 

- Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. Após meses bastante positivo em janeiro e fevereiro, essas posições estão “sofrendo” nos últimos dias. Da forma que foram estruturadas, eles estão “organicamente” perdendo relevância no portfólio. Por ora, não estamos adicionando a essas posições. 

 

- Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Após o movimento recente, a posições foi substancialmente reduzida. 

 

- No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B. 

 

- Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico e voltamos a ter alguma exposição comprada em Ibovespa através do mercado de opções. 




Data: 09/03/2018

Goldilocks, for now...

 

Mercados & Cenário:

Os dados do mercado de trabalho de fevereiro, nos EUA, concentraram as atenções do dia. De maneira geral (e resumida), os números divulgados hoje mostraram um mercado de trabalho forte e robusto, com a economia já muito próxima (ou tendo ultrapassado) o pleno emprego.

Os números mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho, uma taxa de desemprego baixa, que só não recuou novamente devido a uma alta não desprezível da taxa de participação, mas rendimentos (pressões inflacionárias provenientes do mercado de trabalho) mais baixos do que as expectativas.

De maneira geral, este quadro costuma caracterizar um cenário bastante positivo para os ativos de risco. Contudo, acredito que precisamos tomar cuidado com interpretações de curto-prazo nesta fase do ciclo econômico.

Os números de hoje reduzem os riscos, ou a percepção, de que o Fed esteja atrasado no processo de normalização monetária. Dito de outra forma, o número de hoje reforça a necessidade de continuidade do ajuste na política monetária dos EUA, com cerca de 4 altas de juros este ano, e um processo relativamente “automático” (já anunciado) de redução do balanço do Fed, mas reduz a probabilidade, pelo menos no curto-prazo, de um “erro de política monetária”.

Este pano de fundo pode favorecer, no curto-prazo, ativos que sofreram ao longo de fevereiro, como os ativos emergentes e as bolsas globais. Contudo, o cenário permanecerá bastante sensível aos dados de inflação, emprego e renda. Já na semana que vem teremos a divulgação do Core CPI nos EUA.

O IPCA de fevereiro ficou dentro das expectativas do mercado no Brasil. O qualitativo do indicador mostra uma inflação baixa e comportada. Os números recentes corroboram um cenário de mais uma queda na Taxa Selic para 6,5% e juros mais baixos por mais tempo no país. Continuamos a ver as taxas longas como excessivamente elevadas.

Diante do exposto acima, elevamos marginalmente nossa exposição a bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.Diante do exposto acima, elevamos marginalmente nossa exposição a bolsa Brasil e iniciamos uma posição tática comprada em BRL (vendida em dólar), ambas através de estruturas de opção. Após o recuo recente das volatilidades implícitas de várias classes de ativos, vemos grandes oportunidade, e excelente risco/retornos, em posições no mercado de opções.

No geral, não alteramos a nossa percepção de que devemos manter um portfólio mais neutro, focado em posições e temas específicos. O ano deverá trazer oportunidades de alocações mais táticas e nossa visão de uma volatilidade média mais elevada deve favorecer o posicionamento, em momentos específicos, no mercado de opções.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante. Após meses bastante positivo em janeiro e fevereiro, essas posições estão “sofrendo” nos últimos dias. Da forma que foram estruturadas, eles estão “organicamente” perdendo relevância no portfólio. Por ora, não estamos adicionando a essas posições.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P. Após o movimento recente, a posições foi substancialmente reduzida.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico e voltamos a ter alguma exposição comprada em Ibovespa através do mercado de opções.




Data: 09/03/2018

 Dados de emprego nos EUA em foco.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco operam na expectativa dos dados de emprego de fevereiro nos EUA. Acredito que o foco deverá ficar por conta do Average Hourly Earnings, ou o rendimento dos trabalhadores, em um português mais simples. Caso o número venha mais forte do que o esperado, o mercado retornará a dinâmica de abertura de taxa de juros nos EUA e pressão nos ativos de risco, com o mercado interpretando que o Fed esteja “atrás da curva” nas altas de juros. Um número mais baixo poderá levar a um grande alívio dos ativos de risco e um rally mais acentuado de todos aqueles ativos que mais sofreram nas últimas semanas (EM, US Equities e afins).

No final da tarde de ontem, Trump assinou os termos de implementação das tarifas de importação sobre o Aço e o Alumínio, Trump deixou o México e o Canadá fora das tarifas, com o argumento de que irão buscar um acordo bilateral nas negociações do NAFTA. Esta postura ajudou a trazer alívio aos mercados financeiros globais. A despeito deste pano de fundo, Trump declarou que irá buscar “tarifas de reciprocidade” em breve, o que Poe caracterizar um passo importante e negativo nesta batalha comercial.

Não há novidades relevantes no Brasil. O destaque do dia ficará para o IPCA de fevereiro.

Dados Econômicos:

Na China, o CPI ficou acima das expectativas em fevereiro, com alta de 2,9% YoY. A despeito dos impactos pontuais do Ano Novo Lunar, a abertura do indicador mostrou um quadro de pressões inflacionárias no país. Este quadro justifica a manutenção de uma política monetária e fiscal mais apertadas ao logo deste ano. Os números de agregados monetários mostraram relativa estabilidade no mês de fevereiro.

Na Alemanha, a produção industrial de janeiro apresentou queda de 0,6% MoM, abaixo das expectativas de alta de 0,1% MoM. Os números recentes mostram uma desaceleração do crescimento do país. mas ainda em patamar saudável.

Agenda:

Destaque do dia para o ADP Employment nos EUA. Amanhã e sexta teremos a decisão do ECB na Europa e do BoJ no Japão.

Visão & Posição:

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico.




Data: 09/03/2018

Ajustes Técnicos.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco parecem estar passando por um momento de ajuste de posições. Se olharmos no detalhe, os movimentos recentes se mostram mais acentuados nos ativos cujas posições técnicas se mostram pouco saudáveis.

Por exemplo, vimos hoje uma forte queda do EUR, que é uma das maiores posições compradas do mercado. Tanto o Ibovespa quanto o BRL mostram desempenho pífio nos últimos 2 dias. Estes dois ativos são “top picks” de vários fundos locais, assim como recomendações relevantes de vários “sell-sides” de bancos estrangeiros. Finalmente, vemos uma acomodação das taxas de juros nos EUA, um ativo que mostra posição excessivamente “vendida” (tomada em taxas) segundo os números recentes.

O ECB trouxe pouca informação nova ao mercado. O Banco promoveu uma pequena alteração no seu comunicado, mas que era em parte esperada. Acredito que o movimento do EUR e do mercado de juros esteja mais intimamente ligado a posição técnica do que a uma mudança expressiva de cenário.

Os ativos no Brasil continuam seguindo o humor global a risco. A curva de juros vem se mostrando bem comportada, em muito ajudada pelo cenário benigno de inflação e por dados de atividade econômica mais fracos do que o esperado nas últimas semanas. O Ibovespa e o BRL estão seguindo o humor global a risco e, nos últimos dias, parecem estar sofrendo o efeito técnico comentado no início deste texto.

Dados econômicos:

Nos EUA, o Jobless Claims subiu de 210k para 231k na última semana. O nível do indicador ainda é compatível com um mercado de trabalho extremamente robusto. Não há mudança de cenário nesta direção.

Agenda:

Amanhã teremos a divulgação dos dados de mercado de trabalho nos EUA. Acredito que o foco deverá ficar por conta do Average Hourly Earnings, ou o rendimento dos trabalhadores em um português mais simples. Caso o número venha mais forte do que o esperado, o mercado retornará a dinâmica de abertura de taxa de juros nos EUA e pressão nos ativos de risco, com o mercado interpretando que o Fed esteja “atrás da curva” nas altas de juros. Um número mais baixo poderá levar a um grande alívio dos ativos de risco e um rally mais acentuado de todos aqueles ativos que mais sofreram nas últimas semanas (Em, US Equities e afins).

Visão & Posição:

Não alteramos de forma relevante nosso portfólio. Continuamos administrando apenas os tamanhos e os instrumentos das posições, mas com os temas de investimentos inalterados.

Nossa maior alocação continua a ser voltada para taxas de juros mais elevadas nos EUA. Preferimos a parte longa da curva.

Mantemos posições compradas em EUR e JPY, porém vendidas em AUD. As posições foram estruturadas de forma a ter perdas limitadas e alavancagem relevante.

Temos um pequeno hedge através de “puts” (opções de venda) de S&P.

No Brasil, seguimos com posição na parte longa da curva de NTN-B.

Estamos com uma pequena posição comprada em uma carteira de ações voltada para o mercado doméstico. 




Data: 07/03/2018

Risk-Off!

 

Mercados & Cenário:

No início da noite da ontem a mídia internacional reportou que Gary Cohn, o principal conselheiro econômico de Trump, visto como uma pessoa ponderada e liberal, estaria pedindo afastamento de suas funções. Se confirmado a notícia, seria um sinal de que Cohn perdeu a “queda de braço” em relação ao protecionismo que Trump  pretende colocar em prática e que não intenção do atual governo dos EUA de recuar nas medidas (tarifas) anunciadas na semana passada.

Os ativos de risco reagiram de maneira clássica, com um movimento de “risk-off”. Desde então, vimos alguma estabilização do humor global a risco, mas ainda há um senso de fragilidade nos mercados financeiros globais.

Este evento apenas reforço a minha visão mais cautelosa que vem sendo descrito neste fórum já desde fins de janeiros.

Acredito que os dados de crescimento global estejam dando suporte aos ativos de risco no curto-prazo. Como venho comentando nas últimas semanas, a despeito de sinais mais negativos, tais como pressões inflacionarias nos EUA, desaceleração da China, protecionismo dos EUA e afins (veja mais aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/), o crescimento global ainda garante algum suporte ao humor global a risco.

Eu reafirmo minha visão de que o momento seja de portfólios mais neutros, de utilização de instrumentos e estruturas que se defendam de “riscos de cauda” (ou riscos de stress) e pela busca de posições relativas. Como argumentei diversas vezes nos últimos meses, por exemplo, vejo as bolsas americanas operando “de lado”, com mais volatilidade, porém sem direção clara, como o S&P entre 2.550 e 2.850.

Nesta fase do ciclo econômico, assim como em 2007/2008 antes da crise imobiliária nos EUA, o mercado favoreceu e (deve favorecer agora) os ativos emergentes, que são percebidos como ativos com melhores fundamentos econômicos, uma posição técnica mais saudável e nível de preços e “valuations” mais atrativos. O mesmo vale para algumas commodities. Este ambiente, contudo, precisará ser reavaliado ao menor sinal de piora nas perspectivas de crescimento e/ou com evidências mais claras de inflação acima do esperado nos EUA ou no resto do mundo desenvolvido.

No Brasil, as coletas de inflação continuam apontando para um inflação corrente extremamente baixa. O mercado já migrou para uma expectativa de mais um corte de 25bps na Taxa Selic, para 6,5%. Os juros devem permanecer neste patamar (ou em torno dele) no horizonte relevante de tempo. Não há novidades relevantes no campo político. A candidatura de Lula parece cada vez mais difícil, Bolsonaro continua liderando as pesquisas de intenções de votos na ausência de Lula.

Dados Econômicos:

Na Austrália, o PIB do 4Q17 apresentou alta de 0,4% QoQ, abaixo das expectativas de o,5% QoQ. A despeito da surpresa, a abertura do indicador apresentou um quadro qualitativo relativamente positivo.

No Brasil, a produção industrial caiu um pouco mais que o esperado no mês de janeiro, (-2,4% MoM) mas não alterou o cenário de recuperação gradual do crescimento do país.

Agenda:

Destaque do dia para o ADP Employment nos EUA. Amanhã e sexta teremos a decisão do ECB na Europa e do BoJ no Japão.

Visão & Posição:

Aproveitamos o movimento recente para alongar a posição de NTNB no nosso portfólio local. Assim como o mercado, vemos uma probabilidade alta de mais um corte de 25bps na Taxa Selic. Nos atuais níveis de preço, acreditamos que a curva de juros esteja excessivamente inclinada e as maiores oportunidades estão na compressão dos prêmios da curva longa, visando uma taxa de juros mais baixa por mais tempo.

Adicionamos na semana passada uma posição comprada em EUR para compor o portfólio externo que já era comprado em JPY e vendido em AUD. Utilizamos o mercado de opções, onde vemos a volatilidade implícita em níveis atrativos.

O cenário de déficit fiscal e déficit nas contas externas deverá favorecer o enfraquecimento do dólar contra as moedas de países desenvolvidos. Os problemas domésticos na Austrália, aliados aos ruídos de uma política externa mais combativa do Governo Trump deveria favorecer o enfraquecimento do AUD.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 06/03/2018

Crescimento global positivo ainda sustenta humor global a risco.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco foram capazes de superar a retórica agressiva de Trump em relação a imposição de tarifas de importação para o Aço e o Alumínio, além de ignorarem um resultado marginalmente mais negativa nas eleições da Itália, e acabaram encerrando a segunda-feira em tom mais positivo.

Acredito que os dados de crescimento global estejam dando suporte ao ativos de risco. Como venho comentando nas últimas semanas, a despeito de sinais mais negativos, tais como pressões inflacionarias nos EUA, desaceleração da China, protecionismo dos EUA e afins (veja mais aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/), o crescimento global ainda garante algum suporte ao humor global a risco.

Eu reafirmo minha visão de que o momento seja de portfólios mais neutros, de utilização de instrumentos e estruturas que se defendam de “riscos de cauda” (ou riscos de stress) e pela busca de posições relativas. Como argumentei diversas vezes nos últimos meses, por exemplo, vejo as bolsas americanas operando “de lado”, com mais volatilidade, porém sem direção clara, como o S&P entre 2.550 e 2.850.

Nesta fase do ciclo econômico, assim como em 2007/2009 antes da crise imobiliária nos EUA, o mercado favoreceu e (deve favorecer agora) os ativos emergentes, que são percebidos como ativos com melhores fundamentos econômicos, uma posição técnica mais saudável e nível de preços e “valuations” mais atrativos. O mesmo vale para algumas commodities. Este ambiente só será , e precisará ser reavaliado, ao menor sinal de piora nas perspectivas de crescimento e/ou com evidências mais claras de inflação acima do esperado nos EUA ou no resto do mundo desenvolvido.

No Brasil, a grande supresa recente ficou pro conta da inflação corrente mais baixa do que o esperado, o que levou o mercado a precificar mais uma queda de 25bps na Taxa Selic para 6,5%. Esta probabilidade já gira em torno de 75%. Os indicadores recentes crescimento estão surpreendendo o mercado levemente na ponta negativa, mas ainda vejo um ambiente de recuperação gradual do crescimento do país.

Dados Econômicos:

Na Austrália, as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas do mercado, assim como a balança comercial. Contudo, os indicadores antecedentes do PIB acabaram levando a uma leve revisão altista para o número que será divulgado essa semana. De qualquer maneira, o RBA (banco central do país) manteve sua política monetária estável, dentro das expectativas do mercado.

Agenda:

A semana traz como destaque os dados de emprego nos EUA e a decisão do ECB na Europa. Hoje teremos a produção industrial no Brasil.

Visão & Posição: 

Aproveitamos o movimento recente para alongar a posição de NTNB no nosso portfólio local. Assim como o mercado, vemos uma probabilidade alta de mais um corte de 25bps na Taxa Selic. Nos atuais níveis de preço, acreditamos que a curva de juros esteja excessivamente inclinada e as maiores oportunidades estão na compressão dos prêmios da curva longa, visando uma taxa de juros mais baixa por mais tempo.

Adicionamos na semana passada uma posição comprada em EUR para compor o portfólio externo que já era comprado em JPY e vendido em AUD. Utilizamos o mercado de opções, onde vemos a volatilidade implícita em níveis atrativos.

O cenário de déficit fiscal e déficit nas contas externas deverá favorecer o enfraquecimento do dólar contra as moedas de países desenvolvidos. Os problemas domésticos na Austrália, aliados aos ruídos de uma política externa mais combativa do Governo Trump deveria favorecer o enfraquecimento do AUD.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.

 




Data: 05/03/2018

Eleição na Itália, Metas na China e baixa inflação no Brasil.

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom levemente negativo. A manutenção de uma retórica dura de Trump (nos EUA) em relação ao anuncio de medidas protecionistas e o resultado da eleição na Itália estão, neste momento, ditando o ritmo dos mercados financeiros globais.

Na Itália, uma vez mais, as pesquisas eleitorais falharam em antecipar um forte avanço de partidos populistas. O resultado é de certa forma negativo, mas não totalmente inesperado. O cenário base, a partir de agora, é para a tentativa de formação de um governo, o que deve perdurar por bastante tempo sem uma conclusão óbvia. O DB resumiu de forma clara a situação:

Yet again, opinion polls got it wrong. Five Star and Northern League came in significantly stronger than projected by opinion polls.

No party or formal coalition has a majority. Arithmetically, however, an anti-establisment/euroscepitc post-election alliance between Five Star and NL has an outright majority. The next few days will be important to understand if such a coalition can effectively be formed.

The focus will turn to the President of the Republic and the consultations he will undertake to form a government around end-March/early-April.

As long as the threat to euro membership remains absent, an accumulation of factors is required to create real fear about debt sustainability. It will take time to accumulate these factors.

Na China, o Governo anunciou uma meta de crescimento “em torno de 6,5%”, mas adotou um discurso mais duro em relação ao déficit fiscal. O anunciou confirma uma maior disposição em lidar com problemas, ou excessos, em setores específicos da economia, nem que isso incorra em um menor crescimento no curto-prazo.

No Brasil, o grande destaque recente está por conta das surpresas baixistas na inflação. Este pano de fundo levou o mercado a reavaliar a probabilidade de mais uma queda de 25bps na Taxa Selic, para 6,5%, hoje precificada com chances superiores a 60%. Este ambiente tem permitido que os ativos locais, especialmente o mercado de juros e câmbio, apresente desempenho relativo melhor que os seus pares globais.




Data: 05/03/2018

Trade War and Italian Election.

 

Mercados & Cenário:

A mídia internacional voltou o seu foco no final de semana para os eventos recentes nos EUA, em especial para as declarações de Trump de que irá impor tarifas elevadas de importação para o Aço e o Alumínio. Comentei isso na semana passada e reafirmo minha visão (mais detalhes abaixo/ https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/03/trade-war.html).

A China, por ora, está adotando um tom mais conciliador, buscando o diálogo e evitando um conflito retórico mais duro (https://www.ft.com/content/db0106f8-1f7f-11e8-a895-1ba1f72c2c11). Se isso mudar, a situação pode ficar um tanto quanto mais complicada e negativa. A Europa e o Canadá adotaram um tom retórico mais duro, mas parecem ter um poder de barganha menor do que a China.

Na Alemanha, Merkel conseguiu o apoio de coalização para mais um governo, o que era de certa forma esperado e reduz um “risco de cauda” do cenário europeu. As eleições na Itália estão acontecendo neste momento e a apuração de votos terá início às 19h00 no horário de Brasília.

No Brasil, o Estadão traz notícia de que O MDB do atual presidente Michel Temer poderia apoiar Henrique Meirelles, atual Ministro da Fazenda, para vice-presidente da chapa de Geraldo Alckmin, do PSDB, nas eleições de outubro. Por ora, são apenas rumores. Se confirmado, daria a chapa de Alckmin muito tempo de TV e mídia, bastante exposição, além de toda a “maquina” do governo a seu favor, o que nesta eleição, em especial, poderá ter um enorme impacto no resultado oficial.

Voltando ao tema do início deste texto, estamos convivendo com uma economia no pleno emprego nos EUA (o Jobless Claims divulgado na última semana não deixa dúvida disso) e com o hiato do produto fechado (as pressões inflacionárias são cada vez mais evidentes). Neste pano de fundo, o Governo Americano aprovou uma Reforma Tributária em que reduziu substancialmente os impostos e levará a um aumento expressivo do déficit fiscal. As contas externas já apresentam um quadro de déficits elevados. Para encerrar este ambiente, o Governo ainda estuda um Pacote de Infraestrutura, o afrouxamento da regulação bancária visando o estímulo ao crédito e, agora, começa a adotar medidas protecionistas, visando o estímulo à economia doméstica.

De maneira geral, este pano de fundo costuma não chegar a um destino positivo. O protecionismo recente costuma trazer menos crescimento e mais inflação, um “coquetel” que costuma ser muito negativo para os ativos de risco.

Levando em conta o ponto de partida de preços, valuations e posição técnica, além do pano de fundo econômico, a cofirmação do cenário descrito acima pode levar uma depreciação conjunta dos ativos dos EUA, com o dólar (USD), as bolsas e os títulos de dívida (bonds)do país em queda.

Este cenário descrito acima deverá centralizar o debate de curto-prazo. De maneira geral, contudo, como o crescimento global continua robusto e saudável, ainda fica difícil de vislumbrar um movimento mais consolidadamente negativo para os ativos de risco. Caso este vetor mude (para menor crescimento) o cenário poderá se tornar um tanto quanto complicado (negativo). Por isso, continuo favorecendo um portfólio mais neutro no curto-prazo, mas observando atentamente a evolução dos demais vetores econômicos. Estou me tornando cada vez mais angustiado com as evidências recentes.

Nosso portfólio (mais detalhes abaixo) já estava preparado para este ambiente e estamos apenas ajustando ativamente os instrumentos e tamanhos das posições. Além da compra de JPY e venda de AUD adicionamos uma compra de EUR no portfólio. Seguimos taticamente vendidos em S&P e estruturalmente tomados em juros. No Brasil, nosso portfólio está concentrado em NTN-Bs mais longas e com um portfólio de ações mais voltado para a economia doméstica.

Agenda:

As eleições na Itália terão um desfecho nesta madrugada. A semana traz como destaque os dados de emprego nos EUA.




Data: 02/03/2018

Trade War!

 

Mercados & Cenário:

Os ativos de risco reagiram de forma negativa ao anuncido feito por Trump ontem de que irá impor tarifas elevadas de importações para produtos como Aço e Alumínio. Se confirmada, as declarações de Trump irão delinear um cenário extremamente complicado e perigoso para a economia dos EUA.

Estaremos convivendo com uma economia no pleno emprego (o Jobless Claims divulgado ontem não deixa dúvida disso), com o hiato do produto fechado (as pressões inflacionárias são cada vez mais evidentes). Neste pano de fundo, o Governo Americano aprovou uma Reforma Tributária em que reduziu substancialmente os impostos e levará a um aumento expressivo do déficit fiscal e a um aumento do déficit em conta corrente. Para encerrar este ambiente, o Governo ainda estuda um Pacote de Infraestrutura, o afrouxamento da regulação bancária visando o estímulo ao crédito e, agora, começa a adotar medidas protecionistas, visando o estímulo a economia doméstica.

De maneira geral, este pano de fundo costuma não chegar em um destino positivo. Como já comentei neste fórum no passado, Trump parece estar seguindo a mesma cartilha adotada nos dois Governos de Dilma no Brasil. Nós, como Brasileiros, devemos saber onde isso chegou.

Nosso portfólio (mais detalhes abaixo) já estava preparado para este ambiente, e estamos apenas ajustando ativamente os instrumentos e tamanhos das posições. Além da compra de JPY e venda de AUD adicionamos uma compra de EUR no portfólio. Seguimos taticamente vendidos em S&P e estruturalmente tomados em juros.

No Japão, o BoJ declarou que pode começar um processo de normalização monetária no ano fiscal de 2019, o que está dando suporte ao JPY neste momento. Além disso, vimos a divulgação de dados extremamente robustos do mercado de trabalho, com a Taxa de Desemprego caindo de 2,8% para 2,4%, muito abaixo das expectativas. Os números de inflação da região de Tókio também surpreenderam para cima o consenso do mercado.

O Brasil continua seguindo o humor global a risco, mas o cenário cíclico mais positivo está ajudando com que o “beta” dos movimentos seja muito menor do que no passado.

Agenda:

A agenda do dia será relativamente esvaziada. No final de semana, as eleições na Itália serão o foco do mercado. Hoje, o consenso aponta para um resultado misto, que não traria grandes mudanças no quadro político do país. O risco fica por conta do crescimento dos partidos radicais, que poderiam formar um bloco de controle maior e dominar o país. As consequências para os ativos de risco poderiam ser desastrosas no curto-prazo.

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais:

No Brasil, o pIB do 4Q17 ficou abaixo das expectativas do mercado, com crescimento de 0,1% QoQ. A despeito da surpresa negativa, o número não latera o cenário de uma recuperação gradual do crescimento do país.

Nos EUA, O ISM Manufacturing atingiu um novo pico para este ciclo econômico, com uma abertura da mesma forma positiva. A despeito das surpresas recentes em alguns indicadores, os sinais são de uma economia que ainda cresce a taxas robustas.

O Jobless Claims caiu ao menor nível desde 1969. O número mostra um mercado de trabalho em ebulição, no pleno emprego.

Visão:

Adicionamos uma posição comprada em EUR para compor o portfólio externo que já era comprado em JPY e vendido em AUD. Utilizamos o mercado de opções, onde vemos a volatilidade implícita em níveis atrativos.

O cenário de déficit fiscal e déficit nas contas externas deverá favorecer o enfraquecimento do dólar contra as moedas de países desenvolvidos. Os problemas domésticos na Austrália, aliados aos ruídos de um política externa mais combativa do Governo Trump deveria favorecer o enfraquecimento do AUD.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 01/03/2018

Watching Global Growth..

 

O destaque da manhã fica por conta do fechamento de taxas das Treasuries e dos demais países desenvolvidos na Europa. As commodities operam em queda. O movimento é uma continuidade daquele verificado ao longo da quarta-feira. O AUD também opera pressionado, após dados de “capex”/investimentos abaixo das expectativas do mercado. 

 

Nas últimas semanas observamos sinais de acomodação do crescimento global. Até o momento, vejo este movimento como natural neste estágio do ciclo econômico. Contudo, a queda recente do PMI Manufacturing na China acendeu um sinal amarelo no meu cenário e merecerá atenção nos próximos dias/semanas.

 

Com muitos ativos de risco ainda em níveis de “valuations” pouco atrativos (ou menos triviais), sinais mais concretos ou coordenados de desaceleração global não seriam bem recebidos pelos mercados. Por ora, reforço que este ainda é um cenário alternativo. A desaceleração ainda me parece pontual e normal para este estágio do ciclo econômico. Os indicadores continuam em níveis sólidos e condizentes com um crescimento global saudável. Contudo, por vezes, o mercado pode reagir, mesmo que pontualmente, a variações no “delta”, na margem, do crescimento. 

 

Mantenho uma visão mais cautelosa no curto-prazo no tocante aos ativos de risco, mas com a consciência de que a divulgação do Core PCE nos EUA pode dar o tom da dinâmica dos mercados financeiros globais nos próximos dias. O mercado já espera uma alta de 0,3% MoM, que é considerada elevada para os padrões históricos do indicador. 

 

Ontem comentei de maneira mais detalhada sobre os últimos acontecimentos no mercado de renda fixa dos EUA, que merecem atenção nos próximos dias, como eventuais oportunidades, ou como sinalização de um cenário mais desafiador pela frente. Vejam mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/us-fixed-income-in-focus.html. 

 

Agenda: 

A agenda de amanhã traz O PIB do Brasil como destaque local. Nos EUA teremos o Core PCE e o ISM Manufacturing como foco do dia. 

 

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais: 

Na Coréia do Sul, as exportações dos primeiros 20 dias de fevereiro mostram um quadro de relativa estabilidade do crescimento do país. As exportações da Coréia são vistas como uma “proxy”, ou um termômetro, da economia global, dado a corrente de comércio elevada do país e as características da economia coreana. Segundo a Goldman Sachs: 

"February headline exports slowed to 4.0% yoy, down from 22.3% yoy in the previous month, but better than consensus expectations of 0.5% and our above-consensus forecast of 1.5%, on acceleration in exports towards end of the month following the Lunar New Year holidays. Sequential momentum weakened to -0.8% mom sa, the first sequential decline since Oct 2017, but the 3m/3m momentum improved to +1.6% from a marginal decline of -0.3% in the previous month. Imports moderated to 14.8% yoy, narrowing the trade surplus slightly to US$3.3bn. 

 

Na Austrália, os números de “capex”/investimentos ficaram abaixo das expectativas do mercado. A economia do país mostra um desempenho claramente inferior aos seus pares nesta fase do ciclo econômico, o que vem permitindo que o RBA mantenha uma política monetária mais frouxa por mais tempo. Segundo o Citibank: 

 

"Private sector capital expenditure fell by 0.2% in Q4, below the market consensus estimate and Citi’s 1.0% forecast. On a yearly basis, capex growth actually accelerated to 4.0% but only because of a weaker base effect from falling capex in Q4 2016. Mining capex returned to quarterly negative growth, falling by 4.7% while other selected industries (services and construction) posted a fifth consecutive gain, increasing by 1.7% (Figure 2 again). Manufacturing rose 2.6%. In total non-mining capex increased by 1.7%, but this is below the average for all other quarters in 2017 of 2.7%. 

 

Capex gains was across fewer industries and states. Chain volume data for the detailed industry breakdown isn’t available, but current price data showed capex gains concentrated in only a few services sectors such as utilities, finance and insurance, real estate and transport, postal and warehousing. Falls were recorded in wholesale and retail trade, construction, IT and telcos, professional, scientific and technical services and other selected services. In addition, there was a geographical narrowing of capex gains to NSW, VIC and QLD. SA, WA and TAS actual chain volume capex spending eased in Q4." 

 

Visão: 

 

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum. 

 

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”. 

 

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo). 

 

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra. 

 

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

 

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.   




Data: 28/02/2018

US Fixed Income in Focus!

Mercados & Comentários:

Neste momento, os ativos de risco demonstram sinais de fragilidade. Continuo com um viés um pouco mais negativo no curto-prazo, pelos motivos já citados neste fórum nos últimos dias. Minha visão central continua a ser de manutenção de um portfólio mais neutro (mais detalhes abaixo, na última seção deste texto).

No Brasil dois eventos merecem destaque. Primeiro, o Instituto de Pesquisa Paraná divulgou uma pesquisa para Presidente da República no Estado de São Paulo. A pesquisa mostrou uma competitividade grande, especialmente entre Bolsonaro e Alckmin. Continuo acreditando que estamos muito distantes das eleições para este tipo de pesquisa fazer preço no mercado. Contudo, quanto mais perto chegamos do pleito, mais importante esses eventos se tornarão. Vejo a pesquisa de hoje como positiva, pois mostra uma competitividade grande de candidatos que são considerados menos traumáticos para o cenário econômico pós eleições, mesmo sabendo de todos os riscos existentes e as incertezas do plano econômico de muitos desses nomes.

Segundo, o Credit Suisse soltou um relatório dando um “downgrade” no mercado de renda variável no Brasil. O relatório parece estar afetando pontualmente o humor para a bolsa local.

Nos EUA, continuando o que escrevi aqui mais cedo em torno do mercado de “Money Market” no país (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/lower-china-pmi-watch-out-for-libor-ois.html), vale destacar que vimos mais uma rodada de abertura de taxas e spreads dos instrumentos de renda fixa com curta “duration” ao longo do dia, e mais uma abertura do LIBOR-OIS.

A despeito deste indicador ter sido um sintoma bastante negativo na crise de 2008, muitos afirmam que, neste momento, a abertura deste spread está mais ligada a uma questão técnica de aumento da oferta de “T-bills”, em um momento de demanda cadente, do que propriamente um sinal mais desastroso ou negativo para os mercados financeiros globais. De qualquer maneira, é um sinal que precisa ser monitorado.

Além deste efeito, diante do cenário atual de normalização monetária nos EUA, com alta dos Fed Funds e redução do balanço de Fed, alguns outros efeitos secundários também são sentidos no mercado de renda fixa dos EUA.

Um desses efeitos é o aumento do custo de hedge dos “Corporate Bonds” americanos para investidores do Japão e da Europa, grandes compradores destes papéis nos últimos anos. Essa mudança de cenário pode trazer grandes movimentos e transformações em um mercado extremamente expressivo para os ativos de risco.

Por ora, esses movimentos estão sendo ordenados, mas precisamos monitora-los atentamente, pois é um mercado de mais de US$4 trilhões, que pode ter impacto significativo nos demais ativos de risco.

Os artigos abaixo, o primeiro do Financial Times e o segundo da PIMCO, falam um pouco sobre o que está ocorrendo no mercado de renda fixa dos EUA de maneira mais didática:

https://www.ft.com/content/112b115e-1618-11e8-9e9c-25c814761640

https://blog.pimco.com/en/2018/02/tapping-yield-at-the-front-end-of-the-curve

Dados econômicos:

No Brasil, a Taxa de Desemprego subiu de 11,8% para 12,2% em janeiro, acima das expectativas de 12,0%. Mesmo o número dessazonalizado apresentou alta na mesma magnitude. Observamos alguma acomodação nos dados de rendimentos. De maneira geral, o número de hoje me parece apenas uma acomodação do emprego, e não uma mudança de tendência positiva.

Nos EUA, as revisões do PIB do 4Q18 não trouxeram informações relevantes novas. O Chicago PMI caiu de 65,7 para 61,9 pontos, abaixo das expectativas de 64,1. A despeito da queda, o número continua em patamar elevado e consistente com um crescimento robusto e saudável da economia.

O Consumer Confidence, por sua vez, subiu de 124,3 para 130,8 pontos, acima das expectativas de 126,5. A abertura do indicador também foi bastante positiva, com o sub-indice de emprego atingindo o maior patamar em vários anos.

Agenda:

A agenda de amanhã traz O PIB do Brasil como destaque local. Nos EUA teremos o Core PCE e o ISM Manufacturing como foco do dia.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como o discurso de Powell hoje, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, manterei uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos à posição comprada em JPY.




Data: 28/02/2018

Lower China PMI/ Watch out for LIBOR-OIS Spread!

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento (6h00 de Brasília). Vejo os mercados financeiros globais ainda bastante sensíveis às taxas de juros no mundo desenvolvido e, em especial, as taxas das Treasuries nos EUA. Assim, vejo espaço para novos movimentos de “risk-off” no curto-prazo. De qualquer maneira, mantenho um portfólio mais neutro e uma postura mais tática (detalhes abaixo), ou seja, administrando ativamente os tamanhos e os instrumentos do portfólio.

A noite trouxe dados econômicos apontando para certo “speed bump” na economia global (ver detalhes abaixo) com um PMI Manufacturing abaixo das expectativas na China e dados de produção industrial e vendas no varejo em queda no Japão.

Nas últimas semanas começou a chamar à atenção dos mercados externos a abertura de spreads entre a LIBOR-OIS. Este é indicador que ficou bastante famoso na crise de 2008 e costuma medir a liquidez do mercado bancário dos EUA e a percepção do risco bancário do mesmo.

A LIBOR é um indicador de retorno das “taxas bancáris” para “empréstimos” no “overnight” (de um dia para outro). A OIS é a taxa de um swap de mesmo vencimento (“duration”), mas que não apresenta o risco bancário e não apresenta transferência do montante total dos recursos. Por ser um derivativo, o OIS necessita apenas de ajustes diários de margem. Assim a diferença entre as duas e vista como um indicador da percepção do mercado em relação aos riscos do mercado bancário e da liquidez deste mercado.

A recente abertura deste spread não tem, ainda, uma explicação concreta, mas está chamando a atenção dos investidores e merece alguma atenção nos próximos dias.

Agenda:

A agenda de hoje traz o Chicago PMI como destaque nos EUA e a Taxa de Desemprego no Brasil como destaque.

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais:

Na China, o Manufacturing PMI recuou de 51,3 para 50,3 pontos em janeiro, abaixo das expectativas de relativa estabilidade. O Ano Novo Lunar pode ter afetado negativamente o indicador de forma pontual. Ainda parece cedo para conclusões mais concreta em torno deste indicador, mas eu diria que a queda está em linha com um cenário de desaceleração gradual da economia chinesa ao longo deste ano. O risco continua a ser de uma desaceleração mais acentuada e inesperada pelo mercado.

No Japão, a produção industrial e as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas. O mesmo efeito do Ano Novo Lunar chinês citado acima pode ter tido impacto negativo nestes indicadores. Os dados econômicos do país costum ser bastante voláteis e qualquer conclusão, neste momento, me parece precipitada.

Na França, o CPI ficou abaixo das expectativas reduzindo, em grande parte, os riscos do CPI fechado da Área do Euro surpreender positivamente (para cima) nas próximas horas.

Visão:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 27/02/2018

A new hawkish sheriff in town?

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco estão tendo um dia de “risk-off” clássico, após o discurso de Powell – novo presidente do Fed – ao Congresso americano ser lido como mais hawkish do que as expectativas. Neste momento, vemos uma queda nas bolsas e nas commodidites, um dólar mais forte no mundo e uma abertura das taxas de juros nos EUA. Os ativos no Brasil continuam seguindo o humor global a risco, mas vem demonstrando um “beta” menor, de certa forma “blindados” pelos fundamentos cíclicos mais positivos.

Powell descreveu um cenário bastante positivo, com riscos (em sua maioria) na direção da necessidade de mais altas de juros. Como os ativos de risco estão bastante sensíveis as taxas de juros nos EUA, a alta nas taxas acabou dando ímpeto a um movimento de realização de lucros nos ativos de risco após a recuperação verificada nas últimas duas semanas.

O movimento de hoje, liderado pelas declarações de Powell, apenas confirmam nosso cenário base de um mercado mais volátil e da necessidade de uma postura mais tática, de um portfólio mais neutro e da utilização de instrumentos que mitiguem riscos de cauda.

Dados econômicos:

No Brasil, destaque para o superávit fiscal primário de R$31,1bi em janeiro, muito superior as expectativas de R$23bi. O número reforça a minha visão de que até mesmo o quadro fiscal, o grande problema do país no longo-prazo, será favorecido pela recuperação cíclica da economia, com mais crescimento, melhora do emprego, inflação e juros mais baixos.

Nos EUA, o Durable Goods Orders ficou abaixo das expectativas. O número de soma a uma sequência de dados um pouco mais fracos divulgados nas últimas semanas. Vejo este processo de acomodação como natural nesta fase do ciclo econômico. Ainda não vejo motivos para alterar o cenário de um crescimento ainda saudável da economia este ano.

O Consumer Confidence, por sua vez, subiu de 124,3 para 130,8 pontos, acima das expectativas de 126,5. A abertura do indicador também foi bastante positiva, com o sub-indice de emprego atingindo o maior patamar em vários anos.

Agenda:

A agenda de amanhã traz o Chicago PMI como destaque nos EUA e a Taxa de Desemprego no Brasil como destaque.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como o discurso de Powell hoje, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, manterei uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos à posição comprada em JPY.




Data: 27/02/2018

[Update] All eyes on Fed Chair Powell.

Mercados & Comentários:

Na expectativa do discurso de Powell, novo presidente do Fed, ao Congresso nos EUA, os ativos de risco estão abrindo a terça-feira em tom um pouco mais misto. Neste momento (6h00 de Brasília) vemos uma leve queda das bolsas, um dólar e commodities mais mistas e uma pequena abertura das taxas de juros nos EUA e demais países desenvolvidos.

A noite foi relativamente esvaziada em termos de dados econômicos. Além de Powell, a agenda trará Durable Goods e Consumer Confidence.

No Brasil, a mídia continua focada em um cenário eleitoral que pouca informação nova e concreta trouxe para a dinâmica dos mercados locais nas últimas semanas, exceto pela condenação de Lula em segunda instância. O cenário econômico segue ciclicamente bastante positivo.

Os ativos de risco estão apresentando mais um dia de bom desempenho, de maneira geral. Para não soar repetitivo, minha visão de curto e longo-prazo foi descrita em mais detalhes nos últimos dias e pode ser lida aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/updated.html.

Em termos gerais, a estabilização das Treasuries nos EUA abaixo de 2,9% parece estar dando um alento aos mercados financeiros, em um pano de fundo de crescimento global ainda robusto e a despeito dos sinais cada vez mais claros de um “renascimento” das pressões inflacionárias nos EUA.

Passado o ajuste técnico dos ativos de risco na primeira quinzena de fevereiro, o mercado parece mais balanceado. Uma nova rodada de deterioração irá demandar novos sinais inflacionários no mundo desenvolvido, especialmente nos EUA. Enquanto isso, o mercado sinaliza que há demanda e disposição pela busca por ativos com posição técnica saudável, “valuations” atrativos e fundamentos sólidos. Neste contexto, os ativos emergentes já viraram consenso entre os sell-sides e muitos buy-sides. Em algum momento, isso pode ser uma restrição a apreciações adicionais. Por ora, “the trend (and the flow) is your friend...”.

O Brasil vem se beneficiando deste pano de fundo e ainda é impulsionado por um cenário econômico local bastante positivo. O destaque do dia ficou por conta do “bull  flattening” da curva de juros, em linha com nosso comentário no final da semana passada (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brazilian-rates.html).

Dados econômicos:

No Brasil, destaque para as contas externas. A conta corrente apresentou déficit inferior as expectativas (US$4,3bi vs US$5bi esperados) com surpresa positiva do FDI (US$6,5bi vs expectativas de US$3,8bi). Acho válido chamar a atenção para o forte fluxo na conta capital, com entrada superior a US$10bi em renda fixa e renda variável. O fluxo é elevado inclusive para a sazonalidade deste período do ano (janeiro).

Os números de hoje confirmam nossa visão de contas externas saudáveis e poucos riscos nesta frente. De qualquer maneira, o BRL deverá continuar seguindo o humor global a risco. Tenho um viés mais positivo com o BRL neste estágio e próximo a 3,25, mas mantenho a visão de que ele deverá permanecer em uma banda entre 3,10 e 3,30 no horizonte relevante de tempo.

A arrecadação de janeiro também surpreendeu as expectativas positivamente, reforçando o cenário base de que até mesmo o quadro fiscal, o grande problema do país no longo-prazo, será favorecido pela recuperação cíclica da economia, com mais crescimento, melhora do emprego, inflação e juros mais baixos.

Agenda:

O destaque da agenda de amanhã ficará por conta da apresentação de Powell, novo presidente do Fed, ao Congresso americano. Powell falará em nome do Comitê. Assim, deverá reforçar a visão de que a política monetária deverá seguir na direção de normalização. Devemos esperar mais altas de juros e a continuidade do balanço do Fed. Powell deverá mostrar um tom mais otimista em relação a recuperação da economia e pode dar algum sinal mais forte de sua visão em relação ao potencial impacto da Reforma Tributária. Qualquer sinalização muito diferente desta poderá ter impacto imediato e relevante nos mercados.

A curva de juros nos EUA precifica probabilidade em torno de 90% de mais uma alta de 25bps nos Fed Funds em março. A curva precifica cerca de 2,5 altas de 25bps este ano, mas poucas altas em 2019. Ainda me parece haver espaço para ajustes nesta frente (juros mais altos) ao longo do ano e conforme o cenário de crescimento sólido e inflação ascendente for se confirmando.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 27/02/2018

DM Inflation and Yields in Focus! Spain Inflation higher...

A inflação na Espanha ficou acima das expectativas em janeiro (vide abaixo). A Alemanha divulga o seu número fechado em breve. 

Os mercados financeiros globais mostraram estabilização nas últimas duas semanas após a estabilização das taxas de juros nos EUA. Números mais fortes de inflação poderiam trazer de volta a tona o debate do "reflation" no mundo, com um "spike" nos "yields" podendo afetar o humor global a risco.

É por isso que continuo com um cenário mais cauteloso e um portfólio mais neutro.




Data: 26/02/2018

All eyes on Fed Chair Powell.

Mercados & Comentários:

Os ativos de risco estão apresentando mais um dia de bom desempenho, de maneira geral. Para não soar repetitivo, minha visão de curto e longo-prazo foi descrita em mais detalhes nos últimos dias e pode ser lida aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/updated.html.

Em termos gerais, a estabilização das Treasuries nos EUA abaixo de 2,9% parece estar dando um alento aos mercados financeiros, em um pano de fundo de crescimento global ainda robusto e a despeito dos sinais cada vez mais claros de um “renascimento” das pressões inflacionárias nos EUA.

Passado o ajuste técnico dos ativos de risco na primeira quinzena de fevereiro, o mercado parece mais balanceado. Uma nova rodada de deterioração irá demandar novos sinais inflacionários no mundo desenvolvido, especialmente nos EUA. Enquanto isso, o mercado sinaliza que há demanda e disposição pela busca por ativos com posição técnica saudável, “valuations” atrativos e fundamentos sólidos. Neste contexto, os ativos emergentes já viraram consenso entre os sell-sides e muitos buy-sides. Em algum momento, isso pode ser uma restrição a apreciações adicionais. Por ora, “the trend (and the flow) is your friend...”.

O Brasil vem se beneficiando deste pano de fundo e ainda é impulsionado por um cenário econômico local bastante positivo. O destaque do dia ficou por conta do “bull  flattening” da curva de juros, em linha com nosso comentário no final da semana passada (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brazilian-rates.html).

Dados econômicos:

No Brasil, destaque para as contas externas. A conta corrente apresentou déficit inferior as expectativas (US$4,3bi vs US$5bi esperados) com surpresa positiva do FDI (US$6,5bi vs expectativas de US$3,8bi). Acho válido chamar a atenção para o forte fluxo na conta capital, com entrada superior a US$10bi em renda fixa e renda variável. O fluxo é elevado inclusive para a sazonalidade deste período do ano (janeiro).

Os números de hoje confirmam nossa visão de contas externas saudáveis e poucos riscos nesta frente. De qualquer maneira, o BRL deverá continuar seguindo o humor global a risco. Tenho um viés mais positivo com o BRL neste estágio e próximo a 3,25, mas mantenho a visão de que ele deverá permanecer em uma banda entre 3,10 e 3,30 no horizonte relevante de tempo.

A arrecadação de janeiro também surpreendeu as expectativas positivamente, reforçando o cenário base de que até mesmo o quadro fiscal, o grande problema do país no longo-prazo, será favorecido pela recuperação cíclica da economia, com mais crescimento, melhora do emprego, inflação e juros mais baixos.

Agenda:

O destaque da agenda de amanhã ficará por conta da apresentação de Powell, novo presidente do Fed, ao Congresso americano. Powell falará em nome do Comitê. Assim, deverá reforçar a visão de que a política monetária deverá seguir na direção de normalização. Devemos esperar mais altas de juros e a continuidade do balanço do Fed. Powell deverá mostrar um tom mais otimista em relação a recuperação da economia e pode dar algum sinal mais forte de sua visão em relação ao potencial impacto da Reforma Tributária. Qualquer sinalização muito diferente desta poderá ter impacto imediato e relevante nos mercados.

A curva de juros nos EUA precifica probabilidade em torno de 90% de mais uma alta de 25bps nos Fed Funds em março. A curva precifica cerca de 2,5 altas de 25bps este ano, mas poucas altas em 2019. Ainda me parece haver espaço para ajustes nesta frente (juros mais altos) ao longo do ano e conforme o cenário de crescimento sólido e inflação ascendente for se confirmando.

Visão & Posição:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas do FOMC, retornamos a posição comprada em JPY.




Data: 26/02/2018

Momento de acomodação. Cenário evolui de maneira fluida.

Mercados & Comentários:

Na ausência de novidades relevantes no cenário, os ativos de risco estão abrindo a semana na mesma toada em que finalizaram a semana passada, ou seja, com as bolsas em alta, um leve fechamento de taxa de juros no mundo desenvolvido, um dólar mais fraco no mundo e as commodities com desempenho misto.

Os ativos de risco parecem estar passando por um momento de consolidação, passado o ajuste técnico na primeira quinzena de fevereiro. Por ora, não consigo identificar nenhuma tendência definida de curto-prazo.

Os leilões de títulos públicos (Bills, Notes and Bonds) nos EUA ao longo da semana, de tamanho elevado para os padrões históricos, devido a necessidade de financiamento de um déficit elevado em um momento de menor demanda (redução do balanço do Fed, redução de compras por parte de Japão e China e etc), foram relativamente bem digeridos pelo mercado, o que ajudou a estabilizar as Treasuries 10yrs em abaixo de 2,90%, dando alívio aos demais ativos de risco.

O cenário base continua sendo de um crescimento global sólido, robusto e saudável. Nos últimos dias, observamos alguns dados econômicos mais fracos do que as expectativas, especialmente na Europa e nos EUA. Este tipo de acomodação/consolidação dos dados econômicos costuma ser normal nesta fase do ciclo econômico. Ainda não há sinais mais preocupantes. O patamar dos números de crescimento continua apontando para uma economia global com crescimento sólido e sincronizado.

O grande risco para o cenário continuar a ser no campo inflacionário, especialmente nos EUA. Vejo a economia no pleno emprego, com hiato do produto fechado e com a acumulação de sinais de pressões (altistas) na inflação. A velocidade da inflação que será fundamental para a dinâmica dos ativos de risco nos próximos meses, assim como para a reação do Fed a este pano de fundo. Tenho escrito bastante sobre isso desde fins do ano passado (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

No Brasil, seguimos em um ambiente ciclicamente bastante positivo e sem novidades relevantes. O grande destaque dos últimos dias acabou ficando para a divulgação de novos indicadores apontando para um quadro bastante benigno para a inflação (baixista) (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brazilian-rates.html). O cenário ciclicamente positivo para o país, em termos econômicos, dificilmente será revertido nos próximos 12 a 18 meses. Para os mercados financeiros locais, contudo, temos as incertezas das eleições para presidente e o cenário externo.

Agenda:

A semana terá como destaque o Core PCE nos EUA, o principal indicar de inflação utilizado pelo Fed na análise econômica para implementação de sua política monetária. Após o Core CPI e o PPI, o mercado já espera uma aceleração deste indicador, para uma alta de 0,3% MoM em janeiro. Dado essas expectativas já elevadas, os riscos de curto-prazo acabam sendo mitigados, porém não totalmente isolados, dado a sensibilidade dos mercados financeiros globais as taxas de juros (“yields”) das Treasuries nos EUA.

Dados econômicos, Notícias e Bancos Centrais:

O final de semana trouxe poucas novidades relevantes ao cenário. Acho válido citar a possibilidade da mudança da legislação na China, que pode permitir a consolidação do poder do atual primeiro ministro (vide detalhes abaixo no link para artigo do FT). A notícia pode ter pouco impacto de curto-prazo, mas pode abrir caminho, a longo-prazo, para um novo cenário no país.

Nessa linha, vimos na semana passada o Governo Chinês anunciar uma espécie de intervenção no Angbank, um grande conglomerado financeiro que, assim como a HNA, sofre problemas de liquidez devido a acelerada espanção, financiada por dívida, ao longo dos últimos anos. Com essa postura, o Governo mostra aversão a problemas financeiros maios graves, optando pelo intervencionismo no curto-prazo. Os problemas no mercado de crédito na China são conhecidos e crescem ano após ano. Por ora, o Governo Chinês têm mostrado enorme habilidade em administrar esta questão. Todavia, este é um risco que precisa ser monitorado no detalhe e não sairá do radar nos próximos anos.

FT - China poised to end two-term limit on presidency:https://www.ft.com/content/a99120f8-1a07-11e8-aaca-4574d7dabfb6

Visão:

Os dados econômicos divulgados nos últimos dias, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base que vem sendo amplamente discutido neste fórum.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela “Long Risk”,/“Long Risk-On” tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Como já comentei aqui nas últimas semanas, acredito que o ano será de “corridas de 100m” e não de uma “maratona”. A postura tática será ainda mais importante, assim como a escolha ideal das classes de ativos e dos instrumentos (acho que será um ano de muita utilização do mercado de opções, por exemplo).

Acredito que exista espaço para o mercado “comprar a ideia” de que os fundamentos dos mercados emergentes hoje são mais sólidos, os “valuations” mais atrativos e a posição técnica menos comprometida, o que pode favorecer está classe de ativos em detrimentos aos ativos de países desenvolvidos. Isso pode durar enquanto houver um crescimento global sólido. O cenário só irá “virar” de fato para um ambiente mais direcionalmente negativo quando o aperto da liquidez global for forte o suficiente para transformar o ciclo de crescimento na nova fase do ciclo econômico, de desaceleração. Enquanto isso, mantereu uma postura mais neutra.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Após as Minutas