Data: 21/02/2018

Sem alteração no nosso cenário base.

Mercados:

Os ativos de risco ainda estão, neste momento, digerindo as Minutas do FOMC. Após uma primeira reação de Minutas mais dovish do que o esperado, começamos a observar uma reação mais em linha com uma interpretação deMinutas mais hawkish, parecido com a nossa impressão inicial (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/eua-minutas-do-fomc-alguns-comentarios.html).

Neste momento, vemos um dólar mais forte, impulsionado pela abertura de taxa de juros nos EUA. As bolsas globais operam em alta, mas longe dos picos do dia e em trajetória declinante.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco. Vale a pena citar, contudo, o bom desempenho do Ibovespa nos últimos dias, mesmo em termos relativos (versus EEM, S&P e etc). A curva de juros local continua sua trajetória de “steepening”, com o mercado já precificando chances elevadas de mais um corte na Taxa Selic na próxima reunião do Copom.

Agenda:

O leilão de Note de 5yrs foi relativamente bem digerido pelo mercado. Amanhã teremos um leilão de bonds de 7yrs nos EUA. Será importante monitorar a demanda por esses papéis, em um momento de aumento de oferta e redução de balanço do Fed.

Visão:

Os dados econômicos divulgados hoje, assim como as Minutas do FOMC, em nada alteram nosso cenário base comentado hoje pela manhã e reproduzido abaixo.

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela (Long Risk, Long Risk-On) tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas.

No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Estamos de olho para retornar à posição comprada em JPY que foi taticamente zerada após o carnaval.

Dados econômicos:

Nos EUA as prévias dos ISM ficaram acima das expectativas do mercado, com leve elevação em relação ao mês anterior. Os números continuam mostrando uma economia extremamente robusta. O Markit US Manufacturing saiu de 55,5 para 55,9 contra expectativas de estabilidade e o Markit US Services subiu de 53,3 para 55,9 versus expectativas de 53,7.

Na Europa, as prévias dos PMIs ficaram abaixo das expectativas do mercado, após uma pequena desaceleração no mês. A despeito da surpresa negativa, os PMIs continuam em patamar considerados elevados e condizentes com um crescimento extremamente robusto, inclusive acima das expectativas do mercado e do ECB.

As Minutas do Fed mostraram um Comitê mais convicto no cenário de recuperação do crescimento, mais preocupado com o aperto do mercado de trabalho e do nível de preço dos ativos financeiros, além de mais confiante da evolução dos “custos do trabalho”. Abaixo, compilei algumas passagens que mostram que as expressões utilizadas pelos mais hawkish apontam para uma quantidade maior de participantes do que as expressões utilizadas pelos participantes mais dovish.

De maneira geral, achei as Minutas em linha com os dados recentes e um pouco mais hawkish, abrindo espaço para mais altas de juros este ano.

Financial Inbalance:

Regulatory actions and improved risk management in recent years had put the financial system in a better position to withstand adverse shocks, such as a substantial decline in asset prices, than in the past. However, amid elevated asset valuations and an increased use of debt by nonfinancial corporations, several participants cautioned that imbalances in financial markets may begin to emerge as the economy continued to operate above potential. In this environment, increased use of leverage by nonbank financial institutions might be difficult to detect in a timely manner. It was also noted that the Committee should regularly reassess risks to the financial system and their implications for the economic outlook in light of the potential for changes in regulatory policies over time.

Wage Pressure:

During their discussion of labor market conditions, participants expressed a range of views about recent wage developments. While some participants heard more reports of wage pressures from their business contacts over the intermeeting period, participants generally noted few signs of a broad-based pickup in wage growth in available data. With regard to how firms might use part of their tax savings to boost compensation, a few participants suggested that such a boost could be in the form of onetime bonuses or variable pay rather than a permanent increase in wage structures. It was noted that the pace of wage gains might not increase appreciably if productivity growth remains low. That said, a number of participants judged that the continued tightening in labor markets was likely to translate into faster wage increases at some point.

Labor Market:

Many participants reported that labor market conditions were tight in their Districts, evidenced by low unemployment rates, difficulties for employers in filling open positions or retaining workers, or some signs of upward pressure on wages. The unemployment rate, at 4.1 percent, had remained near the lowest level seen in the past 20 years. It was noted that other labor market indicators—such as the U-6 measure of unemployment or the share of involuntary part-time employment—had returned to their pre-recession levels. A few participants judged that while the labor market was close to full employment, some margins of slack remained; these participants pointed to the employment-to-population ratio or the labor force participation rate for prime-age workers, which remained below pre-recession levels, as well as the absence to date of clear signs of a pickup in aggregate wage growth.




Data: 21/02/2018

Correction Mood...

Mercados:

Os ativos de risco apresentaram ontem um dia de realização de lucros, com destaque para o dólar forte e a queda das bolsas globais. Hoje pela manhã, vemos mais sinais, um pouco menos acentuados, de pressões negativas, com uma queda adicional das bolsas ao redor do mundo, mas o dólar mais misto.

No Brasil, os ativos locais foram capazes de se descolar do movimento global, com bom desempenho do Ibovespa e da curva de juros. Acredito que dois vetores ajudaram este descolamento: Primeiro, o acumulo de sinais que mostram a recuperação cíclica da economia, cada vez mais espalhada e consolidada. Em segundo lugar, o amplo apoio do Congresso a intervenção na área de segurança do estado do Rio de Janeiro, que mostra um apoio amplo a um pauta de maior interesse da sociedade. Este apoio indica disposição para a provação de algumas medidas, com apoio popular, que ainda podem ser positivas para o país em termos econômicos e sociais.

Nesta linha, a colocação do PL da Eletrobrás, com sua privatização em pauta, voltando à agenda, as ações da empresa apresentaram forte elevação, ajudando as demais estatais na bolsa.

Agenda:

Na agenda do dia, destaque absoluto para as Minutas do FOMC nos EUA. Ontem, tivemos o leilão de mais de US$165bi de T-Bills. Hoje teremos o leilão de Notes e amanhã de Bonds. Será importante monitorar a demanda por esses papéis em um momento de aumento de oferta e redução de balanço do Fed.

Visão:

Mantenho a visão de que estamos em uma fase próxima ao final do ciclo econômico nos EUA, momento em que a inflação começa a aparecer. Tenho dúvidas, contudo, se o ciclo é capaz de durar mais 3 a 6 meses, ou mais 12 a 18 meses. Por isso, tenho favorecido um portfólio mais neutro, com a busca constante por hedges e posições descorrelacionadas. Não acredito que seja o momento de manter posições direcionais elevadas na parcela (Longo Risk, Long Risk-On) tampouco seja o momento de manter um portfólio mais “Short Risk”/”Long Risk-Off”.

Mantenho um pequeno portfólio comprado em NTN-B e Bolsa no Brasil. Venho mantendo postura tática no BRL, buscando a venda do dólar em momentos específicos e via estruturas de opção com perdas limitadas. No portfólio externo, nossa posição “core” ainda é tomada em juros longos nos EUA. Estamos taticamente vendidos em AUD e em S&P via opção. Estamos de olho para retornar a posição comprada em JPY que foi taticamente zerada após o carnaval.

Dados econômicos:

Coréia do Sul – uma economia bastante aberta com fluxo de comércio elevado – cujos dados de exportações são vistos como uma proxy para o crescimento global, observamos uma leve desaceleração das exportações nos primeiros 20 dias de fevereiro. O número não aponta para uma mudança drástica de cenário, mas para uma desaceleração, para uma acomodação, gradaul, pontual e normal do crescimento. Segundo a Goldman Sachs:

Daily ex-ship exports (a better proxy for current external demand than headline exports, in our view) rose 8.6% yoy during the first 20 days of February, slowing from 14.8% growth in January (Exhibit 1). In seasonally adjusted terms, it fell 4% from a month ago, after six consecutive months of gains (Exhibit 3).[1] The 3m/3m momentum that reduces work-day distortions arising from lunar holidays slowed to 2.9% from 3.8% in the previous month.

Preliminary data provided by the customs office show a sharp moderation in yoy growth, in part due to base effects from the change in the timing of lunar holidays (Jan 27-30 in 2017 vs. Feb 15-18 in 2018). Autos and handset exports fell 16% and 41% yoy respectively, weakening from the previous month, while ships exports also retreated to a decline of 20%, from +3% in January. Chips exports, largely unaffected by holiday distortions, continued a second month of moderation to 33% yoy while petroleum exports alone strengthened to 29% yoy mostly on positive price effects.

Na Austrália, obervamos uma desaceleração dos investimentos, a despeito de dados de salários levemente acima das expectativas. Os números de hoje não alteraram a posição do RBA (BC do país) que vem sinalizando para a manutenção da política monetária no horizonte relevante de tempo. De acordo com o Morgan Stanley:

Wage growth ticks up, still subdued: Wages increased 0.6% in the quarter (0.552% unrounded), staying within the 0.4%-0.6% range it has held since mid-2014. There has been some sequential strengthening however, and annual growth has ticked up to 2.1%. The increase in the quarter looks to have been driven by the public sector where growth increased to 0.6%qoq (private was flat at 0.5%qoq). The healthcare industry had the largest wage growth (2.8%yoy), while wages in retail remain subdued (1.6%yoy). This result doesn't change our expectation of unchanged RBA policy rate for 2018, given wage growth remains subdued and the unemployment rate (5.5%) is well above the level the RBA thinks is needed to see a sustained pickup in wage growth (<5.0%).

Dwelling, government construction declined: The large quarterly decline in the headline construction work done data for 4Q17 (-19.4%qoq) was mainly driven by the completion of LNG projects, which boosted engineering construction the previous two quarters (see Exhibit 2). Abstracting from this effect, dwelling investment looks to have continued to decline, falling -2.4%qoq (-5.5%yoy) in real terms. Government construction also unexpectedly declined -2.1%qoq, but has been strong over the past year (+12.5%yoy). On the other hand, non-residential building grew 3.4%qoq and, excluding WA, engineering was up 2.3%qoq.




Data: 19/02/2018

Dia de feriado nos EUA. Humor segue mais positivo.

Hoje é dia de feriado nos EUA. Assim, a liquidez do dia ficará prejudicada. Não olharia a dinâmica dos ativos de risco nesta segunda-feira como nenhuma indicação concreta, pois os mercados ficarão a mercê de fluxos pontuais. A agenda do dia será esvaziada.

Não vejo mudanças substancias do cenário base. Para não soar repetitivo em tudo aquilo que tenho escrito nos últimos dias, deixou aqui o link de meus últimos comentários: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/quadro-tecnico-mais-saudavel-cenario.html e https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brasil-em-foco.html.

Neste momento, os mercados financeiros globais operam em tom positivo, mas sem movimentações relevantes. As bolsas globais seguem a tendência de alta que foi regra na última semana, o dólar se mostra um pouco mais misto (assim como as acommodities). Os juros no mundo desenvolvido apresentam leve abertura de taxas.

Ao longo da semana, nos EUA, o destaque ficará por conta das Minutas do FOMC e de um calendário bastante agressivo de emissões de títulos públicos, com cerca de US$250 bilhões agendados, entre T-Bills, Notes e Bonds.

No Brasil, enquanto não há mudanças substanciais de cenário, a mídia continua focada nas especulações em torno do pleito eleitoral de outubro, assim como na repercussão da intervenção federal no sistema de segurança do Rio de Janeiro. Por ora, nenhum deles apresenta mudanças significativas para os mercados locais no curto-prazo, a despeito da importância econômica e social para a sociedade a longo-prazo.

No Valor Econômico, Ribamar Oliveira afirma que a arrecadação federal de janeiro apresentou forte recuperação. Se confirmado o artigo, o número estará em linha com a minha tese que até mesmo o quadro fiscal cíclico, de curto-prazo, apresenta um cenário mais positivo, assim como as demais variáveis do país. Isso não significa que as reformas não sejam essenciais a longo-prazo, mas que a classe política ganhou um alento de curto-prazo, ajudada pela recuperação extremamente positiva “na ponta” da economia. Segundo o artigo:

Em meio ao turbilhão político criado pela intervenção federal no Rio de Janeiro, o governo recebeu pelo menos uma boa notícia na semana passada: a receita tributária apresentou forte alta em janeiro. Dados preliminares indicam que a arrecadação de tributos administrados pela Receita Federal (excluída a contribuição para a Previdência Social) superou R$ 102 bilhões, de acordo com o Siafi, sistema eletrônico que registra as despesas e receitas do governo federal.

Houve aumento real na comparação com o arrecadado no mesmo mês do ano passado, segundo fontes consultadas pelo Valor.

O resultado é considerado muito importante pela área técnica porque janeiro é o mês de arrecadação tributária mais forte, em virtude do ajuste anual do Imposto de Renda feito pelas pessoas jurídicas. As fontes informaram que ocorreu também arrecadação expressiva dos diversos programas de parcelamento de débitos tributários, os chamados Refis. Os tributos diretamente relacionados à atividade econômica, como PIS e Cofins, também apresentaram aumento expressivo, fruto da retomada da economia.

Houve aumento também das chamadas receitas não administradas, principalmente da arrecadação com royalties. Nesse caso, o destaque ficou por conta dos royalties do petróleo, que cresceram muito na comparação com o mesmo mês de 2017. O excelente resultado da arrecadação tranquiliza o governo sobre o cumprimento da meta fiscal deste ano. 




Data: 19/02/2018

Brasil em Foco.

O cenário econômico local continua mostrando um quadro cíclico positivo. Os números recentes mostram um crescimento mais consolidado, espalhado e elevado. O mercado de trabalho está em recuperação, com a taxa de desemprego em queda e os rendimentos médios reais em alta. A inflação corrente continua baixa e as expectativas apontam para uma inflação abaixo da meta ao longo deste ano e, quiçá, o ano que vem. As contas externas estão saudáveis, já que o baixo déficit em conta corrente do país é amplamente financiado por fluxos considerados robustos e de longo-prazo, como os investimentos estrangeiros diretos. As contas públicas, ou seja, o quaro fiscal, é um grande problema de longo-prazo. Contudo, mesmo aqui, a melhora cíclica da economia ajuda a dar algum alento de curto-prazo. Isso não significa que as reformas econômicas não deixem de ser indispensáveis.

Temos duas incertezas pairando sobre o cenário. Primeiro, uma potencial mudança do cenário externo, que tenho feito observação diárias (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/) e não é objeto deste comentário. Segundo, o quadro político local, que poderá determinar se a recuperação cíclica da economia se tornará, de fato, em uma recuperação mais estrutural, ou em um ambiente estruturalmente mais positivo.

Nesta frente, existem mais incertezas do que convicções. A aparente retirada de Lula do pleito eleitoral, se confirmada pelo TSE, reduz substancialmente os riscos de um cenário alternativo de extrema esquerda. Todavia, o cenário político ainda é nebuloso e incerto neste momento.

Vamos fazer uma breve análise dos ativos locais:

BRL (Real/Câmbio) – Continuo vendo o BRL operar em uma banda ao longo dos próximos meses, entre 3,10 e 3,30, ou algo em torno deste “range”. Consigo ver o câmbio romper para abaixo dos 3,10 na eventualidade da eleição de um candidato reformista e pró mercado e se ajudado por um cenário externo favorável a um dólar fraco.

Ibovespa (Bolsa) – Até o momento, o movimento da bolsa local foi integralmente puxado pelas empresas e setores cíclicos, muito em linha com o que ocorreu ao redor do mundo. Ainda não vimos um cenário de recuperação de preços dos setores mais voltados para a economia doméstica e a história de recuperação interna. Acredito que chegará o momento em que teremos uma rotação entre setores e empresas, com os setores cíclicos com restrições de “valuations” e de um cenário externo mais desafiador, em detrimento a preços e um cenário mais atrativos para os setores mais dependentes da economia local. No geral, de todas as classes de ativos, a bolsa me parece o ativo mais capaz de mostrar reprecificação adicional.

Juros – Vejo a Taxa Selic entre 6,50% e 6,75% ao longo de todo o ano e um ciclo de ajuste monetário (alta de juros) relativamente contido no próximo ciclo de alta da Taxa Selic. Assim, existe ainda espaço para algum fechamento de taxas de juros no país. Contudo, vejo o risco/retorno deste mercado como muito pior do que no passado recente. Não acredito que seja o momento de ter posições excessivas nesta classe de ativos. Consigo ver um fechamento adicional de taxas, mas como o ditado popular costuma dizer, será como “tirar o bagaço da laranja”.

A parte curta da curva me parece justa porém a curva bastate “steep”. Contudo, para um fechamento de taxas mais acentuado da parte longa da curva, dependeremos de um cenário eleitoral positivo, o que não devemos ter visibilidade no curto-prazo.

Assim, tenho favorecido apenas posições pequenas na parte longa da curva de NTN-B.




Data: 19/02/2018

Quadro técnico mais saudável. Cenário econômico continua demandando atenção.

Os ativos de risco encerraram a semana com um tom um pouco mais tranquilo do que aquele verificado ao longo das últimas semanas. Como tenho comentados nos últimos dias, a dinâmica do mercado mostra um quadro técnico mais saudável. Contudo, o cenário econômico continua mostrando um pano de fundo de pressões inflacionárias que se acumulam, especialmente nos EUA. Nos últimos dias, vimos o Core CPI, o PPI e seu quadro qualitativo além do Import Price, todos superando as expectativas e mostrando um ambiente cada vez mais claro de inflação mais alta, disseminada e espalhada.

Neste estágio do ciclo econômico, contudo, o crescimento global permanece robusto, o que acaba dando uma sensação ainda positiva no curto-prazo, evitando que os investidores adotem postura mais cautelosa e/ou defensiva. Observamos alguns números de crescimento um pouco mais fracos do que as expectativas (como as vendas no varejo e a produção industrial) nos EUA. Por ora, contudo, parecem ser questões pontuais e não uma mudança clara de cenário.

Em linhas gerais, acredito que estamos em um importante ponto de inflexão da economia mundial, capitaneada pelo cenário dos EUA. Estamos no estágio final do ciclo econômico, em que mais crescimento implica, necessariamente, em mais inflação. Assim, a política monetária terá que ser ajustada o que, em algum momento, levará a uma desaceleração da economia e a uma eventual desaceleração do crescimento.

Como gestores, precisamos identificar quais os cenários prospectivos mais prováveis e, principalmente, como o mercado irá reagir a estes cenários. O mercado costuma antecipar ciclos, mas por vezes apresenta reações atrasadas ao cenário corrente.

No momento atual, tenho mais dúvidas do que convicções claras. Acredito que estamos no estágio final do ciclo econômico, especialmente nos EUA, maior e mais importante economia do mundo. Por um lado, a inflação começa a dar sinais mais claros de ascensão. Por outro lado, contudo, o crescimento corrente continua robusto e saudável.

Não vejo sinais claros de que o mercado tenha mudado de maneira definitiva a dinâmica dos últimos anos (“buy the dips”, convicção nos “fundamentos” emergentes e afins). Não me parece que estamos, ainda, no momento de ruptura ou na mudança definitiva de cenário. Contudo, por vezes, essas coisas ocorrem de forma rápida e acentuada.

Assim, acredito que iremos conviver com um período de maior volatilidade. Consigo ver um cenário de diferenciação entre classes de ativos e regiões nesta fase do ciclo. Por exemplo, consigo ver a bolsa americana “andando e lado”, com os investidores ainda buscando “valor” nos mercados emergentes. Apenas quando o cenário mudar de fato, a mudança de direção dos ativos de risco ocorrerá com maior correlação e sem grandes diferenciações.

No Brasil, a mídia está focada na intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. A Reforma da Previdência foi definitivamente enterrada e a pauta do Congresso se tornará mais voltada a segurança, um vetor com mais apelo eleitoral.

No campo econômico, o quadro cíclico positivo continua. As coletas de inflação mostram um quadro bastante benigno, o crescimento continua mais consolidado e espalhado, com pudemos observar nos dados de Serviços divulgados ontem. As contas externas estão saudáveis e até mesmo o fiscal mostra sinais de recuperação cíclica.




Data: 16/02/2018

Humor global a risco mostra um quadro técnico mais balanceado.

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de “risk-on’ verificado nos últimos dias, na ausência de notícias relevantes para o cenário econômico global.

O mercado parece tecnicamente mais balanceado, a despeito de um cenário econômico um pouco mais desafiador. Os números recentes mais elevados de inflação nos EUA e os sinais incipientes de uma atividade econômica mais fraca no país, por ora, não foram capazes de abalar o humor mais positivo dos ativos de risco nos últimos dias.

No Brasil, a mídia está reportando que Luciano Huck desistiu de se candidatar a presidente da república. De acordo com o Estadão, Huck pode apoiar Geraldo Alckmin para presidente.

De acordo com Broadcast, o Governo Federal resolveu promover uma intervenção na segurança do Rio de Janeiro. De acordo com a matéria:

O presidente Michel Temer decidiu no início da madrugada desta sexta-feira, 16, decretar intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. O Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado, inclusive com poder de prisão de seus membros. O interventor será o general Walter Braga Neto. Na prática, o oficial vai substituir o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na área de segurança. A decisão do governo federal contou com o aval de Pezão.

Continuo favorecendo um portfólio balanceado, ainda comprado em ativos do Brasil e tomado em taxa de juros nos EUA como posições “core”. Venho administrando ativamente os instrumentos e os tamanhos dessas posições. Voltei a buscar alguns hedges para o portfólio, após a recente estabilização do humor global a risco e das volatilidades realizadas e implícitas.




Data: 15/02/2018

Risk-On!

Os ativos de risco estão mantendo uma trajetória mais positiva. Acredito que o mercado esteja sinalizando que o grosso do ajuste técnico de curto-prazo já tenha sido efetuado. De qualquer maneira, a longo-prazo, o cenário econômico irá prevalecer. Nesta frente, continuo vendo sinais que demandam cautela na alocação a risco.

No Brasil, as Notas do Copom, na minha visão, mostraram um Comitê mais dividido e uma probabilidade mais elevada para um corte adicional da Taxa Selic do que a impressão que tinha ficado após o comunicado da última reunião do Copom. Aliado a isso, nossa área econômica (Top 5 do BCB nas expectativas de IPCA por várias vezes) está vendo números de inflação muito mais baixos do que aquelas do BCB. Assim, vejo uma probabilidade não desprezível de um corte adicional da Taxa Selic.

De qualquer maneira, vejo um risco/retorno não muito atrativo no mercado local de juros. Consigo ver espaço para fechamento adicional da curva, já que a Taxa Selic deverá permanecer entre 6,5% e 6,75% pelo menos até o final do ano, mas vejo alguns riscos que tornam a curva pouco atrativa para posições muito agressivas. Mantemos exposição na parte longa de NTN-Bs, mas em tamanho muito mais reduzido do que aquele verificado no ano passado. Existem algumas opcionalidades interessantes para mais um corte de juros no mercado de opção.

O dia hoje foi de bom desempenho das NTN-Bs, fruto no pagamento de cupom e da mudança de composição dos IMAs. Vejo uma posição técnica não muito

Nos EUA, observamos novos sinais de pressões inflacionarias com a divulgação do PPI e seus derivados. Aqui, a mensagem se soma a uma gama de outros indicadores que apontam para um hiato do produto fechado e pleno emprego. A produção industrial ficou abaixo das expectativas em janeiro, levando a uma revisão baixista para as expectativas do PIB do 1Q.

O pano de fundo econômico ainda não pode ser descrito como negativo, mas continuo desconfortável com o panorama atual. Continuo recomendando um portfólio mais balanceado e a busca por hedges. A utilização do mercado de opções, em um cenário como o atual, me parece extremamente prudente. Inclusive, a queda recente das vols implícitas abre novas oportunidades de alocação, seja para posições direcionais ou para busca por hedges.




Data: 15/02/2018

Risk Assets Power Ahead!

Os ativos de risco estão dando continuidade ao movimento de “risk-on’ verificado ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/from-risk-off-to-risk-on-for-now-not.html), na ausência de notícias relevantes para o cenário econômico global.

Na África do Sul, o Presidente do país se retirou do cargo, abrindo espaço para um cenário político um pouco mais favorável. Este movimento era, de certa forma esperado, mas os ativos do país apresentaram bom desempenho após a notícia.

Os dados do mercado de trabalho na Austrália ficaram um pouco abaixo das expectativas do mercado. A despeito da surpresa negativa, o AUD está seguindo o humor global a risco na sua trajetória de enfraquecimento do doar no mundo.

No Brasil, o fluxo de noticias continua esvaziado, com a mídia mantendo as especulações em torno das eleições presidenciais.

Continuo mantendo um portfólio balanceado, porém admistrando ativamente o tamanho e os instrumentos das posições. Mantenho posição comprada em ativos do Brasil e tomada em Treasuries como principais alocações. Reduzimos taticamente a compra de JPY após o movimento recente. Por ora, estamos sem nenhuma posição/hedge com viés mais negativo para ativos de risco, mas a tendência é que algo seja incorporado em breve (como a venda de S&P feita em fins de janeiro, por exemplo).




Data: 15/02/2018

From "risk-off" to risk-on"? For now, not forever...

Os ativos de risco estão operando com viés de “risk-on”, após reverterem toda a pressão negativa depois da divulgação dos dados econômicos dos EUA essa manhã. A dinâmica do mercado me diz que o técnico está mais saudável após a correção recente, e os investidores ainda irão tentar “comprar a ideia” de que enquanto o crescimento global estiver robusto, o cenário continua construtivo para os ativos de risco.

Eu mantenho minha visão que o momento seja de cautela, de postura mais tática do que estratégica e pela busca de “alpha” ao invés de “beta”.

A volatilidade implícita de várias classes de ativos recuou bastante ao longo do dia, a despeito da volatilidade corrente (realizada) seguir elevada. Este ambiente irá trazer novas oportunidade de alocação.

Vale a pena alertar para um cenário de “wash-out” dos ativos norte americanos, com o dólar em queda, queda dos bonds/Treasuries e pressão nas bolsas do país. O mercado começa a dar mais atenção ao cenário de aumento do déficit fiscal e externo, em meio a um hiato do produto fechado e pleno emprego. O Fed mantem uma política monetária expansionista e o Governo Trump adota medidas, na minha humilde opinião, erradas para esse estágio do ciclo econômico, como Reforma Tributária, Pacote de Infraestrutura, menos regulação bancária e afins. Isso pode trazer uma pressão estrutural aos ativos dos EUA.

Os ativos no Brasil seguiram o humor global a risco e assim devem continuar até que tenhamos uma definição mais clara das eleições.




Data: 15/02/2018

Staying Close to Home!

Nos EUA, o Core CPi ficou acima das expectativas do mercado, com alta de 0,3% MoM e 1,8% YoY, contra expectativas de 0,2% MoM e 1,7% YoY. Hoouve revisão baixista do mês anterior de 0,3% MoM para 0,2% MoM. Mesmo levando em conta a revisão, o número dá força a narrativa de que a economia está com o hiato do produto fechado e no pleno emprego. A ressurreição da inflação, assim, era uma questão de tempo.

As vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas. Neste caso, existem argumentos para acreditar que a surpresa negativa possa ser pontual. Ainda não há indícios claros de desaceleração mais permanente do crescimento.

De qualquer maneira, a combinação dos números é claramente negativa para os ativos de risco. Os mercados financeiros globais reagiram de maneira clássica, com dólar forte, abertura de taxas de juros e queda das bolsas.

Eu até acredito que possa haver alguma estabilização do humor global a risco ao longo do dia, mas não acredito que seja o momento de adicionar ativos de risco ao portfólio. O momento requer cautela, pois os números de hoje se acumulam as evidências de que possamos estar diante de um ponto de inflexão extremamente importante do cenário econômico global.

Pretendo observar a dinâmica do dia para ter conclusões mais claras da posição técnica do mercado. De forma geral, não vejo motivos para otimismo no curto-prazo. O cenário econômico está mudando drasticamente, o mercado veio de cerca de 10 anos de tranquilidade e busca por yields e ativos de risco. Não será em poucos dias (ou semanas) que o ajuste ocorrerá.

Devemos estar preparados para uma nova ordem mundial de agora em diante. Tenho pregado que o ano de 2018 será um ano de “corridas”, “tiros de 100m” e não um ano de “home runs” ou de “maratonas”.




Data: 15/02/2018

All eyes on the US Core CPI.

Os ativos de risco abriram a terça-feira sob pressão, mas conseguiram reverter o movimento para fechar o dia de ontem em tom mais positivo. Hoje pela manhã, está tendência mais positiva prevalece. Não houve nenhuma informação nova para o cenário, o que me leva a crer que os movimentos ainda estejam sendo liderados por ajuste técnicos de posições.

O grande destaque do dia ficará por conta do Core CPI nos EUA. O número já é bastante esperado pelo mercado. Espero uma reação relativamente clássica ao indicador. Assim, um número acima de 0,2% MoM pode trazer de volta a tendência de abertura de taxas de juros e, consequentemente, alguma rodada adicional de pressão nos ativos de risco. Um número menor do que este poderá ajudar a estabilizar o humor global a risco, trazendo demanda para ativos como os ativos emergentes.

De maneira geral, contudo, vejo os próximos meses ainda com extrema cautela e incerteza. Um cenário mais propício para alocações táticas do que estruturais. Não será um mês de inflação mais baixa do que o esperado que irá reverter totalmente o pano de fundo de hiato do produto fechado, pleno emprego e sinais mais claros de pressões inflacionárias nos EUA.

O novo presidente do Fed, Powell concedeu declarações ontem onde basicamente sinalizou que, por ora,  cenário base de normalização gradual da política monetária está mantido. Segundo o DB:

Staying in the US, in the prepared remarks at his ceremonial swearing in, the new Fed Chair Powell reiterated that “we are in the process of gradually normalising both interest rate policy and our balance sheet with a view to extending the recovery…” Elsewhere, he noted that “we will remain alert to any developing risks to financial stability”, which to us sounds all very comforting, but imagine the potential carnage had he suggested that the Fed ‘won't’ be paying any attention to risks to financial stability. Finally, he indicated the “financial system is incomparably stronger and safer, with much higher capital and liquidity” and that “we will also preserve the essential gains in financial regulation while seeking to ensure that our policies are as efficient as possible”.

Os ativos no Brasil, grosso modo, devem seguir o humor global a risco. Localmente, a mídia voltou a reportar sobre os esforços do governo para aprovar a Reforma da Previdência. Novas concessões poderão ser feitas. O mercado hoje não trabalha com o cenário de aprovação de nenhuma medida. Assim, qualquer avanço nessa frente será visto como positivo para o cenário local.

O cenário cíclico no Brasil continua positivo. O crescimento dá sinais de estar mais consolidado e espalhado, o mercado de trabalho mostra recuperação do emprego e dos rendimentos, a inflação continua baixa assim como as expectativas de inflação. As contas externas estão saudáveis e, até mesmo as contas públicas, o grande problema estrutural do país, apresenta recuperação cíclica, ajudada pela recuperação da economia.




Data: 15/02/2018

Foco no Core CPI nos EUA.

Os mercados financeiros globais seguem sem tendência definida e com volatilidade elevada, padrão que deverá se manter até que o cenário econômico se torne mais claro.

Ontem vimos uma recuperação dos ativos de risco, liderados por uma alta em torno de 1,5% das bolsas nos EUA. Hoje já estamos vendo alguma pressão adicional nos mercados. Tudo isso sem grandes novidades de cenário ou quadro técnico.

Não tenho convicção em afirmar que o ajuste técnico já tenha ocorrido e finalizado totalmente, e nem mesmo em que fase estamos do ciclo econômico. Tenho apenas alguns comentários.

Tenho uma convicção elevada que estamos no estágio final do ciclo econômico nos EUA. Estamos na fase de hiato do produto fechado, pleno emprego e sinais de inflação. Se a economia ainda tem 3 ou 6 ou 12 ou mais meses de crescimento robusto sem uma aceleração mais rápida da inflação eu não consigo afirmar com convicção, mas me parece claro que dificilmente passaremos mais de 12 a 18 meses sem maiores problemas. O Core CPI, a ser divulgado na quarta-feira pela manhã, poderá determinar se teremos alguma acomodação de curto-prazo, ou se o ciclo pode de fato estar na sua última fase. Neste último caso, ainda teríamos um amplo espaço para os ativos de risco precificarem este novo ambiente global.

No tocante ao quadro técnico, tenho pouco a agregar. Me parece que o ajuste inicial dos produtos mais alavancados em estruturas de venda de volatilidade já ficou para trás, mas ainda vejo uma outra potencial onda de ajustes em produtos menos alavancados, porém com tamanhos muito mais relevantes para os ativos de risco (Risk Parity, Vol Target Funds, Balanced Mutual Funds, CTAs e etc). O ajuste nessas classes poderia leva meses, mas seria condicionante a continuidade de um cenário econômico mais desafiador. Por isso a importância do Core CPI nos EUA a ser divulgado na quarta-feira.

Este começo de semana, feriado de Carnaval no Brasil, trouxe poucas novidades do ponto de vista econômico para os mercados financeiros globais. Apenas dois eventos merecem atenção:

Primeiro, a divulgação do Plano de Infraestrutura e o Orçamento para os próximos anos do Governo Trump nos EUA. A divulgação ficou basicamente em linha com o que já vinha sendo ventilado na mídia. Em termos gerais, o pacote de infraestrutura mira um gasto em torno de US$1,5 trilhões, com uma parcela não desprezível vinda dos cofres públicos. A conclusão geral, e mais importante para o pano de fundo temos descrito neste fórum, é que o pacote eleva o déficit fiscal do país, em um momento de hiato de produto fechado, pleno emprego, e sinais cada vez mais claros de pressões inflacionárias. O DB resumiu assim o evento:

In the US, President Trump has proposed a $4.4trn federal budget for 2019 that seeks to reduce domestic programs such as Medicare in favour of higher spending on the military and immigration enforcements. The plans will see the deficit almost double in FY19 to $984bln and rise $7.1trn over the next decade. Mr Trump said he would push for a “reciprocal tax” on imports against higher tariff countries without providing details and reiterated his $1.5trn infrastructure plan of which $200bln federal funds will act as seed funds to incentivise further spending by state and local government as well as the private sector. Notably, both Reuters and NY Times noted Presidential budgets are rarely enacted by the Congress. The budget director Mulvaney called the plans as a “messaging document”, so we’ll wait and see if these messages will translate into any reality.

Segundo, na China, os dados de agregados monetários mostraram arrefecimento adicional. Os números estão em linha com o cenário de uma desaceleração gradual da economia do país. Nos últimos dias, o governo divulgou um comunicado, após a volatilidade recente dos mercados financeiros globais, de que pretende manter uma política monetária prudente e um crescimento balanceado.

O Brasil continua a mercê dos eventos globais, sem novidades internas relevantes. A Reforma da Previdência parece uma questão já deixada para trás. A mídia continua especulando em torno da corrida presidencial, mas sem eventos concretos ou informações novas. Continuo acreditando que os mercados locais irão seguir o humor global a risco até que a corrida eleitoral fique mais clara para algum lado (positivo ou negativo), quando  poderemos ver algum descolamento da dinâmica dos ativos brasileiros em relação ao resto do mundo.




Data: 09/02/2018

Sem novidades. Uma visão interessante do cenário,

Os ativos de risco apresentaram alguma recuperação ao longo do dia, após forte pressão negativa adicional ao longo de toda a tarde de quinta-feira e no fechamento das bolsas dos EUA. Já comentei amplamente sobre o cenário corrente nos últimos dias. não vejo motivos para me estender neste tema (vejam os comentários aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/).

Na China, o CPI e o PPI ficaram dentro das expectativas do mercado, mostrando um cenário estável de inflação.

No Brasil, não há novidades locais relevantes.

A agenda do dia será esvaziada. Assim, os ativos de risco devem continuar a mercê de fluxos pontuais e questões técnicas.

Abaixo, copio o comentário dos analistas de FX do Morgan Stanley. Eles costumam apresentar panoramas muito acertados, com uma visão sóbria sobre o cenário econômico:

Bonds and equities falling simultaneously suggest that the current market correction is down to a liquidity squeeze. The best capital market environment develops when there is sufficient free liquidity standing ready to drive asset valuations higher. Over recent weeks, it appears that increasing signs of global economic expansion have resulted in financial capital being transferred to the real side of the economy. Rising inflation, with US breakevens reaching the FED target, has pushed rate expectations higher. The USD failing to correct higher despite USD supportive interest rate and yield differentials did not help either, with the weakening of the USD pushing inflation higher.

Inflation, liquidity and volatility are all linked. Low inflation allows central banks to stay accommodative which is an important condition, keeping liquidity and capital markets supported. A second factor driving financial market conditions is net savings which are typically generated within surplus environments such as Japan, EMU and Asia. Paradoxically, a more balanced global economy, which sees current account surpluses coming down, has the potential to undermine capital markets. This risk intensifies when surpluses are falling quickly. Periods when Japan, EMU and Asia are exporting vast amounts of capital tend to work in favour of capital markets as cross border capital flows predominantly turn up within foreign financial markets. The contribution of EMU, Japan and Asia to global liquidity should not be underestimated. In this sense, recent good news out of Germany with the ‘Metall’ sector agreeing an effective 3.9% wage increase and Germany’s upcoming new government declaring the end of austerity may boost local domestic demand, but it will reduce its savings which will likely be exported into other markets.

Potential policy mistakes: With liquidity in retreat, volatility will have to establish new levels. Policy mistakes can add to volatility. The most prominent policy mistake was G4 central banks such as the FED not understanding liquidity dynamics coming from the ‘glut of Asian savings’ (2002-2007) which pushed funding costs and volatility too low for too long, allowing the misallocation of capital into sub-prime and other low quality assets. Now the glut of Asian savings has been replaced by an even bigger glut of savings coming out of EMU, Japan and Asia. Reducing these savings too fast, by pushing Europe into a demand boom, could have volatility and financial asset price consequences that central banks, once again, may not have on their radar.

Best trades: The countries which benefited from the glut of savings have seen their balance sheets move into extremes, now deploying high credit gaps and running high asset exposures. We therefore like to buy the EUR and JPY against currencies which benefited from the glut of savings and think there is room for double digit gains in such crosses. EUR longs against AUD, CAD, NZD and GBP are our best recommendation. EURUSD should bounce from levels above 1.2165. Turning EM credit neutral has been timely. EMBIG spreads widened 12bp yesterday and the EMBIG total return index fell 0.72%. In comparison, while EMBIG spreads sold off 17bp on Monday, the total return held up better at just -0.34% due to decline in UST yields. We have also seen large ETF HC ETF outflows of US$1.4bn in February which is over 50% of the US$2.2bn inflow in EM HC ETFs recorded in January.

Markets do talk and in this sense the reaction of GBP to the BOE’s hawkishness was remarkable. GBP was not able to hold its gains although the BOE's Carney did lay out a scenario to hike rates earlier and towards higher levels relative to what has been previously priced into the front end of the curve. Importantly, the UK may potentially be the most affected when international liquidity conditions tighten, with its high level of unsecured debt and its 4.6% GDP current account deficit. GBP/JPY rebounded to test its previous break lower level and reversed from there. GBP remains a sell at current levels.

FED Put: After listening to FED’s Dudley, some investors wonder if the FED has withdrawn its equity markets ‘put’. He said the economy is likely to continue to grow above its normal pace, calling the 10% equity market correction ‘small potatoes'. Esther George and John Williams all recently reinforced the idea the Fed is on course to hike three times this year. Koenig, a principal policy adviser who prepares the Dallas Fed Chief for FOMC meetings, also suggests that inflation is actually higher than the Commerce Department's current estimates, using an experimental forecasting model. Their latest "nowcast" for the personal consumption expenditures price index, the Fed's preferred gauge of consumer price levels, saw overall inflation in their series reaching 1.9% in September and November before retreating to 1.8% in December and 1.6% in January. China’s January inflation has come in line within expectations, seeing CPI easing from 1.8% in December to 1.5% and PPI growth declining from 4.9% to 4.3%. However, Exhibit 1 indicates it may be too early to gain reassurance from falling Chinese inflation rates. The impact of the rising TWI has diluted the impact of the falling PPI. Time lags considered, it seems that the ‘China price’ may still push US core inflation higher which is bad news for risky assets.

Watching China: China has an interest in keeping the global economy strong to progress with its balance sheet de-risking strategy. The 1987 stock crash showed that a sudden volatility event can undermine otherwise strong fundamentals. Now as markets focus on inflation and potential central bank tightening responses, keeping inflation rates low may be the best cure for risk appetite to rebound. Today, the PBoC has released nearly CNY2 trn in temporary liquidity. China switching from a strategy of RMB strength towards a more neutral approach may, via its impact on China import prices into the US, help to ease the inflation scare a bit. Unfortunately, the 10-year US breakeven rate has stayed elevated despite the recent capital market volatility which suggests that the equity market may have further near-term downside potential. The RTY has eased back again towards its 200-day MAV. A break of this level could bring a test of August lows into play implicit with a 7% further decline.




Data: 08/02/2018

Ainda sem luz no final do túnel.

O dia foi marcado por mais uma rodada de pressão nas bolsas globais. Temos dois vetores para analisar a situação. Primeiro, a questão técnica já comentada aqui ao longo da semana (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/quadro-tecnico-tenebroso-situacao-me.html). A situação me parece ainda frágil, mas não vejo, por hora, risco sistêmico. Podemos, sim, observar novas ondas de ajuste de posições em outras estratégias (CTAs, Risk Parity, Balance Mutual Funds e afins) nos próximos dias, que deveriam manter a volatilidade elevada e alguma pressão negativa nos ativos de risco. De forma geral, não vejo estes efeitos como duradouros a longo-prazo.

O segundo vetor fica por conta do cenário macro, onde vejo sinais mais preocupantes e que precisam continuar a ser monitorados. Podemos estar diante de uma mudança mais estrutural de cenário, com a alta nas taxas de juros nos países desenvolvidos levando a um pano de fundo menos trivial para os ativos de risco como um todo (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/eua-deficit-fiscal-juros-e-ativos-de.html).

Hoje vimos o Banco Central da Inglaterra (BOE) sinalizar para a eventual necessidade de acelerar o processo e normalização monetária no país. Este cenário está em linha com o que venho descrevendo aqui: Especialmente nos EUA (mas também na Inglaterra e, em menor escala e ainda em uma fase anterior do ciclo econômico, na Europa e Japão) vemos sinais de um hiato do produto fechado, pleno emprego e pressões inflacionárias. Isso deveria levar a necessidade de juros mais elevados e deixar de ser positivo para os ativos de risco que, no geral, apresentam preços/”valuations” mais apertados e uma posição técnica mais comprometida após quase 10 anos de valorização após a crise de 2008.

Ainda não tenho convicção completa nesta mudança de cenário, por isso tenho buscado um portfólio mais balanceado e adotado postura mais tática em diversas alocações.

No Brasil, o IPCA de janeiro ficou muito abaixo das expectativas do mercado, com alta de 0,29% MoM e 2,86% YoY. A surpresa positivo (baixista para a inflação) acabou se sobrepondo a decisão do Copom a anunciada na noite de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/brasil-bcb-sinaliza-para-o-fim-do-corte.html). Assim, observamos um movimento não desprezível de “steepening” da curva de juros, ajudado pela dinâmica externa. Reforço a minha visão de que não vejo um bom risco/retorno da curva curta de juros. Nos atuais níveis, ainda vejo uma assimetria maior nas taxas longas, especialmente das NTN-Bs, mas muito menor do que no passado recente.




Data: 08/02/2018

Brasil: BCB sinaliza para o fim do corte na Taxa Selic.

Os ativos de risco tiveram mais uma noite de volatilidade. Neste momento, contudo, operam próximos a estabilidade. Não há nenhuma informação nova que vale comentários adicionais além daqueles já descritos aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/eua-deficit-fiscal-juros-e-ativos-de.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/volatilidade-segue-elevada.html.

No Brasil, o BCB reduziu a Taxa Selic em 25bps como era amplamente esperado. O Comunicado após a decisão deixou claro que o Banco pretende encerrar o ciclo com a Taxa nos atuais 6,75%, exceto por mudanças substanciais de cenário base. Espero apenas uma leve elevação das taxas curtas e a continuidade de um movimento de fllatenning da curva de juros. Reitero o que escrevi na manhã de ontem, as vésperas da decisão:

Vejo a Taxa Selic caindo para 6,75% e permanecendo neste patamar até, pelo menos, o final do ano. Vejo uma probabilidade, hoje mais baixa, da Selic atingir 6,5%. O BCB não deverá fechar a porta para isso na decisão de hoje, mas me parece, neste momento, um cenário mais remoto. Não gosto do risco/retorno da parte curta das curvas de juros no Brasil. Acredito que ainda exista valor na parte intermediária das curvas reais e nominais, assim como na curva longa. Prefiro manter exposição na curva de juros reais neste momento. Os ganhos na curva de juros, a partir de agora, serão mais moderados e mais demorados. O risco/retorno é pior, mas ainda consigo ver espaço para ganhos de capital, especialmente na parcela longa da curva real, como nas NTNBs 2050.

Os dados de exportação de janeiro na China ficaram dentro das expectativas do mercado, mas as importações apresentaram forte elevação. Os números mostram um cenário de crescimento ainda saudável no país, a despeito de distorções pontuais que podem estar afetando o número deste mês, em especial.




Data: 07/02/2018

EUA: Déficit Fiscal, Juros e Ativos de Risco.

O destaque do dia ficou por conta de um forte movimento global de dólar forte. O BRL apenas seguiu o movimento ao redor do mundo, mas continua com desempenho relativo pior do que os seus pares. Me parece que muitos têm utilizado a moeda como hedge de outras posições, como Long Ibovespa e aplicado em juros.

Os mercados financeiros globais continuam muito voláteis e sensíveis. Ainda tenho a sensação que estamos no meio do processo de ajuste. Continuo receoso que podemos estar vivenciando o começo de uma mudança de cenário global um pouco mais estrutural.

Ainda mantenho a visão que descrevi pela manhã aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/volatilidade-segue-elevada.html.

O movimento de dólar forte no mundo não teve um “trigger” específico. Minha visão é que o movimento faz parte de um pano de fundo mais abrangente de ajuste de posições, ou “wash-out” de posições consensuais que prevaleceram no inicio deste ano. Já tínhamos visto uma correção nas bolsas globais, nas cripto-moedas e um pouco nas taxas de juros (a Treasury 10yrs chegou a sair de 2,88% para 2,64% no dia do “flash crash” das bolsas dos EUA). Agora, parece que o movimento de ajuste atingiu as posições excessivamente vendidas em dólar no mundo.

As declarações de membros do ECB de que o Tesouro Americano estaria deliberadamente tentando desvalorizar o USD com as declarações recentes também ajudaram o movimento, assim como vetores que impulsionam o déficit dos EUA e, consequentemente, dão novo ímpeto a abertura das taxas de juros do país.

O Congresso dos EUA anunciou um acordo em torno do Orçamento do país, por mais dois anos. Em termos sucintos, o acordo retira um risco político de curto-prazo, o que deveria ser visto como positivo. Todavia, o acordo prevê novos gastos orçamentários e, consequentemente, eleva o déficit fiscal do país.

Volto aqui a um tema que tenho insistido nas últimas semanas. Estamos na fase final do ciclo econômico dos EUA. A economia apresenta hiato do produto fechado, pleno emprego e sinais de pressões inflacionárias. As recentes medidas do Governo dos EUA, como a Reforma tributária, a proposta de alivio na regulação bancária, o potencial pacote de infraestrutura e, agora, este acordo orçamentário, deveriam ter sido medidas tomadas no pós-crise de 2008 e não na atual fase do ciclo econômico.

Acredito que estamos em um ponto que este tipo de medida passa a ser contra produtiva e podem afetar negativamente o humor global a risco. O canal de contágio continua a ser as taxas de juros mais longas dos EUA, que precisam ser monitoradas no detalhe.




Data: 07/02/2018

Volatilidade segue elevada.

Os ativos de risco apresentaram na terça-feira uma forte recuperação, liderados pelas bolsas dos EUA. Este tipo de movimento, caracterizado por elevada volatilidade, é natural em períodos como o que estamos convivendo hoje. Mantenho uma visão, com convicção ainda baixa, que o momento atual está sendo exacerbado por questões técnicas e que ainda não estamos “de fato” diante de uma mudança estrutural de cenário e dinâmica dos mercados financeiros globais.

Contudo, olhando à frente, vejo condições, nos próximos 3 a 6 meses, de uma mudança de fato no pano de fundo global, conforme ficar ainda mais claro que o hiato do produto nos EUA esteja fechado, a economia no pleno emprego e, consequentemente, que a inflação é uma realidade corrente. Assim, a normalização monetária nos EUA (e em outras importantes regiões do mundo) deveria não apenas continuar, mas, talvez, inclusive, se intensificar.

Neste ínterim, vejo espaço para os investidores “comprarem” a ideia de diferenciação entre classes de ativos e regiões. Por exemplo, as bolsas dos EUA podem acabar operando em “range”, sem tendência definida, mas com bom desempenho das bolsas EM. O diferencial de “valuation”, a posição técnica, os fluxos e os fundamentos aparentemente melhores na comparação relativa poderiam embasar um cenário como este.

Não há novidades relevantes locais no Brasil. O destaque ficará por conta da reunião do Copom. Vejo a Taxa Selic caindo para 6,75% e permanecendo neste patamar até, pelo menos, o final do ano. Vejo uma probabilidade, hoje mais baixa, da Selic atingir 6,5%. O BCB não deverá fechar a porta para isso na decisão de hoje, mas me parece, neste momento, um cenário mais remoto. Não gosto do risco/retorno da parte curta das curvas de juros no Brasil. Acredito que ainda exista valor na parte intermediária das curvas reais e nominais, assim como na curva longa, Prefiro manter exposição na curva de juros reais neste momento. Os ganhso na curva de juros, a partir de agora, serão mais moderados e mais demorados, O risco/retorno é pior, mas ainda consigo ver espaço para ganhos de capital, especialmente na parcela longa da curva real, como nas NTNBs 2050.

Tenho buscado manter um portfólio mais balanceado. Mantenho posições de pequenas para médias em Brasil, concentrada na parte longa da curva de juros reais, com uma pequena posição vendida em dólar (comprada em BRL) via estruturas de opção com perda limitada e uma posição pequena em bolsa via “stock picking”. No portfólio externo, a posição central continua a ser tomada em taxas longas de juros nos EUA. Mantemos nosso Long JPY. Zeramos nossa posição tática vendida em AUD e SPX iniciada no final de janeiro.

Olhando para frente, deveremos manter este mesmo tipo de postura. A posição em BRL já ficou bastante reduzida pela perda de delta. Não estou com pressa de voltar a elevar a alocação, pois estou revendo o cenário após os eventos recentes. Estou de olho no Ibovespa, aonde vejo espaço para um bom desempenho, mesmo que relativo, e onde as vols implícitas estão baixas para manter alocações compradas.

No cenário externo, conseguia ver uma realização entre 5% e 10% da bolsa nos EUA (o que já aconteceu), mas uma correção mais acentuada dependerá dos dados econômicos, como descritos acima. O VIX encontra-se em torno de 30%, patamar elevado historicamente.Consigo ver picos acima de 20% e uma média mais próxima as médias de longo-prazo a partir de agora. A Treasury de 10 anos me parece esticada no curto-prazo, mas continuo convicto na abertura de taxas em termos estruturais.  




Data: 06/02/2018

Quadro técnico tenebroso. Situação me parece pontual.

Os ativos de risco encerraram a segunda-feira sobre forte pressão, liderados pelas bolsas dos EUA. Após uma dinâmica tenebrosa durante a noite, neste momento, vejo sinais de estabilização do humor.

Esta correção técnica teve início pelo receio do mercado em torno do cenário econômico, com os sinais de fechamento do hiato do produto nos EUA podendo levar a um processo mais rápido, acentuado e estrutural de alta de juros nos países desenvolvidos e, consequentemente, afetar os “valuations” e os preços dos ativos de risco. Este movimento desembocou neste ajuste técnico pelo o qual estamos passando.

Nos últimos e, em especial, em 2017, uma série de estratégias, tais como CTA, Risk Parity, Balanced Mutual Funds, Short Volatility e afins, se tornaram bastante populares e ganharam escala imensa. Em um ambiente de volatilidade baixa e reprimida estas estratégias apresentaram desempenho bastante positivo, atraindo ainda mais demanda. Isso criou uma certa “bola de neve”. Agora, o aumento repentino da volatilidade do mercado cria a necessidade de um ajuste rápido e acentuado dessas estratégias, que é refletido através da necessidade da venda de alguns ativos financeiros, como as bolsas dos EUA. Leia um pouco mais aqui: https://www.zerohedge.com/news/2018-02-05/it-traders-panic-xiv-disintegrates-after-close.

Acredito que este seja um problema técnica e pontual que não deveria nos levar a próxima crise financeira de fato. Com certeza é um problema que deveremos superar no curto-prazo, onde a volatilidade permanecerá elevada. Meu viés é de acreditar que esta correção esteja próxima do fim. Estou de olho para começar a elevar as alocações em algumas estratégias, mas buscando estruturas com perdas limitadas, talvez focadas em venda de volatilidade nos atuais níveis.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco. O BCB anunciou o início da rolagem dos swaps cambiais que vencem este mês, o que ainda era uma certa dúvida para o mercado. O BRL pode apresentar algum alívio de curto-prazo. 




Data: 05/02/2018

O quadro técnico está ditando a dinâmica dos ativos de risco.

 

Neste momento, os ativos de risco estão confirmando a minha tese de que o quadro técnico do mercado, no curto-prazo, será mais importante do que os dados econômicos de fato. Estamos observando mais uma rodada do movimento de “risk-off”, liderado pela queda das bolsas dos EUA. Desta vez, porém, as correlações se mostram mais “normais”, com as taxas de juros fechando e o dólar forte no mundo. Os ativos do Brasil estão seguindo o humor global a risco, como esperávamos (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/risk-off-continua.html).

No curto-prazo, o movimento parece um pouco esticado (VIX próximo a 25% costuma ser um sinal de excesso de pessimismo, por exemplo), mas fica muito difícil, neste momento, prever até que ponto o técnico do mercado levará a correção dos ativos de risco.

Acho válido apontar que o Ibovespa, ao contrário do BRL, mostra performance relativa mais positiva se comparado a seus pares e as demais bolsas globais. O movimento comprova a tese de que os investidores ainda veem um quadro relativo mais positivo para bolsas EM/Brasil, baseados em valuations mais atrativos, posição técnica mais confortável e expectativa de fluxos para esta(s) classe de ativos.

O destaque econômico do dia ficou por conta da divulgação do ISM Non-Manufacturing, que ficou acima das expectativas do mercado, no patamar mais alto deste ciclo econômico. O número confirma o bom momento da economia.

A reação dos ativos de risco ao número, todavia, levanta a preocupação de que estamos no estágio final do ciclo econômico, em que mais crescimento significa mais inflação e, consequentemente, juros mais elevados. Dado o nível de preço dos ativos de risco e a posição técnica do mercado, mais crescimento começa a se tornar menos positivo, ou até mesmo negativo, para os ativos de risco.

Ainda não estou preparado para afirmar que estamos diante de uma mudança clara de cenário e/ou pano de fundo. Vejo sim com preocupação os sinais recentes da economia e dos mercados globais. Até por isso, tenho optado por um portfólio mais balanceado e pela busca por hedges assimétricos.

Vejo ainda espaço para o mercado permanecer relativamente saudável após está rodada de realização de lucros. Talvez com os ativos nos EUA “trabalhando de lado”, sem tendências relevantes, mas com o mercado buscando “alpha” em outras classes de ativos e regiões, como os Emergentes (EM). Ao longo do ano, com o acumulo de sinais mais claros de inflação mais elevada nos EUA (e quem sabe na Europa), contudo, poderemos ter convicção maior na mudança de cenário e em um pano de fundo mais desafiador estruturalmente para os ativos de risco. Este “roteiro” seria muito parecido com aquele seguido anteriormente a crise de 2008, entre meados de 2007 e meados de 2008.

Continuo com posições de pequenas para médias no Brasil. Não elevamos as alocações. Mantivemos exposição em NTNBs longas, nossa estrutura de BRL foi organizamente reduzida, assim como nossa posição em Ibovespa. No portfólio externo, estamos menores, mas ainda estruturalmente tomados em juros nos EUA. Zeramos nossa venda tática em S&P e seguimos taticamente vendidos em AUDJPY.




Data: 05/02/2018

"Risk-Off" continua.

 

Os ativos de risco estão iniciando a semana com a mesma dinâmica que encerraram a semana passada, com movimentos clássicos de “risk-off”. O final de semana não trouxe nenhuma informação nova em relação à semana passada. 

 

No curto-prazo, mais importante do que os dados econômicos, será entender o quadro técnico do mercado e sua dinâmica. 

 

A transformação da dinâmica recente em uma nova tendência mais estrutural irá depender, obrigatoriamente, da divulgação de números que mostrem um hiato do produto fechado, o pleno emprego e pressões inflacionárias, especialmente nos EUA. 

 

Contudo, a continuidade de um movimento de realização de lucros depende mais do quadro técnico do mercado, do ajuste de posições em algumas estruturas e estratégias de investimentos (como, por exemplo, os “Risk Parity Funds”, as vendas de volatilidade via ETF e etc) e do “behavior” dos investidores. 

 

No Brasil, a mídia afirma que não existem os votos para a Reforma da Previdência e está deverá ser “engavetada” pelo Presidente da Câmara Rodrigo Maia. Não existia nenhuma expectativa em torno deste tema por parte do mercado. De resto, continuam as especulações em torno da campanha presidencial, porém sem avanços ou conclusões concretas sobre o tema. Continuo vendo os ativos do Brasil, no curto-prazo, seguindo o humor global a risco. 

 

O que eu escrevi no sábado, segue válido (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/goodbye-secular-stagnation.html).    




Data: 05/02/2018

Goodbye Secular Stagnation...

 

Os ativos de risco tiveram na sexta-feira um dos dias de pior desempenho desde meados de 2016. A título de exemplo, os índices de bolsa nos EUA apresentaram quedas em torno de 2%, algo que não acontecia desde o terceiro trimestre de 2016. 

 

Estes movimentos foram liderados pela divulgação dos dados referentes ao mercado de trabalho nos EUA em janeiro. Os números mostraram uma criação ainda robusta de vagas de trabalho no mês e uma taxa de desemprego baixa. Porém, mais importante do que isso, observamos um aumento expressivo dos rendimentos médios reais dos trabalhadores, o que pressupõe o acumulo de pressões inflacionárias na economia. 

 

Vale lembrar que estes números seguem uma série de outros dados medidas que apontam na direção de uma economia aquecida, com o hiato do produto fechado e no pleno emprego. Isso tudo ocorre em um pano de fundo em que outras medidas ainda irão afetar a economia na mesma direção, talvez no pior momento possível do ciclo econômico, como os incentivos da Reforma Tributária, um potencial pacote de infraestrutura, medidas menos restritivas ao setor financeiro (que devem estimular empréstimos e a velocidade do dinheiro) além de medidas protecionistas. 

 

No meio disso tudo, ainda temos uma política monetária em processo extremamente gradual de normalização, porém ainda bastante expansionista. O preço dos ativos de risco, em muitos casos, se mostrava menos trivial do ponto de vista de “valuation” e “valor” e uma posição técnica comprometida. 

 

A conjunção desses fatores levou a uma mudança na dinâmica dos ativos de risco ao redor do mundo. Primeiro observamos um aumento razoável das volatilidades realizadas e implícitas de várias classes de ativos, e agora estamos vivenciando um processo de ajuste de preços e posições. 

 

Olhando para a frente, neste momento, tenho mais dúvidas do que certezas, mas algumas coisas começam a ficar mais claras. Ainda acho cedo para afirmar com convicção que estamos de fato diante de uma mudança de cenário base. Contudo, o acumulo de evidências me leva a crer que estamos no estágio final do ciclo econômico, onde mais crescimento significa mais inflação e isso não seja necessariamente positivo para os ativos de risco. 

 

Eu entendo que os Bancos Centrais nas economias desenvolvidas irão tentar manter uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária. Todavia, no final das contas, o que irá determinar a velocidade deste processo será os dados econômicos. Não podemos descartar cenários de manutenção do “status-quo” atual, ainda de “Goldilocks”, nem mesmo da mudança radical de cenário, para um “risk-off” mais acentuado, liderado pelo aumento da inflação e das taxas de juros.  Por ora, minha visão está no meio deste caminho.

 

Acredito que o ano terá mais volatilidade e mais diferenciação entre classes de ativos e ativos de diferentes países e regiões. Vejo mais valor em posições relativas do que em posições direcionais. Posições táticas deverão ser mais importantes do que posições estratégicas. A volatilidade média dos mercados deverá ser mais elevada do que no passado recente, com picos ainda mais altos. Até uma definição clara em torno das eleições presidenciais, os ativos do Brasil deverão seguir o humor global a risco. 

 

Como escrevi desde o pré julgamento de Lula em segunda instância (pode ler lido na sequencia aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/), tenho buscado manter um portfólio mais balanceado. Mantenho posições de pequenas para médias em Brasil, concentrada na parte longa da curva de juros reais, com uma pequena posição vendida em dólar (comprada em BRL) via estruturas de opção com perda limitada e uma posição pequena em bolsa via “stock picking”. No portfólio externo, a posição central continua a ser tomada em taxas longas de juros nos EUA. Reduzimos nosso Long JPY em meados de janeiro. Mantemos posição tática vendida em AUD e SPX iniciada no final de janeiro, mas reduzimos e trocamos os instrumentos após os movimentos de ontem. 

 

Olhando para frente, deveremos manter este mesmo tipo de postura. A posição em BRL já ficou bastante reduzida pela perda de delta. Não estou com pressa de voltar a elevar a alocação, pois estou revendo o cenário após os eventos recentes. Estou de olha no Ibovespa, aonde vejo espaço para um bom desempenho, mesmo que relativo, e onde as vols implícitas estão baixas para manter alocações. 

 

No cenário externo, consigo ver uma realização entre 5% e 10% da bolsa nos EUA (já caiu cerca de 4% dos picos), mas uma correção mais acentuada dependerá dos dados econômicos, como descritos acima. O VIX encontra-se em torno de 15%, patamar elevado se considerado o ano de 2017, mas ainda próximo às médias de prazos mais longos (em torno de 12%). Consigo ver picos acima de 20% e uma média mais próxima as médias de longo-prazo a partir de agora. A Treasury de 10 anos me parece esticada no curto-prazo, mas continuo convicto na abertura de taxas em termos estruturais. Podemos, daqui a 2-3 anos, olhar para trás, ver a taxa em 2,85%, e pensar: “nosso, como aquelas taxas estavam muito erradas....”.




Data: 02/02/2018

Bitcoin and Beyond

 

No dia 18 de janeiro, escrevi o seguinte sobre as cripto-moedas (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/ultimas-horas-trouxeram-noticias.html):

Eu não deveria entrar no mérito de comentar sobre as “cripto- moedas” por ter a consciência de que nada entendo sobre o assunto. Só tenho uma pequena, e talvez irrelevante opinião sobre o tema. A alta parabólica nos preços do Bitcoin e Cia, na minha humilde visão, é um sintoma da mesma “doença” que afetou os demais mercados globais e ativos de risco nos últimos anos. Entre outros (nova tecnologia, sigilo nas transações, utilização criminosa e etc), o excesso de liquidez global me parece ser uma importante explicação para este fenômeno. Assim, conforme entramos no estágio final do ciclo de afrouxamento monetário, com Fed reduzindo QE e subindo juros, ECB iniciando processo semelhante, PBoC com política fiscal e monetária mais apertada e BoJ sinalizando caminho parecido, mesmo que em um momento futuro, acabam trazendo alguma incerta para a continuidade destes movimentos parabólicos.

E complementei com o seguinte argumento sobre o pano de fundo externo:

Eu vejo os eventos recentes como reforçando a tese em prol de taxas de juros mais elevadas no mundo desenvolvido mas, em especial, nos EUA. Tenho o receio de que estejamos entrando na fase do ciclo econômico em que mais crescimento signifique mais inflação e, até mesmo, um certo “overheating” da economia dos EUA, o que não tende a ser positivo para os mercados no longo-prazo. Ainda me parece cedo para rever totalmente o pano de fundo de “Goldilocks” que ainda domina a cabeça dos investidores, todavia continuo vendo sinais que precisam ser estudados e maturados no curto-prazo.

Os números recentes e a dinâmica de curto-prazo dos ativos de risco apenas reforçam a minha tese. Ainda não tenho um cenário base negativo como pano de fundo, mas continuo me aprofundando no entendimento dos dados recentes, pois vejo o acumulo de sinais que podem alterar o pano de fundo corrente, com reverberações importantes para os ativos de risco.

Assim, mantenho um portfólio mais balanceado desde o pré-julgamento de Lula em segunda instância. Mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/02/relatorio-mensal-de-asset-allocation.html.




Data: 02/02/2018

As atenções estão voltadas às  taxas de juros nos EUA.

 

Os ativos de risco estão passando por um momento de acomodação, puxados por uma abertura nas taxas de juros dos países desenvolvidos relativamente acentuada para os padrões históricos recentes.

O cenário base de crescimento sólido ao redor do mundo, inflação contida nas economias avançadas e postura gradual dos bancos centrais ainda é válido. Contudo, acumulam-se evidências de que em algumas economias, tais como EUA e Alemanha, o hiato do produto fechado e o pleno emprego possam já começar a estar causando pressões inflacionárias, o que levaria a necessidade de uma postura mais proativa e agressiva por parte dos bancos centrais dessas economias.

Eu entendo que os bancos centrais nas economias avançadas irão buscar um processo de normalização monetária gradual e bem comunicado. Contudo, no final das contas, quem determinará isso serão os dados econômicos, que podem vir a atropelar este desejo. Assim, no atual estágio do ciclo, precisamos ter atenção redobrada.

Os dados recentes apenas reforçam a tese descrita acima. Nos EUA, o Unit Labor Cost apresentou alta de 2% QoQ no 4Q17, muito acima das expectativas. O Jobless Claims continuou próximo a 230k, no piso desde a década de 70. Este quadro sinaliza para um mercado de trabalho no pleno emprego!

O destaque da agenda de hoje ficará por conta dos dados oficiais do mercado de trabalho nos EUA. Espera-se uma taxa de desemprego estável, uma criação ainda robusta de vagas de trabalho e uma alta gradual dos rendimentos médios reais. Acredito que, em algum momento, veremos um arrefecimento no nível de criação mensal de vagas de trabalho, com maiores pressões nos rendimentos, movimentos típicos de um ciclo econômico mais maduro.

No Brasil, o Governo tenta manter vivas as expectativas para a Reforma da Previdência, mas suas chances hoje são vistas como mínimas pelo mercado. A Produção Industrial de dezembro apresentou forte alta de 2,8% MoM, acima das expectativas. O número reforça o quadro de um crescimento mais consolidado, espalhado e coloca um risco altista nas expectativas para o PIB do país em 2018. Os ativos locais continuam seguindo o humor global a risco. 




Data: 01/02/2018

Hawkish Fed.

 

Os ativos de risco estão dando continuidade, hoje pela manhã, aos movimentos verificados após a decisão do FOMC, nos EUA, no final da tarde de ontem. Vemos uma leve alta do dólar no mundo, uma abertura de taxa das Treasuries mas com as bolsas globais ainda bem comportadas.

O grande destaque de ontem foi à decisão do Fed/FOMC nos EUA. Como era amplamente esperado, o Fed manteve sua política monetária inalterada. Contudo, promoveu algumas alterações sutis em seu comunicado que não passaram despercebidas pelo mercado. Além de darem um tom mais otimista com relação ao crescimento e a convergência da inflação para sua meta de 2%, o comunicado mostrou disposição por parte do comitê em promover altas adicionais na taxa de juros ao longo deste ano.

O mercado ainda precifica cerca de 60bps de alta de juros para este ano, enquanto as previsões do Fed apontam para 3 altas de 25bps (agora com perspectivas de altas adicionais a essas segundo o comunicado). A reação natural do mercado foi uma alta do dólar e um “flattening” da curva de juros. Por ora, ainda não há sinais consistentes de que a postura do Fed esteja afetando o humor para os demais ativos de risco.

Além da decisão do Fed, a agenda nos EUA trouxe um ADP Employment mostrando uma criação de 235mil postos de trabalho em dezembro, número bastante robusto. O Employment Cost Index apresentou alta de 0,6% QoQ no 4Q17, em linha com as expectativas. O número confirma uma trajetória gradual de aumento do custo do trabalho. Finalmente, vimos números de atividade econômica, como o Chicago PMI, mantendo-se em patamar saudável e elevado, condizente com um crescimento robusto da economia.

No Brasil, a Taxa de Desemprego apresentou mais um mês de recuo, com a continuidade do processo de recuperação dos rendimentos médios reais. Os números estão em linha com um cenário de recuperação do mercado de trabalho, que dar sustentação a recuperação do crescimento do país.

Os dados fiscais mostram um quadro ainda preocupante, mas a recuperação da economia levou o governo a superar a meta de déficit fiscal primário (menos déficit) em 2017. Os números mostram o potencial positivo que a recuperação cíclica da economia traz aos indicadores econômicos, o que deverá continuar ao longo deste ano, independente de fatores exógenos. Contudo, não podemos esquecer que para que esta recuperação cíclica se torne estrutural as reformas econômicas ainda são indispensáveis.

Hoje pela manhã observamos dados robustos de exportações da Coreia do Sul. Por ser uma economia aberta e com corrente do comercio elevada, estes números costumam ser vistos como proxy para o crescimento global. Assim, ainda vemos sinais positivos da economia mundial, a despeito do estágio avançado do ciclo econômico.

Finalmente, dados do setor imobiliária na Austrália levaram a uma forte queda do AUD (moeda do país) esssa manhã. Segundo o Morgan Stanley: Watch the Australian housing space. Building approvals in Australia fell sharply in December, reversing the sharp uptick in previous months. Approvals were down 5.5%Y (vs. consensus of +11.5%Y), with apartments leading the decline. The Sydney area saw a decline of 60%Y in apartment approvals to the lowest level in 3 years. A deterioration in housing would have large implications for the AUD, in our view. Yesterday’s weaker than expected headline inflation should see the RBA firmly on hold through 1H18, in our view, which should see rate differentials weigh on the AUD regardless of developments in the housing market.

Em termos de portfólio, continuo buscando uma posição mais neutra no curto-prazo. Mantenho exposição aos ativos no Brasil, focado na parte longa da curva de NTN-B, com alguma exposição comprada em BRL (vendida em dólar) via estrutura de opções com perda limitada e comprado em uma pequena carteira de ações locais. As posições em Brasil hoje podem ser consideradas entre pequenas e médias, já que acredito que continuaremos a seguir o humor global a risco.

No externo, continuo tomado em taxa de juros nos EUA como principal tema de investimento, administrando apenas tamanho e instrumentos. Mantenho uma posição comprada em JPY, mas menor do que como comecei o ano. Taticamente, ou seja, em menor escala e com stops mais curtos, estamos levemente vendidos em AUD e SPX desde final da semana passada.

 



Data: 31/01/2018

Brasil: Pesquisa Datafolha mostra cenário incerto. Centro não evolui...

 

A noite foi um pouco mais agitada, com informações relevantes ao cenário. 

 

Brasil – A pesquisa Datafolha para presidente da república realizada após a condenação de Lula em segunda instância mostra o ex-presidente ainda na liderança das pesquisas, consolidado em torno de 35% das intenções de voto. Quando retirado da pesquisa, cenário que acredito ser o mais provável no momento, os mais favorecidos, por ora, da saída de Lula da corrida eleitoral seriam Marina Silva e Ciro Gomes. Nestes cenários, Bolsonaro ainda lidera a disputa, seguido de Marina. Os candidatos considerados mais ao centro e liberais continuam “patinando” abaixo de 10% das intenções de voto. 

 

Brasil – A pesquisa Datafolha para presidente da república realizada após a condenação de Lula em segunda instância mostra o ex-presidente ainda na liderança das pesquisas, consolidado em torno de 35% das intenções de voto. Quando retirado da pesquisa, cenário que acredito ser o mais provável no momento, os mais favorecidos, por ora, da saída de Lula da corrida eleitoral seriam Marina Silva e Ciro Gomes. Nestes cenários, Bolsonaro ainda lidera a disputa, seguido de Marina. Os candidatos considerados mais ao centro e liberais continuam “patinando” abaixo de 10% das intenções de voto. 

 

Acredito que, no curto-prazo, a pesquisa deve ser vista como negativa pelos investidores locais. Eu acredito que ainda falta muito tempo para as eleições e o centro ainda precisa se unir em torno de um nome único e competitivo caso queira evoluir nas pesquisas. A despeito de reconhecer que um segundo turno entre Bolsonaro e Marina não seja o cenário ideal para os mercados financeiros locais, tampouco acredito que algum deles fariam uma mudança drástica de política econômica caso eleitos. Assim, vejo os cenário como levemente negativos no curto-prazo apenas. 

 

A pesquisa pode ser vista aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1954606-sem-lula-disputa-por-vaga-no-segundo-turno-se-acirra.shtml. 

 

China – O Flash PMI do país mostrou uma desaceleração, ficando abaixo das expectativas do mercado de estabilidade. O número confirma um cenário de uma economia levemente mais fraca na margem, cenário com que muitos já trabalhavam desde o ano passado. O risco continua a ser de uma desaceleração superior as expectativas, mais rápida e acentuada, que poderia afetar de maneira mais contundente o cenário base. 

 

Segundo o Morgan Stanley: Official manufacturing PMI unexpectedly slipped on weaker new orders: The NBS manufacturing PMI edged down to 51.3 in January (vs. 51.6 in December, Consensus and MSe: 51.6), led by weaker new orders (52.6 in January vs. 53.4 in December). In particular, new export orders dipped by 2.4ppt to 49.5 (vs. 51.9 in December), suggesting external demand likely normalized from elevated levels in January due to front-loaded orders ahead of the December holiday season. That said, the drag was partly offset by stronger consumer goods production before Chinese New Year, as NBS disclosed that PMI reading in the industry has edged up by 0.3ppt to 52.7 in January." 

 

Austrália – Os dados de inflação do 4Q18 ficaram levemente abaixo das expectativas, reduzindo a probabilidade, que já era baixa, de qualquer ajuste monetário no país no curto-prazo. De acordo com Citibank: 

 

"Quarterly CPI was weaker than expected for the fifth consecutive quarter. Q4 CPI printed at 0.6%, below the 0.7% consensus estimate and our 0.8% forecast. The trimmed mean increased by just 0.4%, also below consensus expectations for a 0.5% increase and our 0.5% forecast. The Q4 CPI data marked the longest period of continually weaker-than-expected headline CPI on record. The last previous run of consecutively weaker-than-expected data was from Q1 to Q4 2005. This long run of downward surprises is more marked than seen in a number of major economies."  




Data: 31/01/2018

Risk-Off! For how long?

 

Não há mudanças substanciais de cenário econômico nos últimos dias, mas certamente os mercados financeiros globais emitem sinais de fadiga. A alta das volatilidades (realizadas e implícitas) e a perda de correlação entre várias classes de ativos (já comentado mais cedo e reproduzido abaixo) não podem ser ignorados. 

 

Por ora, estou tratando o movimento recente como uma correção natural e saudável, após um começo de ano extremamente agressivo em termos de apreciação dos ativos financeiros. A posição técnica mais poluída, níveis de preço menos atrativos e uma agenda econômica mais carregada podem explicar parte dos movimentos recentes. 

 

O que me chama mais a atenção, e deve ser visto de forma um pouco mais estrutural, é a dinâmica global das taxas de juros dos países desenvolvidos desde a virada do ano. Além de um pano de fundo econômico que justifica juros mais elevados, temos um quadro técnico de mais emissões (aumento da oferta) e redução da demanda (através da redução do balanço do Fed e “tapering” do ECB). 

 

Este cenário me preocupa, já que vejo este processo como estrutural e não apenas pontual. Taxas de juros mais elevadas significam taxas de desconto mais altas e, consequentemente, valuations (preços de ativos financeiros) mais baixos. Não sei quando isso fará preço de forma mais estrutural nos mercados financeiros globais. 

 

Os ativos no Brasil continuam seguindo o humor global a risco, na ausência de notícias locais relevantes. As atenções do mercado estarão voltadas para as pesquisas de opinião em torno das eleições presidênciais. No cenário macro, continuamos a ver um ambiente de recuperação do crescimento, cada vez mais consolidado e espalhado, inflação contida, e contas externas saudáveis. Em termos políticos, não vemos alinhamento para a aprovação da Reforma da Previdência no curto-prazo. O mercado vê da mesma forma. A aprovação seria vista como bastante positiva pelos ativos locais. 

 

Em termos de portfólio, continuo buscando posições mais balanceadas e relativas, visando um cenário um pouco mais turbulento à frente, mesmo que pontualmente. Precisamos estar preparados e líquidos para eventuais mudanças estruturais de cenário.




Data: 30/01/2018

A volatilidade está de volta?

 

A despeito da manutenção de um “cenário base” relativamente estável ao redor do mundo, e da maior parte dos ativos de risco encontrarem-se em níveis apreciados para o histórico recente e, em muitos casos (como as bolsas nos EUA), em picos históricos, já vemos desde a virada do ano um padrão de volatilidade (vol) mais elevada nos ativos financeiros. 

 

Além disso, acho válido mencionar a perda de algumas correlações históricas, pelo menos no curto-prazo, como das Treasuries com S&P, do JPY com a Treasury e o S&P, do dólar no mundo com o diferencial de juros, entre outros. 

 

De modo geral, vejo estes sinais como uma evolução natural do cenário prospectivo. Com relação a alta nas volatilidades, dado o estágio do ciclo econômico global, acredito que possa ser uma tendência de veio para ficar, ou seja, vols mais altas do que o histórico padrão recente. Este tipo de ambiente favorece a busca por plays relativos e a diferenciação entre países/regiões, classes de ativos e afins. Costuma ser um ambiente mais propícios para os fundos macro fundamentalistas.




Data: 30/01/2018

Sinais de fadiga dos ativos de risco.

 

Desde o começo de segunda-feira os ativos de risco estão mostrando sinais de fadiga e apresentando alguns movimentos clássicos de realização de lucros, ou “risk-off”> Acredito que o movimento seja natural em qualquer ciclo econômico e pode ser explicado por um misto entre posição técnica um pouco prejudicada no curto-prazo, preços menos atrativos e uma agenda econômica e de política monetária mais carregada ao longo da semana. 

 

Ainda vejo espaço para a continuidade desta “acomodação” dos ativos de risco no curto-prazo, que julgo ser natural e saudável. Por ora, contudo, ainda não vejo motivos concretos para alterar de maneira radical o cenário base com o qual os mercados tem trabalhado, leia-se, crescimento global saudável, inflação ainda baixa no mundo desenvolvido e ajuste apenas gradual da política monetária nas principais economias do mundo. 

 

De qualquer maneira, reforço que vejo um acumulo de sinais na direção contrária a este cenário base, como tenho insistido nas últimas semanas (e pode ser lido aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/). Isso requer um portfólio mais balanceado, a busca por posições relativas e a procura por hedges. 

 

Os ativos no Brasil estão seguindo a risca o humor global em torno dos ativos de risco. Até o momento, não houve nenhuma “over performance” dos ativos Brasileiros baseado na melhora cíclica dos fundamentos locais (crescimento mais consolidado e espalhado, inflação baixa, juros baixos, contas externas saudáveis e, até mesmo, ume leve melhora nas contas públicas) e nem mesmo na aparente redução do “risco de cauda” do processo eleitoral após a condenação de Lula na segunda instância, o que na teoria o torna inelegível. 

 

Assim, mantenho um portfólio ainda alocado em ativos do Brasil. Nos atuais níveis de preço, a posição pode ser considerada de média para pequena. Estou favorecendo as NTN-Bs na parte intermediária da curva, posições compradas em BRL (vendidas em USD) através de estruturas de opção com perda limitada e uma pequena posição comprada em renda variável em que migramos boa parte das posição em Ibovespa por alguns “stock picks”. No cenário externo, seguimos tomados me juros longos nos EUA e comprados em JPY estruturalmente. Taticamente, ou seja, com stops mais curto, adicionamos uma venda de S&P e de AUD no final da semana passada. Neste caso, a visão é de curto-prazo e visando ter algum hedge no portfólio. 

 

No tocante aos dados econômicos correntes, não há alterações de cenário. Nos EUA, ontem, vimos o Core PCE de dezembro subir 0,2% MoM e 1,5% YoY, dentro das expectativas do mercado. Os dados de despesas ficaram levemente acima das expectativas, mostrando um quadro de crescimento saudável e robusto do país. 

 

No Brasil, a Nota de Crédito do BCB mostrou a continuidade do processo gradual de recuperação do mercado de crédito. Esta recuperação tem sido extremamente lenta, mas já mostra sinais mais positivos há algum tempo. Este deve ser mais um vetor de suporte ao crescimento no próximos meses.  




Data: 26/01/2018

"Risk-On" Continues.  Watch out for market signals...

 

Os dados econômicos divulgados hoje (que se somam aqueles divulgados ao longo de toda a semana) em nada alteram o cenário econômico global. Por consequência, a dinâmica dos ativos de risco permanece inalterada. 

 

O PIB dos EUA ficou levemente abaixo das expectativas, com alta de 2,6% (QoQ anualizado). Contudo, a abertura do indicador mostrou um quadro qualitativo saudável, com robustez da demanda interna. Continuo vendo uma economia aquecida, com hiato do produto fechado e risco crescentes de uma aceleração mais ampla da inflação. 

 

Continuamos a viver em um pano de fundo de crescimento global robusto, uma inflação ainda baixa no mundo desenvolvido e bancos centrais que normalizam as suas condições monetárias de maneira gradual e bem comunicada. 

 

Até agora, este processo de normalização monetária não foi capaz de promover nenhum ajuste nas condições financeiras. Muito pelo contrário, vivemos um período em que as condições financeiras se mostram bastante frouxas, até mais frouxas do que antes do início deste processo de normalização monetária. 

 

A dinâmica dos ativos de risco, assim, continua na direção entre o “Risk-On” e o “Goldilocks”. Ao que tudo indica, apenas uma reversão completa deste pano de fundo será capaz de alterar a direção dos mercados financeiros globais de maneira convincente. Enquanto isso, podemos esperar apenas realizações pontuais derivadas de uma posição técnica menos construtiva (mais detalhes abaixo) e preços menos atraentes. De forma geral, contudo, esses vetores não têm se mostrado capazes de impedir a continuidade das tendências, apenas freá-la de maneira pontual em alguns poucos momentos. 

 

No Brasil, os ativos locais continuam seguindo o humor global, ajudados por um ambiente interno também positivo. Volto a afirmar aqui, como já falei há alguns dias atrás, que acredito que mais de 80% do movimento dos ativos brasileiros seja explicado pelo pano de fundo global. Muito pouco do movimento recente é explicado pelo “evento condenação do Lula” e/ou pela melhora dos fundamentos locais. Somente como exemplo, o BRL ainda apresenta desempenho pior que seus pares em janela de 3, 6 e 12 meses. O mesmo vale para o EWZ se comparado ao EEM. 

 

Mantenho minha visão inalterada sobre posicionamento. Mais detalhes podem ser lidos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.




Data: 26/01/2018

Brasil em alta, dólar em baixa e desafios de longo-prazo.

 

Na tarde de ontem, o dólar apresentou um rápido e acentuado rally, após Trump dizer que os comentários a respeito da moeda, feitos pelo Secretário do Tesouro, tinham sido tirados de contexto. Agora pela manhã, a moeda norte americana voltou a operar sobre forte pressão ao redor do mundo. 

 

O movimento de ontem mostra que a posição técnica do dólar pode estar um pouco prejudicada, com muitos investidores já posicionados na mesma direção. Contudo, o cenário aponta para a continuidade desta tendência. Exceto por realizações de lucros pontuais, continuo vendo um dólar mais fraco estruturalmente. 

 

Os números de inflação no Japão apresentaram estabilidade em dezembro, levemente abaixo das expectativas de uma leve aceleração. A despeito do cenário mais positivo para o crescimento, e de um processo bastante gradual de alta na inflação, ainda não se observa um movimento mais acentuado de pressão inflacionária no país. 

 

Os comentários que fiz ontem continuam válidos: 

 

Os ativos do Brasil negociados nos EUA estão mantendo a tendência de forte desempenho até o momento. O EWZ subiu 1%, a PBR 1,3% e ITUB 2,6%, apenas para citar alguns poucos exemplos. 

 

Dada à decisão de ontem, parece haver espaço para os ativos locais continuarem mostrando bom desempenho no curto-prazo. Além do pano de fundo econômico que considero ciclicamente muito positivo para o país, existe uma “enxurrada” de fluxo que poderia migrar para ativos de maior risco, ou seja, renda variável, títulos longos e, consequentemente, favorecer o BRL. 

 

Ao longo desta quinta-feira, a Petrobrás está executando uma emissão de bonds (dívida) no exterior. Segundo a mídia, a demanda pelos papeis já supera os US$10 bilhões, o que confirma o interesse por ativos brasileiros. A Natura também realizou emissão hoje, com boa demanda e taxas relativamente fechadas. 

 

No cenário externo, o grande destaque continua por conta da forte pressão sobre o dólar no mundo, uma tendência que se acentua e parece consolidada. As declarações recentes do Secretário do Tesouro dos EUA apenas deram ímpeto adicional ao movimento. 

 

Na Europa, o ECB manteve o tom de seu descuro de dezembro, após manter a política monetária inalterada, o que era amplamente esperado. O Banco terá um grande desafio nos próximos meses, pois precisará passar por um processo de transição em sua política monetária, face uma economia extremamente robusta. A ausência de declarações mais rígidas em relação à apreciação recente do EUR, por exemplo, podem ter ajudado a dar ainda mais sustentação a moeda ao longo do dia de hoje. 

 

Na Alemanha, o IFO – um dos principais indicadores de confiança de toda a Europa – apresentou alta, superando as expectativas do mercado. Todos os indicadores econômicos da Alemanha apontam para um crescimento robusto, acima das expectativas. 

 

Nos EUA, o Jobless Claims se manteve nos níveis mais baixos desde a década de 70. O número mostra um mercado de trabalho apertado, já no pleno emprego e uma economia que apresenta hiato do produto já fechado. 

 

Diante deste quadro, continuo favorecendo os ativos do Brasil, apenas administrando tamanho e instrumentos. Vejo uma tese ainda positiva para os mercados emergentes nos próximos meses e para o Brasil, em especial. No cenário externo, continuo perseguindo este aumento estrutural das taxas de juros nos países desenvolvidos. Acredito que este movimento continuará sendo seguido por um enfraquecimento global do dólar, que estamos posicionados via compra de JPY e BRL no portfólio de Brasil. 

 

Se o curto-prazo parece apresentar espaço para a manutenção desta dinâmica acima citada, mas sem grandes problemas aparentes, continuo preocupado com os desenvolvimentos a longo-prazo. 

 

As políticas que vem sendo implementadas nos EUA como corte de impostos, estímulo fiscal, plano de infraestrutura, enfraquecimento do dólar, protecionismo, menor regulamentação bancária, em um pano de fundo de crescimento forte, hiato do produto fechado e pleno emprego, são políticas que levarão ao aumento do déficit público, à inflação, ao aumento das taxas longas de juros e a novas rodadas de depreciação da moeda local. No geral, estes movimentos não costumam terminar de maneira saudável. 




Data: 26/01/2018

Brasil em alta, dólar em baixa e desafios de longo-prazo.

 

Os ativos do Brasil negociados nos EUA estão mantendo a tendência de forte desempenho até o momento. O EWZ sobe 2,8%, a PBR sobe 3% e ITUB sobe 3,5%, apenas para citar alguns poucos exemplos. 

 

Dada à decisão de ontem, parece haver espaço para os ativos locais continuarem mostrando bom desempenho no curto-prazo. Além do pano de fundo econômico que considero ciclicamente muito positivo para o país, existe uma “enxurrada” de fluxo que poderia migrar para ativos de maior risco, ou seja, renda variável, títulos longos e, consequentemente, favorecer o BRL. 

 

Ao longo desta quinta-feira, a Petrobrás está executando uma emissão de bonds (dívida) no exterior. Segundo a mídia, a demanda pelos papeis já supera os US$10 bilhões, o que confirma o interesse por ativos brasileiros. A Natura também realizou emissão hoje, com boa demanda e taxas relativamente fechadas. 

 

No cenário externo, o grande destaque continua por conta da forte pressão sobre o dólar no mundo, uma tendência que se acentua e parece consolidada. As declarações recentes do Secretário do Tesouro dos EUA apenas deram ímpeto adicional ao movimento. 

 

Na Europa, o ECB manteve o tom de seu descuro de dezembro, após manter a política monetária inalterada, o que era amplamente esperado. O Banco terá um grande desafio nos próximos meses, pois precisará passar por um processo de transição em sua política monetária, face uma economia extremamente robusta. A ausência de declarações mais rígidas em relação à apreciação recente do EUR, por exemplo, podem ter ajudado a dar ainda mais sustentação a moeda ao longo do dia de hoje. 

 

Na Alemanha, o IFO – um dos principais indicadores de confiança de toda a Europa – apresentou alta, superando as expectativas do mercado. Todos os indicadores econômicos da Alemanha apontam para um crescimento robusto, acima das expectativas. 

 

Nos EUA, o Jobless Claims se manteve nos níveis mais baixos desde a década de 70. O número mostra um mercado de trabalho apertado, já no pleno emprego e uma economia que apresenta hiato do produto já fechado. 

 

Diante deste quadro, continuo favorecendo os ativos do Brasil, apenas administrando tamanho e instrumentos. Vejo uma tese ainda positiva para os mercados emergentes nos próximos meses e para o Brasil, em especial. No cenário externo, continuo perseguindo este aumento estrutural das taxas de juros nos países desenvolvidos. Acredito que este movimento continuará sendo seguido por um enfraquecimento global do dólar, que estamos posicionados via compra de JPY e BRL no portfólio de Brasil. 

 

Se o curto-prazo parece apresentar espaço para a manutenção desta dinâmica acima citada, mas sem grandes problemas aparentes, continuo preocupado com os desenvolvimentos a longo-prazo. 

 

As políticas que vem sendo implementadas nos EUA como corte de impostos, estímulo fiscal, plano de infraestrutura, enfraquecimento do dólar, protecionismo, menor regulamentação bancária, em um pano de fundo de crescimento forte, hiato do produto fechado e pleno emprego, são políticas que levarão ao aumento do déficit público, à inflação, ao aumento das taxas longas de juros e a novas rodadas de depreciação da moeda local. No geral, estes movimentos não costumam terminar de maneira saudável. 




Data: 24/01/2018

Brasil: Primeiro passo na longa jornada das eleições.

 

Ontem foi o primeiro dia depois de muito tempo que observamos alguns sinais mais negativos dos mercados financeiros globais, com alguns movimentos, mesmo que ainda tímidos, de realizações de lucros. 

 

Observamos uma pressão sobre os ativos emergentes, uma forte queda do Minério de Ferro, uma apreciação maior do JPY, um fechamento de taxa de juros das Treasuires, entre outros. Estes são sinais claros de fadiga dos movimentos recentes no curto-prazo. Os sinais ainda são incipientes e os movimentos controlados. Por não haver uma mudança clara de necessário, por ora, estas correções seriam apenas reações naturais a preços menos atrativos e a uma posição técnica mais desfavorável. Ainda cedo falar em mudança ou inversão de cenário e tendência. 

 

Hoje pela manhã já vemos um mercado de volta as tendências recentes, com destaque para o dólar fraco no mundo, as bolsas e as commodities em alta e taxas de juros mais estáveis nos países desenvolvidos. 

 

No Brasil, hoje é o primeiro passo na longa jornada que será a campanha eleitoral para presidente. Lula será julgado em segunda instância no TRF-4, em Porto Alegre. Não vou entrar aqui nos meandros do processo. Acredito que um resultado de 3x0 será bem recebido pelo mercado. Um resultado de 2x1 poderá levar a alguma realização de lucros dos ativos locais. Qualquer resultado com Lula inocentado terá reação extremamente negativa dos ativos locais. 

 

Acredito que o mercado tenha reduzido alocação em ativos do Brasil nos últimos dias e que a posição técnica esteja saudável, mas isso não evitará movimentos relevantes em caso de “resultados extremos” da decisão de hoje. 

 

O IPCA-15, divulgado ontem, apresentou inflação abaixo do esperado. O número mostrou um quadro qualitativo positivo (inflação, núcleos e difusão baixas). O número divulgado ontem tira um pouco da sensação ruim deixada pelo IPCA de dezembro, mostrando um quadro de relativa tranquilidade para a inflação. Continuo acreditando que a Taxa Selic cairá para, pelo menos, 6,75% e ficará neste patamar por um longo período de tempo. 




Data: 23/01/2018

EUA: Caminho sem volta?

 

Nesta noite, como era esperado, o BoJ, no Japão, manteve a política monetária inalterada. As declarações da instituição apontam para um maior otimismo em torno do crescimento e da convergência da inflação para a meta. 

 

Uma forte queda no preço do Minério de Ferro durante a noite está colocando alguma pressão no AUD essa manhã. 

 

O grande destaque dos últimos dias, contudo, continua por parte do EUA e ontem não foi diferente. O Senado chegou a um acordo e o “shutdown” foi encerrado de forma relativamente rápida, apresentado pouco impacto nos mercados no curto-prazo. Ao que tudo indica, a solução do impasse deverá incorrer em mais gastos e mais déficit fiscal a longo-prazo. 

 

No final da tarde de ontem, o POLITICO – um veículo de comunicação norte americano especializado em cenário político (por mais obvio que pareça) – divulgou um esboço do “Pacote de Infraestrutura” que deverá ser divulgado pelo Governo Trump. De forma clássica, o pacote deverá dar suporte ao crescimento, via investimentos, porém com o efeito secundário de também aumentar o déficit público. 

 

No início da noite, o Governo dos EUA anunciaram a implementação de tarifas para painéis solares e lavadoras de roupa, no que parece o primeiro passo em um longo processo de “trading war” que Trump e Cia, pretendem adotar. 

 

Nós, brasileiros, deveríamos reconhecer de maneira mais clara o cenário que está se desenhando nos EUA, pois vivenciamos situação muito semelhante há poucos anos atrás, e ainda sofremos as consequências nefastas deste ambiente. 

 

Vejamos: Uma economia robusta, em um mercado de trabalho aquecido, com política monetária excessivamente frouxa. Adiciona a isso um pacote de estímulo fiscal/tributário, um plano de infraestrutura com gastos públicos adicionais e a imposição de barreiras a seus parceiros comerciais visando defender a industria nacional. Lembra alguma coisa? (Brasil entre 2011 e 2015). As consequências parecem claras. Aumento do déficit fiscal, piora nos fundamentos econômicos, uma moeda mais fraca e taxas de juros longas mais elevadas me parecem ser o caminho natural deste processo a longo-prazo. 




Data: 22/01/2018

Watch out!

 

Os ativos de risco estão abrindo a semana sem movimentos relevantes. No domingo, a situação política na Alemanha caminhou na direção de um acordo entre os partidos da base governista. Assim, o atual governo poderá seguir em frente, sem a necessidade de novas eleições no curto-prazo. A notícia ajudou a dar sustentação ao EUR ao longo da noite. 

 

Na Coréia do Sul, as exportações dos primeiros 20 dias de janeiro apresentaram alta de 14,5% YoY, subindo dos 12,2% YoY do mês anterior. O número mostra uma economia global ainda bastante robusta (por ser uma economia muito aberta, com corrente de comércio elevada, as exportações do pas são lidars como uma boa “proxy” para o crescimento global). 

 

O noticiário no Brasil continua sem novidades relevantes. Mantenho a visão de que o próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula em segunda instância, no TRF-4, agendado para a semana que se inicia amanhã. 

 

Nossa análise quantitativa e qualitativa mostra que os fundos locais não estão com posições excessivas alocados em ativos locais. A visão predominante ainda é bastante positiva, mas a maior parte dos fundos ajustou suas posições nos últimos dias. Em suma, a posição técnica em ativos do Brasil não me parece ruim. Contudo, mantenho a visão de que nos atuais níveis de preço não vejo tanto assimetria para o evento citado anteriormente, exceto nos casos extremos, cujas probabilidades são mais baixas (leia-se Lula inocentado ou Lula condenado por 3x0 com a mesma condenação proferida em primeira instância). 

 

O cenário externo, contudo, começa a ficar um pouco mais interessante. A semana terá como destaque a decisão de política monetária em importantes países e regiões do mundo, como na Europa e no Japão. 

 

Nos EUA, o Congresso não chegou a um acordo e o “shutdown” teve inicio oficialmente na madrugada de sábado.. A visão central do mercado é que este evento poderá reduzir o PIB entre 0,2% e 0,3%, mas com impacto limitado e pontual. Do ponto de vista político, um acordo poderá seguir o caminho de novas concessões entre Democratas e Republicanos e, consequentemente, mais medidas na direção do aumento do déficit fiscal do país podem ser implementadas. 

 

No final da tarde de sexta-feira, um membro do Fed responsável por regulamentação bancária concedeu declarações de que o Fed e o Governo estariam na fase final dos estudos para aliviar parte das limitações/restrições de alavancagem implementadas após a crise de 2008. Seria mais uma medida na direção de aliviar restrições bancárias, se caracterizando mais um vetor na direção de estimular o crescimento do país. 

 

Na minha visão, estes eventos são extremamente relevantes, pois ocorrem ao mesmo tempo em que o crescimento já se mostra sólido, o mercado de trabalho robusto e, com uma convicção cada vez maior, um hiato do produto fechado e a economia no pleno emprego. Os mercados financeiros globais estão lendo esse pano de fundo e essas medidas como bastante positivas, o que de todo não está errado. São medidas que deverão sustentar o crescimento no curto-prazo, o que costuma ser muito positivo para os ativos de risco em geral. 

 

Contudo, acumulam-se evidências que muitas dessas medidas estão sendo implementadas no pior momento possível para a economia. São medidas que deveriam ter sido colocadas em prática logo após a crise, e não 10 anos depois, no atual estágio, já maduro, do ciclo econômico. Estamos falando de Reforma Tributária, Plano de Infraestrutura, menos limites aos bancos, em meio a uma economia no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Se a teoria econômica ainda é válida, em algum momento, e esse momento parece cada vez mais próximo, estamos correndo o risco de observar uma aceleração da inflação em velocidade e magnitude que, hoje, não é esperada pelo mercado. 

 

Reforço que não estou aqui fazendo apologia a um cenário mais negativo, pois as mudanças de cenário costumam ser graduais, com o acumulo de evidências contrárias ao cenário base. Por ora, a estratégia ótima e tentar “surfar” ainda o bom momento econômico global. Todavia, a prudência recomenda a busca de hedges, além da alocação em ativos líquidos e instrumentos que defendam o portfólio na eventualidade da mudança de cenário base realmente se concretizar.  




Data: 22/01/2018

EUA: Risk of overheating...

 

O noticiário no Brasil continua sem novidades relevantes. Mantenho a visão de que o próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula em segunda instância, no TRF-4, agendado para a semana que se inicia amanhã. 

 

Nossa análise quantitativa e qualitativa mostra que os fundos locais não estão com posições excessivas alocados em ativos locais. A visão predominante ainda é bastante positiva, mas a maior parte dos fundos ajustou suas posições nos últimos dias. Em suma, a posição técnica em ativos do Brasil não me parece ruim. Contudo, mantenho a visão de que nos atuais níveis de preço não vejo tanto assimetria para o evento citado anteriormente, exceto nos casos extremos, cujas probabilidades são mais baixas (leia-se Lula inocentado ou Lula condenado por 3x0 com a mesma condenação proferida em primeira instância). 

 

O cenário externo, contudo, começa a ficar um pouco mais interessante. A semana terá como destaque a decisão de política monetária em importantes países e regiões do mundo, como na Europa e no Japão. 

 

Nos EUA, o Congresso não chegou a um acordo o “shutdown” teve inicio oficialmente nesta madrugada. Ainda existe a possibilidade de um acordo neste domingo. A visão central do mercado é que este evento poderá reduzir o PIB entre 0,2% e 0,3%, mas com impacto limitado e pontual. Do ponto de vista político, um acordo poderá seguir o caminho de novas concessões e, consequentemente, mais medidas na direção do aumento do déficit fiscal do país. 

 

No final da tarde de sexta-feira, um membro do Fed responsável por regulamentação bancária concedeu declarações de que o Fed e o Governo estariam na fase final dos estudos para aliviar parte das limitações implementadas após a crise de 2008. Seria mais uma medida na direção de aliviar restrições bancárias, se caracterizando mais um vetor na direção de estimular o crescimento do país. 

 

Na minha visão, estes eventos são extremamente relevantes, pois ocorrem ao mesmo tempo em que o crescimento já se mostra sólido, o mercado de trabalho robusto e, com uma convicção cada vez maior, um hiato do produto fechado e a economia no pleno emprego. Os mercados financeiros globais estão lendo esse pano de fundo e essas medidas como bastante positivas, o que de todo não está errado. São medidas que deverão sustentar o crescimento no curto-prazo, o que costuma ser muito positivo para os ativos de risco em geral. 

 

Contudo, acumulam-se evidências que muitas dessas medidas estão sendo implementadas no pior momento possível para a economia. São medidas que deveria ter sido colocadas em prático logo após a crise, e não 10 anos depois, no atual estágio, já maduro, do ciclo econômico. Estamos falando de Reforma Tributária, Plano de Infraestrutura, menos limites aos bancos, em meio a uma economia no pleno emprego e com o hiato do produto fechado. Se a teoria econômica ainda é válida, em algum momento, e esse momento parece cada vez mais próximo, estamos correndo o risco de observar uma aceleração da inflação em velocidade e magnitude que, hoje, não é esperada pelo mercado. 

 

Reforço que não estou aqui fazendo apologia a um cenário mais negativo, pois as mudanças de cenário costumam ser graduais, com o acumulo de evidências contrárias ao cenário base. Por ora, a estratégia ótima e tentar “surfar” ainda o bom momento econômico global. Todavia, a prudência recomenda a busca de hedges, além da alocação em ativos líquidos e instrumentos que defendam o portfólio na eventualidade da mudança de cenário base realmente se concretizar. 




Data: 18/01/2018

"Don´t be fooled by randomness"

 

Acho importante termos em mente que a forte recuperação dos ativos no Brasil desde meados de dezembro está intimamente ligada, ou seja, é em grande parte explicada pelo ambiente global. Observamos um forte fluxo para emergentes neste cerca de um mês. Os fundamentos desses países, em sua maioria, mas com várias exceções, é sem dúvida melhor do que no passado recente. Além disso, o ambiente global de juros baixos, crescimento sólido e inflação (ainda) baixa no mundo desenvolvido, ajuda os fluxos para a classe EM. Finalmente, os “valuations” parecem mais atrativos em EM se comparados a DM. 

 

Meu ponto aqui é que grande parte do desempenho de Brasil é explicado pelo externo, como na maior parte das vezes. Não vamos nos enganar que os fundamentos locais explicam a alta rápida e acentuada dos ativos locais. Assim, qualquer mudança no pano de fundo externo terá impacto relevante nos ativos locais. Reforço que não estou fazendo uma afirmação que o cenário irá mudar, mas que, se mudar, isso terá impacto em Brasil.




Data: 18/01/2018

Ultimas horas trouxeram notícias relevantes ao cenário.

 

As últimas 12 horas trouxeram notícias interessantes aos cenário, mas que apenas reforçam o cenário base, sem alterar o pano de fundo global, mas que podem ter algum impacto nos mercados financeiros. Vamos as notícias. 

 

Nos EUA, a Apple anunciou que irá pagar cerca de US$36bi em impostos e repatriar lucros retidos no exterior. O dinheiro será usado para investimentos, tais como um novo “campus” e a contratação de milhares de funcionários. Segundo consta, grande parte dos recursos da empresa estão em títulos curtos (Treasuies até 5 anos) e corporate bonds. A leitura do mercado foi relativamente natural, com alta das bolsas, precificando mais crescimento via investimentos e emprego, e alta nas taxas de juros, devido a mais uma fonte de venda de títulos públicos em meio a um pano de fundo de solidez do crescimento e do emprego. 

 

Na noite de ontem, os dados de estoques e fluxos de títulos norte americanos mostrou uma queda no estoque de Treasuries por parte de Japão e, especialmente, da China, em cerca de US$10bi cada. O número é relevante em um contexto em que há rumores de que a China poderia reduzir suas compras de Treasuries devido às incertezas do cenário e diante de preços menos atrativos. Os números de ontem confirmam estes rumores, mesmo que já negados oficialmente, uma vez que as reservas internacionais da China estão subindo nos últimos meses e o estoque de Treasuries caiu ao menor nível desde julho de 2017.

 

Os números econômicos da China de dezembro mostraram um PIB, uma produção industrial e dados de investimentos basicamente em linha com as expectativas, mas as vendas no varejo surpreenderam negativamente. Os números estão em linha com a tese de que o pico da atividade no país ficou para trás e deveremos conviver com uma desaceleração gradual da economia de agora em diante. 

 

Eu vejo os eventos recentes como reforçando a tese em prol de taxas de juros mais elevadas no mundo desenvolvido mas, em especial, nos EUA. Tenho o receio de que estejamos entrando na fase do ciclo econômico em que mais crescimento signifique mais inflação e, até mesmo, um certo “overheating” da economia dos EUA, o que não tende a ser positivo para os mercados no longo-prazo. Ainda me parece cedo para rever totalmente o pano de fundo de “Goldilocks” que ainda domina a cabeça dos investidores, todavia continuo vendo sinais que precisam ser estudados e maturados no curto-prazo. Assim, mantenho relevante exposição tomada em juros nos EUA. 

 

Eu não deveria entrar no mérito de comentar sobre as “cripto- moedas” por ter a consciência de que nada entendo sobre o assunto. Só tenho uma pequena, e talvez irrelevante opinião sobre o tema. A alta parabólica nos preços do Bitcoin e Cia, na minha humilde visão, é um sintoma da mesma “doença” que afetou os demais mercados globais e ativos de risco nos últimos anos. Entre outros (nova tecnologia, sigilo nas transações, utilização criminosa e etc), o excesso de liquidez global me parece ser uma importante explicação para este fenômeno. Assim, conforme entramos no estágio final do ciclo de afrouxamento monetário, com Fed reduzindo QE e subindo juros, ECB iniciando processo semelhante, PBoC com política fiscal e monetária mais apertada e BoJ sinalizando caminho parecido, mesmo que em um momento futuro, acabam trazendo alguma incerta para a continuidade destes movimentos parabólicos.




Data: 17/01/2018

Still a "Goldilocks/Risk-On" scenario, but keep one eye open.

 

Os ativos de risco retomaram a dinâmica que impera desde o começo do ano, em um misto entre “Goldilocks” e “Risk-On”. O aumento da volatilidade apresentada ontem, especialmente nas bolsas dos EUA, por ora, não passou de um ajuste técnico. Neste momento, vemos novos picos das bolsas norte americanas, além de uma nova rodada no movimento de dólar fraco no mundo. 

 

A despeito dos movimentos de hoje estarem me surpreendendo pela magnitude, mantenho a mesma visão que venho descrevendo nos últimos dias. Continuo vendo espaço para o bom desempenho dos ativos de risco, em especial de ativos emergentes, que tenho expressado através de ativos do Brasil. Contudo, nos atuais níveis de preço, já estamos com uma posição menor, além de instrumentos mais defensivos. Os ativos locais estão seguindo o humor global a risco e estão susceptíveis as mudanças de fluxos e humor dos mercados externos. 

 

De fato, ainda não vejo uma mudança clara de cenário que justifique alterar totalmente o portfólio, mas sinais recentes não podem ser desprezados, e precisam ser analisados e maturados nas próximas semanas. Seguimos tomados em juros nos EUA e Long AUDJPY. 

 

O que mais me preocupa é o consenso em torno de um cenário tranquilo para a inflação no mundo desenvolvido e nos EUA, em especial. No atual nível de emprego e crescimento, com a alta recente das commodities e a queda do dólar, me parece uma questão de tempo para vermos uma aceleração mais clara e espalhada da inflação, algo que seria surpresa para o mercado (dependendo da magnitude do movimento). 

 

Até o momento estes sinais e este cenário não passam de “wishful thinking”, mas como já comentei aqui em outros momentos, o cenário não muda de uma hora para outra. As mudanças estruturais de cenário costumam ser lentas, graduais, movidas pelo acumulo de evidências na direção contrária ao cenário corrente. Dificilmente observamos mudanças drásticas, rápidas e acentuadas de cenário, na ausência de choques exógenos. 

 

Nos EUA, a produção industrial apresentou alta superior as expectativas em dezembro, refletindo uma recuperação mais aguda de “utilities”, muito em função do frio acima do normal neste período. Mais importantes do que isso, o Beige Book – uma espécie de relatório qualitativo da economia compilado pelo Fed – mostrou um crescimento sólido, um mercado de trabalho robusto e apertado além de sinais cada vez mais evidentes de pressões altistas na inflação e nos salários. 

 

Na China, continuamos a ver um aperto das condições financeiras locais, com alta nas taxas de juros de mercado. Além disso, existem evidências anedóticos de desaceleração em alguns setores, como o setor imobiliário.




Data: 17/01/2018

Brasil: Petro e Governo em vias de resolver a Cessão Onerosa.

 

A noite foi novamente de poucas novidades para o cenário global. Neste momento, vemos uma estabilização do humor global a risco após os eventos de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/staying-close-to-home-for-now.html). A agenda do dia será um pouco mais agitada em comparação ao início da semana, com destaque para a produção industrial e “Beige Book” nos EUA. 

 

No Brasil, após reunião entre o presidente da Petrobrás e o Ministro da Fazenda, o primeiro afirmou que o governo irá editar uma portaria dando 60 dias para que a Cessão Onerosa seja resolvida, o que explica a alta de quase 3% da Petro na manhã de ontem e o bom desempenho da ação ao longo de todo o dia. 

 

O Presidente da Câmara se mostra pouco otimista com a aprovação da Reforma da Previdência, mas também não acredito que exista esta expectativa no mercado. O próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula, em segunda instância, no TRF-4, agendado para o dia 24 deste mês. 

 

Vale a pena citar que observamos um expressivo aumento das volatilidades implícitas nas opções de Ibovespa (e derivados, como Petro) e no BRL (em magnitude menor) nos últimos dias. O movimento está em linha com o que vemos ao redor do mundo, mas acredito que é em muito explicado pela busca por “opcionalidades” e “defesa” para o evento do dia 24 citado acima.




Data: 17/01/2018

Staying close to home, for now...

 

O grande destaque do dia até o momento (tirando a forte queda das “cripto-moedas”) ficou por conta da rápida e acentuada queda das bolsas dos EUA após a abertura do mercado à vista. Os índices das bolsas norte americanas atingiram as suas máximas históricas logo na abertura para, desde então, apresentarem uma queda extremamente acentuada para os padrões históricos recentes. Antes disso, as volatilidades implícitas de alguns mercados já haviam apresentando alguma elevação. 

 

Por ora, vejo esses movimentos como correções técnicas naturais diante de um mercado claramente “esticado” e uma posição técnica que vinha se deteriorando. Além disso, a apreciação dos ativos de risco vinha ocorrendo em uma dinâmica, em uma derivada, extremamente incomum pela sua velocidade e magnitude. 

 

Ainda me parece muito cedo para fazer um diagnóstico concreto em relação a situação. Mantenho minha visão de que alguns sinais recentes merecem cautela e atenção redobrada, mas ainda acho cedo para dar uma opinião firme e concreta de mudança de ambiente e/ou cenário. 

 

Mantenho um portfólio mais balanceado e posições “compradas em ativos de risco” menores e/ou com instrumentos mais defensivos, tese que vinha descrevendo neste fórum desde a semana passada. Pretendo manter as carteiras assim até segunda ordem. Temos um longo ano pela frente e muitos desenvolvimentos precisam ser maturados. 

 

Escrevi bastante nos últimos dias sobre a necessidade de redução do risco dos portfólios e/ou a busca por hedge, em um pano de fundo de acumulação de sinais contrários ao cenário base em um ambiente de posição técnica mais comprometida e valuations e preços menos atrativos. Estes comentários podem ser revisitados aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/. 

 

Reforço que, por ora, ainda vejo a dinâmica de hoje como uma acomodação, uma pequena realização de lucros, mas a evolução do cenário merece um debate mais profundo nos próximos dias.




Data: 16/01/2018

Poucas novidades. Sinais econômicos positivos no Brasil.

A noite foi de poucas novidades para o cenário global. Os ativos de risco operam próximos a estabilidade esta manhã.

No Brasil, uma matéria do Ribamar Oliveira no Valor Econômico diz que o déficit fiscal primário de 2017 poderá ficar abaixo de R$120 bilhões, muito inferior a meta de déficit de R$159 bilhões. A surpresa positiva seria fruto de uma forte melhora na arrecadação, além de um controle ainda mais rigoroso de despesas.

Caso seja confirmado este número, reforçaria a minha tese de que até mesmos as contas públicas, o grande problema estrutural do país, irão passar por uma janela de cerca de 12 a 18 meses de recuperação, que daria tempo ao país para adotar as medidas estruturantes necessárias para transformar um cenário cíclico mais positivo em um ambiente estrutural mais sólido. Reforço que vejo as reformas econômicas como fundamentais e essenciais para o longo-prazo do país, mas reafirmo que teremos um cenário econômico cíclico nos próximos 12 meses (pelo menos) que dificilmente serão alterados por choques externos ou choques políticos locais.

Nesta linha, o IBC-Br – uma espécie de PIB mensal coletado pelo BCB – apresentou alta acima das expectativas (divulgado ontem), mostrando uma recuperação do crescimento cada vez mais consolidada e espalhada, mesmo que ainda gradual. 




Data: 15/01/2018

Sem novidades relevantes. Destaque para o dólar fraco.

O final de semana não trouxe praticamente novidades ao cenário econômico local ou global e nem mesmo notícias relevantes. Hoje pela manhã, destaque para mais uma rodada de queda do dólar no mundo. As bolsas globais seguem bem sustentadas, assim como as commodities. O mercado de juros opera, neste momento, próximo a estabilidade.

Mantenho minha visão descrita neste fórum nos últimos dias, que podem ser revisitadas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.




Data: 15/01/2018

Mais sinais de que o cenário pode estar mudando.

A sexta-feira trouxe informações importantes para o cenário econômico global, a despeito de uma reação menos trivial por parte dos mercados financeiros. Os dados divulgados ontem estão em linha com a minha tese de que estão se acumulando evidências que podem estar sinalizando para uma mudança gradual do cenário econômico. Este tipo de alteração não costuma acontecer de uma hora para outra e precisam ser monitorados de maneira cada vez mais atenta (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html).




Data: 12/01/2018

Alguns comentários adicionais sobre China e cenário global.

Os dados de agregados monetários na China mostraram sinais de que a política monetária no país seguiu mais apertada em dezembro e deverá permanecer assim neste início de ano*. Estes dados estão em linha com a minha tese de que alguns sinais recentes, como a sinalização do BoJ no Japão e as recentes medidas na China, apontam para um movimento mais coordenado e, talvez, mais agressivo (do que o esperado anteriormente, mas não necessariamente deixando de ser gradual) de normalização monetária nas economias desenvolvidas.

Estes sinais não precisam ser necessariamente negativos para os mercados financeiros globais, mas certamente terão reverberações sobre os ativos de risco. A alta recente do EUR é um exemplo disso, assim como o movimento de abertura de taxa de juros nos EUA.

Reforço que o pano de fundo segue relativamente inalterado, mas acumulam-se sinais que merecem atenção cada vez mais especial. Vejam mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html e https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html.

*Segundo a Nomura:

M2 growth resumed its decline, falling to 8.2% y-o-y in December from 9.1% in November, a new historical low despite the positive base effect (Consensus: 9.2%; Nomura: 9.4%). M1 growth also moderated by 0.9 percentage points (pp) to 11.8%. New RMB deposits were -RMB792.9bn, weaker than the historical average in December. 

New aggregate financing moderated to RMB1.14trn in December from RMB1.60trn in November, weaker than market expectations, but largely in line with our forecast (Consensus: RMB1.5trn; Nomura: RMB1.15trn). For full-year 2017, aggregate financing increased by RMB19.44trn, higher than the incremental rise in 2016, but growth in the stock of aggregate financing moderated to 12.0% y-o-y from 12.8% in 2016. If outstanding local government bonds are included, growth in the stock of augmented aggregate financing moderated to 13.7% from 16.4%, as net issuance of local government bonds was lower in 2017 than in 2016.

Shadow banking activity made a large contribution to aggregate financing in 2017, as its outstanding growth picked up to 15.1% in 2017 from 4.9% in 2016. We believe it could be due to financing deleveraging which has encouraged funds flowing to the real economy from financial markets. Growth in bond financing, meanwhile, slowed significantly to 2.5% in 2017 from 22.5% in 2016, because of stricter regulations in the bond market last year.

Growth in outstanding RMB loans eased to 12.7% y-o-y in December, with new RMB loans down significantly to RMB584.4bn from RMB1,120bn in November (Consensus: RMB1000bn; and Nomura: RMB750bn). New loans to the household sector and corporate sector nearly halved in December from November. For full-year 2017, new RMB loans totalled RMB13.53trn from RMB12.6trn in 2016, with outstanding growth slowing.    




Data: 12/01/2018

Brasil: Nota de crédito rebaixada.

No início da noite de ontem a agencia de rating S&P anunciou o corte da nota de crédito do país. Na minha visão, a medida é de certa forma esperada. Dado o atual nível de preço dos ativos locais, um pouco “esticados”, e a posição técnica, um pouco mais comprometida, poderemos observar alguma reação negativa na abertura do mercado. Olhando à frente, contudo, não vejo este evento como um “game changer” para a dinâmica dos ativos locais. A mudança da nota de crédito de um país, quando ele sai de “Investment Grade” para “Junk Bond” costuma ser relevante, pois altera a “piscina” de investidores aptos a alocar naquele ativo. Quando um ativo já é “Junk Bond” e apenas tem sua nota rebaixada, isso pouco altera os fluxos para este ativo. No limite, o rebaixamento pode até ser positivo, pois mostra ao Congresso a necessidade e a urgência na aprovação de reformas estruturais, tirando a leniência de curto-prazo com o cenário cíclico mais positivo, até mesmo para as contas públicas.

No final da tarde de ontem Fed Dudley concedeu declarações bastante fortes e consideradas fortes. O Presidente do Fed de NY, que está de saída do cargo, mostrou preocupação com o risco de estabilidade financeira e um possível processo de “overheating” da economia dos EUA. Segundo o Morgan Stanley:

At 4:00 PM comments from NY Fed President Dudley hit the tapes but the market reaction was very muted even as the comments seemed explicitly hawkish. The lack of a notable reaction in the market might be because Dudley is set to retire from the Fed and the FOMC by the middle of this year. Nevertheless, Dudley stated that the Fed may have to "press harder" on breaks at some point given how easy financial conditions have become. He expressed worries that the recent tax cuts may overheat the US economy and was not concerned by the recent flattening in the yield curve.

Na China, os dados de exportação de dezembro ficaram levemente acima das expectativas, mas observamos um forte recuo das importações. Os números estão em linha com um cenário de crescimento global ainda robusto, mas com sinais cada vez mais claros de desaceleração da economia chinesa. De acordo com o Citibank:

China’s export growth moderated slightly – In dollar terms, export growth slowed from 12.3%YoY in Nov to 10.9%YoY in Dec, roughly in line with market expectations (Citi: 11.3%YoY, Consensus: 10.8%). Import growth decelerated sharply by 13.2 ppt to 4.5%YoY, much lower than expected (Citi: 13%, Consensus: 15.1%). As a result, the monthly trade balance widened notably from USD40.2 bn to USD54.7 bn. For 2017 as a whole, the growth of exports and imports surged to 8.3% and 15.9%, comparing with -7.7% and -5.4% in 2016, while the annual trade balance narrowed to USD430.7 bn from USD509.7 bn one year ago. In the meantime, the trade structure continued to improve, with the share of ordinary trade surplus rising by 1.3 ppt to 56.4%. According to China Customs, the price factor contributed to 52.6% and 37.3% of the import and export growth in 2017.

Minha visão de mercado de curto e longo-prazo segue inalterada. Para mais detalhes, segue o link para os comentários recentes: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.




Data: 11/01/2018

Back to Goldilocks and Risk-On!

Os ativos de risco estão apresentando mais uma pernada de apreciação, na continuidade do movimento de “Risk-On” que vem sendo regra neste começo de ano. Minha visão de acomodação de curto-prazo, até o momento, está se mostrando errada. Continuo com um portfólio balanceado.

O dia trouxe alguns destaques. Nos EUA, o PPI acabou apresentando leve queda em dezembro, abaixo das expectativas de alta. A despeito da surpresa baixista, a abertura do indicador revelou que alguns componentes mais ligados ao CPI apresentaram alguma “firmeza”, o que aponta para o CPI um pouco mais alto amanhã.

Na Europa, as Minutas do ECB relevaram um viés para a continuidade do processo de normalização monetária, no que está virando uma tendência coordenada entre os bancos centrais das economias desenvolvidas.

Nesta linha, vimos dados animadores de expectativas de inflação no Japão, que mostraram um movimento mais claro de alta pela primeira vez em muitos anos.

De maneira geral, seguimos ainda em um pano de fundo de crescimento global robusto, inflação contida no mundo desenvolvido e bancos centrais agindo de maneira gradual no processo de normalização monetária.

Ao que tudo indica, a dinâmica positiva dos mercados só será de fato testada quando um desses vetores apresentarem uma mudança clara e definitiva, o que ainda não parece ser o caso. De qualquer maneira, reforço que vejo sinais nesta direção que podem estar se acumulando ao longo do tempo, e precisam de atenção especial (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html e https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html).

O nível de preços e a posição técnica de curto-prazo demandam alguma atenção.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco, sem muitas surpresas locais, exceto pelo movimento de flattening da curva de juros já comentado ontem e que não é uma surpresa para este fórum (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-curva-de-juros.html). 




Data: 11/01/2018

Acomodação.

A China negou os rumores de ontem de que via as Treasuries como um ativo menos atraente para suas reservas.

Os ativos de risco mostram sinais de acomodação, após breve realização de lucros ao longo da quarta-feira.

Mantenho a visão de que ainda não haja uma mudança clara e fundamental de cenário, mas que alguma acomodação dos ativos de risco possa ocorrer no curto-prazo, baseado em sinais que merecem alguma atenção, somados a posição técnica um pouco mais comprometida e ao nível de preços menos atraentes no curtíssimo-prazo. Neste momento, ainda não vejo motivos para alterar a visão estrutural ainda construtiva.

A noite foi de poucas novidades econômicas e políticas no Brasil e no mundo. A agenda do dia trará o PPI nos EUA como destaque.  




Data: 10/01/2018

Wait and see...

Na linha da minha tese descrita neste fórum desde o início da semana, hoje tivemos mais acúmulos de evidências que podem se mostra um “vento contrário” (do inglês “headwinds”) para os ativos de risco no curto-prazo e, eventualmente, podem estar indicando uma mudança de cenário estrutural.

No cenário externo, o destaque ficou por conta dos rumores de que o governo da China já não acha mais as Treasuries um ativo atrativo para suas reservas. Como detentor de quase US$1,5tri de papeis dos EUA, se confirmada, seria uma mudança substancial de postura.

Eu acredito que as declarações sejam uma jogada política as vésperas do governo dos EUA anunciarem medidas visando maiores restrições a alguns parceiros comerciais. Mantenho uma visão altista para os juros dos EUA e das economias desenvolvidas como um todo, mas minha tese é mais baseada nos fundamentos econômicos e não leva em conta este tipo de medida. Caso esta visão seja confirmada, seria uma enorme mudança para este mercado. Acho cedo para acreditar nisso.

No final da tarde a mídia reportou que o Canadá estaria se preparando para a retirada dos EUA do NAFTA. Este cenário não me parece fora do normal. Acho que seja bastante factível. Um dos pilares da política de Trump eram as relações comerciais. Passada a Reforma Tributária, Trump poderá focar agora neste tema de campanha. Seria uma medida bastante negativa do ponto de vista da corrente de comércio global e, consequentemente, para o crescimento. No limite, é uma medida que pode trazer traços de “stagflação”, pois reduz o crescimento e aumenta a inflação dado a importância de Canadá e México para a economia do país.

No Brasil, o IPCA de dezembro ficou muito acima das expectativas, com alta de 0,44% contra expectativas de 0,30%. O IPCA fechou o ano com alta de 2,95%, muito abaixo da meta de inflação. Parte da surpresa altista poderá ser explicada pelo efeito do “Black Friday”. Como este fenômeno ainda é muito recente no Brasil, ainda existe uma certa dificuldade em computar os seus efeitos.

Acho que o número pouco altera o cenário para a política monetária. Ainda vejo a Taxa Selic em 6,75%, ou abaixo, e ficando neste patamar por um longo período de tempo. Na semana passada havia comentado que já via pouca assimetria na parte curta da curva, o que se provou correto. Ainda vejo prêmios excessivos na parte intermediária da curva, mas estes deverão ser consumidos apenas ao longo do tempo.

Mantenho uma posição mais defensiva e balanceada desde o começo da semana, reavaliando o cenário econômico após os eventos recentes e tendo em vista a apreciação rápida e acentuada dos ativos de risco recentemente.




Data: 10/01/2018

From "Goldilocks" to "Risk-Off".

Após o acumulo de alguns sinais de mudança no cenário econômico global, mesmo que de maneira pontual (comentei aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-winds-are-changing.html) os ativos de risco mostram sinais de fadiga do movimento de “Risk-On’/”Goldilocks” verificado neste começo de ano e começa a mostrar uma direção um pouco mais voltada ao “Risk-Off” porém liderada pelo “Reflation”, ou seja, por uma abertura de taxa de juros e um movimento mais misto do dólar. A posição técnica um pouco mais comprometida e o nível de valuation de alguns ativos pode ajudar neste movimento de consolidação/correção de curto-prazo.




Data: 09/01/2018

The winds are changing?

O destaque do dia ficou por conta dos desenvolvimentos no Japão (comentados hoje cedo aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/boj-em-foco.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/alguns-sinais-merecem-atencao.html ).

Desde então, vimos um movimento de “steepening” da curva de juros no mundo desenvolvido, mas, especialmente, nos EUA. A posição técnica na direção contrária pode ter ajudado a acentuar o movimento nesta direção. Isso gerou pressão em alguns ativos emergentes, como no caso do Brasil, mas o movimento não foi generalizado e nem acentuado.

Vale mencionar a taxa das Treasuries de 10 anos, acima do patamar psicológico de 2,50%. Vejo este movimento como estrutural e ainda espero a continuidade desta tendência. Outro ativo que merece destaque é o Petróleo, com quase 2% de alta adicional e com o WTI próximo a $63.

No cenário econômico, o destaque ficou por conta da robusta alta das vendas no varejo no Brasil, superando as expectativas do mercado. Mesmo com um impacto não desprezível do “Black Friday”, os números confirmam um “momentum” positivo da economia. Espero um ambiente ainda bastante favorável para a economia do país nos próximos 12 a 18 meses. As eleições podem solidificar esta tendência, ou reverter este quadro, mas não antes de 12 meses, que me parecem bastante consolidados.

Como escrevi hoje cedo, ainda não acho que o cenário esteja mudando, mas frente as evidências recentes e aos movimentos das últimas semanas, alguma reflexão é necessária.

Nos últimos dias, ajustamos algumas posições em termos de tamanho e instrumentos, nos beneficiando das volatilidades implícitas ainda baixas e dos movimentos recentes. Seguimos alocados em ativos no Brasil, mas em tamanho taticamente mais reduzido e defensivo. Continuamos tomados em juros nos EUA e como uma posição maior, que olhamos como hedge que pode funcionar em vários cenários, vendidos em AUDJPY.




Data: 09/01/2018

Alguns sinais merecem atenção.

As mudanças estruturais de cenário costumam ser lentas, graduais, movidas pelo acumulo de evidências na direção contrária ao cenário corrente. Dificilmente observamos mudanças drásticas, rápidas e acentuadas de cenário, na ausência de choques exógenos.

Não acho que estamos diante de uma mudança clara de ambiente econômico, mas acho válido chamar a atenção para algumas mudanças marginais nos últimos dias, que somadas a outras evidências dos últimos meses, começam a trazer algumas novidades ao cenário base.

O processo de normalização monetária já está em curso nos EUA há alguns anos. O processo de ajuste monetário na Europa foi anunciado ano passado e começou de fato este ano, com a redução do montante do QE. Nos últimos dias, percebemos uma leve mudança de sinalização por parte do BoJ no Japão e, hoje, vimos este “ajuste técnico” no “QE japonês” comentado pela manhã.

Por ora, todo este processo de normalização monetária está sendo extremamente gradual, bem conduzido e muito bem comunicado. O cenário central ainda é de que este processo continue a ser executado de forma tranquila. Contudo, 2018 poderá ser o primeiro ano em que os 3 principais bancos centrais do mundo (sem contar a China), em conjunto, promovem um ajuste em suas condições monetárias.

Na China, já vemos um PBoC muito mais preocupado com a qualidade do crescimento do que com seu patamar. Além disso, vemos um claro processo de busca pela desalavancagem. A economia da China costuma funcionar em pequenos ciclos. Geralmente observarmos 2 a 3 trimestres de crescimento mais forte, seguidos de 2 a 3 trimestres de desaceleração. Estes ciclos costumam ser induzidos pelo PBoC e pelo Governo, através de ajustes nas políticas fiscais, monetárias e creditícias.

O ano de 2017, especialmente os 3 primeiros trimestres do ano, foi marcado por um crescimento muito mais forte do que o esperado. Desde o começo do quarto trimestre do ano, percebemos um PBoC mais hawkish, promovendo uma política monetária mais apertada. Isso é visível nas taxas de juros do país e nos indicadores de crédito e agregados monetários.

Hoje, a mídia está reportando um ajuste técnico na maneira em que o PBoC computa o fixing para a taxa de câmbio do CNY. No limite, segundo os analistas, a medida trará mais volatilidade a taxa de câmbio e alguma pressão de depreciação do CNY. A medida mostra um PBoC mais confortável com o cenário de curto-prazo, corroborando as demais medidas adotadas nos últimos meses.

Assim, após ser uma grande surpresa positiva nos últimos meses, o mercado já espera uma desaceleração do crescimento chinês. Este processo deverá ser conduzido e induzido pelo PBoC, e tende a ser gradual. Contudo, não podemos esquecer que erros de política podem ocorrer, assim como pelo tamanho da economia chinesa, qualquer desaceleração costuma não ser ignorada pelo mercado.

Em suma, o cenário base de crescimento global robusto, inflação controlada no mundo desenvolvido e normalização monetária gradual nos países desenvolvidos ainda é o cenário base e assim deve permanecer no curto-prazo. Contudo, algumas evidências se acumulam de que em algum momento, e este momento parece cada vez mais próximo pelo estágio do ciclo econômico, poderemos ter alguma (ou algumas) dessas variáveis sendo testadas, ou revertidas. 




Data: 09/01/2018

BoJ em Foco!

O destaque da noite ficou por conta de um pequeno ajuste, aparentemente técnico, realizado pelo BoJ, no Japão, no seu processo de QE. A pequena redução das compras de ativos levou a uma apreciação do JPY e uma nova rodada de abertura de taxas de juros no mundo desenvolvido. Segundo a Blooberg:

A minor tweak in a regular Bank of Japan bond-purchase operation on Tuesday was enough to send the yen climbing the most in almost a month, even though evidence weighs overwhelmingly against the adjustment signifying anything meaningful. What the yen’s spike does show is just how big a move will come whenever the central bank does telegraph a fine-tuning in its stimulus program. Tuesday’s gain was as big as 0.5 percent against the dollar, in wake of the BOJ trimming purchases of bonds dated in 10-to-25 years by 10 billion yen ($89 million) compared with its previous operation. Governor Haruhiko Kuroda said last January, in wake of speculation about the significance of similar mechanical tweaks, that such operational tweaks don’t send any signals on policy intentions.

Uma potencial aceleração no processo de normalização monetária nos países desenvolvidos é o principal risco que vejo para os mercados financeiros globais ao longo de 2018. O evento de hoje me parece apenas um ajuste técnico e ainda está longe de sinalizar uma mudança clara de cenário ou tendência. Contudo, a reação dos mercados mostra a sensibilidade atual dos investidores com o tema em questão.

Acredito que o cenário base siga inalterado. Contudo, após a rápida e acentuada apreciação dos ativos de risco, vejo espaço para alguma acomodação de curto-prazo. No âmbito externo, sigo estruturalmente tomado em taxas de juros nos EUA. Ao longo destes primeiros dias do ano, adicionei uma venda de AUDJPY, via opção, como hedge do portfólio. Acredito que exista um cenário favorável a posição tanto no âmbito “micro” de Austrália e Japão, como a direção da posição combinada (a correlação com o resto do portfólio) ajuda a balancear o portfólio. Além disso, as volatilidades implícitas neste par está no menor nível em cerca de 10 anos.

Na Alemanha, as exportações de dezembro apresentaram alta de 4% MoM, muito acima das expectativas. O número apenas confirma o bom momento da economia global.

No Brasil, a mídia está reportando que Rodrigo Maia passou a se articular de maneira mais intensa para uma potencial candidatura a presidente. Na mesma linha, a aparição de Luciano Huck no programa dominical Domingão do Faustão trouxe de volta a mesa do debate, com imensa intensidade, a possibilidade de Huck voltar a cena política caso até março-abril não se tenha uma candidatura de centro mais competitiva.

O Governo anunciou ontem que irá encerrar, por ora, o debate envolvendo a “Regra de Ouro”. A decisão parece acertada dado o momento ainda delicado para a Reforma da Previdência. 




Data: 08/01/2018

Mais do mesmo...

Os ativos de risco continuam operando em tom positivo, no que pode ser classificado em “Risk-On”, entre o “Goldilocks” e o “Reflation”. Espero a continuidade desses movimentos, até que o pano de fundo econômico seja de fato testado com uma alteração de cenário, ou quando os vetores “posição técnica” e “valuation” passem a serem impedimentos a novas rodadas de apreciação dos ativos de risco.

Por ora, nenhum desses indicadores ainda parecem se mostrar uma restrição muito grande às tendências atuais, mas a velocidade e magnitude dos movimentos recentes saltam aos olhos, e geram algum desconforto de curto-prazo (porém, mais na linha de uma acomodação pontual do que de fato uma alteração de tendência). Escrevi bastante sobre esses temas nos últimos dias (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/dados-economicos-mantem-o-cenario.html).

Hoje pela manhã, destaque para uma leve alta do dólar no mundo, as bolsas globais permanecem bem suportadas e o mercado de juros globais apresentam leve abertura de taxas.

No Brasil, não houve notícias relevantes. Rodrigo Maia, em entrevista na televisão, manteve o discurso liberal e reformista, se colocando como possível candidato a presidente. Mantenho visão de que ainda falta muito tempo para as eleições e o próximo grande evento para os mercados locais será o julgamento de Lula em segunda instância do dia 24 deste mês.

A Folha de São Paulo divulgou algumas informações sobre o patrimônio da família Bolsonaro, que prontamente retrucou as acusações de aumento indevido de patrimônio. As matérias mostram como o “jogo eleitoral” no Brasil costuma ser uma guerra travada, muitas vezes, no campo pessoal, fugindo do saudável debate da agenda econômica e social do candidato. O vitorioso, muitas vezes, é aquele que “sabe apanhar e se levantar” e não necessariamente o melhor candidato para a sociedade...Todos aqueles que pretendem se candidatar precisam saber, e estar preparados, para este “jogo baixo” do processo eleitoral no Brasil.

O debate em torno da “Regra de Ouro” continua, mas sem ainda uma conclusão concreta. O desafio da equipe econômica é apresentar um projeto que evite que regra seja quebrada, mas não afrouxando demais as regras atuais.

A Coréia do Sul apresentou declarações de desconforto com o movimento recente de apreciação de sua moeda (KRW), o que pode estar dando ímpeto ao movimento global de hoje cedo com o dólar mais forte no mundo.

Na China, as reservas internacionais de dezembro apresentaram elevação acima das expectativas. Os números mostram um ambiente de estabilidade econômica no final de 2017. No curto-prazo, espero uma desaceleração da economia do país, mas de forma bem comunicada e administrada. Os problemas de liquidez no conglomerado HNA precisam ser monitorados. Caso virem problemas de solvência, poderemos sentir algum impacto e/ou contágio em outros mercados.

Na Alemanha, o Factory Orders apresentou leve queda (-0,4% MoM) em novembro, abaixo das expectativas de estabilidade. A despeito da surpresa negativa, o número ainda não altera os bons fundamentos da economia do país e da Europa como um todo. 




Data: 05/01/2018

Dados econômicos mantêm o cenário positivo e inalterado. 

Os números do mercado de trabalho nos EUA em nada mudam o pano de fundo econômico global e consequentemente a narrativa para os ativos de risco. Os dados mostraram uma criação ainda saudável de vagas de trabalho, uma taxa de desemprego estável, porém baixa e uma alta gradual nos rendimentos médios reais.

No Brasil, a produção industrial apresentou leve elevação, com um quadro qualitativo positivo. Os dados da ANFEVEA confirmaram o bom momento para a indústria automobilística local. Ambos os indicadores estão em linha com o cenário base de uma recuperação gradual do crescimento, mas um processo cada vez mais consolidado e espalhado.

Não há novidades relevantes nos mercados financeiros globais. O dia foi novamente de alta nas bolsas globais, alguma abertura de taxas de juros no mundo e um movimento mais misto do dólar. Não vejo motivos, pelo menos ainda, para uma alteração abrupta ou completa das principais tendências que vem sendo regra ao longo dos últimos meses.

O principal risco continua me parecendo o surgimento mais concreto da inflação no mundo desenvolvido. Os problemas de liquidez na HNA, na China, um dos grandes conglomerados do país, precisam ser acompanhados de perto. Por ora, parece mais um problema de liquidez do que de solvência, mas dado o tamanho da empresa, não pode ser totalmente ignorado.

A rápida e acentuada apreciação dos ativos de risco nas últimas semanas gera desconforto pela velocidade e magnitude, mas estão em linha com o pano de fundo econômico. A posição técnica começa a se deteriorar, mas ainda não parece um impedimento a novas rodadas de apreciação. A posição técnica e o valuation são vetores que, eventualmente, podem se mostrar uma restrição a apreciações adicionais dos ativos de risco, mas parece que precisam estar acompanhados de uma mudança de cenário para inverter de fato as tendências.

Assim, deveremos seguir com um pouco de “mais do mesmo” nos próximos dias, exceto por realizações pontuais de lucros. O próximo importante indicador para os mercados serão os dados de inflação nos EUA.

Os ativos no Brasil estão seguindo o humor global a risco. O próximo importante evento local será o julgamento de Lula na segunda instância, no TRF-4, agendado para o dia 24 deste mês. Nossa análise dos fundos locais mostra uma posição técnica já um pouco mais comprometida. A parte curta da curva de juros, como comentei ontem, já se mostra menor atrativa. Ainda vejo espaço para novas rodadas de apreciação dos ativos locais, mas esses vetores precisam ser monitorados.

Vale a pena mencionar que este começo de ano está sendo ajudado por fortes fluxos globais para emergentes, assim como uma nova rodada de alocações de investidores institucionais locais no mercado de renda variável do Brasil. Espero que está seja uma tendência de longo-prazo, mas em certos momentos do tempo, como agora, teremos algumas concentrações de fluxos.




Data: 05/01/2018

Todas as atenções voltadas para o mercado de trabalho nos EUA.

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, na expectativa da divulgação dos dados de emprego de dezembro nos EUA, agendados para 11h30 desta manhã.

No Brasil, a mídia está reportando que o Governo pretende apresentar uma PEC que permita o descumprimento da “Regra de Ouro”. Fora isso, continuam as especulações em torno do julgamento de Lula em segunda instância, no TRF-4, marcado para o dia 24deste mês. Em relação as eleições, crescem as expectativas de uma coalização ampla, de centro e liberal, em torno de um candidato único. Por ora, este nome seria Geraldo Alckmin, do PSDB, mas ele precisa melhorar nas pesquisas para consolidar sua posição.

Os dados econômicos globais continuam mostrando uma economia robusta ao redor do mundo e um mercado de trabalho aquecido nos EUA. Diante deste cenário, a narrativa dos ativos de risco continua a mesma, amplamente comentada neste fórum nas últimas semanas.

Este pano de fundo será testando hojr, com a divulgação dos dados de mercado de trabalho nos EUA. As atenções devem se voltar para o Average Hourly Earnings (AHE). Uma aceleração mais acentuada deste indicador me parece o único vetor capaz de frear a toada atual dos mercados financeiros globais. Números dentro das expectativas podem trazer novas rodadas de busca por ativos de risco.

Nesta linha, acho interessante citar a alta de 250 mil postos de trabalho no ADP Employment. Além disso, o ADP concedeu a seguinte declaração: “The job market ended the year strongly. Robust Christmas sales prompted retailers and delivery services to add to their payrolls. The tight labor market will get even tighter, raising the specter that it will overheat"




Data: 04/01/2018

Melting up continues...

Os dados econômicos globais continuam mostrando uma economia robusta ao redor do mundo e um mercado de trabalho aquecido nos EUA. Diante deste cenário, a narrativa dos ativos de risco continua a mesma, amplamente comentada neste fórum nas últimas semanas.

Este pano de fundo será testando amanhã, com a divulgação dos dados de mercado de trabalho nos EUA. As atenções devem se voltar para o Average Hourly Earnings (AHE). Uma aceleração mais acentuada deste indicador me parece o único vetor capaz de frear a toada atual dos mercados financeiros globais. Números dentro das expectativas podem trazer novas rodadas de busca por ativos de risco.

Nesta linha, acho interessante citar a alta de 250 mil postos de trabalho no ADP Employment. Além disso, o ADP concedeu a seguinte declaração: “The job market ended the year strongly. Robust Christmas sales prompted retailers and delivery services to add to their payrolls. The tight labor market will get even tighter, raising the specter that it will overheat".

Olhando à frente, acredito que o ritmo de criação de vagas de trabalho nos EUA deverá arrefecer, mas ainda mantendo uma trajetória declinante na taxa de desemprego. Em algum momento, e este momento me parece cada vez mais próximo, dado o estágio do ciclo econômico, uma alta nos rendimentos deverá ficar mais evidente nos dados. A velocidade deste processo quem ditará a reação dos ativos de risco. Enquanto este processo não ocorrer, ou ocorrer de maneira branda, o pano de fundo de “Goldilocks” permanecerá como tema central. Quando este pano de fundo for testado, o mercado será obrigado a rever seu cenário base.

O outro destaque do dia ficou por conta dos PMIs globais, que mostraram aceleração, confirmando o cenário de um crescimento global bastante forte no final de 2017. Segundo o JPMorgan:

Our global all-industry output PMI, which tracks global GDP growth, climbed 0.3-pts to 54.4 in December. The latest reading is consistent with 3.4% annualized growth in global GDP, exactly equal to J.P. Morgan’s 1Q growth forecast. This might sound ho-hum but we’d note that our forecast has been revised up by 0.4%-pts in just the past four weeks. Our global GDP nowcaster, which includes the PMI as well as other of our proprietary global data, is tracking 3.7% global growth in December.

Mantemos um portfólio ainda, grosso modo, comprado em ativos no Brasil, via o mercado de juros (aplicado) e o mercado de renda variável. Além disso, mantemos exposição tomada em juros, majoritariamente nos EUA.

Contudo, aproveitamos este forte início de ano para ajustar algumas posições, em termos de tamanho e instrumentos, nos aproveitando das volatilidades implícitas baixas. Além disso, começamos a montar alguns hedges no mercado externo, buscando casos específicos que façam sentido ao portfólio e com risco/retorno favorável.

Vale a pena mencionar que a curva curta de juros local já precifica cerca de uma queda de 25bps no próximo Copom e mais alguns bps de queda no Copom seguinte, tornando sua atratividade menos favorável. Vimos uma grande demanda por estruturas de opção (IDIs) que visam juros mais baixos por mais tempo, e quedas da Saxa Selic abaixo de 6,75%. Tenho essa visão, mas as estruturas já mostram atratividade pior. Mantenho foco na parte intermediária da curva, sabendo que deveremos conviver com alguma volatilidade ao longo do ano. 




Data: 04/01/2018

Markets are melting up...

Na ausência de novidades relevantes no cenário, com os dados e eventos recentes apenas reforçando o pano de fundo de crescimento global sólido, a inflação subindo apenas gradualmente nas economias maduras, e a continuidade de um processo de ajuste monetário bem administrado no mundo desenvolvido, os ativos de risco seguem em uma dinâmica bastante positiva.

Como comentei ontem a tarde (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/the-world-is-on-fire.html) algum desses vetores citados acima, ou um choque exógeno, precisam ser alterados para que está dinâmica seja realmente testada. Uma piora na posição técnica e no valuation dos mercados seriam outros vetores para impedir a continuidade dessa tendência positiva.

Algumas pessoas me questionaram nos últimos dias se o rigoroso inverno no hemisfério norte pode mudar o cenário econômico global. Acho natural supor, como ocorreu nos últimos anos, que o crescimento do primeiro trimestre do ano seja mais fraco em algumas economias (EUA e Europa, por exemplo) devido ao “fator frio”, mas este efeito tende a ser pontual, com os impactos negativos sendo compensados nos meses e trimestres subsequentes. Algum impacto altista na inflação não pode ser descartado. O Fed, por exemplo, parece já ter entendido que este efeito que ocorre quase todo começo do ano não costuma ser bem modelado pelos modelos de desazonalização. Assim, o banco central dos EUA costuma “olhar por cima” deste efeito passageiro. Em suma, algum impacto poderá ocorrer, mas vejo como passageiro, não alterando o cenário econômico e nem mesmo a política monetária.

No Brasil, temos uma manhã sem novidades. Entrevista de Carlos Marun, da “tropa de choque” de Michel Temer, afirmando que o governo poderá apoiar Geraldo Alckmin do PSDB na corrida eleitoral, mas que ainda é cedo para prognósticos.

Na China, o Caixin Services PMI subiu de 51,9 para 53,9 pontos em dezembro, mostrando uma economia saudável.  




Data: 03/01/2018

Noite com poucas novidades relevantes.

Os ativos de risco operando sem movimentos relevantes esta manhã. As bolsas continuam bem suportadas, o dólar apresenta dinâmica mais mista no mundo com mais um pequeno movimento de abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido.

A noite trouxe poucos destaques ou informações relevantes novas. Acho interessante chamar a atenção para a recente sinalização de membros do ECB, que indicam um caminho para o começo do fim do QE. As declarações estão em linha com minha expectativa de um processo estrutural e prolongado de alta nas taxas de juros no mundo desenvolvido. O DB resumiu bem as declarações da seguinte maneira:

Moving onto central bankers speak, the ECB’s Coeure warned over New Year that QE will not last forever and that “given what we see in the economy, I believe there is a reasonable chance that the extension of our QE program decided in October can be the last”. That said, he did reiterate the governing council’s view that the program “can be kept in place for longer should inflation disappoint on the downside”, and if inflation turned out higher than expected, “we would have plenty of instruments with which to react”.

Following on, the ECB’s Nowotny also added to the debate on QE and equity markets. He noted the end of QE is “within sight”, but it will take a “couple of years” until the ECB’s total assets start to shrink even if net new bond purchases stop, in part given the rolling over of maturing assets into new ones. On equities, he sees the US markets as “very heated”, so more capital is now flowing into Europe, so “one has to be careful we don’t get a price bubble in Europe, too”.

A Coréia do Sul ofereceu a oportunidade de diálogo junto a Coréia do Norte, em busca de um entendimento para o fim dos ataques verbais e os testes balísticos do Norte.

No Brasil, a mídia traz a informação de que Geraldo Alckmin, presidente do PSDB, estaria disposto a oferecer o cargo de vice na chapa presidencial para um membro do DEM. Ainda falta bastante tempo para as eleições e um candidato de centro ainda precisa se consolidar nas pesquisas, mas um avanço nesta direção seria bastante positivo na construção de uma chapa sólida e reformista.

A mídia continua reportando o esforço do governo para a aprovação da Reforma da Previdência, mas o recesso parlamentar parece ser um grande empecilho para qualquer avanço concreto nesta direção.




Data: 02/01/2018

The Bull Market Continues...

Os ativos de risco iniciaram o ano com as mesmas tendências que prevaleceram ao longo de grande parte de 2018. Os movimentos em alguns mercados, como no Brasil, por exemplo, mostram que houve uma redução de posições no final de 2017 e que, com o novo ano e os P&Ls zerados, há “dinheiro para ser colocado para trabalhar” dado o cenário econômico que prevalece no país.

Escrevi bastante sobre esse tema nos últimos dias (e nas últimas semanas), especialmente no tumultuado período de meados de outubro a meados de dezembro. Quem tiver interesse em mais detalhes veja aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

Apenas complementando o comentário de hoje cedo (vide abaixo) temos adicionado uma posição comprada em volatilidade de Ibovespa, para compor o portfólio comprado em bolsa do Brasil. Vemos a vol implícita atual como excessivamente baixa diante dos riscos (negativos, mas especialmente, os riscos positivos) do cenário local nas próximas semanas.

Além disso, começamos a montar uma posição comprada em JPY para compor o portfólio local e externo, como um hedge que nos parece barato, via opção, cuja vol implícita está historicamente baixa, e que poderá apresentar desempenho positivo em diversos cenários, se mostrando um ativo que traga defesa, mas também alpha ao atual portfólio.




Data: 02/01/2018

Some early 2018 (late 2017) news.

Feliz Ano Novo a todos! Para uma visão mais geral do cenário econômico neste início de ano, vejam aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/comeco-de-2018-deve-trazer-poucas.html.

Escrevo nesta manhã para fazer uma breves atualizações de notícias de final de 2017 e começo de 2018:

Brasil – Inflação: A ANEEL anunciou Bandeira Verde para a cobrança de energia em janeiro. O mercado esperava Bandeira Amarela. O anuncio deverá retirar cerca de 20bps da inflação do primeiro mês do ano. Segundo nossa área econômica, as nossas perspectivas de IPCA para dezembro, janeiro e fevereiro devem trazer uma surpresa baixista superior a 50bps na inflação se comparado às expectativas do BCB em seu último relatório de inflação.

Por mais que energia seja um preço administrado em que o BCB busca apenas evitar os impactos de segunda ordem, este quadro apenas reforça minha expectativa de uma inflação controlada e abaixo da meta em 2018. Isso deverá permitir que o BCB corte a Taxa Selic pelo menos mais 25bps para 6,75% com uma chance crescendo da Taxa selic chegando a níveis de 6,5% ou abaixo, permanecendo neste patamar um longo período de tempo. Conforme este cenário for sendo confirmado, espero uma compressão da parte intermediária da curva de juros, com prêmios de alta que ainda me parecem excessivos. Escrevi mais sobre isso a cerca de 1 semana atrás, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-curva-de-juros.html.

Brasil – Mercado de Trabalho: Os dados de emprego divulgados na sexta-feira mostram um quadro de recuperação gradual do mercado de trabalho, com uma recuperação visível dos rendimentos dos trabalhadores, muito impulsionados pela acentuada queda na inflação. O mercado de trabalho costuma ser um indicador que apresenta recuperação mais lenta e demorada. A recuperação neste ciclo tem sido gradual, porém mais cedo do que muitos esperavam. Os números ratificam o ambiente de recuperação econômica.

Brasil – Reforma da Previdência: O Governo tem feito um trabalho de certa forma importante em manter o tema em debate na mídia, mas ainda me parece difícil verificar a aprovação da Reforma no começo do ano legislativo. De qualquer maneira, acredito que os ativos locais precificam muito pouco, ou nada, da Reforma da Previdência, que deverá ser um tema para a próxima administração.

Brasil – Eleição: A mídia continua divulgando e debatendo pesquisas eleitorais e possíveis candidatos. Mantenho a visão de que ainda falta uma eternidade para o começo do pleito. O dia 24 de janeiro, dia do julgamento de Lula no TRF-4, em segunda instância, será uma data importante para este vetor.

Brasil – Temer: O Presidente foi diagnosticado com infecção urinária. Sua saúde está claramente debilitada, mas seu governo só precisa atravessar mais 1 ano. O que conseguir emplacar, de agora em diante, já me parece lucro. Todo foco deverá se voltar as eleições, já que vejo o cenário econômico mais positivo consolidado, na ausência de choques exógenos.

China – PMI: O Manufactuing PMI desacelerou de 51,8 para 51,6, dentro das expectativas do mercado. O número confirma um cenário de desaceleração da economia, como já é amplamente esperado. Por ora, esta desaceleração tem sido gradual e bem administrada.

Europa – Inflação na Alemanha: O CPI da Alemanha desacelerou menos do que o esperado, de 1,8% YoY para 1,6% YoY contra expectativas de 1,4% YoY. Espero um processo gradual, porém mais visível de alta na inflação nos países desenvolvidos, que irão permitir a continuidade do processo de normalização monetária nas principais economias do mundo. Isso deve permitir que a curva de juros desses países e regiões mantenham uma trajetória de alta de taxa de juros. 




Data: 02/01/2018

2018 começa na mesma toada do término do ano passado.

Para uma visão mais geral do cenário econômico neste início de ano, vejam aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/comeco-de-2018-deve-trazer-poucas.html.

Ontem fiz algumas breves atualizações de notícias de final de 2017 e começo de 2018, que podem se lidas aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2018/01/some-early-2018-late-2017-news.html.

Os jornais locais hoje trazem poucas novidades relevantes para o quadro de Brasil. A mídia continua debatendo a respeito do julgamento de Lula em segunda instância no TRF-4, agendado para o dia 24 de janeiro, além do quadro eleitoral. Não vejo nenhuma informação nova para alterar o cenário de curto-prazo.

No âmbito externo, destaque para as manifestações no Irã. O problema parece localizado. A despeito de severo e relevante, dado o número de manifestantes e pela reação aparentemente opressora do governo, que já causou a morte de vários manifestantes, o tema só afetaria o humor global a risco pelo canal do Petróleo, ou na eventualidade da intervenção de outros países nas questões locais do Irã. Por ora, não há indícios de que isso esteja ocorrendo. Ficaria de olho no preço e na dinâmica do petróleo como termômetro para um eventual contágio a outros mercados e ativos de risco.

A Coréia do Norte concedeu declarações mais conciliadoras com relação à Coreia do Sul, aparentemente concedendo uma trégua a sua vizinha em prol das Olimpíadas de Inverno que irão ocorrer no país vizinho. Além disso, as declarações do Norte abrem espaço para a tentativa de algum acordo entre os dois países. O risco geopolítico deverá permanecer elevado ao longo do ano. Contudo, os mercados financeiros globais já demonstraram que tem uma capacidade grande em ignorar este tipo de risco, enquanto o problema está na base das acusações e na retórica, ou até mesmo na base apenas de “testes balísticos”. Este pano de fundo só será alterado caso um conflito armado, direto, eventualmente seja desencadeado. A probabilidade desta ocorrência é baixa, mas erros de política/geopolítica costumam ser de baixa previsibilidade.

Inicio o ano da mesma forma em que encerrei 2017. Ainda alocado em ativos no Brasil, dando preferência à parte intermediária e longa da curva de juros, além de alocado no mercado de renda variável. Não tenho uma visão muito clara ou convicta para o BRL, mas vejo uma oportunidade tática no atual nível próxima a 3,33, na venda do dólar. Nos links acima discorro um pouco sobre o pano de fundo que embasa minhas posições.

No cenário externo, sigo tomado nas taxas de juros nos EUA e olhando oportunidades nos Gilts e nos Bunds. No momento, estão sem hedges relevantes na carteira, mas olhando no detalhe para eventuais posições que venham a compor este portfólio de maneira mais balanceada.




Data: 27/12/2017

Brasil: De volta aos fundamentos.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, na ausência de mudanças substanciais de cenário. Destaque para a forte alta do petróleo nos últimos dias, com o WTI testando o patamar de US$60. Um misto de demanda global mais aquecida e controle de oferta por parte da OPEP ajudam a explicar o movimento.

O MXN é um dos destaques negativos recentes, com forte depreciação. Fundamentos econômicos mais frágeis do que os seus pares emergentes, um quadro político incerto com eleições presidenciais em 2018 e as incertezas que rondam as negociações em torno do NAFTA são os principais vetores para explicar o movimento da moeda. Nem mesmo a atuação mais agressiva do Banxico no mercado de câmbio tem sido suficiente para conter o movimento de depreciação.

No Brasil, a terça-feira foi de movimentos positivos para os ativos locais. Passado o debate da reforma da previdência, os investidores voltaram o foco para o cenário cíclico mais positivo da economia, com um quadro técnico mais favorável e preços/valuations mais atrativos.

No cenário econômico, os dados continuam corroborando um ambiente mais positivo para o país. Ontem, a pesquisa Focus do BCB mostrou expectativas de inflação ancoradas e em queda para 2017 e 2018, o que permitirá novos cortes da taxa Selic e sua manutenção em patamar baixo por um longo período de tempo. Escrevi mais sobre isso nos últimos dias, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-curva-de-juros.html.

Até mesmo o quadro fiscal, o principal problema estrutural da economia, mostra sinais de recuperação. O Governo Central apresentou superávit primário em novembro acima de R$1bi, resultado muito superior às expectativas de déficit de R$9bi esperados pelo mercado. A recuperação do crescimento, com inflação baixa e juros baixos, em meio a um enorme esforço de controle de gastos por parte do governo irá ajudar, por ora de maneira cíclica, até mesmo as contas públicas nos próximos 12 meses. É inegável que a continuidade das reformas seja um imperativo, mas mesmo o quadro fiscal deverá apresentar recuperação cíclica nos próximos meses, dando mais um conforto de fundamentos econômicos mais robustos em 2018.

Continuo otimista com os ativos locais neste final de 2017 e início de 2018, optando por manter exposição na parte intermediária e longa da curva de juros e no mercado de renda variável. Vejo valor no câmbio nos atuais níveis, mas prefiro manter postura mais tática dado sua péssima performance recente e minha menor convicção nesta classe de ativos.

Continuo tomada na curva de juros nos EUA. Estou olhando com mais atenção eventuais oportunidades nos Bunds e nos Gilts. Estou sem posição relevante no mercado de FX e, por ora, sem hedges muito óbvios para implementar nas carteiras. 




Data: 26/12/2017

Curva de Juros Brasil.

A curva de juros no Brasil precifica hoje mais uma queda de 22bps na próxima reunião do Copom e uma pequena queda de 7bps na reunião seguinte. Já na reunião do Copom de maio, a curva começa a precificar um processo relativamente agressivo de alta de juros, com  o CDI retornando a 8,15% no começo de 2019 e chegando a acima de 11,5% em 2020. O FRA de 2019 embute taxa de 9,4%, o FRA de 2020 taxa de 11,2% e o FRA de 2021 taxa de 11,55%. 

Eu continuo trabalhando com um cenário em que a Taxa Selic cai pelo menos mais 25bps, para 6,75% na próxima reunião do Copom, com probabilidade relevante de quedas adicionais, com o CDI se mantendo entre 6,5% e 7% por um longo período de tempo. Por “longo período de tempo”, no Brasil, leia-se pelo menos até 2019. Após este período, a visibilidade do cenário é mais turva. Todavia, ainda vejo espaço para uma alta muito mais moderada do que nos últimos processos de ajustes altistas de taxas de juros, talvez com um ciclo de alta em torno de 200 a 250bps.

Entendo que estamos próximos ao fim do ciclo de queda da Taxa Selic e momentos como o atual, diante dos riscos eleitorais, ensejam uma curva mais inclinada positivamente. Pelo menos, este foi o padrão histórico no Brasil e na maioria das economias globais. Este pano de fundo justifica a postura atual mais cautelosa do mercado. Contudo, estamos diante de um cenário nunca antes vivido pela economia do país, com hiato do produto extremamente aberto, inflação baixa, perspectivas ancoradas, mercado de trabalho ainda em estado de “stress”, mesmo que já em recuperação, e uma recuperação apenas gradual do crescimento.

Diante deste pano de fundo, e levando em conta que estamos diante de um novo patamar de juros, por ora cíclico, mas que pode se tornar estrutural, ainda vejo amplo espaço para o fechamento de taxas da curva local de juros, especialmente na parte intermediária da curva. Esta analise vale para os juros reais e os juros nominais. Entendo que a parte mais longa da curva irá depender mais do calendário eleitoral. Mas mesmo diante deste risco, já vejo um prêmio não desprezível nas taxas longas. Este, todavia, dependerá muito mais da evolução política, do que do cenário cíclico mais positivo como a parte intermediária.

Assim, ainda vejo espaço para ganhos não desprezíveis na curva local de juros. Estes, por sua vez, poderão induzir novos fluxos para o mercado de renda variável, mas este será tema para um próximo comentário.




Data: 26/12/2017

Sem novidades no Natal.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, na ausência de mudanças substanciais de cenário. Destaque apenas para o bom desempenho do CNY, a moeda da China, nos últimos dois dias, com apreciação em torno de 1%. Não vi motivos aparentes para este movimento.

A agenda econômica do dia será esvaziada. Espero um mercado sem grandes movimentações, baixa liquidez e com poucas tendências nestes últimos dias do ano. A baixa liquidez, contudo, eventualmente, poderá causar alguns “flash crashes” pontuais, como foi o caso do EUR ontem, que chegou a cair momentaneamente cerca de 2%, para depois voltar a seu patamar anterior sem grandes variações.

Mantenho minha visão central de cenário local e externo, amplamente discutida aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

No Brasil, ao mesmo tempo em que a mídia coloca Rodrigo Maia como potencial candidato a Presidente da República nas eleições do ano que vem, surgem matérias na mesma mídia em que o acusam de ter recebido, aparentemente, financiamento ilegal em suas campanhas anteriores. Continuo acreditando que ainda falta uma eternidade para as eleições, e que o grande vetor para os mercados financeiros locais continua a ser a candidatura (ou não) de Lula. Todavia, este tipo de dinâmica apresentada pelo nome de Rodrigo Maia mostra àqueles que pretendem se tornar candidatos como será a campanha eleitoral, extremamente difícil, praticamente uma guerra, onde toda a vida dos candidatos estará sobre a mesa. Isso deverá ser levado em conta por aqueles que pretendem se candidatar a esta vaga.

A mídia internacional, na ausência de notícias com substancia, está dando ampla cobertura ao excesso de volatilidade das “cripto moedas”. Acredito que esta “classe de ativo” ainda não tem importância ou impacto nos mercados econômicos globais. Assim, não merecem grande destaque neste fórum. Eu também tenho pouco conhecimento para emitir opiniões robustas a respeito desta “nova classe de ativo”. Por ora, acredito que as “cripto moedas” sejam mais um fenômeno social e psicológico do que de fato um meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. De qualquer maneira, não descarto que elas virem um ativo mais “robusto” ao longo do tempo.

Nos EUA, a mídia está reportando que o período do Natal trouxe animo as varejistas convencionais, após um longo período de pressão. Esta evidência anedótica apenas reforça o quadro de crescimento robusto que tenho mostrado aqui ao longo dos últimos meses.

Após o anuncio de novas sanções econômicas contra Coreia do Norte por parte do EUA, os norte coreanos voltaram a afirmar que os EUA cometem um “ato de guerra”. Os mercados financeiros globais pouco reagiram a troca e acusações. Isso já virou uma regra. Acredito que apenas atos militares concretos por parte da Coreia do Norte, contra alvos aliados (EUA, Japão, Coréia do Sul ou outros) serão capazes de mover os ativos de risco de maneira mais acentuada e consistente.




Data: 21/12/2017

Alguns breves comentários antes de 2018.

Os Mercados Globais está tirando uma licença paternidade, antes do previsto, e de maneira inesperada, mas com saúde e sem problemas adicionais. Só retornará “a todo vapor”, de maneira diária, após a virada do ano. Aproveito para desejar boas festas e feliz ano novo a todos. 

A sazonalidade do final de ano e um calendário econômico que apenas ratifica o cenário base que temos descrito neste fórum há algumas semanas ajuda a dar confiança nas posições centrais que temos insistido, mesmo após um período que compreendeu o final de outubro, todo novembro e a primeira metade de setembro, onde observamos e vivenciamos uma forte pressão nos ativos do Brasil e uma baixa reação dos juros nos países de desenvolvidos, especialmente nos EUA, aos evidentes sinais de robustez do crescimento e avanço da Reforma Tributária. Recomendo a lida do link a seguir, onde todos os temas abaixos, entre outros, estão descritos de maneira mais detalhada: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

As reversões de parte desses dois movimentos foram o grande destaque dos últimos dias, com uma recuperação dos ativos locais e alta das taxas das Treasuries, que testam agora o patamar de 2,50%. Esta dinâmica dos ativos locais se encaixa bem na minha tese, descrita neste fórum diversas vezes ao longo das últimas semanas, sem sucesso até então, de que o fluxo de notícias envolvendo a Reforma da Previdência estava encobrindo uma melhora cada vez mais evidente e espalhada dos fundamentos cíclicos da economia, ao mesmo tempo em que a posição técnica apresentava melhora sistemática e os preços/valuations se mostravam mais atrativos.

Os últimos dias apenas reforçaram este cenário mais positivo para a economia do Brasil. A inflação segue baixa e qualitativamente positiva, o BCB reforça a mensagem de que há espaço para novos cortes na Taxa Selic e sinaliza que os juros podem ficar baixos por mais tempo, as contas externas continuam bastante saudáveis, o crescimento segue em uma recuperação gradual, mas cada vez mais consolidado e espalhado. Até mesmo o quadro fiscal, grande problema a longo-prazo para a economia, mostra reação, com uma melhora acentuada da arrecadação. O quadro de maior crescimento, menor inflação e juros mais baixos devem trazer alívio às contas públicas ao longo de 2018. É inegável que as reformas estruturais sejam um imperativo, mas teremos uma janela que deverá trazer mais tranquilidade ao cenário nesta frente.

Finalmente, vimos uma rodada positiva de emissões de dívida corporativas externas, além de IPOs na bolsa local, todos com demanda robusta. O leilão de energia foi muito positivo, mesmo sem a participação de estatais. Em suma, um cenário cíclico extremamente positivo, que vinha sendo ignorado pelo mercado desde fins de outubro, por questões diversas, mas que começam a ser impor mesmo diante das incertezas políticas que rondam 2018. Ainda acredito que exista espaço para continuidade dos movimentos recentes.

Mantenho exposição aos ativos locais, concentrado na bolsa e no mercado de juros, especialmente na parte intermediária e longa da curva real de juros. Tenho menor visibilidade e convicção no mercado de câmbio. Continuo acreditando que a taxa de juros ficará mais baixa por mais tempo e, quanto tiver que ser elevada, e um dia certamente terá que subir, deverá subir menos do que a curva precifica neste momento. Diante deste cenário, com juros baixos, o mercado deverá perceber a recuperação de uma economia com hiato do produto elevado, sem necessidade de “choques de juros” o que deverá favorecer o mercado de renda variável. Estes são dos dois temas que tenho focado ao longo de todo o segundo semestre do ano e que deveremos continuar buscando no início de 2018.

No cenário externo, sigo convicto no processo estrutural de alta de juros no mundo desenvolvido. Estou concentrando posição na parte intermediária da curva americana por questões operacionais, mas aonde o cenário me parece mais claro neste momento, diante do avanço da Reforma Tributária, a possibilidade de um pacote de infraestrutura em meio a um crescimento robusto e mercado de trabalho sólido. Estou olhando com calma o mercado de Bunds e Gilts para, eventualmente, montar posição na mesma direção.

Não me estenderei no cenário externo dado minha restrição de tempo. Meus deveres domésticos me chamam.

Feliz 2018.

Dan H. Kawa.  




Data: 18/12/2017

Risk On! Year End Rally...

Os ativos de risco estão operando em tom positivo, em um clássico movimento de “risk-on” e/ou “year end rally”. Meus comentários de ontem, reproduzidos abaixo, seguem pertinentes e atuais. Os jornais de hoje trazem poucas informações novas ao cenário. Na agenda econômica, destaque apenas para os dados de exportação de Singapura. Por ser um país com corrente de comércio elevada e um importante “hub” de tecnologia da Ásia, os números são vistos como uma proxy para o crescimento global. Os dados mostram uma economia mundial ainda bastante robusta e saudável.

Não há mudanças substanciais de cenário econômico local e global neste final de ano. Estamos entrando nas últimas duas semanas do ano, geralmente marcadas por uma baixa liquidez e pela continuidade dos movimentos que prevaleceram ao longo de todo o ano que fica para trás. Na ausência de uma agenda econômica mais carregada, ou de eventos políticos que tragam mudanças de cenário, o natural é esperar que tenhamos um pouco de “mais do mesmo” em relação ao que prevaleceu ao longo de todo o ano de 2017. Mudanças de posicionamento, rotações e afins deverão esperar o inicio de 2018.

No Brasil, acho interessante observar que a mídia tenta manter acesso o debate em torno da Reforma da Previdência, mesmo com o recesso parlamentar que se avizinha. Inclusive, alguns meios de comunicações vincularam matérias mostrando o abismo existente entre a previdência da maior parte da sociedade brasileira se comparada àquela adotada por uma minoria em algumas classes do funcionalismo público. Após um longo período de silêncio da mídia e da sociedade, talvez de maneira atrasada, começa a se formar algum movimento, mesmo que tímido, em prol das reformas. De maneira geral, acho difícil que o mercado volte a “comprar o sonho” da aprovação da reforma em 2018, mas certamente o governo tentará manter está chama acessa.

No que tange o cenário eleitoral, a grande incógnita fica por conta da situação de Lula após o resultado em segunda instância de seu primeiro julgamento. Em uma matéria no O Globo, especialistas, membros do TSE e ex-membros do mesmo colegiado afirmam que caso a sentença da primeira instância seja confirmada, dificilmente Lula poderá ser candidato a presidente no ano que vem. Sigo na linha de que ainda falta muito tempo para as eleições e para termos um cenário muito claro da corrida eleitoral, mas reforço que existe um “cenário de cauda”, sem a candidatura de Lula e com um candidato forte de cetro que é pouco apreciada pelo mercado, que continua focado nos riscos negativos e em um posicionamento mais defensivo para 2018.

No cenário externo, os dados de crescimento global continuam fortes e sincronizados, e os bancos centrais confirmam uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária. A China mostra sinais de desaceleração, mas dentro de um cenário base ainda controlado pelo PBoC e pelo Governo, que traz riscos apenas na eventualidade de um erro de política monetária. Este cenário deverá prevalecer ao longo do começo de 2018, mas certamente será testado por dados mais altos de inflação, uma normalização mais rápida e/ou uma desaceleração do crescimento.

No Brasil, a recuperação do crescimento se mostra mais consolidada e espalhada, mas ainda extremamente gradual. A inflação está baixa e suas perspectivas continuam positivas (baixas). Me impressiona o elevado prêmio de risco (altas de juros) precificados na curva ao longo de 2018. Até entendo o prêmio de risco para o período pós eleitoral, a despeito de não concordar com seu nível, mas as taxas mais curtas deveriam estar muito mais ancoradas diante do cenário de crescimento e inflação.

As contas externas continuam extremamente saudáveis e até mesmo o lado fiscal deverá mostra recuperação no curto-prazo (próximos 12 meses). 




Data: 18/12/2017

2017 aproxima-se do fim.

Não há mudanças substanciais de cenário econômico local e global neste final de ano. Estamos entrando nas últimas duas semanas do ano, geralmente marcadas por uma baixa liquidez e pela continuidade dos movimentos que prevaleceram ao longo de todo o ano que fica para trás. Na ausência de uma agenda econômica mais carregada, ou de eventos políticos que tragam mudanças de cenário, o natural é esperar que tenhamos um pouco de “mais do mesmo” em relação ao que prevaleceu ao longo de todo o ano de 2017. Mudanças de posicionamento, rotações e afins deverão esperar o inicio de 2018.

No Brasil, acho interessante observar que a mídia tenta manter acesso o debate em torno da Reforma da Previdência, mesmo com o recesso parlamentar que se avizinha. Inclusive, alguns meios de comunicações vincularam matérias mostrando o abismo existente entre a previdência da maior parte da sociedade brasileira se comparada àquela adotada por uma minoria em algumas classes do funcionalismo público. Após um longo período de silêncio da mídia e da sociedade, talvez de maneira atrasada, começa a se formar algum movimento, mesmo que tímido, em prol das reformas. De maneira geral, acho difícil que o mercado volte a “comprar o sonho” da aprovação da reforma em 2018, mas certamente o governo tentará manter está chama acessa.

No que tange o cenário eleitoral, a grande incógnita fica por conta da situação de Lula após o resultado em segunda instância de seu primeiro julgamento. Em uma matéria no O Globo, especialistas, membros do TSE e ex-membros do mesmo colegiado afirmam que caso a sentença da primeira instância seja confirmada, dificilmente Lula poderá ser candidato a presidente no ano que vem. Sigo na linha de que ainda falta muito tempo para as eleições e para termos um cenário muito claro da corrida eleitoral, mas reforço que existe um “cenário de cauda”, sem a candidatura de Lula e com um candidato forte de cetro que é pouco apreciada pelo mercado, que continua focado nos riscos negativos e em um posicionamento mais defensivo para 2018.

No cenário externo, os dados de crescimento global continuam fortes e sincronizados, e os bancos centrais confirmam uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária. A China mostra sinais de desaceleração, mas dentro de um cenário base ainda controlado pelo PBoC e pelo Governo, que traz riscos apenas na eventualidade de um erro de política monetária. Este cenário deverá prevalecer ao longo do começo de 2018, mas certamente será testado por dados mais altos de inflação, uma normalização mais rápida e/ou uma desaceleração do crescimento.

No Brasil, a recuperação do crescimento se mostra mais consolidada e espalhada, mas ainda extremamente gradual. A inflação está baixa e suas perspectivas continuam positivas (baixas). Me impressiona o elevado prêmio de risco (altas de juros) precificados na curva ao longo de 2018. Até entendo o prêmio de risco para o período pós eleitoral, a despeito de não concordar com seu nível, mas as taxas mais curtas deveriam estar muito mais ancoradas diante do cenário de crescimento e inflação.

As contas externas continuam extremamente saudáveis e até mesmo o lado fiscal deverá mostra recuperação no curto-prazo (próximos 12 meses).  




Data: 15/12/2017

Fim de ano traz alguma volatilidade aos ativos de risco.

Ontem observamos um dia de queda das bolsas dos EUA e da Europa. Alguns ruídos envolvendo a aprovação da Reforma Tributária parecem ter dado o tom do final da tarde de quinta-feira. A despeito da queda das bolsas, vimos uma leve abertura das taxas de juros nos EUA e um dólar majoritariamente mais forte no mundo. O movimento me parece ser um processo clássico de realização de lucros, natural nesta fase do ano.

Hoje vemos bolsas e commodities em leve alta, pequena abertura das taxas de juros nos EUA e um dólar mais fraco.

Em termos econômicos, a quinta-feira trouxe fortes dados de vendas no varejo nos EUA, além de um Jobless Claims em níveis historicamente baixos e condizentes com um mercado de trabalho extremamente robusto. Os números levaram o mercado a uma revisão altista nas previsões do PIB para o 4Q do ano, além de dar ímpeto a tese de continuidade no processo de normalização monetária dos EUA.

Na Europa, o ECB manteve a política monetária inalterada, como era amplamente esperado. Draghi reafirmou a postura de gradualismo no processo de normalização monetária. A área técnica do Banco promoveu revisões altistas de crescimento e baixistas para taxa de desemprego, mas se alterações relevantes no quadro de inflação, em uma direção muito parecida com aquela adotada pelo Fed. A decisão do BoE na Inglaterra não trouxe novidades, sem alterações na política monetária.

No Brasil, a Reforma da Previdência foi abandonada. Os jornais ainda aventam a possibilidade de vota-la em fevereiro de 2018, mas afirma que novas concessões serão feitas. O mercado duvida na possibilidade de aprovação de temas polêmicos em ano eleitoral. As agências de risco já sinalizam para um rebaixamento da nota de crédito do país. os ativos locais operaram sob pressão. Espero volatilidade e novas ondas de desalocação nos ativos do Brasil, até que a posição técnica mais saudável, o nível de preços/valuation e o quadro econômico mais positivo fiquem mais evidentes.

No Japão, o Tankan – um dos mais importantes indicadores de confiança do país – apresentou mais um trimestre de alta, reforçando o cenário de recuperação da economia japonesa.




Data: 14/12/2017

Mundo cresce com sincronismo. China desacelera como o esperado.

Neste momento, estamos observando uma abertura de taxa das Treasuries nos EUA, que está devolvendo cerca de 60% do movimento de fechamento de taxas verificado ontem. Neste ambiento, o dólar opera majoritariamente em alta. As bolsas e as commodities, no geral, apresentam leve elevação, mas sem movimentos relevantes.

Não vi nenhuma novidade para explicar as reversões dos movimentos de ontem, mas também não conclui neste fórum que o Fed havia sido definitivamente dovish em sua reunião. Assim, os movimentos de curto-prazo me parecem mais ruídos. Não vejo alterações significativas de cenário. Ainda trabalho com um cenário base de curto-prazo de crescimento global saudável, inflação gradualmente em alta no mundo desenvolvido e normalização monetária gradual e bem comunicada por parte dos principais bancos centrais das economias avançadas. Este cenário ainda me parece construtivo para ativos de risco no geral, deveria favorecer uma elevação estrutural das taxas de juros das economias avançadas. Entendo que, neste estágio do ciclo, teremos uma maior diferenciação entre os ativos de alguns países e regiões, assim como um desempenho melhor de alguns ativos em detrimento a outros.

Não há novidades em relação a Reforma da Previdência no Brasil. A informação corrente é de que não haverá votação este ano. O Congresso aprovou o Orçamento fr 2018, o que deverá reduzir os trabalhos na casa a partir de agora. Ainda espero alguma pressão sobe os ativos locais, mas acredito que em algum momento, a melhora cíclica dos fundamentos, frente a posição técnica mais saudável e a preços mais atrativos irá favorecer os ativos locais.

Destaque da noite para os dados econômicos da China que mostraram alguma estabilização do crescimento. De maneira geral, o cenário base de desaceleração gradual da economia do país continua inalterado. O PBoC, seguindo o Fed, anunciou algumas medidas adicionais de aperto monetário, o que reforça a expectativa de uma política monetária mais apertada de agora em diante. Segundo o DB:

In China, the November macro data just released was broadly in line but slightly lower than the prior month. Both the IP and fixed assets investments matched expectations at 6.1% yoy and 7.2% respectively, but were 0.1ppt lower than the prior month. Retail sales were softer than expectations at 10.2% yoy (vs. 10.3%). Elsewhere, China’s central bank has slightly increased the borrowing costs it charges in open market operations following the Fed’s move, lifting the cost of the 7 and 28 day reverse repo agreement by 5bp.

Nos EUA, a Camara e o Senado parecem ter chegado a um acordo em torno da Reforma Tributária, em mais um importante passo na direção de uma política tributária e fiscal mais frouxa. Em meio a um crescimento sólido e um mercado de trabalho robusto, a implementação dessas reformas deverá ser visto como mais hawkish, reforçando a expectativa de que o Fed deverá dar continuidade ao processo de normalização monetária.

Ainda pela manhã, vimos dados positivos de crescimento na Europa, além de dados robustos de emprego na Austrália. Os números apenas confirmam um quadro de robustez e sincronismo da economia mundial.          




Data: 14/12/2017

Fed & Previdência.

Fed – Dentro do esperado, o Fed elevou a taxa de juros em 25bps. A decisão teve dois votos pela manutenção das taxas. O Fed promoveu um ajuste para cima de suas expectativas de crescimento, com alguns membros já incorporando algum impacto fiscal em suas previsões. Houve novas revisões baixistas para a taxa de desemprego. Contudo, as expectativas de inflação se mantiveram estáveis, o que acabou sendo lido pelo mercado como uma postura dovish por parte da Comitê.

Eu não vejo a decisão de hoje como alterando de forma significativa o cenário econômico global. Seguimos em um ambiente ainda construtivo para ativos de risco como um todo.

Reforma da Previdência – Alguns membros do “núcleo duro” do entorno de Temer deram declarações de que a Reforma foi de fato “abandonada” este ano, e só voltará a pauta no ano que vem. Existe um entendimento do mercado de que dificilmente qualquer tema mais polêmico seja votado em ano eleitoral.

Como era de se esperar, vimos uma forte pressão na bolsa e uma piora nos mercados de câmbio e juros. Contudo, dado o ambiente global, o BRL e a curva de juros conseguiram mostrar comportamento relativamente tranquilo. Interessante observar a queda nas volatilidades implícitas das opções de bolsa.

A partir de agora, minha tese de fato será testada. Ou o mercado continua sem tendência e pressionado, ou os investidores voltam a olhar os fundamentos da economia, a melhora cíclica e o valor que está sendo criado em alguns ativos, em meio a um pano de fundo global construtivo. 




Data: 14/12/2017

Alguns comentários.

Estou fora do RJ, entre reuniões com clientes e eventos de terceiros. Assim, serei mais breve do que eu gostaria nos comentários, mas acho importante falar sobre alguns desenvolvimentos recentes,

Primeiro, estive em um evento de um grande banco de investimentos esta manhã. Em uma pesquisa com os participantes, a maioria investidores e empresários de SP, a pesquisa mostrou opiniões bastante divididas em relação a capacidade de Lula disputar ou não as eleições de 2018. Os números ficaram muito próximos a 50%. A grande maioria, contudo, disse ter preocupação elevada com o processo eleitoral e pretende adotar postura mais cautelosa no ano que vem.

Acho que a pesquisa é extremamente importante porque explica bem o que está ocorrendo com os ativos brasileiros no curto-prazo, em termos de pressões negativas com a chegada do próximo ano, além de questões mais específicas, como o “shape” steepado da curva de juros.

O resultado da pesquisa ainda reforça a minha tese de que a grande surpresa para o mercado em 2018 será um eventual processo eleitoral mais tranquilo do que o esperado. Não que eu ache que este seja o cenário base, mas um cenário alternativo talvez pouco apreciado pelos investidores. Na maioria das vezes, os investidores trabalham com cenários de cauda negativos, mas precisamos ter em mente que cenários de cauda positivos também existem. Imagem uma eleição em 2018, eventualmente, sem a participação de Lula e com o centro unido em torno de um candidato único? Isso, hoje, é pouco provável e pouco precificado, mas não um cenário totalmente descartado.

Vamos a alguns temas:

Reforma da Previdência – Tudo indica que sua aprovação será extremamente difícil no curto-prazo. Volto a dizer que não tenho vantagem comparativa em apontar nenhum cenário como favorito, mas o fluxo de notícias emanando de Brasília ainda é ruim, ou desfavorável a Reforma.

Continuo acreditando que pouco da Reforma esteja precificado nos ativos do Brasil, mas entendo que a retirada dela do horizonte relevante poderá trazer mais volatilidade e pressão para os ativos locais. Por isso, a estratégia de curto-prazo é se manter vivo, para buscar potenciais oportunidades de alocação. Ainda vejo o cenário macro como bastante construtivo, o que deverá favorecer os ativos locais no médio-prazo.

Copom/Política Monetária – As Notas do Copom divulgadas ontem, e a apresentação de Carlos Vianna hoje no mesmo evento citado acima, mostram um BCB bastante tranquilo e confortável com o cenário de inflação. É natural que o cenário base seja de um corte de 25bps na próxima reunião, pelas indicações das Notas e pelo atual estágio do ciclo econômico.

Contudo, o BCB deixou claro que existem riscos para os dois lados da política monetária, positivos e negativos. Continuo surpreso como o mercado e os sell-sides, em especial, só conseguem ver os riscos negativos para um ciclo de corte de juros mais curto do que o cenário base. Dado as expectativas de inflação de nossa área econômica para este final de ano e para o primeiro trimestre de 2018, não descarto um corte de 50bps na próxima reunião do Copom, ou um ciclo mais prolongado de quedas de 25bps. Além disso, não vejo espaço para altas de juros ao longo de 2018. Assim, continuo vendo bastante valor na parte intermediária das curvas locais de juros.

Vendas no Varejo – Os números divulgados hoje ficaram muito abaixo das expectativas. Muitos estão citando o efeito do “Black Friday”, cada vez mais relevante no país, como potencial vetor de volatilidade nestes números. De maneira geral, ainda vejo um processo de recuperação gradual da economia, o que permite não apenas um cenário mais construtivo para o país, mas uma política monetária mais frouxa por mais tempo.

Mercados Brasil – A despeito de todos os ruídos envolvendo a Reforma da Previdência, o mercado local continua saudável. Os IPOs estão transcorrendo de forma tranquila, assim como as emissões de dívida, locais e externas.

EUA – Após dados de PPI mais altos do que as expectativas (divulgados ontem), o Core CPI apresentou alta de apenas 0,1% MoM. Continua, assim, o conundrum em torno da inflação no país, em meio a um crescimento robusto e um mercado de trabalho de sólido.

Ainda vejo as taxas de juros no mundo desenvolvido no meio de um processo estrutural de alta.

A reunião do FOMC, dentro de 1 hora, será importante para medirmos a temperatura dentro do Fed em meio a este cenário construtivo, porém confuso do ponto de vista de política econômica (baixa inflação, baixo desemprego, crescimento sólido). 




Data: 12/12/2017

 Condições externas favoráveis. Ruídos na Reforma da Previdência prevalecem.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade esta manhã. Destaque para mais um dia de alta no preço do petróleo e para a continuidade de um ambiente relativamente construtivo para os ativos de risco em geral. O destaque da agenda do dia ficará por conta do PPI nos EUA, mas a agenda ganhará corpo ao longo da semana, com Core CPI e FOMC na quarta-feira e reunião do ECB na quinta-feira.

No Brasil, a Folha traz reportagem em que afirma que a Reforma da Previdência possa ficar para o início de 2018. Os demais meios de comunicação reportam que o Governo segue em busca dos votos para que a aprovação da Reforma ocorra ainda na semana que vem. Os ruídos envolvendo o tema continuam elevados e os ativos locais devem continuar sensíveis ao tema.

Para não soar repetitivo, deixo abaixo meus comentários recentes:

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/condicoes-externas-seguem-favoraveis.html

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/update.html




Data: 11/12/2017

Condições externas seguem favoráveis. Agenda demanda atenção.

Os ativos no Brasil continuam muito sensíveis aos ruídos envolvendo a Reforma da Previdência. Acredito que a dinâmica deverá continuar assim até que o evento saia da janela do mercado, para o bem ou para o mal. Depois disso, espero que os fundamentos econômicos voltem a ditar o rumo dos ativos brasileiros.

De novidade concreta, estamos vendo uma inflação corrente extremamente baixa e perspectivas de inflação ainda baixa para o começo de 2018. O Relatório Focus do BCB reflete um pouco este cenário construtivo para a inflação e para o crescimento. As Notas do Copom, que serão divulgadas amanhã, trarão uma claridade melhor em relação as intensões futuras do banco central. Continuo vendo a Taxa Selic cair a pelo menos 6,75%, com riscos crescentes de uma taxa inferior a essa. Acredito que os juros permanecerão baixos por um tempo prolongado de tempo.

No cenário externo, a notícia mais importante do dia, no meu ponto de vista, foi a divulgação dos dados de agregados monetários na China, que ficaram acima das expectativas do mercado, mostrando um certo alívio para as condições financeiras do país. Os números divulgados hoje confirmam a minha visão de que o aperto monetário recente foi induzido pelo PBoC, com o intuito de trazer mais racionalidade ao mercado chinês, buscando evitar bolhas e excessos em setores específicos da economia. Com este pano de fundo, qualquer sinal mais acentuado de desaceleração, poderá ser contrabalanceado por medidas de alívio. Assim, segue um cenário de desaceleração gradual da economia chinesa. Os riscos a estabilidade financeiras existem, mas devem ser vistos como “riscos de cauda”. Por ora, o governo chinês vem conseguindo promover um ajuste relativamente saudável da economia.

A semana será carregada de indicadores de inflação nos EUA e decisão de bancos centrais nos EUA e na Europa. Estes momentos sempre costumam ser um pouco mais tensos para os mercados, especialmente vis-à-vis os atuais níveis de preço e as volatilidade realizadas e implícitas baixas.

Continuo vendo um processo gradual de elevação da inflação nos EUA. Isso irá permitir que o processo de normalização monetária nos EUA e no resto do mundo desenvolvido seja também gradual e bem comunicado. Continuo gostando de posições tomadas em juros em alguns países do G10, combinadas com posições compradas em volatilidade de Rates e alguns pares de FX. Tenho focado no AUD por questões específicas do país.

No curto-prazo, a despeito de todos os riscos inerentes a fase atual do ciclo econômico global, continuo vendo um cenário relativamente construtivo para o final de 2017 e começo de 2018. Os dados de inflação nos EUA e as decisões do Fed do ECB poderão, eventualmente, alterar este quadro. Trabalho com um cenário base sem alterações drásticas de pano de fundo para as próximas semanas.




Data: 11/12/2017

Brasil: Reforma da Previdência apresenta "momento" favorável...

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade esta manhã. Destaque para o lançamento do futuro de Bitcoin na CME, que levou a uma forte alta do ativo em suas primeiras horas de negociação. Na Nova Zelândia, a nomeação de um novo “Governor” para o Banco Central do país foi bem recebido pelo mercado, levando a uma alta superior a 1% no NZD, a moeda do país. A agenda externa será relativamente esvaziada hoje, mas a semana nos resera a divulgação do Core CPI e a decisão do Fed na quarta-feira.

Na China, os dados de inflação, o CPI e o PPI, ficara abaixo das expectativas do mercado em novembro. Os números não alteram de forma significativa o cenário econômico para o país. Comentei um pouco mais sobre este cenário no final da semana passada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/update.html.

No Brasil, o “momento” em torno da Reforma da Previdência continua positivo, como discorri ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/brasil-fluxo-de-noticias-mais-positivas.html). Interessante mostrar uma pesquisa realizada pelo Ibope a pedido do Planalto, e divulgada hoje pelo Correio Braziliense:

Correio Braziliense - Aprovação sobe e rejeição despenca

Embora a maioria da população entenda que, se a reforma da Previdência emplacar, o país terá mais recursos para investir em saúde, educação e segurança pública, falta convencê-la da necessidade de se instituir uma idade mínima para aposentadoria e explicar a regra de transição para se chegar à exigência de 62 anos, para mulheres, e de 65, para homens. É o que mostra a pesquisa de opinião pública encomendada pela Presidência da República ao Ibope, à qual o Correio teve acesso. Com a nova investida nas propagandas e os recentes cortes na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 287, a aprovação à reforma subiu de 18% para 26% nos últimos dias. A rejeição caiu de 46%, no início de novembro, para 30%, no fim do mês. No mesmo período, os indecisos foram de 33% para 42%, uma margem grande para angariar apoio.

Ainda de acordo com o levantamento, 67% dos brasileiros concordam que servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada tenham as mesmas regras para se aposentar, e 55% são favoráveis à reforma acabar com privilégios de algumas categorias. Os números levam a duas principais conclusões: as propagandas têm gerado efeitos positivos para o governo e o discurso de equiparação de regras tem funcionado. O que as pessoas ainda não aceitam bem é a idade mínima, que, com a regra de transição proposta, aumentará aos poucos: 66% dos entrevistados dizem não concordar com esse dispositivo. Uma das maiores preocupações dos trabalhadores ainda é que as novas regras comecem a valer de imediato e ataquem direitos adquiridos.




Data: 11/12/2017

Brasil: Fluxo de notícias mais positivas.

O final de semana, até o momento, trouxe poucas novidades para o cenário externo, mas alguns desenvolvimentos relevantes para o cenário local.

Vale lembrar que continuo acreditando que os fundamentos da economia do Brasil estão se consolidando em trajetória mais positiva. Este pano de fundo deveria manter os ativos locais, a médio-prazo e sem alterações relevantes no cenário externo, de certa forma também em trajetória positiva. Contudo, no curto-prazo, é inegável que os investidores estão de olho no avanço (ou não) da Reforma da Previdência e que os ativos do Brasil irão reagir, mesmo que pontualmente, aos desenvolvimentos nesta frente.

Dito isso, o final de semana trouxe notícias mais construtivas. Após o “fechamento de questão” em torno da Reforma por parte do PMDB e do PTB, o PPS anunciou, segundo a mídia, que também votará em bloco pela Reforma. A convenção do PSDB elegeu, como era amplamente esperado, Geraldo Alckmin como presidente do partido. Em seu discurso, Alckmin adotou um tom duro e crítico contra a sua oposição, leia-se Lula e o PT. Além disso, fez acenos positivos ao atual Governo liderado por Michel Temer. Desta forma, Alckmin começa a dar uma direção mais clara ao PSDB, podendo se colocar como uma opção mais viável a uma candidatura oficial, com apoio mais amplo dos partidos de centro, nas eleições presidenciais de 2018. Além disso, de acordo com a mídia, Alckmin irá, agora, convocar a executiva do PSDB para tentar o “fechamento de questão” em torno da Reforma. Finalmente, o Governo sinaliza para uma votação dia 18 de dezembro, mas a mídia está reportando esta manhã que o debate em torno da Reforma poderá ser iniciado já dia 14, esta semana, na Câmara.

De maneira geral, vejo os desenvolvimentos recentes como mais positivos em favor da Reforma. Repito que tenho pouca visibilidade a este tema. Não tenho nenhuma vantagem comparativa para dar uma opinião mais firme em torno da possível aprovação, ou não da Reforma da Previdência. Então, tenho tentado focar nos fundamentos econômicos locais, na posição técnica do mercado e nas aparentes assimetrias dos ativos do Brasil vis-à-vis as probabilidades de aprovação da Reforma e os fundamentos econômicos.

A posição técnica me parece bastante saudável. Os estrangeiros estão reduzindo consistentemente alocações em Brasil, de níveis que já eram extremamente baixos para os padrões históricos. Nosso acompanhamento do fundos locais mostra um mercado pouco alocado e ainda favorecendo posições na parte curta da curva de juros ou nas NTN-Bs. Pouquíssimos fundos apresentam posições relevantes em Renda Variável e BRL.

Os fundamentos seguem positivos. Apenas para focar em um tema, o IPCA de novembro ficou abaixo das expectativas e as coletas de inflação mostram uma perspectiva de inflação baixa ainda em 2018. Este ambiente irá permitir que a Taxa Selic fica em torno, provavelmente abaixo de 7% ao longo de 2018, o que será um grande “vento favorável” à economia.

No tocante aos preços de mercado e probabilidade embutidas, ainda vejo valor no s ativos locais. Entendo que o processo de recuperação de preços não será “one-off”, instantâneo, e nem linear. Mas nos atuais níveis, ainda vejo valor e uma probabilidade baixa embutida em relação a recuperação cada vez mais visível, consolidada e espalhada da economia.  




Data: 08/12/2017

Update.

A semana trouxe poucas novidades relevantes para os cenários local e externo. De maneira geral, os dados econômicos seguem corroborando um cenário ainda construtivo e relativamente estável para a economia global.

Neste estágio do ciclo econômico, alguma acomodação dos números é natural, como o caso da produção industrial da Alemanha, que caiu pelo segundo mês consecutivo em outubro. Ainda não vejo motivos evidentes para temer uma mudança brusca ou substancial de cenário. Não há apertos consideráveis das condições financeiras, os juros seguem baixos no mundo desenvolvido, os bancos centrais mostram gradualismo no processo de normalização monetária, não há sinais aparentes de uma aceleração mais aguda da inflação no mundo, e etc.

Nos EUA, os dados de emprego divulgados hoje reforçaram um quadro de robustez do mercado de trabalho, com uma criação ainda saudável de postos de trabalho, uma taxa de desemprego baixa, porém sem pressões muito preocupantes do lado dos salários. Este costuma ser um cenário bastante positivo para a economia dos EUA e para os ativos de risco como um todo.

A China vem trazendo algum ruído aos mercados da Ásia, com algum aperto, induzido pelo PBoC, das condições financeiras levando a alguma pressão nas bolsas. Este processo parece estar sendo guiado pelo PBoC e permanece um risco localizado e contido. Como não me parece um evento exógeno, inesperado, porém liderado pelo PBoC, tendo a acreditar que o objetivo seja trazer alguma racionalidade e desalavancagem para a economia e o sistema financeiro local. Assim, o cenário base parece ser de uma desaceleração gradual da economia. Caso estes eventos venham a trazer impactos mais relevantes para o país, tendo a acreditar que o Governo teria os instrumentos adequados para evitar uma piora mais acentuada da situação. De qualquer maneira, erros de política monetária devem ser vistos como “risco de cauda” e não como cenário base.

No Brasil, o IPCA de novembro apresentou alta de 0,28% MoM e 2,8% YoY. O quadro qualitativo do indicador continua mostrando uma inflação corrente baixa e perspectivas ainda positivas (inflação baixa) para o ano de 2018. Os números de hoje reforçam a minha visão de taxas de juros mais baixas por mais tempo no país. Acredito que ainda haja espaço para a Taxa Selic cair para algo em torno de 6,75%-6,50% e ficar neste patamar por cerca de um ano (ou mais). Neste ambiente, ainda vejo valor na parte intermediária da curva de juros. Como tenho refletido neste fórum, não acredito que a compressão desses prêmios será feita de forma rápida, mas ao longo do tempo, conforme o mercado for se convencendo, ou se tornando mais confortável, com o cenário descrito acima.

Os ativos locais continuam bastante sensíveis aos ruídos envolvendo a Reforma da Previdência. Não tenho opinião, ou vantagem comparativa, em opinar se a Reforma será, ou não, aprovada. Tenho um viés, contudo, de acreditar que o simples fato desta questão estar na mídia está sendo negativa para os mercados locais. Acredito que, não sendo aprovada, poderemos ver alguma pressão pontual e limitada, de curto-prazo, nos ativos do Brasil, mas ainda vejo os fundamentos de médio-prazo, ainda bastante positivos, se sobrepondo a Reforma da Previdência.

Na minha visão, é inegável que o Brasil tem um problema fiscal gigantesco, que precisará ser equacionado nos próximos anos. Contudo, o cenário de 2018 será um pouco mais tranquilo do ponto de vista econômico e fiscal, com a melhora do crescimento, uma inflação e juros baixos, e receitas extraordinárias dando algum “respiro”, de curto-prazo, a situação fiscal. Isso não significa que a Reforma não seja imprescindível, mas que, caso não haja grandes alterações no cenário externo, o mercado poderá dar mais algum benefício da dúvida ao país. Contudo, uma mudança no cenário externo, em meio a um quadro eleitoral mais incerto, na ausência da Reforma, deixará o país menos “blindado”, e mais susceptível, aos fluxos de curto-prazo.

Em suma, ainda vejo valor na parte intermediária das curvas de juros (nominal e real). Vejo valor e uma posição técnica favorável no mercado de renda variável. Continuo vendo o BRL em um range entre 3,10-3,35, mas dos ativos locais é o que eu menos tenho convicção, preferindo adotar postura tática ou utiliza-lo como hedge.

Alguns comentários finais. O cenário para fluxo continua construtivo em dezembro. Teremos a emissão da BR Distribuidora na semana que vem (IPO), que pode estar trazendo algum “overhand” ao mercado de renda variável local. As emissões de dívidas corporativas continuam com demanda alta, saindo a taxas fechadas, como foi o caso do papel de BTG Pactual ontem. Em suma, a despeito da dinâmica ruim dos ativos locais, o mercado permanece bastante saudável. 




Data: 08/12/2017

Notícias mais positivas no Brasil, dados construtivos na China e agenda carregada hoje.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, a espera dos dados de emprego nos EUA. Ontem, a notícia de evolução nas negociações do Brexit, o avanço para evitar um “shutdown” nos EUA, além de rumores de que Trump poderiam anunciar um pacote agressivo e detalhado de investimentos já no inicio de 2018 ajudaram a dar suporte aos ativos norte americanos no final da tarde.

No Brasil, os ativos locais continuam mostrando elevada volatilidade e sensibilidade em relação a Reforma da Previdência. A quarta-feira foi de fluxo de notícias mais negativo, o que acabou castigando os ativos do país. Hoje pela manhã, os jornais indicam que a votação está acordada para o dia 18 deste mês e que o governo já teria contabilizado cerca de 396 votos a favor da Reforma. Na agenda do dia, teremos o IPCA como destaque.

Na China, os dados de importação e exportação de novembro apresentaram forte recuperação, mostrando algum “payback” de questões pontuais do mês anterior, mas também apontando para um cenário de relativa estabilidade da economia do país, ou seja, um pano de fundo ainda construtivo. Segundo o Citibank: China’s export growth bounced back strongly – In dollar terms, export growth unexpectedly surged from 6.9%YoY in Oct to 12.3%YoY in Nov, much higher than market’s expectations (Citi: 4.9%YoY, Consensus: 5.3%YoY). Import growth also improved by 0.5 ppt to 17.7%YoY. Overall, the monthly trade balance widened from USD 38.2 bn in Oct to USD 40.21 bn.

Em relação aos dados do Mercado de trabalho nos EUA, que serão divulgados hoje, todas as atenções estarão voltadas para os números de rendimentos. Acredito que os dados de hoje, dependendo se seus resultados, odem ser determinantes para as próximas semanas (talvez meses) e para as próximas tendências do mercado. Deixo aqui o comentário do Morgan Stanley:

US employment costs. Today’s focus will be on the release of the US labour market report where it needs to be seen if the US November employment increase turns out equally strong compared to the Canadian numbers last week. Of specific importance will be wage data. It has been low wage inflation keeping capital expenditure spending subdued, pushing the ratio of the US capital stock to employment down and laying the foundation for productivity disappointment and implicitly low real US yields. Signs of employment costs picking up are likely to spark a chain reaction supporting capex, and leading to productivity gains and higher US real yield.

Inflation indications. Interestingly, the underlying inflation gauge (UIG) a measure of sustained movements in inflation provided by the New York Fed is at 2.96%, the highest in more than 10 years, signaling price pressures have picked up even as headline CPI remained subdued. Should US wages pick up, the Fed will have to decide either to tolerate higher inflation rates arguing that past years' inflation undershoot warrants scope for a temporary overshoot or to react mechanically via hike rates. The first case would allow the USD to stay weak for longer, the second case would produce a temporary USD rebound.

Continuo alocado em ativos do Brasil, administrando o tamanho e os instrumentos da posição, visando passar este momento mais turbulento e volátil da Reforma da Previdência, mas sem perder de vista a melhora cada vez mais consolidada do quadro econômico e seus fundamentos. Para balancear o portfólio, sigo com posições tomadas em taxas de juros nos EUA, vendido em AUD (promovi alguns ajustes na posição após o movimento recente de queda) e comprada em volatilidade de Rates, FX e Equities, cuja postura precisa sempre ser um pouco mais dinâmica na administração.




Data: 07/12/2017

Brasil: Negociações para Previdência avançam. BCB faz o esperado pelo mercado.

Os ativos de risco estão mostrando leves sinais de “Reflation” esta manhã, com  a abertura de taxas de juros no mundo desenvolvido dando pequeno suporte ao dólar. As bolsas e as commodities operam em alta. Ontem foi um dia em que o destaque, mais uma vez, ficou por conta do fortalecimento global do dólar, em meio a um movimento de fechamento de taxa de juros longas nos EUA. Hoje, as bolsas da Ásia, no geral, tiveram mais um dia negativo, dando seguimento a um movimento de pressão que vem sendo liderado pelos mercados na China, mas ainda não gerou contágio maior ao resto do mundo.

Em termos econômicos, continuo vendo um cenário relativamente estável. O crescimento global continua saudável, mas é bem provável que o pico do crescimento já tenha ocorrido, e alguma acomodação de curto-prazo seja observada nos próximos meses. A inflação continua baixa, mas é razoável supor que tenhamos um processo gradual de alta da inflação, especialmente no mundo desenvolvido. Os bancos centrais devem seguir um processo de normalização monetária, mas talvez de forma um pouco mais acelerada, mesmo que ainda gradual, do que no passado recente. Estas mudanças marginais de cenário podem vir a impactar os preços de mercado, especialmente no momento em que estas inflexões estejam ocorrendo.

Hoje pela manhã, a produção industrial da Alemanha apresentou sua segunda queda consecutiva, surpreendendo as expectativas do mercado. Não vejo este movimento como uma mudança de cenário, mas como uma acomodação natural do crescimento do país.

No Brasil, o BCB anunciou um corte de 50bps na Taxa Selix, para 7%, como era amplamente esperado. O BCB sinalizou que o mais provável seja um corte de 25bpsna próxima reunião e, a partir de então, o cenário para política monetária será muito mais dependentes dos dados correntes e prospectivos. Acredito que a decisão tenha sido, grosso modo, em linha com as expectativas do mercado. Ainda vejo valor na parte intermediária da curva de juros, pois ensejo um cenário de fechamento gradual do hiato do produto e inflação ainda baixa nos próximos 12 a 18 meses. Assim, acredito que o valor no mercado de juros esteja na compressão dos prêmios de alta de juros ao longo de 2018. Entendo que este movimento será gradual e que os ganhos esperados hoje sejam muito menores do que no passado recente, devido ao nível da taxa e ao momento do ciclo de política monetária.

No final da tarde de ontem, o PMDB e o PTB anunciaram  o fechamento de questão em prol da Reforma da Previdência. O Governo está extremamente empenhado nas negociações para a aprovação da Reforma. Ainda existe uma enorme incerteza e diversos ruídos envolvendo o tema. Não pretendo comentar aqui todos os ruídos que surgem em relação ao processo de negociação.




Data: 06/12/2017

Risk-Off liderado pelo Ásia. Brasil: PMDB marca reunião para fechar questão em torno da Previdência.

O destaque da noite ficou por conta de uma pressão generalizada nas bolsas da Ásia, que está colocando pressão nas bolsas da Europa e dos futuros das bolsas dos EUA nesta manhã. Acho interessante observar que, além da “grande rotação” entre os setores da bolsa dos EUA que tenho apontando neste fórum, a bolsa norte americana vem apresentando dinâmica ruim desde o avanço da Reforma Tributária no Senado.

Vejo está dinâmica como um sinal de alerta. Por ora, estou tratando estes movimentos como “realizações de lucro”, acomodações, normais dentro de um pano de fundo econômico ainda estável. Contudo, com a chegada de um novo ano, e a maturação do ciclo econômico global, precisamos ficar atentos, preparados e flexíveis para eventuais mudanças concretas e estruturais de cenário para os ativos de risco ao redor do mundo.

Por este motivo, tenho mantido um portfólio externo mais balanceado. Posições tomadas na curva de juros dos EUA são balanceadas com compra de volatilidade em Rates e Equities no país, assim como uma posição vendida em AUD.

No Brasil, os ruídos em torno da Reforma da Previdência são grandes. De concreto, o PMDB marcou reunião extraordinária para discutir o fechamento de questão em torno da Reforma para esta quarta-feira à tarde. O intuito é que um eventual fechamento de questão leve outros partidos a adotarem a mesma postura, criando “momento” para a aprovação da Reforma.

Ontem, a Produção Industrial foi divulgada, confirmando um cenário de recuperação gradual do crescimento.

Na tarde de hoje, o BCB divulgará a decisão de política monetária. Espero uma queda de 50bps e um comunicado um pouco mais flexível em torno dos próximos passos para a política monetária. Ainda vejo a Taxa Selix abaixo de 7%, com chances de reais de uma taxa entre 6% e 6,5%. Contudo, entendo que estamos em uma fase de “ajuste fino” da política monetária local. Acredito que os juros ficarão baixos por mais tempo, o que tende a favorecer a parte intermediária das curvas nominais e reais de juros. 




Data: 05/12/2017

"Grande Rotação" Externa. Cenário Tranquilo e Favorável no Brasil.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. O grande destaque do dia de ontem ficou por conta de uma “Grande Rotação” entre os setores da bolsa dos EUA, com as empresas de Crescimento e Momento fortemente afetadas pela Reforma Tributária, assim como o setor de Tecnologia, em detrimento ao setor Financeiro e o conhecido setor de Valor que acabaram sendo favorecidos com movimentos de alta. De maneira mais tímida, começo a ver alguma rotação das bolsas desenvolvidas para as bolsas emergentes, o que pode acabar se tornando uma outra tendência ao longo de 2018.

No Brasil, a fluxo de notícias envolvendo a Reforma da Previdência parece mais positivo, ou pelo menos negativo, com a alta governista fazendo um imenso esforço para sua aprovação. Os ativos locais reagiram de maneira positiva a melhora nas perspectivas de aprovação. Seguem alguns headlines de hoje:

https://oglobo.globo.com/economia/ofensiva-por-reforma-da-previdencia-inclui-promessas-eleitorais-22150062

https://oglobo.globo.com/economia/governo-aposta-que-cinco-partidos-podem-fechar-questao-para-votar-reforma-da-previdencia-22147923

O BCB anunciou para hoje dois leilões de linha de cerca de US$2bi, em mais um movimento para aliviar a tensão no mercado de câmbio neste final de ano.

A janela de captações externas segue aberta e construtiva. A Itaú sinalizou com a emissão de um papel perpétuo, em movimento semelhante ao realizado pelo Banco Votorantim na semana passada. Este tipo de papel é visto como capital de acordo com a nova Basiléia, o que ajuda o balanço dessas instituições, além de manter o fluxo cambial favorável no curto-prazo.

Segundo a mídia, a Petrobrás estaria em vias de vender seus gasodutos no Nordeste por cerca de US$5bi. Seria mais um, dos diversos passos importantes e positivos no processo de desinvestimento e desalavancagem da companhia.

Em suma, o cenário para o Brasil continua tranquilo e favorável. 




Data: 04/12/2017

"Reflation" no mundo. Brasil: Há uma luza no fim do túnel para aprovação da Previdência.

 

Os ativos de risco estão revertendo grande parte dos movimentos verificados na tarde de sexta-feira, após os ruídos envolvendo um assessor de campanha de Donald Trump (mais detalhes aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/12/trump-reforma-tributaria-nos-eua-e-pib.html). A aprovação da Reforma Tributária no Senado dos EUA, além da dissipação do ruídos comentado anteriormente estão sendo os principais responsáveis pelos movimentos de hoje. 

 

Continuo vendo os ativos globais de risco operando entre o “Goldilocks” e o “Reflation” neste final de ano, baseado em um pano de fundo ainda positivo para a economia global. Como risco ao cenário, ainda vejo com maior probabilidade a possibilidade de uma aceleração do processo de normalização monetária nos EUA e uma potencial, mas com probabilidade mais baixa, desaceleração mais acentuada da China. Neste ambiente continuo favorecendo posições tomadas em taxas de juros nos EUA, assim como posições vendidas em AUD como composição aos portfólios. 

 

No Brasil, segundo a mídia, o jantar de Temer com a base aliada ontem rouxe uma luz de esperança para a Reforma da Previdência, vejam abaixo: 

 

http://www.valor.com.br/politica/5216137/base-esta-reorganizada-para-tentar-votar-reforma-diz-maia 

 

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1940375-temer-diz-que-delacao-da-jbs-prejudicou-nova-previdencia-e-pede-apoio.shtml 

 

Continuo vendo valor nos ativos locais nos atuais níveis, em meio a uma posição técnica que me parece saudável e um cenário interno positivo, confirmado pelos dados recentes.




Data: 04/12/2017

Trump, Reforma Tributária nos EUA e PIB no Brasil.

 

No cenário externo, dois eventos afetaram os mercados ao longo do dia de ontem. Quando ficava claro que a Reforma Tributária nos EUA avançaria no Senado, consolidando um cenário positivo e construtivo de “Reflation” para os ativos globais, com as devidas rotações típicas de momentos como esse, os investidores foram surpreendidos pela notícia de que um dos antigos assessores de campanha de Trump teria aceito um “acordo de delação premiada”. Este acordo poderia colocar a Casa Branca no meios das investigações que potencialmente envolvem a Rússia no processo eleitoral. 

 

No início da madrugada, o Senado passou uma versão revisada, mas não menos importante, da Reforma Tributária. Este é um passo importante para a implementação da Reforma no país. 

 

Acredito que o evento descrito acima deva ser visto como um ruído de curto-prazo, a despeito do impacto relevante verificado ao longo do dia. No final da tarde, rumores de que quem estaria envolvido no possível escândalo seria um outro assessor direto de Trump, no caso seu genro, e não Trump propriamente dito, ajudou a trazer alívio aos preços. 

 

Com relação a Reforma Tributária, acredito que poderá trazer efeitos positivos para o crescimento. Caso seja de fato implementado, terá efeitos secundários no tocante a política monetária do país. É razoável supor que o Fed passe a trabalhar com algum impacto fiscal em sua trajetória, trazendo um processo ainda mais agudo de normalização monetária, mesmo que ainda gradual. Assim, mantenho a postura tomadora em taxas de juros do país, um processo que acredito que será estrutural. 

 

No Brasil, o PIB do 2 trimestre ficou dentro das expectativas do mercado, com crescimento ainda modesto. A despeito do gradualismo da recuperação, o crescimento dá sinais cada vez mais claros de consolidação e espalhamento, com recuperação do Consumo e dos Investimentos. O número reforça um cenário positivo para o crescimento do país este e no próximo ano. 

 

No tocante a Reforma da Previdência, ainda existe muito ruído e desinformação em relação ao tema. Temer participou hoje de evento junto ao Governador de São Paulo e possível novo presidente do PSDB Geraldo Alckmin. Henrique Meirelles também estava presente. O tom do evento foi um tom claro de campanha. Parece cada vez mais evidente que as eleições de 2018 entraram no radar e qualquer movimento já está sendo meticulosamente calculado com vistas as eleições. 

 

Continuo vendo valor nos ativos locais nos atuais níveis de preço, independente da Reforma da Previdência no curtíssimo-prazo. Contudo, já entendi que a ausência da Reforma deverá trazer volatilidades pontuais.




Data: 01/12/2017

Dia de agenda cheia. Brasil: Previdência, Swaps Cambiais e Fluxos.

 

Os ativos de risco operam próximos a estabilidade, em um dia de agenda bastante relevante. Destaque para a votação da Reforma Tributária nos EUA. Caso a Reforma não avance, os movimentos dos últimos dias, como alta da bolsa, rotação entre os setores, abertura de taxas de juros, podem acabar sendo revertidos. A passagem da Reforma reforçaria o cenário de “Reflation” para o final do ano, liderado pelos EUA. Outros dados serão importantes, como o ISM Manufacturing, mas muito menos relevantes do que a aprovação (ou não) da Reforma Tributária. 

 

No Brasil, o dia será de divulgação do PIB. Mesmo sendo um número que traz uma fotografia “atrasada” da economia, diante da amplitude de evidências de recuperação do crescimento, do emprego e da renda, nas últimas semanas, costuma ser um número muito observado pelo mercado. 

 

Em relação à Reforma da Previdência, a mídia definitivamente adotou um tom mais negativo com relação às perspectivas de aprovação este ano. De qualquer maneira, o mercado já parece ter feito um ajuste de preços e posições relevantes ao longo desta semana refletindo este tom mais cauteloso com relação à Previdência. 

 

Na noite de ontem, o BCB anunciou a rolagem dos cerca de US$10bi de swaps cambiais vincendo até janeiro. O anúncio tira uma incerteza de curto-prazo, em um momento de volatilidade dos mercados. Como existe a expectativa de fortes fluxos cambiais este final de ano, existia alguma expectativa do BCB não promover a rolagem integral dos swaps. 

 

Falando em fluxo, a janela de emissões de bonds corporativos externos está reaberta. Ontem vimos a emissão de US$1bi de Cemig e US$300mm de Banco Votorantim perpétui. Ambas foram muito bem demandadas, as saíram a taxas mais fechadas do que as expectativas e em tamanho superior ao esperado. Estes movimentos mostram que ainda existe amplo apetite para Brasil e EM a despeito dos ruídos recentes. 

 

Voltando ao cenário externo, as exportações da Coréia do Sul, uma Proxy para o crescimento global dado sua corrente de comercio elevada e as características da economia, apresentou mais um mês de números saudáveis, mostrando um quadro ainda construtivo para o crescimento global. Segundo a Goldman Sachs: 

 

"November headline exports grew 9.6% from a year ago, strengthening only slightly from 7.1% in the previous month. However, exports excluding ships (a better proxy for current global demand for Korean goods in our view) were stronger at 16.9% yoy, up from 5.2% in October. Sequential growth rebounded to 8.3% (sa in GENHOL), amid broad improvement across all major trading partners. Semiconductors stayed a main driver and accounted for 90% of headline exports growth in November. Imports strengthened to 12.3% growth, as the trade surplus rose slightly to US$7.8bn."  




Data: 30/11/2017

Global Risk-on, Local Risk-Off!

 

Primeiro, os dados econômicos, locais e externos, confirmam um cenário construtivo para a economia global e a economia do Brasil. Depois entro em detalhes.

Segundo,  preciso fazer uma “mea culpa”. Eu claramente dei menos importância a dinâmica da Reforma da Previdência para os ativos locais do que ela merecia. Os ativos do Brasil apresentaram clara performance relativa (e absoluta) pior do que seus demais pares emergentes ao longo desta semana.

Os dados recentes confirmam um quadro de recuperação do crescimento, como observamos nos últimos indicadores de confiança, e uma recuperação do mercado de trabalho, como mostrou hoje os dados de emprego do IBGE. A dinâmica de recuperação ainda é de gradualismo, mas o cenário se consolida e se torna mais espalhado. As contas externas continuam saudáveis, sem nenhum sinal aparente de “desbalanço”. Até mesmo o quadro fiscal, um enorme desafio (e um problema gigante para o futuro caso nada seja feito) mostra sinais cíclicos mais positivos, com uma melhora na arrecadação. A inflação segue baixa e surpreendendo o mercado e o BCB na ponta mais baixa.

Em suma, vejo um cenário hoje mais claro e construtivo para o Brasil do que há duas semanas atrás. Assim, fica a impressão que o fluxo de notícias envolvendo a Reforma da Previdência seja o único vetor, dado que os demais emergentes não apresentaram movimentos da mesma magnitude, que possa explicar a piora de nível dos ativos locais.

Eu tenho uma tese que o quadro fiscal só será um problema gigante, de fato, se as eleições presidenciais de 2018 colocarem no poder um presidente extremista, contrário as reformas estruturais. Caso contrário, o fiscal de 2018 será ciclicamente melhor (o que não significa que será positivo ou uma maravilha), empurrando o problema para um próximo governo. Ai sim, se nada for feito, o ano de 2019 mostrará um país muito mais fragilizado. Nesta minha teoria, se a mídia não estivesse dando enorme enfoque ao tema da Previdência, para nenhum lado, talvez os mercados não estivessem apresentando está dinâmica.

Dito isso, mantenho um viés construtivo com o país e seus ativos. Dado o cenário externo, estou preferindo exposição a bolsa do Brasil e a alguns plays no mercado de juros, dado minha visão de que a Taxa Selic irá abaixo de 7% mas, principalmente, ficará neste nível por um tempo prolongado. A curva parece apresentar prêmios neste sentido. O BRL me parece um play muito mais tático diante do cenário externo. Contudo, dado as expectativas de fluxo para este final de ano e o quadro das contas externas, não esperaria movimentos de depreciação muito além dos 3,30-3,33 recentes. De qualquer maneira, tenho sido surpreendido pela dinâmica dos mercados locais.

No resto do mundo, segue um cenário de “Reflation”. Além de dados de crescimento mostrando um mundo saudável, vemos sinais mais consistentes de uma alta gradual dos indicadores de inflação e salários nos EUA. Finalmente, a “Reforma Tributária” está avançando no Senado, o que não era esperado pelo mercado. Com este pano de fundo, a Treasury de 10 anos rompeu hoje o nível de 2,40% e, na minha visão, mantido os vetores acima, tem tudo para atingir níveis mais elevados no curto e médio-prazo.

Reitero o que escrevi ontem: Pela posição técnica do mercado e pelo desempenho do mesmo ao longo do ano, está “Grande Rotação” ainda pode continuar nos próximos dias, quiçá meses, em uma possível preparação do mercado a um eventual novo cenário econômico em 2018. Para que estes movimentos sejam mais sustentáveis, e não apenas ajustes técnicos, contudo, será necessário um suporte maior do cenário econômico. Neste frente, os próximos dias serão fundamentais, com o avanço (ou não) da Reforma Tributária nos EUA e importantes dados de inflação e emprego. (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/mercados-globais-de-goldilocks-para-um.html).

Sigo tomado em taxas de juros em alguns países do G10, além de comprado em volatilidade de Rates e alguns pares de FX, com preferência ao AUD.    




Data: 30/11/2017

"Reflation" prevalece no mundo. Brasil: Reforma da Previdência é fonte de ruído.

 

Os ativos de risco continuam operando com um viés pro “Reflation”. Os dados econômicos e eventos recentes deixam espaço para que estes movimentos prevaleçam, como comentei na tarde de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/mercados-globais-de-goldilocks-para-um.html).

O destaque da noite ficou por conta do avanço do debate em torno da Reforma Tributária nos EUA, com o Senado aprovando, por 52 votos a 48 o avanço das discussões na Casa. Há uma chance de que o texto seja votado ainda nesta semana.

Na China, o PMI Manufacturing oficial de outubro subiu de 51,6 para 51,8 pontos, surpreendendo positivamente as expectativas de queda para 51,4 pontos. A despeito do recuo nos sub-índices de preços, vimos elevação em quase todos os demais sub-índices referentes ao crescimento. O número mostra um quadro de crescimento ainda suadável e relativamente estável no país, debelando os receios de uma desaceleração mais acentuada da economia chinesa no curto-prazo. Vale lembrar que o mercado já espera alguma desaceleração moderada do país nos próximos meses e ao longo de 2018.

A Coreia do Sul elevou as taxas de juros em 25bps, mas manteve um discurso extremamente dovish, o que acabou afetando negativamente a moeda do país, o KRW, que é um destaque de depreciação esta manhã.

No Brasil, a mídia continua focada no debate em torno da Reforma da Previdência. Ainda existe bastante ruído em torno do tema e informações desencontradas. A despeito de sinais mais positivo nas últimas semanas, o governo ainda não parece ter os votos necessários para a aprovação. Uma votação semana que vem parece ser otimista demais. Na semana seguinte seria mais realista, porém o tempo está ficando curto. Vejam algumas matérias, na minha visão relativamente construtivas, sobre o tema nos jornais de hoje:

http://painel.blogfolha.uol.com.br/2017/11/30/para-alavancar-reforma-da-previdencia-planalto-destina-mais-r-70-milhoes-para-publicidade/

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2017/11/1939218-psdb-volta-a-discutir-nesta-quinta-se-fecha-questao-em-torno-da-previdencia.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1939388-por-previdencia-governo-aceita-negociar-refis-para-microempresas.shtml

http://www.valor.com.br/politica/5212605/sem-garantia-de-sucesso-previdencia-pode-ir-voto




Data: 30/11/2017

De "Goldilocks" para um pouco mais de "Reflation"

 

Os mercados financeiros globais estão passando por uma “Grande Rotação” neste momento, saindo um pouco do “Goldilocks” para um pouco mais de “Reflation”. Muitos me perguntaram ao longo do dia o que teria sido o “trigger” para este movimento. Acredito que um conjunto de vetores explica está rotação tais como: o aumento da probabilidade de concretização de alguma Reforma Tributária nos EUA, dados levemente mais elevados de inflação na Alemanha, além da confirmação de números econômicos positivos nos EUA nas últimas 48 horas.

Alguns dos reflexos desta rotação são mais claros (e óbvios), tal como a abertura de taxa de juros no G10. Outros são um pouco mais sutis, como o bom desempenho do Setor de Financials na bolsa do EUA, em detrimento a uma forte pressão no Setor de Tech. A posição técnica do mercado, vencedora durante grande parte do ano, acaba ajudando a acentuar estes movimentos e está “Rotação”.

Os ativos emergentes sentiram alguma pressão, muito devido a abertura das taxas de juros no G10, em um efeito secundário à “Grande Rotação” de outras classes de ativos. Os ativos no Brasil, contudo, apresentaram claro desempenho inferior aos seus pares. Não tenho explicação óbvia para a under-performance de Brasil ao longo do dia de hoje.

Pela posição técnica do mercado e pelo desempenho do mesmo ao longo do ano, está “Grande Rotação” ainda pode continuar nos próximos dias, quiçá meses, em uma possível preparação do mercado a um eventual novo cenário econômico em 2018. Para que estes movimentos sejam mais sustentáveis, e não apenas ajustes técnicos, contudo, será necessário um suporte maior do cenário econômico. Neste frente, os próximos dias serão fundamentais, com o avanço (ou não) da Reforma Tributária nos EUA e importantes dados de inflação e emprego.

Em relação ao Brasil, ainda vejo o cenário externo ditando a dinâmica dos ativos locais. Uma possível aprovação da Reforma da Previdência poderia de certa forma “blindar” os ativos locais de deteriorações mais acentuadas. A ausência de Reforma, contudo, coloca o país em posição um pouco mais frágil. De maneira geral, contudo, ainda vejo um cenário econômico positivo para o país, como tenho reportado neste fórum amplamente nas últimas semanas. Não vejo uma posição técnica ruim por parte dos fundos locais, o que me leva a crer que os fluxos nesta deterioração sejam fruto de estrangeiros.

Em síntese, ainda vejo o cenário migrando entre o “Goldilocks” e o “Reflation” o que requer um portfólio balanceado entre as classes de ativos e os devidos hedges. 




Data: 30/11/2017

"Reflation" prevalece no mundo. Brasil: Reforma da Previdência é fonte de ruído.

 

Os ativos de risco continuam operando com um viés pro “Reflation”. Os dados econômicos e eventos recentes deixam espaço para que estes movimentos prevaleçam, como comentei na tarde de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/mercados-globais-de-goldilocks-para-um.html). 

 

O destaque da noite ficou por conta do avanço do debate em torno da Reforma Tributária nos EUA, com o Senado aprovando, por 52 votos a 48 o avanço das discussões na Casa. Há uma chance de que o texto seja votado ainda nesta semana. 

 

Na China, o PMI Manufacturing oficial de outubro subiu de 51,6 para 51,8 pontos, surpreendendo positivamente as expectativas de queda para 51,4 pontos. A despeito do recuo nos sub-índices de preços, vimos elevação em quase todos os demais sub-índices referentes ao crescimento. O número mostra um quadro de crescimento ainda suadável e relativamente estável no país, debelando os receios de uma desaceleração mais acentuada da economia chinesa no curto-prazo. Vale lembrar que o mercado já espera alguma desaceleração moderada do país nos próximos meses e ao longo de 2018. 

 

A Coreia do Sul elevou as taxas de juros em 25bps, mas manteve um discurso extremamente dovish, o que acabou afetando negativamente a moeda do país, o KRW, que é um destaque de depreciação esta manhã. 

 

No Brasil, a mídia continua focada no debate em torno da Reforma da Previdência. Ainda existe bastante ruído em torno do tema e informações desencontradas. A despeito de sinais mais positivo nas últimas semanas, o governo ainda não parece ter os votos necessários para a aprovação. Uma votação semana que vem parece ser otimista demais. Na semana seguinte seria mais realista, porém o tempo está ficando curto. Vejam algumas matérias, na minha visão relativamente construtivas, sobre o tema nos jornais de hoje: 

 

http://painel.blogfolha.uol.com.br/2017/11/30/para-alavancar-reforma-da-previdencia-planalto-destina-mais-r-70-milhoes-para-publicidade/

 

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2017/11/1939218-psdb-volta-a-discutir-nesta-quinta-se-fecha-questao-em-torno-da-previdencia.shtml 

 

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1939388-por-previdencia-governo-aceita-negociar-refis-para-microempresas.shtml 

 

http://www.valor.com.br/politica/5212605/sem-garantia-de-sucesso-previdencia-pode-ir-voto

 




Data: 30/11/2017

De "Goldilocks" para um pouco mais de "Reflation"

 

Os mercados financeiros globais estão passando por uma “Grande Rotação” neste momento, saindo um pouco do “Goldilocks” para um pouco mais de “Reflation”. Muitos me perguntaram ao longo do dia o que teria sido o “trigger” para este movimento. Acredito que um conjunto de vetores explica está rotação tais como: o aumento da probabilidade de concretização de alguma Reforma Tributária nos EUA, dados levemente mais elevados de inflação na Alemanha, além da confirmação de números econômicos positivos nos EUA nas últimas 48 horas. 

 

Alguns dos reflexos desta rotação são mais claros (e óbvios), tal como a abertura de taxa de juros no G10. Outros são um pouco mais sutis, como o bom desempenho do Setor de Financials na bolsa do EUA, em detrimento a uma forte pressão no Setor de Tech. A posição técnica do mercado, vencedora durante grande parte do ano, acaba ajudando a acentuar estes movimentos e está “Rotação”. 

 

Os ativos emergentes sentiram alguma pressão, muito devido a abertura das taxas de juros no G10, em um efeito secundário à “Grande Rotação” de outras classes de ativos. Os ativos no Brasil, contudo, apresentaram claro desempenho inferior aos seus pares. Não tenho explicação óbvia para a under-performance de Brasil ao longo do dia de hoje. 

 

Pela posição técnica do mercado e pelo desempenho do mesmo ao longo do ano, está “Grande Rotação” ainda pode continuar nos próximos dias, quiçá meses, em uma possível preparação do mercado a um eventual novo cenário econômico em 2018. Para que estes movimentos sejam mais sustentáveis, e não apenas ajustes técnicos, contudo, será necessário um suporte maior do cenário econômico. Neste frente, os próximos dias serão fundamentais, com o avanço (ou não) da Reforma Tributária nos EUA e importantes dados de inflação e emprego. 

 

Em relação ao Brasil, ainda vejo o cenário externo ditando a dinâmica dos ativos locais. Uma possível aprovação da Reforma da Previdência poderia de certa forma “blindar” os ativos locais de deteriorações mais acentuadas. A ausência de Reforma, contudo, coloca o país em posição um pouco mais frágil. De maneira geral, contudo, ainda vejo um cenário econômico positivo para o país, como tenho reportado neste fórum amplamente nas últimas semanas. Não vejo uma posição técnica ruim por parte dos fundos locais, o que me leva a crer que os fluxos nesta deterioração sejam fruto de estrangeiros. 

 

Em síntese, ainda vejo o cenário migrando entre o “Goldilocks” e o “Reflation” o que requer um portfólio balanceado entre as classes de ativos e os devidos hedges.




Data: 29/11/2017

Entre o "Goldilocks" e o "Reflation".

Os mercados na Ásia apresentaram bom desempenho durante a noite, assim como os mercados na Europa esta manhã, seguindo a última rodada de “risk-on” verificada nos EUA no final da tarde de ontem. O destaque desta manhã fica por conta do bom desempenho dos ativos emergentes, em especial no mercado de moedas. 

A agenda dia será um pouco mais agitada, com destaque para o PIB do 3Q nos EUA e seus principais componentes.

Na tarde de ontem, a Comissão do Senado dos EUA conseguiu aprovar o texto base para o avanço da Reforma Tributária/Fiscal no país, agora o texto irá a plenário ainda esta semana. A despeito de todos os obstáculos, a Reforma avança no Congresso. Ao que tudo indica, cresceram as chances de que alguma reforma seja aprovada ainda este ano, pelo menos em uma das casas.

Começo a trabalhar com um cenário de aprovação da Reforma Tributária, mas uma reforma que seja positiva do ponto de vista da sustentação ao crescimento, todavia não agressiva o bastante para alterar de forma significativa o pano de fundo para a política monetária e a inflação, dado que ajustes terão que ser feitos ao longo do processo, em um caminho natural de negociações até uma aprovação final. Este cenário manteria o ambiente global entre o “Goldilocks” e o “Reflation” nas últimas semanas do ano.

A mídia traz poucas novidades em relação ao Brasil na manhã de hoje. 




Data: 28/11/2017

Risk On!

Os dados econômicos estão ratificando um cenário positivo para a economia global, o que tem gerado uma reação de acordo dos ativos de risco, com um movimento quase que generalizado de “risk-on”. Continuo vendo espaço para os mercados financeiros globais operarem entre o “Goldilocks” e o “Reflation” nestas semanas finais do ano.

Os ativos no Brasil seguiram o humor global a risco. Acredito que cerca de 80% da recuperação dos ativos locais esteja atrelada ao humor global a risco e apenas 20% (ou menos) à melhora nas perspectivas de aprovação da Reforma da Previdência.

No cenário econômico local, a Confiança do Consumidor da FGV subiu de 83,7 para 86,8 pontos, atingindo um novo pico deste ciclo econômico. O resultado fiscal do Governo Central apresentou superávit de R$5,2bi, acima das expectativas de R$3,3bi. Os números de hoje confirmam o cenário de recuperação do crescimento e melhora cíclica do quadro fiscal.

Nos EUA, o Consumer Confidence subiu de 126,2 para 129,5 pontos, acima das expectativas de 124,0 pontos. A abertura do indicador mostrou melhora generalizada no seu qualitativo. A balança comercial de outubro e os dados de estoques do atacado ficaram abaixo das expectativas, levando a reduções nas expectativas para o crescimento do PIB no 3Q. De maneira geral, segue um cenário de crescimento relativamente saudável e estável da economia do país.

A pouco, a Coréia do Norte promoveu mais um teste de míssil balístico. Já havia, desde o final da semana passada, indicações que um novo teste iria ocorrer. A situação do país continua sendo um “risco de cauda” remoto, mas de impacto relevante caso a situação se deteriore até um combate bélico. Só deixo aqui uma reflexão: Se Japão, Coreia do Sul e aliados conseguem mapear um teste balístico com quase uma semana de antecedência, por mais que a Coreia do Norte tenha um poderio nuclear, seu poder tende a perder impacto dado a capacidade antecipada de reação de seus vizinhos.

A mídia Europeia está reportando um possível acordo entre União Europeia e Reino Unido no tocante ao Brexit. Caso confirmado, retiraria um risco do cenário econômico global. Acredito que estas negociações tendem a ter impacto apenas localizado, sem poder de contágio na ausência de mudanças radicais de cenário.

Continuo alocado em ativos locais (Brasil), administrando tamanho e instrumentos. Acredito que faça sentido manter posições tomadas em juros no G10 e alguma compra de volatilidade de Rates e FX para balancear o portfólio local.




Data: 28/11/2017

Brasil: Melhora o clima para aprovação da Reforma da Previdência, segundo a mídia.

As bolsas da Ásia apresentaram alguma recuperação das perdas verificadas nos últimos dias, novamente lideradas pelos índices da China. O destaque do dia fica por conta de mais uma rodada de queda no preço das commodities. As bolsas e as moedas operam próximas a estabilidade, enquanto as taxas de juros apresentam leve abertura de taxas no mundo desenvolvido.

No Brasil, a mídia está apresentando um tratamento mais favorável a Reforma da Previdência. O artigo de Andréia Sadi no Globo.com resume bem o clima mais favorável desta manhã: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2017/11/27/maia-diz-a-temer-que-governo-precisa-contar-votos-e-que-situacao-melhorou-na-camara-para-a-reforma-da-previdencia.ghtml.

Nos EUA, o destaque continua por conta do avanços (ou ausência dele) no que tange a Reforma Tributária. O DB resumiu bem o cenário das últimas 24 horas: As for more immediate concerns, this week will still probably rest on what comes out of the Senate. The tax bill was on track for a full Chamber vote by the end of the week, potentially as early as this Thursday. However, late in the evening, two members of the Senate Budget Committee (Senator Johnson & Corker) noted they may not agree to vote the bill out of the committee and send it for debate. Once this is sorted, the GOP need at least 50 votes to approve the bill in the Senate (GOP control 52 seats). Of the half dozen undecided Republican Senators, Mr Rand Paul has now publicly given support to the bill, but Senator Johnson and Senator Daines have both said they’re against the current bill, instead seeking more generous treatment for partnerships and limited liability companies. In response, Senate Finance Chairman Hatch noted “we’re going to make them happy, but we’re not sure we can do exactly what they want to do”. The Senate Majority Whip Mr Cornyn confirmed yesterday he is still confident he will get the 50 votes. Expect the tension on tax to build as the week progresses.

Na China, segue um curto-prazo um pouco mais desafiador, mas ainda sem geração clara de contágio ao resto do mundo. O Morgan Stanley descreveu a situação da seguinte forma: Recent days saw risk assets correcting lower with basic materials shares leading the correction. China has come into investor focus with the onshore equity market falling 4% from its peak in early November. The equity market correction may have been triggered by China’s tightening liquidity conditions which have spilled over into Hibor. China's securities regulator putting a cap on south-bound flows could imply spillover effects into weaker Hong Kong equity indexes, and further tightening in HKD liquidity conditions too. Importantly, the Financial News, a journal run by the central bank, suggested that the tight liquidity situation in the interbank market will ease, citing the PBoC’s injections via open market operations at a flexible pace and the expected fiscal spending increase.




Data: 27/11/2017

Sinais de presão na Ásia, mas sem contágio ao resto do mundo. Brasil: Senado acena positivamente à Câmara na Reforma da Previdência.

A noite foi marcada por alguma pressão nas bolsas da Ásia, lideradas pela China que, neste momento, afetam marginalmente o humor das bolsas na Europa. A despeito dessas pressões, os movimentos são tímidos nas bolsas da Europa e dos EUA, e existem poucos sinais de contágio para os demais ativos de risco, já que o dólar opera em queda no mundo, com bom desempenho das moedas emergentes e com uma leve abertura de taxas de juros nos EUA.

Ainda vejo o mercado operando entre o “Reflation” e o “Goldilocks” nas próximas semanas, com alguma diversificação e/ou diferenciação entre classes de ativos e regiões. Como risco, ainda vejo a situação da China e a questão da política monetária nos EUA como os principais vetores para serem monitorados.

Já desenvolvi bastante sobre esses temas nos últimos dias e não quero soar repetitivo para mais detalhes vejam aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

No Brasil, a mídia continuda dando enfoque a Reforma da Previdências e as eleições de 2018. Quanto a Reforma, o Presidente do Senado parece ter acenado positivamente a Câmara e ao Governo ao dizer que pode pautar o tema no inicio de 2018, o que pode ser visto como positivo para o andamento da Reforma: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2017/11/26/eunicio-a-maia-senado-discutira-reforma-da-previdencia-em-fevereiro-se-camara-aprovar-texto-enxuto-em-2017.ghtml.

Luciano Huck anunciou oficialmente que não pretender ser candidato a Presidente, como a mídia vinha especulando. Na minha opinião, quanto maior o número de candidatos, maior o risco de dois nomes arriscados irem ao segundo turno, e vice versa. A melhor opção para o país, para as reformas e para a economia e a união de forças em torno de um candidato de centro, liberal, bem amparado por uma equipe técnica e com algum poder político de barganha junto ao Congresso. Esse nome ainda não esta aparente, mas pode surgir até o período eleitoral.




Data: 27/11/2017

Sem grandes novidades.

O final de semana trouxe pouquíssimas novidades relevantes para o cenário. No Brasil, o foco deve permanecer nas articulações em torno da Reforma da Previdência. Hoje o mercado precifica baixa probabilidade de aprovação. A mídia continua dando ampla cobertura ao tema, com opiniões bastante divergentes em torno da capacidade, ou não, de aprovação do texto.

O mesmo vale para as eleições de 2018. Não pretendo comentar aqui todos os rumores e especulações que surgirem no cenário em relação às eleições do ano que vem. Acredito que ainda seja muito cedo para especular em torno do tema. Na minha visão, o mercado deveria reagir a este tipo de notícia apenas em casos de alteração extrema de cenário, como a incapacidade de algum candidato concorrer à presidência, ou o surgimento repentino de um novo e revolucionário nome na disputa.

Sigo dando mais importância ao cenário cíclico da economia e o potencial de reformas estruturantes, além do impacto do cenário externo nos mercados locais. Ainda vejo um cenário relativamente construtivo em todas essas frentes, com o lado positivo de uma posição técnica mais saudável e os preços mais atrativos. Comentei mais sobre isso aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/risk-on-externo-realizacao-local.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/cenario-construtivo-updated.html.

No cenário externo, o foco da semana ficará por conta do Core PCE e do avanço, ou não, da Reforma Tributária e Fiscal nos EUA. Nos links acima, comentei a respeito dos riscos e do cenário base em relação ao cenário economia norte americano. Continuo gostando de posições tomadas nas taxas de juros de alguns países do G10 e, taticamente, tenho administrado alguns hedges comprados em volatilidade em Rates, Equities e FX para proteger as posições locais em caso de mudança repentina do cenário externo. 




Data: 27/11/2017

Risk-on externo, realização local.

Os ativos de risco tiveram uma sexta-feira positiva, em um movimento clássico que misturou “Risk-On” com “Reflation”. O pano de fundo que venho descrevendo neste fórum nos últimos dias, e vem sendo reforçado pelos dados econômicos (crescimento robusto, inflação em alta porém contida, normalização monetária gradual e etc) ainda foi ajudado pela notícia de que o “Black Friday” nos EUA – o dia mais importante do ano para o setor de consumo do país - acabo sendo bastante positivo para a economia, favorecendo o setor de consumo/varejo na bolsa e ratificando um quadro favorável ao crescimento do país. Ainda vejo um cenário construtivo para a economia mundial nas próximas semanas, com um misto de “Reflation” com “Goldilocks”.

Como risco no cenário externo, continuo observando os desenvolvimentos na China, especialmente o processo de desalavancagem da economia, que vem elevando as taxas de juros do país e afetando o humor do mercado de renda variável local, além do processo de desaceleração do crescimento. Por ora, estes dois processos, que vem ocorrendo de maneira correlata, estão bastante localizados, não gerando contágio para o resto do mundo,  e estão sendo bem administrados pelo governo local. O cenário base é de continuidade deste cenário. Contudo, não podemos descartar momentos pontuais de maior stress e algum contágio passageiro ao resto do mundo.

No EUA, precisamos acompanhar os próximos números de inflação e emprego, para confirmar que o processo de normalização monetária permanecerá gradual, como vem sendo até o momento. Não descarto momentos temporários de abertura mais rápida e acentuada de taxas de juros, afetando o humor global a risco pontualmente. O processo de alta das taxas de juros do país tem sido exatamente assim. Altas de 20bps a 30bps nas taxas intermediárias e longas em curto espaço de tempo, afetando o humor global a risco, seguidos de períodos de acomodação em novo patamar para depois novas aberturas ocorrerem. Acredito que o cenário central ainda seja de manutenção desta dinâmica.

Os ativos no Brasil acabaram apresentando uma sexta-feira de realizações de lucro. Os ruídos envolvendo a Reforma da Previdência e a notícia da internação do Presidente Temer para uma cirurgia acabaram afetando o humor em relação aos ativos do país. Ainda vejo um cenário cíclico bastante positivo para a economia. No nosso monitoramento da posição técnica, os fundos locais parecem estar com posições muito menores do que aquelas que vigoraram ao longo do ano, o que deixa o quadro técnico também positivo em níveis de preços mais atraentes após as correções recentes.

Na noite de sexta-feira, a mídia informou que o STF encaminhou ao STJ os inquéritos, que estão em segredo de justiça, envolvendo o governador de São Paulo e, hoje, principal figura do PSDB. Reforço o que venho descrevendo aqui há meses: Ainda acho extremamente cedo para tentarmos fazer uma conjuntura concreta em relação as eleições presidenciais de 2018. Ainda há muita água para rolar. Contudo, é natural que o mercado reaja de maneira pontual a qualquer tipo de notícia nesta frente, positiva ou negativa. De maneira geral, prefiro focar nos fundamentos econômicos e no cenário externa em busca das grandes teses de investimentos.

O Estadão afirma que Temer articula uma ampla chapa de centro para as eleições: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,temer-negocia-frente-de-siglas-para-disputa-de-2018,70002096729. 




Data: 24/11/2017

Sinais de "Reflation".

 

Os ativos de risco estão operando com leve viés de “Reflation” novamente, após mais uma rodada de dados econômicos positivos ao redor do mundo. Ontem a foi a vez do PMIs na Europa apontarem para um quadro de crescimento global robusto, o que está ajudando a dar ímpeto ao movimento de leve açta das bolsas e das commodities, pequena abertura nas taxas de juros no mundo desenvolvido e movimentos um pouco mais mistos no dólar, mas com leve viés de dólar forte esta manhã. Acredito que os mercados financeiros globais tenham a capacidade de operar entre o “Goldilocks” e o “Reflation” nessas semanas finais do ano, salvo correções pontuais. 

 

No Brasil, o foco continua a reforma da Previdência, mas sem novidades relevantes por parte da mídia. 

 

Para não soar repetitivo, segue minha visão amplamente comentada ao longo da semana: 

 

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/cenario-construtivo-updated.html 

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/cenario-construtivo.html 

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/cenario-construtivo.html 

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/relatorio-semanal-de-asset-allocation_21.html




Data: 23/11/2017

Cenário construtivo.

 

Hoje é dia de feriado nos EUA – o mais importante do ano – o que deve deixar a liquidez dos mercados locais bastante prejudicada. O destaque da agenda ficará por conta do IPCA-15 no Brasil. 

 

Na tarde de ontem, as Minutas do FOMC praticamente confirmaram que uma nova alta de 25bps nas taxas de juros dos EUA irão ocorrer em dezembro. Contudo, o cenário para 2018 ainda se mostra incerto, o que acabou tornando o tom das Minutas mais dovish do que as expectativas. Segundo o DB: 

 

"Turning to the FOMC minutes last night. They seems to confirm the strong likehood of a December rate hike as “many participants thought another increase (in rates)….was likely to be warranted in the near term, if incoming data left the medium term outlook broadly unchanged”. However, the outlook for 2018 seems a bit dovish,as “a few participants cautioned that further increases in (rates)…while inflation remained persistently below 2% could unduly depress inflation expectations” and a couple of members even suggested the Fed should revise the 2% target to a “gradually rising path approach”. Further, some noted that when considering the timing of more rate hikes, “they would be evaluating incoming information to assess the likelihood that the recent low inflation were transitory and that inflation was on a trajectory consistent with achieving the 2% objective over the medium term.” Elsewhere, some members expressed concerns “about a potential build-up of financial imbalances” and that a sharp reversal in asset prices could hurt the economy." 

 

Na minha visão, desenvolveu-se um ambiente relativamente construtivo, salvo mudanças radicais de cenário e/ou realizações pontuais de lucro, para os ativos de risco neste final de ano. Em especial, os ativos dos países emergentes, entre eles o Brasil, parecem bem posicionados para um bom desempenho nas semanais finais de 2017. 

 

Continuo a ver um pano de fundo de crescimento global sólido, uma inflação que sobe de maneira apenas gradual no mundo desenvolvido e um processo de normalização monetária extremamente gradual e bem comunicada nas principais economias do mundo. Os países emergentes, no geral, apresentam fundamentos mais sólidos hoje do que em outros momentos do passado recentes (como, por exemplo, no “Taper Tantrum de 2013). A China apresenta desaceleração, mas dentro do que já era esperado. Além disso, o processo de reformas da economia chinesa foi retomado e a desalavancagem da economia está ocorrendo de maneira suave e bem administrada. Existem alguns riscos locais e idiossincráticos, como no México (NAFTA), Turquia, Brexit, Política na Alemanha e etc, mas nenhum deles parece forte o bastante para gerar contágio ou mudança definitiva de cenário econômico global. O risco continua a ser um processo de alta mais rápido e acentuada da inflação na mundo desenvolvido e/ou uma desaceleração mais acentuada na China. 

 

No Brasil, as articulações políticas continuam a todo vapor para a aprovação da Reforma da Previdência. Como era esperado, Temer e Cia negociam cargos, recursos e alterações no texto original para que o projeto seja endereçado no Congresso. A mídia, como sempre, critica a postura de diálogo e negociações, adotando um tom alarmista com relação as alterações no texto base e a liberação de recursos. 

 

Acredito que grande parte da recuperação dos ativos locais nos últimos dias tenha sido impulsionada pela recuperação dos ativos de risco globais, em especial, dos demais emergentes. Acredito que pouco da Reforma da Previdência esteja precificado pelo mercado. Assim, qualquer aprovação de fato será vista mais com um “risco positivo” para os ativos locais.devemos ter volatilidade no curto-prazo e bastante reação a “headlines” da mídia, mas grosso modo os ativos do Brasil devem seguir o humor global em relação aos demais países emergentes (já comentado acima). A aprovação de uma Reforma da Previdência possível seria capaz de trazer alguma “blindagem” aos ativos locais a médio-prazo, além de gerar algum descolamento positivos dos ativos do Brasil no curto-prazo e uma over-performance em relação aos seus pares. 

 

Encerro aqui com um comentário do Morgan Stanley, que tem resumido muito bem o cenário de curto-prazo e cuja visão se assemelha em muito com o que tenho descrito neste fórum: 

 

"USD weakness remains our dominant theme. So far, we have played this theme via bullish EM and EUR strategies. We see increasing chances of JPY taking off, following in the footsteps of EUR. Markets do talk and the divergence of the inverse relationship between JPY and Japan's local asset prices including its equity market suggests that the structure within the flow of funds has changed, now working in favour of JPY. This meets a market which is not prepared for these new developments. CFTC data showed that JPY positioning is its shortest since 2013, while volatility is low. Should volatility rise, it could lead to a positioning squeeze, leading to JPY strength. 

 

Bullish risk appetite no longer leads JPY crosses including USDJPY higher. Reasons for this development are multiple. First, the dovish Fed has put the risk parity trade back on the agenda, seeing bonds and equity prices rising likewise. Second, the Fed seems to be aiming for stronger nominal growth in the US economy, trying to boost capex and wages. Globally imposed reflationary strategies will lower the hurdle for Japan to overcome deflation, which may allow the BoJ to adjust its policies earlier. In anticipation of this possible outcome, investors will not be able to hold on to JPY short positions. Markets trade like ‘Abenomics’ is turning successful. 

 

A dovish Fed: Risk continues following its seasonal pattern as investors get positioned for next year. EM real yield stands out and, with rallying equity markets paving the way for local currency debt flows to move back into positive territory, chances of EM currencies rallying meaningfully are high. Our USD framework rests on two pillars, namely US real yields staying low and global funding demand moving up. Fed Chair Yellen seems to be in no rush to give up on her gradualism, fearing a premature tightening pushing underdeveloped inflation expectations lower again, a view which was echoed by the Fed minutes overnight. The Fed hoping to see rising capital goods expenditures pushing productivity growth up, which in turn may open scope for wage increases, has experienced a mild disappointment with yesterday’s October capital goods orders report. Non-defence capital goods orders excluding aircraft – which is seen as a proxy for business investment in big-ticket items – fell 0.5%, compared to expectations for a 0.5% increase and the 2.1% gain recorded in September. 

 

Oil prices broke higher as OPEC insisted that oil markets have found a new balance. However, the Baker Hughes rig count rising (oil: 747 vs. prev. 738; gas: 176 vs. prev 177; total: 923 vs. prev 915) justifies the current aggressive backwardation in the oil forwards curve, suggesting us not getting too bullish on oil currencies. Currently, the US produces 9.7mn bpd and is expected to increase production by 1mn bpd in 2018. Particularly, the current NOK rally should soon run out of steam. Norway, similar to Sweden, sees its housing market topping out, which suggests the weakening wealth effect reducing household consumption and local banks increasing their loan provisions and turning more cautious on lending." 




Data: 22/11/2017

"Christmas rally has started" (From Morgan Stanley)

 

Os ativos de risco apresentaram ontem um movimento clássico e coordenado de “Risk-On”. Os movimentos, com menor magnitude, mas na mesma direção, persistem nesta manhã. Destaque para a alta de quase 2% no Petróleo neste momento. O Morgan Stanley resumiu de maneira muito ponderada o cenário de curto-prazo:

 

Christmas rally has started. After a six day winning streak, the MSCI EM equity index has hit its highest level since March with most of the increase seen in AxJ benefiting from its tech exposure. The Hang Seng has breached 30K hitting its highest level for a decade, causing our equity strategists to look for even more gains to come. 

 

Global liquidity remains ample suggesting that only a minor shift of the news flow towards constructiveness was required to push risky assets up once again. Despite China’s deleveraging strategy, it is important to emphasize that the 7-month increase in the PBoC's balance sheet through end of October was the fastest acceleration in years. Those looking at US yield curve flatness as a potential bearish risk factor may be reminded that during the last 30 years, it has taken at least a year after the initial inversion before the recession set in. The economy actually kept growing as the curve narrowed. 

 

A present from the Fed. The performance of the USD and the risk outlook remain negatively correlated which is a typical finding for a funding currency. Outgoing Fed Chair Yellen underlined the Fed stands ready to increase rates gradually citing dangers of inflation staying too low leading towards a damaging downside adjustment of long-term inflation expectations. Interestingly, 5Y/5Y breakeven inflation has declined by 14bps from its late October high now reaching levels last seen in July. Neither higher commodity prices nor China’s upside inflation surprises helped US inflation expectations, underlining the dominance of US wages and the perceived slope of its Phillips curve driving US inflation expectations. 

 

Low wages = high assets. Yellen's warning about the dangers of subdued inflation suggests that monetary authorities may aim for lower real rates and yields to push US capital expenditure growth, labor market tightness and ultimately wages. In addition, the de-risking of China’s corporate balance sheets does require the assistance of strong global economic growth which can be best granted with the US staying accommodative and the USD offered. This 'goldilocks scenario' has received a strong ‘go ahead’ by the content of the Fed Chair’s remarks. For us to turn bearish on assets we need to see either the emergence of higher US wage inflation or the Fed turning for other reasons towards a more hawkish reaction function. Meanwhile, we underline our bullish EM call. When DM real yield levels fall, EM assets look increasingly attractive. 

 

No Brasil, os jornais continuam dando enfoque a Reforma da Previdência. Segundo a mídia, ainda há resistência ao texto apresentado e ainda não há votos suficientes para a aprovação. A “Reforma” poderia ser ainda mais enxuta do que o previsto anteriormente. Acredito que estes ruídos sejam naturais, que uma reforma branda seja o cenário mais provável, mas que o texto ainda demanda articulação política para angariar os votos necessários. Este tipo de ruído faz parte do processo político e é natural que um jogo de demandas seja feito em busca de cargos e orçamento antes que os votos necessários sejam angariados. Tenho pouca sensibilidade, neste momento, para ter convicção na real probabilidade de aprovação da Reforma da Previdência, mas vejo um esforço e uma articulação grande por parte do Governo que, no passado, sempre levou a resultados positivos.




Data: 21/11/2017

Questões indiossicráticas afetando o humor para EM.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade esta manhã. Algumas questões indiossicráticas e localizadas voltaram a afetar os países emergentes. Ontem foi o Chile, em reação ao primeiro turno das eleições presidenciais, e hoje é a Turquia, com a aparente pressão do Governo sobre a independência do banco central em um ambiente de inflação alta. 

 

Exceto por essas questões pontuais e localizadas, que podem afetar o humor de curto-prazo e trazer volatilidade a classe de ativos emergentes, o pano de fundo econômico continua construtivo. Os dados de exportações dos primeiros 20 dias da Coréia do Sul mostrou mais um mês de solidez. Vale lembrar que dado a abertura da economia coreana e sua corrente de comércio, as exportações do páis são vistas como uma proxy (um termômetro) do crescimento mundial. Segundo a Goldman Sachs: 

 

"Exports for the first 20 days of November grew 9% from a year ago, up slightly from +7% growth in the previous month. However, exports excluding ships (a better proxy for current external demand, in our view) strengthened firmly to 16%, up from 0% in October. On a per-day basis, exports excluding ships continued growing solidly, up 14% from a year ago. In level terms, they stayed broadly unchanged from their 3-year high recorded in October. Trade balance excluding ships recovered to a surplus of US$2.1bn." 

 

No Brasil, os jornais continuam dando destaque a Reforma da Previdência. O Governo, agora mais próximo ao Presidente da Câmara, vai tentar colocar o tema em pauta até o dia 6 de dezembro, segundo a mídia. Além disso, em breve uma nova campanha de marketing e convencimento para a população e a sociedade geral irá ter como foco e tema central o combate aos privilégios, em uma maneira mais sutil de colocar a sociedade e, consequentemente, o classe política favorável a Reforma.




Data: 21/11/2017

"Reflation" liderado pelos EUA.

 

A semana teve inicio com um movimento leve de “Reflation”, liderado pelos ativos dos EUA, com alta do dólar, abertura de taxas de juros e alta das bolsas. As commodities apresentaram dinâmica divergente, sem tendência definida. Vale destacar a continuidade do movimento de diversificação entre algumas classes de ativos e países específicos. 

 

O Chile foi um destes casos específicos. Após o primeiro turno das eleições mostrarem uma corrida eleitoral muito mais acirrada do que o esperado, o país observou uma forte depreciação de sua moeda e acentuada queda da bolsa. O movimento foi seguido por seus pares, mas em magnitude muito menor do que a apresentada pelo país. 

 

O mercado offshore de BRL mostrou estabilidade da moeda do Brasil, em clara performance relativa melhor do que seus pares. O EWZ – ETF de bolsa do Brasil negociada em NY – apresentou mais um dia de alta. A recuperação dos ativos locais parece uma clara reação a melhora no fluxo de noticias que envolve a Reforma da Previdência. 

 

O cenário econômico para o país segue inalterado e relativamente construtivo. O IBC-Br – espécie de PIB mensal coletado pelo BCB – apresentou alta de 0,4% MoM, dentro das expectativas do mercado. O CAGED apresentou criação superior a 75 mil postos de trabalho em outubro, acima das expectativas. A recuperação do crescimento segue em curso, mesmo que em velocidade ainda gradual. 

 

Mantenho meu cenário central inalterado, com posições construtivas e bem distribuídas entre os principais ativos locais (BRL, Ibovespa e Juros), aliada a posições tomadas em juros nos EUA, vendido em AUD e com pequenos hedges na vol de FX, Rates e Equities nos EUA. Sigo administrando ativamente os tamanhos e instrumentos das posições. 




Data: 21/11/2017

Cenário político turvo na Alemanha. Novas restrições na China.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, com leve viés negativo, após as negociações para a formação de um governo de coalização na Alemanha falharem. Não perece que o cenário político no país será um vetor determinante para a economia local e/ou global, mas a incerteza pode trazer alguma volatilidade de curto-prazo. 

 

O Citibank fez um bom resumo das possibilidades de agora em diante: 

 

Chancellor Merkel will brief President Steinmeier about the situation this morning, after which all parties will deliberate internally on the next steps. We pointed the three options: 

 

Grand coalition: SPD would have to make U-turn – First, Merkel could (at least informally) attempt to build a Grand Coalition with the SPD. The centre-left party had chosen opposition after a very weak result in the election. By last night, there was no sign that it might change opinion, but we do not rule it out as splits in the party could emerge under pressure to avoid new elections. CDU and SPD have just formed a regional government in Lower Saxony within one week. Positions are largely aligned, relations good and new elections may make collaboration inevitable anyway. However, some in the SPD may demand that Merkel steps down. 

 

New elections: Complicated process – Germany has had early elections before (1972, 1983, 2005), but each time they took place after a lost confidence vote. That route is closed to Merkel. Under Art. 63 of the German constitution, the Bundestag would first have to elect a new Chancellor upon proposal by the President, which is possible with a relative majority after 14 days of nobody getting an absolute majority. The President can then within 7 days confirm the winner or dissolve Parliament, which would lead to early elections within 60 days. There is no deadline to launch the process, but if the SPD does not open up to a Grand coalition, it could start soon and elections could be held probably in January at the earliest. 

 

Minority government: Unusual but possible – Germany has not had minority federal governments before, and Merkel herself appeared to rule it out after the elections in September. However, the process described above makes it relatively straightforward to form. As the CDU’s programme is not particularly ambitious, Merkel might be able to obtain majorities for some policies such as modest tax cuts (with support from the SPD and FDP), increases in defence spending (FDP, AfD) and euro policies (SPD, Greens). A minority administration might be more stable than it appears as the opposition could only oust Merkel with a “constructive vote of no confidence”, meaning it would have to align on an alternative opposition candidate first, which seems unlikely. In other countries (e. g. Spain, UK), minority governments have been formed amid arguably more challenging political environments than in Germany. We do not rule out such a scenario either." 

 

A China anunciou mais uma rodada de aperto/restrição ao mercado local de crédito/investimentos. As medidas devem ser vistas como positivas a longo-prazo, pois vão na direção de desalavancar a economia e administrar os excessos em setores específicos. No curto-prazo, as medidas podem trazer alguma desaceleração do crescimento e efeitos pontuais mais negativos em alguns mercados e classes de ativos. O Morgan Stanley resumiu a situação da seguinte maneira: 

 

"China’s new regulations plan to streamline oversight of asset-management products sold by financial institutions. The move is aimed at reining in risk and putting an end to practices that take advantage of regulatory loopholes. China’s new regulation has potentially already developed a temporary negative impact on risk appetite. Our Asian economists suggest China will break out of its middle income trap despite getting tougher on its regulation. Indeed, a financial de-risking strategy is required to reduce China’s debt dependence especially on its corporate sector. China will have to learn to grow without further aggregate debt creation, suggesting shifting its growth from investment/manufacturing towards its consumption/service sectors. Financial sector regulation is part of this strategy, but also includes a shift of funds into China’s household sectors via higher wages, higher saving deposit incomes, better social security and a stable RMB boosting households' real disposable income. Investors should not forget that China’s de-leveraging strategy requires support via strong global economic growth and it will function best when the USD remains weak." 

 

No Brasil, os jornais continuam repercutindo a Reforma Ministerial e a possibilidade de votação da Reforma da Previdência na primeira semana de dezembro. De acordo com a mídia, Rodrigo Maia está saindo fortalecido da Reforma Ministerial e parece alinhado com o Planalto em prol da Reforma da Previdência. 

 



Data: 21/11/2017

Brasil: Governo faz esforço final pela Reforma da Previdência.

 

A mídia no final de semana deu ampla cobertura a reforma ministerial que está sendo avaliada e capitaneada por Temer com vistas a Reforma da Previdência. A despeito do feriado prolongado, Temer passou os últimos dias recebendo aliados e trabalhando em prol de uma reforma ministerial que consiga angariar votos para Reforma da Previdência. 

 

Segundo a mídia, o governo hoje teria cerca de 240 votos. A reforma ministerial levaria a 280 votos. Os 308 necessários seriam conseguidos através de uma forte campanha de marketing, capaz de trazer uma pressão do empresariado e da sociedade em torno da Reforma. 

 

A probabilidade de aprovação hoje ainda é baixa e os ativos locais precificam este cenário. Contudo, não há dúvidas que existe um amplo esforço por parte do governo, em várias frentes, em prol da Reforma. Vale lembrar que todas as reformas propostas por este governo apresentaram dinâmica parecida até os momentos finais de aprovação. Começaram como propostas, com baixa adesão. Houve um grande esforço de convencimento e articulação política por parte de Temer e Cia e acabaram ganhando apoio e sendo aprovadas. Isso não significa que esta reforma da previdência seguira o mesmo roteiro, mas acho válido lembrar a dinâmica das últimas reformas, pois as vezes os ruídos da mídia atrapalham as análises mais claras do cenário. 

 

O final de semana trouxe poucos desdobramentos no âmbito externo. O cenário base continua a ser de crescimento global saudável, com inflação subindo de forma gradual e um processo de normalização monetária bem comunicado nas principais economias do mundo. Uma desaceleração da economia mundial já é, de certa forma, esperada. Uma alta gradual da inflação idem. Continuo a ver como riscos ao cenário base uma desaceleração mais acentuada da China e/ou uma aceleração mais rápida e acentuada da inflação nos EUA. Estes são apenas riscos, com baixa probabilidade, mas potencial grande de alteração da dinâmica dos mercados financeiros globais. 

 

Por ora, acredito que o cenário até o final do ano e começo de 2018 ainda seja cautelosamente positivo. O ano de 2018 poderá trazer alguns desafios grandes e uma alta da volatilidade, mas ainda não vejo motivos de curto-prazo para uma alteração de cenário e/ou correção mais acentuada dos ativos de risco. Este cenário, eventualmente irá ocorrer, mas me parece que diante de uma mudança mais clara e concreta do cenário.




Data: 21/11/2017

Sinais de estabilização e diferenciação.

 

Passei o dia visitando alguns clientes institucionais, de tamanhos médios e grandes. Vejo uma propensão a tomar mais risco com os juros mais baixos, especialmente no mercado de renda variável e juros longos (NTN-B), especialmente após a abertura recente de taxas. Há um claro interesse por diversificação em ativos no exterior, mas com um claro receio do risco cambial. 

 

No tocante aos mercados financeiros locais e globais, tivemos mais um dia sem grandes novidades nos cenários. No Brasil, o foco está na Reforma da Previdência. Segundo a mídia, o PSDB irá fechar questão em favor da Reforma. De qualquer maneira, a probabilidade de aprovação de qualquer reforma ainda é baixa e está pouco precificada pelos ativos locais. No tocante ao cenário economico, acha válido citar que as coletas de inflação seguem sugerindo um inflação corrente e perspectiva baixas. Muitos esperavam um “repique” da inflação, que não está se concretizando. No que tange ao crescimento, a recuperação continua, mas o cenário segue de um processo extremamente gradual de recuperação do crescimento. 

 

Neste ambiente, e após a correção recente no preço dos ativos locais, me parece haver uma assimetria ainda mais positiva na parte intermediária das curvas nominais e reais de juros. Ainda vejo uma Taxa Selic em 7%, ou abaixo, e por tempo considerável de tempo. Entendo que teremos mais volatilidade de agora em diante, dando o estágio do ciclo, e que ganhos de capital tendem a ser mais difíceis. Contudo, ainda vejo espaço para uma compressão relevante nas taxas locais de juros de mercado. 

 

Os mercados financeiros globais mostraram sinais de estabilização nos últimos dias, especialmente os mercados EM. A dinâmica do mercado me leva a crer que um ajuste de posições relevante já ocorreu e a posição técnica e os preços estejam mais balanceados. De qualquer maneira, ainda espero uma volatilidade maior nas próximas semanas, especialmente com a proximidade do final do ano. 

 

Vale destacar que a despeito da ausência de tendências claras nos mercados, ou grandes teses de investimentos no momento, já começam a aparecer sinais de diferenciação entre classes de ativos e ativos de países diferentes. Apenas como exemplo, nos últimos dias, vimos uma recuperação das moedas EM, ao mesmo tempo em que o EUR subia e o AUD continuava pressionado. Acredito que na ausência de grandes choques e/ou rupturas, podemos vivenciar um mercado de maior diferenciação. Consigo ver, por exemplo, uma performance positiva das bolsas EM mesmo com o S&P “de lado” ou em leve queda. Obviamente, cenários de volatilidade mais elevada e correções mais acentuadas tendem a virar “risk-off” mais clássicos. Ainda não vejo motivos econômicos para isso, mas a posição técnica em alguns mercados ainda preocupa. 

 

Para finalizar pela semana, ainda vejo o BRL em um grande range, agora um pouco mais largo, entre 3,10-3,35. Ainda vejo espaço para alocações no mercado de renda variável local nos atuais preços. 

 

Continuo seguindo os desdobramentos na China e as taxas de juros nos EUA como riscos ao cenário base. Por ora, ainda vejo um curto-prazo (3 meses) sem grandes desdobramentos nestas frentes. De qualquer maneira, continuo tomado em juros nos EUA, com alguma compra de vol em equities como hedge, e uma posição, nos atuais níveis, menor vendido em AUD. Essas posições foram taticamente reduzidas no meio da semana.




Data: 16/11/2017

Risk-On!

Os ativos de risco estão tendo um dia de melhora generalizada, em um movimento clássico de “Risk-on”. Assim como não houve um trigger específico para a realização de lucros das últimas semanas, também não houve um motivo claro para o movimento de hoje.

Continuo não vendo mudanças substanciais de cenário. Os dados econômicos continuam apontando para um crescimento global robusto e sincronizado. Hoje, o destaque ficou por conta da produção industrial de outubro nos EUA, que apresentou alta sólida e acima do esperado. Os indicadores de emprego mostram um mercado de trabalho robusto e os índices do mercado imobiliário seguem na mesma direção. Como observamos ontem, a inflação dá sinais de aceleração, mas o processo ainda é bastante gradual, o que acaba dando tranquilidade para o processo de normalização monetária no mundo desenvolvido e nos EUA, em especial, ser gradual e bem comunicado.

O processo de desaceleração do crescimento da China está em curso e, por ora, parece ordenado.

Chama a atenção a enorme dificuldade de um processo mais prolongado de realização de lucros no mercado de equities dos países desenvolvidos, especialmente perante aos movimentos já observados em outros mercados, como EM e HY. 

O maior risco, passados os principais eventos na China e nos EUA, continua a ser a posição técnica.

No Brasil, os ativos locais estão seguindo o humor global a risco. O país talvez tenha sido excessivamente punido nas últimas semanas devido a uma posição técnica mais prejudicada. Neste momento, o mercado parece mais balanceado.

Isso não quer dizer que novos movimentos de correção não irão ocorrer, mas que nestes níveis de preço e posição, já existe alguma defesa à cenários menos positivos mas que não gerem rupturas.

Espero um mercado mais volátil daqui para a frente, mas uma mudança definitiva de cenário econômico e para os mercados como um todo irá precisar de uma mudança mais substancial de pano de fundo, ou choque econômico e/ou financeiro. Ainda não vejo sinais claros de que nenhum desses choques já tenham ocorrido.

Sigo comprado em ativos no Brasil, agora bem distribuído entre juros longos, BRL e Ibovespa. Continuo tomado em juros longos nos EUA. Aproveitei os últimos dias para reduzir os hedges comprados em volatilidade, mas sigo buscando hedge assimétricos para o portfólio local.




Data: 16/11/2017

Leve Risk-On!

Os ativos de risco estão apresentando recuperação nesta manhã, após uma quarta-feira de clássico “risk-off”. Não há um claro motivo para a recuperação dos mercados neste momento, mas uma injeção de liquidez por parte do PBoC na China pode estar ajudando a estabilizar o humor global a risco.

Não há nenhuma informação nova no cenário esta manhã. Os jornais no Brasil continuam com informações requentadas e comentando a possível e provável reforma ministerial, mas sem muitos fatos concretos.

Nos EUA, a Reforma Tributária caminha no Congresso, mas alguns ruídos nos últimos dias mostram o quão difícil será sua aprovação. Isto pode estar ajudando na piora do humor dos últimos dias, mesmo que sua implementação seja pouco precificada pelo mercado.

Meus comentários de ontem continuam válidos: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/risk-off-updated.html.

Deixo agora um breve comentário do DB a respeito do mercado de HY Bonds, que vem sendo foco de grande atenção nos últimos dias:

On this there has been a lot of noise around the HY market in the past week or so as a combination of macro factors along with some notable earnings misses have weighed on the market. iTraxx Crossover and CDX HY have widened by around 25bps and 30bps respectively from their most recent tights, while the price level of the largest USD HY ETF (HYG US) is basically back to the same level as where it started the year, however this overstates the move in the US cash market and even more so in Europe. Looking in more detail at the cash market US HY has widened by around 60bps and EUR HY is 46bps wider from the recent cycle tights only a few weeks back but both are still around 25bps and 100bps tighter on the year respectively. In a broad historic context the recent moves hardly register but in the context of a year that has been headlined by extremely low levels of volatility they are certainly significant. For EUR HY there were two other periods where we saw some sort of correction this year. In March/April (ahead of the French elections) the index widened 27bps in 42 days and then in August/September (after the North Korean escalation) we saw a 29bps widening over 30 days. So the current 46bps of widening in just 12 days has been somewhat more aggressive than anything else we’ve seen this year.

Looking at similar data for the US we have also seen two previous corrections. In March spreads widened 61bps in 20 days and then in July/August we saw 45bps of widening in 15 days. So the current c.60bps widening over 22 days is actually of a similar magnitude to this year’s previous corrections. The moves look even more stark when we focus on single-Bs though. EUR single-Bs have widened by more than 100bps from the most recent tights, more than halving the YTD tightening we had seen. For USD single-Bs the recent widening (65bps) has actually reversed more than 80% of the YTD spread tightening we had seen to the recent tights.

The question from here is whether this recent back-up in spreads is simply going to lead to a fresh buying opportunity or whether it will lead to something more significant. Despite some of the recent profit warnings we think that it is more likely to be the former at the moment. But at the very least the pace of this turn around highlights how quickly market sentiment can change, especially when spreads are so tight. HY was looking very very stretched relative to IG in Europe and this corrects some of that. Overall it certainly provides us with some food for thought as we look to publish our 2018 outlook in the next 10 days.




Data: 16/11/2017

Risk-Off - UPDATED

Neste momento, os mercados continuam mostrando quedas graduais das bolsas no mundo desenvolvido. O EWZ – ETF de bolsa Brasil nos EUA – apresenta leve alta, assim como PBR, ITUB e VALE. O dólar opera em alta, principalmente contra as moedas EM e commodities linked. As commodities continuam pressionadas. As taxas de juros apresentam fechamento ao redor do mundo.

No Brasil, a mídia está dando enfoque total a possível e provável reforma ministerial. Por ora, temos apenas especulações e jogo político. Não há nenhuma informação concreta que podemos tomar a valor de face.

O Core CPI nos EUA apresentou alta de 0,22% MoM e 1,8% YoY, levemente acima das expectativas. O número confirma um cenário de elevação gradual da inflação no país. Se, por um lado, o número afasta o risco de um processo de inflação mais desenfreada no curto-prazo, e a necessidade de um ajuste de política monetária mais agressivo no, por outro lado, confirma as intenções do Fed em manter um processo de normalização monetária, com a redução gradual de seu balanço e um ritmo em torno de 3 a 4 altas de 25bps nas taxas de juros por ano. Este cenário não está totalmente precificado pelo mercado. Assim, é natural que números como o de hoje, acabem dando algum suporte ao dólar e, no longo-prazo, as taxas de juros do país.

Além do Core CPI os números de vendas no varejo, também divulgados hoje, reforçaram um cenário de crescimento robusto da economia norte americana. Os dados ficaram acima das expectativas.

De maneira geral, os números divulgados hoje se somam aos dados divulgados ao redor do mundo nos últimos dias em que confiram um quadro de crescimento global ainda sólido e saudável e uma inflação que se eleva apenas gradualmente no mundo desenvolvido. Este pano de fundo permite que os bancos centrais nas principais economias do mundo mantenham uma postura de gradualismo no processo de normalização monetária.

Este pano de fundo não costuma ser visto como negativo pelos ativos de risco. Muito pelo contrário, costuma ser um cenário bastante positivo para ativos de risco. Mesmo assim, estamos vivenciando um período de maior volatilidade e correções (realizações de lucro) em várias classes de ativos. Já comentei a respeito disso ao longo dos últimos dias. Acredito que estes movimentos sejam naturais, de certa forma esperados, em qualquer ciclo econômico. Uma combinação de posição técnica, preços/valuations e sazonalidade podem explicar parte destes movimentos mais negativos.

De qualquer maneira, é sempre muito difícil acertar o momento que estes movimentos irão começar e quando irão terminar. Parece que estamos no meio deste processo. Nãoi sei precisar se ainda na parte inicial ou já na parte final. Até o momento, os movimentos são fluidos e não há rupturas, por isso ainda vejo este processo como “natural e saudável”. Este ambiente pode se alterar caso a dinâmica ganhe contornos mais negativos nas próximas horas. Caso contrário, os mercados irão se estabilizar e retornar as suas tendências, mais cedo ou mais tarde.




Data: 16/11/2017

Risk-Off!

Os ativos de risco estão abrindo o dia em uma dinâmica clássica de “Risk-Off”. Ao que parece, as bolsas nos países desenvolvidos e as commodities entraram, definitivamente, no processo de realização de lucros que já vínhamos observando em outras classes de ativos, tais como os mercados emergentes.

Não há mudanças claras de cenário e nem informações novas de ontem para hoje. Este processo parece um claro movimento de ajuste de posições, o que costumamos chamar de um processo de ajuste técnico dos mercados.

O grande destaque do dia ficará por conta do Core CPI nos EUA. Neste momento, contudo, acredito que a dinâmica dos ativos de risco está preponderando sobre qualquer informação econômica. Assim, apenas um número muito fora do consenso será capaz de alterar a dinâmica recente dos mercados.

Mantenho a visão descrita ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/explaining-unexplainable.html):




Data: 14/11/2017

Explaining the Unexplainable

Continuamos passando por um momento em que a dinâmica dos ativos de risco está em dissonância do panorama macro global. Não tenho uma explicação muito concreta ou convicta em relação a esta divergência.

Uma conjunção de vetores pode ser utilizada para explicar a dinâmica dos mercados financeiros globais. A posição técnica do mercado está comprometida (vide o relatório mensal da Merrill Lynch http://www.zerohedge.com/news/2017-11-14/bank-america-clear-sign-irrational-exuberance), os níveis de preço e valuations são menos óbvios nos atuais níveis, e o final de ano induz os investidores a realizações de lucros. Além disso, o processo de redução do balanço do Fed teve início em outubro, assim como a normalização monetária por parte de muitos bancos centrais no mundo desenvolvido.  Não consigo apontar qual foi o trigger para o início deste processo de realização de lucros dos ativos de risco, nem mesmo o que será determinante para seu encerramento, ou se estamos diante de uma mudança gradual de cenário.

Os sinais de cautela estão se acumulando. Nas últimas semanas, vimos realizações de lucros, em maior ou em menor grau, nos ativos emergentes, nos High Yield Bonds, no Nikkei e etc. Estes sinais podem levar a uma correção mais acentuada dos ativos de risco, em um movimento clássico de desalavancagem, ou serem apenas “falsos rompimentos”, levando a correções apenas moderadas nos preços dos ativos.

O cenário econômico segue estável e relativamente construtivo. Hoje vimos dados robustos de PIB na Europa e vendas no varejo saudáveis no Brasil. Os sinais são de recuperação na arrecadação Federal e de continuidade de recuperação da economia do país. A inflação nos EUA, através do PPI, foi o único sinal de alerta ao mercado, mas apresentou pouca repercussão no preço dos ativos, com os juros nos EUA praticamente inalterados.

Eu via alguns riscos ao cenário. O primeiro, do crescimento chinês, que não se realizou. O segundo, na inflação nos EUA, que ainda é uma “nuvem negra” que ronda o mercado. O PPI de hoje elevou a probabilidade, mesmo que de maneira gradual, de dados mais elevados de inflação no país. A redução do balanço do Fed poderia ser visto como um terceiro risco no mercado, mas tem mostrado pouco efeito sobre as taxas de juros no país, que seria de onde viria o primeiro sinal de alerta para os demais ativos de risco.

Eu até acreditava que o mercado poderia apresentar uma realização de lucros pelos motivos já supra citados, mas não imaginava que a magnitude das pioras, especialmente no Brasil e nos demais ativos emergentes, seria tão grande, na ausência dos riscos apontados acima (crescimento na China, inflação nos EUA e/ou redução do balanço do Fed com alta de taxas longas de juros). Por isso, vinha carregando posições compradas em volatilidade em Rates, Equities e FX contra posições compradas em ativos no Brasil. Mantenho este portfólio mas venho administrando ativamente estas posições em termos de tamanho e instrumentos.

Por ora, mantenho meu cenário base inalterado, que será reavaliado após o Core CPI nos EUA amanhã. A dinâmica dos mercados requer cautela redobrada. O price-action está bastante estranho, as correlações estão de difícil explicação no curto-prazo e o cenário macro descolou dos preços e da dinâmica dos mercados. Nestes momentos, toda cautela é necessária. Tentarei manter o book um pouco mais neutro mesmo que por ora os hedges não estejam funcionando como deveriam. 




Data: 14/11/2017

Dados econômicos corroboram cenário ainda construtivo.

Os ativos de risco estão operando sem movimentos relevantes esta manhã. O cenário continua fluido e relativamente estável. Os dados da China (vide abaixo) reduziram mais alguns riscos de curto-prazo e os números de crescimento global seguem robustos (vide PIB da Alemanha). O risco ao cenário continua a ser a inflação nos EUA e o processo de redução do balanço por parte do Fed. Caso os dados de inflação nos EUA nas próximas 48 horas continuam contidos, vejo um cenário mais positivo para os ativos de risco em geral nestas últimas semanas do ano. Caso tenhamos números mais elevados, teremos que conviver com um cenário de maior volatilidade e diferenciação.

O destaque da noite ficou por conta dos dados econômicos na China. Os números mostraram mais uma rodada de leve desaceleração do crescimento e ficaram um pouco abaixo das expectativas do mercado. De maneira geral, contudo, os dados de outubro mostram uma economia ainda com crescimento saudável. Os números de hoje retiram mais um risco de curto-prazo para os mercados, já que afastam a possibilidade de uma desaceleração mais acentuada da economia no curto-prazo.

O “cenário base” com o qual trabalho continua a ser de uma desaceleração gradual da economia chinesa, permeada por uma mudança de composição dos “drivers” de crescimento. Vemos a “velha China” liderada por investimentos, mercado imobiliário, demanda por commodities metálicas e etc, dando lugar a “nova China”, liderada pelo consumo, pela demanda por “health care”, pelo setor de tecnologia e etc. Este pano de fundo deverá trazer impactos não desprezíveis setorialmente nos mercados globais.

A Goldman Sachs fez um breve comentário sobre os números divulgados hoje:

Three factors probably created temporary distortions in October data: 

The shifting holiday effect. The mid-autumn festival is normally in September but was in October this year. This tends to boost September data at the expense of October data, except retail data which tends to be stronger during holidays.

The Party Congress was held in October. Before and during the congress, the level of production and construction restrictions was likely higher than usual and there were also transportation and delivery restrictions in the capital region.

The November 11 Single's Day might have delayed some purchases to November from October as shops were expected to offer large discounts. This distortion is becoming larger with the rapid growth of online sales -- Alibaba's single day sales reached Rmb168 bn this year, up 39.4% from last year. (Note that last year, October retail sales disappointed consensus while November surprised sharply to the upside.) Also, while this shopping spree was initiated by online shops, increasingly traditional stores are being forced into offering discounts on the day to stay in competition.

Na Alemanha, o PIB do 3Q apresentou alta de 0,8% QoQ, acima das expectativas de 0,6% QoQ. O número confirma um crescimento bastante robusto do para os padrões do país.

Nos EUA, a Reforma Tributária avança no Congresso, a despeito dos esperados debates e oposições que são esperadas nos próximos dias e nas próximas votações. Segundo o DB: In the US, the House Ways and Means Chairman Brady appear confident that the House’s version of the tax bill will be passed this week, noting that “we don’t expect major changes” as “a lot of the work’s been done”already. Before that, President Trump is expected to address the full conference of House Republicans this Thursday morning to rally support on tax reform. Elsewhere, the Senate Finance Chairman Hatch said the mark up process of the Senate’s version of the tax bill “leaves us with some work to do in order to make the reforms permanent”, but “we are working to ensure that the reduced (corporate) rates and…reforms designed to bring investments back to the US…remain in place past the 10 year budget window”.

Nos Brasil, o pedido de demissão de Bruno Araujo, do PSDB, Ministro das Cidades, abriu a janela para uma reforma ministerial, visando a aprovação da Reforma da Previdência. A situação ainda é bastante incerta e a probabilidade de aprovação da Previdência ainda é baixa. Contudo, a probabilidade hoje continua maior do que a 2-3 semanas atrás, com os preços do mercado piores, a posição técnica mais limpa e um cenário econômico relativamente inalterado.




Data: 13/11/2017

Brasil: Governo mostra empenho na aprovação da Reforma da Previdência.

Os ativos de risco estão abrindo a semana próximos à estabilidade, com leve alta das bolsas, pequeno fechamento de taxa dos juros nos mercados desenvolvidos, e leve queda do dólar. Destaque para a elevada volatilidade do Bitcoin ao longo das últimas 24 horas. Não tenho opinião sobre este mercado. Por ora, ainda não é um ativo que afeta o humor global a risco, mas ganha atenção da mídia. Pode ser que movimentos mais bruscos venham, em algum momento, a afetar as demais classes de ativos globais. Não é o caso neste momento.

No Brasil, a mídia está dando atenção e destaque ao empenho do Governo na Reforma da Previdência. Além do núcleo central do Governo estar alinhado e trabalhando, novamente, em prol de sua aprovação, o Governo busca agora uma campanha publicitária mais agressiva visando o lema de terminar com privilégios e garantir uma previdência justa a todos. Temer também sinaliza com uma Reforma Ministerial. De maneira geral, a probabilidade de aprovação da Reforma ainda é pequena, porém maior hoje do que a 2-3 semanas atrás. O preço dos ativos locais está hoje pior do que a 2-3 semanas atrás e a dinâmica dos mercados extremamente negativa.

Para não soar repetitivo, encerro aqui com meus últimos comentários sobre cenário:

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/sem-grandes-novidades.html

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/brasil-dinamica-terrivel-e-de-dificil.html

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/air-pockets.html




Data: 13/11/2017

Sem grandes novidades.

O final de semana não trouxe efetivamente nenhuma informação nova ao cenário econômico e/ou político, nem no âmbito  local e nem no âmbito externo.

No Brasil, a mídia continua tentando antecipar o pleito eleitoral do ano de 2018, com suposições de candidatos, alianças e afins. A cobertura da possível Reforma da Previdência continua em segundo plano. Temer sinalizou com uma possível reforma ministerial, com olhos na aprovação da Previdência, e já tendo em vista as possíveis alianças para 2018.

Vejo o cenário local como estável, a despeito da forte piora nos preços dos ativos brasileiros nas últimas semanas. Não vejo nenhum “desequilíbrio” de curto-prazo. Acredito que seja cedo para precificar qualquer cenário político. Meu maior receio continua sendo os desenvolvimentos externos.

O grande destaque da semana, no âmbito econômico, ficará por conta do Core CPI nos EUA e dos dados de atividade econômica na China. Estes são os dois vetores capazes de alterar, de maneira significativa, o cenário econômico global.

O primeiro, trazendo números mais elevados de inflação, levando a uma abertura mais rápida e acentuada da curva de juros nos EUA, e dando combustível a deterioração dos ativos de risco ao redor do mundo. O segundo, na forma de uma desaceleração mais acentuada do crescimento chinês, após o Congresso do partido. Uma desaceleração da economia já é esperada, mas a magnitude desta desaceleração precisa ser observada.

Neste momento, nenhum dos cenários descritos acima são cenários base, mas riscos no horizonte, com probabilidades baixas, mas com impactos relevantes caso ocorram. A inflação nos EUA apresenta probabilidade maior de ocorrência.

Dois outros eventos precisam ser monitorados. A situação na Arábia Saudita é fluida, porém tensa. Tenho quase nenhuma vantagem comparativa para comentar a situação no país. Contudo, desenvolvimentos mais avançados nesta frente podem afetar o preço do petróleo e acabar gerando algum contágio ao redor do mundo. A quantidade de recursos que foi congelado também pode afetar a dinâmica de alguns ativos de risco globais, já que muitos dos indivíduos que estão sendo acusados (e em alguns casos presos) detêm grande quantidade de investimentos ao redor do mundo.

Finalmente, precisamos monitorar o começo do processo de redução do balanço do Fed, que pode estar começando a gerar movimentações em alguns mercados. A piora no mercado de High Yield Bonds, o começo de um processo de steepening da curva de juros são apenas alguns exemplos de final de ciclo que precisamos estar atentos.

Neste ambiente, continuo buscando alocações em ativos no Brasil, com uma postura muito tática nos tamanhos e instrumentos utilizados. Sigo comprado em volatilidade de Rates, Equities e FX, especialmente nos EUA.  




Data: 10/11/2017

Brasil: Dinâmica terrível e de difícil explicação.

Os ativos globais não apresentaram uma mudança drástica dos movimentos verificados pela manhã, exceto por uma aceleração no processo de abertura de taxas nos EUA. Exceto pelos movimentos nos ativos do Brasil, não houve um contágio maior para os demais ativos de risco do leve “air pocket” verificado nos mercados norte americanos. Ainda vejo espaço para a continuidade destes movimentos.

Resta a dúvida se estes são movimentos técnicos, normais, de realização de lucros e ajustes, ou o começo de uma nova tendência, liderada pelo processo de normalização monetária nos EUA.

Como comentei pela manhã (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/air-pockets-us-equities-bondsbrasil.html) ainda vejo espaço para um processo de abertura de taxas de juros nos EUA, seguida de acomodação/realização das bolsas no país. Dependendo da velocidade destes movimentos, não haveria motivos, neste momento, para contágios maiores nos demais ativos de risco. Este cenário, até agora, está sendo seguido “a risca”, exceto pelos movimentos no Brasil.

Em relação ao Brasil, realmente tenho poucas explicações claras, óbvias ou concretas para os movimentos recentes. e para a perda de correlação em relação a seus pares. O movimento de deterioração ainda me parece técnico, liderado por motivos de posição técnica, preços e sazonalidade. Contudo, a dinâmica continua terrível e de difícil previsibilidade.

O IPCA ficou abaixo das expectativas do mercado em outubro, com alta de 0,42% MoM e 2,70%. O número reforça um cenário de inflação corrente baixa e perspectivas de inflação ainda contidas e abaixo da meta. O número de hoje reforça uma Taxa Selic que chegue, pelo menos, nos 7%, permanecendo neste patamar pelo horizonte relevante de tempo.

O cenário de recuperação cíclica do crescimento e do mercado de trabalho segue inalterado, assim como as contas externas continuam saudáveis. O quadro fiscal preocupa, mas o Governo sinaliza com a possibilidade de implementação da Reforma da Previdência.

Mantenho posições compradas em ativos locais, mas administrando ativamente, mais do que a média dos últimos meses, os tamanhos e instrumentos das posições, visando me defender de cenário extremos e do aumento recente da volatilidade. Continuo complementando o portfólio com compras de volatilidade de Rates, Equities e FX ao redor do mundo. Como é usual nestas posições, a administração dos deltas, tamanhos e instrumentos segue bastante ativa, especialmente nos últimos dias. 




Data: 10/11/2017

 Air Pockets: US Equities & Bonds/Brasil: Previdência de volta ao radar.

 

O destaque desta manhã está por conta de um movimento de queda dos Bonds e Equities nos EUA e parte da Europa, com elevação das volatilidades implícitas dos ativos de risco. Acredito que haja espaço para a continuidade destes movimentos no curto-prazo. Os argumentos para que estes movimentos continuem no curto-prazo, são: nível de preços/valuations, posição técnica e estágio do ciclo econômico.

Contudo, estes movimentos não necessariamente precisam trazer ruptura ou contágio aos demais ativos de risco e/ou ao cenário econômico global. Algumas classes de ativos, como os emergentes, já passaram por reprecificação relevante nas últimas semanas, o que acaba trazendo algum “buffer” ou defesa a esta classe de ativos. Consigo enxergar a continuidade destes movimentos sem rupturas, contágios ou sell-offs mais agressivos, contanto que os movimentos continuem de forma gradual e ordenada. Caso os movimentos se acentuem de maneira mais rápida, será inevitável o contágio para outras classes de ativos. Para uma mudança definitiva de tendência, será necessária uma alta mais consistente da inflação no mundo desenvolvido e nos EUA, em especial.

No Brasil, o Governo está em busca de uma nova rodada de agenda positiva, lançando um plano de investimentos e buscando alinhamento com o Congresso para a Reforma da Previdência. O tom nesta linha melhorou nas últimas 48 horas, mas ainda é cedo para concluir o que sairá deste debate. A grande verdade é que surgiu a possibilidade de um “risco positivo” no cenário que não havia antes. Abaixo, seguem alguns artigos nessa linha:

http://m.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1934231-governo-e-aliados-concordam-em-votar-previdencia-neste-ano-diz-meirelles.shtml?mobile

http://www.valor.com.br/brasil/5188913/previdencia-volta-ao-topo-da-cena-politica

Na China, o governo anunciou a abertura do seu mercado bancário para estrangeiros, em um movimento positivo de reforma e abertura de sua economia.

Nos EUA, a proposta de Reforma Tributária avança, mas as diferenças de propostas ainda são abismais. Segundo o DB:

Before all this late in the US session last night, the Senate has released their version of the draft tax bill which does not stray too much from prior press reports but is still quite different to the House’s bill. In the details, the plans included: i) corporate tax cuts to 20% delayed by one year (vs. Jan. 2018 as per the House’s tax bill), ii) existing mortgage interest deduction for home purchases up to $1m will be retained (vs. a cut to $0.5m) , iii) state and local tax deductions for individuals will be entirely repealed (vs. mostly repealed), iv) seven individual tax brackets will be retained with the top tax bracket reduced 0.9ppt to 38.5% (vs. consolidate to 4 tax brackets and unchanged top tax rate of 39.6%), while v) the standard deductions for individuals ($12k and $24k couples) are the same. Elsewhere, in the mark up of the House tax bill, the House Ways Committee is reportedly considering lifting the one-time tax rate on US companies’ accumulated offshore earnings, from 12% to 14% if the income was held as cash (vs. 10% as per the Senate tax plan). Looking ahead, the two versions of the tax bill will be further debated, negotiated and then somehow reconciled before final voting, which was expected to be before Thanksgivings (23 November). The market is having a lot of doubts about this timetable. 




Data: 09/11/2017

"Air Pockets"

 

O mesmo movimento que trouxe uma rápida e acentuada deterioração dos ativos emergentes na últimas 3-4 semanas parece estar afetando outras classes de ativos. Durante a noite, vimos uma forte queda do Nikkei, no Japão, uma posição bastante consensual entre a comunidade global de “Hedge Funds”.

Este movimento acabou sendo seguido por uma pressão (menos agressiva até o momento) nas bolsas dos EUA, acentuada pelos desenvolvimentos mais negativos no tocante a Reforma Tributária do país. Vale lembrar que não apenas as bolsas apresentam pressões negativas hoje, como o mercado de dívida corporativa, como os High Yield Bonds, começa a apresentar movimentos mais negativos nos últimos dias.

Por ora, estou tratando os movimentos como realizações técnicas normais de lucros, em meio a um ambiente de posição técnica deteriorada, preços/valuations menos atrativos e sazonalidade de final de ano. Ainda não vejo mudanças substancias de cenário econômico.

Contudo, vale lembrar que estamos no início do processo de redução do balanço do Fed, com outros importantes bancos centrais iniciando processos graduais de normalização monetária. Pela primeira vez, em muito tempo, isso pode estar afetando a dinâmica dos mercados financeiros globais.

Meu cenário base continua a ser de que este processo ocorra de maneira gradual e bem comunicada, sem gerar rupturas. Este panorama seria alterado na eventualidade de dados mais fortes de inflação, especialmente nos EUA. Isso não quer dizer que não possamos conviver com movimentos pontuais de realização de lucros e pressão nos ativos de risco, especialmente diante de uma aparente leniência dos investidores, mostrada através de preços/valuations pouco triviais, posição técnica ruim, volatilidades extremamente baixas e proximidade do final de ano. 

Mantenho alocações em ativos no Brasil, administrando tamanhos e instrumentos ativamente, visando me proteger de eventos de cauda e/ou mudanças repentinas de cenário base. Continuo comprado em volatilidade de Rates, Equities e FX nos mercados externos como hedge do portfólio local.




Data: 09/11/2017

Novas realizações de lucros pontuais e localizadas. Nikkei e JPY são a bola da vez!

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. O destaque da noite ficou por conta de uma forte queda do Nikkei, no Japão, em mais um claro movimento técnico de correção/realização de lucros dos mercados. Vale lembrar que o mesmo movimento, talvez não pelos mesmos motivos, ocorreu nos ativos emergentes nas últimas 2 a 3 semanas. O Morgan Stanley tratou a queda de seguinte forma:

USDJPY and flows. This morning’s 3.6% fall in the Nikkei, which is correcting as we write, has been a wake-up call that markets are likely to see fragility as investor positioning increases and the global market builds short volatility strategies. Our Japan equity strategists have looked into the technicals here post the Japanese election and note that earnings have been particularly strong in Japan and the recent rally has been supported by foreign purchases since the end of September. USDJPY is still following the real 10y interest rate differential but we think it is foreign investor flows that have increasingly become drivers of the currency. For example, over recent weeks, Japanese investors have reduced foreign asset purchases as bond volatility picked up. Normally that would result in a narrowing of the USDJPY basis but actually it has widened. At the same time, foreign investors were big buyers of Japanese equities, supporting the rally from the end of September. In the past week we saw the dynamic slightly changing with foreigners net selling Japanese equities, suggesting the domestic community may be selling foreign bonds and replacing with domestic equities. Japan’s inflation expectations keep rising, which limits the upside for the JPY. As soon as that inflation dynamic changes, we would no longer sell the JPY. That isn’t the case today.

Na China, o CPI e o PPI ficaram praticamente dentro das expectativas do mercado, com uma leve alta do CPI e estabilidade do PPI nas comparações em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números não alteram o cenário para a política monetária no país.

No Brasil, a mídia voltou a dar atenção total e completa ao novo debate em torno da “nova” e mais enxuta Reforma da Previdência. Ainda parece cedo para fazer qualquer prognostico de aprovação das medidas colocadas pelo Governo, junto ao Congresso.




Data: 08/11/2017

EM em foco.

 

Os ativos de risco foram marcados ontem por uma continuidade do movimento de fortalecimento do dólar no mundo, mais concentrado nas moedas emergentes. O BRL, no Brasil, acabou seguindo o humor global a risco. A despeito desses movimentos, vimos alguma estabilização do mercado de Juros Emergentes. O destaque negativo ficou por conta da forte queda do Ibovespa, sem motivos aparentes, já que seus pares emergentes não apresentaram dinâmica similar. Continuo vendo os movimentos recentes como movimentos técnicos, puxados por um mix de posição técnica ruim, preços/valuations menos atrativos e uma sazonalidade de final de ano em que os gestores buscam proteger seus portfólios (seus ganhos) para o encerramento do “ano fiscal”.

O pano de fundo continua a ser de crescimento global robusto, inflação contida ao redor do mundo e normalização monetária gradual por parte dos bancos centrais nas principais economia do mundo. Este pano de fundo costuma ser positivo para ativos de risco e, especialmente, para os ativos emergentes. O risco continua a ser da necessidade de um processo de normalização monetária mais agressiva nos EUA, ou uma desaceleração mais acentuada da China.

No Brasil, a inflação corrente e prospectiva continua baixa e contida. As expectativas de inflação estão ancoradas. O crescimento está em um processo gradual de recuperação, assim como mercado de trabalho. As contas externas seguem saudáveis e as perspectivas de fluxo para este final de ano são positivas. O maior problema do país continua a ser fiscal.

Para os mercados, sigo mais cauteloso no curto-prazo, devido a dinâmica ainda ruim dos mercados locais, mas ainda mantenho um viés construtivo de médio e longo-prazo. Assim, mantenho exposição compradas em ativos locais, mas administrando ativamente os tamanhos e instrumentos das posições com o intuito de proteger de eventuais mudanças de tendência ou realizações de lucros mais acentuadas.

No Brasil, após uma interpretação de que o Governo estaria abandonando o projeto de Reforma da Previdência o Governo coloco a “cavalaria na rua” para desfazer o mal entendido. O Governo entende que hoje há pouco apoio da sociedade, da mídia e, consequentemente, do Congresso, para uma Reforma da Previdência ampla como a proposta anteriormente. Contudo, Temer e Cia. ainda tentarão emplacar medidas individuais, de tramitação mais rápida no Congresso, com o intuito de avançar no processo de ajuste das contas públicas. Neste momento, a imposição de uma idade mínima para aposentadoria parece ser o foco da vez para tentativa de aprovação. Ao que parece, o Governo começou uma campanha um pouco mais agressiva em prol do avanço dessas medidas.

Enquanto isso,a mídia continua tentando adiantar o processo eleitoral de 2018, colocando candidatos em evidências assim como suas plataformas políticas e econômicas. Pelos seus avanços nas pesquisas Jair Bolsonaro é a “bola da vez”. Ao que parece, segundo a mídia, a despeito de sua postura agressiva e questionável em vários temas, Bolsonaro está buscando apoio econômico em nomes liberais, de centro-direita e favoráveis as reformas econômicas em curso e a atual equipe econômica. Já muito bem vista pelo mercado e pela sociedade. Este tipo de postura reduziria o “risco de cauda” no campo econômico em uma eventual vitória de Bolsonaro nas eleições para presidente.

Ainda acho extremamente cedo para antecipar o cenário eleitoral de 2018. Ainda faltam nomes, alianças e um longo caminho até abril de 2018, quando de fato a corrida presidencial ficará mais clara. 




Data: 07/11/2017

Leve dinâmica de "Reflation".

 

Os ativos de risco estão apresentando leve dinâmica de “Reflation”, com pequena alta nas bolsas, fortalecimento do dólar e leve abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido, liderados pelos EUA,

A noite foi de poucas novidades relevantes para o cenário.

No Brasil, a mídia está dando destaque a comentários de membros do Congresso e do Presidente Michel Temer, pegando um contexto de piora no cenário para a aprovação da Reforma da Previdência.

Acredito que hoje exista pouco, ou nenhum clima para a aprovação de uma Reforma ampla e agressiva, como proposto anteriormente, mas o Governo deverá fazer um esforço para aprovar medidas individuais que visam melhorar a situação das contas públicas nacionais. O mercado precifica pouco de qualquer aprovação no curto-prazo, mas a ausência de reformas adicionais pode trazer novos rebaixamentos da nota de crédito do país.

No campo micro econômico, contudo, cuja a dependência do Congresso PE menor, está avançando o plano de privatização da Eletrobrás, assim como caminha para um desfecho a negociação da Cessão Onerosa entre a Petrobrás e o Governo.

Meu cenário base segue sem alterações e pode ser visto no detalhe aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/. 




Data: 06/11/2017

Primeiros sinais de melhora na dinâmica EM.

 

O destaque do dia ficou por conta da forte alta no complexo de commodities metálicas e no petróleo. Em um ambiente de fechamento de taxas de juros no mundo desenvolvido, esta dinâmica acabou ajudando a descomprimir a pressão negativa nos ativos emergentes, que já vinha ocorrendo, em menor magnitude, desde a manhã desta segunda-feira.

Reforço que não vejo mudanças substanciais de cenário e a melhora da diâmica é um componente importante para que os ativos EM, e no Brasil, voltem a mostrar bom desempenho novamente. Acredito que um dia de melhora ainda seja pouco para confirmar a mudança definitiva de dinâmica dos mercados, mas é um avanço necessário e importante nesta direção.

Mantenho a postura de aumentar cautelosamente as alocações em Brasil, que estão sendo combinadas com posições tomadas de juros nos EUA e compradas em volatilidade em Rates e Equities como hedge das alocações locais. Ainda prefiro os mercados de renda variável e juros nos atuais níveis em detrimento ao mercado de câmbio.

No mercado de juros, após uma forte abertura de taxa de juros, incompatível com a pouca, ou nenhuma, alteração do cenário de inflação, acredito que o mercado tenha criado valor ao longo de toda a curva. Continuo optando pela parte intermediária das curvas nominais e reais. A despeito de um carrego mais positivo na curva real de juros, a elevação da inflação implícita nos últimos dias trouxe valor a curva nominal de juros. A curva continua bastante “steepada” nos vértices mais longos. Ainda acredito no cenário de juros mais baixos por mais tempo, mas entendo que devemos respeitar a dinâmica do mercado, e que esta compressão das taxas será feita ao longo do tempo, dado o nível das taxas atuais e o ciclo de queda da taxa Selic já realizado pelo BCB. Assim, tenho administrado o tamanho e os instrumentos da posição de forma mais ativa.

Continuo vendo um cenário local e global favorável ao mercado de renda variável no Brasil e no mundo. Acredito que haja fluxos reprimidos para esta classe de ativos. Nos últimos dias, vimos movimentos que costumam ser bastante deletérios ao mercado de fundos de ações, com os setores de commodities sustentando bons níveis, mas forte realização de lucros em setores mais voltadas a economia local, como bancos e varejo no geral. Acredito que muito disso seja movimento técnico, normal e todo o ciclo de apreciação das bolsas de qualquer lugar no mundo. A temporada de resultados está sendo dentro do esperado, mas as ações têm reagido de maneira errática e, muitas vezes, não explicada pelos fundamentos. Novamente, vejo esta dinâmica como fruto de questões técnica e pontuais.

No dólar, continuo sem grandes convicções. Ainda vejo o BRL em um range, talvez mais largo do que os 3,10-3,25 que vinha anteriormente. 




Data: 06/11/2017

Descompressão dos ativos EM.

 

Os ativos emergentes estão apresentando alguma descompressão esta manhã, em um ambiente de fechamento de taxas de juros no mundo desenvolvido e bolsas em leve queda. As commodities, no geral, apresentam uma nova rodada de valorização. Assim, meus comentários ao longo do final de semana continuam válidos: 

 

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/cenario-brasil-externo.html 

 

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/11/the-ugly-path-to-beautiful-reflation.html 

 

Os jornais de hoje trazem pouquíssimas informações novas relevantes além daquilo que já foi amplamente comentado nos últimos dias. Há a informação de que o PSDB planeja um desembarque do Governo Temer. A decisão já vinha sendo estudada há meses e seria um passo natural com a aproximação das eleições. Acredito que o PSDB poderia votar a favor de reformas econômicas relevantes, mas busca se descolar do governo já visando o calendário eleitoral. 

 

No campo micro, importante citar o anuncio de uma descoberta de novas reservas de petróleo onshore no México, além da divulgação, por parte da ANP, de números positivos em relação aos barris excedentes da Cessão Onerosa no Brasil. Estes números são fundamentais para que a Petrobras e o Governo cheguem em um acordo em relação a Cessão Onerosa e o Pré Sal. Números elevados são vistos como positivos pois elevam as chances de um acordo, além de ajudar tanto a empresa como as contas públicas do país a longo-prazo.




Data: 06/11/2017

Cenário Brasil & Externo.

 

O final de semana trouxe poucas novidades concretas para os cenários locais e externo. No cenário externo, apenas alguns desenvolvimentos na Arábia Saudita estão sendo foco da mídia, mas nada que deva gerar contágio para o cenário macro global. As questões levantadas ao longo das últimas 24 horas, que não são fundamentais para o panorama global, devem se manter localizadas. 

 

Brasil - No Brasil, na ausência de novidades relevantes no cenário, a mídia continua tentando antecipar o cenário para as eleições presidenciais de 2018. O PT circula a notícia de que Lula poderá ser candidato a presidente e, eventualmente, concorrer pelo menos no primeiro turno. Sua candidatura estaria embasada na possibilidade de recursos caso o ex presidente seja realmente condenado em segunda instância na justiça. 

 

Nas esferas públicas, O Ministro do STF, e Presidente do TSE no ano que vem, Luis Fux declarou que acha contraproducente candidatos a cargos públicos que sejam denunciados na justiça concorrerem nas eleições, jogando um certo “banho de agua fria” na tese do PT. 

 

Os partidos de oposição continuam evitando qualquer prognostico, e evitando nomear candidatos neste estágio o ciclo eleitoral. 

 

As colocações de Henrique Mereilles sobre ser “presidenciável” foram mal vistas no meio político dado o timing das declarações. Além disso, o nome do Ministro da Fazenda começou a circular, em uma série de notícias requentadas, em relação a seu envolvimento com o Grupo JBS. Este panorama ajudou a afetar o nome do Ministro em um momento de humor de mercado já fragilizado. Vejo esses eventos como ruídos de curto-prazo. Acho natural Meirelles ser presidenciável. Em relação a seu envolvimento com a JBS, os fatos são de conhecimento público há tempos e o Ministro mostra um embasamento contratual que deveria dar alguma blindagem a sua situação. 

 

A situação política do país segue fluída. O Planalto está tendo que lidar com alguns obstáculos de curto-prazo, como as declarações do Ministro da Justiça em relação a situação de segurança pública do Rio de Janeiro, além da situação controversa em que se colocou a Ministra da Ação Social. Essas questões devem ser vistas como normais e qualquer Governo (ou até mesmo no setor privado). 

 

É inegável, contudo, que o Governo se mostra mais fragilizado e precisa aglutinar, novamente, sua base aliada em prol de uma nova rodada de implementação de uma agenda positiva de reformas. O Presidente Temer buscará fazer exatamente isso nos próximos dias. 

 

Enquanto isso, não há mudanças substanciais do cenário econômico local. Ainda estamos no meio de uma recuperação cíclica do crescimento. A inflação continua baixa. Tudo indica que o piso da inflação já foi feito, mas as perspectivas de médio-prazo (6 a 18 meses) continuam bastante favoráveis. O mercado de trabalho mostra recuperação gradual, o que ajuda o consumo interno. As contas externas seguem saudáveis. O problema fiscal ainda preocupa no longo-prazo e é por isso que uma Reforma da Previdência ainda é essencial. 

 

Externo – Acreditava que existia uma certa leniência do mercado em relação ao cenário ao longo dos últimos meses, mas não esperava uma deterioração tão acentuada dos mercados emergentes na ausência de uma alta mais agressiva dos juros no mundo desenvolvido e, especialmente, na ausência de dados mais concretos de inflação nos EUA. 

 

Resumidamente, vejo o cenário da seguinte forma: Um curto-prazo ainda de incerteza, especialmente frente a dinâmica tenebrosa dos ativos emergentes. Acredito que grande parte do movimento seja um misto de posição técnica, valuations menos triviais e a sazonalidade do final de ano, em que muitos gestores precisam defender seus PnLs. Acredito que parte dessas questões tenham sido “aliviadas” nos últimos dias/semanas, mas será sempre difícil acertar o momento correto das inversões de movimentos. 

 

Ainda vejo um cenário global saudável e positivo, de crescimento sólido, ajuste apenas gradual da política monetária no mundo desenvolvido e uma inflação ainda relativamente baixa ao redor do mundo. A maioria dos países emergentes mostra fundamentos mais sólidos hoje do que em outros momentos de “stress” de mercado, como em 2013 com o “Taper Tantrum” e 2015 com os ruídos provenientes da China e de outros emergentes, como a crise política no Brasil. 

 

Como risco, o processo de normalização monetária no mundo desenvolvido ainda aparenta ser o principal obstáculo a ser superado nos próximos meses (quiça anos). 

 

Terminamos assim: Precisamos respeitar a dinâmica do mercado. Acho que o momento seja de adicionar alocações em alguns ativos no Brasil, visando o médio-prazo. Essas alocações precisam ter seu tamanho ajustado para o novo nível de volatilidade, stops bem definidos e/ou a utilização de instrumentos que permitam defender o portfólio caso a deterioração continue, como o uso de estruturas de opção com perdas limitadas, especialmente no Ibovespa. Gosto de combinar essas posições com posições tomadas em juros nos EUA e compra de volatilidade de Rates e Equities nos EUA.




Data: 06/11/2017

The ugly path to Beautiful Reflation.

 

Estamos observando mais um dia de forte pressão nos ativos emergentes em geral e no Brasil, em especial. Vou me referir neste comentário ao Brasil, mas acredito que grande parte do que escreverei pode ser refletido na maior parte dos demais países emergentes. 

 

O dia foi marcado pela divulgação dos dados de emprego de outubro nos EUA. Os números mostraram uma criação robusta de vagas de trabalho, uma taxa de desemprego em queda e um crescimento ainda contido dos rendimentos dos trabalhadores. Os números ainda podem estar sofrendo os efeitos das tragédias naturais que afetaram o país ao longo do mês. 

 

De maneira geral, minha leitura continua a ser de um mercado de trabalho sólido, já ultrapassando o pleno emprego. Contudo, a velocidade ainda gradual de aceleração dos rendimentos traz poucas pressões inflacionarias de curto-prazo, o que garante que o processo de normalização monetária no país será gradual. 

 

Dito tudo isso, vejo um cenário ainda construtivo para a economia mundial neste final de ano. Os riscos existem e devem ser monitorados, como uma eventual aceleração mais rápida da inflação. Todavia, por ora, este problema ainda não se materializou. 

 

Então, como explicar a terrível dinâmica dos ativos emergentes nas últimas semanas? Acredito que seja um problema de posição técnica, nível de preços e sazonalidade. O mercado ficou excessivamente otimista com o cenário, as posições foram se acumulando em um momento de final de ano em que o P&L precisava ser defendido. Aliado a isso tudo, cresceu o receio em torno da necessidade de uma política monetária mais apertada no mundo desenvolvido, o que acabou funcionando como trigger para a correção dos ativos emergentes. Alguns problemas pontuais e localizados em alguns países emergentes também não favoreceram o humor do mercado. 

 

Acredito que a última rodada de deterioração seja totalmente explicada pelo técnico do mercado. Acredito que valores foram criados em várias classes de ativos. Ainda vejo um cenário de crescimento global robusto, inflação contida no mundo e normalização monetária gradual nas economias desenvolvidas seja um pano de fundo positivo para as economias emergentes. Vale lembrar que os fundamentos desses países, como o Brasil, continuam positivo, com crescimento ciclicamente mais forte, inflação baixa, juros baixos e contas externas mais robustas. 

 

Acho válido respeita a dinâmica do mercado no curto-prazo, como tenho escrito diariamente neste fórum, mas não vejo motivos claros para alterar a visão de longo-prazo da economia local e/ou global.




Data: 03/11/2017

BoE, Reforma Tributária nos EUA & Beautiful Reflation.

 

A quinta-feira, até o momento, está sendo caracterizada por movimentos de fechamento de taxas de juros no mundo desenvolvido, dólar fraco e leve queda das bolsas. O dia trouxe um batalhão de informações. Na minha visão, estamos diante de movimentos normais de ajuste, mas nenhuma das notícias de hoje deveria ser fundamentalmente importante para o cenário econômico global, ou melhor, para a alteração de um cenário relativamente construtivo, que tenho cunhado como “Beautiful Reflation”. 

 

Talvez a principal informação do dia tenha sido a reunião do BoE na Inglaterra. O Banco elevou os juros em 25bps, como era amplamente esperado. A grande surpresa, contudo, ficou por conta da alteração do “forward guidance”. Se antes o BoE dizia que os juros deveriam subir mais do que o mercado precificava, agora retirou esta parte do texto. Essa sinalização foi lida como uma medida para corroborar a curva local de juros, que precifica cerca de 3 altas de 25bps até o ano de 2020. A decisão de hoje deve ser vista pelo mercado como mais um indício de que os BCs no mundo desenvolvido deverão se manter bastante graduais neste processo de normalização monetária. 

 

No campo econômico, o dado de Produtividade ficou acima das expectativas, com leve surpresa positiva do Unit Labor Cost. O Jobless Claims voltou a cair, e se mantem em nível consistente com uma economia no pleno emprego. Vejo os dados de hoje como corroborando um cenário de crescimento sólido, aumento gradual das pressões inflacionárias, hiato do produto fechado e pleno emprego. 

 

Nos EUA, o texto com os primeiros elementos da Reforma Tributária e Fiscal foi divulgado. Ainda não tive tempo de entrar nos detalhes da proposta. Por ora, a proposta apresentada foi vista como uma leve decepção e alguns pontos. Eu acredito que mais um passo importante foi dado na direção de implementação de uma Reforma, senão drástica e agressiva como vende a administração Trump, mas uma Reforma possível e talvez, inclusive, mas enxuta, realista e condizente com o atual estágio do ciclo econômico da economia dos EUA. 

 

No Brasil, os jornais voltaram a falar na dificuldade enfrentada pelo Governo para implementar uma nova rodada da agenda de reformas. Enquanto isso, as agências de rating começam a sinalizar para uma eventual piora da nota de crédito do pais na ausência de alguma reforma na previdência. Os ativos do Brasil que operam nas bolsas de NY voltaram a mostrar desempenho ruim ao longo do dia de hoje.




Data: 03/11/2017

Dinâmica dos ativos no Brasil continua bastante ruim.

 

O dia foi de pouca movimentação para o cenário e os mercados externos. Nos EUA, como era amplamente esperado, o Fed manteve sua política monetária estável, promovendo apenas pequenas alterações em seu comunicado. O ADP Employment – último indicador antecedente para os dados oficiais de emprego nos EUA – apresentou robusta criação de vagas de trabalho em outubro, enquanto o ISM Manufacturing mostrou leve recuo, mas ainda se manteve em patamar robusto e condizente com um crescimento sólido da economia. Finalmente, a mídia voltou a afirmar que Powell será o escolhido para ser o novo presidente do Fed, anuncia já amplamente esperado pelo mercado. 

 

De maneira geral, o cenário para economia dos EUA segue evoluindo na direção de um crescimento robusto, um hiato do produto fechado e um mercado de trabalho em pleno emprego. A principal consequência disso é que veremos um processo estrutural de aumento dos rendimentos e, mais cedo ou mais tarde, alta na inflação, o que deverá levar a um longo processo de normalização monetária no país. Ainda vejo uma abertura das taxas de juros nos EUA como um processo apenas em seu início. 

 

No Brasil, a dinâmica dos ativos locais continua extremamente ruim, especialmente o mercado de juros e renda variável, onde a posição técnica parece mais comprometida no curto-prazo. Não vejo uma mudança definitiva de cenário para as principais variáveis da economia, mas entendo que a incerteza do cenário externo, a posição técnica e o nível de preços estejam ajudando o movimento de realização de lucros nas últimas semanas. 

 

O mercado parece não apresentar “momentum”, ou “trigger”, para mudança desta dinâmica. Em suma, ainda vejo um curto-prazo mais volátil e incerto, mas ainda não estou preparado para alterar minha visão construtiva de médio-prazo. Acho que o momento seja oportuno de elevar cautelosamente a exposição em alguns ativos, mas mantendo a disciplina de stops ou instrumentos para caso o cenário esteja realmente se alterado (o que não é meu cenário base). 

 

Vale comentar que o mercado de renda variável está reagindo de maneira bastante negativa a temporada de resultados corporativos, mesmo que esta temporada não esteja sendo ruim (pelo contrário, na média, vemos números razoáveis e guidances positivos). O problema me parece, realmente, a falta de fluxos adicionais, em meio a um cenário externo mais incerto, preços menos atrativos e posição técnica mais comprometida. A sazonalidade de final de ano também prejudica a tomada adicional de risco, mesmo que seja sazonalmente um período positivo para os ativos de risco como um todo. 

 

No mercado de juros, a posição técnica e o potencial fim do processo de queda da Taxa Selic, em meio a juros mais elevados no mundo desenvolvido, parece ser o principal impecílio para o bom desempenho do mercado. Ainda há amplo espaço para o mercado descomprimir prêmios de alta de juros em 2018, mas claramente não será um processo linear, tampouco rápido, mas deverá ocorrer ao longo do tempo, conforme o mercado for ganhando confiança na visão de juros mais baixos por mais tempo. Os grandes ganhos no mercado de juros no Brasil, sem dúvida, ficaram para trás. 




Data: 01/11/2017

 "Beautiful Reflation" is Backs!? Governo no Brasil busca agenda de reformar.

Os ativos de risco estão voltando à dinâmica de “Reflation” que havia pausado por algumas poucos dias/semanas no final de outubro. Comentei um pouco sobre isso na tarde de ontem (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/us-firing-on-all-cylinders.html). Este pano de fundo de “Reflation” não precisa ser necessariamente negativo para os ativos emergentes, e o Brasil, de forma estrutural. Vejo os movimentos recentes como acomodações naturais, saudáveis e, de certa forma, esperados, após praticamente 1 ano de apreciação ininterrupta dos ativos locais (e emergentes). 

Nos últimos dias, venho cautelosamente elevando as exposições aos mercados locais, preferencialmente no mercado de renda variável, na parte intermediária da curva de juros (reais e nominais) e, taticamente, no câmbio (Long BRLAUD). Essas posições vêm sendo combinadas com posições tomadas em juros na parte longa da curva de juros dos EUA.

O cenário de crescimento global robusto e fundamentos mais sólidos da economia local ensejam esta postura. A normalização monetária no mundo desenvolvido e a potencial desaceleração da China são, neste momento, os “ventos contrários” (headwinds) em torno desde cenário ainda construtivo. O ajuste recente de preços e posição técnica dos mercados parece ter incorporado estes vetores de maneira mais justa. Até poucas semanas atrás, os mercados pareciam totalmente leniente a estes riscos. O risco ao cenário base (cautelosamente construtivo) continua a ser a necessidade de um ajuste de política monetária mais rápido e acentuado do que o previsto no mundo desenvolvido (e nos EUA em especial). Neste ambiente, os ativos emergentes ainda teriam espaço para manter a dinâmica ruim por mais tempo.

No Brasil, os jornais voltaram a reportar a disposição do governo em seguir com o ajuste econômico e a Reforma da Previdência, mesmo que de forma mais branda do que as pretensões iniciais. Segundo O Globo:

O governo voltou a estudar quais propostas à reforma da Previdência podem ser feitas por medida provisória e não por emenda à Constituição. Ou seja, um instrumento que precise de menos votos para aprovação. No governo, a estratégia é chamada de “reforma média”. Técnicos acreditam, por exemplo, que dessa forma é possível acabar com a regra 85/95 — o direito a aposentadoria com base na soma da idade com os anos de contribuição para mulheres e homens, respectivamente.




Data: 31/10/2017

US: Firing on all cylinders

A terça-feira foi marcada por um leve retorno do tema de “Beautiful Reflation” no mundo, com o dólar um pouco mais forte ao redor do mundo, leve abertura de taxas de juros nos EUA e bolsas ainda bem suportadas.

Continuo vendo espaço para o tema de “Reflation” continuar, especialmente após mais uma rodada de dados econômicos extremamente positivos e robustos nos EUA. Apenas hoje vimos o Chicago PMI subir de 65,2 para 66,2 pontos, acima das expectativas de 60,0; o Consumer Confidence passar de 120,6 para 119,8, acima das expectativas de 121,3; e o Employment Cost Index subir 0,7% QoQ, confirmando um cenário gradual de elevação do custo do trabalho e da remuneração dos indivíduos.

A velocidade de abertura das taxas de juros nos EUA quem irá determinar se o “Reflation” permanecerá “Beautiful” ou se poderá se tornar “Ugly”. Meu cenário base ainda é de continuidade de um ambiente construtivo, com períodos pontuais de maior volatilidade, pelo menos até que se tenha certeza do novo patamar dos juros nos EUA e nas demais economias desenvolvidas.

Acredito que os números de inflação serão peça chave neste processo. Enquanto a inflação nos EUA permanecer em alta gradual, o cenário poderá se manter construtivo. Caso fique claro que estamos no início de um processo mais acentuado de alta na inflação, poderemos estar diante de um ponto de inflexão extremamente importante para a economia mundial e os mercados financeiros globais.

No Brasil, o destaque ficou por conta das Notas do Copom. Ao deixar o final do ciclo de queda da Taxa Selic em aberto, o BCB acabou sendo lido como um pouco mais dovish pelo mercado, favorecendo um movimento de “bull steepening” da curva de juros. Continuo gostando de posições na parte intermediária da curva real e nominal de juros e já vejo boas assimetrias em algumas estruturas de opção, mais longas, após a queda recente das vols implícitas de juros.

O BRL continua seguindo o humor global a risco, ainda favorável ao dólar no mundo e o Ibovespa acabou afetada pela interpretação mais negativa de alguns resultados corporativos trimestrais.

Nos atuais níveis, já vejo espaço para adicionar alocações táticas em alguns ativos locais, porém combinadas com a manutenção de uma posição estrutural tomada em juros mais longos nos EUA e alguns países do G10.

Vale ressaltar que os indicadores de confiança locais continuam mostrando elevações, o que é condizente com um cenário de recuperação da economia.   




Data: 31/10/2017

PMI na China, Reforma Tributária nos EUA e Cenário político no Brasil.

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade, sem novidades muito relevantes no cenário.

Na China, o PMI Manufacturing oficial recuou de 52,4 para 51,6 pontos em outubro, levemente abaixo das expectativas de 52,0. O número confirma um cenário de desaceleração moderada da economia chinesa de agora em diante, passado o importante Congresso Chinês.A desaceleração era, de certa forma, esperada e deve ser vista como um “vento a favor” menos positivo a economia global e aos mercados d agora em diante. A magnitude da desaceleração, contudo, quem irá determinar se o cenário continuará relativamente estável e construtivo, o cenário base, ou se desenvolvimentos mais negativos irão se desenvolver, que cenário um cenário alternativo de menor probabilidade no momento.

Nos EUA, a mídia está reportando que a Reforma Tributária no país poderá ser implementada em fases, na forma de “escalonamento”. Deixo aqui a reflexão do estrategista de FX do Morgan Stanley:

EM markets have developed a significant geographical performance split, with LatAm currencies staying offered and AxJ rallying. LatAm trades sensitively to risk and global funding costs and saw its best days when DM bond and equity prices rose simultaneously. Since early September, US bond and equity prices have diverged, setting the scene for a significant LatAm FX decline. However, we call the USD generally lower from here, arguing that strong growth in the rest of the world will see the USD being increasingly used for funding purposes. China provides a good example, with its foreign currency debt not only being 83% USD denominated but rising too as China’s companies seek substitution for rising RMB funding costs.

US economy and reform. Recent US data releases including yesterday’s personal income, consumption and savings data suggest that the US does not need additional stimulus at its current economic state. On the contrary, its sharply declining savings ratio in reaction to bullish wealth effects suggests the economy may be leveraging up again at a fast pace. A fiscal stimulus may increase the pace at which the US private sector grows its leverage. Economic cycles do not die because of age. It is exuberance which turns upswings into downturns. Hence, a disappointing US tax reform momentum is a positive factor for the long-term interpretation of especially EM risk. The US House considering phasing in corporate tax cuts over a 5-year period may be bad news for speculative and hence short-term US equity investors, but it is good news for high yielding LatAm currencies as it helps keep US funding costs low.

The EM risk. The biggest risk for our bullish EM call would be an autonomous rise of US real rates and yields which could come on the back of the Fed changing its reflation-generating framework or US capex picking up, pushing not only demand for capital up but also leading towards a cyclical rebound of US productivity growth. Higher productivity levels would allow the US to live with higher real rates with little internal friction. However, higher US real rates would reduce the US' desire to export capital abroad which ultimately would slow down EM growth, especially for those economic areas which have stayed dependent on foreign funding. Some LatAm currencies such as COP fall into this category, explaining why the region trades sensitively to US yields and risk appetite. Markets may have oversubscribed to these risks in the short term.

No Brasil, a mídia continua reportando dificuldades do Governo com a base aliada e a possibilidade de uma possível super-reforma ministerial. Até mesmo a saída de Henrique Meirelles já está sendo ventilada. Neste ínterim, Temer assinou duas MPs, contrariando o discurso do Presidente da Câmara, para implementar o ajuste fiscal. A situação do país continua fluída, mas sem trigger positivo claro de curto-prazo. Assim, dependeremos mais de uma nova mudança do cenário externo, de preços mais atrativos e/ou de uma clara melhora da posição técnica para que a dinâmica dos ativos locais volte a melhorar. Tampouo vejo espaço para pioras ainda mais rápidas e acentuadas dos níveis de preço.




Data: 31/10/2017

Brasil: Dinâmica ruim continua. Cautela ainda é necessária.

Os ativos locais tiveram mais um dia de dinâmica extremamente ruim. O Brasil está passando por um momento de reavaliação do cenário externo, especialmente no tocante aos mercados emergentes, em um momento de preços/valuations menos triviais, posição técnica já comprometida e baixa disposição a tomada adicional de risco por parte dos investidores com a proximidade do final de ano. Além disso, parece não haver ímpeto no noticiário local, como no passado recente (reformas e afins) para um descolamento, ou over-performance, dos ativos locais em relação aos seus pares. Acredito que a combinação destes vetores esteja levando a dinâmica ruim de curto-prazo.

Não vejo estes vetores se dissipando rapidamente no curto-prazo, mas tampouco vejo eles como extremamente negativos a ponto de gerar uma correção muito mais rápida e acentuada como em eventos/momentos recentes (como nas eleições do Trumo e/ou no momento do vazamento da delação premiada da JBS).

Assim, mantenho uma postura de cautela no curto-prazo, mas sem alterar um cenário relativamente construtivo de médio-prazo para os países emergentes e o Brasil. Acredito que a partir de agora os ganhos serão menos triviais, dependerão mais de postura tática e a composição do portfólio fará diferença fundamental na performance.

Continuo disposto a elevar as alocações em ativos locais, neste momento em patamar baixo devido à dinâmica terrível, a baixa visibilidade do cenário externo e a minha baixa convicção de curto-prazo, vetores já amplamente comentados em textos anteriores. Ainda não acho que seja o momento de estar com posições consideradas elevadas em Brasil, mas mantenho pequena alocação a parte intermediária e longa das curvas reais de juros e pequena alocação, via estruturas de opção, no mercado de renda variável.

Prefiro esperar uma definição mais clara do cenário externo, preços mais atrativos/stressados e/ou sinais mais claros de avanço da agenda de reformas para elevar as alocações de forma mais agressiva. Enquanto isso, manterem postura tática e sem preconceito com a direção dos mercados. Tenho dúvidas de que teremos visibilidade em relação aos vetores citados anteriormente ainda este ano, mas estou mantendo flexibilidade e mente a aberta para qualquer um dos cenários.

Nos EUA, tivemos um dia de certa incerteza, com os investidores voltando a duvidar da capacidade da administração de Trump colocar em prática uma agenda de reformas. As acusações de alguns membros da campanha presidencial do atual presidente também ajudaram a dar um humor mais negativa aos ativos dos EUA, com as bolsas, os yields e o dólar em queda.

Os dados econômicos, como Personal Income e Spending ficaram acima das expectativas, confirmando um cenário de robustez da economia. A mídia já dá como certa a indicação de Powell como presidente do Fed.

Ainda vejo uma economia em pleno emprego, com hiato do produto fechado e um Fed em certo “piloto automático” no processo de normalização monetária. Acredito que alguma Reforma Tributária/Fiscal será implementada. Ainda vejo um  cenário estrutural de abertura de taxas de juros.

Na Europa, a inflação da Alemanha ficou abaixo das expectativas.

Na China, a noite foi de certa incerteza de cenário, com bolsas em queda e juros em alta. O encerramento do Congresso no país pode marcar um ponto de inflexão importante para a economia e qualquer movimento no país precisa ser acompanhado de perto. Vejo um cenário de relativa estabilidade, mas como menos suporte a partir de agora se comparado aquele cenário que prevalece ao longo do ano até agora.  




Data: 30/10/2017

Sem novidades relevantes.

Os ativos de risco apresentam movimentos bastante tímidos esta manhã, com leve dólar fraco, fechamento de taxa dos juros nos países desenvolvidos e pequeno recuo das bolsas globais. Os movimentos indicam alguma perda de fôlego do “Reflation” e/ou uma redução da probabilidade de implementação da Reforma Tributária nos EUA. Acredito que seja cedo para conclusões concretas nesta direção e que a agenda da semana será extremamente importante para a definição do cenário de final de ano, com reunião do FOMC, dados de emprego e de salários nos EUA.

Os jornais do Brasil trazem pouquíssimas novidades em relação aquilo que já foi escrito nos últimos dias. Assim, deixo aqui meus comentários recentes:

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/baixa-conviccao-noticiario-ainda-com.html

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/cenario-economico.html

https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/posicoes-e-alocacoes.html




Data: 30/10/2017

Baixa convicção. Noticiário ainda com viés negativo (por parte da mídia) no Brasil.

Mercados – Confesso que estou com baixa convicção neste momento. Vejo poucas mudanças de cenário, mas uma dinâmica “esquisita” em algumas classes de ativos, como os emergentes e o Brasil. A despeito de ver um longo-prazo de recuperação cíclica e, consequentemente, de cenário relativamente construtivo para o país, entendo que alguns vetores de curto-prazo podem manter os ativos em dinâmicsa de acomodação/realização de lucros. Escrevi mais sobre isso aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/posicoes-e-alocacoes.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/cenario-economico.html.

Ainda vejo como cenário base uma normalização monetária no mundo desenvolvido. Acredito que este processo será estrutural e está apenas em seu começo. Não vejo, neste momento, este processo como um evento de ruptura, mas existia uma certa leniência por parte dos mercados que parece estar sendo ajustada nos últimos dias. Este é o cenário o qual tenho maior convicção.

Quanto ao Brasil e aos emergentes, vejo um cenário mais robusto do que no passado, o que deveria trazer alguma blindagem ao longo do tempo. Contudo, nos níveis de preço, valuation e posição técnica que os ativos atingiram nos últimos meses, movimentos de realização de lucros como os observados nas últimas semanas não podem ser vistos como surpreendentes.

Ficamos assim: Ainda vejo um curto-prazo de cautela e volatilidade, mas um longo-prazo construtivo. Será importante, e também extremamente difícil, prever até onde irá a realização de lucros ou se estamos diante de uma mudança fundamental de cenário, como cheguei a escrever aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/possivel-mudanca-de-cenario.html.

Por isso, continuo trabalhando com um portfólio mais balanceado e menos direcional, focado em temas específicos, mais tático em algumas classes de ativos e com a busca incessante por hedges.

Brasil - Os jornais do final de semana continuam dando destaque para o cenário político local. O Presidente Michel Temer foi submetido a uma cirurgia e está internado. Há expectativas de que ele terá alta amanhã. As primeiras informações são de que o problema de saúde é brando e não deveria afetar o dia-a-dia do Presidente. No meio do imbrólio político que o país vive, contudo, os investidores deverão se questionar se Temer terá forças (saúde) políticas para continuar tocando uma pauta econômica agressiva.

Em novas aparições na mídia, o Presidente da Câmara Rodrigo Maia continua adotando um tom mais independente do Palácio do Planalto. Eu não iria muito na linha de acreditar que seja um tom duro ou contrário ao Planalto, porém uma postura mais realista e independente. Segundo Maia, não há base no governo nem mesmo para aprovar MPs mais impopulares.

Nova pesquisa do Ibope (vide abaixo) mostra um quadro eleitoral bastante parecido com o que outras pesquisas eleitorais já haviam mostrado, ou seja, Lula ainda na liderança, seguido de Bolsonaro e Marina, dependendo do cenário. Acredito que ainda falta tempo para as eleições trazerem um impacto definitivo nos mercados locais.  A “Variável Lula” ainda será importante, já que o quadro eleitoral será um com a participação de Lula e o quadro será outro sem sua participação direta:

Lula, com 35%, e Jair Bolsonaro (15%) iriam para o segundo turno se as eleições de 2018 fossem hoje. Luciano Huck teria entre 5% e 8%. Lula e Jair Bolsonaro iriam para o segundo turno se as eleições presidenciais fossem hoje. É o que mostra a primeira pesquisa feita pelo Ibope para medir o pulso da corrida presidencial de 2018. Em qualquer cenário apresentado ao eleitor, Lula fica com o mínimo de 35% e o máximo de 36% das intenções de voto. Bolsonaro aparece com 15% quando enfrenta Lula. E cresce para 18% se o ex-presidente for substituído por Fernando Haddad (neste caso, está empatado com Marina Silva). A pesquisa foi feita entre os dias 18 e 22, com 2.002 pessoas em todos os estados brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Cenário mutante  - Marina Silva é a terceira colocada em qualquer cenário com Lula. Tem índices entre 8% e 11%, dependendo dos adversários. Se Lula ficar de fora, Marina lidera, empatada com Bolsonaro.

Terceiro pelotão - Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e João Doria surgem embolados num pelotão abaixo, com percentuais entre 5% e 7%. Ciro sobe até 11% quando Lula é substituído por Haddad (que tem a preferência de 2%).

Voto espontâneo  - Quando o Ibope não apresenta ao entrevistado uma cartela com os nomes, ou seja, a citação sobre o candidato é espontânea, Lula aparece com 26% das intenções de voto (no Nordeste, tem 42%) e Bolsonaro, com 9%. A turma seguinte fica muito distante, entre 2% (Marina) e 1% (Ciro, Alckmin, Dilma, Temer, Doria).

O outsider  - Luciano Huck foi testado na pesquisa. E está no patamar do governador e do prefeito de São Paulo: 5% (quando disputa com Lula) e 8% (se Haddad entra na corrida).

Entre zero e 1%  - Henrique Meirelles, que trabalha de forma intensa mas não assumida para ser candidato, vai ter que elevar o Brasil a um crescimento chinês para ter alguma chance. Mesmo quando seu nome era apresentado ao entrevistado, teve entre zero e 1%, dependendo dos adversários.

Os Bolsominions  - A pesquisa permite detalhar quem é o eleitor de Bolsonaro. Eis um perfil: mais masculino que feminino, jovem (a faixa entre 16 e 24 anos forma o maior contingente de seus apoiadores), tem curso superior e mora nas regiões Norte e Centro-Oeste. É também mais evangélico que católico e ligeiramente mais branco que negro.

Nuvens no horizonte  - Henrique Meirelles está preocupado com duas ameaças de apagão para o PIB: a seca, que vai aumentar a tarifa de luz e a inflação; e a possibilidade de falência bilionária da Oi, que pode afetar o balanço de vários bancos, incluindo os privados.

EUA – A semana será bastante relevante com a possível nomeação do novo Presidente do Fed, o avanço da agenda legislativa, e importantes dados econômicos. Ainda vejo a nomeação do Fed como uma distração para o mercado. O cenário econômico continua de importância muito maior, assim como a potencial Reforma Tributária.




Data: 27/10/2017

Cenário Econômico.

Tenho escrito bastante a respeito dos mercados (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/), mas muito pouco em torno do cenário econômico.

Nos últimos dias, vimos à confirmação de um crescimento global robusto. Em alguns países, vimos sinais de acomodação, mas nas grandes economias, EUA e Europa, em especial, os dados continuam robustos. Hoje, por exemplo, vimos dados positivos do PIB nos EUA, após Durable Goods Orders forte divulgados ontem. Na Europa, os sinais são na mesma direção, com PMIs em níveis ainda elevados e índices de confiança bastante fortes.

O foco dos próximos dias ficará por conta do avanço (ou não) da agenda legislativa nos EUA e dos dados de inflação e emprego no mesmo país. A dinâmica nestas frentes serão fundamentais para como os ativos de risco se comportaram neste último trimestre do ano. Se a “Beautil Reflation”, que já não está mais tão “Beautiful” nos últimos dias para algumas classes de ativos como os emergentes, irá continuar (ou retornar no caso dos países emergentes) ou teremos um cenário de “Ugly Reflation” liderado pela abertura das taxas de juros globais.

A China segue um cenário de estabilidade. O processo de reformas deverá continuar. Assim, poderemos ver desacelerações graduais do país, mas uma grande mudança de composição da economia. A “velha China” voltada para investimentos está dando lugar a “nova China” voltada para consumo, tecnologia, saúde e etc. Todos os países emergentes que amadureceram passaram por processos semelhantes. Isso deverá ter impactos não desprezíveis nos parceiros comerciais chinesas, assim como em parceiros comerciais e algumas classes de ativos.

O mundo emergente está mais disperso, com histórias boas e outras menos positivas. O preço e a dinâmica dos ativos reflete isso. Não acho que seja o escopo deste fórum tratar de temas e economias menores, exceto quando essas geram contágio para o cenário macro global.

Como comentei nos últimos dias, o Brasil segue com o mesmo pano de fundo de recuperação cíclica da economia que, para se tornar estrutural, depende das reformas econômicas. A inflação parece ter feito seu piso, mas segue abaixo da meta. As perspectivas para 2018 ainda são positivas, de inflação baixa. O crescimento mostra recuperação, mas ainda esperamos um processo apenas gradual de recuperação da economia (em torno de 3% no ano que vem). As contas externas estão saudáveis. Alguma deterioração é esperada, mas em função da recuperação econômica (mais importações) e do nível mais apreciado do câmbio. O quadro fiscal continua a ser o calcanhar de Aquiles do país. Alguma melhora cíclica ocorrerá em 2018, mas melhoras de longo-prazo dependem das reformas.




Data: 27/10/2017

Posições e Alocações.

Estive fora em uma conferência, com acesso limitado ao e-mail. Meus comentários e visões dos últimos dias, contudo, podem ser encontrados aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

Farei um breve comentário a respeito dos mercados hoje, e tentarei elaborar mais ao longo dos próximos dias.

Estamos vendo uma descompressão da dinâmica negativa dos últimos dias, mas com claros movimentos de diferenciação entre classes de ativos e países/regiões. À medida que o processo de normalização monetária ao redor do mundo prossiga, acho natural esperarmos este tipo de ocorrência.

Hoje, em especial, o mercado parece mais otimista com as indicações de que Powell será o novo presidente do novo, o que está ajudando o rally das bolsas nos EUA e um fechamento de taxa de juros no país. A boa temporada de resultados corporativos nos EUA também é um vento favorável a alta das bolsas.

Continuo acreditando que a escolha do presidente do Fed é apenas uma distração de curto-prazo. O que importa é a direção da política monetária no mundo desenvolvido e os dados econômicos. Continuo favorecendo posições tomadas na curva de juros dos EUA, administrando tamanho e instrumentos da posição.

No Brasil, ainda vejo certa fragilidade no câmbio, em meio a um cenário externo ainda mais favorável ao dólar no mundo. O mercado de juros mostra estabilização, mas de maneira ainda módica. O destaque positivo continua por conta da bolsa local, favorecida pela recuperação cíclica da economia, juros mais baixo, cenário externo favorável para esta classe de ativo e posição técnica ainda saudável.

Reforço que este cenário para os ativos locais deverá prevalecer. Gosto da parte intermediária da curva de juros, mas entendo que a compressão dos prêmios de alta de juros no ano que vem só se realizará ao longo do tempo, e não de forma instantânea. A política monetária local tem tudo para se tornar um driver menos importante para os mercados nos próximos meses, visto meu cenário de juros mais baixos por mais tempo. Acredito que o BRL deverá manter-se em um range, mesmo que mais largo que o anterior. Contudo, neste ativo, o cenário externo será fundamental nos próximos dias. A bolsa ainda parece ser o ativo com mais apelo para alocações devido aos vetores aqui já citados (recuperação cíclica da economia, juros mais baixo, cenário externo favorável para esta classe de ativo e posição técnica ainda saudável).

Para fundos de alocação, ainda vejo sentido posições OW em Renda Variável. Na parcela de renda fixa, gosto de um mix de IRFM-1+ (em torno de 4 anos de duration) com um pouco de inflação curta (IMA-B5), pela carrego de curto-prazo, e um pouco de inflaçã longa (IMA-B5+), pelas taxas longas ainda elevadas. Será cada vez mais importante uma mudança de fundos de renda fixa para multimercados, em busca de um “alpha” mais ativo em um período de CDI mais baixo. A escolha dos gestores em renda variável também será fundamental em um ambiente em que existe discrepância enorme entre o preço e o valuation das ações locais.




Data: 27/10/2017

 Dinâmica extremamente ruim. Cautela prevalece.

Os ativos emergentes e o Brasil, em especial, tiveram um dia de dinâmica extremamente ruim. Acredito que o mercado esteja sendo afetado por um conjunto de fatores, locais e externos, que estão induzindo um movimento clássico de realização de lucros nesta classe de ativos (emergentes no geral).

Ainda vejo um curto-prazo desafiador, o que demanda cautela, como tenho reforçado todos os dias nas ultimas semanas. Até o presente momento, contudo, ainda nao vi mudanças de cenário local, a despeito de já ver sinais claros de mudança no cenário externo (como escrevi aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com/2017/10/possivel-mudanca-de-cenario.html?m=1).

Acredito que valor esteja sendo criado em vários ativos e que oportunidades de alocação estão se desenvolvendo. Contudo, as incertezas externas, a posição técnica, a sazonalidade de final de ano e o nível de preços de muitos ativos mostra que cautela ainda é necessária no curto-prazo.

De forma geral, vimos uma forte abertura de taxa de juros, em uma reação mais técnica a percepção de que o BCB está próximo do final do ciclo de queda da Taxa Selic. Acredito que o mercado de juros local ficara com menor apelo, mas aberturas adicionais de taxa trarão pontos interessantes de alocação em busca de compressão dos prêmios de alta de juros a partir de 2018.

O BRL acabou sofrendo com o humor global a risco após uma forte queda do EUR em reação a decisão do ECB. Por ora, o range que vinha chamando a atenção, de 3,05-3,25 esta sendo rompido, muito em função do cenário externo. Nestes níveis, maior atenção é necessária. A despeito de um cenário positivo de contas externas e de baixo risco de hiper desvalorização, o mercado de cambio é global e devera seguir o humor das demais moedas.

O Ibovespa acabou sendo afetado por este humor mais negativo nos mercados de cambio e juros.

Na Europa, o ECB anunciou uma redução do QE para EUR$30b por mês, muito em linha com as expectativas. Seu comunicado, ou fosses guidance, foi lido como mais dovish. no meu. Ponto de vista, o cenário base foi mantido, ou seja, importantes bancos centrais ao redor do mundo estão e um claro processo estrutural de normalização monetária e apenas no inicio deste processo. Isso devera gerar importantes desdobramentos para o mercado nos próximos meses.

Encerro aqui como uma visão de posição. Ainda miro posições aplicadas em juros no Brasil, via o meio da curva de NTNB. Acredito que o Brl esteja em posição mais frágil neste momento, mas nao deveria apresentar uma mega desvalorização como no passado. A bolsa continua sendo o ativo de melhor apelo no atual cenário, mas poderá sofrer os efeitos de curto-prazo citados anteriormente.

Reforço o que escrevi na noite de ontem:

No Brasil, o Copom caiu a Taxa Selic em 75bps como era amplamente esperado e sinalizou para uma nova redução do ciclo de queda. O mercado entendeu o comunicado como indicando uma taxa Selic terminal em 7%, com uma probabilidade mais baixa, neste momento, de juros abaixo deste patamar.

Reforço aqui o que escrevi nos últimos dias. Acredito que o mercado de juros ira perder um pouco de apelo para ganhos de capital no curto-prazo. Ainda vejo espaço para a compressão da parte intermediária da curva, na expectativa de juros mais baixos, por mais tempo, mas me parece cada vez mais claro que os grandes ganhos nesta classe de ativo, neste ciclo econômico, já foram realizados. Uma postura mais tática será requerida neste mercado, mesmo que com a posição "core"ainda aplicada. Estou preferindo a curva real de juros em detrimento aos juros nominais neste momento.

No campo político, Temer superou a segunda denuncia contra ele, mas por um placar bastante apertado. Este cenário já vinha se desenhando nos últimos dias. O placar mostra insatisfação da base com o atual governo e pode ser um pouco mal recebido pelo mercado no curto-prazo. Dificilmente reformas impopulares e/ou menos óbvias serão aprovadas neste governo. Acredito que parte disso já estava precificado, mas em meio a um cenário externo turbulento, preços e posição técnica menos atrativos no curto-prazo, e um calendário de final de ano que desfavorece incremento de risco (ou favorece realizações de lucros), nao me surpreenderia com continuidade de um movimento de acomodação/realização dos ativos locais. 




Data: 26/10/2017

Cenários local e global demandam cautela.

Os ativos de risco continuam no meio de um processo de ajuste a uma nova realidade de política monetária em alguma das principais economias do mundo mas, em especial, nos EUA.

Amanhã será um dia importante, já que a decisão do ECB terá um peso essencial neste processo descrito acima, podendo acentuar os movimentos de curto-prazo, ou trazer alguma acomodação momentânea. Confesso que estou com poucas convicções em relação a decisão do ECB especificamente, mas entendo que ela possa causar movimentos relevantes de curto-prazo.

Trabalho com um cenário base em que o processo de normalização monetária no mundo desenvolvido ira continuar nos próximos meses (quiça anos), independente de movimentos pontuais em reação a decisões especificas como a de amanhã.

Acredito que o processo esteja sendo bem comunicado e, enquanto não houver sinais claros de inflação, tem tudo para ser gradual. Todavia, vários mercados e classes de ativos parecem mais posicionados, ou ainda mal precificados, para este tipo de ajuste, o que pode levar a movimentos relevantes ao longo do tempo.

No Brasil, o Copom caiu a Taxa Selic em 75bps como era amplamente esperado e sinalizou para uma nova redução do ciclo de queda. O mercado entendeu o comunicado como indicando uma taxa Selic terminal em 7%, com uma probabilidade mais baixa, neste momento, de juros abaixo deste patamar.

Reforço aqui o que escrevi nos últimos dias. Acredito que o mercado de juros ira perder um pouco de apelo para ganhos de capital no curto-prazo. Ainda vejo espaço para a compressão da parte intermediária da curva, na expectativa de juros mais baixos, por mais tempo, mas me parece cada vez mais claro que os grandes ganhos nesta classe de ativo, neste ciclo econômico, já foram realizados. Uma postura mais tática será requerida neste mercado, mesmo que com a posição "core"ainda aplicada. Estou preferindo a curva real de juros em detrimento aos juros nominais neste momento.

No campo político, Temer superou a segunda denuncia contra ele, mas por um placar bastante apertado. Este cenário já vinha se desenhando nos últimos dias. O placar mostra insatisfação da base com o atual governo e pode ser um pouco mal recebido pelo mercado no curto-prazo. Dificilmente reformas impopulares e/ou menos óbvias serão aprovadas neste governo. Acredito que parte disso já estava precificado, mas em meio a um cenário externo turbulento, preços e posição técnica menos atrativos no curto-prazo, e um calendário de final de ano que desfavorece incremento de risco (ou favorece realizações de lucros), nao me surpreenderia com continuidade de um movimento de acomodação/realização dos ativos locais.  




Data: 25/10/2017

Reflation: Treasury testa rompimento de nível importante.

O grande destaque do dia fica por conta de mais uma rodada de abertura das Treasuries nos EUA. Neste momento, ela esta testando o rompimento do patamar de 2,40%. Tendo a acreditar que este rompimento deveria ser mais persistente desta vez, mas este tem sido um processo bastante errático ao longo deste ciclo econômico.

Os motivos para a abertura continuam os mesmos: Crescimento sólido nos EUA e no mundo, mudança de política monetária nas principais economias do mundo, possibilidade de uma Reforma Tributaria em um pano de fundo de econômica no pleno emprego com hiato do produto fechado, e especulações em torno do novo presidente do Fed. Exceto pelos indicação do Fed, que vejo apenas como uma distração neste ambiente, acredito que os demais vetores estejam no cenário de maneira mais estrutural.

Continuo com uma posição relevante tomada na parte longa da curva de EUA, mas estou ajustando os tamanhos e instrumentos neste novo nível.

Antes de atualizar os dados desta manha, vale um breve comentário sobre Brasil. Tenho focado meus comentários no cenário externo e deixado um pouco de lado os meandros do cenário local. Esta postura é proposital, por acreditar que não haja mudanças substanciais de cenário. acredito que o imbróglio político seja apenas um ruído que vêm sendo exacerbado pela mídia. O que importa será a manutenção de ma agenda coerente, que nem precisa ser agressiva ou com implementação imediata, da pauta econômica após a denúncia contra Temer passar no Congresso.

Estou em um evento nos EUA e reforço o que tenho escrito aqui. a Reforma da Previdência e fundamental para o pais. Os estrangeiros veem nossa situação fiscal com grande desconfiança e cautela, mas ninguém espera a aprovação de medidas no curto-prazo. A recuperação da economia ajuda o pais a atravessar os próximos 2-3 anos de forma mais confortável neste sentido, mas cria o risco de, novamente, o pais se tornar complacente e não avançar nas reformas estruturais.

Em suma, não parece haver muitas reformas adicionais no preço. Exceto pelo calendário político eleitoral, contudo, parecem haver poucos riscos locais aparentes. Não existe grande disposição dos estrangeiros em alocar dinheiro novo no Brasil neste momento, mas há um enorme espaço para este movimento caso o "dever de casa"seja feito no longo-prazo.

Assim, seguimos em um cenário de crescimento em recuperação gradual, inflação controlado, juros com perspectivas de se manterem baixos por um tempo mais longo, e contas externas saudáveis. Por essa manutenção de cenário que tenho deixado de lado os meandros políticos de curto-prazo.

Com relação ao Copom, acredito que irão cair a Selic em 75bps e sinalizar que o ciclo esta perto do fim. Vejo uma taça terminal entre 6,75% e 7%. Assim, vejo a curva curta de juros mais sem graça, assim como o mercado de opção de juros. Gosto da parte intermediária da curva real de juros, mas também não como ma posição core muito grande. Ainda vejo a bolsa como o melhor ativo para se estar posicionado no Brasil.

É relação ao cenário externo, hoje pela manhã vimos um IFO mais elevado na Alemanha, confirmando um cenário de crescimento global robusto. Na China, o Congresso terminou. Ainda não tive tempo de digerir todas as informações, mas o destaque da mídia ficou por conta da sucesso do atual Premier. Não foi indicado um nome para sua sucesso, o que esta trazendo rumores de que Xi poderá permanecer no poder por um tempo mais longo. Ademais, as reformas econômicas foram o foco do Congresso. Na Australia, os dados de inflação ficaram abaixo das expectativas, colocado forte pressão sobre o AUD. O número apenas reforça a diferenciação cada vez mais evidente entre os BCs ao redor do mundo, e as oportunidade no mercado em meio a este cenário. Sigo vendido no AUDBRL.    




Data: 24/10/2017

Update.

Os ativos emergentes, especialmente FX e Rates, continuam bastante pressionados em um contexto de abertura de taxa de juros no G10, liderados pelos EUA. A posição técnica do mercado e os níveis de preço estão ajudando a exacerbar estes movimentos.

É neste pano de fundo que se insere os movimentos locais, especialmente no BRL. Vinha sempre escrevendo, e reforço agora, que vejo o cambio em um range largo entre 3,05 e 3,25. A banda de cima esta sendo testada neste momento. Eu mantenho a visão de que o cambio nao seja o melhor ativos para se posicionar no Brasil, mas também nao vejo motivos para depreciações acentuadas e persistentes. Assim, tendo a acreditar que este range seja mantido.

Será importante seguir, contudo, os desdobramentos externos, especialmente no tocante aos juros nos G10. O foco de curto-prazo fica por conta do ECB, agenda legislativa nos EUA e indicação do presidente do Fed.

Como comentei no texto a seguir há alguns dias atras, podemos estar em um ponto de inflexão importante do cenário, o que demanda cautela no curto-prazo (https://mercadosglobais.blogspot.com/2017/10/possivel-mudanca-de-cenario.html?m=1).

Por ora, esta se mantendo um cenário de "Reflation", que favorece abertura de taxas de juros no G1, pressão em FX e Rates no geral, mas bom desempenho das bolsas. Escrevi aqui no final da semana passada que este ambiente ainda tinha espaço para continuar, e reforço esta mensagem neste momento.

Voltando ao Brasil, acho que o técnico do mercado esta acentuando o movimento no BRL, tanto em termos de posição, como em termos de exposições no mercado de opção (barreiras, vendas de vol e etc).

Ainda gosto de exposição na curta de juros, mas estou focado na parte intermediária da curva de NTNB. Ainda gosto de uma posição estrutural comprada em bolsa Brasil, mas estou mais focado em temas específicos. Acho que a postura no BRL devera ser tática.

No cenário externo, sigo perseguindo a abertura de taxas longas nos EUA, combinada com uma compra de vol em Rates e equities e uma posição vendida em AUD.  




Data: 24/10/2017

Risk Off.

Os ativos de risco tiveram um dia clássico de "risk-off". O movimento começou com a continuidade de pressão no complexo emergente e acabou gerando contagio nos demais ativos de risco.

Vejo o mercado no meio de um processo de reavaliação de cenário, que poderá ser definido nas próximas semanas. Ainda trabalho com um cenário construtivo de longo-prazo, baseado em um crescimento global saudável, inflação subindo apenas gradualmente no mundo desenvolvido e ajustes apenas moderados de política monetária em alguns países do G10. Contudo, vejo um curto-prazo de maior incerteza, em que a volatilidade poderá se manter mais elevada e movimentos de acomodação e/ou realização de lucros se farão presentes.

Entendo que alguns eventos de curto-prazo, como a definição do novo presidente do Fed, o avanço da agenda legislativa nos EUA, e a temporada de resultados corporativos nos EUA poderão determinar a dinâmica das próximas semanas. Escrevi mais sobre isso aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2017/10/possivel-mudanca-de-cenario.html?m=1 e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com/2017/10/mudanca-de-tom.html?m=1.

No Brasil, em meio a um cenário externo menos favorável no curto-prazo, a posição técnica acabou ditando a dinâmica mais negativa, liderada pela depreciação do BRL.  A ausência de avanços concretos na agenda local, e um noticiário menos positivo acabaram atuando como indutores de movimentos mais acentuados.

Não vejo mudança significativa no cenário local, mas entendo que o curto-prazo possa se mostrar um pouco mais desafiador. Ainda vejo o pais no meio de um processo mais longo de ajuste, mas agenda parece estar ficando mais apertada para uma apreciação mais determinante dos ativos locais antes da agenda eleitoral dominar o foco dos investidores.  




Data: 23/10/2017

Final de semana de poucas novidades.

O final de semana foi de poucas novidades relevantes capazes de alterar o cenário base com o qual tenho trabalhado. Ainda vejo um cenário em que o "Reflation" e suas consequências continuam a ser precificados pelos ativos de risco. Isto deveria implicar em juros mais elevados o G10, liderados pelos EUA; um dólar momentaneamente mais forte; uma acomodação dos ativos emergentes; e bolsas globais ainda bem suportadas.

O "Beautitul Relfation" será testado ao longo dos próximos dias, com reuniões de importantes bancos centrais no mundo desenvolvido, assim como pela importância da agenda legislativa dos EUA.

O "Reflation" poderá se tornar mais disruptivo caso a inflação de sinais mais sólidos de elevação, especialmente nos EUA, ou se algum evento exógeno acabe acentuando o movimento.Vejo a indicação do próximo presidente do Fed como uma distração neste cenário, mas um nome visto como hawkish pode causar impacto de curto-prazo. Acredito que os ativos no Brasil devem seguir o humor global a risco, até que algum evento local relevante, positivo ou negativo, afete o cenário.

Voltando ao final de semana, os jornais no Brasil continuam reportando uma certa insatisfação da base aliada com o Governo Temer, o que pode trazer um placar pior para o presidente na segunda denuncia. Além disso, a mídia insiste que passada a denuncia o Governo terá pouca capacidade de agrupamento para implicar uma pauta satisfatória. acredito que poucos avanços na agenda econômica estejam precificados. apenas mudanças drásticas de cenário político seriam capazes de tirar o tom dos mercados externos dos ativos locais.

No Japão, o partido de Abe venceu as eleições. O resultado tira um risco de curto-prazo para os ativos japoneses e mantém, de maneira geral, a política monetária e fiscal do pais praticamente inalterada.

Na Espanha, o Governo local invocou uma cláusula que busca retomar o controle, mesmo que de forma gradual, da Catalunha. O movimento era de certa forma esperado. A situação do pais continua conturbada e indefinida.  




Data: 23/10/2017

Reflation Theme Continues.

Os ativos de risco continuam a operar na direção do que eu tenho cunhado como “Beautifull Reflation”, que vem sendo liderado pelos avanços econômicos, especialmente nos EUA. A perspectiva de avanço na agenda legislativa do país, no tocante a Reforma Tributária/Fiscal, em um pano de fundo de pleno emprego e hiato do produto fechado, são ingredientes que impulsionam o cenário e a dinâmica dos mercados. Acredito que a escolha do próximo presidente do Fed seja apenas uma distração no meio deste cenário.

Diante do exposto, e visto que os ativos parecem precificar ainda pouco do avanço concreto da agenda tributária/fiscal, que deveriam ter consequências talvez drásticas para a política monetária, em um mercado claramente pouco posicionado para este “novo” cenário, vejo espaço para a continuidade dos movimentos recentes no curto-prazo (abertura de taxa de juros, alta do dólar, bom desempenho das bolsas, acomodação de alguns ativos emergentes, em especial FX e Rates).

Enquanto a abertura das taxas de juros nos EUA (e no resto do G10) for gradual, o “Reflation” deverá permanecer ordenado, ou “Beautifull”. Caso o movimento se acelere, poderemos ter este cenário fortemente testado. O cenário só deveria se tornar desordenado, com potenciais rupturas, caso o cenário de inflação mostre potencial de alteração para altas mais acentuadas nos índices de preço.O

s ativos no Brasil se inserem neste contexto e, por hora, devem seguir o humor global a risco. O IPCA-15 divulgado hoje ficou dentro das expectativas do mercado. A despeito de uma elevação em Serviços, a inflação pouco altera o cenário local. Segundo nossa Área Econômica:

>> O IPCA-15 veio abaixo do que esperávamos (+0,34% vs. Icatu: 0,4%). A nossa maior surpresa foi em alimentação (-6bps), enquanto a surpresa para cima em serviços foi compensada pela menor inflação que a esperada em bens (ex-alimentos). O qualitativo piorou na margem, tanto no índice de difusão quanto nas leituras de serviços e núcleos (em termos ajustados sazonalmente). A piora não foi tão forte, mas acende um sinal de alerta. Entretanto, acreditamos que os fundamentos de inflação (enorme slack no mercado de trabalho, CRB em R$ relativamente flat, inércia inflacionária menor) são ainda bastante favoráveis e não muda no nosso case de inflação.

No campo político, as atenções estão voltadas para a votação da segunda denúncia contra Temer no plenário da Câmara. Depois, o Governo tentará impor uma nova fase da agenda econômica. O avanço nesta frente poderia ser um potencial “trigger” para novos movimentos dos ativos locais.  




Data: 20/10/2017

EUA: Agenda legislativa avança.

Na noite de ontem o Congresso dos EUA aprovou o “Bugdet Resolution”, um passo importante para o Orçamento do país, e um avanço para que a Reforma Tributária entre na pauta de discussão do Congresso. Os mercados estão reagindo de acordo, com abertura de taxa das Treasuries, o dólar mais forte no mundo e uma alta nas bolsas. De maneira geral, ainda impera um cenário que tenho chamado de “Beautiful Reflation”.

No final da tarde de ontem a mídia reportou que Powell seria o favorito de integrantes da equipe de Trump para ser nomeado Presidente do Fed. Acredito que Powel dificilmente alteraria a política monetária de curto-prazo e deve ser visto como uma continuidade do cenário atual.

Continuo favorecendo posições tomadas em juros no G10  (e, em especial, nos EUA) com compra de volatilidade de Rates e Equities. Estou sem visibilidade no mercado de FX, mas com pequena posição vendida em AUDBRL.

No Brasil, destaque apenas para uma matéria no Estadão em que afirma que o Congresso pretende adotar uma agenda legislativa própria após a denuncia contra Temer ser superado, ao invés de favorecer a agenda econômica do Governo. Acredito que o mercado precifique hoje poucos avanços nesta frente, o que reduz os riscos de surpresas inesperadas. Segundo o Estadão:

ESTADÃO: BASE REJEITA PAUTA DE TEMER PARA ECONOMIA APÓS DENÚNCIA

Brasília, 19/10/2017 - Confiantes de que a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer será rejeitada na próxima quarta-feira pelo plenário da Câmara, governo e deputados já articulam a agenda para o dia seguinte, mas divergem sobre as prioridades. Enquanto o Palácio do Planalto dá preferência para propostas que ajudam a fechar as contas públicas, a maioria impopular, parlamentares buscam impor uma agenda própria, com forte apelo na sociedade, como projetos ligados à área da segurança pública.

Líderes dos principais partidos da base aliada ouvidos pelo Estadão/Broadcast descartam votar matérias consideradas impopulares a menos de um ano para as eleições de 2018, quando eles tentarão renovar seus mandatos. Citam o aumento de alíquota da contribuição previdenciária para servidores e o adiamento do reajuste do funcionalismo público.

Esses pontos devem ser tema de duas medidas provisórias (MP) que o governo pretende enviar à Câmara logo após a votação da segunda acusação formal contra o presidente - por organização criminosa e obstrução da Justiça. A aprovação da reforma da Previdência também é dada como improvável na atual legislatura, mesmo que seja um texto mais enxuto. Juntos, esses partidos contam com, pelo menos, 240 dos 513 deputados.

A pressão da base ocorre em um momento de desgaste entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Temer. Maia tem procurado se descolar do governo e adotado um discurso de que é preciso uma nova agenda para o País. Ao mesmo tempo, almeja protagonismo nas decisões econômicas.

“Para essa pauta de desgaste, vai ser muito difícil ele (Temer) contar com o número suficiente da base para aprovar. Os partidos podem até encaminhar a favor, mas não terá correspondência nas bancadas”, disse o líder do PR na Casa, José Rocha (BA).

Ele defende como pauta principal propostas ligadas à segurança pública. Segundo o parlamentar baiano, Maia se comprometeu a reservar uma semana em novembro para votar no plenário só projetos nessa área, mas a data não foi definida.

Nesta semana, Maia criou uma comissão de parlamentares e juristas para discutir e elaborar projetos de modernização da legislação contra tráfico de drogas e armas. O colegiado será presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e funcionará inicialmente por 120 dias. “A sociedade verá que a Câmara tem agenda de temas que afetam o dia a dia das pessoas”, disse Maia na terça-feira.




Data: 19/10/2017

Possível mudança de cenário.

Eu entendo que é sempre difícil tentar isolar os efeitos da dinâmica de curto-prazo dos mercados financeiros globais das análises de fundamentos de longo-prazo. Até o momento, vinha trabalhando com um cenário de curto-prazo de maior incerteza e volatilidade, com acomodação nos ativos de risco, mas sem alterar de forma significativa o cenário relativamente construtivo para o longo-prazo, com crescimento global saudável, inflação ainda baixa no mundo desenvolvido e movimentos apenas graduais de normalização monetária nas principais economias do mundo.

Nos últimos dias, talvez nas últimas semanas, alguns sinais me levam a crer que este pano de fundo global possa estar caminhando para dar menos suporte aos ativos de risco, especialmente em um momento de preços elevados e valuations esticados. Ainda acho que seja cedo para ter uma conclusão definitiva em relação a esses vetores, mas precisamos estar atentos a essas alterações. O cenário geralmente não muda de uma hora para outra, mas vai se alterando de maneira gradual, com o acumulo de evidências na mesma direção.

A uma semana atrás, escrevi o seguinte em relação aos EUA e o mundo (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/tecnico-dinamica-de-mercado-e-cenario.html): Quero levantar aqui uma discussão que, talvez, estejamos em um ponto de inflexão importante da economia dos EUA (e, em menor parte, do mundo). Por mais que os números de hoje não possam ser lidos a valor de face, olhando no contexto geral, parece cada vez mais evidente que o mercado de trabalho esteja no pleno emprego e que as leis econômicas possam voltar a operar em plena normalidade, com uma inflação ascendente de agora em diante, especialmente nos EUA. Isso teria impactos relevantes para política monetária e para os mercados. Por ora, ainda vejo este cenário como gradual e relativamente tranquilo, no que tenho cunhado como “Beautiful Reflation”. Contudo, estarei acompanhando de perto a evolução deste cenário e da dinâmica do mercado para eventuais mudanças de estruturais de cenário.

Nas últimas semanas, vimos sinais cada vez mais claros de que a direção da política monetária no mundo desenvolvido é no sentido de normalização, que alguns chamam de “Quantitative Tightening”. Fed, ECB, BoC, BoE, PBoC e, agora, até mesmo o BoJ parecem caminhar nesta direção. Será a primeira vez em cerca de 10 anos que os principais bancos centrais do mundo entrarão em um processo coordenado de retirada global de liquidez. O processo deverá ser bem comunicado e bastante gradual. Não necessariamente precisará gerar ruptura. Contudo, por ser um evento nunca antes implementado, me parece prudente adotar uma postura mais cautelosa em relação a este caminho.

A China, que foi uma fonte estabilizadora ao longo deste ano, pode se tornar um vetor menos positivo de agora em diante. Ainda não vejo um cenário de ruptura para o país, mas muitos já esperam uma desaceleração do crescimento após o Congresso Político que está em andamento. A transformação de uma economia emergente para uma economia mais madura está gerando uma clara mudança de composição do crescimento. Assim, muitos parceiros comerciais do país, que foram tremendamente afetados positivamente nas últimas décadas por serem fornecedores de matéria prima para o crescimento via investimentos, poderão ser estruturalmente afetados por esta mudança na composição do crescimento. Muitos países emergentes se encaixam nesta definição e poderiam (deveriam) ter um vetor a menos de propulsão nos próximos meses (quiçá anos).

Encerro este comentário reforçando que me parece cedo para ter conclusões mais concretas em relação a estes temas, mas como comentei anteriormente, as mudanças de cenário costumam ocorrer de maneira gradual. Assim, precisamos estar atentos a qualquer sinal de alteração com o desafio de concluir o que é ruído de curto-prazo do que o que é, de fato, mudança de cenário.




Data: 19/10/2017

Mudança de tom.

Os ativos de risco estão apresentando uma clara mudança de tom essa manhã, com as bolsas em queda, o dólar fraco e os juros apresentando fechamento de taxas em G10. Não vi um trigger específico para explicar estes movimentos. Vejo esta dinâmica como natural, até mesmo saudável, diante de um mercado que não apresentava movimentos de realizações de lucros já há bastante tempo. Por ora, estou tratando este processo como, de certa forma, saudável e esperado, mas entendendo que ele possa tornar a dinâmica mais volátil no curto-prazo. Assim, mantenho minha visão mais cautelosa de curto-prazo, sem mudar, pelo menos ainda, meu cenário construtivo de longo-prazo. Escrevi mais sobre isso aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/em-dinamica-ainda-ruim.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/update-cenario-externo-ainda-demanda.html, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/ruidos-vs-cenario.html.

No Brasil, a CCJ votou de forma a não aceitar a denuncia contra Temer que tramita no Congresso. O processo agora deverá ir ao Plenário na semana que vem. O resultado da votação era esperado e não altera o cenário político local.

Na Espanha, o ruído político envolvendo a Catalunha continua fluido porém sem solução clara.

Na Nova Zelândia, o cenário político apresentou deterioração, com o Labor Party podendo assumir o Governo. O NZD apresenta forte queda neste momento.

Na China, os dados de atividade econômica de setembro ficaram basicamente em linha com as expectativas. Os números confirmam um cenário de estabilidade positiva para a economia do país. Segundo o Citibank:

China’s GDP growth slowed by 0.1 ppt to 6.8%YoY in Q3, in line with market expectations. On a QoQ basis, the seasonally adjusted growth rate edged down from the revised 1.8% in Q2 to 1.7% in Q3.

Industrial production rebounded in Sep as expected. FAI growth further slid to 7.5%YoY Ytd from 7.8% YoY Ytd previously, led by the slowdown in manufacturing and private investment. Retail sales growth recovered mildly by 0.2 ppt to 10.3%YoY.

Our forecast for annual GDP growth at 6.8% is locked in. We expect GDP growth to slow in Q4 and early next year.

Inflation may come in higher than we previously expected but should remain benign.

The PBoC will likely maintain its neutral policy stance, while the replacement of its governor may add uncertainty on policy enforcement.

We believe the USDRMB will show two-way fluctuations around 6.67 toward the year end.




Data: 19/10/2017

Mais do mesmo...

A quarta-feira foi um pouco de “mais do mesmo” para os mercados. Dólar misto, bolsas em leve alta, queda das commodities e abertura de taxas de juros em G10. Os ativos de risco continuam sem tendência definida, enquanto parece haver uma leve tendência de abertura de taxa de juros no mundo desenvolvido. 

Já vivenciamos diversos momentos como este no passado, em que a abertura de taxas no G10 acabou não se concretizando em uma tendência de fato. Por ora, mantenho a visão de que existe espaço para o bom desempenho dos ativos do Brasil enquanto a abertura das taxas de juros em G10 permanecer controlada. No curto-prazo, até que fique claro o tamanho do movimento de abertura das taxas de juros, e diante do desempenho dos ativos locais (e de EM em geral) nos últimos meses, é razoável verificarmos movimentos de acomodação dos ativos locais (e de EM).

Acredito que o processo de alta das taxas de juros em G10 pode continuar, mas não necessariamente se tornará estruturalmente em um processo de ruptura para os ativos de risco. Podemos conviver com maior volatilidade de forma pontual, mas não mudança clara de tendência. Este pano de fundo irá ser drasticamente alterado no momento em que ficar claro que a inflação está de fato em um movimento mais consolidado de elevação.

No cenário econômico, no Brasil, o IBC-Br ficou abaixo das expectativas do mercado em agosto, com queda de 0,38% MoM e alta de 1,64% YoY. O número não altera o cenário de recuperação da economia, mas mostra que este processo ainda está sendo bastante gradual.

Nos EUA, os dados do mercado imobiliário de setembro apresentaram acentuada queda, mas muito afetados pelos desastres naturais que assolaram o país ao longo deste mês.

No cenário político, o Congresso no Brasil segue focado na tramitação da segunda denúncia contra Temer. Até que este processo seja superado, a agenda parlamentar ficará, de certa forma, trancada. Após este evento, podemos ter esperança de que a agenda econômica volte a pauta.

Nos EUA, seguimos à espera do anuncio do próximo presidente do Fed, assim como para o avanço da agenda Tributária/Fiscal.




Data: 18/10/2017

BRL em Foco.

A noite foi de poucas novidades para os ativos de risco e para o cenário econômico global. Hoje pela manhã, destaque para a abertura de taxa das Treasuries. O dólar opera sem tendência definida, as bolsas e as commodities operam próximas a estabilidade. Neste ambiente, persiste a minha visão de um curto-prazo de acomodação, devido as incertezas trazidas pelo processo de normalização monetária no G10 (e abertura de taxas de juros nos EUA) em meio a um cenário estrutural que ainda vejo como construtivo. Para mais detalhes desta visão, ver os comentários mais profundos aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

Deixo aqui a recomendação do DB em torno do BRL. Eu, particularmente, ainda vejo a moeda se mantendo no range de 3,05-3,25, mas acho razoável mostra as visões mais otimistas que já se alastram no mercado em relação a moeda local:

In a recent report published both as a stand–alone (see BRL – Can flows pick up the baton from carry?) and as a special report in the latest EM Monthly (see Emerging Markets Monthly - Rebalancing Risks) we recommend remaining exposed to the BRL. And while in the latest FX Blueprint we had also favored long BRL positions, back then our argument was mainly driven by the currency's relatively high carry.(see FX Blueprint – People Power). This time however, our recommendation to buy BRL is driven as much by the BRL's relatively high volatility adjusted values as by the improving macro fundamentals of Brazil's economy.

In the week prior to the publication of the EM Monthly, the BRL had very clearly outperformed its peers most likely on the back of a very successful auction held by the Brazilian government aimed at raising fiscal revenues in exchange for rights to operate some of Brazil's electrical plans Yet we believe that the BRL's performance is more than a just a one–off driven by auctions.

We expect FDI flows into Brazil, in particular, to remain strong and possibly strengthen if China delivers on signals it could invest USD20bn in Brazil in 2018. Portfolio inflows have been lackluster (surprisingly so in fixed income), but it the upturn in the economy gains momentum we find foreign investors under-allocated in local equities. In this case, and as monetary easing tends to attract inflows, we believe that BoP could take the baton from carry as a driver of BRL strength – even if carry – once adjusted by vols – remains attractive. Currency strength or stability would reduce demand for hedges and allow the CB to eliminate its “forward” position comfortably.

Funding remains a more difficult choice, in our view. We recommend long BRL/CLP on the view that the CLP’s recent rally on the back of copper prices has is a temporary phenomenon while inflation and that a dovish BCCh could ease rates further unless the peso weakens. If EUR strength resumes into 2018 as we expect we believe USD/BRL could test 3.0 – which also bodes for short USD/BRL. More conservatively in the near term short EUR/USD could be an alternative – or just the middle ground of a basket of USD/EUR. We leave the EUR/USD call aside (again, assuming near-term USD strength retracing into 2018).




Data: 18/10/2017

"Descompressão" no México ajuda os ativos no Brasil.

O destaque do dia ficou por conta da “descompressão” dos ativos no México, após o anuncio de que as negociações em torno do NAFTA irão se estender até 2018. A notícia acabou tirando pressão dos ativos no Brasil, que vinham sofrendo algum contágio dos problemas indiossicráticos no México (e, em menor escala, na Turquia e em outros países emergentes).

Continuamos a ver dados positivos relativos a economia global, com números saudáveis de produção industrial e dados do setor imobiliário nos EUA, além de índices de confiança em patamares robustos na Alemanha.

Sem mudanças substanciais de cenário econômico, o mercado segue focada na escolha do próximo presidente do Fed, assim como no avanço da agenda legislativa dos EUA.

No Brasil, na ausência de novidades locais relevantes, os ativos têm seguido a dinâmica global e fluxos pontuais. Por exemplo, o vencimento de índice futuro (e de opções) está gerando alguma volatilidade no mercado local de ações.

Os dados do setor de serviços vieram um pouco mais baixos dos que as expectativas, o que tira um pouco do ímpeto dos mais otimistas com a recuperação da economia, mas não alteram o fato do crescimento estar claramente em tendência de recuperação.

A segunda denuncia contra Temer está em tramitação no Congresso. Saindo da pauta do Congresso, este tema poderá destravar a agenda política, e trazer um novo esforço de implementação de reformas econômicas. Medidas na direção de avanços na Previdência seriam muito positivas e bem recebidas pelo mercado. Este pode ser um “trigger” importante para que os mercados locais voltem a apresentar uma dinâmica mais positiva. A temporada de resultados corporativos também precisa ser analisada no detalhe para medirmos a real situação da economia real. Este pode ser outro vetor importante para trazer novo ímpeto ao mercado local.

Assim, sigo administrando o tamanho e os instrumentos do portfólio, mas mantendo os mesmos temas de investimentos. São eles: Normalização monetária no G10; juros mais baixos no Brasil; e recuperação da economia e do crescimento local. Nos atuais níveis de preço e volatilidades, a busca por hedges continua, assim como a utilização frequente do mercado de opções para expressar os temas acima referidos. 




Data: 17/10/2017

 Fed e Reforma da Previdência no Brasil.

No final da tarde de segunda-feira, a mídia reportou que John Taylor havia impressionado Trump em sua busca por um novo presidente do Fed. Taylor é visto como um dos candidatos mais “hawkish”, devido a sua defesa à “Curva de Taylor”, um modelo mecânico, mias objetivo para definir a política monetária. O mercado reagiu de acordo, com abertura das taxas de juros, fortalecimento do dólar e pressão sobre os ativos emergentes.

Acredito que qualquer um dos escolhidos para a cadeira de líder do Fed não deverá mudar de forma drástica a política monetária no curto-prazo, mas certamente fará preço nos mercados de forma pontual. Uma coisa são declarações de economistas fora da instituição. Outra coisa é sentar da cadeira de presidente do Fed, liderando um Comitê de PHDs, em busca de consensos.

No Brasil, a mídia voltou a reportar a possibilidade de uma Reforma da Previdência, desidratada, assim que a segunda denuncia contra Temer for finalizada no Congresso. Segundo a Folha de São Paulo:

A equipe econômica e o núcleo político do Planalto pretendem reabrir negociações sobre a proposta após a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer –o que deve ocorrer até o fim deste mês.

Segundo o cronograma de integrantes do governo, o novo texto poderia ser levado ao plenário da Câmara ainda em novembro e votado no Senado até o fim do ano legislativo, em 22 de dezembro.

Desde que a proposta foi aprovada em uma comissão da Câmara, em maio, o Planalto sofre pressão de deputados para reduzir os pontos da reforma da Previdência. O aval para a flexibilização do projeto, entretanto, só foi dado na última semana.

O governo aceitou negociações mais amplas com a base aliada por entender que a crise política aberta com as acusações de corrupção contra o presidente inviabilizou a aprovação de regras de aposentadoria mais rígidas.

O Planalto e a Fazenda concordaram em abrir mão de parte da proposta aprovada na comissão, desde que sejam preservados três pilares: idade mínima (65 anos para homens e 62 para mulheres), o tempo de contribuição de pelo menos 25 anos e uma regra de transição.




Data: 16/10/2017

EM: Dinâmica ainda ruim.

Confesso que eu acreditava que após um Core CPI mais baixo do que o esperado em setembro nos EUA (divulgado na sexta-feira), e após as reuniões do FMI, os ativos de risco poderiam voltar a mostrar uma performance mais positiva, após um breve período de acomodação.

Contudo, a dinâmica de curto-prazo ainda se mostra mais negativa, com tom de acomodação sendo reforçado. Opto por respeitar o price-action. Sendo assim, mantenho uma visão mais cautelosa no curto-prazo, mas sem alterar minha visão ainda construtiva de longo-prazo, cenário que tenho desenhando há algumas semanas (2 ou 3), como pode-se ver aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/ruidos-vs-cenario.html, e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/tecnico-dinamica-de-mercado-e-cenario.html.

Vale lembrar que: Quanto a pressão nos ativos emergentes, e no Brasil, em especial, vejo como movimentos passageiros, pontuais e até esperados em qualquer processo mais prolongado e estrutural de recuperação/apreciação.

Entendo que vimos uma alocação não desprezível para esta classe de ativos nos últimos meses (EM/Brasil), os preços já são menos atrativos do que no passado, e a alta dos juros nos EUA (e no G10 em geral), ajudados pela redução do balanço do Fed, prejudicam esta classe de ativo no curto-prazo, mas não vejo esses vetores como impedimentos decisivos para uma mudança clara de tendência ou de cenário.

O cenário de crescimento global robusto, com inflação subindo (mas ainda em patamares baixos), e bancos centrais em movimentos apenas graduais de normalização monetária, costumam ser positivos para os mercados emergentes. Espero movimentos de consolidação como o de hoje nos mercados emergentes enquanto durar este processo de abertura de taxa de juros nos EUA (e enquanto persistirem as dúvidas em relação ao processo de normalização monetária).

A velocidade de abertura das taxas de juros no G10 costuma ser, muitas vezes, mais importante do que sua direção. Todavia, enquanto estamos no meio do processo, o mercado tende a optar por uma postura mais conservadora. Apenas uma abertura mais rápida e acentuada dos juros nos EUA, puxada por dados de inflação mais elevados, ou por uma mudança clara de dinâmica mais estrutural (pacote fiscal elevado nos EUA com mercado no pleno emprego, reforma tributária e etc) seriam capazes de alterar a tendência e o cenário para os mercados emergentes em geral.

Acho válido tentar avaliar o que está afetando o mercado no curto-prazo, o quanto disso parece pontual e o quanto pode se tornar mais estrutural. Alguns pontos negativos valem ser mencionados:

- Problemas locais em importantes economias emergentes, como México e Turquia;

- Preços e posição técnica mais carregadas (menos positivas) no curto-prazo;

- Consenso positivo com relação a EM e a economia global, o que gera assimetrias ruins no curto-prazo;

- Incerteza no tocante ao processo de normalização monetária no G10.

Do lado positivo:

- Crescimento global robusto;

- Inflação ainda baixa no mundo desenvolvido;

- Processo apenas gradual de normalização monetária no G10;

- Fundamentos emergentes mais sólidos hoje do que no passado recente;

- Posição técnica e valuation ainda atrativos se olhados em prazos mais longos em algumas classes de ativos e regiões específicas.

Net/net mantenho visão estrutural ainda positiva com relação ao Brasil e alguns emergentes em geral, mas ainda vejo um curto-prazo um pouco mais desafiador. Este ambiente demanda postura mais tática e a busca por hedges no curto-prazo.

De maneira geral, mudei pouco minha visão de posicionamento e tenho apenas administrado tamanho e instrumentos das posições. No mercado externo, continuo gostando do tema de “Reflation” através de posições tomadas nos juros dos EUA, comprado em volatilidade de Rates e Equities. Estou com baixa visibilidade no mercado de FX, apenas com pequena posição Short AUDBRL.

No Brasil, estou focado na parte intermediária da curva de NTNB em detrimento a curva nominal de juros. Ainda vejo o BRL se mantendo no range de 3,05-3,25 até que um vetor exógeno (“unknow”) o tire desta banda. Ainda vejo espaço para fluxos positivos para a bolsa local, mas entendo que o mercado subiu muito, e rápido, o que sempre traz a discussão de valuation e, eventualmente, acaba em acomodação/realizações pontuais de preço. Estamos no meio deste processo. Ainda vejo movimentos mais acentuados de realização de lucros, na ausência de mudanças claras de cenário, como oportunidades de alocação em ativos locais.   




Data: 16/10/2017

Eleições na Europa levemente mais negativas para o cenário.

Os ativos de risco estão abrindo com o dólar levemente mais forte no mundo, as bolsas globais praticamente estáveis e as commodities em alta. Os juros nos mercados desenvolvidos apresentam pequenas variações.

O destaque das últimas 24 horas ficou para as eleições na Áustria e na Alemanha. Na Áustria, a extrema direita apresentou vitória, enquanto na Alemanha o partido de oposição a Merkel ganhou terreno. O resultado pode ser visto como levemente negativo para as perspectivas políticas da região. O maior risco para a Europa ao longo deste ano sempre ficou por conta do cenário político. Os eventos deste final de semana são levemente mais negativos para o cenário estrutural da região, mas mudam pouco o curto-prazo cuja o cenário econômico positivo ainda irá dominar as manchetes.

Segundo o Morgan Stanley:

Austria’s General Election saw the social-democrats (26.9%) falling back behind the Conservative ÖVP (31.6%). The ÖVP is likely to form a coalition with the right wing and populist FPOe (26%). Austria’s new government stands against Macron/Merkel EMU reforms. In Germany, the outcome of the local state election in Lower Saxony saw all parties (CDU, FDP, Greens) starting coalition talks on Wednesday losing support. Today at 9.00am (Ldn), the President of Catalonia  Carles Puigdemont will have to clarify whether last week’s announcement was a declaration of independence or not.

Para o Citibank:

Every election is different – This weekend, voters in Austria and in the similar-sized north-German state of Lower Saxony voted for new Parliaments. In Austria, centre- and far-right parties gained more than 2/3 of the vote together and are likely to form a coalition. Some investors may be concerned about a far-right party in power in a Eurozone core country, but should be reassured as the FPÖ is no longer proposing any in/out referendums. In Germany, the traditional centre-left SPD won in Lower Saxony, and far-right and far-left parties together barely exceeded 10%.

Austria: right-shift smaller than headline numbers suggest – The centre-right ÖVP was the winner of the election, ahead of the centre-left SPÖ and the far-right FPÖ (see Figure 1). The comparison with the last election in 2013 (see Figure 1) suggests a widely-reported shift to the right, with ÖVP and FPÖ together gaining 13.1pp. That overstates the gain, however: a large part was at the expense of now defunct right-wing parties, which had gained 9% together in 2013.

Lessons for Italy? – ÖVP-leader Sebastian Kurz can choose between the FPÖ and the SPÖ to form a coalition government. However, we suspect the SPÖ will prefer to enter opposition. The overlapping socially-conservative anti-immigration platforms of the two right-wing parties should facilitate a coalition. The FPÖ has toned down its anti-EU and anti-euro stance materially and abandoned calls for in/out referendums, which should reassure investors. Both parties propose big income tax cuts but are vague on the funding, which suggests that fiscal policy may loosen. The Austrian result will be of interest for Italian politics, where we also see a chance for a centre-right/far-right alliance with good electoral prospects.

Germany: rare centre-left victory – In Lower Saxony, the incumbent SPD/Greens coalition lost its majority, but the SPD – heavily defeated in the national elections three weeks ago – still scored a convincing victory (see Figure 2). This partial victory is likely to stabilize the party’s very pro-EU leader Martin Schulz.

Jamaica and extreme parties losing – Chancellor Merkel’s CDU came second, with a historically weak voting share. Her potential coalition partners in Berlin, FDP and Greens, also lost heavily, which suggests a bad start for the envisaged “Jamaica coalition”. Far-right and far-left parties together mustered only 11% of the vote. The AfD has strongholds in the east and the south of Germany but struggles in the north. At the same time, the party faced local adversities, suggesting that the 6.2% it did receive reflect a solid core vote above the 5% threshold.

The most immediate consequence is that the SPD will now try and form a government in Hanover. If it succeeds, it can use the votes in the upper house of federal Parliament (Bundesrat), to thwart the Jamaica coalition’s policies. For the potential Jamaica coalition, this is an inauspicious start. Still, CDU, CSU, FDP and Greens are scheduled to start talks in Berlin on Wednesday, according to FAZ. A successful conclusion before Christmas remains our base case.

Na China. O CPI de setembro recuou de 1,8% YoY para 1,6% Yoy, dentro das expectativas do mercado. O PPI saiu de 6,3% YoY para 6,9% Yoy, muito acima das expectativas. Os números em pouco alteram o cenário econômico para o pais e, muito menos, as perspectivas para a política monetária de curto-prazo. 




Data: 16/10/2017

Dados positivos na China. Ruídos políticos no Brasil.

O final de semana trouxe, até o momento, apenas duas notícias que merecem menção:

1 - Os dados de credito e agregados monetários na China, em setembro, ficaram acima das expectativas do mercado. Os números reforçam o cenário de solidez da economia, que já haviam sido demonstrados pelos dados de importações divulgados na semana passada.

Assim, é mantido um pano de fundo positivo para a economia global, que se encere entre o "Goldilocks"e o "Reflation", no que tenho cunhado como "Beautiful Reflation".

2 - No Brasil, ocorreu um vazamento de alguns depoimentos de Lúcio Funaro, delator na Lava-Jato, cujos depoimentos foram utilizados para a segunda denúncia contra o Presidente Michel Temer. Sem fazer juízo da causa, ou tomar posição em prol de um, ou outro lado, os depoimentos não trazem nenhuma informação nova, ou prova documental concreta, de nada que já não tenha sido citado na mídia em momentos anteriores.

A mídia continuam trazendo informações de que a segunda denuncia contra Temer terá votação mais apertada, e que parte da base aliada se mostra descontente com o Planalto.

Vejo tudo isso como ruído de curto-prazo. Contudo, também vejo pouco espaço para o avanço de qualquer agenda econômica mais agressiva até as eleições de 2018. Acredito que o mercado tenha pouca coisa precificada neste sentido, o que dá algum conforto em termos de posição técnica e valuation para os ativos locais na eventualidade de um cenário político menos favorável de agora em diante.   




Data: 13/10/2017

Combinação de dados positivos para os ativos de risco.

Os dados econômicos dos EUA divulgados hoje pela manhã, o qual fiz referência nos últimos dias, não poderiam ter sido mais positivos para a manutenção do status-quo dos ativos de risco, ou seja, uma apreciação gradual dos ativos de risco, com foco nos ativos cujos os fundamentos se mostram mais sólidos, a posição técnica mais favorável e os preços/valuations atrativos. Clássico alguns ativos no Brasil dentro dessa descrição.

Assim, mantenho a visão de “Beautiful Reflation” como cenário base. A despeito do Core CPI ter ficado abaixo das expectativas, e colocar em dúvida uma alta de juros por parte do Fed em dezembro, ainda me parece cedo para abandonar minha visão de que no atual nível de crescimento (acima do potencial), com o mercado de trabalho robusto, e o hiato do produto praticamente fechado, ainda é necessário um processo, mesmo que gradual, de ajuste na política monetária dos EUA (e de muitos países/regiões do G10) e, consequentemente, um ajuste nas taxas de juros de mercado. Este ambiente me coloca mais para o “Beautiful Reflation” do que para o “Goldilocks”, neste momento.

Em relação aos dados econômicos dos EUA: Vimos um Core CPI de 0,1% MoM e 1,7% YoYem setembro, abaixo das expectativas do mercado; Vendas no Varejo bastante robustas; e um Consumer Confidence passando de 95,1 para 101,1 pontos, novo pico para este ciclo econômico. Tendo a acreditar que dificilmente teríamos uma combinação de números mais positivos para os mercados.

Os próximos dados de atividade podem ser afetados pelos efeitos dos furacões que assolaram o país, o que os tornará de difícil leitura. Os próximos temas para o mercado, assim, ficarão por conta da indicação do novo membro do Fed e o avanço da Reforma Tributária.

Em relação ao Fed, dos nomes que estão sendo ventilado, apenas Warsh me parece capaz de afetar, mesmo assim apenas pontualmente, os mercados. Uma vez nomeado, se nomeado, acredito que todo eles adotariam um tom conciliador no curto-prazo e dificilmente alterariam a política monetária nos primeiros meses. No tocante a Reforma Tributária, parece consenso hoje que dificilmente ela irá avançar. Assim, qualquer sinal de avanço poderá trazer efeitos significativos e duradouros para os ativos de risco.

O Brasil parece estar no meio deste processo de acomodação dos ativos de risco, sem grandes novidades ou triggers de curto-prazo. O cenário político é fluido, a despeito da pauta do Congresso estar travada com a segunda denúncia contra Temer. Os jornais trazem uma série de notícias, mas tudo me parece ruídos até o momento.

Nos últimos dias vimos uma deterioração nas coletas de inflação, o que levou nosso baseline para o próximo mês para níveis mais elevados. Ainda é cedo para pensar em mudança de tendência, mas os números reforçam a estratégia do BCB em reduzir o ritmo de queda da Taxa Selic e encerrar este ciclo de cortes de taxas. Ainda me parece haver espaço para a compressão dos prêmios de alta de juros na parte intermediaria da curva, mas este processo deverá ser feito de maneira mais gradual de agora em diante.

De maneira geral, ainda vejo espaço para apreciação da bolsa local e vejo o BRL no range entre 3,05-3,25. 




Data: 13/10/2017

China, ECB e MXN. reflation ainda é o cenário base.

Os ativos de risco estão operando em compasso de espera pelo Core CPI a ser divulgado nos EUA esta manhã. Para comentários adicionais sobre este tema, veja aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/inflacao-eua-e-fmi.html.

Na tarde de ontem, o a moeda do México, o MXN, apresentoudinâmica extremamente ruim, o que acabou afetando o humor para EM em geral. Está dinâmica ruim já perdura por alguns dias. Os desafios do país são localizados (Nafta, eleições) mas são capazes de afetar o humor para EM no curto-prazo, em meio a um pano de fundo de reavaliação do mercado em torno da política monetária no G10.

Na China, os dados de importação e exportação de setembro apresentaram números saudáveis, reforçando o tema de “Reflation” no mundo. Segundo a Goldman Sachs:

Exports: +8.1% yoy in September (GS: +15.0%, Bloomberg consensus: +10.0%). August: +5.6% yoy. Month-over-month exports growth (seasonally adjusted by GS): +0.2% in September, vs. -0.2% mom sa non-annualized in August.

Imports: +18.7% yoy in September (GS: +15.0%, consensus: +14.7%). August: +13.5% yoy. Month-over-month imports growth (seasonally adjusted by GS): +2.4% in September, vs. +3.2% mom sa non-annualized in August.

Na Europa, um artigo da Bloomberg sinaliza que o ECB poderá cortar o QE no ano que vem pela metade. Nas últimas semanas, está ganhando corpo a visão de um corte mais acentuado nas compras do ECB, mas para uma extensão mais longa do programa. Está matéria se encaixa neste contexto.

No Brasil, os ruídos políticos continuam, mas sem desenvolvimentos muito relevantes, por ora. Existe um indisposição do presidente da Câmara com o Planalto, a situação interna do PSDB parece complicada e, agora, os jornais dão conta que o PSB também apresenta situação interna complicada.

Na parte econômica, a agencia de rating S&P alertou o país para a necessidade de implementação da Reforma da Previdência ainda este ano. Caso contrário, um rebaixamento do rating do país poderá ocorrer. Fitch e Moody´s já haviam soltado alerta neste direção.




Data: 13/10/2017

Inflação nos EUA e FMI.

Os mercados financeiros globais não apresentaram movimentos relevantes hoje que se façam necessários comentários adicionais. O que escrevi pela manhã (copia na parte inferior deste texto) continua válido. Contudo, acho válido deixar aqui dois comentários:

EUA – O PPI e o Core PPI divulgados hoje mostraram números mais firmes de inflação, que dão animo ao cenário de “Beautiful Reflation” que tenho trabalhado. Não apenas o número cheio e os núcleos apresentaram sinais mais animadores, mas como a abertura qualitativa do indicamos mostrou avanços em sub-índices importantes para o Core CPI e Core PCE.

Se a inflação se mostra mais firme, um sinal até positivo para a economia e o Fed, ela ainda não mostra sinais mais preocupantes de uma aceleração mais rápida e acentuada, que poderia reverberar sobre os ativos de risco, em forma do receio de um “Fed behind the curve”.

Acho natural que a inflação comece a dar sinais mais claros de firmeza. Ainda não vejo motivos para pânico, mas também não podemos descartar que, em algum momento, o mercado possa se preocupar com um cenário como o citado anteriormente. Para isso, será necessário um número de inflação muito mais alto do que as expectativas, ou uma sequencia de dados mais forte. Na maior parte das vezes, esse ponto de inflexão não ocorre de uma só vez, mas através do acumulo de evidências nesta direção, e na mudança gradual da dinâmica dos mercados. Já vimos um Average Hourly Earnings mais elevado na semana passada, um mercado de trabalho aquecido, talvez já além do pleno emprego, e uma economia com o hiato do produto praticamente fechado. A inflação parece ser o caminho natural deste cenário.

FMI – As reuniões do FMI estão ocorrendo em Washington neste momento. Estou começando a receber os feedbacks na nossa área econômica. Não entrando em maiores detalhes, o cenário consensual parece ser de crescimento global mais forte e sincronizado, situação mais confortável e estável da economia da China, surpresas positivas no tocante a economia da Europa e adjacências, e bom momento das economias emergentes, em especial a maior parte de LatAm. Os riscos continuam concentrados na normalização de política monetária em G10 e os desenvolvimentos na China após o Congresso que ocorrerá em breve no país. De maneira geral, em relação aos emergentes, ainda parece haver espaço para um aumento relevante de fluxos para a região, mas grande parte dos investidores já se mostra otimistas e, consequentemente, com alguma alocação.

Como o consenso de mercado está sendo refletido nos dados econômicos, em um dos momentos da historia de menor variação dos dados econômicos em relação ao consenso, fica mais fácil entender a baixa volatilidade dos mercados globais.

A primeira impressão que eu fico, muito preliminar, do pano de fundo geral (não entrando em detalhe de países e regiões específicas) e que apenas um desvio grande do cenário em relação a este consenso será capaz de reverter a dinâmica e as tendências que prevaleceram ao longo deste ano.

Sobre minha visão de curto e longo-prazo, escrevi mais sobre o tema nos últimos dias aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/ruidos-vs-cenario.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/tecnico-dinamica-de-mercado-e-cenario.html.

Os ativos de risco continuam em modo de acomodação. As próximas 24 horas serão determinantes para a dinâmica dos mercados no curto-prazo. Eu costumo focar no cenário de prazos mais longos para a estruturação de portfólios, mas é inegável que o PPI a ser divulgado em breve nos EUA, o Core CPI que será anunciado amanhã, e o começo da temporada de resultados corporativos nos EUA, com alguns bancos reportando números hoje e amanhã, serão fundamentais para a direção dos ativos de risco nos próximos dias e, quiçá, nas próximas semanas e meses.

A dinâmica recente, especialmente nos ativos emergentes, demonstra sinais de fadiga. Por ora, vejo estes movimentos apenas como acomodações, mas começo a suspeitar que alguma realização de lucros pontual nos ativos de risco como um todo possa acabar de desenvolvendo.

Por ora, estou mantendo um portfólio mais neutro, ainda aplicado em juros Brasil como principal posição, comprado em Ibovespa e long BRLAUD. Mantenho posição relevante tomada em juros nos EUA e comprado em volatilidade de juros e equities no país. Vou reavaliar este portfólio, sua composição, instrumentos e tamanhos, conforme os dados forem delineando o cenário de curto-prazo.  




Data: 10/10/2017

Sinais de estabilização. 

Os ativos de risco estão revertendo parte das pressões apresentadas ontem, com o dólar mais fraco esta manhã, as commodities em alta e com um leve fechamento de taxa das Treasuries nos EUA. A dinâmica, por ora, confirma que os problemas na Turquia deveria ser pontuais e localizados, e que o “semi” feriado nos EUA, ontem, pode ter exacerbado alguns movimentos devido a liquidez mais baixa.

No Brasil, o Estão traz matéria em que diz que a base de Temer irá tentar votar uma Reforma da Previdência mais enxuta em novembro, após a tramitação da segunda denuncia. Segundo o jornal:

REFORMA MÍNIMA

Base aliada articula proposta com pontos básicos da reforma

Idade mínima

Ficaria em 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, como aprovado na comissão especial.

Contribuição

Tempo mínimo pode sofrer “ajustes”. Proposta aprovada na comissão exige ao menos 25 anos de contribuição à Previdência.

Transição

Regra de transição também deve passar por alterações nas mãos dos parlamentares. Atual proposta prevê exigência de idade mínima (que começa em 53 anos para mulheres e 55 anos para homens, subindo aos poucos) e “pedágio” com adicional de 30% sobre o tempo que falta para a aposentadoria.

Próxima gestão

Demais mudanças, como nas regras para servidores, ficariam para próximo governo.

Já o Valor, na pessoa de Raymundo Costa, traz matéria cobrindo as recentes inserções de Jair Bolsonaro entre empresários e agentes do mercado financeiro. Segundo ele, Bolsonaro tem mostrado uma postura mais pragmática, liberal e de centro-direita, se colocando a favor das reformas e adotando um discurso menos polêmico em várias frentes.

Continuo acreditando que falta muito tempo para que as eleições presidências de 2018 tenham impacto relevante sobre os ativos locais. Contudo, é importante acompanharmos a dinâmica do processo deste já. O grande risco, além de uma possível candidatura de Lula, que vejo para o cenário de 2018, é uma polarização grande de candidatos, com um número elevado de nomes, o que poderia tornar a corrida eleitoral perigosa, assim como ocorreu na prefeitura do Rio de Janeiro nas últimas eleições municipais. Contudo, caso os candidatos em pauta migrem para um discurso mais liberal e de centro, pelo menos no tocante a economia, o risco para os mercado acabará sendo bastante reduzido ao longo do processo podendo, inclusive, tornar as eleições um processo menos traumático para os mercados locais.   




Data: 10/10/2017

{Update] Cenário externo ainda demanda cautela.

Hoje foi dia de “semi” feriado nos EUA, com o mercado de equities aberto, mas o mercado de renda fixa (bonds) fechado. Esta condição pode ter deixado os mercados mais ilíquidos e exacerbado alguns movimentos.

Dois vetores afetaram a dinâmica dos mercados hoje. Em especial, os ativos emergentes e, consequentemente, os ativos locais: Um vetor eu vejo como mais estrutural, que é a reavaliação do mercado em relação à política monetária no G10 como um todo e nos EUA, em específico. Esta potencial mudança de cenário está ocorrendo não é de hoje e pode continuar afetando a dinâmica dos ativos de risco no curto-prazo. Comentei mais a fundo sobre isso aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/ruidos-vs-cenario.html e aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/tecnico-dinamica-de-mercado-e-cenario.html.

A meu ver, a dinâmica dos ativos de risco está em linha com o cenário que tenho desenhado neste fórum. Ainda vejo um curto-prazo mais desafiador, até que tenhamos uma definição em relação a política monetária nos EUA no curto-prazo. Este cenário envolve a escolha do novo presidente do Fed, a evolução da Reforma Tributária e Fiscal além dos dados de inflação, com o Core CPI em foco esta semana.

O segundo vetor que afetou os ativos de risco, e que vejo como mais pontual e localizado, ficou por conta da forte depreciação dos ativos da Turquia, após os eventos comentados mais cedo neste fórum. Vejo este vetor como localizado e pontual, podendo gerar ruídos de curto-prazo, mas não devendo gerar um contágio mais espalhado e persistente. Contudo com o pano de fundo que temos desenhado, com um mercado já mais fragilizado há algumas (poucas) semanas, os eventos no país acabam lembrando o porque os Países Emergentes são chamados assim (“Emergentes”), pois apresentam alto potencial de retorno e carrego, mas riscos diversos e recorrentes. 




Data: 09/10/2017

Cenário externo ainda demanda cautela no curto-prazo.

A semana está começando sem grandes novidades e sem grandes movimentações por parte dos mercados financeiros globais. A Treasury, nos EUA, apresenta acomodação, o dólar está levemente mais firme ao redor do mundo, com as bolsas globais em alta e as commotidies, no geral, idem. Assim, continua valendo minha visão dos últimos dias, que pode ser vista aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/ruidos-vs-cenario.html.

Vale destacar a forte depreciação da TRY, na Turquia. O país entrou em um embate contra os EUA, após ambos cancelarem a emissão de vistos de não imigrantes ao longo do domingo. Pelo o que a mídia está reportando, a medida foi tomada primeiro pelos EUA, após um funcionario da embaixada americana ser preso acusado de espionagem. A Turquia, quase que imediatamente, anunciou a mesma medida, em retaliação aos EUA. Como os fundamentos econômicos da Turquia não são favoráveis, e o risco político elevado, problemas como este acabam sendo exacerbados nos preços dos ativos locais. A questão parece pontual, e não deveria gerar contágio maior para o resto do mundo de forma permanente. Contudo, está manhã, vemos alguns sinais, mesmo que incipientes, até pelo pano de fundo global recente, de pequeno contágio, como o MXN, por exemplo, também apresentando depreciação.

Na China, o país teve mais um mês de elevação das suas reservas internacionais, em mais um sinal positivo de relativa estabilidade local.

Na Alemanha, a produção industrial de setembro apresentou forte alta de 2,6% Mom, após um verão local de dados mais fracos. O número reforça o cenário positivo para o crescimento da Europa.

No Brasil, destaque apenas para visita de Jair Bolsonaro aos EUA, onde está buscando um tom de discurso mais moderado e liberal, em busca de consolidar sua posição nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2018. João Doria, por sua vez, sofreu pequena derrota com as recentes pesquisas divulgadas pela mídia. Continuo acreditando que precisamos acompanhar de perto as movimentações para as eleições presidenciais de 2018, mas que ainda seja muito cedo para qualquer uma dessas notícias ter impacto relevante no preços dos ativos locais.




Data: 09/10/2017

Ruídos vs Cenário.

O final de semana trouxe alguns ruídos pontuais, que irei esclarecer abaixo, mas nada que altere o cenário econômico global ou a dinâmica dos mercados.

De forma resumida, ainda vejo o processo de alta das taxas no G10, lideradas pela abertura de taxas das Treasuries nos EUA, como o principal vetor que ditará o tom dos ativos de risco no curto-prazo. Acredito que o processo estrutural possa ser ordenado, mas enquanto o mercado não tiver conforto na velocidade da abertura das taxas, poderemos conviver com um período de acomodação dos ativos de risco. Acredito que estamos no meio deste processo.

No longo-prazo, acredito que este processo tenha tudo para ser ordenado, não inviabilizando o bom desempenho de ativos de risco que apresentam cenário favorável, posição técnica saudável e valuations/preços atrativos. Alguns ativos emergentes e alguns ativos no Brasil se encaixam nestas definições.

Assim, temos um curto-prazo talvez um pouco mais desafiador do ponto de vista da apreciação dos ativos de risco como um todo, o que demanda postura mais tática e a busca por hedges. Como o cenário estrutural de longo-prazo ainda parece saudável e positivo, momentos de depreciação de algumas classes de ativos devem ser vistos como oportunidades de alocação nestas classes.

Vamos a alguns comentários do final de semana:

Posição Técnica – A despeito de pequenos ajustes na posição do USD no mundo, o mercado continua em grande parte vendido em dólar. Este ambiente pode continuar dando suporte ao USD no curto-prazo. Alguns indicadores técnicos mostraram um mercado cada vez mais “short duration” em G10. Isso pode trazer movimentos de realização/acomodação pontuais, mas não necessariamente inviabiliza a continuidade do processo de abertura das taxas de juros nesses países e/ou regiões. Um exemplo recente fica por conta da posições vendida em USD que prevaleceu grande parte do ano, período em que o USD apresentou acentuada desvalorização.

Brasil – Dois ruídos envolvendo o Presidente Michel Temer. Primeiro, um matéria na mídia afirmando que uma empresa de investimentos do Presidente teria supostamente comprado dois terrenos dias depois que, supostamente, um aliado de Temer teria recebido, supostamente, recursos ilícitos. Temer nega os fatos, afirmando que a compra dos terrenos foi feita com recursos lícitos e com comprovação de renda.

Em outro artigo da mídia, afirma-se que Gedel Viera Lima, atualmente preso, estaria disposto a partir para um processo de delação premiada.

Acredito que ambas as notícias sejam ruídos e o mercado deveria interpreta-las como tal. Ainda vejo o cenário externo como muito mais importante para  a dinâmica dos ativos locais no curto-prazo.

EUA – Trump voltou a adotar um tom mais duro e beligerante em relação a Coréia do Norte. Continuo acreditando que, enquanto não houver um conflito militar de fato, este tipo de notícia tende apenas a ter impacto temporário sobre os ativos de risco. 




Data: 06/10/2017

Técnico, dinâmica de mercado e cenário.

Brasil – o IPCA de setembro ficou acima das expectativas, mas sem mudar drasticamente o quadro para a inflação e a política monetária. Segundo nossa Área Econômica:

>> O IPCA foi acima do esperado (0,16% vs. BBG: 0,09%). As surpresas para cima foram em serviços e em alimentos. A despeito disso, o qualitativo do IPCA segue favorável. Os índices de difusão (% de itens em alta) em patamares relativamente baixos (embora tenham subido na margem) e condizentes com nível de inflação abaixo da meta; A inflação de serviços dessaz tem estacionado em patamar próximo de 4%; A parcela dos bens ex - alimentos (produtos industriais ou comercializáveis ex - alimentos) mostrou uma aceleração na leitura dessaz, mas ainda se encontra ao redor de 3%; A alimentação no domicilio rodou próximo da mínima histórica para os meses de setembro; A média dos núcleos dessaz ficou em 3,9% (na média móvel trimestral); A luz da surpresa para cima e da piora na coleta da FGV, estamos puxando a nossa projeção de 2017 para 3% (de 2,85% anteriormente).

Em relação aos mercados, o externo e o técnico continuaram a dar o tom dos ativos locais. Não vejo mudanças substanciais de cenário. Vejo valor na parte intermediária das curvas nominais e reais de juros, assim como na curva longa de juros reais. Acredito que o BRL se manterá no range entre 3,05-3,25 e ainda vejo demanda, em meio a um cenário positivo, para a bolsa local.

EUA – Como era amplamente esperado, os dados de emprego de setembro apresentaram um grande ruído dos desastres naturais que assolaram o país ao longo do mês. A criação de empregos na pesquisa do Payroll foi negativa. Contudo, a Taxa de Desemprego recuou de 4,4% para 4,2% e o Average Hourly Earnings (AHE) subiu 0,5% MoM para 2,9% YoY.

Acredito que não podemos ler os números a valor de face, mas pelo o que entendemos o impacto negativo no Payroll acabou sendo maior do que o previsto e um “payback” deverá ocorrer nos próximos meses.

A pesquisa da Taxa de Desemprego e do AHE também pode ter sido afetada, mas em menor magnitude do que a pesquisa do Payroll.

Acredito que os números de hoje não deveriam alterar o cenário para o crescimento e para a política monetária, e muito menos para a dinâmica dos ativos de risco em geral (minha opinião sobre estes temas foi extensivamente discutida ao longo desta semana: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/reflation-at-almost-full-speed.html).

Contudo, quero levantar aqui uma discussão que, talvez, estejamos em um ponto de inflexão importante da economia dos EUA (e, em menor parte, do mundo). Por mais que os números de hoje não possam ser lidos a valor de face, olhando no contexto geral, parece cada vez mais evidente que o mercado de trabalho esteja no pleno emprego e que as leis econômicas possam voltar a operar em plena normalidade, com uma inflação ascendente de agora em diante, especialmente nos EUA. Isso teria impactos relevantes para política monetária e para os mercados. Por ora, ainda vejo este cenário como gradual e relativamente tranquilo, no que tenho cunhado como “Beautiful Reflation”. Contudo, estarei acompanhando de perto a evolução deste cenário e da dinâmica do mercado para eventuais mudanças de estruturais de cenário.

Neste meio tempo, continuo favorecendo posições tomadas em juros nas Treasuries, posições compradas em vol de juros e equities nos EUA aliadas a posições aplicadas em juros no Brasil e compradas em bolsa. Continuamos mais táticos no mercado de câmbio e, neste momento, estamos vendidos em AUDBRL. 




Data: 06/10/2017

 Cenário externo e posição técnica ditando a dinâmica de Brasil.

 

A noite foi de poucas novidades relevantes. A toada do mercado continua a ser de abertura de taxas de juros nos EUA e fortalecimento do USD no mundo. Tenho enfatizado este pano de fundo já há algumas semanas. Para não soar repetitivo, minha visão pode ser encontrada aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/.

O destaque do dia ficará por conta dos dados de mercado de trabalho nos EUA. Devido às catástrofes naturais que assolaram o país no último mês, o mercado espera uma criação mais baixa de postos de trabalho em setembro. Os rendimentos médios reais podem ficar firmes, devido a questões sazonais. De qualquer maneira, qualquer resultado poderá ser descontado pelo mercado, pois será de difícil leitura. O DB declarou que: The risks for market participants are somewhat asymmetric in that a weak NFP print should be rightfully discounted due to weather-related disruptions while a more robust employment gain would add to policymakers’ confidence that the growth outlook remains very much positive.

No Brasil, os ativos locais devem seguir o humor global a risco. Hoje será divulgado o IPCA fechado de setembro, com o mercado esperando uma alta de 0,09% MoM. Mesmo que com pequenas flutuações em torno deste número, o pano de fundo deverá continuar de inflação baixa e controlada. As coletas de inflação estão rodando acima do “baseline” para o IPCA de outubro, mas ainda em patamar baixo e controlado.

O noticiário político continua sendo fonte de ruído. A base do governo está fazendo “jogo duro” nesta segunda denuncia contra Temer, mas não me parece nada além de ruído pontual. A agenda legislativa está caminhando a passos lentos. A Reforma Política avança, o Refis (muito mais brando do que o esperado) foi aprovado, mas matérias mais relevantes da pauta econômica estão trancadas neste momento. Ainda me parece inviável falar em Reforma da Previdência.

Os ativos locais, em especial o mercado de juros, têm apresentando desempenho bastante ruim nos últimos dias. Isso pode ser explicado por um conjunto de fatores, tais como: posição técnica, nível de preço, influência externa e uma visão de que o BCB esteja próximo do final do ciclo de queda da Taxa Selic, o que tornaria o mercado de juros com menos assimetria. Acredito que todos estes argumentos são válidos e verdadeiros. Vejo o mercado ainda em processo de acomodação. Contudo, acredito que haja espaço para ganhos moderados de capital na parte intermediária da curva. Confesso que prefiro esperar um sinal de melhora na dinâmica para estruturar posições mais relevantes. Por hora, o “price-action” segue bastante ruim e preocupante, mas valor está sendo criado na curva.

O cenário de “Reflation” global deveria continuar a favorecer a bolsa em detrimento aos demais ativos, mas é natural que o mercado não suba em linha reta, sem períodos de realização de lucro. Ainda há amplo espaço para realocação das carteiras para esta classe de ativos, mas o movimento recente. Continuo sem visão estrutural para o BRL. Acredito que o “range” de 3,05-3,25 deverá ser mantido. 




Data: 05/10/2017

Reflation at (almost) full speed...

 

O dia foi de dinâmica interessante para os mercados locais. Vamos primeiro aos fatos econômicos. Depois, tentaremos medir em que sentido a dinâmica de hoje se enquadra no cenário que tenho descrito neste fórum (ou se há, de fato, uma mudança de tendência e/ou cenário):

No campo econômico, nos EUA, vimos mais um recuo semanal do Jobless Claims, que era amplamente esperado. O número apresentou alta ao longo do mês de setembro, com o impacto negativo, mas pontual, das catástrofes naturais que assolaram o país e suas regiões. O número mostra um mercado de trabalho ainda robusto. O Trade Balance e as revisões do Durable Goods Orders levaram os economistas a revisarem, marginalmente, suas expectativas de PIB para o 3Q do ano.

Amanhã teremos a divulgação dos dados de emprego de setembro nos EUA. Devido as catástrofes naturais, o mercado espera uma criação mais baixa de postos de trabalho. Os rendimentos médios reais podem ficar firmes, devido a questões sazonais. De qualquer maneira, qualquer resultado poderá ser descontado pelo mercado, pois será de difícil leitura. O DB declarou que: The risks for market participants are somewhat asymmetric in that a weak NFP print should be rightfully discounted due to weather-related disruptions while a more robust employment gain would add to policymakers’ confidence that the growth outlook remains very much positive.

No Brasil, o dia foi de agenda relativamente esvaziada. Os dados da ANFAVEA apresentaram um quadro de robustez na produção de veículos, o que se encaixa no cenário de recuperação do crescimento. Ainda vemos ruídos emanarem do Congresso, com uma forte queda de braço dentro do PSDB. Este ambiente tem trazido ruído ao processo da denúncia contra o Presidente Temer na Casa. Por ora, vejo os eventos recentes apenas como ruídos.

Observamos hoje mais uma rodada dos mercados precificando um pano de fundo de “Reflation”. Desta vez, contudo, a alta nas taxas de juros dos EUA, mesmo que marginais, trouxeram pressão negativa sobre algumas classes de ativos. O dólar operou em alta no mundo, os ativos emergentes tiveram uma quinta-feira negativa, mas vimos movimentos de alta nas commodities metálicas não preciosas e no petróleo, a despeito da queda do ouro.

Os movimentos hoje foram clássicos de “Reflation”. Tenho insistido que este panorama deve continuar, pelo menos até que este cenário seja testado por números mais negativos de crescimento, ou por algum evento exógeno. Quanto a pressão nos ativos emergentes, e no Brasil, em especial, vejo como movimentos passageiros, pontuais e até esperados em qualquer processo mais prolongado e estrutural de recuperação/apreciação.

Entendo que vimos uma alocação não desprezível para esta classe de ativos nos últimos meses (EM/Brasil), os preços já são menos atrativos do que no passado, e a alta dos juros nos EUA (e no G10 em geral), ajudados pela redução do balanço do Fed, prejudicam esta classe de ativo no curto-prazo, mas não vejo esses vetores como impedimentos decisivos para uma mudança clara de tendência ou de cenário.

Espero movimentos de consolidação como o de hoje nos mercados emergentes enquanto durar este processo de abertura de taxa de juros nos EUA. A velocidade de abertura costuma ser, muitas vezes, mais importante do que sua direção. Mas enquanto estamos no meio do processo, o mercado tende a optar por uma postura mais conservadora. Apenas uma abertura mais rápida e acentuada dos juros nos EUA, puxada por dados de inflação mais elevados, ou por uma mudança clara de dinâmica mais estrutural (pacote fiscal elevado nos EUA com mercado no pleno emprego, reforma tributária e etc) seriam capazes de alterar a tendência e o cenário para os mercados emergentes em geral.

Em relação ao Brasil em especial, o técnico está claramente prejudicando muito mais o mercado de juros do que o mercado de renda variável. O BRL tem seguido o humor global em relação ao USD no mundo, mas tem apresentado performance relativa melhor que seus pares nos últimos meses (até a janela de 3 meses). O mercado continua concentrando suas apostas no mercado de juros o que, em momento como o de agora, acaba afetando de maneira mais preponderante este mercado. Entendo que o cenário de crescimento seja melhor, o mercado de trabalho de recupera, as coletas de inflações estão marginalmente piores nos últimos dias e o BCB está próximo ao fim do ciclo de queda da Taxa Selic. Contudo, ainda vejo espaço, especialmente após a abertura recente de taxas, para ganhos de capitais (mesmo que menos expressivos) na parte intermediária da curva. Os argumentos continuam o mesmo: Inflação ainda baixa, expectativas ancoradas, hiato do produto elevado e prêmios excessivos de altas de juros no ano de 2018.

O que escrevi na carta mensal ainda é amplamente válido: Temos defendido a tese de que o cenário de "Goldilocks" que prevaleceu ao longo de todo o ano, até meados de setembro, poderia estar se tornando um cenário de "Reflation". Este roteiro parece estar sendo seguido à risca nas últimas duas semanas. O "Reflation" não necessariamente será negativo para os ativos de risco, mas pode se tornar pontualmente mais desafiador se a velocidade de abertura de juros for muito acelerada. Este não é o cenário base, mas precisa ser monitorado. Por hora, trabalhamos com uma "Reflation" que tenha apenas o potencial de desestabilizar momentaneamente, e pontualmente, os ativos de risco, e muito mais por questões de posicionamento técnico e preços/valuation. Gostamos das teses de investimentos positivas em relação ao Brasil. Acreditamos que estamos em uma tendência, mas temos o receio de que o mercado esteja taticamente esticado, especialmente vis-à-vis o que vemos do cenário externo. Em linhas gerais, vemos espaço para alguma acomodação no curto-prazo que, de fato, já está ocorrendo desde a última semana de setembro.  




Data: 05/10/2017

Not much news...

 

As últimas 48 horas foram de pouquíssimas alterações no cenário, o que está trazendo uma acomodação dos mercados, mas sem inversão clara de tendências. As bolsas globais continuam bem suportadas, o dólar apresentou leve arrefecimento, assim como as taxas de juros nos EUA, as commodities seguem fundamentos específicos e os ativos emergentes apresentaram recuperação.

Continuo trabalhando como um cenário de “Beautiful Reflation” como o mais provável, ou seja, com um crescimento global sólido, trazendo abertura das taxas de juros no G10 (desta vez liderado pelos EUA). A inflação no mundo desenvolvido sobe gradualmente, o que permite um processo de normalização monetária por parte dos bancos centrais apenas gradual e bem administrada. Este pano de fundo tende a ser positivo para os ativos de risco em geral. Apenas pontualmente, dependendo da velocidade de abertura das taxas de juros nos EUA (e no G10), que poderemos observar pressões pontuais em algumas classes de ativos. Este cenário será alterado caso: (1)A inflação começar a subir de maneira mais rápida e acentuada, (2) O crescimento global ter sinais de fadiga, ou (3) Um evento exógeno impactar o mercado (guerras, conflito militar, deterioração da situação política em alguma região mais relevante do mundo).

Assim, continuo trabalhando com o tema de abertura das taxas de juros nos EUA e com posições compradas (positivas) em ativos no Brasil.

No Brasil, o cenário político continua em foco. O Congresso aprovou o Fundo Eleitoral, em mais um passo da Reforma Política. A denuncia contra Temer, que está em tramitação no Congresso, continua trancando a agenda econômica.

Na Espanha, a situação política da Catalunha é  tensa e indefinida. Por ora, contudo, o problema parece localizado e não está gerando contágio ao resto da região ou do mundo.

Na Austrália, a surpresa negativa das vendas no varejo (queda de 0,6% MoM contra expectativa de alta de 0,3% MoM) está trazendo de volta a tona o debate em relação a real situação da economia do país.




Data: 04/10/2017

Reflation: Acomodação.

 

A noite foi de poucas novidades relevantes no Brasil e no mundo. As taxas de juros nos EUA estão apresentando estabilização/acomodação. O movimento parece estar sendo favorecido após rumores de Powel, membro atual do Fed e visto como de uma ala mais dovish, estaria na frente da corrida para suceder Yellen, em detrimento a um economista mais hawkish, como Warsh.

Acredito que o tema de “Reflation” e, mais especificamente, de abertura das taxas de juros nos EUa, continua válido. Ele será determinado, em última instancia, pelos dados de crescimento e inflação, mais sua velocidade poderá ser influenciada pela escolha do novo presidente do Fed e pela postura do Banco Central Americano no curto-prazo. Por ora, vejo este debate apenas como uma distração de curto-prazo, mas entendo que o mercado poderá reagir pontualmente a este tipo de notícia. Enquanto os dados de crescimento estiverem robustos, sem que a inflação mostre quedas adicionais, acredito que este tema ainda será válido. Os dados recentes reforçam esta tese (tais como o ISM Manufacturing, Vehicle Sales e etc).

No Brasil, o Congresso avançou na Reforma Política e com o Refis, mas a agenda segue relativamente esvaziada, a espera da votação da denuncia contra Temer. Comentei sobre os ativos locais na tarde de ontem, aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/10/brazil-great-rotation.html.




Data: 03/10/2017

Brazil: "Great Rotation"!

 

A terça-feira trouxe poucas mudanças para o cenário econômico global. Vimos uma acomodação do movimento de abertura de taxas das Treasuries, o que ajudou a dar algum alívio ao USD e aos ativos emergentes.

No Brasil, além do movimento global, vimos mais uma rodada de notícias positivas, a despeito da surpresa baixista da produção industrial (PIM) de agosto, amplamente natural após 4 altas consecutivas. Apenas para citar alguns exemplos, observamos hoje dados que podem ser considerados positivos da Fenabrave (vendas de veículos); o Índice de Atividade Econômica da FGV; o Índice de Confiança Empresarial da FGV; e os indicadores da CNI. Mesmo a PIM apresentou um quadro qualitativo positivo. Segundo nossa área econômica: 

A PIM ficou abaixo do esperado (-0,8%m/m dessaz vs. BBG: 0% m/m dessaz, +4,0%a/a vs. BBG: 4,8%). Entretanto, houve revisão para cima na série nos meses anteriores (compensando em boa parte a surpresa baixista na divulgação de hoje). O qualititativo veio bom, com a parte mais cíclica (bens duráveis e de capital) apresentando alta (e mantendo a tendência de alta) e o índice de difusão em patamar elevado (% dos itens em alta m/m dessaz), a despeito da queda na margem (que foi muito concentrada). A nossa proxy de investimentos subiu 2% na margem e não alteramos a nossa projeção de crescimento por conta da PIM de hoje.

De maneira geral, mesmo que ainda gradual, a recuperação do país se mostra mais disseminada e consolidada.

No mercado, vimos o que pode ser cunhado de “grande rotação” (“Great Roation”) do mercado de juros para o mercado de renda variável. Acho que o movimento faça sentido no atual estágio do ciclo e nos atuais níveis de preço. Acredito que ainda existe um técnico positivo para o mercado de renda variável e um fluxo reprimido que deveria manter o mercado bem sustentado, apenas como acomodações pontuais.

Contudo, também vejo valor na parte intermediária da curva de juros prefixado, com a visão de compressão de prêmio de risco. Trabalhamos com um cenário de juros baixos por mais tempo, o que deveria favorecer está parte da curva. A curva hoje precifica cortes de 75bps e 50bps nas próximas 2 reuniões do Copom. Acredito que isso seja um piso de queda (ou um teto de taxa) para o curto-prazo. Após essas duas reuniões, o mercado já precifica altas não desprezíveis de taxa ao longo de 2018. Vemos um hiato do produto ainda bastante aberto, com pouquíssimas, ou nenhuma, pressão inflacionária. Assim, existe espaço para o BCB manter a Taxa Selic estável por um tempo relevante de tempo, o que favoreceria está parte da curva. Entendo que o movimento a partir de agora seja menos trivial, mas que ainda exista espaço para posições neste tema de investimentos.

Os movimentos verificados hoje fazem parte de um processo mais estrutural de busca por ativos alternativos aos juros, que foram os “queridinhos” do mercado por quase 2 anos. Pontualmente, podemos vivenciar este tipo de dicotomia, mas ainda acho cedo para afirmar que este tema de investimento tenha se encerrado.




Data: 03/10/2017

Crescimento global robusto e sincronizado. "Beautiful Reflation" segue como cenário base.

 

O destaque do cenário continua marcado por uma recuperação positiva e extremamente sincronizada do crescimento global. Este pano de fundo ficou ainda mais evidente após a divulgação dos PMIs e ISMs ao redor do mundo nas últimas 48 horas.

Os ativos de risco tem reagido de maneira clássica a este cenário, com bom desempenho do mercado de ações, abertura de taxas de juros e alta do dólar. Acredito que este ambiente poderá persistir diante deste cenário. Poderemos ter alguma volatilidade pontual maior, caso a velocidade de abertura das taxas de juros se torne mais acentuada, mas este não me parece ser o cenário base.

Por ora, este ambiente tem gerado alguma pressão sobre os ativos dos países emergentes, dentre eles o Brasil. Acredito que este tipo de movimento seja natural, especialmente após o forte desempenho desta classe de ativo nos últimos meses. De forma geral, na maior parte das vezes, um cenário de crescimento global robusto, com alta gradual de juros no mundo desenvolvido e inflação ainda controlada, não costuma ser estruturalmente negativo para os ativos emergentes. Muito pelo contrário, este cenário costuma ser bastante positivo para esta classe de ativos. Assim, vejo o movimento de pressão atual apenas como uma acomodação em meio a uma tendência ainda positiva de valorização da classe emergente, e do Brasil, em especial.

Entrando em Brasil, os jornais de hoje estão com notícias interessantes, todas elas na direção de melhores perspectivas de crescimento. O Ministro da Fazenda Henrique Meirelles concedeu declarações bastante fortes e incisivas na noite de ontem afirmando que o crescimento atual já é forte e que o mercado irá, cada vez mais, se surpreender com as surpresas no âmbito do crescimento.

O jornal O Globo traz artigo em que afirma que o BCB estaria estudando a redução de compulsório dos bancos, com intuito de aliviar o mercado de crédito. Já o Valor afirma que o BNDES teria R$180bi disponíveis para novos pagamentos ao Tesouro, o que ajuda a abater a dívida federal.

Dentro do que escrevi sobre o Brasil e o mundo, ainda me parece haver espaço para a valorização dos ativos locais. Entendo que após a apreciação dos últimos meses, a velocidade de apreciação poderá ser menor, mas não menos relevante. Neste momento, gosto de manter um portfólio balanceado, entre bolsa, juros na parte intermediária da curva e posição tática no BRL. Mantenho posição relevante tomada em juros longos nos EUA, grande parte através de estruturas de opção, cujas vols baixas permitem grande alavancagem e defesa da posição em caso de movimentos contrários ao cenário base.




Data: 02/10/2017

Reflation prevails!

 

Os ativos de risco estão iniciando a semana na mesma toada em que encerram o mês passado, ou seja, com a abertura das taxas de juros nos EUA dando sustentação ao USD no mundo. As bolsas apresentam leve elevação, com as commodities sem tendências definidas, mas com leve viés negativo esta manhã. 

 

Continuo vendo espaço para a continuidade destes movimentos. Acredito que o “Reflation” seja o cenário mais provável para o curto-prazo, e que só se tornaria “Risk-Off” na eventualidade de uma aceleração muito mais acentuada da abertura das taxas de juros, ou na concretização de algum “risco de cauda” (como conflito militar junto a Coréia do Norte, ou similar) que não esteja totalmente mapeado pelos investidores. 

 

Os dados recentes apontam na direção deste panorama descrito acima. Por exemplo, as Exportações da Coréia do Sul, mostraram nova aceleração em setembro, reforçando um cenário de solidez da corrente de comércio global. No Japão, o Takan – um dos indicadores de confiança mais importantes do país, trimestral e coletado pelo BoJ – apresentou elevação acima das expectativas, mostrando um ambiente de recuperação da economia japonesa. 

 

Brasil – O cenário continua sem novidades relevantes. A mídia continua dando atenção a ruídos pontuais. A pesquisa presidencial do Datafolha pode trazer debate no mercado, mas acho difícil que afeta a dinâmica de maneira persistente nesta etapa do debate político. Ainda gosto de posições favoráveis aos ativos locais, mas vejo espaço para mais movimentos de acomodação no curto-prazo. Acho prudente adotar postura mais tática no atual pano de fundo global, administrando o tamanho e os instrumentos das posições. 

 

Espanha – O “Referendo” de independência da Catalunha ocorreu de forma truncada, com forte repressão do Governo Central da Espanha. O turnover foi baixo, com menos de 40% de votos. Segundo o Governo Catalão, os votos favoráveis a independência da região ultrapassaram os 90%. Agora, existe uma amplitude de possibilidade para o caminho que será seguido pela região. Acredito que o problema vivido pela Espanha é grave, e não pode ser deixado de lado. Por ora, contudo, é apenas uma questão local, que não deveria gerar contágio ao resto do mundo. Segundo o Citibank: 

 

"Unilateral Declaration of Independence? – The Catalan Parliament will hold a referendum-focused session on Tuesday. According to the ‘referendum law’ passed in the Catalan Parliament, a YES vote (no participation threshold) is enough for passing a declaration of independence and kick-start a gradual process to exit Spain (including drafting a constitution and build the new institutions). The law, however, calls for a period of negotiations with Madrid and the international community, implying that a move to declare independence would not have immediate effects in the legal relationship between the region and the rest of Spain. 

 

What Next? – We expect the regional government to try to capitalize on recent events and call snap regional elections. As in the 2015 regional election, the next ballot is likely to be framed as a plebiscite vote over independence, with the ruling ‘Together For Yes’ coalition likely to stick together. Recent polls suggest ‘Together For Yes’ will probably fail to reach a majority and may need support from either the far-left CUP or the leftwing Podemos to remain in power. We expect a pro-independence government to eventually be formed with a secessionist agenda. Attempts to hold a new referendum are likely to follow. 

 

But What If All Goes Wrong? – An alternative scenario would feature the Catalan government pressing ahead by declaring independence in coming days. The move would be challenged immediately at the Constitutional Court, which almost certainly would rule against it. If the Catalan government ignores the ruling, we expect Madrid to trigger article 155 of the Constitution to strip out Catalonia’s autonomy and to call for regional elections. We see the risk that this could trigger a civil rebellion, with possible wide disruptions and violent confrontations. A move by the regional police force to ally with the pro-independence parties could significantly escalate the situation. We assign a non-negligible probability to this scenario." 

 

Posição Técnica – A posição do USD mostra condições para que o movimento de fortalecimento da moeda norte americana continue, pelo menos no curto-prazo. Segundo o JPM: 

 

"Despite positive US cyclical developments, the trend in USD and JPY funding into high beta and policy normalizing reserve currencies (CAD, EUR, GBP) resumed significantly  as reflected in the IMM data in the week to Tuesday 26 Sep. Net notional USD shorts extended to a new cycle low of $-21.1bn, now basically matching the Jan’13 cycle low (-21.5). Meanwhile JPY shorts extended to JPY-890bn. The main beneficiaries were EUR (longs jumped to EUR11bn from 7.8bn the week prior), CAD (longs to CAD7.5bn, a fresh cycle high from, 5.9bn), and GBP. Net GBP contracts are now long (to the tune of GBP300m notional) for the first time since Nov’15. 

 

New highs in overall EM FX overweight positioning in the latest monthly JPM survey (Figure 4), last taken 18-20 September. The increase in overall overweights from August to September now exceeds the range highs seen during the 2010-1H13 era of Fed QE and in fact is a historical series high. The improvement in positioning was quite broad based, with 16 of 26 EM currencies seeing material positioning improvement, and only 3 seeing material positioning deterioration. Timely and full details of EM FX and the overall fixed income positioning survey are available to participating clients (see details here). 

 

The EM positioning remains mostly pro-carry, although there are idiosyncratic exceptions. Perhaps in the current environment it is not surprising that the six most relatively underweight currencies are the lowest yielding EM Asia and EMEA EM currencies (on an absolute, rather than z-score basis, so TWD, SGD, THB, KRW, RON, and ILS), while the most overweight are high yielding ones from all three regions (EGP, INR, IDR, TRY, MXN, RUB). But then there are idiosyncratic exceptions. The seventh most overweight EM currency is MYR despite being among the lowest tier in carry, probably on structural undervaluation rationale. Meanwhile, the seventh most underweight EM currency is ZAR despite being a relatively high carry currency." 

 

China – Os sell-sides reagiram de maneira positiva ao anuncio do corte de compulsório no país, que comentei neste fórum no final de semana. Segundo a média do mercado, o corte representa uma liberação razoável de liquidez na economia, e deveria dar sustentação ao crescimento nos próximos meses.




Data: 02/10/2017

China e Pesquisas Eleitorais no Brasil.

 

O final de semana, até o momento, trouxe algumas informações importantes que merecem ser mencionadas. Vamos a elas: 

 

China – O PMI Manufacturing subiu de 51,7 para 52,4 em agosto, acima das expectativas do mercado, e o maior patamar desde maio de 2012. Além disso, foi confirmado o que já havia sido ventilado ao longo da semana, ou seja, o PBoC irá promover um corte de 50bps no Reserve Requeriment (RRR/compulsório) de instituições financeiras mais ligadas a pequenas e médias empresas. 

 

O PMI reforça a visão de um crescimento saudável no país. O corte do compulsório indica que existe disposição do governo chinês em promover ajustes pontuais para que o cenário de crescimento se mantenha constante. Em conjunto, este fluxo de notícias reafirma um cenário relativamente tranquilo e construtivo para o país, pelo menos no curto-prazo. 

 

EUA – O Secretário de Defesa do país declarou que os EUA estão em conversar diretas com a Coréia do Norte para fins de negociações em torno de seu programa nuclear. As declarações são positivas do ponto de vista geopolítico, já que apontam na direção de “esfriar” as relações claramente esgarçadas entre ambos os países. Ainda parece cedo para acreditar que os testes balísticos e militares da Coreia do Norte irão cessar por completo, mas o caminho do diálogo parece aberto, o que reduz a probabilidade de “eventos de cauda”. 

 

Brasil – A mídia trouxe algum ruído em torno do programa de Refis que está em negociação no Congresso, o que pode levar a uma nova revisão do programa nos próximos dias. 

 

A Folha trouxe mais uma pesquisa Datafolha em relação à corrida presidencial de 2018. Ainda falta bastante tempo para as eleições. Este tipo de pesquisa deve ganhar importância ao longo do tempo, ajuda a balizar a corrida eleitoral, mas deveria ter pouco impacto nos mercados financeiros locais no curto-prazo. 

 

Segundo o Datafolha, o ex-presidente Lula continua na liderança das intenções de voto, inclusive ganhando espaço em relação a seus adversários. Bolsonaro e Marina estão em empate técnico na segunda colocação, com Doria e Alckmin (dependendo do candidato colocado na pesquisa) em terceiro lugar. 

 

A interpretação da pesquisa me parece simples. Lula ainda tem uma base eleitoral forte e sua constante aparição na mídia o torna mais reconhecido em relação aos demais candidatos. Marina ainda tem o chamado “recall eleitoral” das últimas eleições.  Bolsonaro é visto como o candidato radical, que poderia “mudar tudo” e colocar o país nos trilhos. Doria se favorece por ser o “novo na política”, mas sofre por ser desconhecido, e de um partido recentemente afetado pela Lava-Jato. Alckmin tem pouca base eleitoral nacional, e sofre os mesmos efeitos deletérios de ser do PSDB. 

 

As eleições ainda estão bastante abertas e tudo pode acontecer de agora até a concretização do evento. O maior risco para os mercados seria a possibilidade de candidatura de Lula. Caso Lula não seja candidato, existe o risco de polarização ainda maior das eleições, com um número grande de candidatos, que poderia levar dois nomes de polos opostos ao segundo turno. 

 

Interessante notar matérias nos jornais de sábado em que Bolsonaro adota postura mais moderada. As matérias dizem que o pré-candidato irá as EUA em busca de uma imagem de mais centro-direita e liberal. Bolsonaro busca aproximação junto ao mercado financeiro, a fim de consolidar sua posição como forte candidato a disputa presidencial.




Data: 29/09/2017

All about Tax Reform.

 

O dia foi marcado pelo final do mês e do trimestre. Assim, fluxos pontuais podem ter exacerbado alguns movimentos de forma pontual.

Ao contrário do que eu imaginava, mas por motivos que considero relevantes, o mercado reagiu de maneira diferente, e menos simplória, ao Core PCE nos EUA, do que eu imaginei pela manhã. A despeito de uma alta de 0,1% MoM (abaixo do esperado) em agosto, o noticiário em torno da escolha do novo presidente do Fed e, ainda mais importante, o avanço da agenda legislativa do Congresso, com a elevação da probabilidade de implementação de uma Reforma Tributária, acabaram dando suporte as taxas de juros nos EUA.

Ao contrário do cenário do final do ano passado, o cenário atual parece menos propenso a se tornar negativo para algumas classes de ativos, pela ausência de medidas protecionistas mais agressivas. Neste ambiente, o impacto mais direto fica para as taxas de juros nos EUA e suas derivadas, como o USD.

De maneira geral, continuo gostando de posições tomadas em juros nos EUA. Ainda vejo o mercado de opções com vols muito baixas, que permitem exposição e alavancagem com risco/retorno bastante favorável. Não tenho uma visão direcional clara para o USD, mas entendo que se persistir o cenário escrito acima, podemos passar por um período de dólar mais forte no mundo, mesmo que de forma apenas gradual e momentânea.

Além do Core PCE, o Chicago PMI apresentou alta superior as expectativas, saindo de 58,9 para 65,2 pontos. O número apenas reforça o cenário de crescimento saudável do país.

No Brasil, os dados de emprego ficaram basicamente dentro do esperado, mostrando continuidade de um processo gradual de recuperação. Chamou a atenção o arrefecimento dos rendimentos médios reais, mas ainda precisamos de mais evidentes para termos uma opinião mais bem informada sobre esta queda. Por ora, prevalece um cenário de recuperação gradual do mercado de trabalho e do crescimento, que vem sendo corroborada pelos indicadores de confiança do consumo, empresariado, comercio e etc.

Ainda gosto de posições estruturalmente compradas em Brasil, mas confesso que nos atuais níveis, precisaremos de algum trigger, local e/ou externo, para mais uma rodada de valorização. Por isso, talvez uma postura mais tática no curto-prazo seja necessária. As vols implícitas do Ibovespa estão extremamente baixas, o que torna o risco/retorno positivo de exposições compradas. Ainda vejo espaço para o fechamento da parte intermediária da curva de juros, mas acredito que, a partir de agora, o processo será mais lento. O problema de energia, e ausência de chuvas, pode ser um empecilho a este mercado no curto-prazo. Continuo vendo o BRL se mantendo em um range relativamente curto em torno de 3,10-3,20.




Data: 29/09/2017

EUA: Core PCE em Foco.

 

Desde quinta-feira, os ativos de risco operam sem movimentações relevantes. A agenda de hoje pode ser determinante para a dinâmica de curto-prazo dos mercados financeiros globais, com destaque para o Core PCE e para os indicadores de crescimento nos EUA. Ontem, os dados de Estoques e de Balança Comercial foram positivos, o que levou o mercado a revisar as expectativas de crescimento do 3Q deste ano para o país.

Acredito que os ativos de risco podem ter uma reação clássica, e simples, ao Core PCE, que será divulgado hoje as 9h30. Um número abaixo de 0,2% MoM pode trazer de volta o “Goldilocks” aos mercados; um número acima de 0,2% MoM deveria induzir uma aceleração do “Reflation”, com risco de se tornar “Risk-Off”, mesmo que momentaneamente. Um número de 0,2% MoM, pode manter um cenário de “Reflation”, mas com viés positivo, sem grandes rupturas.

No Brasil, o resultado fiscal divulgado ontem fiou muito acima das expectativas. Contudo, a melhora é explicada integralmente por fatores pontuais. As atenções de hoje estarão voltadas para a formação da ptax, com o BCB deixando vender cerca de US$4bi swaps cambiais.

Uma matéria hoje no Valor fala da estiagem e do risco de um choque de oferta na energia. Nossa área econômica vem alertando para este risco há algumas semanas. O problema parece grave e crescente, e ainda pouco precificado pelo mercado:

Estiagem provoca alta generalizada nos custos de energia 

Por Camila Maia e Rodrigo Polito

O atraso do início do período úmido e o aumento das temperaturas devem levar a um aumento generalizado do custo de energia no país, mesmo sem haver risco de abastecimento. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve divulgar hoje o acionamento da bandeira tarifária vermelha, e há chances de que seja no patamar 2, com acréscimo de R$ 3,50 a cada 100 kilowatts-hora (KWh) consumidos. Se o cenário se confirmar, será a primeira vez que ela será acionada.

A falta de chuvas afeta também os consumidores de outra forma. Com os níveis dos reservatórios em baixa, as hidrelétricas são cada vez mais substituídas por outras fontes de energia, o que aumenta o déficit hídrico (medido pelo fator GSF, na sigla em inglês). Ao mesmo tempo, o preço de energia no mercado à vista (PLD) tem se mantido no teto de R$ 533,82/MWh.

A falta de chuvas afeta também os consumidores de outra forma. Com os níveis dos reservatórios em baixa, as hidrelétricas são cada vez mais substituídas por outras fontes de energia, o que aumenta o déficit hídrico (medido pelo fator GSF, na sigla em inglês). Ao mesmo tempo, o preço de energia no mercado à vista (PLD) tem se mantido no teto de R$ 533,82/MWh.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) prevê que o GSF custará R$ 40,8 bilhões ao país neste ano. A conta considera o PLD médio projetado para o ano - R$ 345/MWh - e o déficit hídrico médio de 30,1%. Desse montante, R$ 27,5 bilhões correspondem ao custo nos contratos do mercado regulado de energia (das distribuidoras), e R$ 13,3 bilhões ao dos contratos no mercado livre.

Parte do prejuízo do GSF vai para as empresas geradoras, que estão expostas ao mercado livre, ou precisam vender menos energia para se proteger. Outra parcela vai para os consumidores, que bancam o GSF de toda a energia em regime de cotas (custo que pode chegar a R$ 1 bilhão por mês) e também o dos geradores do mercado regulado que aderiram ao "seguro" criado pelo governo.

Projeções divulgadas ontem pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que as chuvas devem ficar em 79% da média histórica em outubro na região Sudeste. No Nordeste, a situação continua sendo mais grave, com previsão que as chuvas cheguem a 31% da média.




Data: 28/09/2017

From Reflation to Risk-Off? Depends on the asset class...

 

Não há mudanças substanciais de cenário econômico nos últimos dias. A perspectiva de normalização monetária em alguns países do G10, impulsionada pelo aumento da probabilidade de uma Reforma Tributária nos EUA, está dando suporte aos yields das Treasuries, ao USD e colocando pressão em algumas classes de ativos, como os Emergentes e algumas commodities.

Ainda vejo a possibilidade de continuidade destes movimentos, favorecidos por uma combinação de cenário, posição técnica e “momentum”, mas ainda não vejo a necessidade de rupturas.

Em especial, alguns ativos atingiram níveis tecnicamente importantes, que serão testados nos próximos dias, como a Treasury 10 anos no patamar de 2,30% e o BRL no nível de 3,20. O rompimento destes níveis pode acabar caracterizando uma mudança de tendência dos mercados, mesmo que por um período apenas de tempo. Caso estes níveis se mostrem um resistência forte, podemos voltar um pouco do “Reflation” para o “Goldilocks”.

EUA – O Durable Goods Orders divulgado ontem ficou acima das expectativas do mercado, mostrando uma economia que cresce a taxas estáveis e relativamente saudáveis. Os dados de curto-prazo serão muito afetados pelos desastres naturais recentes e serão de difícil leitura. Um grupo de estudos do Governo divulgou um relatório com propostas para a Reforma Tributária. Os números ficaram muito em linha com o que vinha sendo ventilado na mídia. Faltam detalhes mais amplos de como será este processo. Ainda há um longo caminho de negociações, mas parece haver disposição política de avançar nesta agenda. Uma Reforma Tributária, com a economia crescendo acima do potencial, e com o mercado de trabalho praticamente em pleno emprego enseja juros mais elevados.

Brasil – O Governo realizou ontem leilão da CEMIG e de Energia. Ambos podem ser considerados bem sucedidos. O BNDES aprovou e já autorizou a devolução de R$33bi ao Tesouro. De maneira geral, a despeito dos ruídos políticos, a agenda econômica caminha de forma positiva.

Os dados de crédito também divulgados ontem mantiveram a tendência de recuperação moderada. É cada vez mais evidente que estamos no meio de um ciclo de recuperação do crédito, mas a velocidade de retomada ainda é bastante gradual. O mesmo Poe ser dito dos indicadores de confiança divulgados recentemente.

A mídia continua reportando que a base aliada de Temer irá “vender caro” a segunda denuncia contra o Presidente. Acredito que este tipo de matéria não passa de ruídos pontuais.

De forma geral, vemos uma agenda carregada de IPOs, falam em R$25bi até o final do ano, e lançamento de dívidas corporativas externas, o que pode prejudicar um pouco o bom desempenho de alguns mercados em favor de outros. Contudo, os lançamentos são sinais de demanda elevada por ativos locais. A posição técnica do mercado ainda não me preocupa sobremaneira, apesar de já ver fundos locais com posições não desprezíveis em algumas classes de ativos.

China – O país anunciou um corte específico de Compulsório. Segundo o Citibank:

The State Council decides on a targeted RRR cut – On 27 September, the State council decided to lower the reserve requirement ratio (RRR) of banks that extend a big enough proportion of their loans to small enterprises, micro-sized and individual businesses and farmers. The details, such as the size of the cut and the criteria of qualified banks, will be announced by the PBoC.

The cut will benefit some medium- and mostly small-sized banks, benefiting those targeted small companies – The cut is to boost lending to small-sized and start-up companies as part of the government’s overall policy to encourage entrepreneurship and innovation. Indeed, the State Council announced this policy together with tax exemptions for small businesses. China’s economic activities have softened in the past two months. In particular, private investment growth fell back again, and rising funding costs was one key reason behind the fall. We expect the move will not only release liquidity to qualified banks but also boost credit to small enterprises, as historically shown.

However, the move does not signal a shift in monetary stance – Despite the recent slowdown, the government does not appear to be at risk of missing its growth target of 6.5% this year. This should allow it to focus more on the deleveraging of both real and financial sectors, while monetary easing would not serve these purposes. We expect the PBoC to maintain its current prudent and neutral stance, largely without across-the-board RRR cuts or interest rate cuts this year. Given its targeted nature, we expect the current move’s market impact to be limited, even though the details are yet to be unveiled.

That said, the recent surge in interbank interest rates warrants close attention and monitoring – The PBoC indicated in its monetary policy report that the repo rates for financial institutions had been quite stable, which should be an important indicator for the funding costs of financial institutions. Indeed, a surge in interbank interest rates could lead to a faster pass-through to overall lending rates. We expect the weighted lending rate to have risen to 5.81%. Given the profit margin of private firms remains at 5.72%, the rising lending rate would make them more cautious in making investment decisions going forward. Thus, we believe the PBoC will continue to keep daily open market operations at a reasonable pace leading to the 19th Party Congress to ensure overall stability of the financial markets  




Data: 27/09/2017

From Goldilocks to Reflation. From Reflation to Risk-off? Not yet, it seems...

 

O destaque desta manhã está por conta de mais um movimento de abertura de taxa das Treasuries nos EUA, que está dando suporte ao USD no mundo. O movimento está seguindo o roteiro do “Goldilocks” para o “Reflation”, liderado pelos EUA, que tenho descrito neste fórum a cerca de 3 a 4 semanas. Por ora, o movimento de abertura de taxas de juros e fortalecimento do USD não está gerando uma pressão negativa mais permanente sobre as commodities e as bolsas globais. 

Este cenário pode persistir, caso os movimentos nos juros e nos USD permaneçam controlados. Este parece ser o cenário base. Contudo, caso os movimentos se tornem mais rápidos e acentuados, o “Reflation” pode acabar, mesmo que momentaneamente, em “Risk-Off”. Neste ambiente, espero a continuidade do movimento de acomodação dos ativos no Brasil, pelo menos no curto-prazo.

Nos últimos dias escrevi incessantemente sobre este cenário. Para não soar repetitivo, para aqueles que buscam mais detalhes sobre o tema, podem encontrar aqui https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/reflation.html.

O fluxo de notícias no Brasil continua relativamente esvaziado, com ruídos políticos, como o novo afastamento de Aécio Neves do Senado e o pedido de recolhimento domiciliar noturno, determinado pelo STF. A denúncia contra Temer conseguiu avançar no Congresso, o que ajuda a destravar a pauta legislativa.




Data: 26/09/2017

Reflation!?

 

A terça-feira foi praticamente sem novidades para o cenário local. O BRL apresentou depreciação em linha com a média de seus pares, a curva de juros teve um dia de desempenho levemente positivo, assim como o Ibovespa.

No curto-prazo, acredito que os ativos locais devem continuar com uma correlação maior com os ativos externos, exceto por novidades relevantes no front local. O cenário político é fluído, mas merece atenção. O cenário econômico me parece estável e confortavelmente construtivo, e só sofrerá alteração na eventualidade de algum choque inesperado.

Em relação a posição técnica, ainda vejo um processo estrutural de alocação para os ativos locais, especialmente para a bolsa, mas também para a parte longa da curva de juros. Ainda existe espaço, em várias classes de investidores, para este aumento de exposição. Contudo, após uma segunda-feira de piora não muito acentuada dos ativos locais, vimos uma piora não desprezível das cotas dos fundos locais. Isso mostra que a posição técnica do “fast money” local já não é tão “leve” como anteriormente, o que requer alguma atenção.

Mantenho uma posição comprada em ativos locais, administrando tamanho e instrumentos. Continuo favorecendo a parte intermediária da curva nominal de juros e a parte longa da curva de NTNB. Gosto de alguns plays na bolsa. Tenho menos convicções no câmbio, onde vejo um mercado de “ranges”. Neste momento, estou com posições mais reduzidas e aproveitando realizações para elevar as alocações.

No cenário externo, continuo vendo o cenário político como importante driver de curto-prazo. No cenário econômico, ainda vejo um bom desempenho da economia global. A inflação mostra sinais incipientes de recuperação (elevação) gradual, até mesmo nos EUA. Neste ambiente, membros do Fed têm mantido um tom considerado mais “hawkish” do que as expectativas, ou do que está precificado no mercado. Hoje ouvimos de Yellen, e de outros membros do Fed, uma mensagem de continuidade do processo de normalização monetária. A mensagem foi muito parecida com aquela emitida após a última reunião do FOMC, mas talvez em dissonância com os preços de mercado. O dólar vem reagindo de forma positiva aos desenvolvimentos nos EUA, mas ainda parece haver algum tipo de atraso na reação do mercado de juros.

As volatilidades implícitas do mercado de juros e bolsa nos EUA continuam nos pisos deste ciclo econômico e, até mesmo, nos pisos históricos, a despeito da elevação das vols de câmbio (vide gráfico). Vejo um excelente risco retorno para se posicionar na ponta tomada da curva de juros dos EUA via opções, com hedge nas opções dos índices de bolsa.

A Reforma do Sistema de Saúde dos EUA foi praticamente abandonada. Novos capítulos desta novela precisarão ser escritos. Agora, a administração Trump busca aliados no partido Democrata para dar andamento na agenda de reformas, especialmente a Reforma Tributária.

O Consumer Confidence de setembro caiu de 122,9 para 119,8 pontos, levemente abaixo das expectativas, mas em patamar ainda robusto e positivo, mesmo com quedas relevantes no Texas e na Florida, regiões muito atingidas pelos desastras naturais recentes.




Data: 26/09/2017

Política Local e Global em Foco.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade neste momento. Destaque apenas para uma leve elevação do dólar no mundo.

O pano de fundo econômico permanece relativamente inalterado e construtivo, mas o cenário político global apresenta alguns obstáculos de curto-prazo para a continuidade do bom desempenho dos ativos de risco. Ainda não vejo motivos claros para uma mudança de tendência, mas vejo argumentos para uma acomodação dos mercados financeiros globais no curto-prazo.

Entre os obstáculos que existem hoje no mercado, podemos citar a necessidade de negociação para uma coalizão política na Alemanha após as eleições, a disputa interna entre a Espanha e  Catalunha em torno do referendo da região separatista, e a dificuldade do Congresso dos EUA em dar andamento a pauta legislativa. Mais uma vez a proposta de Reforma do Sistema de Saúde parece ter sido preterida pela maioria do Senado.

No Brasil, a pauta do Congresso está “trancada” com a tramitação da segunda denuncia contra Michel Temer. Alguns partidos da base aliada, o chamado “Cetrão” estão fazendo uma jogada política em busca de maior poder de barganha. Esta situação acaba dificultando a agenda do Congresso e o avanço de medidas econômicas importantes para a economia.

De maneira geral, vejo este cenário como momentâneo. Acredito que o Governo tenho condições e capacidade política de gerenciar mais este obstáculo. De qualquer maneira, após o desempenho espetacular dos ativos locais nos últimos meses, não podemos descartar acomodação de curto-prazo. Na ausência de mudanças de cenário, vou olhar correções como oportunidade de alocar risco nos ativos locais, em especial na bolsa e parte intermediária da curva de juros nominais.

Segundo a mídia local, o Governo irá negociar o Refis com o Congresso em busca de votos contra a denuncia de Temer. Esta postura estaria em desacordo com a equipe econômica. Este tipo de artigo pode gerar ruído de curto-prazo, mas dificilmente alterará o cenário econômico estrutural.

Segundo o jornal O Globo:

Pressionado pela segunda denúncia da PGR, por organização criminosa e obstrução de Justiça, e diante da falta de disposição da base de dar quorum para a leitura da peça e sua tramitação, o presidente Michel Temer prepara a liberação de mais dinheiro para programas como o Refis e o Bolsa Família. Contra a vontade da equipe econômica, que desejava preservar a arrecadação prevista de R$ 13 bilhões no Refis, a Casa Civil acertou uma proposta mais flexível, alterando as regras de refinanciamento das dívidas das empresas.

Segundo o “Jornal Nacional”, a nova proposta contempla quatro pontos principais na renegociação das dívidas: para pagamento à vista, desconto de 90% nos juros, 70% nas multas e 25% nos encargos; para pagamentos em até 145 parcelas, desconto de 80% nos juros, 50% nas multas e 25% nos encargos; para pagamento em até 175 parcelas, descontos de 50% nos juros, 25% nas multas e 25% nos encargos. Quem tem dívida de até R$ 15 milhões pode dar entrada de 5% ao invés de 7,5% da proposta original. A medida agrada aliados, especialmente empresários. O prazo de adesão ao Refis termina sexta-feira. Temer deve anunciar ainda um programa complementar ao Bolsa Família, que inclui 3 milhões em microcrédito.




Data: 25/09/2017

Ruídos podem trazer acomodação dos ativos de risco.

 

Ainda estou me inteirando sobre o cenário econômico e político, local e global, dos últimos dias. Por ora, mantenho o que escrevi aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/update.html

Europa/Alemanha - Deixei de comentar no domingo a noite (https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/eua-e-espanha-em-foco.html) sobre as eleições na Alemanha. A despeito da esperada vitória de Angela Merkel, seu partido ficou aquém do esperado nas eleições. Assim, o evento pode ser classificado como uma “vitoriosa derrotada” para Merkel. Uma “grande coalizão” provavelmente não poderá ser realizada. A busca por apoio político poderá deixar o cenário político alemão um pouco mais conturbado no curto-prazo.

Acredito que este tipo de evento, na maneira como é estruturada a cadeia política da Alemanha (e de muitos países europeus), trazem ruídos de curto-prazo, mas dificilmente alteram a dinâmica econômica. Já vimos processos parecidos inúmeras vezes na Itália e em outros países da região.

Coréia do Norte - A retórica entre a Coréia do Norte e os EUA continua bastante belicosa. Na manhã de hoje, os coreanos emitiram mensagens de que os EUA teriam efetivamente declarado uma guerra contra o país. Pela primeira vez desde a realização do último teste balístico da Coréia do Norte estamos vendo uma reação negativa dos ativos de risco. Reforço o que tenho escrito nos últimos dias. A probabilidade de um confronto direto é hoje muito maior do que no passado recente. Na maior parte das vezes, este tipo de “embate” verbal acaba sendo equacionado através da diplomacia. Contudo, estamos em novos tempos, com lideres, de ambos os lados, imprevisíveis. 

Os ativos de risco devem continuar reagindo de maneira apenas moderada a notícias que se reservam apenas na base de ameaças. Contudo, qualquer confronto direto poderá trazer um efeito muito mais negativo nos ativos de risco. Com as volatilidades implícitas e realizadas de muitos mercados nos lows históricos, e o preço de muitos ativos de risco nos picos deste ciclo econômico, muito pouco de um confronto militar parece estar precificado.

Continuo gostando de posições tomadas na curva de juros dos EUA, mas acredito ser prudente a busca por hedges via compra de volatilidade.

Brasil – A pesquisa Focus desta semana trouxe mais uma onda de revisões baixistas para o IPCA (inflação) de 2017e 2018, e revisões altistas para o PIB.  O Focus está refletindo um pouco o próprio movimento de mercado das últimas semanas.

Continuo vendo um cenário estruturalmente construtivo para o país, mas alguns preços que parecem “esticados” momentaneamente. Realizações de lucros e/ou acomodações devem ser apenas moderadas, exceto na eventualidade de uma mudança repentina de cenário. Em linhas gerais, vejo o mercado “realizando de lado”, ou seja, com acomodações sendo mais prováveis do que realizações rápidas e acentuadas.

Gosto da tese de redução do prêmio de risco da parte intermediária da curva nominal de juros e da tese de juros estruturalmente mais baixos na parte longa da curva de NTN-B. Acredito que ambas as teses levarão algum tempo para se comprovarem, ou seja, vão ocorrer ao longo do tempo, e não de maneira repentina. Gosto da tese de valorização da bolsa local, muito baseado nos juros mais baixos, na recuperação da economia e na mudança estrutural do perfil dos investimentos (migração estrutural para esta classe de ativos), mas acredito que podemos ver alguma acomodação no curto-prazo. Tenho pouca convicção no mercado de câmbio. Ainda vejo o BRL operando em “bandas”.




Data: 25/09/2017

Congresso dos EUA e confrontos na Espanha.

 

O final de semana trouxe algumas notícias que merecem enfoque, mas nada que altere o cenário que descrevi ontem.

EUA - A agencia de notícias Axio vazou o que seria o projeto de reforma tributária que esta sendo estudada por um grupo do governo Trump. Segundo a mídia, o plano em estudo estaria aquém daquele defendido por Trump no inicio de seu mandato, mas de qualquer maneira, um projeto bastante ambicioso. Resta saber se existe apoio político para a implementação destas medidas. O mercado precifica hoje muito pouco de qualquer tipo de reforma nesta direção.

Do lado negativo, membros do Congresso sinalizaram que talvez não haja apoio para o avanço da reforma do setor de saúde, que vem travando a pauta da agenda legislativa.

A situação no pais parece fluida e ainda sem sinais de rupturas ou mudanças de cenário.

Europa - A situação entre o Governo da Espanha e a região separatista do País Basco parece estar se deteriorando de maneira mais negativa, e ganhando contornos que não eram esperados. O Governo da Espanha diz ser ilegal um referendo de independência marcado para começo de outubro, e vem adotando postura agressiva para evitar o andamento do referendo.

Por ora, o problema parece localizado, mas dado o tamanho da economia da Espanha, não pode ser ignorado.

Coreia do Norte - A retórica entre os EUA e o pais continua em tom elevado. Os EUA promoveram exercícios militares aéreos muito próximo do território Norte Coreano, em um claro sinal de força. Por sua vez, a Coreia utilizou seu espaço na ONU para se defender e dar declarações belicosas contra os EUA.

Tudo indica que este embate irá continuar. Os mercados, por sua vez, só deverão reagir na ocorrência efetiva de um confronto direto. 




Data: 25/09/2017

Update.

 

Após um breve período de folga, é hora de pensar no retorno, e voltar ao batente. Vejo o cenário dos últimos 10 dias da seguinte maneira. Feedbacks são muito bem vindos: 

 

Mercados - Os preços dos ativos de risco, em geral, encontram-se nos picos deste ciclo econômico, ou nos picos históricos. A despeito destes níveis, a posição técnica, de forma geral, não parece totalmente comprometida. Podem haver situações de preços "esticados" no curto-prazo, mas o cenário base, e a dinâmica dos ativos de risco, sinalizam que o mais provável, na ausência de novidades relevantes, são realizações de lucro, ou movimentos de acomodação, apenas moderados. Apenas uma novidade muito surpreendente no cenário seria capaz de causar uma piora rápida e acentuada do humor global a risco. 

 

Brasil - O Relatório de Inflação confirmou que as previsões do BCB pressupõe a continuidade do ciclo de queda da Taxa Selic, e sua manutenção em patamares baixos no horizonte relevante de tempo. A curva de juros, neste cenário, ainda apresenta prêmios de risco, mas as oportunidades de ganho de capital devem se concentrar na parte intermediária da curva, em busca de uma extensão do ciclo de queda dos juros e manutenção em patamares baixos. 

 

O quadro politico segue com fluxo de notícias intenso mas, por ora, não vejo nada além de ruídos. A nova denuncia contra Temer está travando a pauta do Congresso, mas deve ser superada. Existe disposição em algumas alas do Congresso em dar continuidade a agenda econômica. Uma Reforma da Previdência ainda não é cenário base, mas alguma medida nesta direção pode ser colocada na agenda, o que seria positivo, por não estar precificado nos ativos locais. 

 

Gosto de manter uma alocação "core" em ativos locais, administrando tamanhos e instrumentos. Gosto de algumas teses: Juros estruturalmente mais baixos, via NTNBs longíssimas e via a parte intermediária da curva nominal de juros. Recuperação da economia, através de compra de bolsa local. No cambio, prefiro adotar postura mais tática do que estrutural.

 

Já vejo alguns preços "esticados" momentaneamente, mas como escrevi no meio da semana, estamos no meio de um processo que parece estruturalmente positivo para o país e seus ativos. O processo de alocação deve ser longo e ainda parece apenas em seu estágio inicial. Assim, sempre será difícil determinar correções pontais. O quadro técnico não parece comprometido. Por isso, e outros, recomendo a busca por assimetrias e hedges, mas sempre mantendo uma posição estruturalmente a favor dos ativos do país. 

 

EUA - O Fed mostrou que, a despeito das surpresas recentes na inflação, deve manter sua postura de normalização monetária. Os dados de crescimento continuam positivos e o mercado de trabalho robusto. O Governo Trump deu os primeiros sinais, mesmo que ainda incipientes, se avanço na agenda legislativa. Muito pouco deste processo está precificado nos mercados atualmente. 

 

A dinâmica do mercado de juros nos EUA apresentou melhora visível e acredito que podemos estar diante do começo de um processo moderado de abertura de taxas de juros no país. Este processo não deveria causar ruptura estrutural nos demais mercados financeiros globais, apenas se a velocidade de abertura de taxas se tornar mais rápido e acentuado. Para isso, serão necessário números mais sólidos de inflação. 

 

Continuo gostando de posições tomadas em juros nos EUA e de hedges via índices e opções de bolsas do país. Acho a assimetria razoável, especialmente com o VIX abaixo de 10%. Não tenho uma visão estrutural para o USD neste momento. 

 

Coreia do Norte - A retórica do pais e dos EUA continua dura. Acho difícil que a Coreia interrompa seus testes balísticos e militares. Contudo, o mercado já provou que apenas um confronto militar direto será capaz de mudar a trajetória positiva dos ativos de risco. Acredito que este cenário hoje é muito mais provável que há alguns meses atras. 

 

Europa - Dados de atividade continuam sólidos. Todos os olhos estão voltados a estratégia do ECB de agora em diante. 

 

China - Após retirar algumas amarras do mercado de câmbio, vimos ma freada no processo de valorização do CNY/CNH. Os dados de atividade mostraram moderação, mas ainda não em magnitude que afete o humor dos investidores. 




Data: 21/09/2017

Bull Market de Brasil & Juros EUA.

 

Após uma semana distante dos mercados, acho que o momento seja oportuno para uma breve avaliação do cenário e dos mercados.

 

Brasil - Cenário sem grandes novidades. A inflação continua surpreendendo positivamente (para baixo), o que tem permitido a manutenção do processo de queda da Taxa Selic. O crescimento mostra sinais mais otimistas de recuperação. As contas externas seguem saudáveis. O quadro fiscal de longo-prazo ainda preocupa, mas a arrecadação federal de agosto mostrou sinais mais animadores, mostrando que a recuperação cíclica da economia devera ajudar até mesmo no front fiscal. 

 

A agenda micro avança de forma positiva, e notícias como um possível acordo entre a Petrobras e a União, em torno da Cessão Onerosa, é um exemplo importante do caminho que esta sedo seguido por esta administração, (não entrando aqui nas questões políticas, que hoje parecem mais ruídos do que motivos de mudanças substanciais de cenário). 

 

O BCB parece disposto a reduzir o ritmo de queda da taxa de juros, no atual estagio do ciclo. A despeito destes sinais, a mensagem é de que os juros poderão se manter baixos por mais tempo, o que não esta totalmente precificado no mercado de juros. Acredito que haja espaço para a extensão do ciclo de corte da Taxa Selic, mesmo que em ritmo mais moderado. Contudo, para a curva de juros, os ganhos de capital devem se concentrar, a partir de agora, nas perspectivas de juros baixos por mais tempo, ou seja, favorecendo a parte intermediária da curva. 

 

O BCB anunciou que deixara vencer cerca de US$4bi de swaps cambiais ao final deste mês. A postura do BC mostra tranquilidade em relação as perspectivas de fluxos, mas pode pressionar o câmbio até a ptax de vencimento do mês, especialmente diante o panorama externo. 

 

O Brasil esta no meio de um "Bull Market" clássico. Isso não significa que movimentos de correção/realização de lucros não irão ocorrer, mas que devem ser rápidos, pouco acentuados e estimulados apenas por eventos totalmente inesperados.

 

A dinâmica do Ibovespa é um exemplo claro deste processo. O mercado esta passando por uma realocação que parece mais estrutural do que cíclica, e ainda parece longe do final, talvez ainda nem no meio deste processo.

 

O cenário externo é um vetor que precisa ser acompanhado de perto para medirmos a probabilidade de eventuais movimentos pontuais de correção. 

 

Gosto das teses de investimentos positivas em relação ao Brasil, acredito que estamos em uma tendência, mas tenho o receio de que o mercado esteja taticamente esticado, especialmente vis-a-vis o que vejo do cenário externo. 

 

EUA - O cenário continua a ser de crescimento moderado, acima do potencial. Os desastres naturais de assolaram o pais e adjacências devem afetar os dados de curto-prazo, mas não a trajetória da economia. O mercado de trabalho segue robusto. A inflação está baixa, mas devem manter trajetória ascendente. 

 

O FOMC de hoje trouxe poucas novidades em relação as expectativas, mas acabou sendo mais hawkish do que o esperado, dado o histórico passado (não recente) deste comitê. O Fed parece convicto na manutenção do processo de normalização monetária, diante do cenário exposto acima. Apenas mudanças substanciais serão capazes de tirá-los do "piloto automatico"de 3 altas de 25bps ao ano nos juros, e na redução previsível de seu balanço, anunciado oficialmente hoje, mas amplamente esperado. 

 

A grande novidade dos últimos dias, ao meu ver, foi a mudança de dinâmica no Congresso, e sua relação com o Governo Trump. Hoje temos sinais mais positivos de cooperação, o que pode colocar a agenda legislativa novamente em sua rota imaginara após as eleições de novembro passado. Neste momento, pouco disso parece precificado,  poderia dar sustentação as taxas das Treasuries e, consequentemente, ao USD. 

 

Quando sai de férias, sinalizei para um possível "Goldilocks"se tornando um cenário de "Reflation". Este roteiro parece estar sendo seguido a risca. O "Reflation"não necessariamente será negativo para os ativos de risco, mas pode se tornar pontualmente mais desafiador se a velocidade de abertura de juros for muito acelerada. Este não é o cenário base, mas precisa ser monitorado. Por hora, trabalho com um cenário de "Reflation"que venha apenas a desestabilizar momentaneamente, e pontualmente, os ativos de risco, e muito por questões de posicionamento técnico e preços/valuation. 

 

Em suma, cenário praticamente inalterado, com alguns detalhes importantes. No Brasil, juros baixos por mais tempo, sinais mais claros de recuperação do crescimento e uma mudança clara de dinâmica por parte dos investidores, em busca de ativos alternativos ao CDI.

 

Nos EUA, a possibilidade de estarmos entrando em uma tendência de abertura de taxas de juros. Este processo deve ser saudável, mas pode causar volatilidades pontuais. 

 

Gosto de estar Long Brasil em geral, mas admito um receio de preços esticados taticamente. Como acertar correções pontuais é sempre muito difícil, o ideal é manter uma posição "core" e buscar assimetrias nos preços de cada classe de ativo em cada momento do tempo. 

 

Gosto de estar tomado em juros nos EUA aliado a compra de hedges via compra de volatilidade, com VIX abaixo de 10% e as vols das Treasuries também baixas para os padrões históricos. Carteira muito parecida aquela que venho frisando há vários meses, porem alterando instrumentos e tamanhos.   




Data: 12/09/2017

Reflation, here we go...(higher UK CPI). Notas do Copom.

Brasil – Notas do Copom Notas sem grandes novidades. Bem dovish, mas em linha com o comunicado. Querem encerrar o ciclo de forma gradual. Não descartam corte de 75bps na segunda reunião a partir de agora, mas cenário base ainda parece ser de cortes de 75bps e 50bps nas próximas duas reuniões do Copom. Interessante que não falam em taxa terminal, fim de ciclo e etc. Dá a impressão que poderiam ir caindo os juros enquanto o cenário permitir. Em suma, cenário de extensão do ciclo de queda da Taxa Selic, e manutenção dos juros baixos por um tempo relevante.

Neste ambiente, acredito que a parte curta da curva de juros ficará bem ancorada, mas já não apresenta um risco/retorno favorável para ganhos de capital. A partir de agora, deveremos ver um movimento mais claro de flattening da curva. Vejo duas oportunidades aqui. Uma, a retirada dos prêmios excessivos de alta de juros a partir de 2018, com a manutenção de uma Taxa Selic mais baixa por um tempo mais prolongado. Isso favoreceria a parte intermediária da curva. Acredito que este será um processo gradual. Ao mesmo tempo, vejo espaço para a redução dos prêmios de risco da parte mais longa da curva, em meio um cenário cíclico mais positivo, o avanço de importantes reformas estruturantes, e um cenário político cujos os “riscos de cauda” tem sido reduzidos. A NTNB 2050, por exemplo, parece ter “ficado para trás” em termos de desempenho se comparada vis-à-vis o movimento recente dos juros curtos, do Ibovespa e do próprio BRL.

Reflation – Após a divulgação dos dados de inflação de agosto mais elevados na China, no final de semana, hoje foi a vez da inflação na Inglaterra. Este é um tema que pode ganhar corpo nos próximos dias e o mercado não me parece posicionado para isso.

Segundo a Goldman Sachs:CPI inflation rose from +2.6%yoy to +2.9%yoy in August: a stronger increase than expected by both us (+2.7%yoy) and consensus (+2.8%yoy). Having dipped over the past few months, CPI inflation is now back to the rate it reached in May 2017. Core CPI inflation also rose by more than expected in August, from +2.4%yoy to +2.7%yoy: a 5½ year high.




Data: 12/09/2017

From Goldilocks to Reflation? [UPDATED]

O destaque desta manhã fica por conta de mais uma rodada de abertura de taxa das Treasuries, nos EUA. Ao contrário de ontem, contudo, até o momento, os demais ativos de risco como as bolsas e o dólar operam sem tendência definidas. Vemos alguma pressão sobre o complexo de commodities. Na noite de ontem, comentei sobre está dinâmica de mercado aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/from-goldilocks-to-reflation.html.

No Brasil, a mídia está reportando que Polícia Federal (PF) teria um relatório em que vê indícios de atuação ilícita do Presidente Michel Temer no que ficou cunhado pelos meios de comunicação locais como “quadrilha do PMDB na Câmara”. O relatório é preliminar, não implica diretamente em acusação jurídica, mas certamente poderá ser usado pela PGR em uma futura, e próxima, acusação formal ao Presidente Temer e seus aliados. Naturalmente, Temer e o Planalto negam suas atuações, e respondem de forma veemente contra as acusações deste relatório da PF. As acusações podem ser lidas aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/09/1917648-temer-autorizou-repasses-de-caixa-2-a-chalita-por-telefone-diz-funaro.shtml e aqui, por exemplo, http://g1.globo.com/politica/noticia/pf-ve-indicios-de-organizacao-criminosa-em-investigacao-sobre-pmdb-da-camara.ghtml.

Acredito que este seja mais um ruído pontual. Não vejo motivos para este assunto, em separado, afetar a dinâmica dos ativos locais. Contudo, olhando em um pano de fundo global de abertura de taxas de juros, após uma rápida e acentuada apreciação dos ativos do Brasil, não podemos descartar realizações pontuais de lucros, ou acomodações, dos ativos brasileiros no curto-prazo. Ainda me parece muito cedo e precoce falar em mudança de tendência. Por ora, tratarei as “realizações de lucros” como pontuais e como oportunidade de elevar as alocações nos ativos do Brasil. 




Data: 12/09/2017

From Goldilocks to Reflation?

A despeito da ausência de novidades relevantes no cenário, os ativos de risco operaram em um tom mais clássico de “risk-on”. Desta vez, contudo, as correlações do mercado se mostraram mais claras, com as bolsas em alta, o dólar em alta contra as moedas de G10, e uma abertura de taxa das Treasuries. Na semana passada havia comentado sobre a dicotomia existente entre a dinâmica do dólar e das Treasuries em detrimento as bolsas do país. Hoje, os movimentos me pareceram mais óbvios.

De agora em diante, estarei observando em que medida o cenário Goldilocks poderá se transformar em um cenário de Reflation. Os dados mais elevados de inflação de agosto na China, divulgados nesta madrugada, podem ser vistos como precursores destes movimentos. Neste último, os movimentos são liderados pela abertura de taxa de juros nos países desenvolvidos, o que acaba gerando alguma pressão, mesmo que pontual, sobre ativos mais dependentes de juros baixos, como é o caso dos ativos emergentes e do Brasil. Neste processo, as bolsas e as commodities tendem a liderar os movimentos de apreciação, em detrimento aos demais ativos. O dólar pode acabar se valorizando, especialmente em nos atuais níveis com a atual posição técnica.

Acredito, contudo, que estes movimentos só irão ocorrer de maneira mais tendenciosa caso o Core CPI dos EUA mostra um claro movimento altista, acima das expectativas do mercado. Caso contrário, deveremos voltar as tendências que vigoraram até aqui, com dólar em queda, juros baixos e apreciação dos ativos emergentes. Vale ressaltar que ainda não vejo motivos evidentes de mudanças de tendências, mas movimentos pontuais de ajuste. Repito, o Core CPI será determinante nesta trajetória.

Como o Brasil não é uma ilha isolada do mundo, os movimentos globais deverão afetar a dinâmica local, como foi o caso hoje, com o dólar em alta, os juros mais pressionados porém com o Ibovespa atingindo novos picos recentes.




Data: 11/09/2017

Sem novidades relevantes. Atenção à dinâmica dos ativos de risco.

Na sexta-feira, a agenda econômica foi esvaziada. Assim, o destaque ficou por conta, apenas, para a dinâmica dos ativos de risco. Chamou a atenção a realização de lucros, e reversão (até o momento pontual) da trajetória de alguns ativos. Ainda me parece cedo para afirmar que estamos diante de uma reversão de tendência ou de uma realização de lucros mais acentuada, mas vale manter uma atenção sobre estes pontos.

Por ora, não vejo mudanças de fundamentos que justifiquem movimentos de reversão maiores, mas os níveis de preço e os movimentos, em muitos casos acentuados, dos últimos meses, podem ter deixado a posição técnica momentaneamente prejudica e favorecer movimentos de acomodação.

Dois exemplos podem ser citados aqui. Primeiro, a forte queda do Cobre, que caiu mais de 3% na sexta-feira. Segundo, a reversão da tendência de apreciação do CNH, moeda da China, após o pais anunciar um corte de 20% para 0% nos Reveserve Requirements sobre operações de FX Fowards.

A agenda econômica nos EUA ganhará importância ao longo da semana, com os dados de inflação como PPI e CPI em foco.

No Brasil, o fluxo de notícias segue sem novidades relevantes, o que favorece o Governo e o status-quo. De novidade relevante para os mercados, apenas declarações de Meirelles de que irão retomar as tratativas para a Reforma da Previdência. O Governo tem a intensão de colocar o tema para votação ainda em outubro.

O cenário econômico permanece inalterado e positivo. O crescimento mostra sinais mais consistentes de recuperação, impulsionado pelo consumo. O mercado de trabalho apresenta dinâmica positiva. A inflação está baixa e continua surpreendendo o mercado e o BCB. Este pano de fundo permite que o processo de queda da Taxa Selic continue. As contas externas estão saudáveis. O cenário fiscal demanda cautela, mas há a expectativa de continuidade do processo de reformas.

 




Data: 11/09/2017

"Risk-On". Furacões em Foco. Inflação na agenda Americana.

Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom positivo, com claro viés de “risk-on”. A ausência de desenvolvimentos relevantes no campo geopolítico, aliado a um pano de fundo econômico positivo, está dando suporte aos ativos de risco nesta manhã.

Ontem, comentei sobre este tema aqui: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/sem-novidades-relevantes-atencao.html. Na semana passada, já havia escrito sobre o pano de fundo global no link a seguir: https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/goldilocks-are-back.html.

A agenda do dia será relativamente esvaziada, mas ao longo da semana o destaque ficará por conta dos dados de inflação nos EUA e para as Notas do Copom no Brasil. Com os dados de atividade econômicas globais saudáveis, um mercado de trabalho em franca recuperação nas principais economias do mundo, a inflação baixa no mundo parece o último “conundrum” do cenário.

Em relação aos Furacões que atingiram os EUA nas últimas semanas, são sem dúvida alguma uma enorme tragédia humanitária. Em termos econômicos, os Furacões devem afetar negativamente a atividade no curto-prazo e provavelmente elevar a inflação. No médio e longo-prazos, contudo, os esforços de reconstrução deverão dar sustentação a atividade econômica e ao crescimento. Possivelmente, os esforços de reconstrução das áreas atingidas podem ajudar o Congresso a chegar a chegar a algum consenso do ponto de vista fiscal, liberando recursos e tornando a agenda política mais fluida.

Sobre a relação entre furacões e mercados, a Goldman Sachs escreveu hoje:

We see several potential implications for markets, most of which are modest. Our Commodities strategists expect the overall impact of both hurricanes to be net bearish for oil in the short term. Similarly, companies in sectors that are directly exposed to the regional damage will see some impact on short-term earnings, but the magnitude of the current impact should be modest in the longer term.

The broader macro market impact should be even more modest, as rational markets should 'see through' the anticipated short-term weakness in economic data. However, looking at the historical patterns around natural disasters suggests this may not always occur immediately. Fed officials should have less trouble 'de-noising' the data, although hurricane-related distortions may require slightly more discretion on the margin when interpreting data signals.




Data: 08/09/2017

Copom, Política Brasil e ECB.

 

Mercados – O dia foi marcado pela pressão baixista no dólar ao redor do mundo, ajudado por mais uma rodada de pressão nos yields das Treasuries. As commodities se favoreceram deste ambiente, enquanto as bolsas apresentaram leve apreciação.

 

Não vejo uma explicação boa para está pressão continua nos yields das Treasuries, em meio a um cenário de crescimento robusto e de economia saudável, a despeito da fraqueza da inflação, que aparenta ser uma questão global. Fico com uma certa “pulga atrás da orelha” quando vejo um movimento de forte pressão sobre as taxas de juros, fraqueza da moeda e alta dos metais preciosos. Me impressiona, neste ambiente, a ausência de pressão sobre as bolsas dos EUA. Acredito que, em algum momento, estes ativos precisarão encontrar um equilíbrio melhor, seja com as bolsas apresentando alguma correção, ou com os demais ativos (yields e dólar) apresentando algum ajuste a um cenário ainda em grande parte favorável de crescimento. 

 

Vimos mais um dia positivo para os ativos emergentes, com os ETFs e as ADRs de Brasil com desempenho positivo. Continuo vendo espaço para a rotação das bolsas desenvolvidas para as bolsas emergentes, e o Brasil como um importante favorecido deste processo. 

 

Brasil – Copom: O BCB anunciou um corte de 100bps na Taxa Selic, como era amplamente esperado. O comunicado após a decisão sinalizou para um processo gradual de queda da Taxa Selic de agora em diante, já que estamos em um estágio avançado deste ciclo de queda de juros. Mantidas as condições atuais, o cenário base parece ser de cortes de 75bps e 50bps nas próximas duas reuniões do Copom, com a possibilidade de algum corte adicional de 25bps após isso. 

 

Neste ambiente, acredito que a parte curta da curva de juros ficará bem ancorada, mas já não apresenta um risco/retorno favorável para ganhos de capital. A partir de agora, deveremos ver um movimento mais claro de flattening da curva. Vejo duas oportunidades aqui. Uma, a retirada dos prêmios excessivos de alta de juros a partir de 2018, com a manutenção de uma Taxa Selic mais baixa por um tempo mais prolongado. Isso favoreceria a parte intermediária da curva. Acredito que este será um processo gradual. Ao mesmo tempo,vejo espaço para a redução dos prêmios de risco da parte mais longa da curva, em meio um cenário cíclico mais positivo, o avanço de importantes reformas estruturante, e um cenário político cujos os riscos de cauda tem sido reduzidos. A NTNB 2050, por exemplo, parece ter “ficado para trás” em termos de desempenho se comparada vis-à-vis o movimento recente dos juros curtos, do Ibovespa e do próprio BRL. 

 

Brasil – Político: Em depoimento ao juiz Sergio Moro, Antonio Palocci, ex Ministro da Fazenda, acusado pelo MPF e atualmente preso, confessou que teria agido de maneira não republicana em diversos episódios que, supostamente, envolveria o ex presidente Lula e demais membros do PT. O depoimento de Palocci deve ser visto como mais um enorme obstáculo para o PT e deveria enfraquecer ainda mais o partido e as pretensões políticas do ex Presidente Lula. Este cenário costuma ser visto como positivo pelos mercados financeiros locais. 

 

O cenário político mostra redução dos riscos de cauda, com os últimos eventos envolvendo os delatores da JBS e, agora, novas acusações sobre Lula, de um membro de seu circulo íntimo. Com um cenário externo construtivo, uma recuperação cíclica da economia, o ambiente se mostra bastante propício para a apreciação dos ativos locais. A aproximação do fim do ciclo de corte da Taxa Selic deverá favorecer o Ibovespa, o BRL e parte mais longa curva de juros em detrimento às posições em juros mais curtos e NTNBs, que vinham sendo a maior alocação a risco do mercado até recentemente. 

 

Europa – O ECB manteve sua política monetária inalterada. Draghi sinalizou que o processo de revisão do QE está em curso, mas uma decisão definitiva deverá ser tomada em outubro. A despeito dos comentários sobre a apreciação recente do EUR, o ECB não colocou um peso grande sobre isso, o que favoreceu mais uma rodada de alta da moeda.  




Data: 06/09/2017

Brasil: Inflação Benigna, Cenário Positivo.

 

A quarta-feira foi marcada por uma estabilização do humor global a risco e pela continuidade do movimento de rotação de alocações dos países desenvolvidos para os países emergentes. Os ativos do Brasil têm sido os mais favorecidos por este movimento. 

 

Nos EUA, o Congresso autorizou a liberação de recursos para auxílio aos estragos causado pelo desastre natural do Furacão Harvey, no estado do Texas. Além disso, cresceram as chances de um acordo político que não paralise o país, e que dê condições de manter os pagamentos das obrigações do governo, o que estava em xeque devido as negociações políticas recentes. Estes eventos, aliados a ausência de novidades relevantes no tocante a Coréia Norte, e dados que confirmam um crescimento saudável do país, com o ISM Non-Manufacturing em níveis robustos de 55,3 pontos, deram sustentação aos ativos de risco como um todo. 

 

No Brasil, além do fluxo de notícias mais positivo, comentado esta manhã aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/brasil-fluxo-de-noticias-positivas.html, o IPCA de agosto ficou abaixo das expectativas do mercado, com alta de 0,19% MoM e 2,46% YoY, contra expectativas de 0,30% MoM e 2,58% YoY.

 

O qualitativo do indicador continua mostrando um quadro extremamente benigno para a inflação corrente e para a inflação prospectiva. O número deu ímpeto as expectativas do mercado em torno de um ciclo de queda da Taxa Selic ainda mais intenso e a manutenção de uma taxa de juros mais baixa por um período mais prolongado de tempo. Continuo vendo espaço para o fechamento das taxas de juros no país, já que a parte intermediária da curva de juros nominais precifica um ciclo de alta de juros a partir de 2018 que não vejo como factível. Diante dos eventos recentes, vejo espaço para a parte longa da curva de juros apresentar um “catch-up” em relação as demais classes de ativos. 




Data: 06/09/2017

Brasil: Fluxo de notícias positivas. Copom em foco.

 

Os ativos de risco estão operando próximos a estabilidade nesta manhã. Ontem, o destaque ficou por conta da pressão sobre os ativos dos EUA, com o dólar, as bolsas e os yields dos país operando em queda. Não há um vetor específicos que explique estes movimentos, mais um conjunto de vetores menores, menos importantes mas que, em conjunto, ajudaram estes movimentos. São eles: os riscos provenientes da Coréia do Norte, a onde de furacões de categorias mais elevadas e potencial destruidor grande, um efeito retardado aos dados mais fracos de emprego divulgados na sexta-feira, entre outros.

Continuo optando por um portfólio relativamente neutro no direcional a risco. Vejo espaço para movimentos de diferenciação. Como tenho comentado neste fórum, vejo espaço para a continuidade de rotação de ativos vistos como com valuations e posição técnica menos atrativos neste momento, em prol de ativos cujo valuation parece mais atraente e a posição técnica idem. Este é o caso, por exemplo, da migração das bolsas dos países desenvolvidos para as bolsas e os ativos emergentes em geral. Dados os riscos geopolíticos e os níveis de volatilidade implícita, gosto de buscar hedges em alguns índices de bolsa dos países desenvolvidos, ou executar as posições “compradas” através de estruturas de opção. As vols implícitas do Ibovespa, por exemplo, se mostram historicamente em níveis extremamente baixos, deixando o risco/retorna da operação comprada via opções bastante atrativa.

No Brasil, o fluxo de notícias deve ser lido como mais positivo. O Senado aprovou ontem a TLP e a revisão da meta fiscal. A mídia está reportando hoje que o BNDES pode devolver cerca de R$130bi ao Tesouro, em operação semelhante à ocorrida recentemente. No campo político, as novas revelações do “Caso JBS” enfraqueceram as denúncias da PGR sobre o núcleo central do Governo. Ainda é esperada uma nova denúncia contra o Presidente Michel Temer, em muito baseada na delação premiada, homologada ontem, segundo a mídia, de Lúcio Funaro. Contudo, é inegável que o Governo saiu fortalecido dos últimos eventos. Na noite de ontem, a mesma PGR denunciou o PT e seus principais integrantes, entre eles os ex Presidentes Lula e Dilma, em conexões com os esquemas de desvio de recursos da Petrobrás.

Hoje à noite teremos a reunião do Copom. O mercado espera um corte de 100bps na Taxa Selic, para 8,25%. O foco deverá ficar por conta do comunicado que o BCB irá divulgar e o tom que pretende adotar. O mercado está dividido entre expectativas de que o BCB tenha grau de liberdade, e não indique claramente os seus próximos passos, e outra parte do mercado que já espera uma indicação de desaceleração do ritmo de corte da Taxa Selic, baseado nos modelos de previsão de inflação do BCB, o nível da taxa atual de juros e o ciclo de corte já realizado. Acredito que haja espaço para que a Taxa Selic atinja níveis próximos, ou pouco abaixo de 7%. O comunicado do BCB irá, em muito, depender de como o BCB pretende encerrar este ciclo de corte de juros,ou com a chamada “escadinha”, reduzindo o ritmo de cortes até encerra-lo, ou continuar em um ritmo mais “agressivo” de 100bps, e encerrar o ciclo de cortes de maneira abrupta. Acredito que isso será bem comunicado, mas tenho pouca vantagem comparativa em tentar antecipar este processo. Continuo vendo espaço para o fechamento das taxas de juros no país, já que a parte intermediária da curva de juros nominais precifica um ciclo de alta de juros a partir de 2018 que não vejo como factível. 




Data: 05/09/2017

Estabilização do humor global a risco. No Brasil, governo se fortalece.

 

Os ativos de risco estão apresentando recuperação em relação ao leve “risk-off” verificado ontem. A ausência de uma reação mais enérgica e beligerante do Ocidente em relação aos últimos eventos na Península da Coréia é um vetor de sustentação dos ativos de risco esta manhã. Vale lembrar que na semana passada tivemos a confirmaço de um cenário econômico global positivo. Os eventos geopolíticos na Ásia são os únicos pontos de preocupação/ruído no curto-prazo. Assim, a ausência de reações mais negativas em resposta aos testes balísticos militares por parte da Coréia do Norte acaba gerando um cenário menos negativo para os ativos de risco.

Comentei sobre o cenário econômico global aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/08/the-world-is-fine-thanks.html e aqui, https://mercadosglobais.blogspot.com.br/2017/09/goldilocks-are-back.html.

Sobre a Coréia do Norte, reforço que: Raramente situações como essa chegam ao ponto beligerante. Na maior parte das vezes, situações como essa chegam a um equilíbrio na base da diplomacia. Contudo, não estamos em tempos normais. Os líderes de EUA e Coreia do Norte são de difícil leitura. Acredito que ninguém tenha vantagem comparativa em prever este tipo de evento/situação. A sinalização de Trump, entretanto, coloca o mercado em alerta. Qualquer resposta verbal, ou novo teste balístico por parte da Coreia do Norte, poderá levar a uma reação desproporcional nos ativos de risco, especialmente nos atuais níveis de preço.

Continuo vendo um cenário econômico global relativamente positivo, e espaço para uma tendência de leve apreciação dos ativos de risco. Em especial, vejo espaço para a continuidade de rotação de ativos vistos como com valuations e posição técnica menos atrativos neste momento, em prol de ativos cujo valuation parece mais atraente e a posição técnica idem. Este é o caso, por exemplo, da migração das bolsas dos países desenvolvidos para as bolsas e os ativos emergentes em geral. Dados os riscos geopolíticos e os níveis de volatilidade implícita, gosto de buscar hedges em alguns índices de bolsa dos países desenvolvidos, ou executar as posições “compradas” através de estruturas de opção. As vols implícitas do Ibovespa, por exemplo, se mostram historicamente em níveis extremamente baixos, deixando o risco/retorna da operação bastante atrativa.

No Brasil, no final da tarde de ontem, o Procurador Geral da República anunciou que membros do Grupo da J&F, cujos acordos de delação premiada já foram homologados, e são de conhecimento público, entregaram a PGR novas gravações que não haviam sido disponibilizadas anteriormente. Segundo a PGR, as gravações trazem conversas gravíssimas, que colocam em dúvida a atuação e a postura de membros da própria PGR e do Judiciário como um todo, em todas as instancias. Segundo o Procurador Geral, já foi aberto uma investigação que pode vir a cassar os direitos concedidos aos delatores por terem omitido uma parte vista como relevante em suas delações premiadas.

O efeito prático deste evento é enfraquecer a delação do Grupo J&F e, consequentemente, enfraquecer todas as denuncias cuja base eram essas delações, mesmo que a PGR diga que as provas ainda são válidas. Neste caso, a situação do Presidente Michel Temer e de parte do seu núcleo político obtém uma vitória bastante importante politicamente. Uma eventual segunda denuncia já chegaria ao Congresso desgastada e enfraquecida. O evento de ontem deve ser lido pelo mercado como positivo por favorecer a continuidade do cenário político atual, reduzindo “riscos de cauda” de eventuais novas denuncias no curto-prazo.

Além disso, a mídia está reportando que Marcelo Odebrecht, em depoimento ao juiz Sergio Moro, confirmou que operava uma “conta propina” para membros dos governos do PT nos últimos 12 anos. Segundo a mídia, os depoimentos incriminariam os governos de Lula e Dilma. Sem tentar fazer juízo do caso, mas apenas em uma tentativa de entender a resposta do mercado a este evento, tendo a acreditar que o mercado irá ler este tipo de depoimento como elevando a probabilidade de uma nova condenação de Lula. Consequentemente, isso enfraqueceria o ex presidente em sua corrida presidencial de 2018. Assim, tende a ser lido como positivo pelos mercados financeiros locais.




Data: 04/09/2017

Coréia do Norte: Oops, I Did it Again...

 

O destaque do final de semana ficou por conta da constatação e mais um teste balístico militar por parte da Coréia do Norte. Desta vez, contudo, o teste foi classificado como “bem sucedido”. Os lançamentos teriam testado artefatos nucleares, ou uma possível bomba de hidrogênio, que teria causado um terremoto de cerca de 6,3-6,4 graus na mesma região que outros testes nucleares teriam sido conduzidos no passado. O teste deste domingo foi classificado como o mais poderoso realizado pela Coréia do Norte até o presente momento e seria mais uma confirmação dos imensos avanços atingidos pelo país em seu programa nuclear. 

 

A comunidade internacional foi rápida em condenar os testes. O Conselho de Segurança da ONU foi convocado para um reunião nesta segunda-feira. Por ora, a comunidade internacional ainda busca uma saída diplomática para a situação e os EUA é o único país que fala abertamente em uma possível solução militar para o caso. 

 

Reforço aqui o que tenho escrito neste fórum nas últimas semanas: O lançamento dos mísseis ocorre após uma semana de recuo na retórica entre a Coréia do Norte e os EUA. O evento deve ser visto como uma clara provocação da Coreia do Norte após as últimas declarações de Trump. Agora, ficamos diante de uma situação bastante incerta e delicada. Caso não reaja militarmente, e insista em ações preventivas por meios econômicos e diplomáticos, Trump irá começar a perder credibilidade. Assim, crescem as chances da Coreia do Norte insistir em seu programa nuclear e em suas provocações militares aos seus vizinhos mais alinhados com o ocidente. Caso Trump decida reagir de forma mais agressiva, militarmente, poderemos entrar em um ambiente muito mais hostil e incerto. 

 

Os ativos de risco tem mostrado uma capacidade bastante firme em ignorar este tipo de ruído. Acredito que poderemos ter uma reação negativa de curto-prazo, mas uma mudança de trajetória dos mercados só ocorrerá caso um conflito militar mais abrangente seja concretizado. Caso contrário, qualquer realização de curto-prazo será vista como oportunidade de novas alocações em ativos de risco. 

 

Acredito, contudo, que o mercado embute um risco excessivamente baixo de ocorrência de um evento como esses, dado a magnitude dos movimentos caso eles ocorram. Assim, me parece relativamente barato estruturar hedges nesta direção. As bolsas globais estão no highs recentes (e em alguns casos históricos), as volatilidades implícitas voltaram para níveis historicamente baixos e etc. Reforço aqui que o cenário base ainda é construtivo para a economia global. A probabilidade de ocorrência de um evento negativo no mundo se elevou, mas ainda é baixa, contudo os níveis de preço tornam a estruturação de hedges uma maneira barata de proteger os portfólios. 

 

Um último comentário sobre este tema: Raramente situações como essa chegam ao ponto beligerante. Na maior parte das vezes, situações como essa chegam a um equilíbrio na base da diplomacia. Contudo, não estamos em tempos normais. Os líderes de EUA e Coreia do Norte são de difícil leitura. Acredito que ninguém tenha vantagem comparativa em prever este tipo de evento/situação. A sinalização de Trump, entretanto, coloca o mercado em alerta. Qualquer resposta verbal, ou novo teste balístico por parte da Coreia do Norte, poderá levar a uma reação desproporcional nos ativos de risco, especialmente nos atuais níveis de preço. 

 

No Brasil, ao contrário do que se temia, a fluxo de notícias foi relativamente esvaziado. Não houve “fato novo” no âmbito político. Pelo menos por ora, não há informações novas concretas em torno de novas delações premiadas, ou em relação a eventual nova denuncia contra o Presidente Michel Temer, que venha a alterar o quadro político local de maneira derradeira.




Data: 01/09/2017

Goldilocks are back!

 

A sexta-feira foi marcada por duas divulgações relevantes.

Brasil – O PIB do 2Q apresentou alta de 0,2% QoQ, dentro das expectativas do mercado. Parte relevante da alta moderada do PIB foi explicada pelo Consumo, o que já vinha sendo observado nos números econômicos mensais. Os investimentos ainda se mostram tímidos, mas a recuperação do PIB mostra uma certa disseminação mais abrangente entre os setores, mesmo que ainda tímida.

O número de hoje confirma as expectativas do mercado de uma recuperação da economia e do crescimento de agora em diante, o que em nada altera a dinâmica dos mercados locais. O número não deveria mudar a política monetária de curto-prazo e nem mesmo o otimismo de alguns players na recuperação mais robusta do crescimento.

EUA – Os dados de emprego de agosto ficaram abaixo das expectativas do mercado, com uma criação de emprego mais baixa do que o esperado, uma taxa de desemprego mais elevada, e sem sinais consistentes de pressões salariais. A despeito da fraqueza do indicador, o mês de agosto é visto como um mês de difícil mensuração devido a questões sazonais. 

O número em nada altera a visão de uma economia saudável, um mercado de trabalho robusto mas sem necessidades de um processo de normalização monetária mais rápido do que aquele que vem sendo sinalizado pelo Fed. Tampouco altera as expectativas para a redução do balanço do Fed, cujo mercado espera que seja anunciado na reunião do FOMC de setembro. A continuidade do processo de alta de juros, contudo, continua dependente de dados de inflação mais firmes nos próximos meses.

Mercados – Após um período de consolidação, os ativos de risco aparentem estar voltando para suas tendências que foram regra ao longo de todo este ano. O pano de fundo continua construtivo para os ativos de risco em geral. Salvo mudanças substanciais de cenário e/ou riscos expecíficos (Coréia do Norte, por exemplo) parece que os mercados financeiros globais poderão retomar suas tendências que vinham sendo regra a até poucas semanas atrás (De maneira geral, uma apreciação moderada dos ativos de risco, com algumas diferenciações por questões de posicionamento e valuations. Em grande exemplo disso fica por conta da rotação de bolsas dos países desenvolvidos para alguns mercados emergentes, como o Brasil).

No Brasil, o Copom será o destaque da semana que vem. O mercado já trabalha com uma queda de 100bps na Taxa Selic. A comunicação que será apresentada pelo Comitê será fundamental para